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CENTRO UNIVERSITÁRIO SÃO MIGUEL

CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS

QUATRO MIL ANOS DE CONTABILIDADE

Antônio Oliveira
Cleiton Brasiliano
Micael Crasto

Recife, 03 setembro de 2019.


CENTRO UNIVERSITÁRIO SÃO MIGUEL
CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Antônio Oliveira
Cleiton Brasiliano
Micael Crasto

QUATRO MIL ANOS DE CONTABILIDADE

Trabalho apresentado ao curso de


Bacharelado de Ciências Contábeis do Centro
Universitário São Miguel. Como requisito
parcial da disciplina Teoria da Contabilidade.
Orientador: Prof. Draomiro Aguiar

Recife, 03 de setembro de 2019.


RESUMO

No presente trabalho será apresentada uma visão geral e estruturada


da evolução histórica da contabilidade, correlacionando essa com a evolução da
própria sociedade, seja nos seus aspectos econômicos, políticos, institucionais e
tecnológicos. Faremos isso através de apontamentos sobre os antecedentes sociais
da contabilidade, demonstrando suas transformações no percurso da história e
destacando as principais diferenças e semelhanças do sistema contábil que foi
desenvolvido em cada época citada com a contabilidade como a concebemos hoje.

Palavras-chave: Patrimônio, Inventário, Escrita, Comércio, Moeda, Industrial,


Registro, Cálculo, Contas, Balanço.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO

O título do nosso trabalho, Quatro Mil Anos de Contabilidade, faz uma


síntese de como será tratada, aqui, a história dessa disciplina: trataremos, pois,
desde a antiguidade, data que precede o nascimento de Cristo, passando pelo
período medieval e entrando no período moderno, científico e contemporâneo.
Porém, dada a densidade do tema e a brevidade do espaço dessa apresentação,
voltaremos menos nossa preocupação ao apontamento de autores e datas que ao
apontamento do movimento evolutivo da história, não deixando, evidentemente, de
nos fundamentar e apresentar fontes e dados historiográficos.
Os períodos citados acimas serão descritos da seguinte forma: a
contabilidade no mundo antigo, falando quais foram os primeiros avanços da
humanidade que influenciaram a contabilidade; a contabilidade e suas primeiras
abordagens teóricas, com o uso das partidas dobradas; o surgimento da
contabilidade moderna, os efeitos das evoluções econômicas na contabilidade
moderna; a contabilidade científica e suas tecnologias.
Nossa abordagem será baseada na noção atual de contabilidade como
ciência social, isto é, mostraremos como a sociedade teve influência no
desenvolvimento da disciplina e como esta cresceu proporcionalmente de acordo
com aquela, tanto nos seus aspectos econômicos e tecnológicos, como também
institucionais, políticos e sociais.
Visando apresentar de maneira geral a história da contabilidade,
esperamos suprir uma carência de materiais disponíveis para essa questão, haja
vista que o conhecimento histórico de uma ciência é fonte de inspiração para
qualquer cientista ou profissional da área desenvolver melhor o seu trabalho.
1. A CONTABILIDADE NO MUNDO ANTIGO

