Você está na página 1de 15

Processos Psicológicos Básicos

Funções mentais como sensação, percepção, atenção, memória, pensamento, linguagem,


motivação, aprendizagem e etc, são caracterizadas na psicologia como “Processos
Psicológicos Básicos”. Essas funções derivam tanto das interações de processos inatos
quanto de processos adquiridos, junto a relações do individuo de experiência e vivência com o
meio. Apesar das distinções desses processos é por meio de sua relação e influência que se
pode compreender a dinâmica da mente, pois eles interagem e até dependem de outros
processos. Algumas das funções mais estudadas nos processos psicológicos básicos são:
Memória: Capacidade que permite a codificação, o armazenamento e recuperação de dados.
De forma resumida a memória pode ser dividida em três processos:

● Codificação: Envolve o processo de entrada e registro inicial da informação e a


capacidade de mantê-la ativa para o processo de armazenamento.
● Armazenamento: Envolve a manutenção da informação codificada pelo tempo
necessário para que possa ser recuperada e utilizada quando evocada.
● Evocação ou reprodução: Caracterizada pela recuperação da informação registrada e
armazenada, para que possa ser usada por outros processos cognitivos como
pensamento, linguagem e etc.

A memória ainda pode ser classificada como memória de curto prazo, memória de longo prazo,
autobiográfica, episódica e sensorial. A perda ou dificuldade de armazenamento ou
recuperação de informações é conhecida como amnésia e deve ser tratada sendo comum em
casos de lesões e traumas de diferentes espécies.
Emoção: É um estado mental subjetivo associado a uma ampla variedade de sentimentos,
comportamentos e pensamentos. Ela desempenha um papel central nas atividades humanas,
já que as emoções alteram a atenção e o nível do comportamento resultando em diferentes
respostas do indivíduo. Pode ser considerada como uma espécie de depósito de influências
aprendidas e inatas.
Pensamento: É a capacidade de compreender, formar conceitos e organizá-lo. Estabelece
relações entre os conceitos por meio de elementos de outras funções mentais (como as vistas
anteriormente), além de criar novas representações, ou seja, novos pensamentos. O
pensamento possibilita a associação de dados e sua transformação em informação estando
conseqüentemente associado com a resolução de problemas, tomadas de decisões e
julgamentos.
Linguagem: A Linguagem é a capacidade de receber, interpretar e emitir informações ao
ambiente. Por meio da linguagem podem-se trocar informações e desenvolver formas de
compreensão e de expressão. A linguagem reflete a capacidade de pensamento, então se uma
pessoa tiver um transtorno de pensamento sua linguagem poderá ser prejudicada. Junto aos
processos cognitivos é que a linguagem se desenvolve e se as habilidades das funções
mentais são crescentes assim os recursos lingüísticos também serão.
Sensação: A sensação é a resposta sensorial ou objetiva ao estimulo do meio ela detecta a
experiência sensorial básica por meio dos sons, objetos, odores e etc. Desse modo, essa
função pode classificada como sendo de natureza objetiva.
Percepção: Refere-se a capacidade de captar os estímulos do meio para processamento da
informação. Os órgãos dos sentidos são responsáveis pela captação das informações, ou seja,
o processamento cerebral depende da visão, olfato, tato e etc. Ela é considerada uma
característica subjetiva, diferentemente da sensação que é classificada como sendo objetiva.

Senso-percepção (estesia) e suas alterações .

Os sentidos: Visuais, Táteis, Auditivos, Olfativos, Gustativos, Proprioceptivos e Cenestésicos


(sensações do corpo próprio), Cinestésicos (sensações de movimento e equilíbrio).
Sensação: fenômeno gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos, originados fora ou
dentro do organismo, que produzem alterações nos órgãos receptores, estimulando-os.
Percepção: Transformação do estímulo sensorial em fenômeno perceptivo consciente. O
elemento da senso-percepção é a imagem perceptiva real (diferente das imagens imaginativas,
da memória, etc.), a imagem perceptiva é nítida, estável e completa.

Alterações da Senso-Percepção (estesia):


1- Alterações Quantitativas \u2013 as imagens perceptivas tem uma intensidade anormal, para
mais ou para menos.
1.1 Hiperestesia : a percepção está anormalmente aumentada, um ruído parece um estrondo,
as cores torna-se mais vivas, intensas, o cheiro fica mais apurado(ex: na pele de um cão).
Pode ocorrer em casos de intoxicação por alucinógenos, algumas formas de epilepsia, na
esquizofrenia aguda e alguns quadros maníacos.
1.2 Hipoestesia : a percepção está baixa, (ex: paciente deprimido) o mundo é percebido como
mais escuro, as cores tornam-se mais pálida, sem brilho, os alimentos não tem sabor, os
odores perdem sua intensidade.
1.3 Anestesia (desestesia) : paciente histérica não sente uma parte do corpo. Ex: Anestesia
Proprioceptiva A Dama sem corpo.
1.4 Analgesia :ausência da sensação de dor.

2 - Alterações Qualitativas :compreendem as ilusões, as alucinações e as alucinoses.


2.1 Ilusão :é a percepção deformada, alterada, de um objeto real e presente. Pode ser visual,
auditiva, olfativa, etc., ocorrendo em três condições:
Nos estados de rebaixamento do nível de consciência: quando por turvação da consciência a
percepção torna-se imprecisa, os estímulos são percebidos de forma deformada.
Nos estados de fadiga grave ou de inatenção marcante: ocorrem ilusões transitórias e sem
muita importância clínica.
Nas alterações do humor e dos afetos: o afeto deforma o processo de senso-percepção,
gerando ilusões catatímicas.
2.2 Alucinação :É a percepção clara e definida de um objeto (voz, ruído, imagem) sem a
presença do objeto estimulante real. A pessoa acredita que o conteúdo perceptivo é real.
2.3 - Alucinose :o paciente percebe tal alucinação como estranha a sua pessoa, se distância do
sintoma, é um fenômeno periférico ao eu

2.2.1 - Tipos de alucinações:


Alucinações audioverbais: o paciente escuta vozes sem qualquer estímulo real.
Alucinações Visuais: visões nítidas experimentada na ausência de estímulos visuais, cores,
pontos, objetos, pessoas (vivas ou mortas), caveiras, demônios, santos, fantasmas, etc.
Alucinações Táteis:o paciente sente espetadas, choques, insetos correndo sobre sua pele, etc.
Alucinações olfativas e gustativas o paciente sente o cheiro de coisas podres, fezes, venenos,
ou outros específicos (ex: aura epilética).
Alucinações Cenestésicas :sensação alterada nas vísceras e orgãos.
Alucinações Cinestésicas :sensação alterada de movimentos do corpo, sente pernas
encolhendo, mãos se mexendo, etc.

