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Estamos no Exército Ef 6:10-24

Mais cedo ou mais tarde, todo nós, como cristãos, percebemos que nossa
vida com Cristo é um campo de batalha e não um parque de diversões, e
que, se não contarmos com a ajuda do Senhor, o inimigo que temos diante
de nós é muito mais forte do que nós. O apóstolo Paulo usa uma imagem
militar para ilustrar o conflito do cristão com Satanás. Ele próprio encontrava-
se acorrentado a um soldado romano (Ef 6:20), e, seus leitores estavam
acostumados com os soldados e seus equipamentos de guerra. Na verdade,
Paulo demonstra um gosto por ilustrações militares (2 Co 10:4; 1 Tm 6:12; 2
Tm 2:3; 4:7).

Como cristãos, enfrentamos três inimigos: o mundo, a carne e o diabo (Ef


2:1-3). "O mundo" refere-se ao sistema ao nosso redor que se opõe a Deus
e satisfaz "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a
soberba da vida" (1 Jo 2:15-17). "Uma sociedade sem Deus" - essa é
uma definição simples, mas precisa, do que vem a ser "o mundo". "A
carne" é a velha natureza que herdamos de Adão, uma natureza que se
opõe a Deus e que não é capaz de fazer qualquer coisa espiritual para
agradar a Deus. Mas, por meio de sua morte e ressurreição, Cristo
venceu o mundo (Jo 16:33; Gl 6:14), a carne (Rm 6:1-6; Gl 2:20) e o
diabo (Ef 1:19-23). Em outras palavras, como cristãos, não estamos
lutando para conquistar a vitória, mas sim lutando em vitória! O Espírito
de Deus no capacita para que nos apropriemos, pela fé, da vitória de
Cristo.

Nos últimos versículos de sua carta, Paulo trata de quatro verdades que, ao
serem compreendidas e aplicadas para nós, permitindo que vivamos de
modo vitorioso.

1 . O INIMIGO ( Ef 6:10-12 ) A unidade de inteligência militar desempenha


papel crucial em uma guerra, pois permite que os oficiais conheçam e
compreendam o inimigo. Se não soubermos quem é o inimigo, onde ele está
e o que é capaz de fazer, teremos dificuldade em derrotá-lo. Deus nos instrui
sobre o inimigo não apenas em Efésios 6, mas ao longo de toda a Bíblia, de
modo que não há motivos para sermos pegos de surpresa.

O líder - Satanás. O inimigo tem vários nomes. Diabo significa "acusador",


pois ele acusa o povo de Deus dia e noite diante do trono de Deus (Ap 12:7-
11). Satanás significa "adversário", pois ele é inimigo de Deus. Também é
chamado de "tentador" (Mt 4:3), "homicida" e "mentiroso" (Jo 8:44). É
comparado a um leão (1 Pe 5:8), a uma serpente (Gn 3:1; Ap 12:9) e a um
anjo de luz (2 Co 11:13-15), sendo também denominado "o deus deste
século" (2 Co 4:4).
De onde veio esse espírito criado que procura se opor a Deus e derrotar a
obra divina? Vários estudiosos acreditam que, na criação inicial, ele era
Lúcifer, o "filho da alva" (Is 14:12-15) lançado por terra por causa de seu
orgulho e de seu desejo de ocupar o trono de Deus. A origem de Satanás
ainda envolve inúmeros mistérios, mas seus atos e seu destino certamente
não constituem mistério algum! Uma vez que é um ser criado e que não é
eterno como Deus, seus conhecimentos e atividades são limitados. Ao
contrário de Deus, Satanás não é onisciente, onipotente e onipresente.
Então, como consegue operar de modo tão eficaz em tantas partes distintas
do mundo? Ele o faz por meio de uma rede organizada de ajudantes.

