Você está na página 1de 22

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ


CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS
DEPARTAMENTO DE LETRAS
NÚCLEO DE ESTUDOS PORTUGUESES
Campus Universitário Petrônio Portela – Bairro Ininga
CEP–64.049-550–Teresina-PI-Fone (086) 3215-5800-(fax)3215-5697

Prolegomena da Lírica de Agudeza: elementos poéticos definidores do gênero lírico


seiscentista. Estudo das noções preliminares necessárias à definição do gênero lírico da poesia
escrita em língua portuguesa entre os séculos XVI e XVII e meados do século XVIII, em
Portugal e no Brasil.
A presente proposta de trabalho é etapa para a pesquisa acadêmica Lírica de Agudeza,
investigação de maior envergadura da docente, que objetiva propor uma definição de gênero
lírico nessa poesia.

Projeto proposto por Maria do Socorro


Fernandes de Carvalho – e equipe – ao
Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico – CNPq com vistas à
obtenção de bolsa de fomento, de acordo com o
Edital MCT/CNPq 50/2006 – Ciências Humanas,
Sociais e Sociais Aplicadas. Teresina, Piauí;
fevereiro de 2007.
Sumário

1. Identificação da equipe 3
2. Caracterização do problema 4
3. Dados formais do projeto 6
4. Objetivos 6
5. Metodologia e estratégias de ação 7
5.1. Compartilhamento da pesquisa entre os pesquisadores colaboradores 9
6. Resultados esperados 11
7. Justificativa de execução do projeto 13
8. Outros projetos financiados atualmente 14
9. Cronograma de execução 14
10. Orçamento 15
10.1. Justificativa para a solicitação de material bibliográfico 16
11. Contrapartida da UFPI 17
12. Referências bibliográficas 17
1. Identificação da equipe

Coordenadora: Maria do Socorro Fernandes de Carvalho (proponente)


Titulação: Doutor em Teoria e História Literária (Unicamp)
Instituição: Universidade Federal do Piauí, Programa de Pós-Graduação em Letras,
Departamento de Letras.
Vinculação: Professor Adjunto em regime de Dedicação Exclusiva.

Pesquisador líder dos Grupos de Estudos Retóricos “Lírica de Agudeza” e “Estudos de prefácios
de livros impressos ou manuscritos do século XVII no Brasil e em Portugal”, certificados pela
CPG/UFPI, com cadastro nos diretórios de grupos de pesquisa da Plataforma Lattes.
Coordenadora do Núcleo de Estudos Portugueses da UFPI.

Colaboradoras mestrandas:

I. Assunção de Maria Almondes Leal

Licenciada em Letras na Universidade Federal do Piauí e membro do Grupo “Lírica de


Agudeza”. Recebeu a láurea do curso em 2005. Atualmente desenvolve, sob a orientação da
proponente, a pesquisa de mestrado “Leitura da lírica de Gregório de Matos e Guerra consoante
a poesia de imitação”.

II. Brígida Mônica Alves da Silva

Licenciada em Letras na Universidade Federal do Piauí e membro do Grupo “Lírica de


Agudeza”. Atualmente desenvolve, sob a orientação da proponente, a pesquisa de mestrado
“Propedêutica para a voz do poeta na poesia ibérica do século XVII”.

III. Jussandra de Meneses Borges

Licenciada em Letras na Universidade Federal do Piauí e membro dos Grupos “Lírica de


Agudeza” e “Estudos de prefácios de livros impressos ou manuscritos do século XVII no Brasil e
em Portugal”, ambos liderados pela pesquisadora proponente. Atualmente desenvolve, sob a
orientação da proponente, a pesquisa de mestrado “O soneto como preâmbulo na poesia lírica de
Luís Vaz de Camões: uma caracterização do subgênero soneto-prólogo”.

IV. Maria Ilza da Silva Cardoso

Licenciada em Letras na Universidade Federal do Piauí e membro do Grupo “Lírica de


Agudeza”. Atualmente desenvolve, sob a orientação da proponente, a pesquisa de mestrado “A
metáfora como processo de formulação analógico-retórica na poesia ibérica”.

V. Shenna Luíssa Motta Rocha

Licenciada em Letras na Universidade Federal do Piauí e membro do Grupo “Lírica de


Agudeza”. Atualmente desenvolve, sob a orientação da proponente, a pesquisa de mestrado
“Vaidades humanas e agudeza na poesia do século XVII”, ano 2007.

