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O AUTOR E AUTORIA

(o autor e o herói na atividade estética de 1920-1922)

FARACO, Carlos Alberto.

TIPO: Livro Assunto/Tema: Corpo

BRAIT, Beth. Bakhtin: Conceitos-chave.


REFERÊNCIA: COMENTANDO
BAKHTIN, MIKHAIL. Estética Da Criação Verbal. São Paulo: WMF
Martins Fontes, 2011.
Local: Acervo
Citações e anotações: Página
....DESDE CEDO Bakhtin esteve empenhado em construir uma ESTÉTICA GERAL p. 37
Segundo teórico russo, é preciso ter em mente a distinção entre autor-criador e
autor-pessoa, pois
AUTOR-CRIADOR - é um elemento da obra,
AUTOR-PESSOA é um elemento do acontecimento ético e social da vida.
https://circulobakhtiniano.wordpress.com/2012/05/02/autor-criador-2/
Distinção do AUTOR-PESSOA escritor- artista p. 37
AUTOR-CRIADOR a função estético-formal engendradora da obra... um constituinte
do objeto estético (um elemento imanente ao todo artístico) – mais precisamente,
aquele constituinte que dá forma ao objeto estético, o pivô que sustenta a unidade
do todo esteticamente consumado.

Distinção do AUTOR-PESSOA e do AUTOR-CRIADOR p. 38


...autor-criador uma substancia peculiar ao caracteriza-lo fundamentalmente como
posição axiológica (uma posição valorativa?)

...uma efetiva posição axiológica nunca é um todo uniforme e homogêneo, mas


agrega múltiplas e heterogêneas coordenadas. A simpatia do herói e seu mundo
poderá, por exemplo, ser nuançada por uma critica melancólica; a reverencia, por
uma suave e sutil ironia, e assim por diante.
É este posicionamento valorativo que dá ao autor-criador a força para constituir o
todo: é a partir dela que se criará o herói e o seu mundo e se lhes dará o
acabamento estético.
p. 38
Ampliação do escopo da posição axiológica do autor-criador, incluindo nela tanto o
herói e seu mundo quanto a forma composicional e o material, isto é, o objeto
estético materializa escolhas composicionais e de linguagem que resultam também
de um posicionamento axiológico.
AUTOR- CRIADOR substancia peculiar caracterizada como uma POSIÇÃO AXIOLÓGICA: p. 38
A grande força que move o universo das práticas culturais são precisamente as
posições socioavaliativas postas numa dinâmica de múltiplas interrelações
responsivas... todo ato cultural se move numa atmosfera axiológica intensa de inter-
determinações, isto é, em todo ATO CULTURAL assume-se uma posição valorativa
frente a outras posições valorativas.
No ato artístico... a REALIDADE VIVIDA...é transposta para um outro plano axiológico p. 38
(o plano da obra):
O ato estético opera sobre sistemas de valores e cria novos sistemas de valores!
...
É o autor criador – materializado como uma certa posição axiológica frente a uma p. 39
certa realidade vivida e valorada – que realiza a transposição de um plano de valores
para outro plano de valores, organizando um novo mundo (por assim dizer) e
sustentando essa nova unidade.
AUTOR-CRIADOR é, assim, quem DÁ FORMA AO CONTEÚDO: ele não apenas registra p. 39
passivamente os eventos da vida (ele não é o estenógrafo desses eventos), mas, a
partir de uma certa posição axiológica, recorta-os e reorganiza-os esteticamente.
ATO CRIATIVO... complexo processo de transposições refratadas da vida para a arte: p. 39
• Primeiro, porque é um autor-criador e não o autor-pessoa que compõe o
objeto estético (há aqui, portanto, já um deslocamento refratado à medida que o
autor-criador é uma posição axiológica conforme recortada pelo autor-pessoa)
• Segundo, porque a transposição de planos de vida para a arte se não dá por
meio de uma isenta estenografia (o que seria impossível na composição
bakhtiniana... PORQUÊ??), mas a partir de um certo viés valorativo (aquele
conscusbtanciado no autor-criador)

