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Existe Diferença entre a Lei Moral e a Cerimonial?

Às vezes, encontramos nas Escrituras Sagradas algumas afirmações que parecem se


contradizer. Uma hora ela fala que a lei é eterna e não pode ser abolida; outra hora, que a lei
passou. A que se deve essa aparente confusão? E como oficialmente as diversas denominações
cristãs têm interpretado a questão da divisão de leis?

A cristandade, em seus mais variados ramos denominacionais, nunca teve em seu conceito a
inexistência da divisão de leis, que a lei é supostamente “una”, que não há preceits de
caráter moral, cerimonial, civil ou que os Dez Mandamentos não têm nada a ver com a Lei de
Cristo nem com os princípios de “amar a Deus sobre todas as coisas” e “ao próximo como a ti
mesmo”, apenas por tais dizeres simplesmente nem aparecerem nas tábuas da lei.

De tudo que está registrado, veremos que a posição oficial expressa nos documentos
confessionais cristãos históricos é que a lei divina nas Escrituras se apresenta, dentre outras
formas, em:
—> Lei Moral — sumariada nos Dez Mandamentos, e
—> Lei Cerimonial — representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.
Sendo que a parcela cerimonial, por ser prefigurativa do sacrifício de Cristo, findou na cruz,
mas os mandamentos de caráter moral prosseguem válidos e vigentes para os cristãos, devido
a sua natureza eterna. Fato esse reconhecido por doutíssimas autoridades em Teologia do
presente e do passado, pertencentes às mais diferentes confissões. Isso sim é o que sempre
constituiu o pensamento geral de toda a cristandade, e não somente “aparece na teologia
adventista”, como alegam alguns mal-intencionados, tola e estupidamente dizendo que essa
classificação de leis só é feita “para salvar a guarda do sábado”.
—> Assembléia de Deus

Eis um comentário bíblico muito usado nos meios pentecostais, cujas “notas e comentários
são de inteira responsabilidade da Casa Publicadora das Assembléias de Deus” (p. IV), que nos
responde a questão com esta clara definição:

“Se Jesus não veio abolir a lei, todas as leis do A.T. ainda se aplicam a nós hoje? É preciso
lembrar que havia três categorias de leis: a cerimonial, a civil e a moral.
“(1) A Lei Cerimonial diz respeito especificamente à adoração por parte de Israel (Levítico
1.2,3). Seu propósito primário era apontar adiante, para Cristo, portanto, não seria mais
necessária depois da morte e ressurreição de Jesus. Mesmo não estando mais ligados à lei
cerimonial, os princípios que constituem a base da adoração — amar e adorar a Deus Santo —
ainda se aplicam. Jesus foi frequentemente acusado pelos fariseus de violar a lei cerimonial.
“(2) A Lei Civil se aplicava à vida cotidiana em Israel (Deuteronômio 24.10,11). Pelo fato de a
sociedade e a cultura modernas serem tão radicalmente diferentes das daquele tempo, esse
código como um todo não pode ser seguido. Mas os princípios éticos contidos nos
mandamentos são atemporais, e devem guiar nossa conduta. Jesus demonstrou estes
princípios por meio de sua vida exemplar.
“(3) A Lei Moral (como os Dez Mandamentos) é a ordem direta de Deus, exige uma obediência
total (Êxodo 20.13), pois revela sua natureza e vontade. Assim, ainda é aplicável em nossos
dias. Jesus obedeceu completamente à Lei Moral.” — Extraído de “Bíblia de Estudos e
Aplicação Pessoal”, p. 1224 do Novo Testamento. Ver comentário sobre Mateus 5:17.
Tradução de Almeida. CPAD — “Casa Publicadora das Assembléias de Deus”. Grifos
acrescentados.

