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IGREJA PRESBITERIANA FILADÉLFIA DE SOROCABA

MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ


ESCOLA BÍBLICA FILADÉLFIA

Currículo: Luz para o meu caminho.

Etapa: 2ª Fase: CONHEÇA SUA BÍBLIA – NOVO TESTAMENTO.

Tempo: 11 meses – 4 estudos introdutórios, 27 estudos com exercícios e 13 compartilhar.

Visão: Voltar a Palavra de Deus para conhecê-lo e ter caráter e relacionamentos


transformados.

Objetivos
Após o curso os alunos terão facilidade para:
1. Relacionar fatos, personagens e livros do Novo Testamento.
2. Identificar os modos de Deus agir na história através da Igreja.
3. Demonstrar o relacionamento da Igreja com Jesus e com o Espírito Santo no período do
Novo Testamento.
4. Descobrir o caráter dos cristãos, bem como a verdadeira espiritualidade vivida no
âmbito da Igreja de Cristo.

Metodologia
Exposição e análise de texto bíblico com reflexão, vivência e compartilhar, buscando
mudança de valores e de atitudes. O trabalho pedagógico demandará três aspectos: a
busca individual através de exercícios (Entrando em forma), oração e leitura bíblica diária; a
realização conjunta por meio da exposição compartilhada e do trabalho em pequenos
grupos para reflexão e relacionamento.

Uma boa opção pedagógica, ficando na liberdade do facilitador usar ou não, é o


COMPANHEIRO DE CAMINHADA. O facilitador divide os alunos em duplas, sendo homens com
homens e mulheres com mulheres, para que ambos possam compartilhar em horários que
não sejam os da Escola Bíblica (ou pessoalmente ou por telefone ou e-mail), para oração,
crescimento, tirar dúvidas, etc.

Tema: Caminhando sob a luz de Deus II


Texto: “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e luz para os meus caminhos.”
Salmo 119.105
HISTÓRIA
05. Vivendo a comunidade do Reino
CARTAS AS IGREJAS
06. A manifestação da justiça
07. Uma comunidade em crise
08. O caráter do líder cristão
09. Entre o falso e o verdadeiro
10. Em posição para agir
VIVENDO A COMUNIDADE DO REINO
Atos 8.1-3

Romanos 13 e 14

Leitura Semanal
T
T Romanos 15 e 16
Q
Q Lucas 01 e 02
Q
Q Lucas 03 e 04
S
S Lucas 05 e 06
S
S Lucas 07 e 08

Fazer história e transformar a história é um compromisso da


Igreja que se denomina comunidade do Reino.

Atos dos Apóstolos

1. Conteúdo

O livro de Atos é o relato histórico, escrito por Lucas, como continuação do Evangelho
escrito pelo mesmo autor. As evidências de que o mesmo autor do Evangelho de Lucas
também escreveu Atos, podem ser apresentadas da seguinte maneira:

 os dois livros são escritos para o mesmo destinatário (Lucas 1.3 e Atos 1.1);
 o autor de Atos diz já ter escrito um “primeiro livro” (1.1);
 o uso freqüente de termos médicos atesta o fato de ser o autor médico;
 o estilo literário, que demonstra grande erudição, combina com o Evangelho de
Lucas.

Claramente, percebe-se que o livro de Atos é a seqüência de um relato que começa,


apresentando os principais aspectos da vida de Jesus. O autor diz que, no “primeiro livro”,
ele relatou as coisas que “Jesus começou a fazer e a ensinar”, pelo seu Espírito, através da
sua Igreja.

Assim, o propósito de Atos é apresentar o que aconteceu após a ascensão de Jesus:


como os seus seguidores foram poderosamente usados, pelo Espírito de Cristo, para
proclamarem com a vida e com a voz, a mensagem do Evangelho do Reino de Deus.

Alguns historiadores afirmam que em vez do título “Atos dos Apóstolos”, o livro deveria
chamar-se “Atos do Espírito Santo”, tal a ênfase dada ao Seu ministério.
O conteúdo de Atos apresenta três momentos e três personagens distintos, cumprindo,
cada um, o propósito específico do Senhor, para aquele momento da Igreja. Além disso, o
autor descreve o cumprimento da profecia de Joel 2, tendo o dia de Pentecostes sido o
marco que inaugura a presença e o ministério do Espírito Santo na vida da Igreja.

O gráfico a seguir nos ajuda a compreender o esboço do livro:

Judeus e Samaritanos Gentios

1.1 8.5 13.1 28


Pedro Filipe Paulo

PODER PROGRESSO EXPANSÃO

2. Contexto

O relato de Atos descreve um período que começa aproximadamente em 29 d.C. e


termina em 62 d.C.

Lucas começa do ponto mais significativo para a história da Igreja. Primeiro há um


encontro de Jesus, ressuscitado, e os seus discípulos, no qual eles recebem as últimas
instruções do Mestre. Essas instruções incluíam a Grande Comissão e a ordem para não se
ausentarem de Jerusalém e esperar a promessa da descida do Espírito Santo. Após a ceia,
eles foram para o monte Olival e Jesus foi levado ao céu, ficando as imagens daquele
momento e as palavras dos anjos dizendo: que o mesmo Jesus que foi levado, voltará (1.2-
11).

O desafio de ser testemunha de Jesus implica na vida e na morte. Em Atos, Lucas


descreve o que isso significou na vida de Pedro, de João, de Estevão, de toda a comunidade
dos convertidos a seguir os ensinos de Jesus. O autor termina, ou melhor, interrompe
bruscamente seu relato quando Paulo está preso em Roma.

Atos pode ter sido escrito por volta de 63 a 64 d.C. e tem grande importância como
documento histórico do desenvolvimento do cristianismo no primeiro século, além de ser a
Palavra de Deus que traz ao coração do seu povo consolo, edificação, exortação, convicção
e esperança.

3. Vivendo a comunidade do Reino, fazendo a história

Os três períodos distintos da história da Igreja descritos em Atos devem, antes de


qualquer outra coisa, nos fazer lembrar que somos (a igreja de Jesus hoje) herdeiros de
todo o patrimônio espiritual e cultural, construído com aquela comunidade de pessoas
transformadas e testemunhas de Jesus. Assim, somos desafiados a viver, no presente, com
os valores e as atitudes que eles viveram.
3.1. PODER

O poder de Deus reveste a cada um dos discípulos de Jesus, quando no dia de


Pentecostes, cumpriu-se a promessa da descida do Espírito Santo. Aquela festa de
Pentecostes tinha tudo para ser a mera repetição de uma festa anual.

Jerusalém era o lugar da festa que acolheria visitantes de muitas partes do mundo.
Mas, aprouve a Deus mudar a liturgia daquela festa: derramar o seu Espírito e manifestar o
seu poder.

AS NAÇÕES DO PENTECOSTES

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e


Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã
(2003).
Os discípulos foram invadidos pelo dinamismo do Espírito de Deus e não puderam
mais se esconder; foram para as ruas e para as praças ao encontro do povo e assim
anunciar o Evangelho, poder de Deus que salva. Todos tomaram conhecimento das
grandezas de Deus sem a necessidade de intérprete, porque o Espírito deu aos discípulos o
dom de falar as línguas das nações.

Os oito primeiros capítulos de Atos destacam o ministério de Pedro anunciando aos


judeus, em Jerusalém, quem era Jesus.
3.2. PROGRESSO

Em cumprimento do que Jesus dissera, a comunidade, que já contava com um


número bastante expressivo em tão pouco tempo, foi impelida a sair de Jerusalém e se
espalhar por toda a Judéia e Samaria. O representante deste período é Filipe, que percorre
várias cidades da Judéia e na região da Samaria, pregando e estabelecendo novas
comunidades.

Pedro e João também aparecem saindo de Jerusalém indo para os que necessitavam
ouvir o Evangelho. Confira as viagens de Pedro, João e Filipe.

VIAGENS DE PEDRO E JOÃO

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003).
VIAGENS DE FILIPE

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003).

3.3. EXPANSÃO

Os capítulos 13 a 28 de Atos narram como Deus levou a Igreja até aos gentios.
Paulo é a figura de destaque desse período com quem a Igreja se expande para atingir o
centro do império romano.

Uma igreja acata o desafio de orar, enviar e sustentar missionários; é, pois, da


igreja de Antioquia que Paulo e Barnabé partem para a primeira, segunda e terceira viagem
missionária. A quarta viagem de Paulo é para Roma; ele vai como prisioneiro no Senhor,
para testemunhar na capital do império, para os nobres e poderosos da sua época.
A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003)
A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003)
A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003)
A QUARTA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003)

4. Vivendo a comunidade do Reino, transformando a


história

A comunidade descrita em Atos, não só fez a história, deixando nela sua beleza,
sua coragem, seu carisma. Mas ela, também encarnou os valores e as atitudes do Reino de
Deus, para confrontar e transformar a história. Lucas descreve aspectos daquele grupo de
pessoas, denominados cristãos que encantam, desafiam e confortam o coração de
qualquer leitor. Como isso acontece?

4.1. DESAFIAM A MORTE, MAS NÃO ABREM MÃO DA OBEDIÊNCIA

Voltar do monte Olival para Jerusalém era naquele momento – para aquele grupo
marcado pelo estigma de ter andado com Jesus, que se dizia Rei dos Judeus, mas foi
torturado e por fim crucificado como malfeitor inimigo de César e das leis dos judeus –,
pedir para si a morte. Contudo, superando qualquer raciocínio lógico humano, eles
voltaram para Jerusalém por pura obediência ao Senhor ressuscitado.

Quanto temor não se passara em seus corações! Por outro lado, quanta entrega
resoluta e submissa a pessoa de Jesus. Só os que são capazes de enfrentar a própria morte
entendem o que é obediência (1.4,12-14).

