Você está na página 1de 102

UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

DCEEng – Departamento de Ciências Exatas e Engenharias

Curso de Engenharia Elétrica – Bacharelado – Modalidade Presencial

GUILHERME DE SOUZA ATKINSON

ANÁLISE DA QUALIDADE DE ENERGIA RESIDENCIAL:


UM ESTUDO PARA IDENTIFICAÇÃO DE DISTORÇÕES
HARMÔNICAS E ÍNDICES DE FATOR DE POTÊNCIA

Orientador: Prof. Msc. Mauro Fonseca Rodrigues

Ijuí, RS, 2017.


GUILHERME DE SOUZA ATKINSON

ANÁLISE DA QUALIDADE DE ENERGIA RESIDENCIAL:


UM ESTUDO PARA IDENTIFICAÇÃO DE DISTORÇÕES
HARMÔNICAS E ÍNDICES DE FATOR DE POTÊNCIA

Trabalho de Conclusão de Curso

Trabalho de Conclusão do Curso apresentado ao


Colegiado de Coordenação do Curso de
Engenharia Elétrica da Universidade Regional do
Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul –
UNIJUÍ, como requisito parcial para obtenção do
título de Engenheiro Eletricista.

Orientador: Prof. Msc. Mauro Fonseca Rodrigues

Ijuí, RS, 2017.


FOLHA DE APROVAÇÃO

GUILHERME DE SOUZA ATKINSON

ANÁLISE DA QUALIDADE DE ENERGIA RESIDENCIAL: UM ESTUDO PARA


IDENTIFICAÇÃO DE DISTORÇÕES HARMÔNICAS E ÍNDICES DE FATOR DE
POTÊNCIA

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a obtenção do título de
ENGENHEIRO ELETRICISTA e aprovado em sua forma final pelo professor orientador e
pelo membro da banca examinadora.

Ijuí, 03 de julho de 2017.

Prof. Msc. Júlio Cezar Oliveira Bolacell

Coordenador do Curso de Engenharia Elétrica/UNIJUÍ

ORIENTADOR

Prof. Msc. Mauro Fonseca Rodrigues

Professor do Curso de Engenharia Elétrica/UNIJUÍ

BANCA EXAMINADORA

Prof. Msc. Mateus felzke Schonardie (UNIJUÍ)

Professor do Curso de Engenharia Elétrica/UNIJUÍ


DEDICATÓRIA

Ao meu pai Elemar Atkinson;


À minha mãe Fúlvia de Souza Atkinson;
Ao meu irmão Henrique de Souza Atkinson;
E à minha companheira Caroline da Rosa.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, que me dá forças para nunca desistir, independente
do obstáculo a superar.

À minha mãe e ao meu pai por abdicarem de objetivos pessoais para me proporcionar
condições de estudar.

À minha companheira Caroline da Rosa por me apoiar durante o curso e


principalmente neste trabalho.

Aos meus amigos quase engenheiros ou engenheiros que me acompanharam no


decorrer desta caminhada.

Aos meus familiares e amigos, que de uma forma ou de outra, estiveram engajados no
meu sonho de tornar-me engenheiro.

Aos mestres, por proporcionarem uma sólida base de conhecimento, permitindo assim
uma visão diferenciada do mundo.
RESUMO
Em se tratando de qualidade de energia elétrica, dois importantes parâmetros foram utilizados
neste estudo, as Harmônicas e o Fator de Potência. Harmônicas são correntes e tensões com
frequências múltiplas da frequência fundamental que deformam a forma de onda de tensão e
corrente, causando problemas em diversos equipamentos ligados na rede. Fator de Potência é
definido pela razão da potência ativa pela potência aparente e indica a quantidade de energia
que é convertida em trabalho pela carga. Este trabalho visou reunir conhecimentos práticos e
teóricos acerca de distorções harmônicas de corrente e tensão e de fator de potência em
equipamentos presentes em instalações residenciais. Abordou conceitos de qualidade de
energia, cargas lineares e não lineares e conceitos acerca de métodos de mitigação de
harmônicos, mostrando o efeito das distorções harmônicas em bancos de capacitores bem
como conceitos sobre filtros para correção da forma de onda. Foi realizado um levantamento
teórico tomando como base as principais normas atuais do setor elétrico nacional e
internacional acerca dos limites harmônicos e fator de potência, limites estes que foram
utilizados como base para análise das medições realizadas. Este estudo apresenta um capítulo
prático que mostra os resultados das medições de distorção harmônica em diversos
equipamentos presentes em uma determinada residência monofásica localizada no município
de Ijuí/RS. Estas medições foram realizadas a fim de identificar a incidência harmônica e os
efeitos das mesmas na forma de onda de tensão e corrente. Também se verificou o fator de
potência médio da instalação a fim de identificar se o equipamento analisado contribui ou não
para a má qualidade de energia na residência estudada. A partir do auxílio de um analisador
de qualidade de energia foram gerados gráficos que explicitaram os resultados dos
equipamentos analisados, demonstrando se estes são grandes geradores de deformações nas
formas de onda de corrente e tensão. As análises apontaram que as formas de onda de tensão
pouco sofreram com as harmônicas geradas pelas cargas, que os aparelhos residenciais de
baixa potência produziram maior quantidade de harmônicos de corrente e que o fator de
potência da residência estudada se enquadra nas normativas vigentes.
Palavras-chave: DHT, Distorção Harmônica Residencial. Fator de Potência Residencial.
Qualidade de energia.
ABSTRACT

In the case of electrical energy quality, two important parameters were used in this study, the
Harmonics and the Power Factor. Harmonics are multiple frequencies of the fundamental
frequency that deform the current and voltage waveform causing problems in several
equipment connected in the network. Power Factor is defined by the ratio of the active power
by the apparent power and indicates how much of energy that is converted into work by the
load. This work aims to gather practical and theoretical knowledge about harmonic distortions
of current and voltage and power factor in equipment present in residential installations,
showing concepts of energy quality, linear loads, nonlinear load, concepts about methods of
harmonic mitigation, showing the effect of harmonic distortions on capacitor banks and
concepts about filters for waveform correction, this method is considered the best method for
correction of distortions and power factor in networks with the presence of harmonics. A
theoretical survey was made based on national and international technical standards of
electrical sector about the harmonic limits and power factor. These limits are used as a basis
for analyzing the measurements made. This work presents a practical chapter that shows the
results of harmonic distortion measurements in several equipment present in a single-phase
residence located in the municipality of Ijuí / RS. These measurements were made in order to
identify the harmonic incidence and their effects in the waveform of voltage and current and
also the average power factor of the installation, checking whether the equipment analyzed
contributes to the bad energy quality of the residence. From the aid of a power quality
analyzer, graphs were generated that explain the results of the analyzed equipment, evaluating
if they are great generators of deformations in the current and voltage waveforms. The
analysis showed that the voltage waveforms suffered little from the harmonics generated by
the loads, that low power home appliances produced more current harmonics and that the
power factor of the studied residence is in accordance with the current regulations.
Keywords: THD. Harmonic Distortion Residential. Residential Power Factor. Energy
Quality. Harmonic Filter. Capacitor Bank.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 14
1.1 OBJETIVOS ............................................................................................................ 16
1.1.1 Objetivo Geral ......................................................................................................... 16
1.1.2 Objetivos Específicos ............................................................................................... 16
1.2 METODOLOGIA .................................................................................................... 16
1.2.1 Método de Abordagem ............................................................................................. 16
1.2.2 Técnicas de Pesquisa ............................................................................................... 17
1.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ....................................................................... 17
2 QUALIDADE DE ENERGIA ELÉTRICA.............................................................. 18
2.1 DEFINIÇÃO DE CARGAS LINEARES E NÃO LINEARES ............................... 19
2.2 DISTORÇÕES HARMÔNICAS ............................................................................. 19
2.2.1 Distorções Harmônicas na Indústria ....................................................................... 24
2.2.2 Distorção Harmônica Residencial e Comercial ...................................................... 25
2.2.2.1 Medidores de Energia Elétrica ................................................................................. 25
2.2.2.2 Condutores ................................................................................................................ 27
2.2.2.3 Iluminação ................................................................................................................ 27
2.2.2.4 Máquinas Rotativas .................................................................................................. 28
2.2.2.5 Equipamentos Eletrônicos em Geral ........................................................................ 29
2.2.2.6 Telecomunicações .................................................................................................... 30
2.3 FATOR DE POTÊNCIA ......................................................................................... 30
2.3.1 Banco De Capacitores ............................................................................................. 34
2.3.1.1 Influência Das Distorções Harmônicas Em Bancos De Capacitores ....................... 38
2.3.1.2 Estudo De Medição Em Banco De Capacitores ....................................................... 40
2.4 SOLUÇÃO CORRETIVA PARA CARGAS NÃO LINEARES ............................ 43
2.5 FILTROS PASSIVOS ............................................................................................. 44
2.6 FILTROS ATIVOS .................................................................................................. 46
2.7 BANCOS DE FILTROS SINTONIZADOS E DESINTONIZADOS .................... 49
3 LIMITES DE DISTORÇÃO HARMÔNICA E FATOR DE POTÊNCIA ........... 50
3.1 IEEE ......................................................................................................................... 50
3.2 PRODIST MÓDULO 08 ......................................................................................... 52
3.3 IEC ........................................................................................................................... 54
3.3.1 Normativa IEC 61000-2-2 ....................................................................................... 54
3.3.2 Normativa IEC 61000-3-2 ....................................................................................... 55
3.3.3 Normativa IEC 61000-3-4 ....................................................................................... 56
3.4 LIMITES DE FATOR DE POTÊNCIA .................................................................. 56
3.5 PROCEL .................................................................................................................. 58
3.6 PROINFA ................................................................................................................ 58
4 PROCEDIMENTO DE MEDIÇÕES – APLICAÇÃO PRÁTICA ........................ 59
4.1 CARACTERÍSTICA DA RESIDÊNCIA ................................................................ 59
4.2 ANALISADOR POWER PLATFORM 4300 ......................................................... 61
4.3 ANÁLISE DOS PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS ................................................. 63
4.3.1 Cargas Desligadas ................................................................................................... 64
4.3.2 Carregador Bateria Alarme Residencial ................................................................. 65
4.3.3 Estabilizador e Carregador Celular ........................................................................ 67
4.3.4 Carregador Notebook .............................................................................................. 68
4.3.5 Televisão .................................................................................................................. 70
4.3.6 Chuveiro Eletrônico ................................................................................................. 72
4.3.7 Micro-ondas ............................................................................................................. 74
4.3.8 Lâmpadas Fluorescentes ......................................................................................... 76
4.3.9 Climatizador ............................................................................................................ 78
4.3.10 Geladeira ................................................................................................................. 79
4.3.11 Geral de 1,5 Horas .................................................................................................. 81
5 DISCUSSÕES E RESULTADOS ............................................................................. 86
6 CONCLUSÃO............................................................................................................. 89
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 91
ANEXO A – DATASHEET ANALISADOR DRANETZ 4300 .......................................... 94
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Forma de onda típica do efeito de harmônicas........................................................ 21


Figura 2 – Esquema retificador de 6 pulsos ............................................................................. 24
Figura 3 – Características harmônicas dos retificadores de 6 pulsos ....................................... 25
Figura 4 – Fluxo Energia na Rede Elétrica Sem Capacitores ................................................... 35
Figura 5 – Fluxo Energia na Rede Elétrica Com Capacitores .................................................. 36
Figura 6 – Triângulo das Potências .......................................................................................... 37
Figura 7 – Exemplo espectro harmônico .................................................................................. 38
Figura 8 – Forma de Onda de Tensão do Banco de Capacitor ................................................. 41
Figura 9 – Espectro Harmônico Total e Individual de tensão do Banco de Capacitor ............ 41
Figura 10 – Forma de Onda de Corrente do Banco de Capacitor............................................. 42
Figura 11 – Espectro Harmônico Total e Individual de Corrente do Banco de Capacitor ....... 42
Figura 12 – Esquema filtro passivo .......................................................................................... 45
Figura 13 – Diagrama de Aplicação Filtro Passivo .................................................................. 45
Figura 14 – Esquema filtro ativo serie...................................................................................... 47
Figura 15 – Esquema filtro ativo paralelo ................................................................................ 47
Figura 16 – Esquema de Aplicação Filtro Ativo Paralelo ........................................................ 48
Figura 17 – Topologia Filtro Sintonizado e Desintonizado ..................................................... 49
Figura 18 – Probabilidade de Harmônicos em um Sistema de Distribuição ............................ 51
Figura 19 – DRANETZ Power Platform 4300 ......................................................................... 61
Figura 20 – Método de Ligação Rede Monofásica .................................................................. 62
Figura 21 – Método de Ligação Rede Monofásica Para Alicate TR2510 e TR2500 ............... 62
Figura 22 – Centro de Distribuição da Residência ................................................................... 63
Figura 23 - Analisador Conectado ao Centro de Distribuição.................................................. 63
Figura 24 – Espectro Harmônico de Tensão Sistema Desligado ............................................. 64
Figura 25 – Forma de Onda de Tensão Sistema Desligado ...................................................... 65
Figura 26 – Forma de Onda de Corrente Alarme Residencial ................................................. 65
Figura 27 – Espectro Harmônico de Corrente Alarme Residencial ......................................... 66
Figura 28 – Fator de Potência Alarme Residencial .................................................................. 66
Figura 29 – Espectro Harmônico de Corrente Nobreak e Carregador de Celular .................... 67
Figura 30 – Forma de Onda de Corrente Nobreak e Carregador de Celular ............................ 67
Figura 31 – Fator de Potência Estabilizador e Carregador de Celular ..................................... 68
Figura 32 – Espectro Harmônico de Corrente Carregador Notebook ...................................... 69
Figura 33 – Forma de Onda de Corrente Carregador Notebook .............................................. 69
Figura 34 – Fator de Potência Carregador Notebook ............................................................... 70
Figura 35 – Espectro Harmônico de Corrente Televisão ......................................................... 70
Figura 36 – Forma de Onda de Corrente Televisão.................................................................. 71
Figura 37 – Fator de Potência Televisão .................................................................................. 71
Figura 38 – Espectro Harmônico de Corrente Chuveiro Eletrônico ........................................ 72
Figura 39 – Forma de Onda de Corrente Chuveiro Eletrônico ................................................ 73
Figura 40 – Fator de Potência Chuveiro Eletrônico ................................................................. 73
Figura 41 – Espectro Harmônico de Corrente Aparelho de Micro-Ondas ............................... 74
Figura 42 – Forma de Onda de Corrente Aparelho de Micro-Ondas ....................................... 75
Figura 43 – Fator de Potência do Aparelho de Micro-Ondas ................................................... 75
Figura 44 – Espectro Harmônico de Corrente das Lâmpadas Fluorescentes ........................... 76
Figura 45 – Forma de onda de Corrente das Lâmpadas Fluorescentes .................................... 77
Figura 46 – Fator de Potência das Lâmpadas Fluorescentes .................................................... 77
Figura 47 – Espectro Harmônico de Corrente Climatizador .................................................... 78
Figura 48 – Forma de Onda de Corrente Climatizador ............................................................ 78
Figura 49 – Forma de Onda de Tensão Climatizador ............................................................... 79
Figura 50 – Espectro Harmônico de Corrente Geladeira ......................................................... 80
Figura 51 – Forma de Onda de Corrente Geladeira.................................................................. 80
Figura 52 – Fator de Potência Geladeira .................................................................................. 81
Figura 53 – Valores de Variação de Tensão, Corrente e Fator de Potência ............................. 82
Figura 54 – Espectro Harmônico Durante o Pico de Corrente ................................................. 82
Figura 55 – Espectro Harmônico Durante a Menor Corrente .................................................. 83
Figura 56 – Forma de Onda de Tensão e Corrente com o Pico de Corrente ............................ 84
Figura 57 – Forma de Onda de Tensão e Corrente Durante a Menor Corrente ....................... 84
Figura 58 – Forma de Onda de Tensão e Corrente com Corrente de Média Amplitude .......... 85
Figura 59 – Comparação Limites de ITHD da IEEE x Medição.............................................. 87
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Dados Elétricos da Residência................................................................................ 59


