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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal


do Rio de Janeiro
Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro

Pesquisadores: Aline Sousa e Gustavo Macêdo

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE REVISÃO DO CÓDIGO DE OBRAS – 06/10/2017

Comissão Especial de Avaliação do Plano Diretor – CEI 1390/2017

Composição da mesa:
_Vereador Renato Cinco - Mediação
_Paulo O. Saad – Representante do SARJ (Sindicato dos Arquitetos do Rio de Janeiro)
_Rose Compans – Representante do CAU/RJ (Conselho de Arquitetos do Rio de
Janeiro)
_Luis Gabriel Denadai - Coordenador de Planejamento Local da SMUIH
_Diego Silva –IPTD (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento)

Renato Cinco abriu a mesa às 15h:


A comissão especial de avaliação do Plano Diretor tem como objetivo estipular e
analisar os princípios do Plano Diretor e acumular críticas para sua reformulação e
acompanhar a sua implementação por meio de ações da prefeitura e o estabelecimento
de novas legislações.
O atual plano determina o estabelecimento de um novo código de obras entre outros
regulamentos urbanísticos. Serão feitos novos debates sobre políticas urbanísticas a
serem propostas. Para além da obrigação legal, é necessário o estabelecimento de um
novo código de obras, considerando que a legislação atual é confusa e extensa a qual
dificulta o entendimento da população, atrapalha a atuação dos profissionais da área e
sobrecarrega o licenciamento e a fiscalização de profissionais da prefeitura. Uma
simplificação é necessária, mas não pode vir acompanhada da precarização das
condições de vida da população. A maior preocupação com relação a proposta é o
tamanho mínimo das novas habitações.
Precisamos de um Plano Municipal de Habitação que coordene os esforços no setor e
garanta os recursos que a cidade precisa para construir novas habitações, urbanizar
favelas, melhorar habitações existentes entre outras medidas.
O vereador destacou o Projeto de Lei Complementar nº10 de 2017 que determina a
obrigatoriedade da implantação de um Plano Municipal de Habitação.
Outra medida importante para garantir habitações mais baratas é a utilização do
Parcelamento, Edificação e Utilização Compulsória.

Paulo Saad: O projeto de lei simplifica alguns mecanismos, mas não nega os princípios
dos planos urbanísticos - parâmetros entre outras contradições legais que podem ser
questionadas por associação de moradores e demandas serão direcionadas para o MP.
A discussão da simplificação contribui para o desmonte do estado do RJ, junto com o
desmonte das equipes técnicas. Outra questão é a interpretação dos arquitetos sobre a
legislação urbanística que deve ser julgada pelo Poder Executivo, de responsabilidade
da Prefeitura Municipal, como também do construtor. Nisto, o arquiteto responsável
fica à mercê das vontades dos construtores, por isso a necessidade da Prefeitura como
órgão “fiscalizador”. O arquiteto não deve ser responsabilizado, uma vez que o
cliente/construtor é o proprietário, logo a Prefeitura deve ter essa ciência.

Luiz Gabriel: O PD prevê que a atualização de quatros códigos, com prazo. O Eduardo
Paes enviou os projetos de lei já no final de mandato. Com isso, o secretário Índio
alegou que deveriam ser revistas novamente antes da sua aprovação. Indicou que no Rio
de Janeiro há centenas de ocupações sem regularização.
Diretrizes principais do trabalho: a legislação necessita de simplificação para que
asregras sejam universais; os problemas de “ondas” na legislação para os
licenciamentos; Arquitetura legal: consultorias que conseguem brechas para a
construção; manter o texto da lei mais enxuto, pois há uma dificuldade de compreensão
da lei tanto por arquitetos quando pela população.
Indicação de normas, ao invés de colocar integralmente no texto da lei, o que poderia
compactar a lei e melhorar a sua compreensão, pois as normas (Bombeiros, ABNT, por
exemplo) são atualizadas constantemente; simplificação das “burocracias” na Secretaria
Municipal - melhorar as questões sobre a concentração do poder de decisão no
licenciamento; para isso, um projeto de licenças online (autodeclaração) como a
experiência de BH chamada “Licença Já”. Para o projeto de lei, a análise efetiva para
elementos externos da edificação; fomentar o adensamento da cidade aonde tem
infraestrutura - aproveitar bairros próximos da centralidade (Méier, Tijuca, São
Cristóvão); a atual legislação é elitista, onde contribui para a disseminação
dosconjulgados(“quitinetes”) em favelas - edificações na ilegalidade. Necessita a
flexibilização da lei para a possibilidade de construir com redução de exigências, para
um modo de viver mais barato. A ideia que a legislação seja aberta, que possa abranger
outros elementos, para baratear o acesso, manutenção e as construções.

