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O Oeste baiano: uma perspectiva histórica

Pablo Iglesias Magalhães


Rafael Sancho Silva
Bruno Martins Boto
Vanessa Magalhães
Rosania Oliveira (Discente)
A Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) está situada numa região
que historicamente pode ser apresentada com várias denominações: sertão do São
Francisco, Além São Francisco, Oeste da Bahia, Oeste Baiano1. Ressaltamos que a ideia
de sertão foi construída historicamente e para evitarmos os riscos do anacronismo nos
restringiremos às denominações citadas. Atualmente, os cinco campi da UFOB estão
localizados em municípios pertencentes ao sertão do São Francisco: Barra, Barreiras,
Luís Eduardo Magalhães, Santa Maria da Vitória e Bom Jesus da Lapa. Com exceção
deste último campus, os demais pertencem ao território denominado de Oeste baiano ou
Além São Francisco.

O sertão foi caracterizado por Kátia Mattoso como uma região posterior ao
agreste, distante e seco (MATTOSO, 2004, p. 62). A extensão do sertão baiano, bem
como sua diversidade cultural, nos habilita a pensar nesse espaço de forma plural com
experiências históricas, sociais e culturais em comum em alguns aspectos e peculiares
em outros. Devido a tal diversidade e multiplicidade de denominações o termo sertão
fica mais apropriado quando utilizado no plural: sertões.

O que chamamos atualmente de Oeste Baiano fazia parte do sertão do São


Francisco.2 Por se tratar de uma região de fronteira ela possui uma história atrelada a
outros Estados como Pernambuco e Minas Gerais. Nos primeiros anos após a
independência a Comarca do Rio São Francisco (que compõe o que chamamos de sertão
do São Francisco) chegou a pertencer a três províncias diferentes do Império do Brasil.

1
Cabe registrar o alerta feito por Paulo Roberto Baqueiro Brandão ao nos informar que “os termos
Região Oeste da Bahia e Oeste Baiano não devem guardar equivalência conceitual. Se o primeiro, com
seus 22 municípios constantes, faz referência a uma das regiões componentes da divisão econômica do
estado, como o querem organismos estatais do quilate do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas e
da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, o segundo designa todo o território à
esquerda do Rio São Francisco, onde estão localizados 35 municípios baianos, em uma área de pouco
2
mais de 183 mil km .” (2009, p. 48)
2
Segundo Antonio Fernando Guerreiro de Freitas, o conceito de Oeste da Bahia é melhor aplicado a
partir do meado do século XX. Até então, Sertão do São Francisco é mais apropriado historicamente. Ver
FREITAS, 1999 (a), p. 59.
Antes da independência, esta região já vivenciava diversos contatos e conflitos. As
disputas não estavam apenas relacionadas sobre a posse da grande vastidão de terra, mas
também, no próprio contato entre europeu e indígenas. Posteriormente, escravos,
africanos ou nascidos no Brasil, passaram a fazer parte da composição social da região.

A presença indígena pode ser encontrada ao longo de todo o vale do São


Francisco e no chamado Além São Francisco. A presença humana nesse sertão guarda
registros dos antepassados indígenas como os grafismos e pinturas rupestres da Lapa
dos Tapuias ou Gruta das Pedras Brilhantes no município de São Desidério. Nessa
mesma gruta também é possível encontrar pedras com sinais de polimento que podem
ser do período pré-cabralino (GALVÃO et. al, 2012, p. 25). Donald Pierson lista cerca
de nove grupos indígenas ao longo do Médio São Francisco: Tamoio e Cataguá,
Shacriaba, Acroá, Aricobé, Tobajara, Amoipira, Tupiná, Ocren e Sacragrinha e
Tupinambá (PIERSON, 1972, p. 228 – 229).

O início da conquista e colonização do Oeste baiano é consequência da expansão


da criação de gado bovino na capitania da Bahia, na segunda metade do século XVII.
Ainda na primeira metade do referido século, os pecuaristas do litoral da Bahia, de
Sergipe de El-Rey e de Pernambuco teriam sido forçados a interiorizar os rebanhos
para retirá-lo do alcance dos neerlandeses, que desde 1630 se expandiram pelas
capitanias do norte do Brasil, evitando o confisco do gado. (ANDRADE, 1961, 52)

Os moradores das capitanias Ilhéus e Porto Seguro também intentaram alcançar


os sertões do São Francisco. Entre os meses de outubro e novembro de 1553, teve
início, à partir de Porto Seguro, uma expedição organizada pelo castelhano Francisco
Bruza Espinosa que pode ter alcançado o atual município de Bom Jesus da Lapa, já no
ano de 1554. Essa aventura, que se estendeu por um ano meio, percorreu 355 léguas ou
2.310 km, pelo rio Jequitinhonha, até a Serra do Mar, alcançando o rio São Francisco,
posteriormente o rio Verde e enfim seguindo para o Rio Pardo (ou rio de Santo
Antônio) até o litoral, conforme registrou o padre João de Azpilcueta Navarro em carta
de 24 de junho de 1555 (Cartas, 1887, 66-69). Essa expedição de reconhecimento,
contudo, não possibilitou a instalação de núcleos populacionais na região.

Mais importante, contudo, do que apurar a primazia das expedições que


seguiram rumo ao rio São Francisco é compreender o processo de ocupação daquele
vasto território. Os sertões do Além São Francisco ou do Oeste baiano começaram a ser
colonizados à partir da iniciativa dos latifundiários e criadores de gado da Bahia e de
Sergipe de El-Rey, (atual estado de Sergipe) em meados do século XVII. Inclusive, seu
atual território situa-se, de acordo com o que foi estabelecido pela monarquia
portuguesa, no interior dos limites dos antigos territórios das capitania da Bahia e de
São Jorge dos Ilhéus. A Carta de 10 de abril de 1534, pela qual a monarquia doou a
capitania da Bahia a Francisco Pereira Coutinho, determinava que as suas “cinquenta
léguas se estenderão e serão de largo ao longo da costa entrando pela mesma largura no
sertão e terra firme adentro, tanto quanto poder entrar e for da minha conquista”. Coube
aos pecuaristas da Bahia a iniciativa do processo de conquista e ocupação dos sertões do
Além São Francisco entre as décadas de 1640 e 1670. Seguindo o rio São Francisco,
Domingos Afonso Mafrense (ou Domingos Afonso Sertão), auxiliados por Francisco
Dias D'Ávila e Bernardo Pereira Gago alcançaram o território atual do Piauí em 1674,
que em seguida passou para a jurisdição do governador do Maranhão.
Fonte: Jorge Pimentel Cintra. Reconstruindo o Mapa das Capitanias Hereditárias. Anais
do Museu Paulista, vol.21 n. 2 São Paulo July/Dec. 2013, p. 23.
Foi o jesuíta italiano Giovanni Antonio Andreoni (Antonil), no livro Cultura e
Opulência no Brasil por suas Drogas em Minas (1711), o primeiro a publicar que a
ocupação do atual território do Oeste baiano foi efetivada pela expansão dos currais de
gado, assinalando a primazia dos potentados familiares dos Guedes de Brito e da Casa
da Torre naquela conquista. As duas famílias estenderam seus currais em direção aos
sertões desde a primeira metade do século XVII, ultrapassando a margem esquerda do
rio São Francisco por volta de 1670. Segundo o cronista:

Sendo o sertão da Bahia tão dilatado, como temos referido, quase todo pertence
a duas das principais famílias da mesma cidade [da Bahia], que são a da Torre, e
a do defunto mestre de campo Antônio Guedes de Brito. Porque a casa da Torre
tem duzentas e sessenta léguas pelo rio de São Francisco, acima à mão direita,
indo para o sul, e indo do dito rio para o norte chega a oitenta léguas. E os
herdeiros do mestre de campo Antônio Guedes possuem desde o morro dos
Chapéus até a nascença do rio das Velhas, cento e sessenta léguas. E nestas
terras, parte os donos delas têm currais próprios, e parte são dos que arrendam
sítios delas, pagando por cada sítio, que ordinariamente é de uma légua, cada
ano, dez mil réis de foro. (ANTONIL, 1711, 186)
Erivaldo Neves observou que afirmações de Antonil acerca do protagonismo dos
Guedes de Brito e dos Ávila na ocupação do Oeste baiano, apesar de reproduzidas por
outros autores, carecem de comprovação documental (NEVES, 2012, 56). Registros
custodiados do Arquivo Ultramarino de Lisboa, não obstante, apontam que exatamente
trinta e cinco anos antes da publicação do livro de Antonil o desembargador Sebastião
Cardoso de Sampaio apresentou informações que podem respaldar as afirmações do
jesuíta. Dois manuscritos enviados ao Conselho Ultramarino de Lisboa permite-nos
mapear parte do processo de colonização do rio São Francisco e do Oeste baiano, ainda
nos seus primóridos, indicando os limites então alcançados pela empresa colonial.

No primeiro manuscrito, o desembargador Sampaio afirma que grande


quantidade de gado foi deslocado para o sertão, “que contém em si a terra que corre
para o Ocidente, e interior deste Estado, desde o sobredito Recôncavo até confinar com
a demarcação do Peru e Nova Espanha”. (AHU, Bahia, Luisa da Fonseca, caixa 23, doc.
2738, 22 /07/1676). O magistrado do Tribunal da Relação da Bahia estava se referindo,
com certo exagero, aos limites do Tratado de Tordesilhas (1494), podendo mesmo se
referir ao Oeste baiano e Goiás. Cabe ressaltar que aquele tratado havia perdido seu
objetivo político ao tempo da União Ibérica (1580-1640), tornando legítima a contínua
expansão dos colonizadores portugueses em direção ao oeste.

Ainda segundo o magistrado, os Brito e os Ávila “ocuparam com gados aquela


terra que nela se acha com comodidade de pastos e águas para a procriação dos ditos
gados”. As grandes propriedades estavam sendo criadas, mesmo contra as disposições
legais que só permitiam sesmarias com quatro léguas. As que seguiram em direção do
rio São Francisco contavam “com mais de cem léguas e outras com mais de duzentas
léguas terra [que] estão somente no poder e domínio de dez, ou doze moradores”. Os
sertões do São Francisco se formaram a partir das grandes propriedades, em razão da
“notável demasia e excessiva desigualdade na repartição que se foi fazendo das terras
do sertão”, sendo, contudo, apenas parcialmente ocupada, com imensas áreas totalmente
inabitadas (AHU, Bahia, LF, cx. 23, doc. 2738, 22 /07/1676).

