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Conto

CONTIGO
Conceição Monteiro Neto | Laura Guimarães

8
Olga Brochado | Rosa Maria Amaral | Susana Nunes

PORTUGUÊS | 8.º ANO | 3.º CICLO DO ENSINO BÁSICO

TESTE 1
D

©AREAL EDITORES
Nome

Escola

Turma N.º Data

Grupo I
Lê, com atenção, o texto.
Terça-feira, 13 de junho de 1944
Querida Kitty,
Mais um aniversário que se passou. Agora já tenho quinze anos.
Desejos, pensamentos, acusações e censuras rodopiam como um turbilhão na minha cabeça. Não sou na
verdade tão presumida como muitas pessoas pensam; conheço os meus defeitos e falhas melhor que ninguém,
5 mas há uma diferença: também sei que quero mudar, que vou mudar e que já mudei bastante!
Pergunto muitas vezes a mim própria porque será que toda a gente ainda me acha tão pretensiosa e sabi-
chona? Serei realmente tão arrogante? Serei eu a arrogante, ou eles? Bem sei que parece loucura, mas vou riscar
esta última frase, porque não é tão disparatada como parece. Mrs. van Daan e Dussel, os meus dois principais
acusadores, são conhecidos como muito pouco inteligentes e, para não estar com paninhos quentes, simples-
10 mente “estúpidos”! Geralmente, as pessoas estúpidas não suportam quando os outros fazem qualquer coisa
melhor do que elas; o melhor exemplo são estes dois idiotas, Mrs. van Daan e Dussel. Mrs. van D. acha-me estú-
pida porque eu não sofro tanto deste mal como ela, acha-me pretensiosa porque ainda o é mais, acha os meus
vestidos demasiado curtos porque os dela são ainda mais curtos, e acha que eu tenho a mania que sei tudo por-
que fala duas vezes mais do que eu sobre assuntos dos quais nada sabe. O mesmo se aplica a Dussel. Mas um
15 dos meus ditados preferidos é: “Não há fumo sem fogo”, e admito sem hesitar que sou uma sabe-tudo.
O que é tão difícil na minha personalidade é o facto de eu me repreender e censurar a mim própria muito mais
do que qualquer outra pessoa; quando a Mamã acrescenta os seus conselhos, o monte de sermões torna-se tão
enorme que chego a desesperar de alguma vez o conseguir transpor. Então começo a responder torto e a contra-
riar toda a gente, até surgir novamente o velho e familiar refrão da Anne:
20 – Ninguém me compreende!
Esta frase faz parte de mim e, por mais improvável que pareça, há nela um grão de verdade. Por vezes estou
tão soterrada sob autorrecriminações que anseio por uma palavra de conforto, que me ajude a abrir novamente
caminho até à superfície. Se pelo menos tivesse alguém que me levasse os meus sentimentos a sério! Infelizmente,
ainda não encontrei essa pessoa, portanto a busca tem de continuar.
25 Sei que estás a pensar em Peter, não estás, Kit? É verdade, Peter ama-me, não como namorada, mas como
amiga. O seu afeto cresce de dia para dia, mas alguma força misteriosa nos está a prender, e não sei o que é.
Tua, Anne M. Frank
O diário de Anne Frank, Editora Livros do Brasil (texto com supressões)

Responde, de forma completa e bem estruturada, às questões que se seguem.


Concentra-te no segundo parágrafo.
1. 
1.1. D
 emonstra como se sente Anne, em relação a si e aos outros.
Justifica a ocorrência das frases interrogativas no terceiro parágrafo.
2. 
Explica o significado que o provérbio “Não há fumo sem fogo” adquire ao ser utilizado por Anne.
3. 
Explicita o que leva Anne a afirmar “ – Ninguém me compreende!”.
4. 
1 5. Confirma que este texto apresenta características de uma escrita diarística, sendo, assim, autobiográfico.
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Conceição Monteiro Neto | Laura Guimarães

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Grupo II
O nome secreto de Rá
Rá1 criou o mundo com palavras. Mas houve uma palavra – o seu nome secreto – que guardou para si
próprio.
Ísis, filha de Geb e de Nut, a terra e o céu, e mulher de Osíris, resolveu saber os nomes de todas as coi-
sas para ser tão importante como Rá. Por fim, a única palavra que não sabia era o nome secreto de Rá.
5 Para convencer Rá a dizer-lho, Ísis juntou a saliva que caíra da boca do deus quando ele viajava pelo céu,
dia após dia (visto que ele estava então velho e baboso) e deu-lhe a forma de uma cobra, que deixou no
seu caminho. Como não poderia deixar de ser, Rá foi mordido, soltou um grito terrível, começou a tremer e
uma névoa perturbou-lhe a visão. Aproveitando-se do seu sofrimento, Ísis ofereceu-se para neutralizar o
veneno se ele lhe dissesse o seu nome. Por fim, ele passou o nome do seu coração para o dela, dando-lhe
10 poder sobre ele próprio. Servindo-se do nome de Rá, ela ordenou ao veneno que desaparecesse, dei-
xando-o apto e forte.
O texto desta história também tinha um objetivo prático – atuava contra o veneno. Se alguém recitasse
o texto sobre as imagens dos quatro deuses, incluindo Ísis e Hórus, e obrigasse o doente a comer um
papel onde estavam escritas as palavras mágicas, o sucesso estava garantido «um milhão de vezes».
Neil Philip, Comentar mitos & lendas, Civilização
1
Deus egípcio do Sol.