Diego Silva: Apresentação sobre a relação entre estacionamentos e demanda em


construções para a legislação do Rio. Cita sobre o PD de São Paulo para redução do uso
do automóvel e nova regulamentação de estacionamentos em edificações no México.
Rose Compans: Pontos para reflexão o novo Código de Obras sobre uma minuta, pois o
projeto de lei não está na Câmara. Justificativas: O regulamento de Construções e
Edificações (RCE) encontra-se no Decreto nº3.800/1970; foi sendo modificado ou
parcialmente substituído por diversas leis e decretos ao longo dos seus quase 50 anos,
resultando em uma profusão se regras dispersas e de difícil assimilação por parte dos
profissionais; necessidade de consolidar normatizações e atualizar conceitos, princípios
e valores, como os da sustentabilidade, da acessibilidade, da proteção da paisagem
urbana, entre outras; necessidade de agilizar licenciamento de obras, através da
simplificação das normas e maior responsabilização dos profissionais envolvidos.
As simplificações das exigências para aprovação são extremamente positivas, já que a
duração prolongada do processo de licenciamento de obras e uma deseconomia que
afeta profissionais e construtores; há que se considerar, no entanto, que uma edificação
não é uma mercadoria qualquer, mas um objeto urbano com características perenes que
impactam o ambiente, a paisagem urbana e a vida da coletividade; edificações
multifamiliares mistas, comerciais ou destinadas a serviços são imóveis de uso coletivo
ou público; como assegurar que serão construídas de acordo com condições adequadas
de habitabilidade, salubridade, acessibilidade e segurança?;e se não forem? Quais
sanções serão previstas?

Abertura para Debate

Falas:
Heitor Ferreira: indicou sobre uma legislação municipal falha, principalmente sobre o
código de obras, que aborda a calçada como passeio (impressivas nomenclaturas na lei);
casos de não incorporação de normas na lei; apontou que atua por pela visão integrada
(sistema normativo de uso e ocupação do solo) no código de obras.
Vinícius (aluno da UFF): indicou que foram poucos as falas da mesa sobre as favelas,
pela falta de contexto sobre qual é o caráter da habitação nesses espaços (direito ou
produto); e apontou sobre que reconhece o caráter do poder maioritário do mercado
imobiliário neste processo de revisão.
Manoel Vieira: criticou sobre a falta de uma relação com a realidade para a aplicação da
lei, uma vez que o município possui desigualdades; a questão do estacionamento
apresentada na mesa deve ser repensada; não é simplificando a legislação que irá
resolver os enclaves existentes.
Pedro da Luz (presidente IAB/RJ): necessidade de transparência nos processos para a
construção da legislação urbanística; reconhecer as diversidades no processo de
produção da cidade, que é monopolizado; pulverização para a construção da cidade -
pulverizar pequenos empreendimentos; a legislação não toca sobre o valor da terra, para
romper com os grandes empreendedores/construtores.
Cristina Nacif (Profª UFF): quem está produzindo o projeto de lei não reconhece a
produção do espaço do Rio de Janeiro; é necessário haver projetos e estudos com
trabalho de campo para pensar a cidade novamente e contribuir para produção do
projeto de lei para um novo código de obras, que deve vir antes da revisão da lei de uso
e ocupação do solo.
Karina (arquiteta da UFF): as falas da mesa sobre a minuta do projeto de lei só
representa os interesses do mercado imobiliário; antes de reduzir a vaga de
estacionamento é necessário investir em transporte público.
Considerações finais:

Gabriel: declarou que não há uma reflexão direcionada para o mercado imobiliário, e
que não houve interferência política por parte do Secretário Municipal; o código de
obras está na procuradoria; Indicou que há um acompanhamento das ações da Secretaria
em um blogchamado “smurj”; Sobre a questão dos estacionamentos apresentada por
Diego Silva, Gabriel indicou que o valor cobrado para a vaga de rua deveria ser mais
cara para limitar o uso do carro particular. Ainda, indicou sobre a necessidade da
ampliação da integração tarifária no transporte público, o que poderia, segundo ele,
mitigar os problemas de trânsito na cidade.

Diego: retificou os estudos indicados na sua fala são de uma organização não
governamental, então não há interesses do mercado imobiliário; a experiência do
México condiz a um processo de várias etapas, onde a questão da vaga de
estacionamento é um fator estratégico com medidas para combater o nível de poluição;
utilizou o exemplo do Terminal Alvorada e sua distância com o Barra Shopping,
indicando que a quantidade de vagas do shopping prioriza o uso do carro; ainda,
indicouque a ampliação doMetrô até a localidade de Jardim Oceânico, na Barra da
Tijuca, não diminuiu o uso de carro particular na região.

Rose: indicou ser importante a discussão sobre a formulação do novo código de obras,
contudo a revisão da lei de uso e ocupação do solo deveria virem primeiro, pois ela
pode limitar simplificações ruins na lei; apontou que se deve considerar a questão da
moradia também como uma questão de saúde pública.

Avisos:

O vereador Renato Cinco convidou todos para a reunião da Comissão de


Acompanhamento do PD que acontecerá no dia 26/10/2017, quinta-feira, às 18 horas,
na sede do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Av. Rio Branco,
277). Em linhas gerais, a reunião tratará sobre instrumentos urbanísticos e contará com
a presença da professora Raquel Rolnik.