Tabela 2 – Relação de Equipamentos Predominantemente Resistivos .................................... 60
Tabela 3 – Relação Equipamento Analisados .......................................................................... 60
Tabela 4 – Dado Técnicos Carregador Notebook .................................................................... 68
Tabela 5 – Equipamentos x Normativas ................................................................................... 87
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Classificação das Harmônicas ............................................................................... 20


Quadro 2 – Classificação das Harmônicas ............................................................................... 20
Quadro 3 – Influência dos harmônicos no acréscimo de corrente e redução do fator de
potência..................................................................................................................................... 23
Quadro 4 – Erros experimentais em medidores eletromagnéticos ........................................... 26
Quadro 5 – Variação de Potência do Transformador Conforme Variação de FP .................... 33
Quadro 6 – Influência dos Harmônicos no Acréscimo de Corrente e Redução do Fator de
Potência .................................................................................................................................... 34
Quadro 7 – Quadro Resumo das Medições de Harmônicos ..................................................... 43
Quadro 8 – Limites de distorção de tensão .............................................................................. 50
Quadro 9 – Limites de distorção de corrente ............................................................................ 50
Quadro 10 – Limites das Distorções Harmônicas Totais (em % da Tensão Fundamental) ..... 53
Quadro 11 – Limites das Distorções Harmônicas Conforme a Frequência da Distorção ........ 53
Quadro 12 – Limites de Harmônicos de Tensão Individuais em Sistemas Públicos de BT..... 54
Quadro 13 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos Classe A. ....................... 55
Quadro 14 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos Classe C. ....................... 55
Quadro 15 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos Classe D. ....................... 56
Quadro 16 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos com Correntes entre 16 A
e 75 A. ...................................................................................................................................... 56
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica


PRODIST Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica Sistema Elétrico Nacional
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
SIGFI Sistemas Individuais de Geração de Energia Elétrica com Fontes Intermitentes
DIT Demais Instalações de Transmissão
CUST Contrato de Uso do Sistema de Transmissão
PROCEL Centro Brasileiro de Informação de Eficiência Energética
THD Total Harmonic Distortion
TDD Total Demand Distortion
DHT Distorção Harmônica Total
IDHT Distorção Harmônica Total de Corrente
TDHT Distorção Harmônica Total de Tensão
FP Fator de Potência;
IEEE Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos
NBR Norma brasileira aprovada pela ABNT
Hz Hertz (grandeza elétrica)
A Ampère (grandeza elétrica)
V Volt – (grandeza elétrica)
UPS Uninterruptible Power Supply
14

1 INTRODUÇÃO

Com a alta produção de energia elétrica nacional por meio de usinas hidroelétricas,
eólicas e até mesmo a produção própria de energia elétrica através de painéis fotovoltaicos, as
concessionárias de energia estão se voltando cada vez mais para a qualidade da energia
produzida e distribuída em todo o território nacional. Além disso, o Módulo 08 do PRODIST
(Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica Sistema Elétrico Nacional) cria
obrigações e metas para as mesmas cumprirem. Para que a energia seja mais limpa, ou seja,
com um baixo conteúdo de Distorção Harmônica Total (DHT) e alto fator de potência, torna-
se necessário um estudo de caso para a identificação de frequências indesejáveis e futura
filtragem das mesmas em cada tipo de consumidor da rede de distribuição.

Atualmente a entidade que regulamenta a qualidade de energia elétrica é a IEEE


(Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos) pela norma IEEE 519-1992 que
estabelece as bases para a aplicação de limites para harmônicos tanto para a concessionária de
energia elétrica quanto para o consumidor. Essa norma estabelece limites de distorções
harmônicas aceitos em vários países, levando em consideração as medições no ponto de
conexão comum, localizado no ponto que separa a rede da concessionária e os demais
consumidores.

Levando em consideração o cenário atual, os consumidores residenciais e comerciais


viram-se também incentivados a trabalharem em ações que buscassem a eficientização
simples, mas que podem causar redução significativa no consumo de suas instalações. Entre
elas o principal investimento se deu na iluminação eficiente. Com essas ações de
eficientização nos sistemas de iluminação, podem-se presenciar alguns pontos negativos no
aspecto da qualidade de energia pelo uso de dispositivos eletrônicos de baixa eficácia. Dois
dos dispositivos causadores dessa diminuição na qualidade de energia e que devem ser
evitados são os reatores eletrônicos e as lâmpadas fluorescentes compactas (SANTOS,
FONTES, SCABELO 2011).

Com o mesmo intuito, Manuel et al (2006) concluem que antes do racionamento de


energia elétrica nos anos 2001-2002 não havia problemas com cargas não lineares, pois cargas
de aquecimento e iluminação tinham um comportamento linear. Com a substituição de
lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes compactas, a substituição de fornos
15

elétricos resistivos substituídos por fornos de micro-ondas, de chuveiros elétricos


convencionais substituídos por chuveiros eletrônicos e, além disso, novos equipamentos
eletrônicos, tais como computadores, impressoras, videocassetes e vídeo games estão se
tornando mais frequentes nos lares brasileiros; assim os equipamentos não lineares passam a
ser maioria nas residências e podem ocasionar problemas na qualidade de energia residencial.

Caso as concessionárias viessem a cobrar multa por fator de potência das cargas
residenciais, como atualmente cobra-se dos consumidores industriais, as residências teriam
que se adequar às normativas e a melhor maneira de controlar o fator de potência se da com a
instalação de capacitores automáticos. Contudo, em ambiente onde existe alta concentração de
harmônicos não é recomendada a instalação dos mesmos, o que leva a concluir que o método
adequado para esta correção é a instalação de filtros senoidais. É com esse intuito que foi
identificada a importância do estudo acerca da qualidade de energia residencial. Com o
objetivo de identificar distorções harmônicas e baixo fator de potência, foram realizadas
medições em uma residência específica do município de Ijuí - RS para verificar as variações
na qualidade de energia elétrica provocadas por aparelhos eletrodomésticos e outros aparelhos
utilizados na residência, visando constatar quão significativos são os danos à rede elétrica.
16

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo Geral

Realizar medições controladas em uma residência com o intuito de identificar distorções


harmônicas e baixo fator de potência.

1.1.2 Objetivos Específicos

 Realizar um estudo teórico acerca de distorção harmônica e fator de potência


residencial, normativas aplicáveis e características de instalações com cargas
lineares e não lineares.

 Realizar medições de distorções harmônicas e fator de potência em uma


residência específica com o auxílio do analisador de qualidade de energia

 Identificar, a partir da análise feita, a necessidade de adequação das residências


às normas vigentes nas indústrias.

 Verificar a necessidade de instalação de filtros para correção de distorções


harmônicas e capacitores para correção do fator de potência.

1.2 METODOLOGIA

1.2.1 Método de Abordagem

Do ponto de vista da forma de abordagem do problema a pesquisa se classificou como


quantitativa, uma vez que os dados foram tabulados por meio de medições e apresentados por
meio de gráficos; bem como qualitativa, pois os dados também foram analisados
indutivamente.

Do ponto de vista dos objetivos a pesquisa se classificou como exploratória, pois visou
verificar características de uma residência em relação aos índices harmônicos. Também se
classificou com explicativa, pois descreveu os índices de distorção presentes na instalação e
buscou entender a causa destes distúrbios.
17

1.2.2 Técnicas de Pesquisa

Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa se classificou como bibliográfica, pois


foi baseada em material já publicado, com a utilização de livros, artigos científicos e
monografias; e estudo de caso, pois foram realizadas análises diárias em determinada
residência com o intuito de analisar as informações coletadas e propor uma solução a partir
dos dados teóricos e práticos obtidos.

1.3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

O capítulo 1 apresenta a introdução, objetivos e metodologia de estudo. O capítulo 2 do


referencial teórico denominado Qualidade de Energia Elétrica, contempla a revisão
bibliográfica acerca de distorção harmônica de tensão e corrente, fator de potência, efeitos das
distorções em equipamentos, efeito das harmônicas em capacitores, filtros ativos, passivos,
sintonizados e desintonizados. O capítulo 3 denominado Limites de Distorção Harmônica e
Fator de Potência, contempla um resumo das normativas da IEEE, Prodist e IEC acerca de
distorção harmônica e fator de potência. O capítulo 4 denominado Procedimento de Medições
– Aplicação Prática contempla as características da residência onde o estudo foi feito e todas
as medições e análises dos equipamentos medidos. O capítulo 5 apresenta as discussões e
resultados obtidos no estudo. O capítulo 6 apresenta a conclusão do trabalho e o capítulo 8
apresenta as referências bibliográficas.
18

2 QUALIDADE DE ENERGIA ELÉTRICA

Conceitua-se a qualidade de energia elétrica como sendo qualquer problema


manifestado na tensão, corrente ou frequência que resultará em falha ou operação inadequada
em equipamento de consumidores (PIRES, 2006).

De acordo com Lopez (2013), a energia elétrica gerada em qualquer sistema de geração
possui forma de onda senoidal e periódica. Cargas comuns, tais como lâmpadas
incandescentes, chuveiros elétricos, resistências de aquecimento e demais cargas com
características puramente resistivas conectadas à rede elétrica convencional drenam correntes
na forma senoidal. Quando a forma de onda da corrente é espelhada pela forma de onda da
tensão não há presença de harmônicas.

De forma semelhante, (LUMIERE, 2003 apud SANTOS, FONTES e SCABELO, 2011)


define que a qualidade de energia está relacionada às alterações causadas no sistema elétrico
pela alteração da tensão, da corrente e da frequência que resulte na falha ou alteração do
funcionamento dos equipamentos. Esses problemas vêm se agravando pelo aumento do
número de cargas não lineares no sistema e a grande sensibilidade dos equipamentos a
distúrbios na qualidade de energia.

Quando as correntes harmônicas drenadas pelas cargas não lineares atingem uma
magnitude suficiente ocorre a interação com o subsistema de distribuição elétrica e
com outras cargas da vizinhança. A simples presença de harmônicas numa
instalação não representa um problema. O problema é a sua interação com o sistema
de distribuição causando distorções e perdas de tensão (LOPEZ, 2013, p. 48).
Quando a distorção de tensão alcança um nível elevado podem ocorrer diferentes
tipos de problemas nos equipamentos eletrônicos. Se os picos de tensão são
supridos, as fontes de tensão podem não acumular a energia suficiente para suprir os
sags momentâneos (LOPEZ, 2013, p.49).
De acordo com Borges (2013 apud DUGAN, 2004) pode-se associar a qualidade de
energia ao grau de satisfação dos consumidores, que contam com a continuidade do
suprimento de uma energia limpa, ou seja, sem variações na magnitude e frequência da tensão
que comprometem a operação de equipamentos e/ou processos, podendo causar desde
incômodo visual (fenômeno de cintilação) até interferências em aparelhos eletrônicos que
impliquem em falhas no respectivo funcionamento.
19

2.1 DEFINIÇÃO DE CARGAS LINEARES E NÃO LINEARES

São consideradas cargas lineares aquelas que possuem resistências, indutâncias e


capacitâncias e não alteram a forma de onda da tensão e corrente da componente fundamental.
Cargas não lineares, ao contrário das lineares, provocam alteração na forma de onda.
Schneider (2003) afirma que uma carga é dita não linear quando a corrente que ela absorve
não tem a mesma forma da tensão que a alimenta e reitera que tipicamente as cargas
utilizando a eletrônica de potência são não lineares.

2.2 DISTORÇÕES HARMÔNICAS

As perturbações de frequência são variações em torno do valor nominal, e, na maioria


das vezes, por falhas no fornecimento de energia elétrica. Em um mundo ideal, se só existisse
uma forma de onda, ou seja, um sinal de frequência, este seria de ordem 1, 60 Hz. As
harmônicas de corrente são produzidas pelas cargas e as tensões harmônicas são produzidas
pela fonte geradora, por consequência da passagem de correntes distorcidas pela instalação.

De acordo com Schneider (2003) as correntes harmônicas são geradas pelas cargas não
lineares conectadas a rede. A circulação das correntes harmônicas geram tensões harmônicas
através das impedâncias da rede e então uma deformação da tensão de alimentação.

A própria linha de energia pode ser uma fonte indireta de tensão harmônica. A
corrente harmônica extraída por cargas não lineares age numa relação de lei de Ohm com a
impedância de fonte do transformador de fornecimento para produzir tensão harmônica.
Impedância de fonte inclui o transformador de fornecimento e componentes de circuito
ramificado. Por exemplo, uma corrente harmônica de 10A sendo extraída a partir de uma
impedância de fonte de 0,1 gerará uma tensão de harmônico de 1,0V (FLUKE, 2010).

As harmônicas são divididas em ordens, todas partindo da fundamental, e são


descriminadas em ímpares e pares. As harmônicas de ordem ímpar são encontradas em
instalações em geral e as pares somente em caso de assimetria, caso haja a presença de
componente contínua (COBRE, 2001).

De acordo com Fluke (2010) cada harmônico possui um nome que se denominam
frequência e sequência. A sequência refere-se à rotação física com relação ao fundamental.
20

Por exemplo, num motor de indução, um harmônico de sequência positiva gera um campo
magnético que gira na mesma direção do fundamental. Um harmônico de sequência negativa
gira na direção oposta. As primeiras nove ordens harmônicas junto com as respectivas
sequências estão listadas no quadro 1.

Quadro 1 – Classificação das Harmônicas

Fonte: Fluke (2010, p.4).


No quadro 2 podem-se verificar os efeitos de cada sequência harmônica. Harmônicas de
sequência zero são chamadas de “triplens” (3°, 9°, 15°, 21°etc), impares e múltiplas de 3.

Quadro 2 – Classificação das Harmônicas

Fonte: Fluke (2010, p.4).


Harmônicas pares produzem assimetrias de meia-onda, ou seja, um semiciclo tem
formato diferente do outro. Como esse tipo de assimetria não é muito comum nos dispositivos
elétricos, até mesmo em cargas não lineares, os harmônicos pares se manifestam em menor
intensidade no sistema elétrico. No entanto, alguns transitórios como a energização de
transformadores ou a corrente de ignição de fornos elétricos a arco têm a capacidade de
produzir tal assimetria e, portanto, de gerar harmônicas pares, especialmente as harmônicas de
ordem 2 e 4 (DECKMANN, POMILIO, 2017).

Segundo Lopez (2013) alguns tipos de problemas são evidenciados quando há presença
de componentes harmônicas, como, por exemplo, o aquecimento e vibração de motores,
aquecimento e ruídos excessivos em transformadores, erros de frequência, nível de tensão
elevado entre neutro e terra e campos magnéticos significativos na vizinhança de
transformadores e disjuntores.

A corrente solicitada por cargas de equipamentos eletrônicos, tais como comutadores,


não espelha a forma de onda original. Neste tipo de carga ocorre a presença de correntes não
21

lineares, que são constituídas de harmônicas de ordem ímpar em relação à fundamental


(LOPEZ, 2013). Como pode ser observado na Figura 1, a onda indicada como T é a soma das
ondas perfeitas 1 e 5, chamadas de harmônicas.

Figura 1 – Forma de onda típica do efeito de harmônicas

Fonte: Cobre (2001, p.11).


As harmônicas são integrais múltiplas da frequência fundamental utilizada como
padrão no Brasil o valor de 60 Hz. Para uma onda senoidal de 60 Hz as harmônicas de ordem
ímpar são a terceira (180 Hz), a sétima (420 Hz) e assim por diante.

De acordo com Pires (2006), o índice utilizado para contabilizar a quantidade de


harmônicos presentes em uma forma de onda, ou, em outras palavras, o quão distorcido está à
forma de onda em relação a uma forma e onda senoidal, é o THD (Total Harmonic
Distortion), uma onda senoidal pura, ou seja, livre de distorção, o THD é de 0%.

Para Lopez (2013), a Distorção Harmônica Total (DHT) é medida em graus que uma
forma de onda pode se afastar em relação à forma de onda puramente senoidal. Quando a
distorção de tensão aumenta, a DHT para a forma de onda da corrente decresce. Isto ocorre
porque a distorção de tensão força o aumento no tempo do fluxo de corrente. A definição do
DHT é apresentada na equação 1 (PIRES, 2006).

