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Adamastor ou o que os olhos vêm?

De Manuel António Pina

1. Que poderão representar as cores da capa?


a) O azul do mar e o preto do medo, do desconhecido, do que
não se vê.
b) O azul do céu e o preto da noite.
c) O azul das ondas que são mais intensas na noite escura.

2. Que te sugere a capa desta obra?


a) Uma viagem tranquila da caravela no oceano.
b) A pequenez da caravela face à imensidão do oceano e às
adversidades a ele associadas.
c) A calma, a tranquilidade e serenidade da cor azul associadas ao
mar. certo

3. Que época histórica poderá estar retratada no título?


A época dos Descobrimentos (sec. XVI).

4. O título apresenta duas alternativas expressas na conjunção


"ou". Quais?
A aceitação do que vemos como realidade “Aquilo que os olhos
veem”, por oposição à irrealidade do Adamastor, “a Avantesma”.

5. O Adamastor é descrito pelos autores como alguém:


assustador
medonho
imponente
poderoso
enorme - Utilização da hipérbole

6.  Ao longo do texto, o Adamastor também é chamado “Avantesma”,


“Demónio”, “monstro”, “Mostrengo” (uma clara alusão à Mensagem de
Fernando Pessoa).

7.  O Adamastor representa:


Geograficamente, o Cabo das Tormentas (posteriormente, chamado
da Boa Esperança);
Simbolicamente, os perigos que os portugueses tiveram de
enfrentar nas suas viagens; o terror; o medo; a coragem dos
portugueses face às forças da natureza.

Trata-se de uma história relatada por uma personagem histórica - Mestre


João, físico e cirurgião de D. Manuel - o qual, após longos anos no
Oriente, regressa a Portugal. A ação passa-se no mar, em 1501, no
interior de uma nau de frota de Pedro Álvares Cabral, que o mesmo
Mestre João acompanhara na sua viagem, primeiro ao Brasil e depois,
pela rota de Vasco da Gama, à Índia.
Na viagem de regresso da Índia, a tripulação recolhera na Angra de S.
Brás, perto do Cabo da Boa Esperança, onde faziam aguada, um
náufrago (Manuel), personagem ficcional, que contou uma história
fantástica e terrível...
• Quem conta a história? Mestre João, um físico e astrólogo.
• Em que século decorre a ação? No século XVI.
• Por onde tinha andado Mestre João? Por terras de Oriente.
• Onde decorre a ação? Numa nau pertencente à a frota de Pedro
Álvares Cabral.
• O que sucedeu na viagem de regresso? Recolheram um náufrago,
“Manuel”, junto ao Cabo das Tormentas.
• Quem era Manuel? Um rapaz que vivia perto do Porto.
• Qual era a profissão do pai de Manuel? Marinheiro.
• Manuel é uma personagem histórica ou ficcional? Ficcional.

As personagens da narrativa são-nos apresentadas no início da obra e


são referidas seis personagens :
Mestre João, Capitão
Marinheiros Pêro e Diogo
Manuel
Pais
Irmã de Manuel.
P.S. não esquecer a “Avantesma” ou o “Demónio Adamastor”

• Mestre João (1º narrador) e Manuel (2º narrador)


Manuel é um adolescente de “14/15 anos e vive com a mãe no povoado
de Massarelos (…)” Familiarizado com a vida no mar, já que sente a
ausência do seu pai por este ter partido na frota de Bartolomeu Dias,
tem um sonho revelador e premonitório em que o pai é atacado pelo
Adamastor. Manuel enfrenta o monstro na tentativa de salvar o seu pai
daquela ameaça e vence o monstro Adamastor: “ (…) eu salvei o meu
pai! Bati-me no mar com a Avantesma e venci-a! Dei-lhe tantas
pancadas e tantas facadas que afugentei o Demónio (…) ”.

Esta obra é composta 14 cenas.


Quanto à sua estrutura interna, desenvolve-se em três momentos
fundamentais:
exposição, conflito e desenlace.

