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ACADÊMICOS: THALLYS DEUSDARÁ MONSUETH ALVES 1404999

GUSTAVO ARAÚJO MONSUETH ALVES 1407583

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº XXXX CURITIBA - PARANÁ

VOTO

O SENHOR MINISTRO THALLYS DEUSDARÁ MONSUETH ALVES/GUSTAVO


ARAÚJO MONSUETH ALVES: A presente ação direta de inconstitucionalidade traz
desafios à esta Corte. O tema é de extrema importância na vida e sociedade do povo
brasileiro, pois trata de uma ação direta de inconstitucionalidade cuja matéria é a
inimputabilidade do menor de 18 anos para alguns casos específicos, como pode ser
observada no teor inteiro da emenda a constituição que foi aprovada pela Câmara dos
Deputados:

"Art. 1º O art. 228 da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às


normas da legislação especial, ressalvados os maiores de dezesseis anos,
observando-se o cumprimento da pena em estabelecimento separado dos maiores de
dezoito anos e dos menores inimputáveis, em casos de crimes hediondos, homicídio
doloso e lesão corporal seguida de morte.”

(NR) Art. 2º A União, os Estados e o Distrito Federal criarão os estabelecimentos a que


se refere o art. 1º desta Emenda à Constituição.

Art. 3º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação. "

Diante do exposto, há algumas considerações iniciais que acredito serem


importantes antes do julgamento do mérito da questão. É preciso expor que o STF é o
órgão máximo do Poder Judiciário e sua função é proteger a Constituição da República
Federativa do Brasil, que é a norma mais importante do país. Por isso o ponto principal
a ser observado no julgamento do caso concreto é a verificação da adequação da
emenda aprovada à constituição. Não cabe a nós ministros averiguar se a emenda vai
trazer reflexos bons ou não no plano material, embasando-nos em convicções e
achismos sobre o futuro de uma norma, mas cabe sim a nós fazer uma reflexão sobre
a constitucionalidade do objeto da ação direta de inconstitucionalidade. O estudo e
entendimento sobre o que vai ser melhor para a sociedade brasileira deve ser feita
pelos representantes eleitos democraticamente pelo povo, pois estes sim devem saber
o que é mais benéfico e se enquadra a sociedade atual.

Expostos preliminarmente esses fatos, começo aqui minha reflexão sobre a


matéria da petição e por seguinte o próprio corpo da emenda.

A petição entregue pelo "Partido Socialismo e Liberdade(PSOL)" traz consigo e


tenta expor e demonstrar a inconstitucionalidade sobre dois tipos diferentes, a formal e
a material. O requerente afirma haver inconstitucionalidade formal quando expõem "Os
favoráveis a aprovação do projeto são os que comemoram a ação negligente do, leia-
se, Presidente da Câmara, e alegam que, pelas modificações havidas, o projeto não é
o mesmo. No entanto, num momento de infelicidade, o excelentíssimo senhor Eduardo
Cunha ignora o que dispõe nossa Carta Suprema. O artigo 60, § 5º, CF, é claro ao
determinar que “A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por
prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa”, com
exceção da decisão do STF que determinada que apenas em caso de proposta
emanada do Executivo, que votado o projeto substitutivo, não o original, não se aplica
tal norma constitucional. Portanto, a manobra do deputado continua violando o que
manda a Constituição, mas segue para discussão e aprovação do Senado, e se tem
por aprovada."
Além da inconstitucionalidade no processo legislativo, o requerente afirma haver
inconstitucionalidade material, afirmando que a matéria tratada na emenda
constitucional é um direito e uma garantia constitucional, se enquadrando no rol de
clausulas pétreas "No entanto, o equívoco da aprovação da proposta vai além do mero
procedimento, pois há o argumento que defende que a matéria da proposta não trata
de clausula pétrea por não estar no título dos direitos e garantias fundamentais e,
portanto, pode ser emendada mesmo que se esvazie sua essência", e também " Outro
princípio que orienta a Norma Suprema é a Vedação ao Retrocesso Social. Nesse
caso, pode se considerar retrocesso a abolição as garantias e liberdades do
adolescente, que deve ser considerado avanço no que tange os Direitos Sociais
garantir a esse público vulnerável uma proteção especial(...)"

O requerente também afirma que a emenda aprovada viola tratados


internacionais feitos pelo Brasil, mas não caracteriza isto como uma
inconstitucionalidade.

Em resumo, a presente ação direta de inconstitucionalidade pretende declarar


inconstitucional a emenda a constituição pois a norma foi aprovada por uma "manobra",
como cita o requerente, não respeitando o tramite devido de acordo com o artigo 60,
paragrafo 5º, da constituição federal, e declarar inconstitucional pois a emenda trata de
clausula pétrea imutável e retroage no que tange aos Direitos Sociais e Garantias
Individuais.

Tenho por entendido, uma vez visualizado como ocorreu o tramite do projeto de
emenda a constituição na câmara, que há o projeto original desde 1993 e este projeto
vem sofrendo mudanças ao decorrer do tempo. Na primeira votação sobre esse projeto
este ano , uma emenda substitutiva, os deputados optaram por não aprovar a emenda.
Diante do ocorrido, foi apresentado no dia seguinte, uma outra emenda, desta vez
aglutinativa, cujo rol de crimes previstos era menor que o rol de crimes presentes na
emenda votada no dia anterior. Essa emenda aglutinativa foi aprovada, tendo seu
tramite de aprovação legitimo.