Acerca de Antonio Guedes de Brito, o desembargador Sampaio afirmou que


“Foram seus pais e avós os primeiros povoadores e que principiaram a penetrar o
Sertão, (...) e a domesticar o gentio dele em que gastaram considerável fazenda, como
também de presente tem feito grande despesa em abrir caminhos, não só para benefício
de suas fazendas, mas para o comum de todos os que tem gado naquele Sertão” (AHU,
Bahia, LF, cx. 23, doc. 2740, 26/07 /1676). Existe no Arquivo Publico do Estado da
Bahia o códice manuscrito do Tombo da Casa da Ponte (1819), que confirma a
existência de fazendas arrendadas pela família dos Guedes de Brito nos atuais territórios
de Ibotirama, Paratinga e Oliveira dos Brejinhos, na margem direita do médio São
Francisco. O livro, contudo, nao registra a existência de propriedades dessa família na
margem esquerda do São Francisco.

Sampaio repete as mesmas palavras para descrever Garcia d’Ávila, revelando


ainda que “declarou possuir títulos de sesmaria todas as terras que se acharem do Rio de
São Francisco (...) com todas as ilhas, matos e águas que se acharem”. Por fim, p
desembargador apurou que as terras de Garcia d'Ávila, dos seus filhos e do seu irmão
padre Francisco Pereira alcançavam juntas mais de 400 léguas, ou seja, mais de três
vezes a extensão de Portugal (125 léguas), que seguiram em direção ao Piauí. As
observações de Antonil bem como do desembargador Sampaio demonstram que havia
uma dinâmica ligação entre o atual Oeste baiano e o litoral no último quartel do século
XVII.

Decerto, na segunda metade do século XVII, não havia força militar para
impedir que os dois potentados familiares da Bahia cruzassem o rio São Francisco e
mesmo os guerreiros xacriabás, acroás e aricobés não lhes podia impedir a conquista da
região. A única mão que poderia exercer controle administrativo sobre as duas
poderosas famílias seria a própria monarquia de Portugal, por meio do seu aparato
jurídico e administrativo. É possível, ainda que exija mais estudos para ser comprovado,
que esse silêncio em torno das propriedades no Oeste baiano decorra justamente dos
protestos junto a Coroa portuguesa, a exemplo do que fez o desembargador Sampaio,
contra o imenso acúmulo de sesmarias por aquelas duas famílias.

Assim, é significativo que em fins do século XVII a monarquia tenha iniciado


maior controle sobre as distribuição de sesmarias brasílicas, diminuindo sua extensão de
quatro para três léguas por meio da Carta Régia de 7 de dezembro de 1697 e ordenando
a medição e demarcação, pelos “residentes na Bahia”, das terras do Piauí e Rio Grande
do Norte por meio da Carta Régia de 13 de dezembro do mesmo ano, sob pena de se
tornarem devolutas (NEVES, 2001, 132). A margem esquerda do rio São Francisco teria
se tornado, por volta de 1700, num território onde os Brito e Ávila estabeleceram seus
currais, dominavam a região, evitando maior controle pela Coroa. Observamos,
inclusive, que um mapa de Luis dos Santos Vilhena conservado na Biblioteca Nacional
do Rio de Janeiro, datado de fins do século XVIII, assinala a existência de uma
fortificação no encontro entre os rios Preto e Grande, sendo que não existem registros
de fortificações construídas por ordem do governo português naquela região.

Antonil, além de revelar a existência dos currais, também registrou as rotas para
transportar o gado do atual Oeste baiano para o Recôncavo. Diz o jesuíta que “não
somente de todas estas partes e rios já nomeados vêm boiadas para a cidade e
Recôncavo da Bahia, e para as fábricas dos engenhos, mas também do rio Iguaçu, do rio
Carainhaém, do rio Corrente, do rio Guaraíra, e do rio Piagui Grande, por ficar mais
perto, vindo caminho direito à Bahia, do que indo por voltas a Pernambuco”.
(ANTONIL, 1711, 184-185). A toponímia atual desses rios pode ser substituída,
respectivamente, por rio Grande, rio Carinhanha, rio Corrente, rio Guará e rio Piauí, este
último situado no sul do Piauí. O jesuíta também cita o rio Preto, afluente do rio
Grande, como fornecedor de gado para o Recôncavo baiano. Assim, conforme Antonil,
as rotas entre os currais do território atual do Oeste baiano ligavam-se, por meio de
Jacobina, ao litoral da Bahia. O jesuíta calculou apenas para a região do Rio Grande a
existência de 30 mil cabeças de gado, alcançando toda a capitania da Bahia cerca de
meio milhão. É possível afirmar que o gado foi o primeiro elemento econômico a
integrar a Capitania da Bahia de contra-costa, ligando o Recôncavo, a região central e os
territórios oestinos, além do São Francisco.

Foi esse elo econômico entre o cerrado e o litoral que estimulou e possibilitou o
início da presença do Estado português no atual território do Oeste baiano. O rei de
Portugal D. Pedro II (1683-1706) enviou ao Governador do Brasil, D. João de
Lancastre, a Carta Régia de 2 de dezembro de 1698, na qual determinou a criação de
três arraiais naquela região. Deve-se observar que a carta não se dirigiu ao governador
da capitania de Pernambuco, mas ao governo-geral, então sediado na Bahia. Diz a Carta
que:

Por parte dos povoadores da Lagoa de Parnaguá (situada no Piauí), rio


Preto, rio Grande e rio São Francisco e circunvizinhos se me
apresentou a que o grande dano a que padecem em suas fazendas de
gado, com os constantes assaltos do gentio bárbaro, a que não podem
resistir por estarem ditas fazendas divididas, o que só se poderia remediar
situando-se algum arraial de gentio manso no lugar mais oportuno,
aldeando-se para serem permanentes (...) D. Pedro II – Rei de Portugal.
Por força desta Carta Régia foram oficializados os três primeiros núcleos
populacionais do atual Oeste baiano, formados por Santa Rita no rio Preto, Campo
Largo (atualmente distrito de Taguá, 80 km ao sul de Barreiras) no rio Grande e Barra
no rio São Francisco, à interseção deste com o rio Grande. Naquele mesmo ano a
monarquia portuguesa, pela Carta Régia de 16 de fevereiro de 1698, tratou sobre “os
crimes que se sucedem no Sertão de Rodelas (...) distrito de jurisdição desse governo da
Bahia", determinando que "de cinco em cinco legoas seja creado um juiz ordinario com
a jurisdição de tirar devassas [e] tomar denunciações”.

Também, por volta de 1700, outras rotas começaram a ser estabelecidas. Ângelo
Carrara apresentou a hipótese de que o extremo sul do Piauí, o Oeste baiano e o
noroeste de Minas Gerais formavam um só espaço econômico, cuja ocupação teria
começado em torno da produção de ouro em Goiás (CARRARA, 2007, 142). Essa
hipótese carece de fundamentos documentais, mas o caminho foi o mesmo percorrido e
registrado pelo jesuíta Jacobo Cocleo em torno de 1698, que desenhou um valioso mapa
da região no fim do século XVII, servindo, possivelmente, como fonte de informações
para Antonil. Em 1701, o coronel Antonio Vieira assinalou ao governador D. João de
Lencastre a necessidade de criar outro posto de coronel para atender as demandas do
Estado português nas vastidões do rio São Francisco, indicando contínua expansão do
processo de colonização (AHU, Bahia, Eduardo Castro, cx. 3, doc. 308, 19/01/1701).

Na sequência da expansão do gado, as missões religiosas também foram


relevantes para compreender o complexo processo de colonização do atual Oeste
baiano. Em 1739 os capuchinhos fundaram a Missão de Nossa Senhora da Conceição,
ou Missão do Aricobé (cerca de 70 km de Barreiras), em Angical. Em 1888, um
cronista Durval Aguiar descreveu essa "Aldeia antiga onde anda restão alguns indios
como testemunhas da nossa incuria". Ainda segundo ele, "Essa aldeia de bons terrenos,
e onde já se fazia uma boa colheita de cereais, está tendo a sorte de todas as aldeias, se
extinguindo"(AGUIAR, 1888, 41). Os povos indígenas aldeados não tiveram paz,
sendo constatemente atacados, em razão das suas terras agricultáveis, entre 1823 e
1933, quando emigraram para Goiás, sob a liderança de João Sebereba (PITTA, 2005,
19).
Por questões estratégicas para a Coroa portuguesa, mas ainda obscuras para as
pesquisas historiográficas contemporâneas, o atual território do Oeste baiano foi
transferido da jurisdição da capitania da Bahia para a capitania de Pernambuco. A Carta
Régia de 11 de janeiro de 1715 determinou que “o território em que se acha a cidade [da
Barra do Rio Grande], bem como todo o da margem esquerda de S. Francisco,
conhecido por sertão de Rodellas, sendo primitivamente pertecente a Bahia, que o
colonisou e administrou, [passe] a pertencer a Pernambuco” (VIANNA, 1893, pp.424-
425). A capitania de Pernambuco passou controlar as esferas administrativa e
eclesiástica, porquanto a judicial continuou sujeita a Bahia, por meio do Tribunal da
Relação, estabelecido em Salvador desde 1651.

É necessário continuar e expandir as pesquisas históricas e geográficas,


documentais e cartográficas, sobre o processo de conquista e ocupação dos sertões do
Além São Francisco. João Capistrano de Abreu, acertadamente, observou que na
“região entre o São Francisco e o Parnaíba, (...) está o nó da nossa História”
(RODRIGUES, 1977, II, 82). Compreender os elos desse nó ainda é um desafio para os
historiadores. Wilson Lins afirma que a partir de 1763 ocorreu um gradual isolamento
das comunidades estabelecidas ao longo do Rio São Francisco, bem como dos seus
afluentes. Com a mundança da capital colonial para o Rio de Janeiro, o eixo econômico
migrou das capitanias do Norte para o Centro-sul e Portugal abandonou o projeto de
colonização do São Francisco, em andamento desde o século XVII. Os antigos
potentados coloniais também teriam abandonado o interesse latifundiário e pecuarista
no Médio e Alto São Francisco, agravando o isolamento econômico da região (LINS,
1983, 34). Esse isolamento em relação ao litoral e ao Reino estaria, ainda segundo Lins,
na origem de uma cultura e um modus vivendi próprios dos ribeirinhos são franciscanos.