O Pr. Orlando Spencer Boyer, teólogo, professor, pastor, comentarista, escritor, e autor de
muitos livros, nos apresenta aquilo que tem aprendido de Deus, em anos de estudo da
Palavra:

“Algumas pessoas dão ênfase à distinção entre mandamentos ‘morais’ e mandamentos


‘cerimoniais’. As exigências ‘morais’ são aquelas que em si mesmas são justas e nunca podem
ser revogadas. Ao contrário, as leis ‘cerimoniais’ são aquelas sobre observâncias, sobre o
cumprimento de certos ritos, por exemplo: os mandamentos acerca dos holocaustos e o
incenso. (…) As leis ‘cerimoniais’ podem ser ab-rogadas na mudança de dispensação, mas não
as leis ‘morais’. É certo que existe tal distinção.” — Em “Marcos: O Evangelho do Senhor”, p.
38–39. Grifos acrescentados.

E o Pr. Antonio Gilberto, também da Assembléia de Deus, confirma:

“A parte moral da lei é eterna e universal”. — Em “Manual da Escola Dominical”, p. 86.

—> Igreja Presbiteriana

O erudito bíblico John D. Davis, autor presbiteriano de um dos mais famosos dicionários
bíblicos que já alcançou várias edições, assegura:

“Os Dez Mandamentos, sendo a lei fundamental e sumária de toda moral, permanecem
firmes; baseiam-se na imutável natureza de Deus e nas relações permanentes do homem
sobre a terra. A respeito do quarto mandamento, disse Jesus: ‘O sábado foi feito para o
homem’; segue-se, pois, que a lei permanece em toda sua força enquanto o homem existir
sobre a terra.
“A Lei Cerimonial a que se refere a Carta aos Hebreus 8:7, como o primeiro pacto, ela a
declara como antiquada e prestes a perecer, v.13 comparar com os caps. 8 a 10. O apóstolo
não julgou necessário obrigar a ela os gentios, atos 15:23–28. Tinha função transitória,
apontando para cristo, nosso sumo pontífice por meio de seu sacerdócio, de seus sacrifícios,
de suas cerimônias e de seus símbolos. Chegado que foi o antítipo, cessaram de uma vez os
tipos, sem contudo perder de vista a importância que eles tem em todas as idades futuras.” —
Em “O Novo Dicionário da Bíblia”, p. 356–357. Grifos acrescentados.

Vejamos qual a posição oficial presbiteriana encontrada na “Confissão de Fé de


Westminster”:

“III. Além dessa lei (os Dez Mandamentos), geralmente chamada Lei Moral, foi Deus servido
dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que
contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e
prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em
parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo
Testamento.
“IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que
terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua
eqüidade geral.” — Em “Confissão de Fé de Westminster” (1647), cap. XIX. Grifos
acrescentados.
O Dr. Albert Barnes, respeitado comentarista presbiteriano, em seu comentário sobre Mateus
5:18 e 19, declara:

“As leis dos judeus estavam geralmente divididas em morais, cerimoniais e judiciais. As leis
morais são aquelas que emanam da natureza das coisas, que não podem, por conseguinte, ser
mudadas — tais como o dever de amar a Deus e Suas criaturas. Estas não podem ser abolidas,
pois jamais poderá ser correto odiar a Deus ou aos nossos semelhantes. Dessa natureza são os
Dez Mandamentos; e estes, nosso Salvador não aboliu nem suprimiu.
“As leis cerimoniais são as determinadas para atender a certos estados da sociedade, ou
regulamentar ritos religiosos e cerimônias do povo. Estas poderão ser mudadas quando
mudarem as circunstâncias, e não obstante, a Lei Moral permanece inalterável.
“Aprendemos, portanto: 1. Que toda a Lei de Deus é obrigatória para os cristãos. (Comparar
com S. Tiago 2:10). 2. Que todos os mandamentos de Deus devem ser ensinados, em seu lugar
apropriado, pelos ministros cristãos. 3. Que aqueles que pretendem que haja leis de Deus tão
pequenas que não precisem obedecer-lhes, são indignos de Seu reino. 4. Que a verdadeira
piedade demonstra respeito para com todos os mandamentos de Deus. (Comparar com Salmos
119:6).” — Em “Notes, Explanatory and Practical on the Gospel” (1860), vol. 1, p. 65–66.
Grifos acrescentados.

