Você está na página 1de 6

Dinheiro e Inflação

Definição de dinheiro
Dinheiro é um instrumento usado na forma de moedas e notas, utilizado na realização
de transações comerciais pela sociedade.

O dinheiro então serve como um instrumento monetário utilizado para realizar trocas
comerciais de bens, serviços e todo o tipo de ação sob a qual precisamos empenhar um
determinado valor.

Origem etimológica
A palavra dinheiro, remete ao latim denarius, nome dado a moeda que os romanos
utilizavam para suas trocas comerciais.
O dinheiro também está relacionado a tudo que faz referência a termos e posses
econômicas, como ações, títulos, bens materiais e herança familiar.

Características do dinheiro
Ele reúne algumas características consideradas básicas para ser um meio de troca
comercial muito utilizado.
➢ Unidade de contabilidade ou de troca - que permite realizar a verificação e
comparação do valor de produtos e serviços, caso estes valores sejam muito
diferentes;
➢ Reserva de valor - que se pode utilizar para fazer poupanças;
➢ Objecto de fácil armazenamento e transporte - Ele também facilita trocas
comerciais de maneira mais prática por ser um objeto de fácil armazenamento e
transporte.
É importante lembrar que o dinheiro como conhecemos (na forma de moedas e notas),
possui outros nomes em diferentes países, que variam de valor conforme a moeda, como
o euro, o real, a libra, entre outros. Este valor que é atribuído não é aquele que consta
no papel da nota ou no metal da moeda.
Ele funciona através de um pacto social que é aceite por todos os integrantes da
sociedade e só tem seu efeito garantido com autorização e certificação da entidade
emissora, como o Banco Central.