4.2. CONVIVEM COM O NATURAL, MAS NÃO ABANDONAM A ORAÇÃO QUE ABRE AS
PORTAS DO SOBRENATURAL

Aquela era uma comunidade que tinha como principal atitude o exercício da fé. Fé
não como pretexto para as soluções rápidas e urgentes da vida, mas fé no Deus que
intervém na história para realizar todo o seu propósito. Assim, não são poucas as vezes
que Lucas descreve aquela comunidade, ou parte dela, em oração, como demonstração de
suas convicções acerca de Deus e do seu poder (1.24-26; 4.23-31; 9.36-42; 12.9-12; 16.24-26).

4.3. EXPERIMENTAM DURA PERSEGUIÇÃO, MAS DESFRUTAM DE PAZ

A comunidade descrita em Atos é uma comunidade que tem paz. Ainda que sejam
caçados e mortos bárbara e cruelmente, eles contra-atacam com a paz. Lucas escreve em
Atos 9.31 que “a igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria,
edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia
em número”.

4.4. ENFRENTAM A DISCRIMINAÇÃO E SOFREM A EXCLUSÃO, MAS OUSAM SER UMA


COMUNIDADE INCLUSIVA

Nada há na comunidade de Atos que seja secreto ou misterioso. Eles aprenderam


com Jesus a não ter nada a esconder, a andar no meio do povo e chamá-lo para, por meio
do arrependimento, fazer parte do grupo. Assim, no primeiro discurso de Pedro, no dia de
Pentecostes, três mil são incluídos (2.41). No segundo discurso, mais dois mil só de homens
são incluídos (4.4). Todos são chamados: homens, mulheres, judeus, gentios, militares,
civis, sacerdotes, mágicos; não há restrição. A única exigência era que se arrependessem e
fossem batizados (2.37).

4.5. ABREM MÃO DOS BENS, MAS SE LEVANTAM COMO COMUNIDADE DO SERVIÇO

Eles compreenderam que servir a Deus é servir ao próximo, que não existe amor a
Deus sem amor ao próximo. Desta forma, a comunidade de Atos se compromete com o
próximo, porque não pode admitir que alguém ao seu redor passe necessidade. Lucas os
descreve, como uma comunidade que vive o amor enfático, ou seja, que se coloca no lugar
do outro, para sentir o que ele sente (2.42-47; 4.32-37). Em Atos, a comunidade do serviço é
vista pelo povo com simpatia, porque faz da missão da Igreja - a missão de servir.
5. Conclusão

A Igreja descrita por Lucas, nas páginas de Atos, vive como comunidade do Reino,
fazendo a história e transformando a história, com o testemunho da fé, disposta a ir até as
últimas conseqüências, e até aos confins da terra, para tornar Jesus conhecido por todos. A
Igreja de Cristo, hoje tem uma dívida com a comunidade de Atos, que é a de servir a Deus
com a mesma intensidade e compromisso, sem abrir mão do legado de fé que nos foi
deixado.
Entrando em forma
ESTUDO 05 – Vivendo a comunidade do Reino
Livro: Atos
Nº de Capítulos: 28
Escritor: Lucas (médico de Paulo)
Época: Provavelmente por volta de 63 d.C.
1. A que livro, o autor de Atos se refere quando diz: “Escrevi o primeiro livro…”?

2. Para que os discípulos necessitavam receber poder por meio do Espírito Santo?

3. Por que razão Judas Iscariotes cometeu suicídio? (1.15-20)

4. Quais línguas foram faladas no dia de Pentecostes? (2.1-13)

5. Quantos aceitaram a palavra de Pedro e foram batizados no dia de Pentecostes?

6. Quais as características da vida dos convertidos? (2.42-47)

7. Qual a proposta de Pedro para os judeus a fim de que seus pecados fossem
cancelados? (3.11-19)

8. Por que Pedro e João foram presos?


A MANIFESTAÇÃO DA JUSTIÇA
ROMANOS 3.21-31

S
S Lucas 21 e 22
T
T Lucas 23 e 24

Semanal
Leitura
Q
Q 1 Coríntios 01 e 02
Q
Q 1 Coríntios 03 e 04
S
S 1 Coríntios 05 e 06
S
S 1 Coríntios 07 e 08

A justificação pela fé compromete o cristão a conhecer e


praticar os princípios de Deus para sua vida.

1. Conteúdo

A carta aos Romanos tem sido aceita como da autoria


ROMA do apóstolo Paulo (1.1), que a ditou para ser escrita
Era a capital do Império Romano, por Tércio (16.22). A igreja em Roma era formada por
a metrópole do mundo gentílico. judeus e gentios, provavelmente convertidos em
Fundada por volta de 753 a.C., Jerusalém no dia de Pentecostes (At 2.9-11).
tornou-se nos dias de Paulo, a Romanos é o mais brilhante escrito teológico do Novo
maior cidade do mundo, com Testamento, podendo ser dividido em duas partes
uma população que ultrapassava principais: a primeira de caráter doutrinário e a
um milhão de habitantes. segunda prática.
Mas a Roma dos Césares, das Por meio do
construções magníficas, do luxo conteúdo de A Roma onde os povos
dos nobres, do orgulho dos Romanos, Paulo depositaram seus deuses, suas
exércitos, era também a Roma estabelece corrupções, maldades e toda
dos escravos, dos pobres, dos contato com os sorte de desregramento e desvio
abusos de poder cristãos em sexual.
Roma, os quais ele não conhecia, e expressa seu Roma atraía tanto os bons,
desejo de visitá-los, demonstrando seu interesse cidadãos honrados, quanto os
pessoal por eles (1.9-15). maus, os bandidos, os violentos,
os assassinos e ladrões
O principal assunto tratado em Romanos é a justificação de Deus mediante a fé. Partindo
desse tema, Paulo vai abordar a revelação, a defesa e a aplicação da justiça de Deus. A
profundidade de Romanos expressa a compreensão que o apóstolo tinha a respeito da
natureza do Evangelho de Cristo e a conseqüente vida que resulta de sua aceitação.

Observe o gráfico do conteúdo de Romanos:

A JUSTIÇA DE DEUS
1.1 9.1 12.1 16.27
REVELAÇÃO DEFESA APLICAÇÃO

Necessidade / Declaração / Ilustração Eleição / Rejeição / Restauração Deveres / Liberdade / Saudação

2. Contexto

A carta aos Romanos foi escrita quando Paulo, no final de sua terceira viagem
missionária, nas proximidades da cidade de Corinto, estava pronto para partir em sua
última viagem a Jerusalém. A data mais provável é 57 d.C., quando Paulo aproveitou que
uma mulher chamada Febe ia viajar para Roma; então, mandou por ela a carta aos
Romanos.

Quando a carta chegou aos seus destinatários, Roma era governada por Nero, que
ficou no poder de 54 a 68 d.C. Esse foi o período mais difícil para os cristãos, que foram
duramente perseguidos, torturados e até acusados de incendiar a cidade.

A igreja em Roma, por sua vez, não desfrutava de muita harmonia, tendo como
principal causa a velha questão racial. Judeus e gentios ainda disputavam entre si os
privilégios e bênçãos de Deus. De um lado, os judeus se consideravam extremamente
confiantes, em face de sua relação com a Lei de Moisés. Os gentios, por sua vez,
ignoravam os judeus que haviam desprezado o Messias. Eis a razão porque Paulo trabalha
os dois grupos, demonstrando qual a verdadeira posição tanto de judeus quanto de
gentios.

3. A manifestação da Justiça de Deus

Paulo apresenta o Evangelho de Cristo como o meio mais eficaz usado por Deus
para manifestar a sua justiça. Esse fato contraria aqueles que afirmam que fosse o
interesse de Paulo com a carta, simplesmente pedir o apoio da igreja em Roma para chegar
a Espanha. Se esse fosse o caso, o apóstolo deveria ter escrito uma carta mais fraternal,
sem tocar em assuntos tão difíceis e comprometedores, tais como: a idolatria, o
homossexualismo, a circuncisão, a rejeição de Israel, a liberdade em Cristo, a soberania de
Deus, a eleição do salvos, a obediência as autoridades, a atitude do cristão com os mais
fracos, a predestinação, além de outros. Na verdade, se fazia necessário uma exposição
detalhada da ação de Deus para salvar o pecador (judeus e gentios); isso produziria
maturidade cristã na igreja, e os ajudaria a resolver a questão das diferenças que tantas
feridas causavam.
3.1. A REVELAÇÃO DA JUSTIÇA

Nos primeiros oito capítulos, Paulo demonstra como Deus revelou a sua justiça. Para
prosseguir, é importante entender o que significa “justiça de Deus”. Essa expressão não se
refere ao atributo de Deus que O apresenta eternamente justo; nem ainda expressa o
caráter moral, infundido no homem, pela ação do Espírito Santo. Significa, portanto, a ação
de Deus por meio da qual o pecador é aceito para uma relação com Ele, sem que isso anule
ou abrande a sua Lei. É a providência de Deus para livrar o pecador da condenação da Lei,
permitindo que Cristo cumprisse todas as suas exigências. Paulo trabalha três aspectos da
revelação da justiça de Deus:

 Necessidade  No capítulo 1 Paulo menciona o que faz Deus manifestar a sua ira: “A
ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detém
a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre
eles, porque Deus lhes manifestou” (1.18,19). O pecado de Adão contaminou toda a raça
humana, por isso o apóstolo diz que não há desculpa nem para os judeus, nem para os
gentios, “… pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (3.23). Uma vez
contaminado pelo pecado a humanidade veio experimentar a morte (5.12) e, é nesse
estado que passou a viver. Diante desse quadro, a Lei só mostrava e condenava o
pecado, de sorte que não havia saída (3.19). De um lado o pecado que vivia no homem,
tinha prazer em fazer o mal e do outro lado, a lei acusando e condenando (7.11,14,18,21-
23). A pressão é tão grande que Paulo chega a exclamar: “Desventurado homem quem
sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (7.24). Assim, a necessidade da justiça de
Deus era total para que a humanidade pudesse ser absolvida de sua justa condenação.