1. Ordena as sequências que se seguem, de acordo com o sentido do texto que acabaste de ler.
a) Rá não suportou as dores provocadas pelo veneno da serpente e acabou por divulgar o seu segredo
à filha de Geb e de Nut.
b) Durante o processo de criação do mundo, Rá não divulgou o seu nome secreto.
c) Para aceder ao poder de Rá, Ísis foi ardilosa e transformou a saliva daquele numa serpente que
o mordeu.
d) Contudo, o facto de desconhecer o nome secreto de Rá tornava-a mais fragilizada no conhecimento.
e) D
 iz-se que o próprio texto da história de Rá e de Ísis tinha poderes curativos.
f) Ísis desejava alcançar um poder semelhante ou superior ao de Rá.

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2. Assinala a opção correta.
Na frase “Rá criou o mundo com palavras (…).”, o constituinte sublinhado desempenha a função
2.1. 
sintática de
a) predicado.
b) sujeito simples.
c) complemento direto.
Na frase “Por fim, ele passou o nome do seu coração para o dela.”,
2.2. 
o constituinte sublinhado desempenha a função sintática de
a) complemento oblíquo.
b) modificador.
c) predicativo do sujeito.
Na frase “ (…) ela ordenou ao veneno que desaparecesse (…).” o constituinte sublinhado
2.3. 
desempenha a função sintática de
a) complemento indireto.
b) complemento direto.
c) complemento oblíquo.

Identifica a função sintática dos constituintes destacados nas frases que se seguem.
3. 
a) “Ísis, filha de Geb e de Nut, resolveu saber os nomes de todas as coisas”.
b) Rá soltou um grito terrível.
c) Ísis revelou-se poderosa.

Grupo III
Escreve uma página de um diário, com um mínimo de 120 e um máximo de 180 palavras, em que
dês a conhecer um acontecimento especial decorrido na tua escola.

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Sugestões de resolução
Grupo I Grupo II
1. Anne sente-se confusa e um pouco revoltada. 1. b, f, d, c, a, e.
Considera que as pessoas não são justas para com 2.1. c); 2.2. b); 2.3. a).
ela por acharem que ela é presunçosa. 2. Através das
3. a) Modificador do nome apositivo.
frases interrogativas, Anne tenta compreender
a opinião que algumas pessoas têm acerca dela. b) Modificador do nome restritivo.
No fundo, faz uma introspeção, uma autoanálise. c) Predicativo do sujeito.
3. Ao utilizar o provérbio, Anne admite que há alguma
verdade no que os outros dizem acerca de si. Acaba
por concordar que, afinal, é um pouco “presumida”,
Grupo III
“sou uma sabe-tudo”. 4. Anne é uma adolescente que Resposta aberta.
experiencia sentimentos tumultuosos. Tem um sentido
apurado da vida e é muito exigente consigo própria e,
por isso, deseja “uma palavra de conforto”. Anseia por
uma “pessoa” especial lhe dê esperança e força.
5. O texto, a nível formal, abre com a indicação da
data “ Terça-feira, 13 de junho de 1944”, apresenta
uma saudação ao destinatário, à amiga imaginária,
isto é, ao próprio diário, “Querida Kitty”, e encerra com
uma fórmula de despedida carinhosa
“Tua, Anne M. Frank”. Ao longo do texto,
há passagens que refletem uma escrita intimista
e autobiográfica, sendovisíveis as marcas linguísticas
da primeira pessoa do singular, por exemplo, “tenho”,
”estou”, “sei”, “me”, “mim”. Também se verifica
a presença de um destinatário imaginário, “Kitty”, a
quem Anne confidencia os seus pensamentos e
sentimentos mais íntimos e com quem comunica,
“Sei que estás a pensar em Peter, não estás, Kit?”.

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TESTE 2
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Nome

Escola
Lê o texto com atenção.
Turma N.º Data

Grupo I
A vida de Hans mais uma vez tinha virado. Já não eram as longas navegações até aos confins dos continen-
tes, o avançar aventuroso ao longo das costas luxuriantes e de costas desérticas, de povo em povo, de baía em
baía. Agora verificava a ordem dos armazéns, o bom estado dos navios, a competência das equipagens, contro-
lava as cargas e descargas, discutia negócios e contratos. As suas viagens iam-se tornando rápidas e espaçadas.
5 E Hans compreendeu que, como todas as vidas, a sua vida não seria a sua própria vida, a que nele estava impa-
ciente e latente, mas um misto de encontro e desencontro, de desejo cumprido e desejo fracassado, embora, em
rigor tudo fosse possível. E compreendeu que as suas grandes vitórias seriam as que não tinha desejado e que,
por isso, nem sequer seriam vitórias.
Escreveu ao Pai. Disse-lhe que não era mais um navegador entre as ondas e o vento. Que era um homem estabele-
10 cido, em terra firme e que queria voltar a Vig. Foi a Mãe que respondeu à sua carta dizendo que o pai não o receberia.
Associado ao inglês, Hans começou a construir uma fortuna pessoal que nunca tinha projetado. Era um
homem de negócios hábil porque se apercebia da natureza das coisas e da natureza das pessoas e negociava
sem paixão. A fortuna não era nem a sua ambição, nem a sua aventura nem o seu jogo e nela nada de si próprio
envolvia. Enriquecia porque a sua perceção e os seus cálculos estavam certos.
15 Algum tempo depois casou com a filha de um general liberal que desembarcara no Mindelo e cuja espada,
mais tarde, transitando de herança em herança, se conservou na família.
Escolheu Ana porque tinha a cara redonda e rosada e cheirava a maçã como a primeira mulher criada e como
a casa onde ele nascera, e porque o seu loiro de minhota lhe lembrava as tranças das mulheres de Vig.
Pouco antes do seu casamento Hoyle morrera e Hans fundara a sua própria firma cuja prosperidade crescia. Era
20 agora um homem rico e também respeitado e escutado. A sua honestidade era célebre e a sua palavra era de oiro.
Parecia estar já inteiramente integrado na cidade onde, quase ainda criança, vagueara estrangeiro e perdido.
Conhecia um por um os notáveis do burgo: ele próprio agora era um dos notáveis do burgo. Amava o rio, o granito
das casas e calçadas, as enormes tílias inchadas de brisas, as cameleiras de folhas polidas que floriram desde
novembro até maio.
25 E foi no tempo das últimas camélias (vermelhas, pesadas e largas) que nasceu o seu primeiro filho.
Sophia de Mello Breyner Andresen, “Saga” in Histórias da Terra e do Mar, Texto Editora