Os ajudantes de Satanás. Paulo os chama de "principados e potestades [...]


dominadores [...] forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Ef 6:12).
"Pois nossa peleja não é somente contra inimigos humanos, mas contra os
governantes, autoridades e poderes cósmicos deste mundo tenebroso; ou
seja, contra os exércitos de espíritos do mal que nos desafiam na luta
celestial". Este texto indica a existência de um exército definido de criaturas
demoníacas que assistem Satanás em seus ataques contra os cristãos. O
apóstolo João nos permite entender que um terço dos anjos caiu junto com
Satanás, quando ele se rebelou contra Deus (Ap 12:4), e Daniel escreveu
que os anjos de Satanás lutam contra os anjos de Deus para obter o controle
das nações (Dn 10:13-20). Há uma batalha espiritual em andamento neste
mundo, e "nas regiões celestiais" nós, cristãos, participamos desse conflito.
Tendo consciência desse fato, "andar em vitória" torna-se algo de
importância vital para nós e para Deus.

O que precisamos entender é que nossa batalha não é contra seres


humanos, mas sim contra poderes espirituais. Estamos perdendo tempo
lutando contra pessoas quando deveríamos lutar contra o diabo, que procura
controlar os indivíduos e transformá-los em inimigos da obra de Deus.
Durante o ministério de Paulo em Éfeso, ocorreu um tumulto que poderia ter
destruído a igreja (At 19:21-41). Essa revolta não foi causada apenas por
Demétrio e por seus companheiros; por trás deles estavam Satanás e seus
ajudantes. Sem dúvida, Paulo e a igreja oraram, e a oposição foi calada. O
conselho do rei da Síria a seus soldados pode ser aplicado a nossa batalha
espiritual: "Não pelejareis nem contra pequeno nem contra grande, mas
somente contra o rei" (1 Rs 22:31).

As aptidões de Satanás. As admoestações de Paulo indicam que Satanás é


um inimigo forte (Ef 6:10-12) e que precisamos do poder de Deus para
sermos capazes de enfrentá-lo. Não devemos jamais subestimar o poder do
diabo. Não é por acaso que ele é comparado com um leão e com um dragão!
O Livro de Jó mostra o que ele pode fazer com o corpo, o lar, as riquezas e
os amigos de uma pessoa, Jesus chama Satanás de ladrão, e diz que ele
vem para "roubar, matar e destruir" (Jo 10:10). Satanás não é apenas forte,
mas também astuto e malicioso, e lutamos contra "as ciladas do diabo". Aqui,
as ciladas referem-se a "artifícios astuciosos, estratagemas". O cristão não
pode se dar o luxo de "lhe [ignorar] os desígnios" (2 Co 2:11). Algumas
pessoas são sagazes e cheias de ardis "que induzem ao erro" (Ef 4:14),
mas, por trás delas, se encontra o maior de todos os enganadores: Satanás.
Ele se faz passar por anjo de luz (2 Co 11:14) e procura cegar a mente
humana para a verdade da Palavra de Deus. O fato de Paulo usar o termo
"luta" indica que estamos envolvidos em um confronto direto e que, portanto,
não somos apenas expectadores de um jogo. Satanás deseja usar nosso
inimigo externo, o mundo, bem como nosso inimigo interno, a carne, para
nos derrotar. Suas armas e seu plano de batalha são terríveis.

Temos para resistir: O EQUIPAMENTO, A ENERGIA, e O


ENCORAJAMENTO.

2. O EQUIPAMENTO (Ef 6:13-17) Como lutamos contra inimigos na


dimensão espiritual, precisamos de equipamentos ofensivos e defensivos.
Deus nos supriu com "toda a armadura", e não devemos deixar parte alguma
de fora. Satanás sempre procura uma área desprotegida para usar como
ponto de partida para seus ataques (Ef 4:27). Paulo ordena a seus leitores
que vistam a armadura, tomem as armas e resistam a Satanás, e só
podemos fazer tudo isso pela fé. Sabendo que Cristo já conquistou Satanás
e que temos uma armadura e armas espirituais a nossa disposição,
aceitamos pela fé aquilo que Deus nos dá e enfrentamos o inimigo. O dia é
mau e o inimigo é mau, mas "se Deus é por nós, quem será contra nós?"
(Rm 8:31).

