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Comunicação nas Empresas

2014
Editorial
Comitê Editorial
Magda Maria Ventura Gomes da Silva
Rosaura de Barros Baião
Gladis Linhares

Organizadores do Livro
Daniela Tincani
Rozangela Nogueira de Moraes

Autor do Original
Daniela Tincani
Luis Cláudio Dallier Saldanha
Luiz Roberto Wagner
Rozangela Nogueira de Moraes

© UniSEB © Editora Universidade Estácio de Sá


Todos os direitos desta edição reservados à UniSEB e Editora Universidade Estácio de Sá.
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou meio eletrônico, e mecânico, fotográfico e gravação ou qualquer
outro, sem a permissão expressa do UniSEB e Editora Universidade Estácio de Sá. A violação dos direitos autorais é punível como crime
(Código Penal art. 184 e §§; Lei 6.895/80), com busca, apreensão e indenizações diversas (Lei 9.610/98 – Lei dos Direitos Autorais – arts.
122, 123, 124 e 126).
Comunicação nas Empresas
Capítulo 1: Produção textual e
Comunicação Empresarial............................. 7
Objetivos da sua aprendizagem............................... 7
ri o Você se lembra?............................................................. 8
1.1  Experiências com a escrita.......................................... 9

Introdução............................................................................... 11
1.2  Crendices e mitos sobre redação . ........................................ 12
1.3  Concepções ou princípios sobre redação.................................. 14
Su

1.4  Algumas características da escrita................................................. 17


1.5  Diferenças entre a oralidade e a escrita............................................. 18
1.6  Elementos da comunicação oral........................................................... 20
1.7  Usando recursos especiais para falar em público.................................... 26
1.8  Feedback e o valor de ser um bom ouvinte................................................ 28
Atividades ........................................................................................................... 31
Reflexão................................................................................................................. 31
Leituras recomendadas............................................................................................. 33
Referências bibliográficas.......................................................................................... 34
No próximo capítulo.................................................................................................... 35
Capítulo 2: Texto, Discurso, Coesão e Coerência Textuais..................................... 37
Objetivos da sua aprendizagem..................................................................................... 37
Você se lembra?.............................................................................................................. 37
2.1  A produção de um texto........................................................................................... 38
2.2  Texto e discurso........................................................................................................ 38
2.3  Coesão textual.......................................................................................................... 40
2.4  Coesão textual e a articulação sintática do texto..................................................... 45
2.5  Coerência textual.................................................................................................... 47
Atividades.................................................................................................................... 48
Reflexão..................................................................................................................... 51
Leituras recomendadas ........................................................................................... 51
Referências bibliográficas.................................................................................... 51
No próximo capítulo......................................................................................... 52
Capítulo 3: Crase e Colocação Pronominal.............................................. 53
Objetivos da sua aprendizagem................................................................. 53
Você se lembra?..................................................................................... 53
3.1  Origem da crase.......................................................................... 54
3.2  Emprego atual da crase.............................................................. 54
3.3  Casos facultativos do uso do acento grave, indicador da crase.58
3.4  Crase.................................................................................. 60
3.5  Pronome....................................................................... 64
3.6  Pronomes pessoais.................................................................................................... 64
3.7  Colocação pronominal.............................................................................................. 67
3.8  Próclise...................................................................................................................... 68
3.9  Mesóclise ................................................................................................................ 71
3.10  Relação entre pontuação e funções sintáticas......................................................... 75
Atividades........................................................................................................................ 77
Reflexão........................................................................................................................... 80
Leituras recomendadas..................................................................................................... 81
Referências bibliográficas................................................................................................ 82
No próximo capítulo........................................................................................................ 83
Capítulo 4: Dificuldades Ortográficas e Sintáticas..................................................... 85
Objetivos da sua aprendizagem...................................................................................... 85
Você se lembra?.............................................................................................................. 85
4.1  Ortografia................................................................................................................. 87
4.2  Emprego do hífen...................................................................................................... 93
4.3  Homônimos e parônimos.......................................................................................... 95
4.4  Concordância verbal................................................................................................. 99
4.5  Concordância nominal............................................................................................ 101
4.6  Regência verbal....................................................................................................... 102
4.7  Regência nominal.................................................................................................... 104
4.8  Uso dos “porquês”.................................................................................................. 105
4.9  Palavras e expressões parecidas, mas diferentes..................................................... 107
4.10  Algumas observações sobre verbos...................................................................... 110
4.11  Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia e Solecismos............................................. 113
Atividades...................................................................................................................... 115
Reflexão ........................................................................................................................ 115
Leituras recomendadas................................................................................................... 116
Referência...................................................................................................................... 117
No próximo capítulo...................................................................................................... 118
Capítulo 5: Correspondência nas Empresas............................................................. 119
Objetivos da sua aprendizagem..................................................................................... 119
Você se lembra?............................................................................................................. 119
5.1  A linguagem das organizações ............................................................................... 120
5.2  Qualidades do texto empresarial............................................................................. 120
5.3  Padronização de documentos empresariais............................................................. 128
5.4  Dicas para redação de relatórios e cartas................................................................ 130
5.5  Correspondência oficial.......................................................................................... 131
Atividades...................................................................................................................... 132
Reflexão......................................................................................................................... 133
Leituras recomendadas................................................................................................... 133
Referências bibliográficas.............................................................................................. 133
ã o Prezados(as) alunos(as)
Uma boa comunicação contribui decisi-
vamente para o sucesso profissional.
aç Não conseguiríamos imaginar alguém bem su-
ent
cedido sem uma comunicação adequada, portanto,
a nossa proposta, neste livro, é a de aprofundarmos os
conhecimentos acerca deste tema, de grande relevância,
res

seja na vida acadêmica, seja na vida profissional, impres-


cindível para que alcancem esse sucesso.
Ap

Sabemos que para uma boa comunicação é preciso usar ade-


quadamente a língua portuguesa. Por isso, nesta disciplina vamos
tratar de aspectos teóricos da língua que estão relacionados com a
comunicação no dia a dia.
O livro está organizado em cinco capítulos, dispostos da seguinte
maneira:
O capítulo 1, Produção textual e comunicação empresarial, apresen-
ta algumas reflexões acerca das dinâmicas da produção textual, assim
como o desenvolvimento de estratégias de comunicação.
No capítulo 2, Texto, discurso, coesão e coerência textuais, são apre-
sentadas as noções básicas sobre texto e discurso, dicas para produzir
textos bem formados e orientações para aplicar os mecanismos de coesão
e coerência textual.
Já o capitulo 3, Crase e colocação pronominal, aborda o tema crase, o
emprego dos pronomes pessoais e colocação pronominal.
No capítulo 4, Dificuldades ortográficas e sintáticas, são abordadas
as questões relacionadas com as dificuldades ortográficas e sintáticas
da língua portuguesa, a concordância verbal e nominal e o uso de
algumas expressões semelhantes, mas com diferentes significados
e empregos.
Encerramos com o capítulo 5, Correspondência nas empre-
sas, que apresenta uma aplicação da linguagem formal no
texto empresarial com a apresentação de algumas técnicas
que contribuem para a concisão, objetividade e clareza
do texto, com a finalidade de utilização de uma lin-
guagem formal nas comunicações que ocorrem no
ambiente organizacional.
Buscamos, com um olhar mais amplo, trabalhar aspectos práticos da co-
municação, como a expressão de nossas ideias ou intenções por meio da
escrita, as técnicas e as normas de produção textual e dicas para evitar os
desvios mais comuns em relação à língua padrão.
Será um prazer compartilharmos todo esse conhecimento.
Seja bem-vindo e junte a nós para essa ação em comum, que é a COMU-
NICAÇÃO.

Abraços
Rozangela Nogueira de Moraes
Produção Textual e
Comunicação Empresarial
C Produzir bons textos, seja nas redações es-
colares ou em alguma situação comunicativa do
CCC
dia a dia, é realmente um desafio para muitos. Por
isso mesmo, queremos descomplicar um pouco essa
CC C

questão. Apresentamos algumas reflexões neste capítulo


que podem ajudá-lo a compreender melhor a dinâmica da
CCC

produção textual, desfazendo algumas crendices e mitos so-


bre a escrita. Vamos comentar sobre algumas características da
escrita e rever os tipos de textos mais comuns.
No que diz respeito ao desenvolvimento de estratégias de comu-
nicação, serão abordados a comunicação oral e os principais ele-
mentos para uma boa oratória. Vamos conhecer os componentes e as
características da comunicação oral. Estudaremos o uso da voz e do
gestual na fala e, também, abordaremos situações de comunicação oral
no contexto profissional.

Objetivos da sua aprendizagem


• Desenvolver habilidades de escrita.
• Aperfeiçoar técnicas de produção textual.
• Identificar dificuldades e limitações na produção de textos.
• Reconhecer as particularidades da comunicação oral.
• Identificar os principais desafios para falar em público adequadamente.
• Aplicar as técnicas de uso da voz e do gestual nas situações de comu-
nicação oral.
• Desenvolver habilidades comunicacionais em situações de apre-
sentação pública.
Você se lembra?
Você se recorda da sua relação com o ensino-aprendizagem de língua
portuguesa? Lembra que uma experiência mal sucedida de aprendizado da
língua pode nos afetar ao longo da vida escolar? Pois é, tem muita gente
que mesmo depois de ter passado pelo Ensino Fundamental e Médio ainda
enfrenta enormes barreiras para escrever uma redação e produzir um bom
texto.
E qual foi a última vez em que você precisou falar em público, numa
situação formal? Você foi bem, apesar de alguma eventual ansiedade ou
insegurança?
Aliás, você tem medo de falar em público? Para muita gente, isso é uma
verdadeira tortura. Em parte, o medo ou dificuldade de falar em público
decorre de elementos relacionados a aspectos fisiológicos e psicológicos
envolvidos na comunicação oral.
Às vezes, o medo ou impedimento decorrem da falta de algumas habili-
dades específicas ou de uma prática mais regular de oratória.
Por isso, é bom lembrar e avaliar nosso desempenho em situações nas
quais precisamos nos dirigir a outras pessoas usando a nossa voz.
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

1.1  Experiências com a escrita


Às vezes, podemos ser levados a pensar que todos os grandes es-
critores nunca tiveram qualquer dificuldade para escrever. Admiramos
aqueles que escrevem livros maravilhosos ou mesmo os que são capazes
de elaborar textos que prendem nossa atenção e conseguem comunicar
claramente suas ideias. Mas é preciso saber que nem todos os que vivem
do ofício da escrita foram sempre bons escritores. Alguns até tiveram
experiências difíceis com a língua portuguesa. Embora haja uma diversi-
dade de experiências nessa questão, encontramos aqueles que passaram a
escrever depois de superar algum desafio.
Vamos conhecer algumas experiências para fazermos uma reflexão
inicial sobre o aprendizado da escrita e a atividade de escrever textos, seja
profissionalmente ou não.
Convido você a conhecer, primeiramente, a declaração de Lygia
Fagundes Telles, escritora que nasceu em 1923, em São Paulo, e escreveu,
entre outras, obras que foram adaptadas para a televisão, como Retratos
de Mulher, de O moço do saxofone; e para o cinema, As meninas, do ro-
mance homônimo.

“Eu sempre digo que comecei a escrever antes de saber escrever.


Não é charminho de escritor, não. Falo assim, porque antes de ser
alfabetizada eu já contava histórias. Eram histórias que ouvia das
minhas pajens.
[…]
Na verdade eu aprendi a escrever muito mais tarde do que a maioria
das crianças. Nós vivíamos mudando de cidade, por força do trabalho
do meu pai, de maneira que eu não parava nas escolas. De um certo
modo, minha ignorância era legitimada pela situação: filha de dele-
gado, de promotor, podia estar atrasada. Minha mãe achava que eu
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era retardada. Até mesmo a falar eu aprendi tarde; meu avô chegou a
pensar que eu fosse muda: eu só pedia as coisas através de gestos…”
Cadernos de Literatura Brasileira (5): 28. São Paulo: Instituto Mo-
reira Salles, 2002.

Você atentou para o fato de que na experiência dessa escritora pode-


mos destacar a importância de contar e imaginar histórias desde o começo
da infância? E, ainda, que há uma forte ligação entre o contar histórias e o
desenvolvimento da escrita? O interessante é que, na experiência de uma
9
Comunicação nas Empresas

escritora de sucesso, a oralidade teve um papel importante na aquisição e


no desenvolvimento da escrita. Sua relação com a narração oral parece ter
sido decisiva na aprendizagem da escrita, mesmo em face de certo “atra-
so” nessa prática.
Vejamos outra experiência de uma escritora que tem o primeiro nome
idêntico ao da primeira: Lygia Bojunga Nunes. Leia o que ela escreveu:

A redação e o dicionário
Lygia Bojunga Nunes
Se você fosse morar numa ilha deserta e distante e só pudesse levar
um livro pra ler por lá, que livro você levaria?
Quando chegou a minha vez de responder a essa pergunta eu disse
que, mesmo não gostando de carregar peso em viagem, eu levava
um dicionário da minha língua.
Mas eu só senti o gosto do dicionário quando eu comecei a escrever
livro. E assim mesmo, foi um gosto que veio vindo devagar.
Eu tive uma professora de português que achava impossível a gente
viver sem um dicionário perto. Eu não gostava da professora; ela
tinha unha cumprida e pintada de um vermelho meio roxo, quando
ela escrevia no quadro volta e meia a unha raspava a pedra. Que
aflição! Mas não era por isso que eu não gostava dela não: eu tinha
dois motivos muito mais emocionais que a unha. O primeiro é que
eu achava que ela tinha tomado o lugar da professora anterior, que
eu adorava; o segundo é que ela corrigia tintim por tintim tudo que
é redação que eu fazia. Usando caneta. E, pelo jeito, eu cometia
tanta barbaridade gramatical, que ela se via obrigada a reescrever a
minha redação quase que todinha. Com tinta vermelha.
Quando eu relia a minha escrita, assim toda avermelhada para um
português correto, eu sempre sentia a impressão esquisita que a mi-
nha redação tava fazendo careta pra mim.
Mas eu nunca parei pra pensar por que eu sentia assim. Me lembro
que eu ficava chateada e pronto: esquecia a careta. E quando eu ti-
nha de novo que fazer redação eu me aplicava igualzinho: redação
era o único dever que gostava de fazer.
A professora corrigia tintim por tintim outra vez. E a nota que ela
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me dava ficava sempre em torno do 5. Ela justificava a dádiva com


a seguinte observação: composição imaginativa. Embaixo do FIM
que eu botava sempre no fim da minha redação, ela escrevia um
lembrete (vermelho também):

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Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

“Habitue-se a consultar o dicionário.”


Não deu outra: me habituei a nunca abrir um dicionário.
Livro, um encontro com Lygia Bojunga Nunes. Rio de Janeiro:
Agir, 1998.

Você percebeu como uma prática inadequada do professor em sala


de aula pode levar a uma experiência desagradável com a escrita ou, no
caso específico, a uma resistência em relação ao uso de um recurso impor-
tante: o dicionário?
Sem deixar de refletir individualmente um pouco mais sobre cada
experiência vista até aqui, passemos ao relato de outra vivência com a
língua portuguesa. Agora vamos conhecer a história de um artista bem
popular, o cantor de Rap Gabriel O Pensador.

Introdução
Sempre gostei de escrever, desde os tempos de escola. Adorava
fazer redação, principalmente quando a professora já dizia o tema, por-
que várias vezes sofria pra conseguir começar uma de “tema livre”. Mas
depois que começava aí eu embalava e escrevia com gosto. Viajava.
Viajava com gosto também nas histórias em quadrinho, ainda mais novo,
quando não escrevia nada (eu acho), mas gostava de desenhar e de parar
na banca pra comprar revistinha da turma da Mônica, do Walt Disney,
Recruta Zero, Turma do Bolinha, Fantasma, Asterix… Muitas vezes pas-
sava tardes inteiras de domingo lendo gibis na movimentada mesa do bar
Dauphine, em Copacabana, enquanto meu pai conversava com os amigos
parceiros de chope. Todo mundo rindo e falando alto e eu ali, na minha,
concentrado na leitura. Acho até que se eu tivesse continuado naquele pi-
que eu teria me tornado um rapaz muito culto.
Minha avó me contou que eu aprendi a ler sozinho, aos quatro anos,
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com um livro ilustrado chamado Os mamíferos, que ela estava lendo pra
mim. Um dia, mostrei a ela uma foto e li o nome do bicho em voz alta:
“Or-ni-tor-rin-co”. Ela ainda não tinha chegado nessa página e eu nunca
tinha ouvido falar naquele bicho estranho de nome idem. Nem sei por que
é que eu tô falando disso, mas é que eu soube há pouco tempo e achei in-
teressante. Bem, este livro também nasceu mais ou menos assim. Tivemos
que esvaziar e arrumar uma montanha de papéis no escritório lá de casa
porque deu mofo. Mofo deu geral! Atchim! Saúde! Obrigado... Ih! Olha
só isso aqui! Deixa eu ver...
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Comunicação nas Empresas

Comecei a encontrar vários textos, poemas e até redações de colégio


que eu nem me lembrava que tinha guardado, a maioria eu nem me lembrava
de ter escrito! Que surpresa boa! Algumas coisas me fizeram voltar no tempo
quando eu parei de espirrar para ler. Outras pareciam totalmente novas. A
memória já tinha apagado, mas as folhas escritas à mão resistiram ao mofo e a
várias viagens e mudanças. Pô, eu também não sou tão velho assim!
Gabriel, O Pensador. Diário noturno.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Fragmento.

Na experiência de Gabriel O Pensador, a prática da escrita é algo


quase “natural”, espontâneo, e relacionada com a leitura e a imaginação,
inclusive de textos mais recreativos ou sem tanta pretensão literária, como
as histórias em quadrinho.
Cada relato apresentado parece apontar para um aspecto importante
no desenvolvimento da escrita. Por isso, você deve refletir também sobre
sua própria experiência e avaliar quais fatores foram decisivos no aprendi-
zado da escrita e que desafios você ainda enfrenta nessa questão.

1.2  Crendices e mitos sobre redação


Todas essas experiências que reproduzimos aqui não têm a intenção
de fornecer um receituário para escrever bem ou mesmo apontar os “10
segredos para uma boa redação”! Aliás, há muito mito ou crendice em
relação ao tema da redação e “crenças sobre aprendizagem da escrita nos
levam a formar preconceitos que, de alguma forma, interferem no nosso
dia a dia e no nosso fazer de sala de aula” (GESTAR II, 2008, p. 159-160).
Vejamos alguns pontos de vista sobre a escrita que merecem uma
apreciação mais cuidadosa.

1.2.1  A escrita é uma transcrição da fala


Na história da humanidade, a escrita foi utilizada com a função de
transcrever a fala. Também na nossa história pessoal, nas primeiras etapas
da sua aprendizagem, a escrita funciona como uma forma de transcrição
da oralidade.
Com as transformações da sociedade, novas necessidades comuni-
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cativas surgiram, fazendo que a escrita fosse usada com funções diferen-
tes da fala.

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Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

À medida que o aluno vai experimentando novos usos, a relação


entre os modos comunicativos, oral e escrito vão se transformando (GES-
TAR II, 2008, p. 167).

1.2.2  Só se escreve utilizando a norma padrão


Devem ser ensinados e praticados na escola os gêneros utilizados
em situações formais. Praticar a escrita torna-se apenas uma sequência de
tarefas que seguem os modelos.
Aprender a escrever é uma questão de inserir o conteúdo apropria-
do na forma adequada. E quando avaliamos os textos dos nossos alunos,
priorizamos as correções ortográficas, gramaticais e de léxico, perdendo
de vista elementos de coerência e coesão.
Sabemos que, para aprender a escrever, temos que fazê-lo conside-
rando as dimensões das diferentes situações sócio-comunicativas
e que, portanto, os usos sociais da escrita estão intrinsecamente
relacionados ao processo de significação. Além disso, sabemos que
as questões culturais que geram e são geradas pelas diferenças dia-
letais também devem ser consideradas no aprendizado e na experi-
ência escrita. Assim, também os gêneros das tradições orais podem
servir como mediadores no aprendizado da norma padrão, cabendo
à escola fazer esta aproximação. (GESTAR II, 2008, p. 168).

1.2.3  Todo bom leitor é um bom escritor


O aprendizado da escrita depende de uma boa orientação quanto às
práticas de leitura dos diferentes gêneros na escola e, sobretudo, da prática
da escrita em situações sócio-comunicativas diversificadas.
A leitura é uma prática necessária, mas não suficiente para o desen-
volvimento da escrita: aprende-se a escrever escrevendo.

1.2.4  Na escola escreve-se para produzir textos


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narrativos, descritivos e dissertativos


Outros textos são importantes no nosso cotidiano; a documentação,
por exemplo, tem função de possibilitar o registro e a permanência das in-
formações para as futuras gerações. No mundo moderno, a prática de dife-
rentes gêneros torna-se importante, pois temos o direito de praticar, além da
escrita ficcional e poética, a escrita de textos funcionais (descritivos, infor-
mativos etc.) e críticos (argumentativos etc.) que certamente são utilizados
em momentos diferentes da vida diária (GESTAR II, 2008, p. 169).
13
Comunicação nas Empresas

1.3  Concepções ou princípios sobre redação


Para muita gente, redação é questão de criatividade ou de muita prá-
tica. Se temos mitos sobre a produção textual, temos também concepções
sobre redação, algumas bem fundamentadas outras apenas crendices tam-
bém. Chociay (2004, p. 38) enumera, pelo menos, sete postulados na base
teórica das concepções de redação que aparecem em vários manuais sobre
esse tema. Vejamos esses sete postulados.

1.3.1  O princípio do talento


De acordo com esse princípio, redigir é questão de talento: “quem
nasce com esse talento, sempre escreverá bem” (CHOCIAY, 2004, p. 39).
Pode ser que em alguns casos o talento explique uma boa escrita, mas isso
nem sempre é assim.
Alguns estudantes realmente têm certa facilidade para escrever
bem. A facilidade inata de certos indivíduos para aprender e executar de-
terminadas tarefas deve ser considerado um fator, mas não absolutamente
determinante do aprendizado e execução.

1.3.2  O princípio da habilidade


Este postulado defende que “redigir é habilidade: qualquer pessoa pode
aprender a redigir, desde que tenha uma boa formação escolar para tal”.
Nesse caso, “a capacidade de se produzir bons textos é algo que
vai se desenvolvendo ao longo da prática escolar e de acordo com a faixa
etária do estudante”. Assim, alguém aprende a redigir “como se aprende,
também, a desenhar ou a calcular. No entanto, se pode passar pela escola
sem aprender a escreve adequadamente” (CHOCIAY, 2004, p. 40).
Deve se levar em conta que o uso de métodos ideais não produz ne-
cessariamente os mesmos resultados em todos os alunos.

1.3.3  O princípio da técnica


Este postulado defende que redigir é uma técnica que “pode ser
aprendida em qualquer época, para levar o indivíduo a bons desempenhos
na produção de textos” (CHOCIAY, 2004, p. 40).
Precisamos considerar, porém, que os aspetos técnicos não dão con-
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ta de toda dimensão do processo de produção de um texto escrito.


Na verdade, “a técnica não constitui método de ensino, mas apenas
um conjunto de instruções de desempenho: se outros fatores não surgirem

14
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

conjugados a ela no processo do aprender, não haverá aprendizado satisfa-


tório” (CHOCIAY, 2004, p. 41).

1.3.4  O princípio da boa leitura


Defende que “para aprender a escrever, é preciso ler: um bom escri-
tor nasce de um bom leitor”. Entretanto, “não é absolutamente necessário
que um bom leitor seja ou se torne também um bom escritor”.
Temos de ter em mente que “embora o ler e o escrever tenham re-
lação natural entre si, implicam estratégias e métodos de ensino distintos,
simplesmente porque são habilidades distintas” (CHOCIAY, 2004, p. 41).

1.3.5  O princípio da imitação


Entende que para aprender a escrever, é preciso começar imitando
os textos dos escritores, principalmente dos bons escritores.
No entanto, a leitura de bons textos pode produzir elementos e atitu-
des para o bem escrever, mas a imitação não é suficiente.

1.3.6  O princípio da repetição


Este postulado defende que “para aprender a escrever, é preciso es-
crever, escrever, escrever”.
Desse modo, “o resultado final do processo de repetições é a conso-
lidação dos desempenhos que caracterizam a habilidade” da escrita. Mas,
além da repetição, deve ser acrescentado o espírito crítico e autocrítico: “a
repetição do processo de escrever textos não é algo mecânico e automáti-
co, mas crítico e autocrítico” (CHOCIAY, 2004, p. 42-43).

1.3.7  O principio dos macetes


Esse princípio propõe que “para aprender a escrever, é preciso
decorar certos ‘macetes’ de estrutura e de estilo”. Propõem-se diversos
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conselhos que, às vezes, até são contraditórios. São tentativas precárias de


atacar os efeitos, e não as causas, das dificuldades na redação de um texto.
Por isso mesmo, “os macetes constituem uma ‘falsa técnica’, cujo único
resultado é uma ornamentação fútil, facilmente detectável” por um leitor
mais atento e criterioso, pois “em vez de um texto, produz um arremedo
de texto”. É preciso reconhecer que “os problemas inerentes à redação
não se resolvem com macetes e estereótipos, mas com reflexões, orienta-
ção e muito esforço pessoal” (CHOCIAY, 2004, p. 45).

15
Comunicação nas Empresas

1.3.8  O princípio da reescritura


De acordo com este princípio, “escrever não é um ato singular, úni-
co; ao contrário, um texto só por exceção é escrito de uma só vez. O ato
de escrever um texto implica certo número de reescrituras, até o limite do
satisfatório”. Assim, “um texto não nasce pronto, mas é “construído ao
longo de tantas tentativas quantas considere o escritor necessárias para
conduzi-los a um resultado eficaz”. Por isso mesmo, o “bom texto resulta
de uma série de revisões da primeira versão desse texto, ou seja, do rascu-
nho. Redigir é, pois, operar desenvolvimentos necessários em um rascu-
nho para transformá-lo realmente em texto” (CHOCIAY, 2004, p. 42-43).
Este último princípio parece ser um dos mais pertinentes e inte-
ressantes. Aliás, dois pesquisadores canadenses, Scardamalia e Bereiter,
desenvolveram estudos que mostram o escritor maduro como aquele que
planeja e revisa o texto, “durante e depois da escrita, considerando ele-
mentos como o assunto, a audiência (os interlocutores, possíveis leitores
do texto), o objetivo” (GESTAR II, 2008, p. 178-179).
Outro aspecto que os estudiosos canadenses perceberam diz respei-
to ao fato de bons escritores desenvolverem seus textos a partir de uma es-
crita comunicativa, ou seja, usando uma linguagem adequada às situações
de comunicação.

A escola e o professor podem ajudar bastante nesse aspecto, levan-


do à produção de textos mais adequados e melhor elaborados.
O primeiro ponto seria pensar que a escrita deve ser produzida
como linguagem utilizada em situações, em contextos específicos:
escreve-se tendo em vista um ou mais interlocutores em potencial; a
escrita exerce funções (persuadir, informar etc.) e objetivos que nos
levam a tratar o assunto de certo modo e se estrutura em gêneros.
Apesar de a escrita ser um modo comunicativo bastante utilizado
em nossa sociedade, temos acesso diferenciado aos seus diversos
usos sociais e aprendemos a escrever e a desenvolver textos na
escola. Então cabe à escola disponibilizar os meios, a experiência
e a prática com diferentes gêneros e ensinar, propondo estratégias
e visando, mais do que à simples correção da forma, a um retorno
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dialógico que negocie com os aspectos relacionados à leitura comu-


nicativa de seu texto.
O professor pode provocar momentos em que os aspectos rela-
cionados à escolha do tema, pesquisa sobre o tema, se necessária,
16
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

escrita e revisão possam ser discutidos com todos, construindo com


seus alunos andaimes, que facilitem a construção do conhecimento,
por exemplo, formulando perguntas, para que possam selecionar o
tema, o gênero, a audiência e os conhecimentos prévios. (GESTAR
II, 2008, p. 181).