Responde, de forma completa e bem estruturada, às questões que se seguem.


1. Refere as alterações ocorridas na situação profissional de Hans.
1.1. Transcreve o advérbio que assinala essa alteração e que remete para o momento presente.
Sendo Hans um homem de negócios, como se justifica que negociasse sem paixão?
2. 
3. Relê os sétimo e oitavo parágrafos do texto.
3.1. Faz a caracterização psicológica de Hans, tendo como referência estes parágrafos.
O narrador dá a conhecer as razões que levaram Hans a casar com Ana.
4. 
4.1. Explicita-as.
5. Classifica o narrador deste texto, quanto à sua presença. Justifica e ilustra com dois exemplos textuais.
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Grupo II
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1. Reescreve as frases, introduzindo um advérbio de negação.
a) “ As suas viagens iam-se tornando rápidas e espaçadas.”
b) A espada conservar-se-ia na família.
2. R
 eescreve as frases que se seguem, substituindo as expressões sublinhadas pelos respetivos
pronomes pessoais.
Faz, apenas, as alterações necessárias.
a) A inda amava o rio, o granito das casas e calçadas.
b) Hans escreverá cartas ao pai.
c) M al recebera a carta, a mãe respondera ao filho.
d) Foi no tempo das últimas camélias que nasceu o seu primeiro filho.
e) Hans nunca teria previsto essa fortuna.
f) Hoyle teria projetado outros negócios se estivesse vivo.
3. Classifica as orações destacadas.
a) H ans era tão respeitado que todos queriam ouvir os seus conselhos.
b) Hans era mais calculista do que aparentava.
c) A s vitórias, que não tinha desejado, não eram consideradas vitórias.
d) Assim que Hoyle morrera, Hans fundara a sua própria firma.
e) “ Hans começou a construir uma fortuna pessoal que nunca tinha projetado.”
f) O pai de Hans estava de tal modo traumatizado com os naufrágios que não aceitou a decisão do filho.
g) Era um homem estabelecido e queria voltar a Vig.
h) A cidade era tão austera como o eram as igrejas luteranas de Vig.
4. Identifica o processo de coordenação utilizado entre os constituintes da frase: Amava o rio, o granito
das casas e calçadas, as enormes tílias inchadas de brisas, as cameleiras de folhas polidas.
5. Indica o conjunto de palavras em que se apresenta uma relação de hiponímia.
a) Camélias, tílias, macieiras, árvores
b) Leme, barco, convés, vela
c) Árvores de fruto, tronco, folhas
6. Identifica o conjunto de palavras no qual não se verifica uma relação de hiponímia.
a) Camélias, cravos, rosas, flores
b) Filho, pai, mãe, família
c) Rio, mar, baía, lagoa
Grupo III
Hans teve de sair de Vig para concretizar os seus sonhos. Contudo, desejou sempre regressar à
sua ilha e abraçar os pais.
Redige um texto expositivo, com um mínimo de oitenta palavras e um máximo de cento e vinte, em
que explicites o papel que os pais exercem no crescimento e na vida dos seus filhos.
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Sugestões de resolução
Grupo I
1. Hans deixara de navegar “até aos confins dos mulher criada e como a casa onde ele nascera,
continentes” e de se aventurar por mar em direção a locais e porque o seu loiro de minhota lhe lembrava as tranças
longínquos e distintos. “Já não eram as longas navegações das mulheres de Vig.”. 5. O narrador é não participante,
até aos confins dos continentes, o avançar aventuroso ao porque a narração é feita na terceira pessoa, como se
longo das costas luxuriantes e de costas desérticas, de verifica através das formas verbais e dos pronomes na
povo em povo, de baía em baía.” Tornara-se um homem terceira pessoa. Além disso, o narrador não intervém na
de negócios, rico e respeitado, fixado em terra firme, cujas ação como personagem. “E Hans compreendeu que,
viagens por mar eram cada vez mais escassas. “Agora como todas as vidas, a sua vida não seria a sua própria
verificava a ordem dos armazéns, o bom estado dos vida, a que nele estava impaciente e latente “Escreveu ao
navios, a competência das equipagens, controlava as Pai.”, “Algum tempo depois casou (…)”…
cargas e descargas, discutia negócios e contratos. As suas
viagens iam-se tornando rápidas e espaçadas.”, “Escreveu
ao Pai. Disse-lhe que não era mais um navegador entre as
Grupo II
ondas e o vento. 1. a) As suas viagens não se iam tornando rápidas e
Que era um homem estabelecido, em terra firme e que espaçadas. b) A espada não se conservaria na família.
queria voltar a Vig.”. 1.1. O advérbio “Agora” assinala a 2. a) Ainda os amava. b) Hans escrever-lhas-á. c) Mal a
situação presente de Hans. 2. Hans negociava sem paixão, recebera, a mãe respondera-lhe. d) Foi no tempo das
porque não se tratava de algo que fizesse por motivação últimas camélias que ele nasceu. e) Hans nunca a teria
pessoal, por ambição ou por gosto. Contudo, previsto. f) Hoyle tê-los-ia projetado se estivesse vivo.
empenhava-se afincadamente na sua nova profissão, 2. a) Oração subordinada adverbial consecutiva. b) Oração
sendo um profissional bem-sucedido. “A fortuna não era subordinada adverbial comparativa. c) Oração
nem a sua ambição, nem a sua aventura nem o seu jogo subordinada adjetiva relativa explicativa. d) Oração
e nela nada de si próprio envolvia. Enriquecia porque a sua subordinada adverbial temporal. e) Oração subordinada
perceção e os seus cálculos estavam certos.” 3.1. Hans adjetiva relativa restritiva. f) Oração subordinada
era um homem de caráter, honesto e íntegro. adverbial consecutiva. g) Oração coordenada
Os habitantes admiravam-no e respeitavam a sua opinião. copulativa. h) Oração subordinada adverbial
Tornou-se num homem rico, notável, na cidade que o comparativa.
acolheu e na qual se integrou facilmente. Apreciava,
4. Processo de coordenação assindética.
“amava” a beleza da cidade e da paisagem que a envolvia.
4.1. Hans escolheu Ana para sua esposa, porque a achava 5. a) 6. c)
bela, irresistível, tinha algumas qualidades que o faziam
lembrar a sua casa natal e as mulheres de Vig. Ana “tinha a
cara redonda e rosada e cheirava a maçã como a primeira
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Resposta aberta.

