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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA SUL MARANHENSE

ANTIGO TESTAMENTO II – HISTÓRICOS, POÉTICOS E PROFÉTICOS


PROF. Pr. Silas W. S. Chaves

LIVROS HISTÓRICOS
Os doze livros históricos fazem um apanhado da história de Israel onde ela foi deixada no
final de Deuteronômio. Estes livros descrevem:
 as ocupações e
 o assentamento de Israel na Terra Prometida,
 a transição dos juízes à monarquia,
 a divisão e o declínio do reino,
 os cativeiros do reino do norte e do sul e
 o regresso do remanescente.

Os livros históricos apresentam-se sob três divisões:


LIVROS HISTÓRICOS
TEOCRÁTICOS MONÁRQUICOS RESTAURAÇÃO
Josué 1 e 2 Samuel Esdras
Juízes 1 e 2 Reis Neemias
Rute 1 e 2 Crônicas Ester
1405- 1043 a.C. 1043 – 586 a.C. 536 – 420 a.C.

SÍNTESE DOS LIVROS HISTÓRICOS


OS LIVROS TEOCRÁTICOS
Os livros teocráticos cobrem a conquista e o estabelecimento em Canaã e a vida durante o
tempo dos juízes.
Josué
A primeira metade de Josué descreve os sete anos de conquista da Terra Prometida por
meio da fé e obediência de Josué e do povo. Depois de sua preparação espiritual e física, os
israelitas tomaram a terra em três campanhas: central, sul e norte. A última parte do livro detalha
a partilha da terra entre as doze tribos e termina com o desafio lançado por Josué ao povo.
Juízes
A desobediência em Juízes se põe em franco contraste à fiel obediência encontrada em
Josué. Os israelitas não expulsaram todos os cananeus, e assim começaram a participar de sua
idolatria. O livro de Juízes registra sete ciclos de opressão estrangeira, arrependimento e
livramento. O povo não conseguiu aprender com esses ciclos, e o livro termina em duas
ilustrações de idolatria e imoralidade.
Rute
Este pequeno livro lança um raio de luz num período de trevas. A história de Rute ocorreu
no fim dos dias juízes, mas é uma poderosa ilustração de justiça, amor e fidelidade ao Senhor.

OS LIVROS MONÁRQUICOS

Estes seis livros traçam a história da monarquia de Israel, desde o seu estabelecimento em
1043 a.C. até à sua destruição em 586 a.C.

“PROCURA APRESENTAR-TE A DEUS APROVADO, COMO OBREIRO QUE NÃO TEM DE QUE SE
ENVERGONHAR, QUE MANEJA BEM A PALAVRA DA VERDADE.” 2 Tm 2.15 Páá giná 1
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1 Samuel
O profeta Samuel ajudou Israel a vencer a transição dos juízes à monarquia. O povo
clamou por um rei, e Deus mandou que Samuel ungisse a Saul. Este começou bem, mas logo
degenerou num ímpio tirano. Davi se tornou o rei eleito de Deus, mas foi perseguido pelo
ciumento Saul, cujas intenções homicidas só foram refreadas pela morte.
2 Samuel
Com o falecimento de Saul, Davi reinou por sete anos sobre Judá, e outros trinta e três
anos sobre as doze tribos unidas. Seu reinado se caracterizou por grande bênção, até que ele
cometeu adultério e homicídio. Desse ponto até a sua morte, ele foi atormentado por lutas
pessoais, familiares e nacionais.
I Reis
Salomão conduziu o reino ao se zênite político e econômico, mas o mais sábio dos
homens procedeu insensatamente em seus múltiplos casamentos com mulheres estrangeiras. Após
sua morte em 931 a.C., o reino foi tragicamente dividido, quando as dez tribos de Israel ao norte
estabeleceram seu próprio rei. Apenas o reino de Judá, ao sul, duas tribos, permaneceu sujeito à
dinastia davídica.
2 Reis
A história do reino dividido continua em 2 Reis, conduzindo Israel e Judá ao seu amargo
fim. Nenhum dos dezenove reis de Israel fez o que era reto aos olhos de Deus, e sua corrupção os
levou à servidão nas mãos dos assírios, em 722 a.C. Judá durou mais tempo, porquanto oito de
seus vinte governantes seguiram o Senhor. Judá, porém, também caiu em juízo e foi levado pelos
babilônios entre 605 a.C. e 586 a.C.
1 Crônicas
Os livros de Crônicas fornecem uma perspectiva divina da história de Israel desde o
tempo de Davi até os dois cativeiros. O primeiro livro começa com uma genealogia em nove
capítulos, de Adão até a família de saul, seguido por um relato espiritualmente orientado da vida
de Davi.
2 Crônicas
Este livro continua a narrativa com a vida de Salomão, e focaliza a construção e a
dedicação do templo. Então traça a história dos reis de Judá, apenas apresentando as razões
morais e espirituais para sua ruína final.

OS LIVROS DA RESTAURAÇÃO

Os últimos três livros descrevem o regresso de um remanescente dos judeus à sua pátria
depois de setenta anos (605-536 a.C.) de cativeiro. Eles foram trazidos no período de 536-420
a.C. por Zorobabel, Esdras e Neemias.

Esdras
A Babilônia havia sido conquistada pela Pérsia em 539 a.C., e Ciro promulgou um
decreto em 536 a.C., permitindo que os judeus regressassem à Palestina. Zorobabel levou cerca
de cinqüenta mil judeus para Jerusalém com o propósito de reconstruir o templo, e anos mais

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tarde (458 a.C.) Esdras, o sacerdote, regressou com quase dois mil judeus.
Neemias
O templo foi construído, mas os muros de Jerusalém ainda permaneciam em ruínas.
Neemias obteve permissão, suprimentos e dinheiro do rei da Pérsia para a reconstrução dos
muros (444 a.c.). Depois que os muros foram erguidos, Esdras e Neemias guiaram o povo a um
reavivamento e a reformas.
Ester
A história do livro de Ester se situa entre os capítulos 6 e 7 de Esdras. A maioria dos
judeus prefere permanecer na Pérsia, mas se vê em perigo em virtude de um plano para sua
exterminação. Deus soberanamente intervém e usa Ester e Mordecai para salvar o povo.

LIVROS POÉTICOS

Até recentemente, poucas pessoas sabiam que um terço da Bíblia hebraica foi escrito
em forma de poesia. Isso ficou mais evidente quando as seções poéticas foram excluídas das

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seções em prosa em algumas traduções inglesas. De fato, só há cinco livros do Antigo


Testamento que parecem não ter nenhuma poesia: Levítico, Rute, Esdras, Ageu e Malaquias.
Os cinco livros ora conhecidos como livros poéticos servem de articulação que liga o
passado dos livros históricos ao futuro dos livros proféticos. Estes livros exploram o presente
experimental e enfatizam um estilo de vida de piedade. Diferentemente do Pentateuco e dos
doze livros históricos, os livros poéticos não desenvolvem a história da nação de Israel. Aliás,
eles sondam profundamente questões cruciais como dor, Deus, sabedoria, vida e amor - tudo
no tempo presente.