(1)
√∑

Onde,
f1 – módulo da grandeza na frequência fundamental
22

n – ordem harmônica
k - último harmônico considerado
fn – módulo da grandeza na frequência harmônica

O DHT é um indicador utilizado para quantificar harmônicos; é importante perceber


que ele pode ser calculado para corrente ou tensão e que seu valor não é uma informação
completa, uma vez que o seu valor não é suficiente para quantificar a influência dos
harmônicos presentes no local de medição. A DHT de tensão (DHTv) e a DHT de corrente
(DHTi) são dadas pelas equações 2 e 3 (TEIXEIRA, 2009).

(2)
√∑

(3)
√∑

Onde:
h – número inteiro (ordem harmônica)
Vh – valor rms da componente de tensão harmônica h
V1 – valor rms de tensão fundamental
Ih – valor rms da componente de corrente harmônica h
I1 – valor rms de corrente fundamental

Gama (1999) mostra informações com relação ao acréscimo de corrente e decréscimo


do fator de potência (quadro 3), tendo como base uma corrente fundamental de 1 A. Por
consequência, um acréscimo de corrente no valor eficaz e uma diminuição no fator de
potência.
23

Quadro 3 – Influência dos harmônicos no acréscimo de corrente e redução do fator de potência

Fonte: Gama (1999), p.2.


Segundo Lopez (2013), são características da presença de harmônicas em instalações
elétricas:

 Condutores de neutro muito quente e trabalhando com corrente elevada.

 Transformadores quentes e ruidosos.

 Motores com falhas frequentes e trabalhando com temperatura elevada.

 UPS (Uninterruptible Power Supply) com falhas frequentes.

 Baixo fator de potência na instalação.

 Relógios elétricos adiantando constantemente (LOPEZ, 2013).

Como consequência da presença de harmônicas em instalações elétricas pode ocorrer:

 Em capacitores à queima de fusíveis e redução da vida útil.

 Em motores a redução da vida útil e impossibilidade de atingir potência máxima.

 Em fusíveis e disjuntores a operação falsa ou errônea, e componentes


danificados.

 Em transformadores o aumento das perdas, causando redução da capacidade, e


diminuição da vida útil; em medidores a possibilidade de medições errôneas e de
maiores contas.

 Em telefones interferências.

 Em máquinas síncronas sobreaquecimento das sapatas polares, provocado pela


circulação de correntes harmônicas nos enrolamentos amortecedores.
24

 Em acionamento de fontes, operações errôneas devido a múltiplas passagens por


zero, e falha na comutação de circuitos, e também o carregamento exagerado do
circuito do neutro, principalmente em instalações que agregam muitos aparelhos
eletrônicos e possuem malhas de terra mal projetadas (LOPEZ, 2013).

2.2.1 Distorções Harmônicas na Indústria

De acordo com Riese (2016) nas indústrias as redes elétricas passaram por grandes
mudanças nos últimos anos. Costuma-se dizer que elas estão cada vez mais poluídas por
harmônicas, predominantemente originadas de máquinas e aparelhos eletrônicos, fontes
chaveadas e inversores em redes monofásicas e trifásicas. Riese (2016) complementa que
harmônicos são múltiplos inteiros da frequência da rede e que as mesmas são causadas na
indústria por:

 Operações de manobra de partidas de grande porte, ou por conversores. Fontes


chaveadas.

 Lâmpadas fluorescentes compactas e com reatores eletrônicos.

 Fontes de alimentação ininterruptas.

Riese (2016) conclui que todas estas cargas distorcem a forma de onda senoidal da
tensão de rede porque suas correntes não são senoidais.

Um dos maiores causadores de distorção harmônica na indústria é o conversor de


frequência. A Figura 2 apresenta o esquema de um retificador de 6 pulsos, considerado o mais
comum em aplicações industriais de baixa tensão.

Figura 2 – Esquema retificador de 6 pulsos

Fonte: Teixeira (2009, p.28).


25

A figura 3 apresenta as características harmônicas de um retificador de 6 pulsos,


indicando ordem harmônica e a porcentagem de corrente da harmônica fundamental.

Figura 3 – Características harmônicas dos retificadores de 6 pulsos

Fonte: Teixeira (2009, p.24).


Pode-se perceber que em retificadores deste tipo não são geradas harmônicas múltiplas
da ordem 3 e são geradas harmônicos de ordem 6K ± 1. Os harmônicos de ordem 6K +1 são
de sequência positiva e os harmônicos de 6K – 1 são de sequência negativa.

2.2.2 Distorção Harmônica Residencial e Comercial

A má qualidade de energia não se restringe a ambientes industriais, equipamentos como


televisor, geladeira, micro-ondas, chuveiro eletrônico e climatizador de ar são grandes
geradores de distorção harmônica. Estes equipamentos são construídos com tecnologia
baseada em eletrônica de potência, que se trata de chaveamento de tiristores, diodos, IGBT’S,
entre outros dispositivos eletrônicos que deformam a forma de onda. Para realizar o controle
de funcionamento de diversos equipamentos, estes dispositivos de chaveamento, trabalham
em estado de condução e estado de bloqueio.

Abaixo serão descritos alguns equipamentos que geram ou são prejudicados com a
distorção harmônica na rede elétrica.

2.2.2.1 Medidores de Energia Elétrica

Medidores de energia possuem erros quando estão em funcionamento em ambientes


com a presença de harmônicos, independente se forem harmônicos de corrente ou de tensão.
Os erros encontrados podem ser tanto positivos quanto negativos, dependendo dos índices
26

harmônicos em que este medidor está exposto (PIRES, 2006).

Estas diferenças ocorrem, pois, as definições de potência ativa, reativa e aparente em


ambientes com distorções de tensão e corrente são diferentes das definições
utilizadas admitindo formas de onda senoidal tanto para tensão como para a
corrente. As potências ativas e reativas, neste novo cenário, serão as somas dos
produtos das tensões e correntes na mesma frequência, mais os cossenos e senos do
ângulo diferença das variáveis citadas. Uma terceira potência, que contabiliza a
interação entre tensões e correntes de frequências distintas, é chamada de potência
harmônica. A interação entre estas três potências dará a potência aparente (PIRES,
2006, p.11).
Em Pires (2006) são mostrados resultados obtidos com experimentos utilizando um
medidor eletromagnético. Os testes em medidores reais para validação do modelo
desenvolvido apontaram que, para se tiver uma diferença na tarifação da energia elétrica
seriam necessárias grandes taxas de distorção de tensão e de corrente, na ordem de 20%. O
quadro 4 mostra os resultados obtidos, tanto no experimento de medição quanto em
simulações.

Quadro 4 – Erros experimentais em medidores eletromagnéticos

Fonte: Pires (2006, p.13)


Borges (2013) também comenta que em aparelhos de medição há a possibilidade de
medições errôneas. As concessionárias de energia elétrica têm suas lucratividades
operacionais baseadas na comercialização de energia elétrica e desta forma, para registrar de
forma correta a energia consumida, torna-se necessário um equipamento específico de
medição.

Sendo assim, é de extrema importância que o respectivo equipamento esteja


funcionando corretamente e seguindo os padrões estabelecidos pela legislação em vigor. E
também há o interesse dos consumidores em saber se estão sendo lesados na aferição da
energia elétrica realmente consumida (BORGES, 2013).
27

2.2.2.2 Condutores

Devido à presença de correntes harmônicas em condutores pode ocorrer


sobreaquecimento destes, se comparados com o aquecimento provocado pelo seu
funcionamento normal.

Este sobreaquecimento é prejudicial ao condutor, pois trabalhando acima de sua


temperatura nominal e dependendo da condução de corrente do mesmo, pode ocasionar a
redução da vida útil e até problemas com perdas e falhas no sistema (PIRES, 2006).

2.2.2.3 Iluminação

As lâmpadas incandescentes poderão ter uma diminuição na sua vida útil quando
alimentadas por tensões distorcidas, pois estes tipos de lâmpadas são sensíveis aos níveis de
tensão aplicados à sua alimentação. Se a tensão de alimentação for maior que a tensão
nominal devido aos harmônicos presentes na instalação, a elevação da temperatura no
filamento reduzirá a vida útil. As lâmpadas incandescentes são cargas lineares e puramente
resistivas.

Outro tipo de lâmpada são as lâmpadas fluorescentes compactas, que são lâmpadas com
elevada eficiência luminosa, porém, são cargas não lineares e possuem uma alta distorção de
corrente e podem trabalhar tanto com reatores eletromagnéticos quanto com reatores
eletrônicos. De acordo com Santos, Fontes e Scabelo (2011) atualmente estas lâmpadas com
reatores eletrônicos possuem uma série de vantagens. Os reatores eletrônicos não necessitam
de dispositivo de partida, ou starter, pois também têm essa função. A alimentação em alta
frequência permite eliminar efeito sonoro, sendo totalmente silenciosos e, quando em regime
permanente, controlam a tensão fornecida à lâmpada, independentemente das flutuações da
linha.

Um estudo realizado por Santos, Fontes e Scabelo (2011) mostrou que analisando os
aspectos dos gráficos de espectro harmônico de ensaios realizados, com as lâmpadas
fluorescentes compactas, percebe-se que em alguns modelos há presença de harmônicas em
praticamente todas as frequências múltiplas, mas que em uma avaliação global, não
interferiram diretamente no consumo do dispositivo.
28

Lâmpadas fluorescentes acionadas por reatores convencionais seguem o apagar e o


acender da onda senoidal. Esse fenômeno pode ser muito perigoso quando peças em
movimento ou máquinas iluminadas têm movimento de rotação ou translação múltipla ou
submúltiplo da frequência da rede, normalmente 60 Hz.

Levando em consideração as lâmpadas de descarga, o fenômeno mais conhecido devido


aos harmônicos é um ruído audível. Os capacitores agregados em reatores eletromagnéticos,
corrigindo o fator de potência, geram uma ressonância. Esta ressonância é comum na faixa de
75-80 Hz, não interagindo, portanto, com o sistema de alimentação (PIRES, 2006).

Um estudo realizado por Gonzalez, Silva, Althoff e Rocha (2012) concluiu que cargas
não lineares com tecnologia desenvolvida recentemente (lâmpada tubular de LED e televisor
a LCD) apresentam DHTi mais baixos (entre 11,5% e 24,4%) quando comparadas com as de
tecnologia desenvolvida anteriormente (lâmpadas LFC´s, lâmpada fluorescente tubular com
reator eletrônico, televisores com TRC´s) que apresentam DHTi elevados (entre 87% e
192%).

2.2.2.4 Máquinas Rotativas

Apesar de não ser o enfoque deste estudo, em uma residência comum poderão conter
algumas bombas em utilização em piscinas ou poços, geladeiras, refrigeradores, frigobar,
aspirador de pó, batedeira, máquina de lavar roupas e ventiladores, que se enquadram como
máquinas rotativas.

De acordo com Pires (2006) tensões não senoidais aplicadas às máquinas elétricas
podem causar sobreaquecimento, torques pulsantes ou ruídos. Além dos harmônicos vindos
da rede elétrica, controladores de velocidade são alimentados por inversores que podem
produzir harmônicos, levando a uma grande distorção de tensão. Um problema que surge na
presença de harmônicos é um grande ruído audível se comparado com uma excitação
puramente senoidal. Os harmônicos também produzem um fluxo de distribuição resultante no
entreferro que pode contribuir para os fenômenos de cogging, que causa recusa da partida
suave e crawling que é um grande escorregamento.

Os aparelhos de ar condicionado também se encaixam em máquinas rotativas por


29

possuir um compressor. É comum tanto em ambientes residenciais de médio/alto poder


aquisitivo como em consumidores comerciais. Eles contêm um controle de temperatura na
qual desligam o seu compressor de resfriamento quando a temperatura ambiente chega a certo
nível. Além disso, tem vários níveis de resfriamento e um ou dois níveis de ventilação. No
modo de resfriamento, a distorção de corrente é maior que no modo de ventilação (PIRES,
2006).

2.2.2.5 Equipamentos Eletrônicos em Geral

Equipamentos eletrônicos, tais como computadores, televisão, aparelhos de som,


telefones sem fio, aparelhos de DVD, vídeo game, entre outros, têm alta de distorção de
corrente.

De acordo com a IEEE (1992) equipamentos eletrônicos são suscetíveis à falha de


operação causada pela distorção harmônica. Esses equipamentos são, muitas vezes,
dependentes da determinação precisa de cruzamentos de zero de tensão ou outros aspectos da
forma de onda de tensão.

Da mesma forma Pires (2006) complementa que há várias formas nas quais as
distorções harmônicas afetam os equipamentos eletrônicos. O primeiro efeito a ser
considerado são as múltiplas passagens de tensão pelo zero. A passagem pelo zero da tensão
fundamental é utilizada para contagens temporais. Entretanto, distorções harmônicas causam
passagens pelo zero mais frequentemente, o que prejudica o correto funcionamento desses
equipamentos. Como exemplo, há relógios digitais domésticos que irão avançar no tempo
devido a inesperados cruzamentos pelo zero. Qualquer equipamento que depende do
sincronismo de seu contador com a passagem pelo zero pode ser considerado vulnerável às
distorções harmônicas.

Segundo o mesmo, semicondutores mudam seu estado no cruzamento da tensão pelo


zero a fim de reduzir interferências eletromagnéticas e correntes de inrush. Múltiplos
cruzamentos podem mudar o estado dos semicondutores diversas vezes e provocar o
funcionamento inadequado do equipamento eletrônico. Computadores e afins suportam, no
máximo, uma distorção harmônica total de tensão de 5%, limitando os harmônicos individuais
em 3%. Níveis altos de harmônicos (THDv > 5%) resultam em dados incorretos e
30

desempenhos imprevisíveis.

Esta categoria de eletrônicos constitui a principal carga não linear em consumidores


residenciais e comerciais e consequentemente, na rede de distribuição que os abastece.

Inter harmônicas e sub-harmônicas podem afetar displays de vídeos e televisões.


Inter harmônicas irão produzir uma modulação na amplitude com a fundamental.
0,5% de inter-harmônicos de tensão (em relação à fundamental) produzem
alargamentos e reduções periódicas na imagem de um tubo catódico. Notches de
tensão também comprometem o bom funcionamento de equipamentos eletrônicos.
Alguns notches podem provocar indesejáveis passagens pelo zero, tendo as
consequências anteriormente citadas. Os notches também introduzem frequências de
ordem muito elevada no sistema elétrico, podendo excitar alguma ressonância nesta
faixa de frequência, ocasionando uma poluição eletromagnética em sistemas de
comunicação (PIRES, 2006, p .21).
Os efeitos de harmônicos no sistema de distribuição, em conjunto com os limites
determinados por normas nacionais e internacionais, mostram que se pode conviver com
harmônicos, desde que eles estejam devidamente controlados.

2.2.2.6 Telecomunicações

A presença de correntes harmônicas ou tensões em circuitos associada com aparelho de


conversão de energia pode produzir campos magnéticos e elétricos que irão prejudicar o
desempenho satisfatório de sistemas de comunicação que, em virtude de sua proximidade e
susceptibilidade, pode ser perturbado. Para um dado arranjo físico, resulta que a perturbação é
uma função da amplitude e da frequência da componente perturbadora no aparelho de
conversão (IEEE, 1992).

2.3 FATOR DE POTÊNCIA

De acordo com Coutinho (2016) o fator de potência é uma quantidade adimensional que
serve para determinar a eficiência com que se transforma a energia elétrica em trabalho, e seu
valor ideal é igual a 1 (valor unitário).

Cargas resistivas como lâmpadas incandescentes dentre poucas outras, drenam da rede
elétrica, correntes senoidais, em fase com a tensão da fonte, e não deslocam o FP, afastando-o
do valor unitário. De forma oposta e indesejada, cargas reativas como motores, indutores,
capacitores, cargas não lineares como retificadores eletrônicos, lâmpadas de descarga e
31

outras, degradam o FP afastando-o do valor unitário (COUTINHO, 2016).