O isolamento político em relação ao novo centro da colônia, no Rio de Janeiro,


permitiu aos povos do São Francisco desenvolver estratégias econômicas locais para sua
manutenção. Depois do couro, o sal tornou-se o principal produto devido a existência de
salinas na região. Era, decerto, mais fácil para as comunidades sertanejas buscarem o sal
para consumo humano e do gado no interior do que no litoral. Um documento de 1774
afirma que a região de Campo Largo "é de muito comércio, pela abundância das muitas
salinas". Segund o mesmo documento:

Na Missão do Juazeiro para cima, fora do Rio de São Francisco, de uma, e outra
parte há muitas salinas de sal, muito maior número da parte de Pernambuco até a
Freguesia de Campo Largo que se extrema com esta. Este sal faz com que estas
Freguezias sejão abundantíssimas de comércio, por quanto vem buscarem os habitantes
da Comarca de Goyazes, Paracatu, Gerais, Serro, Minas Novas de Fanado, Rio de
Contas, Jacobina e todos os sertões vizinhos que conduzem o dito sal pelo rio acima em
muitas barcas e canoas grandes de velas, e pela terra em cavalgaduras, por vir a
nascença deste rio, acima dos Gerais (Apud, PITTA, 2005, 18).
Assim, enquanto a civilização que se desenvolveu no litoral era sustentada pelo
açúcar, a civilização que se desenvolvia no eixo do Rio São Francisco era sustentada
pelo sal. O comércio do sal e seu transporte foi descrito, por volta de 1820, pelos
naturalistas alemães Johan von Spix e Carl F. Philips von Martius. Daí o autor
ribeirinho Wilson Lins afirmar, acertadamente, que o sal está na base da culinária da
civilização que se desenvolveu no Rio São Francisco e seus afluentes (LINS, 1983, 39).

Foi necessário mais de meio século para que o Rio São Francisco, então
negligênciado pela política portuguesa, voltasse a merecer alguma atenção por parte dos
dirigentes coloniais. Em 1820 foi criada a Comarca do São Francisco, ainda sob
jurisdição da capitania de Pernambuco (JCBL, Alvará de 03 de junho 1820), a qual
pertenceu até 1824. A perda do território foi analisada com Lina Maria Brandão de Aras
como parte das punições impostas pelo Estado Imperial recém independente e
preocupado com a manutenção da unidade territorial.

Mesmo tendo vivenciado a solidariedade entre paraibanos, pernambucanos e


baianos nos episódios relacionados às lutas de independência, Bahia e Pernambuco
também disputavam territórios e influências políticas regionais. A punição aos
pernambucanos com a retirada da comarca do São Francisco se enquadrava no contexto
das disputas regionais e das preocupações do governo central com a unidade nacional
(Ver ARAS, 2009, p. 181 – 182).

O Estado brasileiro independente surgiu de modo unitarista e a Confederação do


Equador de 1824 ameaçou por um breve instante esta unidade territorial. Como punição,
em 07 de julho de 1824, a comarca do São Francisco foi desmembrada da província de
Pernambuco através de decreto imperial e transferida para a província de Minas Gerais
(ARAS, 2010, p. 208 – 209). A punição pernambucana visava reduzir o raio de ação dos
projetos rebeldes e a opção mineira podia ser explicada pelo fato dessa província
representar “naquele momento, um ponto de estabilidade política e abastecedora dos
mercados do centro sul.” (Id. p. 212).
Porém, três anos depois a comarca foi transferida para a província da Bahia
através do Decreto imperial de 15 de outubro de 1827. Lina Aras analisou essa
transferência como parte do arranjo imperial que visava estabelecer um equilíbrio entre
Bahia e Pernambuco na influência sobre as províncias do norte:

Deste modo, a decisão do Imperador de passar a jurisdição da Comarca do São


Francisco para a Bahia representava o caminho para o equilíbrio entre as
províncias do norte, que mantiveram latente insatisfação com o Império e a
Corte no Rio de Janeiro. A trajetória de uma e outra província evidencia
momentos de rebeldia em uma e de conservação do status quo na outra. Tal
situação de pêndulo colocava o controle do Rio de Janeiro mais próximo da
Bahia, reduzindo a distância de atuação pacificadora, caso essa Comarca se
mantivesse sob a circunscrição de Pernambuco. (Id. p. 212-213)
Apenas em 1855 as freguesias da comarca do São Francisco foram transferidas
de Olinda para Salvador. A administração religiosa sofreu com diversos transtornos pela
separação entre a administração civil vinculada com a Bahia e a religiosa com
Pernambuco (id. p. 213). Através do Decreto de 25 de maio de 1854 é que as freguesias
foram transferidas para a Arquidiocese de Salvador – efetivada apenas em 1855 (Ver
SILVA, 2000, p. 50; 73). Segundo Braz do Amaral, no memorial sobre os limites entre
Bahia e Sergipe em 1939, o Estado de Pernambuco não apresentou nenhum documento
reivindicando a posse da região que foi a Comarca do São Francisco (APEB, Caixa
3452). No século XIX, a região da comarca do São Francisco destacava-se:

por sua riqueza regional, como a criação de gado e a diversificação das


atividades agrícolas, muitas delas vinculadas e dependentes do regime de
chuvas na região, bem como as relações comerciais estabelecidas com as
províncias de Minas Gerais e Goiás desde os tempos coloniais. (ARAS,
2010, p. 209)
A escravidão esteve presente nesta região através da exploração da mão de obra
indígena e africana. Ricardo Moreno Pinho no explica que mesmo com a proibição da
escravidão indígena no século XVII é possível encontrar indícios da continuidade no
sertão são-franciscano até no século XIX (2001, p. 34).

A presença africana nesta região também foi significativa. Segundo Pinho (2001,
p. 60-61) os viajantes Spix e Martius, quando estavam em Malhada (próximo de
Urubu), foram alertados sobre os perigos e aconselhados a não seguirem viagem por
causa da “festa em homenagem à Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos pretos e
mulatos, que tinha como sacerdote, um igual de cor, pois nestas ocasiões os negros
costumavam atacar a todos que por ali passavam.”
Angelo Alves Carrara informa que entre as décadas de 1820 e 1870 a população
escrava em algumas partes do sertão do São Francisco sofreu uma queda (CARRARA,
2006, p. 267 – 268). Para Teodoro Sampaio a exportação de escravos serviu para os
senhores pagarem dívidas (SAMPAIO, 2002, p. 142). A redução da mão de obra
escrava relatada com Carrara e Sampaio coincidiu com a ascensão da economia cafeeira
no centro-sul brasileiro. Segundo Pinho a região do sertão do São Francisco acabou se
integrando no circuito do tráfico interno através da venda de muitos escravos para o
centro-sul. Além disso, o tráfico interno conviveu com o tráfico clandestino promovido
por proprietários que vendiam escravos de modo a burlar o pagamento de impostos
(PINHO, 2001, 63).

As autoridades locais muitas vezes eram coniventes com o tráfico clandestino.


Severiano Magalhães que ocupou cargos diversos como juiz municipal e delegado em
Rio das Éguas chegou a ser acusado em 1876 de participar das negociações da venda de
uma escrava para Minas Gerais sem pagar imposto de exportação. Além disso, a escrava
foi separada das filhas que eram crianças com menos de 02 anos de idade (SILVA,
2011, p.108).

A redução da mão de obra escrava não implicou na redução da exploração do


trabalhador rural nesta região. O flagelo das secas como as da década de 1870
contribuiu para engrossar as filas de trabalho (PINHO, 2001, p. 65 – 66). Lembramos
que nesta década a campanha abolicionista ganha fôlego no Brasil e, consequentemente,
passamos a vivenciar o surgimento de leis que enfraqueciam a escravidão. Desde 1850 a
importação de escravos africanos estava proibida e os anos 1870 e 1880 foram de
grande agitação para os abolicionistas. Para Napoliana Pereira Santana a queda mais
acentuada ocorreu na década de 1860 e seria explicada por causa das crises econômicas
provocadas pelas secas e epidemias (SANTANA, 2012, p. 29).

Geraldo Rocha apresentou as lembranças das histórias da infância quando


escutou referências sobre a venda de escravos para o sul. Segundo ele como a pecuária
não exigia uma grande quantidade de braços e as atividades mineradoras em Santo
Inácio e Gentio do Ouro estavam paralisadas, os proprietários de escravos do São
Francisco acabaram sendo uma das principais ofertas sertanejas de venda de escravos
para o centro-sul. O caminho, segundo Rocha, eram as lavouras de café e para lá eram
levados também escravos rebeldes:
A paralisação dos garimpos de Santo Inácio e Gentio e a redução dos trabalhos
em Lençóis deixaram disponíveis as escravaturas das famílias opulentas do São
Francisco, que as encaminharam para as plantações do vale do Paraíba,
chamadas nos sertões a “mata do café”. Em nossa infância recordamo-nos de
ouvir referências diversas a escravos rebeldes vendidos para a “mata do café.
(ROCHA, 2004, p. 52)
Para os proprietários de terras e outros que utilizavam a mão de obra escrava era
preciso encontrar uma saída para o problema da mão de obra. No caso do sertão são-
franciscano essas estratégias permitiam o uso da mão de obra livre combinada com a
escrava. A presença escrava permitia baratear o custo da mão de obra livre (PINHO,
2001, p. 67). A meação foi uma das estratégias de exploração da mão de obra
camponesa neste sertão:

A meação foi, portanto, uma das formas adotada de trabalho tanto para o ex-
escravo, quanto para a grande massa de trabalhadores sem qualificação que
migrara, buscando condições de sobrevivência, mas estes não se convertiam
apenas em meeiros, tornavam-se agregados e, entregues ao desespero e à fome,
submetiam-se a uma condição de sobrevivência, destacando-se em serviços de
lavoura e criação. (Id. p. 67)
Segundo Napoliana Santana a documentação analisada sobre a presença escrava
em Urubu não revelou a presença do feitor, permitindo a pesquisadora concluir que
“Senhor e escravo mantinham relações diretas e, muitas vezes, intensas, gestadas no
cotidiano.” (SANTANA, 2012, p. 32)