SÍNTESE DOS LIVROS POÉTICOS


Este foi um homem justo que de repente se enredou numa intensa provação de todo
gênero de sofrimento. Ele passou por três ciclos de debate com seus amigos, os quais
insistiam que sua desgraça era oriunda do pecado. Quando Deus finalmente se manifestou a
Jó em sua majestade e poder, então tomou-se evidente que o que estava realmente em pauta
não era o sofrimento de Jó, mas a soberania de Deus. As perguntas de Jó nunca foram
respondidas, mas ele espontaneamente se submeteu à sabedoria e justiça de Deus.

Salmos
Os cinco livros abarcam os séculos desde Moisés até o período pós-exílio e cobrem todas
as áreas das emoções e experiências humanas. A ampla variedade dos Salmos (lamento, ação de
graças, louvor, entronização, peregrinação etc.) os ajustou ao serviço como hinário do templo
para o povo de Israel. Os salmos foram musicados e focalizavam o culto.

Provérbios
O Livro de Provérbios foi planejado para capacitar o leitor com sabedoria, discernimento,
disciplina e prudência práticos. Essas máximas enfatizam O desenvolvimento da habilidade em
todos os detalhes da vida, de modo que a beleza e a justiça substituam a insensatez e o mal
conforme alguém vive na dependência de Deus.

Eclesiastes
O Pregador de Eclesiastes aplicou sua grande inteligência e consideráveis recursos à
busca do propósito e satisfação na vida debaixo do sol. Ele descobriu que a sabedoria, a riqueza,
as obras, o prazer e o poder, todos conduzem à futilidade e a correr atrás do vento. O problema
se compunha das injustiças e incertezas da vida e do aparente absurdo da morte. A única fonte
do significado e realização últimos é Deus mesmo. Portanto, cada um deve reconhecer sua
incapacidade de entender todos os caminhos de Deus, deve confiar nele e obedecer-lhe, bem
como desfrutar de seus dons.

Cantares de Salomão
Este belo cântico retrata a relação máxima de amor entre Salomão e sua esposa Sulamita.

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Magnifica as virtudes do amor físico e emocional no matrimônio.

A Poesia Hebraica

Os cinco livros poéticos ilustram três tipos de poesia:


(1) a poesia lírica - originalmente acompanhada musicalmente ao som da lira, esta poesia
às vezes contém fortes elementos emocionais (a maioria dos Salmos);
(2) a poesia didática - ensina princípios sobre a vida por meio de máximas (provérbios,
Eclesiastes); e
(3) a poesia dramática - diálogo em fonna poética (Jó, Cantares de Salomão).
A poesia hebraica não se baseia na assonância (ritmo) ou na métrica. Ela tem certo ritmo
que é produzido por tensão tonal, mas não é algo proeminente. A chave real para esse tipo de
poesia é o paralelismo, o qual envolve a "rima" de idéias através de cuidadoso arranjo de pensa-
mentos paralelos. Pelo menos seis tipos de paralelismo se distinguem na poesia hebraica:
(1) Paralelismo sinonímico. Aqui a segunda linha reforça o pensamento da primeira,
usando palavras e conceitos similares (ver Jó 38.7; Sl 3.1; 25.4; 49.1; Pv 11.7,25; 12.28).
(2) Paralelismo sintético. A segunda linha acrescenta ou completa a idéia da primeira
(ver Sl 1.1-2; 23.1,5; 95.3; Pv 4.23).
(3) Paralelismo antitético. O pensamento da primeira linha é contrastado na segunda
linha (ver SI 1.6; 18.27; Pv 10.1; 14.34; 15.1).
(4) Paralelismo emblemático. A primeira linha usa uma figura de linguagem para
iluminar o ponto principal comunicado pela segunda linha (ver SI 42.1; Pv 11.22; 25.25; 27.17).
(5) Paralelismo ascendente. A segunda linha repete a primeira com a exceção do último
termo (ver SI 29.1; Pv 31.4).
(6) Paralelismoformal. As linhas se unem sozinhas pelas considerações métricas (ver SI
2.6). O paralelismo se encontra não só em linhas duplas, mas também em linhas tríplices e quá-
druplas, e às vezes nas estrofes inteiras.
A poesia hebraica também se caracteriza por figuras de linguagem vívidas:
(1) Símile. Comparação entre duas coisas que se assemelham de alguma forma (ver Sl
1.3-4; 5.12; 17.8; 131.2).
(2) Metáfora. Comparação na qual uma coisa se declara ser a outra (ver Sl 23.1; 84.11;
91.4).
(3) Implicação. Comparação implícita entre duas coisas nas quais o nome de uma é usado
em lugar da outra (ver SI 22.16; Jr 4.7).
(4) Hipérbole. Uso de exagero para enfatizar um ponto (ver SI 6.6; 78.27; 107.26).
5) Pergunta retórica. Uso de uma pergunta para confirmar ou negar um fato (ver Sl
35.10; 56.8; 94.6; 106.2).
(6) Metonímia. Substantivo usado em lugar do outro em virtude de alguma relação
existente entre os dois (ver Sl 5.9; 18.2; 57.9; 73.9).
(7) Antropomorfismo. Designar uma parte própria do corpo humano à Pessoa de Deus
com o fim de comunicar alguma verdade acerca de Deus (ver Sl 11.4; 18.15; 31.2; 32.8).
(8) Zoomorfismo. Designar uma parte própria do corpo de um animal à Pessoa de Deus

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com o fim de comunicar alguma verdade acerca de Deus (ver Sl 17.8; 36.7; 63.7; 91.4).
(9) Personificação. Atribuir características humanas a objetos inanimados (ver Sl 35.10;
77.16; 96.11; 104.19).
(10) Apóstrofe. Dirigir-se a objetos inanimados (ver Sl 114.5).
(11) Sinédoque. Representação do todo por uma parte ou de uma parte pelo todo (ver Sl
91.5). A imagem visual é claramente predominante nos poetas.
Outra técnica usada na poesia hebraica é o acróstico alfabético - a primeira letra hebraica
numa linha é a primeira letra do alfabeto; a segunda letra é a segunda do alfabeto, assim por
diante. Há diversas variações nesta técnica (por exemplo, Sl 119 e cada capítulo de
Lamentações).
Há também três livros de sabedoria dentro dos livros poéticos; Jó, Provérbios e Eclesiastes.
Estes livros são indicados como tais pelo conteúdo, não pela forma. É provável que houvesse
escolas de sapiência em Israel (ver 1 Sm 24.13; 1 Rs 4.29-34). Estes homens sábios eram
observadores práticos da vida que davam respostas corretas em situações críticas.

