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Equalização

Autor: Tamaba

Traduzido por Germano Lins

Breve introdução ao som: a frequência

O som é a vibração de um meio elástico, pode ser gasoso, líquido ou sólido. As


ondas geradas pela fonte sonora produzem certas variações de pressão no meio
(por exemplo, o ar ou a água), e isto é o que permite que sejam percebidas pelo
ser humano (se bem que ele não percebe qualquer variação; se esta for muito
rápida ou muito lenta, com certeza o ouvido humano não irá perceber). É por isso
que no espaço cósmico não existem sons, pois falta o meio por onde eles devem
discorrer: no espaço somente existe vazio, vácuo, e por isso não podem existir
variações de pressão audíveis.

Partindo desse pressuposto, podemos definir a frequência do som como a


quantidade de vibrações (ciclos) que produz um sinal por uma unidade de tempo (o
segundo). A unidade correspondente a um ciclo por segundo é o hertz (Hz). As
frequências mais baixas em hertz se correspondem com o que habitualmente
chamamos sons "graves”, sons de vibrações lentas. As frequências mais altas em
hertz se correspondem com o que chamamos "agudos" e são por isso vibrações
muito rápidas.

Como dissemos antes, o ser humano não pode captar qualquer vibração; o
espectro de frequências audível variará de acordo com cada pessoa, mas se aceita
como média o intervalo entre 20 Hz e 20 kHz. Nesta faixa de frequências existe
tudo o que nós, humanos, podemos ouvir; mais além disso estão os ultrasons
(acima de 20 Khz) e os infrasons (abaixo de 20 Hz), que são captados por alguns
animais que possuem um sistema auditivo mais desenvolvido que o do homem.

Cada instrumento musical, como qualquer outra fonte sonora, produz som em
uma zona determinada deste espectro de frequências audíveis; uns ocupam mais
espaço, outros menos. E é justamente aqui onde entram em cena os
equalizadores: estes dispositivos alteram a resposta em frequência de um som,
aumentando ou atenuando certas frequências.

Tipos de equalizadores

Existem vários tipos de equalizadores; o mais simples é o de tipo shelving, que


possui somente controle de graves e agudos; é encontrado em qualquer
equipamento comum. Normalmente, estes equalizadores aumentam ou atenuam 15
db em 100 Hz (graves) e em 10 KHz (agudos), se bem que isso pode variar de
acordo com cada modelo. Com um equalizador de três bandas já podemos
aumentar ou atenuar baixos, médios e agudos, também somente em frequências
fixas: por exemplo, em 100Hz (baixos), 2 KHz (médios) e 10 KHz (agudos).

Os equalizadores semiparamétricos são os que permitem escolher a frequência a


ser equalizada; desta forma podemos aumentar ou atenuar as frequências que nos
pareçam convenientes. Em um equalizador paramétrico temos, além disso, a
possibilidade de escolher a largura de banda (faixa de frequências afetadas a partir
da que foi escolhida) que queremos aumentar ou atenuar. Este parâmetro é
conhecido como "Q".

Por último, os mais comuns são os equalizadores gráficos, que normalmente vão
desde 5 até 31 bandas de frequência fixas, ainda que às vezes encontramos
aparatos mais complexos, com mais bandas (na imagem a seguir vemos um de 10
bandas por canal).

Os equalizadores possuem basicamente estas aplicações:

Resolver problemas
Os equalizadores podem ser utilizados como filtros, para atenuar ou eliminar
frequências que incomodam, ruídos ou interferências que se misturam com o som.
Por exemplo, o hum produzido por uma fonte de alimentação ruim se reduz
atenuando-se em 50-60 Hz aproximadamente. O hiss, tão comum nas fitas
cassetes, pode ser diminuído atenuando-se as altas frequências. Em geral, os
problemas ocorrem numa faixa determinada de frequências, por isso é que os
equalizadores paramétricos são os ideais para este propósito. Outro problema
comum é o mascaramento: um instrumento com ressonância ou pico em uma
determinada frequência. Apesar deste instrumento soar bem quando está sozinho,
ao mixá-lo com outros poderá haver interferências na clareza destes, portanto é
recomendável atenuar estas frequências, comprimi-las ou limitá-las.