Alguns conceitos importantes para compreender a formação do fator de potência estão a


seguir.

 Potência Ativa

Potência desejável em um sistema elétrico, energia transformada em trabalho pelo


sistema. Em motores, por exemplo, é a energia responsável pelo movimento de rotação, em
uma lâmpada incandescente por se tratar somente de um filamento, é a potência transformada
em energia luminosa e térmica. A potência ativa representada pela letra P pode ser calculada
a partir da potência aparente (S) na equação 4.

(4)

 Potência Reativa

Potência indesejável no sistema elétrico, energia que não é transformada em trabalho,


mas é consumida pelos equipamentos com a finalidade de formar os campos eletromagnéticos
necessários para o funcionamento. A potência reativa representada pela letra Q pode ser
calculada a partir da potência aparente (S) na equação 5.

(5)

 Potência Aparente

Potência total do sistema. Para calcular as potência aparente, pode-se utilizar a equação
6.

√ (6)

Quando os valores de fator de potência e ângulo são muito diferentes significa que há
um alto índice de distorções na instalação, tanto de corrente, como de tensão. Ao contrário,
valores muito próximos entre fator de potência e cosseno indicam baixa incidência de
harmônicos. O que leva a acrescentar é que se consegue eliminar as harmônicas do sistema, e
também elevar o fator de potência da instalação apenas com a instalação de filtros de
32

harmônicos.

Em ambientes com a presença de componentes harmônicas, o fator de potência não


pode ser calculado da mesma maneira, pois as componentes harmônicas além de acarretarem
todos os problemas já citados anteriormente deterioram o fator de potência da instalação, uma
vez que as mesmas representam energia reativa, aumentando a potência aparente do sistema
sem aumento notável de potência ativa. Para os cálculos de fator de potência na presença de
harmônicos de corrente e supondo a ausência total de harmônicas de tensão, devem-se utilizar
as equações 7, 8, 9 (QUADROS, 1999).

(7)

Onde:

(8)

√∑ (9)

Onde:

FP – Fator de Potência

FD – Fator de deslocamento

– Defasagem angular entre a corrente e a tensão fundamental

THD – Total Harmonic Distortion

In – Harmônica de corrente de ordem “n” (nx60 Hz)

I1 – Corrente fundamental

Em sistemas sem a presença de Harmônicos, o fator de potência confunde-se com o


fator de deslocamento. Com o aumento da amplitude das harmônicas de corrente haverá,
portanto um acréscimo na THD do sistema levando a uma redução do fator de potência da
33

instalação.

De acordo com Coutinho (2016) o fluxo de corrente através de resistências dos


condutores elétricos produz perdas de energia e para avaliar o impacto do fator de potência na
intensidade destas perdas vamos considerar, por exemplo, um motor de indução trifásico,
440V, 75 kW e rendimento ideal. Manipulando equações básicas e considerando que o fator
de potência do motor seja igual a 0,87, obtemos que para entregar à carga sua potência
nominal (75 kW) o motor drena da rede elétrica uma corrente trifásica igual a 112,51 A.

Os mesmos cálculos mostram que, caso o fator de potência do motor fosse unitário ou
artificialmente corrigido para alcançar valor unitário, a corrente drenada da rede elétrica seria
de somente 97,89 A.

Complementando o descrito por Coutinho (2016), Alves (2012) mostra no Quadro 5


outro exemplo onde a potência total que deve ter um transformador, para atender uma carga
útil de 800 kW para fatores de potência crescentes. A mesma também exalta a importância de
manter o sistema com um alto FP.

Quadro 5 – Variação de Potência do Transformador Conforme Variação de FP

Fonte: Alves (2012, p. 35).


Os dados informados anteriormente deixam evidente que conforme ocorre o aumento do
fator de potência, a corrente drenada da rede é reduzida de maneira considerável. No Quadro
6 pode-se verificar que com fator de potência unitário na instalação, ou seja, não havendo
potencia reativa drenada da rede, pode-se utilizar um transformador de 800 kVA, e
proporcionalmente, caso o fator de potência seja reduzido para 0,50, a potência do
transformador deveria dobrar para que atenda a mesma carga.

Da mesma forma que o transformador, os cabos de alimentação que conduzem a energia


do transformador até a carga sofrem diretamente os danos por baixo FP na instalação, pois a
corrente drenada sofre um acréscimo, sendo necessário redimensionar os cabos de
34

alimentação para que os mesmos atendam as normas aplicáveis e atendam a capacidade de


condução. O quadro 6 exemplifica o que foi comentado no parágrafo acima.

Quadro 6 – Influência dos Harmônicos no Acréscimo de Corrente e Redução do Fator de Potência

Fonte: Alves (2012, p.36).

Conforme Coutinho (2016), na medida em que o FP é aumentado, a corrente drenada da


rede é reduzida.

De acordo com a resolução normativa nº 414 de 9 de setembro de 2010 não se aplicam a


consumidores em baixa tensão tarifas decorrentes de fator de potência desajustado e que aos
demais consumidores são penalizados. Em base horária o fator de potência fica inferior a 0,92
(capacitivo ou indutivo).

Em outras palavras, esta resolução não se aplica a consumidores residenciais, pequenos


comércios e outros. Contudo é importantíssimo citar que apesar de livres de penalidades
financeiras por desajuste de FP, a corrente elétrica circulando no sistema quando maior que o
necessário continua a produzir perdas “elimináveis” dentro de suas instalações, o que
inevitavelmente provoca aumento do valor da conta de energia elétrica (COUTINHO, 2016).

De acordo com Coutinho (2016) existe a possibilidade de a resolução ser alterada e


passar a englobar clientes residenciais e comerciais nestas tarifas de fator de potência.

2.3.1 Banco De Capacitores

A maneira mais comum de realizar a correção de fator de potência é a instalação de um


35

banco de capacitores no barramento do sistema elétrico em paralelo às demais cargas. De


acordo com Coutinho (2016), a opção por esta forma de correção prende-se a diversos fatores,
sendo os principais:

 Baixo custo.

 Simplicidade de calculo.

 Facilidade de instalação.

 Estabilidade operacional.

Para exemplificar a importância da utilização capacitores em instalações onde o fator de


potência é baixo, a Figura 5 mostra o fluxo de energia desde a geração até o consumo. Nesse
caso pode-se perceber que a energia ativa e reativa são drenadas da rede de transmissão por
completo, prejudicando toda a rede. De acordo com ABB (2015), esse tipo de energia
circulando nas redes elétricas traz consequências técnico-econômicas, tais como:
 Aumento da potência aparente (kVA) necessária, reduzindo a capacidade de
potência ativa dos transformadores.

 Sobrecarga dos condutores elétricos das plantas.

 Necessidade de superdimensionar as redes de distribuição e transmissão.

 Aumento das perdas de energia nos condutores elétricos.

 Aumento de distúrbios (afundamentos e quedas) de tensão.

 Penalidades aplicadas pelas concessionárias aos consumidores que utilizam esta


energia de forma excessiva.

Figura 4 – Fluxo Energia na Rede Elétrica Sem Capacitores

Fonte: ABB (2015, p.4).


Corrigir o fator de potência, em outras palavras, significa tomar as medidas necessárias
para elevar o fator de potência de uma determinada instalação suprindo a energia reativa
36

necessária, de forma que o valor da corrente e consequentemente da energia fluindo através


do sistema à montante poderá ser reduzida.
Como já citado anteriormente, a forma mais viável de suprir a energia reativa é através
da instalação de bancos de capacitores. Conforme ABB (2015) corrigir o fator de potência
localmente em uma planta elétrica implica em excelentes vantagens técnico-econômicas, tais
como:
 Prevenção de penalidades cobradas pela concessionária.

 Melhor utilização das máquinas elétricas (geradores e transformadores).

 Melhor utilização da distribuição elétrica.

 Redução das perdas nos condutores elétricos.

 Redução das emissões de CO2.

 Redução dos distúrbios de tensão.

A Figura 5 mostra o fluxo de energia com a instalação de capacitores próximos à


carga, impedindo que a energia reativa seja drenada da rede.

Figura 5 – Fluxo Energia na Rede Elétrica Com Capacitores

Fonte: ABB (2015, p.4).


O capacitor funciona como uma fonte geradora de potência reativa, ou seja, o banco de
capacitores não implica no aumento de carga no transformador, mas sim contribui para que
nenhuma energia reativa passe por ele. Exemplificando, pode-se considerar um transformador
de 300 kVA que alimenta uma rede de distribuição; o transformador está operando com uma
carga de 300 kVA e FP de 0,72, realizando a instalação de um banco de capacitores próximo
ao transformador para corrigir o FP para 0,92. Com o auxílio da figura 6, e utilizando a
equação 10 (ABB, 2015), pode-se calcular os capacitores necessários para corrigir o fator de
potência.
37

Figura 6 – Triângulo das Potências

Fonte: ABB (2015, p. 4).

QC=P* (Tan α1 – Tan α2) (10)

O ângulo α1 e os lados do triângulo maior correspondem respectivamente às potências


aparente (S), ativa (P) e reativa (Q) antes da correção do FP. Após a correção (que implica em
ligar o capacitor em paralelo com a carga) tem-se o ângulo α2 e os lados do triângulo menos,
constituídos por S’, P’ Q’. Os catetos opostos dos triângulos, que correspondem às potências
reativas, têm a seguinte igualdade, onde Qc é a potência reativa fornecida localmente pelo
capacitor a equação 11 complementa o calculo.

QC=P* (Tan 43,94 – Tan 23,07) (11)

QC=216,02 * (Tan 43,94 – Tan 23,07)

QC=116,65kVAr

A instalação do banco de capacitores pode ser feita tanto em um equipamento


específico, denominada correção local, quanto na entrada de energia ou fronteira, corrigindo
toda a instalação. Em clientes que são alimentados em média tensão, a correção pode ser feita
na média tensão a partir de um transformador auxiliar que rebaixa a tensão e alimenta
diretamente o banco de capacitores. Contudo qualquer outro tipo de correção que não seja a
local, não reduzirá as perdas internas na instalação, somente evitará a infração da
concessionária.
38

2.3.1.1 Influência Das Distorções Harmônicas Em Bancos De Capacitores

Cargas não lineares absorvem uma corrente não senoidal e estas correntes causam na
rede uma queda de tensão, de forma que inclusive as cargas lineares são alimentadas com esta
tensão distorcida. As harmônicas são as componentes de uma forma de onda distorcida e
podem ser analisadas a partir da decomposição em várias componentes senoidais. A figura 7
mostra o exemplo de um espectro harmônico (ABB, 2015).

Figura 7 – Exemplo espectro harmônico

Fonte: ABB (2015, p.5).


De acordo com ABB (2015), no caso de não haver harmônicas na rede e assumindo que
a frequência de ressonância é suficientemente diferente da frequência fundamental da fonte de
alimentação da rede, não haverá sobrecorrente nas linhas. Contudo, se o sistema possuir
harmônicas, pode ocorrer uma amplificação da corrente na ordem em que a frequência de
ressonância foi estipulada, podendo ocasionar a queima dos capacitores.

Da mesma forma Cobre (2001) complementa que um capacitor quando opera em


paralelo a uma indutância o mesmo forma um circuito ressonante capaz de amplificar os
sinais de uma dada frequência. Quando ocorre a instalação de um banco de capacitores,
forma-se um circuito ressonante, uma vez que se colocam em paralelo os capacitores e a
instalação elétrica, que é de natureza indutiva, assim certas harmônicas podem ser
amplificadas, provocando danos nos capacitores, podendo ocasionar a queima ou até
explosões.
39

De forma semelhante Borges (2013 apud BARBOSA, 2008 e DUGAN, 2004) comenta
que em uma planta industrial que contenha capacitores, as distorções harmônicas podem ser
amplificadas em função da interação entre os capacitores e o transformador de serviço. Este
fenômeno é denominado de ressonância harmônica ou ressonância paralela causando
sobretensão com consequente degradação do respectivo isolamento nos capacitores. Mesmo
que não haja condições de ressonância, um capacitor é sempre um caminho de baixa
impedância para as correntes harmônicas, pois ele se comporta como um filtro passa-alta e,
portanto, pode estar constantemente sobrecarregado.

Para exemplificar o quão importante é o cuidado que se deve ter ao instalar banco de
capacitores em ambientes com a presença de harmônicos, pode-se observar o estudo de vida
útil de capacitores em função da distorção harmônica presente em redes de distribuição.

De acordo com Garcia (2011), nos últimos anos, tanto as concessionárias quanto os
consumidores industriais vêm se preocupando com a crescente utilização de capacitores de
potência em seus sistemas. Essa preocupação vai além do aumento de gastos com a
manutenção desses equipamentos. Em um sistema com alto nível de curto-circuito essas
características já são facilmente evidenciadas, eles são sobremaneira amplificados em
sistemas com baixo nível de curto-circuito, onde a corrente distorcida provoca uma
significativa distorção na tensão, o que amplifica ainda mais esses efeitos sobre os capacitores
de potência.

Considerando as normativas mundialmente conhecidas que abrangem a especificação de


capacitores de potência, as mesmas tratam de restrições quanto à utilização de capacitores em
circuitos com condições anormais de operação, ou seja, em circuitos com a presença de
sobtensões, transitório, harmônicos, entre outros distúrbios. Estas restrições são originadas no
momento do projeto e fabricação do capacitor, que leva em consideração condições normal e
formas de ondas senoidais de tensão e corrente (GARCIA, 2011).

Complementando, Garcia (2011 apud NBR 5282/1988) ressalta que os capacitores


projetados conforme a norma NBR 5282/1988 podem operar até 12 horas por um período de
24 horas com até 110% da tensão desde que a tensão de crista incluindo todos os harmônicos,
não exceda a 1,2 x √2 x Vn, e a potência máxima não exceda 144% da potência nominal.

Abaixo são descritos os efeitos prejudiciais causados pelas componentes harmônicas


40

sobre capacitores.

 Tensão: o isolamento entre as placas, além de suportar a tensão fundamental,


terá que suportar também as sobretensões causadas pelas harmônicas.

 Corrente: quando os capacitores são associações em série e/ou paralelo de


elementos capacitivos, existe a necessidade de fazer conexões elétricas com
cabos, barramentos, terminais, que com a presença das componentes harmônicas
devem ser reforçadas, evitando sobrecarga.

No estudo proposto por Garcia (2011) pode ser observado que a forma de onda
distorcida da tensão existente sobre um capacitor instalado em um circuito qualquer apresenta
pontos de súbita variação, resultantes da interação dos valores instantâneos dos harmônicos
presentes. Tais variações bruscas podem ser entendidas como descontinuidades da forma de
onda final.

(12)

A partir da equação 12 (GARCIA, 2011), pode-se analisar que as bruscas variações de


tensão gerarão súbitos aumentos na corrente demandada pelo capacitor, e, por conseguinte,
súbitos aumentos no campo elétrico entre as placas do capacitor, tais sobrecorrentes gerarão
danos ao dielétrico, comprometendo a vida útil do capacitor.

2.3.1.2 Estudo De Medição Em Banco De Capacitores

Para reforçar a importância de estudar os efeitos das harmônicas em capacitores, e


ressaltar que os capacitores não são o método de correção de fator de potência em sistemas
distorcidos, foi utilizado o estudo prático realizado por Garcia (2011) mostra o resultado de
medições realizadas em um banco de capacitor especifico. Na figura 8 pode-se visualizar a
forma de onda da tensão nos terminais do banco de capacitores.
41

Figura 8 – Forma de Onda de Tensão do Banco de Capacitor

Fonte: GARCIA (2011, p.3).


Na figura 9 pode-se visualizar o espectro das harmônicas de tensão presentes nos
terminais do banco de capacitores.

Figura 9 – Espectro Harmônico Total e Individual de tensão do Banco de Capacitor

Fonte: GARCIA (2011, p.3).


Na figura10 pode-se visualizar o a forma de onda da corrente nos terminais do banco de
capacitores.
42

Figura 10 – Forma de Onda de Corrente do Banco de Capacitor

Fonte: GARCIA (2011, p.3).


Na figura 11 pode-se visualizar o espectro harmônico total e individual da forma de
onda da corrente nos terminais do banco de capacitores.

