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O múltiplo surgimento da psicologia – capítulo 1


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Capítulo do livro: JACÓ-VILELA, Ana Maria; FERREIRA, Arthur Arruda Leal; PORTUGAL,
Francisco Teixeira. História da psicologia: rumos e percursos. 2. ed. rev. amp. Rio de Janeiro: Nau
Editora, 2007, p. 13-46. (Ensino da Psicologia).
A constituição da infância como uma etapa da vida

O autor analisa historicamente a distinção entre a infância e a idade adulta, que segundo Philippe Ariès
(1979) teria se desenvolvido a partir do século XVI culminando no surgimento da escola e da família
nuclear moderna. No final da Idade Média, observa-se a ausência do conceito de infância, seja no
núcleo familiar, na literatura ou na própria pedagogia, em que não existia uma consciência da
necessidade de tratamento diferenciado ao infante.

Apenas a partir do século XVII com a diminuição da taxa de mortalidade infantil e o surgimento de
padres reformadores, portadores de uma nova moral baseada na preservação da inocência e da
racionalidade supostas nessa fase da vida, visando proteger a criança, da poluição suscitada pelo
convívio com o mundo adulto, nesse novo cenário, a escola aparece em cena, na forma de internato,
com classes separadas por idade e tendo o castigo como correção de qualquer desvio da suposta pureza
infantil. Ao mesmo tempo, as famílias começam a se tornar mais nucleares, fenômeno que Ariès
designa como “família sentimento” numa alusão ao desenvolvimento maior de laços de ternura entre
os membros do núcleo familiar.

No século XIX, novos acontecimentos como a Revolução Industrial, impõe um ensino mais técnico que
moral, sendo o ensino laico instaurado com função do Estado. Uma nova infância surge em cena, sem o
racionalismo moral dos religiosos reformadores, marcada pelo primitivismo e pela evolução em tornar-
se o cidadão adulto e trabalhador. Até então, a psicologia se mantinha alheia a esse processo.

A grande transformação ocorre na virada do século XX, quando o Ministério da Educação na França,
convoca o psicólogo Alfred Binet a realizar um teste que ordene as turmas por suas habilidades
intelectuais e não mais por faixa etária. Psicólogos funcionalistas criam o modelo “Escola Nova”,
idealizando uma escola laica, que incentive o desenvolvimento da inteligência da criança e sua
adaptação ao meio.

A distinção entre corpo e mente na definição da identidade do indivíduo

Segundo Fernando Vidal (2002), essa distinção não é tão longínqua quanto pensamos, mas teria
surgindo a partir do século XVII. Uma compreensão disto é a concepção HILEMORFICA,
desenvolvida por Aristóteles na antiguidade e e que perdurou até o fim da Idade Média
O autor faz uma analogia ao famoso debate sobre o tema da ressurreição, pontuada por Santo
Agostinho (354-430), questionando se no Juizo Final, almas e corpos apareceriam separadamente. No
século XVII, Descartes propõe a separação entre esses domínios, entendidos agora como duas
substâncias distintas.

O curto-circuito de saberes e práticas


O autor afirma, que um curto-circuito pode surgir entre conceitos científicos, modelos filosóficos e
práticas sociais.
INDICAÇÃO DA OBRA ; Psicólogos, estudantes de psicologia ou áreas afins