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SALMO 137

INTRODUÇÃO

BNEY YA’AKOV

ka'asher mitsion leshevi lakkhu 'otkha


kol hakohanim bakhu beiagon gadol
zeh haiah kilmah shekistah panim
ha'am shel 'elohim haiah 'atsuv, 'atsuv me'od

ierushalaim madu'a lo he'eratsta 'et 'elohim


she'azar lekha tamid bekravim rabim
kra isra'el, be 'etsev iakhid
'ulai hu 'elohim izkor 'et bnei ia'akov

kra isra'el
bavel hu lo, hu lo mekomkha
kra le'elohim hu ishmo'a 'otkha
'elohim khaim ioshi'ekha

Este belo salmo foi, sem dúvida, escrito logo após o retorno do
cativeiro babilônico em 538 a.C. Os israelitas foram levados ao
cativeiro por terem deixado de seguir a Deus; Mas, aí, eles se
lembraram de como era bom louvá-lo em Jerusalém.

A primeira parte do salmo do verso 1-4, se refere ao povo de Israel,


a segunda parte, versos 5 e 6, se refere a Jerusalém e aos
sentimentos do povo em relação a ela, e a parte final, versos 7-9,
faz referência aos inimigos de Israel.

É interessante lembrarmos que as promessas de um exilio futuro


para Israel como recompensa pela desobediência a vontade de
Deus remonta ao tempo de Moisés.
Deuteronomio 28.32, 36

Teus filhos e tuas filhas serão dados a outro povo; os teus olhos o
verão e desfalecerão de saudades todo o dia; porém a tua mão
nada poderá fazer.

O SENHOR te levará e o teu rei que tiveres constituído sobre ti a


uma gente que não conheceste, nem tu, nem teus pais; e ali
servirás a outros deuses, feitos de madeira e de pedra.

Josué 24.20

Se deixardes o SENHOR e servirdes a deuses estranhos, então, se


voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito
bem.

1 Reis 9.7

então, eliminarei Israel da terra que lhe dei, e a esta casa, que
santifiquei a meu nome, lançarei longe da minha presença; e Israel
virá a ser provérbio e motejo entre todos os povos.

2 Crônicas 7.20

então, vos arrancarei da minha terra que vos dei, e esta casa, que
santifiquei ao meu nome, lançarei longe da minha presença, e a
tornarei em provérbio e motejo entre todos os povos.

Isaias 5.28,29

As suas flechas são agudas, e todos os seus arcos, retesados; as


unhas dos seus cavalos dizem-se de pederneira, e as rodas dos
seus carros, um redemoinho.

O seu rugido é como o do leão; rugem como filhos de leão, e,


rosnando, arrebatam a presa, e a levam, e não há quem a livre.
Ezequiel 4.14

Disse o SENHOR: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão


imundo, entre as nações para onde os lançarei.

Jeremias 25

O Senhor falou ao povo através do profeta Jeremias que devido a


rejeição a sua palavra por intermédio dos profetas e a insistência
em servir aos ídolos, Ele daria ordem a Nabucodonosor para que
atacasse a Israel e o levasse cativo, e depois ele castigaria o rei da
Babilônia e traria o povo de volta.

Apesar de Deus ter falado e alertado o povo por meio dos profetas
durante todo o tempo que antecedeu a invasão babilônica, Israel
não se dava conta de que Ele cumpriria sua palavra.

A principio tudo não passava aos olhos humanos de articulações


politicas, mas na verdade era Deus cumprindo sua promessa a
tempos anunciada.

O cativeiro aparentemente surge como resultado de relações


politicas malfeitas no cenário internacional após o reinado de
Josias.

Joacaz, aquele que sucede o rei Josias, governa apenas três


meses (II Re 23.31-35; II Cr 36.1-4). A razão para seu curto reinado
foi uma humilhação política imposta pelo faraó Neco, que o destitui
e nomeou a Joaquim como seu sucessor.