Figura 11 – Espectro Harmônico Total e Individual de Corrente do Banco de Capacitor

Fonte: GARCIA (2011, p.4).


Realizando uma análise geral dos resultados obtidos, pede-se perceber no quadro 7 que
há um alto índice de distorção harmônica de corrente de 5° e 7° ordem.
43

Quadro 7 – Quadro Resumo das Medições de Harmônicos

Fonte: GARCIA (2011, p.4)


Este estudo foi utilizado, para demonstrar que o uso de capacitores para correção de
fator de potência em ambientes com distorções, não é ideal, e pode trazer consequências ruins
para a instalação.

2.4 SOLUÇÃO CORRETIVA PARA CARGAS NÃO LINEARES

Em substituição aos bancos de capacitores, que como citado nos últimos parágrafos não
funciona adequadamente em instalações com distorções harmônicas de corrente e tensão,
outras soluções como os filtros mostram-se eficientes na correção de cargas não lineares.

As soluções corretivas permitem a isolação, ou cancelamento das cargas que estão


gerando o conteúdo harmônico, fazendo com que o sistema interprete somente uma carga
resistiva. Para tal solução, os filtros ativos e passivos são aplicáveis (SOUZA, 2000).

Os filtros são dispositivos compostos por resistores, indutores e capacitores ligados de


tal forma que se tornam capazes de reter determinadas faixas de frequência, deixando a carga
receber somente as faixas de frequência que interessam.

Segundo Pertence Jr. (2015) um filtro elétrico é um dispositivo capaz de atenuar


determinadas frequências do espectro do sinal de entrada – no caso do Brasil, 60 Hz – e
permitir a passagem dos demais sinais que não prejudiquem o sistema. Pode-se chamar de
espectro de um sinal a sua decomposição numa escala de amplitude e frequência. Isso é feito
44

através das séries de Fourier ou até mesmo utilizando um analisador de espectro, um


equipamento que realiza essa função e apresenta o Gráfico de Bode da onda.

Comparando com osciloscópio, que é um instrumento para análise de um sinal no


domínio no tempo, o analisador de espectro é um instrumento para a análise de um sinal no
domínio da frequência.

De acordo com Amaral (2015), bancos de capacitores podem ser usados combinado
com indutores, a fim de reduzir os efeitos das harmônicas na rede elétrica. Contudo, a
combinação de capacitores e indutores constitui um filtro para harmônicas. A instalação de
filtros de correntes harmônicas, surge como outra possibilidade para adequação dos valores
registrados de distorção de tensão por conta do controle das correntes harmônicas.

De uma forma geral, Amaral (2015) comenta que os filtros evitam que as harmônicas
circulem pelas fontes, reduzindo as tensões harmônicas à montante e, por consequência,
reduzindo também as distorções de tensão nos barramentos de baixa tensão. Os filtros mais
comumente aplicáveis são os filtros passivos e filtros ativos.

2.5 FILTROS PASSIVOS

Filtos passivos são aqueles construídos apenas com elementos passivos, ou seja,
elementos que recebem a corrente que por eles passam e não requerem nenhum ajuste ou
programação para funcionamento. São exemplos de elementos passivos: resistores,
capacitores e indutores. Este tipo de filtro é inviavél em baixas frequências, pois exigem
indutores muito grandes.

Quadros (1999) complementa que os filtros passivos caracterizam-se pelo uso de


elementos passivos, indutores e capacitores, para filtrar correntes harmônicas que estejam
sendo inseridas na rede de energia elétrica por um equipamentos ou por vários equipamentos
de uma instalação.

De acordo com Souza (2000), apesar do filtro atuar na instalação como um caminho de
baixa impedância poderá ocorrer que algumas outras frequências sofram ressonância, assim,
elevando os níveis de distorção harmônica que não causavam perturbações. Deve-se
considerar a realização de um estudo criterioso na planta, e também toda vez que houver
45

aumento de carga, pois o filtro apresenta compensação fixa, conforme mostra a figura 12.

Figura 12 – Esquema filtro passivo

Fonte: Souza (2000, p.6).


De forma semelhante, a figura 13 demonstra uma aplicação para o filtro passivo, que
consiste em um capacitor ligado em serie com um indutor, de modo que a frequência de
ressonância é totalmente igual a frequência á ser eliminada. A função dos filtros passivos é
absorver as correntes harmonicas resentes na carga , evitando que as mesmas retornem para
rede elétrica (AMARAL, 2015).

Figura 13 – Diagrama de Aplicação Filtro Passivo

Fonte: Amaral (2015, p.3)


Abaixo são descritas algumas vantagens na técnica passiva de filtragem (QUADROS, 1999):
46

 Boa confiabilidade.

 Baixo custo de implantação.

 Baixo custo de manutenção.

 Reduzidas perdas.

Contudo este tipo de filtragem também trás desvantagens, e são estas que fazem com
que este tipo de filtragem seja substituída por técnicas ativas de filtragem (QUADROS,
1999).

 Grande volume e peso dos indutores.

 Grande variação dos valores práticos dos capacitores.

 Possibilidade de perda de sintonia.

 Possibilidade de ressonâncias.

2.6 FILTROS ATIVOS

Os filtros ativos vêm sendo estudados desde 1983, quando Akagi propôs a teoria de
potência instantânea, com o objetivo de controlar filtros ativos em paralelo. O uso do filtro
ativo é aplicável neste caso, pois ele não é limitado em uma faixa de frequência,
possibilitando que ele atue corretamente com a variação da carga (CLAYTON, JOSENEY,
LUIZ, 2006).

Filtros ativos são aqueles que utilizam tanto elementos passivos, como elementos ativos
(transistores ou amplificadores operacionais) em sua contrução. Os primeiros filtros ativos
foram contruídos com a utilização de válvulas, atuando como elementos ativos, possuíam
baixo ganho e alto consumo de potência. Com o avanço da tecnologia, os filtros passaram a
utilizar transistores e, sem dúvidas, as vantagens em relação à primeira geração foram
notavéis.

A terceira geração utiliza amplificadores operacionais como elementos ativos. Os


chamados AOPs possuem alta resistência de entrada e baixa resistência de saída.

Os filtros ativos com conexão em série (figura 14) são conectados à rede de maneira a
47

eliminar distorções da tensão da rede e os filtros ativos paralelos para eliminação de


harmônicas de corrente. Os filtros ativos em série isolam a carga contra perturbações da rede,
como, por exemplo, flutuações de tensão, distorção harmônica e notching (SOUZA, 2000).

Figura 14 – Esquema filtro ativo serie

Fonte: Souza (2000, p.7).


Quando projetado para instalação em paralelo (figura 15) funciona como um caminho
de baixa impedância para as harmônicas de corrente, emulando para o sistema uma carga
resistiva. Não possui problemas de ressonância e tem a capacidade de se adaptar às mudanças
de carga (SOUZA, 2000).

Figura 15 – Esquema filtro ativo paralelo

Fonte: Souza (2000, p.7).


Amaral (2015) complementa que os filtros ativos podem eliminar automáticamente as
correntes harmônicas através do poder da tecnologia eletrônica; os filtros ativos podem injetar
correntes harmônicas defasadas de maneira que neutralizem as harmonicas geradas pela
carga. A figura 16 mostra o esquema de aplicação de um filtro ativo paralelo.
48

Figura 16 – Esquema de Aplicação Filtro Ativo Paralelo

Fonte: Amaral (2015, p.3)


Realizando a comparação entre a utilização de filtros ativos e passivos, o ativo se
sobrepõe no que diz respeito à eliminação de indutores, os quais em baixa frequência são de
grande porte e pesados; facilidade de projeto de filtros complexos através da assosciação em
cascata de estágios simples; e possibilidade de se obter grande amplificação do sinal de
entrada, principalmente quando o mesmo for de nível baixo.

Riese (2016) completa que filtros ativos são vantajosos em caso de frequencias
alternadas até a 50ª ordem, pois esses filtros medem a corrente da rede, extraem dai a forma
senoidal ideal e injetam na rede uma corrente em posição de fases. Esse procedimento elimina
a poluição da rede por harmonicos. Se a carga estiver deligada o filtro tambem estará inativo.

Por outro lado, existem algumas desvantagens em sua aplicação, como, por exemplo, o
fato de exigirem fonte de alimentação; a resposta em frequência é limitada de acordo com a
capacidade de resposta dos amplificadores operacionais utilizados; e não podem ser utilizados
em redes de média e alta potência.

Quadros (1999), complementa sobre vantagens e desvantagens de filtros ativos:

Vantagens da Técnica Ativa:

 Boa qualidade de filtragem.

 Pequeno peso e volume.

 Controle ativo de filtragem.


49

Desvantagens da Técnica Ativa:

 Elevado custo de implantação.

 Baixo rendimento.

 Elevado custo de manutenção.

2.7 BANCOS DE FILTROS SINTONIZADOS E DESINTONIZADOS

Filtros sintonizados são filtros que são projetados para a eliminação de uma harmônica
específica, por exemplo, a harmônica de ordem 3. Para isso, bastaria ajustar os valores de
indutor e capacitor, de tal forma que na frequência de ressonância a impedância seja apenas a
resistência dos enrolamentos. Os filtros desintonizados, diferentemente dos filtros
sintonizados, trabalham acima das frequências que o mesmo irá filtrar. A figura 17 mostra a
topologia de instalação de filtros sintonizados e sintonizados.

Figura 17 – Topologia Filtro Sintonizado e Desintonizado

Fonte: DICEL (2016, p.23).


Pode-se perceber que os filtros sintonizados devem ser instalados em um ponto a
montante da instalação, pois são projetados para filtrar diversas frequências harmônicas.
Todas harmônicas que as cargas geram, ao invés de retornar para o sistema de distribuição,
são filtradas antes da bucha de baixa do transformador. Já os filtros sintonizados são
instalados o mais próximo possível das cargas que devem ser corrigidas. Esse tipo de filtro é
muito utilizado em cargas que geram interferências em outras cargas próximas, evitando que
as mesmas prejudiquem o funcionamento normal da instalação.
50

3 LIMITES DE DISTORÇÃO HARMÔNICA E FATOR DE POTÊNCIA

Para entender a necessidade de analisar as harmônicas e o fator de potência de uma


carga residencial típica, bem como analisar os aspectos pertinentes para a melhoria técnica da
rede de distribuição serão analisadas algumas normas e regulamentos na área. Estes foram
utilizados de parâmetro para comparação dos resultados que serão apresentados no Capítulo 6.

3.1 IEEE

Considerando a IEEE (1992), que serve como referencia para as normativas nacionais, o
grau em que harmônicas podem ser toleradas é determinado pela susceptibilidade da carga (ou
fonte de alimentação). Os limites de distorções harmônicas de tensão, abaixo de 69 kV são
descritos na quadro 8.

Quadro 8 – Limites de distorção de tensão

Fonte: Pires (2006, p. 26).


A IEEE ainda delimita os níveis de distorção para outros níveis de tensão, mas não são
relevantes para este estudo.

Ainda de acordo com a IEEE (1992), os limites de distorções harmônicas de corrente,


são mostrados no quadro 9.

Quadro 9 – Limites de distorção de corrente

Fonte: Pires (2006, p. 27).


51

Os dados do quadro 9 listam os limites de correntes harmônicas baseados na relação


Icc/Icarga representa a proporção da corrente de curto circuito disponível no ponto de
conexão comum ao máximo fundamental da carga. Estes limites não impedem que o
consumidor injete harmônicos na rede, mas delimita valores para que os demais consumidores
não sejam afetados com as distorções dos consumidores conectados na mesma rede.

Embora os efeitos de harmônicos em equipamentos elétricos, eletrodomésticos, etc., não


sejam totalmente compreendidos nesse momento, reconhece-se que os limites de distorção de
correntes indicados podem ser excedidos por períodos de tempo sem causar danos ao
equipamento. A filosofia é que não interessa ao sistema o que ocorre dentro de uma
instalação, mas sim o que ela reflete para o exterior, ou seja, para os outros consumidores
conectados à mesma alimentação. Ao avaliar a conformidade do usuário com os limites
estabelecidos, recomenda-se que os gráficos de distribuição de probabilidade sejam
desenvolvidos a partir dos dados gravados e analisados. Se os limites apenas forem excedidos
por um curto período de tempo, a condição pode ser considerada aceitável. A figura 18
descreve um gráfico de probabilidade típica de corrente harmônica para um alimentador de
distribuição.

Figura 18 – Probabilidade de Harmônicos em um Sistema de Distribuição

Fonte: IEEE (1992, p.80).


52

3.2 PRODIST MÓDULO 08

O Prodist procura estabelecer os procedimentos relativos à qualidade da energia elétrica,


abordando a qualidade do produto e a qualidade do serviço (PRODIST, 2017).

O módulo 08 abrange aos seguintes consumidores:

 Consumidores com instalações elétricas em qualquer classe de tensão de


distribuição;

 Centrais Geradoras;

 Centrais Distribuidoras;

 Agentes importadores ou exportadores de energia elétrica;

 Transmissoras detentoras de demais instalações de transmissão – DIT;

 Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS.

De acordo com o Prodist (2017), os procedimentos de qualidade da energia elétrica


contidos neste módulo também se aplicam aos atendimentos realizados por Microssistema
Isolado de Geração e Distribuição de Energia Elétrica – MIGDI e Sistemas Individuais de
Geração de Energia Elétrica com Fontes Intermitentes – SIGFI, exceto o que estiver disposto
em Resolução específica.

As centrais geradoras que se conectam às Demais Instalações de Transmissão – DIT ou


às instalações sob responsabilidade da distribuidora em nível de tensão superior a 69 kV ou
que celebram Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) devem também observar o
disposto nos Procedimentos de Rede (PRODIST, 2017).

O objetivo do Prodist é tratar os seguintes fenômenos da qualidade do produto em


regime permanente ou transitório.

a) Tensão em regime permanente.

b) Fator de potência.

c) Harmônicos.

d) Desequilíbrio de tensão.

e) Flutuação de tensão.
53

f) Variação de frequência.

g) Variações de tensão de curta duração – VTCD.

O Prodist regulamenta em território nacional os limites de distorção harmônica e fator


de potência. O mesmo define as harmônicas como fenômenos associados a deformações nas
formas de ondas de tensão e corrente em relação à onda senoidal da frequência fundamental.
O Quadro 10 mostra os limites de distorção harmônica em porcentagem da tensão
fundamental.

Quadro 10 – Limites das Distorções Harmônicas Totais (em % da Tensão Fundamental)

Fonte: GARCIA (2011, p.4)


O Prodist não regulamenta níveis de distorção de corrente em seu módulo, somente os
níveis de distorção de tensão que são provocados pela distorção de corrente. Os limites acima
mostrados correspondem ao máximo valor desejável a ser observado no sistema de
distribuição. O indicador DTT95% refere-se a um valor indicador que foi superado em apenas
5% das 1008 leituras válidas.

A partir da revisão 8 do Prodist os limites para distorção foram alterados, conforme


quadro 11.

Quadro 11 – Limites das Distorções Harmônicas Conforme a Frequência da Distorção

Fonte: DICEL (2016, p. 5)


54

Estes limites indicam os valores que o consumidor deve proteger sua instalação elétrica,
como já citado o Prodist não menciona distorção de corrente.

O item 9.1.6 do módulo 08 do Prodist declara que o conjunto de leituras para gerar os
indicadores da qualidade do produto de regime permanente (distorções harmônicas, flutuação
de tensão e desequilíbrio de tensão) deve compreender o registro de 1008 (mil e oito) leituras
válidas obtidas em intervalos consecutivos (período de agregação) de 10 minutos cada, salvo
em casos de desequilíbrio de tensão que o tempo de leitura deve ser alterado. No intuito de se
obter 1008 (mil e oito) leituras válidas, intervalos adicionais devem ser agregados, sempre
consecutivamente. Contudo, a capacidade de armazenamento do analisador de qualidade de
energia utilizado neste estudo comportou somente algumas horas de medição, sendo
necessário então limitar o tempo de medição. Ressalta-se que esse problema não ocasionou
alteração nos resultados, pois as medições focaram nas características individuais dos
equipamentos residenciais e na contribuição dos mesmos para a distorção harmônica e fator
de potência no ponto de conexão comum.

