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Introdução

O modernismo foi um movimento literário e artístico do início do séc. XX, cujo


objetivo era o rompimento com o tradicionalismo (parnasianismo, simbolismo e
a arte acadêmica), a libertação estética, a experimentação constante e,
principalmente, a independência cultural do Brasil, ou seja, rompendo com a
tradição clássica e dando início à formação de uma identidade genuinamente
brasileira na literatura. Ruptura com o passado, experimentalismo,
transgressão dos cânones literários e a busca por uma literatura que falasse do
Brasil para os brasileiros, longe da cultura europeizante, são elementos que
nortearam o programa modernista.

Contexto histórico

O inicio do século XX foi marcado por um extraordinário desenvolvimento


cientifico e tecnológico, dos quais são exemplos o telégrafo, a eletricidade, o
telefone, o cinema, o automóvel e o avião, a teoria da relatividade, de Einstein,
e a teoria psicanalítica, de Freud. Vivia-se a euforia da chamada Belle époque,
com a valorização do conforto e do “bem viver”.

Entretanto, desde o final do século XIX, os países europeus passam por


constantes sobressaltos, resultantes da instabilidade e das competições
politicas, o que acelerava a corrida armamentista.

Em 1924, começa a primeira guerra mundial, de proporções até então


desconhecidas pela humanidade, que passa a descrer nos sistemas políticos,
sociais e filosóficos e a questionar os valores de seu tempo.

Dessa descrença e desses questionamentos surgem vários movimentos de


vanguarda na Europa que influenciaram o Modernismo brasileiro, entre eles:

- O futurismo, movimento lançado pelo poeta italiano Marinetti, em 1909, que


propunha a destruição do passado, a exaltação da vida moderna, o culta da
máquina e da velocidade, pregando uma arte voltada para o futuro, agressiva e
violenta, enaltecendo a guerra, o militarismo e o patriotismo. Marinetti
preconizava também a destruição da sintaxe, com os substantivos dispostos ao
acaso, a eliminação da pontuação e a abolição do adjetivo, do advérbio e das
conjunções.

-O Cubismo, que, na pintura, descompunha os objetos da realidade cotidiana


em diferentes planos geométricos para sugerir a sua estrutura global, como se
fossem vistos de diferentes ângulos. Na poesia, valorizava o subjetivismo , a
ilogicidade, a frase nominal, o tempo presente, a enumeração caótica e o
humor. Na pintura, um dos exemplos é Picasso. Na literatura, Oswald de
Andrade, com Memórias sentimentais de João Miramar.
- O Dadaísmo, ou movimento Dadá, reflete a atmosfera pessimista da Primeira
Guerra Mundial. Pregava a destruição de todos os valores culturais da
sociedade que fazia a guerra, instalando o absurdo, o ilógico e o incoerente.
Buscava-se assim uma antiarte, irracional e anárquica. Daí o automatismo
psíquico, as livres associações, a invenção de palavras, a exaltação da total
liberdade de criação, o sarcasmo, a irreverência e a aproximação com o mundo
dos loucos e das crianças.

-O Surrealismo, valorizava o passado, buscava a emancipação total do


homem fora da lógica, da razão, da família, da pátria, da moral e da religião.
Influenciados pela teoria psicanalítica de Freud, os surrealistas conferiam
importância ao sonho e à exploração do inconsciente, praticando o
automatismo psíquico e a expressão libertada da censura e sem o controle da
razão.

Modernismo brasileiro

No Brasil, os governos das oligarquias iam se sucedendo. Minas e São Paulo


repartiam o poder, desfavorecendo as camadas empobrecidas da população,
os operários e os trabalhadores rurais.

À época da Semana de Arte Moderna, o quadro brasileiro era de crises


sucessivas, que acabam por gerar a Revolução de 1930, quando Getúlio
Vargas assume o poder.

Nascido sobre as influências das vanguardas europeias, O Modernismo


brasileiro, em sua primeira fase (1922-1930), começou pelo combate às
características estéticas tradicionais e conservadoras (cujo melhor exemplo era
o Parnasianismo), ansioso pela liberdade de linguagem e afirmação dos novos
valores estéticos que pretendia. Foi chamada fase heróica do Modernismo
brasileiro.

A semana de Arte Moderna

No Brasil, o Modernismo teve como marco inicial a Semana de Arte Moderna,


em 1922, momento marcado pela efervescência de novas ideias e modelos. Os
artistas envolvidos propunham uma nova visão de arte, a partir de uma estética
inovadora inspirada nas vanguardas europeias.