1.4  Algumas características da escrita


Uma observação que se faz nos textos de alunos que ainda encon-
tram muita dificuldade para escrever e acabam por elaborar textos com
sérias limitações é exatamente uma similaridade do texto escrito com o
texto oral ou a oralidade.
Em alunos de séries iniciais do Ensino Fundamental, é muito comum
a composição de textos muito próximos da oralidade, textos que carecem
de uma elaboração mais adequada e peculiar à escrita. Assim, é importante
considerar que a escrita tem algumas características próprias, apesar de
apresentar também elementos comuns à oralidade. Precisamos reconhecer
que não falamos como escrevemos e não escrevemos como falamos!
Uma primeira diferença entre a fala e a escrita está relacionada com
o tempo: “o tempo do ato da fala é instantâneo; o do ato de escrita é elásti-
co. Mesmo que um indivíduo esteja preparado para determinado diálogo,
toda a organização de seu pensamento e a verbalização não dispõem mais
que de um átimo no ato de fala.” Assim, numa situação de comunicação
oral, “o sujeito interpreta o que disse seu interlocutor e organiza resposta
imediata. Mui diferente é o ato de escrita: as atividades em que a redação
de textos é necessária implicam um tempo relativamente elástico para tal”
(CHOCIAY, 2004, p. 49).
Há outra diferença entre a fala e a escrita que diz respeito ao modo
da comunicação. Quando falamos estamos diante da pessoa que nos ouve
ou conversa conosco; quando escrevemos estamos na ausência do leitor
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ou leitores de nosso texto. Isso faz com que haja várias características pró-
prias de cada modalidade de comunicação. Se alguém está falando diante
de seus ouvintes, então é possível que haja uma interação física e psicoló-
gica com aqueles que ouvem. É possível analisar as reações dos ouvintes
ou mesmo ser por eles influenciado ou interrompido. Já quem escreve
está a uma distância temporal e espacial de seus possíveis leitores. Essa
distância permite que o escritor tenha tempo para elaborar melhor seu
texto, relendo o que escreveu, fazendo revisões e reescrevendo o texto até

17
Comunicação nas Empresas

julgá-lo adequado. Além disso, há vários recursos que na escrita podem


ser utilizados para manter o texto bem organizado, claro e convincente.
Uma das implicações dessas diferenças entre a fala e a escrita pode
ser percebida no uso do vocabulário no texto escrito, pois se na fala al-
guém conta apenas com seu acervo de palavras individual, no texto escri-
to é possível recorrer ao dicionário e a outras fontes de consulta. Isso leva
a uma escolha mais adequada do vocabulário do texto escrito. Do mesmo
modo, a possibilidade de recorrer à gramática para melhorar a construção
das frases e corrigir possíveis incorreções gramaticais é outra característi-
ca presente no ato de escrever.
Também devemos observar outra diferença entre a fala e a escrita.
Trata-se da concomitância de atos. A fala de alguém “implica a simulta-
neidade do falar e do ouvir, pondo em funcionamento todas as habilidades
dos comunicantes nessas duas esferas. A complexidade se revela ainda
maior quando verificamos que um comunicante não apenas ouve o outro,
mas se ouve enquanto fala”. Já no ato de escrita, não há uma correspon-
dência imediata do possível leitor do texto, no entanto, “tem a leitura
do próprio escritor, que se lê enquanto escreve, concomitantemente ou
consequentemente”. Assim, escrever “é também ler: o escritor, enquanto
escreve, está exercendo dois papéis, vale dizer, está envolvido em dois
atos e dispõe de um tempo relativamente elástico para alternar-se nesses
papéis” (CHOCIAY, 2004, p. 53).

1.5  Diferenças entre a oralidade e a escrita


Você já notou que a língua escrita é diferente da língua oral? Uma
diferença básica é que na linguagem oral a gente trabalha com os sons.
Quando falamos ou ouvimos uma mensagem, usamos sentidos que
normalmente não são utilizados na escrita.
Uma mensagem ou exposição oral pode ser acompanhada de gestos,
expressões fisionômicas, variação de tonalidade e timbre da voz, recursos
visuais e outras características que não encontramos num livro ou documento.
Por isso, precisamos conhecer um pouco melhor a natureza e a dinâ-
mica das comunicações orais.
Esse conhecimento pode até mesmo ajudar a superar aquele medo
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ou insegurança que muitos experimentam quando participam de uma en-


trevista, reunião, palestra ou situação na qual é preciso falar em público.
Vamos lá?

18
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

1.5.1  Características da comunicação oral


Quando precisamos falar em público parece que temos uma situ-
ação especial. Muitas vezes ficamos até paralisados ou nervosos com a
possibilidade de não nos sairmos bem naquela entrevista para emprego ou
na apresentação de uma palestra ou mensagem.
Realmente, a comunicação oral em situações mais formais pode ser
uma experiência bastante diferente. Escrever uma carta ou um e-mail é
um ato meio solitário, geralmente ninguém está vendo ou ouvindo.
Na verdade, a comunicação oral se distingue da escrita porque as
condições físicas e psicológicas são diferentes.
O aspecto fisiológico da comunicação oral está relacionado com
o uso da nossa voz, com as variações de altura e intensidade dos sons que
emitimos, com o comprometimento de todo nosso corpo na postura que
adotamos e nos gestos que manifestamos e, ainda, com as condições de
recepção ou audição daquele que ouve nossa mensagem.
O aspecto psicológico da comunicação oral está vinculado às
emoções e aos sentimentos que experimentamos ao falar; está relaciona-
do, também, com o interesse, a disposição e a atenção de nosso ouvinte.
Além disso, a personalidade de quem fala e de quem ouve também está
presente na comunicação oral.
Se o nervosismo pode surgir quando precisarmos falar em público,
talvez, algumas dicas para lidar com essa dificuldade se tornem proveito-
sas. Vejamos algumas delas:
a) Use o medo ou nervosismo a seu favor, preparando-se melhor
para sua apresentação e estando atento às circunstâncias que
envolvem sua fala;
b) Desenvolva sua autoconfiança e se predisponha para uma boa
apresentação, não fique pensando nos erros que pode cometer,
concentre-se apenas no momento de preparação;
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c) Tenha confiança no que você vai falar, esteja seguro sobre seu
assunto;
d) Prepare cuidadosamente o que você vai falar;
e) Não tente falar sobre aquilo que você não domina ou desco-
nhece;
f) Evite decorar seu discurso, ponto por ponto, pois isso pode
representar um risco desnecessário. Além disso, uma fala “de-
corada” pode soar mecânica e artificial;

19
Comunicação nas Empresas

g) Concentre-se nas principais ideias de sua apresentação. Procu-


re tê-las anotadas e organizadas, isso pode ajudá-lo a manter a
visão geral do que você vai falar;
h) Verifique se a sua fala ou o seu discurso estão bem articulados,
se todas as partes estão bem interligadas;
i) Treine sua apresentação, verifique o
que precisa ser melhorado, peça a Conexão:
opinião de algum amigo sobre Confira o excelente artigo
“A expressividade da comu-
seu desempenho. nicação oral e sua influência no
É claro que essas dicas não são meio corporativo”, de Marta Martins
e Waldyr Fortes, publicado na Revista
infalíveis, nem dão conta de toda e qual- Communicare e disponível em: <http://
quer situação de comunicação oral, mas www.facasper.com.br/cip/communi-
care/edicao_8.2/pdf/11_Marta_e_
podem ser um bom começo. Waldyr.pdf>
Vamos avançar um pouco mais, abor-
dando os elementos que estão presentes na
comunicação oral.

1.6  Elementos da comunicação oral


Você já imaginou alguém falando em público com a voz bem bai-
xinha, os braços colados ao corpo, as mãos paradas e o rosto quase sem
expressão alguma? Fica difícil comunicar alguma mensagem assim, a não
ser a mensagem de que a situação não vai nada bem!
Não dá para falar em público sem usar adequadamente as mãos, a
expressão fisionômica, o volume e a tonalidade correta da voz.
Pois é isso que vamos estudar agora. Conheça um pouco melhor os
elementos da comunicação oral.

1.6.1  Tonalidade
O bom uso da voz é fundamental na comunicação oral. Por isso,
tenha bastante cuidado com o volume da sua fala. Se você não pode falar
baixinho, sem ser ouvido por todos, você também não deve falar num vo-
lume que incomode as pessoas ou que seja incompatível com o tamanho
do ambiente no qual você está.
O volume da voz deve ser adequado e cumprir a função de tornar
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sua mensagem audível.


Mas não podemos nos limitar apenas ao aspecto da altura da nossa
voz, se alta ou baixa. É preciso expressividade, espontaneidade e dinami-
cidade na nossa fala. Uma tonalidade adequada pode favorecer tudo isso.
20
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

O tom é um tipo de jogo de altura e força na emissão dos sons.


Além da nossa voz está ajustada ao ambiente ou à situação externa, ela
deve servir para expressar as variações de nosso pensamento e nossas
emoções.
Quando estamos falando em público, a nossa voz deve servir para
dar ênfase a um determinado ponto, manifestar certa emoção, expressar
alguma reação e acompanhar a dinâmica de nossa mensagem ou exposi-
ção. Assim, o tom da voz deve variar adequadamente.
Ao pronunciarmos uma palavra ou expressão que assume destaque
ou importância, nada mais adequado do que modular o tom, fazendo a
tonalidade crescer naquele momento. Uma pergunta instigante ou uma
afirmação surpreendente pode também merecer uma tonalidade crescente.
Se mantivermos o mesmo tom durante uma exposição oral, nossa fala será
monótona. O uso de um único tom é extremamente inadequado e enfadonho,
assim como uma variação exagerada. Por isso:

1. Cuidado com uma fala mecânica e sem vibração, parecida com uma ladai-
nha ou um discurso recitado;

2. Evite um entusiasmo descabido e exagerado, muitas vezes parecido com um


animador de auditório ou com a fala de um personagem de teatro;

3. Fuja de um estilo “descolado” ou muito à vontade construído artificialmente;

4. Não imprima um tom agudo ou uma tonalidade crescente em palavras que


não desempenham tanta importância em sua mensagem.

1.6.2  Gestual ou mímica


Os gestos e movimentos durante a fala são também muito importan-
tes para a expressividade das palavras.
O jogo fisionômico, o movimento dos braços, das mãos e a postura
corporal podem comunicar muita coisa. Podem até contradizer aquilo que
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estamos falando!
A mímica ou o conjunto de gestos e movimentos corporais são, na
verdade, o que chamamos de linguagem não verbal. Esse conjunto pode
ser dividido em três aspectos.
Primeiro, temos o jogo fisionômico, constituído pelo movimento
dos olhos, da elevação ou contração das sobrancelhas, do movimento dos
lábios e da boca.
A maneira como olhamos as pessoas enquanto falamos, por exem-
plo, pode ajudar a criar empatia e interesse por aquilo que abordamos.
21
Comunicação nas Empresas

Alguns especialistas no assunto sugerem, inclusive, que olhemos atenta-


mente para cada pessoa que nos ouve:

Quando falamos em público é necessário que cada membro da pla-


teia confie no que estamos dizendo, por isso precisamos olhar nos
olhos de todos. Eles também precisam ver nossos olhos, para que
sintam segurança no que dizemos.
O olhar é um atrativo e não deixa que o público se desvie do assun-
to. Assim, você deve olhar para todos como se estivesse namorando
cada membro da plateia. Quando eu digo “cada membro”, deixo
claro que você jamais pode olhar para uma ou outra pessoa apenas
(BRASIL, 2003, p. 118).

GEORGE DOYLE / STOCKBYTE / GETTY IMAGES

Enquanto falamos, nosso gestual e nosso olhar podem demonstrar a atenção e a


importância que damos ao nosso ouvinte.

É preciso atenção para ajustar nossa expressão fisionômica ao


conteúdo do que vamos falar. Pode não ser sensato falarmos de assuntos
sérios e graves com um semblante descontraído e um sorriso nos lábios.
Também não é adequado tratarmos de assuntos alegres ou apresentarmos
informações positivas com certo ar de tristeza e um semblante pesado.
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Certa vez, uma secretária executiva saiu toda sorridente do gabinete


do diretor de um órgão público, depois de ouvir uma piada muito engraça-
da. Em seguida, entrou numa sala onde coordenaria uma reunião na qual o
principal assunto era comunicar medidas “impopulares” e que desagrada-
22
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

riam parte dos presentes. Seu semblante, ainda


Conexão:
descontraído e com um sorriso no “canto da Além de usar ade-
boca”, não se harmonizava nem um pouco quadamente o gestual, é
importante também saber o que
com as informações que ia passando. Não falar ou o que não falar no ambiente
precisa nem dizer que o mal-estar foi corporativo. Leia o artigo Como não
falar na vida corporativa, disponível
geral. em: <http://www.polito.com.br/portu-
Segundo, temos os movimentos gues/artigo.php?id_nivel=12&id_
nivel2=155&idTopico=1062>
das mãos, dos braços e da cabeça. Esses
movimentos devem ser bem articulados e
espontâneos. O exagero no movimento dos
braços e das mãos deve ser evitado, pois poderá
chamar mais atenção do que a nossa própria mensagem: “é bom lembrar
que gestos exagerados como esmurrar a mesa ou outros sinais de fúria po-
dem ser mal vistos pelas pessoas. E, claro, bater numa mesa pode abafar o
som de suas palavras” (HELLER, 2000, p. 12).

O gestual ou a linguagem não verbal podem variar de país


para país. Por exemplo, “o OK dos norte-americanos é ofensivo
entre brasileiros e dinamarqueses. Não se aponta com o dedo na Chi-
na. Apertar as mãos com muito entusiasmo pode parecer excessivo
para os ingleses. Balançar a cabeça para dizer ‘não’significa ‘sim’para
os indianos. E abraçar alguém em Singapura está fora de questão”
(HELLER, 2000, p. 12).

Em terceiro lugar, temos todo o restante do corpo. A nossa postura


e locomoção enquanto falamos deve ser cuidadosa e planejada. Seja sen-
tado, em pé, parado ou em movimento, nosso corpo deve experimentar
certo conforto e não deve chamar mais atenção do que a própria mensa-
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gem. É preciso evitar tanto uma postura rígida como uma postura curvada
e vacilante.
Vamos a algumas dicas sobre o uso do gestual e da postura corporal
durante uma apresentação oral.
Para um bom gestual:

23
Comunicação nas Empresas

1. Evite falar com as mãos nos bolsos, atrás das costas ou de braços cruzados;

2. Não fale sem fazer gesto algum nem use gestos demais;

3. Não se debruce sobre a tribuna, nem se agarre no pedestal do microfone;

4. Não execute sua gesticulação abaixo da cintura nem acima da cabeça;

5. Não se apresente com uma postura humilde, de alguém derrotado, nem com
prepotência ou arrogância;
6. Não execute sua gesticulação abaixo da cintura nem acima da cabeça;

7. Não se movimente desordenadamente, de um lado para o outro, diante do


público, nem fique completamente parado;

8. Não abra demais as pernas, nem as feche muito para não perder o equilíbrio;

9. Use a gesticulação de maneira natural, para acentuar ideias, palavras ou


para marcar o ritmo de sua fala e procure sempre variar os gestos, evitando um
padrão repetitivo;

10. Mantenha sempre o contato visual com a plateia. Mesmo que você tenha
que ler seu discurso, ensaie e organize o texto no papel, de forma que você pos-
sa sempre levantar o olhar. Assim, você estará demonstrando que valoriza seus
ouvintes e ao mesmo tempo, estará pronto para perceber as suas reações. Isto
é importante, pois lhe permitirá fazer os ajustes e as modificações necessários;

11. Ao falar sentado, evite esticar as pernas,cruzando os pés à frente da cadeira


ou encolher as pernas cruzando os pés sob a cadeira. Na primeira hipótese, você
transmitirá uma sugestão de negligência, enquanto na segunda dará a impressão
de que você se sente acuado. Sente-se confortavelmente, mantendo o corpo ere-
to, porém relaxado. Deixe os pés apoiados no chão ou cruze as pernas.

Fonte: DVD Como falar em público, Suma Econômica

O gestual não é importante apenas para quem está falando ou aquele


que usa a palavra em determinado momento de uma reunião. Os gestos
também têm sua relevância em relação a quem está ouvindo.

Gestos de apoio, como olhar nos olhos ou balançar a cabeça para


quem está falando, criam empatia – a menos que a outra pessoa possa
perceber que você está escondendo sentimentos. Todo mundo pode
controlar a linguagem corporal até certo ponto, mas não totalmente.
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Escolha suas palavras com cuidado e seja o mais sincero possível


para não ser traído pelo próprio corpo (HELLER, 2000, p. 13).

24
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

1.6.3  Articulação Mesmo emitindo


corretamente suas falas, você
Para que nossa mensagem
precisa cuidar ainda da maneira
seja ouvida nitidamente, é preciso como você as pronuncia. O orador que
uma boa articulação. As palavras pronuncia bem as palavras é melhor com-
devem ser pronunciadas clara- preendido, pois os ouvintes não precisam fazer
esforço para compreendê-lo. Quem pronuncia
mente, sem dar margem para mal as palavras, geralmente o faz por negligên-
dúvidas ou qualquer confusão. cia. O orador que pronuncia mal as palavras
Temos de ter cuidado ao é facilmente desacreditado; já o orador que
pronuncia bem, imprime imediatamente a
pronunciarmos determinadas imagem de uma pessoa bem prepa-
palavras, a fim de não trocarmos rada e com boa formação.
certas letras ou omitirmos outras.
Também é importante pronunciarmos as
palavras com uma articulação adequada, sem
frouxidão e falta de nitidez nos movimentos bucais. Se falarmos com deslei-
xo, muitas palavras poderão soar de forma confusa.

1.6.4  Ritmo e pausa


Nossa fala nunca é uma emissão contínua e frequente de sons. Pre-
cisamos respirar e, por isso mesmo, fazemos as pausas. Aliás, uma boa
respiração é fundamental para chegarmos bem até o final de nossas comu-
nicações orais.
Sem respirar bem não é possível falar bem. Portanto, ao falar, faça as
pausas que forem necessárias para manter sempre uma boa reserva de ar em
seus pulmões. A medida de ar correta é a que fizer você se sentir confortável,
a que permitir você lançar sua fala com um bom volume e articular correta-
mente as palavras (Fonte: DVD Como falar em público, Suma Econômica).
As pausas podem servir, também, para dar oportunidade de desen-
volvermos um determinado pensamento que vamos formulando à medida
que falamos. Além disso, uma fala adequadamente pausada permite que
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os ouvintes acompanhem nossa exposição sem muita dificuldade.


As pausas devem, ainda, servir como recurso para imprimir certo
suspense diante de algo que vamos enunciar ou para enfatizar uma palavra
que pronunciaremos logo depois.
A cadência e a velocidade de nossa fala estão relacionadas também
com a pausa. O balanço rítmico da nossa fala é importante para a clareza
da mensagem e a atenção dos ouvintes. Se falarmos com excessiva rapi-
dez ou com uma sonolenta lentidão, certamente teremos ouvintes incomo-
dados ou desinteressados.
25
Comunicação nas Empresas

Você deve eleger, antes ou durante a fala, onde você pode


acelerar mais o seu discurso e onde você deve dizê-lo mais pausado.
Esta opção deve estar relacionada com o conteúdo do que você está fa-
lando em cada momento. De qualquer forma, a variação de velocidade
é uma maneira de dar mais dinâmica à sua fala, evitando que ela fique
monótona e previsível. Mais uma vez, deve-se ter cuidado na utilização
desse recurso. A rapidez excessiva pode gerar um tipo de monotonia.
Falar pausadamente também não é garantia de que a mensagem será
melhor apreendida. O equilíbrio de tom, velocidade e volume é que dará
organicidade à sua fala, estabelecendo uma melhor comunicação com a
plateia (Fonte: DVD Como falar em público, Suma Econômica).

1.7  Usando recursos especiais para falar em público


É importante que ao falarmos em público utilizemos adequadamen-
te os recursos que dão suporte a nossa mensagem. O uso de microfone,
retroprojetor, datashow, software de apresentação e outros recursos didá-
ticos são muito valiosos.
Vamos a algumas recomendações sobre o uso de dois desses recursos.

1.7.1  O microfone
Um dos recursos usados quando falamos para grandes públicos é o
microfone. É importante a utilização adequada desse instrumento.
Vamos então a algumas observações sobre tipos e manuseio de mi-
crofones:
Os microfones de pé ou de mesa são geralmente colocados em pe-
destais. Os pedestais têm diversos tipos de ajustes e é importante
que você os regule corretamente. Se o microfone estiver em suas
mãos, o cuidado deve ser redobrado. O braço que o segura deve
permanecer imóvel, mantendo o microfone sempre na posição cor-
reta. Faça toda a gesticulação necessária com o outro braço.
Um terceiro tipo de microfone é o de lapela, aqueles microfones
pequenos, bastante potentes, que geralmente ficam presos na sua
roupa. Este sistema lhe dará muito mais liberdade para gesticular
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e se deslocar. Contudo, esteja atento ao fato de que esta liberdade


pode fazê-lo esquecer que suas palavras estão sendo amplificadas.
Tudo que você disser estará sendo captado pelo microfone. (Fonte:
DVD Como falar em público, Suma Econômica).
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Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

1.7.2  Retroprojetor
Embora tenhamos cada vez mais projetores multimídia disponíveis
para apresentações, o retroprojetor ainda é bastante utilizado no contexto
acadêmico e profissional para apresentações.
Pelo fato de sua operação e transporte ser relativamente simples, o
retroprojetor é um recurso bastante acessível e comum.
Vamos a algumas dicas para o seu uso.
a) Sempre se assegure de que o retroprojetor está preparado e
funcionando.
b) use transparências adequadas, com mensagens e visuais inte-
ressantes e atraentes.
c) lembre-se que quanto menos texto você utilizar por transpa-
rência, mais chance de impacto haverá.
d) use ponteiras para facilitar a indicação do que você vai dizer a
partir das transparências.
e) Cuide da sua postura corporal, tendo cuidado de manter-se
ereto e olhando o público. Isso é importante porque você
pode ficar tentado a olhar somente para a transparência ou
sua projeção.

Pensando em situações embaraçosas ou imprevistos relacionados


com o uso do retroprojetor, alguém sugeriu as seguintes dicas:

Você derruba suas transparências no chão: Faça uma piada sobre o


quanto você é desastrado. Pegue as transparências do chão e organi-
ze-as rapidamente, porém com calma. Quando terminar, recomece a
apresentação como se nada tivesse acontecido, sem ficar falando no
assunto por meia hora.
Uma providência que pode ajudá-lo, e muito, nessa situação é você
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numerar previamente as transparências que for apresentar.


Você prepara as transparências e descobre que não tem um retro-
projetor disponível: transparências servem de roteiro para a pla-
teia e para seu discurso. Sem um retroprojetor é impossível tentar
usá-las para ajudar seu público, mas você pode colocá-las a seu
lado, sobre uma mesa, e lançar mão delas para saber o que tem de
falar. O ideal é você ter uma versão impressa em papel normal, em
tamanho reduzido, de cada transparência, assim poderá utilizá-las
como cartões de referência. (BRASIL, 20003, p. 148-149).
27
Comunicação nas Empresas

1.8  Feedback e o valor de ser um bom ouvinte


Além das sugestões e recomendações vistas até aqui, cabe acrescen-
tar que é importante mantermos sempre uma abertura para o feedback em
nossas comunicações orais. Mesmo que este feedback não corresponda à
participação direta de alguém, falando ou perguntando alguma coisa, pre-
cisamos estar atento à reação de nosso auditório ou ouvinte.
O comportamento, os gestos e as atitudes de nossos ouvintes po-
dem revelar a maneira como eles estão recebendo nossa mensagem. Se
for conveniente fazer perguntas e ouvir o auditório ou nosso interlocutor,
poderemos então receber uma resposta ou medida de como está chegando
nossa comunicação.
Uma das formas de feedback são as perguntas que um auditório faz
durante ou após uma apresentação. As perguntas do público, no entanto,
podem causar certo embaraço ou dificuldades. Por isso, além de dominar
o assunto de sua apresentação, outras dicas podem ser úteis:
1. Saiba que 99% das pessoas estão lá para ouvi-lo, e não para
criticá-lo. Uma pergunta difícil não é feita para derrubá-lo,
mas sim porque realmente surgiu uma dúvida a respeito. Por-
tanto, seja sempre educado e prestativo.
2. Sempre agradeça por cada pergunta feita e procure destacar e
valorizar cada pessoa que perguntar. Sempre que for formula-
da uma pergunta inteligente diga coisas como: “sua pergunta é
muito interessante”, ou “excelente pergunta”.
3. Repita sempre as perguntas realizadas. Muitas vezes você con-
segue ouvir a pergunta, mas alguns membros da plateia podem
não ter a mesma sorte. Por isso repita, mesmo que com pala-
vras diferentes, a fim de garantir que todos entendam.
4. Para lidar com um público mais hostil, amenize perguntas
agressivas não as respondendo imediatamente. Ganhe alguns
segundos, sorria, respire fundo e agradeça. Seja sempre simpá-
tico e nunca parta para a agressão verbal. A plateia não enten-
derá que você está sendo rude com apenas uma pessoa. Para
eles, você está ofendendo a todos.
5. Ninguém sabe absolutamente tudo sobre algum assunto, e você
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não é exceção. Não tenha vergonha de assumir que não sabe


responder com certeza a alguma pergunta. Em alguns casos
você pode dizer que não está certo sobre a informação e que
verificará com detalhes para responder mais precisamente em
28
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

uma próxima ocasião. Diga que você estará disponibilizando


seu telefone ou e-mail e peça para que as pessoas interessadas
entrem em contato posteriormente. Em alguns casos não é pos-
sível simplesmente dizer: “não sei”, e quando isso acontecer
você deve dar referências sobre o assunto, mesmo sem saber a
resposta exata. O importante é não mentir nem inventar.
6. Não estenda demais o tempo para perguntas. Responda objeti-
vamente e passe para a pergunta seguinte. Veja se não há mais
nenhuma pergunta e quando ninguém se manifestar não fique in-
sistindo; siga para o encerramento. (BRASIL, 20003, p. 142-143).

E se abordamos ao longo deste capítulo a importância de falar bem


em público, isso não quer dizer que saber ouvir e, até mesmo, saber parar
de falar não sejam igualmente importantes.

Certa vez eu li que todo orador enfrenta três tipos de problema em


uma apresentação: o probleminha, o problema e o problemão.
O primeiro se refere a subir ao palco, a começar a falar. O segundo
está relacionado ao falar bem, a ter a habilidade de expressar suas
ideias de maneira agradável e coerente. Já o problemão é não saber
a hora de parar de falar. (BRASIL, 2003, p. 99).

Quando não nos damos conta de que toda mensagem ou discurso


tem seu limite, poderemos incorrer no erro de cansarmos nosso ouvinte ou
tornar nossa comunicação ineficaz. Na dúvida sobre quanto tempo falar
ou o tamanho do nosso discurso, há quem aconselhe elaborar textos, dis-
cursos ou falas breves.

Já disseram que quem não faz nada nunca erra. Da mesma forma, se
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seu discurso é pequeno, fica muito mais difícil de ele se transformar


em um mau discurso.
Se seu público ficar cansado, ele perderá a concentração, irá se le-
vantar e simplesmente esquecer que você está ali falando. O segre-
do para evitar que isso aconteça é sempre parar de falar antes que o
público queira deixar de ouvir.
Para determinar o tempo de seu discurso leve em conta elementos
como a extensão do tema. Não adianta querer falar por cinco horas
de um comercial de televisão de trinta segundos. Vai ficar cansativo.
29
Comunicação nas Empresas

Pense também no horário da apresentação. É muito cedo? Muito


tarde? É depois ou antes do almoço? Todas essas questões são rele-
vantes para definir por quanto tempo você pode falar.
Considere ainda se você será o único palestrante a se apresentar. Em
alguns congressos, os participantes chegam a assistir a mais de dez
palestras em um mesmo dia. Neste caso, não se estenda mais do que
o estritamente necessário.
Como já dissemos antes, coloque-se no lugar do público que você
saberá o que fazer. (BRASIL, 2003, p. 146).