Afetar a personalidade de um som


Os EQ também podem variar o caráter de um instrumento. Isto se consegue
alterando a frequência fundamental ou os harmônicos, considerando sempre
que se todos os instrumentos forem alterados separadamente para depois serem
mixados não se assegura um bom resultado na mixagem. Para equalizar
corretamente um instrumento utilize a seguir nossa tabela de frequências dos
instrumentos musicais:
Instrumento Fundamental Harmônicos
Flauta 261-2349 3-8 KHz
Oboé 261-1568 2-12 KHz
Clarinete 165-1568 2-10 KHz
Fagot 62-587 1-7 KHz
Trompete 165-988 1-7.5 KHz
Trombone 73-587 1-4 KHz
Tuba 49-587 1-4 KHz
Tambor 100-200 1-20 KHz
Bumbo 30-147 1-6 KHz
Pratos 300-587 1-15 KHz
Violino 196-3136 4-15 KHz
Viola 131-1175 2-8.5 KHz
Cello 65-698 1-6.5 KHz
Baixo acústico 41-294 1-5KHz
Baixo elétrico 41-300 1-7 KHz
Guitarra acústica 82-988 1-15 KHz
Guitarra elétrica (amplif.) 82-1319 1-3.5 KHz
Guitarra elétrica (direta) 82-1319 1-15 KHz
Piano 28-4196 5-8 KHz
Sax Soprano 247-1175 2-12 KHz
Sax alto 175-698 2-12 KHz
Sax tenor 131-494 1-12 KHz
Cantor 87-392 1-12 KHz

Idéias para uso prático dos equalizadores

Como regra geral, a cada instrumento podemos dar corpo aumentando a sua
frequência fundamental. Devemos atenuá-la se o som for muito grave ou
indefinido. Aumentando os harmônicos damos mais presença e definição, devemos
atenuar também se o som for muito violento. Por outro lado, considere que
equalizações extremas reduzem a fidelidade, mas podem criar efeitos
interessantes: por exemplo, cortando bruscamente os graves e os agudos de uma
voz conseguimos obter o efeito de telefone.

A seguir daremos algumas sugestões de frequências que podem ser ajustadas com
os equalizadores. Se quisermos obter o efeito desejado, aumentamos nessa
frequência; se não quisermos, atenuamos (na imagem, um EQ do Cubase
configurado para reduzir os hiss e hums de uma trilha de voz).
· Baixo: Corpo e profundidade em 60 Hz, áspero em 600 Hz, presença em 2.5 kHz.

· Violão: Corpo em 80 Hz, presença em 5 kHz.

· Guitarra elétrica: Pegada em 60 Hz, corpo em 100 Hz, estridente em 600 Hz,
presença em 2-3 kHz.

· Bateria: Corpo em 100 Hz, apagada em 250-600 Hz, trash de 1 a 3 kHz, ataque
em 5 kHz, seca e enérgica em 10 kHz.

· Bumbo: Corpo e potência abaixo de 60 Hz, acartonado 300-800 Hz (cortamos de


400 a 600 para conseguir uma melhor tonalidade), e o kick ou ataque em 2-6 kHz.

· Percussão: Brilho e presença em 10 kHz.

· Sax: Quente em 500 Hz, duro em 3 kHz, som das chaves acima de 10 kHz.

· Voz: Corpo em 100-150 Hz (homem), corpo em 200-250 (mulher), som nasal em


500-1000 Hz, presença em 5 kHz, e som de 's' acima de 6 kHz.

Temos que usar os EQ quando gravamos ou quando mixamos?


Se estamos gravando todos os canais em separado, o que normalmente se faz é
gravar todos os EQ planos e equalizar durante a fase de mixagem. Esta é a melhor
solução, porque as coisas se alteram quando ouvimos todos os instrumentos juntos
ao mesmo tempo. Se, ao invés disso, temos que fazer pré-mixagens antes de
gravar, devemos equalizar antes de pré-mixar. Você também deve saber que, ao
usar microfones, antes de usar um EQ você deve tentar conseguir a alteração de
tonalidade alterando o posicionamento dos microfones e não equalizando. Isto dá
um efeito mais natural. Por fim, lembre-se que os EQ trabalham melhor quando são
utilizados sutilmente (variações de 2 ou 3 dB são mais que suficientes para a
maioria dos casos).

O erro mais comum é iniciar adicionando graves em tudo; desse jeito a mixagem
irá soar grave e turva. Aí então aumentamos os agudos para tentar consertar o
erro, mas vemos logo que os médios ficam débeis... ou seja, fica tudo
descontrolado. Um bom conselho é utilizar a EQ com bypass para ir ouvindo e
controlando a equalização a todo o momento.