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A medida do tempo e a idade da Terra

→ Evolução da noção de tempo geológico


- James Usher (arcebispo inglês; século XVII): baseando-se na
Bíblia, este definiu “o nascimento” da Terra para nove horas do dia
26 de outubro de 4004 a.C.
- conde de Buffon (século XVIII): estimou a idade da Terra para
74382 anos (primeiros cálculos, ainda que rudimentares),
baseando-se em experiências com esferas metálicas em
arrefecimento.
- James Hutton (século XVIII): foi um dos pais da geologia que
estimou que a ordem de grandeza da idade da Terra estaria nos
milhões de anos, não nos milhares. Deparou-se com as
discordâncias angulares (diferenças claras entre sequências de
estratos), que viriam a confirmar as suas ideias. O significado
geológicos das discordâncias angulares pode ser integrado na
seguinte reconstituição de acontecimentos:
- Deposição de estratos na horizontal
- Orogenia (movimentos tectónicos compressivos
normalmente associados a cadeias montanhosas)
- Erosão
- Nova deposição
- Nova deformação
- Lord Kelvin (William Thomson; século XIX): estimou em 100
milhões de anos a idade da Terra, com base nas leis da física e
cálculos baseados na dissipação do calor da Terra.
- Rutherford (século XIX): aplicou a radioatividade à datação das
rochas (idade radiométrica), passando a estimativa para 2500
milhões de anos
- Clair Patterson (século XX): tendo por base a idade dos
meteoritos, estimou a idade da Terra para 4550 milhões de anos.
→ Princípios Geológicos
Estes princípios estão associados à datação relativa de rochas, pois
permitem, comparando estratos, rochas ou fósseis, ter uma ideia da
idade relativa do estrato, rocha ou fóssil em estudo.

- Horizontalidade inicial (por Nicolau Steno): os estratos


depositam-se originalmente na horizontal, sendo qualquer
fenómeno que altere a horizontalidade posterior à sedimentação

- Sobreposição: numa sequência de estratos, um estrato mais


profundo é mais antigo que um que esteja acima.
Existem algumas exceções a este princípio a ter em conta:
↠ Camadas invertidas (por ação de forças tectónicas, as placas
movem-se da posição inicial)
↠ Falhas inversas (quando o teto sobe em relação ao muro)
↠ Maciços intrusivos (a intrusão é posterior ao material
preexistente)
↠ Terraços fluviais (ação do rio jovem que transporta muito
sedimentos que depositam em camadas irregulares)
↠ Depósitos em grutas (materiais depositados nelas são mais
recentes que a gruta em si, incluindo o que esta por cima dos
sedimentos)
↠ Recifes de coral (outras rochas preexistentes colocam-se em
cima dos corais)
↠ Filões camada (intrusão magmática numa camada)

- Interseção: a estrutura que interseta é mais recente do que a que


é intersetada

- Identidade paleontológica: estratos com o mesmo conteúdo


fossilífero são contemporâneos

- Inclusão: uma estrutura que contenha outros elementos é


posterior aos elementos que a compõem
→ Fósseis
São corpos, restos ou vestígios da atividade de seres vivos
preservados em rochas, âmbar ou gelo. Estes dão informações sobre si
mesmos e sobre os períodos em que viveram. Os fósseis de idade
viveram durante um curto período de tempo, mas apresentam uma
ampla distribuição geográfica e permitem conhecer a idade das rochas.

→ Datação Absoluta ou Radiométrica


Como a datação relativa não permitia calcular com exatidão a idade
dos materiais (e da própria Terra), Rutherford, com base na
radioatividade de alguns elementos constituintes das rochas,
“descobriu” a datação absoluta.
Esta datação assenta no conhecimento de que os isótopos radioativos
de determinados elementos químicos constituintes das rochas têm a
propriedade de se transformarem irreversivelmente e de se
transformarem nos outros átomos estáveis, sem ser necessária
qualquer outra intervenção (decaimento radioativo). Ao átomo original
chamamos isótopo-pai e ao que resulta da perda de neutrões (e
protões, em alguns casos) chamamos isótopo-filho. Ao tempo de
transformação de 50% isótopos-pai em isótopos-filho chamamos
período de semivida.
Alguns exemplos de isótopos-pai e dos seus filhos:

Potássio 40 Árgon 40
Urânio 238 Chumbo 206
Urânio 235 Chumbo 207
Rubídio 87 Estrôncio 87
Carbono 14 Azoto 14

Este tipo de datação só se aplica a materiais com isótopos radioativos,


principalmente às rochas magmáticas.
→ Escala do Tempo Geológico
As datações absolutas e relativas permitiram aos geólogos reconstruir
a história da Terra, construindo uma escala do tempo geológico, que
representa um calendário com os marcos evolutivos da história da
Terra.
As maiores divisões desta escala são os Éons, que se subdividem em
Eras, que por sua vez se vão poder separar em Períodos. Ora vejamos:

- Éons Hádico, Arcaico e Proterozoico: maiores subdivisões da


história da Terra, do mais antigo para o mais recente, tendo o
proterozoico acabado há cerca de 541 Milhões de Anos

- Éon Fanerozoico

- Era Paleozoica:
- Câmbrico, Ordovícico, Silúrico, Devónico, Carbonífero, Pérmico

- Era Mesozoica:
- Triássico, Jurássico, Cretácico

- Era Cenozoica:
- Paleogénico, Neogénico, Quaternário

Alice Correia
2017