• Na Cena 1, apresenta-se o narrador da ação, Mestre João, que


“convida” o leitor para as suas deambulações e lembra que o seu
“coração está cheio de memórias e melancolias”.
• De entre essas memórias, surge uma: o momento da passagem do
Cabo da Boa Esperança: “a lembrança daquele náufrago”…
• Na cena 2- “Tempo do perfeito”- o leitor acede às memórias de Mestre
João que relata a história de um náufrago, Manuel, que a tripulação do
barco em que viajava resgata, sendo ele o único sobrevivente das “naus
perdidas no Cabo das Tormentas”.
• Na cena 4, retorna-se ao tempo presente, o tempo da narração, e aí
Mestre João “acorda lentamente das suas lembranças” e questiona a
veracidade dos acontecimentos que recordara. Sendo ele um homem
das ciências, como poderia crer na história fantástica que Manuel
relatara?
• Na cena 5, tendo Manuel já recuperado algumas forças, revela o que
lhe sucedeu, fala do naufrágio que a caravela do “Senhor Bartolomeu
Dias” sofrera e conta: “Fomos todos atirados pelo mar como bocados de
papel”. Refere o “Demónio Adamastor”, “A Avantesma” que
provocara esse naufrágio com o objetivo último de o atingir.
• E é na cena 6 que acedemos à memória de Manuel – “ Tempo do mais-
que- perfeito” e outra narrativa surge encaixada. Manuel conta que
seguiu as pisadas do seu pai, que integrara a frota de Bartolomeu Dias
aquando da passagem do Cabo da Boa Esperança e de como a
concretização de um sonho premonitório o arrasta para a situação em
que agora se encontra.
Cena 6
. a.ban.tes.ma • nome masculino ou feminino • 1. fantasma; espetro;
avejão • 2. figurado pessoa ou objeto que assusta por ser muito grande
ou disforme • Do grego phántasma, pelo latim phantasma

• O sonho de Manuel acaba por concretizar-se meses depois, segundo as


palavras do pai e após uma tempestade ao largo do Cabo das
Tormentas: “ Por pouco morria eu ali! (…) Salvou-me o meu Anjo da
Guarda…” .

• Manuel, ao ouvir o relato do pai, lembra- se do seu sonho e revela:


“Assim aconteceu, o sonho que tive foi um sonho verdadeiro”.

Passagem de tempo. Manuel e Mestre João conversam no convés.


MANUEL – Se não acreditais que morri, Mestre, e que o Demónio me fez
tornar à vida para que outra vez morresse, dizei-me então por que
atravessei eu o Purgatório e vivi no Inferno durante todos aqueles dias
depois do naufrágio da minha caravela, e até que fui encontrado pelos
desta nau? [...]
MANUEL (Sem se deter) – E a Avantesma? Será também ela deste
mundo? Não a pudeste também vós já ver à roda da nau, tão grande e
tão temerosa que sobre nós se abriram mar e céu?
MESTRE JOÃO – Eu creio no que vejo e vi inteiramente o que tu viste e
também temi por mim e por todos nós. Mas tudo o que no mundo existe
é criação de Deus, filho. E existindo a Avantesma, há de também ela ser
decerto criatura natural de Deus e da sua vontade, pois só à vontade de
Deus, e não à do Demónio, estamos todos entregues.
MANUEL – Bem rezais vós... Pois se vos digo que ela me procura ainda, e
de novo, para me matar, há de assim ser tão cruel a vontade de Deus?

Cena 12
• Qual é o tema deste excerto? É a origem da Avantesma.
• Manuel tinha uma ideia muito própria sobre os objetivos da
Avantesma. Qual? Que o Demónio o teria trazido de novo à vida só para
o poder matar de novo.
• Mestre João também partilhava dessa opinião? Não, Mestre João não
acreditava em Manuel.
• Para Mestre João, por quem foi criada a Avantesma? Por Deus.
• Neste texto, aparecem sentidos contrários, oposições. Quais? • A vida
e a morte; Demónio e Deus.
• Manuel antecipa um desenlace para este episódio. Qual? A sua morte,
por vontade da Avantesma.
• Manuel mentaliza-se que a Avantesma se vingará dele por este a ter
vencido e embarca na frota de Pedro Álvares Cabral, na caravela
comandada por Bartolomeu Dias.
• Esta armada sofre um naufrágio ao largo do Cabo das Tormentas e
Manuel está certo que era o Adamastor à sua procura.
• Manuel debate-se com a fúria do mar e “desta vez porém, o
Adamastor vence, e Manuel morre. Pelo menos Manuel julga que morre.
E o Adamastor julga que o matou”.
• Mas Manuel sobrevive e torna-se involuntariamente herói, sendo ele o
único sobrevivente desse naufrágio.
• A morte acontece àquele que supostamente maior competência teria
para vencer a Avantesma, Bartolomeu Dias, marinheiro famoso.
• A viagem que Manuel efetua além - mar é também uma viagem além
de si. Nessa viagem, enfrenta todos os seus medos e terrores,
embarcando na experiência da idade adulta.