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UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DeFEM – Departamento de Física, Estatística e Matemática

NIVELAMENTO EM MATEMÁTICA PARA


CURSOS DE ENGENHARIA

Material elaborado por:


Ângela Patrícia Grajales Spilimbergo
Cláudia Piva
Lecir Dalabrida Dorneles

Com colaboração de:


Angéli Cervi Gabbi

Ijuí, Rio Grande do Sul, Brasil


2011
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO .................................................................................................................... 03

Módulo I .................................................................................................................................... 04
Seção 1.1 - Operações envolvendo sinais e expressões numéricas .......................................... 04
Seção 1.2 - Operações com frações ........................................................................................... 09
Seção 1.3 - Fatoração e simplificação algébrica ......................................................................... 14
Seção 1.4 - Potenciação Radiciação ........................................................................................... 20

Módulo II ................................................................................................................................... 25
Seção 2.1 - Razão e Proporção .................................................................................................. 25
Seção 2.2 - Grandezas proporcionais ......................................................................................... 30
Seção 2.3 - Regra de três simples e composta ........................................................................... 31
Seção 2.4 – Porcentagem ........................................................................................................... 38

Módulo III ................................................................................................................................. 42


Seção 3.1 - Critérios de arredondamento .................................................................................... 42
Seção 3.2 - Notação científica .................................................................................................... 43
Seção 3.3 - Conversão de unidades ........................................................................................... 45

Módulo IV .................................................................................................................................. 50
Seção 4.1 - Equações exponenciais ........................................................................................... 50
Seção 4.2 - Logaritmos ............................................................................................................... 55

Módulo V ................................................................................................................................... 66
Seção 5.1 - Matrizes e Determinantes ........................................................................................ 66
Seção 5.2 - Sistemas lineares ..................................................................................................... 77

Módulo VI .................................................................................................................................. 88
Seção 1.1 – Trigonometria ....................................................................................................... 88

Módulo VII ................................................................................................................................ 108


Seção 2.1 - Funções: Definição; Domínio e Imagem; Gráficos ................................................ 108
Seção 2.2 - Funções polinomiais ............................................................................................. 116

Módulo VIII ............................................................................................................................... 130


Seção 3.1 – Vetores ................................................................................................................ 130
Seção 3.2 - Números complexos ............................................................................................. 139

2
Apresentação

Frequentemente, o ensino de Matemática nas universidades, surpreende os alunos que


acabaram de concluir o Ensino Médio e ingressam em cursos superiores como: Engenharias,
Matemática, Física, Ciência da Computação, Administração, Economia entre outros, fazendo-os
sentirem-se inseguros ao cursar as disciplinas que envolvem a Matemática.

O ingressante no Ensino Superior, em cursos como os mencionados acima, se defronta com


inúmeros conceitos novos em disciplinas como Cálculo Diferencial e Integral e Geometria Analítica
e Vetores, os quais pressupõe uma base sólida de conceitos básicos de Matemática que vão dar
suporte para o novo a ser estudado.

Assim, com o objetivo de abordar de maneira direta e objetiva conceitos básicos de


Matemática foi elaborado este material que não é excessivamente rigoroso, mas expõe, de maneira
clara e didática os tópicos mais importantes e necessários para uma boa compreensão dos conceitos
novos que serão estudados, em disciplinas como as mencionadas acima.

Nossa experiência profissional mostra, que mesmo que as noções teóricas sobre o assunto
sejam absorvidas rapidamente pelos alunos, nem sempre essas são bem compreendidas por eles.
Assim, para tornar a aprendizagem uma tarefa menos árdua e para proporcionar melhorias de
desempenho dos alunos, este material foi desenvolvido e consta dos seguintes tópicos: Operações
algébricas, grandezas, conversão de unidades, exponenciais, logaritmos, matrizes, determinantes,
sistemas lineares, Trigonometria, Funções, Vetores e Números Complexos.

3
MÓDULO I

Seções deste Módulo


1.1. Operações envolvendo sinais e expressões numéricas
1.2. Operações com frações
1.3. Fatoração e Simplificação algébrica
1.4. Potenciação e Radiciação

Objetivos
Instrumentar o aluno, para que o mesmo seja capaz de: realizar operações envolvendo sinais,
realizar operações com frações, realizar processos de fatoração e simplificação algébrica e operar
com potências e radicais.

Seção 1.1

Operações envolvendo sinais e expressões numéricas


a) Operações envolvendo sinais
Um dos fatores responsáveis pelo grande número de erros nos desenvolvimentos das
operações matemáticas é sem dúvida a regra de sinais. Para entendermos como ela funciona, o
conceito de positivo (+) e negativo (-) deve ser bem assimilado. Para isso, vamos começar entendo a
situação a seguir:

Se tenho, por exemplo, R$ 10,00 e recebo mais R$ 5,00, fico com R$ 15,00; ou se devo R$
10,00 a Pedro e devo R$ 5,00 a Maria então devo ao todo R$ 15,00 — (sinais iguais soma-se e
repete o sinal); agora se tenho os mesmos R$ 10,00 e gasto R$ 5,00 fico com R$ 5,00; ou se tenho
R$ 5,00 e devo a João R$ 10,00, só posso pagar o que tenho, isto é, os R$ 5,00, e ainda assim fico
devendo R$ 5,00 — (sinais diferentes subtraí-se e dá o sinal do maior número em valor
absoluto).

Então na adição, SINAIS IGUAIS, somamos e repetimos o sinal e SINAIS DIFERENTES


subtraímos e repetimos o sinal do maior valor absoluto, isto é, o sinal do número de maior valor.

Para visualizar as operações de adição e subtração, representamos os números inteiros


como pontos de uma reta.

4
Na operação 9 + 5 = 14, partimos do número 9, andamos 5 unidades para a direita e chegamos ao
número 14.

Na operação 9 - 5 = 4, partimos do número 9, andamos 5 unidades para a esquerda e chegamos ao


número 4.

Na operação 5 + 9 = 14, partimos do número 5, andamos 9 unidades para a direita e


chegamos ao número 14.

Na operação 5 - 9 = - 4, partimos do número 5, andamos 9 unidades para a esquerda e chegamos ao


número - 4.

Para resumir:

• Escrever 5 ou + 5 é a mesma coisa.


• Quando sinais de números e sinais de operações aparecerem juntos, então:

(+) e (+) = (+) (-) e (-) = (+)

(+) e (-) = (-) (-) e (+) = (-)

Exemplos:

Para sinais iguais

• Com o símbolo da adição explícito

símbolo da adição ( + )

(+5) + (+3) = +8 (–3) + (–6) = –9

sinal positivo ( + ) sinal negativo ( – )

5
• Com o símbolo da adição implícito (sem aparecer)

+7 + 5 = +12 – 5 –7 = –12

Para sinais diferentes


+2 + (–5) = –3 +8 – 2 = +6 –7 + 10 = +3

Na subtração, basta eliminar os parênteses e passamos a ter uma adição.

símbolo da subtração ( – )
7 – (–6) = 7 + 6 = 13 (+6) – (+2) = 6 – 2 = 4
sinal negativo ( – ) sinal positivo ( + )

Veja a seguir, como devemos proceder numa situação em que há soma e subtração de
diversos números.
53 - 25 + 65 - 30 - 18 =
A melhor forma de realizar esse cálculo é somar os números positivos, somar os números
negativos e depois subtrair o segundo resultado do primeiro. Assim:
(53 + 65) - (25 + 30 + 18) = 118 - 73 = 45

Na multiplicação e divisão, basta contarmos os sinais NEGATIVOS (–). Se a quantidade de sinais


negativos for PAR dará POSITIVO (+) e se a quantidade de sinais negativos for ÍMPAR, dará
NEGATIVO (–).

Exemplos:
a) (+2) . (+7) = +14 (nenhum negativo, logo, um número par de negativos);
b) +3 . (–4) = –12 (apenas um negativo, logo número ímpar de negativos);
c) (–12) : (–4) = +3 (número par de negativos);
d) (–2)3 = –8 (aqui, quem conta os negativos da base é o valor do expoente, logo, ímpar).
Tal regra ainda pode ser utilizada na eliminação de parênteses, como foi realizada nos exemplos
da operação de subtração:
– (–4) = + 4 (número par de negativos);
– (+3) = – 3 (número ímpar de negativos).

6
Resumindo
 o produto ou a divisão de um positivo por um negativo é negativo:
(–3) . 2 = (–3) + (–3) = – 6 (–16) : (4) = - 4

 o produto ou a divisão de um negativo por um negativo é positivo:


(–3) . (–5) = 15 (–16) : (- 4) = 4

a) Expressões numéricas
Nas expressões numéricas contendo as operações de adição, subtração, multiplicação e
divisão são adotadas as seguintes regras:
1ª) Primeiramente devem ser realizadas as operações multiplicativas, ou seja, a multiplicação e a
divisão, na ordem em que aparecem;
2ª) As operações aditivas, ou seja, adições e subtrações, na ordem em que aparecem;
3ª) Se nas expressões numéricas aparecerem parênteses, colchetes e chaves, a regra é a seguinte:
primeiro são efetuadas as operações de dentro dos parênteses, depois as que sobraram dentro dos
colchetes, depois as que ficaram dentro das chaves (sempre de dentro para fora) e, por fim, as que
ficaram fora das chaves.

Exemplo:
Somar primeiro
1000-{987-[6.(5+4)+3].2+1} = 1000 - {987-[6.9+3].2+1}
= 1000 - {987-[54+3].2+1}
= 1000 - {987-57.2+1}
= 1000 - {987-114+1}
= 1000 - 874
= 126

Hoje em dia, com as calculadoras e os computadores, os colchetes e as chaves perderam


a importância. Veja a equivalência do exemplo anterior:
1000 - {987-[6.(5+4)+3].2+1} = 1000 - (987-(6.(5+4)+3).2+1)
= 1000 - (987-(6.9+3).2+1)
= 1000 - (987-(54+3).2+1)
= 1000 - (987-57.2+1)
= 1000 - (987-114+1)

7
= 1000 - 874
= 126

Observação:
Nas calculadoras não há espaço para as teclas com [ ] e { }. Por isso, usamos apenas os
parênteses. O que devemos lembrar é que o número de parênteses de abertura deve ser
igual o número de parênteses de fechamento.

Exercícios
Resolva as seguintes expressões.

a) − 5 + (− 6 ) − (− 8)
b) − 10 − (− 8 + 3)
c) − 5 − (− 2 − 6 + 1) + (− 3 − 4 )
d) (7 − 3) + (− 8 + 1) − (5 − 8)
e) − (− 2) + (− 3) − {− 2 + [− 1 − (− 2 + 1)] + 5}

f) 20 − {− 10 − [− 8 + (5 − 12)] − 20}
g) − 3 ⋅ (− 4 ) + (− 6 ) ⋅ (5)

h) (− 2) ⋅ (3) + {2 ⋅ [− 3 + (− 2) ⋅ (− 4)]}
i) (− 4 + 20) ÷ (− 8)
j) [− 20 + (− 12 + 4)] ÷ [1 + (− 3) ⋅ (− 2)]
k) − 5 + {3 − (12 ÷ 3) + (12,4 − 0,565)} − 15
l) 300 − 7 ⋅ 8 + 80 ÷ 5
m) 40 + (15 + 4 ⋅ (90 ÷ (21 − 4 ⋅ 3)) + 7 ) ÷ 31

Gabarito

a) -3 b) -5 c) -5 d) 0 e) -4 f) 35 g) -18

h) 4 i) -2 j) -4 k) -9,165 l) 260 m) 42

8
Seção 1.2

Operações com Frações


a) Frações
a
Chama-se fração todo par
b (leia: a sobre b) de números naturais em que:

• O segundo número (b), chamado de denominador, indica em quantas partes iguais a unidade foi
dividida;

• O primeiro número (a), chamado numerador, indica quantas partes da unidade foram tomadas

O numerador e o denominador são os termos da fração.

Observações gerais sobre frações


• Quando multiplicamos ou dividimos os termos de uma fração por um mesmo número natural,
diferente de zero, obtemos uma fração equivalente à fração inicial (propriedade fundamental).
Por exemplo, as frações abaixo são todas equivalentes entre si:
2 4 14 20
~ ~ ~
3 6 21 30

• Simplificar uma fração é dividir seus termos por um mesmo número diferente de zero e obter
termos menores que os iniciais.
14 2
Por exemplo, simplificando a fração obtemos a fração .
21 3

• Quando simplificamos uma fração e obtemos uma nova fração que não pode ser simplificada,
dizemos que foi obtida a forma irredutível da fração dada.

12 3
Por exemplo, simplificando a fração obtemos a fração , que está na sua forma irredutível.
44 11

9
b) Operações com frações
I. Adição e subtração de frações
A soma de frações com denominadores iguais é uma fração cujo denominador é igual ao das
a c a+c
parcelas e cujo numerador é a soma dos numeradores das parcelas, ou seja: + =
b b b .
2 3 5
Exemplo: + =
7 7 7

A diferença de duas frações com denominadores iguais é uma fração cujo denominador é
a c a−c
igual ao das frações dadas e cujo numerador é a diferença dos numeradores, isto é: − =
b b b .
8 5 3
Exemplo: − =
11 11 11

Quando vamos somar ou subtrair frações que tem denominadores diferentes devemos
primeiro reduzi-las ao mesmo denominador e, em seguida, aplicar as regras anteriores. Dadas as frações
a c
irredutíveis b e d

a c a⋅d + b⋅c
- Na adição temos b + d = b⋅d
, b ⋅ d é o mmc de b e d

a c a ⋅d −b⋅c
- Na subtração temos b − d = b⋅d
, b ⋅ d é o mmc de b e d

Observação. O mmc representa o menor múltiplo comum dos denominadores de uma fração.
Exemplos:
4 5
a) +
9 6

O primeiro passo é reduzir as frações ao mesmo denominador. Para isso devemos encontrar o
mmc(9, 6) que é 18. Então:

4 5 4 ⋅ 2 + 5 ⋅ 3 8 + 15 23
+ = = =
9 6 18 18 18
10
2 3
b) −
3 4
O primeiro passo é reduzir as frações ao mesmo denominador. Para isso devemos encontrar o
mmc(3, 4) que é 12. Então:

2 4 2⋅4 − 4⋅3 8 − 9 1
− = = =−
3 4 12 12 12

Exercício
Calcule o valor de cada expressão.

3 2 1 4 2 5 1 1 1
a) + − b) − + − c) 1 − − −
4 5 10 5 9 3 2 4 8

7   1  9   5 1  1 1 7 5
d) − 2 −  − 1 e) − + − 1 −  − +  f) 1 +  −  −  − 
3   3  2   8 4   2 5  4 4

Gabarito

21 101 1 1 41 4
a) b) − c) d) − e) − f)
20 45 8 3 8 5

II. Multiplicação de frações


O produto de duas frações é uma fração cujo numerador é o produto dos numeradores e cujo
denominador é o produto dos denominadores das frações dadas.

Exemplos:
3 1 3 ⋅1 3 3 5 − 3 ⋅ 5 − 15 3 3 ⋅ 6 18
a) ⋅ = = b) − ⋅ = = c) ⋅6 = =
5 2 5 ⋅ 2 10 4 7 4⋅7 28 5 5 ⋅1 5

2 − 5 ⋅ −2 10 11 4 11 ⋅ 4 44 11
d) − 5 ⋅ − = = e) ⋅ = = =
7 1⋅ 7 7 8 7 8 ⋅ 7 56 14

11
Observação.
Depois de calcular o produto de duas frações, devemos simplificar a fração obtida, colocando-a
na forma irredutível. Ou podemos cancelar os fatores comuns aos numeradores e aos denominadores
antes de fazer a multiplicação.
4 20 4 16 2 9 7 3 7 21
a) ⋅ = 4⋅ = b) ⋅ ⋅ = 1⋅ ⋅ =
5 7 7 7 3 5 22 5 11 55

Exercícios
Efetue as multiplicações de frações a seguir.
 14   9   25  2  1  3
a) (− 3) ⋅   b)  −  ⋅  −  c)   ⋅  −  ⋅  − 
5  5   36  3  2  7

13 72 5 24 55
d) ⋅ e) ⋅− ⋅−
60 11 18 25 54

Gabarito
42 5 1 78 22
a) − b) c) d) e)
5 4 7 55 81

III. Divisão de frações


A divisão de uma fração por outra é igual ao produto da primeira fração pelo inverso da segunda.

Exemplos:
3 3 3 2 2 3 5 3 7 21
a) ÷ = ⋅ = b) − ÷ =− ⋅ =−
5 2 5 3 5 4 7 4 5 20
2 7 35 11 11 1 11
c) − 5 ÷ − = −5 ⋅ − = d) ÷3 = ⋅ =
7 2 2 8 8 3 24

12
Exercícios
1) Efetue as divisões de frações a seguir
 3  3 1
÷ (− 2 )
4 11 11 7 11
a)   ÷   b) − 5 ÷   c) − d) ÷ e) ÷
5  4 6 3 2 5 3 6

2) Encontre o valor das expressões.

1 3 1 3 3 2 1 4 21 20 2 9 1 2 1
a) ⋅ + ⋅ b)  + ÷ +  c) ⋅ − ⋅ d) + 3⋅ −
2 4 5 2 4 4 3 3 4 14 27 10 2 5 4

1 1 1 1 1 1 5  1 4  1 3 10 7   1 3
e)  −  ÷  −  f)  + +  ÷  2 − +  g)  ⋅ + ⋅  ÷  2 − ⋅ 
 2 3  4 6 2 3 4  4 3 3 5 7 5  2 4

 2 9 5 10   37   1  1  1  1
h)  ⋅ − ÷  ÷ 2 −  i) 1 −  ⋅ 1 −  ⋅ 1 −  ÷ 1 − 
 3 8 49 7   28   2  3  4  5

Gabarito
Questão 01:

4 2 5 14
a) b) − 30 c) d) e)
5 3 2 11

Questão 02:

27 3 223 29 25
a) b) c) d) e) 2 f)
40 4 30 20 37

88 5
g) h) 1 i)
65 16

13
Seção 1.3

Fatoração e Simplificação algébrica


Um polinômio é uma expressão algébrica racional inteira. São exemplos de polinômios:

a) 3x b) 3 x + 7 y 1 2 3
c) a + 2a − 3b −
2 5

Fatorar um polinômio significa escrevê-lo na forma de um


produto indicado. Fatorar é o mesmo que decompor em fatores ou
transformar em produto.

a) Caso do fator comum


Observe o polinômio: ax + ay

Ele é formado por dois termos ax e ay que apresentam em comum o fator a. Pela propriedade
distributiva, sabemos que:
ax + ay = a( x + y )

O produto a ( x + y ) é a forma fatorada do polinômio dado. Na forma fatorada a ( x + y ) ,


dizemos que o fator comum a está colocado em evidência.

Exemplos:

a) 6 x 3 y − 9 x 2 y 2 = 3 x 2 y (2 x − 3 y ) b) 15 x 3 − 10 x 2 = 5 x 2 (3x − 2 )

c) 2ax 3 − 3a 2 x 2 = ax 2 (2 x − 3a )

14
b) Caso do agrupamento
Observe os termos do polinômio: ax − mx + ay − my
Os dois primeiros termos apresentam fator comum x e os dois últimos apresentam o fator comum
y. Vamos agrupar os termos e colocar em evidência os fatores comuns:
(ax − mx) + (ay − my )
(colocando em evidência no primeiro termo o x e o y no segundo termo)
x(a − m ) + y(a − m )

Temos a soma de dois produtos. Nesses produtos, (a − m ) é o fator comum. Colocando (a − m )


em evidência, temos:
(a − m)(x + y )

Com isso, transformamos o polinômio dado no produto (a − m)( x + y ) , que é a forma fatorada
dele. Então:
ax − mx + ay − my = (a − m)( x + y )

Exemplos:

a) 5( x − y ) − a( x − y ) = ( x − y )(5 − a )

b) ax − bx + 2a − 2b = x(a − b ) + 2(a − b ) = (a − b )( x + 2)

c) xy + 2 x − 3 y − 6 = x( y + 2) − 3( y + 2) = ( y + 2)( x − 3)

d) x 2 + 2 xy + 3x + 6 y = x( x + 2 y ) + 3( x + 2 y ) = ( x + 2 y )( x + 3)

c) Caso da diferença de dois quadrados


Você sabe quando um monômio é um quadrado perfeito?
Um monômio é denominado quadrado perfeito quando ele é igual ao quadrado de outro
monômio.

15
Exemplos:

1) 25x é quadrado perfeito, pois 25 x 2 = (5 x )


2 2

2) x 4 é quadrado perfeito, pois x 4 = (x 2 )


2

(
3) a 4 b12 é quadrado perfeito, pois a 4 b12 = a 2 b 6 )2

A expressão a 2 − b 2 representa a diferença de dois quadrados: a 2 e b 2 . A diferença de dois

quadrados é um produto notável. Sabemos que a 2 − b 2 é igual ao produto da soma (a + b ) pela

diferença (a − b ) , isto é:

a 2 − b 2 = (a + b )(a − b )
A forma fatorada de uma diferença de dois quadrados é o produto da soma pela diferença das
bases deles na ordem dada. Assim:

(a + b) ⋅ (a − b) é a forma fatorada de a 2 − b 2 .

Exemplos:
a) x 2 − 9 = ( x + 3)( x − 3) c) x 4 − y 4 = (x 2 + y 2 )(x 2 − y 2 )

b) 25a 2 − 1 = (5a + 1)(5a − 1) d) 2 x 2 − 3 = ( 2x + 3 )( 2x − 3 )

d) Caso do trinômio quadrado perfeito

O trinômio a 2 + 2 ab + b 2 é denominado trinômio quadrado perfeito, porque é igual ao


quadrado do binômio (a + b ) :

a 2 + 2ab + b 2 = (a + b )
2

16
O trinômio a 2 − 2ab + b 2 é denominado trinômio quadrado perfeito, porque é igual ao
quadrado do binômio (a − b ) :

a 2 − 2ab + b 2 = (a − b )
2

Resumindo temos:

1) (a + b)2 é a forma fatorada do trinômio a 2 + 2ab + b 2 .

2) (a − b)2 é a forma fatorada do trinômio a 2 − 2ab + b 2 .

Exemplos:
a) x 2 + 10 x + 25 = ( x + 5) b) a 2 − 6ab + 9b 2 = (a − 3b ) c) 9a 2 x 2 − 6ax + 1 = (3ax − 1)
2 2 2

e) Caso do trinômio do 2º grau


Observe os cálculos seguintes em que efetuamos as multiplicações do tipo ( x + a )( x + b ) termo a
termo:

1) (x + 2)(x + 3) = x 2 + 3x + 2 x + 6 = x 2 +{5 x +{
6
2+ 3 2⋅3

2) (x − 3)(x − 5) = x 2 − 3x − 5x + 15 = x 2 − 8 x+ {
{ 15
( −3 )+( −5 ) ( −3 )⋅( −5 )

3) (x + 4)(x − 2) = x 2 + 4 x − 2 x + 8 = x 2 {
+2 x −
{ 8
4+ ( − 2 ) 4⋅( − 2 )

Quando efetuamos uma multiplicação da forma (x + a )(x + b ) , em que a e b são números


conhecidos, tendo soma a + b = s e produto a ⋅ b = p , obtemos:
17
(x + a )(x + b) = x 2 + bx + ax + ab
= x 2 + (bx + ax ) + ab
= x 2 + (b + a )x + ab
{
123
↓ ↓

= x2 + s x + p

Fatoração do trinômio x 2 + s x + p

A expressão x 2 + s x + p , em que s e p são números conhecidos, é um trinômio do 2º grau na


variável x. Descobrindo dois números a e b que tem soma igual a s e produto igual a p, ou seja:
a+b = s e a ⋅ b = p podemos escrever: x 2 + sx + p = ( x + a )( x + b ) que é a forma fatorada do
trinômio do 2º grau.

Exemplos:
1) Fatorar x 2 + 5 x + 6
Neste caso, temos s = 5 e p = 6
Então, quais são os dois números que tem soma s = 5 e produto p = 6 ?

São 2 e 3 , porque 2 + 3 = 5 e 2 ⋅ 3 = 6 . Logo, x + 5 x + 6 = ( x + 2 )( x + 3)


2

2) Fatorar x 2 − 5 x + 6
Neste caso, temos s = −5 e p = 6
Então, quais são os dois números que tem soma s = −5 e produto p = 6 ?

São − 2 e − 3 , porque − 2 − 3 = −5 e (− 2) ⋅ (− 3) = 6 . Logo, x − 5 x + 6 = ( x − 2 )( x − 3)


2

3) Fatorar x 2 + 2 x − 8
Neste caso, temos s = 2 e p = −8
Então, quais são os dois números que tem soma s = 2 e produto p = −8 ?

São 4 e − 2 , porque 4 − 2 = 2 e 4 ⋅ (− 2) = −8 . Logo, x + 2 x − 8 = ( x + 4 )( x − 2)


2

18
Exercícios
1) Fatore, colocando em evidência os fatores comuns.

a) kx + k b) 4kp + 8kq − 12k c) x 4 − x 3 + x 2

d) x 3 y 2 + x 2 y 2 + xy 2 e) − am − bm f) 15a 2 x 2 − 5a 2 x 4 + 10a 2 x 3

g) mp + np − mq − nq h) x 3 − 5 x 2 + 4 x − 20 i) abx + aby + a xy + b xy
2 2 2 2

j) 3( x − 1) + a( x − 1) + a 2 ( x − 1) k) (a + b ) + (a + b )
3 2

2) Fatore os trinômios abaixo.

a) x 2 + 4 x + 3 b) x 2 − 7 x + 10 c) x 2 + 3 x − 18

d) y 2 + 4 y − 5 e) t 2 − t − 12 f) a 2 + 10 a + 24

x 2 + 4x + 3
3) Supondo x ≠ -1, simplifique a fração algébrica .
x +1

x 2 + 8 x + 15
4) Simplifique a fração algébrica , supondo x 2 + 4 x − 5 ≠ 0 .
x + 4x − 5
2

Gabarito
Questão 01
a) k (x + 1) e) − m(a + b ) i) (bx + ay )(ax + by )
b) 4k ( p + 2q − 3) (
f) 5a 2 x 2 3 − x 2 + 2 x ) j) (x − 1)(3 + a + a 2 )
c) x 2 (x 2 − x + 1) g) (m + n )( p − q )
k) (a + b )2 (a + b + 1)
d) xy 2 (x 2 + x + 1) h) (x 2
)
+ 4 ( x − 5)

Questão 02
a) ( x + 3)( x + 1) b) ( x − 2)( x − 5) c) ( x + 6)( x − 3)

19
d) ( y + 5)( y − 1) e) (a + 4)(a + 6) f) (t − 4)(t + 3)

Questão 03 Questão 04
(x + 3) x+3
x −1

Seção 1.4

Potenciação e Radiciação
a) Potenciação
O que é potenciação? Potenciação é uma operação que consiste em elevar um número a um
expoente dado, ou seja, an onde a é um número real.
an = x a ∈ R ⇒ a ⋅ a ⋅ a...a = x

Nomenclatura:
a – base da potência;
n – expoente;
x – potência

O expoente “n” pode ser maior ou igual a 1, nulo ou negativo.


 Se n > 1, inteiro, então: an = a . a .a . . . a (n vezes)
 Se n = 1, então: a1 = a
1
 Se a ≠ 0 e n = - 1, então: a −1 =
a
n
1 1
 Se a ≠ 0 e n > 1, inteiro, então: a −n =   = n
a a

20
b) Propriedades da potenciação

(
1ª - Produto de potências de mesma base: a m ⋅ a n = a m + n )

Exemplo: ( 2 3 ⋅ 2 5 ) = 2 3+ 5 = 2 8

2ª - Quociente de potências de mesma base:


(a m
)
÷ a n = a m−n

 53  1
Exemplo:  5  = 5 3−5 = 5 −2 Pela definição de expoente negativo 5 −2 =
5  52

3ª - Potência de uma potência:

(a )
m n
= a m⋅n

Exemplo: (9 ) 2 3
= 9 2⋅3 = 9 6

4ª - Potência de um produto ou quociente:

(a ⋅ b )m = a m ⋅ b m e (a ÷ b )m = am ÷ bm
 56 
Exemplo:  4  = 5 6−4 = 5 2
5 

21
Curiosidades:
1. Se “a” é um número natural diferente de zero, qual é o valor de a0?

Demonstração
Podemos escrever: a0 = an ÷ an , pela propriedade da potência
an
a n ÷ a n = a n − n , mas a n ÷ a n = n
= 1 , logo a 0 = 1 .
a

2. Sobre as potências 52 e 25, o que podemos afirmar?


Que são diferentes, pois pela definição de potência temos 5 2 = 5 ⋅ 5 = 25 e
2 5 = 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 2 ⋅ 2 = 32

c) Radiciação
O que significa radiciação? Radiciação indica que x
a = b ⇔ b x = a onde (x ∈ N e x > 1), ou
seja, é a operação inversa da potenciação. Nestas condições observamos que, um expoente fracionário
pode ser escrito através de um radical, ou seja:
y

( x a ) y = x (a) y = a x (a ∈ R *+ , y ∈ Z e x ∈ Z*+ )

Exemplos:
1 2
1) 2 2 = 4 = 4 2 = 2 ou 22 = 2 2 = 2

2) 3
243 = 3
35 = 3
33 ⋅ 3 2 =
243 3
3
33 ⋅ 3 3 2 =
81 3
2
31 ⋅ 3 3 27 3
2 9 3
3
3⋅ 3 3
3
ou 1 3 4.3 = 243
Resultados
3⋅ 3 32 possíveis forma fatorada
ou

3⋅ 3 9
22
d) Propriedades da radiciação

1. x
(a) x = a Exemplo: 3
(5) 3 = 5

2. x
a⋅b = x a ⋅ x b Exemplo: 4⋅9 = 4 ⋅ 9 = 2⋅3 = 6
x 3
a a 8 8 2
3. x = x
Exemplo: 3 = 3
=
b b 27 27 3
x⋅ p x÷ p
4. x
ay = a y⋅ p ou x
ay = a y÷ p Exemplo: 3
5 2 =6 5 4

Curiosidades:
1. A afirmação 3+ 3 = 6 está correta?
Não, pois na soma de radicais não se efetua a soma de radicandos, ou
seja, 3+ 3 = 2 3 , o que é diferente de 6.