O SURGIMENTO DA ESCRITA E DA CONTABILIDADE

Vários autores explicam o surgimento da escrita, mas vamos ficar com a


explicação do historiador italiano Carlo Ginzburg. Em seu livro Mitos,
Emblemas, Sinais (1989), Ginzburg diz que a escrita surgiu por meio de um
dos nossos mais antigos dons: a observação. Devido a necessidade de caçar
desde suas origens, o ser humano aprendeu a seguir, reconhecer e interpretar
rastros. Para isso, cada indício ou sinal de sua presa era considerado com
rigor, o que certamente contribui para a interpretação de signos e sinais pelo
homem. Dessa forma, também, o ser humano passou a reconhecer e calcular o
tempo pelas marcas de passos deixadas na argila e no solo arenoso, onde se
descobriu o processo de impressão no barro.
Posteriormente, com a simplificação desses sinais, os sons ganharam
relativa importância. Dava-se, então, o início da escrita alfabética e abstrata,
que iria de encontro ao empirismo dos rastros de animais que os primeiros
caçadores humanos aprenderam a identificar.
Da mesma forma, o homem da Pré-história viu a necessidade de
registrar suas conquistas e começou a desenhar seus “estoques” nas paredes
das cavernas. Alguns historiadores defendem até que a contabilidade, mesmo
que de uma forma prática, influenciou a escrita e não o contrário. Mas,
independentemente de quem está com a razão, podemos afirmar que tanto
escrita quanto a contabilidade nasceram pelo mesmo fato descrito por
Ginzburg: a observação.

A CRIAÇÃO DO SENSO DE PROPRIEDADE

Como o homem é um ser cognitivo, logo percebeu a necessidade


de buscar métodos menos onerosos e mais eficientes de sobrevivência. Então
deixou a caça e começou a viver do pastoreio e agricultura. Essa nova
organização econômica acarretou o aumento da valorização da terra e o direito
do uso do solo, rompendo com a vida comunitária, surgindo divisões e o senso
de propriedade. Assim, cada pessoa criava sua riqueza individual. Esse novo
estilo de vida do ser humano o levou a observar a necessidade de criar um
controle organizacional mais elaborado do que produzia.

CURIOSIDADE

Ao morrer, o legado deixado por esta pessoa não era dissolvido, mas
passado como herança aos filhos ou parentes. A herança recebida dos pais
(pater, patris), denominou-se patrimônio. O termo passou a ser utilizado para
quaisquer valores, mesmo que estes não tivessem sido herdados.

O COMERCIO E A MOEDA IMPULSIONA A CONTABILIDADE

Muitos historiadores defendem que o surgimento do comercio deu-se no


sistema de trocas na antiguidade, denominado de escambo, quando
determinados grupos trocavam suas produções por outras. Porém, esse
sistema era bem rudimentar e não atendia a necessidade de todos, porque
careciam de variedade e necessitavam de uma forma de pagamento comum.
Foi então que os Sumérios tiveram um papel crucial na história da
moeda ao introduzirem um cálculo baseado em valores de referência
constantes. Surgem então no Séc. VII a.C. as primeiras moedas parecidas com
o formato que hoje temos, isto é, pequenas peças de metal com peso e valor
definidos, e com impressão de cunho oficial.
Com o advento da moeda, a necessidade de controle aumentou, dando
maior importância ao registro. A origem da Contabilidade está ligada a
necessidade de registros do comércio. Há indícios de que as primeiras cidades
comerciais eram dos fenícios. A atividade de troca e venda dos comerciantes
semíticos requeria o acompanhamento das variações de seus bens quando
cada transação era efetuada. Essa necessidade, alavanca a importância da
contabilidade nos negócios.
A IMPORTÂNCIA DOS REGISTROS

À medida que o homem começava a possuir maior quantidade de


valores, preocupava-se em saber quanto poderiam render e qual a forma mais
simples de aumentar as suas posses; tais informações não eram de fácil
memorização quando já em maior volume, requerendo registros.
Foi o pensamento do “futuro” que levou o homem aos primeiros registros
a fim de que pudesse conhecer as suas reais possibilidades de uso, de
consumo, de produção e afins.
Com o surgimento das primeiras administrações particulares aparecia a
necessidade de controle, que não poderia ser feito sem o devido registro, a fim
de que se pudesse prestar conta da coisa administrada.

O PAPIRO FACILITA O CRÉDITO

É importante lembrarmos que naquele tempo não havia o crédito, ou


seja, as compras, vendas e trocas eram à vista. O desenvolvimento do papiro
(papel) e do cálamo (pena de escrever) no Egito antigo facilitou
extraordinariamente o registro de informações sobre negócios. Sua flexibilidade
e leveza possibilitou a junção e transporte dos registros, que, junto aos “selos
de sigilo”, deram mais segurança as transações, aumentando o acesso e
interesse ao crédito.