3.3 IEC
A IEC (International Electrotechnical Commission) é uma entidade internacional, mas
com abrangência essencialmente europeia.

3.3.1 Normativa IEC 61000-2-2

Alguns pesquisadores utilizam os limites das tensões harmônicas de acordo com a


norma IEC 61000-2-2 para instalações de baixa tensão de 240 V e 415 V. O Quadro 12
apresenta estes limites.

Quadro 12 – Limites de Harmônicos de Tensão Individuais em Sistemas Públicos de BT

Fonte: Pires (2010, p. 38).


55

Pode-se perceber que esta normativa é menos rígida quando comparada com a IEEE
519 (1992).

3.3.2 Normativa IEC 61000-3-2

Esta normativa (IEC 61000-3-2) define limites de correntes harmônicas que podem ser
emitidos por aparelhos que trabalham com uma corrente eficaz menor que 16 A por fase. Os
aparelhos presentes nesta norma são classificados em quatro classes, sendo elas:

 Classe A: Equipamentos com alimentação trifásica equilibrada e todos os


demais que não se enquadram nas outras classes.

 Classe B: Equipamentos portáteis.

 Classe C: Equipamentos para iluminação incluindo dispositivos dimmer.

 Classe D: Equipamentos contendo uma forma de onda de corrente de entrada


especial com uma potência ativa de entrada menor que 600 W.

Os limites de distorção para os equipamentos que pertencem à classe A estão expostos


no Quadro 13. Para os equipamentos de classe B, pode-se utilizar a mesma tabela dos
equipamentos da classe A, basta multiplicá-los por 1,5.

Quadro 13 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos Classe A.

Fonte: Pires (2010, p. 40).


O Quadro 14 apresenta os limites para equipamentos classe C enquanto o quadro 15
mostra os limites para os equipamentos classe D.

Quadro 14 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos Classe C.

Fonte: Pires (2010, p. 40)


56

Quadro 15 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos Classe D.

Fonte: Pires (2010, p. 40).

3.3.3 Normativa IEC 61000-3-4

Esta normativa abrange equipamentos que possuem corrente nominal de operação maior
que 16 A e com tensão de alimentação menor que 240 V para equipamentos monofásicos e
menos que 600 V para trifásicos. A frequência deve permanecer nos limites de 50 Hz e 60 Hz.

Quadro 16 – Limites de Correntes Harmônicas para Equipamentos com Correntes entre 16 A e 75 A.

Fonte: Pires (2010, p.40).


Se o equipamento a ser analisado não atender os limites do Quadro 16, outros limites
podem ser adotados utilizando-se a mesma norma. Contudo, aplicando-se limites de acordo
com a potência de curto circuito, tais limites não serão abordados neste estudo.

3.4 LIMITES DE FATOR DE POTÊNCIA

De acordo com a Aneel (2012), em 25 de outubro de 1966, por meio do Decreto nº


59.414, foram estabelecidas as primeiras regras brasileiras acerca da energia reativa,
limitando o fator de potência indutivo médio em 0,90 para consumidores do Serviço de
Transmissão atendidos em tensão superior a 13,2 kV e 0,85 para os demais consumidores.
Um fato interessante é que caso o fator de potência ficasse abaixo do limite, o faturamento
resultante era multiplicado pelo valor de referência (0,90 ou 0,85) e esse produto era dividido
pelo fator de potência indutivo médio verificado.
57

A partir de agosto de 1967 o limite subiu para 0,85 independentemente do nível de


tensão. Em 1981, o Decreto nº. 86.463 transferiu para o Departamento Nacional de Águas e
Energia Elétrica (DNAEE) a prerrogativa de determinar como seria realizado o faturamento
devido ao baixo fator de potência de unidades consumidoras.

Em 20 de março de 1992 o Decreto nº. 479 transferiu ao DNAEE a competência para


estabelecer os limites mínimos do fator de potência indutivo e capacitivo, bem como a forma
de medição e o critério de faturamento da energia reativa excedente a esses limites.

Em 25 de março de 1992 a Portaria DNAEE nº. 085 foi publicada, estabelecendo


diversas mudanças na forma de controle da energia reativa que circula pelo sistema. Em
particular, o limite mínimo do fator de potência foi aumentado para 0,92 e passou-se a ter a
possibilidade de faturamento pelo excedente de energia reativa capacitiva no período noturno
para alguns consumidores.

Com relação à definição do fator de potência, a Portaria DNAEE nº. 613 de 09 junho
de 1993 complementou a Portaria nº. 085, estabelecendo o fator de potência como “o cosseno
do arco tangente do quociente da energia reativa pela energia ativa” no período de
faturamento. Em 29 de novembro de 2000, com a publicação da Resolução ANEEL nº. 456,
os quesitos relativos ao faturamento pelo baixo fator de potência passaram a integrar as
Condições Gerais de Fornecimento, sendo revogadas as Portarias do DNAEE acerca desse
assunto. No entanto, a maior parte dos critérios relacionados ao controle da energia reativa
permaneceu inalterada, havendo somente algumas modificações nas definições.

Em 2008, os Procedimentos de Distribuição – PRODIST complementaram os limites e


definições constantes na Resolução nº. 456/2000 sem, contudo, abordar os aspectos
relacionados à tarifação.

O Prodist (2017) regulamenta no módulo 08 que para unidade consumidora ou


conexão entre distribuidoras com tensão inferior a 230 kV, o fator de potência no ponto de
conexão deve estar compreendido entre 0,92 (noventa e dois centésimos) e 1,00 (um) indutivo
ou 1,00 (um) e 0,92 (noventa e dois centésimos) capacitivo, de acordo com regulamentação
vigente.
58

3.5 PROCEL

O PROCEL - Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica -, criado em


dezembro de 1985 e instituído no ano seguinte, é um programa do governo federal
coordenado pelo Ministério de Minas e Energia cujo controle de sua execução cabe à
Eletrobrás. O objetivo deste programa é promover o uso eficiente da energia elétrica e
combater o seu desperdício. O Procel atua nas seguintes áreas:

 Elaboração de planos de ação para programas de combate ao desperdício.

 Projetos de Gerenciamento pelo lado da demanda.

 Atuação no uso final (residencial, comercial, industrial, outros).

3.6 PROINFA

Criado pela Lei nº 10.438/2002, o Proinfa tem o objetivo de aumentar a participação de


fontes alternativas renováveis, como, por exemplo, pequenas centrais hidrelétricas, usinas
eólicas e empreendimentos termelétricos e a biomassa na produção de energia elétrica,
privilegiando empreendedores que não tenham vínculos societários com concessionárias de
geração, transmissão ou distribuição (ANEEL, 2015).

Este programa tem intuito de promover a diversificação da Matriz Energética Brasileira,


buscando alternativas para aumentar a segurança no abastecimento de energia elétrica, além
de permitir a valorização das características e potencialidades regionais e locais. Este
programa existe desde 2004 e cada vez mais vem contribuindo para a evolução da geração de
energia elétrica de forma renovável, e contribui para a estabilização do sistema elétrico.

Quanto maior a geração de energia elétrica, sendo ela através de centrais hidroelétricas
ou através da geração distribuída, a energia injetada no sistema elétrico deve estar entre os
padrões das normativas nacionais ou internacionais, por este motivo, o Proinfa tem espaço
neste estudo.
59

4 PROCEDIMENTO DE MEDIÇÕES – APLICAÇÃO PRÁTICA

As medições foram realizadas no municipio de Ijuí/RS em uma residência localizada na


Rua Leopoldo Hepp, Nº 440, bairro Jardim, de propriedade de Elemar Atkinson. A
concessionária de energia local Demei (Departamento Municipal Energia de Ijuí) fornece nos
alimentadores de distribuição a tensão em 3~ 380Vca (1~220Vca).

4.1 CARACTERÍSTICA DA RESIDÊNCIA

Cargas residenciais podem variar entre equipamentos resistivos, indutivos, e RLC


(resistência, indutância, capacitância, tais como chuveiro elétrico, torneira elétrica, cafeteira,
lâmpada incandescente) e equipamentos indutivos, tais como cortadores de grama e
ventiladores.

Apesar destas serem consideradas as maiores cargas, ou seja, que drenam maior
corrente da rede, as cargas resistivas não provocam distorções de corrente, ou provocam
distorções de baixa intensidade na planta. Com o intuito de identificar as distorções presentes
em um ambiente de instalação residencial, foram medidos diversos aparelhos de uso
residencial. As medições tiveram foco na distorção harmônica de corrente e fator de potência
de cada equipamento em funcionamento isolado e também uma amostra do funcionamento
normal da residência. Os dados elétricos da residência podem ser visualizados na Tabela 1.

Tabela 1 – Dados Elétricos da Residência

Tensão de Alimentação 1~220Vca


Demanda Prevista 9400 W
Potência do Transformador de Distribuição 75 kVA
Corrente de Curto Circuito Trifásica BT 1,738 kA
Fonte: Autor (2017).
Os dados de curto circuito foram fornecidos pela concessionaria local, como o intuito de
calcular a relação Icc/Icarga necessária para definir os índices de distorção de acordo com a
IEEE (1992). Na Tabela 2 pode-se obervar os equipamentos com caracteristicas
predominantemente resistivas que foram analisados no estudo. Tais equipamentos possuem
fator de potência unitário.
60

Tabela 2 – Relação de Equipamentos Predominantemente Resistivos


Equipamento Quantidade

Chuveiro Eletrônico 01
Ferro de Passar 01
Forno Elétrico 01
Fonte: Autor (2017).
Na Tabela 3 constam os demais equipamentos com caracteristicas diveras que foram
análisados.

Tabela 3 – Relação Equipamento Analisados


Equipamento Quantidade

Geladeira 01
Ventilador 02
Climatizador 9000 BTU 03
Televisão 01
Forno Micro Ondas 01
Portão Eletrônico 02
Esteira 01
Lâmpadas Fluorescentes 12
Máquina de Lavar Louça 01
Máquina de Lavar Roupa 01
Carregador Notebook 01
Carregador Alarme Residencial 01
Nobreak + Carregador Celular 01
Fonte: Autor (2017).
Além dos equipamentos mostrados na tabela acima, foram realizadas medições com
toda a carga desligada, ou seja, corrente zero na instalação e também foi realizado o
monitoramento da instalação por um período de 1 h 30 min (uma hora e trinta minutos),
verificando as incidências harmônicas e fator de potência.

Os comparativos realizados em todos os equipamentos, foram realizados com base no


Quadro 9, no que se refere à distorção de corrente e com base no Quadro 10 e Quadro 11 que
referem-se à distorção harmônica de tensão. Limites estes que estão dispostos pelo Prodist e
pela IEEE.
61

4.2 ANALISADOR POWER PLATFORM 4300

O analisador de energia foi fornecido pela Universidade Regional do Noroeste do


Estado do Rio Grande do Sul – Unijuí. Primeiramente as medições foram iniciadas com o
analisador da Empresa Embrasul, modelo RE 6000, contudo após algumas medições foi
contatado que o modelo RE600 que a universidade forneceu possuía somente módulos para
medição de distúrbios de tensão e consumo (Módudos B e T). Para que o estudo acontecesse
da maneira planejada foi solicitado empréstimo do analisador Power Platform 4300 da
empresa Dranetz. Para leitura dos dados de medição foi utilizado o programa Dran View 7
que exibe através de gráficos (formas de onda e epectro harmônico) os resultados das
medições.

O chamado espectro harmônico permite decompor um sinal em suas componentes


harmônicas e representá-lo na forma de um gráfico de barras, onde cada barra representa uma
harmônica com a sua respectiva frequência (PROCOBRE, 2001). A figura 19 mostra uma
imagem frontal do analisador de qualidade de energia utilizado no estudo.

Figura 19 – DRANETZ Power Platform 4300

Fonte: DRANETZ (2002, p. 15)


Tendo em vista que a tensão de alimentação da residência estudada é de 1~220Vca, foi
realizada a consulta no manual do fabricante do analisador Power Platform e identificado o
método de ligação do aparelho na rede. Na figura 20 pode-se observar a conexão dos cabos
para medição de tensão.
62

Figura 20 – Método de Ligação Rede Monofásica

Fonte: DRANETZ (2002, p.44)


Para as medições de corrente foram utilizados dois modelos de alicates, modelo TR2510
e modelo TR2500, o primeiro para medições de no máximo 10 A e o segundo para as demais
medições até corrente de 1000 A. O alicate TR2500 foi utilizado para que houvesse maior
precisão e para reduzir os erros nas medições das cargas de baixa potência. A Figura 21
mostra o método de ligação do alicate amperímetro, utilizando como exemplo um alicate
genérico.

Figura 21 – Método de Ligação Rede Monofásica Para Alicate TR2510 e TR2500

Fonte: DRANETZ (2002, p.52)


Foram realizadas as medições em mais de 20 equipamentos de uso cotidiano na
residência estudada, o analisador foi conectado ao CD (Centro de Distribuição) da Figura 22,
conforme os métodos de ligação mostrados anteriormente.
63

Figura 22 – Centro de Distribuição da Residência

Fonte: Autor (2017).


Figura 23 - Analisador Conectado ao Centro de Distribuição

Fonte: Autor (2017).


Na figura 23 pode-se visualizar o analisador conectado ao centro de distribuição. O
centro de distribuição possui 03 circuitos, um somente para o chuveiro e os demais para os
circuitos de iluminação e tomadas. O alicate de medição de corrente e as ponteiras para
medição de tensão foram conectadas a montante destes circuitos nos cabos gerais.

4.3 ANÁLISE DOS PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS

As medições efetuadas serão apresentadas através de figuras por meio de formas de


ondas e espectros harmônicos de corrente e tensão e os índices de fator de potência para os
principais equipamentos, ou seja, os que apresentaram significativa influência nos resultados
finais. As medições individuais foram realizadas com a finalidade de analisar a contribuição
individual de cada equipamento para a instalação e o comportamento do mesmo em
funcionamento. Contudo, não foi analisado o funcionamento detalhado do equipamento,
como, por exemplo, do climatizador de ar que possui diversas temperaturas e etapas de
resfriamento e aquecimento. Os comparativos realizados neste capitulo foram feitos com base
nos valores determinados pelas normativas da IEEE 519 (1992) e pelo Prodist Módulo 08.
64

Apesar da IEEE 519 (1992) não ser direcionada para as distorções individuais dos
equipamentos e sim direcionada para o ponto de acoplamento comum, neste estudo
considerado como a entrada de energia da residência, optou-se que os comparativos fossem
realizados com base na mesma, visto que o importante é a distorção harmônica total que será
injetada na rede de distribuição.

A contribuição das medições individuais dos equipamentos se da através da utilização


dos mesmos isolados. Por exemplo, durante a madrugada na qual somente a geladeira está em
funcionamento, ou somente a televisão está em funcionamento e a geladeira com o
compressor desligado, tais situações representariam que a corrente de só um equipamento
estaria no ponto de conexão comum e esta seria a corrente total da carga, aplicando-se assim a
IEEE 519 (1992).

4.3.1 Cargas Desligadas

Desligando todas as cargas ligadas ao barramento do centro de distribuição, foram


analisadas as distorções harmônicas de tensão presentes na rede, essas distorções são
normalmente causadas pelas demais cargas (residências) ligadas à rede de distribuição. A
figura 24 indica o espectro harmônico e a figura 25 à deformação gerada na forma de onda da
tensão.

Figura 24 – Espectro Harmônico de Tensão Sistema Desligado

Fonte: Autor (2017).


65

Percebe-se que mesmo com todas as cargas desligadas, o sistema possui 3,76% de
distorção de tensão e valores acima de 2% para valores de 3º e 4° ordem de harmônica. Tais
valores representam uma rede de distribuição com índice de distorção dentro das normativas
do Prodist e IEEE, comprovando que dentro dos limites a forma de onda de tensão não se
altera significativamente.

Figura 25 – Forma de Onda de Tensão Sistema Desligado

Fonte: Autor (2017).