2. A afirmação 4 + 9 = 4 + 9 está correta?


Não, porque podemos verificar que o radical da soma é diferente da
soma dos radicais, ou seja, 4 + 9 = 13 ≠ 5 .

Exercícios
1) Marque as alternativas corretas.
4 1 2
a) ( ) 4
33 = 3 3 b) ( ) 3
6 = 63 c) ( ) 3
62 = 6 3

3 5
d) ( ) 4
54 = 5 e) ( ) 5 2 = 3 5 2 f) ( ) 15 8 = 8 155

2 1 5
g) ( ) 3 5 = 35 h) ( ) 7 2 = 7 i) ( ) 15 8 = 5 158

2) Marque as igualdades verdadeiras:

a) ( ) 3
3 = 6 32 b) ( ) 8
42 = 4 42 c) ( ) 6
33 = 3

d) ( ) 3 ⋅ 4 =4 3 e) ( ) 81 ⋅16 = 36 f) ( ) 2 2 = 2 ⋅ 16

23
3) Simplificando os radicais as respostas corretas são:
a) ( ) 20 = 4 5 b) ( ) 12 = 2 3

c) ( ) 72 = 6 2 d) ( ) 45 = 9 5

4) Marque a igualdade verdadeira.


a) ( ) 4+9 = 4 + 9

b) ( ) 4⋅9 = 4 ⋅ 9

5) O resultado verdadeiro das operações é:


a) ( ) 5 +3 5 = 4 5

b) ( ) 4 3 +2 3 −3 3 = 3
33 1
c) ( ) − 3 10 − 10 = − 3 10
4 2

Gabarito
Questão 01
1 2

b) 3
6 = 63 c) 3
62 = 6 3 d) 4
54 = 5
5 2 1
f) 15 8 = 8 15 5 g) 3 5 = 5 3 2 h) 7 2 = 7
Questão 02

a) 6 ÷2
3 2÷ 2 = 3 3 c) 6 ÷3
3 3÷ 3 = 3 e) 81 ⋅16 = 81 16 = 9.4= 36

Questão 03

b) 12 = 2 2.3 = 2 3 c) 72 = 2 3.3 2 = 6 2
Questão 04 Questão 05

4⋅9 = 4 ⋅ 9
b) a) 5 +3 5 = 4 5
36 = 2.3 = 6

24
MÓDULO II

Seções deste Módulo


2.1. Razão e Proporção
2.2. Grandezas proporcionais
2.3. Regra de três simples e composta
2.4. Porcentagem

Objetivos
Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos abordados neste módulo.

Seção 2.1.

Razão e Proporção
2.1.1. Razões entre grandezas
Chama-se razão o quociente entre dois números ou duas grandezas. Muitos conceitos
importantes são expressos por razões, como por exemplo, as situações colocadas a seguir.
a) Densidade demográfica: razão entre o número de habitantes de uma região e a área dessa região.
habitantes
Densidade demográfic a =
área
b) Densidade de um corpo: razão entre a massa de um corpo e o seu volume.
massa
Densidade =
volume
c) Velocidade média: razão entre a distância percorrida por um móvel e o tempo gasto para percorrê-la.
distância
Velocidade média =
tempo
d) Escala: razão entre a medida de um comprimento no desenho e a medida correspondente ao
comprimento real.
medida do compriment o no desenho
escala =
medida do compriment o real

25
Definição:
a
Dados dois números racionais a e b, com b ≠ 0, chama-se razão entre a e b ao quociente indicado por
b
ou então, a : b , ou seja:
a
r= , ou de modo semelhante r = a : b
b

Termos de uma razão


Os termos de uma razão são:
a é o 1º termo ou o antecedente;
b é o 2º termo ou o conseqüente.

Exemplos:
1) No vestibular inscreveram-se 7830 candidatos para disputarem as 90 vagas de um curso. Qual a
relação candidato-vaga para esse curso?
7830 candidatos
Solução: r = ⇒ r = 87 candidatos vaga
90 vagas

2 3
2) Qual a razão entre e ?
5 10
2
0,4
Solução: r = 5
3
⇒r= ⇒ r ≈ 1,33
10 0,3

3) Qual a razão entre um trimestre e um ano?


1trimestre 3 meses
Solução: r= ⇒r= ⇒ r = 0,25
1 ano 12 meses

Exercícios
1) Determine a razão entre os números abaixo.
6
1.1) 3 e (a) 3,5 (b) 2,5 (c) 1,5 (d) 4,5 (e) 5,5
7
1 1
1.2) e (a) 0,5 (b) 2,5 (c) 1,5 (d) 3,5 (e) 4,5
2 3
1.3) 1,5 e 5 (a) 0,1 (b) 1,5 (c) 2,3 (d) 0,3 (e) 3,3
26
2) Calcule as razões entre as grandezas a seguir:
2.1) 27 km e 3 l de álcool
(a) 7 km/ l (b) 8 km/ l (c) 5 km/ l (d) 9 km/ l (e) 6 km/ l
2.2) 40 g e 5 cm3
(a) 8 g/cm3 (b) 7 g/cm3 (c) 5 g/cm3 (d) 0,8 g/cm3 (e) 80 g/cm3
2.3) 24 kg e 80 kg
(a) 3 (b) 30 (c) 9 (d) 0,9 (e) 0,3
2.4) 20 cm e 4 dm
(a) 0,5 (b) 5 (c) 1,5 (d) 50 (e) 0,15

3) A massa A é 10 kg e massa B é 5.000g. Qual a razão entre as massas A e B?


(a) 3 (b) 4 (c) 0,2 (d) 2 (e) 20

4) Numa planta baixa de uma casa é usada 1cm para cada metro (100cm) qual a razão entre a
medida do desenho e a medida verdadeira?
1 1 1 1 1
(a) (b) (c) (d) (e)
10 100 1 1000 10000

5) Numa turma de 25 alunos ao todo, 10 são do sexo feminino. Pergunta-se:


5.1) Qual a razão entre o número de meninas e o número de alunos?
mulheres mulheres mulheres
(a) 0,2 (b) 0,5 (c) 4
alunos alunos alunos

mulheres mulheres
(d) 5 (e) 0,4
alunos alunos

5.2) Qual a razão entre o número de meninos e o número de alunos?


hom ens hom ens
(a) 0,2 (b) 0,6 hom ens
alunos alunos (c) 4
alunos

hom ens hom ens


(d) 5 (e) 0,4
alunos alunos

27
Gabarito

Questão 01 Questão 04
1.1) a 1.2) c 1.3) d Opção b

Questão 05
Questão 02
5.1) e 5.2) b
2.1) d 2.2) a 2.3) e 2.4) a

Questão 03
Opção d

2.1.2 Proporção
Em certas situações práticas do cotidiano, somos levados a ter de escolher entre duas ofertas,
verificando qual é a mais econômica. Por exemplo, na compra de 2 potes de manteiga, um com 300g
custam R$ 1,50 o outro com 1000g custam R$ 4,80. Como vemos o pacote de 1000g é o mais caro.
Porém este fato pode não ser suficiente para avaliar qual é a melhor compra.
O que estamos tentando fazer neste caso é comparar o preço das manteigas. Entretanto, tal
comparação não pode ser feita diretamente, porque as quantidades são diferentes. Para resolver esta
questão podemos recorrer a definição de proporção.

Definição
Denomina-se proporção a uma igualdade entre duas razões, ou seja:
a c
= ou de modo semelhante a : b = c : d
b d

Termos de uma proporção


Em uma proporção nomeamos os quatro elementos como:
a e d → extremos e b e c → meios

Exemplo:
1 4
= ou 1:2 = 4:8 onde 2 e 4 são os meios; 1 e 8 são os extremos
2 8
Observamos que temos uma proporção, pois a razão entre os valores 1 e 2 é 0,5, da mesma forma
que a razão entre 4 e 8 é também 0,5. Como temos então duas razões iguais, dizemos que os valores 1, 2,
28
4 e 8 (nessa ordem) formam uma proporção. Além disso, este valor 0,5 recebe o nome de coeficiente de
proporcionalidade.

Propriedade fundamental das proporções


Em toda a proporção, o produto dos meios é igual ao produto dos extremos, ou seja:
a c
= então bc = ad
b d

Exemplo:
x 24
Calcule o valor de x para que se tenha uma proporção: = .
7 8
Solução. Utilizando a propriedade fundamental das proporções podemos escrever:
x 24 168
= ⇒ x ⋅ 8 = 24 ⋅ 7 ⇒ 8 x = 168 ⇒ x = ⇒ x = 21
7 8 8
No caso desse exemplo, observamos que o valor de cada uma das razões que constituem a
proporção é 3. Neste caso então o coeficiente de proporcionalidade é 3.

Exercícios
Calcule o valor de x para que se tenha, em cada caso, uma proporção.
Questão 01
x 4
= (a) 5 (b) 100 (c) 10 (d) 0,1 (e) 1000
5 2

Questão 02
5 20
= (a) 16 (b) 14 (c) 12 (d) 10 (e) 1,6
4 x

Questão 03
x 6
= (a) 0,1 (b) 10 (c) 0,001 (d) 1 (e) 100
2 12

Questão 04
2 x
= (a) 25 (b) 2,5 (c) 0,25 (d) 250 (e) 0,025
5 6,25

29
Questão 05
1 − 13 4
= (a) 0,3 (b) 30 (c) 4 (d) 0,4 (e) 3
0,5 x

Gabarito
1) c 3) d 5) e
2) a 4) b

Seção 2.2.
Grandezas proporcionais
Definições
1) Duas grandezas são diretamente proporcionais, quando o aumento de uma (diminuir)
implica no aumento (diminuir) da outra.
2) Duas grandezas são inversamente proporcionais, quando o aumento de uma (diminuir)
implica no diminuir (aumento) da outra.

Exemplos:
Considere as situações a seguir.
a) 4 kg de um determinado produto custam R$ 12,00.
 8 kg do mesmo produto custarão mais de R$ 12,00 (mais especificamente custarão R$ 24,00).
Portanto o aumento da grandeza “número de kg”, implicou no aumento do valor da grandeza
“preço”.
 ii) 2 kg do mesmo produto custarão menos de R$ 12,00 (mais especificamente custarão R$ 6,00).
Portanto o diminuir da grandeza “número de kg”, implicou no diminuir do valor da grandeza
“preço”.

b) Um carro a 60 km/h leva 1 hora para percorrer uma determinada distância.


 se o carro andar a 30 km/h levará mais tempo para percorrer a respectiva distância (mais
especificamente levará 2 horas). Portanto o diminuir da grandeza “km/h”, implicou no aumento
no valor da grandeza “número de horas”.

30
 ii) se o carro andar a 120 km/h, levará menos tempo para percorrer a respectiva distância (mais
especificamente levará ½ hora). Portanto o aumento da grandeza “km/h” implicou no diminuir
no valor da grandeza “número de horas”.
Assim a situação exposta na letra a) exemplifica duas
grandezas que são diretamente proporcionais, enquanto que
a situação exposta na letra b) exemplifica duas grandezas
que são inversamente proporcionais.

Seção 2.3
Regra de três simples e composta
São modos práticos de encontrar um valor desconhecido, dados outros valores, envolvendo
grandezas proporcionais (diretamente ou inversamente).
A regra de três pode ser:
a) simples - quando envolve apenas duas grandezas;
b) composta - quando envolve mais de duas grandezas.

a) Regra de três simples


Exemplos:
1) Em 50ml de gasolina, 10ml é álcool. Quantos litros de álcool contêm o tonel onde foi retirada a
amostra se este contiver 20 l de gasolina impura?

Solução. Em primeiro lugar devemos transformar as grandezas envolvidas na mesma unidade, como o
problema pede o número de litros de álcool, transformamos as grandezas todas em litros, ou seja:
50 ml = 50 : 10 : 10 : 10 = 0,05 litros
10 ml = 10 : 10 : 10 : 10 = 0,01 litros
Número de litros de gasolina impura Número de litros de álcool
0,05 0,01
20 x
Como o aumento do número de litros de gasolina impura, implica no aumento do número de
litros de álcool, isto significa que as grandezas envolvidas são diretamente proporcionais. Portanto,
formamos com os valores envolvidos uma proporção levando em conta este fato, ou seja:
0,05 0,01 0,2
= ⇒ 0,05 ⋅ x = 20 ⋅ 0,01 ⇒ 0,05 x = 0,2 ⇒ x = ⇒ x = 4 litros de álcool
20 x 0,05

31
2) Um trem com velocidade de 60 km/h faz o percurso entre as cidades A e B em 2 horas. Quanto tempo
levará o trem para fazer este mesmo percurso, se a sua velocidade passar a ser 80 km/h?
Solução
Número de km/h Número de horas
60 2
80 x
O aumento do número de km/h implica no diminuir no número de horas, isto significa que as
grandezas envolvidas são inversamente proporcionais. Portanto formamos com os valores envolvidos
uma proporção levando em conta este fato, ou seja:
60 x
=
80 2
60 ⋅ 2 = 80 ⋅ x
80 x = 120
120
x=
80
x = 1,5 horas

b) Regra de três composta


Exemplo:
Na abertura de um canal, 15 homens trabalhando 8 horas diárias escavaram 400 m3 de terra em 10 dias.
Quantos homens serão necessários para escavar 600 m3 trabalhando 15 dias de 6 horas diárias?
Solução

No de homens No de horas/dia No de m3 No de dias


15 8 400 10

X 6 600 15
A grandeza “No de homens” denomina-se “Grandeza Fundamental”, pois ela é que contém o
valor que desejamos encontrar. A partir disso analisamos, separadamente, cada par de grandezas, em
relação à grandeza fundamental, estabelecendo se os mesmos, em relação à grandeza fundamental, são
diretamente ou inversamente proporcionais.

Assim, no nosso exemplo precisamos analisar se as grandezas:


a) No de homens e No de horas/dia são diretamente ou inversamente proporcionais;

32
b) No de homens e No de m3 são diretamente ou inversamente proporcionais;
c) No de homens e No de dias são diretamente ou inversamente proporcionais.

Realizemos então esta análise.


a) No de homens e No de horas/dia são diretamente ou inversamente proporcionais;
No de homens No de horas/dia
15 8
X 6
Análise. 15 homens trabalhando 8 horas por dia realizam o trabalho, se trabalharem apenas 6 horas por
dia, necessitaremos de mais de 15 homens para realizar o mesmo trabalho. Portanto o diminuir do No de
horas/dia implica no aumento na grandeza No de homens, isto significa que as grandezas envolvidas são
inversamente proporcionais.

b) No de homens e No de m3 são diretamente ou inversamente proporcionais;


No de homens No de m3
15 400
X 600
Análise. 15 homens são necessários para cavar 400 m3 de terra, se tiver que serem cavados 600 m3 se
necessitará mais de 15 homens para realizar o trabalho. Portanto o aumento do No de m3 implica no
aumento na grandeza No de homens, isto significa que as grandezas envolvidas são diretamente
proporcionais.

c) No de homens e No de dias são diretamente ou inversamente proporcionais.


No de homens No de dias
15 10
x 15
Análise. 15 homens trabalhando 10 dias realizam o trabalho, se forem trabalhados 15 dias,
necessitaremos de menos de 15 homens para realizar o mesmo trabalho. Portanto o aumento do No de
dias implica no diminuir da grandeza No de homens, isto significa que as grandezas envolvidas são
inversamente proporcionais.

33
Portanto, no nosso quadro inicial de grandezas temos a seguinte situação:
No de homens No de horas/dia No de m3 No de dias
15 8 400 10
x 6 600 15
Fundamental Inversa Direta Inversa

Assim, montamos nossa proporção da seguinte maneira:


=

15 6 400 15 15 36000 720000


= . . ⇒ = ⇒ 48000.15 = 36000.x ⇒ x = ⇒ x = 20
x 8 600 10 x 48000 36000
=

Portanto são necessários 20 homens para


realizar a escavação conforme os dados
fornecidos no problema.

Exercícios
1) Se um corte de 2,80m de tecido custa R$ 84,00, quanto custarão 20,50m desse mesmo tecido?
(a) R$ 315,00 (c) R$ 615,00 (e) R$715,00
(b) R$ 515,00 (d) R$ 415,00

2) 100 kg de trigo fornecem 85 kg de farinha. Que quantidade de farinha se obterá com 150 sacos
de 75 kg cada um?
(a) 8564 kg (c) 34526,87 kg (e) 9562,5 kg
(b) 6789 kg (d) 6543,98 kg

3) Um automóvel percorre 240 km em 3 horas. Quanto tempo levará para percorrer 400 km?
(a) 5 h (b) 6h (c) 4h (d) 2h (e) 8 h

4) Um trem com velocidade de 60 km/h faz o percurso entre as cidades A e B em 2 horas. Quanto
tempo levará o trem para fazer este mesmo percurso, se a sua velocidade passar a ser 80 km/h?
(a) 2,5 h (b) 0,5 h (c) 1,5 h (d) 3,5 h (e) 4,5 h

34
5) Num acampamento 30 homens possuem alimentos para dois meses. Tendo chegado ao
acampamento mais 90 homens, pergunta-se por quanto tempo o acampamento disporá de
alimentos?
(a) 1,5 meses (c) 3,5 meses (e) 4,5 meses
(b) 2 meses (d) 0,5 meses

6) Um avião comercial, com velocidade de 450 km/h realiza a viagem entre São Paulo e Porto
Alegre em 2 horas. Em quanto tempo um avião com velocidade igual a 1200 km/h faria à mesma
viagem?
(a) 20 minutos (c) 35 minutos (e) 10 minutos
(b) 45 minutos (d) 15 minutos

7) Um negociante pagou $330 u.m. (unidades monetárias) por um rolo de arame e $264 u.m. por
outro da mesma qualidade. Qual é o comprimento de cada um dos rolos, se o primeiro tem 12
metros a mais do que o segundo?
(a) 50m e 24 m (c) 30m e 14 m (e) 65m 23m
(b) 60 m e 48 m (d) 70m e 35 m

8) Um automóvel gasta 7 horas para ir da cidade A para a cidade B a uma velocidade média de 60
km/h. Quanto tempo este automóvel gastará se em sua próxima viagem sua velocidade média for
100 km/h?
(a) 3,2 h (b) 2,2 h (c) 7,2 h (d) 4,2 h (e) 5,2 h

9) Cinco torneiras idênticas enchem um tanque em 144 minutos. Quantas dessas torneiras são
necessárias para encher o mesmo tanque em uma hora e meia?
(a) 6 (b) 7 (c) 8 (d) 5 (e) 10

10) Um automóvel percorre um determinado trajeto em 2 horas, com a velocidade de 40 km/h. Se


triplicar a velocidade, para percorrer o mesmo trajeto, qual será o tempo do percurso?
(a) 1,66 h (b) 0,66 h (c) 0,33 h (d) 1,33 h (e) 2,33 h

35
11) Se um operário assenta 80 tijolos trabalhando 5 horas, quantos tijolos, a mais, assentará,
trabalhando 6 horas?
(a) 16 (b) 18 (c) 19 (d) 14 (e) 12

12) A produção de uma tecelagem é de 8000 metros de tecido por dia. Com a admissão de mais 300
operários a indústria passou a produzir 14000 metros de tecido por dia. Qual era o número de
operários antes da admissão dos 300 operários?
(a) 500 (b) 400 (c) 200 (d) 800 (e) 300

13) Um navio partiu para uma viagem levando a bordo alimentos para 12 tripulantes durante 30
dias. Quando o navio partiu descobre-se três passageiros clandestinos. Nestas condições, quantos
dias deverão durar o alimento?
(a) 12 dias (b) 36 dias (c) 6 dias (d) 32 dias (e) 24 dias

14) Uma máquina trabalhando continuamente produz 400 peças em 50 minutos. Quantas peças a
mais, a máquina produzirá em 1h e 10 minutos?
(a) 180 (b) 260 (c) 160 (d) 280 (e) 340

15) Num internato 35 alunos gastam $15400 u.m. pelas refeições em 22 dias. Quanto gastaria 100
alunos pelas refeições de 83 dias neste internato?
(a) $166000um (b)$144000um (c) $244000um
(d) $122000um (e) $322000um

16) Empregaram-se 27,4 kg de lã para tecer 24 m de um tecido de 60 cm de largura. Qual será o


comprimento de tecido que se poderia tecer com 3,425 toneladas de lã para se obter uma largura
de 90 cm (1 tonelada = 1000 kg)?
(a) 1000m (b) 3000m (c) 2000m (d) 4000m (e) 5000m

17) Para alimentar uma família de seis pessoas durante dois dias, são necessários 3 litros de leite.
Para alimentá-los durante cinco dias estando ausente duas pessoas, quantos litros de leite serão
necessários?
(a) 6 litros (b) 4 litros (c) 3 litros (d) 5 litros (e) 2 litros

36
18) Três operários trabalhando durante seis dias, produzem 400 peças. Quantas peças desse
mesmo tipo produzirão sete operários trabalhando nove dias?
(a) 1400 (b) 1500 (c) 1600 (d) 1800 (e) 1900

19) Um ciclista percorre 120 km em 2 dias, dirigindo 3 horas por dia. Em quantos dias percorrerá
500 km viajando 5 horas por dia?
(a) 3 dias (b) 7 dias (c) 6 dias (d) 8 dias (e) 5 dias

20) Vinte operários levam 10 dias para levantar um muro de 2 m de altura e 25 m de


comprimento. Quantos dias levarão 15 operários para construir um outro muro de 3 m de altura e
40 m de comprimento?
(a) 23 dias (b) 32 dias (c) 42 dias (d) 52 dias (e) 67 dias

21) Numa fazenda 3 cavalos consomem 210 kg de alfafa durante 7 dias. Para alimentar 8 cavalos
durante 10 dias, quantos quilos de alfafa serão necessários?
(a) 500 kg (b) 400 kg (c) 700 kg (d) 800 kg (e) 600 kg

22) Se 10 máquinas funcionando 6 horas por dia durante 60 dias produzem 90000 peças, em
quantos dias 12 dessas máquinas funcionando 8 horas por dia produzirão 192000 peças?
(a) 70 dias (b) 50 dias (c) 80 dias (d) 60 dias (e) 90 dias

23) Para asfaltar 1800 m de uma estrada, 15 operários utilizam 12 dias num regime de 10 horas
por dia. Quantos dias, num regime de 8 horas por dia serão necessários para que 32 operários
façam 6000 m de asfaltamento de uma estrada em condições idênticas?
(a) 32 dias (b) 23 dias (c) 13 dias (d) 43 dias (e) 34 dias

24) Uma família composta por 6 pessoas consome em 2 dias, 3 kg de pão. Quantos quilogramas de
pão serão consumidos em 5 dias, estando 2 pessoas ausentes?
(a) 4 kg (b) 3 kg (c) 6 kg (d) 5 kg (e) 7 kg

25) Se 15 homens, trabalhando 8 horas por dia, cavaram um poço de 400 m3 em 10 dias, quantos
homens devem ser acrescentados para que em 15 dias, trabalhando 6 horas por dia cavem 600 m3?
(a) 4 (b) 5 (c) 6 (d) 3 (e) 7

37
Gabarito

1) C 6) B 11) A 16) C 21) D

2) E 7) B 12) B 17) D 22) C

3) A 8) D 13) E 18) A 23) B

4) C 9) C 14) C 19) E 24) D

5) D 10) B 15) A 20) B 25) B

Seção 2.4
Porcentagem
Chama-se porcentagem ou percentagem a porção de um dado valor que se determina sabendo
o quanto corresponde a cada 100. O símbolo % foi criado a quatro séculos atrás por comerciantes
ingleses para significar a linguagem nas transações comerciais. Quando dizemos 30% de certo valor,
queremos dizer que em cada 100 partes devemos tomar 30.

30
30% =
100

2.4.1. Elementos do cálculo percentual


1) Taxa. É o valor que representa a quantidade tomada em cada 100.

Exemplo: Calcule 25% de 700.


Solução. 700 - 100%
x - 25%

700 100% 17500


= ⇒ 100 ⋅ x = 700 ⋅ 25 ⇒ 100 x = 17500 ⇒ x = ⇒ x = 175
x 25% 100

2) Percentagem. É o valor que representa a quantidade tomada da outra proporcionalmente a


uma taxa.

38
Exemplo. Quanto por cento 30 é de 80?
Solução. 80 - 100%
30 - x
80 100% 3000%
= ⇒ 80 ⋅ x = 100% ⋅ 30 ⇒ 80 x = 3000% ⇒ x = ⇒ x = 37,5%
30 x 80

3) Principal. É o valor da grandeza da qual se calcula a percentagem.


Exemplo. Qual é o número cujos 6% corresponde a 360?
Solução. 6% - 360
100% - x
6% 360 36000
= ⇒ 6 ⋅ x = 100 ⋅ 360 ⇒ 6 x = 36000 ⇒ x = ⇒ x = 6000
100% x 6

Exercícios
1) Calcule e marque a alternativa correta.
I) 8% de 432
(a) 34,56 (b) 23,17 (c) 35,87 (d) 45,32 (e) 43,7

II) 6% de 18
(a) 10,8 (b) 8,6 (c) 1,08 (d) 6,4 (e) 9,2

III) 9% de 0,847
(a) 0,086 (b)0,065 (c) 0,048 (d) 0,74 (e) 0,076

2) Quantos por cento serão?


I) 17 de 340
(a) 0,5% (b) 5% (c) 50% (d) 15% (e) 25%

II) 30 de 120
(a) 30% (b) 25% (c) 2,5% (d) 0,25% (e) 0,3%

39
III) 5 de 80
(a) 7,50% (b) 9,45% (c) 6,25% (d) 5,42% (e) 8,55%

3) Calcule o valor cujos:


I) 0,5% são 40
(a) 8000 (b) 7000 (c) 6000 (d) 4000 (e) 9000

II) 8% são 36
(a) 550 (b)650 (c) 350 (d) 750 (e )450

III) 12% são 38


(a) 216,66 (b) 116,66 (c) 516,66 (d) 416,66 (e) 316,66

4) Fiz uma compra por 5400 um e vendi por 6300 um. Que taxa percentual sobre o preço de custo
representa o lucro?
(a) 1,66% (b) 16,66% (c) 166% (d) 26,66% (e) 2,66%

5) Numa cidade a população adulta é de 18300 pessoas, 42% das quais são analfabetas. Quantos são
os adultos alfabetizados da cidade?
(a) 12614 (b) 15614 (c) 8614 (d) 10614 (e) 25614

6) Em uma classe com 40 alunos, a percentagem de comparecimento certo dia foi de 90%. Quantos
alunos faltaram neste dia?
(a) 4 (b) 3 (c) 2 (d) 5 (e) 6

7) Em uma assembléia compareceram 108 dos 150 sócios. Qual foi a taxa percentual de ausências?
(a) 72% (b) 62% (c) 82% (d) 28% (e) 27%

8) Na compra de uma bicicleta, uma pessoa obteve um desconto de 4%. Qual era o preço da
bicicleta, sabendo-se que o desconto importou em 26 um? (R: 650)
(a) 450 (b) 350 (c) 650 (d) 550 (e) 750

9) Uma conta foi paga com atraso e sofreu uma multa de 3400 um correspondente a 10% do seu
valor. Qual era o valor da compra?
(a) 340 (b) 34 (c) 34000 (d) 3400 (e)0,34

40
10) Numa liquidação com 20% de desconto, uma pessoa pagou por uma mercadoria 5600 um.
Quanto custava a mercadoria?
(a) 700 (b) 4000 (c) 6000 (d) 8000 (e) 7000

11) O preço de uma televisão é 540 um. Se conseguir um desconto de 12% quanto pagarei por ela?
(a) 575,20 (b) 47,52 (c) 675,20 (d) 475,20 (e) 67,52

12) Num concurso em que participaram 15000 candidatos, a taxa de aprovação foi 64%. Quantos
candidatos foram reprovados?
(a) 540 (b) 4500 (c) 5400 (d) 960 (e) 9600

13) Ao comprar uma geladeira obtive um desconto de 25 um. Qual o preço, sabendo que o desconto
foi de 5%?
(a) 500 (b) 50 (c) 60 (d) 600 (e) 5000

14) Em uma turma de alunos que fizeram exames, o número de aprovações que atingiu 85% foi de
102 alunos, quantos fizeram o exame?
(a) 160 (b) 14 (c) 12 (d) 120 (e) 140

15) Sobre uma compra de $10500 u.m. foi feito um desconto de $ 840 u.m. Qual foi a taxa
percentual do desconto oferecido?
(a) 4% (b) 40% (c) 80% (d) 8% (e) 0,8%

Gabarito

1) I) a II) c III) e 6) a 11) d

2) I) b II) b III) c 7) d 12) c

3) I) a II) e III) e 8) c 13) a

4) b 9) c 14) d

5) d 10) e 15) d

41
MÓDULO III

Seções deste Módulo


3.1. Critérios de arredondamento
3.2. Notação Científica
3.3. Conversão de unidades

Objetivos
Instrumentalizar o aluno para que possa, ao final deste módulo, utilizar corretamente critérios
de arredondamento, bem como transformar números em notação científica, além de realizar
conversões entre unidades do SI.