? porque a transposição de planos de vida para a arte se não dá por meio de uma
isenta estenografia (o que seria impossível na composição bakhtiniana... PORQUÊ??):
Porque ele fala de um lugar? Assume sempre uma posição? Há sempre uma ideologia
por tras?
AUTOR-CRIADOR é, assim, uma posição REFRATADA E REFRATANTE. p. 39
REFRATADA porque se trata de uma posição axiológica conforme recortada pelo viés
valorativo autor-pessoa
REFRATANTE porque é a partir dela que se recorta e se reordena esteticamente
eventos da vida
PROCESSOS SEMIÓTICOS (para o Circulo de Bakhtin) p. 39
Ao mesmo tempo em que REFLETEM, sempre REFRATAM o mundo!
A semiose não é um processo de mera REPRODUÇÃO de um mundo “objetivo”, mas
de REMISSÃO a um mundo múltipla e heterogeneamente interpretado (isto é, aos
diferentes modos pelos quais o mundo entra no horizonte apreciativo dos grupos
humanos em cada momento de suas experiência histórica)
No estudo estético, NÃO INTERESSAM OS PROCESSOS PSICOLÓGICOS envolvidos na p. 39
criação ou no depoimento do autor-pessoa sobre seu processo criador, porque este
não experiência os processos spicologicos criativos como tais, APENAS SUA
MATERIALIZAÇÃO NA OBRA. Isso tem a ver com a questão ideológica e com o
contexto que nos cerca??
p.40
p.
p.
AUTOBIOGRAFIA E AUTOCONTEMPLAÇÃO p.42-
Necessidade do PRINCIPIO DA EXTERIORIDADE no ATO CRIADOR poderia ser 43
questionada no caso da AUTOBIOGRAFIA: nesta, ESCRITOR E HERÓI aparentemente
coincidem...sem deslocamento não há ato criador
Autobriografia não é um mero discurso direto do escritor sobre si mesmo.... p. 43
Ao escrever a autobiografia, o escritor precisa se posicionar axiologicamente frente a
própria vida, submetendo-a a uma valoração que transcenda os limites do apenas
vivido.
Precisa posicionar-se AXIOLOGICAMENTE frente à própria vida... p. 43
AUTO-OBJETIFICAR precisa olhar-se com um certo excedente de visão e
conhecimento
AUTOCOMTEMPLAÇÃO motiva a reflexão ... p.43
É ingênuo pensar que no ato de olhar-se no espelho há uma fusão, uma coicidencia
do extrínseco com o intrínseco. o que ocorre, de fato, é que, quando me olho no
espelho não vejo o mundo com meus próprios olhos e desde o meu interior; vejo a
mim mesmo com os olhos do mundo –estou possuído pelo outro
Essas reflexões todas têm, como pano de fundo, o pressuposto bakhtiniano forte do
primado da ALTERIDADE, no sentido de que tenho de passar pela CONSCIENCIA DO
OUTRO PARA ME CONSTITUIR (ou, num vocabulário mais hegeliano, o eu-para-mim-
mesmo se constrói a partir do eu-para-os-outros
O TEMA DO AUTOR NO CIRCULO p.

p.
Autor-criador em Dostoievski p.46

p.
HETEROGLOSSIA p. 49

HETEROGLOSSIA p. 51
O meu aluno, enquanto autor-criador (ou posso chamar ator-criador??)”cumpre ,
então, sua tarefa formal ocupando uma certa posição verbo-axiologica (ele se
materializa como a refração de uma certa voz social) a partir da qual reflete e refrata
a heteroglossia, isto é, não a reproduz mecanicamente, mas apresenta, num todo
estilístico, um modo de percebe-la, experimenta-la e valora-la”