As funções exercidas pelos escravos estavam relacionados com as atividades do


campo e variavam conforme o gênero:

As lidas cotidianas dos escravos estavam relacionadas, majoritariamente,


aos serviços da lavoura e da criação de gado. Das funções descritas nos
inventários do Urubu, as que tiveram maior recorrência foram justamente
a de lavrador, roceiro e vaqueiro. Há que considerar que ser lavrador e/ou
roceiro envolvia os variados serviços da roça (limpeza, plantio e colheita)
e também a fabricação de farinha, rapadura e aguardente. Trabalhavam
também com ofícios especializados, como arrieiro (arriar tropas),
ferreiro, sapateiro e carpinteiro. (Id. p. 32)
As mulheres exerciam funções mais restritas ao universo doméstico:

Às mulheres cabiam os serviços domésticos, que se estendiam, muitas


vezes, para além da unidade residencial. As escravas dirigiam-se para as
fontes e rios para lavar roupas e louças, e, no encontro com outras
companheiras, compartilhavam suas alegrias, tristezas e angústias.
(...)Dos seus ofícios, constaram nos inventários: lavradora, lavadeira,
cozinheira, engomadeira, costureira, fiandeira e rendeira. (Id. p. 32)
Porém, isso não era uma regra exata de modo que muitas dessas escravas
também eram obrigadas a trabalhar na terra com a carpina. As péssimas condições de
trabalho e os castigos corporais geravam efeitos explícitos no corpo do escravo marcado
por doenças e outros tantos problemas. (Id. p. 34)

A formação das famílias de escravos era evidente como já debatido pela


historiografia acerca da escravidão já debateu. Para os proprietários a formação familiar
e a reprodução natural foi uma estratégia utilizada para a manutenção de um quadro
favorável de mão de obra disponível. Assim, a presença de mulheres e crianças tornava-
se comum nos inventários de muitos senhores (Ver PINHO, 2001 e SANTANA, 2012).

A escravidão durou legalmente até 13 de maio de 1888 quando foi assinado a


abolição. Este era um momento de crise do Império que não durou por muito tempo
após a lei áurea sendo encerrado após a Proclamação da República por Deodoro da
Fonseca. As notícias do novo regime logo se espalharam e as câmaras municipais e
outras autoridades no interior da Bahia manifestaram apoio e animação. Em
Carinhanha, o promotor público interino da comarca, Jeremias de Souza Lima,
respondeu no dia 26 de dezembro de 1889 ao ofício circular de 19 de novembro de 1889
exaltando a proclamação da república (APEB, Maço 2342). Ressaltamos que as notícias
da derrubada da monarquia chegaram em Salvador de forma conturbada gerando uma
tensa negociação de aclamação e um confuso jogo político para a nomeação do cargo
executivo estadual (CARVALHO NETO, 2011).

O fim da escravidão e o advento da república decerto não provocou grandes


mudanças na composição da classe dominante. Os “Senhores” de outrora figuravam
como os “coronéis” na república. A grande propriedade fazia parte da composição das
relações de poder estabelecidas na região:

Uma região dominada pela grande propriedade, mas onde os seus próprios donos
não sabiam precisar o seu real tamanho, delimitá-la, construir cercas que
marcassem os seus domínios. A relação entre custo e valor da terra inibia
qualquer iniciativa nesse sentido. Essa atitude, entretanto, não deve ser entendida
como ausência ou desinteresse. A terra, apesar de “livre”, tinha dono, e todos
sabiam e respeitavam. Os seus “senhores”, contemporaneamente indicados
como “coronéis”, construíram e demarcaram um conjunto de relações que os
tornaram proprietários do público e do privado, encarados como um conjunto,
administrados como se assim fosse. (FREITAS, 1999 (a), p. 60 – 61)
Segundo Freitas, os potentados locais controlavam não só a vida econômica
como os costumes, as leis e juntavam o público e o privado de modo a atender seus
interesses. Com o predomínio de um cenário rural as atividades agrícolas, pastoris e
extrativistas centralizavam as relações econômicas e de trabalho. Numa sociedade
marcadamente machista cabia ao homem o universo externo ao lar através das
ocupações com as atividades citadas e à mulher cabia o universo interno e
complementares das atividades marcadamente, nesta sociedade, masculinas (Id. p. 61 –
63). A população vivia da “multiplicidade de produtos agrícolas, uma pecuária de
pequeno porte e seus derivados, além da atividade extrativa, com destaque para a
exploração da cera de carnaúba.” (Id. p. 63).

As vias de comunicação desde o Império até os primeiros anos da República


combinavam o uso da navegação pelo Rio São Francisco e seus afluentes e a tímida
malha ferroviária. O sertão do São Francisco era passagem obrigatória para os produtos
de outros estados que eram comercializados na capital baiana. A via fluvial e,
posteriormente, a ferroviária foram essenciais para a circulação e escoamento da
produção regional:

Toda a atividade econômica regional e dos estados vizinhos,


especialmente os produtos que tinham algum valor comercial, tinha como
objetivo o porto de Salvador. Dessa forma, o circuito fluvial, inicialmente
complementado pelas longas marchas – principalmente do gado – pelos
caminhos do interior, foi, depois, esse último, substituído pelo transporte
ferroviário, quando, em 1896, inaugurou-se a linha férrea até Juazeiro, às
margens do São Francisco. (Id. p. 72)
Grande parte da produção local não ganhava a capital como destino, afinal, a
distância e o deslocamento não permitiam grandes vantagens para a sua
comercialização. Isso era reflexo da multiplicidade da produção agrária que não havia
se especializado numa cultura agrária para exportação até meados do século XX. A
produção da borracha da mangabeira no final do século XIX ajudou a movimentar a
economia do recém emancipado município de Barreiras além da pecuária (Id. p. 75).

Os projetos de integração do sertão do São Francisco contavam com a


navegação para ligar diferentes zonas margeadas pelo rio inclusive em Minas Gerais.
Porém, na década de 1930 as embarcações não estavam conseguindo atender as
demandas comerciais. As rodovias começaram a surgir como solução de via de
comunicação. O coronel goiano Abílio Wolney obteve licença para construir uma
estrada ligando Barreiras até a fronteira com Goiás (FREITAS, 1999 (b), p. 91).

As irregularidades climáticas prejudicavam a produção e comercialização do


algodão, arroz e cereais. Nas primeiras décadas do século XX o arroz era um produto
que mesmo com as irregularidades climáticas possuía um potencial produtivo nos
municípios de Barreiras, Correntina e Carinhanha. As ilhas formadas na baixa dos rios e
as lagoas formadas após a redução do volume de água davam condições ideias para o
plantio desse e outros produtos. (Id. p. 94 – 95)

Além do arroz e algodão, destacava-se o extrativismo da cera da carnaúba e da


borracha da maniçoba e mangabeira. Fechava o tripé produtivo, a pecuária. Freitas
caracteriza a produção através da denominação de “catado” devido a diversidade. A
atividade industrial estava relacionada com a atividade comercial como nos
beneficiamentos do arroz, algodão e o preparo do couro para exportação (Id. p. 95 – 98).

Ao longo do século XX o rio São Francisco perdera importância para a


comunicação de regiões diferentes por causa da construção de estradas. Sua importância
foi alterada para a produção energética. Em 1969, foi instalado em Barreiras o 4º
Batalhão de Engenharia e Construção para viabilizar a elaboração de um programa de
estradas integrando a região a outros espaços através da abertura da BR-242. Isso
permitiu nos anos 1980 o surgimento de novos povoados ao longo dessa estrada
(SANTOS, 2011, p. 296).

No decorrer do século XX, Barreiras ganhou destaque político-econômico na


região por concentrar não só as rotas rodoviárias que ligava (e ainda liga) o Além-São
Francisco com outras regiões como também a presença do aeroporto e o 4º BEC.
Segundo o prefeito barreirense Augusto Cesar Torres no memorial enviado para o
interventor federal João Santos em 1931 o nome de Barreiras está relacionado com os
barrancos do rio grande. O porto foi aberto em 1825, porém, sem grandes
movimentações até 1850 com a fixação do vaqueiro Placido Barbosa. Até 1880,
existiam cerca de 20 casas em Barreiras. Em 1890, após a descoberta da borracha da
mangabeira, foi criado o subdistrito de subdelegacia e em 20 de fevereiro de 1891 foi
criado o distrito de paz. Poucos meses depois, em 06 de abril, Barreiras foi elevada a
Vila e em agosto foi instalado o Termo. Em 19 de maio de 1902 foi elevada a cidade,
sendo que a sua instalação foi em 15 de novembro (APEB, Caixa 3452).

No campo da educação é destacado a atuação do Padre Luiz Manuel Vieira e do


jesuíta alemão Padre Carlos Zimmerman. O Pe. Carlos contribuiu para a instalação de
um educandário que era mantido pelo Ministério da Agricultura:

A existência de um professor como o padre Carlos, em Barreiras,


muito contribuiu para a instalação, ali, de um educandário mantido pelo
Ministério da Agricultura, o Aprendizado Agrícola, sendo o Padre Carlos
seu organizador e primeiro diretor, pois só depois começaram a vir
professores e profissionais de fora. (PITTA, 2015, p. 158)
Em 1924, o Padre Carlos também instalou em Barreiras um “curso ginasial” que
é equivalente ao atual 6º ao 9º ano. Porém, a escola não foi devidamente regularizada
devido as dificuldades de comunicação com o governo federal (PITTA, 2015). Em 1946
o Padre Vieira retornou para Barreiras para fundar a escola que havia sido tentada
décadas atrás pelo Padre Carlos. Com apoio de José Seabra Lemos, a escola “ginasial”
foi saindo do projeto para se tornar realidade. O prédio do Aprendizado Agrícola foi
passado para Lemos realizar as devidas reformas e em 1948 o curso de admissão ao
ginásio foi finalmente inaugurado e em 1949, após os exames de admissão, o curso
ginasial começava em Barreiras (PITTA, 2015, p. 163-4). O educandário recebeu,
posteriormente o nome do Padre Vieira como uma homenagem aos seus esforços. Em
2005, no local onde funcionava o educandário, foi instalado um campus da UFBA.
Atualmente, funciona a reitoria da Universidade Federal do Oeste da Bahia.