2. Caracterização do problema

Esta pesquisa derivou de uma questão teórica suscitada em minha tese de doutorado
intitulada “Poesia de Agudeza em Portugal” (Unicamp, 2004), a qual concentrou-se no universo
das letras escritas em língua portuguesa e castelhana nos séculos XVI, XVII e XVIII. O capítulo
terceiro dessa tese propôs o conhecimento da poesia lírica portuguesa desse período por meio de
conceitos como gênero e estilo.1 Por convenção, tal poesia é vinculada aos componentes poéticos
que a definem como gênero lírico, seu estilo é chamado mediano. 2 No entanto, essa
caracterização nunca constituiu uma definição genérica, ao contrário do que se deu com os
gêneros épico e dramático3, por exemplo. Quer nas artes poéticas e retóricas antigas 4, quer nas

1
Cf. Adma Muhana. A epopéia em prosa seiscentista: uma definição de gênero. São Paulo: Fundação Editora da
UNESP, 1997; João Adolfo Hansen. A sátira e o engenho: Gregório de Matos e a Bahia do século XVII. São Paulo:
Companhia das Letras: Secretaria de Estado de Cultura, 1989; Alcir Pécora. Teatro do Sacramento: a unidade
teológico-retórico-política dos Sermões de Antonio Vieira. São Paulo: EDUSP; Campinas: Ed. da Unicamp, 1994.
2
Retórica a Herênio. (Trad. e intr.: Ana Paula C. Faria e Adriana Seabra). São Paulo: Hedra, 2005.
3
Aristóteles. Poética. Ed. trilingúe por Valentín Garcia Yebra. Madrid: Editorial Gredos, 1974.
4
Id. Retórica. Int., trad. y notas por Quintín Racionero. Madrid: Gredos, 1999; CÍCERO. El Orador. Madrid:
Alianza editorial, 1997. (Sección: Clásicos); DEMETRIOS. Du style. Paris: Belles Lettres, 1993; DIONÍSIO de
Halicarnasso. Tratado da Imitação. Lisboa: Lisboa: INIC/Centro Estudos Clássicos da Univ. Lisboa, 1986;
QUINTILIANO. Institutio Oratoria. 1ª. ed.:1921. Harvard, Loeb classical library, 1996, (126). 4t, dentre outros.
gramáticas e tratados da Idade Média latina 5, quer ainda na tratadística cristã 6 posterior que as
instruiu, a lírica nunca contou com uma sistematização que a definisse como gênero, sendo
conhecida desde sempre a partir de diferenças que apresenta quanto aos outros gêneros ou, no
que diz respeito aos modos e formas, pelas apropriações que faz dos vizinhos estilos alto e
baixo7. Vê-se que mesmo depois da derrocada dos modelos antigos da poesia de imitação nas
línguas de origem românica, com a ascensão dos modelos românticos de expressão poética e do
processo subjetivo de criação, a lírica continuou sem uma conceituação que cingisse a grandeza
com que esses modelos a alçaram como gênero poético por excelência da sensibilidade burguesa.
No século XX, a mesma indefinição permeou os vários sentidos de seus diversos tempos: do
modernismo ao pós-modernismo, a lírica permanece ainda hoje como um conjunto complexo,
porém teoricamente inominável quando é buscada por um ponto de vista uniforme, por uma
abordagem teórica ou simplesmente quando se tenta cingir toda a extensão de seus componentes,
esparsamente delimitados a depender da inclinação teórica com que são tomados, como os de
“musicalidade, expressão do eu-poético, subjetivismo, desautomatização da linguagem,
universalidade, recordação, desrealização, desunamização, jogo, fragmento, não-comunicação,
autonomia da linguagem, amenidade, suavitas8, deleite, mediania etc.” Em suma, a definição
desse conceito é historicamente precária; com a noção de lírica seiscentista não se dá de modo
diferente: estilo mediano, variedade de gêneros, amenidade e suavidade, temáticas das paixões
humanas, tipos diversos de versos líricos9 são alguns dos elementos propostos teoricamente para
a composição de uma definição do que seja a lírica seiscentista em língua portuguesa.
Minha pesquisa acadêmica, cinco pesquisas em nível de mestrado em andamento na
UFPI e uma pesquisa de Iniciação Científica em fase de composição confluem todas num
esforço uniforme por compreender a poesia escrita em língua portuguesa em Portugal e na
América portuguesa, doravante denominada pelo termo simplificador “Brasil”, entre o final do
século XVI e meados do XVIII. Este grupo de estudos é coordenado pela professora proponente.
Do ponto de vista logístico, dado o caráter iniciante do programa de pós-graduação em Letras da
5
LULIO, Antonio. Sobre el decoro de la poética. Intr., ed., trad., y notas de Antonio Sancho Royo. Madrid:
Ediciones Clasicas, 1994; CURTIUS, Ernst Robert. Literatura Européia e Idade Média Latina. São Paulo: Hucitec;
EDUSP, 1996, dentre outros.
6
ALMEIDA, Manuel Pires de. Poesia e pintura ou pintura e poesia; BORRALHO, Manoel da Fonseca. Luzes da
Poesia […]1724; CASCALES, Francisco. Tablas Poeticas, 1975; FARIA E SOUSA, Manuel. Rimas Várias de Luís
de Camões, 1972; GRACIÁN, Baltasar. Obras Completas, 2001; LOBO, Francisco Rodrigues. Corte na Aldeia,
1972; MELO, D. Francisco Manuel de. Hospital das Letras (1650); NUNES, Philippe. Arte Poetica, 1615;
OLIVEIRA, Fernão de. A Gramática da Linguagem Portuguesa. (1536), 1975; OLIVEIRA, Manuel Botelho de.
Poesia completa: Música do Parnasso, lira sacra, 2005; PINCIANO, López. Philosophia Antigua Poetica (1596),
1953; TASSO, Torquato. Discorsi dell’arte poetica e Del poema heroico (1587), 1959; TESAURO, Emanuele. Il
Cannocchiale Aristotelico (1654), 2000.
7
Torcuato Tasso. Discorsi dell’arte poetica e Del poema heroico (1587). In: Prose. A cura de Ettore Mazzali.
Milano, Napoli: Riccardo Ricciardi, 1959.
8
Cícero. El Orador. Madrid: Alianza editorial, 1997.
9
Vários autores.
UFPI, há carência de material bibliográfico específico, daí que o presente projeto Prolegomena
da Lírica de Agudeza: elementos poéticos definidores do gênero lírico seiscentista intente
implementar, ainda que parcialmente, essa necessidade institucional, ajudando a constituir um
acervo bibliográfico que atenda às necessidades de pesquisa da linha de pesquisa dos estudos
retóricos do nosso programa de mestrado. Do ponto de vista teórico, este projeto constitui uma
etapa da pesquisa acadêmica intitulada Lírica de Agudeza, investigação de maior envergadura da
docente, em desenvolvimento na UFPI, cujo objetivo central consiste, sinteticamente, na busca
de definição da lírica escrita em língua portuguesa no século XVII. Essa pesquisa mais
abrangente, com meta nuclear de proposição do conceito definidor de diversas noções circulantes
nos estudos literários, prevê a obtenção dos resultados finais no exercício de oito anos.

