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CEM Dona Filomena Moreira De Paula

Aluno (a): Turma: ____


Professora: Alynne Souto
Disciplina: Arte
Data: ____/____/_______ - Miracema do Tocantins Bim.:

Arte Indígena Brasileira

A arte indígena está presente na essência do povo brasileiro, sendo um dos pilares para a cultura do
país, que é resultado da miscigenação de vários grupos, dentre eles os povos indígenas - os primeiros
habitantes do território nacional.
Atualmente, existem cerca de 3 centenas de etnias de índios no Brasil. Cada uma delas é detentora de
comportamentos diferentes, por conta do desenvolvimento de costumes próprios. Entretanto, existem
várias características comuns encontradas em diversas tribos.
Desta forma, cerâmica, máscaras, pintura corporal, cestaria e plumagem resultam em uma arte
tradicional compartilhada: a arte indígena.
Vale lembrar que a utilização de partes de animais no artesanato é exclusiva dos povos das florestas,
mas sua comercialização é proibida.
Além disso, é preocupante constatar que tal arte - tão importante e de valor inestimável - vem sendo
destruída vertiginosamente, assim como a própria população indígena.

Cerâmica Indígena

Peça de cerâmica da etnia Assurini, Xingu – PA

A cerâmica é um exemplo de arte que não está presente em todas as tribos indígenas, sendo ausente
entre os Xavantes, por exemplo.
É possível notar os costumes diversos dos povos indígenas através da observação desse tipo de arte.
Importante referir também que os índios não utilizam a roda do oleiro e, ainda assim, conseguem
desenvolver impressionantes peças.
A cerâmica é produzida principalmente pelas mulheres, que criam recipientes, bem como esculturas.
Para torná-las mais bonitas, costumam usar a pintura com padrões gráficos próprios.
A cerâmica do povo Marajoara, cujo nome advém do local onde ela teve origem (a Ilha de Marajó) é
conhecida no exterior e foi a primeira arte de cerâmica brasileira.

Máscaras Indígenas

Máscara indígena que faz parte do acervo do Museu de Arte Indígena (MAI), inaugurado em 2016 em São Paulo

As máscaras indígenas apresentam um simbolismo sobrenatural. Elas são feitas de cascas de árvores ou
outros materiais como palha e cabaças e podem ser enfeitadas com plumagem.
Normalmente, são utilizadas em ritos cerimoniais. Um exemplo é a tribo dos Karajá, que se serve das
máscaras durante a dança do Aruanã com o objetivo de representar heróis que conservam a ordem
mundial.
Diz a lenda que as máscaras indígenas, de um modo geral, representam as entidades que conflitavam
com os índios no passado. Deste modo, as festas e danças são feitas para alegrar e acalmar essas mesmas
entidades.
Há máscaras grandes, feitas com palhas compridas, que chegam a cobrir o corpo todo. A máscara de
cerâmica é exclusiva dos índios da etnia Mati.

Pintura Corporal Indígena

Pintura corporal em mulheres da etnia Kayapó

A pintura corporal é usada em certos rituais e de acordo com o gênero e a idade. Sua finalidade é
indicar os grupos sociais ou a função de cada indivíduo na tribo.
As tintas usadas nessa arte são naturais, ou seja, são feitas de plantas e frutos. O jenipapo é o fruto mais
utilizado para fazer tinta. Os índios o utilizam para escurecer a pele, enquanto o urucum, por sua vez, dá
o tom vermelho. Já o branco é conseguido através da tabatinga.
São as mulheres que pintam os corpos, cujos desenhos carregam valor simbólico, visando retratar um
momento ou um sentimento específico.
Os padrões gráficos mais elaborados fazem parte da cultura Kadiwéu. Já em 1560, essa pintura impactou
os colonizadores, os quais ficaram deslumbrados com tamanha destreza e beleza.
Infelizmente, hoje em dia essa tribo não realiza mais esse tipo de pintura corporal, empregando tais
padrões em peças de cerâmicas para vender aos turistas.