O cinto da verdade (v. 14a). Satanás é um mentiroso (Jo 8:44), mas o


cristão cuja vida é controlada pela verdade o derrotará. O cinto mantinha
unidas as outras partes da armadura, e a verdade é o elemento de
integração na vida do cristão vitorioso. Um homem de integridade que tem a
consciência limpa pode enfrentar o inimigo sem medo. O cinto também
segurava a espada. A menos que pratiquemos a verdade, não podemos usar
a Palavra da verdade. Se a mentira entrar na vida do cristão, tudo começa a
se desintegrar. Por mais de um ano, o rei Davi mentiu sobre seu pecado com
Bate-Seba, e nada deu certo. Os Salmos 32 e 51 falam do preço que ele
teve de pagar.

A couraça da justiça (v. 14b). Essa parte da armadura, feita de placas ou


de cadeias de metal, cobria a parte posterior e anterior do corpo desde o
pescoço até a cintura. Simboliza a justificação do cristão em Cristo (2 Co
5:21) e sua vida justa no Senhor (Ef 4:24). Satanás é o acusador, mas não
pode acusar o cristão que está vivendo corretamente no Espírito. O tipo de
vida que levamos ou nos fortalecerá de modo a resistirmos aos ataques de
Satanás ou dará espaço para que ele nos derrote (2 Co 6:1-10). Quando
Satanás acusa o cristão, é a justiça de Cristo que garante a salvação do que
crê. Mas se não acompanharmos nossa posição justificada em Cristo com a
prática da justiça na vida diária, daremos ocasião aos ataques de Satanás.

As sandálias do evangelho (v. 15). Os soldados romanos usavam


sandálias com cravos na sola para dar mais apoio aos pés durante a batalha.
A fim de "resistir" e de "permanecer inabaláveis", precisamos calçar os pés
com o evangelho. Pelo fato de termos com Deus a paz que vem do
evangelho (Rm 5:1), não precisamos temer os ataques de Satanás nem dos
homens. Devemos estar em paz com Deus e uns com os outros, a fim de
derrotarmos o diabo (Tg 4:1-7). No entanto, essas sandálias têm mais um
significado. Devemos estar preparados, cada dia, para levar o evangelho da
paz ao mundo perdido. O cristão mais vitorioso é o que dá testemunho. Se
calçarmos as sandálias do evangelho, teremos os "pés formosos"
mencionados em Isaías 52:7 e em Romanos 10:15. Satanás declarou guerra,
mas somos embaixadores da paz (2 Co 5:18-21) e, levamos conosco o
evangelho da paz a todo lugar para onde vamos.

O escudo da fé (v. 16). Esse escudo grande - normalmente, medindo cerca


de 1,20m de altura por 60 centímetros de largura - era feito de madeira e
revestido de couro resistente. O soldado o segurava diante de si para
protegê-lo de lanças, flechas e "dardos inflamados". As beiradas do escudo
tinham um formato que permitia a uma linha inteira de soldados encaixar um
escudo no outro e marchar sobre o inimigo como uma parede sólida. Essa
ideia sugere que os cristãos não estão sozinhos na batalha. A "fé"
mencionada nesse versículo não é a fé salvadora, mas sim a fé viva, a
confiança nas promessas e no poder de Deus. A fé é uma arma defensiva
que nos protege dos dardos inflamados de Satanás. No tempo de Paulo, os
soldados atiravam flechas cujas pontas eram mergulhadas em alguma
substância inflamável, acesas e lançadas contra o inimigo. Satanás lança
"dardos inflamados" em nosso coração e em nossa mente: mentiras,
pensamentos blasfemos, pensamentos de ódio contra outros, dúvidas e
desejos ardentes pelo pecado. Se não apagarmos esses dardos pela fé, eles
começam um incêndio dentro de nós, e desobedecemos a Deus. Não temos
como saber quando Satanás lançará um desses dardos contra nós, de modo
que devemos sempre viver pela fé e usar o escudo da fé.