Assim como saber parar de falar é relevante, ouvir é tão importante


que a atitude de ouvir o outro com atenção pode inspirar confiança em re-
lação a nossa pessoa e ao que falamos. Por isso mesmo, vale a pena repro-
duzir aqui algumas técnicas para ouvir sugeridas por Heller (2000, p. 14):
Técnicas para ouvir
Tipo Como colocar em prática
Busque empatia imaginando-se no lu-
gar da outra pessoa. Tente entender o
Criar empatia que ela está pensando e deixe-a sen-
tir-se confortável – em geral, apelan-
Para encorajar quem está falando e do para o lado emocional. Fale pouco,
conseguir informações de modo soli- preste muita atenção no que a pessoa
dário. está dizendo e use gestos de apoio e
palavras de estímulo.

Recorra a perguntas analíticas para


descobrir razões por trás do que é
dito, principalmente se você procu-
Analisar ra entender uma sequência de fatos
ou pensamentos. Seja cuidadoso ao
Para buscar informações concretas, questionar: assim você extrairá novas
separando o que é fato da emoção. pistas das respostas e poderá usar o
que ouviu para formular as próximas
perguntas.

Se você quer chegar a um resultado


desejado, faça declarações a que os
outros possam responder com ideias.
Buscar uma síntese Ouça e responda de forma a sugerir
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quais ideias poderiam ser aproveita-


Para promover a troca de informações das e como implementá-las. Tenha
na direção de um objetivo. também uma solução alternativa en-
gatilhada para em sua próxima per-
gunta.

30
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

Atividades
01. Para melhorar sua articulação, adquira o hábito de ler textos em voz
alta, procurando pronunciar corretamente cada palavra. Outro bom exercí-
cio é colocar um objeto entre os dentes e procurar pronunciar as palavras.
Ao remover o obstáculo, seus músculos faciais, língua, alvéolos e maxilar
estarão mais preparados para articular melhor as palavras (Fonte, DVD
Como falar em público, Suma Econômica).
Os cuidados com a articulação ou dicção levam à pronúncia das
palavras de modo distinto, correto, expressivo e agradável. Distinto
“quando é exposta com a maior perfeição mecânica possível”. A dicção
é correta “quando, na enunciação, vêm rigorosamente cumpridas as nor-
mas que disciplinam, entre os brasileiros, a pronúncia nacional julgada
padrão”. Será expressiva quando exprimir, de modo absoluto, “a ideia ou
o sentimento que se quer manifestar”. E teremos uma dicção agradável
quando a palavra “soa deleitando o ouvido” (ARAÚJO, 2003, p. 171).

02. Leia as palavras abaixo e procure identificar a diferença de cada uma


quanto à pronúncia e ao significado.
Fluir – fruir
Flagrante – fragrante
Franco – flanco
Infligir – infringir
Emergir – imergir
Arrear – arriar
Despensa – dispensa
Fuzil – fusível
Vultoso – vultuoso
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Reflexão
A respeito da produção textual, há vários manuais, dicas e segredos
sobre como escrever um bom texto. Tudo isso pode até gerar certos mitos
e ilusões sobre a escrita, como chegamos a comentar neste capítulo. De
qualquer modo, as sugestões sobre como fazer uma boa redação ou produ-
zir bons textos podem conter algumas verdades ou até ajudarem parcial-
mente. O importante é sabermos que não há um caminho fácil, é preciso
bastante aplicação e continuidade no esforço para desenvolvermos nossa
escrita.
31
Comunicação nas Empresas

Na Internet circula um texto bem humorado sobre dicas ou “manda-


mentos” para se escrever bem. Dê uma olhada e reflita sobre as sugestões
que você considera mais pertinentes e cabíveis no contexto organizacional.
1. Vc. deve evitar abrev. etc.
2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiada-
mente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexo-
rável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo
que beira o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. “não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha
professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desne-
cessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa es-
tão in.
8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam manei-
ras, tá ligado?
9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa
porcaria.
10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sem-
pre é um erro.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar
uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com
que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se
encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo:
“Quem cita os outros não tem ideias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar.
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de
formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma
só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma ideia.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
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17. A voz passiva deve ser evitada.


18. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especial-
mente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
32
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desco-


nhecidas.
21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa
galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam
a compreensão da ideia contida nelas, e, concomitantemente,
por conterem mais de uma ideia central, o que nem sempre
torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre
leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a
torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de con-
tas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular
através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língua por-
tuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
Autor desconhecido

Com relação ao desenvolvimento de estratégias de comunicação


empresarial, pondere se vale a pena deixar que as limitações ou dificul-
dades para falar em público se tornem um impedimento cabal para o seu
sucesso profissional ou seu relacionamento mais efetivo com as pessoas.
Se para você o falar em público não é um segredo ou problema, avalie sua
atitude em relação aos outros no que diz respeito ao ouvir com atenção e
cuidado.
Finalmente, nossa recomendação é que você aplique o que estudou
aqui e tenha sucesso em suas produções escritas e orais.
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Leituras recomendadas
Você pode investir no aprendizado sobre produção textual lendo
artigos que tratam do assunto. Uma sugestão é o artigo “A dinâmica da
redação criativa: as estratégias que preparam o terreno para quem quer
escrever textos mais dinâmicos e criativos”, de Luiz Costa Pereira Junior,
publicado na Revista Língua Portuguesa, disponível em: <http://revista-
lingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11730> .

33
Comunicação nas Empresas

Um dos autores mais populares e recomendados na área da oratória


é Reinaldo Polito. Informações sobre seus livros e artigos são facilmente
encontradas na WEB, vale a pena dar uma conferida.

Referências
ARAÚJO, Paulo S. A arte de falar em público. Rio de Janeiro: Foren-
se e Gryphus, 2003.

BRASIL, André. Fale bem, fale sempre. São Carlos: RiMa, 2003.

CÂMARA JR. J. Mattoso. Manual de expressão oral e escrita. 14.


ed. Petrópolis: Vozes,1997.

CHOCIAY, Rogério. Redação no vestibular da Unesp: a dissertação.


São Paulo: Fundação Vunesp, 2004.

CINTRA, José C. Técnica para apresentações com recursos audio-


visuais. São Carlos: Rima, 2002.

Como falar em público. Rio de Janeiro: Suma Econômica, 1996.


(DVD e material didático).

FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Para entender o texto. 12. ed. São Pau-
lo: Ática, 1996.

____. Lições de texto: leitura e redação. 4 ed. São Paulo: Ática, 2001.

MEDEIROS, J. B. Português instrumental. São Paulo: Atlas, 2000.

Programa Gestão da Aprendizagem Escolar – Gestar II. Língua


Portuguesa: Caderno de Teoria e Prática 4 – TP4: leitura e processos
de escrita I. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação
Básica, 2008.
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34
Produção Textual e Comunicação Empresarial – Capítulo 1

No próximo capítulo
Você tem dificuldades para escrever um bom texto? Quem não tem?
Pouca gente, não é mesmo? No próximo capitulo, vamos tratar des-
sa questão.
Trabalharemos alguns conceitos de texto e discurso, além de dar-
mos indicações de como elaborar textos com coesão e coerência.
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35
Comunicação nas Empresas

Minhas anotações:
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36
Texto, Discurso, Coesão e
Coerência textuais
C Em diversas situações da vida profissional,
percebemos a importância de produzirmos tex-
CCC
tos bem formados. Por isso mesmo, você terá neste
capitulo, noções básicas sobre texto e discurso, dicas
CC C

para produzir textos bem formados e orientações para


aplicar os mecanismos de coesão e coerência textual.
CCC

Objetivos da sua aprendizagem


• Compreender o que é um texto e quais características ele deve ter.
• Conhecer os recursos para elaborar um texto bem escrito.
• Aplicar os conhecimentos adquiridos nas práticas de escrita e de
produção textual.

Você se lembra?
Sobre qual tema foi a sua primeira redação? Você ainda se lembra?
Ao longo de nossa vida escolar, fazemos inúmeras redações. E talvez
uma das exigências mais frequentes nas redações é exatamente a da
coesão e coerência do texto. Por isso, quero convidar você a rever seus
apontamentos escolares ou livros da Educação Básica que tratavam da
elaboração do texto e da necessidade de coesão e coerência textuais.
Neste capitulo, é muito importante relembrar esses conceitos e avaliar
nossas habilidades em relação à produção textual.
Comunicação nas Empresas

2.1  A produção de um texto


Imagine que alguém diga a um colega o seguinte:
“– Você sabe que horas são? Eu não posso me atrasar...”
Se a resposta for simplesmente: “sei”, provavelmente quem per-
guntou ficaria descontente com o tipo de resposta. Podemos afirmar isso
porque a intenção de quem pergunta não é obter uma informação sobre o
conhecimento ou a ignorância do colega a respeito do horário. A intenção
é pedir uma informação que traga orientação, referência e precisão numa
situação na qual a pessoa percebe que pode ficar atrasada em relação a al-
gum compromisso. Essa intenção de quem pergunta pode ser chamada de
enunciação ou ato ilocucional.
A enunciação está presente na maioria dos textos. No caso acima, po-
deríamos imaginar a presença explícita dessa enunciação do seguinte modo:
“– Fulano, me diz que horas são agora porque eu não posso me
atrasar...”
Mas é possível que um texto ou uma fala não traga explicitadas as
intenções do autor, ou seja, a enunciação pode estar implícita. Nesse caso,
será preciso ouvir ou ler o texto, entendê-lo e, também, perceber as inten-
ções do autor. Aí, então, teremos uma decodificação desse texto.
Podemos dizer, a partir dessas observações, que na produção de um
texto está envolvida a intenção ou a enunciação, mesmo que esta não este-
ja explicitada ou clara no texto. O entendimento do texto implica, então, a
decodificação da intenção de quem o produziu. Por isso mesmo, às vezes,
a gente pergunta: “Mas o que é que você quis dizer com isso?”. Temos, aí,
uma pergunta sobre a enunciação (ABREU, 1999, p. 10).
A partir dessa noção inicial sobre enunciação, vamos procurar en-
tender o que é um texto e um discurso. Vamos observar qual é a diferença
entre eles e de que modo a noção de texto e de discurso pode ajudar-nos
na elaboração de textos adequados e eficientes. Vamos conhecer alguns
mecanismos que nos auxiliam na produção de textos sem repetições des-
necessárias e com um vocabulário adequado.

2.2  Texto e discurso


Considerando o que acabamos de apresentar sobre a noção de enun-
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ciação, podemos dizer que “o texto é um produto da enunciação, estático,


definitivo e, muitas vezes, com algumas marcas da enunciação que nos
ajudarão na tarefa de decodificá-lo” O discurso, por sua vez, “é dinâmico:
principia quando o emissor realiza o processo de codificação e só termina
38
Texto, Discurso, Coesão e Coerência textuais – Capítulo 2

quando o destinatário cumpre sua tarefa de decodificá-lo. Nesse sentido,


podemos dizer, também, que o discurso é histórico” (ABREU, 1999, p. 11).
O discurso é o texto em atividade comunicativa; vindo a público e se rea-
lizando.
Assim, ao escrevermos um texto, temos de ter em mente que não
escrevemos apenas para nós mesmos. Escrevemos para que outros leiam
nosso texto; texto que se transformará, então, em discurso. Por isso, deve
haver cuidado com a elaboração do texto, com a forma pela qual nossas
intenções estarão marcadas ou presentes na mensagem.
Além disso, não podemos descuidar quanto ao vocabulário, à adequa-
ção da linguagem às situações e leitores que temos em vista e, ainda, temos
de atentar para a construção das frases e para a correção gramatical.
Voltando à noção de texto, vamos caracterizá-lo um pouco melhor.
Primeiramente, devemos considerar que um texto não é a soma
de sentenças ou um aglomerado de frases. Ele deve ser um todo orgâni-
co, com encadeamentos que tornem suas partes interligadas. Isso implica,
na leitura, que não devemos tomar as frases ou as partes do texto isola-
damente, sem considerar o seu contexto. Se o texto é um todo orgânico,
então, sua compreensão não pode se basear apenas em um fragmento iso-
lado do contexto.
Um texto precisa ser delimitado. Alguém já disse que um texto é
“delimitado por dois espaços de não sentido, dois brancos, um antes de
começar o texto e outro depois”, ou seja, um texto tem início e fim, está
delimitado num determinado espaço. Isso implica uma organização textu-
al. Se o texto é uma unidade, ele deve ter começo, meio e fim (PLATÃO
& FIORIN, 2003, p. 17).
O texto deve ser, também, gerador de sentido. Caso isso não aconte-
ça, não se produzirá um discurso, o texto não se realizará. Os sentidos têm
de ser marcados pela coerência, devem ser, também, confirmados a partir
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de seu contexto.
A produção de um texto não está isolada de seu contexto histó-
rico. O texto é o produto de um sujeito que pertence “a um grupo social
num tempo e num espaço”, alguém que “expõe em seus textos as ideias,
os anseios, os temores, as expectativas de seu tempo e de seu grupo so-
cial” Assim, “é necessário entender as concepções existentes na época e
na sociedade em que o texto foi produzido para não correr o risco de com-
preendê-lo de maneira distorcida” (PLATÃO & FIORIN, 2003, p. 17,18).

39
Comunicação nas Empresas

2.3  Coesão textual


Se um texto deve ser “um todo orgânico gerador de sentido”, é pre-
ciso estabelecer correspondência e articulação entre as partes do texto. As
frases não podem ser soltas ou simplesmente amontoadas, numa sequên-
cia sem sentido e unidade.

Você sabia que a palavra texto está relacionada, em sua ori-


gem, com a palavra tecido. Daí que podemos falar na “tecitura de um
texto”, em “tecer um texto”. É preciso tecer os fios, ou tecer as palavras,
de tal forma que o texto se apresente coeso e orgânico: uma unidade
articulada. Assim como antigamente os aprendizes em seus teares iam
dominando a técnica de seu trabalho, na prática constante da redação de
textos poderemos também dominar as técnicas de uma boa escrita.
WIKIMEDIA

Aprendizes em seus teares

O processo de articulação do texto é chamado de “encadeamento


semântico” (semântico = sentido). Ele é que produz a textualidade ou a
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“trama semântica”. A coesão é exatamente esse processo de encadeamen-


to que produz a textualidade, que cuida da “estruturação da sequência
superficial do texto” (ABREU, 1999, p. 12).

40
Texto, Discurso, Coesão e Coerência textuais – Capítulo 2

Podemos, então, dizer que a coesão textual é “a ligação, a relação, a


conexão entre as palavras, as expressões ou as frases do texto”, por meio
de “elementos formais que assinalam o vínculo entre os componentes do
texto” (PLATÃO et FIORIN, 2003, p. 370).
Vejamos, agora, os mecanismos de coesão que contribuem para a
construção de um texto bem elaborado.

2.3.1  Coesão por referência


A repetição desnecessária de palavras, criando uma redundância
indesejável, e a quebra da sequência do texto, em função de problemas na
retomada de uma ideia ou de um termo, são problemas sérios.
Observe:
(1) “Ele é meu genro preferido, casou-se com ela há cinco anos...”
(2) “Encontrei o amigo no bar.”
(3) “O diretor reuniu-se com a secretária em sua sala.”

No primeiro exemplo (1), temos o termo “ela” sem retomar nada


explicitamente dito. Nesse caso, podemos até subentender que “ela” seja a
“filha” ou “uma filha” de quem fala, mas não se explicita nada.
No segundo caso (2), o artigo definido “o” traz um problema de
coesão porque ficamos com a informação incompleta. Não sabemos quem
é “o amigo”, pois a palavra aparece pela primeira vez sem que antes tenha
havido referência a esse amigo.
No terceiro caso (3), temos um problema de coesão provocado pela
ambiguidade do pronome “sua”, já que a reunião pode ter sido tanto na
sala do diretor quanto na sala da secretária.

Veja um outro caso:


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“Reúna todas as informações e coloque-as no relatório.”


Nesse exemplo, temos duas sentenças articuladas entre si por meio da
conjunção “e”: a) “reúna todas as informações”; b) “coloque-as no relatório”.
A segunda sentença retoma o sentido do termo “as informações” usando o
pronome “as” (“coloque-as”). Temos aqui um exemplo de coesão textual por
referência. O pronome “as” faz referência à expressão “as informações”.
Vamos, então, definir a coesão por referência como a retomada ou a
recuperação de um termo por meio de palavras que façam referência a este
termo. Estas palavras são, geralmente, pronomes, advérbios e artigos.
41
Comunicação nas Empresas

A coesão por referência é o uso de pronomes, advérbios e artigos


para retomar uma ideia ou termos já expressados.

Atente para alguns exemplos que demonstram maneiras de realizar-


mos a coesão textual por referência.
Primeiramente, uma situação que não apresenta uma retomada ade-
quada de determinados termos:
Fernando Haddad esteve, ontem, em Porto Alegre. Na referida ci-
dade, o mesmo disse que o país tem investido mais na área educacional.
Observe, mais adiante, que há melhores opções para retomar ou
fazer referência à cidade mencionada. Outra questão: o uso da palavra
“mesmo” no lugar de um pronome não é recomendável.
Vejamos uma opção para reescrevermos nosso texto estabelecendo
a coesão adequadamente:
Fernando Haddad esteve, ontem, em Porto
Alegre. Lá, ele disse que o país tem inves-
tido mais na área educacional. Não convém usar
Perceba que o advérbio de a palavra “mesmo” (que pode
ser advérbio, adjetivo ou substanti-
lugar “lá” e o pronome pessoal vo) para substituir um substantivo, pois
“ele” retomaram adequadamente ela é adequadamente empregada quando
os termos que estão presentes acompanha um substantivo ou desempenha
a função de substantivo (com o sentido de “a
na primeira sentença.
mesma coisa”).
A mesma coisa acontece
no exemplo abaixo:
“Comprei um livro. Um
livro, entretanto, não me agradou.”
“Comprei um livro. O livro,
entretanto, não me agradou.”
A inadequação do primeiro caso é cor-
rigida pelo uso do pronome definido “o”, que retoma o termo “um livro”.
Voltemos, antes de passar adiante, ao exemplo (3), a fim de reescrevê-lo:
“O diretor reuniu-se com a secretária em sua sala.”
Podemos resolver a ambiguidade do seguinte modo:
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“O diretor reuniu-se com a secretária na sala dela.”


Ou:
“O diretor reuniu-se com a secretária na sala dele.”

42
Texto, Discurso, Coesão e Coerência textuais – Capítulo 2

2.3.2  Coesão lexical


Uma outra maneira de retomar ou recuperar um termo presente
numa sentença anterior se dá por meio de sinônimos, hiperônimos, meto-
nímias e expressões qualificativas.
Sinônimo é a palavra que mantém significado idêntico ou próximo à
palavra correspondente.
O hiperônimo é “um termo que mantém com outro uma relação do
tipo contém/está contido” (PLATÃO & FIORIN, 2003, p. 373). Os hi-
perônimos são conhecidos, também, como “sinônimos superordenados”,
são “palavras que correspondem ao gênero do termo a ser retomado”
(ABREU, 1999, p. 14).

Hiperônimo: Quando uma palavra mantém com outra uma rela-


ção todo/parte ou classe/elemento. Exemplo: Gosto muito de salga-
dinhos. Empada, então, adoro.

A metonímia é um recurso pelo qual se toma a parte pelo todo. As


expressões qualificativas, por sua vez, são termos “depreciativos” ou
“apreciativos” que retomam uma expressão ou ideia, revelando a atitude
ou o juízo de valor de quem escreve.
A coesão lexical se dá pelo uso de sinônimos, hiperônimos, meto-
nímias, expressões apreciativas e depreciativas para retomar termos que
serão utilizados em sentenças subsequentes.
Voltemos ao nosso exemplo:
Fernando Haddad esteve, ontem, em Porto Alegre. Fernando Haddad
disse em Porto Alegre que o país tem investido mais na área educacional.
• Vamos reescrevê-lo estabelecendo a coesão:

a) por meio de sinônimos ou hiperônimos


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Fernando Haddad esteve, ontem, em Porto Alegre. Na capital gaú-


cha, o ministro da educação disse que o país tem investido mais na área
educacional.
Veja, ainda, alguns exemplos com o uso de hiperônimos:
A empresa comprou vinte computadores novos, mas as máquinas
deverão chegar somente no próximo mês porque os equipamentos ainda
estão retidos na alfândega.
Ele precisa de um armário novo, pois o móvel antigo está deteriorado.

43
Comunicação nas Empresas

b) por meio de expressões qualificativas


Termo apreciativo:
Fernando Haddad esteve, ontem, em Porto Alegre. Lá, o competen-
te ministro disse que o país tem investido mais na área educacional.
Termo depreciativo:
Fernando Haddad esteve, ontem, em Porto Alegre. Lá, o represen-
tante da burocracia estatal alegou que o país tem investido mais na área
educacional.
c) uso de metonímias:
Vejamos, agora, um exemplo de coesão lexical com o uso de meto-
nímias.
O presidente Bush reuniu-se, finalmente, com o presidente Lula. Al-
guns analistas internacionais, entretanto, não acreditam que a Casa Branca
cederá às pressões do Planalto na questão do etanol.
Note que “o presidente Bush”, que representa o governo americano,
foi retomado por uma parte desse governo, a Casa Branca. O governo bra-
sileiro, representado no texto pelo termo “o presidente Lula”, é retomado
também por uma parte, o Planalto.
Conexão:
2.3.3  Coesão por elipse Veja mais sobre coe-
são referencial e lexical no
A simples omissão de um termo pode re- link abaixo:
presentar, também, um mecanismo de coesão. Às <http://vestibular.uol.com.br/
vezes, temos a opção de omitir determinada pala- ultnot/resumos/coesao-
textual.jhtm>
vra já mencionada, sem que com isso haja prejuízo
para o entendimento da sentença ou do texto.

A coesão por elipse é a retomada de uma ideia ou referência na


segunda sentença por meio de uma ausência ou omissão.

Confira o nosso exemplo:


Fernando Haddad esteve, ontem, em Porto Alegre. Lá, disse que o
país tem investido mais na área educacional.
Na segunda sentença, “Fernando Haddad” foi simplesmente omiti-
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do. Ele se acha retomado por ausência, ou seja, o leitor, ao ler a segunda
frase, se depara com o verbo disse e, para interpretar o seu sujeito, tem de
voltar à sentença anterior e descobrir que quem disse foi Fernando Ha-
ddad (ABREU, 1999, p. 14).
44
Texto, Discurso, Coesão e Coerência textuais – Capítulo 2

2.3.4  Coesão por substituição


Muitas vezes, por questões de economia, a gente pode utilizar
um único termo para substituir uma expressão mais extensa ou uma
sequência inteira. Desse modo, deixamos o texto mais enxuto e mante-
mos sua coesão usando termos como “tudo isso” para substituir outras
partes mais extensas.
A coesão por substituição é aquela que substitui ou abrevia uma se-
quência utilizando termos sintéticos ou predicados prontos.
Confira o exemplo:
O novo diretor pretende anunciar as novas regras para os processos
de contratação temporária, mas não deverá fazer isso neste mês.
Na segunda sentença, “fazer isso” retomou a sequência “pretende
anunciar as novas regras para os processos de contratação temporária”.

2.4  Coesão textual e a articulação sintática do texto


Vejamos, por último, alguns mecanismos que estabelecem a
coesão textual por meio de articulações sintáticas. As articulações
sintáticas são processos que ligam, sintaticamente, as sentenças umas
às outras. As articulações são feitas por meio de conectivos ou termos
articuladores.
Vamos, então, a alguns tipos de articulação sintática, chamando sua
atenção para os exemplos que serão dados.

2.4.1  Articulação sintática de oposição


Estabelece relações de oposição entre as sentenças de duas formas:
Articulação sintática de oposição por meio de coordenação adversativa. Uso
dos articuladores: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.
Os alunos vieram à escola, mas não houve aula.
Encontrei dificuldades, porém consegui superá-las.
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Encontrei dificuldades, todavia consegui superá-las.


Encontrei o livro que procurava, mas o alto valor do livro, entretanto, impediu-
me de comprá-lo.

Perceba que quando usamos os articuladores “mas” ou “porém”, es-


tamos nos valendo de expressões muito comuns e presentes na linguagem
coloquial ou cotidiana. Se usarmos, por exemplo, “todavia”, já estabelece-

45
Comunicação nas Empresas

mos certa formalidade. Você não imagina que alguém diga na mesa do bar:
“Garçom, pedi uma cerveja, todavia até o momento não fui atendido!”.
porque, pois, como, por isso que, já que, visto que, uma vez que;
por, por causa de, em vista de, em virtude de, devido a, em consequência de,
por motivo de, por razões de
Embora os alunos tenham vindo à escola, não houve aula.
Apesar de ter encontrado dificuldades, consegui superá-las.
Ainda que tenha encontrado dificuldades, consegui superá-las.
Apesar de o diretor examinar seu pedido, não foi possível conceder o aumento
salarial.

2.4.2  Articulação sintática de causa


Estabelece relações de causa e efeito, por meio do uso dos arti-
culadores.
Articulação sintática de oposição por meio de subordinação concessiva. Uso
dos articuladores: embora, muito embora, ainda que, conquanto, posto que;
apesar de, a despeito de, não obstante.
Não fui à praia porque estava chovendo.
Porque estava chovendo, não fui à praia.
Como estava chovendo, não fui à praia.
Não fui à praia, pois estava chovendo.
Em virtude de estar chovendo, não fui à praia.

2.4.3  Articulação sintática de condição


Estabelece relação de condição entre as sentenças.
se, caso, contanto que, desde que, a menos que, a não ser que
Se você estudar, passará no concurso.
Caso você estude, passará no concurso.
Você passará no concurso, desde que estude.
Você não passará no concurso, a menos que estude.*
Você não passará no concurso, a não ser que estude.*
* ênfase no aspecto negativo, na possibilidade remota de se passar no concurso.
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Texto, Discurso, Coesão e Coerência textuais – Capítulo 2

2.4.4  Articulação sintática de finalidade


Estabelece relação de finalidade ou propósito.
para, a fim de, com o propósito de, com a intenção de, com o fito de, com
o intuito de, com o objetivo de
Você precisa visitar o museu para comprovar o que estou falando.
O prefeito melhorou a infraestrutura a fim de receber mais turistas.
Estou trabalhando com o intuito de comprar uma casa.

2.4.5  Articulação sintática de conclusão


Estabelece relação de conclusão.
logo, portanto, então, assim, por isso, por conseguinte, de modo que, em
vista disso, pois (após o verbo)
Estou doente, logo só poderei viajar na próxima semana.
Prestei muita atenção, portanto não estava distraído.
Ele não ultrapassou o limite de velocidade, assim, estava dirigindo com maior
segurança.
Não vou ao cinema, ficarei, pois, em casa.