Cestaria Indígena

Exemplos de cestaria indígena

Os cestos são utilizados para uso doméstico, na manutenção e transporte de alimentos. É mais
confeccionado pelas mulheres, que desenvolvem variadas formas de trançados em diferentes formatos.
Os tipos mais comuns de utensílios são:
 Cestos-coadores - para coar líquidos;
 Cestos-tamises - para peneirar farinha;
 Cestos-recipientes - para guardar diferentes materiais;
 Cestos-cargueiros - para transportar cargas.
Arte Plumária Indígena

Exemplo de cocar indígena - ornamento decorativo para ser usado na cabeça

As plumas são utilizadas nos rituais e coladas diretamente no próprio corpo. Elas servem também para
ornamentar máscaras, colares, braçadeiras, brincos, pulseiras e cocares, os quais são feitos de penas e de
caudas de aves.
Tal como a pintura corporal, a plumagem serve também para indicar os grupos sociais.
Na maior parte são os homens que desenvolvem a arte plumária. Essa arte passa por um ritual: primeiro a
caça, passando pelo tingimento (a chamada tapiragem), pelo corte nas formas desejadas, e por fim, a
amarração.
Há tribos que destinam as pinturas ao uso cotidiano, deixando as plumas para as comemorações e rituais
indígenas, inclusive funerais.

HISTÓRIA DOS POVOS INDÍGENAS DO TOCANTINS.

No Tocantins, a modernidade convive em total harmonia com as tradições. Ao mesmo tempo em que a
capital do estado, Palmas, é a ultima cidade brasileira planejada do século 20, recebendo como moradores
pessoas de todo o país, existe no Tocantins uma população aproximada de 10 mil indígenas. Todos com
cultura e tradições muito bem preservadas.
São indígenas de sete etnias: Karajá, Xambioá, Javaé (que formam o povo Iny) e os Xerente, Krahô
Canela, Apinajè e Pankararú. Eles se distribuem em mais de 82 aldeias, em municípios de todas as
regiões do Estado.
Dependendo das peculiaridades e habilidades de cada etnia, os indígenas do Tocantins chamam a atenção
pela beleza do artesanato que fazem, pelas pinturas e adornos que enfeitam seus corpos nas festas e rituais
ou pela própria simbologia destes eventos seculares.

Povo Iny - Karajá, Xambioá e Javaé


Após longos períodos de migração devido as invasões de seu território e aos confrontos com outras etnias,
o povo Iny (Karajá, Karajá/Xambioá e Javaé) se firmou na Ilha do Bananal (os Karajá e Javaé, em aldeias
distintas) e no município de Xambioá (os Karajá/Xambioá).
Os indígenas que formam o Povo Iny falam a mesma língua, possuem os mesmos costumes e se
identificam uns com os outros como parentes. Embora geograficamente separados, pertencem aos
mesmos antepassados.
A característica desse povo é pertencer ao tronco lingüístico Macro-Jê, família e língua Karajá, e por ter a
coleta, a pesca e a agricultura como atividades.
O povo Iny organiza-se em famílias extensas que incluem, além da família nuclear, genros e netos. São
essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. Embora hoje tenham suas casas
permanentes em cima das barrancas do rio, durante o período da estiagem, passam a maior parte do tempo
nas praias, pescando e coletando. Quando chegam as chuvas, dedicam-se às atividades agrícolas. Cada
família tem o seu roçado e cultiva mandioca, banana, cana-de-açúcar, milho, batata-doce, cará e arroz.
O iny é excelente artesão da arte plumária (confecção de haretôs, colares, brincos, braçadeiras e
tornozeleiras), cerâmica (potes, pratos, tigelas e bonecas ornamentais - ritxokò ) e de cestaria, que serve
para transporte e armazanamento de mantimentos.

Xerente
Vivem na margem direita do rio Tocantins, próximos à cidade de Tocantínia, nas reservas indígenas
Xerente e Funil (que somam 183.542 hectares de área demarcada). Os Xerente também pertencem ao
grupo lingüístico Macro-Jê.
Os Xerente contam atualmente com uma população de quase 1.800 pessoas distribuídas em 33 aldeias.
Os 250 anos de contato dos Xerente com não-indígenas não afetaram sua identidade étnica. As rápidas e
intensas transformações sociais, políticas e econômicas que atingem a região na qual residem têm
proporcionado a esse povo, não sem dificuldades, uma participação ativa nos processos decisórios que os
envolvem.
Hábeis no artesanato em trançado, com a palha de babaçu e a seda do buriti eles produzem cestas, balaios,
bolsas, esteiras e enfeites para o corpo.
Festas: Festa de dar nomes – Wakê; Homenagem aos mortos – Kuprê; Padi – tamanduá bandeira; Corrida
de toras de buriti; Feira de Sementes do Cerrado.