 Declaração  Se havia uma necessidade o homem não tinha solução; então o próprio
Deus resolveu agir para libertá-lo. É assim que ele declara como livrar o homem: “Mas
agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhando pela lei e pelos
profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os
que crêem; porque não há distinção” (3.21,22). A declaração de Deus a respeito de sua
justiça, é que ela é um caso consumado: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz
com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos
acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes…” (5.1,2). Na declaração da justiça
de Deus, Ele apresenta a única maneira de escapar de sua ira: “Logo, muito mais agora,
sendo justificado pelo seu sangue seremos salvos da ira” (5.9). O ponto alto da
declaração da justiça de Deus está no capítulo 8 quando afirma: “Agora, pois, já
nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da
vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora
impossível a lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu
próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com
efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse
em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (8.1-4). Paulo quer
dizer, com tudo isso, aos cristãos, judeus e gentios, que Deus revelou a sua justiça
quando Jesus, o seu Filho, assumindo o lugar do pecador, recebeu a condenação da lei
e sofreu toda a intensidade da ira de Deus, mas ressuscitou ao terceiro dia,
completando para sempre a justificação do pecador pelo qual padeceu.

 Ilustração  Almejando a compreensão dos seus leitores, Paulo usa nos oito capítulos
iniciais, três exemplos fáceis de entender. O primeiro diz respeito ao “pai da fé”,
Abraão, que sendo pecador e, portanto, merecedor da condenação pelo fato de ter
crido em Deus, sua vida foi justificada (4.1-25). O segundo exemplo apresenta Adão e
Cristo. Adão representa a desobediência; tornou-se a porta do pecado e da morte
sendo responsável pela ofensa que atingiu a todos indistintamente. Cristo, por sua vez,
representa a obediência; tornou-se a porta da alegria, do perdão, da paz, responsável
pelo ato de justiça que libertou da condenação do pecado (5.1-21). O terceiro é o
exemplo do casamento: Paulo faz uma comparação sobre as obrigações da mulher
casada para com o seu marido enquanto este estiver vivo, mas, uma vez morto o
marido essa mulher estava livre da exigência da lei. Assim, aqueles que estão em Cristo
morreram em relação a Lei e estão, por isso, livres da sua condenação (7.1-6).

3.2. A DEFESA DA JUSTIÇA

Os capítulos 9 a 11 são destinados a demonstrar a situação de Israel no plano de Deus.


Paulo apresenta três estágios:

1º) Eleição  Paulo menciona que, no passado, Israel foi eleito por Deus e que, por
direito, “… pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação (lei), o culto
e as promessas” (9.4). Os cristãos gentios não podiam esquecer esses detalhes.

2º) Rejeição  O ensino de Paulo sobre a situação presente de Israel (Israel como
nação, como povo) é que ele rejeitou a Deus e todas as suas promessas. Todavia, Paulo
quer que os cristãos de Roma entendam e, em especial, os cristãos judeus, que a rejeição
de Israel acontece dentro dos seguintes aspectos: 1) a rejeição de Israel obedece ao plano
soberano de Deus (10.6-29); 2) a rejeição de Israel é temporária (11.11-24); 3) a rejeição de
Israel visa a salvação dos gentios (11.25-32); 4) a rejeição de Israel resulta da sua
incredulidade (9.30-33; 11.20-24).

3º) Restauração  Paulo aponta para o futuro e diz que a situação futura será gloriosa
tendo em vista que o Senhor Deus promete restaurar a Israel completamente (11.25-32). Os
cristãos de Roma, tanto judeus quanto gentios, não poderiam esquecer esses
ensinamentos de Deus.

3.3. A APLICAÇÃO DA JUSTIÇA


Os últimos capítulos de Romanos são dedicados aos aspectos práticos da vida cristã.
Neles, o apóstolo Paulo demonstra como se aplica, na prática, os resultados da justiça de
Deus na vida dos cristãos.

Deveres  É dever do cristão como resultado da justificação apresentar o corpo por


sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (12.1) (de uma vez pra sempre e sem volta); ter uma
mente renovada, substituindo a mentalidade mundana pela mentalidade de Deus,
experimentando a sua boa, perfeita e agradável vontade (12.2); usar os dons espirituais com
sabedoria (12.3-8); desenvolver relacionamentos interpessoais com discernimento espiritual
(12.9-21); demonstrar obediência as autoridades instituídas (13.1-7); exercer o amor ao
próximo como norma de Deus indispensável para o testemunho cristão (13.8-10); andar
dignamente não dando lugar aos desejos da natureza pecaminosa (13.11-14); tolerar com
misericórdia as fraquezas do próximo (14.1-12).

Liberdade  Paulo instrui os cristãos de Roma, judeus e gentios, a não mais brincarem
de deus uns com os outros; que o julgamento pode parecer zelo, mas quando produz
tristeza no outro, não passa de falsa espiritualidade, pois considera no outro aquilo que em
oculto ele mesmo faz ou tem desejo de fazer (14.13-23). A melhor maneira de demonstrar a
diferença da vida cristã é imitar a Cristo: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como
também Cristo nos acolheu para a glória de Deus” (15.7).

Saudações  A menção de pessoas pelos nomes, demonstra que o apóstolo não


escreveu uma carta impessoal, como pretexto para suas ambições missionárias. Ele, na
verdade, tinha interesse de pastorear os cristãos de Roma, como o fez com outras igrejas.
Ele ainda não sabia que Deus o levaria para Roma e que lá ficaria até sua morte a fim de
fortalecer a igreja e testemunhar diante das autoridades e do povo da capital do império.

4. Conclusão
A carta aos Romanos deve trazer a nossa memória a importância da vida cristã
tendo como base os princípios de Deus tanto para o conhecimento como para a prática.
Entrando em forma
ESTUDO 06 – A manifestação da Justiça
Livro: Carta aos Romanos
Nº de Capítulos: 16 --- Tema: A Justiça de Deus
Escritor: Apóstolo Paulo
Época: Provavelmente em 57 d.C.

1. Paulo afirma que Deus chamou os cristãos de Roma com um duplo propósito. Descubra
e escreva esse duplo propósito de Deus lendo Romanos 1.1-7.

2. Por que Paulo dá graças a Deus pelos cristãos de Roma?

3. Por que o apóstolo Paulo não se envergonha do Evangelho?

4. Por que a idolatria é reprovada e deve ser rejeitada pelos cristãos? (1.18-27)

5. O que acontece com aqueles que desprezam o conhecimento de Deus?

6. Qual a condição do judeu e do gentio diante de Deus? (2.1-16)


UMA COMUNIDADE EM CRISE
1 CORÍNTIOS 3.1-9

S
S 2 Coríntios 05 a 07

T
T 2 Coríntios 08 e 09

Semanal
Leitura
Q
Q 2 Coríntios 10 e 11

Q
Q 2 Coríntios 12 e 13

S
S João 01 e 02

S
S João 03 e 04

As crises da caminhada cristã não podem jamais desfazer


a obra de Deus na vida daqueles a quem Ele chamou.

1. Conteúdo

Provavelmente Paulo tenha se comunicado


com os cristãos de Corinto por meio de quatro A CIDADE DE CORINTO
cartas. A primeira, mencionada em 1ª Coríntios 5.9, Localizada estrategicamente
desapareceu; a segunda é a que temos em nossas entre os mares Egeu e Adriático,
Bíblias e a chamamos de 1ª Coríntios; a terceira é tendo um porto em cada um,
apenas uma hipótese levantada em cima de 2 era rota obrigatória entre a Ásia,
Coríntios 7.8; e a quarta é a que denominamos 2ª a Palestina e a Itália. Esse fato
Coríntios. transformava Corinto num centro
de comércio, sendo
A 1ª Carta aos Coríntios surge como constantemente invadida por
resposta a carta enviada pelos cristãos de Corinto, negociantes. Além disso, suas
bem como do relatório dos da casa de Cloé que terras eram férteis, facilitando a
visitaram o apóstolo. Pelo fato de já ter trabalhado produção de alimentos. Corinto
em Corinto por um período de um ano e meio, Paulo era, então, uma cidade rica e bem
não escreve uma carta de caráter doutrinário para localizada.
tratar sobre os fundamentos da fé cristã. Ele escreve
para orientar os cristãos por meio de exortação, disciplina, conselhos e encorajamento.

Assim, preocupado, pois a situação dos coríntios inspirava cuidados, Paulo toma
como escritor a Sóstenes e produz esta carta cheia de repreensões, mas demonstrando seu
amor, como de pai aos cristãos de Corinto (4.14-21).
A principal ênfase da carta é
mostrar aos cristãos, Corinto era uma cidade pagã onde imperava a idolatria. Os

especialmente os de Corinto, deuses mitológicos faziam parte da cultura grega. A mais


conhecida divindade dos coríntios era Afrodite, também
que a vida cristã resulta de uma
chamada Astarte, Vênus ou Vésper, a deusa do amor e da
transformação realizada por
fertilidade. Seu templo ficava numa colina chamada
Deus no interior da pessoa, Acrocorinto, que tinha 152 metros de altura. Os cultos a
resultando em pensamentos Afrodite incluíam rituais de sexo realizados por mil
novos, atitudes novas, sacerdotisas ou prostitutas cultuais. Essa prática era
relacionamentos novos e extremamente atrativa aos viajantes que se entregavam a
adoração nova (5.7,8). prostituição como algo lícito e até religioso. A sociedade de
Corinto se revelou amante dos prazeres e das orgias.