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TESTE 3
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Turma N.º Data

Grupo I
Lê o texto com atenção.

Estava uma noite clara e temperada, própria dos primeiros dias de agosto. O céu era como um lençol
negro com pontinhos bordados e um buraco no meio: a Lua.
Os rapazes espreitaram pela janela e viram a mãe na berma da estrada, entre as moitas de urze.
– O que está ela a fazer? – perguntou Peter. – Está dobrada sobre um monte de pedras.
5 Ela voltou pouco depois com uma pequena pedra na mão. Pousou-a cuidadosamente no banco vazio
ao lado dela. Parecia uma pedra igual às outras, mas quando a luz da Lua lhe bateu, eles puderam ver o
seu suave brilho azulado.
Eram pedras relativamente raras, aquelas, mas quem viajasse pela região sempre encontrava uma ou
outra se olhasse com atenção.
10 – À noite, a Lua dá-lhes este tom azulado – explicou a mãe. – É uma pedra da sorte.
– Outra? Já há tantas na quinta… - resmungou Peter, com o seu ar mais carrancudo.
– Ensinaram-me a levá-las para casa sempre que as encontrasse – prosseguiu a mãe. – E hoje não
queria chegar lá sem uma. Acho que, desta vez, preciso de sorte. Querem saber a história das pedras
azuladas da quinta?
15 – Agora não – suplicou Peter.
– Conta, mãe – pediu William.
A mãe acariciou a pedra com a palma da mão e pôs o carro em movimento.
– O Carl Zimmer, nosso antepassado, comprou o terreno da quinta e construiu a casa por volta de 1800.
Dizem que encontrou um diamante do tamanho de uma romã durante as escavações dos alicerces e o enter-
20 rou depois na terra e pôs uma daquelas pedras por cima para marcar o sítio. Dizia à família que era uma pedra
da sorte que protegia a casa e as pessoas que lá viviam, desde que não desenterrassem o tesouro que ela
guardava. A menos, claro, que houvesse uma desgraça ou estivessem em grandes dificuldades.
– E desenterraram-no? – perguntou William.
– Não se sabe. Já viveu e morreu ali tanta gente – respondeu a mãe. – E algumas vezes estiveram em
25 dificuldades, isso sabe-se. Talvez o tenham encontrado.
– Não me parece – disse William, interessado em manter o mistério. – Sempre houve lá muitas pedras
azuis, ou a quinta não se chamava assim. E cada vez há mais. Como podiam eles saber qual era a pedra
que guardava o diamante do tamanho de uma romã?
– Bastava levantar todas – disse Peter, interessado em exterminar de vez o mistério.
30 – Seja como for, ficou a história – concluiu a mãe. – Todas as casas têm as suas. São contadas tantas
vezes que também elas vão mudando. Este conta àquele e tira uma coisa e acrescenta outra, aquele conta
a outro e tira outra coisa e acrescenta mais uma. Às tantas, já não se sabe onde está a verdade. Mas ela
continua lá, escondida.
– Como o tesouro… - murmurou William.
O Último Grimm, Álvaro Magalhães, ASA
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Responde às questões que se seguem.
A ação narrada desenrola-se durante a noite.
1. 
1.1. Explica de que modo a comparação presente no primeiro parágrafo contribui para a descrição dessa noite.
Nessa noite, a mãe encontrou uma pedra aparentemente igual a todas as outras.
2. 
2.1. Descreve-a.
2.2. E
 xplica o que tornava essa pedra especial para a mãe.
Como justificas a referência a Carl Zimmer?
3. 
Ao longo do texto, o narrador deixa transparecer algumas diferenças de personalidade entre os
4. 
irmãos Peter e William.
4.1. E
 xplicita-as. Valida a tua resposta com passagens textuais.

