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“DEPOIS QUE O MUNDO ACABOU FOMOS PARA O CÉU.

” Assim começa este


romance.

Á mais de 30 anos aconteceu um Dilúvio,a água cobre todo o planeta e a temperatura


sobe, o homem é obrigado a encontrar outro lugar para viver. Constrói-se cidades e
aldeias no céu que flutuam. Os mais ricos constroem dirigíveis que são as grandes
cidades como o Paris, Nova Iorque, Xangai… Os mais pobres vivem em balões unidos
por redes e cordas, formando aldeias. Infelizmente, poucos conseguiram resistir a
essa transformação. Milhões de pessoas, que possuíam balsas-balões rudimentares,
não resistiram. “Dez anos depois do Dilúvio já só permaneciam entre as nuvens uns
dois milhões de pessoa

“Para a maioria dos filhos do céu, a terra é uma fantasia dos velhos; para os velhos é
um sonho no qual eles próprios já não acreditam”.

Esta história é narrada por Carlos Benjamim Tucano jovem de 16 anos, e nasceu
numa das balsas, numa dessas aldeias a cujo nome é Luanda considerado assim um
filho do céu. O seu pai Júlio tinha desapareceu numa tempestade ao tentando ajudar
outra balsa. Foram feitas inúmeras buscas mas sem sucesso, Carlos e a sua mãe
georgina sempre acreditaram que Júlio estivesse vivo. O rapaz parte assim à procura
do pai, com um balão projetado por Júlio.

A aldeia Luanda onde Carlos Benjamim nasceu era conhecida pela atividade que
desempenhava sendo uma aldeia-biblioteca. É uma das poucas aldeia que levou para
o céu livros. Também existia outras funções em diferentes aldeias, como as aldeias-
oficinas como Manila e Marraquexe, aldeias especializadas em telecomunicação,
como a da Apple ou a do Facebook, aldeias restaurante, cásico…

Para no Paris, onde se submete a condições ruins de trabalho em troca de sua


permanência. Entretanto, encontra a sua amiga Aimée Longuet, uma jovem rica de 14
anos e com quem mantinha contato virtual pelo Facebook.

Carlos faz amizade com um dos cozinheiros Manu que lhe conta sobre um misterioso
passageiro clandestino cujo verdadeiro nome, ninguém sabia, chamavam-lhe o
Voador,e Carlos pensa que poderá ser o seu pai.

Num dos corredores, Carlos encontra Sibongile, uma curandeira e vidente que sabia
onde estava o Voador e que conduzirá Carlos e Aimée até este, mas para isso exige
que Carlos a conduza a um lugar que esta dizia não poder dizer

Primeiramente os jovens com a ajuda de Sibongile encontram Júlio e mais tarde já


com um plano conseguem resgatá-lo. Júlio era mantido preso e em transe por um
personagem misterioso, Boniface, um clandestino poderoso do Paris, envolvido com
ações inescrupulosas. Conseguem fugir de Boniface, partem do Paris.

Aimée segue viagem com Carlos, mesmo sem a permissão de seus pais. Ambos
desejam desvendar os segredos que começam a surgir. Por que Júlio era mantido
preso? Para onde Sibongile queria ir? Quem era Boniface?
Após recuperar a memoria e reconhecer o filho Júlio Tucano conduz-nos às
explicações do desastre, evidenciando que o dilúvio era uma consequência das
atitudes humanas.

Após a chegada ao Luanda, onde Júlio Tucano reencontra a esposa e os amigos,


Sibongile exige que Carlos Benjamin cumpra sua parte do acordo. O rapaz sem
manifestar desejo em partir do Luanda, acaba por ceder e parte em busca do sonho
da sua amiga. Outros personagens cruzam o caminho dos viajantes entre eles Mang,
antigo namorado de Sibongile,o qual poderia ajudá-los a desvendar alguns segredos.
Mang era um pirata indonésio arrependido, e foi num dos assaltos que conheceu
Sibongile .

Sibongile esclarece que o lugar desconhecido que ela procura é uma parte da terra
que não foi coberta pelo mar. Este lugar, chamado de Ilha Verde é o Pico da Neblina,
em São Gabriel da Cachoeira, terra de Júlio Tucano. Carlos então entende o motivo
que mantinha o seu pai sob o poder de Boniface. Esse por sua vez, também estava
atrás da Ilha Verde.

O filho do céu ao lado de Aimée encontram o Pico da Neblina, consegue descer até o
solo e é quase indescritível a sensação dos jovens ao tocarem o chão, ao observarem
o verde das árvores, ao sentirem o aroma das plantas. Ele compreende o que a
memória dos mais velhos lhe mostrava. Reconhece o valor da terra. Ainda aturdidos
com a grandeza das sensações, encontram naquela terra inesperadamente Boniface
em condições deploráveis, devastado.

A sensação de liberdade vivenciada pelos dois jovens foi excepcionalmente marcante.


No entanto, foram surpreendidos por alguns encontros inusitados, tanto com um primo
de Carlos, com a população que lá vivia e por fim, com Júlio Tucano, que já havia
voltado às origens, esperando pelo filho, que rompia as fronteiras no céu.

Opinião

Livro de aventura, de mistério e de questões tão profundas como a identidade, esta


alegoria não é apenas uma crítica a um comportamento pouco ecológico mas também
de desigualdade social, como também uma exaltação não só à incrível capacidade de
adaptação do ser humano, mas à valorização do sonho, da esperança e do amor às
origens e às múltiplas heranças culturais

A Vida no Céu faz despertar profundos questionamentos sobre o compromisso que


temos com a vida, com a liberdade e com a convivência entre as pessoas. Escrita
bastante acessível.