A leitura da evolução administrativa do Oeste da Bahia começa em Barra de


onde emanciparam Cotegipe (1820 – o distrito de Taguá pertence atualmente a Cotegipe
e foi a vila de Campo Largo emancipada de Barra em 1820), Carinhanha (1832), Santa
Rita de Cássia (1840 – antes do atual nome era chamada de Santa Rita do Rio Preto),
Buritirama (1985) e Muquém do São Francisco (1989). De Cotegipe foram
emancipadas Angical (1890), Riachão das Neves (1962) e Wanderley (1985). De
Angical foram emancipadas Barreiras (1891), Brejolândia (1962), Cristópolis (1962) e
Tabocas do Brejo Velho (1962). De Barreiras, foram emancipadas Baianópolis (1962),
Catolândia (1962), São Desidério (1962) e Luís Eduardo Magalhães (2000 –
anteriormente era o distrito de Mimoso do Oeste). De Carinhanha, foram emancipadas
Correntina (1866 – antiga Vila de Nossa Senhora da Glória do Rio das Éguas), Santa
Maria da Vitória (1880 – antiga denominação era Porto de Santa Maria da Vitória do
Rio Corrente), Cocos (1958), Feira da Mata (1989). Foi emancipada de Correntina a
cidade de Jaborandi (1985). Foram emancipadas de Santa Maria da Vitória as cidades
de Santana (1890), Coribe (1958) e São Félix do Coribe (1988). De Santana, foram
emancipadas Canápolis (1962) e Serra Dourada (1962). Foram emancipadas de Santa
Rita de Cássia as cidades de Formosa do Rio Preto (1965) e Mansidão (1985). (Ver
SANTOS, 2011, p. 305; Ver também BRANDÃO, 2010, p. 44 – 45)
A década de 1980 permitiu ao Oeste baiano o lançamento do Programa de
Desenvolvimento dos Cerrados – PRODECER II. Novas técnicas e produtos foram
incorporadas na realidade agrária do Além São Francisco: “O período em exame
marcou a crescente incorporação das técnicas na realidade oestina, além de um maior
rebatimento socioespacial de fenômenos ocorridos em escalas mundial/internacional,
nacional e provincial/estadual, ainda que, em muitos casos, com considerável atraso.”
(BRANDÃO, 2010, p. 36). Vale ressaltar que os projetos de implantação do capitalismo
agrário junto com a privatização das terras tem suas raízes na década 1970 durante a
ditadura militar sendo o PODECER II foi a etapa seguinte (Ver SOBRINHO, 2012).
Assim, entre as décadas de 1990 e 2000 o oeste baiano se transformou “num eixo de
expansão do cultivo de pinus, soja, algodão, milho e da criação de gado e suínos sob o
signo da modernização e da geração valor.” (SAMPAIO, 2012, p. 06)

Os problemas ambientais se juntam com os problemas sociais ao longo da bacia


hidrográfica do São Francisco. Na década de 1980 Milton Moura e Maria Lúcia Simões
alertavam os altos índices de subnutrição, mortalidade e analfabetismo entre os
moradores das regiões próximas do rio (SIMÕES e MOURA, 1984, p. 28). A denúncia
sobre os desastres ecológicos em Juazeiro mostravam os efeitos sobre a população mais
pobre que dependia do rio para tirar parte do sustento. Nessa investigação os autores nos
apresentam brevemente a existência de grupos ambientalistas no oeste baiano como a
Associação dos Amigos da Natureza (ANIMA) com sede em Barreiras. Isso já
demonstrava as preocupações com os efeitos ambientais com os processos de
implantação de novas culturas agrárias. Segundo Moura e Simões, a ANIMA atuava
através de projetos relacionados com a experiência popular (Id., p. 35). O texto citado é
anterior ao PRODECER II que permitiu o avanço do agronegócio no Oeste da Bahia. A
presença de investidores sulistas para os projetos do PRODECER II e o fortalecimento
das relações latifundiárias contribuíram para o agravamento dos conflitos de terra e com
o desmatamento na região. Alguns rios e ribeirões do Oeste baiano foram esgotados
devido a retirada da cobertura vegetal necessária para a proteção (SOBRINHO, 2012, p.
27). Portanto, destacamos que entre os principais efeitos da reorganização da exploração
da terra nas últimas décadas foram o agravamento dos conflitos de posse de terra e do
uso da água, aumento das desigualdades sócio-econômicas, aumento das tensões com as
comunidades indígenas e quilombolas e a degradação ambiental (Ver SAMPAIO, 2012,
p. 13).
Segundo José de Sousa Sobrinho o avanço no campo do modo capitalista de
produção tem afetado o modo de vida das comunidades tradicionais no Oeste baiano.
Comunidades constituídas por indígenas e outras por quilombolas sofrem com a ação de
grileiros (SOBRINHO, 2012, p. 22 – 24; QUILOMBOS, 2004). As tentativas de
expulsão dos trabalhadores de suas terras tem como finalidade não só a apropriação da
terra para a produção como o aumento da disponibilidade de mão-de-obra
(SOBRINHO, 2012, p. 36). Além do avanço da grilagem e da descaracterização do
ecossistema local os projetos de implantação e modernização do capitalismo agrário no
Oeste da Bahia está provocando o assédio e a uso de trabalhadores em condições
análogas ao trabalho escravo (Id. p. 57).

Na dissertação de mestrado escrita em 2001, Ricardo Moreno Pinho afirmou que


ainda é possível encontrar relatos dos habitantes da região do rio das Rãs, em Bom
Jesus da Lapa, sobre a meação (PINHO, 2001, p. 66). Antonio Olavo apresentou
algumas tensões que envolvem as comunidades quilombolas no sertão do São
Francisco. Entre as comunidades filmadas estavam Riacho do Sacutiaba em Wanderley,
Jatobá em Muquém do São Francisco, Mangal e Barro Vermelho em Sítio do Mato, Rio
das Rãs em Bom Jesus da Lapa e Parateca em Malhada. Não estamos resumindo as
comunidades quilombolas nessas, mas, ressaltamos que as tensões provocadas pelas
disputas de terra ameaçam quilombolas e indígenas. No filme de Olavo, Quilombos da
Bahia, encontramos narrativas diversas que apresentam não só a realidade referente às
disputas pela terra, mas também, as memórias do tempo da escravidão que foram
passadas através das gerações como a que foi contada por Isauro Lobo (QUILOMBOS,
2004).

COMUNIDADES QUILOMBOLAS NO OESTE DA BAHIA

Sobre a presença histórica-antropológica dos negros na Região Oeste da Bahia


intuiu-se no cenário acadêmico o discurso da “escassez” de referências sobre tais
grupos, em grande medida, proveniente do discurso hegemônico e ideológico que,
velam até o tempo hodierno, imagens forjadas da presença rarefeita dos negros. Esse
cenário malogrado à população negra sobrevém, isto sim, de construções das elites
política, intelectual e religiosa, ou em alguns casos, alicerçadas numa penumbra
amistosa, cujas relações sociais, em sua maioria, constituíram-se sob à luz do
compadrio, coronelismo e/ou patronagem.
Pinho (2001), em análise da situação do cenário político de auto-identificação de
comunidades quilombolas no município de Bom Jesus da Lapa, nos idos de 1980,
corrobora esta premissa. Para o autor, a historiografia baiana contribuiu para propalar a
visão tradicional e colonial nas porções interioranas do Estado da Bahia da imagem do
negro, como objeto passivo e a-histórico. Ainda de acordo com o autor, a escravidão na
região seguiu a lógica do paternalismo entre o senhor/escravo até o alvorecer do século
XX.

No que concerne à presença incontestável dos negros, Dutra (2004) tece críticas
contundentes à historiografia brasileira e baiana, que por muito tempo relegou ao
segundo plano a presença negra na região, e, só mais recentemente alguns estudos, de
uma forma quase artesanal, conseguiram dar vida aos sujeitos históricos envolvidos
diretamente nesse processo. Para Pinho (2001), o imbróglio do negro deve-se, também,
à atenção centrada, tão-somente, ao Recôncavo e Salvador, a capital do Estado. Assim,
as demais regiões ficaram às expensas das lacunas da formação socioeconômica.

Destarte, alguns estudos têm contribuído para desvelar o quadro do


obscurantismo do negro na região. Dessa forma, Amorim & Germani (2005) apresentam
contribuições valorosas acerca do mosaico de situações que envolveram a ocupação de
terras por grupos negros em vários períodos históricos no Oeste da Bahia, sobremaneira
às porções do Velho Chico. E, destacam a relevância dos conflitos fundiários no que
tange aos processos de luta pela terra de tais grupos sociais, identificados como
quilombolas contemporâneos. A Comunidade Rio das Rãs desponta como a principal
referência para as demais comunidades quilombolas, pois tem sido considerada a
primeira comunidade quilombola reconhecida, constitucionalmente, no país.

Dentro do quadro de 387 comunidades, apenas 24 apresentam o título de posse


da terra, percebe-se também concentração espacial destas comunidades em alguns
municípios. “O município de Cachoeira, localizado no Recôncavo Baiano, apresenta a
maior quantidade de comunidades com os títulos de posse da terra, dez dentre as onze
identificadas, seguida pelo município de Bom Jesus da Lapa com cinco” (AMORIM &
GERMANI, 2005, p. 804).

Esse ranço, decorrente de um suposto desinteresse da sociedade provocou


percalços à própria dinâmica inerente ao desencadeamento da auto-identificação dessas
comunidades, como é o caso atual do Povoado do Mucambo, no município de Barreiras
(SANTANA, 2011; VIDAL, 2013). Essa dita ignorância das formações dos quilombos
no Oeste da Bahia, principalmente, no que concerne à história dos negros e negras,
reflete a preocupação das elites em manter seus privilégios e exercer quando
conveniente a violência física e simbólica (AMORIM, GERMANI, 2005; DUTRA,
2005).