O REFINAMENTO DAS OPERAÇÕES ECONÔMICAS

O Sistema Contábil é dinâmico e evoluiu com a duplicação de


documentos e “Selos de Sigilo”. Os registros se tornaram diários e,
posteriormente, foram sintetizados em papiros, no final de determinados
períodos. Sofreram nova sintetização, agrupando-se vários períodos, o que
lembra o diário, o balancete mensal e o balanço anual.
No Egito, as “Partidas de Diário” assemelhavam-se ao processo
moderno: o registro iniciava-se com a data e o nome da conta, seguindo-se
quantitativos unitários e totais, transporte, se ocorresse, sempre em ordem
cronológica de entradas e saídas.
Os gregos, baseando-se em modelos egípcios, 2.000 anos antes de
Cristo, já escrituravam Contas de custos e Receitas, procedendo, anualmente,
a uma confrontação entre elas, para apuração do saldo. Os gregos
aperfeiçoaram o modelo egípcio, estendendo a escrituração contábil às várias
atividades, como administração pública, privada e bancária.
As escritas governamentais da República Romana (200 a.C.) já traziam
receitas de caixa classificadas em rendas e lucros, e as despesas
compreendidas nos itens salários, perdas e diversões.

2. PRIMEIRA ABORDAGEN TEÓRICA DA CONTABILIDADE

PARTIDAS DOBRADAS E A ORIGEM DA CONTABILIDADE

É possível afirmar que a contabilidade começa a ser sistematizada a


partir do gradativo aprimoramento da aplicação da escrituração por partidas
dobradas. Ou seja, conforme esse método vai sendo testado na prática até o
ponto de ser codificado e verificado como um método eficiente, também, a
contabilidade se consolida como ciência¹. Há, ainda, muitas controvérsias
acerca da origem do método de registro das partidas dobradas; segundo
Littleton, esse processo teve seu movimento inicial nos séculos XIII e XIV e
seus primeiros registros serão encontrados nos arquivos municipais da Cidade
de Gênova, na Itália, no ano de 1340².

Porém, foi um pouco mais tarde, no século seguinte, que se escreveu


uma exposição detalhada sobre esse método de registro, o das partidas
dobradas, através do Particularis de Computis et Scriptus, do frade da Ordem
Franciscana, Fra Luca Paciolo, em seu livro Summa de Arithmetica, Geometria,
Proportioni e Proportionalitá, em Veneza, no ano de 1494, sendo ela a primeira
obra impressa a abordar a contabilidade enquanto disciplina e difundir uma de
suas aplicações. Abaixo, segue-se um trecho do que escreveu o frade sobre o
método das partidas dobradas:

“O Razão estará correto se a soma dos


débitos for igual à soma dos créditos. O
Balancete deve evidenciar igualdades,
não de suas parcelas, mas de seus
totais em débito e crédito, o que não
ocorrendo evidenciará erro no Razão.”

Todo o tratado irá evidenciar como, naquela época, a contabilidade já


tinha um mecanismo bem definido, tanto que um de seus métodos, o exposto
pelo frade no tratado citado acima, será usado, eficientemente, até os dias
atuais; salvo, evidentemente, por algumas adaptações a um contexto social,
política e economicamente diferente. Contexto esse com mudanças tão
grandes em relação àquele que se faz oportuno destacar nessa apresentação
algumas características do contexto de nossos métodos e teorias atuais que
divergem das práticas daquela época; quais sejam:

1) Característica muito evidente no próprio Particularis de Computis et


Scriptusera a da contabilidade que tinha como principal objetivo fornecer
informações, exclusivamente, ao proprietário que era sozinho, geralmente, e
informações sigilosas das contas do negócio. Diferente dos nossos padrões e
legislações atuais de divulgação das informações contábeis da empresa que,
inclusive, é tido como um ponto positivo para a sociedade, quanto mais se é
transparente.