Grupo II
Transcreve os advérbios presentes nas frases e identifica o seu valor semântico.
1. 
a) Pousou-a cuidadosamente no banco vazio ao lado dela.
b) As histórias são contadas tantas vezes que também elas vão mudando.
c) Aquela era a quinta onde estava enterrado o tesouro.
d) “Talvez o tenham encontrado.”
e) “– Não me parece – disse William, interessado em manter o mistério. – Sempre houve lá muitas pedras azuis.”
f) Sim, julgo que o tenham encontrado.
Classifica as orações sublinhadas nas frases.
2. 
a) Aquela era a quinta onde estava enterrado o tesouro.
b) Ainda que houvesse muitas pedras azuis na quinta, a mãe levou mais uma.
c) Zimmer pôs uma daquelas pedras por cima do diamante para marcar o sítio.
d) Desde que não desenterrassem o tesouro, a pedra da sorte protegeria a família.
Transforma as frases ativas em frases passivas.
3. 
a) A mãe acariciou a pedra com a palma da mão e pôs o carro em movimento.
b) William perpetuará a história de Carl Zimmer.

Grupo III
1. Relê a passagem textual que se segue.
“– Seja como for, ficou a história – concluiu a mãe. – Todas as casas têm as suas. São contadas
tantas vezes que também elas vão mudando. Este conta àquele e tira uma coisa e acrescenta outra,
aquele conta a outro e tira outra coisa e acrescenta mais uma. Às tantas, já não se sabe onde está a
verdade. Mas ela continua lá, escondida.
Como o tesouro… – murmurou William.”
1.1. Imagina que William encontrou “o tesouro”. Redige um texto predominantemente descritivo, com
um mínimo de cem e um máximo de cento e cinquenta palavras, em que dês a conhecer os
pormenores em relação ao espaço e ao objeto encontrado, assim como a reação da personagem
face ao sucedido. Não te esqueças de que o teu texto deverá apresentar três partes distintas:
introdução, desenvolvimento e conclusão.
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Sugestões de resolução
Grupo I Grupo II
1.1. A comparação presente no primeiro parágrafo 1. a) “cuidadosamente” – advérbio (de predicado)
revela que aquela noite de verão estava estrelada com valor de modo; b) “tantas” – advérbio de
e tinha uma lua bem visível, tornando-a luminosa e quantidade e grau; “também” – advérbio com valor
brilhante. 2.1. A pedra era pequena e parecia vulgar. de inclusão; c) “onde” – advérbio relativo;
Porém, a sua beleza e raridade revelavam-se num d) “Talvez” – advérbio (de frase) com valor de
brilho azulado, quando a luz da Lua lhe batia.. dúvida; e) “Não” – advérbio com valor de negação;
2.2. A pedra que a mãe apanhou era considerada “Sempre” – advérbio (de predicado) com valor
uma pedra da sorte e estava associada a uma tradição de tempo; “lá” – advérbio (de predicado) com valor
familiar que a ensinara a levá-la sempre para casa. de lugar; f) “Sim” – advérbio com valor de
3. A referência ao antepassado Carl Zimmer explica afirmação;
a tradição de se levar as pedras azuis da sorte para a 2. a) Oração subordinada adjetiva relativa. b) Oração
quinta. Esse antepassado, quando estava a construir subordinada adverbial concessiva. c) Oração
a sua casa, terá encontrado no terreno um diamante. subordinada adverbial final. d) Oração subordinada
Enterrara-o novamente e sobre ele colocara uma adverbial condicional.
daquelas pedras azuladas, tendo dito à família que
3. a) A pedra foi acariciada pela mãe com a palma da
aquela pedra da sorte os protegeria, desde que não
mão e o carro foi posto em movimento. b) A história
desenterrassem o diamante. 4.1. Peter é mais sisudo,
de Carl Zimmer será perpetuada por William.
“resmungou Peter, com o seu ar mais carrancudo”,
revela menos interesse e curiosidade do que o irmão
em relação a histórias da sua família, “ – Agora não –
suplicou Peter.”, “ – Conta, mãe – pediu William.”.
Grupo III
Resposta aberta.
Enquanto William gosta de histórias misteriosas,
com tesouros, o seu irmão Peter não,
“– E desenterraram-no? – perguntou William.”,
“– Como o tesouro… – murmurou William.”, “–
Bastava levantar todas – disse Peter, interessado em
exterminar de vez o mistério.”.

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TESTE 4
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Nome

Escola

Turma N.º Data

Grupo I
Lê o poema de Luís de Camões com atenção.
Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

5 Se lá no assento etéreo, onde subiste,


memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te


10 alg~
ua cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,


que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.

Luís de Camões

1. Concentra-te na primeira estrofe.


1.1. Atribui um sinónimo ao verbo “partir” presente no primeiro verso, justificando a tua opção.
1.2. Identifica o recurso expressivo utilizado nesse verso.
1.3. Confirma a presença da antítese nesta estrofe, explicando o seu uso.

2. Relê a segunda e a quarta estrofes.


2.1. Explicita os pedidos feitos pelo sujeito poético.

3. Descreve o estado emocional do sujeito poético ao longo do poema. Completa


a tua resposta, recorrendo a passagens textuais.