O capacete da salvação (v. 17). Satanás deseja atacar nossa mente, e foi
assim que derrotou Eva (Gn 3; 2 Co 11:1-3). O capacete da salvação refere-
se à mente controlada por Deus. É triste que muitos cristãos não considerem
o intelecto importante, quando, na realidade, ele tem papel crucial no
crescimento, no serviço e na vitória do cristão. Quando Deus controla a
mente, Satanás não consegue fazer o cristão se desviar. A pessoa de fé que
estuda a Bíblia e que aprende o significado das Escrituras não se deixará
enganar com facilidade. Precisamos ser "instruídos, segundo é a verdade em
Jesus" (Ef 4:21). Devemos "[crescer] na graça e no conhecimento de nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pe 3:18). Em todo lugar onde ministrava,
Paulo sempre ensinava aos recém convertidos as verdades da Palavra de
Deus, e era esse capacete que os protegia das mentiras de Satanás.
Quando nos sentamos com alguém de seitas, ambos com a Bíblia aberta, e
procuramos mostrar a verdade da Palavra de Deus, logo percebemos que
mentiras cegaram seu entendimento.

Se perguntarmos - Como foi que você se afastou de uma igreja que ensina a
Bíblia e se envolveu com essas crenças? Sua resposta nos deixará
pasmado. - Sabe, pastor, a culpa é da igreja. Eu não conhecia coisa alguma
da Bíblia, e a igreja também não me ensinou coisa alguma. Queria estudar a
Palavra, mas ninguém me explicou como fazê-lo. Um dia, ouvi um homem
pregando sobre a Bíblia no rádio e tive a impressão de que ele sabia o que
dizia. Comecei a ler sua revista e a estudar seus livros, e agora estou
convencido de que ele tem razão.

É triste que, ao receber esse homem, sua igreja não tenha lhe provido o
capacete da salvação. Se tivessem praticado a verdade encontrada em 2 Tm
2:2, ele não teria sido mais uma vítima da guerra espiritual.

A espada do Espírito (v. 17b). Essa espada é a arma ofensiva que Deus
nos dá. O soldado romano usava embainhada em seu cinto uma espada
curta para combates corpo a corpo. Hebreus 4:12 compara a Palavra de
Deus com uma espada pois é afiada e capaz de penetrar o ser interior da
mesma forma como a espada material trespassa o corpo. Quando a Palavra
nos convenceu do pecado, nosso coração foi "com pungido" (At 2:37). Pedro
tentou usar a espada para defender Jesus no Getsêmani (Lc 22:47-51), mas,
em Pentecostes, aprendeu que a "espada do Espírito" é muito mais
poderosa. Moisés também tentou conquistar pela espada (Êx 2:11-15), mas
descobriu que a Palavra de Deus, por si mesma, era suficiente para derrotar
o Egito.

Uma espada material traspassa o corpo, mas a Palavra de Deus traspassa o


coração. À medida que a espada material é usada, ela perde o corte; mas
quando a Palavra de Deus é usada em nossa vida, torna-se cada vez mais
afiada. Uma espada material deve ser empunhada por um soldado, mas a
espada do Espírito tem seu próprio poder, pois é "viva, e eficaz" (Hb 4:12). O
Espírito escreveu a Palavra, e o Espírito empunha a Palavra quando a
aceitamos pela fé e a usamos. Uma espada material fere e mata, enquanto a
espada do Espírito cura feridas e vivifica. Mas quando usamos a espada
contra Satanás, desferimos um golpe que o enfraquece e o impede de
atrapalhar a obra de Deus.
Quando foi tentando por Satanás no deserto, Cristo usou a espada do
Espírito e derrotou o inimigo. Jesus declarou três vezes: "está escrito" (Lc
4:1-13). É interessante observar que Satanás também pode citar a Palavra:
"porque está escrito" (Lc 4:10), mas não o faz de maneira completa. O
inimigo tenta usar a Palavra de Deus para nos confundir, de modo que é
importante conhecer todas as palavras que Deus nos deu. Alguém disse que
é possível provar qualquer coisa usando a Bíblia - o que é verdade, quando
usamos versículos fora de contexto, omitimos palavras e aplicamos certos
versículos indevidamente aos cristãos de hoje. Quanto melhor se conhece a
Palavra de Deus, mais fácil é detectar as mentiras de Satanás e rejeitar suas
ofertas.