Todos estes acontecimentos - a morte de Josias, o reinado e queda


de Joacaz, e a nomeação de Joaquim - acontecem durante o
complicado ano de 609 a.C.
É neste período que um fato acontece, mudando a historia de Israel
para sempre porque Nabopolassar encarrega seu filho
Nabucodonosor de fazer uma campanha contra o Egito, em que o
exército babilônio sai vencedor com a conquista da fortaleza de
Carquemis.

O rei Joaquim, então aliado político do Egito, tenta resistir ao poder


babilônico, mas acaba por se render no ano 603.

Não suportando os pesados impostos, Joaquim se rebela três anos


depois, e deixa de pagá-los. A consequência imediata é o ataque
babilônico à Jerusalém em 598 (II Re 24.1-4; II Cr 36.6,7) e morte
de Joaquim.

O controle político sobre todo o Israel, só se dá no início do reinado


de Jeconias, que sucedeu Joaquim. Nabucodonosor cerca a cidade
de Jerusalém e leva um grande número de judeus para a Babilônia
como cativos, inclusive o rei Jeconias.

O próprio rei babilônico nomeia o novo governante de Judá:


Sedecias. O novo rei permanece fiel até 588 (durante 10 anos de
reinado) e, nesse momento, cessa de pagar os impostos - como
havia feito Joaquim.

Em janeiro de 587, os babilônios cercam mais uma vez Jerusalém.


Com a impossibilidade de entrada e saída de alimentos, há uma
escassez no interior da cidade, o que facilita a investida final em 19
de julho de 586.

A cidade é devastada, os muros derrubados, o Templo incendiado e


ocorre a segunda e mais famosa deportação dos judeus para a
Babilônia (II Re 25.1-21; II Cr 36.13-21; Jr 39.1-10).
Na babilônia os judeus passam por todo tipo de sofrimento,
inclusive a inculturação. Fazia parte do processo de dominação da
Babilônia o extermínio étnico-cultural de cada povo oprimido.

O livro de Daniel nos mostra a partir da vida de alguns jovens, que a


maioria dos deportados se adaptou aos padrões babilônicos. Que
apenas um grupo permaneceu fiel à Lei e à Jerusalém.

É possivelmente deste grupo que conseguimos ouvir, claramente, o


lamento: "Como entoarei o canto de Iahweh em terra estranha?".

Em quase setenta anos o império babilônico perde espaço diante


do crescimento do Império Medo-Persa. E é Ciro, o imperador
persa, quem entrará para sempre no ideário religioso judeu-cristão

ao comandar as campanhas vitoriosas contra a Babilônia que


culminam com a rendição em 539 e a consequente, mas gradual,
"libertação" dos judeus para que voltassem a Jerusalém (Ed 1; II Cr
36.22,23; cf Is 45.1-7), em virtude de sua "tolerância" cultural e
religiosa.

Posto esses fatos, e seguindo uma linha teológica reformada


contemporânea da esperança, e a partir de uma análise histórico-
teológica do texto queremos tratar nessa manhã (ou noite)
baseando-nos nesse belo salmo sobre o tema:

A ESPERANÇA EM DEUS VENCE A TRISTEZA HUMANA

Mas, A ESPERANÇA EM DEUS VENCE A TRISTEZA HUMANA

Segundo esse salmo QUANDO É:

1. Uma Esperança motivada pela lembrança do próprio Deus.

O verso 1 diz:
Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e
chorávamos, lembrando-nos de Sião.

Amiúdo não valorizamos o que Deus nos tem dado até que
isso seja tirado de nós. Isso se dar com relação a coisas abstratas e
concretas, com relação a sentimentos, emoções, objetos, se dá
com animais, com pessoas próximas de nós, e até mesmo com
relação a Deus.

Permanece o ditado popular para algumas pessoas: de que


só valorizam algo quando perdem.