Seção 3.1
Critérios de arredondamento
a) Algarismos significativos
Imagine que você esteja realizando uma medida qualquer, como por exemplo, a medida de
uma barra. Observe que a menor divisão da régua utilizada na medição é de 1mm. Ao Tentar
expressar o resultado da medida, digamos entre 14,3 e 14,4cm, a fração de mm deverá ser avaliada,
ou seja, acrescenta-se mm a 14,3cm se a medida estiver além da metade do cm, imaginando-se o
intervalo subdividido em 10 partes, assim teremos 14,35, onde 1,4 e o 3 foram obtidos através de
divisões inteiras da régua, ou eles são algarismos corretos. O 5 foi avaliado, isto é, você não tem
certeza sobre o seu valor, outra pessoa poderia avaliá-lo como sendo 4 ou 6, por exemplo.
Por isso, este algarismo avaliado é denominado algarismo duvidoso ou incerto.
Como observamos, uma medida deve figurar somente os algarismos corretos e o primeiro
avaliado. Esta maneira de proceder é adotada convencionalmente entre físicos, químicos, e em geral
por pessoas que realizam medidas.

Algarismos significativos de uma medida são os algarismos corretos e o primeiro algarismo


duvidoso

b) Critérios de arredondamento
1º) Quando o primeiro algarismo a ser abandonado for menor que 5 o último a permanecer não é
alterado;

42
Exemplo:
24,3 para inteiro = 24

2º) Quando o primeiro algarismo a ser arredondado for 5 seguido de zeros:


 Se último algarismo a permanecer for ímpar, acrescenta-se de uma unidade
 Se o último algarismo a permanecer for par, fica inalterado
Exemplos:
25,5 para inteiro = 26
24,5 para inteiro = 24

3º) Quando o algarismo a ser abandonado for maior que 5, acrescenta-se uma unidade no último
algarismo a permanecer.
Exemplo:
5,76 para décimos = 5,8

Seção 3.2
Notação científica
As potências de 10 são usadas para representar números muito grandes ou muito pequenos.
Geralmente esses números são escritos como produtos de dois fatores, onde um deles é uma potência
de 10 e o outro um número entre 0 e 10 ( ou seja de 1 a 9).
Em algumas calculadoras encontramos, por exemplo, uma tecla que transforma qualquer
número para notação científica e vice-versa: F ↔ E . Nestas calculadoras, procede-se como o
descrito a seguir.

Exemplo:
Escreva 32714 em notação científica.

Teclar Visor
32714 = F ↔ E 3.2714 04
Para retornar 3.2714 04
= 32714.

Assim, 3.2714 04 em notação científica, corresponde a 3,2714×104.

43
Observação. Existem diferentes tipos de calculadoras. Algumas
utilizam o procedimento acima para escrever um número em notação
científica, outras, porém utilizam o modo Sci.

Exemplos: Convertendo os números abaixo para notação científica obtemos:


a) 3265 = 3,265 . 1000 = 3,265.103
b) 230000 = 2,3.100000 = 2,3.105 (deslocamento da vírgula para à direita = expoente positivo)
c) 0,0056 = 5,6. 0,001 = 5,6.10-3 (deslocamento da vírgula para à esquerda = expoente negativo)

Exercícios
1) Nas questões abaixo utilizando os critérios de arredondamento, marque os resultados que são
corretos com duas casas decimais.

a) ( ) 4
33 ≈ 2,28 b) ( ) 3
6 ≈ 1,82 c) ( ) 3
6 2 ≈ 3.3
3 5
d) ( ) 4
54 = 5 e) ( ) 5 2 ≈ 2,89 f) ( ) 15 8 ≈ 5,43
2 1 8
g) ( ) 3 ≈ 1,50
5
h) ( ) 7 ≈ 2,65
2
i) ( ). 5 ≈ 13,20
5

2) Marque os números que estão corretamente representados em notação científica.


a) ( ) 2300000000000 = 2,3.1012
b) ( ) 0,00045 =4,5.10-4
c) ( ) 0,00000032 =3,2.10-6

3) Escreva em notação científica os seguintes números.


a) 2010000
b) 0,0005
c) 0,00000047

4) Adicione os radicais e encontre um resultado aproximado, arredondando-o para décimos


a) 7 + 63

b) 4 3 +2 3 − 3

44
5) Arredonde os valores a seguir conforme indicação entre parênteses.
a) 123, 05 (inteiro)
b) 14,25 (décimos)
c) 3,7535 (milésimos)
d) 58,34 (inteiro)
e) 25,678 (centésimos)
f) 132,5007 (décimos)

Gabarito

1) a) b) c) d) f) h)
2) a) b)
3) a) 2,01.106 b) 5.10-4 c)4,7.10-7
4) a)10,6 b) 8,7
5) a) 123 b) 14,2 c) 3,754 d) 58 e)25,68 f) 132,6

Seção 3.3
Conversão de unidades
a) Unidades de medidas
A unidade de principal de comprimento é o metro, entretanto existem situações em que essa
unidade deixa de ser prática. Se queremos medir grandes extensões ela é muito pequena, por outro
lado se queremos medir extensões muito "pequenas", a unidade metro é muito "grande".
Os múltiplos e submúltiplos do metro são chamados de unidades secundárias de
comprimento. Na tabela abaixo vemos as unidades de comprimento, seus símbolos e o valor
correspondente em metro. Na tabela, cada unidade de comprimento corresponde a 10 vezes a
unidade do comprimento imediatamente inferior (à direita). Em conseqüência, cada unidade de
comprimento corresponde a 1 décimo da unidade imediatamente superior (à esquerda).

Quilômetro Hectômetro Decâmetro Metro Decímetro Centímetro Milímetro


km hm dam m dm cm mm

1000 m 100 m 10 m 1m 0,1 m 0,01 m 0,001 m

45
Regras Práticas:
• Para passar de uma unidade para outra imediatamente inferior devemos fazer uma multiplicação
por 10. Ex.: 1 m = 10 dm
• Para passar de uma unidade para outra imediatamente superior, devemos fazer uma divisão por
10. Ex.: 1 m = 0,1 dam
• Para passar de uma unidade para outra qualquer, basta aplicar sucessivas vezes uma das regras
anteriores. Ex.: 1 m = 100 cm 1 m = 0,001 km

Unidades de Área

km2 hm2 dam2 m2 dm2 cm2 mm2

1x106 m2 1x104 m2 1x102 m2 1 m2 1x102 m2 1x104 m2 1x106 m2

Regras Práticas:
• Para passar de uma unidade para outra imediatamente inferior devemos fazer uma multiplicação
por 100. Ex.: 1 m2 = 100 dm2
• Para passar de uma unidade para outra imediatamente superior, devemos fazer uma divisão por
100. Ex.: 1 m2 = 0,01 dam2
• Para passar de uma unidade para outra qualquer, basta aplicar sucessivas vezes uma das regras
anteriores.

UNIDADES DE VOLUME

Quilômetro Hectômetro Decâmetro Metro Decímetro Centímetro Milímetro


cúbico cúbico cúbico cúbico cúbico cúbico cúbico
3 3 3 3 3 3
km hm dam m dm cm mm3

1x109 m3 1x106 m3 1x103 m3 1 m3 1x103 m3 1x106 m3 1x109 m3

Regras Práticas:
• Para passar de uma unidade para outra imediatamente inferior devemos fazer uma multiplicação
por 1000. Ex.: 1 m3 = 1000 dm3

46
• Para passar de uma unidade para outra imediatamente superior, devemos fazer uma divisão por
1000. Ex: 1 m3 = 0,001 dam3
• Para passar de uma unidade para outra qualquer, basta aplicar sucessivas vezes uma das regras
anteriores.

Litro

O litro(l) é uma medida de volume muito comum e que corresponde a 1 dm3.

1 litro = 0,001 m3 => 1 m3 = 1000 litros

1 litro = 1 dm3

1 litro = 1.000 cm3

1 litro = 1.000.000 mm3

Sistema Internacional de Unidades


O Sistema Internacional de Unidades é baseado em 6 unidades fundamentais. A unidade
fundamental de comprimento é o metro. Para cada unidade existem as unidades secundárias, que são
expressas através da adição de um prefixo ao nome correspondente à unidade principal, de acordo
com a proporção da medida.

Unidades básicas

Grandeza Nome Símbolo

Comprimento metro m

Massa Quilograma kg

Tempo segundo s

Intensidade de corrente elétrica ampère A

Temperatura termodinâmica kelvin K

Quantidade de substância mol mol

Intensidade luminosa candela cd

47
Unidades SI derivadas

As unidades SI derivadas são definidas de forma que sejam coerentes com as unidades
básicas e suplementares, a estas, são definidas por expressões algébricas sob a forma de produtos de
potências das unidades SI básicas e/ou suplementares com um fator numérico igual 1.

Várias destas unidades SI derivadas são expressas simplesmente a partir das unidades SI
básicas e suplementares. Outras receberam um nome especial e um símbolo particular.

Uma unidade SI derivada pode expressar-se de várias formas equivalentes utilizando, nome
de unidades básicas e suplementares, ou então nomes especiais de outras unidades SI derivadas, é
admitido o emprego preferencial de certas combinações ou de certos nomes especiais, com o fim de
facilitar a distinção entre grandezas que tenham as mesmas dimensões. Por exemplo, o hertz é
empregado para a freqüência, como preferência ao segundo a potência menos um, e para o momento
de força, é preferido o newton metro ao joule.

Unidades SI derivadas expressas a partir de unidades básicas e suplementares

Grandezas Nome Símbolo

Superfície metro quadrado m2

Volume metro cúbico m3

Velocidade metro por segundo m/s

Aceleração metro por segundo ao quadrado m/s2

Número de ondas metro a potência menos um m-1

Massa por volume Quilograma por metro cúbico kg/m3

Velocidade angular radiano por segundo rad/s

Aceleração angular radiano por segundo ao quadrado rad/s2

48
Exercícios

1) Quantos metros quadrados contém um quilômetro quadrado?

2) Transforme conforme indicado abaixo:


a) 8,351 m para dm b) 11,2 cm para mm c) 457mm para cm
d) 25 cm3 para dm3 e) 2m3 para dm3 f) 8,37dm2 para mm2
g) 3,1416m2 para cm2 h) 2,14m2 para dam2

3) O intervalo de tempo de 2,4 minutos equivale, no Sistema Internacional de unidades (SI), a:


a) 24 segundos b) 124 segundos c) 144 segundos e) 240 segundos.

Gabarito

1) Um quilômetro quadrado possui 1.000.000 m2


2) a) 83,51 dm b) 112 mm c) 45,7cm d) 0,025dm3
e) 2000dm3 f) 83700mm2 g) 31416cm2 h) 0,0214dam2
3) letra c

49
MÓDULO IV

Seções deste Módulo


4.1. Equações exponenciais
4.2. Logaritmos

Objetivos
Que ao final deste módulo o aluno seja capaz de resolver equações exponenciais de mesma
base e bases diferentes, bem como, operar com logaritmos.

Seção 4.1
Equações exponenciais
a) Potência

Seja a um número real e n um expoente numérico. A potência de base a e expoente n é o


número “an” tal que valem as propriedades a seguir.

1) a0 = 1 para a ≠ 0 Exemplo. 5 0 = 1
2) am. an = am+n Exemplo. x 2 .x 3 = x 2+3 = x 5
am x4
3) = a m−n , a ≠ 0 Exemplo. = x 4 −3 = x
an x 3

4) (a.b)n = an.bn Exemplo. ( x ⋅ y ) 2 = x 2 ⋅ y 2


3
x
n
a an x3
5)   = n , b≠0 Exemplo.   = 3
b b  y y

6) (am)n = am.n Exemplo. ( x 2 ) 3 = x 2.3 = x 6


1 1
7) a-n = , a≠0 Exemplo. x −3 =
an x3
4
8) a p q = a p
q
Exemplo. x 7 = 7 x 4

50
b) Equação Exponencial

As equações que apresentam incógnita como expoente são chamadas de “equações


exponenciais”. É possível transformar (através das propriedades nomeadas acima) algumas equações
exponenciais em outras equivalentes que possuam, nos dois membros, potências de mesma base
(maior que zero e diferente de 1).

Portanto, para resolver equações exponenciais, basta


reduzir ambos os membros da igualdade a uma
mesma base e então, basta igualar os expoentes para
recair numa equação comum.
Exemplos:
1) 3 x = 81
Solução:
Fatorando o número 81, obtemos que 81 = 3 4 . Logo, podemos escrever: 3 x = 3 4
Como obtivemos uma equação, equivalente a primeira, que apresenta bases iguais, podemos
então afirmar que: x = 4

2) 2 x − 3 = 16
Solução:
Da mesma forma que o exemplo anterior, fatoramos o número 16 e obtemos que 16 = 2 4 .
Portanto, escrevemos então:
2 x −3 = 2 4
x−3= 4
x=7

3) 9 x +1 = 27 x −3
Solução:
Neste caso devemos fatorar tanto a base 9 como a base 27, onde encontraremos: 9 = 3 2 e de
modo semelhante 27 = 3 3 . Assim, podemos escrever então:

(3 )
2 x +1
= 33( )x −3

Utilizando na equação resultante a propriedade número 6, escrevemos: 3 2 x + 2 = 33 x −9 .


Obtendo assim que:

51
2 x + 2 = 3x − 9
2 x − 3 x = −9 − 2
− x = −11
x = 11

x
3 16
4)   =
2 81
Solução:
Fatoramos os valores 16 e 81, obtendo dessa forma que 16 = 2 4 ; 81 = 34 e portanto,
4
16 2 4  2 
= =  .
81 3 4  3 
Dessa forma na equação podemos escrever:
x 4
3 2
  = 
2 3
Logo a seguir, utilizando a propriedade de número 7, podemos escrever
x −4
3 3
  =  ⇒ x = −4
2 2

5) (2 x ) x = (4 x ) 3
Solução:

Utilizando a propriedade de número 6, podemos inicialmente escrever: 2 x = 4 3 x


2

Logo a seguir fatoramos a base 4, onde obtemos: 4 = 2 2 , podendo então escrever a equação

da seguinte forma: 2 x = (2 2 ) 3 x
2

Novamente pela propriedade número 6 podemos escrever;

2 x = 26x
2

Como temos então bases iguais, a equação pode finalmente ser escrita da forma:
x 2 = 6x
x 2 − 6 x = 0 ⇒ x = 0 ou x = 6

6) 5 x −3 = 1
Solução:
Pela propriedade de número 1, a equação acima pode ser escrita da seguinte forma: 5 x −3 = 5 0 .

52
Obtendo assim uma equação exponencial de mesma base, onde podemos imediatamente
igualar os expoentes, ou seja:
x−3= 0
x=3

7) 3 x = 27
Solução:
Em primeiro lugar devemos fatorar a base 27, onde encontramos que 27 = 33 . Logo a seguir

escrevemos então a equação da seguinte forma; 3 x = 33


3
Levando em conta a propriedade de número 8, imediatamente podemos escrever: 3 x = 3 2
Obtendo assim, uma equação exponencial de mesma base, onde podemos imediatamente
igualar os expoentes, ou seja:
3
x=
2

Exercícios

Resolva as equações a seguir e marque as alternativas corretas:


Questão 01
2 x = 16 (a) x = -4 (b) x = 4 (c) x = -2 (d) x = 2 (e) x = 1

Questão 02
1
2x = (a) x = 3 (b) x = 1
2
(c) x = 1
3
(d) x = -3 (e) x = 4
8

Questão 03
1
2 x −3 = (a) x = -1 (b) x = 0 (c) x = 2 (d) x = 32 (e) x = 1
4

Questão 04
2x = 8 (a) x = 3
2 (b) x = 2
3 (c) x = − 32 (d) x = − 23 (e) x = 1
2

53
Questão 05
7 2 x −3 = 1 (a) x = 2
3 (b) x = − 23 (c) x = 3
2 (d) x = − 32 (e) x = − 12

Questão 06
3
3 x −5 = 27 (a) x = 16 (b) x = -14 (c) x = -16 (d) x = 8 (e) x = 14

Questão 07
−3 x
= 3−2 (a) x = 2 ou x = −1 (b) x = 2 ou x = 1 (c) x = −2 ou x = 1
2
3x
(d) x = 0 ou x = 1 (e) x = 2 ou x = 0

Questão 08
−3 x − 4
=1 (a) x = 4 ou x = −1 (b) x = −4 ou x = −1 (c) x = 4 ou x = 1
2
2x
(d) x = 4 ou x = 0 (e) x = 0 ou x = −1

Questão 09
2 x +1 = 64 (a) x = -5 (b) x = 1 (c) x = -1 (d) x = 5 (e) x = 10

Questão 10
49 x −1 = 7 (a) x = 3
2 (b) x = − 23 (c) x = − 32 (d) x = 0 (e) x = 2
3

Gabarito
1) B 2)D 3)E 4) A 5) C
6) E 7) B 8) A 9) D 10) A

54
Seção 4.2
Logaritmos

Além do seu emprego generalizado para tornar possíveis operações aritméticas complicadas,
os logaritmos, juntamente com as exponenciais, revelam-se possuidores de notáveis propriedades,
que as qualificam como modelos ideais para certos fenômenos de variação, nos quais a grandeza
estudada aumenta (ou diminui) com taxa de variação proporcional à quantidade daquela grandeza
existente no momento dado. Exemplo deste tipo de variação, (chama-se variação exponencial) é um
capital empregado a juros contínuos (crescimento). Inúmeras outras situações desta natureza existem,
em quantidade e importância suficientes para justificar a presença das funções exponenciais e
logarítmicas na matemática, nas Ciências e na Tecnologia.
A escala Richter é uma escala logarítmica de medição da energia liberada pelos terremotos
sob a forma de ondas que se propagam pela crosta terrestre. Nela, é utilizado o logaritmo decimal. O
logaritmo decimal é também utilizado, na Física, na definição da intensidade auditiva ou nível
sonoro. Na Astronomia, o brilho das estrelas é também medido por uma escala logarítmica. Na
biologia descreve o crescimento populacional de certo tipo de bactérias, assim como em outras áreas
do conhecimento.

Definição:
Considere “b” e “a” números reais positivos, com a ≠ 1, ou seja:
b > 0

a ≠ 1 e a > 0
Definimos: log a b =c ⇔ a c = b .

A esse expoente “c” damos o nome de logaritmo de “b” na base “a”, onde: “b” é o
antilogaritmo (ou logaritmando), “a” é a base e “c” é o logaritmo.

Nomenclatura:
 b = antilogaritmo (ou logaritmando),
 a = base,
 c = logaritmo.

55
Exemplos:
1) log 2 8 → logaritmo de oito na base 2

2) log 3 81 → logaritmo de oitenta e um na base três

OBS:
a) Quando a base é 10 omite-se a base, ou seja, ao invés de log10 8 , escrevemos apenas log 8 .
b) Quando a base é o número “e” (“e” é um número irracional aproximadamente igual a
2,718281828459045... - chamado Número de Euler)., ao invés de escrevermos log e 10 , escrevemos

ln 10 .

Exemplos:
1) Calcule o valor indicado em cada item.
a) log 2 8
Solução:
Como queremos calcular o valor de log 2 8 , escrevemos inicialmente que log 2 8 = x
Portanto, estamos chamando o log 2 8 de x, e nosso trabalho, consiste então em encontrar o

valor desse “x”. Logo a seguir, utilizando a definição de logaritmo podemos escrever: 2 x = 8
 Dessa forma, nosso trabalho então se restringe a resolver a equação exponencial
2 x = 23
resultante,
x=3
 Ou seja, em log 2 8 = x , como encontramos que x = 3, portanto escrevemos: log 2 8 = 3

b) log 25
Solução
Como queremos calcular o valor de log 25 , escrevemos inicialmente que log 25 = x
Na situação apresentada, nosso trabalho consiste em determinar o logaritmo decimal do valor
25. Neste caso utilizaremos uma calculadora científica que nos fornecerá imediatamente o valor
pedido, da seguinte forma:
Digitar: 25 log
Ler no visor: 1.397940009
Portanto podemos dizer que “aproximadamente” o valor de log 25 é 1,39794, ou seja:
log 25 ≅ 1,39794

56
c) ln 75
Solução:
Como queremos calcular o valor de ln 75 , escrevemos inicialmente que ln 75 = x
Na situação apresentada, nosso trabalho consiste em determinar o logaritmo “natural” (ou
“neperiano”) do valor 75. Neste caso utilizaremos uma calculadora científica que nos fornecerá
imediatamente o valor pedido, da seguinte forma:
Digitar: 75 ln
Ler no visor: 4.317488114
Portanto podemos dizer que “aproximadamente” o valor de ln 75 é 4,31748, ou seja:
ln 75 ≅ 4,31748

2) Calcule o valor dos antilogaritmos (ou logaritmandos) nas expressões.


a) log 3 x = 4

Solução:
Utilizando a definição de logaritmo podemos escrever: 3 4 = x
Calculando a potência indicada encontramos que: x = 81
Portanto podemos dizer que o valor de x na expressão log 3 x = 4 é 81, ou seja:

log 3 x = 4 ⇒ x = 81

b) log x = 2,456
Solução:
A expressão indica que o logaritmo utilizado é o logaritmo decimal, ou seja, a base que não
aparece escrita é a base dez, assim poderíamos escrever a expressão da seguinte maneira:
log 10 x = 2,456

Logo a seguir utilizamos a definição de logaritmo e escrevemos: 10 2, 456 = x


Utilizando a calculadora científica, calculamos a potência indicada, ou seja;
x = 285 .7590543
Portanto podemos dizer que “aproximadamente” o valor de x na expressão log x = 2,456 é
285,759, ou seja:
log x = 2,456 ⇒ x ≅ 285,759

57
c) ln x = 0,743
Solução:
A expressão indica que o logaritmo utilizado é o logaritmo natural (ou neperiano), ou seja, a
base que não aparece escrita é o número “e”, assim poderíamos escrever a expressão da seguinte
maneira: log e x = 0,743

Logo a seguir utilizamos a definição de logaritmo e escrevemos: e 0, 743 = x


Utilizando a calculadora científica, calculamos a potência indicada, ou seja; x = 2.102232762
Portanto podemos dizer que “aproximadamente” o valor de x na expressão ln x = 0,743 é 2,1022, ou
seja: ln x = 0,743 ⇒ x ≅ 2,1022

Exercícios

1) Calcule o valor dos logaritmos a seguir e marque a alternativa correta:


Questão 01
log 2 4 (a) 2 (b) 4 (c) -2 (d) 8 (e) 6

Questão 02
log 5 25 (a) -2 (b) 4 (c) 2 (d) 0 (e) 1

Questão 03
log 4 4 (a) 0 (b) 2 (c) 3 (d) 4 (e) 1

Questão 04
log 2 2 (a) 1
3
(b) 2 (c) -1 (d) − 12 (e) 1
2

Questão 05
1 1
log 3 81 (a) -4 (b) 4 (c) 3
(d) 1 (e) 2

Questão 06
log 76 (a) 0,88 (b) 2,88 (c) 1,88 (d) 3,88 (e) 4,88

58
Questão 07
ln 6 (a) 0,79 (b) -0,79 (c) -1,79 (d) 1,79 (e) 0

2) Calcule o valor de “x” (antilogaritmo) nas expressões a seguir.


Questão 01
ln x = 0 (a) 3 (b) -1 (c) 1 (d) 0 (e) 2

Questão 02
log x = 3,30103 (a) 2 (b) 20000 (c) 20 (d) 200 (e) 2000

Questão 03
log x = 1 (a) 100 (b) 10 (c) 1 (d) -10 (e) -100

Questão 04
log x = 2,69897 (a) 5 (b) 500 (c) 0,5 (d) 5000 (e) 50000

Questão 05
log 2 x = 5 (a) 32 (b) 64 (c) 16 (d) 8 (e) 128

Questão 06
ln x = 0,269 (a) 3,31 (b) 2,31 (c) 0,31 (d) 1,31 (e) 4,31

3) Calcule o valor de cada expressão a seguir.


Questão 01
S = log 10 + log 2 8 − log 9 1 (a) 1,5 (b) 3,5 (c) 2,5 (d) 0 (e) 4,5

Questão 02
S = ln 12 + log 2 64 − log 4 32 (a) 4,98 (b) -5,98 (c) 3,98 (d) 2,98 e) 5,98

59
Gabarito

1) Questão 1: a 2) Questão 1: c 3) Questão 1: c


Questão 2: c Questão 2: e Questão 2: e
Questão 3: e Questão 3: b
Questão 4: e Questão 4: b
Questão 5: b Questão 5: a
Questão 6: c Questão 6: d
Questão 7: d

Conseqüências da definição
São propriedades que decorrem imediatamente da definição de logaritmo (considerando que
b > 0; a ≠ 1 e a > 0 ).

1) log a a = 1 , ou seja, “o logaritmo de um número numa base que é esse mesmo número é
igual a 1”.
Facilmente mostramos o que está posto nesta conseqüência, ou seja, vamos calcular o valor de
log a a . Para isso diremos que log a a = x , a seguir usando a definição de logaritmo escrevemos:

log a a = x ⇒ a x = a ⇒ a x = a 1 ⇒ x = 1

Portanto, temos imediatamente da definição que log a a = 1

2) log a 1 = 0 , ou seja, “o logaritmo da unidade em qualquer base a é igual a 0”.


Também podemos mostrar facilmente o que está posto nesta conseqüência, ou seja, vamos
calcular o valor de log a 1 através da aplicação da definição de logaritmo, ou seja, diremos que:

log a 1 = x ⇒ a x = 1 ⇒ a x = a 0 ⇒ x = 0

Portanto, temos imediatamente da definição que log a 1 = 0

= b , ou seja, “a potência da base a e expoente log a b é igual a b”.


log a b
3) a

60
Para mostrarmos esta conseqüência chamamos inicialmente log a b = x . Nesta expressão

aplicando a definição de logaritmo temos: log a b = x ⇔ a x = b . Portanto em


log a b
a , substituindo

= ax
log a b
log a b por x, teremos imediatamente: a
Mas, sabemos da definição de logaritmo que a x = b , assim então, podemos finalmente

= ax = b.
log a b
escrever: a
=b
log a b
Portanto temos imediatamente da definição que: a

4) log b = log c ⇔ b = c , ou seja, “dois logaritmos em uma mesma base são iguais se,
a a
e somente se, os antilogaritmos são iguais.
Para mostrarmos esta conseqüência da definição aplicamos na igualdade a definição de

logaritmo, ou seja, log b = log c ⇔ a =b


log a c
a a

= c , portanto teremos que:


log a c
Da conseqüência de número três temos que a
log b = log c
a a
=b
log a c
a
c=b

Mudança de base
Há ocasiões em que logaritmos em bases diferentes precisam ser convertidos para uma única
base conveniente, por exemplo, na resolução de cálculos com a calculadora científica podemos
utilizar duas bases: a base 10 (log) e a base e (ln). Para realizarmos a mudança da base a para uma
base qualquer c realizamos a seguinte operação:
log c b
log a b =
log c a
Exemplo 1:
log 81
log 3 81 = (mudança da base 3 para base 10)
log 3

1,908485019
log 3 81 =
0,477121254
log 3 81 = 4

61
Exemplo 2:
ln 8
log 2 8 = (mudança da base 2 para base e)
ln 2
2,079441542
log 2 8 =
0,69314718
log 2 8 = 3

Propriedades dos Logaritmos


O conceito de logaritmo nos permite deduzir as propriedades a seguir, que regem todo o
cálculo com logaritmos.