INTRODUÇÃO GERAL AOS PROFETAS

1. AUDIÊNCIA DOS PROFETAS

A maioria das mensagens dos Livros proféticos do Antigo Testamento foi dirigida às
gerações do povo de Deus que viveu aproximadamente entre os anos 840 e 420 a.C. As dez
tribos, conhecidas especificamente como o reino de Israel, viviam ao norte de Canaã (região de
Samaria e Galiléia no Novo Testamento) antes de serem deportadas pelos assírios em 722 a.C.
As duas tribos conhecidas como o reino de Judá, viviam ao sul de Canaã, antes de serem captura-
das pelos babilônios em 586 a.C. Isto é mostrado no GRÁFICO A.
O povo de Deus nem sempre esteve dividido em dois. A separação do reino deu-se no final

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do reinado de Salomão, sendo Jeroboão I o primeiro rei do norte, e Roboão o primeiro do sul.
Esta história encontra se registrada em 1 Reis 12-16.
O nome Israel refere-se algumas vezes no Antigo Testamento à nação inteira; caso
contrário, ele se refere apenas às tribos do norte. Neste texto o nome é empregado em seu
sentido abrangente, a não ser que haja uma indicação em contrário. É importante para quem
estuda os livros proféticos familiarizar-se com a audiência deles. Aprenderemos a respeito da
história de Israel e sua condição espiritual nos dias dos profetas, assim como sobre o lugar
ocupado pela nação no plano soberano de Deus. .

II. ISRAEL COMPARADA COM A IGREJA


Em um sentido abrangente, o grande tema do Antigo testamento é Israel e o do Novo
Testamento é a Igreja. Note no GRÁFICO B como a estrutura do Antigo testamento é
construída ao redor de Israel.
1. No Pentateuco (livros da Lei) acha-se registrada a FUNDAÇÃO de Israel.
2. Nos doze livros de História acha-se registrada a HISTÓRIA de Israel.
3. Os cinco livros de Poesia foram escritos por líderes espirituais de Israel, contendo
INSTRUÇÕES para o povo.
4. Os dezessete livros dos Profetas contêm PROFECIAS referentes a Israel.

A estrutura do Novo Testamento concentra-se do mesmo modo ao redor da Igreja.


1. Nos Evangelhos e nos dois primeiros capítulos de Atos acha-se registrada a
FUNDAÇÃO da igreja.
2. O livro de Atos narra a HISTÓRIA da igreja durante uma geração.
3. As vinte e uma Epístolas foram escritas por líderes espirituais da igreja e contêm
INSTRUÇÕES para a mesma.
4. O único livro de Profecia contém PROFECIAS relativas à igreja.

Existem muitas correspondências entre Israel e a igreja, concernentes aos propósitos de


Deus ao escolher ambas, às promessas feitas, e às condições exigidas para que fossem
abençoadas. Veja isso no GRÁFICO C.

III. BREVE RESUMO DA HISTÓRIA DE ISRAEL


A história de Israel, como descrita no Antigo testamento, se divide geralmente em quatro
períodos que podem ser lembrados através de quatro palavras, todas começando com a letra c:
Campo (Acampamento ou Arraial), Comunidade, Coroa, Cativeiro. Veja o GRÁFICO D.
O Período do Acampamento (Campo) estendeu-se desde o chamado de Abraão, fundador
da nação, até Moisés levar o povo às "portas" de Canaã, nas planícies de Moabe. Este período,
durou cerca de 660 anos e sua história encontra-se no Pentateuco
O Período da Comunidade abrangeu a entrada de Israel em Canaã, sob a liderança de
Josué, até a coroação do seu primeiro rei, Saul. Este período de 360 anos é descrito em Josué,
Juízes e Rute.
O Período da Coroa abrangeu desde a coroação de Saul, o primeiro rei, até o cativeiro na

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Babilônia, com uma duração de 460 anos. Sua história acha-se registrada nos seis livros de
Samuel, Reis e Crônicas.
O Período do Cativeiro, inclusive a restauração, se estendeu a partir do cativeiro
babilônico até o final da história do Antigo testamento, com uma duração de cerca de 160 anos.
Sua história é contada em Esdras, Neemias e Ester.
Vamos examinar mais de perto a história de Israel durante cada um desses quatro períodos.

A. Período do Acampamento

O nome do período se deve ao fato de Israel não se achar estabelecida permanentemente


em qualquer terra como nação durante esses anos. O povo viajou a princípio de Ur para Canaã; a
seguir, habitaram temporariamente em Canaã, tendo depois passado a escravos no Egito, e
finalmente peregrinos nos desertos da Península do Sinai. Eles habitaram em tendas durante
todas as suas viagens.
O registro bíblico desta fase da vida de Israel é fascinante. Lemos sobre como Deus
favoreceu grandemente esta nação, visitando-a em sua amargura e escravidão no Egito e livrando
o povo do cativeiro. A história continua contando como o Senhor fez uma aliança com eles,
escolhendo-os entre todos os demais povos para representá-lo no mundo, dando-lhes leis
insuperáveis, manifestando Sua presença entre eles e fazendo-lhes promessas praticamente
inconcebíveis' em sua amplitude e generosidade. Deus tornou possível para Israel, caso
cumprisse as duas condições muito claras de obediência e separação, tomar-se a nação mais pura,
rica e poderosa em toda a face da terra, e como representante de Deus, a soberana do mundo.