Após estas medições, verificou-se que as distorções de tensão de todos os equipamentos
deste estudo de identificação não divergiram das medições das figuras 24 e 25, ou seja, os
equipamentos quando operando individualmente não contribuíram significativamente para a
distorção da forma de onda de tensão.

4.3.2 Carregador Bateria Alarme Residencial

Este carregador de bateria fornece energia em CA para o retificador interno ao alarme


da residência, este equipamento é importante para o estudo, pois funciona continuamente
(mantendo a bateria com 100% da carga). A figura 27 mostra o espectro harmônico de
corrente deste equipamento e a figura 26 mostra a deformação na forma de onda da corrente
deste equipamento.

Figura 26 – Forma de Onda de Corrente Alarme Residencial

Fonte: Autor (2017).


66

Figura 27 – Espectro Harmônico de Corrente Alarme Residencial

Fonte: Autor (2017).


Quanto ao fator de potência médio, o mesmo permaneceu em torno de -0,82,
caracterizando uma carga predominantemente capacitiva e fora do limite de 0,92 da normativa
vigente na indústria.

Contudo, por se tratar de uma carga de baixa potência, em torno de 20 mA, tratando-se
tanto do fator de potência como das distorções harmônicas, este equipamento não tem muita
influência quando ligada juntamente com outra carga. Este valor de fator de potência pode ser
visualizado na figura 28.

Figura 28 – Fator de Potência Alarme Residencial

Fonte: Autor (2017)


67

4.3.3 Estabilizador e Carregador Celular

Este estabilizador está conectado a instalação continuamente, o mesmo fornece energia


estabilizada para alguns equipamentos eletrônicos como computador, televisão, vídeo game
entre outros. Para esta medição foi conectado ao estabilizador somente um carregador de
celular, que é basicamente um retificador CA/CC. Estes equipamentos podem não serem
considerados de uso comum em residências, mas atualmente o uso de smartphones esta
substituindo o uso de computadores portáteis e de mesa, ao menos uma vez ao dia o
carregador é conectado a rede para carregar a bateria do aparelho. A figura 29 mostra o
espectro harmônico de corrente destes dois equipamentos em funcionamento.

Figura 29 – Espectro Harmônico de Corrente Nobreak e Carregador de Celular

Fonte: Autor (2017).


A figura 30 mostra o efeito causado pela distorção de corrente mostrada na figura 29.

Figura 30 – Forma de Onda de Corrente Nobreak e Carregador de Celular

Fonte: Autor (2017).


Percebe-se que a forma de onda da figura 30 possui características parecidas com a
68

forma de onda do alarme residência, isso se dá pelo fato de os dois equipamentos possuírem a
mesma funcionalidade, realizar a conversão de CA para CC.

A figura 31 mostra o fator de potência do Nobreak e Carregador de Celular e percebe-se


que o mesmo pode variar de valores capacitivos para valores indutivos em segundos, o que
dificultaria a correção, pois não permanece continuo por um longo período.

Figura 31 – Fator de Potência Estabilizador e Carregador de Celular

Fonte: Autor (2017).

4.3.4 Carregador Notebook

Basicamente, o carregador funciona como um retificador, onde a entrada (fonte de


alimentação) é ligada na energia elétrica e converte a tensão alternada da rede, neste caso 220
V, em corrente contínua que fornece energia à bateria do aparelho. Neste estudo foi utilizado
o carregador da marca HP, com as seguintes características mostradas na tabela 4.

Tabela 4 – Dado Técnicos Carregador Notebook

Tensão Nominal Entrada 100-240Vca -60Hz


Corrente Nominal Entrada 1,7A
Potência 65W
Tensão Nominal Saída 18,5Vcc
Corrente Nominal Saída 3,5A
Potência 65W
Fonte: Autor (2017).

Este tipo de equipamento possui elementos RLC (resistivo, indutivo e capacitivo) e


contém dispositivos que realizam chaveamento do circuito. Tais dispositivos fazem com que
69

esse equipamento se caracterize como uma carga não linear, gerando distorção na forma de
onda. Utilizando o analisador de energia, foi medido durante um curto período de tempo o
funcionamento isolado do equipamento e a figura 32 mostra o espectro harmônico.

Figura 32 – Espectro Harmônico de Corrente Carregador Notebook

Fonte: Autor (2017).


Primeiramente, analisando a THD de corrente gerada pelo equipamento, pode-se
perceber um valor de 124,65%, o que extrapola cerca de 100% do valor indicado pela norma.
Realizando uma análise aprofundada, pode-se verificar que todas as harmônicas de ordem
ímpar estão fora dos limites estabelecidos pela IEEE mostrados no quadro 7. Na figura 33
pode-se analisar a forma de onda resultante das deformações causadas pelos índices
mostrados anteriormente.

Figura 33 – Forma de Onda de Corrente Carregador Notebook

Fonte: Autor (2017).


70

Figura 34 – Fator de Potência Carregador Notebook

Fonte: Autor (2017).


O fator de potência deste equipamento pode ser visualizado na figura 34. O mesmo
possui um fator de potência capacitivo de -0,59, índice este que está fora do limite de 0,92
(indutivo ou capacitivo).

4.3.5 Televisão

A televisão é um dos equipamentos mais utilizados em uma residência, podendo variar


a potência conforme o fabricante e conforme suas características construtivas. A figura 35
mostra o espectro harmônico da televisão analisada.

Figura 35 – Espectro Harmônico de Corrente Televisão

Fonte: Autor (2017).


71

Percebe-se que o mesmo possui um índice de mais de 40% de distorção total de corrente
e normativa propõe somente 20%. As harmônicas de 3ª e 7ª ordem são superiores a 15%
indicados pela norma para este equipamento. Na Figura 39 pode-se visualizar a forma de onda
do televisor, tendo como base os valores do espectro harmônico da figura 36.

Figura 36 – Forma de Onda de Corrente Televisão

Fonte: Autor (2017).


Na figura 37 pode-se visualizar o índice de fator de potencia deste equipamento que
possui característica predominantemente capacitiva e apresenta um fator de potência médio de
-0,84.

Figura 37 – Fator de Potência Televisão

Fonte: Autor (2017)


72

4.3.6 Chuveiro Eletrônico

O chuveiro esta presente na casa de todos os brasileiros, equipamento indispensável seja


ele elétrico ou a gás. Normalmente chuveiros elétricos são comuns em ambientes residenciais
e chuveiros a gás no ramo de hotelaria.

Com o passar dos anos a tecnologia envolvendo este equipamento evoluiu e hoje em dia
o mesmo não se trata somente de uma resistência acionada com o fluxo de água. Além disso,
os chuveiros elétricos, na maioria das vezes substituídas por chuveiros eletrônicos, possuem
tecnologia de eletrônica de potência, onde componentes elétricos realizam o controle da
potência consumida.

Basicamente, o controle de potência realizado pelo é realizado pelo uso de um TRIAC


que dispara em semiciclo de tensão, podendo ser no início ou no final deles. A corrente que o
percorre é ajustada e numa disposição em série com a resistência, torna-se responsável pela
entrega da potência a essa carga específica que a transforma em calor.

A figura 38 mostra o espectro harmônico do chuveiro analisado no procedimento de


medição deste estudo.

Figura 38 – Espectro Harmônico de Corrente Chuveiro Eletrônico

Fonte: Autor (2017).


Como pode ser observada na figura 39, a utilização desse tipo de tecnologia pode trazer
um alto índice de distorção, e por se tratar de um equipamento de alta frequência, qualquer
73

índice acima da normativa pode ocasionar problemas na instalação.

Figura 39 – Forma de Onda de Corrente Chuveiro Eletrônico

Fonte: Autor (2017).


Neste caso o chuveiro drenou uma corrente de cerca de 30 A e sofreu alteração na forma
de onda devido aos índices de distorção apresentados na figura 38. Por se tratar de uma alta
corrente, essa distorção pode ser considerável para a instalação.

Contudo, para esse equipamento, considerando a normativa da IEEE, a máxima


distorção total de corrente seria de 12%, e o mesmo apresentou pouco mais de 6%. Para as
demais frequências harmônicas são permitidos 10% e todas permaneceram dentro deste
limite.

Figura 40 – Fator de Potência Chuveiro Eletrônico

Fonte: Autor (2017).


Na figura 40 pode-se visualizar o fator de potência do chuveiro eletrônico, que possui
um ótimo fator de potência, que só não é unitário por causa do circuito eletrônico nele
74

presente. Contudo, se trata de um equipamento que não necessitaria de correção de fator de


potência.

4.3.7 Micro-ondas

As figuras 41 e 42 apresentam, respectivamente, o espectro harmônico e a forma de


onda resultante dos índices medidos no estudo de identificação.

O aparelho de micro ondas esta presente na maioria das residências, e baseia-se no que
o próprio nome diz, em micro-ondas que são ondas eletromagnéticas de alta frequência, que
são geradas pelo sistema eletrônico do aparelho. Estas micro-ondas (na faixa de 2,450 GHz)
penetram no alimento, o que possibilita o aquecimento do mesmo.

Contudo, os componentes internos ao aparelho de micro-ondas durante o funcionamento


do mesmo provocam frequências múltiplas de 60 Hz, ou seja, injetam harmônicas na rede
elétrica. Na figura 41 podem-se verificar estes índices.

Figura 41 – Espectro Harmônico de Corrente Aparelho de Micro-Ondas

Fonte: Autor (2017).


75

Percebe-se um alto índice de distorção total de corrente, acima de 35%, e a norma limita
o mesmo em 15%. Percebem-se também harmônicas de 3ª ordem acima de 30% sendo que o
limite para as harmônicas <11ª harmônica são de no máximo 12% para este equipamento. A
figura 42 mostra a consequência dos harmônicos mostrados na figura 41.

Figura 42 – Forma de Onda de Corrente Aparelho de Micro-Ondas

Fonte: Autor (2017).


A figura 43 mostra o índice de fator de potência do forno de micro-ondas, que se
caracteriza como uma carga indutiva. Este equipamento apresentou um alto índice de fator de
potência durante o regime permanente e permaneceu em 0,93 na maior parte do tempo de
funcionamento.

Figura 43 – Fator de Potência do Aparelho de Micro-Ondas

Fonte: Autor (2017).


Percebe-se que somente durante o desligamento que este índice baixou para – 0,69,
contudo, por um curto período de tempo.
76

4.3.8 Lâmpadas Fluorescentes

Atualmente com a descontinuação das lâmpadas incandescentes, as lâmpadas


fluorescentes tomaram o espaço das mesmas, as fluorescentes possuem característica de carga
não linear e alteram a forma de onda de corrente.

Com maior eficiência (potência X Iluminância) e com um funcionamento totalmente


diferente das lâmpadas antigas, as lâmpadas fluorescentes também chamadas de lâmpadas
eletrônicas, possuem um retificador com diodos e um filtro através de um capacitor, um
conversor de CC para CA que utiliza dois transistores para a comutação, que eleva frequência
de oscilação em 20 kHz ou até mais.

Por possuir este tipo de tecnologia, as lâmpadas eletrônicas geral distorção na forma de
onda que as alimenta, isso tudo contribui para a má qualidade de energia como já citado nos
capítulos anteriores. A figura 44 mostra o espectro harmônico às medições realizadas com 09
lâmpadas fluorescentes ligadas na residência onde o estudo foi realizado.

Figura 44 – Espectro Harmônico de Corrente das Lâmpadas Fluorescentes

Fonte: Autor (2017).


77

Pode-se perceber que as lâmpadas possuem alto índice de distorção total de corrente
(acima de 30%), e pela IEEE o valor máximo não poderia ultrapassar 15%. Considerando as
demais frequências, percebe-se que as harmônicas de 3ª e 5ª ordem também apresentam
índices maiores que a normativa que para estes frequências são de 12%. A Figura 45 mostra o
efeito dos índices mostrados na figura 44.

Figura 45 – Forma de onda de Corrente das Lâmpadas Fluorescentes

Fonte: Autor (2017).


A figura 46 mostra o fator de potência das lâmpadas, que apesar do alto índice de
distorção possuem um bom fator de potência e acima do índice exigido pela normativa atual.
Percebe-se um valor médio de -0,94, caracterizando uma carga predominantemente
capacitiva. Este índice de fator de potência mostra que as lâmpadas fluorescentes neste caso
não necessitam de correção de fator de potência, somente de correção de harmônicos de
corrente.

Figura 46 – Fator de Potência das Lâmpadas Fluorescentes

Fonte: Autor (2017).


78

4.3.9 Climatizador

Apesar de se tratar de uma residência monofásica e com somente 9400 W de demanda


prevista em projeto, a residência escolhida atualmente para o estudo possui três climatizadores
de ar, sendo 02 deles de 9000 BTU e 01 DE 12000 BTU, que não estavam considerados no
calculo de demanda. A figura 47 mostra o espectro harmônico dos 03 climatizadores de ar
funcionando a temperatura de 24° (modo inverno) durante certo período de tempo.

Figura 47 – Espectro Harmônico de Corrente Climatizador

Fonte: Autor (2017).


Na figura 48 pode-se visualizar a forma de onda deste equipamento. Percebe-se que a
forma de onda foi pouco distorcida, contudo permanecendo senoidal.

Figura 48 – Forma de Onda de Corrente Climatizador

Fonte: Autor (2017).


Apesar de um índice de quase 7% de harmônicos totais de corrente, estes três
equipamentos funcionando junto estão dentro dos limites estabelecidos para os mesmos que é
de no máximo 12% de acordo com a IEE. Para os harmônicos individuais até a 11ª harmônica
79

a normativa solicita no máximo 7% de distorção e o equipamento gera somente 5 % de


distorção da 5ª harmônica (300 Hz) as demais todas abaixo de 3 %. Conclui-se que os
climatizadores neste caso não necessitariam de correção de harmônicos.

Na figura 49 pode-se observar o índice de fator de potência durante o mesmo período de


analise das harmônicas. Percebe-se que os climatizadores possuem ótimo fator de potência,
que teve o valor mínimo registrado de 0,97 durante o funcionamento.

Figura 49 – Forma de Onda de Tensão Climatizador

Fonte: Autor (2017).

4.3.10 Geladeira

A geladeira apresentou grande distorção de corrente das harmônicas de 3ª e 5ª ordem


que extrapolaram os valores de 6% e 9% respectivamente. Contudo, para este equipamento a
normativa solicita no máximo 15% de distorção até a 11ª harmônica. Para a distorção total de
corrente a norma solicita no máximo 20% e o medido neste caso apresentou somente 12,36%
o que representa valores dentro do solicitado pela IEEE.

A figura 50 mostra o espectro harmônico medido e a figura 51 a consequência destes


harmônicos na forma de onda de corrente. Percebe-se que apesar dos valores medidos estarem
dentro do solicitado, a forma de onda está consideravelmente deformada, o que pode causar
danos a outros equipamentos da instalação e outros problemas citados nos capítulos
anteriores.
80

Figura 50 – Espectro Harmônico de Corrente Geladeira

Fonte: Autor (2017).

Figura 51 – Forma de Onda de Corrente Geladeira

Fonte: Autor (2017).


Na figura 52 pode-se visualizar o fator de potência deste equipamento, que apesar de
possuir um considerável índice de distorção de corrente, apresenta um fator de potencia
dentro do estipulado pela normativa vigente.
81

Figura 52 – Fator de Potência Geladeira

Fonte: Autor (2017).

4.3.11 Geral de 1,5 Horas

Para conclusão do estudo de identificação, foi analisado a funcionamento da residência


em período normal, ou seja, com diversos equipamentos ligados simultaneamente. Na Figura
56 foram exibidos os valores de tensão, corrente e fator de potência durante o tempo de
medição. Tais valores representam muito para este estudo.

Primeiramente percebe-se que durante todo e período de medição em nenhum momento


tensão de operação chegou em 220 V, e quanto maior a corrente que circulava na instalação,
menor era o nível de tensão chegando a valores abaixo de 200 V.

A partir dos valores de corrente, também representados na Figura 56, foram plotados
diferentes gráficos para demostrar o comportamento dos equipamentos perante os índices de
fator de potência e distorção harmônica de tensão e corrente durante o período de 1,5 Horas.