2.2.2 - Exemplos de alucinações nos diferentes transtornos mentais:

a) ESQUIZOFRENIA
A esquizofrenia de tipo paranóide (onde há maior estruturação psíquica e um delírio
minimamente sistematizado) apresenta um conjunto estável de alucinações auditivas verbais.
Todos os tipos de alucinação podem estar presentes em qualquer sub-tipo de esquizofrenia.
As vozes estão relacionadas com as perturbações delirantes do pensamento e seu conteúdo é
sempre negativo: vozes que comentam os atos da pessoa, a injuriam, ameaçam , dão ordens,
etc.Os pacientes vivem essas vozes como uma interferência alheia ao próprio eu, elas são
atribuídas a perseguidores.
As vozes sempre são dirigidas à pessoa que as alucina.
Os pacientes discutem ou se defendem das vozes quando possível, por vezes o caráter
imperativo das vozes não deixa outra saída além da obediência.As sonorizações do
pensamento (ouvir os próprios pensamentos como se viessem do exterior, como eco, ou como
se alguém os repetisse em voz alta) são comuns.Há também a alucinação de vozes
dialogantes, que conversam entre si, sobre o paciente ou não. Às vezes as vozes discutem sua
vida, algumas condenam sua conduta, lhe atacam e outras lhe saem em defesa.Algumas
vezes estão presentes alucinações auditivas de ruídos, rumores ou vozes sem sentido, mas
sempre esses sons são ameaçadores e dirigidos à pessoa.
As esquizofrenias de tipo desorganizada e catatônica costumam apresentar mais as
alucinações cenestésicas.

EXEMPLOS CLÍNICOS:
1 - Um paciente internado, com várias tentativas de suicídio e delírio paranóico, ouve vozes
que vêm de Deus e lhe são dirigidas: Pedro, senta a bunda nessa pedra; Pedro tu és a pedra
sob a qual edificarei a minha igreja; Pedro, apascenta as minhas ovelhas. Não apenas vozes,
mas também ruídos como o trovão são tomados como vindo de Deus de forma ameaçadora e
dirigida à sua pessoa: ouvi o trovão de Deus.
2 -Um outro paciente, deitado em sua cama ouvia um barulho estranho e ameaçador que
acaba reconhecendo como um barulho de serrote; era a criatura que o perseguia ameaçando-o
de cortá-lo em pedaços.
3 - Uma paciente ouvia vozes que lhe ordenavam ações e ela se via obrigada a obedecer
automaticamente: Bate, come, anda, etc.
4 - Uma paciente solteira, após ter um filho cujo pai não assumiu e lhe trouxe várias
dificuldades no relacionamento com sua família, estava andando na rua quando ouve alguém
dizer: \u201cEssa mulher teve um filho!\u201d (o tom da afirmação era acusatório).
5 - Um paciente ouvia a mãe sussurrar na cozinha, enquanto ele tentava descansar em seu
quarto: viadinho.
6 - O paciente R sentia o pescoço se transformando em massa plástica e derretendo, fruto de
um remédio que lhe deram para matá-lo.
7 - Um paciente reclamava de sentir as veias correrem dentro de seu corpo.
8 - O paciente M. sentia os órgãos apodrecerem, o estômago ao avesso e os olhos embaçados
de sujeira. Chegou a tomar desinfetante e outros produtos tóxicos para tentar contornar seu
mal-estar, assim como pingar água sanitária nos olhos para clareá-los.
9- Um paciente dizia que lhe jogavam descargas de fluidos para causar-lhe mal-estar. As
descargas eram acompanhadas de vozes que diziam: se você contar alguma coisa diremos
que está maluco.
10 - Um paciente diz não poder ir para casa devido ao cheiro horroroso dos piolhos das
galinhas de um aviário localizado há um quarteirão de distância. Outra diz que não podia ficar
em casa por causa das emanações de gás que deixavam um cheiro horrível, insuportável.
Quando reclamava, seus parentes diziam que estava louca.

TRANTORNOS DO HUMOR OU AFETIVOS.


Alucinações são mais raras, já as ilusões são mais freqüentes.

EPILEPSIA
Há a presença de alucinações dotadas de vivacidade e nitidez, sempre angustiantes.
As mais comuns são as visuais, sendo seguidas pelas auditivas e por fim as cenestésicas.
Há a presença de auras: certos equívocos sensoriais que se dão no início da crise. Podem ser
fenômenos elementares como cores, ou até visões complexas assim como sons e vozes. O
característico das auras é que, para cada doente, elas apresentam sempre o mesmo conteúdo.
Em alguns pacientes há crises epiléticas parciais que se configuram por estados alucinatórios
que podem durar horas ou dias e deixam os pacientes inquietos, angustiados ou ameaçados.
São muito comuns as alucinações visuais em tons de vermelho, sangue, chamas, etc. É
comum a presença de reações violentas em respostas a essas alucinações. Esses estados são
seguidos de amnésia.

DELIRIUNS FEBRIS, e outros estados associados a diminuição do grau de consciência.


Nesses estados predominam as visões variadas e de tonalidade afetiva variável também.
Quanto maior é a obnubilação da consciência, mais predominam os fenômenos visuais. Alguns
enfermos também apresentam
Alterações da Consciência
A semiologia psicopatológica cuida do estudo dos sinais e sintomas produzidos pelos
transtornos mentais.
Consciência é definida como o estado de vigília e capacidade de entrar em contato com a
realidade, perceber e conhecer os objetos.
Alterações normais da consciência: sono e sonhos.
As alterações de consciência podem ser divididas em:

● Confusão, que é a ausência de pensamentos claros e dificuldade para tomar


decisões.
● Desorientação, que é a incapacidade de entender como você se relaciona com as
pessoas, lugares e objetos ao seu redor. Ela pode acarretar na perda de memória.
● Delírio, que é uma alteração multifatorial em que a pessoa perde o contato com a
realidade.
● Letargia, que acontece quando a pessoa não responde a estímulos, desde o
chamado de um despertador até o acionamento de alarmes de incêndio.
● Estupor ou torpor, que é um estado em que a pessoa não responde a nenhum
estímulo, com exceção da dor.
● Coma, que é quando a pessoa não responde a nenhum estímulo, nem mesmo a dor,
e não pode ser acordada. Se ela ficar em coma por muito tempo pode ser
caracterizado o estado vegetativo.