B. Período Comunitário

Este novo período teve um excelente começo. A nação, forte na sua fé, cruzou o rio
Jordão sob a chefia de Josué. Eles conquistaram os inimigos, expulsando a maioria deles da
terra, e tomaram posse da sua herança. Durante algum tempo viveram segundo os desejos de
Deus, sendo fiéis a Ele e separando-se de tudo que fosse proibido. Por esta razão; Deus os
abençoou e protegeu esplendidamente, concedendo-lhes poder. As maiores cidades inimigas, as
nações mais fortes e as alianças mais formidáveis eram esmagadas diante de Israel quando o
Senhor estava com eles. E Deus ficou com Israel enquanto os israelitas foram fiéis a Ele.
Mas a nação em breve começou a desviar-se. No início, surgiram pequenas animosidades
devido à inveja entre as tribos. A seguir, ocorreram disputas internas e, por fim, o povo começou
a negligenciar as leis divinas, casando-se e misturando-se com os adoradores de ídolos. Durante
todo o Período Comunitário houve um crescente descontentamento. Israel começou a observar as
nações ao seu redor: o Egito ao sul, a Síria ao norte, a Assíria a nordeste e a Babilônia a leste,
verificando que todas elas tinham algo em comum: um rei humano sentado num trono, cercado
de cortesãos e servos, com toda a pompa e brilho tão caros ao coração humano não regenerado.
Em vez de gloriar-se no fato de serem tão diferentes de todas as outras nações sobre as quais

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Deus os colocara em posição tão destacada, Israel passou a desprezar sua peculiaridade e a
envergonhar-se por não ter um rei visível como o delas.
Perto do fim da vida de Samuel, este descontentamento surgiu à tona na forma de revolta,
e a nação exigiu um rei. O capítulo 8 de 1Samuel conta a triste história deste episódio. O povo
deu como desculpa plausível para sua atitude o fato de Samuel ser velho e seus filhos perversos,
mas o motivo verdadeiro era que não se agradavam de sua "separação" e queriam ser "como
todas as nações", de acordo com os versículos 5, 19 e 20. Deus percebeu claramente que eles
estavam rejeitando o Senhor como Rei (v. 7). Nos versículos 9 a 17 temos a descrição de um rei
humano. Observe a ênfase sobre os pronomes pessoais nesses versículos e verá que a principal
característica desses reis humanos era o egoísmo.
Apesar da advertência solene feita por Deus quanto aos resultados, a nação insistiu em ter
reis humanos. O reino foi estabelecido e durante quase 500 anos Israel prosseguiu aos tropeços
sob a direção desses reis humanos, alguns bons, alguns maus e outros indiferentes; mas todos,
vasta e incomensuravelmente inferiores ao Rei divino a quem haviam rejeitado. Este é o
conteúdo do período seguinte, o Período da Coroa.

C. Período da Coroa

Quando Israel exigiu um rei humano para substituir seu líder Samuel, eles não estavam
na verdade rejeitando a este, mas ao Senhor. "Disse o Senhor a Samuel... não te rejeitaram a ti,
mas a mim para eu não reinar sobre eles" (1 Sam. 8:7). Poderíamos perguntar por que o Senhor
continuou a ocupar-se deles, mesmo depois de ter sido rejeitado. Uma razão é a de que embora
tivessem rejeitado o Senhor como seu Rei, eles ainda O reconheciam como Deus. A rejeição
dEle não era portanto total. Uma razão mais forte é que Deus, em Seu amor e misericórdia, iria
oferecer-lhes uma nova oportunidade, sob o novo esquema governamental; a fim de
reconhecerem Sua autoridade, aceitando a Sua escolha de reis e, também, por obedecerem a
esses reis. (Leia 1 Sam. 8:22; 9:16.)
Os profetas-escritores, cujos livros são objeto de estudo nesta disciplina, ministraram a
Israel durante a maior parte do Período da Coroa, em que todo o povo foi governado pelo rei. É
importante para nós familiarizarmo-nos então com essa época de reis humanos. Um estudo dos
livros de Reis e Crônicas é um bom método de preparação para entrar na pesquisa dos livros
proféticos.
O Período da Coroa abrangeu cerca de 460 anos, estendendo-se de 1043 a 586 a.C. Veja o
GRÁFICO D e note o seguinte:
1. REINO UNIDO. Saul, Davi e Salomão, os três primeiros reis, reinaram sobre as doze
tribos de Israel. Isto constitui o que se conhece por Reino Unido. Nenhum profeta-escritor
ministrou durante essa época.
2. REINO DIVIDIDO. Com a morte de Salomão, seu filho Roboão subiu ao trono. Em
face de seus atos inconsequentes e dominadores (1 Reis 12) dez dentre as doze tribos se
revoltaram contra Roboão e formaram um novo reino, escolhendo Jeroboão como rei e
estabelecendo uma nova capital, Siquém, em Samaria. Durante cerca de 200 anos houve dois
reinos na Palestina, as dez tribos na parte norte do país sob o nome de "Israel" e as duas tribos

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ainda fiéis ao filho de Salomão, ao sul do país, sob o nome de "Judá" . Esta situação constitui o
que se conhece como Reino Dividido. . .
O reino de "Israel" foi fundado sobre a idolatria (veja 1 Reis 12:25-30), tendo ido de mal a
pior. Todos os dezenove reis de Israel foram perversos. Cerca do ano 722 a.C. as dez tribos
haviam se tornado tão obstinadamente idólatras que Deus não as suportou mais, permitindo que
os assírios as atacassem, conquistando-as e levando-as para o seu país como escravas (veja
GRÁFICO A).
3. O REINO REMANESCENTE. Depois de as dez tribos serem levadas pata o cativeiro,
as duas tribos conhecidas como Reino de Judá permaneceram em Canaã durante quase 140 anos.
Judá teve vários reis bondosos que conseguiram que o povo obedecesse relativamente a Deus,
mas o veneno da idolatria que destruíra o reino do norte destruiu também Judá, e em 586 a.C. as
duas tribos foram levadas para o cativeiro na Babilônia, onde serviram por setenta anos (veja o
GRÁFICO A).

D. O Período do Cativeiro (e Restauração)

Pela leitura dos livros de Ester, Daniel e Ezequiel obtemos alguma ideia da vida dos
judeus na Babilônia durante seus setenta anos de escravidão. Embora não se possa dizer que a
opressão tivesse sido severa, as dificuldades e privações físicas, sociais e religiosas foram
sentidas por todos. Aqueles que decidiram manterem-se fiéis ao seu Deus, sofreram es-
pecialmente a perseguição em forma de desprezo e castigo.
Em 539 a.C. a Babilônia foi conquistada por Ciro, rei da Pérsia, que favoreceu os judeus,
permitindo-lhes voltar a Jerusalém e reconstruir o templo (Esdras 1:1-4). Este foi o primeiro de
dois grupos a retornar.
1. PRIMEIRO RETORNO. Em resposta à permissão de Ciro, cerca de 43.000 voltaram
com Zorobabel, no ano 538 a.C. O trabalho no templo não teve início até 536 a.C., setenta anos
depois do cerco de Nabucodonosor- a Jerusalém em 605 a.C.
2. SEGUNDO RETORNO. Em 458 a.C. outro contingente judeu, cerca de 1.800
pessoas, saiu da Babilônia em direção a Jerusalém. Esta volta deu-se sob a liderança de Esdras,
que obtivera concessão do rei Artaxerxes nesse sentido. O propósito da volta de Esdras era levar
a efeito uma reforma religiosa entre os judeus do primeiro retorno que já haviam caído
novamente na apostasia.
Os judeus dos dois retornos acima descritos pertenciam somente ao reino de Judá? A
resposta a esta pergunta é dada quando se responde a uma outra questão: O que aconteceu
eventualmente às dez tribos do norte que foram levadas cativas pelos assírios? T. Nicol
escreve:

Não devemos supor que elas se integraram por completo com os povos onde se
estabeleceram. Podemos perfeitamente acreditar que preservaram suas tradições e
costumes israelitas e se tornaram parte da dispersão judaica através de todo o
Oriente. É bem possível que se tenham finalmente mesclado com os exilados de Judá
levados por Nabucodonosor, e com isso Judá e Efraim tornaram-se uma só nação

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como nunca antes acontecera1.