3. Dados formais do projeto

Início: Agosto de 2007


Duração: 24 meses - de agosto de 2007 a julho de 2009
Instituição: Universidade Federal do Piauí – UFPI

4. Objetivos

Minha pesquisa de doutoramento derivou conceitos e questões concernentes ao universo


da poesia seiscentista que demandam apreciações abrangentes, alheias à especificidade que o
gênero tese exige. A aceitação do conceito de uma “poética de agudeza” como denominador
comum da poesia lírica seiscentista, conforme foi defendido na referida tese acadêmica, implica
o estudo pormenorizado de conceitos de base, como o de “poesia”, “lírica” e mesmo o universo
temporal do bicentenário rótulo do “século XVII”10, tema conflituoso entre historiadores da
literatura. Além destes três conceitos, meu interesse na continuidade dessa pesquisa justifica-se
pela quase completa inexistência – até onde me foi possível saber – de livros que definam os
conceitos de “gênero” lírico e “estilo mediano”, igualmente fundamentais ao período.
Considerando ainda que tais letras ibéricas são fortemente marcadas por convenções culturais
greco-romanas, como tradições retóricas gregas, latinas e mesmo bizantinas, o estudo dessa
poesia chamada de “agudeza” deve necessariamente prever o conhecimento interessado de
concepções discursivas antigas que fundamentam o discurso seiscentista em questão. Portanto,
assim justifica-se a investigação de vários conceitos dos discursos afetivos antigos –

10
No Brasil, cf. Hansen, passim.
nomeadamente retórica, oratória e poética – que embasaram a construção do discurso da poesia
do século XVII em Portugal e no Brasil. Em síntese, podemos enumerar da seguinte maneira os
objetivos centrais deste projeto:

 Conhecer os principais conceitos e usos que fundamentam a prática da poesia lírica


em língua portuguesa no século XVII, em Portugal e no Brasil;
 Definir os prolegômenos conceituais dos termos “gênero lírico” e “estilo mediano”
na poesia do século XVII escrita em língua portuguesa;
 Favorecer a formulação futura, num universo temático e conceitual mais amplo, da
“definição da lírica em língua portuguesa”;
 Estudar as relações entre retórica e poética no universo cristão contra-reformado
ibérico.