O esboço de 1 Coríntios pode ser representado pelo seguinte gráfico:

1.1 1.10 7.1 16.10 16.24


SAUDAÇÃO RESPOSTA AO RELATÓRIO RESPOSTA À CARTA SAUDAÇÕES

Divisões Casamento
Imoralidade Idolatria
Litígio Culto
Sensualidade Dons
espirituais
Ressurreição
Coleta

2. Contexto

Paulo escreveu a Primeira Carta aos Coríntios quando, em sua terceira viagem
missionária, encontrava-se na cidade de Éfeso. O apóstolo já estava prestes a partir de
Éfeso, quando recebeu a visita de dois grupos com notícias da igreja da cidade de Corinto.
O primeiro, formado por familiares ou escravos que pertenciam a casa de uma mulher
chamada Cloé, deram um relatório verbal a respeito da situação da igreja de Corinto, o que
deixou Paulo bastante preocupado em face da confusão que se instalara ali, por
imaturidade, especialmente dos líderes (1.11). O segundo grupo, formado por Estéfanas,
Fortunato e Acaico, entregaram a Paulo uma carta dos cristãos de Corinto, contendo
perguntas sobre vários assuntos, aos quais Paulo apresenta as soluções de Deus para a
vida cristã daquela comunidade (7.1).

A igreja em Corinto nasceu durante a segunda viagem missionária de Paulo, entre


os anos 50 e 52 d.C. Paulo foi o seu fundador e permaneceu ali cerca de um ano e meio. O
primeiro contato de Paulo em Corinto foi com um casal de judeus que tinha sido expulso
de Roma, pelo imperador Cláudio quando decretou a retirada de todos os judeus de Roma.
Áquila e Priscila sobreviviam do ofício de fazer tendas e acolheram o apóstolo que também
tinha o mesmo ofício. Como sempre, no início Paulo procurou a sinagoga e todo sábado
pregava ali para judeus e gentios (At 18.1-4).

Quando Paulo escreveu a carta a igreja de Corinto por volta de 56 d.C., essa estava
vivendo uma situação de crise que envolvia o fato de estar numa cidade que despontava no
cenário mundial em virtude de sua economia, cultura, religião e localização geográfica, o
que, além de atrair pessoas de todas as partes do mundo, também atraia inúmeros
problemas sociais como a pobreza, que aumentava o número de escravos, e toda sorte de
desvios morais. Esses problemas acabavam afetando a vida da igreja que era formada por
judeus e gentios, ricos e pobres, escravos e livres.

Assim, por meio dessa carta, Paulo deseja ajudar uma igreja assediada e afetada
pela cultura pagã da cidade a sua volta.

3. A crise da igreja de Corinto

Com base no relatório feito pelos da casa de Cloé e na carta enviada pelos cristãos
de Corinto, descobre-se que aquela comunidade estava enfrentando grandes lutas. A
imaturidade estava produzindo muita carnalidade na prática da vida cristã dos membros
daquela igreja. A carta é um recurso pedagógico de Paulo para ajudar os seus filhos na fé,
a valorizar a obra de Cristo neles, e assim, romperem com o pecado buscando a
consagração e a santificação.

3.1. RESPOSTA AO RELATÓRIO

Do relatório ouvido por Paulo sobre a igreja de Corinto constavam os seguintes


problemas:

a) Divisões e facções

Além de Paulo, Apolo também trabalhou na igreja de Corinto, prestando a esta um


serviço digno de ser lembrado. Mas o problema não estava nem em Paulo, nem em Apolo e
nem em Cefas (Pedro, em Aramaico), mas sim, na imaturidade dos cristãos que, por uma
disputa sem necessidade, dividiram-se em partidos, criando um clima de rivalidade entre
os irmãos. Dependendo do nome dado ao partido, “quando, pois, alguém diz: Eu sou de
Paulo, e outro: Eu sou de Apolo…”, na verdade, queria-se demonstrar maior consagração,
orgulho espiritual, independência e rejeição a qualquer tipo de liderança.

A palavra de Paulo para isso é que cada servo tem seu papel no crescimento dos
demais, mas o crescimento procede de Deus (3.5-9). E para fechar a questão, Paulo diz:
“Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso: seja Paulo, seja Apolo, seja
Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras,
tudo é vosso, e vós, de Cristo, e Cristo, de Deus” (3.21-23).
b) Imoralidade

O caos estabelecido na cidade de Corinto afeta os relacionamentos na igreja. Um


caso escandaloso acontecido entre os membros da comunidade foi que alguém possuiu
sexualmente a madrasta. “Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade
tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de
seu próprio pai” (5.1). A disciplina dada pelo apóstolo ao que praticou tal loucura é
duríssima: “… que o autor de tal infâmia seja… entregue a Satanás para a destruição da
carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus” (5.3,5). A sentença de Paulo
implica em que a pessoa que praticou tal imoralidade seja morta, sendo essa a única
maneira de não permitir que a maldade se estenda a tal ponto que seja impossível a sua
restauração. Morrendo, ele seria salvo na vinda de Cristo. Na Bíblia não há outro caso
semelhante a este, contudo, há casos de pessoas que morreram como julgamento imediato
dos seus atos (por exemplo: Ananias e Safira).

Para fechar a questão da imoralidade na igreja, Paulo dá a seguinte exortação: “Já


em carta vos escrevi que não vos associeis com os impuros; refiro-me, com isto, não
propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras;
pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis
com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente,
ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu
de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará.
Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor” (5.9-13).

c) Litígio

Quando alguém tinha uma questão contra outro, o caso era levado para julgamento
fora da igreja. “Entretanto, vós, quando tendes a julgar negócios terrenos, constituís um
tribunal daqueles que não tem nenhuma aceitação na igreja. Para vergonha vo-lo digo. Não
há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da
irmandade? Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos?” (6.4-6)

Nessa questão, Paulo vai mais longe dizendo que, o pior é que haja contendas entre
eles. “O só existir entre vós contendas já é completa derrota para vós outros. Por que não
sofreis, antes a injustiça? Por que não sofreis, antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a
injustiça e fazeis o dano, e isto aos próprios irmãos!” (6.7,8)

d) Sensualidade

O clima de Corinto, que misturava religião com sexo, despertando para a


sensualidade e fazendo do culto às divindades o serviço de prostitutas. Essa mentalidade
mundana estava deteriorando os valores da liberdade que os cristãos haviam descoberto
em Cristo. Alguns dos cristãos de Corinto estavam pensando, que podiam participar dos
rituais de prostituição dos cultos pagãos e também da igreja, sem nenhum problema. Paulo
diz: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm. Todas as coisas me são
lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (6.12). Os cristãos não tinham
entendimento, ainda, que eles eram completa e totalmente de Cristo. A questão era saber a
quem pertence o corpo e como cuidar dele. Paulo encerra dizendo: “Acaso não sabeis que
o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de
Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois,
glorificai a Deus no vosso corpo” (6.19,20).

3.2. RESPOSTA À CARTA

Da carta enviada pela igreja de Corinto a Paulo constavam as seguintes questões:

a) Sobre o casamento

O capítulo 7 mostra a resposta de Paulo a respeito do casamento e aborda três


aspectos:

O primeiro aspecto resolve a pergunta se era lícito casar. A isto Paulo responde: ”…
é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a
sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (7.1,2). Paulo também deixa claro
que o sexo no casamento é lícito, tendo em vista, que o corpo do marido passa a ser da
esposa e o corpo da esposa passa a ser do marido (7.3-5). Paulo ainda demonstra o desejo
de que os homens cristãos vivessem como ele. Mas, qual era o seu estado? Possivelmente
ele fosse viúvo, tendo em vista o fato de que pertencia ao Sinédrio, e só era permitido votar
no Sinédrio os homens casados (At 26.10). Outro argumento em favor da viuvez de Paulo, é
que só alguém que conhecesse a intimidade do casamento, poderia escrever o conteúdo do
capítulo 7. Bem, Paulo não diz que é mandamento de Deus, que o homem não se case,
pelo contrário, em 1 Timóteo 4.1-3 ele diz que a proibição do casamento procede de espíritos
enganadores e a ensinos de demônios. Assim ele encerra esse aspecto dizendo aos
solteiros e viúvos: “Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do
que viver abrasado” (7.9).