Origem do dinheiro
O dinheiro, como conhecemos hoje em dia, teve sua origem através das trocas
comerciais e escambos. A mercadoria passava por uma avaliação que levava em conta
o tempo de produção e a força do trabalho gasta para a confecção do produto. Após a
criação da moeda, este valor da mercadoria foi se tornando independente da força de
trabalho empenhada para produzir.
Este desenvolvimento do dinheiro permitiu então a expansão do comércio em grande
escala e o surgimento dos bancos também iniciou uma nova troca comercial financeira
onde o dinheiro é a mercadoria. No entanto, o dinheiro conseguiu facilitar a atividade do
comércio e deixá-la mais simples.
AS FUNÇÕES DA MOEDA E SUA IMPORTÂNCIA
A moeda como intermediária de trocas
O valor de trocas é determinado pela quantidade de trabalho contido nas mercadorias.
Segundo Ricardo (1988): “nas etapas primitivas da sociedade, o valor de troca de tais
mercadorias, dependia quase exclusivamente da quantidade corporativa de trabalho
empregada em cada uma” (p.14).
É esta função, também chamada de função de circulação, “que condiciona a própria
evolução da atividade econômica, facilitando e acelerando as trocas” (Hugon, 1972,
p.24).
Segundo Gastaldi (1995), a função básica como meio de troca, significa que a compra e
venda de bens e serviços operam-se com a utilização de moeda. São comprados por
moedas e vendidos em troca de moeda, mesmo sem necessidade de transferência física
de meio circulante.
Outro benefício dessa função é a eliminação dos inconvenientes da necessidade da
dupla coincidência de desejos exigida nas economias de escambo. Existem autores que
consideram este benefício o mais importante. Para Robertson (1978), a maior vantagem
da moeda é permitir ao homem, como consumidor, generalizar sua capacidade aquisitiva
e demandar da sociedade aquilo que lhe convêm.
A moeda como medida de valor
Esta função da moeda surgiu no processo de análise da mercadoria que foi muito bem
explicado por Marx. A mercadoria possui dois valores: o valor de uso e o valor de troca.
O valor de uso é a “utilidade” da moeda como um bem de uso próprio, propriedade
privada ou pública, sendo usada para satisfazer suas próprias necessidades básicas.
Assim, ao mesmo tempo em que podem ser utilizadas no processo de troca, podem e
possuem um valor de uso e este valor só se realiza, no caso da moeda, através de sua
utilização no mercado.
O possuidor de uma mercadoria só a troca por outra quando o valor de uso satisfaz sua
necessidade. Este processo é considerado então um processo individual. Ao mesmo
tempo, o possuidor de uma mercadoria também deseja trocar sua mercadoria sem que
a mesma possua valor de uso para o possuidor da outra. Este processo não é mais
considerado individual e sim um processo social.
De acordo com Marx (2006), os possuidores de mercadorias só podem estabelecer
valores entre suas mercadorias ao comparar com qualquer outra que seja uma
equivalente geral. Portanto, a ação social de todas as outras mercadorias necessita de
uma para representar seu valor. Assim esta mercadoria, que é uma equivalente geral,
torna-se dinheiro.
Tal mercadoria determina quem poderá comprar ou vender e tem tamanha força política
e social dentro da sociedade que ele a compara ao símbolo da “besta” do apocalipse
bíblico e descreve essa comparação em seu livro “O Capital” em seu primeiro volume na
página 111, citando o versículo bíblico abaixo reproduzido.
“Todos eles têm um mesmo, e entregarão sua força e seu poder à besta. E
que só para comprar ou vender quem tiver o sinal, a saber, o nome da besta
ou o número do seu nome” (Apocalipse, cap.13, v.15, 16,17).
Portanto, o dinheiro é criado pelo processo de troca, e serve para equiparar e possuir os
diferentes produtos do trabalho humano.
A utilização da moeda exige a criação de uma unidade-padrão de medida, onde são
convertidos os valores de todos os bens e serviços disponíveis, isto é, “o dinheiro
expressa o valor de todas as coisas e serviços, mediante a indicação da quantidade de
uma unidade monetária; e assim permite comparar entre si os valores de todos os bens
econômicos” (Galves, 1996, p.262).
Essa função “constitui a própria essência da moeda; uma moeda que não preenchesse
essa função não seria uma moeda, mas uma moeda que tivesse apenas essa função
funcionaria” (Hugon, 1972, p.24).
A moeda desempenha esse papel graças às suas qualidades de conservação e de
permutabilidade. Pode assim “acumular os valores adquiridos e servir de instrumento de
poupança e, nesse sentido, representa uma espécie de vale sobre o ativo social” (Hugon,
1972, p.26).
De forma mais ampla podemos dizer “que a moeda exerce a função de reserva de valor
a partir do momento em que recebemos até o instante em que a utilizamos para
consumo” (Passos e Nogami, 1999, p.375).
A moeda como padrão de pagamentos diferidos
Esta função “é a capacidade de facilitar a distribuição de pagamentos ao longo do tempo,
para a concessão de crédito ou de diferentes formas de adiantamentos” (Rossetti, 1998,
p.23). É uma função importante para o funcionamento da economia moderna,
viabilizando os fluxos de produção e renda que se desenvolvem por etapas, exigindo
que, ao longo delas, sejam antecipados diferentes tipos de pagamentos.
O dinheiro assume aqui “sua função de viabilizar o pagamento futuro de uma mercadoria.
Funciona como forma de operacionalizar o sistema de crédito” (Búrigo, 2001, p.4).
A moeda como instrumento de poder
Nas fases primitivas da evolução, segundo Weber (1968), o dinheiro havia de possuir
uma das qualidades mais importantes que, atualmente, se exige dele: não a sua
facilidade de transporte, mas a sua capacidade de conservação.
A moeda pode também servir como instrumento de poder econômico, político e social.
Esta função existe “à medida que se admite a moeda como um título de crédito. Os que
a detêm possuem direitos de haver sobre os bens e serviços disponíveis no mercado”
(Rossetti, 1998, p.24).

Definição de inflação
Inflação é um termo utilizado na área da Economia que representa um aumento
contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços em um sistema econômico. É
representada normalmente através de uma percentagem (%), que indica a variação dos
preços de todos os produtos ofertados no mercado.

Por exemplo: se em um determinado período é observado que o preço do quilo do tomate


aumentou, verifica-se que houve inflação no preço do produto. Entretanto, é importante
saber que o índice final da inflação é medido com base em todos os produtos que tiveram
preços verificados. Assim, se a inflação calculada foi de 0,85%, significa que os preços
aumentaram em média 0,85%.
A noção de inflação da economia surgiu em 1838 e significa o aumento dos preços que
acontece de forma persistente e que resulta na diminuição do poder aquisitivo de uma
moeda. Isso quer dizer que, quanto maior for o índice da inflação, menor será o
poder de compra da moeda.

Exemplo: num país com inflação de 10% ao mês, um trabalhador compra cinco quilos de
arroz num mês e paga $ 10,00. No mês seguinte, para comprar a mesma quantidade de
arroz, ele necessitará de $ 11,00. Como o salário deste trabalhador não é reajustado
mensalmente, o poder de compra vai diminuindo. Após um ano, o salário deste
trabalhador perdeu 120% do valor de compra.

A inflação é muito ruim para a economia de um país. Quem geralmente perde mais são
os trabalhadores mais pobres que não conseguem investir o dinheiro em aplicações que
lhe garantam a correção inflacionária.