Os judeus cativos que viviam nas cercanias de Babilônia e que tiveram, finalmente,
permissão para voltar à sua terra representavam então tanto o reino do norte como o do sul. Eles
formavam um só povo no coração.

E. Fases Nacionais Básicas de Israel


A história de Israel, desde o chamado da nação até o presente, acha-se resumida no
Gráfico E.
Note o seguinte:
1. No início do Período da Comunidade, as oportunidades de Israel estavam em seu
apogeu. O Senhor não só era o seu Deus, mas também seu Rei invisível. A Sua lei regulava a
conduta deles em cada detalhe e situação de vida. Enquanto Israel mantivesse esta posição de
adoração sincera e obediência absoluta, nada seria impossível para eles, pois toda a força do
Deus Todo-Poderoso lhes pertencia.
2. No final do Período da Comunidade, a nação regrediu lamentavelmente ao decidir
rejeitar o Senhor como seu Rei, exigindo liderança de um rei humano, fazendo dele seu
conselheiro e legislador. Durante o Período da Coroa o Senhor manteve-se como Deus, mas não
como Rei da nação. .
3. No final do Período da Coroa o povo desceu um novo degrau rejeitando o Senhor
como seu Deus, preferindo adorar ídolos feitos de madeira e ouro. No Período do Cativeiro,
Deus não fez então parte de sua vida ou pensamento nacional, seja como Deus ou Rei. Havia,
porém, judeus que buscavam e adoravam a Deus individualmente, e estes compunham um
remanescente de fiéis.
4. Com a permissão de seus conquistadores, o remanescente fiel voltou à sua terra,
reconstruiu o templo e começou a adorar Deus como Senhor, dando assim um grande passo para
cima.
5. Quando Deus apareceu em carne, na pessoa de Seu Filho, Ele ofereceu-se como Rei
deles, o Messias, por quem aguardavam. Este foi o grande confronto de Israel, o grande convite
para o reino de Deus, mas os judeus rejeitaram Jesus e O crucificaram. ("Os seus não o rece-
beram", João 1: 11.)
6. Da mesma forma que Israel foi dispersa entre as nações por ter rejeitado Deus como
Rei durante o Período da Coroa (Cativeiro), os judeus foram dispersos por todo o mundo em
vista de sua rejeição de Jesus como Rei (Dispersão). O milênio verá a restauração de um
remanescente.
Fizemos até aqui uma análise do cenário histórico dos livros proféticos. Nosso interesse
especial concentrou-se na condição espiritual do povo de Deus nos séculos precedentes e durante
os anos em que os profetas ministraram. Pois essas pessoas constituíram a audiência dos
profetas. Algum conhecimento dessa audiência irá ser útil para nossa apreciação e compreensão
da mensagem profética.
1
The international standard Bible encyclopaedia, ed. James Orr (Grand Rapids: Eerdmans, 1952), I, 571.

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IV. OS PROFETAS DE DEUS

“Profeta" e um termo importante na bíblia, pois trata-se de um: dos poucos títulos oficiais
dados aos homens de Deus que transmitiram Sua palavra a Seu povo. O termo aparece mais de
660 vezes na Bíblia em suas várias formas, dois terços das quais no Antigo testamento.
Neste capítulo focalizaremos os profetas em geral, como introdução ao estudo dos
profetas maiores e menores.

1. O MINISTÉRIO PROFÉTICO
Os cargos de juiz, profeta, sacerdote e rei constituíam posições destacadas em Israel.
Examinemos algumas das funções distintas de uma delas: a do profeta.
A. O Termo "Profetizar"
A principal tarefa dos profetas do Antigo testamento não era prever os eventos futuros,
mas transmitir a vontade de Deus, revelada por Ele aos Seus profetas. Com respeito ao verbo
"profetizar", Gleason Archer2 escreve:

A palavra hebraica "profetizar" é nibba [...] acerca de cuja etimologia há muitas


disputas. A explicação que tem a melhor fundamentação, porém, parece relacionar
esta raiz ao verbo acadiano nabü, que significa "chamar, anunciar, convocar" [...]
O verbo nibba significaria sem dúvida uma pessoa chamada ou nomeada para
proclamar como arauto a mensagem do próprio Deus. Deste verbo se deriva a
palavra características nãbi, profeta, pessoa chamada. Segundo esta interpretação, o
profeta no seria a pessoa chamada por Deus para proclamar como arauto da corte dos
Céus a mensagem que deve ser transmitida de Deus para os homens.

B. Outros Títulos Aplicados aos Profetas

Alguns outros títulos foram também dados aos profetas do Velho Testamento. Os três
mais frequentemente aplicados são os seguintes:
1. "homem de Deus" - sugerindo uma relação espiritual íntima;
2. "vidente" - sugerindo percepção da verdade e discernimento das coisas invisíveis de
Deus (cf. 1 Sm 9:9);
3. "servo" do Senhor.
Os profetas eram também conhecidos como mensageiros do Senhor, homens do Espírito
(cf. Os. 9:7), intérpretes e porta-vozes de Deus.

C. Qualificações do Profeta

2
Gleason L. Archer, Merece Confiança o Antigo Testamento? 3. ed. São Paulo : Vida Nova,
1999, p. 223.
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Damos abaixo algumas das qualificações do elevado cargo de profeta. Ao considerar a


natureza da obra profética, não nos surpreende que as qualificações fossem tão estritas:
1. CHAMADO SOBERANO. A vontade soberana de Deus determinava quem seriam os
Seus profetas (cf. Is. 6; Jr. 1).
2. HABILIDADES ESPECIAIS. Estas eram concedidas pelo Espírito de Deus,
capacitando o profeta a discernir a verdade (como "vidente") e equipando-o com o dom de
comunicar ao povo a revelação de Deus.
3. QUALIDADES ESPIRITUAIS. Estas não eram poucas, incluindo generosidade,
obediência à voz de Deus, amor e fé, coragem e perseverança.