O segundo aspecto revolve a questão da separação no casamento. Paulo diz que o


mandamento de Deus é que não se separem. Mas, se acontecer a separação, que não se
case novamente, ou que se reconcilie um com o outro (7.10,11). Mesmo aos que casaram
com incrédulos, se este consente em continuar vivendo junto, não deve se apartar; e Paulo
coloca isso de maneira muito especial: “Porque o marido incrédulo é santificado no
convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra
sorte os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos” (7.14). A preocupação de
Paulo era que os cristãos não começassem a inventar casamentos e separações sem
propósito, mas por simples capricho. Para evitar isso Paulo escreve: “Irmãos, cada um
permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado” (7.24).
O terceiro aspecto é se os pais deviam ou não permitir que suas filhas virgens se
casassem. A isso, Paulo responde que isso deve ser considerado a luz da situação do
tempo: “Considero, por causa da angustiosa situação presente, ser bom para o homem
permanecer assim com está. Estás casado? Não procure separar-te. Estás livre de mulher?
Não procures casamento. Mas, se te casares, com isto não pecas; e também a virgem se
casar; por isso não peca. Ainda assim, tais pessoas sofrerão angústia na carne, e eu
quisera poupar-vos” (7.26-28). O maior interesse do apóstolo era que os cristãos, naquele
momento de perseguição, estivessem livres para servir inteiramente ao Senhor, sem as
preocupações da vida (7.29-34).

b) Sobre a idolatria

A questão envolvida era se o cristão poderia participar dos banquetes oferecidos


aos deuses e comer a comida que a eles era oferecida. Paulo responde com três
considerações: primeiro Paulo coloca os cristãos em sua devida posição, ou seja, de
relacionamento de amor com Deus (8.3). Segundo, a posição do ídolo, onde Paulo diz que
ele nada é de si mesmo; na verdade o ídolo é objeto de engano, porque o que está por trás
dele são demônios. Nesse caso, quando se sacrifica aos ídolos estão sacrificando aos
demônios (8.4-6; 10.19-22). Terceiro, por amor aos que são mais fracos, pois se alguém visse
um daqueles considerados sábios ou espiritualmente maduros, dentro de um templo
pagão, comendo das coisas sacrificadas aos ídolos, ele seria induzido a participar também
e assim pecaria contra o Senhor (8.7-13).
Por esses aspectos Paulo ordena aos cristãos de Corinto: “Fugi da idolatria” (10.14).

c) O culto

A igreja de Corinto queria saber como deveria ser o procedimento do cristão no


culto. Paulo responde que as mulheres deviam usar o véu quando estivessem orando (11.2-
16). Com relação a Ceia do Senhor, não deveria ser momento para comilança e bebedice,
pois o pão e o cálice eram um memorial para lembrar o que Jesus fez por eles. A exigência
para a participação na ceia era: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma
do pão e beba do cálice” (11:28). Por último, Paulo orienta os cristãos de Corinto a celebrar a
Deus com ordem, isto é, quando alguém estiver falando, os demais devem fiar em silêncio,
mesmo que seja para falar em outras línguas e, especialmente nesse caso, só deve falar se
houver intérprete, ou para profetizar. Paulo arremata dizendo: “… porque Deus não é de
confusão, e sim de paz…” (14.26-40).

d) Sobre os dons espirituais

Paulo ensina que os cristãos de Corinto deviam saber o seguinte: os dons e os seus
possuidores devem estar debaixo da obediência do Senhor. Isso elimina a possibilidade de
cada um querer o seu dom e fazer do seu jeito. Aquilo que não se submete ao Senhor não
é dom do Espírito, não procede de Deus (12.1-11). Os dons, ou as manifestações do Espírito,
tem como finalidade o proveito de cada crente (12.7), a unidade da igreja, portanto, aquilo
que divide a igreja não é dom do Espírito e não provém de Deus (12.12-31). A diversidade
dos dons é para que haja lugar e serviço para todos no corpo de Cristo. Os cristãos não
devem brigar pelos dons que mais dão destaques, antes, devem “procurar, com zelo, os
melhores dons” (12.12-31). Paulo encerra a questão demonstrando que o amor é, por
excelência, o dom supremo e qualquer que seja o dom ou ministério do cristão, sem amor,
não tem nenhum valor (13.1-13).

e) Sobre a ressurreição

Paulo faz saber aos crentes de Corinto que a ressurreição é a realidade mais
marcante da esperança cristã (15.19). A sua garantia está na ressurreição de Jesus, pois se
Ele não ressuscitou, “… é vã a nossa pregação e vã a vossa fé” (15.14).

Pela ordem, Cristo é a primícia, tendo sido o primeiro a experimentar a ressurreição


definitiva, vencendo Ele mesmo a morte. Em segundo lugar, serão ressuscitados os que
morreram no Senhor, ou seja, os crentes, e em seguida os vivos serão transformados. Não
se pode medir o tempo entre os dois últimos acontecimentos, mas apenas para citar a
ordem expressa por Paulo (15.20-28,50-52). A ressurreição não é de caráter espiritual como
alguns julgavam, pelo contrário, os ressuscitados terão corpos à semelhança de Jesus
(15.35-49).

f) Sobre coletas

Paulo orienta a igreja de Corinto para que seus membros reservem determinada
quantia, segundo a prosperidade de cada um e que juntem o que for ofertado para atender
às necessidades dos pobres da igreja de Jerusalém (16.1-4).

Paulo encerra a carta compartilhando seus projetos pessoais, fazendo


recomendações, exortações e saudações (16.5-24).

4. Conclusão

Mesmo informado a respeito da crise vivida pela igreja de Corinto, Paulo demonstra
seu amor, zelo, carinho e a certeza de que Deus estava fazendo uma obra muito especial
na vida daqueles irmãos. Ele acreditava que aquela comunidade pertencia de fato ao
Senhor, e que eles podiam crescer no conhecimento de Deus, sendo bênção no meio de
uma sociedade pagã, corrompida, doente e sem esperança. Isso pode ser visto já na
saudação inicial do apóstolo aos cristãos de Corinto: “… à igreja de Deus que está em
Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em
todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1.2).
Entrando em forma
ESTUDO 07 – Uma comunidade em crise
Livro: Primeira Carta aos Coríntios
Nº de Capítulos: 16 --- Tema: Resolução de divisões e problemas
Escritor: Apóstolo Paulo
Época: Provavelmente entre 56 e 57 d.C.

1. O que motivou Paulo a escrever uma carta à igreja de Corinto?

2. O que caracterizava a pregação de Paulo? (2.1-5)

3. Quais os problemas mencionados em 1 Coríntios, presentes na vida da igreja?

4. Qual a ordenança de Paulo com relação à idolatria? (10.14-22)

5. Qual o limite da liberdade cristã? (10.23-11.1)


O CARÁTER DO LÍDER CRISTÃO
2 Coríntios 6.4-10

Leitura Semanal
S João 05 e 06
T João 07 e 08
Q João 09 e 10
Q João 11 e 12
S João 13 e 14

S João 15 a 17

O líder cristão deve ter seu caráter provado e aprovado por Deus e pela igreja.

1. Conteúdo

A Segunda Carta de Paulo aos Coríntios difere das demais, por não ter em seu
conteúdo, os ensinamentos doutrinários ou práticos, nem as exortações e disciplinas que
tratavam dos desvios nas igrejas. Nesta carta, Paulo trata de problemas de ordem pessoal e
apresenta toda a base e autoridade de seu ministério. Esta carta pode ser lida como uma
autobiografia de Paulo. Certamente, Paulo escreveu a carta (II Coríntios) motivado pelos
efeitos causados pela carta anterior, e também pela ação dos judaizantes que denegriam
sua vida e seu ministério.

O conteúdo da carta abrange dez temas principais, que são os seguintes:

1) A ação de Deus como Pai ,que a si mesmo se revela, cuidando dos seus filhos,
exercendo sobre eles sua misericórdia, seu consolo, sua disciplina e seu controle;
2) Os ataques de Satanás, disfarçado como anjo de luz, com o intuito de perverter os
homens e confundir, se possível, a igreja;
3) O agir de Jesus Cristo Filho de Deus, sem pecado, em quem as promessas de Deus são
cumpridas, sendo Ele o Redentor dos homens, o Messias de Israel, preexistente,
ressurreto dos mortos, Senhor e Juiz de todos;
4) A atuação do Espírito Santo no coração, dando vida e, com poder, transformando a vida
dos crentes, sendo Ele mesmo a garantia das promessas de Deus;
5) O Antigo Testamento como autoridade de Deus para os crentes;
6) A imortalidade da alma como traço da natureza divina;
7) A função e os propósitos do sofrimento na vida do crente;
8) O valor da esperança cristã e seus efeitos, mesmo para os que vivem debaixo de
frustrações;
9) O caráter generoso do cristão se inspira no caráter de Cristo, que deu a si mesmo pelos
homens;
10) A defesa do ministério apostólico de Paulo em face da oposição de seus adversários.

O caráter de II Coríntios nos permite conhecer melhor o homem/líder Paulo, que


apresenta aos seus leitores seus sentimentos, desejos, antipatias, ambições, obrigações e
fraquezas. Nos capítulos 10 a 13, Paulo se utiliza da ironia e do sarcasmo para tratar com
os seus opositores.

No geral, a carta desperta nos leitores uma profunda reflexão sobre o caráter do
líder e o seu trabalho como ministro de Deus na igreja. O esboço de II Coríntios pode ser
demonstrado como segue:

1.1 1.3 2.14 10.1 13.11 13.14


SAUDAÇÃO CONDUTA MINISTÉRIO DEFESA SAUDAÇÃO
INICIAL FINAL

2. Contexto

A Primeira Carta de Paulo aos Coríntios produziu resultados animadores, havendo


mudança de sentimentos e de comportamento, levando a maioria dos crentes ao
arrependimento e a assumirem a verdadeira postura do cristão. Todavia, um grupo menor
continuou vivendo em rebeldia, tornando-se foco de mobilização dos crentes, nas mãos
dos falsos mestres contra o apóstolo Paulo. Esses falsos mestres envenenavam a igreja,
afirmando que Paulo era inconstante, orgulhoso, inexpressivo na aparência e no falar,
desonesto e sem qualificações para ser apóstolo de Jesus.

Quando Tito retornou com as notícias do resultado da primeira carta, Paulo estava
na Macedônia, em meio à sua terceira viagem missionária. A segunda carta provavelmente
foi escrita de lá, com um prazo entre seis meses a um ano depois de I Coríntios. Uma data
possível para II Coríntios é 56 ou 57 d.C.
3. De coração aberto

Em II Coríntios, o apóstolo Paulo abre as comportas do seu ser e deixa os seus


leitores conhecerem aspectos do seu caráter, que na maioria das vezes, os líderes tentam
esconder, pois temem perder o poder, o respeito, os amigos, a admiração, o salário etc.
Tudo o que Paulo deseja é ser verdadeiro, transparente, digno de confiança. Assim, ele
mostra, antes de qualquer outra qualidade, sua humanidade, sem falsa espiritualidade ou
mera religiosidade.

