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INSTITUTO FEDERAL DO CEARÁ

Campus Fortaleza
Departamento de Artes
Curso de Licenciatura em Artes Visuais
Metodologia do Trabalho Científico - 40 horas aula-2015/1
Aluna: Renata Andrade Frota
Matrícula: 20181014040320
Prof. Gilberto Andrade Machado

Resenha do Capítulo 3 do livro “Pesquisa em Arte”, de Sílvio Zamboni

Este exercício de resenha está sendo realizado para a disciplina de Metodologia do Trabalho
Científico, do ano de 2018.1. O tema da resenha é o livro “A Pesquisa em Arte – Um paralelo entre
arte e ciência”, tese de doutorado de Silvio Zamboni. Como o título já denuncia, a obra trata, debate
e refle sobre a pesquisa em arte, porém, com um recorte. Ao tratar de pesquisa em arte, o autor se
referirá exclusivamente à pesquisa em criação artística. Ou seja, a pesquisa que integra o processo
criativo e culmina numa obra. Partindo disso, o objetivo principal da obra é propor um modelo
metodológico para esse tipo de pesquisa em arte.
Dentre outras questões, apresento apenas o capítulo 3 da obra. Nessa parte do livro,
intitulada “Análises”, o autor confronta o modelo metodológico que propõe com os trabalhos
realizados por artistas, para daí colher uma resposta sobre a adequação ou não da sua proposta.
Seguindo o recorte apontado em sua tese, o autor se detém apenas a análise de projetos que
culminam numa obra de arte (a obra em si não foi avaliada, pois segundo o autor, por se tratar de
uma análise explicativa e racional, só caberia a avaliação das verbalizações e dos escritos realizados
pelos artistas). Deste modo, ele utiliza como fonte de avaliação todos os projetos de pesquisa
aprovados ou apoiados pelo CNPq no período de 1984 a 1991 – um total de 15 projetos; todas as
dissertações de mestrado e teses de doutorado do curso de pós-graduação da ECA/USP disponíveis
na biblioteca da ECA, em 1990 – um total de 9 trabalhos; e todas as teses e dissertações de
brasileiros pós-graduados no exterior que se encontravam nos arquivos do CNPq, de 1984 a 1991 –
um total de 13 trabalhos. Em sua análise, Zamboni adota três critérios de avaliação e as seguintes
pontuações: identificação e clareza do problema (0 a 4 pontos); a conscientização do artista frente a
adoção de um referencial teórico (0 a 2 pontos); e se o artista adota ou não expectativa ou hipótese,
bem como um método (0 a 2). Além desses três critérios, ele também avalia aspectos subjetivos que
possam indicar que se trata de uma pesquisa em arte, atribuindo a pontuação de 0 a 2 pontos.
Seguindo tais pontuações, Zamboni classifica os trabalhos, de acordo com a proximidade
com o método que propõe, em: 9 a 10 pontos – Muito Próximo (MP); 7 a 8 pontos – Próximo (P); 5
a 6 pontos – Regular (R); 2 a 4 pontos – Longe (L); e 0 e 2 pontos – Muito Longe (ML). No caso
dos projetos de pesquisa do CNPq e das dissertações e teses da pós da ECA/USP, em sua maioria o
resultado consiste em “Muito Próximo” do modelo proposto por Zamboni. Já no caso das teses e
dissertações dos pós-graduados no exterior, o resultado consiste no oposto.
Desta forma, considero que o autor alcança seu objetivo, que é propor um o modelo
metodológico de pesquisa em arte. Zamboni consegue comprovar que é possível realizar pesquisa
em arte e que, ao contrário do que foi colocado por parte do colegiado do CNPq que se opôs à
oficialização da área de artes dentro do órgão, arte e ciência possuem uma proximidade em seus
processos criativos, bem como nos instrumentos humanos dos quais bebem. Da mesma forma que a
pesquisa científica, a pesquisa em arte também conta com um método, pode ser realizada de modo
racional, lógico (embora o processo não se defina apenas por essa perspectiva). Zamboni consegue
propor um método adequado para a pesquisa em artes no Brasil – uma vez que no caso dos
trabalhos de pós-graduados no exterior o resultado não foi o mesmo – e, dessa forma, seu trabalho
aponta um direcionamento para demais artistas, bem como instituições de ensino de arte, encarem a
empreitada de mergulhar no universo da pesquisa, com ênfase em arte.