As primeiras civilizações cresceram a beira dos rios e mares.


Na verdade todas as grandes e prósperas sociedades se
desenvolveram próximas as essas maravilhas que o Senhor criou.

Sem água não há vida, não há plantações, colheitas,


desenvolvimento e prosperidade. Israel não era diferente de
nenhum outro povo. Era uma sociedade que se desenvolveu a partir
de sua relação com a terra e com a água.

Embora estivessem na Babilônia, sob todo tipo de sofrimento,


nem tudo era feio. Havia rios bonitos, caudalosos e esses rios, a
beira do qual estavam armadas suas tendas, faziam com que se
lembrassem de casa, de Jerusalém, de Sião.

Quando tinham tempo para assentar e pensar, choravam.


Choravam de dor causada pela a saudade que era causada pela
lembrança.

Mas essa lembrança a que se refere o autor do salmo não é


uma lembrança comum, é muito mais que uma memória metafísica:
é, na verdade, um compromisso de fidelidade prática, levado a
efeito pela esperança nas promessas de Iahweh.
No cativeiro, descobriram que o fato de estarem ali, não foi
devido apenas a politicas externas malfeitas por parte de seus
governantes, ou por ser Marduke, o deus Babilônio mais forte que
Iaweh tsavaot, mas sim devido ao pecado da nação, a começar
pelos príncipes.

Daniel 9.4-7

4 Orei ao SENHOR, meu Deus, confessei e disse: ah! Senhor! Deus grande e
temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e
guardam os teus mandamentos;
5 temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente e fomos
rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos;
6 e não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram
aos nossos reis, nossos príncipes e nossos pais, como também a todo o povo
da terra.
7 A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje
se vê; aos homens de Judá, os moradores de Jerusalém, todo o Israel, quer os
de perto, quer os de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por
causa das suas transgressões que cometeram contra ti.

Não era nostalgia como pensam alguns pregadores, nem tão


pouco melancolia como afirmam outros. Não era saudades do lugar
apenas ou da terra. Era saudade do culto, da adoração, saudades
de Deus.

Israel tinha uma ligação muito especial com a terra. E a terra


não era terra somente. Especialmente quando se referia a terra de
Sião.

A palavra terra é o quarto substantivo mais usado no AT,


aparecendo 2504 em hebraico e 22 vezes em aramaico. Qual é a
razão deste tão grande uso?

A terra tem um significado especial para Israel. Nela se


demonstra a soberania de Iahweh criador e a aliança que Ele
estabeleceu com o povo.
Deus cria a terra (Gn 1.9-13) e por isso é o dono desta terra
(Sl 24.1). Na concepção dos judeus, é muito clara a noção de que o
Senhor ó rei da ‘erets (Sl 27.2[3]) e o seu Senhor (Sl 97.5).

Se Iahweh é o rei e Senhor da terra, isto significa dizer que a


terra (o mundo) é boa. Este é o primeiro grande ensinamento da
perspectiva da terra no AT.

O AT não está preocupado em criar formulações cuidadosas e


obscuras sobre a vida vindoura. Ao contrário, seus escritores são
homens do chão, "povo da terra".

Por isso ao serem levados para a Babilônia, ficaram tão


desolados. Estavam distantes da terra de Sião, a terra prometida
que havia sido dada a eles. Era a terra que os ligava ao seu Deus e
da qual estavam tão distantes agora.

Essa lembrança da terra é muito mais motivada pela


esperança de que um dia retornarão a ela conforme Deus prometia,
do que simplesmente por uma saudade, por uma reminiscência
qualquer.

Não estavam apáticos, nem haviam desistido de lutar, ou


mesmo haviam sucumbido ante seu inimigo. Não havia outra coisa
senão aguardar com paciência no Senhor.

Foram desobedientes, não valorizaram a terra, o culto, o


louvor, o templo, a adoração, o Senhor. Perderam tudo e agora
descobriram o valor.