Em certo sentido, a "armadura de Deus" é uma imagem de Jesus Cristo. Ele


é a Verdade (Jo 14:6); ele é nossa justiça (2 Co 5:21) e nossa paz (Ef 2:14).
Nossa fé só é possível por causa de sua fidelidade (Gl 2:20); ele é nossa
salvação (Lc 2:30); e é a Palavra de Deus (Jo 1:1, 14). Isso significa que,
quando aceitamos a Cristo, também recebemos a armadura. Paulo disse aos
romanos como fazer uso da armadura (Rm 13:11-14): despertar (Rm 13:11),
deixar o pecado ("as obras das trevas") e "[revestir-se] das armas da luz"
(Rm 13:12). Fazemos isso "[revestindo-nos] do Senhor Jesus Cristo" (Rm
13:14). Pela fé, colocamos a armadura e cremos que Deus dará a vitória. No
momento da salvação, vestimos a armadura de uma vez por todas. No
entanto, devemos nos apropriar dela cada dia. Quando o rei Davi tirou sua
armadura e voltou para seu palácio, colocou-se em mais perigo do que se
estivesse no campo de batalha (2 Sm 11). Nunca estamos fora do alcance
dos ardis de Satanás, de modo que jamais devemos ficar sem a armadura
completa de Deus.

3. A ENERGIA (Ef 6:18-20) A oração é a energia que capacita o soldado


cristão a usar a armadura e a empunhar a espada. Não somos capazes de
lutar na batalha com nosso poder, por mais fortes ou habilidosos que
julguemos ser. Quando Amaleque atacou Israel, Moisés foi para o alto do
monte a fim de orar, enquanto Josué usava a espada no vale (Êx 1 7:8-16).
Os dois elementos foram essenciais para derrotar Amaleque: a intercessão
de Moisés no monte e a espada de Josué em ação no vale. A oração é o
poder para a vitória, mas não se trata de um tipo qualquer de oração. Paulo
diz como orar para derrotar Satanás.

Orar em todo tempo. É evidente que isso não significa "proferir orações o
tempo todo". Não somos ouvidos por causa de nossas "vãs repetições" (Mt
6:7). "[Orar] sem cessar" (1 Ts 5:17) significa estar sempre em comunhão
com o Senhor, estar conectado com ele a todo tempo. Ao orar, o ideal é
nunca dizer: "Senhor, colocamo-nos em tua presença...", pois, na verdade,
nunca deixamos a presença dele! O cristão deve orar "em todo tempo", pois
está sempre sujeito a tentações e a ataques do diabo. Um ataque surpresa já
derrotou mais de um cristão que se esqueceu de "orar sem cessar".

Orar com toda oração. Existe mais de uma forma de orar: oração, súplica,
intercessão e ação de graças (Fp 4:6; 1 Tm 2:1). O cristão que ora apenas
para pedir coisas para si está perdendo as bênçãos resultantes da
intercessão e da ação de graças. Na verdade, a ação de graças é uma
grande arma para derrotar Satanás. Assim como o louvor, a oração tem
poder transformador. A intercessão por outros pode trazer vitó ria em nossa
própria vida. "Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus
amigos" (jó 42:10).

Orar no Espírito. De acordo com o modelo bíblico, oramos ao Pai, por meio
do Filho e no Espírito. Romanos 8:26,27 mostra que a única maneira de orar
dentro da vontade de Deus é pelo poder do Espírito. De outro modo, nossas
orações podem ser egoístas e estar fora do que Deus deseja. No
tabernáculo do Antigo Testamento, antes do véu que dava acesso ao Santo
dos Santos, havia um pequeno altar de ouro em que o sacerdote queimava
incenso (Êx 30:1 - 10; Lc 1:1-11). O incenso retrata a oração e, para ser
queimado no tabernáculo ou templo, deveria ser preparado de acordo com
as instruções de Deus, não segundo alguma fórmula humana. O fogo do
altar retrata o Espírito Santo, pois é ele que "acende" nossas orações dentro
da vontade de Deus. É possível orar com fervor na carne e não se comunicar
com Deus. Também é possível orar tranquilamente no Espírito e ver a mão
de Deus fazer grandes coisas.