Martins (2010), destaca a figura emblemática de Geraldo Rocha, personagem de


notoriedade político-econômica na região, aclamado pelas elites como o seu fidedigno
representante. Para o autor, o barrense, com fortes influências euclidianas e keynesiana,
asseverava as bases do dito ufanismo são-franciscano, presente até hoje no cenário da
região. Diante desse contexto histórico da região, percebeu-se um mascaramento, ou
pouco reconhecimento do histórico de luta e persistência e, mesmo contribuições dos
negros e indígenas à composição do estrato social da população do Oeste da Bahia.

A migração sulista, consubstanciada à expansão da fronteira agrícola a partir do


alvorecer da década de 1970, tem contribuído para fundamentar o mito da democracia
racial na região, em detrimento das representações sociais dos “nativos”. Dada a
posição historicamente desfavorável, no que diz respeito às relações de poder instituídas
é que, as comunidades quilombolas da região vêm lutando pelo direito de serem agentes
de sua própria história.

ASPECTOS HISTÓRICOS DOS MUNICÍPIOS - UFOB

Apesar de estarem ligados por relações políticas, econômicas, geográficas e


culturais, que constituem o Oeste baiano, os municípios que abrigam os campi da
UFOB possuem características particulares que merecem ser registradas mais
detalhadamente

1. BARRA

Situada nos limites ocidentais do Sertão de Rodelas, a vila de Barra foi criada no
ano de 1752, por Resolução Régia, contituíndo-se no primeiro núcleo de colonização
com o status de vila no Oeste baiano. A vila de São Francisco das Chagas da Barra do
Rio Grande do Sul, conforme foi primitivamente denominada, serviu como cabeça-de-
ponte do governo colonial. Foi por meio da vila Barra que o Estado português se fez
presente no médio São Francisco. Principal eixo político e comercial da região, a
referida vila foi descrita no inicio do século XIX como “abastada de carne, peixe, com
algum comércio e o numero total dos Parroquianos incluido em mil e trinta e seis
famílias”. Além de entreposto comercial, o cronista português Manoel Aires do Cazal
descreve Barra em 1817 como importante pólo piscatório (CAZAL, 1817, 2, 189). Sua
crescente população e importância política, já então sob governo da Província da Bahia,
foi assinalada por um cronista que afirmou ser Barra “a passagem do rio de S. Francisco
e muito frequentada” (SAINT MILLIET, 1845, 1, 21).

Barra foi a mais cosmopolita das vilas são franciscanas no século XIX. Segundo
Wilson Lins, enquanto as demais vilas estabelecidas ao longo do São Francisco
desperdiçavam vidas humanas em intermináveis conflitos familiares derivados de uma
decadente aristocracia colonial, a vila de Barra manteve-se ao largo destas disputas pelo
controle da região, mantendo uma política mais pacífica (LINS, 1983, 61-62). Ainda na
primeira metade dos oitocentos, Barra se destacava como importante centro cultural e
educacional. Das escolas de Barra emergiram figuras como as de João Maurício
Wanderley, que teve grande influência na política externa imperial, Francisco Bonifácio
de Abreu, introdutor dos estudos de quimica no Brasil e chefe do serviço médico do
Exército brasileiro na Guerra do Paraguai, além de, Abílio Cesar Borges, possivelmente
o mais influente educador brasileiro do século XIX.

Barra teve papel fundamental no desenvolvimento da imprensa no Oeste, sendo


o Echo do São Francisco (1874-1878), publicado na Typ. Barrense, o primeiro jornal
impresso na região. Aquele periódico defendia a criação de uma Província do São
Francisco, delinada pelo seu redator Tomás Garcez Paranhos Montenegro, juiz de
direito da comarca. Durante a República Velha ocorreu a expansão da imprensa
periódica em Barra, quando foram criados mais sete jornais intitulados Pequena Gazeta
(1893-94), O Riso (1894), Três Rios (1903-4), O Barrense (1904-5), O S. Pedro (1908-
9), A Barra (1909-10) e O Sertanejo (1909).

O desenvolvimento da cidade de Barra sofreu um grande revés econômico à


partir dos anos de 1960, com a construção da Rodovia Salvador/Brasília (BR-242). O
rio São Francisco gradualmente deixou de ser a principal via de comunicação entre o
litoral e o centro do Brasil. A BR-242 e a ponte sobre o rio São Francisco, construída
em Ibotirama nos anos de 1980, reduziu o caminho por via terreste. Barra deixou de ser
a passagem obrigatória do comércio entre o litoral e o Oeste baiano, mas se mantém
como importante centro cultural e político do Oeste baiano.
2. BARREIRAS

A cidade de Barreiras é, atualmente, o principal centro urbano do Oeste baiano.


A exploração da mangabeira, árvore de cuja seiva se fazia a borracha, contribuiu para a
formação do primitivo arraial de São João das Barreiras, elevado à freguesia, em 1881.
A vila, com a denominação de Barreiras, foi instituída pela lei estadual nº 237, de 6 de
abril de 1891, desmembrado do município de Angical. Barreiras foi elevada à condição
de cidade, pela lei estadual nº 449, de 19 de maio de 1902. Em 1911, o município
estava dividido em quatro distritos: Barreiras, Santana, São Desidério e Várzeas. Em
1962, Barreiras teve seu território desmembrado para formar os municípios de
Baianópolis, Catolândia e São Desidério.

Berreiras teve, desde cedo, uma tipografia. A imprensa foi criada em 6 de


setembro de 1908, quando começou a circular o Correio de Barreiras (1908-1909),
semanário dirigido pelo padre Florentino da Silva. A tipografia que produzia o referido
jornal foi criada por diligência de Orestes Lima, tipógrafo que atuava também no Estado
do Piauí.

Em 1937 teve início à construção do Aeroporto de Barreiras, localizado no alto


da Serra da Bandeira. Inaugurado em 1940, em meio à Segunda Guerra Mundial, com
financiamento norte-americano, configurou importante ponto de apoio para a aviação
civil e militar, servindo para reabastecimento da rota aérea que ligava a América do
Norte a Argentina. Por questões estratégicas para o governo civil-militar, o Aeroporto
de Barreiras foi desativado em 1964. Após sua reativação, o mesmo tornou-se um dos
mais importantes aeroportos do interior baiano, encurtando as distâncias entre o Oeste
baiano e o litoral e capital do Brasil.

O desenvolvimento da cidade de Barreiras foi impulsionado em fins da década


de 1960, com a construção da Rodovia Salvador/Brasília (BR-242) e com a introdução
do plantio de soja naquela região. Foi nos anos de 1970, não obstante, que Barreiras
começou a destacar-se no cenário brasileiro, em razão de políticas públicas de irrigação
que fomentaram o desenvolvimento do município e dos seus entornos.

Famílias provenientes do Rio Grande do Sul migraram para o Oeste baiano e


muitas destas fixaram residência em Barreiras, adquirindo grandes propriedades
agrícolas. Com a consolidação do cultivo extensivo da soja nos anos de 1980, Barreiras
confirma sua proeminência como um dos principais centros cerealistas do Brasil
Segundo Paulo Brandão:
No transcorrer de quase três décadas, nos decênios entre 1970 e 1990 e entre
este último ano e o de 1996, a taxa anual de crescimento do Oeste esteve quase sempre
acima daquela medida em escala estadual, ainda que com valores muito aproximados,
como apontam os estudos realizados pelo Governo da Bahia. Tal situação foi possível,
em grande parte, graças à atuação concomitante da CODEVASF, importante na criação
de projeto de colonização e irrigação em Barreiras e São Desidério, do PRODECER II,
graças ao financiamento de agricultores e da EMBRAPA, pelas pesquisas voltadas ao
aproveitamento agrícola do cerrado baiano. Estas iniciativas foram fundamentais na
transformação de espaços antes não aproveitados em localizações estratégicas para a
agricultura modernizada de exportação, atraindo populações de investidores individuais
e grupos empresariais de Salvador, Nordeste e Centro-Sul do país (Brandão, 2010, 42).

No esteio das políticas públicas para a região Oeste, foi estabelecido o Núcleo de
Ensino Superior de Barreiras, criado pela Lei Estadual nº 85.718 de 1981, atualmente o
Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus IX da Universidade do Estado
da Bahia (UNEB). Em 2006, foi criado o Instituto de Ciências Ambientais e
Desenvolvimento Sustentável, unidade universitária avançada da Universidade Federal
da Bahia.

3. BOM JESUS DA LAPA

Com uma área de 4.115,524 km2, o município de Bom Jesus da Lapa está
situado a 789km de Salvador, da capital do Estado, na região Centro-Oeste do Estado da
Bahia, Zona Fisiográfica do Médio São Francisco, compreendida no território do
“Polígono das Secas”, fazendo fronteira com os territórios vizinhos de Paratinga,
Riacho de Santana, Sitio do Mato, Serra do Ramalho, Muquém do São Francisco e
Malhada.
Por entre uma vasta planície do sertão baiano, na microrregião do Médio São Francisco,
à sua margem direita, surge um imponente e vistoso bloco de granito e calcário cheio de
grutas e fendas estreitas. É o morro da Lapa. Situado no perímetro urbano da sede com
93 metros de altura, 400 metros de largura e aproximadamente 1.000 metros de
extensão, o morro e suas grutas se constituem na principal atração da cidade. O
território do município é quase todo plano, surgindo, de vez em quando, no meio das
planícies ou tabuleiros alguns montes, de feições típicas, muito interessantes. O
principal deles é o morro da Lapa, com suas inúmeras grutas. (Fonte: IBGE, 2013)