2.5  Coerência textual


Embora alguns autores cheguem até mesmo a não fazer distinção
entre coesão e coerência, vamos tomar a coerência como a interligação
das ideias em um texto de forma clara e lógica. A coerência textual está,
assim, ligada à capacidade de se estabelecer um sentido para o texto.
Alguns fatores contribuem para a coerência do texto. São eles:
a) Situacionalidade: diz respeito ao ambiente no qual o texto é
construído, produzido, recebido e lido.
b) Informatividade: Um texto deve ter um grau adequado de
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informações previsíveis e imprevisíveis. Isso significa que o


texto deve apresentar informações dadas ou já sabidas e infor-
mações novas, mas sem se tornar redundante pela quantidade
exagerada de informações conhecidas e sem exagerar também
nas informações novas.
c) Intertextualidade: o sentido de um texto pode depender, em
grande medida, da relação que ele estabelece com outros textos.
Isso quer dizer que na construção de um texto e na sua interpre-
tação, nosso conhecimento prévio ou repertório conta muito.
47
Comunicação nas Empresas

d) Intencionalidade: todo texto tem algum tipo de intencionali-


dade ou objetivo. Devem se levar em conta na elaboração do
texto as intenções comunicativas.
e) Aceitabilidade: Parte da coerência de um texto é dada pela
participação do leitor ou receptor. Isso acontece porque o leitor
interage com o texto atribuindo-lhe sentido.
f) Conhecimento de mundo: um texto deve falar de coisas que o
leitor conhece ou deveria conhecer. Se o texto trata de assuntos
que não fazem parte do conhecimento de mundo ou bagagem
cultural do leitor, o sentido do texto fica comprometido.
g) Inferências: muitas vezes o texto traz informações implícitas,
que precisam ser deduzidas pelo leitor. As pressuposições e su-
bentendidos de um texto são exemplos de elementos que os re-
ceptores ou leitores de um texto precisarão deduzir ou inferir.
h) Fatores de contextualização: os textos precisam estar relacio-
nados com determinadas situações comunicativas, como data,
local, título, autoria etc.
i) Consistência e relevância: Os enunciados do texto não devem
ser contraditórios e devem estar, num mesmo tópico discursi-
vo, relacionados a um mesmo tema.
j) Focalização: é importante o foco ou a concentração do produtor
e do leitor do texto em determinada área de interesse, pois isso
permite a apreensão do significado do texto. Ao focar o texto em
determinada área de seu interesse, o leitor ou o produtor do texto
fazem a leitura/produção de acordo com sua visão, seu propósi-
to, suas vivências, seu conhecimento de mundo etc.

Atividades
01. Como você resolveria a ambiguidade das frases abaixo?
a) O gerente conversou com o supervisor em sua sala.
b) Encontrei um funcionário entre o grupo que estava uniformizado.”

02. A partir da lista de características abaixo, marque sim ou não confor-


me a pertinência para o texto empresarial.
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Vocabulário sofisticado ( ) sim ( ) não


Clareza ( ) sim ( ) não
Vocabulário simples e formal ( ) sim ( ) não
Objetividade ( ) sim ( ) não
48
Texto, Discurso, Coesão e Coerência textuais – Capítulo 2

Frases curtas ( ) sim ( ) não


Frases longas ( ) sim ( ) não
Frases rebuscadas ( ) sim ( ) não
Gramática correta ( ) sim ( ) não
adaptado de GOLD, 2005, p. 6

03. (Prova Brasil/MEC) Leia o poema:

Eu tenho um sonho
Eu tenho um sonho
lutar pelos direitos dos homens
Eu tenho um sonho
tornar nosso mundo verde e limpinho
Eu tenho um sonho
de boa educação para as crianças
Eu tenho um sonho
de voar livre como um passarinho
Eu tenho um sonho
ter amigos de todas raças
Eu tenho um sonho
que o mundo viva em paz
e em parte alguma haja guerra
Eu tenho um sonho
Acabar com a pobreza na Terra
Eu tenho um sonho
Eu tenho um monte de sonhos...
Quero que todos se realizem
Mas como?
Marchemos de mãos dadas
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e ombro a ombro
Para que os sonhos de todos
se realizem!

SHRESTHA, Urjana. Eu tenho um sonho. In: Jovens do mundo inteiro. Todos


temos direitos: um livro de direitos humanos. 4a ed. São Paulo: Ática, 2000. p.10.

49
Comunicação nas Empresas

No verso “Quero que todos se realizem”, o termo destacado refere-se a


a) amigos
b) direitos
c) homens
d) sonhos
e) jovens

04. Estabeleça a relação ou a articulação de oposição entre as frases.


a) Inclusão social é uma das principais metas do turismo. O segmento de
Aventura Especial ficou de fora do projeto.
b) Há uma pequena procura por profissionais especializados na gestão e
na organização de grandes eventos. Eventos como convenções, exposições
e feiras, em especial feiras agropecuárias, crescem cada vez mais no inte-
rior do Brasil.
c) Hoje estou muito cansado. Irei passear com as crianças.
d) O relatório foi entregue no prazo. O relatório não estava completo.
e) A escola abriu novas vagas no turno da tarde. Muitas crianças estão
sem poder estudar.

05. Reescreva o texto melhorando sua coesão textual.


“Diz-se que o macarrão era apenas um canudinho de massa que os
chineses usavam para tomar bebidas. Marco Polo não entendeu o uso do
macarrão, ensinou seus compatriotas a cozinhar e a comer o macarrão e
transformou o macarrão num sucesso culinário definitivo.”
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50
Texto, Discurso, Coesão e Coerência textuais – Capítulo 2

06. Reescreva as frases restabelecendo a coesão e a coerência.


a) A polícia não tem pistas dos culpados, mas a polícia vai empenhar-se
para chegar aos culpados.
b) Os alunos acharam a prova com um alto grau de dificuldade, mas os
alunos pediram ao professor que a próxima prova não tivesse um alto grau
de dificuldade.

Reflexão
Vimos, neste capítulo, que a coesão textual é responsável pelo enca-
deamento harmônico do texto, constituindo-se em um processo que esta-
belece a relação entre as sentenças ou as partes do texto. Se escrevermos
adequadamente um texto, mantendo sua coesão, facilitaremos o trabalho
de leitura, pois o leitor não terá de fazer um esforço excessivo para asso-
ciar as ideias ou as partes do texto que escrevemos.

Leituras recomendadas
Para aprofundar seus conhecimentos sobre cognição e texto, faça a
leitura de Cognição e texto: a coesão e a coerência textuais, de Carmen
Elena das Chagas, um estudo sobre a importância da coesão e da coerên-
cia na construção da progressividade do texto, o qual toma como modelo
o processo cognitivo que ambas necessitam para exercer o fundamental
papel de elementos linguísticos presentes na superfície textual, pois se in-
terligam e se interconectam, por meio de recursos também linguísticos, de
modo a formar um “tecido” no contexto em que estão inseridas.
Disponível em Ciências & Cognição 2007; Vol. 12: 214-218
<http://www.cienciasecognicao.org >

Referências
EAD-14-Comunicação nas Empresas – Proibida a reprodução – © UniSEB

ABREU, A. S. Curso de redação. 3. ed. São Paulo: Ática, 1999.

FÁVERO, Leonor L. Coesão e coerência textuais. 5 ed. São Paulo:


Ática, 1998.

GOLD, Miriam. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na


era da globalização. 3. ed. São Paulo: Pearson Education, 2005.

51
Comunicação nas Empresas

HELLER, Robert. Como se comunicar bem. São Paulo: Publifolha,


2000. (Série Sucesso Profissional).

RIBEIRO, Manuel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 15


ed. revisada e ampliada. Rio de Janeiro: Metáfora, 2005.

SAVIOLI, F. P., FIORIN, J. Lições de texto: leitura e redação. 4. ed.


São Paulo: Ática, 2003.

TEIXEIRA, Leonardo. Comunicação na empresa. Rio de Janeiro:


FGV, 2007.

No próximo capítulo
Após trabalharmos a noção de texto e apresentarmos mecanismos de
coesão textual, vamos desenvolver no capítulo seguinte, primeiramente, o
tema crase, os casos em que há obrigatoriedade do uso, os casos facultati-
vos e as situações em que a crase não deve ser utilizada. Vamos apresentar
também uma introdução sobre pronomes, sobre o emprego adequado dos
pronomes pessoais e por fim, trataremos da colocação pronominal.
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52
Crase e Colocação
Pronominal
3 Neste capítulo, iniciamos com explicações
sobre a origem da crase, seu emprego, apresen-
lo
tando as situações em que seu uso é obrigatório,
veremos também os casos em que seu uso é faculta-
ít u

tivo e quando não devemos usar a crase, além dos casos


especiais. Na sequência, trataremos do papel fundamental
Cap

exercido pelos pronomes nas interações verbais, assim como


da classificação e emprego dos pronomes pessoais.
Finalizamos o capitulo com a posição dos pronomes oblíquos
átonos em relação aos verbos, apresentando deste modo a coloca-
ção pronominal.

Objetivos da sua aprendizagem


• Compreender o que é a crase, saber empregá-la nas diferentes situa-
ções, sejam elas obrigatórias, facultativas ou nos casos em que não se
usa a crase;
• Compreender o papel exercido pelos pronomes nas interações ver-
bais;
• Classificar os pronomes pessoais e empregá-los de forma adequada;
• Saber empregar os pronomes oblíquos átonos em relação aos verbos e
de acordo com as regras de colocação pronominal.

Você se lembra?
Vou a Bahia? Ou vou à Bahia? Você já se deparou com muitas dú-
vidas a respeito do uso da crase? Lembra-se de situações, seja na
sua vida acadêmica ou profissional, em que se perguntou se tem
crase ou não tem crase em determinada oração? E nas situa-
ções de emprego de pronome? Isto é pra mim fazer? Ou Isto
é pra eu fazer? Pois bem, nesse capítulo vamos fazer as
pazes com esses dilemas, por meio de muito estudo, é
claro!
Comunicação nas Empresas

3.1  Origem da crase


De acordo com a Gramática histórica, crase é um metaplasmo por
subtração, ou seja, ocorre quando se tiram ou diminuem fonemas à palavra.
A crase consiste na fusão de dois sons vocálicos contíguos. Ex.:
pede > pee > pé; aviolu > avoo (arc.) > avô; dolore > door > dor.
Atualmente, ocorre a crase apenas com dois aa: preposição + artigo
definido (à, às) ou preposição + pronome demonstrativo (àquele, àquela,
àquilo etc.).

3.2  Emprego atual da crase


É o nome que se dá à fusão, à contração de dois aa.
Acento grave (`) é o sinal que indica a fusão de dois aa, ou seja, é
o acento indicador da crase, da contração de dois aa. Portanto, nenhum a
tem crase, mas acento grave.
Simplificaremos este assunto em dois casos apenas, tirante os casos
facultativos do uso do acento grave.

3.2.1  1º CASO
Ocorre a crase quando o termo regente (subordinante) exigir a pre-
posição a e o termo regido (subordinado) admitir o artigo definido a, ou
quando este último for representado por um pronome demonstrativo ini-
ciado por a. Ex.:
Conexão:
3.2.1.1  Vou à praça. Crase e acento são
conceitos distintos; entender
a +a essa distinção é fundamental
para bem compreender este
O termo regente ”Vou” exige a prepo- assunto.
sição a: quem vai, vai a algum lugar; o ter-
mo regido “praça” admite o artigo definido a
(a praça é bonita.). Neste caso, ocorreu a crase
e este a recebe acento grave.
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54
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

3.2.1.2  Chegamos a Fortaleza.


a +∅
O termo regente “Chegamos” exige a preposição a: quem chega,
chega a algum lugar; o termo regido “Fortaleza” não admite o artigo defi-
nido a (Fortaleza é capital do Ceará.). Portanto, não ocorre a crase, sendo
este a preposição essencial.

3.2.2  Entendi a questão.


∅+a

O termo regente “Entendi” não exige preposição a: quem entende,


entende alguma coisa; o termo regido “questão” admite o artigo definido a
(a questão está correta.). Logo, não ocorre a crase e este a é simplesmente
artigo definido.
O mesmo ocorre quando o termo regido for um pronome demons-
trativo. Ex.:
Ainda não assisti àquele filme.
a + aquele ou:

Ainda não assisti a esse filme.

Prefiro esta fruta àquela.


a + aquela ou:

Prefiro esta fruta a essa.


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55
Comunicação nas Empresas

Entretanto, há este caso:


Não encontrei aquela resposta.

Ø + aquela ou:

Não encontrei (Ø) essa resposta.

Não há necessidade de o aluno decorar todos os casos de “crase


proibida”, conforme as gramáticas tradicionais apresentam, pois caímos
sempre no 1º caso (3.2.1), em que o termo regido não aceita o artigo de-
finido a. Exemplificando:

Sua roupa está cheirando a suor. (suor = substantivo masculino)


“Tudo cheirava-me a asneiras.” (asneiras = substantivo em sentido
genérico)
Está começando a esfriar. (esfriar = verbo)
Irei a uma festa. (uma = artigo indefinido)
Observe que na frase “Não assisto a filmes de guerra ou de violên-
cia”, embora o termo regente exija preposição a, não ocorre a crase, por-
que o termo regido, além de ser masculino, está no plural.

A crase ainda é motivo de dúvidas para muitas pessoas. Diacroni-


camente, trata-se de um metaplasmo de subtração (coor > cor = ocorre a
queda de uma vogal). Modernamente, crase é a fusão de vogais idênticas
(preposição a + artigo a, ou preposição a + pronome demonstrativo a,
aquele, aquilo etc.).
Ocorrerá a crase somente quando o termo regente (subordinan-
te) exigir preposição a e o termo regido (subordinado) admitir artigo a.
Quando dizemos “Vou à escola”, ocorre a crase porque o termo regente —
verbo ir — exige a preposição a (quem vai, vai a algum lugar), e o termo
regido — escola — aceita o artigo a (A escola é grande, por exemplo). Ao
afirmar “Cheguei a Brasília de manhã”, o termo regente “chegar” exige
preposição a, mas o termo regido “Brasília” não aceita o artigo a (Brasília
é capital do Brasil), ocorrendo apenas a preposição. Já em “Encontramos
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a mensagem”, o termo regente encontrar não exige preposição a, e o ter-


mo regido “mensagem” admite o artigo a. (A mensagem foi recebida por
todos), ocorrendo apenas o artigo definido.

56
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

Em vez de usarmos as expressões “a craseado” e “a com cra-


se”, devemos empregar mais propriamente ocorre a crase; o a recebe,
pois, acento grave. Ao dizer “Já assisti àquele filme”, ocorre a crase e, con-
sequentemente, o pronome demonstrativo recebe acento grave.

Procure justificar a ocorrência da crase nestes versos do escritor


José Paulo Paes:
Sem a pequena morte
de toda noite
como sobreviver à vida
de cada dia?

Ocorrerá a crase antes das palavras casa (lar), terra (antônima


de bordo) e distância se aparecerem com modificador ou forem delimitadas.
Ex.: Cheguei a casa de madrugada.
Mas: Voltei à casa de minha namorada cedo.
Retornamos a terra à noitinha.
Mas: Retornarei à terra de meus avós.
No zoológico, os animais ficam a distância.
Mas: Os guardas ficaram à distância de vinte metros.

3.2.3 
2º CASO – Ocorre a crase em locuções (prepositivas, adverbiais
ou conjuntivas) com palavras femininas. Ex.:
Às vezes não a encontro à noite. (locuções adverbiais)
Os policiais estão à procura do ladrão. (locução prepositiva)
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À proporção que chove, mais preocupados ficamos. (locução con-


juntiva)
Fazer uma redação à Rui Barbosa. (está subentendida a locução à
semelhança de).

57
Comunicação nas Empresas

Ocorrendo a elipse da palavra moda ou maneira, das expressões


à moda de, à maneira de, ocorrerá a crase diante de nomes masculinos:
Calçados à Luís XV. (à moda de Luís XV).
Estilo à Coelho Neto.
Era um senhor atarracado, de grossos bigodes à Kaiser. (José Maria Belo)
Aliás, magníficas perucas à Luís XIV. (Mário Quintana)

Além da ocorrência da crase com termos regentes e regidos, há o


caso de locuções com palavras femininas: são as locuções adverbiais,
prepositivas e conjuntivas.
As locuções adverbiais mais frequentes são: às vezes, à noite, às
claras, à toa. Os escritores as empregam constantemente: Esses ficarão à
direita da Mão (Jorge de Lima). Santos cumpriu tudo à risca (Machado
de Assis).
São bastante conhecidas as locuções prepositivas: à procura de, à
custa de, à volta com: À força de pensar, acabou adormecendo. Drum-
mond escreveu: “O noivo seguia para a casa da noiva, à frente de um
cortejo”.
Apenas a relação de proporção forma as locuções conjuntivas pro-
porcionais: À medida que descia, tranquilizava-se. (Graciliano Ramos) E
à proporção que os dias iam passando, os registros eram cada vez mais
sucintos. (Carlos Drummond de Andrade)

Sempre ocorrerá crase nas locuções adverbiais com a palavra ho-


ras (mesmo subentendida): Cheguei a casa às dez horas. Casou no sába-
do e logo na terça entrava em casa às três da manhã. (Dalton Trevisan)

3.3  Casos facultativos do uso do acento grave,


indicador da crase
Nestes casos, o uso do acento grave é facultativo desde que o termo
regente exija a preposição a. Caso contrário, não podemos pensar na ocor-
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rência da crase.

58
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

Antes de pronome possessivo feminino


Ex. – Escrevi a / à minha professora.
(quem escreve, escreve a alguém)

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3.3.1  Antes de nome próprio de pessoa (íntima,


familiar)
Ex.: Não fiz referência a / à Teresa.
(quem faz referência, faz referência a alguém)

Com a locução até a, antes de palavra feminina


Ex.: Fui até a / até à esquina, mas não o encontrei.
(quem vai, vai a algum lugar)

Na língua portuguesa, há três casos de ocor-


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rência de crase facultativa, desde que o termo


Conexão:
regente exija preposição a. Você percebeu que a
O primeiro deles é com relação a no- crase sempre foi assunto de
muitas dúvidas entre os alunos.
mes próprios femininos, pois, dependendo Você poderá conhecer mais sobre
do contexto, da intimidade que se tem com o assunto, lendo o artigo Crase,
disponível no link:
a pessoa, usa-se ou não o artigo definido a.
<http://www.portalsaofrancisco.
Em “Sempre faço referência à Rosinha”, esta é com.br>.
uma pessoa íntima, conhecida, o que não aconte-
ce em “Sempre faço referência a Rosinha”.
59
Comunicação nas Empresas

Antes de pronome possessivo feminino, ocorre a mesma ideia. “Es-


crevi à minha diretora”, pois posso antepor o artigo em “A minha diretora
é ótima”; ou simplesmente usar a preposição: “Escrevi a minha diretora”.
A palavra até é sempre preposição essencial. Por isso, alguns auto-
res não empregam outra preposição após ela. Logo, podemos dizer “Vou
até à padaria” ou “Vou até a padaria”.
Em relação aos dois primeiros casos, não podemos pensar em acen-
to grave caso o termo regente não exija preposição a: “Constantemente
encontro a Rosinha”, “Vi a minha diretora no pátio”.
Talvez um dos erros mais vulgarizados entre nossos estudantes – e
não apenas entre eles – seja o decorrente da confusão entre os fonemas
há, a, à, forma verbal, preposição e contração, respectivamente. Além de
outros sentidos, a forma verbal há é empregada para designar tempo de-
corrido. Na maioria das vezes, há pode ser substituído pela forma verbal
faz, impessoal. Assim, há muito tempo que não o encontro (= faz muito
tempo), não a vejo há dois dias (= faz dois dias).
Quando se faz referência a futuro, ou a tempo a decorrer, o que cabe
é apenas a preposição a. Dessa forma: daqui a duas semanas, estaremos
a quatro meses do fim do ano. Vale lembrar que nas referências a dis-
tância é normalmente a que se emprega: Moro a três quarteirões daqui,
numa casa situada a dois quilômetros do centro da cidade.
“Eu nasci há dez mil anos atrás...” é a letra de uma música compos-
ta pelo escritor Paulo Coelho e interpretada, com muita ênfase, por Raul
Seixas. Trata-se de uma redundância ou pleonasmo vicioso. Eles deve-
riam escrever e cantar “Eu nasci há dez mil anos...” ou “Eu nasci dez mil
anos atrás...”, restando apenas a hipérbole – figura de linguagem –, mas o
vício de linguagem não.
Antes de resolver as atividades, leia este artigo sobre crase, pre-
sente no site <http://www.gramaticaonline.com.br/gramatica/janela.
asp?cod=92>, onde você encontrará outra forma de apresentação, com
novos exemplos.

3.4  Crase
A palavra crase provém do grego (krâsis) e significa mistura. Na
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língua portuguesa, crase é a fusão de duas vogais idênticas, mas essa de-
nominação visa a especificar principalmente a contração ou fusão da pre-
posição a com os artigos definidos femininos (a, as) ou com os pronomes
demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo, aqueloutro.
60
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

Para saber se ocorre ou não a crase, basta seguir três regras básicas:
1. Só ocorre crase diante de palavras femininas, portanto nunca
use o acento grave indicativo de crase diante de palavras que
não sejam femininas.
Ex. – O sol estava a pino.
Sem crase, pois pino não é palavra feminina.
Ex. – Ela recorreu a mim.
Sem crase, pois mim não é palavra feminina.
Ex.– Estou disposto a ajudar você.
Sem crase, pois ajudar não é palavra feminina.

2. Se a preposição a vier de um verbo que indica destino (ir, vir,


voltar, chegar, cair, comparecer, dirigir-se...), troque este verbo
por outro que indique procedência (vir, voltar, chegar...); se,
diante do que indicar procedência, surgir da, diante do que
indicar destino, ocorrerá crase; caso contrário, não ocorrerá
crase.
Ex. – Vou a Porto Alegre.
Sem crase, pois: Venho de Porto Alegre.
Ex. – Vou à Bahia.
Com crase, pois: Venho da Bahia.

3. Se não houver verbo indicando movimento, troca-se a palavra


feminina por outra masculina; se, diante da masculina, surgir
ao, diante da feminina, ocorrerá crase; caso contrário, não
ocorrerá crase.
Ex. – Assisti à peça.
Com crase, pois: Assisti ao filme.
Ex. – Paguei à cabeleireira.
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Com crase, pois: Paguei ao cabeleireiro.


Ex. – Respeito as regras.
Sem crase, pois: Respeito os regulamentos.

Casos especiais

1. Diante das palavras moda e maneira, das expressões adver-


biais à moda de e à maneira de, mesmo que as palavras moda e
maneira fiquem subentendidas, ocorre crase.
61
Comunicação nas Empresas

Exs.:
Fizemos um churrasco à gaúcha.
Comemos bife à milanesa, frango à passarinho e espaguete à bolonhesa.
Joãozinho usa cabelos à Príncipe Valente.

2. Nos adjuntos adverbiais de modo, de lugar e de tempo femini-


nos, ocorre crase.
Ex.: – À tarde, à noite, às pressas, às escondidas, às escuras, às ton-
tas, à direita, à esquerda, à vontade, à revelia ...

3. Nas locuções prepositivas e conjuntivas femininas, ocorre cra-


se.
Ex.: – À maneira de, à moda de, às custas de, à procura de, à espera
de, à medida que, à proporção que...

4. Diante da palavra distância, só ocorrerá crase se houver a for-


mação de locução prepositiva, ou seja, se não houver a prepo-
sição de, não ocorrerá crase.
Exs.:
Reconheci-o a distância.
Reconheci-o à distância de duzentos metros.

5. Diante do pronome relativo que ou da preposição de, quando


for fusão da preposição a com o pronome demonstrativo a, as
(= aquela, aquelas).
Exs.:
Essa roupa é igual à que comprei ontem.
Sua voz é igual à de um primo meu.

6. Diante dos pronomes relativos a qual, as quais, quando o verbo


da oração subordinada adjetiva exigir a preposição a, ocorre
crase.
Ex.: – A cena à qual assisti foi chocante. (quem assiste assiste a algo)
7. Quando o a estiver no singular, diante de uma palavra no plu-
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ral, não ocorre crase.


Exs.:
Referi-me a todas as alunas, sem exceção.
Não gosto de ir a festas desacompanhado.
62
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

8. Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, não ocorre


crase, a não ser que cause ambiguidade.
Exs.:
Preencheu o formulário a caneta.
Paguei a vista minhas compras.
Nota – Modernamente, alguns gramáticos estão admitindo crase dian-
te de adjuntos adverbiais de meio, mesmo não ocorrendo ambiguidade.

9. Diante de pronomes possessivos femininos, é facultativo o uso


do artigo; então, quando houver a preposição a, será facultati-
va a ocorrência de crase.
Exs.:
Referi-me a sua professora.
Referi-me à sua professora.
10. Após a preposição até, é facultativo o uso da preposição a,
portanto, caso haja substantivo feminino à frente, a ocorrência
de crase será facultativa.
Exs.:
Fui até a secretaria.
Fui até à secretaria.

11. A palavra CASA


A palavra casa só terá artigo se estiver especificada, portanto só
ocorrerá crase diante da palavra casa nesse caso.
Exs.:
Cheguei a casa antes de todos.
Cheguei à casa de Ronaldo antes de todos.

12. A palavra TERRA


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Significando planeta, é substantivo próprio e tem artigo, consequen-


temente, quando houver a preposição a, ocorrerá a crase; significando
chão firme, solo, só tem artigo, quando estiver especificada, portanto, só
nesse caso, poderá ocorrer a crase.
Exs.:
Os astronautas voltaram à Terra.
Os marinheiros voltaram a terra.
Irei à terra de meus avós.

63
Comunicação nas Empresas

3.5  Pronome
Pronomes são palavras que substi- Os pronomes
tuem ou acompanham outras palavras, exercem papel fundamental
nas interações verbais. São eles
principalmente os substantivos. Podem que indicam as pessoas do discurso,
também remeter a palavras, orações expressam formas sociais de tratamento
e frases expressas anteriormente (CE- e substituem, acompanham ou retomam
palavras e orações já expressas. Contri-
REJA; MAGALHÃES, 2005).
buem, assim, para garantir a síntese, a
clareza, a coerência e a coesão do
Os pronomes que funcionam texto. (CEREJA; MAGALHÃES,
como substantivos chamam-se prono- 2005).

mes substantivos; e os que acompanham


os substantivos, pronomes adjetivos.

Ex.: Esta casa é mais confortável que a outra. (esta – pron. adjeti-
vo; outra – pron. subst.)

3.6  Pronomes pessoais


Os pronomes pessoais designam diretamente uma das pessoas do
discurso:
• O locutor (quem fala): 1ª pessoa – eu (singular) ou nós (plural).
• O interlocutor (com quem se fala): 2ª pessoa – tu (singular) ou
vós (plural).
• O assunto ou referente (do que se fala): 3ª pessoa – ele/ela (sin-
gular) ou eles/elas (plural).

Pronomes pessoais são aqueles que indicam as três pessoas do dis-


curso. Classificam-se em retos e oblíquos.
Número Pessoa Pronomes retos Pronomes oblíquos
Singular 1ª eu me, mim, comigo
2ª tu te, ti, contigo
3ª ele/ela se, si, consigo, o, a, lhe
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Plural 1ª nós nos, conosco


2ª vós vos, convosco
3ª eles/elas se, si, consigo, os, as, lhes

64
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

A variação em pessoais retos e pessoais oblíquos está ligada à fun-


ção que os pronomes desempenham na frase. Se for a função de sujeito,
usaremos os pronomes retos, se for a função de objeto direto, usam-se,
normalmente, os pronomes oblíquos átonos, e na função de objeto indire-
to, os pronomes oblíquos tônicos.