O modernismo brasileiro não começou em 1922. Desde 1912, com o retorno de


Oswald de Andrade da Europa, onde teve contato com as vanguardas, vários
acontecimentos delinearam as mudanças que estavam surgindo nas artes
brasileiras. Porem, o mês de fevereiro de 1922 é o marco histórico do
Modernismo.

Nos dias 13,15 e 17, com a participação de Oswald de Andrade, Menotti del
Picchia, Mario de Andrade, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Vítor
Brecheret, Anita Malfatti, Villa-Lobos, Di Cavalcanti e muitos outros, o teatro
Municipal de São Paulo torna-se o centro de uma verdadeira “amostra” das
ideias modernistas. O evento reuniu diversas apresentações de dança, música,
recital de poesias, exposição de obras (pintura e escultura) e palestras.

São lidos manifestos e poemas; expõem-se quadros e esculturas; músicas são


executadas. O evento chocou grande parte da população e trouxe à tona uma
nova visão sobre os processos artísticos, bem como a apresentação de uma
arte “mais brasileira”. Estava “oficialmente” inaugurado o período de combate
dos primeiros modernistas, que investiam, sobretudo, contra os sólidos valores
parnasianos.

Houve um rompimento com a arte acadêmica, inaugurando assim, uma


revolução estética e o Movimento Modernista no Brasil.

Depois da união inicial em torno da Semana, os modernistas dividiram-se em


grupos e movimentos que refletiam orientações estéticas e ideológicas
diversas:

-Movimento Pau-Brasil: Tinha como objetivo a revalorização dos elementos


primitivos da cultura brasileira, através da critica ao falso nacionalismo e da
valorização de obras que redescobrissem o Brasil, seus costumes, sua cultura,
seus habitantes e suas paisagens. Dele participaram, principalmente: Oswald
de Andrade, Mário de Andrade, Raul Bopp, Alcântara Machado e Tarsila de
Amaral (pintora).

-Movimento Verde-Amarelo: Liderado por Plínio Salgado, Cassiano Ricardo e


Menotti del Picchia, e tendo uma postura nacionalista, repudiava tudo que
fosse cultura importada e tentava mostrar um Brasil grandioso. Entretanto,
acabou por revelar uma visão reacionária, sobretudo através de Plínio Salgado,
que viria a ser o principal líder do integralismo, movimento politico brasileiro de
extrema direita baseado nos moldes fascistas.

Movimento Antropofágico: Liderado por Oswald de Andrade e Tarsila do


Amaral, a finalidade principal era de estruturar uma cultura de caráter nacional .

A proposta do movimento era a de assimilar outras culturas, mas não copiar. A


marca símbolo do Movimento Antropofágico é o quadro "Abaporu" (1928) de
Tarsila do Amaral, o qual foi dado de presente ao marido, Oswald de Andrade.

A divulgação do movimento era realizado na Revista de Antropofagia,


publicada em São Paulo. Já o primeiro número trazia o Manifesto
Antropofágico. O termo antropofágico foi utilizado como associação ao ato
deruminar, assimilar e deglutir. A ideia, portanto, era de transfigurar a cultura,
principalmente a europeia, conferindo assim, o caráter nacional.
-Movimento espiritualista: Procurou conciliar o passado com o futuro e
manteve-se preso às influências simbolistas. A universalidade dos temas, o
mistério, as questões existenciais e o espiritualismo caracterizam, de maneira
geral, a produção poética desta corrente que assimilou as renovações da
linguagem modernista. Tasso de Silveira, Augusto Frederico Schimidt, Murilo
Araújo, Adelino Magalhães, Murilo Mendes e Cecília Meireles são os principais
poetas que se aglutinaram em torno dessas idéias.

Fases do Modernismo brasileiro

O Modernismo brasileiro é tradicionalmente dividido em três diferentes fases.


Entretanto, poetas de uma determinada fase continuaram produzindo, alguns
passando por tendências diferentes, mudando e aprimorando sua linguagem e
temas.

Primeira fase: (1922-1930) ou fase heroica: de combate e destruição,

quando ocorre a libertação e renovação da linguagem e são afirmados os


valores estéticos do movimento.

Esta fase caracteriza-se por um maior compromisso dos artistas com a


renovação estética que se beneficia pelas estreitas relações com as
vanguardas européias (cubismo, futurismo, surrealismo, etc.), na literatura há a
criação de uma forma de linguagem, que rompe com o tradicional,
transformando a forma como até então se escrevia; algumas dessas mudanças
são: a Liberdade Formal (utilização do verso livre, quase abandono das formas
fixas – como o soneto, a fala coloquial, ausência de pontuação, etc.), a
valorização do cotidiano, a reescritura de textos do passado, e diversas outras;
este período caracteriza-se também pela formação de grupos do movimento
modernista: Pau-Brasil, Antropófago, Verde-Amarelo, Grupo de Porto Alegre e
Grupo Modernista-Regionalista de Recife.