E eis a excelente exposição do ministro presbiteriano Mauro Fernando Meister:

“Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:


“(a) A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel.
Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade. (…)
“(b) A Lei Religiosa (Cerimonial) tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de
Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida
com sua vinda. (…)
“(c) A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando
suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas
as épocas e ocasiões. (…)
“Assim sendo, é fundamental que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de
lei o texto se refere e conhecer, então, a aplicabilidade dessa lei ao nosso contexto. As leis
civis e cerimoniaisa lei que permanece ‘vigente’ em nossa e em todas as épocas é a Lei Moral.
Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje”.

—> Igreja Batista

Eis as seguintes declarações de um teólogo batista que muito estudou a Bíblia:

“Jesus não deu um novo código moral. Ele não foi um segundo Promulgador de leis, como
Moisés. Ele era muito superior, e Seus ensinos morais situam-se num plano muito mais
elevado do que os de Moisés. Ele não Se preocupava tanto com enunciar regras detalhadas
para regular a vida moral, e sim em enunciar princípios eternos pelos quais os homens deviam
viver sob Deus e em falar sobre motivos e propósitos que deviam governar todos os nossos
atos.
“Jesus não concedeu um novo código, mas também não disse que os ensinamentos do Velho
Testamento estavam suspensos. As leis cerimoniais e ritualísticas do Velho Testamento foram
ab-rogados para o cristão, mas não os Dez Mandamentos.” — J. Philip Hyatt, “The Teacher”
(publicação batista), outubro de 1943, vol. 57, nº 10, p. 5.

O renomado teólogo batista Weldon E. Viertel afirma o seguinte quanto à divisão de leis:

“A Lei pode ser dividida em três tipos: cerimonial, civil e moral. (…) De acordo com o livro de
Hebreus, as leis cerimoniais eram sombras de Cristo. A sombra foi substituída pela realidade
de Cristo e Seu ato redentor. As leis cerimoniais foram cumpridas; portanto, a Igreja não
observa as leis sacrificiais e os festivais. As leis cerimoniais foram aplicadas a Cristo, em
grande parte pelo uso da tipologia.
“… A Lei Moral continua efetiva; todavia, Cristo deu-lhe outro nível de sentido e aplicação.
Lidou com a raiz das atividades éticas, incluindo atividades e motivos (o coração do
homem).” — Em “A Interpretação da Bíblia”, p. 194.
O Pr. Antonio Neves de Mesquita, Doutor em Teologia, e professor de seminários teológicos
batistas de grande projeção, registra estas palavras:

“O concerto divide-se em três partes: Lei Moral ou os Dez Mandamentos (20:1–17); Lei do
Altar ou Cerimonial, meio de aproximação a Deus (20:22–26 e o livro de Levítico); e Lei Civil
(21:1–23:19).” — Em “Estudo no Livro de Êxodo”, p. 131. Grifos acrescentados.

Veja o que se encontra no próprio “Catecismo da Doutrina Batista”:

“Todos nós temos a obrigação de cumprir a Lei Moral… que é a que nos prescreve as
obrigações para com Deus e o próximo. (…) A lei se acha expressa com maior minuciosidade
nos Dez Mandamentos, dados por Deus a Moisés no Sinai.” — Por Pr. W. D. T. MacDonald, p.
28–29. Grifos acrescentados.

E a posição oficial batista, extraída da Confissão de Fé de Londres (1689):

“Além desta lei (os Dez Mandamentos), comumente chamada de Lei Moral, Deus houve por
bem dar leis cerimoniais ao povo de Israel, contendo diversas ordenanças simbólicas: em
parte, de adoração, prefigurando Cristo, as suas graças, suas ações, seus sofrimentos, e os
benefícios que conferiu; e, em parte, estabelecendo várias instruções de deveres morais.
“As leis cerimoniais foram instituídas com vigência temporária, pois mais tarde seriam ab-
rogadas por Jesus, o Messias e único Legislador, que, vindo no poder do Pai, cumpriu e
revogou essas leis.
“Deus também deu diversas leis judiciais ao povo de Israel, que expiraram juntamente com o
antigo Estado de Israel e agora não possuem caráter obrigatório” — Art. XIX, tomo III e IV.
Grifos acrescentados.