O município de clima quente e seco, com temperaturas que oscilam entre 18 e 33


graus centígrados está localizado a uma altitude média de 483 metros e possui como
vegetação predominante a caatinga e o cerrado. No semiárido sertão baiano, Bom Jesus
da Lapa é ladeado pelo rio São Francisco, importante via fluvial que percorre
aproximadamente 70 km dentro do município, inteiramente navegáveis. O rio e seus
afluentes impactam diretamente no clima e na economia do município.
Os primeiros registros históricos da ocupação do território pelos europeus datam
do final do século XVII. De acordo com o padre historiador Turíbio Villanova Segura,
antes da chegada dos portugueses, a região era povoada por índios acoroaces (ou
coroados), da raça Gês, compreendidos na categoria de Tapuias – termo genérico usado
pelos portugueses para classificar aqueles agrupamentos indígenas hostis aos
colonizadores (SEGURA, 1987, p. 27-29).
Segundo relato da tradição, o primeiro europeu a avistar o morro foi o donatário
da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, na sua viagem de exploração pelo rio São
Francisco entre os anos de 1543 e 1550. No século XVII, o rei de Portugal, Afonso VI,
por carta de 27 de Agosto de 1663, concedeu ao mestre de campo Antônio Guedes de
Brito, fundador do Morgado da Casa da Ponte, uma grande extensão de terras que
compreendia desde o Morro do Chapéu até as nascentes do Rio das Velhas. O intuito do
rei era o de formar núcleos de civilização no interior do país.
Na primeira etapa de ocupação, Antônio Guedes de Brito organizou uma
bandeira para lutar contra indígenas e tomar posse da terra, trazendo para a região
sertanistas e vaqueiros com intuito de desbravar o sertão e atuar nas inúmeras fazendas
de criação de gado nas terras pertencentes à família do Conde da Ponte (SEGURA,
1987, p. 30-34).
Apesar da importância da colonização pela pecuária, o maior impulso para o
povoamento do local da atual cidade de Bom Jesus da Lapa foi a fundação da capela na
gruta da pedra de Bom Jesus da Lapa pelo peregrino Francisco Mendonça Mar (1657-
1722). Na sesmaria do Conde da Ponte, Francisco Mendonça descobriu, no ano de
1691, o morro que abrigava a gruta onde depositou, como numa igreja, as relíquias que
carregava consigo. Não demorou muito tempo, para que o santuário da Lapa passasse a
atrair romeiros que maravilhados com a sacralidade da gruta propalavam até a capital as
graças ali recebidas.
Os relatos milagrosos fizeram com que arcebispo da Bahia considerasse
oficialmente, em 1706, a gruta da lapa como uma Capela e ordenasse a sacerdote o
peregrino Francisco Mendonça Mar, nomeando-o Capelão da gruta, atribuindo-lhe o
nome de Francisco da Soledade. Segundo carta de punho do próprio Francisco da
Soledade no ano de 1695:
todos se dilatam por muitos dias para descanso de suas pessoas e comboios, e,
além destes, vêm assistir muitas outras pessoas que, movidas da dita devoção,
fazem suas novenas ao Bom Jesus, como também as pessoas pobres e os que
enfermam naqueles sertões se valem da enfermaria que para eles tem feito o
suplicante na referida Lapa onde são tratados com muita caridade e considerando
o suplicante nas graves necessidades que todos padecem na falta de
mantimentos, pois naquele deserto se não acham mais lavouras que aquelas que
planta o suplicante e seu companheiro. (Apud. VILLANUEVA SEGURA, p.
118)
Num resumo histórico, a criação do município pode ser ilustrada em três
diferentes momentos. Primeiro, em 1750, Lapa era um arraial com cinquenta casas
pobres, feitas de barro, com teto de palha. Em 1852, escrevia o insigne austríaco
engenheiro Halfeld: “O arraial do Senhor Bom Jesus da Lapa tem 128 casas com 250
habitantes sedentários”. Em 1874 era distrito de paz e subdelegacia com 405 casas e
uma população de mais de 1400 habitantes. Dependia de Urubu (antiga denominação do
município de Paratinga) no civil, judicial e eclesiástico (SEGURA, 1987, p. 37). Num
segundo momento, Lapa foi elevada a Vila por ato de 18 de Setembro de 1890, sendo
presidente interino da Bahia (o primeiro depois da Republica), o Dr. Manoel Vitorino
Pereira no governo de Virgílio Clímaco Damásio (estabelecendo os limites do
Município) (BARBOSA, 1995, p. 108). Por fim, em terceiro, foi elevada à categoria de
Cidade, pelo Sr. Dr. Joaquim Seabra, conforme lei estadual n. 1.682 de 31 de Agosto de
1923. A população da cidade, segundo o recenseamento de 1950, era de 4.786
habitantes, com 1.350 prédios em 24 ruas e 3 praças. (SEGURA, 1987, p. 38)
De acordo com dados do último censo demográfico (IBGE, 2013), Bom Jesus da
Lapa possui atualmente uma população de 63.480 habitantes, com densidade
demográfica de 15,11 Hab/km2, estando a maioria da população (67,9%) residindo na
zona urbana do município. Entre a população rural (32,1%), destaca-se a presença de
numerosas comunidades quilombolas (Alagoinhas, Bandeira, Barreira, Barrinha,
Batalhinha, Bebedouro, Campo Grande I, Campo Grande II, Capão de Areia,
Cariaca/Araca, Fazenda Batalha, Jatobá, Fazenda Volta, Fortaleza, Juá, Lagoa do Peixe,
Macaco, Nova Batalhinha, Nova Volta, Patos, Pedras, Peixes, Piranhas, Rio das Rãs,
Santa Rita).
As principais atividades econômicas do município são a agricultura, o comércio,
o turismo religioso e a pesca. Na agricultura, destaca-se a importância da produção
agrícola do Distrito de Irrigação Formoso ou Projeto Formoso, implantado pelo
Governo Federal, por intermédio da CODEVASF, às margens do Rio Corrente, numa
área de 19. 500 hectares, sendo 12.100 hectares de área irrigável com 82.72 quilômetros
de canais, 288,82 quilômetros de estradas e 119,89 quilômetros de drenos.
O comercio é impulsionado pelo turismo religioso, considerando que cidade de
Bom Jesus da Lapa, conhecida como “Capital Baiana da Fé”, sedia a terceira maior
romaria do Brasil que atrai milhares de fiéis ao santuário católico.
O cenário da educação ainda é precário no município, principalmente no
concernente ao ensino superior. Por muito tempo a Universidade do Estado da Bahia –
UNEB – funcionou como a única instituição pública de ensino superior em Bom Jesus
da Lapa, oferecendo os cursos de Pedagogia e, posteriormente, Administração. A
permanência da UNEB, aliada à presença de outras instituições de ensino superior
privadas, que ofereceram esporadicamente cursos na modalidade EAD, contribuiu para
a formação de uma pequena parcela da população do município com formação superior
completa, apenas 1,3% segundo o censo de 2010. Esse baixo índice de graduados pode
ser explicado pela escassez de instituições de ensino superior no interior da Bahia.

4. LUÍS EDUARDO MAGALHÃES


O desenvolvimento e o crescimento do município de Luís Eduardo Magalhães se
associam de forma cabal às propostas elaboradas e perpetradas pelo governo brasileiro,
em fins da década de 1970, no sentido de desenvolver a agricultura voltada para o
mercado externo. O período era marcado pela ação da ditadura militar brasileira, que se
esmerou por ampliar o crédito agrícola a partir de uma ideia de desenvolvimento
escorada na proposta de expansão das fronteiras produtivas, o que interferiu diretamente
nos investimentos que nortearam os rumos da agropecuária brasileira. (CYSNE, 1993,
p. 210-211).
A região se transformou num pólo atrativo para pessoas de diversas regiões que
buscavam uma oportunidade. Uma leva considerável de migrantes advindos de
diferentes estados do Brasil ajudou a diversificar a paisagem humana do oeste baiano.
Os programas governamentais ofereceram as ferramentas para que as dificuldades
apresentadas pela região pudessem ser amenizadas ou suplantadas e fizeram com que o
potencial apresentado pela região fosse aproveitado. Seriam necessárias obras que
viabilizassem a irrigação, construção de estradas, investimento em comunicação e
estudos concernentes ao clima e às especificidades geográficas. Evidentemente não se
tratava de iniciativas que pudessem ser realizadas em curtos espaços de tempo.
Nesse contexto, ainda nos anos setenta do século passado, iniciativas como a
criação da CODEVASF – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco
e Parnaíba –, atinentes com essa proposta de diversificação da pauta de exportação e de
desenvolvimento de regiões com potencial econômico ainda inexplorado ou sub-
explorado, foram apresentadas. (CAMELO FILHO-ZUZA, 2008, p. 73-75). Elas
traziam em seu esteio a materialização de projetos de irrigação que tinham como pano
de fundo a tentativa de expandir as fronteiras agrícolas. A região oeste da Bahia, e nela
inserida a atual Luís Eduardo Magalhães, apresentava uma série de pré-requisitos, que
seriam fundamentais para o sucesso da empreitada. Os incentivos fiscais e o crédito
rural se associaram aos módicos preços das terras da região. Atrelados a isso, o elevado
potencial hídrico e o oferecimento de mão de obra barata. O agronegócio insuflado pela
equação supracitada atrairia investidores nacionais e estrangeiros e acarretaria um
grande fluxo migratório que contemplaria alguns dos principais centros do oeste baiano,
dentre eles a futura Luís Eduardo Magalhães.
Segundo Clóvis Caribé, Raquel do Vale e Jocimara Britto Lobão (2012, p. 203),
esses primeiros migrantes a chegar no oeste da Bahia, ainda em finais dos anos 1970,
terminariam por se fixar em vários municípios, mas sobretudo em seis: São Desidério,
Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Riachão das Neves, Correntina e Formosa do Rio
Preto. O município, por um lado, apresentava as características geoambientais
necessárias para o desenvolvimento do agronegócio, por outro soube se adaptar às
diretrizes ditadas pela lógica de mercado dos produtos gerados a partir da exploração da
terra. Destarte, Luís Eduardo Magalhães se destacou como um pólo do desenvolvimento
agroindustrial.
A origem do município remonta ao período em que alguns projetos de
desenvolvimento da região eram elaborados e começavam a ser executados. Neste
tempo, as levas de migrantes cresciam todos os anos e as aglomerações, cada vez
maiores, precisavam que algumas de suas necessidades mais básicas fossem
equacionadas e atendidas. Algumas comunidades começam a se organizar nesse sentido,
uma vez que as forças públicas não atuavam de forma efetiva na região. Em 1984, foi
fundado o povoado de Mimoso, associado o município de Barreiras, que dois anos
depois passaria a se chamar Mimoso do Oeste. Em paralelo ao povoado de Mimoso do
Oeste – que se configuraria mais tarde como sede do futuro município – surgiram outros
povoados e comunidades que seguiam a mesma lógica de desenvolvimento e ação.
Dentre estes, pode-se destacar Novo Paraná, Bela Vista, Alto Horizonte e Nova
Esperança (JUNGES, 2004, p. 100-105). Localidades nas quais a paisagem humana se
marcaria pela migração inter e intra-regional que se associaria aos grupos nativos da
região como brejeiros, ribeirinhos e outras comunidades tradicionais.
Não tardaria para que essas localidades aventassem a possibilidade de se
emancipar politicamente. As primeiras ideias de emancipação de Mimoso do Oeste
começaram a ser elaboradas em finais da década de 1980, mas não foram bem sucedidas
em sua execução. Uma década mais tarde, em dezembro de 1997, o povoado foi elevado
à condição de distrito pela Lei nº395/97. Em outubro do ano seguinte, foi elaborado e
apresentado à Câmara Municipal o projeto que propunha a troca do nome do distrito
para Luís Eduardo Magalhães. Entre novembro e dezembro de 1998, o projeto foi
votado, aprovado e sancionado. A escolha do nome não foi casual. Com a morte do
deputado Luís Eduardo Magalhães, ocorrida em abril de 1998, os políticos e a elite do
novo distrito certamente levaram em consideração o apoio que poderia ser angariado
junto ao senador Antônio Carlos Magalhães, pai de Luís Eduardo, para efetivar a
emancipação política do distrito. O resultado seria o surgimento de um município cujo
nome honraria a memória do filho recentemente falecido do senador. A estratégia
funcionou. Em fevereiro de 1999, foi apresentado o requerimento para elevação do
distrito à condição de município. Um ano depois, o requerimento foi aprovado. No dia
30 de março de 2000, a Lei nº 7619, assinada pelo então governador César Borges,
alçou o distrito de Luís Eduardo Magalhães à condição de município. (JUNGES, 2004,
p. 106-108).
O cenário vislumbrado hoje por quem aporta no município de Luís Eduardo
Magalhães é, certamente, bastante diverso daquele dos idos dos anos 1980, quando os
programas governamentais eram implantados e a cidade ainda se chamava Mimoso do
Oeste. A região era marcada pela presença da atividade de subsistência e pela figura do
pequeno produtor. Hoje, Luís Eduardo Magalhães se marca como um epicentro do
desenvolvimento do agronegócio. É preciso enaltecer que, ainda atualmente, o cenário
notabilizado pelo setor primário se configura como um espaço no qual o pequeno
produtor se faz presente ao lado das atividades produtivas conduzidas por grandes
empresas rurais – muitas de capital internacional –, que lançam mão de processos
produtivos centrados na utilização de tecnologia sofisticada. Luís Eduardo Magalhães,
segundo PIB da região, se destaca na produção e exportação de commodities agrícolas.
O desenvolvimento do município se liga ao contexto do desenvolvimento
neoliberal associado aos últimos governos militares e ao processo de redemocratização
que se lhe seguiu. A pauta progressista associada ao desenvolvimento econômico do
oeste, não tem contemplado setores significativos da população, seja ela nativa ou
aquela atraída pelo rastro dos investimentos atinentes ao processo de expansão da
fronteira agrícola. A falta de infra-estrutura é flagrante, como de resto em todos os
municípios do oeste da Bahia.

