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Capítulo 8

No capítulo 8 de 'Memorial do Convento', Baltasar e Blimunda vivem um amor não sacramentado, enquanto Blimunda revela seu dom de ver o interior das pessoas. O narrador critica a sociedade portuguesa e a igreja, destacando a hipocrisia e as desigualdades sociais. O capítulo culmina com o nascimento do segundo filho do rei D. João V e a escolha do local para a construção do convento em Mafra.
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Capítulo 8

No capítulo 8 de 'Memorial do Convento', Baltasar e Blimunda vivem um amor não sacramentado, enquanto Blimunda revela seu dom de ver o interior das pessoas. O narrador critica a sociedade portuguesa e a igreja, destacando a hipocrisia e as desigualdades sociais. O capítulo culmina com o nascimento do segundo filho do rei D. João V e a escolha do local para a construção do convento em Mafra.
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Capítulo 8

O capítulo 8 da obra de Saramago, “Memorial do Convento” narra diversos


acontecimentos importantes para o desenrolar da ação. Nas primeiras páginas do
capítulo constata-se que Baltasar e Blimunda vivem uma relação amorosa há
praticamente um ano. Vivem numa comunhão fora da moral da época, visto que a sua
união não fora sacramentada pela igreja, ou seja, não se casaram, portanto, estão a
infringir as regras.
Seguidamente, Baltasar indaga Blimunda e o padre Bartolomeu Lourenço
acerca do facto de ela comer pão todas as manhãs sem abrir os olhos. Contudo,
respondia-lhe que era um hábito de criança.
Uma manhã, Baltasar esconde o pão a Blimunda e diz-lhe que só lho devolve se
ela lhe revelar o seu segredo. Ela implora e tapa os olhos com os punhos. Quando
Baltasar tenta desviar as suas mãos, ela diz que lho conta depois de comer o pão. E
assim foi. Depois da pequena refeição tomada, Blimunda confessa-lhe “Eu posso olhar
por dentro das pessoas […] Não vejo se não estiver em jejum […] O meu dom não é
heresia, nem é feitiçaria, os meus olhos são naturais”. Porém este dom desaparecia
sempre que o quarto da lua mudava. Baltasar fica incrédulo com o que ouve e diz “Só
acredito se fores capaz de dizer o que está dentro de mim agora” ao que esta
responde “Não vejo se não estiver em jejum, além disso fiz promessa de que nunca te
veria por dentro”
Então, combinam que num “dia de ver, não o olhar” pede a Blimunda que lhe
diga o que vê por dentro das pessoas. No dia seguinte Blimunda não comeu duas
refeições para apurar a vista e saíram de casa. Sete- Sóis atrás e Blimunda à frente,
para que não o pudesse ver, dado que prometera que nunca o faria. Passeiam os dois
e Blimunda mostra o seu segredo. Viu dentro dos corpos, por detrás da pele e da
roupa, dentro da terra. Baltasar considerava que eram coisas tristes de se verem, mas
como ele não vê, só olha, não sabe como acreditar em tudo o que ela dizia. Para o
provar, Blimunda diz-lhe que faça um buraco na terra e que retire dali uma moeda.
Baltasar escavou e foi o que aconteceu.
É apresentada uma crítica ao povo português que é motivo de gozo por parte
dos outros países “os marinheiros vão para o mar descobrir a Índia descoberta ou o
Brasil encontrado” (ou seja, não vão fazer nada de especial) e que o infante D.
Francisco espingardeia “da janela do se palácio (…) só para provar a boa pontaria.
Assim sendo, o narrador recorre à ironia afirmando que é melhor para estes
marinheiros serem feridos logo na sua terra e pelos seus superiores, que longe e pelos
inimigos franceses. São também criticados os portugueses que se encontram no Rio de
Janeiro, que por estarem a dormir, deram pouco trabalho aos franceses. Estes
pareciam estar nas suas próprias terras: venderam na praça tudo o que tinham
roubado e o que não faltou foram portugueses, mesmo sendo mais em quantidade,
pagaram para recuperar o que era seu. De certeza que também existem traidores
entre os portugueses, mas o narrador justifica este facto pela forma como os nossos
soldados eram mal tratados.
Também a igreja é criticada através da história de um clérigo que gostava
especialmente da companhia das mulheres e das suas camas, para satisfazer o seu
prazer “certo clérigo, costumeiro em andar por casas de mulheres de bem fazer (…)
satisfazendo os apetites do estomago e desenfadando os da carne. É descrita a sua
fuga, este clérigo teve que fugir da casa nu “o clérigo a correr como lebre, com os
pretos atrás e ele de verga tesa (…), sendo motivo de gozo para todos os que o viram
passar pela rua e entrar assim na igreja. Este clérigo é descrito como lutador (pois
bateu nos quadrilheiros pretos) e como garanhão (por apreciar a presença
feminina),ou seja , coisas impróprias da sua classe social.
É visível o fosso existente entre as várias classes sociais. O encontro entre o
cardeal D. Nuno da Cunha e o rei é descrito com muito pormenor, riqueza e excessos.
O cardeal vai receber o “chapéu” ou “barrete” pelas mãos do rei. Através destas
expressões (chapéu e barrete) e da descrição feita podemos ver o desdém que o
narrador sente por toda esta riqueza.
Ao contrário desta vida das classes altas, os pobres, como Baltasar, acostumam-se à
sua vida. “…mas lá estão os caldos da portaria… este povo habitou-se a viver com
pouco”.
Nas páginas finais fica-se a saber que nasce o segundo filho do rei D. João V e
da rainha D. Maria Ana Josefa, cujo nascimento tinha sido previsto por Blimunda. O
capítulo termina com a deslocação do rei a Mafra para escolher onde será construído o
convento. “El- rei foi a Mafra escolher o sítio onde há de ser levantado o convento.”
Fica-se a saber que a sua edificação será num alto a que chamam de Vela.

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