Ao meu entendimento, o requerente fez uma interpretação errada da


Constituição Federal, pois quando o constituinte decidiu trazer no artigo 60º, paragrafo
5, a decisão de não poder ser votada emenda a constituição de mesma matéria na
mesma sessão legislativa, ele estava buscando uma forma de precaver a propositura
de emendas iguais na mesma sessão. Não seria plausível, diante da opção de haver
emendas substitutivas ao projeto original, a impossibilidade da votação em caráter
paralelo do projeto inicial ou emenda aglutinativa ao projeto. Seria muito desgastante
se a cada emenda substitutiva proposta a um projeto de emenda a constituição tivesse
que ser votada a cada um ano. Um projeto que tivesse muitas emendas substitutivas
demoraria décadas para que fosse aprovado.

Outro ponto é que não pode uma emenda a um projeto de emenda a


constituição tratar de matéria diferente, e por isso é entendido que distintas emendas
podem ser votadas na mesma sessão legislativa, exceto as que forem iguais.

A emenda substitutiva reprovada continha um numero muito maior de crimes


abordados em seu teor, diferente da emenda aglutinativa, cujo rol era menor. Diante
disso acredito que o regimento interno da Câmara dos Deputados ao dispor que são
possíveis diferentes tipos de emendas a um projeto de emenda a constituição, não
viola nenhuma norma constitucional, somente possibilita diversas opiniões e
proposituras a um projeto original, fortalecendo o caráter democrático da votação.

Sobre o citado pelo requerente em a Emenda Constitucional violar diversos


tratados internacionais, acredito que ocorreu uma interpretação errônea por parte do
requerente, pois em todos os tratados internacionais cujo Brasil é signatário, nenhum
dispões uma idade para a imputabilidade penal do jovem. Como exemplo podemos
analisar nas Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça, da
Infância e da Juventude, que de acordo com o seu art. 4.1, “nos sistemas jurídicos que
reconheçam o conceito de responsabilidade penal para jovens, seu começo não deverá
fixar-se numa idade demasiado precoce, levando-se em conta as circunstâncias que
acompanham a maturidade emocional, mental e intelectual”. Portanto, ao diminuir a
idade de imputação da pena para determinados crimes cometidos por jovens de 16 a
18 anos, o Brasil não viola nenhum tratado, já que todos eles deixam a cargo do
Estado buscar uma idade mínima para imputabilidade de acordo com sua sociedade.

Seguindo, o requerente afirma haver inconstitucionalidade material na emenda


aprovada pela Câmara dos Deputados, pois de acordo com o proponente da ADI a
emenda busca mudar uma clausula pétrea e isto é inconstitucional.

É neste ponto que vejo a maior importância da presente corte neste julgamento.
É preciso cautela ao decidirmos sobre esse caso, pois uma vez acolhida a afirmação
de que a idade disposta no artigo 228 é clausula petrea e não pode ser mudada "Artigo
228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da
legislação especial." , nós ficaremos atados a essa idade, mesmo nossa sociedade
mudando a cada minuto. A Constituição Federal, quando criada pelo constituinte, optou
pela escolha dessa idade ao meu ver por um caráter politico-criminal da época, e fez
uma escolha meramente de adequação, já que havendo no código penal anterior a
constituição a idade de 18 anos para o limite de imputabilidade do jovem, o constituinte
somente copiou o que já havia em uma norma infraconstitucional. Nós sabemos que a
sociedade evolui e portanto é preciso ter cautela ao escolher um número estático para
configurar a imputabilidade do jovem. Com o avanço da tecnologia e da informação
fácil, o jovem, cada vez mais cedo, aprende as coisas sobre a vida e o mundo. Sua
capacidade de entender como a vida em sociedade funciona e ter discernimento
psicológico sobre suas ações já pode ser comprovada nos jovens de 16 a 18 anos. Por
isso, acredito que a idade não seja uma clausula pétrea e tendo isso em vista, o
legislador pode sim dispor sobre ela, buscando adequá-la a sociedade brasileira no
momento.

Isso não quer dizer que capitulo VII "Da Família, da Criança, do Adolescente, do
Jovem e do Idoso" da constituição federal não seja considerado como garantia
fundamental a ser resguardada pela presente corte. Mas, ao meu entendimento, a
tratada emenda a constituição não viola nenhum dos dispositivos tratados neste
capitulo, nem nos artigos 5º ao 16º.

É trazido por alguns que defendem a inconstitucionalidade da emenda que ela


vai ferir a dignidade da pessoa humana, pois nosso sistema carcerário atual está ruindo
e não garante vários princípios trazidos pela constituição. É inegável a verificação de
que o sistema carcerário brasileiro é ruim, mas devemos ter fé no Estado pois a
emenda traz em sua matéria que "A União, os Estados e o Distrito Federal criarão os
estabelecimentos para que os jovens condenados por esses crimes sejam enviados
para lá. Portanto, espero como cidadão brasileiro que haja uma fiscalização de como
esses lugares serão administrados e que todos as garantias constitucionais sejam
apreciadas, principalmente se tratando do jovem. Cabe ressaltar que a emenda não
fere e nem aboli nenhum direito e garantia individual do jovem de 16 a 18 anos, mas
sim busca torna-los imputáveis a alguns tipos gravíssimos do código penal, separando
eles tanto dos demais indivíduos presos pelo sistema carcerário penal, como dos
outros jovens menores de 16 anos que ficariam no mesmo lugar que eles.

Ante o exposto, voto pela total improcedência da presente ação direta de


inconstitucionalidade.

Ministro: ___________________________________________
Thallys Deusdará Monsueth Alves

Acessor: ___________________________________________
Gustavo Araújo Monsueth Alves