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Análise do excerto de Memorial do Convento

Baltasar e Blimunda passeiam à noite e observam as estátuas no convento de Mafra. Blimunda reflete sobre as dificuldades em identificar as representações, enquanto a passagem de uma nuvem cobre a lua e faz com que as estátuas e os próprios Baltasar e Blimunda se confundam na escuridão.

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Baltasar e Blimunda passeiam à noite e observam as estátuas no convento de Mafra. Blimunda reflete sobre as dificuldades em identificar as representações, enquanto a passagem de uma nuvem cobre a lua e faz com que as estátuas e os próprios Baltasar e Blimunda se confundam na escuridão.

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Ficha de trabalho

Educação literária

Nome ____________________________________________ Ano ___________ Turma __________ N.o _________

Unidade 4 – José Saramago – Memorial do Convento

Lê os seguintes excertos de Memorial do Convento e responde às questões.

[E]ntão Baltasar perguntou, Queres ir ver as estátuas, Blimunda, o céu deve estar limpo e a lua não
tarda aí, Vamos, respondeu ela.
A noite estava clara e fria. Enquanto subiam a ladeira para o alto da Vela, a lua nasceu, enorme,
vermelha, recortando primeiro as torres sineiras, os alçados irregulares das paredes mais altas […]. E
5 Baltasar disse, Amanhã vou ao Monte Junto ver como está a máquina, passaram seis meses desde a
última vez, como estará aquilo, Vou contigo, Não vale a pena, saio cedo, se não tiver muito que
remendar estarei cá antes da noite, melhor é ir agora, depois são as festas da sagração, se adrega de
chover ficam os caminhos piores, Tem cuidado, Descansa, a mim não me assaltam ladrões nem
mordem lobos, Não é de lobos ou ladrões que falo, Então, Falo da máquina, Dizes-me sempre que me
10 acautele, eu vou e venho, mais cuidados não posso ter, Tem-nos todos, não te esqueças, Sossega,
mulher, que o meu dia ainda não chegou, Não sossego, homem, os dias chegam sempre. […]
Parecia impossível que tantos anos de trabalho, treze, fizessem tão pouco vulto […]. Parece pouco
e é muito, se não demasiado. Uma formiga vai à eira e agarra numa pragana1. Dali ao formigueiro são
dez metros, menos que vinte passos de homem. Mas quem vai levar essa pragana e andar esse
15 caminho, é a formiga, não é o homem. Ora, o mal desta obra de Mafra é terem posto homens a
trabalhar nela em vez de gigantes, e, se com estas e outras obras passadas e futuras se quer provar que
também o homem é capaz de fazer o trabalho que gigantes fariam, então aceite-se que leve o tempo
que levam as formigas, todas as coisas têm de ser entendidas na sua justa proporção, os formigueiros e
os conventos, a laje e a pragana.
20 Blimunda e Baltasar entram no círculo das estátuas. […] Blimunda vai olhando, tenta adivinhar as
representações, umas sabe-as só de olhar uma vez, as outras acerta após muito teimar, outras não
chega a ter a certeza, outras são como arcas fechadas. […] Blimunda não pode perguntar à estátua,
Quem és, o cego não pode perguntar ao papel, Que dizes, só Baltasar, em seu tempo, pôde responder,
Baltasar Mateus, o Sete-Sóis, quando Blimunda quis saber, Que nome é o seu. Tudo no mundo está
25 dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas. Uma nuvem solitária veio do mar, sozinha em
todo o claro céu, e por um longo minuto cobriu a lua. As estátuas tornaram-se vultos brancos,
informes, perderam o contorno e as feições, estão como blocos de mármore antes de as ir procurar e
achar o cinzel do escultor. Deixaram de ser santo e santa, são apenas primitivas presenças, sem voz,
nem sequer aquela que o desenho dá, tão primitivas, tão difusas na sua massa, como parecem as do
30 homem e da mulher que, no meio delas, se diluíram na escuridão, pois estes não são de mármore,
simples matéria viva, e, como sabemos, nada se confunde mais com a sombra do chão do que a carne
dos homens.
José Saramago, Memorial do Convento, Alfragide, Editorial Caminho, 2013, pp. 453-456.
.
1
Pragana: prolongamento rígido, filiforme, existente em alguns órgãos vegetais, também denominado aresta, arista e saruga.
1. Identifica as linhas de ação que se cruzam no excerto, justificando a tua resposta com elementos
textuais.
2. Explica como a frase «Não sossego, homem, os dias chegam sempre» (l. 11) pode ser um
presságio, considerando o desfecho da narrativa.
3. Esclarece a funcionalidade da história da «formiga e da pragana» e a crítica implícita.
4. Apresenta uma interpretação plausível para a afirmação «Tudo no mundo está dando respostas, o
que demora é o tempo das perguntas», ll. 24-25.
5. Comenta a comparação entre estátuas e homens, tendo em conta o final do excerto.

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