4. Classifica o poema, considerando a sua estrutura formal. Justifica a tua resposta.

5. Identifica o tipo de rima presente na primeira estrofe.


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Conto
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Grupo II
Lê o texto sobre a inteligência dos elefantes.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Sussex (GB) fez com que elefantes africanos do
Amboseli National Park, no Quénia, escutassem uma série de gravações de vozes humanas. Algumas frases
eram pronunciadas por homens da etnia Massai, pastores que ocasionalmente entram em conflito com os
elefantes por questões ligadas ao acesso às fontes de água e a ocupação dos territórios.
5 Outras vozes pertenciam a homens kamba (a etnia da maior parte dos empregados dos funcionários do
parque), que raramente representam algum perigo para os paquidermes. Outras vozes ainda pertenciam a
mulheres e crianças da tribo Massai. Todos pronunciavam a mesma frase: “Olha lá, há um bando de elefan-
tes se aproximando!"
Os que se dedicam ao estudo comportamental dos elefantes há muito conheciam, com admiração, a
10 capacidade que esses paquidermes têm de perceber a morte, reconhecer o odor dos inimigos e a própria
imagem no espelho. A nova pesquisa acrescentou mais uma descoberta a respeito da proverbial inteligên-
cia. A audição das gravações aconteceu durante as horas diurnas a centenas de elefantes de 47 famílias
diferentes. Quando eram os homens massai que falavam, a maior parte dos paquidermes juntava-se aos
demais exemplares, cheirando o ar com a tromba e afastando-se cautelosamente. O mesmo não acontecia,
15 no entanto, quando ouviam as outras vozes, sinal que os elefantes muito provavelmente sabem distinguir
tonalidades e características dos humanos que consideram perigosos.
"A reação deles é muito sofisticada", comenta Keith Lindsay, biólogo e membro do comité científico do
Amboseli Elephant Research Project. "A maior parte dos animais sairia correndo diante do mais genérico
perigo representado pela presença humana. Em vez disso, diante das vozes dos massais os elefantes
20 tendem apenas a permanecer alerta e a afastar-se devagar, como se reconhecessem que os homens estão
simplesmente falando e não caçando. Com efeito, se estivessem caçando, não falariam, permaneceriam em
silêncio".
Um outro estudo publicado há um mês na revista científica digital PLos One® demonstra como os ele-
fantes possuem chamados vocais específicos para designar os seres humanos. Sinal de que, na opinião dos
25 cientistas, as relações entre o homem e os paquidermes está se tornando cada vez mais tensa. Com efeito,
os elefantes africanos estão cada vez mais ameaçados por causa do desaparecimento do seu habitat e da
caça ilegal que abastece o contrabando de marfim.
Os elefantes são animais extremamente sociais. Para a maior parte das espécies, se a mãe morre resta
pouca esperança de vida para os seus filhotes. Mas entre os elefantes as coisas são bem diversas. Existem
30 inúmeros exemplos de irmãs mais velhas que passam a tomar conta dos irmãos menores quando a mãe
morre. Isso acontece inclusive quando a elefanta irmã já têm um filho. Mas a coisa mais surpreendente é que
a adoção pode acontecer até mesmo quando o filhote não pertence ao mesmo grupo familiar.

http://www.jornaldeluzilandia.com.br/print.php?id=29744,
(texto adaptado, consultado em 24/3/2014)

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Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.
1. Indica se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F)
1.1. Corrige as falsas.
a) O estudo realizado foi intencionalmente dirigido a um grupo de elefantes da mesma família, facilitando
a recolha de dados.
b) 
Os elefantes revelaram saber distinguir as vozes que representavam uma potencial ameaça das
restantes.
c) A reação dos paquidermes à presença do ser humano é similar à dos restantes animais.
d) A extinção dos contrabandistas de marfim foi favorável à preservação dos elefantes africanos.
e) Verifica-se uma espécie de vínculo afetivo entre os paquidermes que ultrapassa o núcleo familiar e que
os mantêm solidários entre si.

Grupo III
Classifica as orações destacadas nas frases apresentadas.
1. 
a) “Outras vozes pertenciam a homens kamba (a etnia da maior parte dos empregados dos funcionários
do parque), que raramente representam algum perigo para os paquidermes.”
b) “Existem inúmeros exemplos de irmãs mais velhas que passam a tomar conta dos irmãos menores
quando a mãe morre.”
c) A reação dos elefantes é tão surpreendente que desperta a curiosidade de investigadores.
d) “Com efeito, se estivessem caçando, não falariam, permaneceriam em silêncio.”
e) Os investigadores demonstraram que os elefantes africanos são especiais.

Identifica a função sintática desempenhada pelos constituintes sublinhados.


2. 
a) "A reação deles é muito sofisticada”.
b) “Outras vozes pertenciam a homens kamba (a etnia da maior parte dos empregados dos funcionários
do parque), que raramente representam algum perigo para os paquidermes.”
c) Os investigadores demonstraram que os elefantes africanos são especiais.
d) As irmãs mais velhas protegem os irmãos menores.

Reescreve as frases, substituindo as expressões destacadas por outras de sentido equivalente.


3. 
a) No fim deste livro, os apaixonados separam-se e ele morre um pouco todos os dias.
b) Esta conversa morre aqui.
3.1. Completa a frase.
A palavra “morrer” é , porque adquire , de acordo com o
contexto em que ocorre.

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Grupo IV
Lê os poemas.

Agora,
o remédio é partir discretamente,
sem palavras,
sem lágrimas,
5 sem gestos.
De que servem lamentos e protestos,
contra o destino?