Orar com os olhos abertos. Vigiar significa "manter-se alerta". A injunção


para "vigiar e orar" aparece com frequência na Bíblia. Quando Neemias
estava restaurando os muros de Jerusalém e o inimigo tentava impedi-lo de
realizar essa obra, Neemias derrotou os adversários vigiando e orando.
"Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda
contra eles" (Ne 4:9). "Vigiar e orar" é o segredo para vencer o mundo (Mc
13:33), a carne (Mc 14:38) e o diabo (Ef 6:18). Pedro adormeceu quando
deveria estar orando, e o resultado foi a vitória de Satanás (M c 14:29-31, 67-
72). Deus espera que usemos os sentidos que nos deu para que, conduzidos
pelo Espírito, possamos perceber quando Satanás está começando a operar.

Continuar a orar. A palavra perseverança significa, simplesmente, "persistir


em algo e não desistir". Os primeiros cristãos oravam dessa maneira (At
1:14; 2:42; 6:4), e devemos seguir seu exemplo (Rm 12:12). A perseverança
na oração não significa que estamos tentando convencer Deus, mas sim que
estamos profundamente interessados e preocupados, e que não
conseguimos descansar enquanto não recebemos uma resposta de Deus.
"Orar não é insistir para que a vontade do homem seja feita no céu, mas sim
para que a vontade de Deus seja feita na Terra"). A maioria desiste
exatamente quando Deus está preste a dar a vitória. Nem todos têm a
disposição necessária para passar uma noite inteira em oração sincera, mas
todos podemos perseverar muito mais do que costumamos fazer. A Igreja
primitiva orou incessantemente enquanto Pedro estava na prisão e, no último
instante, Deus lhe deu a resposta (At 12:1-19). Devemos continuar orando
até que o Espírito nos oriente a parar ou até que Deus responda. Justamente
no momento que sentirmos vontade de desistir, Deus dará a resposta.

Orar por todos os santos. As primeiras palavras da oração que Jesus


ensinou são: "Pai nosso" e não "meu Pai". Oramos como parte de uma
grande família que também conversa com Deus e devemos orar pelos
demais membros da família. Até mesmo Paulo pediu o apoio dos efésios em
oração - ele que já havia sido arrebatado ao terceiro céu e voltado. Se Paulo
precisava das orações dos santos, tanto mais nós também precisamos! Se
minhas orações cooperam para que outros santos derrotem Satanás, essa
vitória também me ajudará. Convém observar que Paulo não pede que orem
por seu bem-estar ou segurança, mas pela eficácia em seu testemunho e
ministério.

4 .O ENCORAJAMENTO (Ef 6:21-24) Não estamos travando essa batalha


sozinhos. Há outros cristãos conosco na luta, e devemos ter a preocupação
de encorajar uns aos outros. Paulo animou os efésios; Tíquico encorajou
Paulo (At 20:4); e Paulo o estava enviando de volta a Éfeso, a fim de ser um
estímulo para os cristãos de lá. Paulo não era o tipo de missionário que
guardava segredo sobre o que lhe acontecia. Desejava que o povo de Deus
soubesse o que Deus fazia, como suas orações estavam sendo respondidas
e como Satanás agia para se opor à obra. Suas motivações não eram
egoístas nem tentava extrair algo deles.

É um grande estímulo saber que fazemos parte da família de Deus! Em parte


alguma do Novo Testamento encontramos um cristão isolado. Os cristãos
são como ovelhas: vivem em rebanhos. A igreja é um exército, e os soldados
precisam permanecer juntos e lutar juntos.

É interessante observar as palavras que Paulo usa para encerrar esta carta:
paz, amor, fé e graça! O apóstolo estava numa prisão em Roma e, no
entanto, era mais rico do que o imperador. Quaisquer que sejam nossas
circunstâncias, em Jesus Cristo somos abençoados com "toda sorte de
bênção espiritual"!