Os destaques pessoais de Paulo, conforme consta em II Coríntios se apresentam em


três grupos: sua conduta, seu ministério e sua defesa.

3.1. Conduta

Do verso 3 do capítulo 1 até o verso 14 do capítulo 2, Paulo fala aos coríntios a


respeito do seu procedimento diante das seguintes questões:

Sofrimento  Em 1.8, Paulo menciona que na Ásia (provavelmente em Éfeso, por causa
de I Coríntios 15.32), ele foi tão fortemente ameaçado, que chegou ao ponto de entrar em
desespero e, possivelmente, desejar a morte. Pode ser que o apóstolo esteja se referindo a
um tempo em que passou preso em Éfeso, e que as autoridades o tenham torturado com
açoites, fome e muita pressão psicológica (conferir com 11.23). Diante de tão tremenda
luta, a sua conduta foi confiar em Deus, que não só pode livrar da morte como pode
ressuscitar dos mortos (1.9,10).

Acusação  No verso 17 do capítulo 1, Paulo diz ter havido por parte da igreja, certa
desconfiança a seu respeito, em face das acusações feitas pelos seus opositores. Neste
casso, ele estava sendo acusado de tratar os coríntios com leviandade, prejudicando a
igreja. A atitude de Paulo é protestar contra as acusações, invocando o testemunho de
Deus a seu respeito, de que não agia com intenções leviana no coração (1.18-24). Na
verdade, ele desejava o bem da igreja (2.1-4).

Perdão  Os versos 5 a 11 do capítulo 2 têm sido entendidos, por alguns


comentaristas, tratar-se da readmissão do homem que possuiu sexualmente a mulher do
próprio pai (I Co 5.1-5). Isso é pouco provável, tendo em vista que naquele caso, não seria
uma questão do perdão de Paulo, mas de Deus e da própria igreja. Todavia, no 2.5-11
parece tratar-se de alguém que tinha ofendido pessoalmente a Paulo, causando-lhe muito
mal (2.5), levando a igreja a agir com desconfiança em relação ao apóstolo. Nesse caso,
Paulo não só perdoa, como também instrui a igreja a fazer o mesmo, e mais, além do
perdão, a igreja deveria confortar e confirmar seu amor para com a pessoa que agiu com
maldade. Assim, ela não seria “consumida por excessiva tristeza” (2.7-11). Quanto ao caso
do que cometeu o ato sexual com a madrasta, pode estar incluído entre os que não se
arrependeram descritos em 12.21.
3.2. Ministério

Nos capítulos 3 a nove de II Coríntios, são apresentadas as convicções e realizações do


ministério apostólico de Paulo. Na verdade, Paulo não tinha necessidade de dizer
absolutamente nada sobre o seu trabalho, porque as igrejas sabiam da honestidade do seu
trabalho e do esforço, muitas vezes sobre-humano, para pregar o Evangelho tanto a judeus
quanto a gentios (3.1-3).

Capacitação  Paulo deixa claro que, em sua vida, foi Deus que o capacitou para
exercer o ministério, dando-lhe habilidade, pois o ministério da nova aliança é o ministério
do espírito e não da letra (2.4-6).

Ousadia  Paulo fez uma comparação entre o ministério de Moisés baseado na lei para
a condenação e o do Espírito que justifica para a liberdade (3.7-11), na esperança de que o
ministério do Espírito é permanente, e que ele, Paulo, foi chamado para esse ministério;
por isso ele se sente ousado para falar do Evangelho (3.12), e isso, ele fez a judeus e
gentios, ricos e pobres, sábios e ignorantes (Rm 1.14).

Fidelidade  Paulo afirma que no desempenho do ministério ele tem sido fiel a Deus, à
Sua Palavra (4.1-4) e ao próprio ministério (4.5).

Poder  O apóstolo demonstra conhecer qual a fonte do poder que se manifesta em


seu ministério. Assim, ele se coloca como vaso de barro e atribui a Deus todo o poder
(4.7). Desta maneira, ele é sustentado no meio de muitas provações, para que a igreja seja
abençoada e a glória seja de Deus (4.8-15).

Aflições  Na compreensão de Paulo, as aflições do ministério, que são muitas (citadas


por ele), têm “eterno peso de glória, acima de toda comparação” (4.16-18).

Esperança  Paulo aponta dois aspectos da sua esperança: 1) a eternidade após a


morte e, segundo ele, para isso, “gememos” e 2) viver a vida de modo agradável ao Senhor,
o que para isso ele diz ter sempre bom ânimo (15.1-10).

Zelo  Procede de duas fontes: do temor do Senhor e da eficácia da morte de Cristo na


transformação dos valores e das atitudes (5.11-17).

Natureza  Paulo afirma para os coríntios, que Deus em Cristo nos reconciliou consigo
mesmo, portanto, o ministério cristão é o ministério da reconciliação, sendo esse o
trabalho do embaixador (5.18-6.3).

Abnegação  Para Paulo, o ministério exige renúncia da própria vontade (16.4-13).

Afeto  O ministério de Paulo é desenvolvido com muito afeto (7.2-4).


Relacionamento  Paulo valoriza em seu ministério a questão dos relacionamentos,
não somente entre ele e os cristãos ou as igrejas, mas também entre ele e seus
companheiros de ministério. É assim que ele demonstra preocupação, quando chegou à
Macedônia, e não encontrou Tito (2.12,13) e o seu alívio, quando ele chegou (7.5,6). O
apóstolo se sentia responsável pelos seus companheiros, e elogia o trabalho dedicado
deles (8.16-24).

Gratidão  É demonstrada pelo apóstolo às igrejas da Macedônia em face da oferta


enviada por elas aos pobres da Judéia.

3.3. Defesa

Os últimos capítulos de II Coríntios contêm a defesa de Paulo, a qual se faz necessária,


porque os mestres judaizantes queriam acabar com o seu ministério, e por vezes, com sua
própria vida. Assim, Paulo defende:

 a sua autoridade apostólica (10.1-12);


 a ética de sua atuação missionária (10.13-18);
 o seu conhecimento (11.1-6);
 a sua decisão de não receber nenhuma ajuda financeira da igreja de Corinto, mas
sobreviver do ofício de fazer tendas (11.7-15);
 o seu amor ao Evangelho, que o fez passar por muito sofrimento (11.16-33);
 o caráter das visões e revelações por ele recebidas (12.1-10);
 as suas credenciais como apóstolo (12.11-13);
 sua autoridade para disciplinar e corrigir os que se rebelam contra o Senhor,
vivendo em pecado (13.1-10).

4. Conclusão

Paulo encerra a carta se despedindo e abençoando os coríntios, como não deveria


deixar de fazer, testemunhando, mais uma vez, do seu caráter como líder.
Entrando em forma

ESTUDO 08 – O caráter do líder cristão


Livro: Segunda Carta aos Coríntios
Nº de Capítulos: 13 --- Tema: O ministério da reconciliação
Escritor: Apóstolo Paulo
Época: Provavelmente entre 56 e 57 d.C.

1. Descreva a atitude de Paulo, que demonstra sua conduta, diante das seguintes
situações:

a) Sofrimento (1.8-10) 

b) Acusação (1.17-24) 

c) Arrependimento (2.5-11) 

2. De que maneira Paulo descreve sua atuação como ministro? (2.14-9.15)

3. Que aspectos do seu ministério Paulo defende em 10.1-13?

4. Que qualidade ministerial de Paulo você destaca e por quê?

5. Que qualidade você julga ser extremamente necessária para o líder cristão da igreja
atual e por quê?
ENTRE O FALSO E O VERDADEIRO
Gálatas 1.6-9

Leitura Semanal
S Efésios 03 e 04
T Efésios 05 e 06
Q Filipenses 01 e 02
Q Filipenses 03 e 04
S Colossenses 01 e 02
S Colossenses 03 e 04

É dever do cristão rejeitar qualquer evangelho que conduza novamente a qualquer tipo de
escravidão.

1. Conteúdo

Gálatas pode ser considerada a “carta da liberdade cristã”, tendo em vista que nela,
claramente, se apresenta o resultado da obra de Cristo na cruz: “Cristo nos resgatou da
maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (3.13).

O conteúdo desta carta de Paulo aponta para a grande controvérsia entre a Lei e a
Graça; entre as imposições da religião judaica e a liberdade do Evangelho de Cristo. Assim,
Paulo levanta um protesto contra a ação dos judaizantes que deformavam e distorciam o
Evangelho. Esses religiosos judeus obscureciam a verdade essencial do Evangelho, que era
a justificação pela fé, insistindo com os cristãos que, para eles serem aceitos por Deus e
participantes das suas bênçãos, era necessário tornarem-se judeus, por meio da
circuncisão. Paulo demonstra sua indignação com essa prática dos judeus, fazendo a
seguinte afirmação: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue
evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (1.8).
O esboço de Gálatas pode ser apresentado pelo seguinte gráfico:

1.1 3.1 5.1 6.18


DEFESA EXPLICA APLICAÇÃO
ÇÃO

Dado Fé e obras Posição


Aprovado Fé e Lei Condição
Demonstra Poder
Lei e
do Ação
promessa
Lei e Graça
2. Contexto

A carta aos Gálatas foi escrita por Paulo, ou de Éfeso ou da Macedônia, entre 53 e
56 d.C. Provavelmente o destino da carta foi às igrejas fundadas pelo apóstolo e por
Barnabé durante a primeira viagem missionária. Nesse caso, a região mencionada como
Galácia tem um sentido político (província romana da Galácia), que incluía áreas ao sul da
Ásia Menor das quais faziam parte as cidades de Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe.