1) Propriedade do quociente. O logaritmo do quociente de dois números numa determinada base a


( 0 < a ≠ 1) é igual à diferença entre o logaritmo do dividendo e o logaritmo do divisor.
log a ( MN ) = log a M − log a N

2) Propriedade do produto. O logaritmo do produto de dois (ou mais) fatores numa dada base a
( 0 < a ≠ 1) é igual à soma dos logaritmos desses fatores na mesma base.

log a ( M ⋅ N ) = log a M + log a N

3) Propriedade da potência. O logaritmo de base a ( 0 < a ≠ 1) da potência Nα é igual ao produto do

expoente α pelo logaritmo de N na mesma base.


log a N α = α ⋅ log a N
Exemplo 1:
Considerando log 6 x = 0,301 e log 6 y = 0,4771 , determine o valor de cada expressão.

a) log 6 6 xy
Solução:
log 6 6 xy = log 6 6 + log 6 x + log 6 y

log 6 6 xy = 1 + 0,301 + 0,4771

log 6 6 xy = 1,7781

62
b) log 6 x 5
Solução:
log 6 x 5 = 5 ⋅ log 6 x

log 6 x 5 = 5 ⋅ 0,301

log 6 x 5 = 1,505

Exemplo 2:
Determine o valor de x na expressão: 3 x = 2 .
Solução: Para resolver esta equação exponencial, como temos bases diferentes, utilizamos
logaritmos a seguinte maneira:

3x = 2 3x = 2
ln 3 x = ln 2 log 3 x = log 2
x ⋅ ln 3 = ln 2 x ⋅ log 3 = log 2
Ou
ln 2 0 ,69314718 log 2 0,301029995
x= ⇒ x= ⇒x=
ln 3 1,098612289 log 3 0,477121254
x ≈ 0,63 x ≈ 0,63

Exemplo 3:
Dados log a 2 = 0,402 , log a 3 = 0,631 e log a 5 = 0,801 , determine o valor de cada logaritmo abaixo.

a) log a 48
Solução:
log a 48 = log a (2 4 ⋅ 3)

log a 48 = log a 2 4 + log a 3

log a 48 = 4. log a 2 + log a 3

log a 48 = 4.0,402 + 0,631

log a 48 = 1,608 + 0,631

log a 48 = 2,239

63
b) log a ( 125 )
Solução:
log a ( 125 ) = log a 12 − log a 5

log a ( 125 ) = log a (2 2.3) − log a 5

log a ( 125 ) = log a 2 2 + log a 3 − log a 5

log a ( 125 ) = 2. log 2 + log a 3 − log a 5


a

log a ( 125 ) = 2.0,402 + 0,631 − 0,801

log a ( 125 ) = 0,804 + 0,631 − 0,801

log a ( 125 ) = 0,634

Cologaritmo
O cologaritmo de um número b ( b > 0 ) numa base a ( 0 < a ≠ 1) , é o logaritmo do inverso
deste número, sendo então:
1
co log a b = log a   = log a b −1 = − log a b
b
Exemplo:
Determine o cologaritmo de cinco na base 3, ou seja co log 3 5 .
Solução: Temos, portanto, utilizando a definição de cologaritmo que:
1
co log 3 5 = log 3   = log 3 5 −1 = − log 3 5
5

Exercícios

1) Aplicando a definição, calcule o valor dos logaritmos.


a) log25 0,2 b) log16 32 c) log 8
4

1
d) log 1
27 e) log 9 9
3

64
2) Calcule o valor de cada expressão.
a) 5 log 5 2 b) 2 log 2 π

3) Dados log 2 = 0,30103; log 1,2 = 0,07918; log 3 = 0,47712; log 5 = 0,69897. Determine os valores
a seguir.
a) log (5⋅10-5) b) log (1,2⋅105)

4) Calcule o valor de x em cada expressão (o antilogaritmo).


a) ln x = 0 b) log x = 4,30103 c) log x = 1 d) ln x = 3

5) Para todo número x > 0, indicamos log x = log10 x . Dados log 2 = 0,3010 e log 3 = 0,4771 ,
calcule aplicando as propriedades dos logaritmos.
a) log 6 b) log 18

6) Dado log 5 = 0,69897, calcule:


a) log 500 b) log 0,5

7) Determine o valor de x nas equações exponenciais a seguir.


a) ex = 104 b) e4 = 10x c) 10x = e2,4
d) 102x = e e) 2x = 3

Gabarito

Questão 01 Questão 02 Questão 03 Questão 04 Questão 05 Questão 06 Questão 07

a) -1/2 a) 2 a) -4,30103) a) 1 a) 0,7781 a) 2,69897 a) 9,21)

b) 5/4 b) π b) 5,07918 b)20000 b) 1,2552 b) -0,30103 b) 1,73

c) 4/3 c) 10 c) 1,04

d) -3 d) 20 d) 0,21

e) -1 e) 1,58

65
MÓDULO V

Seções deste módulo


5.1. Matrizes e Determinantes
5.2. Sistemas lineares

Objetivos
Oportunizar ao aluno a compreensão sobre matrizes e determinantes, bem como a resolução
de sistemas lineares via processo de escalonamento.

Seção 5.1
Matrizes e Determinantes
5.1.1) Matrizes
Uma matriz é um arranjo retangular de números variáveis, cada um tendo um lugar ordenado
dentro da matriz. Os números ou variáveis chamados elementos da matriz. Os números em cada fila
horizontal são chamados linhas; os números em cada fila vertical são chamados colunas. O número
de linhas (m) e o número de colunas (n) definem as dimensões da matriz (m x n) que se lê “m por n”.
Representaremos uma matriz de “m” linhas e “n” colunas por:
 a11 a a .... a 

[aij]
12 13 1n
 
a a a .... a
Am×n =  ....21 ....
22
....
23 2n 
.... .... 
=
m× n
, “i = linha e j = coluna”
 
a m1 a m2 a m3
.... a mn 

5.1.2) Operações com Matrizes

Adição e subtração de matrizes


A+B ou A-B, ambas requerem que as matrizes sejam de iguais dimensões. Cada elemento de
uma matriz é então somado ou subtraído ao correspondente elemento da outra matriz.

66
Exemplos:
 2 − 2 0 4 
Dadas A =   e B= 
2 5  1 − 5

 2 − 2  0 4   2 + 0 − 2 + 4   2 2 
a) A + B =  + = = 
2 5  1 − 5  2 + 1 5 − 5  3 0 

 2 − 2  0 4   2 − 0 − 2 − 4   2 − 6 
b) A – B =  − = = 
2 5  1 − 5  2 − 1 5 + 5  1 10 

Multiplicação por um escalar


A multiplicação de uma matriz (A) por um escalar (k) envolve a multiplicação de cada
elemento da matriz pelo escalar Este processo é chamado “multiplicação escalar”, porque ele altera
a matriz, pois cada um dos coeficientes é k vezes o elemento correspondente da matriz dada.

Exemplo:
1 1 2
Se k=5 e A = 3 6 1 então:
0 − 3 8

1 1 2  5.1 5.1 5.2  5 5 10 


  
kA= 5 3 6 1  = 5.3 5.6  
5.1 = 15 30 5 
0 − 3 8 5.0 5.(−3) 5.8  0 − 15 40

Produto entre duas matrizes


O produto das matrizes A m× p
e B p×n é a matriz C m×n
, onde cada elemento C ij
é obtido

através da soma dos produtos dos elementos i-ésima linha de A pelos elementos da j-ésima coluna de
B.

67
Exemplo:
 1 1 2
3 − 1 0  
Se A =   e B =  0 7 3 então:
1 2 5   − 3 1 0

3.1 + (−1).0 + 0.(−3) 3.1 + (−1).7 + 0.(1) 3.2 + (−1).3 + 0.0


A2×3 ⋅ B3×3 = 
 1.1 + 2.0 + 5.(−3) 1 .1 + 2 .7 + 5 .1 1.2 + 2.3 + 5.0  2×3

 3 − 4 3
A2×3 ⋅ B3×3 =  
− 14 20 8 2×3

5.1.3) Determinante
Determinante é um escalar associado a uma matriz quadrada.

Determinante de primeira ordem


Dada uma matriz quadrada de primeira ordem M = [a ]
11
chamamos de determinante

associado à matriz M o número real a 11


.

det M = a 11

Observação. A notação M indica também, o cálculo do determinante

da matriz M.

Determinante de segunda ordem.


 
Dada a matriz M =  a11 a 12
 , de ordem 2, temos por definição que o determinante
a 21 a 22 

associado a essa matriz, ou seja, o determinante de segunda ordem é dado por: “produto dos
elementos da diagonal principal menos o produto dos elementos da diagonal secundária”.
a11 a12
det M = = a .a
11 22
− a .a
12 21
a 21 a 22

68
Exemplo:
1 3 1 3
Se M =   então o det M será dado por: = 1.3 – 3.2 = 3 – 6 = –3
2 3 2 3

Determinante de terceira ordem. (Regra de Sarrus).


 a11 a a 
 
12 13
Seja M = a 21 a 22 a 23 
o seu determinante é dado por:
a a a 
 31 32 33 

a11 a12 a13 a11 a12


1°) repetimos as duas primeiras coluna ao lado da última. a 21 a 22 a 23 a 21 a 22
a31 a32 a33 a31 a32

2°) Encontramos a soma do produto dos elementos da diagonal principal com os dois produtos
obtidos pela multiplicação dos elementos das paralelas a essa diagonal com 3 elementos:

(a11 ⋅ a 22 ⋅ a33 + a12 ⋅ a 23 ⋅ a31 + a13 ⋅ a 21 ⋅ a32 )

3°) Encontramos a soma do produto dos elementos da diagonal secundária com os dois produtos
obtidos pela multiplicação dos elementos das paralelas a essa diagonal com 3 elementos.

(a13 ⋅ a 22 ⋅ a31 + a11 ⋅ a 23 ⋅ a32 + a12 ⋅ a 21 ⋅ a33 )

4°) Realizamos a diferença entre os dois resultados.


(a11 ⋅ a 22 ⋅ a33 + a12 ⋅ a 23 ⋅ a31 + a13 ⋅ a 21 ⋅ a32 ) - (a13 ⋅ a 22 ⋅ a31 + a11 ⋅ a 23 ⋅ a32 + a12 ⋅ a 21 ⋅ a33 )

69
Exemplo:
Para calcular o determinante da matriz M procedemos da seguinte maneira:
1 1 4  1 1 41 1
 
M = 2 5 3 → repetimos as duas primeiras colunas 2 5 3 2 5
0 3 2 0 3 20 3

det M = (1.5.2 + 1.3.0 + 4.2.3) − (4.5.0 + 1.3.3 + 1.2.2) =


= (10 + 0 + 24) − (0 + 9 + 4) =
= 34 − 13 = 21

5.1.4) Menor Complementar


Chamamos menor complementar relativo ao elemento a ij
de uma matriz quadrada M, o

determinante M ij associado à matriz obtida de M quando suprimimos a linha i e a coluna j.

Exemplo:
2 1 3
Dada a matriz M = − 1 − 2 4  determine M23.

 1 0 − 3

Solução. Para determinarmos M23, devemos calcular o determinante que obtemos suprimindo
2 1
da matriz M a linha 2 e a coluna 3, ou seja; M23 = = 0 – 1 = – 1.
1 0

5.1.5) Cofator
Chamamos de cofator relativo ao elemento a ij
de uma matriz quadrada o número C ij tal

que:
C ij = (−1) i + j ⋅ M ij

Exemplo:
2 1 3
Dada a matriz M = − 1 − 2 4  determinar

C 22
e C 12
.
 1 0 − 3

Solução:
Para determinarmos o cofator C 22 teremos: C 22 = (−1) 2+ 2 . M 22

70
2 3
ou seja: C 22 = (−1) 2+ 2 . = 1.(−9) = −9
1 −3

De forma análoga encontraremos o cofator C12 , ou seja: C12 = (−1)1+ 2 . M 12

−1 4
C12 = (−1)1+ 2 . = −1.(−1) = 1
1 −3

5.1.6) Teorema de Laplace


O determinante de uma matriz quadrada M m× m
(m ≥ 2) pode ser obtido pela soma dos
produtos dos elementos de uma fila qualquer (linha ou coluna) da matriz M pelos respectivos
cofatores.

Exemplo: Considere a matriz M e logo a seguir calcule o valor de seu determinante, utilizando o
teorema de Laplace.
2 1 3
M = − 1 − 2 4 

 1 0 − 3

Solução:
Inicialmente devemos escolher uma fila qualquer da matriz M (indiferente se é linha ou
coluna). Vamos supor, em primeiro lugar, que a fila escolhida tenha sido a primeira linha. Portanto
pelo teorema de Laplace teremos que o determinante da matriz M será dado pela expressão:
det M = 2 ⋅ C11 + 1 ⋅ C12 + 3 ⋅ C13

Nosso próximo passo será então calcular os cofatores C11 , C12 e C13 , onde sabemos que cada

um deles é calculado pela expressão: C ij = (−1) i + j ⋅ M ij

Assim:

−2 4 
C11 = (−1) 2 = 1.6 = 6 
0 −3 
−1 4 
C12 = (−1) 3 = −1. − 1 = 1 cofatores de primeira linha
1 −3 
−1 − 2 
C13 = (−1) 4 = 1.2 = 2 
1 0 

Portanto o determinante da matriz M será dado por: det M = 2.6+1.1+3.2 = 19

71
Do mesmo modo poderíamos ter calculado o determinante da matriz M, escolhendo outra fila
qualquer da matriz, por exemplo, a segunda coluna. Teríamos então nesta situação, que o
determinante da matriz M, seria dado por: det M = 1 ⋅ C12 − 2 ⋅ C 22 + 0 ⋅ C32

Nesta situação, nosso próximo passo será então calcular os cofatores C12 , C 22 e C 32 , onde

sabemos que cada um deles é calculado pela expressão: C ij = (−1) i + j ⋅ M ij

Assim:
−1 4 
C12 = ( −1) 3 = −1. − 1 = 1
1 −3 
2 3 
C 22 = (−1) 4
= 1. − 9 = −9  cofatores de segunda coluna
1 −3 

5 −2 3
C 32 = (−1) = −1. − 5 = 5 
−1 4 

Portanto se a fila que escolhemos para aplicar o teorema de Laplace foi a segunda coluna, o
determinante da matriz M será dado por: det M = 1 ⋅ 1 − 2 ⋅ (−9) + 0 ⋅ 5 = 19

5.1.7) Algumas propriedades dos Determinantes


• Seja A uma matriz, contendo uma coluna (ou linha) onde todos os elementos são iguais a zero.
Então, det A = 0.

Exemplo:
1 0 3
Se A = 3 0 1 então o det A =(1.0.0+0.1.4 + 3.0.3) – (3.0.4+1.0.1+0.3.0) = 0
4 0 0

• det A = det
t t
A , onde A indica a transposta da matriz A, ou seja, a matriz obtida a partir de A,
trocando-se ordenadamente suas linhas por suas colunas.
Exemplo:
5 − 1  5 2
Se A =   e At =  
2 1  − 1 1 
det A = 5 + 2 = 7 det At =5 + 2 = 7

72
• Seja A uma matriz, contendo duas linhas (ou duas colunas) paralelas iguais. Então, det A = 0.
Exemplo:
3 3
Seja A =   então o det A = 3.2 – 3.2 = 6 – 6 = 0
2 2

• Se na matriz A duas linhas (ou duas colunas) têm seus elementos correspondentes proporcionais,
o determinante é nulo.
Exemplo:
3 6
Dada A =   , o det A = 3.4 – 6.2 = 12 – 12 = 0
 2 4

• Quando trocamos as posições de duas filas paralelas (linhas ou colunas), o determinante muda de
sinal.
Exemplo:
3 4 1
Seja A = 1 5 0 então o det A = -(1.5.6) = - 30
6 0 0

Se trocarmos as duas primeiras colunas de lugar se obterá a matriz:


 4 3 1
A' = 5 1 0 e o det A’ = (1.5.6) = 30
0 6 0

• Se A e B são matrizes quadradas de ordem n, então: det (A . B) = det A . det B.


Exemplo:
3 1   5 1 13 5
Seja A =   e B=  e A.B =  
2 2 − 2 2  6 6
det A = 4 det B = 12 det (A.B) = 48
Assim, facilmente podemos verificar que:det (A . B) = det A . det B, pois:
48 = 4 . 12 ⇒ 48 = 48

• Quando se multiplicam por um número real todos os elementos de uma linha ou de uma coluna da
matriz A, o determinante fica multiplicado por esse número.

73
Exemplo:
 5 1  10 1 
Dadas A =   e B= − 4 2 , observa-se que a 1ª coluna da matriz B é a 1ª coluna da
− 2 2  
matriz A, que foi multiplicada por 2, logo o determinante da matriz B será multiplicado por 2, ou
seja:
det A = 12 det B = 2.12 = 24

Exercícios
1) Determine os valores de x e y nas igualdades.
 2x 3 y   x + 1 2 y   2 0  2 y 
a)   =   b)  = 
3 4  3 y + 4  − 1 x  − 1 3 

2) Calcule x, y e z tais que se verifique as igualdades a seguir.


 x2 −1 0 x  0 0 1 x+ y 3 5 3
a)  =  b) =
 0 y − 4 1   0 0 z 
2
2y x z y +1

2 x − 3 y 2  12 2 
c)   =
 0 13  0 5 x + y 

3) Sendo 
 1
−1  
−5 1 
  , calcule o que se pede a seguir.
A=  9  B =  3  e C =  0 1

2
 3
2  2
 5
−1  
−1 2
   
a) 2 ( 14 A + 14 B )
b) B - C
c) o elemento x21 da matriz X = 23 A + 103 B − 23 C

− 1
1 2 3  − 2 0 1
4) Sejam: A =   B=  C =  2  D = [2 − 1] , calcule o indicado.
2 1 − 1  3 0 1  4 

a) A.C b) B.C c) C.D d) D.A e) D. B

3 − 2 7  6 − 2 4
5) Sejam A = 6 5 4 e B = 0 1 3 , encontre o indicado em cada item.
 
0 4 9 7 7 5

a) a primeira linha de AB b) a terceira linha de AB

74
c) a segunda coluna de AB d) a primeira coluna de BA

6) Calcule os determinantes das matrizes a seguir, usando as propriedades.


 41 7 4 1 2 1 3 3 1 4 
  2 − 1 3 1 7 
1 0 0  0 0 0 0 0 1 2 1  
A = 3 2 4 ; B =  1 3 18 4 5  ; C = 3 2 3 ; D = 4 28 29 1 44
   
6 4 8  2 − 1 7 38 4  1 5 1 4 28 29 1 44
28 31 − 1 3 5  2 1 1 5 7 

7) Calcule os determinantes das matrizes a seguir, por Laplace.


21 0 38 44 2 3 4 − 1
 0 −1 0 0  0 0 2 0 
A=  B=
 0 17 1 1   3 −1 1 1
   
 0 25 2 1  − 1 0 2 3

8) Calcule os determinantes a seguir.


2 3 −4 1 2 4
12 4 7 −3
a) b) c) − 2 1 2 d) 1 − 3 9
1 0,4 4 −2
0 5 6 1 4 16

9) Calcule o valor de x nas igualdades abaixo.


1 0 −1 2 1 3
3x 3 3x 1
a) =0 b) =0 c) x 1 3 =0 d) 4 − 1 x − 1 = 12
4 x+3 8 2
3 x
1 x 3 x 0 x

10) Calcule os determinantes das matrizes obtidas pelas operações indicadas.


2 − 4 1 − 2  1 2 4 1 
a) F =  − 1 
b) G =  ⋅ 
3 2  3 2  − 3 4 2 − 3

 2 3  − 1 2
11) Sendo A =   e B =   , calcule
 4 5  3 4
a) det (A+B) b) det A + det B c) det A . det B

75
1 1 3
2x 4
12) Calcule o valor de x para que se tenha x x 4 = .
1 x
0 x 2

Gabarito

Questão 01
a) x = 1 e y = 0 b) x = 3 e y = 0

Questão 02
a) x = 1; y = ±2 e z = 1 b) x= 3; y = 2 e z= 4 c) x = 3 e y = -2

Questão 03
− 2 1
9  − 5 − 23  22
a)  8  b)  7  d)
 5 − 3
1
 15 2  9

Questão 04
− 2 1 
 15  6 
a)   b)   c)  4 − 2 d) [0 3 7] e) [− 7 0 1]
 − 4 1   8 − 4

Questão 05
 41 6
a) [67 41 41] b) [63 67 57] c)  21 d)  6 
67 63

Questão 06
det A = 0 (duas linhas proporcionais) det B= 0 (uma linha nula)
det C = 0 (duas colunas iguais) det D = 0 (duas linhas iguais)

76
Questão 07
det A = 21 det B = 70

Questão 08
a) 0,8 b) -2 c) 68 d) -70

Questão 09
a) (1,-4) b) ± 2 c) (1,-4) d) (6,-2)

Questão 10

a) 3 2 b) -140

Questão 11
a) -26 b) -12 c) 20

Questão 12
2

Seção 5.2
Sistemas lineares
Um sistema de equações lineares com m equações e n incógnitas é um conjunto de equações
do tipo:
 a11 x1 + a12 x 2 + ...... + a1n xn = b1

 a 21 x1 + a 22 x 2 + ...... + a 2 n x n = b2

 a31 x1 + a32 x2 + ...... + a3n x n = b3
 ::::::::::::::::::::::::::::::::::

a m1 x1 + a m 2 x 2 + ........ + a mn x n = bm

a mn
=coeficientes das incógnitas
onde: x n
=incógnitas

bm
= termos independentes.

77
Exemplo:
 x + 2y + z = 1

 2 x + y − 3z = 4
3x + 3 y − 2 z = 0

a) Matrizes associadas a um sistema linear


Temos duas matrizes associadas a um sistema linear e elas são chamadas de matriz
incompleta e matriz completa.
• Matriz incompleta: é a matriz formada pelos coeficientes das incógnitas do sistema, ou seja:
 a11 a ..... 
a
 12 1n

 2n 
M =  a 21 a a
22
.....
: : : : 
 
 ..... a mn 
 a m1 a m2

Exemplo:
 x + 2y + z = 1 1 2 1 
  
No sistema  2 x + y − 3z = 4 , a matriz incompleta é dada por: M =  2 1 − 3
3x + 3 y − 2 z = 0  3 3 − 2
  

• Matriz completa: é a matriz, que obtemos ao acrescentarmos à matriz incompleta uma última
coluna formada pelos termos independentes das equações do sistema, ou seja:

 a11 a ..... a b 
 12 1n 1

 b 
N =  a21 a a
22
..... 2n 2
: : : : :
 

 am1 a m2
..... a mn bm 

Exemplo:
 x + 2y + z = 1 1 2 1 1
  
No sistema  2 x + y − 3z = 4 , a matriz completa é dada por: N =  2 1 − 3 4
3x + 3 y − 2 z = 0  3 3 − 2 0
  

78
Podemos dizer que um sistema satisfaz a equação

matricial: A ⋅ X = B , onde:
 x1   b1 
 a11 a ..... a     
 12 1n 
 x2   b2 
 2n 
A=  a 21 a a
.....
22
; X =  x3  e B =  b3 
: : : : 
   :   : 
 ..... a mn     
 a m1 a m2
 xn   bm 
Como a ordem da matriz A é m x n, e a ordem da matriz X é n x 1, teremos que a ordem da
matriz B será m x 1, ou seja:

 a11 x1 + a12 x2 +..... + a1n xn   b1 


   
A ⋅{
{ X={
B  a21 x1 + a22 x2 + ..... + a 2 n xn   b2 
  = : 
⇔ ::::::::::
::::::::::
::::::::::
:
mxn nx1 mx1    
   
 am1 x1 + am 2 x2 + ..... + amn xn   bm 

b) Soluções de um sistema de equações lineares


Se tivermos um sistema de uma equação e uma incógnita, ou seja: ax=b existirão 3
possibilidades:
1. Se a ≠ 0, a equação tem uma única solução x=b/a.
2. Se a = 0 e b = 0, então temos 0.x = 0 e qualquer número poderá ser solução da
equação.
3. Se a = 0 e b ≠ 0, temos 0.x = b e, portanto, não existe solução para esta equação.

uma única solução → Sistema Possível e determinado

Possibilidades infinitas soluções → Sistema Possível e indeterminado

não tem solução → Sistema Impossível

Observação. Esta análise é válida para mais


equações e mais incógnitas.

79
c) Sistemas Equivalentes
Dois sistemas são equivalentes quando possuem a mesma solução.
Exemplo:
x + y = 3 x + y = 3
 
2 x + 3 y = 8 x + 2 y = 5

Estes sistemas são equivalentes, pois ambos possuem como solução o par (1,2), fato que pode
facilmente ser verificado, substituindo x por 1 e y por 2, nas equações dos dois sistemas.

Propriedades dos sistemas equivalentes


1) Trocando de posição as equações de um sistema, obtemos um outro equivalente ao primeiro.
2) Multiplicando uma ou mais equações de um sistema por um número k ∈ R * , obtemos um
sistema equivalente ao primeiro.
3) Adicionando a uma das equações de um sistema o produto de outra equação, desse mesmo
sistema, por um número k ∈ ℜ*,obtemos uma sistema equivalente ao primeiro.

Exemplo:

x + 2 y = 4 x + 2 y = 4 x + 2 y = 4
 ⇒  ⇒ 
 x − y = 1 (−1) − x + y = −1 3 y = 3
↑ _______________________________ ↑
EQUIVALENTES

d) Técnicas de Resolução de Sistemas


Resolver um sistema linear significa determinar um conjunto S tal que este conjunto, verifica
todas as equações que compõem o sistema, e para tanto é necessário optar por alguma técnica de
resolução, como por exemplo, o escalonamento.

Sistemas Escalonados
Dizemos que um sistema está escalonado se o número de coeficientes nulos antes do primeiro
coeficiente não nulo aumenta de equação para equação, como por exemplo:

x − 2 y − z = 1

 y − 3z = 0
 − 7z = 3

80
Procedimento para escalonar um sistema
1. Colocamos como primeira equação aquela em que o coeficiente da primeira incógnita seja
diferente de zero e fazemos este coeficiente igual a 1.

2. Utilizamos as propriedades de sistemas equivalentes, anulamos todos os coeficientes da primeira


incógnita das demais equações.

3. Anulamos todos os coeficientes da segunda incógnita a partir da terceira equação.

4. Repetimos o processo com as demais incógnitas até que o sistema se torne escalonado.

Definição:
Dada uma matriz Am×n e seja Bm×n a matriz escalonada equivalente a A. O posto de A, denotado por

p, é o número de linhas não nulas de B.

Exemplo:

x + y + z = 0

Seja o sistema  x − y + z = 2 , a matriz completa associada a esse sistema é dada por:
 x + 2 y + z = −1

1 1 1 0 
 
A = 1 − 1 1 2 
1 2 1 − 1
 
Utilizando os procedimentos para escalonamento de matrizes (sistemas), obtemos uma nova
matriz equivalente a primeira, dada por:
1 1 1 0  1 1 1 0  1 1 1 0 
     
1 − 1 1 2  L' 2 = L1 − L2 ⇒  0 2 0 − 2 ⇒ 0 2 0 − 2
1 2 1 − 1 L' = L − L  0 − 1 0 1  L' ' = L + 2 L 0 0 0 0 
  3 1 3   3 2 3  

A última matriz encontrada é equivalente a primeira e está na forma escalonada, pois o


número de coeficientes nulos, antes do primeiro coeficiente não nulo, aumenta de equação para
equação. Temos então:

81
1 1 1 0  1 1 1 0 
   
A = 1 − 1 1 2  equivalente a B =  0 2 0 − 2  ⇒ p(A) = 2
1 2 1 − 1 0 0 0 0 
   

Assim o posto da matriz A é 2, pois esse é o número de linhas não nulas da matriz
escalonada B, equivalente a A.

Teorema:
1. Um sistema de m equações e n incógnitas admite solução se e somente se o posto da matriz
completa é igual ao posto da matriz incompleta; caso contrário o sistema é impossível.
2. Se as duas matrizes tem o mesmo posto p e p = n, a solução do sistema será única (n= número de
incógnitas).
3. Se as duas matrizes tem o mesmo posto p e p < n, podemos escolher n - p incógnitas (variáveis
livres - nulidade) e as outras p incógnitas serão dadas em função destas; portanto teremos um
sistema com infinitas soluções.

Exemplo 01:
 x + 2 y − 3z = 4 x + 2 y − 3 z = 4
 
Consideremos o sistema 2 x + 3 y + 4 z = 5 . Na forma escalonada adquire a forma:  y − 10 z = 3
4 x + 7 y − 3z = 10  z =3
 

 Analisemos agora as matrizes completa e incompleta obtidas da forma escalonada:


 1 2 − 3 4
 
Matriz Completa: A =  0 1 − 10 3 
0 0 1 3 

1 2 − 3 
 
Matriz Incompleta: B =  0 1 − 10 
0 0 1 

Determinemos agora o posto dessas duas matrizes, ou seja, analisemos o número de linhas
não nulas de cada uma delas:

pA = 3 e pB = 3

82
Observamos que o posto da matriz completa A é igual ao posto da matriz incompleta B e este
é igual ao número de incógnitas do sistema, que são 3 (n = 3), portanto, o sistema possui uma única
solução, ou seja, é possível e determinado. Para obter esta solução procedemos conforme está
especificado a seguir.