Causas

Alterações Patológicas da Consciência


Alterações Quantitativas (relacionadas ao nível da consciência):
– Obnubilação ou turvação da consciência: rebaixamento em grau leve a moderado.
Dificuldade para integrar as informações sensoriais do ambiente; alguma sonolência;
dificuldade de compreensão.
– Torpor: o paciente só pode ser despertado por um estímulo enérgico e/ou doloroso;
evidente sonolência; incapaz de ações espontâneas.
– Coma: impossibilidade de ações voluntárias conscientes; ausência de qualquer indício de
consciência; sinais neurológicos podem estar presentes: nistagmo, anormalidades do olhar
conjugado, anormalidade dos reflexos oculocefálicos (cabeça de boneca); rigidez de
decorticação (flexão dos membros superiores ao estímulo doloroso) ou descerebração
(extensão dos membros ao estímulo).
Síndromes psicopatológicas associadas ao rebaixamento do nível de consciência
Delirium: síndrome confusional aguda, devido a distúrbio cerebral agudo; rebaixamento leve a
moderado do nível de consciência; desorientação; ansiedade em graus variáveis; discurso
ilógico e confuso. O quadro oscila ao longo do dia, normalmente com piora à tarde e à noite.
Não confundir com delírio (alteração do juízo de realidade).
Alterações Qualitativas da consciência
De modo geral, são acompanhadas por algum grau de rebaixamento do nível da cosnciência.
1 – Estado crepuscular: estado transitório, pode surgir e desaparecer de forma abrupta e ter
duração variável, de poucos minutos ou horas a algumas semanas. Frequentemente associado
a causas orgânicas (confusão pós-ictal, intoxicações, traumatismo craniano). Consciência
restringida a um círculo de idéias de importância particular par o sujeito, com conservação de
atividade psicomotora global mais ou menos coordenada, permitindo atos automáticos –
frequentemente violentos e com descontrole emocional. Geralmente ocorre amnésia lacunar
para todo o episódio.
2 – Estado segundo: semelhante ao estado crepuscular, mas a atividade psicomotora é
estranha à personalidade do sujeito. Atos extravagantes, em contradição com a educação e
conduta habitual do paciente, mas quase nunca graves e violentos. Mais frequentemente
provocada por choques emocionais intensos.
3 – Dissociação da consciência: fragmentação do campo da consciência, geralmente
desencadeada eventos psicologicamente significativos geradores de grande ansiedade. As
crises duram de minutos a horas, raramente permanecendo por dias. Ocorre com cerra
freqüência nos quadros histéricos (crises histéricas do tipo dissociativo), quando pode ser vista
como uma estratégia defensiva inconsciente: o indivíduo se desliga da realidade para não
sofrer.
4 – Transe: se assemelha a sonhar acordado, mas com atividade motora automática e
estereotipada, acompanhada de suspensão parcial dos movimentos voluntários. Ocorre em
contextos religiosos e culturais. Não confundir o transe religioso, culturalmente contextualizado
e sancionado, com o transe histérico, que é um estado dissociativo da consciência
frequentemente relacionado a conflitos interpessoais e alterações psicopatológicas.
5 – Estado hipnótico: consciência reduzida e estreitada e de atenção concentrada, que pode
ser induzido por outra pessoa (hipnotizador). A sugestionabilidade do indivíduo encontra-se
aumentada, e sua atenção concentrada no hipnotizador. Nesse estado, podem ser lembradas
cenas e fatos esquecidos e podem ser induzidos fenômenos como anestesia, paralisias, rigidez
muscular e alterações vasomotoras.
6 – Experiência de quase-morte (EQM): estado especial de consciência verificado em
situações críticas de ameaça grave à vida, como parada cardíaca, hipóxia grave, isquemias,
acidentes automobilísticos, entre outros. Normalmente descritas como sensações de paz, de
estar fora do próprio corpo, de sentir-se rodeado por uma luz intensa, contato com entidades
místicas e sensação de alegria intensa. Tentativas de explicar a EQM envolvem a atividade
maciça de sono REM durante o episódio, além de hipóteses socioculturais e históricas.
Transcrição de A linguagem e suas alterações
Defnições básicas
Alterações da linguagem associadas a transtornos psiquiátricos primários.
Logorréia, taquifasia e loquacidade:
Na logorréia, existe a produção aumentada e acelerada (taquifasia) da linguagem verbal, um
fluxo incessante de palavras e frases, podendo haver perda da lógica do discurso
Alterações da linguagem associadas a transtornos psiquiátricos primários.
Palilalia e logoclonia
Palilalia
é a repetição automática e estereotipada pelo paciente da última ou das últimas palavras que
ele próprio emitiu em seu discurso.
Logoclonia
é um fenômeno semelhante à palilalia, sendo que aqui a repetição automática e involuntária é
a das últimas sílabas que o paciente pronunciou.
Alterações da linguagem secundárias a lesão neuronal identificável
Estefane M. ; Morgana W.
A linguagem e suas alterações

A linguagem, particularmente na sua forma verbal, é uma atividade especificamente humana,


talvez a mais característica de nossas atividades mentais. São funções da linguagem:
função comunicativa; suporte do pensamento; instrumento de expressão; afirmação do eu;
dimensão artística e/ou lúdica.

Alterações da linguagem,
embora de definição e delimitação difíceis, sempre foram de grande interesse para a
psicopatologia.Tais alterações ocorrem geralmente associadas à AVCs, tumores cerebrais,
malformações arteriovenosas, etc.
Afasia :É a perda da linguagem, falada e escrita por incapacidade de compreender e utilizar os
símbolos verbais.
Parafasias:São formas mais discretas de déficit de linguagem, nas quais o individuo deforma
determinadas palavras, ocorrendo muitas vezes no inicio das síndromes demenciais.
Agrafia: É a perda, por lesão orgânica, da linguagem escrita, sem que haja qualquer déficit
motor ou perda cognitiva global.
Alexia: É a perda, de origem neurológica, da capacidade previamente adquirida para a leitura.
Ocorre associada às afasias e às agrafias.
Disartria:É a incapacidade de articular corretamente as palavras devido a alterações neuronais
referentes ao aparelho fonador, alterações estas que produzem paresias da musculatura da
fonação
Disfonia:É a alteração da fala produzida pela mudança na sonoridade das palavras. Já a Afonia
é uma forma acentuada de disfonia, na qual o individuo não consegue emitir qualquer som ou
palavra.
Disfemia:É a alteração da linguagem falada sem qualquer lesão ou disfunção orgânica,
determinada por conflitos e fatores psicogênicos.
Dislalia:É a alteração da linguagem falada que resulta da deformação, da omissão ou da
substituição dos fonemas.
Bradifasia:O paciente fala muito vagarosamente, as palavras seguem-se umas às outras de
forma lenta e difícil. Em geral, está associada a quadros depressivos graves, estados
demenciais e esquizofrenia crônica ou com sintomas negativos.
Mutismo:Pode ser definido como a ausência de resposta verbal oral por parte do doente. O
paciente fica no leito sem responder ao entrevistador. Os fatores causais associados ao
mutismo são muito variáveis, podendo ser de natureza neurobiológica, psicótica ou
psicogênica.
Perseveração e estereotipia verbal:Há repetição automática de palavras ou trechos de frases,
de modo estereotipado, mecânico e sem sentido.
Ecolalia:É a repetição da última ou das últimas palavras que o entrevistador falou ou dirigiu ao
paciente. É um fenômeno quase que automático, involuntário, realizado sem planejamento ou
controle.