Segunda Fase: (1930-1945) ou fase construtiva: de estabilização das


conquistas, de preocupação social e de tendência introspectiva. É
caracterizado pelo predomínio da prosa de ficção. Percebe-se um
amadurecimento nas obras dos autores da primeira fase, que continuam
produzindo, e também o surgimento de novos poetas, entre eles Carlos
Drummond de Andrade.

Terceira fase: (1945 em diante) ou fase de reflexão: de ponderação sobre a


linguagem (metalinguagem), com o retorno a alguns modelos estilísticos
tradicionais, ao que se soma uma temática universalista.

Nesta terceira fase, a prosa dá sequência às três tendências observadas no


período anterior – prosa urbana, prosa intimista e prosa regionalista, com uma
certa renovação formal; na poesia temos a permanência de poetas da fase
anterior, que se encontram em constante renovação, e a criação de um grupo
de escritores que se autodenomina “geração de 45”, e que buscam uma poesia
mais equilibrada e séria, sendo chamados de neoparnasianos.

Características do Modernismo

A liberdade é a característica principal do movimento modernista em suas mais


diferentes manifestações artísticas, tanto no Brasil, como na Europa.

No continente europeu, o Modernismo foi um conjunto de tendências artísticas


que excediam a liberdade criadora e o rompimento com o passado.

Não foi diferente no Brasil, onde a busca pelo novo e pela identidade local
permearam esse movimento.

Resultado de muitas correntes artísticas, o Modernismo na Europa e no Brasil


resultou da quebra de paradigmas e dos valores tradicionais.

Na literatura brasileira, as principais características do Modernismo são:

-Fragmentação

-Síntese

-Busca pela linguagem brasileira

-Nacionalismo

-Ironia, humor e paródia

-Relato do cotidiano

-Revisão crítica do passado histórico e cultural

-Subjetivismo

-Versos livres

Mário de Andrade

Foi um escritor modernista, crítico literário, musicólogo, folclorista e ativista


cultural brasileiro.

Seu estilo literário foi inovador e marcou a primeira fase modernista no Brasil,
sobretudo, pela valorização da identidade e cultura brasileira.

Ao lado de diversos artistas, ele teve um papel preponderante na organização


da Semana de Arte Moderna.

Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo, no dia 09 de


outubro de 1893.
Em 1922, auxiliou na organização da Semana de Arte Moderna trabalhando ao
lado de diversos artistas.

Com Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Menotti del


Picchia, formaram o grupo modernista que ficou conhecido como o "Grupo dos
Cinco".

Mário foi um estudioso do folclore, da etnografia e da cultura brasileira.


Portanto, em 1928, publica o romance (rapsódia) “Macunaíma”, uma das
grandes obras-primas da literatura brasileira. Essa obra foi desenvolvida
através de seus anos de pesquisa a qual reúne inúmeras lendas e mitos
indígenas da história do “herói sem nenhum caráter”.

O título da obra, refere-se ao personagem principal, um índio, que nesse caso,


representa o povo brasileiro:

“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto
retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão
grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia, tapanhumas pariu
uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma”.

Além disso, Macunaíma, que possui um caráter épico, é considerado uma


rapsódia que, segundo os gregos, representava fragmentos de cantos épicos,
ou seja, uma obra literária que absorve todas as tradições orais e folclóricas de
um povo, como a Ilíada ou a Odisseia de Homero.

A narrativa é ela própria marcada pela irreverência, é vanguardista pela


interação entre linguagem e representatividade; surrealista pela persistência na
dinâmica dos elementos ilógicos e lógicos, numa obra que retrata a relevância
da cultura popular e do folclore, como meios para concretizar a identidade
nacional. Mário de Andrade é um autor associado ao movimento antropofágico,
e Macunaíma entendido como o epíteto da expressão antropofágica.

Macunaíma é um herói marcado pelo antagonismo, antítese do perfil clássico


de valores morais e sociais associados à concepção de herói.

Tratando-se de uma narrativa de vanguarda, surreal e focalizada na sátira, o


humor tem lugar de destaque em Macunaíma. A representação lúdico-
humorística repleta de simbolismos surrealistas revela a visão satírica que
Mário de Andrade obtém da sociedade brasileira.

Jorge Amado

Jorge Amado foi jornalista e um dos maiores representantes da literatura


brasileira modernista, com uma obra marcada pelo regionalismo e pela
denúncia social.
Jorge Leal Amado de Faria nasceu no dia 10 de agosto de 1912, no distrito de
Ferradas, município de Itabuna, no sul do Estado da Bahia.