 Consideramos o sistema na sua forma escalonada, ou seja:


x + 2 y − 3 z = 4 x + 2 y − 3 z = 4
 
0 x + y − 10 z = 3 ⇒  y − 10 z = 3
0 x + 0 y + z = 3  z =3
 

 Como já temos o valor da variável z (z = 3, imediatamente da terceira equação), substituímos


este valor na segunda equação. Este procedimento fará com que encontremos imediatamente
o valor da variável y, ou seja:
y − 10 z = 3
y − 10 ⋅ 3 = 3
y − 30 = 3
y = 3 + 30
y = 33

 Por último substituímos os valores encontrados de y e z na primeira equação do sistema,


encontrando assim o valor da variável x, ou seja:
x + 2 y −3z = 4
x + 2 ⋅ 33 − 3 ⋅ 3 = 4
x + 66 − 9 = 4
x + 57 = 4
x = 4 − 57
x = −53

Dessa forma a solução do sistema será dada pela terna de números S = {x, y, z} , ou seja: S = {-53,
33, 3}

83
Exemplo 02:
2 x − y + 3 z = 5

Consideremos o sistema 6 x − 3 y + 9 z = 15 . Na forma escalonada adquire a forma:
4 x − 2 y + 6 z = 3

2 x − y + 3 z = 4

0 x + 0 y + 0 z = 7
0 x + 0 y + 0 z = 0

 Analisemos agora as matrizes completa e incompleta obtidas da forma escalonada:


2 −1 3 5
 
Matriz Completa: A =  0 0 0 7 
0 0 0 0
 

 2 − 1 3
 
Matriz Incompleta: B =  0 0 0 
 0 0 0
 
Determinemos agora o posto dessas duas matrizes, ou seja, analisemos o número de linhas
não nulas de cada uma delas:

pA = 2 e pB = 1

Observamos que o posto da matriz completa A é diferente ao posto da matriz incompleta B,


portanto, o sistema não tem solução, ou seja, é impossível.

Exemplo 03:
x + 2 y + z = 3 x + 2 y + z = 3
 
Consideremos o sistema 3x + 6 y + 3z = 9 . Na forma escalonada adquire a forma: 0 x + y + z = 2
− x + 2 y + z = 1 0 x + 0 y + 0 z = 0
 

 Analisemos agora as matrizes completa e incompleta obtidas da forma escalonada:


1 2 1 3
 
Matriz Completa: A =  0 1 1 2 
0 0 0 0
 

84
 1 2 3
 
Matriz Incompleta: B =  0 1 1 
 0 0 0
 
Determinemos agora o posto dessas duas matrizes, ou seja, analisemos o número de linhas
não nulas de cada uma delas:

pA = 2 e pB = 2
Observamos que o posto da matriz completa A é igual ao posto da matriz incompleta B e este
é menor do que o número de incógnitas do sistema, que são 3 ( n = 3) , portanto, o sistema possui
infinitas soluções, ou seja, é possível e indeterminado. Para obter estas infinitas soluções devemos
determinar o número de variáveis livres que, segundo o teorema é dado por:
 Número de variáveis livres = n – p
 Número de variáveis livres = 3 – 2
 Número de variáveis livres = 1
Devemos, portanto, escolher uma das variáveis (x, y ou z) para ser a variável livre, ou seja,
para escrevermos as demais em função desta que é chamada de variável livre. Podemos por
exemplo escolher como variável livre o “z”, assim teremos:
 Consideramos o sistema na sua forma escalonada, ou seja:
 x+2y+z =3
 x + 2 y + z = 3
 0 x + y + z = 2 ou de forma equivalente 
0 x + 0 y + 0 z = 0  y+z =2

 Na segunda equação escrevemos a variável y em função da variável livre escolhida (z):
y+z =2
y = 2−z
 Por último substituímos o valor encontrado de y na primeira equação do sistema, encontrando
assim o valor da variável x também em função da variável z, ou seja:
x+2y+z =3
x + 2 ⋅ (2 − z ) + z = 3
x + 4 − 2z + z = 3
x−z+4=3
x = 3−4+ z
x = −1 + z
Dessa forma a solução do sistema será dada pela terna de números S = {x, y, z} , ou seja:
S = {-1 + z, 2 - z, z}

85
Através dessa terna genérica poderemos encontrar as infinitas soluções do sistema. Para isso
basta assumirmos valores quaisquer para z e encontrar x e y correspondentes. Observe abaixo:

a) Se assumirmos z = 1 teremos: x = -1 + z, portanto: x = -1 + 1 ⇒ x =0


y = 2 – z, portanto: y = 2 – 1 ⇒ y =1
Assim a terna S = {0, 1, 1} é uma das infinitas soluções do sistema.

b) Se assumirmos z = 2 teremos: x = -1 + z, portanto: x = -1 + 2 ⇒ x = 1


y = 2 – z, portanto: y = 2 – 2 ⇒ y = 0
Assim a terna S = {1, 0, 2} é também uma das infinitas soluções do sistema.

E assim sucessivamente poderemos encontrar


alguns valores das infinitas ternas (x, y, z) que
satisfazem o sistema.
Exercícios

Analisar a solução dos sistemas e resolvê-los quando possível.


2 x − y + z = 5 4 x + 2 y − 6 z = 8
 
1) 3x + 2 y − 4 z = 0 2) 6 x + 3 y − 9 z = 12
x − 2 y + z = 2 2 x + y − 3z = 25
 

4 x + 2 y − 6 z = 8  x − 2 y + 3z = 4
 
3) 6 x + 3 y − 9 z = 12 4) 2 x − 4 y + 6 z = 15
2 x + 2 y − 3 z = 4 3x − 6 y + 9 z = 40
 

 x − 2 y + 3z = 4  x + 2 y − 3z = 4
 
5) 2 x − 4 y + 6 z = 25 6) 2 x + 3 y + 4 z = 5
7 x − 6 y + 9 z = 12 4 x + 7 y − 2 z = 13
 

 x + 2 y − 3z = 4 3x + 2 y + 6 z = 24
 
7) 2 x + 3 y + 4 z = 5 8) 2 x + 4 y + 3 z = 23
4 x + 7 y − 2 z = 32 5 x + 3 y + 4 z = 33
 

4 x + 2 y − 6 z = 8 x + 2 y + z = 9
 
9) 6 x + 3 y − 9 z = 12 10) 2 x + y − z = 3
2 x + y − 3 z = 4 3x − y − 2 z = −4
 

86
Gabarito

1) Sistema possível e determinado → S = {2, 1, 2}


2) Sistema impossível
3) Sistema possível e indeterminado → S = {2 +3z/2, 0, z}
4) Sistema impossível
5) Sistema impossível
6) Sistema possível e indeterminado → S = {-2-17z, 3 + 10z, z}
7) Sistema impossível
8) Sistema possível e determinado → S = {4, 3, 1}
9) Sistema possível e indeterminado → S= {x, -2x + 3z+4, z)
10) Sistema possível e determinado → S = {1, 3, 2}

87
MÓDULO VI

Seções deste Módulo


1.1. Trigonometria

Objetivos
Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos básicos de trigonometria.

Seção 1.1
Trigonometria
Numa primeira visão, Trigonometria é o estudo das relações entre medidas de ângulos e
lados nos triângulos retângulos (trigono = triângulo e metria = medida).

a) Razões trigonométricas no triângulo retângulo


Seja o triângulo retângulo ABC, colocado abaixo, nele identificamos os elementos a seguir.

C
Hipotenusa ⇒ CB = a

a Catetos ⇒ AB = c
b AC = b

Cateto oposto a B̂ = b

A B Cateto adjacente a B̂ = c
c
Cateto oposto a Ĉ = c

Cateto adjacente a Ĉ = b

Constantes trigonométricas
Do ponto de vista matemático, o desenvolvimento da trigonometria está associado à
descoberta de constantes nas relações entre os lados de um triângulo retângulo.

Exemplo:
As medidas dos lados dos triângulos ABC, ADE e AFG estão indicadas na figura. O ângulo
 mede α e, portanto podemos estabelecer as seguintes razões:

88
1º) Razões entre os catetos opostos a  e as hipotenusas:
BC 3 DE 6 3 FG 9 3
= ; = = ; = = 
AC 5 AE 10 5 AG 15 5 
essas razões são chamadas de seno de Â.

2º) Razões entre os catetos adjacentes a  e as hipotenusas:


AB 4 AD 8 4 AF 12 4 
= ; = = ; = = 
AC 5 AE 10 5 AG 15 5 
essas razões são chamadas cosseno de Â.

3º) Razões entre os catetos opostos a  e os catetos adjacentes a Â:


CB 3 ED 6 3 GF 9 3 
= ; = = ; = = 
AB 4 AD 8 4 AF 12 4 
essas razões são chamadas tangentes de Â.

Portanto:
cateto oposto a α cateto adjacente a α cateto oposto a α
sen α = cos α = tg α =
hipotenusa hipotenusa cateto adjacente a α

b) Relações entre seno, cosseno e tangente de ângulos agudos


Se tivermos um triângulo retângulo de hipotenusa igual a 1 u.c. (unidade de comprimento),
teremos:
c
cos α = ⇒ cos α = c
1
b
sen α = ⇒ sen α = b
1

89
Logo Então:

senα
tgα =
cos α
1)

2) Por Pitágoras: sen2 α + cos2 α = 1

Percebemos que a medida do cateto oposto ao ângulo α é exatamente a medida do seno de α


e que a medida do cateto adjacente a α é exatamente a medida do cosseno de α. Com esta idéia,
ampliamos a construção de seno e cosseno para um ângulo α de seguinte forma:
• Considerando o triângulo retângulo de hipotenusa unitária e supondo que o ponto P
corresponde a um ângulo α, e P percorrendo um arco de circunferência de raio unitário. Quando α
varia, P muda de posição, e na figura podemos ver claramente o que acontecerá com os valores de
cos α e sen α.

Na medida que o ângulo α aumenta, no intervalo entre 0º e 90º o cosseno de α diminui e o


seno de α aumenta.

Para determinação da tangente consideramos um triângulo retângulo com cateto adjacente a α


igual a 1 u.c. e teremos:

AB AB
tg α = =
OA 1

__
tg α = AB
90
Com isso podemos reunir em uma só figura as noções de cosseno, seno e tangente de um ângulo
agudo α.

Esta 4ª parte da circunferência de raio unitário


chamaremos de

quadrante trigonométrico.

Exercícios:

1) Dado o triângulo ABC retângulo em A calcule:


∧ ∧
a) sen B d) sen C
∧ ∧
b) cos B e) cos C
∧ ∧
c) tg B f) tg C

2) Dado o triângulo retângulo CDE, reto em C, calcule:


∧ ∧
a) sen D d) sen E
∧ ∧
b) cos D e) cos E
∧ ∧
c) tg D f) tg E

3) Calcule cosseno e tangente do ângulo B, quando:


∧ 3 ∧
a) sen B = c) sen B = 0,57
5
∧ 2 ∧
b) sen B = d) sen B = 0,95
3

91
Gabarito
1) a) 3/5 b) 4/5 c) 3/4 d) 4/5 e) 3/5 f) 4/3

2 5 5 5 2 5
2) a) b) c) 2 d) e) f) 1/2
5 5 5 5

∧ ∧ ∧ ∧
3) a) cos B = 4 / 5 e tg B = 3 / 4 b) cos B = 5 / 3 e tg B = 2 5 / 5
∧ ∧ ∧ ∧
c) cos B = 0,82 e tg B = 0,69 d) cos B = 0,31 e tg B = 3,06

c) Medida de arco
Analisaremos as duas unidades mais importantes de medir arcos de circunferências (ou
ângulos): o grau e o radiano.
Grau. Consideremos uma circunferência qualquer dividida em 360 partes iguais, cada uma
dessas partes é uma unidade de medida da amplitude de qualquer arco dessa mesma circunferência.
Essa unidade de medida é chamada de um grau e indicamos por 1º. Portanto 1 grau corresponde a
1
da circunferência onde está o arco a ser medido.
360

} 1o = 1
360

Os submúltiplos do grau são estabelecidos no sistema de base 60 (sexagesimal). São eles:


a) Minuto (de arco): 1º = 60’
b) Segundo (de arco): 1’ = 60”

Radiano. Um arco de 1 rad (um radiano) é um arco cujo comprimento é igual ao raio da
circunferência que o contém. Isto significa que se pudéssemos “desentortar” o arco e medir o
comprimento obteríamos como resultado o raio da circunferência.

92
Sabemos que o comprimento da circunferência de raio “r” é 2πr, onde π = 3,141592 ..... Isto

significa que “desentortando” a circunferência, obtemos um segmento de medida 2π vezes o raio.


Como a cada raio corresponde 1 rad, concluímos que a circunferência possui um arco de 2π rad.

Usando o fato de que um arco de π rad mede 180º, podemos fazer a conversão de unidades
empregando uma regra de três simples.

180º corresponde a π rad ou seja 180º corresponde a 3,141592...rad

Exemplo:
Qual é a medida em radianos de um arco de 6cm contido numa circunferência de raio 2cm?

Solução: Se o raio é 2 cm, então, um arco de


comprimento 2 cm tem medida 1 rad.
Concluímos que um arco de 6 cm mede 3 rad.
Como o ângulo central tem a mesma medida do
arco correspondente, concluímos que o ângulo
α da figura, mede 3 rad.

Comprimento de um arco

Sejam:
l = comprimento do arco
r = raio
α = ângulo central

93
Vamos determinar o comprimento do arco l , conhecendo o ângulo central α
correspondente. Sabemos que uma circunferência tem comprimento igual a 2πr, ao mesmo tempo em
que apresenta um ângulo de 2π rad. Portanto um arco de ângulo α terá um comprimento l , ou seja:
2πr u. m. → 2π rad 2πr um ⋅ α rad
l= l = r ⋅ α u.m.
l → α rad 2π rad
Por outro lado, conhecendo o comprimento do arco, podemos determinar a medida do ângulo
central correspondente:
2πr u. m. → 2π rad 2π rad ⋅ l um l
α= α= rad
l u. m. → α 2πr um r

Exemplo:
Consideremos a seguinte aplicação. Um relógio tem ponteiro das horas e ponteiro dos minutos.
Pergunta-se:
a) Qual é o deslocamento do ponteiro das horas em uma hora?
Solução:

Notando que o mostrador está dividido em 12 partes iguais (uma para cada hora) então, para
cada hora corresponderá um deslocamento de 360 o ÷ 12 , ou seja, em 1 hora o ponteiro das horas se
desloca 30º.

b) Qual é o deslocamento do ponteiro das horas em um minuto?


Solução:
Já sabemos que em uma hora (60 min) o ponteiro das horas se desloca 30º. Temos a seguinte
regra de três simples e direta:

tempo (em min) deslocamento (em graus)


60 30
1 x

94
Portanto x = 0,5º, então, em cada minuto (tempo) o ponteiro das horas se desloca 0,5º, ou seja,
30’(ângulo).

c) Qual é o deslocamento do ponteiro dos minutos em 1 hora?


Solução:
Numa hora o ponteiro dos minutos dá uma volta completa, ou seja, o deslocamento é 360º.

d) Qual é o deslocamento do ponteiro dos minutos em 1 minuto?


Solução:
Numa hora (60 minutos) o ponteiro dos minutos se desloca 360º. Portanto:
Tempo (em min) deslocamento (em graus)
60 360
1 x
Então x = 6º, ou seja, em cada minuto o ponteiro dos minutos se desloca 6º.

e) Qual o menor arco determinado pelos dois ponteiros quando for 3h 10min?
Solução:
Vamos analisar o que ocorre desde as 3h até 3h 10min.

1
Às 3h o arco era de 3 x 30º, ou seja, 90º. Nos 10 min o ponteiro das horas se deslocou 10 ⋅
2
grau, ou seja, 5º. Nos mesmos 10 min o ponteiro dos minutos se deslocou 10 x 6º, ou seja, 60º. Então
o arco procurado mede: 90º + 5º - 60º = 35º. O menor arco às 3h 10 min mede 35º.

95
Exercícios
Marque as alternativas verdadeiras com V e falsas com F
1) ( ) O comprimento de um arco determinado em uma circunferência de raio 3cm, sabendo que esse
π
arco mede rad é π cm.
3

2) ( ) O menor ângulo formado pelos ponteiros de um relógio quando este marca 13h 25min é 100º.

3) ( ) O menor dos ângulos formados pelos ponteiros de um relógio que marca 2h40min é 160º.

π
4) ( ) Em radianos a medida do arco de 60º é rad .
3


5) ( ) Em graus a medida do arco rad é 150º.
4

6) ( ) O menor dos ângulos formados pelos ponteiros de um relógio que marca 5h55min é 152,5º.

7) ( ) O menor dos ângulos formados pelos ponteiros de um relógio que marca 6h30min é 30º é 15.

8) ( ) O menor dos ângulos formados pelos ponteiros de um relógio que marca 10h15min é 142,5º.

41π
9) ( ) Em radianos, a medida do arco 20º 30’ (1º = 60’) é rad .
360

Gabarito
1) V 2) F 3) V 4) V 5) F 6) V
7) F 8) V 9) V

96
d) Circunferência trigonométrica
É uma circunferência orientada em que:
- o raio é unitário
- o sentido positivo é o anti-horário
- o sentido negativo é o horário

A circunferência possui 360° ou 2π rad ≅ 6,28 rad se


tomarmos π ≅ 3,14.

Considerando no plano cartesiano, uma circunferência de centro em (0,0) teremos:

Ampliação das noções de seno, cosseno e tangente para ângulos de 0° a 360°


No plano cartesiano, considerando uma circunferência trigonométrica de centro (0,0). Seja “t”
a reta tangente a ela no ponto (1,0). Seja P um ponto da circunferência localizado no 1° quadrante.

1. Cosseno de α = abcissa do ponto P


cos α = OQ

2. Seno de α = ordenada do ponto P


sen α = QP

3. Tangente de α = ordenada do ponto T


tg α = AT

97
As ampliações das noções de seno, cosseno e tangente de um ângulo serão feitas mantendo-se
estas idéias.

P localizado no 2º Q

P localizado no 3º Q

P localizado no 4º Q

98
Valores notáveis de seno, cosseno e tangente

Arco α 0º 30º 45º 60º 90º 180º 270º 360º


0 rad ( 6π rad) ( 4π rad) ( 3π rad) ( 2π rad) (π rad) ( 32π rad) (2π rad)
cos α 1 3 2 1 0 -1 0 1
2 2 2

sen α 0 1 2 3 1 0 -1 0
2 2 2

Sinais

Podemos observar
também que:

e) Redução ao 1° quadrante
É uma forma de determinar seno, cosseno e tangente de ângulos que não estão no
1°quadrante, relacionando-os com ângulos do 1° quadrante. A meta é ficar conhecendo seno,
cosseno e tangente a partir de uma tabela que forneça os valores de seno, cosseno e tangente de
ângulos entre 0° e 90°.

99
 Redução do 2° quadrante para o 1°

Dado um ângulo θ tal que 90°< θ <180° e seja P a imagem de θ no ciclo trigonométrico. Seja
P’ o ponto do ciclo, simétrico a P em relação ao eixo dos senos.

AP = θ e AP’= x
Temos: AP+ PA’= 180°, mas PA’ = AP’
então: AP+ AP’= 180°
mas θ + x = 180°, então
θ = 180° - x

Exemplo:
Determine o valor de cos 115°.

Solução Portanto:
θ = 180°° - x
Como o ângulo θ , nesse caso, 115°° = 180°° - x
pertence ao 2º quadrante, ele será obtido x = 65°°
pela igualdade: O ângulo de 115° ∈ 2° Q e cosseno no 2°
Quadrante é negativo, teremos portanto
que:
θ = 180 o − x cos 115°= - cos 65°

 Redução do 3° quadrante ao 1°

Dado um ângulo θ tal que 180°< θ < 270° e seja P a imagem de θ no ciclo trigonométrico.
Seja P’ o simétrico de P em relação ao centro do ciclo.

100
AP= θ e AP’= x
AP- AP’= 180°
θ - x = 180°
θ = 180° + x

Exemplo:
Determine o valor de sen 210°.

Solução: Portanto:
θ = 180°° + x
Como o ângulo θ , nesse caso, 210°° - 180°° = x
pertence ao 3º quadrante, ele será obtido x = 30°°
pela igualdade: O ângulo de 210° ∈ 3° Q e seno
no 3° quadrante é negativo, teremos
θ = 180 + x
o
portanto que:
sen 210°= - sen 30°

 Redução do 4° quadrante para o 1°

Dado um ângulo θ tal que 270°< θ < 360° e seja P a imagem de θ no ciclo trigonométrico.
Seja P’ o ponto no ciclo, simétrico a P em relação ao eixo dos cossenos.

101
AP = θ e AP’= x
AP+ PA = 360°
mas PA = AP’
então AP + AP’= 360°
portanto θ + x = 360°
θ = 360° - x

Exemplo:
Determine o valor de sen 330°.

Solução: Portanto:
θ = 360° - x
Como o ângulo θ , nesse 330° = 360° - x
caso, pertence ao 4º quadrante, ele x = 30°
será obtido pela igualdade: O ângulo de 330° ∈ 4° Q e
seno no 4° quadrante é negativo,
θ = 360 − x
o
teremos portanto que:
sen 330° = - sen 30°

e) Relações fundamentais e derivadas

Para qualquer arco de medida x, valem as relações a seguir:

102
1) sen2 x + cos 2 x = 1 chamada relação fundamental da trigonometria

senx
2) tgx = ; cos x ≠ 0
cos x

cos x
3) cot gx = ; senx ≠ 0
senx

1
4) sec x = ; cos x ≠ 0
cos x

1
5) cos sec x = ; senx ≠ 0
senx

6) Considerando a relação sen2 x + cos 2 x = 1 e dividindo os dois membros por


cos 2 x (cos 2 x ≠ 0) . temos:

sen2 x + cos 2 x = 1 (÷ cos 2 x)

tg2 x + 1 = sec 2 x

7) Considerando a relação sen2 x + cos 2 x = 1 e dividindo os dois membros por


sen2 x (sen2 x ≠ 0) , temos:

sen2 x + cos 2 x = 1 (÷sen2 x)

1 + cot g2 x = cos sec 2 x

103
Exercícios
1) Dada a circunferência trigonométrica abaixo, determine os valores indicados.

a) sen x

b) cos x

c) cotg x

d) sec x

2) Reduza ao primeiro quadrante os seguintes ângulos e calcule o indicado.



a) cos 150º b) sen 210º c) tg ( )
9

3) Calcule.

a) arc cos 1  3
e) sen −1  

 2 
b) arc sen 1
 3
f) cos −1  

 2 
c) cos x = 0,866025403
− 2
g) tg −1  
 3
d) sen x = -1
 −1
h) sen −1  
 3 

4) Se x pertence ao 4º quadrante e sec x = 2 então calcule o valor da expressão:


1 + tg x + cos sec x
1 + cot g x − cos sec x

104
Gabarito

Questão 1)
1 3 3 2 3
a) b) c) d)
2 2 3 3

Questão 2)
3
a) cos 150º = - cos 30º = −
2
b) sen 210º = - sen 30º = -0,5

c) tg ( ) = tg (80 0 ) ≈ 5,67 )
9

Questão 3)
a) arc cos 1 = 0º
b) arc sen 1 = 90º
c) x = 30º
d) x = -90º
e) 60º
f) 30º
g) ≅ -49º
h) ≅ -20º

Questão 4) -1

105
Exercícios Complementares

3 π
1) Se cos x = − , < x < π calcule o valor de 2 cot g x + cos sec 2 x .
10 2

2) Se tg x = 5 , calcule o valor de sen2x.

3) Se x é um arco do 3º quadrante e tg x = 1, calcule o valor de cos x.

4) Se x é um arco do 2º quadrante e sec x = -3, calcule o valor de cossec x.

1 − sen 2 x
5) Simplifique a expressão .
cot g x ⋅ senx

6) Determine o valor das expressões.

a) sen 450º e) cos (-900º) i) cotg 150º

b) sen (-390º) f) cos (25π/3) j) sec (11π/6)

c) sen (61π/6) g) tg 405º k) cossec 120º

d) cos 1500º h) tg (-10π/3) l) cossec (5π/4)

3sen 90 o − 2 sec180 o + cos sec 270 o + 4tg 135o


7) Calcule o valor de expressão .
5 cos 0 o + 3 cos sec 90 o

8) Determine “m” para que x=π/6 seja raiz da equação:


(3m + 6) sec 2 x − 2 cot g 2 x + m 2 cos sec x = 0

3senx + cos sec x


9) Determine o valor de , sabendo que x = 390º.
cos x − sec x

106
10) Sabendo que x é um arco com extremidade no 3º quadrante, determine o sinal da expressão y, dada
por:

3 cos x ⋅ cos sec x ⋅ cot g 2 x sen 3 x ⋅ cos 2 x


a) y = b) y =
4senx ⋅ tgx sec x ⋅ cos sec x ⋅ tg 3 x

Gabarito

5 2 3 2
1) 2 2) 3) − 4) 5) cos x
6 2 4

1 1 1 1
6) a) 1 b) − c) d) e) -1 f)
2 2 2 2
2 3 2 3
g) 1 h) − 3 i) − 3 j) k) l) − 2
3 3

7) 0 8) -1 9) − 7 3 10) a) y<0 b) y<0

107
MÓDULO VII

Seções deste Módulo


2.1. Funções
2.2. Funções polinomiais

Objetivos
Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos básicos de funções, bem como das principais
funções polinomiais: linear e quadrática.

2.1. Funções
Situações-problema podem envolver diversas variáveis (tempo, percentual, valores,
quantidades...). As funções são instrumentos para estudar as relações, correspondências ou possíveis
associações entre essas variáveis. As funções muitas vezes são modelos matemáticos que representam e
simplificam situações reais. Supõe-se que uma das maneiras de construir o conceito de função é mostrar
a importância e variedade de suas aplicações e relacioná-lo com outras idéias matemáticas.

Exemplo 1:
A resistividade de um metal é uma medida do quanto um arame feito dele resiste ao fluxo de uma
corrente elétrica. (A verdadeira resistência do arame dependerá tanto da resistividade do metal quanto
das dimensões do arame). Uma unidade comum de resistividade é o ohm-metro (Ω m). Experimentos
mostram que, baixando a temperatura de um metal, também baixa sua resistividade. A tabela abaixo
fornece a resistividade do cobre a várias temperaturas.
Temperatura T Resistividade
(ºC) (10-8Ω m)
-100 0,82
-50 1,19
0 1,54
50 1,91
100 2,27
150 2,63

108
Podemos observar na situação acima que existe variação da resistividade do metal para diferentes
temperaturas, ou seja, a resistividade do metal depende da temperatura: R = f (T ) .

Exemplo 2:
Lei de Boyle: O volume de uma massa gasosa é inversamente proporcional à pressão a que ela
está submetida, isto é, o produto da pressão pelo volume é constante, se a temperatura do gás é
constante. Denotamos a pressão por P, o volume por V e a temperatura constante por C; então, P.V = C.
C
a) Podemos escrever a pressão em função do volume: P = f (V ) = .
V
C
b) Podemos escrever também o volume em função da pressão: V = f ( P) =
P

a) Definição
Uma função expressa o relacionamento entre duas variáveis. Se duas variáveis “x” e “y” estão
relacionadas de forma que “para cada valor atribuído a “x”, existe um único valor associado a “y”, então
dizemos que “y” é uma função de “x” e escrevemos y = f(x).

y = f(x)
Variável independente
Variável dependente

Exemplos:
1) O preço total pago pela gasolina posta em um automóvel depende do número de litros
comprados, ou seja:
Preço = função do número de litros
Preço = f( l )

2) A área de um quadrado depende do valor da medida do lado desse quadrado, ou seja:


Área do quadrado = função da medida do lado do quadrado
Área do quadrado = f(a)
Área do quadrado = a2

109
Em y = f(x) podemos caracterizar alguns conjuntos associados às variáveis envolvidas e esses
conjuntos estão definidos a seguir.
Domínio. É o conjunto de todos os valores que se pode atribuir a variável x de modo que exista a
variável y.
Contradomínio. É o conjunto que contém os valores da variável y.
Imagem. São os valores da variável y.

No esquema abaixo, podemos facilmente identificar os três conjuntos mencionados acima,

•2
1• •3
2• •5

ou seja:
a) Domínio = {1, 2}
b) Contradomínio = {2, 3, 5}
c) Imagem = {2, 3}

b) Modos de descrever uma função

Podemos descrever uma função das seguintes formas:


1) analiticamente: através de uma lei (Fórmula);

Exemplo:
y = 3x +4

2) geometricamente: através de um gráfico


Exemplo:
110
3

2
y

0
-4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6
x

3) numericamente: através de uma tabela de valores.


Exemplo:
Volume de correspondência doméstica
EUA – 1991/1997

ANO Número de unidades (milhares)


1991 166301
1992 166443
1993 171220
1994 178039
1995 180734
1996 183440
1997 190888

c) Classificação das funções


As funções classificam-se em:



  • Inteiras
 • Racionais 
• A lg ébricas   • Fracionárias
  • Irracionais
 



  • Exponencial
  • Logarítmicas

• Transcendentes 
  • Trigonométricas diretas e i nversas 111
  • Hiperbólicas diretas e inversas
Exemplo: Vamos classificar algumas funções.