Alterações da linguagem associadas a transtornos psiquiátricos primários


Tiques verbais ou fonéticos e coprolalia: Os tiques verbais são produções de fonemas ou
palavras de forma recorrente, imprópria e irresistível. No tique verbal, o paciente produz
geralmente sons guturais, abruptos e espasmódicos. É algo desagradável, mas impossível de
ser contido pelo individuo.

Já a coprolalia é a emissão involuntária e repetitiva de palavras obscenas, vulgares ou relativas


a excrementos. Presente na síndrome de tourette.
Verbigeração e mussitação: A verbigeração é a repetição, de forma monótona e sem sentido
comunicativo aparente, de palavras, silabas ou trechos de frases. A mussitação, fenômeno
próximo a verbigeração, é a produção repetitiva de uma voz muito baixa, murmurada, sem
significado comunicativo. O paciente fala como que “para si”, apenas movendo discretamente
os lábios. Encontra-se na esquizofrenia, em particular nos tipos catatônicos e crônicos
deficitórios.
Glossolalia: É a produção de uma fala gutural, pouco compreensível. Os sons, apesar de não
terem sentido linguístico, imitam a fala normal nos seus aspectos prosódicos, mantendo as
distinções de palavras, sentenças e até de parágrafos.
A linguagem na esquizofrenia: Os neologismos patológicos são palavras inteiramente novas
criadas pelo paciente ou vocábulos já existentes que recebem acepção totalmente nova. Nos
estados avançados de desorganização esquizofrênica, podem-se observar jargonofasia ou
esquizofazia. Trata-se da produção de palavras e frases sem sentido, com fluxo verbal
desorganizado e caótico. O sinal extremo da desarmonia das estruturas de pensamento e de
linguagem é o desenvolvimento de uma linguagem incompreensível chamada de criptolalia.
A linguagem do paciente com demência: No início de quadros de demência, é mais comum
encontrar as parafasias, que são deformações de palavras existentes, e também a dificuldade
em encontrar palavras. O paciente tende a usar termos vagos e inespecíficos como o “prédio”
em vez de “a prefeitura”. As alterações progridem no sentido da afasia nominal (déficit em
nomear objetos e figuras apresentadas ao paciente).

Alterações da Orientação

Orientação
A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente é elemento básico da
atividade mental. Pequenos rebaixamentos no nível da consciência são suficientes para
comprometer a orientação de um paciente quanto ao tempo e ao espaço. Por isso, uma pessoa
aparentemente vigil pode ter suas alterações detectadas pelo exame da sua capacidade de
orientação.

A capacidade de orientar-se requer a integração das capacidades de atenção, percepção e


memória. A orientação também é excepcionalmente vulnerável aos efeitos da disfunção ou do
dano cerebral.

A capacidade de orientar-se é classificada em:

1) Orientação Autopsíquica
Orientação do indivíduo em relação a si mesmo.
Revela se o sujeito sabe quem é: nome, idade, data de nascimento, profissão, estado civil, etc.

2) Orientação Alopsíquica
Capacidade de orientar-se em relação ao mundo. Subdivide-se em:

a) Orientação espacial
O lugar onde o paciente se encontra: nome da instituição, andar do prédio, bairro, cidade,
estado e país. Pode-se perguntar a distância do local da entrevista até a residência do paciente
(em quilômetros ou horas).

b) Orientação temporal
Pode-se aferir “do mais fácil para o mais difícil”: em que ano estamos? qual o mês? que dia da
semana? que dia do mês?
Também pode-se avaliar a noção que o paciente tem da duração dos eventos: a quanto tempo
a senhora está internada? quando se alimentou pela última vez?
É importante lembrar que a orientação temporal é adquirida mais tardiamente que a
autopsíquica e a espacial na evolução neuropsicológica. Por isso, crianças com menos de 7
anos podem ter dificuldade em responder a essas perguntas sem que isso signifique,
necessariamente, uma disfunção.

Por fim, os tipos de desorientação podem ser distinguidos de acordo com a alteração de base
que os condiciona:

– Desorientação por redução do nível de consciência: também chamada desorientação


torporosa ou confusa. O rebaixamento do nível de consciência altera a atenção, a
concentração e a capacidade de perceber e reter os estímulos ambientais. É a forma mais
comum de desorientação.

– Desorientação por déficit de memória imediata e recente: também


denominada desorientação amnéstica. O indivíduo não consegue reter as informações
ambientais (apesar de percebê-las adequadamente).
– Desorientação demencial: é muito próxima da amnéstica. Em acréscimo à perda da
memória de fixação, há agnosia (déficit de reconhecimento ambiental) e perda/desorganização
global das funções cognitivas. Ocorre nos diversos quadros demenciais (Doença de Alzheimer,
demências vasculares, etc.).

– Desorientação apática ou abúlica: a pessoa se torna desorientada devido a uma marcante


alteração do humor e da volição, comumente em quadro depressivo.

– Desorientação delirante: ocorre em indivíduos em profundo estado delirante, crendo com


convicção plena que estão “habitando” o lugar e/ou o tempo de seus delírios. Pode
ocorrer dupla orientação, em que o paciente ora reconhece estar no hospital sendo assistido
por enfermeiros, ora afirma que está numa penitenciária cercado de carcereiros, por exemplo.

– Desorientação por déficit intelectual: em indivíduos com deficiência ou retardo mental


grave ou moderado. Há incapacidade ou dificuldade em compreender o ambiente e interpretar
as convenções sociais (horários, calendários, etc.) que padronizam a orientação do indivíduo
no mundo.

– Desorientação por dissociação ou histérica: normalmente acompanhada de alterações da


identidade pessoal e alterações da consciência secundárias à dissociação histérica.

– Desorientação por desagregação: em pacientes psicóticos, geralmente esquizofrênicos em


estado crônico e avançado. A desagregação profunda do pensamento pode impedi-los de
orientar-se adequadamente quanto ao ambiente e quanto a si mesmos.

– Desorientação quanto à própria idade: definida como uma discrepância de cinco anos ou
mais entre a idade real e aquela que paciente diz ter. Acredita-se ser um bom indicativo clínico
de déficit cognitivo na esquizofrenia.