—> Igreja Luterana

Diz a “Confissão de Fé Helvética”:

“Para maior clareza, distinguimos: a Lei Moral contida no Decálogo ou nas duas Tábuas e
expostas nos livros de Moisés; a Lei Cerimonial, que determina as cerimônias e o culto de
Deus; e a Lei Judiciária, que versa questões políticas e domésticas.” — Em “Da Lei de Deus”.

A posição oficial da Igreja Luterana pode ser exposta nas palavras de um dos seus catecismos
mais conhecidos:

“23. Que espécies de leis deu Deus no Velho Testamento?


“Três espécies: 1. A Lei Eclesiástica Cerimonial; 2. A Lei Civil; 3. A Lei Moral.
“24. Qual destas leis está ainda em vigor?
“A Lei Moral, a qual está contida nos Dez Mandamentos.
“25. Pode esta lei ser abolida?
“Não; pois ela está fundamentada sobre a natureza santa e justa de Deus.” — Em “Epítome of
Pontoppidan’s Explanation of Martin Luther’s Small Catechism” (1935), p. 6–7. Grifos
acrescentados.

Vejamos o que as autoridades luteranas declaram sobre o catecismo que acabamos de citar
acima:

“Catecismo Menor — É um livro… escrito pelo Doutor Martinho Lutero em 1529. O Catecismo
Menor contém as partes principais da doutrina cristã. São elas: Os Dez Mandamentos; O Credo
(Apostólico); O Pai Nosso; O Sacramento do Santo Batismo; (…) Estas doutrinas foram tiradas
da Escritura Sagrada.” — Em “História das Confissões Luteranas”, art. 4. Grifos
acrescentados. Esse catecismo pode ser encontrado no seguinte web
site: http://www.textosdareforma.net/modules.php?
op=modload&name=News&file=article&sid=22&mode=thread&order=0&thold=0 (acessado a
22/09/2007).
—> Igreja Metodista

John Wesley nos respondeu sua firme posição nos “Trinta e Nove Artigos de Religião” (1571),
documento confessional há séculos acatado não só por metodistas, mas também por
metodistas livres, episcopais e anglicanos, ao estipular em seu artigo 7, sobre a lei divina:

“O Velho Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto Velho como Novo,
se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único mediador entre Deus e
o homem sendo ele mesmo Deus e homem. (…) Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de
Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devem ser
recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há
cristão algum que esteja isento, da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.” —
Ver também em “Constituição da Igreja Metodista Episcopal”, em “Methodist Episcopal
Church Doctrines and Discipline” (1928), p. 7. E em “Free Methodist Discipline”. Grifos
acrescentados. Essa confissão de fé pode ser encontrada no seguinte
website: http://www.monergismo.com/textos/credos/39artigos.htm (acessado a
22/09/2007).

Posição confirmada por outro documento oficial da denominação, o “Catechism” da Igreja


Metodista, números 1 e 2, onde encontra-se este ensinamento catequético:

“Pergunta: Que requer do homem?


“Resposta: Obediência a Sua vontade revelada.
“Pergunta: Qual é a norma de nossa obediência?
“Resposta: A Lei Moral.
“Pergunta: Onde é a Lei Moral apresentada?
“Resposta: Nos Dez Mandamentos.
“Pergunta: Estão todos os cristãos sob a obrigação de guardar a lei?
“Resposta: Sim” — N° 1, p. 18; n° 2, p. 38. Grifos acrescentados.

E no “Buck’s Theological Dictionary”, usado muito por metodistas e episcopais ou anglicanos,


em seu artigo sobre a “Lei”, há estas afirmações:

“A Lei Moral é aquela declaração da vontade de Deus que orienta e obriga moralmente a
todos os homens, em todas as épocas e em todos os lugares, em seu inteiro dever para com
Ele. Ela foi solenissimamente proclamada pelo próprio Deus no Sinai. (…) É chamada perfeita
(Sl. 19:7), perpétua (Mt. 5:17 e 18), santa, boa (Rm. 7:12), espiritual (Rm. 7:14), amplíssima
(Sl. 119:96).” — P. 230.

—> Igreja Congregacional

O capítulo 24 de “Os Vinte e Oito Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do
Cristianismo” tem por título “Da Lei Cerimonial e dos Ritos Cristãos” e declara o seguinte:

“Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo ministério de Moisés, eram sombras de bens
vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram. Os ritos cristãos são somente dois: o
batismo d’água e a Ceia do Senhor.”