A ação missionária de Paulo e Barnabé na Galácia foi muito bem sucedida. Multidões
de pessoas se converteram ao Evangelho pregado por Paulo, resultando no nascimento de
igrejas gentílicas. Foi a primeira vez que o Evangelho saiu dos domínios judaicos, de
maneira intencional, da parte de Deus, da Igreja missionária e dos missionários (At 13.1-
3), e foi na direção dos gentios.

O motivo de Paulo ter escrito essa carta, está no fato de ter os cristãos da Galácia
recebido com a mesma disposição, o outro evangelho (outro com a idéia de diferente),
pregado pelos judeus. A carta apresenta dois objetivos: primeiro, servir como exortação
aos crentes que haviam crido no Evangelho da Graça, mas estavam retrocedendo para o
Evangelho da Lei – “Ó Gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos
foi Jesus cristo exposto como crucificado. Quero apenas saber isto de vós: recebestes o
Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois assim insensatos que, tendo
começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?” (3.1-3). Segundo,
como confrontação e rejeição aos judaizantes e de ser o evangelho deles diferente e falso,
que enganava a mente dos cristãos gentios, fazendo-os se submeterem aos costumes da
religião judaica. Paulo não foi incentivado por inveja, nem por preconceito, e nem ainda por
diferença de opinião teológica, mas, porque o verdadeiro Evangelho estava sendo
substituído por um falso que nada mais era do que o velho judaísmo disfarçado de
cristianismo.
A Primeira Viagem Missionária de Paulo

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003)
NOTA: Os judaizantes eram uma seita dentre os cristãos judeus que, não querendo aceitar o ensino
apostólico sobre a questão (Atos 15), continuavam a insistir que os cristãos tinham de ir a Deus por
meio do judaísmo; que para um gentio ser cristão precisava tornar-se judeu e guardar a Lei judaica.
Tomaram a peito visitar, agitar e perturbar as igrejas gentílicas. Estavam apenas resolvidos a rotular
Cristo com a marca da fábrica judaica. Contra isso, Paulo se mostrou inexorável. “Se a observância da
Lei tivesse sido exposta aos convertidos gentios, todo o trabalho da vida de Paulo teria sido
arruinado. A expansão do Cristianismo, rompendo os diques de uma seita judaica, e tornando-se
religião mundial, foi a paixão ardente de Paulo; para conseguí-la arrebentou todos os obstáculos e
pôs nisso todo o seu esforço mental e físico durante mais de trinta anos. O esforço por judaizar as
igrejas gentílicas teve fim com a queda de Jerusalém, em 70 d.C., pela qual ficaram cortadas todas as
relações entre o judaísmo e o cristianismo. Até essa época, o cristianismo era considerado seita ou
ramo do judaísmo. Daí por diante, judeus e cristãos se separaram. Permaneceu uma pequena seita de
cristãos judeus, chamados ebionitas, que duraram dois séculos, a decrescer em número, mal
reconhecidos pela igreja em geral e, pelos de sua própria raça, havidos como apóstatas.” (Extraído da
obra de Henry H. Halley. Manual Bíblico, da Edição Vida Nova, 1979).

3. O EVANGELHO DA GRAÇA

O que distingue o falso do verdadeiro? Paulo havia passado pela região da Galácia
pregando o Evangelho da Graça de Deus e a esse Evangelho os gálatas tinham recebido e
crido, o que mudou suas vidas. Todavia, os judeus levaram até eles um evangelho
estranho, que exigia o cumprimento das leis judaicas. E assim, enganaram os crentes que
passaram a cumprir os rituais da religião judaica. Na carta aos gálatas, o apóstolo Paulo
demonstra três atitudes em relação ao Evangelho da Graça:

3.1. A defesa do Evangelho da Graça

Nos primeiros dois capítulos de Gálatas, Paulo faz uma defesa argumentando com
os cristãos a respeito de três aspectos ligados ao Evangelho por ele pregado:

Procedência – Paulo afirma que o Evangelho por ele anunciado não tem procedência
humana: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é
segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas
mediante revelação de Jesus Cristo” (1.11,12). Provavelmente Paulo estava se referindo ao
tempo em que ele esteve no deserto da Arábia, onde se deu as revelações. Esse evangelho
contrasta com o evangelho pregado pelos judaizantes.

Conteúdo – Paulo afirma que o conteúdo do Evangelho por ele pregado era a pessoa
de Jesus: “Quando, porém, ao que me separou antes de nascer e me chamou pela sua
graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios…”
(1.15,16). Porém o evangelho dos judaizantes consistia de ordenanças dadas
especialmente à nação judaica (3.8-11).

Objetivo – Paulo diz que a verdade do Evangelho faz saber que a salvação ou
justificação não é resultado da obediência a Lei, mas pela fé em Cristo: “… sabendo,
contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo
Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em
Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (2.16). Isso
vale para judeus e gentios. Nesse aspecto, Paulo precisou repreender a Pedro, pois ele se
havia deixado levar pelos judaizantes, chegando a confundir o próprio Barnabé com o
evangelho falso (2.11-21).

3.2. A explicação do Evangelho da Graça


Paulo atesta a insensatez dos gálatas afirmando que eles foram seduzidos por um
evangelho que os fascinou, fazendo-os abandonar o verdadeiro Evangelho que expõe a
Jesus como crucificado. Talvez o verdadeiro evangelho não seja fascinante aos olhos
humanos porque apresenta a graça de Deus sem esforço humano. Na religião judaica,
como em qualquer outra religião, não se admite que o homem não se esforce para merecer
e ganhar a salvação. Na explicação de Paulo ele apresenta alguns contrastes:

Fé e obras – Paulo afirma que o Espírito Santo é recebido através da pregação da fé e


não por obediência à lei (3.2-5). As bênçãos espirituais são decorrentes da fé e não das
obras.

Fé e Lei – O apóstolo apresenta a experiência de Abraão, dizendo que ele foi justificado
pela fé, por ter crido em Deus e nas suas promessas. Assim, os verdadeiros filhos de
Abraão são os que, à semelhança do patriarca, crêem em Deus. Quanto a lei, ela é incapaz
de justificar alguém (3.6-14).

Lei e promessa – O ensino de Paulo aos gálatas é que a lei não pode desfazer a
promessa. Ora, se isso acontecesse, o caráter de Deus seria manchado, pois ele teria feito
uma promessa e não teria sido fiel o bastante para cumpri-la. A lei foi quebrada pelos
homens, mas a promessa jamais pode perder a validade até que se cumpra (3.15-22).

Lei e Graça – Paulo mostra que não é possível, ao mesmo tempo, viver pela lei e pela
graça. As duas são incompatíveis. Se alguém decidir cumprir a lei, estará obrigado a viver
pela lei. Os que procuram se justificar pela lei, já caíram da graça (5.1-12).

3.3. A aplicação do Evangelho da Graça

Nos últimos capítulos, Paulo faz a aplicação do Evangelho da Graça a vida dos crentes,
apresentando as seguintes considerações:

A oposição dos cristãos em relação ao Evangelho da Graça – Aqueles que foram


alcançados pela graça de Deus, mediante o Evangelho do Seu Filho, foram libertos de toda
forma de escravidão. A posição que devem assumir é a de livres. Essa liberdade decorrente
da graça pode ser limitada somente pelo amor (5.1;13-15).
A condição dos crentes em relação ao Evangelho da Graça – Paulo chama a atenção dos
cristãos, para o resultado daqueles que viveram segundo a carne e daqueles que viveram
segundo o Espírito. Assim, o Evangelho da Graça possibilita aos cristãos, a condição de
viverem e andarem no Espírito (5.16-26).

O poder do cristão em relação ao Evangelho da Graça – Paulo demonstra que o


Evangelho da Graça dá aos cristãos o poder da misericórdia para levar as cargas uns dos
outros e ainda o seu próprio fardo (6.1-5).

A ação do cristão em relação ao Evangelho da Graça – Para Paulo, nada comprova mais
o envolvimento de alguém com o Evangelho da Graça, do que o fato que suas ações
produzem o bem dos outros. Se isso não acontecer, a vida cristã não faz o menor sentido
(6.6-10).

4. CONCLUSÃO

A indignação de Paulo, bem como os princípios por ele apresentados em Gálatas,


têm sido sempre mostrados as igrejas, de todas as épocas, pois há a necessidade de
estarmos atentos ao surgimento de outros evangelhos que são pregados, para fascinar os
crentes com propostas enganadoras que nos afastam do verdadeiro Evangelho da Graça. A
Igreja de Jesus não precisa voltar aos ritos, costumes, cultura, leis e bandeira da nação
judaica. O Evangelho da Graça nos libertou. Qualquer um que induza a Igreja de Cristo a se
submeter a qualquer coisa que lembre a escravidão, seja maldito (1.8).
Entrando em forma

ESTUDO 09 – Entre o falso e o verdadeiro


Livro: Carta aos Gálatas
Nº de Capítulos: 6 --- Tema: Liberdade em Cristo
Escritor: Apóstolo Paulo
Época: Provavelmente entre 48 e 49 d.C ou entre 55 e 57 d.C.

1. Paulo pergunta aos cristãos da Galácia se ele, Paulo, procurava agradar aos homens. O
que aconteceria se ele agradasse aos homens?