A vida afetiva é a dimensão psíquica que dá cor, brilho e calor a todas as vivências humanas.
sem a afetividade, a vida mental torna-se vazia, sem sabor.

Afetividade e suas alterações


Afetividade é um termo genérico, que compreende várias modalidades de vivências afetivas,
como o humor, as emoções e os sentimentos.
afetividade e suas alterações
[...] quanto mais os estímulos e os fatos ambientais afetam o indivíduo (até a intimidade do
ser), mais nele aumenta a alteração e diminui a objetividade. distinguem-se cinco tipos básicos
de vivências afetivas:humor ou estado de ânimo, emoções, sentimentos, afetos, paixões,
afetividade e suas alterações

É definido como o tônus afetivo do indivíduo, o estado emocional basal e difuso em que se
encontra a pessoa em determinado momento. [...] é um dos transfundos essenciais da vida
psíquica.
humor ou estado de ânimo

Emoções:podem ser definidas como reações afetivas agudas, momentâneas, desencadeadas


por estímulos significativos. assim, a emoção é um estado afetivo intenso, de curta duração
[...]. assim como o humor, as emoções são freqüentemente acompanhadas de reações
somáticas mais ou menos especificas.

Sentimentos:são estados e configurações afetivas estáveis; em relação às emoções, são mais


atenuados em sua intensidade e menos reativos a estímulos passageiros. [...] estão
comumente associados à conteúdos intelectuais, valores, representações em geral, não
implicam concomitantes somáticos. constituem fenômeno muito mais mental que somático.
sentimentos

[...] os afetos e os sentimentos são vivenciados, de modo geral, em dois pólos: agradável e
desagradável, prazeroso e desprazível.
Afetos:qualidade e tônus emocional que acompanha uma idéia ou representação mental. [...]
são o componente emocional de uma idéia.

Paixões:é um estado afetivo extremamente intenso, que domina a atividade psíquica como um
todo, captando e dirigindo a atenção e o interesse do indivíduo em uma só direção, inibindo os
demais interesses. segundo pieron (1996), a paixão intensa impede o exercício de uma lógica
imparcial.

Catatimia:bleuler (1942) denominou de catatimia a importante influência que a vida afetiva, o


estado de humor, as emoções, os sentimentos e as paixões exercem sobre as demais funções
psíquicas. [...] a sensopercepção pode se alterar em função de estados afetivos intensos [...].

Reação afetiva: a vida afetiva ocorre sempre em um contexto de relações do eu com o mundo
e com as pessoas, variando de um momento para outro à medida que os eventos e as
circunstâncias da vida se sucedem. a afetividade se caracteriza particularmente por sua
dimensão de reatividade. nesse sentido, há duas importantes dimensões da resposta ou
reação afetiva de um indivíduo:

Sintonização afetiva: capacidade de o indivíduo ser influenciado afetivamente por estímulos


externos; assim, o sujeito entristece-se com ocorrências dolorosas, alegra-se com eventos
positivos, etc. [...].

Irradiação afetiva:é a capacidade que o indivíduo tem de transmitir, irradiar ou contaminar os


outros com seu estado afetivo momentâneo; por meio da irradiação afetiva, faz com que os
outros entrem em sintonia com ele.

Rigidez afetiva:o indivíduo não deseja, tem dificuldade ou impossibilidade, tanto de


sintonização como de irradiação afetiva; ele não produz reações afetivas nos outros nem reage
afetivamente diante da situação existencial cambiante.

Alterações patológicas da afetividade

Alterações do humor
Distimia: em psicopatologia geral, é o termo que designa a alteração básica do humor tanto no
sentido da inibição como no sentido da exaltação. não se deve confundir o sintoma distimia
com o transtorno distimia, que, segundo [...] o dsm iv, é um transtorno depressivo leve e
crônico.

Disforia:por sua vez, diz respeito à distimia acompanhada de uma tonalidade afetiva
desagradável, mal-humorada.

Hipotimia: refere-se à base afetiva de todo transtorno depressivo.

Hipertimia: refere-se ao humor patologicamente alterado no sentido de exaltação e da alegria.

Euforia ou alegria patológica: no espectro maníaco, define o humor morbidamente exagerado,


no qual predomina um estado de alegria intensa e desproporcional às circunstancias.

Elação:há além da alegria patológica, a expansão do eu, uma sensação subjetiva de grandeza
e de poder. o eu vai além dos seus limites, ganhando o mundo.

Puerilidade:alteração do humor que se caracteriza pelo aspecto infantil, simplório, regredido. o


indivíduo ri ou chora por motivos banais; sua vida afetiva é superficial, sem afetos profundos,
consistentes e duradouros.

Moria:é uma forma de alegria muito pueril, ingênua, boba, que ocorre principalmente em
pacientes com lesões extensas dos lobos frontais, em deficientes mentais e em indivíduos com
quadros demenciais acentuados.
Estado de êxtase:há uma experiência de beatitude, uma sensação de dissolução do eu no
todo, de compartilhamento íntimo do estado afetivo interior com o mundo exterior, muitas vezes
com o colorido do hipertímico e expansivo. está freqüentemente associado a experiências
circunscritas a um contexto religioso ou místico, não sendo aqui considerado como fenômeno
psicopatológico, mas cultural. [...] pode estar presente [...] no transe histérico, esquizofrenia ou
na mania.

Irritabilidade patológica:há hiper-reatividade desagradável, hostil e, eventualmente, agressiva a


estímulos (mesmo leves) do meio exterior. qualquer estímulo é sentido como perturbador, e o
indivíduo reage prontamente de forma disfórica.

Ansiedade, angústia e medo


Ansiedade: definida como estado de humor desconfortável, apreensão negativa em relação ao
futuro, inquietação interna desagradável. inclui manifestações somáticas e fisiológicas
(taquicardia, [...] tremores, [...]) e psíquicas (inquietação interna, apreensão, [...]).

Angústia: relaciona-se diretamente à sensação de aperto no peito e na garganta, de


compressão, sufocamento. assemelha-se muito à ansiedade, mas tem conotação mais
corporal e mais relacionada ao passado.
Medo: caracterizado por referir-se a um objeto mais ou menos preciso, diferencia-se da
ansiedade e da angústia, que não se referem a objetos precisos (o medo é, quase sempre,
medo de algo).

Alterações das emoções e dos sentimentos

Apatia: diminuição da excitabilidade emotiva e afetiva. os pacientes queixam-se de não


poderem sentir nem alegria, nem tristeza, nem raiva, nem nada... [...] trata-se de um estado
afetivo próprio dos quadros depressivos [...].