5. SANTA MARIA DA VITÓRIA


O município de Santa Maria da Vitória está situado nas margens do rio Corrente
e foi elevado à categoria de vila em 1880. Neste período o comércio da vila de Santa
Maria da Vitória era considerado como movimentado por alguns viajantes. Foi elevada
à condição de cidade pela lei nº 737 de 26 de junho de 1909, porém com a denominação
de Santa Maria. Apenas em 1944 é que a denominação do município mudou para Santa
Maria da Vitória.
A partir do atual referencial territorial, Santa Maria da Vitória está situado no
Oeste da Bahia. Na década de 1970, os trabalhadores rurais de Santa Maria da Vitória
sofreram com o assédio das estratégias privatizantes impulsionadas pelo governo
militar. As lutas pela terra gerou um grande conflito do capital contra os posseiros e a
concentração de terra agravou com a fragilização dos pequenos produtores.

Santa Maria da Vitória possui os distritos de Açudina e Inhaúmas, sendo que o


município está ligado por uma ponte ao município de São Félix do Coribe. Santa Maria
da Vitória estabelece fronteira com os municípios de Santana, Baianópolis, Canápolis,
São Desidério, Correntina e Jaborandi, sendo estes três últimos possuem grande
extensão territorial.

2. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO


OESTE DA BAHIA : ICADS-UFBA (2006-2013)
A Universidade Federal do Oeste da Bahia tem sua origem no Instituto de
Ciências Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (ICADS), um campus avançado da
Universidade Federal da Bahia (UFBA) estabelecido em 2006. A UFBA pode ser
considerada o mais importante projeto cultural da Bahia no século XX e reafirmar esse
legado é a missão da UFOB no raiar do século XXI, contemplando o território, a
diversidade cultural e as humanidades no Oeste baiano.
A Universidade Federal da Bahia, criada pelo Decreto-Lei no. 9.155, de 8 de
abril de 1946, com sede em Salvador-BA, com autonomia administrativa, patrimonial,
financeira e didático-científica. Apesar de instituída oficialmente como Universidade da
Bahia, em 8 de abril de 1946, "sua constituição englobou a articulação de unidades
isoladas de ensino superior preexistentes, públicas ou privadas" (Plano de
Desenvolvimento institucional UFBA - 2012-2016, pp. 8-9).

O estabelecimento do ensino superior na Bahia remonta ao século XIX, ainda


que esse desenvolvimento tenha sido lento e gradual. Sua origem está no
estabelecimento, por decreto régio 18 de fevereiro de 1808, do Colégio Médico-
Cirúrgico da Bahia, a mais antiga escola estudos superiores do Brasil, atual Faculdade
de Medicina. A primeiras tentativas de criar universidades no Brasil foram abortadas
pelo governo português às vésperas da Independência. O projeto de criar a Nova
Athenas, com sede na Capitania da Bahia, proposto pelo acadêmico baiano Luis
Antonio de Oliveira Mendes Dias Lobato, não passou pela Comissão de Instrução
Pública das Cortes Extraordinárias de Portugal em 1821. Após a Independência, em
1822, tentativas de estabelecer universidades em cidades do interior baiano, à exemplo
do que propôs o soteropolitano José da Silva Lisboa para a vila de Cachoeira, não
encontraram apoio nas classes políticas imperiais. Na primeira metade daquele século,
já na Regência, foi criado em Salvador o curso de Farmácia (1832), sendo incorporado
à Escola de Cirurgia. Posteriormente, o mesmo ocorreu com o curso de Odontologia
(1864). No Segundo Império foram criados o curso de Agronomia (1859) e a Academia
de Belas Artes da Bahia (1877).

Já no início da República, foram criadas em Salvador a Faculdade de Direito


(1891) e a Escola Politécnica da Bahia (1897). A Faculdade de Ciências Econômicas da
Bahia e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras foram estabelecidas já no avançar
do século XX, em 1934 e 1941, respectivamente. Essas unidades de Ensino Superior
constituíram o núcleo inicial da Universidade da Bahia, conforme o Decreto-Lei no.
9.155, de 8 de abril de 1946. Apesar do referido Decreto, foi necessário o
desenvolvimento de novas unidades e órgãos complementares, com o objetivo de
"constituir um efetivo sistema universitário, capaz de atender as necessidades culturais
da sociedade baiana". (Plano de Desenvolvimento institucional UFBA - 2012-2016, pp.
8-9)
Foram imensos os desafios assumidos pelo Reitor Edgard Santos entre 1946 e
1961. Para dar continuidade ao projeto de transformar e dar visibilidade aos elemntos
culturais e artísticos da Bahia, em 1955 teve início a instalação da Escolas de Arte e dos
Seminários Livres de Música e, no ano seguinte, das Escolas de Teatro e Dança. A
Faculdade de Arquitetura e a Faculdade de Administração foram implantadas em 1959.
Em 1967, foram incorporados à UFBA os cursos de Agronomia e Medicina Veterinária,
que passou a assumir a atual denominação de Universidade Federal da Bahia. Nos anos
de 1960-70 foram estabelecidos os Institutos de Matemática, Física, Química, Biologia,
Geociências e Ciências da Saúde, as Escolas de Biblioteconomia e Comunicação e de
Nutrição e a Faculdade de Educação. A antiga Faculdade de Filosofia passou a se
denominar Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Os anos 1980 e 1990 foram
assinalados por uma franca expansão nos programas de pós-graduação dos institutos e
faculdades vinculados à UFBA.

Em 2005, o Ministério da Educação institui o Programa Expandir para a criação


de novos campi e universidades. Naquele mesmo ano, em decorrência do referido
Programa, o Conselho Universitário da UFBA aprovou a criação de duas unidades
universitárias. O primeiro foi o Instituto Multidisciplinar de Saúde, Campus Anísio
Teixeira, em Vitória da Conquista-BA. A segunda unidade foi o Instituto de Ciências
Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (ICADS), localizado na cidade de
Barreiras-BA, no Campus Edgard Santos. No ICADS funcionaram os cursos de
Administração, Ciências Biológicas (Licenciatura e Bacharelado), Engenharia Sanitária
e Ambiental, Geografia (Licenciatura e Bacharelado), História (Licenciatura), Geologia
e Química (Licenciatura e Bacharelado) e os Bacharelados Interdisciplinares. Em 2006,
eram 234 estudantes matriculados na cidade de Barreiras. Em 2011, já eram 400 os
estudantes matriculados no ICADS.

A Lei Nº 12.825, de 5 de Junho de 2013, no seu Artigo 1o, determinou a criação


da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), por desmembramento da
Universidade Federal da Bahia (UFBA). A missão da jovem universidade é tão, ou
mais, desafiadora quanto a encampada sob a liderança de Edgard Santos a partir de
1946. Os desafios do século XXI exigem da Universidade Federal do Oeste da Bahia
estabelecer novas conexões intelectuais, culturais, artísticas, políticas, econômicas,
científicas e tecnológicas entre o Oeste baiano e um mundo em processo de
globalização.
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