Miguel Torga

O Frio Especial
O frio especial das manhãs de viagem,
A angústia da partida, carnal no arrepanhar
Que vai do coração à pele,
Que chora virtualmente embora alegre.

Álvaro de Campos, in "Poemas"

A maior aventura de um ser humano é viajar,


E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
5 Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram…

Augusto Cury

A partir dos três poemas que leste, faz um comentário de 100 a 150 palavras, referindo o que
encontras de comum entre eles e o que consideras mais especial em cada um deles. Indica também
aquele de que mais gostas e apresenta as tuas razões.

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Sugestões de resolução
Grupo I Grupo II
1.1. O verbo “partir” é utilizado como sinónimo de 1. a) F; b) V; c) F; d) F; e) V.
morrer. Assim, representa a morte da amada do sujeito 1.1. a) O estudo realizado foi dirigido a um grupo
poético. 1.2. O recurso expressivo utilizado é o de elefantes que pertencia a diferentes
eufemismo. 1.3. A antítese está presente nos dois famílias. c) Os elefantes permanecem alerta
últimos versos da primeira estrofe, opondo o “céu”, e afastam-se devagar, enquanto a maior parte
“lá”, à “terra”, “cá”. Este recurso expressivo acentua dos animais foge, correndo, perante a
a separação dolorosa entre o sujeito poético, que está presença humana. d) O contrabando de
vivo, na “terra”, e a sua amada que se encontra no marfim, que ainda existe, é uma ameaça à
“céu”, por ter morrido prematuramente. preservação dos elefantes africanos.
2. Na segunda estrofe, o sujeito poético pede à sua
amada para que não esqueça o seu amor “ardente”
e “puro”. Na última estrofe, o sujeito poético implora
Grupo III
pela morte, desejando unir-se eternamente à sua 1. a) Oração subordinada adjetiva relativa explicativa.
amada. Pede-lhe que ela rogue a Deus para o levar b) Oração subordinada adjetiva relativa restritiva.
para o céu, para junto de si. 3. O sujeito poético c) Oração subordinada adverbial consecutiva.
sente-se triste e parece querer prolongar essa tristeza d) Oração subordinada adverbial condicional.
que decorre da morte da amada, “e viva eu cá na terra e) Oração subordinada substantiva completiva.
sempre triste” (primeira quadra). Com a perda da 2. a) Predicativo do sujeito. b) Modificador do nome
amada, ainda jovem, o “amor ardente” deu lugar à dor apositivo. c) Complemento direto. d) Modificador
e à mágoa, como é visível no primeiro terceto, “a dor do nome restritivo.
que me ficou/da mágoa, sem remédio, de perder-te”. 3. a) No fim deste livro, os apaixonados separam-se
Por último, o sujeito poético não quer continuar a viver e ele sofre um pouco todos os dias. b) Esta
sem a amada e implora pela sua própria morte, conversa termina aqui.
acreditando no amor eterno, no céu. 4. O poema é um
3.1. A palavra “morrer” é polissémica, porque
soneto, porque é constituído por duas quadras e dois
adquire significados diferentes, de acordo
tercetos. 5. Na primeira estrofe, verifica-se a presença
com o contexto em que ocorre.
da rima interpolada, nos primeiro e quarto versos, e
emparelhada, nos segundo e terceiro versos, segundo
o esquema /abba/. Grupo IV
Resposta aberta.

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TESTE 5
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Nome

Escola

Turma N.º Data

Lê o texto com atenção.


Grupo I
MESTRE JOÃO (Para Manuel) – Por tudo o que disseste, passaste decerto grandes provações, infeliz.
Mas as provações do verdadeiro Inferno hão de ser bem maiores… Tão maiores que nelas nem o teu nem o
meu entendimento, nem o de nenhum homem, podem alcançar!
MANUEL (Emocionado) – Fui apedrejado por temerosos demónios montando bois de grande tamanho
5 e soltando enormes gritos, e perseguido por outros com paus e setas, e mordido por serpentes e bichos e
repelentes nunca vistos, sofri febres terríveis sem água para matar a sede, bebendo só da do mar ou da dos
pântanos insalubres, pisei areias tão escaldantes quanto fogo vivo e aceso, e o meu corpo resultou rasgado
por toda a sorte de pontas e de lâminas que cresciam desabrigadamente do chão – e dizeis vós, Mestre, que
não vi o Inferno?!...

10 MANUEL levanta-se e vai à amurada, fitando longamente o mar.


Depois vira-se de novo para MESTRE JOÃO.

MESTRE JOÃO – O que te digo é que os teus sofrimentos foram decerto tamanhos, mas que os padeceste
aqui, neste mundo, e não no outro, donde nunca homem nenhum voltou. (Pausa:) Vai começar o teu quarto,
é melhor ires pela ampulheta, como te ordenou o Senhor Capitão. Depois continuaremos a nossa conversa…
15 MANUEL (Sem se deter) – E a Avantesma? Será também ela deste mundo? Não a pudeste também vós já ver
à roda da nau, tão grande e temerosa que sobre nós se abriram mar e céu?
MESTRE JOÃO – Eu creio no que vejo, e vi inteiramente o que tu viste e também temi por mim e por todos
nós. Mas tudo o que no mundo existe é criação de Deus, filho, e existindo a Avantesma, há de também ela
ser decerto criatura natural de Deus e da sua vontade, pois só à vontade de Deus, e não à do demónio, esta-
20 mos todos entregues.
MANUEL – Bem rezais vós… Pois se vos digo que ela me procura ainda, e de novo, para me matar, há de ser
tão cruel a vontade de Deus?
MESTRE JOÃO – E como saberei eu, meu filho? (Erguendo-se:) Mas vamo-nos. E tu vai cuidar de virar
a ampulheta ou ficaremos perdidos no tempo, como diz o Senhor Capitão: Amanhã me contarás fielmente o
25 que se passou naquela terrível noite em que vos sorveu o mar. (Põe-lhe a mão sobre os ombros:) E verás que
na alma dos homens é que existem monstros e demónios, e não no mar…
MANUEL – Mesmo se aí os vemos e aí eles nos matam?...
MESTRE JOÃO (Hesitante) – Eu creio que sim, filho… (Pausa:) Mas que sei eu?...