A “Declaração de Savóia” contém a mesma “Confissão de Fé de Westminster” que declara:

“III. Além dessa lei (os Dez Mandamentos), geralmente chamada Lei Moral, foi Deus servido
dar ao seu povo de Israel, considerado uma igreja sob a sua tutela, leis cerimoniais que
contêm diversas ordenanças típicas. Essas leis, que em parte se referem ao culto e
prefiguram Cristo, as suas graças, os seus atos, os seus sofrimentos e os seus benefícios, e em
parte representam várias instruções de deveres morais, estão todas ab-rogadas sob o Novo
Testamento.
Hb.10:1; Gl.4:1–3; Cl.2:17; Êx.12:14; I Co.5:7; II Co.6:17; Cl.2:14,16–17; Ef.2:15–16.
“IV. A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus deu leis civis que
terminaram com aquela nacionalidade, e que agora não obrigam além do que exige a sua
eqüidade geral.
Êx.21:1–36,22:1–29; Gn.49:10; Mt.5:38–39.” — Cap. XIX. Grifos acrescentados.

—> Igreja Anglicana/Episcopal

No “Buck’s Theological Dictionary”, usado muito por metodistas e episcopais ou anglicanos,


em seu artigo sobre a “Lei”, há estes afirmações:

“A Lei Moral é aquela declaração da vontade de Deus que orienta e obriga moralmente a
todos os homens, em todas as épocas e em todos os lugares, em seu inteiro dever para com
Ele. Ela foi solenissimamente proclamada pelo próprio Deus no Sinai. (…) É chamada perfeita
(Sl. 19:7), perpétua (Mt. 5:17 e 18), santa, boa (Rm. 7:12), espiritual (Rm. 7:14), amplíssima
(Sl. 119:96).” — P. 230. Grifos acrescentados.

E direto da lição da escola dominical da denominação, podemos extrair o seguinte:

“A Lei Moral é parte da lei natural do Universo. Justamente como uma lei natural violada, no
mundo material, traz suas conseqüências inevitáveis, assim a Lei Moral transgredida traz suas
inevitáveis conseqüências nos mundos espiritual e mental.” — Extraído de “The Episcopal
Church Sunday School Magazine” (Revista da Escola Dominical), junho-julho de 1942, p. 183-
184. Grifos acrescentados.

—> Igreja Católica

Vamos atentar para o que escreveu o erudito Pe. Júlio Maria, esclarecendo o problema:

“Os preceitos do Antigo Testamento dividem-se em três gêneros:


“1º Os preceitos morais, que prescrevem aos homens os seus deveres para com Deus e para
com o próximo.
“2º Os preceitos cerimoniais, que indicam os ritos exteriores e as cerimônias que os judeus
deviam seguir no culto divino.
“3º Os preceitos judiciais, que determinam o modo de administrar a justiça ao povo.
“Destes três gêneros de preceitos, só o primeiro fica em pé, integralmente; os outros
preceitos só têm o valor que lhes comunica a palavra de Jesus Cristo.
“A lei antiga, na sua parte cerimonial, era apenas uma figura da nova lei, e é por isto que
cessou, desde que foi promulgada a lei nova.” — Em “Ataques Protestantes”, p. 96–97. Grifos
acrescentados.

Segundo os católicos, os preceitos morais permanecem; os cerimoniais, eram uma figura,


“sombra dos bens futuros”, e foram substituídos pela Realidade: Cristo; e os judiciais, só
existiram enquanto havia a nação de Israel como uma teocracia (governada por Deus)! E os
dez mandamentos morais tratam do amor a deus e do amor ao próximo.

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“Escute as minhas palavras e preste atenção em tudo o que vou dizer…
“Darei a minha opinião com franqueza; as minhas palavras serão sinceras, vindas do coração.”
(Jó 33:1,3).

Por Marllington Klabin Will

Publicado em Julho 30, 2009 por Adventismo em Foco (adventismoemfoco.wordpress.com)


http://selofinal.blogspot.com.br/2009/08/existe-diferenca-entre-lei-moral-e.html