D. A Mensagem do Profeta

Quer o profeta fosse chamado para pregar, escrever ou ambos, sua mensagem era a mesma.
Todas as palavras proféticas do Antigo testamento poderiam ser provavelmente compiladas sob
as quatro amplas áreas de verdade em que o profeta se envolvia, como segue: .
1. INSTRUÇÃO DAS GRANDES VERDADES SOBRE DEUS E O HOMEM. Os
profetas dedicavam muito tempo falando ao povo sobre Deus – Seu caráter, Seu domínio, Seus
propósitos e Sua lei. Eles forneciam também um diagnóstico verdadeiro dá saúde espiritual da
nação como um todo e das almas dos indivíduos.
2. ADVERTÊNCIA E APELO AOS QUE VIVIAM EM PECADO. Não pode ser dito que
Deus faz cair Seu juízo sobre os homens sem um aviso prévio. Os profetas advertiram
repetidamente sobre o juízo vindouro contra o pecado, e exortaram o povo a arrepender-se e
voltar a Deus.
3. CONSOLO E EXORTAÇÃO PARA OS QUE CONFIAVAM E OBEDECIAM A DEUS.
Essas eram as partes boas e alegres das mensagens proféticas. Os últimos capítulos de Isaías
estão cheios dessas notas de esperança e consolação.
4. PREVISÃO DE EVENTOS VINDOUROS. As previsões proféticas focalizavam dois
assuntos principais:
 acontecimentos nacionais e inter- nacionais, tanto no futuro próximo como distante;
e
 a vinda de Jesus, o Messias - a primeira e a segunda vindas.

2. OS PROFETAS ORADORES E ESCRITORES

Todos os profetas de Deus participavam do mesmo propósito para o qual foram


divinamente chamados. Seu principal ministério era transmitir ao povo incrédulo e apóstata de
Israel uma mensagem de Deus (cf. Dt. 18:18-19). Alguns deles, agora chamados de profetas-
escritores (ou literários), foram escolhidos por Deus não apenas para um ministério de pregação
pública, mas também para serem os autores dos livros canônicos de profecia inspirada. Os
demais, hoje referidos como profetas-oradores, ministravam mais através da palavra falada.

A. Os Profetas Oradores
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A Bíblia só cita os nomes de alguns deles. A maioria dos quais não é muito conhecida.
Refira-se ao GRÁFICO D para localizar os seguintes profetas: Aías, Ido, Jeú, Elias, Eliseu,
Odede, Semaías, Azarias, Hananias, Jaziel e Hulda. Podemos acrescentar a estes Natã de Gade,
contemporâneo de Davi; Micaías, e Eliezer. Note no GRÁFICO I que a maioria dos profetas
ministrou antes de terem surgido os profetas escritores.
O cargo de profeta originou-se provavelmente cerca da época de Samuel, que fundou e
presidiu várias escolas para jovens profetas ("grupo de profetas", 1 Sam. 19:20). Esses profetas
são também chamados de profetas-oradores. Com relação a essas escolas, o Comentário Bíblico
Wycliffe afirma:

A origem e história dessas escolas são obscuras. Segundo [1 Sam.] 3:1, antes do
chamado de Samuel como profeta, a palavra de profecia era rara em Israel, não sendo
muito difundida. Não há praticamente dúvida de que esses grupos de profetas
surgiram nos dias de Samuel e foram formados por ele ... Os mesmos podem ter-se
desenvolvido até a época de Elias e Eliseu, existindo apenas ~m Israel e não em
Judá.3

B. Os Profetas Escritores.

Existem dezessete livros de profecia em nossa Bíblia, os quais foram escritos por dezesseis
profetas diferentes, caso Jeremias tenha escrito tanto Lamentações como o livro que leva o seu
nome. Os livros são classificados como Maior ou Menor, de acordo principalmente com seu
tamanho relativo. Como indicado anteriormente, essas profecias foram escritas durante um
período de mais de quatro séculos, desde cerca de 840 a.C. (Obadias) até 420 a.C. (Malaquias).

Escritores dos Livros Proféticos Maiores Escritores dos Livros proféticos Menores
Isaías Oséias Jonas Sofonias
Jeremias Joel Miquéias Ageu
Daniel Amós Naum Zacarias
Ezequiel Obadias Habacuque Malaquias

O GRÁFICO F mostra os três principais períodos em que os profetas ministraram.

1. PRÉ-EXÍLICO. Onze profetas ministraram durante os anos anteriores ao cativeiro na


Assíria (722 a.C.) e na Babilônia (586 a.C.). Note os dois grandes agrupamentos de quatro
profetas em cada:
 CATIVEIRO NA ASSÍRIA: Amós e Oséias, profetas principalmente para Israel;
Isaías e Miquéias, profetas principalmente para Judá.
 CATIVEIRO NA BABILÔNIA: Naum, Sofonias, Jeremias e Habacuque (Judá).
3
Charles F. Pfeifer e Everet F. Harrison (eds.), The Wycliffe Bibe Commentary. Chicago: Moody, 1962, pp. 287-
88.
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 TRÊS PROFETAS ANTERIORES: Jonas (Israel), Obadias e Joel (Judá).


2. EXÍLICO. Dois dos quatro principais profetas foram do período do exílio: Ezequiel e
Daniel. ..
3. PÓS-EXÍLICO. Os três profetas pós-exílicos foram Zacarias, Ageu e Malaquias. Os
dois primeiros ministraram nos anos iniciais da volta de Israel à sua terra, enquanto Malaquias
ministrou no final do período da restauração.
Os profetas escritores, além de compor suas profecias por escrito, também tiveram um
amplo ministério, falando em reuniões públicas, no templo ou nas ruas. Sua obra principal para
as futuras gerações do povo de Deus foi, porém, aquilo que escreveram, e a eternidade irá revelar
plenamente até que ponto esse ministério se estendeu.