2) O conceito de entidade empresarial na época não era bem desenvolvido;


com isso, não existia separação entre os negócios empresariais e pessoais de
um empresário, não havendo, portanto, um conjunto de contas separado para
cada patrimônio.

3) O conceito de exercício contábil ainda não existia, e isso fazia com que os
cálculos de lucro só fossem, em geral, feitos na conclusão do empreendimento.
Por conta disso, vários lançamentos que fazemos hoje e dependem de cálculos
periódicos não existiam naquela época, como por exemplo as contas de
receitas e despesas a realizar. A depreciação dos ativos imobilizados também
não se era necessário calcular, pois seu papel era diminuído pela não utilização
de períodos bem definidos.

4) Outra característica bem evidente no próprio Particularis de Computis et


Scriptusé a ausência de uma moeda fixa. Nota-se que nos Livros Diários as
descrições eram muito bem trabalhadas, em vista de detalhar qual moeda foi
utilizada. Essa falta de um denominador comum, que era a ausência que se
tinha, de fato, na época, era um grande empecilho para o deslanchar das
escriturações pelos métodos das partidas dobradas.

Fazendo esses apontamentos contextuais, uma dúvida muito comum


nos é sugerida para ser respondida nesse espaço, que é a seguinte: por que a
contabilidade, sendo uma das práticas humanas mais antigas, tem um
desenvolvimento tão devagar ao longo da história? Para isso, usamos a
resposta do prof. Sérgio Iudicibus, que achamos suficiente:
Em termos de entendimento da evolução histórica da
disciplina, é importante reconhecer que raramente o
"estado da arte" se adiante muito em relação ao grau
de desenvolvimento econômico, institucional e social
das sociedades analisadas, em cada época. O grau
de desenvolvimento das teorias contábeis e de suas
práticas está diretamente associado, na maioria das
vezes, ao grau de desenvolvimento comercial, social
e institucional das sociedades, cidades ou nações.

Isso esclarecido, podemos partir para a explicação do porque a


contabilidade passa a ser considerada uma disciplina adulta a partir dessa
publicação feita em Veneza, no ano de 1494. O fato é que a partir de Paciolo, a
porta para a escrita de tratados sobre a contabilidade está aberta, rompendo-se
a "tradição oral do conhecimento contábil" e formando uma espécie de
literatura da disciplina, iniciando uma nova fase histórica da Contabilidade.
Essa é sua grande importância.

3. AS GRANDES NAVEGAÇÕES E A CONTABILIDADE

Dois anos antes da grande publicação de Pacioli, começam os primeiros


empreendimentos das grandes expedições no mar, em vista de explorar o
mundo. Os portugueses navegaram ao longo da costa Africana e Cristovão
Colombo navegou ao oeste, acompanhado de navegadores como Vasco da
Gama e John Cabot. Nesse período as cidades italianas começam a sair do
centro comercial do mundo, dando espaço para a Espanha e Portugal,
proporcionando, evidentemente, a propagação do sistema contábil de partidas
dobradas.

Um grande desenvolvimento na contabilidade foi proporcionado pelas


grandes viagens. Relembrando as características que citamos acima em
relação àquela época versus atualidade, veremos que, com o descobrimento
do Novo Mundo, as divergências foram, pouco a pouco, se convergindo.
Vejamos. Nessa época, o germe das modernas sociedades por ações estava
nas Empresas de Capital Conjunto, que eram formadas por financiadores das
viagens, recebendo, cada um, direitos de participação que era proporcional ao
seu investimento.