E com essa descoberta a lembrança veio forte de forma


avassaladora, mas cheia de esperanças. Agora sabiam o triste
salário da idolatria, o alto preço que tinham que pagar pelos seus
pecados de desobediência. Estavam dispostos e esperançosos.
Mas A ESPERANÇA EM DEUS VENCE A TRISTEZA
HUMANA, não só apenas quando é motivada por uma lembrança
do próprio Deus, mas em segundo lugar

A ESPERANÇA EM DEUS VENCE A TRISTEZA HUMANA

Quando é:

2. É uma Esperança motivada pelo desejo de lealdade profunda


Deus.

Os vesos 2-4 dizem

2 Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, 3 pois aqueles


que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que
fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. 4 Como,
porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?
O povo já havia errado no passado e esse erro o levou para
uma terra estranha como cativo de seus inimigos. Esses judeus
reconheceram seus erros e não podiam errar novamente.

Não perderam a vontade de cantar ao Senhor. Não deixaram


de louvar ao Senhor. O que não podiam era tornar imundo o seu
louvor a Deus usando-o como forma de entretenimento para os
idólatras babilônios.

Não usar o louvor a Deus para entreter ímpios é muito mais


do que não querer cantar. É testemunhar da fidelidade a Deus, de
não querer profanar as coisas sagradas.

Esses judeus não desistiram de cantar como afirmam alguns


pregadores. Eles Insistiam em se consagrar e não entregar o seu
louvor para o laser dos ímpios.
Não desistiram de cantar em meio ao sofrimento como já
afirmaram alguns, ao contrário resolveram não cantar mais quando
sabiam que seu canto não seria para o seu Deus.

Estavam testemunhando para os babilônios que o louvor a


Deus não podia ser profanado. Estavam dizendo que tinham fé em
Deus suficiente para não usar o seu canto para alegrar os que não
criam nele.

Estão tristes sim, mas não desesperados, com saudades,


porem não dominados pela nostalgia. Estavam sofrendo, mas não
destruídos. Tudo ia passar e não podiam se contaminar em terra
estranha.

Não era apenas Daniel e seus amigos que estavam dispostos


a não se contaminarem com as iguarias dos rei, ou apenas
Sadraque, Mesaque e Abedenego que estavam dispostos a não se
curvarem perante a estatua do rei. Haviam outros com o mesmo
grau de intransigência.

Não podiam cantar porque a terra era estranha e nem para


aqueles que eram estranhos, mas também porque o propósito de
lhe pedirem louvores também era estranho.

Nesse caso pendurar os instrumentos glorifica muito mais a


Deus do que se fossem usados.

Esses versos revelam muito mais do amor e da fidelidade a


Deus do que podemos imaginar.

Estavam dispostos a se manterem leais ao Senhor a custo de


serem julgados pessoas que haviam desistido de cantar. Ou mesmo
a custo de sofrerem qualquer penalidade por se negarem a entreter
seus opressores.
Devermos louvar a Deus sim até mesmo nos sofrimentos, mas
não era Deus que estava requerendo deles que cantassem, e sim
os babilônios idolatras.

A lembrança desses judeus está repleta de esperança em


Deus. É uma lembrança cheia de amor pelo Senhor.

Não é uma lembrança nostálgica. Nostalgia não leva a


fidelidade a Deus e a esperar por ele no futuro. A Nostalgia leva a
pessoa para o passado, esconde dela o futuro e a impossibilita de
viver o presente.

Não é uma lembrança melancólica. A melancolia faz com que


a pessoa se lembre do passado e se tranque num estado de
lerdeza, paralisia e ociosidade.

5 Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita.


6 Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir
eu Jerusalém à minha maior alegria.
Todos os votos têm uma esperança em seu extremo.
Ninguém faz um voto sem razão para fazê-lo. Os votos do povo
distante de casa em manter-se fiel tinham como esperança a volta
para casa.