1) y = x 2 + 1 ⇒ Função algébrica racional inteira.

3+x
2) y = ⇒ Função algébrica racional fracionária.
x−5

3) y = 3
x − 2 ⇒ Função algébrica irracional.

4) y = 3(x +1) ⇒ Função transcendente exponencial.

5) y = log( x + 2) ⇒ Função transcendente logarítmica.

6) y = sen x ⇒ Função transcendente trigonométrica direta.

7) y = arccos x ⇒ Função transcendente trigonométrica inversa.

8) y = cosh x ⇒ Função transcendente hiperbólica direta.

9) y = arc senh x ⇒ Função transcendente hiperbólica inversa.

d) Determinação de domínios e imagem de funções algébricas

Exemplos. Determine o domínio e a imagem das funções abaixo.

Solução.

D = R, pois substituindo x por qualquer número real obteremos para f(x)


1) f ( x) = x + 5
um valor real.

Im = R, pois para x ∈ R encontramos y todos os números reais. 112


Solução.
D = {x ∈ R / x ≠ 5}, pois a operação divisão só é possível se o denominador não
3+ x
2) f ( x) = 3+ x for nulo. Assim a expressão só tem sentido se x − 5 ≠ 0 , ou seja, se x ≠ 5.
x−5
x −5

Im = {y ∈ R/ y ≠ 1}, pois para todo x ∈ ao domínio de f observamos que


3+ x
≠1
x−5

Solução.
D = {x ∈ R / x ≥ -1}, pois a operação radiciação, com índice par, só é

possível se o radicando for positivo. Assim, a expressão x + 1 somente tem

3) f ( x) = x +1 sentido se x + 1 ≥ 0, ou seja, se x ≥ −1

Im = {y ∈ R/ y ≥ 0}, pois para todo x ∈ ao domínio de f observamos que

x +1 ≥ 0

Solução.
D = {x ∈ R / x > 3}, pois o denominador não pode ser nulo e o radicando não
x+2
pode ser negativo. Assim, a expressão somente tem sentido se
x−3

4) f ( x) = x + 2 x − 3 > 0, ou seja se x > 3.


x −3
Im = {y ∈ R/ y > 0}, pois para todo x ∈ ao domínio de f observamos que
x+2
>0
x−3

113
Exercícios

1) Dada a função f(x) = 5x − 15 , pede-se:


a) o domínio da função;
b) o valor de f(4);
c) para que valores de x tem-se f(x) = 25.

2) Dada a função f ( x) = x 2 − 8 x + 15 , determine:


a) o domínio da função;
b) a imagem do elemento 3.

3) Considere a função y = x − 6 , determine:


a) o domínio da função;
b) a imagem do elemento 15;
c) o elemento do domínio que tem como imagem o valor 4;
d) a imagem do elemento 2.

3x − 2
4) Considere a função f ( x) = , determine:
x +1
a) o domínio;
b) a imagem do elemento 3;
c) qual o elemento do domínio que tem como imagem o valor 3.

5) Seja a função f ( x) = x 2 + x − 12 , determine:


a) o domínio;
b) a imagem do elemento zero;
c) a imagem do elemento -1/3.

x+4
6) Seja a função f ( x) = , determine:
3x − 2
a) o domínio;

114
b) o elemento do domínio cuja imagem é 3;
c) a imagem do elemento 7.

7) Considere a função y = 2 x + 5 , determine:


a) o domínio;
b) a imagem do elemento -3;
c) a imagem do elemento 3;
d) o elemento do domínio cuja imagem é -3.

8) Uma firma para escritório determina que o número de aparelhos de fax vendidos em um
determinado ano é dado, aproximadamente pela função f ( x) = 50 + 4 x + 12 x 2 , onde x = 0

corresponde ao ano de 1990.


a) O que representa a f(0) e qual o seu valor?
b) Obtenha o número de aparelhos de fax vendidos em 1992.

9) Suponha o custo fixo de produção de um artigo seja dado pela função C ( x ) = 2,5 ⋅ x , onde “x”
representa o número de unidades do referido artigo. Determine:
a) o custo de 10000 unidades deste artigo;
b) a quantidade de artigos para que o custo seja $19500,00 u.m.

10) Considere o gráfico a seguir e determine o que se pede.


4

(2, 3)
3

y = f(x)
y

0
-1 1 3 5 7 9
-1
(7, -1)
-2
x

115
a) O valor de f(0).
b) A imagem do elemento 7.
c) O elemento do domínio cuja imagem é 3.
d) Qual o maior, f(1) ou f(6)?
e) Quais os valores de x que tem como imagem o zero?
f) f(4) é positiva ou negativa?
g) f(6) é positiva ou negativa?

Gabarito
1) a) R b) 5 c) 8
2) a) R b) 0
3) a) {x∈ R/ x ≥ 6} b) 3 c) 22 d) não existe
4) a) {x∈ R/ x ≠ -1} b) 7/4 c) não existe
5) a) R b) -12 c) -110/9
6) a) {x∈ R/ x ≠ 2/3} b) 5/4 c) 11/19
7) a) {x∈ R/ x ≥ -5/2} b) não existe c) ≅ 3,31 d) 2
8) a) f(0) representa o número de aparelhos de b) 60
fax vendidos em 1990 e f(0) = 50
9) a) 25000 b) 7800
10) a) 1 b) -1 c) 2 d) f(1) e) -1; 5 e 9 f) positiva g) negativa

2.2. Funções polinomiais


a) Função de 1º grau

Definiçã:. Chama-se função de 1º grau ou linear a função dada por:


y = ax + b

onde: a ≠ 0;
a – recebe o nome de coeficiente angular - indica a inclinação da reta;
b – recebe o nome de coeficiente linear - indica o valor onde o gráfico corta o eixo y, gerando o ponto de
coordenadas (0, b).
116
Voltemos ao exemplo da resistividade (y) de um metal em função da temperatura (x).

Temperatura T
Resistividade (10-8Ω m)
(ºC)
-100 0,82

-50 1,19

0 1,54

50 1,91

100 2,27

150 2,63

Analisando os dados da tabela acima,


y = 0,0072x + 1,5458
podemos observar que estes estão 3

distribuídos através de uma “rota” linear, o 2,5 que


nos indica que o modelo que melhor se 2

adapta a estes dados é um modelo linear. 1,5

O modelo f(x) = 0,0072x+1,5458 aproxima 0,5 os


dados da tabela, ou seja, 0
-150 -100 -50 0 50 100 150 200
f(50) = 0,0072(50)+1,5458
f(50) = 1,9058
ou seja, um valor próximo de 1,91

O modelo: f(x) = 0,0072x+1,5458 é linear tendo como coeficiente angular 0,0072 e


coeficiente linear 1,5458

Representação gráfica
O gráfico de uma função de 1º grau é uma reta e temos D = R e Im = R.Se a > 0 a função é
crescente, se a < 0 a função é decrescente.
117
Observação. Se a = 0 temos a função constante y = b (função constante).
Raiz ou zero da função
É todo número x cuja imagem é nula, isto é, f(x) = 0. Assim, para determinarmos o zero da
função, basta resolver a equação do 1o grau:
ax + b = 0
que apresenta uma única solução
−b
x= .
a
O zero ou a raiz da função representa o ponto de interseção do gráfico com o eixo x, isto é, é
−b
ponto de coordenadas: ( , 0).
a
No nosso exemplo: resistividade (y) de um metal em função da temperatura (x)
determinaremos então, os pontos de interseção com os eixos x e y, respectivamente. Sabemos que a
função representativa do modelo é dada por:
f(x) = 0,0072x+1,5458
portanto teremos:

1) ponto de interseção com o eixo x:


−b  − 1,5458 
( , 0) =  ,0  ≈ (− 214,7 , 0)
a  0,0072 

2) ponto de intersecção com o eixo y:


(0, b) = (0, 1,5458)

Esses pontos são facilmente visualizados no gráfico acima.

Exercícios
1) Um fabricante vende seu produto por $0,80 u.m. por unidade. O custo total do produto consiste em
uma taxa fixa de $40,00 u.m. mais o custo de produção de $0,30 u.m. por unidade. Qual o valor do lucro
ao vender 200 unidades deste produto?

118
2) O gráfico de y = −2 x + b corta o eixo x no ponto (3/2, 0). Qual o valor de b ?

3) Calcule o zero de cada função:


a) f ( x ) = (2 x − 5 ) 3 b) y = −3 x + 6 c) f ( x ) = −4 + 2 x

4) Suponha que a função C ( x ) = 20 x + 40 representa o custo total de produção de um artigo onde C é


o custo (em reais) e x é o nº de unidades produzidas. Determinar:
a) O custo de fabricação de 5 unidades deste produto
b) Quantas unidades devem ser produzidas para que o custo total seja de 12.000 u.m.
c) O gráfico dessa função, destacando o intervalo onde o problema tem interpretação prática

5) O custo C de produção de x litros de certa substância é dado


por uma função de x com x ≥ 0 , cujo gráfico está
representado a seguir:
Nessas condições:
a) O custo de 700 u.m. corresponde a produção de
quantos litros?
b) Qual o custo de 20 litros?
c) O custo de R$ 850,00 corresponde à produção de
quantos litros?

6) O gráfico ao lado mostra o comportamento do custo da


fábrica de certo tipo de brinquedos, em função das unidades
produzidas. Determine a função que descreve este custo e
calcule o custo na produção de 100 unidades.

7) Uma fábrica de peças para máquinas agrícolas tem um custo determinado pelo modelo linear
C ( x ) = 20 x + 3000 . Em um regime de produção, determine:
a) O custo para produzir 200 peças;

119
b) O custo adicional se o nível de produção fosse elevado de 200 para 220 peças;
c) Se o preço de venda for estipulado em $ 40 u.m. por máquina, para um faturamento de $ 11000
u.m., qual será o lucro correspondente?

Gabarito
1) Lucro = $ 60 u.m.
2) b = 3
3) a) x = 5/2 b) x = 2 c) x = 2
4) a) 140 b) 598 c) x > 0
5) C(x) = 15x + 400
a) 20 litros b) 700 u.m. c) 30 litros
6) C(x) = 12x + 700 e C(100) = $1900 u.m.
7) a) $7000 u.m. b) $ 400 u.m. c) $ 2500 u.m.

b) Função do 2º Grau

A função f : R → R dada por: f ( x ) = ax + bx + c , com a , b, c reais e a ≠ 0 , denomina-se


2

função do 2º grau, ou função quadrática.


Exemplo:
Para estudar as equações do movimento de um corpo em queda, dados experimentais mostram a
altura do corpo em vários instantes de tempo ao longo de um intervalo de 0,15 segundo. Se a resistência
do ar for ignorada, e se a aceleração da gravidade for considerada constante, então valem as equações de
queda livre.
Tempo Altura
120
(segundos) (cm)
0,008333 98,4 100

0,025 96,9 80
0,04167 95,1
60
0,05833 92,9
0,075 90,8 40
0,09167 88,1
20
0,10833 85,3
0,125 82,1 0
0 0,05 0,1 0,15 0,2
0,14167 78,6
0,15833 74,9
120
Observando a distribuição dos dados da tabela em pontos do gráfico, verifica-se que estes estão
sobre uma rota de uma curva.

2
120 y = -499,13x - 73,213x + 99,021

100

80

60

40

20

0
0 0,05 0,1 0,15 0,2

Ajustando-se os dados, obtemos o modelo quadrático:


y = −499,13 x 2 − 73,213x + 99,021

Gráfico
A representação gráfica da função quadrática está presente no nosso dia-a-dia em várias situações:
 Quando lançamos uma pedra obliquamente para cima, sua trajetória é parabólica.
 Quando acendemos o farol do carro, os raios de luz, provenientes da lâmpada, incidem num espelho
parabólico e são refletidos paralelamente ao eixo de simetria.
 Economistas utilizam curvas de custo médio para relacionar o custo unitário médio da produção de
um produto e o número de unidades produzidas.
Cada uma destas curvas tem a forma de um arco, com abertura para cima ou para baixo. As mais
simples das funções, cujos gráficos lembra estas curvas, são funções quadráticas. Assim, o gráfico de
uma função do 2º grau é uma curva aberta chamada parábola. A parábola poderá ter concavidade voltada
para cima ou para baixo.
• se a > 0 , a concavidade é voltada para cima.
• se a < 0 , a concavidade é voltada para baixo.

121
Considerando x real, o modelo do exemplo inicial y = −499,13x 2 − 73,213x + 99,021 tem a
seguinte representação gráfica

Zeros (ou raízes)


Denominam-se zeros ou raízes de uma função de 2º grau os valores de x que anulam a função,
ou seja, que tornam f ( x ) = 0 .
Assim, para determinar os zeros ou raízes de uma função do 2º grau devemos resolver a equação
do 2º grau ax 2 + bx + c = 0 , o que é realizado através da aplicação da fórmula de Bháskara:

−b± ∆
x= , onde ∆ = b 2 − 4ac .
2a
Logo, os zeros da função quadrática são as raízes da equação de 2º grau, ou seja, os pontos onde
o gráfico corta o eixo x, assim se:
a) se ∆ > 0 : a função f ( x ) = ax 2 + bx + c tem duas raízes reais desiguais ( x' ≠ x" ), ou seja, o
gráfico corta o eixo x em dois pontos distintos;

b) se ∆ = 0 : a função f ( x ) = ax 2 + bx + c tem duas raízes reais iguais ( x' = x" ), ou seja, o


gráfico corta o eixo x em apenas um ponto;

c) se ∆ < 0 : a função f ( x ) = ax 2 + bx + c não tem raízes reais, ou seja, o gráfico não corta o
eixo x.

122
Observe as figuras abaixo.
1) a > 0

2) a < 0

Estudo do vértice
A parábola, que representa o gráfico da função f ( x) = ax 2 + bx + c , passa por um ponto V,
chamado vértice e este ponto divide a parábola em duas partes iguais, fazendo assim com que a parábola
seja uma curva simétrica, observe as figuras a seguir.

123
O vértice é um ponto V ( x v , y v ) cujas coordenadas são dadas por:

b ∆
xv = − (abscissa) e y v = − (ordenada).
2a 4a
ou seja:
 b ∆
V = − ,− 
 2a 4a 

Conjunto imagem da função quadrática


Usando a ordenada do vértice, vamos obter o conjunto imagem de uma função do 2º grau. Para
isso vamos analisar as duas situações a seguir.

a) Considere o gráfico da função y = x 2 − 2 x − 3 .

Observando o gráfico,
verificamos que:

Im = {y ∈ R / y ≥ −4}

b) Considere o gráfico da função y = − x 2 + 2 x − 1 .

Observando o gráfico,
verificamos que:

Im = {y ∈ R / y ≤ 0}

124
Dos exemplos dados, podemos concluir que:

 ∆  ∆
se a > 0 , então Im =  y ∈ R / y ≥ −  se a < 0 , então Im =  y ∈ R / y ≤ − 
 4a   4a 

Valor mínimo ou máximo da função do 2º grau



1) Quando a > 0, o vértice V ( x v , y v ) é o ponto mínimo da parábola ⇒ yv = − é o valor mínimo
4a
da função.


2) Quando a < 0, o vértice V ( x v , y v ) é o ponto máximo da parábola ⇒ y v = − é o valor máximo
4a
da função.

Exemplo:
Um objeto é lançado verticalmente para cima e está a S metros acima do solo, t segundos depois
de ser lançado, onde S = 81t – 9t2. Analisar graficamente a trajetória do objeto determinando a altura
máxima atingida por ele.
Solução:
• a< 0 – concavidade para baixo;
• gráfico corta o eixo y no ponto (0, 0);
• raízes: x’ = 0 e x” = 9, ou seja duas
raízes reais e distintas, portanto o gráfico
corta o eixo x nos pontos (0, 0) e (9, 0);

125
9 729
• vértice: V = ( , ) = (4.5, 182.25) portanto ponto de máximo;
2 4
• D=R Im = {y ∈ R; y ≤ 182,25}
• O yv representa a altura máxima atingida pelo objeto, portanto a altura máxima do objeto será de
182,25 metros;
• O tempo em que a altura máxima é atingida será dado pela coordenada xv, portanto necessário
para que o objeto atinja a altura máxima são 4,5 segundos.

Exercícios
1) Para cada função abaixo, analise o sinal de “ a ”, determine o ponto onde a parábola corta o eixo y ,
calcule as raízes, determine o vértice caracterizando se o mesmo é ponto de Máximo ou de Mínimo,
determine o domínio e a imagem, esboce o seu gráfico.
a) y = x 2 + 2 x + 1

b) y = 2 x 2 − 8

c) y = x 2 + 3

d) y = − x 2 − 4 x − 4

e) y = − x 2 − x

f) y = 3x 2

2) Um corpo é lançado obliquamente, a partir da superfície da terra, com velocidade inicial. Desse
modo, descreve uma trajetória parabólica, que representa a função y = x − 0,1x 2 ( x e y em metros).
a) Calcule a altura máxima atingida por esse corpo.
b) Obtenha o alcance desse corpo, ou seja, a distância horizontal que o corpo percorre até encontrar
novamente o solo.

3) Em uma partida de futebol, a cobrança de uma falta lança a bola em uma trajetória tal, que a altura h ,
em metros, varia com o tempo t , em segundos, de acordo com a fórmula h(t ) = −t 2 + 10t .
a) Em que instante a bola atinge a altura máxima?
b) De quantos metros é essa altura?

126
4) Um objeto, lançado obliquamente a partir do solo, alcança uma altura h (em metros) que varia em
função do tempo t (em segundos) de acordo com a fórmula h(t ) = −t 2 + 20t .
a) Em que instante o objeto atinge a altura máxima? De quantos metros é essa altura?
b) Em que instante ele atinge o solo novamente?

5) Suponha que a função f ( x) = −2 x 2 + 60 x represente o faturamento de uma empresa A, sendo x as


unidades vendidas e f(x) o faturamento em mil reais. Determine:
a) as unidades que resulta no faturamento máximo;
b) o faturamento máximo.

6) Suponha que a função L(x) = – 0,1x2 +5x –10 represente o lucro de uma empresa (L é dado em mil
reais e x em unidades). Determine o lucro máximo.

7) Após t horas de operação, uma linha de montagem produziu A(t) = 20t – ½ t2 cortadores de grama.
Suponha que o custo para a fábrica ao produzir x unidades é C(x) unidades monetárias, em que C(x) =
3000 + 80 x. Qual o custo das primeiras duas horas de operação?

Gabarito
1)a) a> 0 – concavidade para cima;
gráfico corta o eixo y no ponto (0, 1);
raízes: x’ = x” = -1, ou seja duas raízes reais e iguais,
portanto o gráfico corta o eixo x apenas no ponto (-1, 0);
vértice: V(-1, 0) portanto ponto de mínimo;
D=R Im = {y ∈ R; y ≥ 0}

b) a> 0 – concavidade para cima;


gráfico corta o eixo y no ponto (0, -8);
raízes: x’ = -2 e x” = 2, ou seja duas raízes reais e distintas,
portanto o gráfico corta o eixo x nos pontos (-2, 0) e (2, 0);
vértice: V(0, -8) portanto ponto de mínimo;
D=R Im = {y ∈ R; y ≥ -8}
127
c) a> 0 – concavidade para cima;
gráfico corta o eixo y no ponto (0, 3);
raízes: não existem raízes reais,
portanto o gráfico não corta o eixo x;
vértice: V(0, 3) portanto ponto de mínimo;
D=R Im = {y ∈ R; y ≥ 3}

d) a< 0 – concavidade para baixo;


gráfico corta o eixo y no ponto (0, -4);
raízes: x’ = x” = -2, ou seja duas raízes reais e iguais,
portanto o gráfico corta o eixo x apenas no ponto (-2, 0);
vértice: V(-2, 0) portanto ponto de máximo;
D=R Im = {y ∈ R; y ≤ 0}

e) a< 0 – concavidade para baixo;


gráfico corta o eixo y no ponto (0, 0);
raízes: x’ = -1 e x” = 0, ou seja duas raízes reais e distintas,
portanto o gráfico corta o eixo x nos pontos (-1, 0) e (0, 0);
vértice: V(-1/2, 1/4) portanto ponto de máximo;
D=R Im = {y ∈ R; y ≤ 1/4}

f) a> 0 – concavidade para cima;


gráfico corta o eixo y no ponto (0, 0);
raízes: x’ = x” = 0, ou seja duas raízes reais e iguais,
portanto o gráfico corta o eixo x apenas no ponto (0, 0);
vértice: V(0, 0) portanto ponto de mínimo;
D=R Im = {y ∈ R; y ≥ 0}

128
2) a) 2,5 metros b) 10 metros

3) a) 25 metros b) 5 segundos

4) a) 10 segundos e 100 metros b) 20 segundos

5) a) 15 unidade b) 450 mil reais

6) 52,5 mil reais

7) $ 6040 u.m.

129
MÓDULO VIII

Seções deste Módulo


3.1. Vetores
3.2. Números complexos

Objetivos
Propiciar a compreensão e o domínio dos conceitos elementares de vetores e números
complexos, bem como de operações envolvendo esses entes matemáticos.

3.1. Vetores
Muitas grandezas físicas, como velocidade, força, deslocamento e impulso, para serem
completamente identificadas, precisam, além da magnitude, da direção e do sentido. Estas grandezas são
chamadas grandezas vetoriais ou simplesmente vetores.
Geometricamente, vetores são representados por segmentos (de retas) orientados (segmentos de
retas com um sentido de percurso) no plano ou no espaço. A ponta da seta do segmento orientado
chamada ponto final ou extremidade e o outro ponto extremo é chamado de ponto inicial ou origem
do segmento orientado.
r
Se o ponto inicial de um vetor v é A(x1, y1) e o ponto final é B(x2, y2), como mostra a figura,
então escrevemos:

v ou v = AB ou v = B − A = ( x2 , y 2 ) − ( x1 , y1 ) = ( x2 − x1 , y 2 − y1 )
r r r

A representação geométrica do vetor será

B
y2

v=A-B

A
y1

x1 x2

130
Algumas Observações:
• Vetores com o mesmo comprimento, direção e sentido são ditos eqüipolentes, ou seja, iguais,
mesmo quando estiverem localizados em posições diferentes.

Exemplo 1:

O vetor v = (1, 2) é igual ao vetor AB que possui origem em A=(2, 3) e extremidade em B=(3, 5).
r
r r
A cada vetor não nulo v corresponde um vetor oposto − v , que tem o mesmo módulo, a mesma
r
direção, porém sentido oposto ao de v .

Exemplo 2:
→ →
O vetor v = (1,−3) tem como vetor oposto − v = (− 1, 3)
r
O módulo de um vetor, que representa o seu comprimento é dado por v = x 2 + y 2

Exemplo 3:

O vetor v = (1,−3) tem como módulo v =


r r
(1)2 + (− 3)2 = 1 + 9 = 10 .
r r
 Um vetor v é unitário se v = 1 .

Exemplo 4:
2 2
r  1 2  r  1   2  1 4
O vetor v =  ,−  é unitário, pois v =   +  −  = + = 1 =1
 5 5  5  5 5 5
r r
 Dois vetores são paralelos (colineares) - u // v - se tiverem a mesma direção.

Exemplo 5:
Os vetores u = (− 2, 6) e v = (1,−3) são paralelos, pois possuem mesma direção.
r r
r r
⇒ Dois vetores são ortogonais (perpendiculares) - u ⊥ v - se o ângulo entre eles for um ângulo reto,
isto é, de 90o.

Exemplo 6:
Os vetores u = (− 2, 0) e v = (0, 2) são ortogonais, pois o ângulo entre eles é de 90o.
r r

Dois ou mais vetores são coplanares se pertencerem a um mesmo plano.


131
Exemplo 7:
Os vetores u = (− 2, 0) , v = (0, 2) e w = (− 4, 6) são coplanares, pois pertencem a um mesmo plano.
r r r

Exercícios
1) Esboce os seguintes vetores com ponto inicial na origem.
a) v1 = (3,6) b) v2 = (-4,-8) c) v3 = (-4,-3)
d) v4 = (5,-4) e) v5 = (3,0) f) v6 = (0,-7)

2) Encontre os componentes do vetor de ponto inicial P1 e ponto final P2 e, esboce os vetores.


a) P1(4,8) e P2(3,7) b) P1(3,-5) e P2(-4,-7) c) P1(-5,0) e P2(-3,1)

Gabarito
1) 2)

a) A =P1-P2=(3-4, 7-8)=(-1, -1)


b) B =P1-P2=(-4-3, -7+5)=(-7, -2)
c) C =P1-P2=(-3+5, 1-0)=(2, 1)

132
a) Adição de vetores
r r
Sejam os vetores v = ( x1 , y1 ) e u = ( x2 , y 2 ) , define-se:
r r
v + u = ( x1 + x2 , y1 + y 2 )

Exemplo:
Se u = (− 2, 6) e v = (1,−3) então:
r r

v + u = (−2 + 1, 6 + (− 3)) = (− 1, 3) .
r r

Propriedades da adição
a) Associativa: (v + u ) + w = v + (u + w)
r r r r r r

Exemplo:
Dados os vetores u = (− 2, 0) , v = (0, 2) e w = (− 4, 6) temos:
r r r

(vr + ur ) + wr = vr + (ur + wr )
(− 2, 2) + (− 4, 6) = (0, 2) + (− 6, 6)
(− 6, 8) = (− 6, 8)

r r r r
b) Comutativa: v + u = u + v
Exemplo:
Dados u = (− 2, 6) e v = (1,−3) então:
r r
r r r r
v +u =u +v
(1 − 2, − 3 + 6) = (− 2 + 1, 6 − 3)
(− 1, 3) = (− 1, 3)

r r r
c) Elemento neutro: v + 0 = 0 + v = v , onde 0 é um vetor nulo.
Exemplo:
Se v = (1,−3) então:
r
r r r
v +0 = 0+v = v
(1, − 3) + (0, 0) = (0, 0) + (1, − 3) = (1, − 3)

133
r r r
d) Elemento oposto: v + (− v ) = −v + v = 0
r r

Exemplo:
Se v = (1,−3) então:
r

r r r
v + (− v ) = −v + v = 0
r r

(1, − 3) + (− 1, 3) = (− 1, 3) + (1, − 3) = (0, 0)

b) Métodos de adição (graficamente)


1) Método da poligonal
Idéia do método: A extremidade de um vetor deve coincidir com a origem do outro. O vetor
r r r r r
s = u + v é obtido ligando a origem do primeiro vetor ( u ) com a extremidade do segundo vetor ( v ).

2) Regra do paralelogramo
Idéia da regra: Construir um paralelogramo com origem comum para cada par de vetores.

134
c) Multiplicação de um número real por um vetor
r
Seja o vetor u = ( x 2 , y 2 ) e, k ∈ R. Define-se o produto de um número real k pelo vetor, como:

k u = (kx2 , ky 2 )
r

Exemplos:

a) Se u = (1, 2) e k = 2 então, k u = 2(1, 2) = (2, 4)


r r

b) Se u = (1, 2) e k = − 12 então, k u = − 12 (1, 2) = (− 12 , − 1)


r r

c) Representando graficamente as situações a) e b) temos:

Quando multiplicamos um vetor por um escalar obtemos um


vetor:
OBSERVAÇÕES: r
a) de módulo k u ;
r
b) de mesma direção do vetor u ;
r r
c) de mesmo sentido de u se k > 0 e sentido oposto ao de u ,
se k < 0.

Propriedades
r r
Nas expressões abaixo, a e b são escalares quaisquer e u e v são vetores arbitrários:

135
a) Propriedade associativa em relação aos escalares: a(bv ) = (ab) v
r r

Exemplo: Se a = 2 e b = -3 e v = (− 1, 3)
r

a(bv ) = (ab) v
r r

2(3, − 9 ) = −6(− 1, 3)
(6, − 18) = (6, − 18)

Propriedade distributiva em relação à adição de escalares: (a + b)v = av + bv


r r r
b)

Exemplo: Se a = 2 e b = -3 e v = (− 1, 3)
r

(a + b)vr = avr + bvr


(2 − 3)(− 1, 3) = 2(− 1, 3) + (− 3)(− 1, 3)
− 1(− 1, 3) = (− 2, 6) + (3, − 9)
(1,− 3) = (− 2 + 3 , 6 − 9)
(1,− 3) = (1, − 3)

Propriedade distributiva em relação à adição de vetores: a (u + v ) = au + av


r r r r
c)

Se a = 2, u = (− 2, 4) e v = (− 1, 3)
r r
Exemplo:

a (u + v ) = au + av
r r r r

2 (− 3, 7) = 2(− 2, 4) + 2(− 1, 3)
(− 6,14) = (− 4, 8) + (− 2, 6)
(− 6,14) = (− 4 − 2 , 8 + 6)
(− 6,14) = (− 6,14)

Exercícios

A figura a seguir é constituída de nove quadrados congruentes.