Desde jovem se envolve com a vida literária e começa a escrever para o jornal:
“Diário da Bahia”.

Fundou a “Academia dos Rebeldes”, grupo de jovens artistas, sobretudo


literatos, empenhados em renovar a literatura baiana.

Já no Rio de Janeiro, publica seu primeiro romance, com 19 anos, intitulado “O


País do Carnaval” (1931).

Foi preso duas vezes por apresentar ideais socialistas e comunistas sendo
assim, exilado do país, donde permaneceu durante algum tempo nos países:
Argentina, Uruguai, França e República Tcheca.

Na política, Jorge Amado lutou pela liberdade religiosa, sendo o autor da lei,
ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso;
ademais, foi autor da emenda que garantia os direitos autorais.

Falece na capital baiana, Salvador, no dia 6 de agosto de 2001, com 89 anos.

O livro “Mar morto” é uma historia de amor épico e trágico, onde o protagonista
não é o herói. Tem um forte contexto mitológico, protagonizado pela presença
de Iemanjá, dando um valor folclórico a este personagem.

“Mar morto” mostra a vida dos marinheiros no cais de Salvador, com sua rica
mitologia que gira em torno de Iemanjá, é o tema central de Mar morto, um
painel lírico e trágico sobre a luta diária desses trabalhadores pela
sobrevivência. É com grande lirismo que Jorge Amado narra esse cotidiano de
trabalho árduo, marcado pelo risco de vida que se apresenta a todo o
momento. Em Mar morto, homens e mulheres do cais da Bahia vivem cada dia
como se fosse o último. Paixão e trabalho, instinto e sobrevivência se
conjugam de maneira trágica.

Personagens como o jovem mestre de saveiro Guma parecem prisioneiros de


um destino traçado há muitas gerações: os homens saem para o mar que um
dia os tragará, levando-os com Iemanjá para as lendárias terras de Aiocá, e as
mulheres os esperam resignadas no cais. No dia em que eles não voltarem,
elas cairão na miséria ou na prostituição.

“Ele diz que é doce morrer no mar, porque irão encontrar a mãe de agua, que é
a mulher mais bonita do mundo todo

Jorge Amado dedica uma boa parte do livro sobre a crença do povo do mar em
Iemanjá, mas não faz nenhuma referencia a nenhum tipo de religião. Somente
retrata os mistérios que giram em torno de Iemanjá.
Conclusão

O objetivo deste trabalho foi caracterizar o movimento Modernista na literatura


brasileira conhecendo o contexto histórico no qual surgiu e as vanguardas
influentes da época que foram um rompimento nas estruturas conhecidas até
esse momento. Também se analisou o movimento desde o ponto de visto de
autores importantes e influentes com suas principais obras, que foram
trabalhadas e lidas na sala de aula.

Principalmente, as consequências do surgimento desse movimento para o


mundo artístico é que mudou no modo em que as pessoas passaram a
interpretar as obras.

O Modernismo foi importante porque veio cortar o vínculo com o passado. Ou


seja, a Literatura brasileira estava presa a moldes arcaicos da literatura
estrangeira. O Modernismo cortou esses laços e inovou a literatura brasileira
criando uma literatura essencialmente nacional, com sua própria identidade.

As antigas escolas como Simbolismo, Parnasianismo, tiveram que se afastar


para que o novo adentrasse ao Brasil. Os autores brasileiros buscavam pelo
moderno, original e polêmico, com o nacionalismo em suas múltiplas facetas. A
volta das origens, através da valorização do indígena e a língua falada pelo
povo, também foram abordados. Contudo, o nacionalismo foi empregado de
duas formas distintas: a crítica, alinhado a esquerda política através da
denúncia da realidade, e a ufanista, exagerado e de extrema direita. Devido à
necessidade de definições e de rompimento com todas as estruturas do
passado foi a fase mais radical, assumindo um caráter anárquico e destruidor.
Assim, o modernismo representou a valorização do Brasil e o nascimento de
sua cultura, soltou-se de modelos estrangeiros.

BIBLIOGRAFIA

-Português ensino médio volume 1-Ernati Terra e José de Nicola

-Português série novo ensino médio-João Domingues Maia

- https://www.infoescola.com/literatura/modernismo/

- https://www.todamateria.com.br/modernismo-no-brasil/

- https://www.ebiografia.com/jorge_amado/

- https://www.ebiografia.com/mario_andrade/
Instituto Superior de Formación
Docente N° 18
Profesorado de Portugués

Matéria: Taller de Lengua y


Literatura
Professor: Velázquez, Eduardo
Aluno: Bolo, Cristian
Ano: 2018