A famosa Companhia das Índias Orientais na Inglaterra, 1600, foi uma


das primeiras empresas desse formato. Como, geralmente, o retorno sobre a
primeira viagem investida não era suficiente, ao final da viagem, ao invés de
dinheiro, os investidores recebiam participação na viagem seguinte. Isso gerou
a necessidade de uma contabilidade que acompanhasse as sobreposições de
participação de liquidação sobre participação de liquidação . Pouco a pouco,
quando as formas de participação foram mudando, cálculos de lucros e perdas
foram sendo aplicados ao ponto de serem feitos anualmente, quebrando com
aquela ideia de cálculos que eram feitos somente no final do período do
empreendimento. Balanços a cada dois anos eram exigidos pelo Código
Comercial francês, em 167312, e isso também rompe com a antiga
característica de que as informações das contas da empresa eram sigilosas e
exclusivas para o proprietário.

Embora as Empresas de Capital Conjunto tivessem trazido avanços


consideráveis para a contabilidade, o seu formato não se sustenta e tem fim no
século XVIII. A partir daí, a contabilidade tomará outro rumo (conforme dito
anteriormente sobre como a disciplina evolui de acordo com os avanços
sociais, econômicos e institucionais da sociedade de cada época) com o
advento da revolução industrial, começando uma nova era de sua longa
história.

4. A CONTABILIDADE MODERNA E CIENTÍFICA

PERIODO MODERNO

Período moderno teve início em 1453 com a conquista da Constantinopla pelos


turcos, os turcos avançando no oriente, fechou-se a rota comercial que ligava a
Europa e a Ásia, com tudo isso houve a necessidade de abrir novas rotas para
Ásia levou diversas nações da Europa Ocidental, como Portugal, Espanha,
França, Inglaterra e Países baixos, a procurarem por novas rotas marítimas
para a Ásia que não passassem pelo oriente médio dominado pelos turcos.
Com a descoberta da América e da nova rota marítima, houve um grande
incremento do fluxo comercial europeu, as nações que condiziam esta
expansão necessitaram da técnica contábil desenvolvida pelas cidades da
Itália, controlando suas transações comerciais, esta técnica contábil veio a ser
denominada Escola Contista, a qual tinha o objetivo de controlar o patrimônio
da empresa através da apuração do saldo das contas, as contas seriam o
somatório dos direitos e obrigações que o proprietário, tinha em relação a cada
pessoa.

Entretanto foi a Itália o primeiro país a fazer restrições à prática da


contabilidade por um indivíduo qualquer, O governo passou a somente
reconhecer como contadores, pessoas devidamente qualificadas para o
exercício da profissão. A importância da matéria aumentou com a intensificação
do comércio internacional e com as guerras ocorridas nos séculos XVIII e XIX,
que consagram numerosas falências e a consequente necessidade de se
proceder à determinação das perdas e lucros entre credores e devedores.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Um fato importante para a contabilidade neste período foi a chegada da


revolução industrial, com um conjunto de mudanças que aconteceram na
Europa, substituindo o trabalho artesanal pelo assalariado com uso de
máquinas, sua origem talvez tenha sido um período de bom tempo na
Inglaterra, que permitiu boas colheitas, fazendo assim que os preços dos
alimentos baixasse, e com isso a sociedade tive uma saúde melhorada. Ao
mesmo tempo o reconhecimento dos fundamentos de higiene pessoal fez com
que declinasse a incidência da peste, após quatro séculos de morte, com isso,
a população e a demanda de alimentos elevaram-se, a manufatura
desenvolveu-se para atender a demanda e invenções começaram a sair do
papel e transformar o local de trabalho.
Com toda essa demanda crescente era necessário mais capital e os
bancos foram surgindo, em 1800 havia 80 em Londres, e quase 400 em todo o
país.
No século XIX e o início do século XX presenciaram uma expansão
enorme da indústria, nos Estados Unidos e na Inglaterra, citando apenas um
exemplo, a produção anual de aço nos Estados Unidos aumentou de
aproximadamente 20 mil toneladas, em 1867, para cerca de 24 milhões de
toneladas em 1914, e aproximadamente 56 milhões em 1929. As invenções
mecânicas do século XVIII foram aperfeiçoadas e colocadas em uso
generalizado no século XIX.