Hipomodulação do afeto:incapacidade do paciente de modular a resposta afetiva de acordo


com a situação existencial, indicando rigidez na sua relação com o mundo.

Inadequação do afeto ou paratimia: reações completamente incongruentes a situações


existenciais ou a determinados conteúdos ideativos, revelando desarmonia profunda da vida
psíquica (ataxia intrapsíquica), contradição profunda entre a esfera ideativa e a afetiva.

Pobreza de sentimentos e distanciamento afetivo perda progressiva e patológica das vivências


afetivas. há, aqui, o empobrecimento relativo à possibilidade de vivenciar alternâncias e
variações sutis na esfera afetiva.

Embotamento afetivo e devastação afetiva perda profunda de todo tipo de vivência afetiva. ao
contrário da apatia, que é basicamente subjetiva, o embotamento afetivo é observável,
constatável por meio da mímica, da postura e da atitude do paciente.

Sentimento de falta de sentimento é a vivência de incapacidade para sentir emoções,


experimentada de forma muito penosa pelo paciente. é percebido claramente pelo doente, que
se queixa de sentir-se intimamente morto ou em estado de vazio afetivo. [...] é vivenciado com
muito sofrimento, como uma tortura.

Anedonia é a incapacidade total ou parcial de obter e sentir prazer com determinadas


atividades e experiências da vida. [...] não consegue mais sentir prazer sexual, não consegue
desfrutar de um bom papo com os amigos, de um almoço gostoso com a família, de um bom
filme, etc. [...] é um sintoma central

Distúrbios Somatoformes
Os distúrbios somatoformes abrangem vários distúrbios psiquiátricos nos quais os pacientes
referem sintomas físicos, mas negam apresentar problemas psiquiátricos. Distúrbio
somatoforme é um termo relativamente novo, que é aplicado para o que muitos denominam
distúrbio psicossomático. Nos distúrbios somatoformes, os sintomas físicos, ou a sua gravidade
e duração, não podem ser explicados por qualquer doença física subjacente. Os distúrbios
somatoformes incluem a somatização, a conversão e a hipocondria. Os psiquiatras diferem
consideravelmente no que diz respeito ao valor e à validade do uso dessas categorias
diagnósticas. Entretanto, essa distinção dos diferentes distúrbios somatoformes proprocionou
aos psiquiatras um meio para descrever a ampla variedade de sintomas apresentados por
esses pacientes e para diferenciar os distúrbios baseando-se nessas descrições. As descrições
minuciosas podem ajudar os psiquiatras a ordenar os diferentes distúrbios que podem ser
melhor estudados cientificamente. Os distúrbios somatoformes geralmente não possuem uma
explicação clara. Os pacientes com um distúrbio somatoforme podem ser muito diferentes entre
si. Como não existe uma explicação clara de como ou por que os indivíduos desenvolvem seus
sintomas, não existem modos de tratamento específicos e aceitos consensualmente.
Somatização
A somatização é uma doença crônica grave caracterizada pela presença de muitos sintomas
físicos, particularmente uma combinação de dor e sintomas gastrointestinais, sexuais e
neurológicos. As causas da somatização não são conhecidas. Ela freqüentemente ocorre em
famílias. Os indivíduos com o distúrbio também tendem a apresentar distúrbios da
personalidade caracterizados pelo egocentrismo (personalidade narcisista) e uma dependência
exagerada de outras pessoas (personalidade dependente). Os primeiros sintomas surgem na
adolescência ou no início da vida adulta e acredita-se que eles ocorram predominantemente
em mulheres. Os familiares do sexo masculino de mulheres com esse distúrbio tendem a
apresentar uma incidência elevada de comportamento social inadequado e de alcoolismo.
Sintomas
Um indivíduo com somatização apresenta muitas queixas físicas vagas. Embora qualquer parte
do corpo possa estar afetada, os sintomas mais freqüentes são cefaléia, náusea e vômito, dor
abdominal, diarréia ou constipação, períodos menstruais dolorosos, fadiga, desmaios, dor
durante o intercurso sexual e perda do desejo sexual. Embora os sintomas sejam
principalmente físicos, também podem ocorrer a ansiedade e a depressão. Os indivíduos com
somatização descrevem os seus sintomas de forma dramática e emotiva, referindo-se a eles
freqüentemente como “insuportáveis”, “indescritíveis” ou “o pior imaginável”. Nas relações dos
indivíduos com somatização, emerge uma dependência extrema. Eles solicitam cada vez mais
ajuda e suporte emocional e podem tornar-se enraivecidas quando sentem que suas
necessidades não estão sendo supridas. Freqüentemente, eles são descritos como
exibicionistas e sedutores. Em uma tentativa de manipular os outros, eles podem ameaçar ou
tentar o suicídio. Comumente insatisfeitos com os cuidados médicos que recebem, eles mudam
constantemente de médico. Os sintomas físicos parecem ser uma maneira de transmitir um
pedido de ajuda e de atenção. A intensidade e a persistência dos sintomas refletem o desejo
intenso do indivíduo de ser atendido em cada um dos aspectos de sua vida. Esses sintomas
também parecem servir a outros propósitos como, por exemplo, permitir que o indivíduo evite
as responsabilidades da vida adulta. Os sintomas tendem a ser desconfortáveis e impedem
que o indivíduo se envolva em projetos atrativos, sugerindo que o indivíduo também apresenta
sentimentos de invalidez e de culpabilidade. Os sintomas impedem que ele tenha prazer e
também atuam como uma punição.
Diagnóstico
Os indivíduos com somatização não têm consciência de que o seu problema básico é
psicológico e, por essa razão, eles pressionam o médico a realizar exames e tratamentos
médicos. O médico é obrigado a realizar muitos exames e investigações clínicas para
determinar se o indivíduo apresenta um distúrbio físico que explique adequadamente os seus
sintomas. Os encaminhamentos a especialistas para consultas são comuns, mesmo quando o
indivíduo já estabeleceu uma relação razoavelmente satisfatória com um médico. Após o
médico haver definido que se trata de um distúrbio psicológico, a somatização pode ser
diferenciada dos distúrbios psiquiátricos similares pelos seus muitos sintomas e pela tendência
dos mesmos persistirem por anos. Ao diagnóstico adiciona-se a natureza dramática das
queixas e um comportamento exibicionista, dependente, manipulador e, algumas vezes,
suicida do paciente.
Prognóstico e Tratamento
A somatização tende a oscilar em termos de gravidade, mas ela persiste por toda a vida. A
obtenção de um alívio completo dos sintomas durante um longo período de tempo é rara.
Alguns indivíduos apresentam uma depressão mais evidente no decorrer dos anos e suas
referências ao suicídio tornam-se mais ameaçadoras. O suicídio é um risco real. O tratamento
é extremamente difícil. Qualquer sugestão de que os sintomas são psicológicos tende a
produzir sentimentos de frustração e de raiva nesses indivíduos. Conseqüentemente, o médico
não pode abordar o problema diretamente como se fosse psicológico, mesmo quando ele o
reconhece como tal. Os medicamentos não são muito úteis e, mesmo quando o indivíduo
aceita uma consulta psiquiátrica, as técnicas psicoterápicas específicas apresentam poucas
possibilidades de êxito. Geralmente, o melhor tratamento é uma relação terapeuta-paciente de
apoio, relaxada e firme que provê alívio sintomático e protege o indivíduo de procedimentos
diagnósticos ou terapêuticos muito caros e possivelmente perigosos. Entretanto, o profissional
deve permanecer alerta frente à possibilidade de o indivíduo desenvolver uma doença física.
Síndrome de Munchausen: Fingir Doença para Chamar Atenção
A síndrome de Munchausen, também denominada simulação, não é um distúrbio somatoforme,
mas as suas características são algo similares aos dos distúrbios psiquiátricos sob a aparência
de uma doença orgânica. A diferença fundamental é que os indivíduos com a síndrome de
Munchausen simulam conscientemente os sintomas de uma doença. Eles inventam
repetidamente doenças e freqüentemente vão de hospital em hospital em busca de tratamento.
Contudo, a síndrome de Munchausen é mais complexa que a simples e desonesta invenção e
simulação de sintomas. Ela está associada a problemas emocionais graves. Os indivíduos com
esse distúrbio geralmente são bem inteligentes e cheios de recursos. Eles não somente sabem
como simular doenças, mas também possuem um conhecimento sofisticado das práticas
médicas. Eles são capazes de manipular seus cuidados para serem hospitalizados e
submetidos a uma enorme quantidade de exames e tratamentos, incluindo cirurgias de grande
porte. Suas fraudes são conscientes, mas a sua motivação e busca por atenção são em grande
parte inconscientes. Uma variante curiosa da síndrome é denominada Munchausen por
substituto. Nesse distúrbio, uma criança é utilizada como paciente passivo, geralmente por um
dos genitores. O genitor falsifica a história médica da criança e pode causar-lhe danos com
medicamentos ou adicionando sangue ou contaminantes bacterianos em amostras de urina,
orientando todo o seu esforço para simular uma doença. A motivação subjacente a esse
comportamento tão estranho parece ser uma necessidade patológica de atenção e de manter
uma relação intensa com a criança.