3. COMPREENSÃO DO$ LIVROS PROFÉTICOS

A fim de aproveitar-se ao máximo de seu estudo dos profetas, você deve conhecer os
seguintes aspectos da história e profecia bíblicas:

A. História

1. CENÁRIO GERAL. Cada livro profético tem o seu aspecto amplo e geral e seu aspc;cto
imediato. Com relação ao primeiro, é preciso ter alguma idéia da história total de Israel,. a. fim
de apreciar os pronunciamentos do profeta, da mesma forma que seria necessário conhecer pelo
menos um pouco da história do Brasil para apreciar plenamente um discurso feito no dia Sete de
Setembro, com suas referências à bandeira, à Independência, e assim por diante.
O cenário histórico geral dos profetas era este: No final do período de Samuel como juiz,
Israel insistira obstinadamente em ter reis humanos, apesar do protesto solene de Deus e Sua
advertência dos resultados dessa atitude. Deus deu-lhes o que pediram. Esses reis tinham natu-
ralmente enorme poder e influência. Muitos deles foram perversos e levaram grande parte do
povo à idolatria e toda forma de desobediência ao Senhor. Numa época como essa, Deus deve
falar. Embora Israel tivesse rejeitado o Senhor, este não rejeitara a nação, e apesar de os reis
humanos estarem desviando o povo, o Senhor, através da voz dos profetas, buscava atraí-los de
volta à Sua pessoa. Esta foi a ocasião propícia para introduzir os profetas; os porta-vozes de
Deus, transmitindo suas advertências, predições e exortações.
2. CENÁRIO IMEDIATO. É necessário entender também alguma coisa das condições
políticas e religiosas predominantes no período em que um determinado profeta estava falando.
Com relação à maioria dos livros proféticos, isto pode ser verificado pela leitura dá história dos
reis que se achavam no poder em um dado período, cuja descrição é feita nos livros de Reis e
Crônicas. Por exemplo, o primeiro versículo de Isaías dá o nome de quatro reis que reinavam na
época em que Isaías profetizava. Reportando-nos aos livros históricos e lendo os relatos desses
reinos, podemos compreender a corrupção que existia, a qual Isaías atacava.
O conhecimento dos povos estrangeiros também esclarece os livros proféticos. Você
desejará saber em relação a cada livro algo a respeito das nações vizinhas, especialmente as que
competiam pela soberania.

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Os três poderes mundiais dominantes durante os anos dos profetas foram:


Assírio - até 612 a.C (queda de Nínive)
Neobabilônico - até 539 a.C. (queda da Babilônia)
Persa - até Malaquias (e além dele)
3. FILOSOFIA DA HiSTÓRIA. Você irá apreciar e compreender melhor os movimentos
históricos dos dias dos profetas se nunca se esquecer de que a história humana está nas mãos
soberanas de um Deus onisciente e onipotente. Tudo acontece pela Sua vontade, seja permissiva
ou diretiva. Ele prevê cada evento antes que se transforme em história e em muitas ocasiões deu
a Seus profetas esse tipo de revelação profética, a fim de transmiti-la às nações.
4. A NAÇÃO ESCOLHIDA. Israel era o povo eleito de Deus, formado por um decreto
soberano de Sua parte e preservado através das idades (algumas vezes apenas uni pequeno
remanescente) em cumprimento de Sua aliança feita originalmente com Abraão.

B. Profecia

1. O MINISTÉRIO DUPLO DOS PROFETAS. Lembre-se de que os profetas tinham uma


dupla missão: a primeira para o presente imediato, a época em que viviam; e a segunda para o
futuro, previsão dos eventos. O principal objetivo que os profetas tinham em vista era testemu-
nhar contra e impedir os pecados de seus contemporâneos. O segundo alvo era prever o futuro
como revelado por Deus a eles.
2. Os QUATRO PONTOS PROFÉTICOS. Os pronunciamentos dos profetas concentraram,
em sua maior parte, ao redor de quatro pontos na história: (1) seu próprio período; (2) os
cativeiros ameaçadores (Assíria e Babilônia), e a restauração subsequente; (3) a vinda do seu
Messias; e (4) o milênio. Isto se acha ilustrado no GRÁFICO G.
Era como se o profeta estivesse num lugar alto (veja A" no GRÁFICO G), olhando à
distância e falando do que via. Ele via quase sempre os pecados predominantes em seus dias e
falava sobre eles (veja "1" no GRÁFICO G). A seguir, contemplava o dia em que a nação seria
removida de sua linda terra e levada para o cativeiro. Também via uma volta eventual dos judeus
do cativeiro (veja "2" no GRÁFICO G). o Espírito algumas vezes o capacitava a olhar ainda
mais adiante no futuro e anunciar a vinda do Messias (veja "3" no GRÁFICO G). Em certas
ocasiões, seu olhar projetava-se mais à frente no futuro e ele falava de um glorioso tempo de
restauração e paz que viria para o povo de Deus no milênio (veja "4" no GRÁFICO G).
A fim de obter o verdadeiro significado das palavras de um profeta, é preciso identificar,
em cada pronunciamento individual, qual desses quatro eventos está sendo tratado. 4A própria
linguagem do profeta e o contexto em que fala geralmente indicam isto. Por exemplo, leia Isaías
53 e determine a qual desses quatro pontos na história (como indicado no GRÁFICO G) o
profeta está se referindo.
3. Os DOIS TEMAS MESSIÂNICOS. Quando um profeta fala de Cristo, ele se refere ao
mesmo em uma de Suas duas vindas - seja na primeira, como o Messias sofredor (e.g., Is. 53), ou
4
Algumas vezes uma profecia pode ter um propósito múltiplo quanto ao seu cumprimento (e.g., uma profecia sobre
a restauração dos judeus pode abranger (1) a volta do cativeiro na Babilonia, e (2) a reunião do povo de Israel de
todas as partes do mundo no final dos tempos).
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na segunda, como o Messias reinante (e.g., Is. 11). Os profetas não sabiam que um longo período
de tempo se estenderia entre a manifestação de Cristo em sofrimento (primeiro advento) e a
revelação de Cristo em glória (segundo advento). Seu sofrimento e seu reinado lhes pareciam
muito próximos no tempo. Quem estuda as profecias deve ter isto em mente ao pesquisar as
seções dos livros proféticos que fazem predições.

SÍNTESE DOS PROFETAS

PROFETAS MAIORES

ISAÍAS – Isaías tem uma dupla mensagem: Condenação (1-39) e Consolação (40-66).
Isaías analisa os pecados de Judá e pronuncia o juízo divino sobre a nação. Ele amplia seu
escopo para incluir o julgamento das nações circunvizinhas e move-se para o julgamento
universal seguido de bênção. Após um parente histórico concernente ao rei Ezequias, Isaías
consola o povo com uma mensagem de salvação e restauração futura. Jeová é o soberano Senhor
que redimirá o seu povo.
JEREMIAS – Judá havia atingido os abismos da decadência moral e espiritual, e Jeremias
foi chamado para o quebrantamento e impopular ministério de declarar o infalível juízo de Deus
contra a nação. Jeremias ministrou fielmente a despeito da rejeição e perseguição, e o temível dia
finalmente chegou. A provocação que Judá fez à santidade de Deus por fim a levou à ruína, mas
Deus graciosamente prometeu estabelecer um novo pacto com o seu povo.
LAMENTAÇÕES – Esta série lindamente construída de cinco poemas tem como assunto
a lamentação pela queda de Judá e a destruição de Jerusalém após quarenta anos de advertência,
as terríveis palavras de Jeremias se concretizaram. Sua dor é óbvia em suas vívidas descrições da
derrota, destruição e desolação de Jerusalém.
EZEQUIEL – O profeta Ezequiel ministrou aos judeus cativos na Babilônia, antes e depois
da queda de Jerusalém. Como Jeremias, ele precisava convencer o povo de que a cidade estava
condenada e de que o cativeiro não seria por pouco tempo. Ezequiel também descreveu o destino
dos inimigos de Judá e concluiu com uma grande visão apocalíptica do futuro de Judá.
DANIEL – este livro crucial é rico em profecias detalhadas e visões do futuro. Ele delineia
o soberano plano de Deus quanto às nações gentias (2-7) e move-se para um perfil de Israel
durante o tempo de domínio gentílico (8-12). Numa época em que os judeus tinham pouca
esperança, Daniel proveu encorajamento, revelando o poder e os planos de Deus para seu futuro.