Emprego dos pronomes pessoais:


• As formas oblíquas o, a, os e as completam verbos que não
vêm regidos de preposição; enquanto lhe e lhes completam ver-
bos regidos das preposições a ou para (não expressas);
• Em pouco uso, porém vigente, as formas mo, to, no-lo, vo-lo,
lho e flexões resultam da fusão de dois objetos, representados
por pronomes oblíquos (ninguém mo disse = ninguém o disse
a mim).
• O, a, os e as viram lo(a/s) quando associados a verbos termina-
dos em r, s ou z e viram no (a/s), se a terminação verbal for em
ditongo nasal.
• O/a (s), me, te, se, nos, vos desempenham função se sujeitos
de infinitivo ou verbo no gerúndio, junto ao verbo fazer, dei-
xar, mandar, ouvir e ver (mandei-o entrar / eu o vi sair / deixei-
as chorando).
• Você hoje é usado no lugar das segundas pessoas (tu/vós), le-
vando o verbo para a 3ª pessoa.
• As formas de tratamento serão precedidas de vossa quando nos
dirigirmos diretamente à pessoa, e de sua quando fizermos re-
ferência a ela. Troca-se na abreviatura o v. Pelo s.
• Quando precedidos de preposição, os pronomes retos (exceto
eu e tu) passam a funcionar como oblíquos.
• Eu e tu não podem vir precedidos de preposição, exceto se
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funcionarem como sujeito de um verbo no infinitivo. (isto é


para eu fazer.).
• Pronomes acompanhados de só ou todos, ou seguido de nume-
ral, assumem forma reta e podem funcionar como objeto direto
(estava só ele no banco / encontramos todos eles).
• Me, te, se, nos, vos podem ter valor reflexivo, enquanto se,
nos, vos podem ter valor reflexivo e recíproco.
• Si e consigo têm valor, exclusivamente, reflexivo e são usados
para a 3ª pessoa.
65
Comunicação nas Empresas

• Conosco e convosco devem aparecer na sua forma analítica


(com nós e com vós) quando vierem com modificadores (to-
dos, outros, mesmos, próprios, numeral ou oração adjetiva).
• Os pronomes pessoais retos podem desempenhar função de
sujeito, predicativo do sujeito ou vocativo, este último com tu
e vós (nós temos uma proposta. / Eu sou eu e pronto. / Ó, tu,
senhor jesus.)
• Não se pode contrair as preposições de e em com pronomes
que sejam sujeitos. (Em vez de ele continuar, desistiu).
• Os pronomes átonos podem assumir valor possessivo (leva-
ram-me o dinheiro / pesavam-lhe os olhos);
• Alguns pronomes átonos são partes integrantes de verbos como
suicidar-se, apiedar-se, condoer-se, ufanar-se, queixar-se,
vangloriar-se etc.
• Podemos usar alguns pronomes oblíquos como expressão ex-
pletiva. (Não me venha com essa)

Observe o uso dos pronomes pessoais neste excerto da música Ora-


ção ao tempo, de Caetano Veloso:
Oração ao tempo
Conexão:
Para acesso à letra da
(...) O que usaremos pra isso música na íntegra, acesse:
<http://www.vagalume.com.br/
Fica guardado em sigilo caetano-veloso/oracao-ao-tempo.
Tempo Tempo Tempo Tempo html#ixzz2NElXf8k5>. Acesso em
11/3/2013.
Apenas contigo e migo
Tempo Tempo Tempo Tempo

E quando eu tiver saído


Para fora do teu círculo
Tempo Tempo Tempo Tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo

Ainda assim acredito


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Ser possível reunirmo-nos


Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
66
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

Portanto peço-te aquilo


E te ofereço elogios
Tempo Tempo Tempo Tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo Tempo Tempo Tempo (...)

3.7  Colocação pronominal


Os pronomes pessoais oblíquos átonos (me, te, se, lhe(s), o(s),
a(s), nos e vos) formam, com o verbo, um todo fonético. São colocados,
frequentemente, após a forma verbal (ênclise); muitas vezes, antes (pró-
clise); mais raramente, no meio (mesóclise). Mas essa colocação não é
indiferente, pois, com os pronomes átonos, o verbo se alonga e o ritmo
da frase modifica-se. A correta colocação do pronome átono será sempre
aquela que provocar um ritmo agradável, característico do Português.

“Deixem-me ser! Sentir-me-ei homem somente quando me deixarem


usar uma cabeça que pensa, uma boca não muda e mãos feitas para ação.”

Neste pensamento, ocorrem as três posições possíveis do pronome


pessoal oblíquo átono: o período começa com um verbo no imperativo, exi-
gindo, portanto, o pronome enclítico (“Deixem-me”); a segunda oração ini-
cia-se com um verbo no futuro do presente do indicativo, exigindo, assim,
a mesóclise (“Sentir-me-ei”); na terceira oração, temos a conjunção subor-
dinativa quando que atrai o pronome proclítico (“quando me deixarem”).
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67
Comunicação nas Empresas

Observe que, no segundo e quinto quadrinhos, a personagem utiliza


duas locuções verbais (“deve estar me reservando” e “estão me guardan-
do”) com o pronome oblíquo entre os verbos, caso mais frequente na fala
brasileira; no terceiro quadrinho, o advérbio de negação atrai a próclise.

3.8  Próclise
Para colocarmos adequadamente os pronomes na frase, devemos, an-
tes de tudo, estar atentos ao que soa bem. Esse procedimento ajuda bastante,
mesmo na língua escrita. Por exemplo, numa conversa ou num texto escrito,
dificilmente o falante diria ou escreveria “Você nunca disse-me isso”. Soa
melhor aos nossos ouvidos “Você nunca me disse isso”, o que coincide per-
feitamente com as regras da norma culta da língua portuguesa.
Apesar de a eufonia ser um critério importante, convém você co-
nhecer as regras do padrão culto da língua, para que possa usá-las com
propriedade, quando necessário.
Emprega-se a próclise quando há, antes do verbo, palavras que
exercem atração sobre o pronome; são chamados fatores de próclise.

3.8.1  Advérbios
Exs.:
Jamais os esquecerei.
Já me criticaram várias vezes.
Nunca se queixa nem se aborrece.

Observação – Todos os advérbios exigem próclise, mas quando se


deseja pausa respiratória depois do advérbio, por motivo de ênfase, o pro-
nome aparece enclítico. Exs.:
Aqui, trabalha-se.
Propositadamente, responderam-me todos.

3.8.2  Pronomes
Exs.:
Aquilo nos interessa muito. (demonstrativo)
Tudo se transforma neste mundo. (indefinido)
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Quem te viu lá? (interrogativo)


... para assistir à cerimônia que se realizará... (relativo)
Só então Luísa adivinhou o que se teria passado. (Fernando Namora)

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Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

Observe como David Hume, filósofo escocês, empregou a próclise


com o pronome relativo:
A beleza das coisas existe na mente de quem as contempla.
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3.8.3  Conjunções ou locuções subordinativas


Exs.:
Espero que me entendas!
Embora a reconhecesse, não a cumprimentei.
Sempre que nos encontrávamos, brigávamos muito.
Disse-me que não iria à festa, ainda que a convidassem.

3.8.4  Oração exclamativa, optativa e interrogativa


direta
Exs.:
Com os prono-
Como te iludes, ó alma hu- mes pessoais retos ou com
mana! substantivos, vale a eufonia. Ex. –
Deus os abençoe! Eu te amo. / Eu amo--te. – Os noivos se
beijaram. / Os noivos beijaram-se.
Quando me pedirás per-
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dão?
Que de coisas me disse
a propósito da Vênus de Milo!
(Machado de Assis)

69
Comunicação nas Empresas

3.8.5  Com formas verbais proparoxítonas


Exs.:
Nós a procurávamos sempre no mesmo lugar.
Nós lhe obedecíamos sempre.

3.8.6  Com a preposição em + gerúndio


Exs.:
Em se falando de educação,...
Em se tratando de um caso urgente, nada o retinha em casa.
Em se pondo o sol, vão-se os pássaros.

Explique, agora, por que o escritor Eça de Queirós empregou a pró-


clise neste pensamento:
Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a lín-
gua da sua terra; todas as outras as deve falar, orgulhosamente mal, com
aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.
Leia esta crônica de Millôr Fernandes e observe como ele emprega
a colocação pronominal, tanto na norma culta, como na expressão colo-
quial da personagem infantil:

A morte da tartaruga
DAVID DE LOSSY / PHOTODISC / GETTY IMAGES

O menininho foi ao quintal e


voltou chorando: a tartaruga tinha
morrido. A mãe foi ao quintal com
ele, mexeu na tartaruga com um pau
(tinha nojo daquele bicho) e cons-
tatou que a tartaruga tinha morrido
mesmo. Diante da confirmação da
mãe, o garoto pôs-se a chorar ainda
com mais força. A mãe a princípio
ficou penalizada, mas logo começou
a ficar aborrecida com o choro do
menino. “Cuidado, senão você acor-
da o seu pai”. Mas o menino não se
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conformava. Pegou a tartaruga no


colo e pôs-se a acariciar-lhe o casco
duro. A mãe disse que comprava outra, mas ele respondeu que não que-
ria, queria aquela, viva! A mãe lhe prometeu um carrinho, um velocípede,
70
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

lhe prometeu uma surra, mas o pobre menino parecia estar mesmo pro-
fundamente abalado com a morte do seu animalzinho de estimação.
Afinal, com tanto choro, o pai acordou lá dentro e veio, estremunhado,
ver de que se tratava. O menino mostrou-lhe a tartaruga morta. A mãe disse:
— “Está aí assim há meia hora, chorando que nem maluco. Não sei mais o
que faço. Já lhe prometi tudo, mas ele continua berrando desse jeito”. O pai
examinou a situação e propôs: — “Olha, Henriquinho. Se a tartaruga está
morta não adianta mesmo você chorar. Deixa ela aí e vem cá com o pai”.
O garoto depôs cuidadosamente a tartaruga junto do tanque e seguiu o pai,
pela mão. O pai sentou-se na poltrona, botou o garoto no colo e disse: —
“Eu sei que você sente muito a morte da tartaruguinha. Eu também gostava
muito dela. Mas nós vamos fazer para ela um grande funeral”. (Empregou
de propósito a palavra difícil.) O menininho parou imediatamente de cho-
rar. “Que é funeral?” O pai lhe explicou que era um enterro. “Olha, nós
vamos à rua, compramos uma caixa bem bonita, bastantes balas, bombons,
doces e voltamos para casa. Depois botamos a tartaruga na caixa em cima
da mesa da cozinha e rodeamos de velinhas de aniversário. Aí convidamos
os meninos da vizinhança, acendemos as velinhas, cantamos o ‘Happy-
-Birth-Day-To-You’ pra tartaruguinha morta e você assopra as velas. De-
pois pegamos a caixa, abrimos um buraco no fundo do quintal, enterramos
a tartaruguinha e botamos uma pedra em cima com o nome dela e o dia em
que ela morreu. Isso é que é funeral! Vamos fazer isso?” O garotinho estava
com outra cara. “Vamos, papai, vamos! A tartaruguinha vai ficar contente
lá no céu, não vai? Olha, eu vou apanhar ela”. Saiu correndo. Enquanto
o pai se vestia, ouviu um grito no quintal. “Papai, papai, vem cá, ela está
viva!” O pai correu pro quintal e constatou que era verdade. A tartaruga
estava andando de novo normalmente. “Que bom, hein?” — disse — “Ela
está viva! Não vamos ter que fazer o funeral!” “Vamos sim, papai” — disse
o menino ansioso, pegando uma pedra bem grande — “Eu mato ela”.
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MORAL: “O importante não é a morte, é o que ela nos tira.”

Disponível em: <milloronline.com.br / A morte da tartaruga>. Millôr Fernandes.

3.9  Mesóclise
Emprega-se o pronome no meio do verbo. Ocorre a mesóclise so-
mente quando a oração começar com verbo no:

71
Comunicação nas Empresas

3.9.1  Futuro do presente do indicativo (-RE)


Exs.:
Entregaremos a encomenda amanhã.
Entregá-la-emos amanhã.
Eu derrocarei o templo de Jeová e edificá-lo-ei em três dias! (Eça
de Queirós)

3.9.2  Futuro do pretérito do indicativo (-RIA)


Exs.:
Daria a resposta ao aluno se a tivesse.
Dar-lhe-ia a resposta se a tivesse.
Dar-lha-ia se a tivesse.
Sua atitude é serena, poder-se-ia dizer hierática, quase ritual. (Ra-
quel de Queirós)
Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer
muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resis-
ti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha.
(Machado de Assis, Conto de Escola)
Observe que o autor não repe-
Se o pronome
te o termo moeda; inicialmente começar por vogal (o, a, os,
a substitui simplesmente pelo as), o verbo perderá a consoante –R,
pronome pessoal oblíquo a e o pronome ganhará a consoante –L, por
questão de eufonia. Ex. – Substituiremos o
em “saquei-a”, na função jogador. = Substituí-lo-emos.
de objeto direto e, poste- O pronome que começar por consoante (me, te,
riormente, funde o objeto se, lhe, nos, vos), será encaixado sempre após
indireto “lhe” (a ele) com o –R, sem perda de fonema. Ex. – Perdoare-
mos ao prefeito. = Perdoar-
o objeto direto “a” (a mo- -lhe-emos.
eda), em “entreguei-lha”.
Esse procedimento é muito ex-
plorado pelos literatos que domi-
nam a norma culta e, por uma questão
de estilo, usam a pró-forma pronominal, visando à coesão (anáfora) e,
principalmente, à correção gramatical.
Os brasileiros não empregam corretamente a mesóclise (pronome no
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meio do verbo) porque não aprenderam nos bancos escolares ou porque


pensam que compete apenas aos escritores usar os pronomes mesoclíticos.
Dir-se-ia que estavam na Índia, escreveu Vinícius de Moraes.
Assim como o poeta, utilizamos a mesóclise somente quando a oração
72
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

começar com forma verbal no futuro do


Conexão:
presente (cujo morfema modo-temporal Embora na linguagem fa-
é –RE): Dir-te-ei a verdade. Encontrá- lada a colocação dos pronomes
não seja rigorosamente seguida,
lo-á no parque; ou com forma verbal algumas normas devem ser observa-
no futuro do pretérito (cujo morfema das, sobretudo na linguagem escrita.
Veja no link abaixo, o que preceitua a
modo-temporal é –RIA): Far-me- gramática normativa para a colocação
-ias um favor? Se você quisesse, trá-la- pronominal:
ia amanhã. <http://www.portugues.com.br>
A mesóclise é pouquíssimo utilizada
na língua escrita e falada no Brasil hoje. Evita-
se, muitas vezes, o seu emprego para não tornar o
texto excessivamente formal.
RESERVED / DIST. BY ATLANTIC SYNDICATION / UNIVER
GARFIELD, JIM DAVIS © 1991 PAWS, INC. ALL RIGHTS

Leia atentamente esta crônica jornalística de Frei Betto.

Zilda Arns, a mãe do Brasil


Se milhares de brasileiros sobreviveram às condições de pobreza
em que nasceram, devem isso em especial à dra. Zilda Arns
Pode-se repetir que ninguém é insubstituível, mas a dra. Zilda Arns,
vítima do terremoto que arruinou o Haiti, era, sim, uma pessoa imprescin-
dível. Nela mostrava-se imperceptível a distância entre intenções e ações.
Formada em medicina e movida por profundo espírito evangélico – era
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irmã do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São


Paulo –, fundou a Pastoral da Criança, alarmada com o alto índice de
mortalidade infantil no Brasil.
Em iniciativas de voluntariado, podem-se mapear dois ti-
pos de pessoas: as que, primeiro, agem, põem o bloco na rua
e depois buscam os recursos, e as que se enredam no cipo-
al das fontes financiadoras e jamais passam da utopia à topia.
Zilda Arns arregaçou as mangas e, inspirada na pedagogia de
Paulo Freire, encontrou, primeiro, recursos humanos capazes de
73
Comunicação nas Empresas

mobilizar milhares de pessoas em prol da drástica redução da


mortalidade infantil: mães e pais das crianças de 0 a seis anos aten-
didas pela pastoral transformados em agentes multiplicadores.
Ela, sim, fez o milagre da multiplicação dos pães, ou seja, da vida. Aon-
de chega a Pastoral da Criança, o índice de mortalidade infantil cai,
no primeiro ano, no mínimo 20%. Seu método de atenção às gestantes
pobres e às crianças desnutridas tornou-se paradigma mundial, adotado
hoje em vários países da América Latina e da África. Por essa razão, ela
estava no Haiti, onde pagou com a morte sua dedicação em salvar vidas.
Trabalhamos juntos no Fome Zero.
No lançamento do programa, em 2003, ela discordou de exigir dos
beneficiários comprovantes de gastos em alimentos, de modo a garantir
que o dinheiro não se destinasse a outras compras. Oded Grajew e eu a
apoiamos: ressaltamos que apresentar comprovantes não era relevante,
valia como forma de verificar resultados. Haveria que confiar na palavra
dos beneficiários.
Em março de 2004, no momento em que o governo trocava o Fome
Zero pelo Bolsa Família, ela me convocou a Curitiba, sede da Pastoral
da Criança. Em reunião com José Tubino, da FAO, e dom Aloysio Penna,
arcebispo de Botucatu (SP), que representava a CNBB, debatemos as mu-
danças na área social do governo. Expus as tensões internas na área so-
cial, sobretudo a decisão de acabar com os comitês gestores, pelos quais
a sociedade civil atuava na gestão pública.
Zilda Arns temia que o Bolsa Família priorizasse a mera
transferência de renda, submetendo-se à orientação que pro-
põe tratar a pobreza com políticas compensatórias, sem tocar
nas estruturas que promovem e asseguram a desigualdade social.
Acreditava que as políticas sociais do governo só teriam êxito consoli-
dado se combinassem políticas de transferência de renda e mudanças
estruturantes, ações emergenciais e educativas, como qualificação profis-
sional.
Dias após a reunião, ela publicou, neste espaço da Folha, o artigo
“Fôlego para o Fome Zero”, no qual frisava que a política social “não
deve estar sujeita à política econômica. É hora de mudar esse paradigma.
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É a política econômica que deve estar sujeita ao combate à fome e à mi-


séria”.

74
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

E alertava: “Erradicar os comitês gestores seria um grave erro,


por destruir uma capilaridade popular que fortalece o empoderamento
da sociedade civil; (...) por reforçar o poder de prefeitos e vereadores
que nem sempre primam pela ética e pela lisura no trato com os recursos
públicos. O governo não deve temer a parceria da sociedade civil, repre-
sentada pelos comitês gestores”.
O apelo da mãe da Pastoral da Criança não foi ouvido. Os comitês
gestores foram erradicados e, assim, a participação da sociedade civil
nas políticas sociais do governo. Apesar de tudo, o ministro Patrus Ana-
nias logrou aprimorar o Bolsa Família e o índice de redução da miséria
absoluta no país, conforme dados recentes do Ipea. Falta encontrar a
porta de saída aos beneficiários, de modo a produzirem a própria renda.
Zilda Arns nos deixa, de herança, o exemplo de que é possível mudar o
perfil de uma sociedade com ações comunitárias, voluntárias, da socie-
dade civil, ainda que o poder público e a iniciativa privada permaneçam
indiferentes ou adotem simulacros de responsabilidade social.
Se milhares de jovens e adultos brasileiros sobreviveram às condi-
ções de pobreza em que nasceram, devem isso em especial à dra. Zilda
Arns, que merece, sem exagero, o título perene de mãe da pátria.
Escritor Frei Betto.

3.10  Relação entre pontuação e funções sintáticas


Entende-se por pontuação, um sistema de reforço da escrita, consti-
tuído de sinais sintáticos, destinados a organizar as relações e a proporção
das partes do discurso e das pausas orais e escritas. Ess-es sinais também
participam de todas as funções da sintaxe, gramaticais, entonacionais e
semânticas, de acordo com Bechara (2009).
Embora não consigam reproduzir toda a riqueza melódica da lin-
guagem oral, eles estruturam os textos e procuram estabelecer as pausas e
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as entonações da fala. Basicamente, têm como finalidade:


1. Assinalar as pausas e as inflexões de voz (entoação) na leitura;
2. Separar palavras, expressões e orações que devem ser destacadas;
3. Esclarecer o sentido da frase, afastando qualquer ambiguidade.
Esses sinais, segundo Bechara (2009) não se aplicam igualmente a
todas as atividades linguísticas, portanto devem ser distribuídos em três
domínios de função de pontuação:
a) a pontuação de palavras
b) a pontuação sintática e comunicativa
75
Comunicação nas Empresas

c) a pontuação do texto.
Esses sinais podem ser essencialmente separadores, como é o caso
da vírgula, ponto e vírgula, ponto final, ponto de exclamação e reticências
ou são de comunicação ou mensagem como dos dois pontos, as aspas sim-
ples e duplas, o travessão, os parênteses, colchetes e a chave.
Vejamos alguns exemplos em que os sinais de pontuação auxiliam
nossa compreensão sobre a língua, conferindo, desse modo, uma maior
clareza e simplicidade à escrita:

Exemplo 1
Embora a conjunção “e” seja aditiva, há três casos em que se usa a
vírgula antes de sua ocorrência:
a) Quando as orações coordenadas tiverem sujeitos diferentes.

Por Exemplo:
João Pedro vendeu a casa, e a mulher protestou.

Nesse caso, “João Pedro” é sujeito de “vendeu”, e “A mulher” é su-


jeito de “protestou”.

Exemplo 2
Quando a conjunção “e” vier repetida com a finalidade de dar ênfa-
se (polissíndeto).
E canta, e dança, e rodopia, e pula de alegria.

Exemplo 3
Quando a conjunção “e” assumir valores distintos que não seja da
adição (adversidade, consequência, por exemplo)
Coitada! Estudou muito, e ainda assim não foi aprovada.

Para um maior domínio sobre os sinais de pontuação e exemplos


acerca uso de cada um deles, acesse <http://www.soportugues.com.br/
secoes/fono/fono30.php> ou consulte uma das gramáticas sugeridas na
bibliografia de cada capitulo deste livro.
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Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

Atividades
01. Agora, teste o que você aprendeu e explique se ocorre ou não a crase
nesta frase:
Ontem, na festa, muita gente fez referência a Vossa Senhoria.

02. Complete com à, às, a ou as:


a) Minha casa é igual ___ que você comprou.
b) Em julho, pretendo ir ___ Belo Horizonte e, se possível, ___ Grande
São Paulo.
c) Tenho um amigo que só usa cabelo e óculos ___ John Lennon.
d) Aqueles presentes foram doados ___ crianças pobres, ___ ninguém
mais.
e) Fomos visitá-la ___ quinze horas, mas não ___ encontramos.
f) Indo ___ casa, cheguei ___ Baía de Guanabara ___ cinco horas.

03. Observe as construções seguintes:


I. Às cinco horas, fui à missa e assisti ao sermão do vigário.
II. Ando à procura de quem foi à escola procurar o diploma.
III. Seus móveis eram todos a Luís XV.
IV. Fomos passear à cavalo.
V. Dirijo-me agora à Vossa Excelência.
VI. Vou, ainda esta semana, aquele bairro de que você me falou.
VII. A falta de dinheiro leva-nos à circunstâncias vexatórias.
VIII. Não revelei à ela o segredo.
Apresenta(m) erro quanto à omissão ou presença do sinal indicativo
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da crase:
a) somente uma das frases.
b) todas as frases, excetuando-se as de número I e II.
c) todas as frases de número ímpar.
d) nenhuma das frases.
e) todas as frases, excetuando-se as de número I, VII e VIII.

77
Comunicação nas Empresas

04. Reescreva as frases classificando-as em três grupos de acordo com


a classificação da palavra a(s), conforme indicação abaixo; em seguida,
acentue a única contração que ocorre em uma dessas frases:
( 1 ) artigo definido ( 2 ) preposição ( 3 ) contração
( ) Fui e voltei a pé.
( ) Socorreu a vítima?
( ) Vendo TV a cores.
( ) Estávamos a sós.
( ) Não ligue a boatos.
( ) O diretor atendeu as alunas.
( ) Não atendem a reclamações.
( ) O álcool é nocivo a saúde.
( ) O carro era movido a álcool.
( ) Eu levo o estudo a sério.

05. Leia o texto seguinte:


Antes de começar a aula — matéria e exercícios no quadro, como
muita gente entende —, o mestre sempre declamava um poema e fazia vi-
brar sua alma de tanta empolgação e os alunos ficavam admirados. Com
a sutileza de um sábio, foi nos ensinando a linguagem poética mesclada
ao ritmo, à melodia e a própria sensibilidade artística. Um verdadeiro
deleite para o espírito, uma sensação de paz, harmonia.
Osório, T. Meu querido professor. Jornal Vale Paraibano, 15/10/1999.

a) Qual a interpretação que pode ser dada à ausência do acento grave no


trecho “a própria sensibilidade artística”?
A ausência do acento grave faz que o termo “a própria sensibilidade
artística” funcione como objeto direto de “ensinando”, coordenado sinde-
ticamente ao outro objeto do mesmo verbo, “a linguagem poética”.

b) Qual seria a interpretação caso ocorresse a crase?


A crase faria com que o termo em questão tivesse a função de com-
plemento nominal do adjetivo “mesclada”, particípio passado do verbo
mesclar. Nesse caso, ele se coordenaria sindeticamente aos dois comple-
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mentos que o antecedem, “ao ritmo, à melodia”.

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Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

06. Complete os espaços com a forma apropriada entre parênteses.


a) Paciência é ________ quando se está no meio de uma crise. (necessá-
rio/necessária)
b) A aluna se limitou a dizer: muito ________. (obrigado/obrigada)
c) Já ________ duas e ________. (é/são; meio/meia)
d) Já ________ dois dias e ________ que estamos trabalhando sem ener-
gia elétrica. (faz/fazem; meio/meia)
e) Aquela escola é ________ distante de minha casa. (meio/meia)
f) Os alunos que não estiverem ________ com as mensalidades poderão
fazer as provas. (quite/quites)
g) No final do semestre, estamos todos ________ ocupados. (bastante/
bastantes)

07. Assinale a alternativa incorreta quanto à colocação pronominal:


a) Apesar de se contrariarem, não me fariam mudar de ideia.
b) Que Deus te acompanhe por toda a parte.
c) Isso não me admira: eu também contrariei-me com o caso.
d) Conforme foi decidido, espero que todos se compenetrem em seu dever.
e) Os documentos não têm validade, por se referirem a acontecimentos
já encerrados.

08. Preencha convenientemente as lacunas com os pronomes indicados:


a) Os guias não _______ disseram _______ em que firma trabalhavam. (nos)
b) Eis o que _______ falaram _______ aqueles que _______ acusaram
___. (me – te)
c) Quando _______ ofereceram _______ o cargo, por que você não
_______ aceitou _______? (lhe – o)
d) Seria preciso que _______ excluísse _______ aquele mau elemento. (se)
e) Muitos _______ foram _______ para o estrangeiro em busca de em-
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prego. (se)
f) “Teríamos a impressão de que _______ banhávamos _______ juntos.”
(G. Ramos) (nos)
g) “Santo Deus! _______ valha _______ Nossa Senhora do Amparo!”
(G. Ramos) (me)

79
Comunicação nas Empresas

09. Justifique a próclise, reescrevendo e numerando as frases adequada-


mente, conforme as palavras que apareçam antes do verbo:
( 1 ) palavras de sentido negativo
( 2 ) pronomes relativos
( 3 ) conjunções subordinativas
( ) Ninguém lhe resiste.
( ) Pedi que se afastassem.
( ) Quando me lembrei, já era tarde.
( ) Não se nega um copo d’água.
( ) Preciso de alguém que me oriente.
( ) São pessoas com quem nos identificamos.

Reflexão
Usar ou não a crase, dominar as situações em que seu uso é obriga-
tório ou facultativo, compreender o que é que colocação pronominal e por
que em determinados casos, esses pronomes oblíquos átonos devem vir
antes, depois, ou entre os verbos, estão relacionados com o uso padrão da
nossa língua. Alguns podem até pensar que tudo isso é em vão, que pode-
mos nos comunicar muito bem sem esses conhecimentos, essas regras que
transformam a língua num engessado contínuo e sem sentido de tantas
normas. Sobre isso também nos faz refletir, em seu poema Pronominais,
Oswald de Andrade:

PRONOMINAIS
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
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http://pensador.uol.com.br/frase/NTU4NjA3/ (acesso em 18 de abril de 2014)

A que conclusão chegarmos, portanto? Pois bem, deixo para vocês essa
reflexão, que deve ser o tema para muitas das discussões que ainda teremos.
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Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

Leituras recomendadas
Como se comunicar bem é o título de um livro da Série Sucesso Pro-
fissional, da Publifolha. Encontrado em livrarias ou bancas de jornal, esse
pequeno livro é muito valioso, pois trata de forma prática e direta de como se
comunicar de modo eficiente em diversas situações. O livro traz fotos, ilustra-
ções e gráficos que ajudam na compreensão dos conceitos apresentados.