Conversão
Na conversão, os sintomas físicos causados por conflitos psicológicos assemelham-se aos de
um distúrbio neurológico ou de outras condições médicas. Os sintomas da conversão são
claramente causados pelo estresse e pelos conflitos psicológicos, que os indivíduos convertem
inconscientemente em sintomas físicos. Embora os distúrbios da conversão tendam a ocorrer
durante a adolescência ou no início da vida adulta, eles podem ocorrer pela primeira vez em
qualquer idade. De modo geral, acredita-se que se trate de um distúrbio um pouco mais
comum em mulheres que em homens.
Sintomas e Diagnóstico
Por definição, os sintomas da conversão são limitados àqueles que sugerem uma disfunção do
sistema nervoso (geralmente a paralisia de um membro superior ou inferior ou a perda de
sensibilidade de uma parte do corpo). Outros sintomas incluem as convulsões simuladas e a
perda de um dos sentidos (p.ex., audição ou visão). Geralmente, o início dos sintomas está
relacionado a algum acontecimento social angustiante ou psicologicamente estressante. O
indivíduo pode apresentar apenas um episódio isolado ou episódios esporádicos, os quais são
geralmente de curta duração. Quando os indivíduos com sintomas de conversão são
hospitalizados, eles geralmente apresentam uma melhoria em duas semanas. No entanto, 20%
a 25% deles apresentam recaídas ao longo de um ano. No início, o diagnóstico tende a ser
difícil porque o indivíduo acredita que os sintomas são decorrentes de um problema físico e
não deseja ser examinado por um psiquiatra. O médico assegura- se cuidadosamente de que
os sintomas não possuem uma causa física.
Tratamento
Para o tratamento, é essencial que exista uma relação de confiança entre o médico e seu
paciente. Quando o médico avalia um possível distúrbio físico e tranqüiliza o paciente dizendo
que os sintomas não indicam uma doença subjacente grave, ele comumente começa a sentirse
melhor e os sintomas desaparecem. Quando uma situação psicologicamente estressante
precede o surgimento dos sintomas, a psicoterapia pode ser particularmente eficaz. Algumas
vezes, os sintomas de conversão retornam com freqüência, chegando mesmo a tornar-se
crônicos. Vários métodos de tratamento foram tentados (alguns podendo ser úteis), apesar de
nenhum deles ter produzido um resultado uniformemente eficaz. Um do métodos mais
utilizados é a hipnoterapia: o paciente é hipnotizado e os aspectos psicológicos supostamente
responsáveis pelos sintomas são identificados e discutidos. A discussão continua após a
hipnose, quando o indivíduo encontra-se totalmente alerta. Outros métodos incluem a
narcoanálise, um procedimento semelhante à hipnose, mas que prevê a administração de um
sedativo para a indução de um estado de semiadormecimento. A terapia de modificação do
comportamento, incluindo o relaxamento, também revelou ser eficaz para alguns indivíduos.
Hipocondria
A hipocondria é um distúrbio psiquiátrico no qual o indivíduo refere sintomas físicos e mostra-
se particularmente preocupado por acreditar firmemente que eles representam uma doença
grave.
Sintomas e Diagnóstico
As preocupações do invíduo pela gravidade da doença baseiam-se freqüentemente em uma
interpretação incorreta das funções normais do organismo. Por exemplo, os ruídos intestinais
e, algumas vezes, a flatulência e o desconforto que ocorrem à medida que os líquidos avançam
através do tubo digestivo são normais. Os hipocondríacos usam esses “sintomas” para explicar
a sua crença de que eles estão com uma doença grave. O fato de serem examinados e
tranqülizados pelo médico não diminui suas preocupações. Eles tendem a crer que, por alguma
razão, o médico não conseguiu encontrar a doença subjacente. O médico suspeita de
hipocondria quando um indivíduo saudável e com sintomas pouco importantes demonstra
preocupação sobre o seu significado e não reage frente às explicações do médico após uma
avaliação minuciosa. O diagnóstico é confirmado quando a condição persiste durante anos e
os sintomas não podem ser atribuídos à depressão ou a um outro distúrbio psiquiátrico.
Tratamento
O tratamento é difícil, pois o hipocondríaco está convencido de que algo em seu organismo
encontra- se gravemente alterado. A tranqüilização não reduz essas preocupações. Entretanto,
uma relação de confiança com um médico atencioso é benéfica, sobretudo se as visitas
regulares ao seu consultório forem acompanhadas por uma atitude tranqüilizadora. Se os
sintomas não forem adequadamente aliviados, o indivíduo pode ser beneficiado pelo
encaminhamento a um psiquiatra para uma nova avaliação e tratamento, concomitantemente
com o atendimento médico primário.

Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes

Este agrupamento reúne a esquizofrenia, a categoria mais importante deste grupo de


transtornos, o transtorno esquizotípico e os transtornos delirantes persistentes e um grupo
maior de transtornos psicóticos agudos e transitórios. Os transtornos esquizoafetivos foram
mantidos nesta seção, ainda que sua natureza permaneça controversa.

F20 Esquizofrenia
Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais
e características do pensamento e da percepção, e por afetos inapropriados ou
embotados. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual,
embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo. Os fenômenos
psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a imposição ou o
roubo do pensamento, a divulgação do pensamento, a percepção delirante, idéias
delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que
comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do
pensamento e sintomas negativos.
A evolução dos transtornos esquizofrênicos pode ser contínua, episódica com
ocorrência de um déficit progressivo ou estável, ou comportar um ou vários episódios
seguidos de uma remissão completa ou incompleta. Não se deve fazer um
diagnóstico de esquizofrenia quando o quadro clínico comporta sintomas depressivos
ou maníacos no primeiro plano, a menos que se possa estabelecer sem equívoco que
a ocorrência dos sintomas esquizofrênicos fosse anterior à dos transtornos afetivos.
Além disto, não se deve fazer um diagnóstico de esquizofrenia quando existe uma
doença cerebral manifesta, intoxicação por droga ou abstinência de droga. Os
transtornos que se assemelham à esquizofrenia, mas que ocorrem no curso de uma
epilepsia ou de outra afecção cerebral, devem ser codificados em F06.2; os
transtornos que se assemelham à esquizofrenia, mas que são induzidos por drogas
psicoativas devem ser classificados em F10-F19 com quarto caractere comum .5.
Exclui:
esquizofrenia:
· aguda (indiferenciada) (F23.2)
· cíclica (F25.2)
reação esquizofrênica (F23.2)
transtorno esquizotípico (F21)

F20.0 Esquizofrenia paranóide


A esquizofrenia paranóide se caracteriza essencialmente pela presença de idéias
delirantes relativamente estáveis, freqüentemente de perseguição, em geral
acompanhadas de alucinações, particularmente auditivas e de perturbações das
percepções. As perturbações do afeto, da vontade, da linguagem e os sintomas
catatônicos, estão ausentes, ou são relativamente discretos.
Esquizofrenia parafrênica
Exclui:
estado paranóico de involução (F22.8)
paranóia (F22.0)

F20.1 Esquizofrenia hebefrênica


Forma de esquizofrenia caracterizada pela presença proeminente de uma
perturbação dos afetos; as idéias delirantes e as alucinações são fugazes e
fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível; existem
freqüentemente maneirismos. O afeto é superficial e inapropriado. O pensamento é
desorganizado e o discurso incoerente. Há uma tendência ao isolamento social.
Geralmente o prognóstico é desfavorável devido ao rápido desenvolvimento de
sintomas “negativos”, particularmente um embotamento do afeto e perda da volição.
A hebefrenia deveria normalmente ser somente diagnosticada em adolescentes e em
adultos jovens.
Esquizofrenia desorganizada
Hebefrenia

F20.2 Esquizofrenia catatônica


A esquizofrenia catatônica é dominada por distúrbios psicomotores proeminentes que
podem alternar entre extremos tais como hipercinesia e estupor, ou entre a
obediência automática e o negativismo. Atitudes e posturas a que os pacientes foram
compelidos a tomar podem ser mantidas por longos períodos. Um padrão marcante
da afecção pode ser constituído por episódios de excitação violenta. O fenômeno
catatônico pode estar combinado com um estado oniróide com alucinações cênicas
vívidas.
Catalepsia ü
Catatonia î esquizofrênica(o)
Flexibilidade cérea ì
Estupor catatônico þ

F20.3 Esquizofrenia indiferenciada


Afecções psicóticas que preenchem os critérios diagnósticos gerais para a
esquizofrenia mas que não correspondem a nenhum dos subtipos incluídos
em F20.0-F20.2, ou que exibam padrões de mais de um deles sem uma clara
predominância de um conjunto particular de características diagnósticas.
Esquizofrenia atípica
Exclui:
depressão pós-esquizofrênica (F20.4)
esquizofrenia indiferenciada crônica (F20.5)
transtorno psicótico agudo tipo esquizofrênico (F23.2)

F20.4 Depressão pós-esquizofrênica


Episódio depressivo eventualmente prolongado que ocorre ao fim de uma afecção
esquizofrênica. Ao menos alguns sintomas esquizofrênicos “positivos” ou “negativos”
devem ainda estar presentes mas não dominam mais o quadro clínico. Este tipo de
estado depressivo se acompanha de um maior risco de suicídio. Se o paciente não
apresenta mais nenhum sintoma esquizofrênico, deve-se fazer um diagnóstico de
episódio depressivo (F32.-). Se os sintomas esquizofrênicos ainda são aparentes e
proeminentes, deve-se manter o diagnóstico da forma clínica apropriada da
esquizofrenia (F20.0-.3).

F20.5 Esquizofrenia residual


Estádio crônico da evolução de uma doença esquizofrênica, com uma progressão
nítida de um estádio precoce para um estádio tardio, o qual se caracteriza pela
presença persistente de sintomas “negativos” embora não forçosamente irreversíveis,
tais como lentidão psicomotora; hipoatividade; embotamento afetivo; passividade e
falta de iniciativa; pobreza da quantidade e do conteúdo do discurso; pouca
comunicação não-verbal (expressão facial, contato ocular, modulação da voz e
gestos), falta de cuidados pessoais e desempenho social medíocre.
Defeito esquizofrênico (Restzustand)
Esquizofrenia indiferenciada crônica
Estado esquizofrênico residual
Restzustand (esquizofrênico)

F20.6 Esquizofrenia simples


Transtorno caracterizado pela ocorrência insidiosa e progressiva de excentricidade de
comportamento, incapacidade de responder às exigências da sociedade, e um
declínio global do desempenho. Os padrões negativos característicos da
esquizofrenia residual (por exemplo: embotamento do afeto e perda da volição) se
desenvolvem sem serem precedidos por quaisquer sintomas psicóticos manifestos.