EFEITOS SOBRE A CONTABILIDADE


Os estudiosos conhecem a história do marco da revolução industrial no
século XVIII, quando a contabilidade precisou a ser separada em financeira,
custo e gerencial.
Até o século XVIII, a contabilidade servia como uma forma de medir e controlar
o patrimônio no proprietário, isso em função dos modelos de empresa da época
que eram voltados para a agropecuária, o comércio e a fabricação de produtos
de forma artesanal.
Com o passar dos anos foram surgindo outros modelos de empresas,
como grandes corporações e multinacionais. A utilização da contabilidade,
portanto, se tornava a partir daí, fundamental passando a ser utilizada como
um importante instrumento para se manter um controle sobre o patrimônio da
empresa e prestar contas e informações sobre gastos e lucros tanto ao
ambiente interno e externo.
A medida que aumentava a necessidade de informação gerencial sobre
os custos de produção e os custos a serem atribuídos à avaliação de estoques,
o mesmo acontecia com a necessidade de sistemas de contabilidade de
custos. A exigência de grandes volumes de capital, demandando a separação
entre investidor e administrador, significou que um dos principais objetivos da
contabilidade passou a ser a elaboração de relatórios a proprietários ausentes.
As informações financeiras, que tinham sido geradas principalmente
para fins de gestão, passaram a serem demandados cada vez mais por
acionistas, investidores, credores e pelo governo.
Seu desdobramento em contabilidade financeira, contabilidade de custos
e contabilidade gerencial, contempla as diversas atividades patrimoniais, cada
qual desempenhando seu papel específico, mas ligadas para um mesmo fim, o
produto industrial, comercial ou serviço e a saúde da empresa.
Com a chegada das indústrias, tornou-se mais complexo, pois para
levantamento do balanço e apuração do resultado, não dispunha agora dos
dados para poder atribuir valor ao estoque, o seu valor de compras na empresa
comercial estava agora substituído por uma série de valores pagos pelos
fatores de produção utilizados.
A contabilidade de custo se preocupava em estabelecer o preço do
produto ou serviço aplicado ou consumido na produção e outros bens. Por isso,
se tem a preocupação pela empresa industrial o controle de gasto direto sobre
o produto.
A contabilidade gerencial se preocupa também com o produto, mas com
enfoque em sua comercialização, com o mercado que irá consumir e atingir
para o consumo do produto final. Isto é bem visualizado na área de marketing,
onde a cada vem se aperfeiçoando e sofisticando a venda e a comercialização.
Contudo, merece também evidência todo o pessoal envolvido para o
engrandecimento da empresa, alguns até ligados à divulgação e à distribuição
do produto.
A contabilidade financeira se preocupa com a parte legal, estrutural da
empresa e com o fluxo de caixa. Os aspectos legais do produto e sua
comercialização do mercado. Ela está ligada à contabilidade gerencial como a
de custo está para a financeira. Portanto, entende-se que esteja cada uma com
o seu desempenho, mas ao mesmo tempo ligadas para um mesmo fim, o
produto industrial e a saúde da empresa.
Entretanto, ao final do século XIX várias mudanças haviam feito com que
o sistema contábil estabelecido por Pacioli assumisse uma forma mais
adequada às necessidades das grandes sociedades anônimas industriais que
caracterizam nosso mundo.

PERÍODO CIENTÍFICO

A fase científica da contabilidade tem início em 1840, apresenta dois


grandes autores, Francesco Villa, e Fábio Bésta, escritor veneziano.

FRANSCESCO VILLA
Nasceu em Milão, em 1801, foi contador e professor de contabilidade
italiano, a obra de Francesco Villa, sua principal obra foi, “La Contabilità
Applicatta alle Amministrazioni Private e Pubbliche”, ( A contabilidade aplicada
administrações públicas e privadas ), Segundo Francisco Villa a escrituração e
guarda livros poderiam ser feitas por qualquer pessoa inteligente. Para ele a
contabilidade implicava conhecer a natureza, os detalhes, as normas, as leis e
as práticas que regem as matérias administrativas, ou seja, o patrimônio. Era o
pensamento Patrimonialista, foi o início da fase cientifica da contabilidade.