2. Por que Paulo diz que o Evangelho por ele pregado não é segundo o homem?

3. Qual foi o procedimento de Paulo enquanto estava no judaísmo?

4. Depois de sua conversão, quanto tempo Paulo passou no deserto da Arábia?

5. Qual a diferença entre o evangelho da circuncisão e o evangelho da incircuncisão?

6. Por que Paulo e Pedro se desentenderam gerando uma grande discussão entre eles?
EM POSIÇÃO PARA AGIR
Efésios 4.17-24

Leitura Semanal
S Mateus 01 e 02
T Mateus 03 e 04
Q Mateus 05 e 06
Q Mateus 07 e 08
S Mateus 09 e 10

S Mateus 11 e 12

Todo cristão precisa estar consciente que a vida cristã envolve privilégios, responsabilidades
e estratégias.

1. CONTEÚDO

A carta que tem o nome de Efésios


pode não ter sido enviada com A CIDADE DE ÉFESO
exclusividade aos cristãos da cidade de Antiga cidade grega no território da Lídia,
Éfeso. Essa idéia se baseia na pouca na Ásia Menor, entre as cidades de
evidência da própria carta (somente Ef 1.1). Esmirna e Mileto. Uma das mais
O mais provável é que este escrito de Paulo importantes cidades da Ásia Menor, hoje
tenha sido enviado como uma espécie de Turquia, era a capital dessa região por ser
carta circular, a fim de que fosse lida nas a principal saída e entrada pela costa
igrejas de várias cidades. ocidental, em virtude de seu porto no mar
Egeu. Provavelmente foi fundada pelos
Efésios é um dos mais brilhantes jônicos em cerca de 1050 a.C. sob a
documentos, que demonstra o cuidado direção de Androclus, filho do rei
pastoral de Paulo com os cristãos, no ateniense Codro. Durante muito tempo
desejo que eles fossem fortalecidos, ficou sob o domínio persa, até que
revitalizados e amadurecidos para
honrarem a Deus com suas vidas.

O tema geral da carta pode ser: “A posição do cristão”. Com esse tema, Paulo
demonstra quem é o cristão, quem é a Igreja e quem é o inimigo. Desta maneira, Paulo
trata do cristão e seus relacionamentos com Deus, judeus e gentios, marido e mulher, pais
e filhos, servos e senhores.
O grande tema
Alexandre, o Grande, devolveu-a aos gregos. Éfeso fora um centro
da salvação está forte do politeísmo. Ficou mundialmente conhecida por causa do
presente em Efésios famoso templo de Ârtemis (Diana), que tornou-se a principal
do início ao fim. Nele, divindade da cidade. Era a deusa da guerra, também identificada
Paulo descreve a como a deusa da luz e da noite. A ela, nos primórdios, foram
necessidade do oferecidos sacrifícios humanos. Em Atos 19.36 diz que os
homem para a adoradores de Diana criam que a sua estátua havia caído do céu. O
templo construído a Diana consta entre as sete maravilhas do mundo
salvação, a ação de
antigo (Atos 19.23-41). A cidade continuou a prosperar até ao II século
Deus para salvar o
d.C., quando, em 262 d.C., foi fortemente atacada pelos bárbaros
homem e as (godos).
implicações da
salvação na vida do homem.

Para facilitar a compreensão do conteúdo segue o esquema:

1.1 4.1 6.1 6.24


ESTRATÉGIA
PRIVILÉGIO RESPONSABILIDADE

O A igreja Individual /
Comunitária
cristão

2. CONTEXTO

Juntamente com Filipenses, Colossenses e Filemon, Efésios forma o conjunto das


cartas escritas por Paulo da prisão em Roma. Sua composição pode ser datada entre 60-63
d.C.

A origem da igreja em Éfeso aparece em três momentos: em Atos 18.18-23 diz que
ao final da segunda viagem missionária, Paulo passou por Éfeso e ali deixou Áquila e
Priscila. Em Atos 18.24-28 fala-se da estada de Apolo em Éfeso e de sua pregação ali. Já
Atos 19.1-7 nos informa que na terceira viagem missionária, Paulo encontrou em Éfeso um
grupo de 12 homens convertidos, fruto do trabalho de Apolo.

Paulo permaneceu em Éfeso por mais de dois anos (At 19.8-10), tendo que lidar
com alguns problemas que acabaram envolvendo a cidade. Foi o caso dos sete filhos de
um judeu chamado Ceva (19.13,14), que eram exorcistas ambulantes e, ao tentarem
expulsar um espírito maligno, foram envergonhados e fugiram. Desse episódio resultou
várias conversões, ao ponto de muitos que praticavam a magia, queimarem seus livros
diante de todos (Atos 19.11-20).

Outro caso de grande repercussão se deu quando Demétrio causou grande tumulto.
Ele era ourives e fazia de prata, souvenires com a figura da deusa Diana. Quando os efésios
se converteram, deixaram de comprar os tais adereços, dando prejuízo aos ourives.
Estabeleceu-se um conflito religioso entre os seguidores de Diana e os que haviam se
convertido ao evangelho pregado por Paulo. Após grande confusão e do estabelecimento
de uma assembléia ilícita, houve uma intervenção do escrivão da cidade para apaziguar os
ânimos (At 19.23-41).

Quando Paulo deixou definitivamente seu contato com Éfeso, a igreja já estava com
certa organização (Atos 20.17-38).

A Terceira Viagem Missionária de Paulo

Extraído da obra “Manual Bíblico de Mapas e Gráficos”, editada por Editora Cultura Cristã (2003)

Se a Carta aos Efésios não foi enviada exclusivamente para os cristãos da cidade de
Éfeso, tendo em vista não haver nenhum motivo descrito que levasse Paulo a fazê-lo, nesse
caso, o interesse do apóstolo foi firmar e fortalecer a fé das igrejas da Ásia Menor.

Quanto a igreja de Éfeso, esta foi formada por judeus e gentios convertidos e
organizada com líderes (presbíteros) que conduziam diligentemente os crentes. Não há
idéia de motim, ou de grandes heresias no meio da igreja. Não há indícios de rebeldia, nem
de envolvimento com práticas pagãs. Se fosse o caso, Paulo teria tratado na carta.
Todavia, parece que estava havendo problemas de relacionamentos na família e no
trabalho entre patrões e empregados. O caso é tratado por Paulo (5.22-6.9).

Deve ser digno de nota que o apóstolo Paulo, mesmo preso, continuava preocupado
e cuidando do bem-estar das igrejas. Seu exemplo deve ser motivo de reflexão e de
imitação por parte dos líderes da igreja do século XXI.

3. O CRISTÃO EM POSIÇÃO PARA AGIR

A carta de Paulo aos Efésios nos fornece base para pensar que a vida cristã é vivida
num ciclo que se realiza em quatro estágios:

I Reflexão <> “… iluminados aos olhos do vosso coração, para saberdes qual é a
esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a
suprema grandeza do seu poder para com os que cremos…” (1.18,19). Este estágio tem
caráter pessoal. Nele, o cristão pára para contar as bênçãos, para refletir em tudo o que
Deus, por sua graça, já lhe deu. Esta atitude de meditação refaz as forças, revigora e
renova a esperança, e fortalece a fé. É tempo de alimentar-se (Ef 1-3).

II Caminhada <> “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo
digno da vocação a que fostes chamados…” (4.1). Após ter-se alimentado e engordado de
todas as delícias espirituais, é hora de entrar em forma. Neste estágio, o processo é
corporativo (a igreja). Nele, os cristãos adquirem resistência na convivência e nos
relacionamentos. Assim, andando juntos, eles agem mutuamente para corrigir o caráter e,
conseqüentemente, transformar as atitudes (Ef 4-5).

III Batalha <> “… porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra
os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as
forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (6.12). Depois de ter-se fortalecido
contando as bênçãos e queimado o excesso fazendo caminhada, o cristão está pronto para
a batalha, para as lutas que tanto podem ser pessoais quanto corporativas. A batalha tem
caráter necessário, porque propicia a vitória (6.10-20), e conduz ao próximo estágio.

IV Maturidade <> “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais
resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis” (6.13). As
experiências dos demais estágios são, agora, aprofundadas, gerando crescimento em todas
as dimensões da vida cristã. Assim, firme e seguro, o cristão está pronto para reiniciar o
ciclo novamente.
4. CONCLUSÃO

Na carta aos Efésios, Paulo inspirado pelo Espírito de Deus, nos ensina que a vida
cristã é dinâmica, que não fomos salvos para a estagnação, mas, para o crescimento, para
o aperfeiçoamento, para o serviço. Assim, a salvação nos coloca no processo de
maturidade, nos fazendo descobrir quem somos e o que fazemos. Para isso, precisamos
estar conscientes dos privilégios, responsabilidades e lutas que trabalham nosso
conhecimento, nosso caráter, nosso comportamento e nossa ação. O propósito de Deus é
que sempre estejamos em posição para agir.
Entrando em forma
ESTUDO 10 – Em posição para agir
Livro: Carta aos Efésios
Nº de Capítulos: 6 --- Tema: A Igreja, o Corpo de Cristo
Escritor: Apóstolo Paulo
Época: Provavelmente entre 60 e 63 d.C.

1. Em que residia a base do apostolado de Paulo?

2. De que maneira Paulo trata os cristãos da cidade de Éfeso?

3. Com que expressões Paulo saúda os efésios?

4. Em que lugar os cristãos são abençoados com toda sorte de bênção espiritual?

5. Com quais bênçãos espirituais Paulo afirma que o crente já foi abençoado? (1.3-14)

6. Quais motivos levavam Paulo a dar graças pelos efésios?

7. Qual o pedido de Paulo a Deus, em favor dos efésios?

8. O que fez a misericórdia e o amor de Deus em relação aos crentes? (2.1-5)