MACHADO, Josué. A crase fora da lei. Disponível em: <http://revis-


talingua.uol.com.br >.
A gramática é uma fonte de consulta interessante para adequarmos
nossa linguagem à norma padrão.
Uma primeira recomendação que faço é em relação à Moderna gramá-
tica portuguesa, de Evanildo Bechara. Essa gramática saiu em nova edição,
atualizada e revisada, pela Editora Lucerna. É uma gramática mais no estilo
antigo, gramática escolar convencional, sem ilustrações gráficas, “tirinhas”,
exemplos de textos contemporâneos ou da linguagem publicitária. É uma
gramática elaborada por um dos mais respeitados gramáticos da atualidade.
Outra dica é a Nova gramática aplicada da língua portuguesa: uma
comunicação interativa, de Manoel Ribeiro, Editora Metáfora. Trata-se de
uma gramática que compreende a descrição da língua acomodada ao uso da
norma culta. Traz tanto as regras ou o padrão culto, como também posicio-
namentos de linguistas e aspectos de descrição da língua. Essa gramática se
destaca por apresentar opiniões e tendências distintas ou conflitantes sobre
um mesmo assunto, dando a oportunidade de não somente conhecer uma
determinada regra, mas, também, de ter contato de forma resumida com al-
guns posicionamentos linguísticos sobre aquela regra gramatical.

Se você quiser ver outros exemplos e fazer vários exercícios, um


livro interessante é a Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, de Do-
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mingos Paschoal Cegalla, da Editora IBEP Nacional.


Outra gramática muito boa é a de Ulisses Infante e Pasquale Cipro
Neto, Gramática da Língua Portuguesa, publicada pela Editora Scipione.

SACCONI, L. A. Língua (Usos culto, coloquial e popular – gíria).


São Paulo: Atual, 1994.

81
Comunicação nas Empresas

Referências
BEZERRA, M. A.; SOUTO MAIOR, A. C.; BARROS, A. C. S. A
gíria: do registro coloquial ao registro formal. In: IV Congresso Na-
cional de Linguística e Filologia, Rio de Janeiro, v. I, nº 3, p. 37, 2000.

CAGLIARI, Luiz Carlos. A história do alfabeto. São Paulo: Paulista-


na, 2009.

CAMARGO, Thaís Nicoleti. A metalinguagem. In: Folhaonline, 05 de


dezembro de 2000.

CATARINO, Dílson. Dicas de português: teoria da comunicação. In: Fovest


Online. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/teo-
ria_comunicacao.shtml>. Acessado em: 10 de dezembro de 2009.

CEGALLA, D. P. Novíssima gramática da Língua Portuguesa. São


Paulo: Nacional, 2005.

CEREJA, W. R.; & MAGALHÃES, T. C. Gramática reflexiva: texto,


semântica e interação. São Paulo: Atual, 1999.

CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Gramática Reflexiva: texto,


semântica e interação. São Paulo: Atual, 2005.

DA SILVA, Josué Cândido. Da torre de Babel a Chomsky. In: Página


3 Pedagogia & Comunicação. Disponível em: <http://educacao.uol.
com.br/filosofia/ult3323u52.jhtm> . Acessado em: 08 de dezembro de
2009.

FÁVERO, Leonor L. Coesão e coerência textuais. 5 ed. São Paulo:


Ática, 1998.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio século XXI.


Proibida a reprodução – © UniSEB

3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

GOLD, Miriam. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na era


da globalização. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2002.
82
Crase e Colocação Pronominal – Capítulo 3

MEDEIROS, J. B. Português Instrumental para cursos de Econo-


mia, Contabilidade e Administração. São Paulo: Atlas, 2000.

MESQUITA. Roberto Melo. Gramática da língua portuguesa. São


Paulo: Saraiva, 1998.

PALOMO, Sandra M. S. Linguagem e linguagens. In: Eccos Revista


Científica. São Paulo, vol. 3, nº 2.

PASQUALE & INFANTE. Gramática da língua portuguesa. São


Paulo: Scipione, 1999.

RIBEIRO, Manuel P. Gramática aplicada da língua portuguesa. 15


ed. revisada e ampliada. Rio de Janeiro: Metáfora, 2005.

SACCONI, L. A. Nossa gramática: teoria e prática. São Paulo: Atual, 1999.

_____________. Gramática essencial ilustrada. São Paulo: Atual,


1999.

SAVIOLI, F. P., FIORIN, J. Lições de texto: leitura e redação. 4. ed.


São Paulo: Ática, 2003.

TEIXEIRA, Leonardo. Comunicação na empresa. Rio de Janeiro:


FGV, 2007.

TRAVAGLIA, Luiz C. Gramática e interação: uma proposta para o


ensino de gramática. 9. ed. rev. São Paulo: Cortez, 2003.
EAD-14-Comunicação nas Empresas – Proibida a reprodução – © UniSEB

WAGNER. L. R. Use o português adequado: aspectos gramaticais e


análise de textos. 3. ed. São Paulo: All Print, 2008.

No próximo capítulo
No próximo capítulo, abordaremos especificamente questões rela-
cionadas com as dificuldades ortográficas e sintáticas da língua portugue-
sa. Destacaremos a homonímia e paronímia, uso dos porquês, pleonasmo,
solecismos e ambiguidade. Vamos, portanto, tratar da forma adequada ou
correta do uso da língua, no que diz respeito à norma culta ou padrão.
83
Comunicação nas Empresas

Minhas anotações:
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84
Dificuldades
Ortográficas e Sintáticas
Neste capítulo, abordaremos especi-

4 ficamente questões relacionadas com as


dificuldades ortográficas e sintáticas da língua
lo
portuguesa. Destacaremos a homonímia e paroní-
mia, uso dos porquês, pleonasmo, solecismos e ambi-
ít u

guidade. Será também abordado, no que diz respeito às


dificuldades sintáticas, a concordância verbal e nominal,
Cap

assim como o uso de algumas expressões semelhantes, mas


com diferentes significados e empregos. Vamos, portanto, tra-
tar da forma adequada ou correta do uso da língua, no que diz
respeito à norma culta ou padrão.

Objetivos da sua aprendizagem


• Empregar corretamente a grafia das palavras;
• Distinguir e classificar os homônimos e os parônimos;
• Empregar corretamente os porquês da língua portuguesa.
• Empregar adequadamente a concordância verbal e nominal;
• Distinguir expressões semelhantes, mas com significados e usos
diferentes.

Você se lembra?
Desde o início de nossos estudos, houve sempre uma preocupação com a
escrita das palavras. Quantas vezes, a professora mandava-nos escrever
dez vezes (ou mais) uma mesma palavra, como se isso resolvesse o
problema!
Existem várias regras para a grafia das palavras, mas em muitos
casos não há uma explicação plausível, uma vez que algumas
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

palavras dependem da sua etimologia. Por que, perguntaríamos, o termo


homem possui o h inicial? Trata-se da origem latina homine, que mantém
esse sinal etimológico até os nossos dias.
Muitas vezes, também, tivemos dúvidas ao escrever palavras parecidas
tanto na escrita como na pronúncia; por isso devemos reconhecer os ho-
mônimos e os parônimos, a fim de escrevermos clara e corretamente.
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

4.1  Ortografia
A grafia das palavras em português segue, hoje, o sistema etimoló-
gico, ou seja, as palavras são escritas seguindo sua origem latina; antes do
século XVI, porém, as palavras eram escritas pelo sistema fonético, isto é,
como elas eram pronunciadas, o que gerou inúmeras confusões que per-
duram até os nossos dias.
GERAKTV / DREAMSTIME.COM

Assim, com a ortografia, a letra s passou a representar variados


fonemas: sala (/s/), mesa (/z/), basta (/x/), mesmo (/x/), estes últimos na
fala carioca.
A maneira mais simples, prática e objetiva de aprender ortografia
é fazer exercícios, muitos exercícios, ver as palavras, familiarizar-se com
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elas quanto possível, tendo sempre à mão um bom dicionário.

4.1.1  Principais usos do S e do Z


Uso do S
1. Sufixos -ES, -ESA
Usamos S nos sufixos acima quando indicarem nacionalidade ou
procedência.
Ex.: holandês > holandesa, japonês > japonesa, camponês > campo-
nesa.
87
Comunicação nas Empresas

2. Sufixo -ISA
Usamos S no sufixo -ISA quando indicar feminino.
Ex.: poeta > poetisa, profeta > profetisa, sacerdote > sacerdotisa.
3. Após ditongos
Usamos S após ditongos (V + SV na mesma sílaba).
Ex.: coisa, pousada, faisão.
4. Nas formas verbais de querer e pôr (e derivados)
Ex.: quis, quisemos, pus, puseste, repuser, compusesse.
5. Verbos com S na palavra primitiva
São escritos com S os verbos formados com palavras primitivas
grafadas com S.
Ex.: análise > analisar, paralisia > paralisar, liso > alisar.

6. Escrevem-se com S:
aliás, ananás, apesar, Ásia, atrás,
através, bis, brasão, burguesia, casimira,
coliseu, coser (costurar), crisálida, frisar,
fusível, grisalho, invés, náusea, mosaico,
retrós, sósia, trás (prep.), traseira, vaseli-
na, viés.

Uso do Z
1. Em substantivos abstratos derivados de adjetivo
Ex.: altivo > altivez, ácido > acidez, grávida > gravidez, pobre >
pobreza.
2. Nos sufixos -izar e –ização
Ex.: amenizar, atualizar, civilizar, urbanização.
3. Escrevem-se com Z:
alteza, azia, baliza, batizar, bissetriz, buzina, capaz, capuz, cicatriz,
coalizão, correnteza, cozer (cozinhar), cuscuz, deslize, gaze, granizo, gui-
zo, noz (fruto), ojeriza, ratazana, revezar, rijeza, trapézio, vazar.

Observe, no artigo a seguir, o uso do Z:


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Emprego do “zê”: uma lição para crianças


(Walter Rossignoli )

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Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

Estou escrevendo esta coluna imaginando que meu leitor esteja cur-
sando aí pela sétima série do ensino fundamental e tenha lá suas dificulda-
des na hora de grafar muitas palavras de nossa língua portuguesa. Saibam
que isso é normal. Nós, professores, e (acreditem!) até mesmo os autores
de dicionários consultam esses livros fantásticos, que eles produziram ou
coordenaram. Sim, porque o dicionário costuma ser obra de muita gente.
Portanto, nada de acanhamento quando errarem e nem desistam de escre-
ver seus textos só porque o professor assinalou alguns erros de grafia. Isso
acontece com todos nós.
Gentilmente, o professor Consolaro publicou neste “site” o nosso
“No mundo dos ditongos”, também endereçado às crianças. Acabou mo-
tivando-me a desengavetar a presente coluna, que pretende desembaraçar
um pouquinho o uso da letra “zê”. Vamos estudar apenas uma situação.
Certo?
Creio que vocês já ouviram falar de substantivos e adjetivos. Até
aqui nosso texto está repleto de substantivos. Empregamos, entre outros,
“coluna”, “leitor”, “série”, “dificuldades”, “hora”, “palavras” etc. Os
gramáticos ensinam que os substantivos nomeiam os seres em geral. É
bem possível que essa ferramenta não resolva totalmente o seu problema
de identificar os substantivos, sobretudo quando eles vêm no texto. Os
mesmos gramáticos dizem, também, que os adjetivos expressam uma qua-
lidade ou propriedade dos seres. Vocês poderiam, então, no meu entendi-
mento, trabalhar com a dupla substantivo/adjetivo e procurar encaixar o
segundo em função do primeiro. Acho que é um artifício que tem alguma
utilidade.
Assim, uma prova de que “coluna” é substantivo é que essa palavra
aceita um adjetivo para modificá-la. Poderíamos dizer “pequena coluna”
(adj. + subst.). No caso de “leitor”, segundo substantivo de nosso texto,
poderíamos ter “pequeno leitor”; ao substantivo “dificuldades” podería-
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mos agregar o adjetivo “grandes”, e assim por diante. Vocês me pergunta-


riam: mas no caso de “série”? Eu diria que a situação fica um pouco mais
complexa. Ocorre, entretanto, que “sétima” faz uma referência ao subs-
tantivo, e é essa palavra – um numeral segundo as gramáticas – que está
ocupando no grupo “sétima série” um valor aproximado do que cabe ao
adjetivo. Se isolarmos “série”, veremos que a palavra admite, por exem-
plo, “fácil” ou “difícil”, que são adjetivos; uma prova de que estamos
diante de um substantivo. Assim, pelo menos, conseguimos a classifica-
ção que o dicionário registra.
89
Comunicação nas Empresas

Seria, possível, por exemplo, uma palavra como “claro” ser empre-
gada como substantivo? Claro que sim. Imagine que você apagou grande
parte de sua redação e não teve tempo de reescrever o que apagou. O pro-
fessor poderá dizer assim: “Ficou um claro em seu texto, menino”. Veja
que “claro” está empregado como substantivo. Uma prova disso é que
admite um adjetivo que o modifique, como em “Ficou um enorme claro
em seu texto, menino”.
Vocês devem estar se perguntando o que essa conversa toda tem a
ver com o uso do “zê”. Calma, que chegamos lá!.
A rigor, nem precisávamos de todo esse papo, pois para o nosso propó-
sito bastaria a classificação da palavra em estado de dicionário, fora do texto.
Se forem ao minidicionário do Aurélio, certamente vão encontrar que
“claro”, “belo”, “estranho”, “escasso”, “rico”, “certo”, “tímido” e “sensa-
to”, entre tantas outras palavras, são adjetivos. Concordam? Se duvidarem,
confiram... Saibam, então, que os substantivos que fizermos a partir desses
adjetivos serão todos grafados com a letra “zê”. Assim, observem:
Um discurso claro (subst. + adj.) revela clareza (subst.) de seu autor.
Uma pessoa bela (subst. + adj.) pode não ter beleza (subst.) interior.
Aquele homem estranho (subst. + adj.) provocou enorme estranheza
(subst.).
O petróleo é um combustível escasso (subst. + adj.), e a escassez
(subst.) preocupa.
Era um homem rico (subst. + adj.) mas de uma riqueza (subst.) egoísta.
Continuaríamos, fazendo de “certo”, “certeza”; de “tímido”, “timi-
dez” e de “sensato”, “sensatez”.
Ainda não dissemos que os substantivos que retiramos dos adjetivos
são classificados como abstratos, pois expressam nomes dependentes de
outros. Assim, “clareza” não existe sozinha, mas apenas em algo que é
“claro”. O mesmo raciocínio se aplica aos demais exemplos anteriores.
A lição que fica é a seguinte: grafam-se com “zê” os substantivos abstratos
que se formam a partir de adjetivos. Vale lembrar que a terminação “ez”
em palavras como “escassez”, “timidez” e “sensatez” não é acentuada.
Para terminar, uma pequena quadrinha que resume a lição de hoje:
Já que tenho um adjetivo
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e um substantivo a fazer,
cumpro bem meu objetivo
se grafar com a letra “zê”.
Disponível em: <www.portrasdasletras.com.br>

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Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

4.1.2  Principais usos do G e J


Uso do G
1. Nas terminações em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio
Ex.: adágio, régio, litígio, relógio, refúgio.
2. Nas terminações -agem, -igem, -ugem, -ege, -oge
Ex.: folhagem, viagem (subst.), vertigem, penugem, herege, pa-
ragoge.
3. Nas palavras de origem estrangeira: latina ou grega
Ex.: álgebra, agiotagem.
4. Escrevem-se com G:
agiota, algema, angélico, angico, bege, bugiganga, megera, mon-
ge, mugir, rigidez, tangente, tangerina, vargem.

Uso do J
1. Nas palavras de origem tupi, africana e árabe
Ex.: jê, jenipapo, pajé.
2. Nas formas verbais dos verbos terminados em -jar
Ex.: arranje, despeje, trajem, viajem.
3. Nas palavras formadas de outras que terminam com -ja
Ex.: canja – canjica, loja – lojista.
4. Escrevem-se com J:
alfanje, berinjela, cafajeste, gorjeta, jeito, jenipapo, jiboia, jiló,
jirau, laje, majestade, manjedoura, ojeriza, rijeza, sarjeta, traje, trajetória.

4.1.3  Principais usos do X e CH


Uso do X
1. Depois de ditongo
Ex.: caixa, peixe, queixa, trouxe.
2. Depois da sílaba inicial en- (desde que a palavra não seja deriva-
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da de outra com ch)


Ex.: enxada, enxergar, enxoval, enxugar.
Nota: encher (< cheio), encharcar (< charco).
3. Em palavras de origem árabe, tupi ou africana
Ex.: almoxarife, muxoxo, xadrez, xavante, xingar.
Nota: Ou a palavra é grafada com x e x, ou com ch e ch.
Ex.: xaxim, maxixe, chuchu, pechinchar.

91
Comunicação nas Empresas

4. Aportuguesamento de alguns termos, substituindo o sh inglês e o


j espanhol
Ex.: xampu, xortes, Hiroxima, lagartixa.
5. Após a inicial me- (exceto mecha e derivados)
Ex.: mexer, mexicano, mexilhão.
6. Escrevem-se com X:
bexiga, broxa (pincel grande), bruxa, caxumba, desleixado, faxi-
na, graxa, haxixe, laxante, luxúria, mexerico, rixa, taxa (imposto), xará,
xícara, xingar.

Uso do CH
1. Palavras provenientes do latim, francês, italiano, espanhol, in-
glês, alemão, árabe e russo
Ex.: azeviche, babucha, bolchevique, brocha, chão, charlatão,
chave, chefe, chope, chucrute, chuva, deboche, mochila, salsicha, san-
duíche.
2. Escrevem-se com CH:
arrocho, bicha, brecha, brocha (prego curto), bucha, capacho,
chalé, chicória, chique, chuchu, chulé, cochichar,
esguicho, flecha, mochila, piche, pichar, rachar, Conexão:
rinchar, tacha (prego), tocha. Leia mais sobre
ortografia em <http://www.
portrasdasletras.com.br/pdtl2/
4.1.4  Principais usos de sub.php?op=gramatica/docs/em-
-SÃO, -ÇÃO, -SSÃO pregodasconsoantes>

1. Quando o verbo apresenta -nd-, a


terminação é -são
Ex.: suspender > suspensão, expandir >
expansão.
2. Quando o verbo é formado a partir do verbo ter, o substantivo é
grafado com
-ção
Ex.: deter > detenção, conter > contenção.
3. Quando o verbo apresentar -ced, -gred ou -prim, a terminação do
substantivo será grafada com -ssão
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Ex.: suceder > sucessão, agredir > agressão, exprimir > expres-
são.

92
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

4.2  Emprego do hífen


1. Nas palavras compostas em que os
SURISURI / DREAMSTIME.COM

Bom
elementos da composição têm acentua-
Céu
ção própria e formam uma unidade sig-
nificativa: couve-flor, guarda-chuva,
Água pé de moleque.
2. Com a partícula denotativa eis, se-
Dia
guida de pronome pessoal átono: eis-me,
eis-nos, eis-vos, ei-lo (com a queda do -s).
3. Nos adjetivos compostos: rubro-
negro, azul-claro, luso-brasileiro,
sino-nipo-germânico.
4.2.1  Usa-se o hífen
O prefixo ou falso prefixo termina em vo-
anti-ibérico, arqui-inimigo, auto-observa-
gal, e o segundo elemento começa por
ção, contra-atacar, micro-ondas.
vogal igual.
O prefixo termina em consoante, e o se-
inter-regional, hiper-rancoroso, super-
gundo elemento começa por consoante
romântico.
igual.
Com prefixo antes de H. anti-herói, anti-higiênico, sobre-humano,
super- -homem.
(Atenção: subumano)
Com o prefixo sub-, nas palavras iniciadas
sub-raça, sub-região.
por R.
Com os prefixos circum- e pan-, nas pala-
circum-navegação, pan-americano.
vras iniciadas por vogal, m ou n.
Com os prefixos ex-, vice-, soto-. ex-marido, vice-presidente, soto-mestre.
Com os elementos além, aquém, pós-, além-mar, aquém-oceano, pós-gradua-
pré-, pró-, recém, sem. ção, pré-
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-natal, pró-desarmamento, recém-casa-


dos, sem-

-teto.
Com sufixos de origem tupi-guarani: -açu, capim-açu, jacaré-açu, amoré-guaçu,
-guaçu, -mirim. Ceará-mirim.
Em locuções já consagradas pelo uso. água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-
rosa, mais-que-perfeito, ao-deus-dará, à
queima-roupa.
Nas palavras com encadeamento vocabular. ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
93
Comunicação nas Empresas

4.2.2  Não se usa o hífen


O prefixo ou falso prefixo termina em vo- antiaéreo, autoajuda, coautor, contraor-
gal, e o segundo elemento começa por dem, infraestrutura, semiárido, ultraele-
vogal diferente. vado.
O prefixo termina em vogal, e o segundo
anteprojeto, geopolítica, microcomputa-
elemento começa por consoante dife-
dor, semicírculo.
rente de -R ou -S.
Se o segundo elemento começar por -R antessala, antissocial, antirrugas, autor-
ou -S, duplicam-se essas consoantes. retrato, infrassom, minissaia, semirreta.
O prefixo termina em consoante, e o se-
hiperativo, interescolar, superamigo.
gundo elemento começa por vogal.
Em certos compostos, perdeu-se a no- mandachuva, paraquedas, paralama,
ção de composição. parabrisa, parachoque.
fim de semana, café com leite, sala de
Nas locuções jantar, à vontade, acerca de, a fim de
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que.

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Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

a) A palavra extraordinário escreve-se sem hífen.


b) Nos compostos com o prefixo bem-, usa-se o hífen quando o
segundo elemento é autônomo, ou quando a pronúncia assim o exigir: bem-
vindo, bem-estar, bem-aventurado.
c) O prefixo sobre- apresenta algumas exceções: sobressair, sobres-
salto, sobressalente.
d) O prefixo co- é seguido de hífen quando tem o sentido de “a par”
ou “juntamente” e o segundo elemento tem vida autônoma: co-aluno, co-
autor, co-proprietário.
e) Nenhum elemento prefixo-radical exige hífen: aeroclube, agrope-
cuária, bicampeão, cardiovascular, eletrodoméstico, macroeconomia, morfos-
sintaxe, radiopatrulha, socioeconômico.

4.3  Homônimos e parônimos


Ao lado das regras ortográficas e semânticas, há homônimos e
parônimos, que são palavras de sentidos diferentes que apresentam seme-
lhanças na grafia ou na pronúncia.
Além dos homônimos perfeitos, temos os homônimos homógra-
fos e os homônimos homófonos. Os homógrafos são palavras que têm a
mesma grafia, mas a pronúncia diferente.
Ex.: olho (subst.) / olho (v.), governo (subst.) / governo (v.).
Já os homófonos caracterizam-se por terem pronúncia idêntica, mas
grafia diferente.
Ex.: censo / senso, sessão / seção / cessão.
Os parônimos, por sua vez, são palavras que se apresentam muito
parecidas na pronúncia e na grafia. Ex.: cavaleiro / cavalheiro, descrição /
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discrição.
A seguir, veremos uma lista com os principais homônimos e parô-
nimos.

95
Comunicação nas Empresas

4.3.1  Homônimos
Palavra ou expressão Significado
Acender pôr fogo, alumiar
Ascender subir, elevar-se
Acento sinal gráfico, tom de voz
Assento lugar de sentar-se
acerca de sobre, a respeito de
há cerca de faz aproximadamente
Acessório adicional, secundário
Assessório assessorial, relativo a assessores
afim de que tem afinidade, semelhante a
a fim de para, com a finalidade de
Alto de grande dimensão vertical
Auto ato público, registro escrito de uma ocorrência
Apreçar perguntar o preço
Apressar dar pressa
Caçar apanhar animais ou aves
Cassar anular, revogar
Calda xarope
Cauda rabo
Cela pequeno quarto de dormir
sela arreio
Censo recenseamento
Senso raciocínio, juízo claro
Cerrar fechar
Serrar cortar com serra ou serrote
Cessão ato de ceder
Seção corte, divisão
Sessão reunião, agrupamento
Cheque ordem de pagamento
Xeque lance do jogo de xadrez
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Concerto sessão musical, acordo


Conserto reparo
Coser costurar

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Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

Cozer cozinhar
Empoçar formar poça
Empossar dar ou tomar posse
Espectador aquele que assiste a um espetáculo
Expectador aquele que permanece na expectativa
Esperto atento, inteligente, vivo
Experto especialista, perito
Incipiente principiante
Insipiente ignorante
Laço nó
Lasso frouxo, gasto, cansado
Paço palácio
Passo passada
Saldar pagar o saldo de, liquidar
Saudar cumprimentar, aclamar
Segmento porção de um todo
Seguimento continuação
Sexta numeral correspondente a seis
Cesta utensílio de transporte
Tacha pequeno prego
Taxa imposto

4.3.2  Parônimos
Palavra ou expressão Significado
Abjeção baixeza, degradação
Objeção réplica, contestação
Absolver inocentar, perdoar
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Absorver consumir, esgotar


Amoral indiferente à moral
Imoral contrário à moral, libertino
ao encontro de para junto de
de encontro a contra, em prejuízo de
Aprender instruir-se
Apreender Assimilar
Bucho Estômago

97
Comunicação nas Empresas

Buxo Arbusto
Cavaleiro que anda a cavalo
Cavalheiro homem educado, gentil
Comprimento Extensão
Cumprimento saudação, execução
Conjetura suposição, hipótese
Conjuntura situação, circunstância
Deferir atender, conceder
Diferir adiar, ser diferente
Delatar Denunciar
Dilatar alargar, ampliar
Descrição ato de descrever, expor
Discrição qualidade de discreto, reserva
Descriminar Inocentar
Discriminar diferenciar, distinguir
Despensa lugar de guardar mantimentos
Dispensa isenção, licença
despercebido não notado
Desapercebido desprovido, despreparado
Emenda correção de falta ou defeito, alteração
Ementa resumo, síntese
Emergir vir à tona, surgir
Imergir mergulhar, afundar
Eminente célebre, notável
Iminente próximo, prestes a acontecer
Esbaforido ofegante, cansado
Espavorido apavorado, assustado
Estada permanência da pessoa
Estadia permanência de veículo
Estrato tipo de nuvem
Extrato resumo, essência
Flagrante Evidente
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Fragrante Perfumado
História narrativa de fatos reais
Estória narrativa de ficção

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Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

Infligir aplicar pena ou castigo


Infringir transgredir, não respeitar
Intemerato puro, íntegro
Intimorato destemido, corajoso
Lista relação, rol
Listra linha, risco
Mandado ordem judicial
Mandato período de missão política
Peão aquele que anda a pé
Pião Brinquedo
Pleito disputa, eleição
Preito homenagem, respeito
Prescrever preceituar, receitar
Proscrever eliminar, expulsar
Proeminente Saliente
Preeminente nobre, distinto
Ratificar confirmar, validar
Retificar Corrigir
Reboco Argamassa
Reboque ato ou efeito de rebocar
Sortir prover, abastecer
Surtir dar como resultado
Tráfego movimento, trânsito
Tráfico comércio lícito ou não
Vultoso volumoso, enorme
Vultuoso vermelho, inchado

4.4  Concordância verbal


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Parte das inadequações gramaticais que en-


contramos por aí diz respeito à concordância Conexão:
Leia mais sobre homôni-
verbal. Por isso mesmo, vamos tratar de alguns mos e parônimos em <http://
casos aqui. www.mundovestibular.com.br/
articles/6029/1/Paronimos-e-Homo-
nimos/Paacutegina1.html>
4.4.1  Verbo haver e fazer
O verbo haver, quando indica existên-
cia ou acontecimento, é impessoal, devendo
permanecer sempre na terceira pessoa do singu-
99
Comunicação nas Empresas

lar. Haver e fazer são impessoais quando indicam ideia de tempo, nesse
caso, devem também permanecer na terceira pessoa do singular.
Há informações que não podemos desprezar.
Havia três pessoas na reunião.
Deve ter havido sérios problemas com o computador.
Há anos não o procuro.
Faz anos que não o procuro.
Fazia dez anos que não encontrava aquele amigo.

