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Adaptação ao meio aquático: Uma moda ou

uma experiência importante para o


desenvolvimento do seu bebé?
24/03/2017
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Raquel Batista Rodrigues (Professora de Adaptação ao Meio Aquático)

Hoje em dia existe uma vasta oferta de aulas para crianças na primeira infância. Mas será
esta, apenas, uma moda ou uma experiência determinante para o desenvolvimento do seu
bebé?

Nos últimos anos têm sido realizados vários estudos sobre este tema, onde muito se tem
confirmado sobre os benefícios da água no desenvolvimento do bebé. Como profissional
da área, procuro através deste texto referenciar quais os principais objetivos da adaptação
ao meio aquático na primeira infância, quais os benefícios, quando se deve iniciar a
adaptação ao meio aquático e, ainda, indicar alguns aspetos que os pais devem ter em
atenção na sua participação durante as aulas.

No que diz respeito aos objetivos, as aulas de adaptação ao meio aquático procuram,
sobretudo, o desenvolvimento multilateral da criança, tendo em conta as perspectivas
psicomotoras, cognitivas e sociais. Relativamente aos propósitos psicomotores, este
prendem-se com a motricidade grossa (através de flutuações, deslocamentos, imersões e
saltos) e a motricidade fina (trabalhando as manipulações, a orientação espacial, o ritmo,
entre outros). Como professora de adaptação ao meio aquático creio ser essencial
transmitir aos pais que a nossa preocupação principal, durante os primeiros dois anos, não
passa por ensinar a criança a nadar, mas sim proporcionar atividades que permitam o
desenvolvimento da sua capacidade psicomotora, do equilíbrio emocional e da
sociabilização com os pais e com outras crianças.

Observando os objetivos acima enumerados é facilmente compreensível que a


aprendizagem da natação na primeira infância se constitui como um dos agentes
educativos de primeira linha para a Educação Física na primeira idade.

A este propósito, enumero alguns benefícios do trabalho realizado com os


bebés nas aulas de adaptação ao meio aquático:
 Desenvolvimento das habilidades vitais de sobrevivência;
 Fortalecimento do coração e dos pulmões;
 Aumento da força e da resistência;
 Estimulação da agilidade e da coordenação;
 Contribuição para o relaxamento do bebé;
 Estimulação da consciência e do estado de alerta;
 Fortalecimento do vínculo entre progenitor e bebé.

Quando devem começar os bebés a praticar?


Relativamente à altura indicada para iniciar a adaptação ao meio aquático, existem várias
opiniões, umas que indicam os três meses de vida como a altura certa para iniciar, e
outras (a grande maioria) que indica os 6 meses. As concepções que apontam os três
meses de vida, como a idade ideal para o inicio da prática, mencionam como aspeto
relevante o facto de se trazer o bebé o mais cedo possível de volta ao seu antigo habitat,
que durante nove meses foi a vida intra-uterina. No entanto, nem todos os profissionais da
área são da mesma opinião, tal como muitos médicos, assinalando que nesta altura ainda
existem vários sistemas em formação (i.e. pele, ouvidos, sistema respiratório, entre
outros), não sendo por isso tão benéfico o contacto prolongado dos mesmos com a água
da piscina (uma vez que esta é tratada com produtos químicos).

Por outro lado, a opinião mais reiterada nos vários estudos estabelece os 6 meses como a
idade ideal para começar a adaptação ao meio aquático, tendo por base a noção de que o
bebé já terminou grande parte da formação dos sistemas acima referidos e, por outro lado,
apenas perde a sua capacidade nata de apneia, perto do sétimo ou oitavo mês de vida. Ou
seja, o início da adaptação ao meio aquático no sexto mês de vida permite que a água não
condicione o desenvolvimento dos órgãos dos bebés e, ao mesmo tempo, que apesar de
ainda não existir a realização de imersões, ao longo desses meses iniciais de vida, não se
percam os reflexos de bloqueio e apneia, aspectos que facilitam a adaptação da criança à
piscina.