Esses judeus estão dispostos a ter a mão inutilizada apenas


pelo simples fato de um dia esquecerem de Jerusalém e de jamais
usarem a língua, caso chegue o dia de preferirem uma outra cidade.

E o por que isso? Por que desistiram da vida? Por que


desistiram de lutar? É desse jeito que alguém que não quer mais
viver age? É dessa maneira que alguém que não está mais disposto
a viver pensa?
Não, fique absolutamente certo que não é. Essas são
afirmações de pessoas que estão mais dispostas a viver e a lutar do
que nunca.

São expressões de pessoas que estão mais crentes no


Senhor do que jamais estiveram e dispostas a pagar qualquer preço
caso sejam infiéis novamente.

São pessoas que entenderam que a lealdade ao Senhor vale


a pena. E que do Senhor virá a recompensa.

A ESPERANÇA EM DEUS VENCE A TRISTEZA HUMANA não


apenas porque é uma esperança motivada por um desejo de
lealdade profunda a Deus, mas Em terceiro e ultimo lugar

A ESPERANÇA EM DEUS VENCE A TRISTEZA HUMANA

Quando é:

3. É uma Esperança motivada pela ações de um juiz justo.

Os versos 7-9 dizem

7 Contra os filhos de Edom, lembra-te, SENHOR, do dia de Jerusalém, pois


diziam: Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos. 8 Filha da Babilônia, que hás
de ser destruída, feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizeste. 9 Feliz
aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra.

Muitos veem nesses versos 7-9 um grande problema com


respeito a compreensão e aplicação a luz da fé e da prática cristã.

Em primeiro lugar o texto em questão não é de origem e nem


foi escrito em um contexto cristão.

Em segundo lugar precisamos analisá-lo a luz do seu tempo e


do contexto jurídico de Israel para só depois podermos aplicá-lo aos
nossos dias.
Não há a mera condição de falarmos de rancor ou mágoa ou
mesmo vingança por ódio ou ira no presente texto.

Não podemos aplicar aqui o “não se ponha o sol sob vossa


ira” usado por Paulo na carta aos efésios e pela igreja cristã.

As tristes lembranças aqui retratadas e o aparente desejo de


semelhante pagamento estão sob uma expressão jurídica do antigo
Israel.

Nesse ponto o salmo se torna imprecatório e inicia-se a


imprecação, a mais dura, com certeza, de todo o Saltério. O
salmista pede a Iahweh que lembre a Edom o dia de Jerusalém.
Que dia seria esse? Provavelmente, o dia da invasão de
Jerusalém: 19 de julho de 586 a.C. Segundo os estudiosos, os
edomitas foram particularmente ativos na invasão de Jerusalém
(Am 1.11; Jl 4.19; Ob 10): daí a razão da imprecação contra Edom
(Je 12.6; 25.14; Lm 4.21,22; Ez 25.12; Ob 11.14).

Iahweh deve lembrar-se de Edom, e esta lembrança (zkr) é


uma lembrança ativa. Quando o salmista pede a Iahweh que traga
Edom à sua memória, na verdade está pedindo ao Senhor que faça
justiça.

Assim como foi feito justiça para com Jerusalém através de


Nabucodonosor e seus soldados, o povo não está passivo neste
processo; se for necessário, ele será o instrumento da lembrança
do Senhor como seria Ciro e os medo-persas com relação à
Babilônia.

Não devemos ver um povo derrotado entoando este salmo.


Ao contrário, a imagem que deve vir a nossa mente é a de um povo
esperançoso, que mesmo no lar daqueles que os oprimiam, numa
terra distante, consegue pensar em Jerusalém, consegue
transportar-se ao objeto de seu desejo.

E é isso que dará força a este povo para estar debaixo da


vontade soberana de Iahweh.