Essa Escola Lombarda teve como seu principal mentor Francisco Villa,
defendia que o principal objetivo da contabilidade era a administração das
entidades. Vale lembrar que a administração de empresas ainda não se
constituía em um ramo independente do conhecimento, nessa época. A
contabilidade deixava de se limitar à apuração dos saldos das contas e
passava a se preocupar em como gerir as empresas.

Villa acreditava que a contabilidade não era somente um complexo de


conhecimento e de operações, para efetuar simples escrituração, e sim um
conhecimento com objetivos de controle de gestão, preocupava-se em
proceder a um cálculo de conveniência verificando o consumo dos bens, o
tempo necessário para o retorno do capital investido, o possível tempo de
permanência no mercado, o custo de aquisição de novas máquinas, de
matéria-prima, e outros desembolsos necessários para o empreendimento,
traduzindo assim a sua preocupação com o estudo econômico da gestão das
organizações.

Já na área pública, a Escola Lombarda defendeu que a contabilidade


pública deveria impedir o gasto inútil e a má administração do dinheiro público.
FÁBIO BÉSTA

Nasceu em Teglio de Valtellina, em 1845 e morreu em Tresivio em 1922,


graduou-se contador em 1868 pelo Instituto Técnico Comercial de Sondrio em
1872 foi nomeado professor de contabilidade na escola superior de comércio
em Veneza, cargo que ocupou até 1918.

Sua principal contribuição para a contabilidade é a criação da escola


controlista, através da sua obra ‘’La Ragioneria’’ que defendia que o principal
objetivo da contabilidade era o controle dos fatos econômicos.·.
Podem-se citar alguns benefícios da Escola Controlista ou Veneziana
para a contabilidade, tais como: A distinção entre a contabilidade geral
(entidades privadas) e a contabilidade aplicada (entidades publicas); A criação
jurídica dos Livros Fiscais; e a Personificação do Patrimônio Líquido.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A primeira coisa que pudemos notar foi a vasta riqueza que possui a história
da contabilidade. Esta, estando diretamente ligada com a história da sociedade,
engloba-a, ao ponto de que quem pretender estudar a história da civilização pode
encontrar seu caminho na história dessa disciplina. Porém, algo que nos
decepcionou muito e decepcionará qualquer aventureiro que pretenda estudar a
história da sociedade através da contabilidade foi o fato de que para essa questão
há pouquíssimos trabalhos, sobretudo na língua portuguesa.
O estudante brasileiro de contabilidade não achará facilmente alguém que
possa lhe dizer os seus antecedentes nessa ciência. Dirão uma ou outra citação de
um historiador saturado como sendo o único a trabalhar a questão e o estudante
ficará a mercê de cinco ou seis livros.
Nesse trabalho, compartilhamos dessa dificuldade descrita acima. Porém,
com o que pudemos estudar e apresentar no presente, muitas das expectativas
atuais do profissional da área nos foi iluminadas pela esperança que a história nos
proporciona. Nosso patrimônio histórico está cada vez mais rico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Hendriksen, Eldon S., Breda, Michal F. Van. Teoria da Contabilidade – 1ª Ed.
São Paulo, Atlas – 2010, p. 46.
Costa, Cristina, Sociologia: introdução à ciência da sociedade - 5. ed. –
São Paulo: Moderna 2016.
Hendriksen, Eldon S., Breda, Michal F. Van. Teoria da Contabilidade – 1ª
Ed. São Paulo, Atlas 2010. p. 39.
Hendriksen, Eldon S., Breda, Michal F. Van. Teoria da Contabilidade – 1ª
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Hendriksen, Eldon S., Breda, Michal F. Van. Teoria da Contabilidade – 1ª
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IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade – 10.ed. – São Paulo :
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