Krahô

Vivem em aldeias de estrutura circular, com habitações em torno de uma área vazia. Neste pátio central
(ou Ka), que representa o coração da aldeia, eles se reúnem para dividir o trabalho e tomar as decisões da
comunidade.
Suas aldeias se localizam próximas aos municípios de Itacajá e Goiatins, no nordeste do Estado, em
reserva de 302.533 hectares e uma população aproximada de 830 habitantes. Também pertencem ao
tronco Macro-Jê.
A divisão de trabalho na aldeia é feita pela separação de sexo e idade. Os homens cuidam da agricultura e
das atividades guerreiras, caçam e pescam. Os caçadores, para serem bem-sucedidos, além de observar os
locais e ocasiões propícias para a caçada, devem conhecer bem os hábitos dos animais para melhor
procurá-los ou esperá-los. Também são utilizados recursos místicos. As mulheres fazem a coleta, plantam
e cuidam da casa. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo e os velhos são representantes da
tradição, conselheiros e sábios.
Os Krahô possuem como símbolo sagrado uma machadinha de pedra, que chamam de Khoyré e
acreditam ser responsável por manter a harmonia e o respeito dentro da comunidade. Mantêm a tradição
da corrida de toras de buriti. No artesanato, são hábeis em fazer trançados e artefatos de sementes nativas.
Festas: Festa da Batata (Panti - celebra a colheita e é realizada durante o verão); Festa do Milho (pônhê –
também celebra a colheita); Festa wythô; Empenação das Crianças, Feira da Semente e Corrida de Toras
(com participação de homens e mulheres que correm com toras de buriti especialmente preparadas para
cada tipo de festa).
Krahô-Canela
Este povo assim se auto-identifica como Krahô–Canela por ser descendente de duas etnias distintas:
Krahô e Canela, do povo Timbira (tronco Macro-Jê), originárias do Maranhão. Atualmente os Krahô-
Canela estão em processo ocupação das terras de mata alagada, no município de Lagoa da Confusão, ao
mesmo tempo em que se dedicam ao resgate de sua cultura.
Apinajé
Vivem na região Norte do Estado, em área de reserva que abrange parte dos municípios de
Tocantinópolis, Maurilândia, Cachoeirinha e Lagoa de São Bento, somando 141.904 hectares em sete
aldeias. Também pertencem ao tronco lingüístico Macro-Jê.
Os Apinajé sobrevivem da agricultura de subsistência, da caça e da coleta de babaçu - do qual extraem o
óleo das amêndoas e aproveitam a palha para fabricar utensílios domésticos e fazer a coberturas de suas
casas. As cascas do babaçu são utilizadas como lenha para cozinhar.
Tradicionalmente, plantam milho, mandioca, amendoim, feijão, batata-doce e inhame e coletam andu,
pequi, buriti, bacaba, bacuri, babaçu, açaí, murici, tucum e palmito, que complementam a alimentação.
Também produzem artesanato de sementes nativas do cerrado e das peças feitas em palha de babaçu, que
comercializam nas cidades vizinhas.
Os primeiros registros do povo Apinajé, na região onde vive hoje, vêm do ano de 1774. Em 1780, foi
criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os Apinajés, que eram conhecidos como
grandes guerreiros, os poderosos índios da região Norte. O avanço da colonização sobre as terras dos
Apinayés teve início em 1797, com a tentativa do governo de incentivar o povoamento da região.
Festas: Ritual de homenagem aos morto – Párkape e Ritual para retorno do espírito do doente ao corpo –
Mêkaprî

Pankararu
Localizados no município de Gurupi, terceira maior cidade do Tocantins, os Pankararu são originários do
sertão de Pernambuco, aldeia Brejo dos Padres. Há mais de 30 anos migraram para o antigo norte goiano,
expulsos pela ação dos posseiros.
Reconhecidos recentemente pela Funai, os Pankararu estão vivendo o processo de criação da sua reserva
indígena e o resgate do ritual “o encantado”.