136
A B C D

L M N
E

P O
K F

G
J I H

1) Decida se é verdadeira ou falsa cada uma das afirmações a seguir:

a) AB = OF b) AM = PH c) BC = OP d) BL = − MC e) DE = − ED

f) AO = MG g) KN = FI h) AC // HI i) JO // LD j) AJ // FG

k) AB ⊥ EG l) AM ⊥ BL m) PE ⊥ EC n) PN ⊥ NB o) PN ⊥ AM

p) AC = FP q) IF = MF r) AJ = AC s) AO = 2 NP t) AM = BL

1.1) Determine os vetores abaixo, expressando-os com origem no ponto A.

a) AC + CN b) AB + BD c) AC + DC d) AC + AK

e) AC + EO f) AM + BL g) AK + AN h) AO − OE

i) MO − NP j) BC − CB k) LP + PN + NF l) BL + BN + PB

2) Realize a soma entre os vetores abaixo e represente graficamente a solução.


a) v1 = (3,6) e v2 = (-4,-8) b) v3 = (-4,-3) e v4 = (5,-4)
c) v5 = (3,0) e v6 = (0,-7) d) v7 = (1,-2) e v8 = (-1, 2)

3) Encontre o vetor resultante em cada caso.

a) 2 AB + CD , sendo A=(1, 2), B=(-3, -1), C=(1,0) e D=(-1, -2)

b) v = u − 3w , sendo u = (2,−3) e w = (− 1, 3)
r r r r r

137
Gabarito
Questão 1)
a) V b) V c) F d) V e) V f) V g) F
h) V i) F j) V k) V l) V m) F n) V
o) V p) V q) V r) F s) V t) V
1.1)

a) AN b) AD c) AB d) AO e) AM f) AK g) AH

h) AI i) AC j) AC k) AE l) 0
Questão 2)

a) v1 + v2= (-1,-2) b) v3 + v4 = (1,-7)

c) v5 + v6 = (3,-7) d) v7 + v8 = (0, 0)

138
3) a) 2 AB + CD = 2(− 4,−3) + (− 2,−2) = (− 8 − 2,−6 − 2) = (− 10,−8)
b) v = (2, − 3) − (− 3, 9) = (2 + 3, − 3 − 9) = (5, − 12)
r

3.2. Números complexos

a) Introdução
O primeiro conjunto numérico que estudamos é o conjunto dos Números Naturais, os elementos
que pertencem a esse conjunto são:
N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, ...}.
Esse conjunto não satisfaz todas as necessidades dos cálculos matemáticos, por exemplo, quanto
fosse preciso subtrair 5 – 10, qual seria o resultado? Assim, foi criado mais um novo conjunto, conjunto
dos Números Inteiros. Conhecido como conjunto dos números negativos e positivos mais o zero (zero
foi considerado um número nulo no conjunto dos inteiros, pois não seria nem positivo e nem negativo).
Z = {... , -4,-3,-2,-1,0,1,2,3,4, ... }.
Com a evolução dos cálculos nem o conjunto dos números inteiros estava satisfazendo algumas
operações, como por exemplo 7 ÷ 5 , assim foi estipulado um novo conjunto, o conjunto dos Números
Racionais, esse conjunto é a junção do conjunto dos naturais com os inteiros mais os números que
podem ser escritos em forma de fração (números decimais).
Q = { ... , -5; ...; - 4,2; ... ; - 2; ... ; -1;...; 0; ...; 3,56; ...; 4; ... }.
Alguns números decimais não podem ser escritos em forma de fração, por isso não pertencem ao
conjunto dos racionais e sim a um novo conjunto, que é chamado de conjunto dos Números
Irracionais. Os números irracionais mais conhecidos são os números: π = 3,1416 ... , e = 2,718282 ... ,

p onde p é primo positivo.


A junção do conjunto dos racionais mais o conjunto dos irracionais formam o conjunto dos
Números Reais.

139
Toda essa evolução dos conjuntos numéricos não satisfaz ainda, a resolução de raízes com índice
par e radicando negativo. Na resolução de uma equação do 2º grau onde o discriminante é negativo,
significa que essa equação não admite raízes reais. Seja a equação
x2 + 9 = 0
verificamos que o discriminante ( ∆ = b 2 − 4ac ) é negativo ( ∆ = 0 2 − 4.1.9 ⇒ ∆ = −36 ), portanto ela não
admite raízes reais. Se usarmos os métodos que conhecemos para resolvê-la, obtemos
x 2 = −9

x = ± −9
mas, é inaceitável tal resultado para x; os números negativos não têm raiz quadrada.
Para superar tal impossibilidade e poder, então, resolver todas as equações do 2º grau, foi
ampliado o sistema de números, criando-se o conjunto dos Números Complexos, que abrange todos os
números reais e mais todas as raízes com índice par e radicando negativo.

b) Definição
Chama-se conjunto dos números complexos, e representa-se por C, o conjunto de pares
ordenados, ou seja:
Z = (x, y), onde x pertence a R e y pertence a R
ou, tendo a forma algébrica:
Z=x + yi
onde, x e y ∈ R e “i” que é chamado de unidade imaginária apresenta a seguinte propriedade:

i 2 = −1 ⇒ i = − 1
denominada propriedade fundamental dos números complexos.

140
Exemplos:
1) O número complexo na forma de par ordenado (5, 3) pode ser escrito na forma algébrica, ou seja, (5,
3) = 5 + 3i.
2) O número complexo na forma algébrica 2 +i pode ser escrito na forma de par ordenado, ou seja, 2+i =
(2, 1).

Dessa forma, todo número complexo Z = (x, y) pode ser escrito na forma Z = x + iy ,
onde temos:
x = Re(Z), parte real de Z
y = Im(Z), parte imaginária de Z

Exemplos:
1) Em Z = 2+4i temos: Re(Z) = 2 e Im(Z) = 4.
2) Em Z = (-5, 7) temos: Re(Z) = -5 e Im(Z) = 7.
3) Em Z = 3i temos: Re(Z) = 0 e Im(Z) = 3.
4) Em Z = 3 temos: Re(Z) = 3 e Im(Z) = 0.

1) Um número como 3i, com parte real 0, chama-se número


imaginário puro.
OBSERVAÇÕES:
2) Um número real como 3, é considerado como um número
complexo com parte imaginária 0.

Dessa forma podemos dizer que:


1) o par (x, 0) = x +0i é identificado como o número real x;
2) o par (0,y) = 0+iy é identificado como o número imaginário puro iy;

141
Além disso:
1) o par (1, 0) é chamado de unidade real, pois: (1, 0) = 1 + 0i = 1 + 0 =1;
2) o par (0,1) é chamado de unidade imaginária, pois: (0, 1) = 0 + 1i = i

Voltando ao cálculo de raízes com índice par e radicando negativo...


1) Para calcularmos a raiz quadrada de -4 seria impossível utilizar o conjunto dos reais, mas utilizando a
propriedade fundamental dos números complexos, ou seja, i 2 = −1 teríamos a seguinte situação:

− 4 = − 1.4 = 4. − 1 = 4 . − 1 = 22 . i = 2i
2) A equação x2 + 9 = 0 não admite raízes reais. Se usarmos os métodos que conhecemos para resolvê-
la, obtemos
x2 = -9
x = ± −9

nos números reais, sabemos que não existe − 9 , mas considerando os números complexos e utilizando
a sua propriedade fundamental ( i 2 = −1 ), podemos continuar resolvendo esta equação da seguinte
forma:
x = ± 9.(−1)

x = ± 9. − 1
x = ± 3i
Assim, as raízes da equação x2 + 9 = 0 são 3i e - 3i.

c) Igualdade entre números complexos


Dois números complexos são iguais se, e somente se, apresentam simultaneamente iguais a parte
real e a parte imaginária. Assim, se Z 1 = a + bi e Z 2 = c + di , temos que:
Z1 = Z 2 ⇔ a = c e b = d

Exemplo:
Se x e y são números reais e x + yi = 7 - 4i, então x = 7 e y = - 4.

142
d) Operações com números complexos
Adição. Sejam Z 1 e Z 2 , dois números complexos tais que: Z 1 = a + bi e Z 2 = c + di , sua soma será
dada por:

Para adicionarmos dois números


Z 1 + Z 2 = (a + bi) + (c + di) = (a + c) + (b + d)i complexos, adicionamos as partes
reais e as partes imaginárias

Subtração. Sejam Z 1 e Z 2 , dois números complexos tais que: Z 1 = a + bi e Z 2 = c + di , sua diferença


será dada por:

Para subtrairmos dois números


Z 1 − Z 2 = (a + bi) - (c + di) = (a – c) + (b – d)i complexos, subtraímos as partes
reais e as partes imaginárias

Exemplos:
1) Sejam Z 1 = 3 + 4i e Z 2 = −7 + 8i , calculando Z 1 + Z 2 teremos:
(3 + 4i) + (- 7 + 8i) = (3 - 7) + (4 + 8) i = - 4 + 12i.

Na prática, fazemos

2) Sejam Z 1 = −5 + 6i e Z 2 = 4 − 2i , calculando Z 1 − Z 2 teremos:


(- 5 + 6i) - (4 - 2i) = (- 5 - 4) + [6 - (- 2)] i = - 9 + 8i

Na prática fazemos

143
Multiplicação: Sejam Z 1 e Z 2 , dois números complexos tais que: Z 1 = a + bi e Z 2 = c + di , seu
produto será dado por:

Z 1 ⋅ Z 2 = (a + bi) ⋅ (c + di) = ac + adi + bci + bdi


2
Multiplicamos números
mas i2 = −1 , então fazendo esta substituição e agrupando, teremos: complexos como
Z 1 ⋅ Z 2 = ac + adi + bci + bd(-1) = (ac - bd) + (ad + bc)i multiplicamos binômios

Exemplos:
1) Sejam Z 1 = 2 + 3i e Z 2 = 3 − 4i , calculando Z 1 ⋅ Z 2 teremos:

Distributiva

= 6 + i – 12 . (-1) -8i + 9i = i e i2 = - 1

= 6 + i + 12

= 18 + i

Sejam Z 1 = − 4 + 2i e Z2 = 2 + i , calculando Z1 ⋅ Z 2 teremos:

Distributiva

= – 8 + 2 . (-1) -4i + 4i = 0 e i2 = - 1

=–8–2

= – 10

144
3) Sejam Z 1 = −3i e Z 2 = 4 − 2i , calculando Z 1 ⋅ Z 2 teremos:

= – 3i . (4) – 3i . (-2i)

= - 12i + 6i2

= - 12i + 6 . (-1)

= - 6 - 12i

Divisão: A divisão de números complexos é semelhante à racionalização do denominador de uma fração


3−i
com radicais. Assim, se temos o quociente nosso objetivo é escrevê-lo na forma a + bi. Para isso,
2+i
introduziremos inicialmente o conceito de conjugado de um número complexo.

Complexos conjugados
O conjugado de um número complexo a + bi é a − bi , e o conjugado de a − bi é a − bi .
Os números complexos a + bi e a − bi são chamados complexos conjugados.
 Para um número complexo Z, seu conjugado é representado com Z ; então, se Z = a + bi
escrevemos Z = a − bi .

Exemplos:
1) O conjugado de Z = 2 + 3i é Z = 2 - 3i
2) O conjugado de Z = 2 - i é Z = 2 + i
3) O conjugado de Z = 5i é Z = - 5i
4) O conjugado de Z = 10 é Z = 10

Quando multiplicamos um número complexo Z = a + bi pelo seu conjugado Z = a − bi , o


resultado que se obtém é um número real não negativo.

145
Z . Z = (a + bi) . (a – bi)

= a2 – abi + abi – b2i2

= a2 – b2 . (-1) A soma dos quadrados


de dois números reais
= a2 + b2
nunca é negativa

Usamos então, essa propriedade para expressar o quociente de dois números complexos na forma
a + bi.

Dividindo dois números complexos

a + bi
Para escrevermos o quociente na forma a + bi, multiplicamos o
c + di
numerador e o denominador pelo conjugado do denominador.

Assim, sejam Z 1 e Z 2 , dois números complexos tais que: Z 1 = a + bi e Z 2 = c + di , seu


quociente será dado por:
Z 1 a + bi (a + bi ) (c − di ) ac + bci − adi − bidi
= = ⋅ =
Z 2 c + di (c + di ) (c − di ) c 2 − d 2i 2

Z1 ac + bci − adi − bdi 2 ac + bci − adi − bd (−1)


= =
Z2 c 2 − d 2 (−1) c2 + d 2
portanto:
Z1 (ac + bd ) + (bc − ad ) i Z (ac + bd ) (bc − ad )
= ⇒ 1 = 2 + 2 i
Z2 c +d
2 2
Z2 c +d2 c +d2

Exemplo:
3−i
Vamos escrever o quociente na forma a + bi, ou seja, vamos encontrar o quociente entre os
2+i
números Z 1 = 3 − i e Z 2 = 2 + i .
146
Para isso multiplicamos o numerador e o denominador pelo conjugado do denominador, para
obter um número real no denominador.
Z1 3 − i (3 − i) (2 − i) Z1 6 − 3 i − 2 i + i 2
= = ⋅ = = =
Z 2 2 + i (2 + i ) ( 2 − i ) Z2 4 − i2
Z1 6 − 5 i − 1 Z1 5 − 5 i
= = = = =
Z2 4 +1 Z2 5
Z 5 5i Z1
= 1 = − = = 1− i
Z2 5 5 Z2

Exercícios resolvidos
1) Determine os valores de x e y para que 2x + yi + 3y + xi = 2 + 3i
Solução. Em primeiro lugar devemos, no lado esquerdo da igualdade, agrupar os elementos que
pertencem a parte real e a parte imaginária do número, ou seja, devemos escrever a expressão da
seguinte forma:
(2x+3y) + (x+y)i = 2 +3i
Logo a seguir para encontrarmos os valores de x e y, devemos levar em conta que a expressão
corresponde a uma igualdade entre dois números complexos, e para dois números complexos serem
iguais é necessário que suas partes reais e suas partes imaginárias sejam iguais, ou seja:
2 x + 3 y = 2

x + y = 3
Resolvendo o sistema acima encontraremos então os valores procurados de x e y. Passemos então
a resolução do sistema utilizando o método de adição, onde multiplicaremos a segunda linha por -2 e
logo após somaremos as equações. Assim, por conseqüência encontraremos o valor da primeira variável
procurada.
2 x + 3 y = 2  2x + 3 y = 2
 ⇒
 x + y = 3 (⋅ − 2) − 2 x − 2 y = −6
y = −4
Substituindo o valor encontrado para y em qualquer uma das equações, encontraremos o valor
que a variável x deverá assumir para que se tenha a igualdade entre os dois números acima.
Substituiremos então y = -4 na segunda equação, onde encontraremos:
x + y = 3⇒ x− 4 = 3⇒ x = 3+ 4 ⇒ x = 7

147
Portanto, para que se tenha a igualdade 2x + yi + 3y + xi = 2 + 3i é necessário que x = 7 e y = -4.

Verificação. Podemos verificar se nossos resultados estão corretos substituindo-os na expressão e


verificando se chagaremos realmente a uma igualdade, ou seja:
2x + yi + 3y + xi = 2 + 3i como x = 7 e y = −4, teremos 2 ⋅ 7 − 4i + 3 ⋅ (−4) + 7i = 2 + 3i
14 − 4i −12 + 7i = 2 + 3i
(14 − 12) + i(−4 + 7)i = 2 + 3i
2 + 3i = 2 + 3i

2) Determine x ∈ R, de modo que Z= (x+2i).(-3+xi) seja:


a) um número real;
b) um número imaginário puro.
Solução:
Em primeiro lugar devemos observar que o número Z, é dado por um produto entre dois números
complexos, sendo assim nossa primeira ação é realizar a multiplicação indicada, ou seja:
Z = ( x + 2 i)(−3 + x i )
Z = −3 x + x 2 i − 6 i + 2 xi 2

Pela propriedade fundamental dos números complexos sabemos que i 2 = −1 , então no último
resultado fazemos esta substituição e agrupamos os elementos que constituirão a parte real e a parte
imaginária do número complexo Z.
Z = −3x + x 2 i − 6i + 2 x(−1) ⇒ Z = −3x + x 2 i − 6i − 2 x

Z = − 5 x + ( x 2 − 6) i
onde neste produto podemos identificar sua parte real e sua parte imaginária, a saber:
Re( Z ) = −5 x e Im( Z ) = x 2 − 6

Passemos agora a analisar os dois itens pedidos da questão:


a) Determine x ∈ R, de modo que Z= (x+2i).(-3+xi) seja um número real.
Para Z ser um número real é necessário que sua parte imaginária ( Im(Z ) = x 2 − 6 ) seja zero,
portanto teremos então a igualdade:
x2 − 6 = 0 ⇒ x2 = 6 ⇒ x = ± 6
148
Verificação. Podemos verificar este resultado, substituindo ± 6 no número
Z = −5x + (x 2 − 6)i e observando que a resultante deverá ser um número real, ou seja:

Z = −5(± 6 ) + [(± 6 ) 2 − 6]i ⇒ Z = m5 6 + (6 − 6)i ⇒ Z = m5 6

ou seja, em qualquer uma das possibilidades para x ( ± 6 ), a resultante no número Z, será sempre um
número real.

b) Determine x ∈ R, de modo que Z= (x+2i).(-3+xi) seja um número imaginário puro.


Para Z ser um número imaginário puro é necessário que sua parte real ( Re( Z ) = −5 x ) seja zero,
portanto teremos então a igualdade:
− 5x = 0 ⇒ x = 0

Verificação. Podemos verificar este resultado, substituindo x = 0 no número


Z = −5 x + ( x 2 − 6)i e observando que a resultante deverá ser um número imaginário puro, ou
seja:
Z = −5 ⋅ 0 + (0 2 − 6)i ⇒ Z = 0 + (0 − 6)i ⇒ Z = −6i
ou seja, a resultante no número Z, é um número imaginário puro.

e) Potências de i

Conforme já definimos i 2 = −1 . As demais potências de expoente inteiro da unidade


imaginária i seguem as definições das potências de um número real, isto é:

i 0 = 1
1
i = 1
i n = i ⋅ i ⋅ ... ⋅ i n ≥ 2 e n∈N
 1424 3
 n vezes
 −n 1
i = n
 i

149
Calculando as potências de expoente natural da unidade imaginária i verificamos:
i0 = 1 i4 = i2 . i2 = (-1) . (-1) = 1
i1 = i i5 = i4 . i = 1 . i = i
i2 = -1 i6 = i4 . i2 = 1 . (-1) = -1
i3 = i2 . i = -1 . i = -i i7 = i4 . i3 = 1 (-i) = -i

Observe que as quatro potências de i na coluna da esquerda repetem-se nos quatro casos
seguintes na coluna da direita. Este ciclo
1, i, -1, -i
repete-se indefinidamente.
Então, para simplificar o valor de in para n > 4, buscamos o maior múltiplo de 4 contido em n, ou
seja, inicialmente efetuamos a divisão de n por 4, obtendo um quociente q e um resto r.

Em seguida podemos então escrever:


i n = i 4 q + r → i n = i 4 q ⋅ i r → i n = (i 4 ) q . i r

mas i4 = 1 , então teremos:


i n = 1q ⋅ i r → i n = 1 ⋅ i r → i n = i r
onde r é o resto da divisão de n por 4. Sendo assim r só poderá assumir os valores 0, 1, 2 ,ou 3. Logo a
potência i n (com n ∈ N ), recairá sempre em algum dos seguintes valores:

i 0 = 1 ; i 1 = i ; i 2 = −1 ou i 3 = −i

Exemplos:
1) Calcule o valor de i26.
Solução:
Em primeiro lugar efetuamos a divisão de 26 por 4. O resultado obtido é um quociente 6 e um
resto 2. Para determinarmos a potência indicada nos interessa o resto da divisão pois como vimos
i n = i r , onde r é o resto da divisão de n por 4. Portanto para encontrarmos o valor de i 26 , escreveremos:
i 26 = i 2
mas como i 2 = −1 , teremos então: i 26 = −1
150
2) Determine o valor de i −43 .
Solução:
Procedemos da mesma forma que o exemplo anterior, apenas dividindo 43 por 4. O que resulta
em um quociente igual a 10 e um resto igual a 3. Portanto escrevemos então:
i −43 = i −3
mas, como i 3 = −i , teremos então:

i −43 = (i 3 ) −1

i −43 = (−i ) −1
1
i −43 =
−i
desse ponto em diante devemos resolver a divisão em que resultou a potência i −43 , começando o
processo por multiplicar o quociente indicado pelo conjugado do denominador, que neste caso será dado
por i:
1 i
i −43 = ⋅
−i i
i
i − 43 =
− i2

mas como i 2 = −1 , substituindo, teremos finalmente o valor de i −43 , ou seja:


i
i − 43 =
− (−1)
i −43 = i

f) Representação geométrica de um número complexo


Como vimos, um número complexo é constituído por duas componentes: a parte real e a parte
imaginária. Isso sugere a utilização de dois eixos para representá-lo: um para a parte real e o outro para
a parte imaginária. Esses dois eixos chamam-se eixo real e eixo imaginário, respectivamente. O plano
determinado por esses dois eixos chama-se plano complexo.

151
Para representarmos graficamente o número complexo Z = a + bi, marcamos o ponto Z(a; b) no
plano.

Cada número complexo, portanto, é associado a um único ponto P do plano cartesiano. O ponto
P, correspondente do número complexo Z = a + bi, é denominado de imagem ou afixo de Z.

Exemplo:
Representar graficamente os números complexos Z 1 e Z 2 indicados a seguir. Logo a seguir
represente também o número Z 1+ Z 2 .

a) Z1 = 3 + 2i
Solução:
Para representar o número Z1 , marcamos no plano complexo o par ordenado (3, 2).

152
b) Z 2 = 2 − 3i
Solução:
Para representar o número Z2 , marcamos no plano complexo o par ordenado (2, -3).

c) Z 1+Z 2
Solução:
Devemos em primeiro lugar calcular o número complexo Z 1+ Z 2 , que será dado por:

Z 1 + Z 2 = (3 + 2i ) + (2 − 3i ) = (3 + 2) + ( 2i − 3i ) = 5 − i . Para representar o número Z 1+ Z 2 = 5 – i,


marcamos no plano complexo o par ordenado (5, -1).

g) Módulo de número complexo


O módulo (ou valor absoluto) do número complexo Z = a + bi é distância de a + bi à origem do
plano complexo, conforme ilustra a figura a seguir.

Usando o Teorema de Pitágoras no triângulo


OZA, concluímos que a distância de (a; b) à origem
(0; 0) será dada por:
2
Z = a2 + b2

ou seja:

Z = a2 + b2

153
Definição

O módulo (ou valor absoluto) do complexo Z = a + bi é dado por: Z = a2 + b 2 , ou


seja, a raiz quadrada da parte real ao quadrado mais a parte imaginária ao quadrado.

Exemplos:
1) O módulo do número complexo - 3 + 4i será dado por:

− 3 + 4i = (−3) 2 + 4 2 = 25 = 5

2) O módulo do número complexo 7 + 4i será dado por:

7 + 4i = 7 2 + 4 2 = 65

Exercícios

1) Calcule o número complexo Z = i126 + i-126 + i31 - i180.


(a) Z = –1 –i (b) Z = –3 – i (c) Z = 1 – i (d) Z = 3 + i (e) Z = 1 + i

2) Sendo Z = 5i + 3i2 - 2i3 + 4i27 e W = 2i12 - 3i15 , calcule Im(Z).W + Im(W).Z.


(a) 3 + 18i (b) 3 – 18i (c) –3 –18i (d) –3 + 18i (e) –9 + 18i

3) O número complexo 2Z, tal que 5Z + Z = 12 + 6i é:


(a) –4 + 3i (b) –2 + 3i (c) –4 – 3i (d) 4 – 3i (e) 4 + 3i

4) Para que o produto (a+i). (3–2i) seja real, a deve ser:


3 1 1 5 3
(a) (b) (c) − (d) (e) −
2 2 2 2 2

5) Sendo a = –4 + 3i , b = 5 – 6i e c = 4 – 3i , o valor de ac + b é:
(a) 2 + 18i (b) –2 – 18i (c) –2 + 18i (d) –1 + 9i (e) 2 – 18i

154
6) Determine o número complexo Z tal que iZ + 2 Z + 1 − i = 0 .
(a) Z = –1–i (b) Z = 1 +i (c) Z = –2–2i (d) Z = 1–i (e) Z = –1+i

7) O valor da expressão E = x-1 + x2, para x = 1 – i , é:


5 5 5 3 1 3
(a) E = –3i (b) E = 1 – i (c) E = + i (d) E = − i (e) E = − i
2 2 2 2 2 2

8) Simplificando-se a expressão E = i7 + i5 + (i3 + 2i4)2, obtem-se:


(a) E= –1 + 2i (b) E= 1 + 2i (c) E= 1 – 2i (d) E= 3 – 4i (e) E= 3 + 4i

9) Se m – 1 + ni = (3 + i).(1 + 3i), então m e n são respectivamente:


(a) 1 e 10 (b) 5 e 10 (c) 7 e 9 (d) 5 e 9 (e) 0 e -9

10) A soma de um numero complexo Z com o triplo do seu conjugado é igual a –8 – 6i. O módulo
de Z é:
(a) 13 (b) 7 (c) 13 (d) 7 (e) 5

11) Seja Z = 1 + i , onde i é a unidade imaginária. Podemos afirmar que Z8 é igual a:


(a) 16 (b) 16i (c) 32 (d) 32i (e) 32+16i

( 3 + i)(1 − 3i )
12) Encontre o valor da expressão: .
5

(a) 2 2 (b) 3 2 (c) 2 (d) 5 2 (e) 4 2

13) Encontre o valor de cada expressão a seguir.


I) 5 ⋅ (3 − 2i ) + (2 − i ) ⋅ (2 + i )
(a) − 10 + 20 i (b) 10 + 20 i (c) − 20 − 10 i (d) 20 − 10 i (e) − 20 + 10 i

155
11 − 3i
II)
2+i
19 17 17 19 19 17 17 19 19 17
(a) − − i (b) − i (c) + i (d) + i (e) − i
5 5 5 5 5 5 5 5 5 5

III) (7 − 2i )
2

(a) − 45 − 28 i (b) − 45 + 28 i (c) 45 − 28 i (d) 28 + 45 i (e) − 28 + 45 i

1
IV)
5 + 2i
5 2 5 2 2 5 2 5 5 2
(a) − i (b) − − i (c) − i (d) − + i (e) − + i
29 29 29 29 29 29 29 29 29 29

5 + 5i 20
V) +
3 − 4i 4 + 3i
(a) − 3 − i (b) 3 − i (c) 1− 3i (d) − 1− 3i (e) − 3 + i

14) Determine os números reais x e y tais que:


I) 3 x + 2 yi − ix + 5 y = 7 + 5i
(a) 1 e -2 (b) -2 e 4 (c) 1 e 2 (d) 3 e 2 (e) -1 e 2

II) ( x + 2 y ) + (3 x − 2) ⋅ i = 2 + ( y + 4 ) ⋅ i
(a) 1 e 0 (b) -2 e 0 (c) -1 e 0 (d) 2 e 0 (e) 0 e 4

III) 2 x − 1 + i = 3 + yi − 2i
(a) 2 e 3 (b) -2 e 3 (c) 1 e 3 (d) 2 e -3 (e) -1 e-3

IV) 2 + 3 yi = x + 9i
(a) -2 e 3 (b) 1 e 3 (c) 2 e 3 (d) -1 e -3 (e)-4 e 3

V) (2 x − 3) + 4 yi = ( x + 5 ) + 24i
(a) -8 e 6 (b) 8 e 6 (c) -8 e -6 (d) 0 e 6 (e) 8 e 0
156
VI) ( x + yi ) ⋅ (3 + 4i ) = 7 + 26i
(a) -5 e 2 (b) 5 e -2 (c) 5 e 0 (d) 5 e 2 (e) -5 e -2

15) Determine k real de modo que: Z = (k − 3i ) ⋅ (1 + ki ) seja um imaginário puro

(a) 0 (b) 1 (c) 2 (d) 3 (e) ± 3

16) Determine k real de modo que: Z = (− k + i ) ⋅ (2 + ki ) seja um número real

(a) -2 (b) ± 3 (c) ± 2 (d) 2 (e) 0

2 − xi
17) ) Determine x∈ R de modo que o número Z = seja imaginário puro.
1 + 2 xi
(a) 0 (b) ± 2 (c) ± 3 (d) ± 2 (e) ± 1

1 + 2i
18) Determine a ∈ R de modo que o número Z = seja real.
2 + ai
(a) -4 (b) 0 (c) 2 (d) 4 (e) -2

19) - Sejam os complexos Z1=(2x+1) + yi e Z2=-y + 2i. Determine x e y de modo que Z1 + Z2 = 0.


3 3 3 3 3
(a) − e -2 (b) − e2 (c)-1 e − (d) 1 e − (e) e2
2 2 2 2 2

2+i
20) Determine o conjugado de Z = .
7 − 3i
11 13 11 13 11 13 11 13
(a) 0 (b) − + i (c) + i (d) − i (e) − − i
58 58 58 58 58 58 58 58

21) Os módulos de Z 1 = x + i 20 e Z 2 = ( x − 2) + 6i são iguais, determine o valor de x.