4.4.2  Verbo ser indicando horas


O verbo ser, nas expressões que indicam tempo, concorda com a
expressão numérica mais próxima.
É uma hora.
São três horas.
Já é meio-dia.
São dez para o meio-dia.
Hoje são vinte de fevereiro.
Hoje é dia vinte de fevereiro.

4.4.3  Verbo e a partícula se


Quando o “se” indica indeterminação do sujeito, o verbo fica na ter-
ceira pessoa do singular. Quando o “se” é pronome apassivador, o verbo
concorda com o sujeito da oração.
Aos sábados, assiste-se a um movimento enorme no comércio.
Precisa-se de gerentes.
Confia-se, equivocadamente, em pessoas que impressionam apenas
pela aparência.
Construiu-se um novo centro de tecnologia.
Construíram-se dois centros tecnológicos na cidade.
Alugam-se casas.
Aluga-se casa.

4.4.4  Sujeitos formados por expressões partitivas


Quando o sujeito é constituído por “a maioria de”, “grande parte
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de”, “a maior parte de” ou “grande número de” mais o nome no plural,
teremos a possibilidade de colocar o verbo no singular ou plural.
A maior parte dos trabalhadores aceitou a orientação do sindicato.
A maior parte dos trabalhadores aceitaram a orientação do sindicato.
100
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

4.4.5  Expressão mais de um


O verbo deve ficar no singular. Apenas quando a expressão “mais de um”
vier repetida ou houver o sentido de reciprocidade é que o verbo irá ao plural.
Mais de um aluno faltou à aula.
As autoridades afirmaram que mais de um quarteirão está interditado.
Mais de um policial, mais de um bandido, foram mortos.

4.4.6  Títulos ou nomes de lugares precedidos de artigo


no plural: o verbo irá ao plural.
Os Lusíadas representam a grandeza da literatura portuguesa.
Os Estados Unidos enviaram mais soldados ao Afeganistão.
As Minas Gerais se destacam por cidades repletas de arte barroca.

4.4.7  Sujeitos formados por expressões que indicam


porcentagem: o verbo deve concordar com o substantivo.
O gerente afirmou que 20% das mercadorias não foram remarcadas.
A oposição insiste em afirmar que 5% do orçamento sofreu altera-
ções de última hora.
A secretaria afirmou que 1% dos alunos faltaram à prova.
1% da população do município não tem acesso à água tratada.
Atenção: Se a expressão que indica porcentagem não for seguida de
substantivo, o verbo deve concordar com o número.
10% reprovam o governo.
1% aceitou a proposta.

4.5  Concordância nominal


Trata da concordância ou relação entre os nomes, ou seja, entre clas-
ses de palavras como substantivos, adjetivos, pronomes, artigos e numerais.
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4.5.1  Próprio, mesmo, incluso, quite e obrigado


Essas palavras concordam em gênero e número com o substantivo
ou pronome a que se referem.
Os arquivos seguem anexos.
A fatura segue anexa.
Os sócios não estavam quites com o clube.
Ela própria vistoriou o local do acidente.
A aluna disse: – Muito obrigada!
O aluno disse: – Muito obrigado!
101
Comunicação nas Empresas

4.5.2  Meio e bastante: não variam quando atuam


como advérbios.
A secretária estava meio nervosa.
As passageiras ficaram meio perdidas.
Ficamos meio decepcionados.
Todos estavam bastante preocupados.
Muitas clientes ficaram bastante insatisfeitas com a demora no
atendimento.

Quando meio e bastante se referirem a substantivos, então, poderão


variar. Veja:
O almoço foi servido exatamente ao meio-dia e meia.
Meia porção de batatas fritas é suficiente.
Não há bastantes razões para eu desistir do projeto.
Existem bastantes pessoas na sala de reunião.
Enviei bastantes fotos pelo correio eletrônico.

4.5.3  É proibido, é necessário, é bom


Se essas expressões vierem desacompanhadas de um termo que as
determine, ficarão no singular.
Sopa é bom.
A sopa é boa fonte de vitaminas e nutrientes.
É proibido entrada sem permissão escrita da diretoria.
É proibida a entrada de pessoas estranhas ao setor.
É necessário liberdade de expressão.
É necessária a liberdade de expressão.

4.6  Regência verbal


Refere-se à relação entre os verbos e os termos que os complemen-
tam ou caracterizam.

4.6.1  Verbos ir e chegar


Quando são usados para indicar direção ou destino, devem ser regi-
dos pelas preposições “a” e “para”.
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Vou ao mercado.
Fui à feira.
Devo chegar a Brasília no próximo mês.
Nosso gerente foi para a nova filial em Salvador.
102
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

4.6.2  Obedecer e desobedecer


Devem ser complementados pela preposição “a”.
Obedeça à sinalização.
Obedecer aos pais sempre foi recomendado.
Cada vez mais vemos empresas desobedecendo ao código do con-
sumidor.

4.6.3  Aspirar:
Quando é usado com o sentido de “respirar”, emprega-se sem prepo-
sição; quando significar “ter por objetivo”, usa-se com a preposição “a”.
Gostávamos de aspirar o ar excelente daquelas montanhas.
Em nossa empresa, admiramos aqueles que aspiram a uma melhor
colocação.

4.6.4  Assistir:
Quando é usado com o sentido de “ser espectador”, emprega-se a
preposição “a”.
Assistíamos ao filme comendo pipoca e bebendo guaraná.
Não quero que os funcionários assistam à programação da TV du-
rante o expediente.

4.6.5  Emprestar
Deve ser usado somente no sentido de ceder por empréstimo.
Emprestei os livros à diretora da empresa.
Devo emprestar o dinheiro a você somente na próxima semana.
Atenção: No sentido de obter por empréstimo, diz-se pedir ou to-
mar emprestado: Pedi emprestadas algumas folhas a meu colega.

4.6.6  Implicar: Deve ser usado sem preposição.


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Os juros que os bancos praticam implicarão diminuição das vendas


a prazo.
A demissão dos funcionários implicou dificuldades para a empresa.

4.6.7  Morar e residir: Devem ser empregados com


a preposição “em”, antes do local de moradia ou
residência.
Moro na Avenida Marechal Rondom.
O diretor reside na Avenida Independência.
103
Comunicação nas Empresas

OBS.: expressões como residente e situado(a) devem ser seguidas


da preposição “em”:
Amando Franco, residente na Avenida Central.
Casa Silva, situada na Avenida Quintino de Abreu.

4.6.8  Preferir: sempre usado com a preposição a e


nunca acrescido da palavra mais.
Prefiro estudar a ter de repetir o módulo.
As companhias preferem promoções relâmpagos a campanhas lon-
gas na mídia.

4.6.9  Visar
No sentido de apontar para um alvo ou de carimbar um documento,
deve ser usado sem preposição. No sentido de ter por objetivo, usa-se a pre-
posição “a”, a menos que haja um verbo depois do próprio verbo visar.
Os Estados Unidos não visaram o passaporte do exilado iraquiano.
O exército inimigo visou o arsenal nuclear no ataque.

O nosso programa de formação continuada visa ao aperfeiçoamento


dos agentes de viagem.
Tudo isso visa à vitória na concorrência pública do próximo mês.

4.7  Regência nominal


Refere-se à relação entre o substantivo, o adjetivo ou o advérbio e as
preposições que os regem.

4.7.1  Substantivos
Obediência a
Admiração a, por Devoção a, para com, por
Ojeriza a, por
Aversão a, para, por Doutor em
Proeminência sobre
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, so-
bre Respeito a, com, para
Bacharel em
com, por
Capacidade de, para Horror a
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Impaciência com
Medo a, de

Fonte: PASQUALE & ULISSES, 1999, P. 526

104
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

4.7.2  Adjetivos
Acessível a Curioso de, por Impróprio para
Acostumado a, com Descontente com Insensível a
Agradável a Desejoso de Natural de
Alheio a Diferente de Necessário a
Análogo a Entendido em Paralelo a
Ansioso de, para, por Equivalente a Passível de
Apto a, para Essencial a, para Preferível a
Benéfico a Fácil de Prejudicial a
Capaz de, para Favorável a Prestes a
Compatível com Grato a, por Próximo a, de
Contemporâneo a, de Hábil em Relacionado com
Contíguo a Habituado a Semelhante a
Contrário a Idêntico a Sito em
Fonte: PASQUALE & ULISSES, 1999, p. 526-527

4.7.3  Advérbios
Longe de Paralelamente a
Perto de Relativamente a
Fonte: PASQUALE & ULISSES, 1999, P. 527

4.8  Uso dos “porquês”


Vamos conferir agora como resolver uma dúvida muito comum: o
uso dos “porquês”.
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4.8.1  Por que


Equivale à “por qual razão”, “por qual motivo”. Em alguns casos,
equivale a “pelo qual”.
Por que você não experimenta novos roteiros turísticos?
Por qual razão você não experimenta novos roteiros turísticos?

Não me informaram por que o relatório foi parcial.


Não me informaram por qual motivo o relatório foi imparcial.

105
Comunicação nas Empresas

Procuramos saber por que a situação da empresa não melhorou.


Procuramos saber por qual razão a situação da empresa não melhorou.

Estas são as causas por que lutamos todo esse tempo.


Estas são as causas pelas quais lutamos todo esse tempo.

O baixo investimento em infraestrutura é um problema por que


muitos estão passando.
O baixo investimento em infraestrutura é um problema pelo qual
muitos estão passando.

4.8.2  Por quê


Usado no final da frase ou antes de alguma pausa.
Você não contratou um novo contabilista por quê?
Se a agência sonegou alguma informação, eu queria saber por quê.
Você não veio por quê?

4.8.3  Porque
Equivale a “pois”, “já que”, “uma vez que”, “como”. Pode também
indicar finalidade, equivalendo a “para que”, “a fim de”.
A moeda desvalorizou-se porque o cenário mundial mostrou-se
instável.
A moeda desvalorizou-se já que o cenário mundial mostrou-se instável.
Imagino que receberemos a indenização porque ninguém contestou
nosso pedido.
Imagino que receberemos a indenização uma vez que ninguém
contestou nosso pedido.
Não julgues porque não te julguem.
Não julgues para que não te julguem.

4.8.4  Porquê
Representa um substantivo, significando “causa”, “razão”, “motivo”.
Não me deu pelo menos um porquê de sua ausência.
Não me deu pelo menos um motivo de sua ausência.
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Sempre descubro o porquê de suas reclamações.


Sempre descubro a razão de suas reclamações.

106
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

Todos os porquês da demissão do funcionário foram revelados um


a um.
Todas as causas da demissão do funcionário foram reveladas uma
a uma.

4.9  Palavras e expressões parecidas, mas


diferentes
Você já ficou em dúvida quanto ao uso de uma palavra em deter-
minada frase ou situação? Se o certo é onde ou aonde? Ou quando usar
“este” e “esse”?
Vamos conferir essas questões e outras dúvidas!

4.9.1  Onde/Aonde
Aonde: usado quando há indicação de ideia de movimento ou apro-
ximação.
Aonde ele foi?
Sempre vou aonde sou bem recebido.
O diretor vai aonde amanhã?
Aonde você quer chegar com essa argumentação?
Onde: indica permanência, o lugar em que se está ou se passa algo.
Onde você fica nas férias?
Mostre ao cliente o local onde a bagagem deve ser deixada
Alguém sabe onde está o funcionário responsável pelo chek-in?

4.9.2  Mal/Mau
Mal: opõe-se a bem.
Sabia que ele se comportaria mal.
O diretor julgou mal a atitude da assessoria.
O mal da nossa empresa está nas estruturas arcaicas.
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Mau: é adjetivo e opõe-se a bom.


Ele era um mau administrador.
Ela tem um caráter mau.
Todos os destinos neste verão são atraentes desde que não faça mau
tempo.

107
Comunicação nas Empresas

4.9.3  Ao encontro de / De encontro a


Ao encontro de: indica “ser favorável”, “aproximar-se”, concordância.
Sua exposição vem ao encontro de minhas ideias, por isso podere-
mos trabalhar juntos.
O diretor foi ao encontro da nova secretária e a cumprimentou.
O programa governamental veio ao encontro das expectativas dos
agentes de viagem e, por isso mesmo, gerou euforia no mercado.
De encontro a: indica oposição, choque.
Sempre discordei de você, por isso suas ações vêm de encontro ao
que penso.
O carro foi de encontro ao muro.
O balanço revelou números que vieram de encontro ao que o di-
retor havia afirmado em seu relatório anterior, por isso as discrepâncias
deram margem a desconfianças.

4.9.4  Acerda de / A cerca de / Há cerca de


Acerca de: significa “sobre”, “a respeito de”.
Temos o documento que traz orientações acerca das novas orienta-
ções do mercado.
A negociação tem que ser acerca dos novos números apresentados
pelo concorrente.
A cerca de: marca distância no espaço e no tempo futuro.
Estávamos a cerca de duzentos quilômetros de nosso destino.
A reunião começa daqui a pouco, a cerca de 30 minutos.
Há cerca de: período aproximado de tempo.
A nossa indústria começou a operar no Brasil há cerca de dois anos.
A companhia aérea está operando novos destinos para a Europa há
cerca de seis meses.

4.9.5  A fim de / Afim


A fim de: usado com o sentido de finalidade.
Estamos mudando o horário de funcionamento a fim de atender
melhor o cliente.
Uma outra sondagem foi realizada a fim de descobrir novas possi-
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bilidades de investimento.
Afim: usado com o sentido de afinidade.
Temos ideias afins.
Nossa ideia de gestão é afim.
108
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

A expressão “estar a fim” é comumente usada com o


sentido de “estar com vontade”, “estar disposto a algo”, “ter inte-
resse”. Essa expressão pertence mais à linguagem coloquial, ou seja, é
geralmente usada em situações informais. Por isso, ela deve ser evita-
da em textos formais.

4.9.6  Abaixo / A baixo


Abaixo: indica posição fixa.
Os funcionários não estão abaixo de mim, eles são cooperadores.
Vendemos produtos e serviços que estavam abaixo do valor de mercado.
A baixo: ideia de movimento.
Precisamos reformar o prédio de alto a baixo.
Aquele senhor sempre me olha de alto a baixo.

4.9.7  Acima / A cima


Acima: posição fixa
Ele se considera acima de mim.
A meta de inflação nunca ficara tão acima do esperado naqueles
anos de instabilidade econômica.
A cima: ideia de movimento
Precisamos arrumar esta prateleira de baixo a cima.
Seu percurso foi de baixo a cima nesta empresa.

4.9.8  Este / Esse


este: refere-se ao próximo e ao emissor.
Hoje é meu aniversário, por isso este dia é especial.
Este relatório que tenho em minhas mãos é meio extenso.
Esta próxima hora será decisiva para o desfecho das negociações.
O diretor confirmou a decisão, mas esta somente entrará em vigor
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no próximo mês.
Este departamento comunica que as novas regras serão implantadas
imediatamente.
Esse: refere-se ao mais distante e ao destinatário.
Esse relatório que você está lendo não me parece apropriado.
Precisamos melhorar o setor de encomendas. Esse setor é vital para
nossa empresa.
Esse seu colega é muito competente, apresente-o amanhã ao novo
diretor.
109
Comunicação nas Empresas

4.9.9  Se não / Senão


Se não: indica uma hipótese negativa, equivalendo à expressão
“caso não”.
A programação do evento será pouco atraente se não alterarmos al-
guns itens relacionados com o lazer das crianças.
Se não forem investidos mais recursos em infraestrutura portuária,
perderemos outras oportunidades de exportação de nossos produtos.
Senão: Equivale às expressões “a não ser que”, “do contrário”,
“mas sim”, “mais do que” etc.
Esperamos a aprovação do orçamento, senão ficaremos impedidos
de desenvolver os projetos de expansão.
Os funcionários responderam satisfatoriamente à política de incen-
tivo da empresa, não com mero agradecimento, senão com atitudes mais
construtivas e adequadas.
Alguns diretores aprovaram com contrariedade a proposta da presi-
dência. Senão, como explicar a resistência que ainda existe em relação ao
novo projeto?

4.10  Algumas observações sobre verbos


Algumas formas verbais podem oferecer
certa dificuldade, pois se comportam de forma
Conexão:
irregular ou “anormal”. Acompanhe as ob- Você sabia que existem
servações: alguns sites na Internet que
oferecem um “conjugador” de
verbos? É possível tirar dúvidas sobre
4.10.1  Verbo adequar: a conjugação de verbos na língua
Não use frases como: “Eu me portuguesa. Confira:
<http://www.conjuga-me.net/
adequo às exigências da empresa”! O
http://linguistica.insite.
verbo adequar, no presente, só deve ser com.br/cgi-bin/con-
conjugado na 1ª e 2ª pessoas do plural. jugue>
Veja: “Nós adequamos o relatório às exigên-
cias da diretoria”. Imaginemos que você precise dizer algo parecido
com: “A diretoria solicitou que eu adeque o relatório”. A forma verbal
“adeque” está empregada incorretamente. Veja como a frase poderia
ser mudada: “A diretoria solicitou que eu corrija o relatório” ou “A
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diretoria solicitou que eu adequasse o relatório”.

110
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

4.10.2  Verbo aderir


Atenção para a forma desse verbo no presente: eu adiro, tu aderes,
ele adere, nós aderimos, vós aderis, eles aderem.

4.10.3  Verbo colorir:


Não use “Eu coloro”. O verbo colorir não tem a 1ª pessoa do singu-
lar do presente do indicativo e no subjuntivo ele não deve ser conjugado
no presente.

4.10.4  Verbo dizer


Atente para o presente do subjuntivo desse verbo. Veja os exemplos:
seu eu disser, se ele disser, se nós dissermos, se vós disserdes, se eles dis-
serem.

4.10.5  Verbo intervir


Não diga: “Ele interviu”! O correto é: “Ele interveio”. Veja mais
exemplos de conjugação correta desse verbo: “Eles intervieram”, “Se eu
interviesse”, “Quando eles intervierem”, “Ontem eu intervim”. Você per-
cebeu que esse verbo é derivado de vir? Por isso não o conjugue como se
fosse um verbo derivado de ver!

4.10.6  Verbo manter


Cuidado para não dizer ou escrever: “Se eu mantesse”! O correto
é: “Se eu mantivesse”. Veja ainda: “Se eles mantiverem”, “Quando nós
mantivermos”.

4.10.7  Verbo pôr


Tenha bastante cuidado com esse verbo e seus derivados. Não fale:
“Se eu pôr” nem escreva “Se eu puzer”! O correto é: “Se eu puser”. Veja
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mais: “Se tu puseres”, “Se nós pusermos”, “Quando eles puserem”. Os


verbos compor, depor, propor e repor também têm comportamento seme-
lhante. Confira: “Se o réu depuser amanhã”, “Se o funcionário repuser a
mercadoria”, “Ele compusera lindas canções”, “Se eu propusesse novas
medidas, eles não concordariam”.

111
Comunicação nas Empresas

4.10.8  Verbo precaver


Não diga: “Eu me precavenho” ou “Eu me precavejo”! No presente
do indicativo, somente é correto “precavemos” e “precaveis”. No presen-
te do subjuntivo não se conjuga esse verbo. Nos casos em que não há for-
ma verbal adequada para o verbo precaver, você poderá substituí-lo pelos
verbos prevenir ou acautelar. Veja: “Eu me previno”, “Mesmo que eu me
acautele”, “Ele se previne”.

4.10.9  Particípio regular e irregular


O particípio é uma forma nominal do verbo. Muitos particípios
apresentam uma forma regular e outra irregular. A forma regular do parti-
cípio é usada com os verbos auxiliares ter e haver (“eu teria libertado o
refém”, “depois de haver salvado o arquivo, ele imprimiu o documento”).
A forma irregular é usada com os verbos auxiliares ser, estar e ficar (“o
refém foi liberto”, “o arquivo está salvo”).

A forma “chego” usada como particípio não é aceita na lingua-


gem formal. Por isso, não use “Eu havia chego mais tarde” ou “Ele tinha
chego mais tarde”. O correto é “Eu havia chegado mais tarde”.

Confira a lista com o particípio regular e irregular de alguns verbos:


Verbo no infinitivo Particípio regular Particípio irregular
aceitar aceitado aceito, aceite
assentar assentado assento, assente
entregar entregado entregue
enxugar enxugado enxuto
ganhar ganhado ganho
gastar gastado gasto
isentar isentado isento
juntar juntado junto
limpar limpado limpo
matar matado morto
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pagar pagado pago


pegar pegado pego
salvar salvado salvo

112
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

desenvolver desenvolvido desenvolto


prender prendido preso
suspender suspendido suspenso
imprimir imprimido impresso
inserir inserido inserto
tingir tingido tinto

4.11  Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia e


Solecismos
4.11.1  Pleonasmo
É a repetição de um termo já expresso ou de uma ideia já sugerida,
para fins de clareza ou ênfase, segundo Bechara (2009).

Pleonasmo é uma figura de linguagem usada para intensificar o signi-


ficado de um termo através da repetição da própria palavra ou da ideia con-
tida nela. De acordo com o dicionário Priberam, a palavra pleonasmo tem
origem no grego pleonasmós, -o, significando superabundância, excesso.

Vejamos o excerto abaixo, extraído do poema de Manuel Bandeira:


POEMA SÓ PARA JAIME OVALLE

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro


(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação (...)

Podemos observar que ao usar a palavra chuva, o autor repete a


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ideia já contida no verbo chover (chovia chuva). Neste caso, essa repe-
tição foi usada para reforçar a expressividade do verbo chover. Temos,
neste caso, o pleonasmo intencional.
Já o pleonasmo vicioso é a repetição supérflua da palavra ou da
ideia contida nela, constituindo, portanto, um vício de linguagem. Veja-
mos alguns exemplos de pleonasmo vicioso:
“Entrar para dentro.”
“Sair para fora.”
“A brisa matinal da manhã.”
113
Comunicação nas Empresas

4.11.2  Ambiguidade
A ambiguidade ocorre quando, por falta de clareza, há duplicidade
de sentido da oração.
Exemplos:
Maria disse à amiga que seu namorado havia chegado. (O namorado
é de Maria ou da amiga?)
O pai falou com o filho caído no chão. (Quem estava caído no
chão? Pai ou filho?)

4.11.3  Cacofonia
A cacofonia ocorre quando a junção de duas ou mais palavras na
frase provoca som desagradável ou palavra inconveniente.

Vejamos alguns exemplos:

Uma mão lava outra. (mamão)

Vi ela na esquina. (viela)

Dei um beijo na boca dela. (cadela)

4.11.4  Solecismo
Ao falar e ao escrever, as pessoas cometem inadequações de lingua-
gem: algumas por falta de conhecimento; outras, propositadamente. Para
Bechara (2009), solecismo é o erro de sintaxe (que abrange a concordân-
cia, a regência, a colocação e a má estruturação dos termos da oração) que
a torna incompreensível ou imprecisa, ou a inadequação de se levar para
uma variedade de língua a norma de outra variedade; em geral, da norma
coloquial ou popular para a norma exemplar:

Eu lhe abracei (por o)


A gente vamos (por vai)
Tu fostes ( por foste)
Aluga-se casas (por alugam-se)
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Vendas à prazo (por a)


Queremos fazermos tudo certo (por queremos fazer)

114
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

Atividades
01. Complete os espaços com a forma apropriada entre parênteses.
a) Paciência é ________ quando se está no meio de uma crise. (necessá-
rio/necessária)
b) A aluna se limitou a dizer: muito ________. (obrigado/obrigada)
c) Já ________ duas e ________. (é/são; meio/meia)
d) Já ________ dois dias e ________ que estamos trabalhando sem ener-
gia elétrica. (faz/fazem; meio/meia)
e) Aquela escola é ________ distante de minha casa. (meio/meia)
f) Os alunos que não estiverem ________ com as mensalidades poderão
fazer as provas. (quite/quites)
g) No final do semestre, estamos todos ________ ocupados. (bastante/
bastantes)

02. Empregue corretamente as palavras ou expressões indicadas entre pa-


rênteses.
a) Nossa escola fica ________ três quilômetros do centro da cidade.
(acerca de/ há cerca de/a cerca de)
b) A escola está sem água _____ de três dias. (acerca de/há cerca de/a
cerca de)
c) A escola mais próxima fica ________ dois dias de barco. (acerca de/
há cerca de/a cerca de)
d) As propostas da direção vão ________ dos anseios dos professores,
por isso todos os docentes aplaudiram a iniciativa da diretora. (ao encon-
tro/de encontro)
e) A greve foi anunciada assim que os funcionários perceberam que as
propostas da direção vêm ________ reivindicações. (ao encontro das/de
encontro às)
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f) Não sei ________ ele mora. (onde/aonde)


g) Não sei ______ ele quer chegar com toda essa argumentação. (onde/aonde)
h) ________ você está? (onde/aonde)

Reflexão
Nesse capítulo, estudamos as principais regras de ortografia; apren-
demos a distinguir os homônimos dos parônimos e como usá-los num
contexto. Vimos, também, o emprego dos porquês e sua importância no
estudo e domínio da norma culta.
115
Comunicação nas Empresas

Vimos aqui as indicações para o uso de diversas palavras e expres-


sões, além das orientações gramaticais. Outras dúvidas e dificuldades po-
dem ainda surgir, por isso não deixe de consultar as gramáticas indicadas
ou mesmo dicionários e outras gramáticas que você já possua.
Use todos os recursos disponíveis e desenvolva um aprendizado
contínuo da nossa língua portuguesa. Lembre-se que as normas da língua
padrão são úteis para o uso em situações de comunicação nas quais é
importante e indispensável à correção gramatical. Considere que na vida
profissional estamos sujeitos a diversas normas, padrões operacionais,
códigos de ética e conduta, legislações e outras formas de regulamentação
de atividades e procedimentos. A língua também tem suas normas e elas
devem ser respeitadas principalmente naqueles contextos nos quais se re-
quer o uso da língua culta ou padrão.

Leituras recomendadas
Para estudar mais sobre ortografia, veja estes livros:
CEGALA, D. P. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São
Paulo: Nacional, 2005.

CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Gramática Reflexiva: texto,


semântica e interação. São Paulo: Atual, 2005.

A gramática é uma fonte de consulta interessante para adequarmos


nossa linguagem à norma padrão.
Uma primeira recomendação que faço é em relação à Moderna gramá-
tica portuguesa, de Evanildo Bechara. Essa gramática saiu em nova edição,
atualizada e revisada, pela Editora Lucerna. É uma gramática mais no estilo
antigo, gramática escolar convencional, sem ilustrações gráficas, “tirinhas”,
exemplos de textos contemporâneos ou da linguagem publicitária. É uma
gramática elaborada por um dos mais respeitados gramáticos da atualidade.
Outra dica é a Nova gramática aplicada da língua portuguesa: uma
comunicação interativa, de Manoel Ribeiro, Editora Metáfora. Trata-se de
uma gramática que compreende a descrição da língua acomodada ao uso da
norma culta. Traz tanto as regras ou o padrão culto, como também posicio-
namentos de linguistas e aspectos de descrição da língua. Essa gramática se
Proibida a reprodução – © UniSEB

destaca por apresentar opiniões e tendências distintas ou conflitantes sobre


um mesmo assunto, dando a oportunidade de não somente conhecer uma
determinada regra, mas, também, de ter contato de forma resumida com
alguns posicionamentos linguísticos sobre aquela regra gramatical.
116
Dificuldades Ortográficas e Sintáticas - Capítulo 4

Referência
CÂMARA JUNIOR, J. M. História e estrutura da língua portugue-
sa. Rio de Janeiro: Padrão Literário, 1976.

CEGALA, D. P. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São


Paulo: Nacional, 2005.

CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Gramática Reflexiva: texto,


semântica e interação. São Paulo: Atual, 2005.

COUTINHO, I. de L. Gramática Histórica. 6. ed. Rio de Janeiro: Li-


vraria Acadêmica, 1968.

CUNHA, C. F.; CINTRA, L. F. L. Nova gramática do português con-


temporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

GOLD, Miriam. Redação empresarial: escrevendo com sucesso na era


da globalização. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2002.