Saem ambos, MESTRE JOÃO em direção aos seus aposentos, MANUEL pelo outro lado.
30 Luzes.
Manuel António Pina, Aquilo que os olhos veem ou o Adamastor, Campo das Letras
Vocabulário
provações – dificuldades;
insalubres – empestados;
deter – parar, conter
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Responde, de forma completa e bem estruturada, às questões que se seguem.
1. Explicita a intencionalidade da primeira fala de Manuel.
2. De acordo com o diálogo entre as personagens, o que será “a Avantesma”?
3. T
 ranscreve uma passagem textual que revele a crença de Mestre João numa força superior ao ser
humano.
4. 4
 . Explica a seguinte fala de Mestre João: “(…) E verás que na alma dos homens é que existem
monstros e demónios, e não no mar…”.
5. 5. Concentra-te nas didascálias. A partir delas, faz a caracterização psicológica de Manuel.

Grupo II
1. Reescreve as frases, substituindo as expressões sublinhadas por pronomes.
a) Continuaremos a nossa conversa, amanhã.
b) Dizeis vós, Mestre, que não vi o Inferno?!...

Identifica a função sintática desempenhada pelos constituintes sublinhados.


2. 
a) Creio que vi a Avantesma.
b) Pisei areias tão escaldantes quanto o fogo vivo queima.
c) As dificuldades que sentiste foram imensas.
d) Verás que os monstros existem nas almas dos homens.
e) Bebeste água que não era potável.

Identifica a função sintática dos constituintes destacados nas frases que se seguem.
3. 
a) Reconhecerás que os marinheiros correram perigos.
b) Dizeis vós, Mestre, que não vi o Inferno?!...
c) Fui mordido por bichos repelentes.
d) Mestre João e Manuel dirigiram-se para os seus aposentos.

Grupo III
“O teatro é um meio muito eficaz de educar o público; mas quem faz teatro educativo encontra-se sempre
sem público para poder educar.”
E. Jardiel Poncela

Tendo como ponto de partida a citação transcrita, produz um texto argumentativo em que demonstres
a tua posição sobre as potencialidades do teatro como meio de educação.
O teu texto deverá ter um mínimo de 120 e um máximo de 180 palavras.
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Sugestões de resolução
Grupo I Grupo II
1.1. O verbo “partir” é utilizado como sinónimo de 1. a) Continuá-la-emos, amanhã. b) Dizeis vós,
morrer. Assim, representa a morte da amada do sujeito Mestre, que não o vi?!...
poético. 1.2. O recurso expressivo utilizado é o 2. a) “Creio” – elemento subordinante; “que vi a
eufemismo. 1.3. A antítese está presente nos dois Avantesma.” – oração subordinada substantiva
últimos versos da primeira estrofe, opondo o “céu”, completiva. b) “Pisei areias tão escaldantes”
“lá”, à “terra”, “cá”. Este recurso expressivo acentua – oração subordinante; “quanto o fogo vivo
a separação dolorosa entre o sujeito poético, que está queima.” – oração subordinada adverbial
vivo, na “terra”, e a sua amada que se encontra no comparativa. c) “As dificuldades” – elemento
“céu”, por ter morrido prematuramente. subordinante; “que sentiste” – oração subordinada
2. Na segunda estrofe, o sujeito poético pede à sua adjetiva relativa (restritiva). d) “Verás” – elemento
amada para que não esqueça o seu amor “ardente” subordinante; “que os monstros existem nas almas
e “puro”. Na última estrofe, o sujeito poético implora dos homens” – oração subordinada substantiva
pela morte, desejando unir-se eternamente à sua completiva e) “Bebeste água” – oração
amada. Pede-lhe que ela rogue a Deus para o levar subordinante; “que não era potável” – oração
para o céu, para junto de si. 3. O sujeito poético subordinada adjetiva relativa (restritiva).
sente-se triste e parece querer prolongar essa tristeza
3. a) Complemento direto. b) Vocativo.
que decorre da morte da amada, “e viva eu cá na terra
c) complemento agente da passiva. d) “Mestre
sempre triste” (primeira quadra). Com a perda da
João e Manuel” – sujeito composto; “para os seus
amada, ainda jovem, o “amor ardente” deu lugar à dor
aposentos” – complemento oblíquo.
e à mágoa, como é visível no primeiro terceto, “a dor
que me ficou/da mágoa, sem remédio, de perder-te”.
Por último, o sujeito poético não quer continuar a viver
Grupo III
sem a amada e implora pela sua própria morte, Resposta aberta.
acreditando no amor eterno, no céu. 4. O poema é um
soneto, porque é constituído por duas quadras e dois
tercetos. 5. Na primeira estrofe, verifica-se a presença
da rima interpolada, nos primeiro e quarto versos, e
emparelhada, nos segundo e terceiro versos, segundo
o esquema /abba/.

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