Além das razões acima indicadas, o facto de o bebé iniciar este tipo de adaptação a partir
dos 6 meses de vida consente que seja mais fácil a flutuação, uma vez que só a partir
desta altura é que inicia a capacidade de controlo total da sua musculatura, sendo, por
isso, mais fácil relaxar.

Todavia, reconheço ser essencial referir aos pais que se encontram a ler este texto que a
forma como dão o banho ao seu bebé é crucial para que consiga estar tranquilo e feliz na
água. Se desde os primeiros dias de vida o bebé for contactando com pequenas gotas de
água na cara, isto possibilita que inconscientemente a criança continue a realizar o
bloqueio automático da glote, contribuindo para que este reflexo não seja perdido tão
depressa. Por esta razão, vários especialistas referem que o primeiro banho do bebé deve
ser a sua primeira aula de natação.

Características das aulas


 As aulas devem ter uma duração de cerca de 30 minutos, pois este é um tempo aceitável
e permite o trabalho dos objetivos propostos. Apesar de se encontrar estabelecido este
tempo de aula, os bebés, principalmente nas primeiras aulas, devem ser retirados da
água antes do seu término caso demonstrem sintomas de cansaço. Esta ideia vai ao
encontro dos estudos que mencionam que o bebé deve sair no melhor momento da aula
para que sinta vontade de voltar, guardando assim na sua memória, sensações positivas
daquele momento;
 As aulas devem-se caracterizar por momentos de brincadeira, com a aplicação de vários
exercícios. A capacidade de atenção e concentração dos bebés é muito reduzida, sendo
por isso necessário a troca de actividades de modo a prender a atenção da criança, para
que mantenha sempre o sentimento de prazer;
 A água da piscina deve encontrar-se entre os 31º e 33º, dependendo da altura do ano
(temperatura exterior);
 O professor deve procurar passar positivismo e bem estar, através do seu sorriso e da
sua alegria, demonstrando o prazer de trabalhar com a energia viva que é um bebé. Além
destes aspectos, o professor deve ter ainda em atenção o tom de voz, falando com calma
e num tom que transmita tranquilidade.

Aspetos essenciais para o contributo dos pais


 Compreender que a ideia principal é que o bebé descubra que a piscina é uma grande
banheira, onde o bebé e o pai/mãe se vão divertir muito;
 Converse, brinque e sorria muito para o seu filho, pois isso irá transmitir-lhe felicidade;
 Esteja sempre de frente para o seu bebé;
 Os pais têm um feeling especial, use-o para sentir o momento indicado para realizar um
novo exercício, ou uma imersão pela primeira vez. É essencial que o pai se sinta
confiante e tranquilo, nunca forçando o bebé!!
 Se durante a aula o bebé chorar, aconchegue-o nos seus braços, pois nada pode ser
mais tranquilizante que o colo e os mimos dos pais;
 É necessário ter consciência que a aprendizagem é constituída por fases distintas,
existindo por isso momentos de progressos, outros de estagnação e até mesmo
regressões, mas todas elas fazem parte do desenvolvimento do seu bebé;
 Nunca compare o seu filho com os colegas, pois cada um tem o seu ritmo de
aprendizagem e o seu nível psicomotor;
 Na primeira aula, segure o seu filho bem perto do seu corpo no momento da entrada na
água, falando com voz suave e calma, e dando muitos miminhos para que se sinta o mais
seguro possível;
 Aproveite, disfrute muito e acima de tudo seja feliz!!

Como profissional aconselho vivamente, caso existam possibilidades, que


permitam esta experiência aos vossos filhos, pois possibilitam o
desenvolvimento de diversas capacidades e proporcionam momentos de muita
felicidade. Tenho a certeza que os vossos bebés irão adorar e os papás
também! Fica o conselho.