(a) 5 (b) -5 (c) 10 (d) 0 (e) -10

157
Gabarito

1) b 2) d 3) e 4) a 5) c 6) a

7) e 8) d 9) a 10) a 11) a 12) a

13) i) d ii) e iii) c iv) a v) b

14) i) e ii) d iii) a iv) c v) b vi) d

15) a 16) c 17) e 18) d

19) a 20) c 21) a

h) Argumento de um número complexo


Chama-se argumento de Z a medida, do ângulo θ ( 0 < θ < 2π ) formado por OZ com o eixo real,
conforme mostra a figura abaixo.

158
Pelas definições da trigonometria circular temos as relações:
cateto adjacente ao ângulo θ cateto oposto ao ângulo θ
cos θ = e sen θ =
hipotenusa hipotenusa

Portanto, em relação a figura acima podemos escrever:


a b
cos θ = e sen θ =
Z Z

i) Forma trigonométrica ou polar de um número complexo


Considerando as duas relações trigonométricas apresentadas acima, e que na forma algébrica um
número complexo tem a forma Z = a + bi, podemos escrever:
a
cos θ = ⇒ a = Z ⋅ cos θ
Z
b
sen θ = ⇒ b = Z ⋅ sen θ
Z

Substituindo então os valores encontrados para “a” e “b” nas coordenadas Z e θ , podemos

escrever o número Z = a + bi na forma trigonométrica ou polar, que será dada por:


Z = a + bi
Z = Z ⋅ cos θ + Z ⋅ senθ ⋅ i

onde colocando Z em evidência teremos:

Z = Z (cos θ + isen θ )

Exemplos:
Escreva os números complexos a seguir na forma trigonométrica.
1) Z = 1 + i
Solução:
Em primeiro lugar, devemos identificar no número Z = 1 + i, sua parte real (a) e sua parte
imaginária (b), que são dadas por:
a=1 e b=1

159
Logo a seguir devemos calcular o valor do módulo do número complexo Z, ou seja, devemos
calcular Z :

Z = a 2 + b 2 = 12 + 12 ⇒ Z = 2

Nossa próxima etapa é determinar o argumento θ , onde para isso devemos levar em conta as
seguintes expressões:
a b
cos θ = sen θ =
Z Z
1 1
cos θ = sen θ =
2 2
e
1 2 1 2
cos θ = . sen θ = .
2 2 2 2
2 2
cos θ = sen θ =
2 2

Portanto temos que os valores encontrados para o cos θ e para o sen θ são ambos positivos, isto
significa que o ângulo θ pertence ao primeiro quadrante, assim basta localizar qual o ângulo do primeiro
quadrante apresenta os valores encontrados, ou seja:

2
cos θ =  θ ∈ 1o quadrante
2 
 π
2  θ = 45 ou θ = rad
o

senθ = 4
2 

Dessa forma então, descobrimos que o número Z = 1 + i, apresenta um módulo Z = 2 e um

π
argumento θ = 45 o (ou θ = rad ). Podemos então escrever o respectivo número Z na forma
4
trigonométrica ou polar, substituindo na expressão Z = Z (cos θ + isen θ ) , os valores encontrados para

Z e θ , ou seja:

π π
( ) 
Z = 2 cos 45 o + i sen 45 o ou Z = 2  cos + isen 
 4 4

160
2) Z = -1 - i
Solução:
Em primeiro lugar, devemos identificar no número Z = -1 - i, sua parte real (a) e sua parte
imaginária (b), que são dadas por:
a = -1 e b = -1

Logo a seguir devemos calcular o valor do módulo do número complexo Z, ou seja, devemos
calcular Z :

Z = a 2 + b 2 = (−1) 2 + (−1) 2 = 12 + 12 ⇒ Z = 2

Nossa próxima etapa é determinar o argumento θ , onde para isso devemos levar em conta as
seguintes expressões:
a b
cos θ = sen θ =
Z Z
1 1
cos θ = − sen θ = −
2 2
e
1 2 1 2
cos θ = − . sen θ = − .
2 2 2 2
2 2
cos θ = − sen θ = −
2 2
Portanto, temos que os valores encontrados para o cos θ e para o sen θ são ambos negativos, isto
significa que o ângulo θ pertence ao terceiro quadrante, pois temos em relação aos sinais dessas
funções, o que se encontra ilustrado na figura abaixo.

Para encontrarmos o ângulo θ , devemos também levar em conta, a forma como reduzimos um
ângulo ao primeiro quadrante, ou seja, se:
θ ∈ 2 o quadrante ⇒ θ = 180 o − x ou equivalentemente θ ∈ 2 o quadrante ⇒ θ = π − x
161
θ ∈ 3o quadrante ⇒ θ = 180 o + x ou equivalentemente θ ∈ 3 o quadrante ⇒ θ = π + x
θ ∈ 4 o quadrante ⇒ θ = 360 o − x ou equivalentemente θ ∈ 4 o quadrante ⇒ θ = 2π − x

onde “x”, representa o ângulo correspondente no 1º quadrante.

Além disso, da trigonometria sabemos que:

Tabela 1 – Valores de cosseno e seno de arcos notáveis

Arco α 0º 30º 45º 60º 90º 180º 270º 360º


0 rad (π6 rad ) (π4 rad ) (π3 rad ) (π2 rad ) (π rad ) (32π rad ) (2π rad )
cos α 1 3 2 1 0 -1 0 1
2 2 2

sen α 0 1 2 3 1 0 -1 0
2 2 2

Como o ângulo θ , nesse caso, pertence ao 3º quadrante, ele será obtido pela igualdade
θ = 180 o + x , ou equivalentemente, θ = π + x .

Assim, precisamos determinar o valor “x”, e para isso levamos em conta o que se encontra a
seguir.

Para determinarmos o Assim, no nosso exemplo, teremos


valor de “x”, que:
consideramos que:
cos x = 2
2
e sen x = 2
2

cos x = cos θ
e, isso nos leva, observando a
e Tabela 1, a concluirmos que:
sen x = senθ x = 45º ou x = π4 rad

162
Portanto temos que:

2 θ ∈ 3o quadrante
cos θ = − 
2  θ = 180 o + x

2
senθ = − θ = 180 o + 45o ⇒ θ = 225 o

2 

ou de forma equivalente

2  θ ∈ 3o quadrante
cos θ = − 
2  θ =π + x

2
senθ = − θ = π + π4 ⇒ θ = 54π
2 

Dessa forma então, descobrimos que o número Z = -1 - i, apresenta um módulo Z = 2 e um


argumento θ = 225 o (ou θ = rad ). Podemos então escrever o respectivo número Z na forma
4
trigonométrica ou polar, substituindo na expressão Z = Z (cos θ + isen θ ) , os valores encontrados para

Z e θ , ou seja:

5π 5π 
( ) 
Z = 2 cos 225 o + i sen 225 o ou Z = 2  cos + isen 
 4 4 

3) Z = -3i
Solução:
Em primeiro lugar, devemos identificar no número Z = -3i, sua parte real (a) e sua parte
imaginária (b), que são dadas por:
a = 0 e b = -3
Logo a seguir devemos calcular o valor do módulo do número complexo Z, ou seja, devemos calcular
Z :

Z = a 2 + b 2 = 0 2 + (−3) 2 = 9 ⇒ Z = 3

Nossa próxima etapa é determinar o argumento θ , onde para isso devemos levar em conta as
seguintes expressões:
163
a b
cos θ = sen θ =
Z Z
0 −3
cos θ = e sen θ =
3 3
cos θ = 0 sen θ = −1

Portanto temos que os valores encontrados para o cos θ e para o sen θ , conforme a Tabela 1,
indicam que o ângulo procurado se encontra em extremidades de quadrantes, ou seja, o ângulo θ

corresponde ao ângulo de 270º ou rad :
2
cos θ = 0  3π
 θ = 270 ou θ =
o
rad
senθ = −1 2

Dessa forma então, descobrimos que o número Z = -3i, apresenta um módulo Z = 3 e um


argumento θ = 270 o (ou θ = rad ). Podemos então escrever o respectivo número Z na forma
2
trigonométrica ou polar, substituindo na expressão Z = Z (cos θ + isen θ ) , os valores encontrados para

Z e θ , ou seja:

3π 3π 
( ) 
Z = 3 cos 270 o + i sen 270 o ou Z = 3  cos + isen 
 2 2 

Observação. Nem sempre os valores de seno e cosseno recaem em arcos notáveis, quando
isto acontecer, podemos recorrer à calculadora, que será nossa grande aliada para este
trabalho. Observe o exemplo a seguir.

4) Z = -2+3i
Solução:
Em primeiro lugar, devemos identificar no número Z = -2 + 3i, sua parte real (a) e sua parte
imaginária (b), que são dadas por:
a = -2 e b = 3

164
Logo a seguir devemos calcular o valor do módulo do número complexo Z, ou seja, devemos
calcular Z :

Z = a 2 + b 2 = (−2) 2 + 32 = 4 + 9 ⇒ Z = 13

Nossa próxima etapa é determinar o argumento θ , onde para isso devemos levar em conta as
seguintes expressões:
a b
cos θ = sen θ =
Z Z
2 3
cos θ = − sen θ =
13 13
e
2 13 3 13
cos θ = − . sen θ = .
13 13 13 13
2 13 3 13
cos θ = − sen θ =
13 13

Portanto, temos que o valor encontrado para o cos θ é negativo e o valor encontrado para o sen θ
é positivo, isto significa que o ângulo θ pertence ao segundo quadrante, pois temos em relação aos
sinais dessas funções, o que se encontra ilustrado na figura abaixo

Como o ângulo θ , nesse caso, pertence ao 2º quadrante, ele será obtido pela igualdade
θ = 180 o − x , ou equivalentemente, θ = π − x .

Assim, precisamos determinar o valor “x”, e para isso levamos em conta o que se encontra a
seguir.

165
Para determinarmos Assim, no nosso exemplo, temos que: cos x = 21313 e sen x = 31313 e
o valor de “x”,
estes valores não se encontram na Tabela 1. Portanto utilizando a
consideramos que:
calculadora temos o que segue.
cos x = cos θ
e
⇒ x = 56,3... 
2 13 2 13
cos x = ⇒ x = arc cos
sen x = sen θ 13 13
 ⇒ x ≈ 56 o ou x ≈ 14 π
45 rad
⇒ x = 56,3...
3 13 3 13
sen x = 13 ⇒ x = arc sen 13

Portanto temos que:

2 13  θ ∈ 2 o quadrante
cos θ = − 
13 
 θ = 180 o − x
3 13 
senθ = θ ≈ 180 o − 56 o ⇒ θ ≈ 124 o
13 

ou de forma equivalente:

2 13  θ ∈ 1o quadrante
cos θ = − 
13 
 θ =π − x
3 13 
senθ = θ ≈ π − 1445π ⇒ θ ≈ 3145π rad
13 

Dessa forma então, descobrimos que o número Z = -2 + 3i, apresenta um módulo Z = 13 e

31π
um argumento θ = 124 o (ou θ = rad ). Podemos então escrever o respectivo número Z na forma
45
trigonométrica ou polar, substituindo na expressão Z = Z (cos θ + isen θ ) , os valores encontrados para

Z e θ , ou seja:

31π 31π 
( ) 
Z ≈ 13 cos124 o + i sen124 o ou Z ≈ 13  cos + isen 
 45 45 

166
j) Operações com números complexos na forma polar ou trigonométrica
Não é usual efetuar-se adições ou subtrações de números complexos na forma polar, devido ao
fato de que estas operações com os números complexos na forma algébrica são bem mais fáceis de
realizar. Se os números complexos estiverem na forma polar, para somá-los (ou subtraí-los), primeiro
converta-os para a forma algébrica e efetue os cálculos.

Exemplo:
Sejam os números Z = 10(cos 0 o + i sen 0 o ) e W = 5(cos 90 o + isen90 o ) , encontre os números Z +
W e Z – W.
Solução:
Portanto iniciaremos nosso trabalho, transformando os números que se encontram na forma
trigonométrica para a forma algébrica, ou seja:

Z = 10(cos 0º + i . sen 0º) ⇒ Z = 10 (1 + i .0) ⇒ Z = 10

W = 5(cos 90º + i . sen 90º) ⇒ W = 5 (0 + i .1) ⇒ W = 5i

Portanto, teremos:
Z + W = 10 + 5i e Z – W = 10 – 5i.
Muitas vezes ao realizarmos multiplicações, divisões ou calcularmos potências de números
complexos, nosso trabalho se torna bem mais simples, se trabalharmos com os números na forma polar
ou trigonométrica. Por exemplo, se desejarmos encontrar o valor de (1 − 2i ) 25 , se optarmos por
multiplicar o número 1 – 2i por ele mesmo vinte e cinco vezes, esse trabalho se torna praticamente
impossível. Portanto passemos a analisar as operações de multiplicação, divisão e potenciação de
números complexos na forma trigonométrica ou polar, através do chamado Teorema de Moivre.

167
Teorema de Moivre
Sejam os números complexos Z1 = Z1 (cosθ1 + i senθ1 ) e Z 2 = Z 2 (cosθ 2 + i senθ 2 ) , podemos

mostrar que:
i) Z 1 ⋅ Z 2 = Z 1 ⋅ Z 2 [cos(θ1 + θ 2 ) + i sen (θ1 + θ 2 )]

Conseqüências:
1) Z1 ⋅ Z 2 ⋅ ... ⋅ Z n = Z1 ⋅ Z 2 ⋅ ... ⋅ Z n [cos(θ1 + θ 2 + ... + θ n ) + i sen (θ1 + θ 2 + ... + θ n )]

2) Z 1n = Z 1
n
[cos(nθ1 ) + i sen (nθ1 )]

Z1
⋅ [cos (θ1 − θ 2 ) + i sen (θ1 − θ 2 )]
Z1
ii) =
Z2 Z2

Exemplos:
1) Sejam Z1 = 15(cos30º + i . sen30º) e Z2 = 3(cos60º + i . sen60º). Encontre o valor de Z1 ⋅ Z 2 , na
forma trigonométrica e na forma algébrica.
Solução:
Como os dois números complexos estão na forma trigonométrica, para multiplicá-los, segundo o
Teorema de Moivre, basta multiplicar os seus módulos e somar seus argumentos, ou seja:
Z 1 ⋅ Z 2 = 15(cos30º + i . sen30º) . 3(cos60º + i . sen60º)

Z 1 ⋅ Z 2 = 15.3[cos(30º + 60º) + i . sen(30º + 60º)]


Z 1 ⋅ Z 2 = 45(cos 90º + i . sen 90º)

Para obtermos o valor de Z 1 ⋅ Z 2 na forma algébrica, basta substituirmos os valores


correspondentes ao seno e ao cosseno na expressão encontrada, isto é:

Z1 ⋅ Z 2 = 45(cos90º + i . sen90º) = 45(0 + i . 1) = 45i


Portanto temos, para Z 1 ⋅ Z 2 , os seguintes resultados:

168
Forma Trigonométrica
π
Z1 ⋅ Z 2 = 45 (cos 90 o + i sen90 o ) ou equivalentemente Z1 ⋅ Z 2 = 45 (cos π2 + i sen )
2

Forma Algébrica
Z 1 ⋅ Z 2 = 45 i

Z1
2) Sejam Z1 = 10(cos120º + i sen120º) e Z2 = 5(cos30º + i sen30º). Determine o valor de , na forma
Z2
trigonométrica e na forma algébrica.
Solução:
Como os dois números complexos estão na forma trigonométrica, para dividi-los, segundo o
Teorema de Moivre, basta dividir os seus módulos e diminuir seus argumentos, ou seja:
Z1 10 (cos120 o + i sen120 o )
=
Z2 5 (cos 30 o + i sen 30 o )

Z1 10
= [cos(120º - 30º) + i . sen(120º - 30º)]
Z2 5

Z1
= 2(cos90º + i . sen90º)
Z2

Z1
Para obtermos o valor de na forma algébrica, basta substituirmos os valores correspondentes
Z2
ao seno e ao cosseno na expressão encontrada, isto é:

Z1
= 2(cos90º + i . sen90º) = 2(0+i . 1) = 2i
Z2

Z1
Portanto temos, para , os seguintes resultados:
Z2

169
Forma Trigonométrica

= 2 (cos 90 o + i sen90 o ) ou de forma equivalente Im = {y ∈ R / y ≥ −4}


Z1
Z2

Forma Algébrica
Z1
= 2i
Z2

3) Seja Z = 10(cos30º + i . sen30º), encontre o valor de Z 9 , na forma trigonométrica e na forma


algébrica.
Solução:
Como o número Z já está na forma trigonométrica, para elevá-lo a um determinado expoente
inteiro, segundo o Teorema de Moivre, basta elevar o seu módulo a este expoente e multiplicar seu
argumento pelo valor deste expoente, ou seja:

Z 9 = 109[cos(9.30º) + i . sen(9.30º)]

Z 9 = 109(cos270º + i . sen270º)

Para obtermos o valor de Z 9 na forma algébrica, basta substituirmos os valores correspondentes ao seno
e ao cosseno na expressão encontrada, isto é:

Z 9 = 109(cos270º + i . sen270º) = 109[0 + i . (-1)] = -109.i


Portanto temos, para Z 9 , os seguintes resultados:

Forma Trigonométrica
Z 9 = 10 9 (cos 270 o + i sen 270 o ) ou equivalentemente Z 9 = 10 9 (cos 32π + i sen 32π )

170
Forma Algébrica
Z 9 = −10 9 i

4) Encontre o valor da expressão a seguir, tanto na forma trigonométrica, como na forma algébrica.

[2 (cos 20 o + isen20 o )] 3 ⋅ [2 (cos 50 o − isen50 o )] 4


Z=
[2 (cos 60 o + i sen60 o )]2

Solução:
Em primeiro lugar devemos observar os números complexos envolvidos, vamos identificá-los
por Z1 , Z2 e Z3 , da seguinte forma:

Z1 = 2(cos 20 o + isen 20 o )

Z 2 = 2(cos 50 o − isen50 o )

Z 3 = 2 (cos 60 o + isen 60 o )

Em relação ao número Z 2 cabe fazer algumas considerações: o seu módulo vale 2, mas seu
argumento vale -50o, ou seja, o sinal negativo da parte imaginária significa que o ângulo é negativo, pois
da trigonometria sabemos que:

171
Então em Z 2 = 2 (cos 50 o − isen50 o ) temos que: Z 2 = 2 [cos(−50 o ) + isen(−50 o )]

Assim, podemos escrever então a expressão Z como sendo:

Z=
[2 (cos 20 o
+ isen 20 o )] ⋅ [2 (cos( −50
3 o
) + isen ( −50 o ) )] 4

[2 (cos 60 o
+ isen 60 o )] 2

Utilizando o Teorema de Moivre passamos então a obtermos:

Z=
[2 (cos(3 ⋅ 20 ) + isen(3 ⋅ 20 ))]⋅ [2 (cos(4 ⋅ −50 ) + isen(4 ⋅ −50 ))]
3 o o 4 o o

2 2 (cos(2 ⋅ 60 o ) + isen(2 ⋅ 60 o ))

Z=
[8 (cos(60 ) + isen(60 ))]⋅ [16 (cos(−200 ) + isen(−200 ))]
o o o o

4 (cos120 o + isen120 o )

Z=
[
8 ⋅16 cos(60 o + (−200 o )) + isen(60 o + ( −200 o )) ]
4 (cos120 o + isen120 o )

Z=
[
128 cos(−140 o ) + isen(−140 o ) ]
4 (cos120 o + isen120 o )

Z=
128
4
(
cos[(−140o ) − (120 o )] + isen[(−140o ) − (120 o )] )
Z = 32 [cos(−260 o ) + isen(−260 o )]

Z = 32 (cos 260 o − isen 260 o )

Para obtermos o valor de Z na forma algébrica, basta substituirmos os valores correspondentes ao


seno e ao cosseno na expressão encontrada, para isso utilizaremos a calculadora, isto é:

Z = 32(cos260º - i . sen260º) ≈ 32[-0,17 - i . (-0,98)]


Z ≈ -5,44 + i . 31,36
Portanto temos, para Z, os seguintes resultados:

Forma Trigonométrica
Z = 32 (cos 260 o − i sen 260 o ) ou equivalentemente Z = 32 (cos 139π − i sen 139π )
172
Forma Algébrica
Z ≈ −5,44 + 31,36i

k) Raízes n-ésimas de números complexos


Um número Z k é uma raiz n-ésima de um número complexo Z, se Z k = Z . A raiz n-ésima pode
n

ser denotada por:


1
Zk = n Z = Z n

Assim, Z k (k-ésima raiz) é dada por:

  θ + 360 o ⋅ k   θ + 360 o ⋅ k 
Z k = n Z cos   + i sen   para k = 0, 1,..., n-1
  n   n 

ou de forma equivalente
  θ + 2kπ   θ + 2kπ 
Z k = n Z cos   + i sen   para k = 0, 1,...,n-1
  n   n 

Se k > n, as raízes se repetem e basta então tomar k = 0, 1,..., n-1 para esta fórmula produzir n
raízes distintas do número complexo Z.

Interpretação geométrica da radiciação


As raízes Z k podem assumir “n” valores distintos, porém todos com o mesmo módulo. Assim os
afixos das n raízes do número complexo Z são pontos de uma mesma circunferência com centro na

origem e raio n Z , esses números dividem esta circunferência em n partes iguais, ou seja:

• Se n = 2 ⇒ temos dois pontos diametralmente opostos


• Se n ≥ 3 ⇒ temos vértices de um polígono regular inscrito na circunferência.

Exemplos:
1) Determinar as raízes cúbicas do número complexo 8i.
Solução:
As raízes cúbicas de 8i são obtidas conforme segue.
173
i) Em primeiro lugar, devemos identificar no número Z = 8i, sua parte real (a) e sua parte imaginária (b),
que são dadas por:
a=0 e b=8

ii) A seguir devemos calcular o valor do módulo do número complexo Z = 8i, ou seja, devemos calcular
Z :

Z = a 2 + b 2 = 0 2 + 8 2 = 0 + 64 = 64 ⇒ Z = 8

iii) Nosso próximo passo é a determinação do argumento θ do número complexo Z, onde para isso
devemos levar em conta as seguintes expressões:
a b
cos θ = sen θ =
Z Z
0 8
cos θ = e sen θ =
8 8
cos θ = 0 sen θ = 1

Portanto temos que os valores encontrados para o cos θ e para o sen θ , conforme a Tabela 1,
indicam que o ângulo procurado se encontra em extremidades de quadrantes, ou seja, o ângulo θ
π
corresponde ao ângulo de 90º ou rad :
2
cos θ = 0 π
 θ = 90 ou θ = rad
o

senθ = 1  2

iv) Passamos agora a calcular os valores de Z k que são dados por:

  θ + 360o ⋅ k   θ + 360o ⋅ k 
Z k = n Z cos  + i sen  para k = 0, 1,..., n-1
  n   n 

Como Zk são as raízes cúbicas de 8i, ou seja, Z k = 3 8i , temos que n = 3 e dessa forma os

valores de k serão; k = 0, 1 e 2. Portanto, substituindo os valores de “n”, “k” e os encontrados para Z

e θ teremos:

174
  90 o + 360 o ⋅ 0   90 o + 360 o ⋅ 0 
Para k = 0 ⇒ Z o = 8 cos
3
  + i sen
 
  3   3 

Z o = 2 (cos 30 o + i sen30 o ) ou de forma semelhante Z o = 2 (cos π6 + i sen π6 )

  90 o + 360 o ⋅ 1   90 o + 360 o ⋅ 1 
Para k = 1 ⇒ Z 1 = 3 8 cos  + i sen 
  3   3 

Z 1 = 2 (cos150 o + i sen150 o ) ou de forma semelhante Z 1 = 2 (cos 56π + i sen 56π )

  90 o + 360 o ⋅ 2   90 o + 360 o ⋅ 2 
Para k = 2 ⇒ Z 2 = 3 8 cos  + i sen 
  3   3 

Z 2 = 2 (cos 270 o + i sen270 o ) ou de forma semelhante Z 2 = 2 (cos 32π + i sen 32π )

As raízes cúbicas de 8i estão representadas na figura abaixo.

Unindo os três pontos Z o , Z 1 e Z 2 , obtemos um triângulo eqüilátero inscrito em uma


circunferência de raio 2.

175
Exercícios:
1+ i
1) Escreva na forma trigonométrica o complexo Z = .
i
(a) 2 (cos 270 o + i sen270 o )
(b) 2 (cos 225 o + i sen225 o )
(c) 2 (cos 45 o + i sen45 o )
(d) 2 (cos 135 o + i sen135 o )
(e) 2 (cos 315 o + i sen315 o )

2) Seja Z 1 = 5(cos 20 º +i sen 20 º ) e Z 2 = 3(cos 40 º −i sen 40 º ) , calcule o valor de cada item a seguir.
i) Z 1 ⋅ Z 2
(a) 15(cos 20 o + i sen20 o )
(b) 15(cos 20 o − i sen20 o )
(c) 15(cos120 o − i sen120 o )
(d) 15(cos120 o + i sen120 o )
(e) (cos 20 o − i sen20 o )

ii) Z12
(a) 25(cos 40 o + i sen 40 o )
(b) 25(cos 40 o − i sen 40 o )
(c) 225(cos 40 o + i sen 40 o )
(d) 9(cos 80 o + i sen80 o )
(e) 9(cos 80 o − i sen80 o )

Z1
iii)
Z2
(a) 53 (cos 20 o − i sen20 o )
(b) 53 (cos 60 o + i sen60 o )
(c) 53 (cos 20 o + i sen 20 o )
(d) 53 (cos 60 o − i sen60 o )
(e) 35 (cos 20 o + i sen 20 o )

176
3) Calcule o valor de cada expressão.
4(cos180º +isen180º )
i)
2(cos150º +i sen150º )
(a) 2(cos 30 o + i sen30 o )
(b) 2(cos 30 o − i sen30 o )
(c) 2(cos 130 o + i sen130 o )
(d) 2(cos 330 o + i sen330 o )
(e) 2(cos 320 o − i sen320 o )

[8(cos 40º +i sen40º )]3


ii)
[2(cos 60º −isen60º )] 4
(a) 32(cos120 o + i sen120 o )
(b) 32(cos 240 o + i sen240 o )
(c) 32(cos160 o + i sen160 o )
(d) 32(cos 360 o + i sen360 o )
(e) 32(cos 260 o + i sen260 o )

iii) [2(cos 50º −isen50º )] −6


(a) 641 (cos 300 o − i sen300 o )
(b) 1
64
(cos 30 o + i sen30 o )
(c) 1
64 (cos 130 o + i sen130 o )
(d) 1
16 (cos 300 o + i sen300 o )
(e) 1
64 (cos 300 o + i sen300 o )

iv)
[2(cos 20 o
+ i sen20 o ] ⋅ [cos10 − i sen10 ]
−3 o o

[3(cos40 o
− i sen40 )]
o −2

(a) 89 (cos150 o − i sen150 o )


(b) 89 (cos150 o + i sen150 o )
(c) 89 (cos 150 o − i sen150 o )
(d) 98 (cos150 o + i sen150 o )
(e) 89 (cos 250 o − i sen250 o )

177
v)
[4(cos50 o
+ i sen50 o ) ]
2

[2(cos20 ] [ −2
− i sen20 o ⋅ 4(cos 30 o + i sen30 o
o
]
(a) 16(cos 60 o + i sen60 o )
(b) 16(cos 30 o − i sen30 o )
(c) 16(cos 30 o + i sen30 o )
(d) 16(cos 330 o + i sen330 o )
(e) 16(cos 230 o + i sen230 o )

4) Determine o número Z k tal que Z k 2 = −16i .


(a) Z o = −2 2 − 2 2i e Z 1 = 2 2 − 2 2i
(b) Z o = 2 2 + 2 2i e Z 1 = 2 2 − 2 2i
(c) Z o = −2 2 + 2 2i e Z 1 = −2 2 − 2 2i
(d) Z o = −2 2 + 2 2i e Z 1 = 2 2 + 2 2i
(e) Z o = −2 2 + 2 2i e Z 1 = 2 2 − 2 2i

5) Dado Z = 1 + i obtenha Z −7 .
(a) 8 1 2 (cos 315 o + i sen 315 o )
(b) 1
8 2
(cos 215o − i sen 215o )
(c) 1
8 2
(cos 225 o − i sen 225 o )
(d) 1
8 2
(cos 315 o − i sen 315 o )
(e) 1
8 2
(cos 225 o + i sen 225 o )

6) Dado o número complexo Z = 1 − i , o complexo Z 13 é igual a :


(a) 213 (1 − i)
(b) 32 (1+i)
(c) 64 (-1+i)
(d) 13 2 (1 − i )
(e) 32 2 ( −1 − i )

Gabarito
1) e 2) (i) b (ii) a (iii) c 3) (i) a (ii) d (iii) e (iv) c (v) c
4) e 5) d 6) c

178