GOULART, A. T.; SILVA, O. V. Estudo dirigido da gramática histó-


rica e teoria da literatura. São Paulo: Ed. do Brasil, 1975.

MESQUITA. Roberto Melo. Gramática da língua portuguesa. São


Paulo: Saraiva, 1998.

MEDEIROS, J. B. Português Instrumental para cursos de Econo-


mia, Contabilidade e Administração. São Paulo: Atlas, 2000.

PASQUALE & INFANTE. Gramática da língua portuguesa. São


Paulo: Scipione, 1999.
EAD-14-Comunicação nas Empresas – Proibida a reprodução – © UniSEB

SACCONI, L. A. Nossa Gramática: teoria e prática. São Paulo, Atual,


1999.

SILVA NETO, S. da. Introdução ao estudo da língua portuguesa no


Brasil. Rio de Janeiro: Presença, 1976.

TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. São Paulo: Martins


Fontes, 2004.

117
Comunicação nas Empresas

No próximo capítulo
No próximo capítulo serão desenvolvidas, por meio do estudo da
aplicação da linguagem formal no moderno texto empresarial, algumas
habilidades que irão contribuir para uma boa comunicação escrita no con-
texto das organizações. Além de identificar as características da lingua-
gem empresarial moderna; serão apresentadas algumas técnicas que con-
tribuem para a concisão, objetividade e clareza do texto com a finalidade
de utilização de uma linguagem formal nas comunicações que ocorrem no
ambiente organizacional.
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118
Correspondência nas
Empresas
5 Neste capítulo, você terá a oportunidade de
aprender e desenvolver habilidades que poderão
lo
contribuir para uma boa comunicação escrita no
contexto das organizações. Vamos identificar as carac-
ít u

terísticas da linguagem empresarial moderna; conhecer


técnicas que contribuem para a concisão, objetividade e
Cap

clareza do texto; estudar a aplicação da linguagem formal no


texto empresarial e, finalmente, conhecer normas de padroniza-
ção de textos.

Objetivos da sua aprendizagem


• Reconhecer os defeitos e os vícios de linguagem nos textos empre-
sariais.
• Seguir as recomendações sobre as qualidades do texto empresarial
• Aplicar as técnicas para uma boa produção textual.
• Desenvolver habilidades de escrita para produzir textos eficazes.

Você se lembra?
Quantas correspondências de empresas ou de instituições você já recebeu
ao longo de sua vida? Talvez não dê nem para contar, não é mesmo? Você
já reparou que a linguagem do texto dessas correspondências tem deter-
minadas características? Pois é, geralmente encontramos uma lingua-
gem mais formal e impessoal em muitas correspondências institucio-
nais. Há certas normas e padrões que orientam os textos produzidos
pelas empresas.
Nesse capítulo, você terá a oportunidade de estudar a linguagem
que predomina nas mensagens e textos que circulam no meio
empresarial.
Comunicação nas Empresas

5.1  A linguagem das organizações


No contexto organizacional, o estilo e a linguagem do texto devem
seguir padrões de modernidade, otimizando-se o uso do tempo e do espa-
ço na troca de mensagens.
Sabe-se que um texto bem escrito, adequado às normas gramaticais
e aos padrões da moderna redação empresarial, pode reforçar a credibili-
dade e a qualidade de uma organização.
Por isso, o texto comercial ou empresarial deve ser caracterizado
pela sua eficácia. O destinatário desse texto, o cliente ou parceiro, deve
responder à mensagem que recebeu da forma que o destinador espera.
Quanto mais a resposta do receptor estiver próxima da intenção ou objeti-
vo do emissor, mas eficaz será o texto.
O texto deverá conter recursos persuasivos que levem à obtenção de
uma resposta desejada. São os mecanismos de persuasão que garantirão a
eficácia do texto ou da mensagem (GOLD, 2002, p. 4-5).
Como alcançar a eficácia do texto no mundo organizacional será,
portanto, um dos nossos assuntos neste capítulo, além das características
da linguagem empresarial e da padronização das comunicações oficiais e
comerciais.

5.2  Qualidades do texto empresarial


Os textos que cumprem a fun-
ção de promover e facilitar a
O que é uma
comunicação no contexto or- comunicação eficiente?
ganizacional devem conter A comunicação eficiente consiste
qualidades que garantam em fazer as pessoas entenderem sua
mensagem e responder de forma a provocar
uma decodificação e novas trocas – de preferência na direção que
apreensão da mensagem você gostaria. A comunicação sempre é uma via
sem grandes esforços e de duas mãos. Profissionalmente, você se comu-
nica para fazer com que as coisas aconteçam,
perda de tempo.
obter e passar informação, tomar decisões,
Deve-se evitar a chegar a consensos e se relacionar com
linguagem prolixa e difícil, as pessoas (HELLER, 2000).
pois “tanto o vocabulário so-
fisticado quanto as frases longas
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e rebuscadas não contribuem para


um rápido entendimento da mensagem, levando o leitor a um desperdício
de tempo, quando não a uma desmotivação progressiva que acarretará,
inconscientemente, a rejeição da mensagem” (GOLD, 2002, p. 6).
120
Correspondência nas Empresas – Capítulo 5

Isso quer dizer que um texto mal escrito pode até acarretar perda de
prestígio para uma empresa. Várias são as consequências que podem ser
listadas no caso de documentos mal escritos no contexto organizacional.
Vejamos:
As pessoas tornam-se desmotivadas para prestar atenção ao que
estão lendo.
Há o privilégio da troca oral de informações. Na palavra falada, o
sábio ditado popular já diz que “quem conta um conto aumenta um
ponto”. Assim, não há garantia de que a informação será transmiti-
da com fidedignidade.
As lideranças têm sua credibilidade enfraquecida, pois a ideia que
se forma é a de que “querem nos enrolar”.
As mensagens deformadas causam retrabalho para todos os envol-
vidos, seja àqueles a quem a mensagem está dirigida, seja ao setor
ou departamento emissor da informação. Há caso de empresas que
precisaram de seis meses para operar um recadastramento, quando
o tempo inicial previsto era de apenas um mês. E tudo isso ocasio-
nado por um memorando inadequado. Neste caso, como pela lei da
física, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, o
recadastramento ocupou cinco meses de vários outros trabalhos.
Há conflitos internos constantes que, por sua vez, ocasionarão uma
cultura interna de desagregação, em vez da sinergia positiva neces-
sária à sobrevivência de qualquer grupo socialmente constituído.
As mensagens externas não funcionarão como geratrizes de no-
vos negócios, seja por falta de persuasão no texto expresso, seja
por equívocos e ambigüidades ocasionadores de perdas lucrativas
(GOLD, 2005, p. 3-4).

Diante desses efeitos negativos que um texto mal escrito pode produzir
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no contexto organizacional, vamos então conhecer o contraponto a isso tudo.


Vejamos as qualidades do texto empresarial.

5.2.1  Concisão
A concisão pode ser entendida como a capacidade de comunicar o
máximo de informação com o mínimo de palavras, evitando-se subterfú-
gios e clichês que tornam o texto antiquado e rebuscado. O texto conciso
se caracteriza, também, como “aquele em que todas as palavras e infor-
mações utilizadas tenham uma função significativa” (GOLD, 2005, p. 7).
121
Comunicação nas Empresas

A retórica empresarial moderna tem privilegiado técnicas de


comunicação que favoreçam a compreensão imediata da mensagem.
As palavras devem estar impregnadas de sentido, dispensando-se os
elementos que são desnecessários, e a técnica da redução precisa ser
aplicada eficazmente.
Por isso, é importante observar que a concisão do texto está re-
lacionada com uma ideia utilitarista da mensagem, mas, ainda assim, a
concisão não deve significar um empobrecimento. Ela deve ser entendida
como “uma forma mais enxuta e condensada de apresentação, em que se
valoriza cada informação” (GOLD, 2005, p. 51-52).
Vejamos um exemplo de texto inadequado quanto à necessidade de
concisão.

Temos a satisfação de levar ao conhecimento de V. S.ª que, nesta


data, pela Transportadora Transnorte e, em atendimento ao seu prezado
pedido nº 432/99, de 18 de setembro de 1999, demos encaminhamento,
pela Nota Fiscal nº 167, às mercadorias solicitadas pelo Departamento
de Comprar de sua conceituada empresa.
(Extraído de GOLD, 2005, p. 53)

Corrigindo e reescrevendo o texto, teríamos:

Informamos que as mercadorias constantes de seu pedido nº


432/99 foram encaminhadas, na data de hoje, pela Transportadora
Transnorte, junto à nota Fiscal nº 167.
Extraído de GOLD, 2005, p. 53

Para atingir a concisão, Gold (2005, p. 52-57) faz algumas recomen-


dações que apresentaremos a se seguir:

Maximizar a informação com um mínimo de palavras


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Exemplo:
Esta tem o objetivo de comunicar → Comunicamos
Vimos por meio desta informar → Informamos

122
Correspondência nas Empresas – Capítulo 5

Eliminar os clichês
Exemplo: Nada mais havendo a declarar, subscrevemo-nos →
Atenciosamente

Cortar redundâncias
Exemplo: Em resposta ao ofício enviado por V. Sª. → Em respos-
ta ao seu ofício

Retirar ideias excessivas


Exemplo: Informamos que a entrada, a frequência e a permanên-
cia nas dependências deste clube é terminantemente proibida, seja qual
for o pretexto, a pessoas que não fazem parte de seu quadro de sócios.
→ É proibida a entrada de não sócios.

Algumas técnicas de redução podem auxiliar no enxugamento do


texto.
A primeira técnica diz respeito à redução de excesso de quês ou
“queísmo”*. A redução pode ser obtida substituindo uma oração introdu-
zida pelo “que”. Podemos substituí-la com substantivos abstratos, verbo
no infinitivo e particípios. Veja:
Espero que me telefone a fim de que se esclareçam as questões que
dizem respeito ao tema que foi debatido na reunião.

*Glossário
Queísmo um termo que designa o exagero no uso do pronome rela-
tivo “que”.
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Vejamos como fica a redução do excesso de quês:


“Espero que me telefone” → telefonema → “Espero seu telefonema”
“A fim de que se esclareçam” → esclarecer → “a fim de esclarecer”
“As questões que dizem respeito” → a respeito de → “as questões
a respeito do”
“Tema que foi debatido” → discutido → “tema discutido na reunião.”

123
Comunicação nas Empresas

Confira outras formas de substituição que eliminam o excesso de


“quês”.
Substituição da oração adjetiva usando um adjetivo equivalente.
O profissional que não se prepara será facilmente superado.

O profissional despreparado será facilmente superado.

Substituição da oração adjetiva usando um substantivo e complemento.


Um diretor, que comprava muitas ações, obteve grandes lucros.

Um diretor, comprador de muitas ações, obteve grandes lucros.

Substituição da oração desenvolvida por substantivo abstrato ou verbo


no infinitivo
Espero que saibam que sairei na próxima semana.

Espero que saibam da minha saída na próxima semana.

É preciso que se estabeleça um novo marco regulatório.

É preciso estabelecer um novo marco regulatório.

Substituição de forma composta pelo verbo no particípio.


O Departamento Financeiro já enviou o relatório que foi solicitado pela diretoria.

O Departamento Financeiro já enviou o relatório solicitado pela diretoria.

A transformação de orações na voz passiva para a voz ativa, em


atas e relatórios que apresentam excesso de frases na voz passiva, é outra
técnica interessante.
A compra das novas impressoras foi aprovada pela diretoria. → voz
passiva
A diretoria aprovou a compra das novas impressoras. → voz ativa

Quando estudamos os verbos aprendemos o conceito de


“voz verbal”, ou seja, a flexão verbal que diz respeito à forma pela
qual o sujeito se relaciona com o verbo e os complementos verbais. A
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voz ativa indica que o sujeito participa ou pratica a ação denotada pelo
verbo. A voz passiva indica que a ação ou processo expressado pelo
verbo é recebida pelo sujeito.

124
Correspondência nas Empresas – Capítulo 5

Essa técnica não será recomendada, entretanto, quando houver a


intenção de enfatizar um dos termos da sentença. Observe que, no exem-
plo, a voz passiva destaca “a compra das novas impressoras” e a voz ativa
enfatiza “a aprovação da diretoria”.
Outra técnica de redução consiste em substituir as locuções adjeti-
vas por um adjetivo. Veja o exemplo:
As áreas das cidades não devem receber o mesmo tratamento con-
ferido às regiões do campo.
As áreas urbanas não devem receber o mesmo tratamento conferi-
do às regiões rurais.
Será que em toda e qualquer situação um texto deve ser conciso? É
preciso cuidado para que o texto não acabe ficando denso e duro, tornado-
se excessivamente direto e perdendo sua elegância e cordialidade.

5.2.2  Objetividade
A objetividade das comunicações no contexto organizacional deve
se caracterizar pela centralidade das informações que realmente são im-
portantes, não se acrescentando detalhes ou palavras que distraiam o lei-
tor. Por isso, a objetividade será alcançada quando o leitor for conduzido
mais diretamente ao assunto que se quer tratar.
Um texto objetivo não apresenta excesso de palavras ou de ideias. É
um texto sem redundâncias.
Vejamos um exemplo de texto antiquado, que peca pela falta de ob-
jetividade.

Prezados Senhores,
Pedimos gentilmente, por meio desta, a fineza de nos fornecer
informações relativas à idoneidade moral e a capacidade profissional
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do Sr. Péricles Gordinho, candidato a fazer parte do nosso quadro de


funcionários e que forneceu a sua empresa como fonte de referências,
por já haver sido funcionário dessa tradicional organização.
Sendo só o que se apresenta para o momento, renovamos nossos
votos de estima e consideração.
Extraído de GOLD, 2005, p. 35

125
Comunicação nas Empresas

Corrigindo e adequando a carta anterior, teríamos:

Prezados Senhores,
Em virtude de o Sr. Péricles Gordinho nos ter fornecido a sua
empresa como referência, solicitamos a gentileza de nos remeter infor-
mações quanto à idoneidade moral e à capacidade profissional de seu
ex-funcionário.
Esclarecemos ainda que, obviamente, sua informação será reves-
tida do mais absoluto cuidado e sigilo.
Extraído de GOLD, 2005, p. 35

Algumas dicas para elaborar um texto objetivo:


Identifique a ideia principal.
O que eu quero dizer ao meu leitor?
Focar na informação ou ideia central mais importante.
Identifique as ideias secundárias.
Há outras informações que ajudam na assimilação de minha mensagem?
Levantar as ideias ou as informações que podem ser úteis, mas que se não
forem usadas não comprometerão o resultado esperado.
Identifique as ideias que devem ser descartadas e as que serão aproveitadas.
O que atrapalha na assimilação da ideia principal?
Aproveitar informações que possam ser interessantes e agregam valor à minha
mensagem, mas descartar as ideias e os detalhes que não atendem ao propósito
da mensagem.
adaptado de GOLD, 2005

5.2.3  Clareza
Às vezes, temos muito claro, para nós mesmos, o que queremos di-
zer, mas na hora de escrever...
Pois é, não basta ter clareza ou organização mental sobre o que
precisamos comunicar. Além disso, precisamos organizar adequada-
mente o que temos em mente, considerando que outra pessoa lerá o
que escrevemos.
A clareza de um texto está no fato de que um leitor não familiariza-
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do com o tema tratado seja capaz de compreender as ideias do texto sem


grandes problemas.

126
Correspondência nas Empresas – Capítulo 5

Algumas dicas para elaborar um texto com clareza:


Evite uma linguagem excessivamente técnica.
Lembre-se de que escrevemos para pessoas que podem ser de áreas ou depar-
tamentos diferentes.
Cuidado com o uso excessivo de substantivos abstratos
Algumas palavras podem dificultar a compreensão, pois têm sentidos menos
objetivos e concretos, dando margem para obscuridade ou interpretações equi-
vocadas.
Cuidado com o lugar das palavras nas frases
Lembre-se do que vimos na parte sobre coesão textual. As palavras devem estar
articuladas e vinculadas corretamente.
Evite o parágrafo longo.
Cada parágrafo deve corresponder a uma ideia ou informação principal. Não
coloque várias ideias principais em um mesmo parágrafo.
Cuidado com as ambiguidades
O pronome relativo “que”, referindo-se a dois substantivos e o pronome pos-
sessivo podem provocar ambiguidades.
adaptado de GOLD, 2005

5.2.4  Linguagem formal


A linguagem formal deve ser privilegiada nas comunicações
escritas dentro do contexto organizacional. Diferentemente da lin-
guagem coloquial e mais informal, a linguagem formal possibilita a
compreensão dos termos utilizados de modo mais universal. A padro-
nização da linguagem harmoniza-se com o caráter mais impessoal das
relações profissionais, favorecendo a imparcialidade e evitando uma
linguagem mais emotiva.
Além disso, a linguagem formal está mais adequada às normas gra-
maticais e pode fortalecer uma imagem de credibilidade e competência.
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No entanto, há situações e espaços na vida organizacional em que a


linguagem não precisará de tanta formalidade.
Mais adiante, você terá a oportunidade de conhecer algumas reco-
mendações e normas que fazem parte desta linguagem formal.

127
Comunicação nas Empresas

5.3  Padronização de documentos empresariais


Você já imaginou se escrevêssemos cartas e documentos como se
fazia há oitenta ou cem anos? Pois é, se o mundo das empresas e das ins-
tituições mudou, também mudaram as formas de se comunicar tanto nas
empresas quanto nas instituições.
Na verdade, a correspondência empresarial vem passando por
várias modificações ao longo do tempo. Hoje em dia, as comunicações
ou correspondências são mais do que documentos, muitas vezes são
veículos ou instrumentos de marketing, revelando a imagem de uma
organização.
Por isso, se antigamente os textos eram mais prolixos, hoje, eles são
mais objetivos e atualizados no seu estilo e linguagem.
Acompanhe algumas dicas que daremos sobre aspectos formais da
correspondência empresarial.

Data
Escreva o dia sem o zero à esquerda.
O nome do mês em letra minúscula.
O ano sem ponto ou espaço depois do milhar.
Coloque ponto final depois da data.
→ São Paulo, 7 de janeiro de 2008.
No meio do texto, a data pode ser escrita com dois dígitos
→ 07-01-2008
Destinatário
Não coloque o endereço do destinatário no corpo da carta, a menos que você
utilize “envelope janelado”;
À → facultativo;
Petróleo Brasileiro S.A.
O a com crase decorre de a palavra empresa estar subentendida
Ao → facultativo
Banco do Brasil S.A.
At. → abreviatura que significa atenção (não use att.)
Somente use A/C no envelope.
Assunto e referência
Referência é o número do documento que mencionamos numa determinada
correspondência;
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Assunto é o tema que será tratado na correspondência.


Veja:
Referência: Sua Carta-Proposta no 11
Assunto: Compra de novas impressoras

128
Correspondência nas Empresas – Capítulo 5

Vocativo
O vocativo deve concordar com o destinatário em gênero e número.
Veja:
Ao
Banco do Brasil S.A.
Assessoria Jurídica
At.: Sr. João da Silva
Prezado Senhor,
Ao
Banco do Brasil S.A.
Assessoria Jurídica
Prezados Senhores,

Vamos verificar como fica uma carta que segue essas recomenda-
ções e outras que você vai descobrir com o nosso exemplo.
Veja:
Ct 23 – DIVIRH
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2004.
À
Empresa Tal S. A.
At.: Sra. Adélia Prado
Assunto: Padrão datilográfico
Prezada Senhora,
Esta carta ilustra o preenchimento das novas correspondências das empresas.
As instruções que se seguem devem ser repassadas a todos os funcionários,
responsáveis pela manutenção da imagem de modernidade da Empresa.
A única margem aceita, a partir dos anos 1990, é a da esquerda, começando-se
com a data e só terminando com a assinatura. Não deve haver nenhum elemen-
to do lado direito, à exceção da padronização recomendada para o ofício e para
o memorando das repartições públicas.
Observe-se que não se usa mais colocar o endereço do destinatário no corpo da
carta, a menos que o envelope seja janelado. Entretanto, pode ser discriminado
o setor ao qual a carta está sendo enviada.
Em relação à margem direita, ela pode, conforme Instrução de 1982, não estar
alinhada. Porém, com o uso do computador cada vez mais disseminado, a ten-
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dência é manter o alinhamento, clicando-se o ícone “justificar”.


Registre-se que a entrada de cada parágrafo já deixou de existir e a separação
entre parágrafos é feita por uma linha em branco. Essa orientação é válida in-
clusive para o último parágrafo, cuja tendência é resumir-se na palavra “aten-
ciosamente”.
Esperando que as novas normas reflitam o espírito de modernidade da Empre-
sa, desejamos sucesso.
Atenciosamente,
Carlos Lira
adaptado de GOLD, 2005

129
Comunicação nas Empresas

5.4  Dicas para redação de relatórios e cartas


A redação de um relatório deve levar em conta que outras pessoas
lerão aquilo que você produziu. Por isso, é sempre bom se colocar no lu-
gar dos que vão ler ou ouvir a leitura de seu relatório.
Considere, ao fazer seu relatório, a necessidade de uma boa pesqui-
sa para que todos os elementos necessários estejam presentes no texto.

E você vai relatar suas atividades, verifique cada fato para assegurar
sua precisão. Se você foi chamado para fazer um relatório sobre um
assunto específico – um produto novo, por exemplo –, liste o que
necessita saber em uma série de pontos. Procure as fontes ao seu al-
cance e confira se está cobrindo todos os aspectos. Antes de finalizar,
faça com que as informações obtidas em uma fonte sejam confirma-
das por no mínimo mais uma autoridade (HELLER, 2000, p. 48).

Na elaboração do relatório, tenha cuidado com sua estrutura, pois


isso poderá contribuir para a clareza e objetividade na apresentação das
informações.

Escreva o objetivo do relatório e resuma as conclusões principais


no parágrafo de abertura. No corpo do relatório, apresente os fatos
que comprovam suas conclusões; apresente-os em uma sequência
lógica, em parágrafos numerados. Também use títulos e subtítulos,
pois ajudam na hora de procurar as informações-chave. Use negrito
ou sublinhe palavras para enfatizar certos aspectos. Termine o rela-
tório com breves recomendações de ação (HELLER, 2000, p. 48).

Essas dicas não devem ser vistas como regras rígidas e infalíveis,
mas como sugestões que devem ser contextualizadas e adaptadas de acor-
do com as necessidades e realidade de cada situação.

Nesse sentido, veja mais algumas dicas: Conexão:


Outras recomendações e
Torne interessante cada informação. sugestões sobre a linguagem
Enfatize os fatos e descobertas mais empresarial, especificamente nas
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importantes. correspondências, podem ser conferi-


das no link abaixo:
Não enrole nem escreva parágrafos <http://www.bestreader.com/port/
longos e sem pausa. txcomoescrever.htm>

130
Correspondência nas Empresas – Capítulo 5

Não abuse do pronome pessoal “eu” nem deixe seus preconceitos


aparecer.
Não se desvie do assunto e não saia pela tangente.
Não tire conclusões a partir de dados insuficientes.
Não apresente seu relatório sem checar as fontes de informação
(HELLER, 2000, p. 48).
Vamos agora a algumas dicas sobre a redação de cartas.
Além de ir direto ao ponto e escrever com clareza, dicas importantes
quando se trata de redação de carta comercial, alguns autores sugerem
estruturar a carta a partir de um princípio que eles denominam de “mala
direta”. Veja as sugestões extraídas de Heller (2000, p. 33):
Chame a atenção do leitor dizendo por que você está escrevendo.
Use humor quando apropriado.
Desperte o interesse do leitor alimentando sua curiosidade sobre o
que você está dizendo.
Provoque o desejo do leitor fazendo o seu produto ou proposta soar
atraente.
Convença o leitor de que sua carta é autêntica oferecendo referên-
cias ou garantias.
Estimule a iniciativa do leitor explicando o que você espera que ele
faça.

5.5  Correspondência oficial


Destacaremos brevemente algumas correspondências oficiais: o me-
morando, o ofício, o requerimento e a ata.

5.5.5  O ofício
É um tipo de correspondência oficial muito comum, servindo para
comunicação entre autoridades, instituições e empresas. Geralmente, suas
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características são:
a) Papel formato ofício, sem pauta, timbrado, de 22 cm por 33 cm;
b) epígrafe (local e data, número e ementa);
c) invocação (indicação da autoridade a quem é dirigido);
d) contexto (mensagem);
e) fecho (expressão de cortesia, assinatura e cargo do remetente);
f) direção (nome, cargo e endereço do destinatário).
Os parágrafos de um ofício costumam ser numerados a partir do
segundo (RIBEIRO, 2005, p. 414).
131
Comunicação nas Empresas

5.5.6  O requerimento
É uma solicitação dirigida a determinada autoridade. Suas princi-
pais características, de acordo com Ribeiro (2005, p. 415), são:
a) papel ofício, com margem à esquerda de 5 cm e de 1 cm à direita;
b) vocativo – título funcional do destinatário, precedido de Ilmo.
Sr. Ou Exmo., de acordo com a autoridade a que é dirigido.
c) espaço de oito a dez linhas para o despacho da autoridade;
d) preâmbulo – após o espaço relativo ao parágrafo, faz-se a quali-
ficação do requerente (nome, nacionalidade ou naturalidade, pro-
fissão, estado civil, residência, local de exercício da função etc.);
e) contexto – parte em que o requerente expõe resumidamente o
seu pedido, justificando sempre que necessário;
f) fecho – com as expressões “Nestes termos” (na primeira linha
logo abaixo do contexto) e “Pede deferimento” na linha se-
guinte. Nas petições em juízo há outras fórmulas;
g) localidade e data – imediatamente após o fecho;
h) assinatura – na linha logo abaixo.

5.5.7  Ata
É um resumo dos fatos, resoluções e ocorrências de reuniões e
assembleias em geral. Obedece a algumas normas, como escrever tudo
seguidamente, sem rasuras, nem entrelinhas. Geralmente, há um livro pró-
prio para atas (RIBEIRO, 2005, p. 415).

Atividades
01. Como você resolveria a ambiguidade das frases abaixo?
a) O gerente conversou com o supervisor em sua sala.
b) Encontrei um funcionário entre o grupo que estava uniformizado.”

02. A partir da lista de características abaixo, marque sim ou não confor-


me a pertinência para o texto empresarial.
Vocabulário sofisticado ( ) sim ( ) não
Clareza ( ) sim ( ) não
Vocabulário simples e formal ( ) sim ( ) não
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Objetividade ( ) sim ( ) não


Frases curtas ( ) sim ( ) não

132
Correspondência nas Empresas – Capítulo 5

Frases longas ( ) sim ( ) não


Frases rebuscadas ( ) sim ( ) não
Gramática correta ( ) sim ( ) não
adaptado de GOLD, 2005, p. 6

Reflexão
Considere que as correspondências oficiais, comerciais ou empresa-
riais não deixam de ser documentos, por isso, é importante usar a língua
adequadamente nesses textos e seguir as normas ou padrões estabeleci-
dos. A forma como tratamos a língua portuguesa nas correspondências e
nos documentos profissionais revelará, em parte, a qualidade e o cuidado
de uma empresa ou instituição.

Leituras recomendadas
Se você deseja saber mais sobre normas de correspondência e a res-
peito de padronização de documentos oficiais, consulte e leia atenciosa-
mente a Instrução normativa nº 4, de 6 de março de 1992, da Secretaria da
Administração Federal. Você também pode conferir o Manual de Redação
da Presidência da República na Internet: <https://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/manual/ManualRedPR2aEd.doc>
Você pode investir no aprendizado sobre produção textual lendo
artigos que tratam do assunto. Uma sugestão é o artigo “A dinâmica da
redação criativa: as estratégias que preparam o terreno para quem quer
escrever textos mais dinâmicos e criativos”, de Luiz Costa Pereira Junior,
publicado na Revista Língua Portuguesa, disponível em: <http://revista-
lingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11730> .

Referências bibliográficas
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