PROFETAS MENORES

OS Profetas Menores, de Obadias a Malaquias, cobrem quatro séculos de história através


dos Impérios Assírio, Babilônico e Persa. Três foram profetas do reino do norte (Jonas, Amós,
Oséias); seis foram profetas do reino do sul (Obadias, Joel, Miquéias, Naum, Sofonias,
Habacuque); e três foram profetas pós-exílicos (Ageu, Zacarias, Malaquias). Embora todos os
profetas menores sejam nomeados, muito pouco se conhece da maioria deles. Seus antecedentes e
personalidade são completamente diversos.

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OSÉIAS - A infeliz história de Oséias e sua infiel esposa Gômer ilustra o leal amor de
Deus e o adultério espiritual de Israel. Oséias expõe os pecados de Israel e os contrasta com a
santidade de Deus. A nação seria julgada por seus pecados, mas no futuro seria restaurada em
virtude do amor e fidelidade de Deus.
JOEL – Este livro lembra uma recente praga de gafanhotos que dizimara a terra de Judá,
para ilustrar o mais terrrificante do dia do Senhor. A terra será invadida por um terrível exército
que fará os gafanhotos parecer comparativamente suaves. Não obstante, Deus apela ao povo que
se arrependa a fim de evitar a iminente hecatombe. Visto que o povo não mudará, o juízo virá,
mas será seguido por grande bênção.
AMÓS – O reino do norte estava em seu apogeu quando Amós advertiu o povo de sua
iminente ruína. Em oito pronunciamentos de juízo, Amós circula pelos países circunvizinhos
antes de se deter em Israel. Ele então pronuncia três sermões para descrever os pecados da casa
de Israel e intimá-la ao arrependimento. O povo rejeita as advertências de Amós, porem, termina
seu livro com uma breve palavra de esperança futura.
OBADIAS – Este obscuro profeta do reino do sul dirige seu breve oráculo à nação de
Edom, a qual fazia fronteira com Judá a sudeste. Edom (descendente de Jacó) recusou-se a agir
como guardador de seu irmão, Judá (descendente também de Jacó). Visto que se vangloriou
quando Jerusalém foi invadida, seu juízo, seria nada mais, nada menos que a total destruição.
JONAS – Com uma mensagem profética de apenas uma linha, Jonas é o mais biográfico de
todos os profetas. A penitente resposta do povo de Nínive ao conciso oráculo incita a misericórdia
de Deus, que poupa a cidade. Mas o ensino central do livro é a lição que Deus dá a seu relutante
profeta. Jonas aprende a olhar para além de sua nação e a confiar no Criador de todos os povos.
MIQUÉIAS – a profecia de Miquéias começa com uma palavra de retribuição divina
contra Israel e Judá em vista da radical corrupção em todos os níveis da sociedade: governantes,
profetas, sacerdotes, juízes, homens de negócio e proprietários de terra. As promessas pactuais de
Deus, porém, se cumprirão no futuro reino do Messias. O juízo por fim será seguido por perdão e
restauração, e o livro termina com uma poderosa nota de promessa.
NAUM – Cerca de 125 anos depois que Nínive se arrependeu ante a pregação de Jonas,
Miquéias predisse a iminente destruição da mesma cidade. O povo da capital assíria voltou à
idolatria e brutalidade, e a Assíria subverteu o reino do norte de Israel. Em virtude da santidade e
do poder de Deus. Nínive indubitavelmente será destruída a despeito de sua aparente
invencibilidade.
HABACUQUE – Bem perto do fim do reino de Judá, Habacuque pergunta a Deus por que
ele não cuida da perversidade de sua nação. Quando Deus lhe diz que está prestes a usar os
babilônios como vara de seu juízo, Habacuque formula uma segunda pergunta: como o Senhor
poderia julgar Judá pela instrumentalidade de uma nação ainda mais perversa? Após a segunda
resposta do Senhor, o profeta exalta o nome de Deus por seu poder e propósitos.
SOFONIAS – Sofonias desenvolve em termos bem definidos o tema da vinda do Senhor
como sendo um dia de pavoroso juízo seguido de grande bênção. Sofonias começa com o juízo
iminente sobre Judá e amplia seu escopo para incluir também os gentios. Uma vez que Judá se

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recusa a buscar o Senhor, ele está condenado. Um remanescente, porém, exultará quando Deus
restaurar os destinos de seu povo.
AGEU - Depois do exílio babilônico, os judeus começam a reconstruir o templo, mas
deixaram que a obra fosse interrompida para a reconstrução de suas próprias casas. Em virtude de
seu fracasso em dar a Deus o primeiro lugar, eles não estavam desfrutando de suas bênçãos na
terra. Ageu insiste com o povo para concluir o templo, porquanto a promessa de Deus é que ele
seria impregnado de glória. Depois de disciplinar o povo por sua contaminação, Ageu termina
com uma promessa de bênção futura.
ZACARIAS – Contemporâneo de Ageu, Zacarias também exorta os judeus a completar a
construção do templo. O método de Zacarias para motivá-los é o do encorajamento – o templo é
central à herança espiritual de Israel e está relacionada À vinda do Messias. A série de visões,
mensagens e bordões oferece algumas das mais claras profecias messiânicas das Escrituras. Deus
revela que seu programa para seu povo está longe de ser concluído.
MALAQUIAS – Ao tempo do último profeta do Antigo Testamento, o clima espiritual e
moral do povo esfria. Seu culto é insípido e indiferente e, visto que eles estão cada vez mais
distantes de Deus, são caracterizados por transigência religiosa e social. Um terrível dia de juízo
virá quando “todo arrogante e cada malfeitor será palha” destinada ao fogo, “mas para aquele que
teme o meu nome nascerá o sol da justiça trazendo cura em suas asas”.

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