Causas da inflação:
➢ Emissão exagerada e descontrolada de dinheiro por parte do governo;
➢ Demanda por produtos (aumento no consumo) maior do que a capacidade de
produção do país;
➢ Aumento nos custos de produção (máquinas, matéria-prima, mão de obra) dos
produtos.

Teoria Quantitativa da Moeda


A Teoria Quantitativa da Moeda (também designada por Teoria Quantitativa dos Preços)
é uma teoria para determinação do produto e do nível geral de preços que defende que
os preços são determinados pela oferta de moeda (isto é, pela quantidade de moeda em
circulação) e pela velocidade de circulação da moeda.

A Teoria Quantitativa da Moeda foi inicialmente formulada por David Hume, no século
XVIII, e defendia que os preços variam proporcionalmente com a quantidade de moeda
em circulação, o que obriga, naturalmente, que a velocidade da moeda seja constante.
Mais recentemente, a corrente monetarista liderada por Milton Friedman, adopta uma
abordagem mais prudente, defendendo que a oferta de moeda é o principal determinante
das variações do produto nominal.

A Teoria Quantitativa da Moeda pode ser expressa na seguinte equação:

M.V = P.Q

Em que:
V - representa a velocidade da moeda,
P - os preços de mercado,
Q - a quantidade de produtos transaccionada na economia (ou seja P.Q representa o
produto nominal) e,
M - a quantidade de moeda.

Teoria quantitativa da moeda: a inflação pelo excesso de oferta de moeda


Em economia, diversas teorias tentam explicar o que gera inflação. Uma delas é a teoria
quantitativa da moeda. Também chamada de teoria clássica, a teoria quantitativa da
moeda é associada a uma vertente de economistas denominados monetaristas.
A teoria quantitativa da moeda relaciona à inflação a oferta de moeda em uma economia.

Segundo a teoria, a quantidade de moeda disponível determina o nível dos preços em


uma economia. E por sua vez, a taxa de crescimento da quantidade de moeda determina
a taxa de inflação.

Dentro dessa visão, existe um equilíbrio entre a oferta e a demanda de moeda em uma
economia em um determinado nível produtivo. Se houver uma variação nessa oferta e
demanda por moeda sem mudanças na capacidade produtiva dessa economia haverá
uma variação de preços.

Para entender como se pode ocorrer tais desequilíbrios é preciso entender o que é a
oferta e demanda de moeda.

Oferta e demanda de moeda


A moeda é ofertada em uma economia pelo Banco Central (BC), que possui o poder de
literalmente imprimir dinheiro.

Mas há outros meios do Banco Central interferir na quantidade disponível de moeda,


como:
➢ Comprar ou vender títulos públicos;
➢ Redesconto;
➢ Depósito compulsório.

Ao vender títulos, por exemplo, o BC está retirando moeda da economia em troca de um


título. Já ao comprar, ele está colocando mais moeda na economia, pagando pelo título
adquirido.

O BC também pode aumentar ou reduzir o compulsório dos bancos. Em outras palavras,


o Banco Central pode mudar a oferta de moeda em uma economia com políticas
monetárias.

Já a demanda da moeda é a quantidade de papel moeda, ou em conta corrente, que


uma população deseja ter. Essa quantidade possui diversas variáveis. Porém, duas
seriam as mais importantes:
➢ A Taxa de Juros;
➢ O Nivel de preços.

A primeira a taxa de juros.


Se os juros forem altos, há maior incentivo para aplicar em títulos públicos, por exemplo.

O nível de preços em uma economia.


Se o nível de preços for alto, será necessária uma quantidade maior de dinheiro para
realizar as compras necessárias.

Os efeitos do desequilíbrio monetário na teoria quantitativa da moeda


Dito isso, tendo como hipótese que uma economia estava com a sua quantidade de
moeda em equilíbrio e o Banco Central ofertou mais moeda e nada mais mudou nessa
economia. O que aconteceria? As pessoas teriam imediatamente mais moeda em mãos
e não teriam mais incentivos para aplicar esse dinheiro. Logo, iriam usar o dinheiro para
consumir mais. No entanto, a produção do país continuou a mesma.

Em outras palavras, a demanda aumentou para os produtos, porém a capacidade de


produção continua a mesma. O resultado é um aumento geral de preços. Ou seja,
inflação. Que por sua vez irá demandar uma quantidade maior de moeda para cada
consumidor fazer uma transação.

O que resultará em um aumento da demanda por moeda até essa economia chegar a
um novo equilíbrio de oferta e demanda de moeda. Dessa forma, de acordo com a teoria
quantitativa da moeda, a quantidade de moeda disponível em uma economia determina
o valor da moeda. E assim, o crescimento da quantidade de moeda é a principal causa
da inflação.