O horário indicado na figura 53 não condiz com o horário de medição, pois o analisador
de qualidade utilizado apresentava problemas para armazenamento de data e hora de
funcionamento.
82

Figura 53 – Valores de Variação de Tensão, Corrente e Fator de Potência

Fonte: Autor (2017).


A figura 54 apresenta os índices de distorção de tensão e corrente respectivamente,
retirados durante o pico de corrente do período de 1,5 horas analisados neste estudo. Percebe-
se valor de distorção total de tensão de 3,70% e distorção total de corrente de 5,32%. Para
esse nível de corrente e considerando o nível de curto circuito apresentado no inicio deste
capitulo, a normativa indica 5% de distorção total de tensão e 8% de distorção total de
corrente, o que indica que os dois valores medidos estão dentro dos valores estabelecidos.

Figura 54 – Espectro Harmônico Durante o Pico de Corrente

Fonte: Autor (2017).


83

Quando as harmônicas foram analisadas com uma corrente de menor amplitude, ou seja,
quando somente equipamentos de baixa potência estavam ligados, pôde-se perceber que o
índice de distorção de corrente aumentou consideravelmente, para índices acima de 30% de
distorção total, onde o máximo permitido é de 20%.

Além da ITHD, o conteúdo harmônico da 3ª harmônica (180 Hz) ultrapassou o limite de


15% descrito pela IEEE. Percebeu-se também que os valores de distorção de tensão não
alteraram significativamente. A figura 55 mostra os níveis de distorção de tensão e corrente
respectivamente.

Figura 55 – Espectro Harmônico Durante a Menor Corrente

Fonte: Autor (2017).


As Figuras 56 e 57 mostram as formas de onda resultantes do espectro harmônicos
mostrados nas figuras 54 e 55, respectivamente.
84

Figura 56 – Forma de Onda de Tensão e Corrente com o Pico de Corrente

Fonte: Autor (2017).


Figura 57 – Forma de Onda de Tensão e Corrente Durante a Menor Corrente

Fonte: Autor (2017).


A figura 58 mostra a forma de onda no momento que uma corrente de cerca de 7,5 A
circula na instalação.
85

Figura 58 – Forma de Onda de Tensão e Corrente com Corrente de Média Amplitude

Fonte: Autor (2017).


Percebe-se que quanto maior é a corrente que circula na instalação menor é a distorção
presente no sistema, e isso vai de acordo com o que normativa atual determina, pois as cargas
de baixa potência não interferem tanto no sistema quanto uma carga de alta potência.
86

5 DISCUSSÕES E RESULTADOS

Os resultados finais obtidos com as medições trouxeram boas respostas acerca da


qualidade de energia residencial.

Quanto ao fator de potência apresentado durante o funcionamento da residência no


período de tempo de 1,5 horas, pôde-se perceber que o mesmo varia de valores indutivos a
valores capacitivos quase que instantaneamente, o que dificulta qualquer tipo de correção
através de capacitores. Entretanto, os valores apresentados durante este funcionamento
permaneceram entre os limites de 0,92 a -0,92 estabelecidos pelo Prodist, não necessitando de
correção neste caso. Quando analisado separadamente, a maioria dos equipamentos
apresentou fator de potência indutivo, somente o televisor, as lâmpadas fluorescentes e os
carregadores de notebook, do alarme e do celular, apresentaram valores de fator de potência
capacitivo. A televisão e os carregadores de notebook, alarme e celular apresentaram valores
fora da normativa quando analisados separadamente e necessitariam de correção caso
estivessem em funcionamento sem as demais cargas.

Quanto à distorção harmônica de tensão, percebeu-se que os resultados das medições


permaneceram dentro dos limites estabelecidos, tanto na medição individual dos
equipamentos, quanto na medição durante o funcionamento normal. O interessante desse
resultado é que os valores medidos em todos os casos se aproximaram dos valores medidos
com a carga desligada, o que indica que a distorção da carga perante a rede não provoca
alterações significativas como um todo.

Quanto à distorção de corrente, através da análise dos gráficos plotados a partir das
medições, percebe-se que equipamentos com menor potência como geladeira, televisão,
portão eletrônico, ferro elétrico, lâmpadas fluorescentes, carregador de notebook,
estabilizador e carregador de celular apresentaram os maiores níveis de distorção de corrente.
Equipamentos com maior potência, como chuveiro eletrônico, climatizador, forno de micro-
ondas, esteira, máquina de lavar louça, apresentaram distorção de corrente, contudo em níveis
inferiores aos equipamentos de baixa potência. Equipamentos como ventilador e máquina de
lavar roupas possuem característica indutiva e apresentaram baixos índices de distorção. O
forno elétrico possui característica resistiva e também apresentou baixo índice de distorção de
corrente.
87

Os resultados discutidos acima são mostrados na tabela 5, onde os valores de corrente,


VTHD, ITHD e FP, são comparados com os limites estabelecidos pela IEEE e pelo Prodist.

Tabela 5 – Equipamentos x Normativas


LIMITES
MEDIÇÃO
IEEE PRODIST
EQUIPAMENTO
CORR. VTHD ITHD FP VTHD ITHD VTHD FP
(A) (%) (%) (%) (%) (%)
Sistema Desligado - 3,76 - - 5,00 10,00 0,92
Geladeira 0,54 3,35 12,36 0,99 5,00 20,00 10,00 0,92
Chuveiro Eletrônico 29,57 3,43 6,55 0,99 5,00 12,00 10,00 0,92
Climatizadores (2) 29,39 3,39 6,85 0,98 5,00 12,00 10,00 0,92
Televisão 0,49 3,35 42,96 -0,84 5,00 20,00 10,00 0,92
Ventilador (2) 0,40 3,42 3,59 0,99 5,00 20,00 10,00 0,92
Forno Micro Ondas 6,06 3,54 36,71 0,93 5,00 15,00 10,00 0,92
Portão Eletrônico 1,97 3,33 80,92 0,92 5,00 15,00 10,00 0,92
Ferro Elétrico 0,02 3,44 56,62 1,00 5,00 20,00 10,00 0,92
Esteira 6,16 3,31 14,48 0,97 5,00 15,00 10,00 0,92
Forno Elétrico 7,31 3,29 3,09 1,00 5,00 15,00 10,00 0,92
Lâmpadas Fluorescentes (9) 1,93 3,76 31,28 -0,94 5,00 15,00 10,00 0,92
Máquina de Lavar Louça 4,58 3,50 6,05 0,99 5,00 15,00 10,00 0,92
Máquina de Lavar Roupa 8,24 3,41 3,37 0,99 5,00 15,00 10,00 0,92
Carreg. Notebook 0,31 3,42 124,60 -0,58 5,00 20,00 10,00 0,92
Carreg. Alarme 0,02 3,33 73,89 -0,82 5,00 20,00 10,00 0,92
Estabiliz. + Carreg. Celular 0,01 3,58 83,77 -0,31 5,00 20,00 10,00 0,92
Análise 1,5 Hrs (Baixa) 1,06 3,59 31,29 - 5,00 20,00 10,00 0,92
Análise 1,5 Hrs (Alta) 44,13 3,70 5,32 - 5,00 8,00 10,00 0,92

Fonte: Autor (2017)


Como os valores de tensão permaneceram praticamente constantes em todas as
medições, percebeu-se que somente as harmônicas de corrente são problemas para a
instalação. A figura 59 mostra um comparativo dos limites de ITHD limitados pela IEEE com
os valores medidos, que foram explicados anteriormente.

Figura 59 – Comparação Limites de ITHD da IEEE x Medição

Fonte: Autor (2017)


88

De acordo com o gráfico da figura 59 fica evidente que os níveis de corrente


recomendados pelo IEEE são, em sua maior parte, inferiores aos encontrados na residência
para os equipamentos. Para solucionar esse problema recomenda-se o uso de correções locais,
ou seja, instalação de correção nos próprios aparelhos. No entanto, como o geral da instalação
atende as normas do setor, os fabricantes dificilmente farão alguma alteração nos
equipamentos.
89

6 CONCLUSÃO

A energia elétrica em qualquer sistema de geração, transmissão, distribuição ou


utilização deve possuir forma de onda senoidal e periódica. Algumas cargas consideradas
comuns com características puramente resistivas conectadas à rede elétrica, drenam correntes
na forma senoidal, tornando a forma de onda da corrente espelhada pela forma de onda da
tensão, sistema este que não possui harmônicas. Entretanto, existem inúmeras cargas que
possuem características não lineares e foram estas que foram levadas em consideração para
este estudo.

Dentre os inúmeros parâmetros de qualidade de energia existentes, o estudo levou em


consideração as harmônicas e o fator de potência. As harmônicas são definidas como
perturbações de frequência em torno da harmônica fundamental, que no Brasil é 60 Hz,
dividida em ordens, as harmônicas são geradas na maioria dos casos, por equipamentos que
possuem tecnologia de eletrônica de potência. Esses equipamentos contribuem para a má
qualidade de energia da instalação e atualmente passam a ser maioria nas residências. O fator
de potência é uma quantidade adimencional que serve para determinar a eficiência com que
transformamos a energia elétrica em trabalho.

O objetivo deste estudo de identificação foi mitigar questionamentos acerca de distorção


harmonica e indice de fator de potência em uma instalação residencial e visou o
comportamento dos equipamentos nela instalados. As medições foram realizadas como um
estudo de caso, que consiste em uma forma de aprofundar uma unidade individual, neste caso
uma residencia monofásica localizada no municipio de Ijuí/RS.

A partir da realização do estudo evidenciou-se que a distorção de tensão não variou


significativamente em ambas as análises, seja com o funcionamento individual ou coletivo
dos equipamentos, permanecendo dentro dos limites estabelecidos pela norma atual. As
distorções de corrente tiveram maiores indíces em equipamentos de menor potência e que
possuiam cicuitos com tecnologia de eletronica de potência. Caso um fitro anti-haronicas
fosse projetado para a residência estudada, não seria necessario que o fitro atende-se a
demanda total da residência, bastaria atender a correção dos equipamentos que não atenderam
os limites da normativa.
90

O fator de potêncica caracterizou-se com muita variação de valores capacitivos a


indutivos, mas a maioria entre os limites estipulados ela norma. Poucos equipamentos
aprsentaram valores abaixo de 0,92 contudo os mesmos só necessitariam de correção caso
operassem separadamente.

Tendo como base a qualidade de energia elétrica, a instalação de filtros anti harmonicas
em ambientes residencias são recomendados, principamente para a correção das cargas
eltronicas. Contudo visando que caso as concessionarias de energia viessem a cobrar multas
por fator de potência residenciais, como são cobrados hoje nas indústrias, a instalação do
filtro não seria viavel, pois neste caso o fator de potência permaneceu todo o tempo dentro dos
valores estabelecidos.

Apesar de este estudo ter concluído que esta residência não possui necessidade de
correção de fator de potência, é importante salientar que quando se trata de estudo de
qualidade de energia, deve-se tratar caso a caso, ou seja, os resultados obtidos nesta
residência, provavelmente não serão os mesmos obtidos em outras residências, pois a
quantidade e variedade de aparelhos eletrodomésticos são diferentes, e também os fabricantes
podem ser diferentes.

Para estudos futuros, com o objetivo de agregar as conclusões obtidas neste trabalho,
pretende-se projetar um filtro ativo para correção das distorções harmônicas da residência
onde o estudo de identificação foi realizado.
91

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABB. Capacitores e Controladores Confiabilidade para Correção de Fator de Potência, São


Paulo, p. 24, Maio 2015.

AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Nota Técnica n° 0083/2012-


SRD/ANEEL. ANEEL. [S.l.]. 2012.

ALVES, A. Circuitos Elétricos II. Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio


Grande do Sul. Ijuí, p. 55. 2012.

AMARAL, T. Correção de fator de potência e harmônicas em instalações elétricas.


Sorocaba - SP: [s.n.], 2015.

ANEEL. Programa de Incentivo às Fontes Alternativas. Brasília : [s.n.], 2015.

ÂNGELA, T. D. Projeto Elétrico Residêncial Proprietário Elemar Atkinson. Ijuí: [s.n.],


2001.

COBRE, P. -I. B. D. Harmônicas nas Instalações Elétricas. 1° Edição. ed. São Paulo: [s.n.],
2001.
COUTINHO, P. D. T. E. P. Fator de Potência Sob Enfoque Econômico. Potência, São Paulo,
n. 128, p. 98, Agosto 2016. ISSN 27.231.

DICEL. Filtros Sintonizados e Desintonizados. Porto Alegre: [s.n.], 2016.

DRANETZ. User Guide Power Platform 4300. New Jersey: [s.n.], 2002. 227 p.

DUQUE, M. B. FLUXO DE CARGA TRIFÁSICO PARA ANÁLISE DE DISTORÇÕES


HARMÔNICAS EM REDES DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA.
Universidade Estadual de Campinas. Campinas. 2013.

FLUKE. Compreendendo Harmônicos de Energia. Everett, WA USA: [s.n.], 2010.

GAMA, P. H. R. P. E. O. A. CONSERVAÇÃO DE ENERGIA E SUA RELAÇÃO COM A


QUALIDADE DA ENERGIA ELÉTRICA. XV SNPTEE – Seminário Nacional de
92

Produção e Transmissão de Energia Elétrica, Foz do Iguaçu, p. 6, 1999.

GARCIA, F. R. Cálculo da perda de vida útil de capacitores em função da distorção


harmônica existente nas redes de distribuição de energia elétrica. Inepar S/A Indùstria e
Construção, p. 6. 2001.

JR., A. P. ELETRÔNICA ANALÓGICA: AMPLIFICADORES OPERACIONAIS E


FILTROS ATIVOS. 8° EDIÇÃO. ed. PORTO ALEGRE: BOOKMAN, 2015.

LOPEZ, R. A. Qualidade na Energia Elétrica: Efeitos dos distúrbios, diagnósticos e


soluções. São Paulo: Artliber, 2013.

MANUEL LOSADA Y GONZALEZ, M. M. S. F. A. S. R. S. Distorções Harmônicas


Geradas por Algumas Cargas Não lineares com Tensões Senoidais. [S.l.]: [s.n.], 2012.

PIRES, I. A. Caracterização de harmônicos causados por equipamentos eletro-


eletrônicos residenciais e comerciais no sistema de distribuição de energia elétrica.
Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, p. 173. 2006.

PIRES, I. A. Efeitos de harmônicos no sistema de distribuição e limites segundo as principais


normas nacionais e internacionais – Parte III. O Setor Elétrico, p. 36, Abril 2010.

POMILIO, S. M. D. E. J. A. Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica. [S.l.]: [s.n.],


2017.

PROCEL. PROCEL INFO, 2006. Disponivel em:


<http://www.procelinfo.com.br/main.asp?TeamID=

QUADROS, M. A. Filtragem Passiva de Harmônicas em Instalações Elétricas.


Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis , p. 122. 1999.

RIESE, P. Filtros ativos e passivos para supressão de harmônicos na indústria. Eletricidade


Moderna , São Paulo, v. 45, n. 512, p. 105, Novembro 2016. ISSN 0100-2104.

SCHNEIDER ELECTRIC. Qualidade de Energia Harmônicas. [S.l.]: [s.n.], 2003.

SOCIETY, I. I. A. IEEE Recommended Practices and Requirements for Harmonic


93

Control in Electrical Power Systems. New York: IEEE, 1992.

SOUZA, F. P. D. Correção de Fator de Potência Para Instalações de Baixa Potência


Empregando Filtros Ativos. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, p. 226.
2000.

TADEU LIMA DOS SANTOS, M. Z. F. E. E. E. S. Avaliação dos Espectros Harmônicos


em Sistemas de Iluminação disponíveis no Mercado. Unversidade Federal Fluminense. Rio
de Janeiro, p. 5. 2011.

TEIXEIRA, D. Â. ANÁLISE DAS DISTORÇÕES HARMÔNICAS - ESTUDO DE


CASO DE UM SISTEMA INDUSTRIAL. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo
Horizonte, p. 128. 2009.
94

ANEXO A – DATASHEET ANALISADOR DRANETZ 4300


95
96
97
98
99
100
101