Vinga-nos, Senhor - é a prece de Judá, o tempo não apagou a


nossa lembrança.

Mas não é só com respeito a Edom que Israel espera pela


justiça de Deus, para com a Babilônia também, pois ela é a grande
inimiga, foi ela que destruiu Jerusalém.

A linguagem jurídica implícita nesse caso (como é


característico da imprecação), se refere à lex talionis, ou princípio
de retribuição: o mesmo que Babilônia fez, deverá receber.

O que se quer é que o opressor prove do gosto de sua


opressão. Se a Babilônia invadiu, que seja invadida; se destruiu,
que seja destruída; se humilhou, que seja humilhada; se
exterminou, que seja exterminada.

Mais uma vez, considera-se a vingança como certa, inclusive


a ponto de desejar a benção a quem o fizer, mas essa vingança só
virá da parte de Deus.

A parte mais dura do salmo atinge seu clímax no violento e


cruel final, talvez seja o texto mais duro da Bíblia. O salmista
considera como bem-aventurado aquele que matar os bebês
babilônios esmagando-os contra a rocha.

Embora isso seja cruel, violento e desumano, e foi isso o que


foi feito com as crianças israelitas, não podemos perder de vista
que o salmista pede para que o Senhor lembre dessas coisas.
É aqui que deve repousar a esperança desse judeus. Eles
não querem se vingar, eles não querem ir lá e matar as crianças.
Mesmo que esperem que isso aconteça e atribuem felicidades a
quem o fizer, isso deve acontecer sob o crivo da justiça de Deus.
Podemos ver que toda a tristeza sentida por esse povo no
cativeiro, e embora possa ser vista nas linhas desse salmo,
percebemos que ela se perde no colorido da esperança que ele
revela.

A esperança venceu a tristeza quando se lembravam de casa


porque a casa deles era a casa de Deus. A esperança venceu a
tristeza quando silenciaram suas arpas, porque esse silêncio era
pura expressão de fidelidade ao Senhor.

E a esperança venceu a tristeza quando ao lembrarem do


sofrimento de seu povo causado por seus inimigos Edom e
Babilônia, passaram a esperar na ação de um Deus Justo e Reto de
quem ninguém pode esconder nada.

APLICAÇÃO

Mas, o que podemos aprender com esse belo salmo? Como esse
texto sobre o cativeiro pode ser aplicado a nós?

PRIMEIRO. A igreja deve ter seus olhos voltados para a Jerusalém


celestial. De certa forma devemos procurar nos lembrar dela e dela
termos saudades. É lá que Cristo nos aguarda. É para lá que foram
todos os santos, para onde Paulo desejava tanto ir ainda em vida.
SEGUNDO. Também não estamos nesse mundo para entretê-lo
com nossos cânticos e nossas expressões de fé. Estamos no
mundo mas não pertencemos a ele. Nosso louvor e nossa adoração
deve ser também exclusivamente para o nosso Deus.
Somos luz e sal e existimos para sua glória. Mt. 5.13.Ef. 1.13

TERCEIRO. Não podemos esquecer que a nossa terra prometida,


nossa terra de descanso não é esse mundo e por isso nossa
fidelidade a Deus deve condizer com suas fiéis promessas. Hb. 4 e
10

QUARTO. Não podemos esquecer também, que não podemos nos


vingar daqueles que nos fazem mal nesse mundo. Que temos
também o mesmo justo e reto juiz que requer que cada um de nós
deixe em suas mãos a vingança e o juízo com relação aqueles que
nos ferirem. Rm 12

LEMBRE-SE QUE ESTE SALMO É UM SALMO DE ESPERANÇA


E NÃO DE DESESPERO, DE FIDELIDADE E NÃO DE
DESISTÊNCIA, DE CONFIANÇA E NÃO DE VINGANÇA. A
ESPERANÇA EM DEUS VENCE A TRISTEZA HUMANA

Pr. wellington