5. Metodologia e estratégias de ação

Dado que a poesia é um discurso específico cuja teorização remonta a textos antigos,
como as chamadas retóricas greco-latinas, investigarei os conceitos que fundamentam a
preceituação retórico-poética no mundo cristão moderno da península Ibérica a partir de textos
basilares da poética de origem européia. O discurso ibérico dos séculos XVI e XVII, e aquele da
primeira metade do século XVIII, opera com adaptações teóricas da época reformada e contra-
reformada da Europa. O universo simbólico dos discursos é considerado manifestação da elevada
cultura dos “homens de letras”, licenciados, oradores e poetas, herdeiros da tradição dos
humanistas renascentistas. O discurso poético é considerado assim uma forma eminente de
representação dos conceitos e encontra-se atrelado a outros sistemas discursivos cultos, como o
discurso acadêmico, textos de jurisprudência, tratados políticos e morais e a história, dentre
outros gêneros prosaicos. Compreender a poesia como um discurso cujas especificidades
transitam neste preciso universo de representação é condição historicista primordial desta
pesquisa de fonte11. Tendo sido definida a retórica por algumas tradições normativas antigas
como a arte de fazer com que qualquer discurso seja capaz de promover persuasão, ensino e
prazer no público, a poesia tira proveito da prosa retoricamente instruída por autores antigos e
modernos. O estudo da poesia escrita por autores portugueses e brasileiros desse tempo deve
necessariamente contar com o estudo de sua preceptiva ou conjunto de preceitos, as artes
poéticas e as artes retóricas coetâneas, além de diálogos, tratados, cartas, discursos acadêmicos,

11
Cf. Hansen, passim, dentre outros.
enfim, obras portadoras dos conceitos poéticos e discursivos que instruíam os poetas e oradores
do período. O conhecimento das mais importantes dessas obras figura como uma das principais
intenções da pesquisa que está sendo proposta. O conceito poético fundamental é de poesia de
imitação12, noção operadora de modelos de gêneros e formas poéticas, que os bons poetas devem
imitar dos melhores autores antigos e modernos. Assim, um estudo dessa poesia deve contar com
a leitura de obras modelares dos mais importantes gêneros poéticos seiscentistas,
consideravelmente da poesia antiga greco-latina, como Virgílio, Ovídio, Horácio e outros; e, no
âmbito da poesia moderna, dos autores cristãos italianos e espanhóis mais representativos, para
citar dois exemplos, F. Petrarca e Luís de Gôngora. Antes, porém, o estudo da poesia portuguesa
seiscentista obriga-se evidentemente à leitura dos modelos autóctones, como a lírica
trovadoresca e a tradição camoniana, citando apenas ilustrativamente duas rubricas essenciais.
A metodologia a ser adotada conjuga portanto dois corpora a serem estudados
concomitantemente: obras poéticas e tratadísticas. Para visualização da metodologia, seguem-se
arrolados sinteticamente os principais procedimentos:

 estabelecimento da problemática teórica da noção de “lírica” na poesia de origem


românica, tendo em conta, sobretudo, o fato de essa noção nunca ter contado com uma
compreensão uniforme, desde os primeiros tratados ocidentais sobre poesia até a presente
concepção do termo. Para tal meta, estima-se o cômputo, leitura e análise dos dois
corpora da pesquisa: a) um conjunto de textos já de posse da pesquisadora e b) acréscimo
de material de pesquisa arquivado nos centros de investigação científica a serem
visitados: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Real Gabinete Português de Leitura do
Rio de Janeiro, Biblioteca da Academia Brasileira de Letras e Gabinete Português de
Leitura de Salvador da Bahia;
 estabelecimento da atual problemática teórica da conceituação de “lírica”, “gênero lírico”
e “estilo mediano” na poesia dos séculos XVI, XVII e meados do séc. XVIII ibéricos.
Para tal meta, estima-se semelhante cômputo, leitura e análise dos dois corpora de
pesquisa citados;
 levantamento teórico dos termos e pressupostos que dão suporte às propostas de
conceituação da lírica, nomeadamente os termos retóricos e poéticos antigos e modernos,
dentre os quais os mais relevantes são: gênero, modelo, imitação, autoridade, emulação,
estilo, estilo mediano, poemas menores, variedade de subgêneros poéticos, e outros;

12
Aristóteles. Poética. Madrid: Editorial Gredos, 1974.
 leitura interpretativa de obras poéticas que realizem os conceitos abordados, conforme
bibliografia; observa-se que o corpus poético não deve estar pré-definido, portanto ser
alargado ou diminuído conforme constatação de vantagem à pesquisa;
 aparelhamento conceitual para a posterior definição dos conceitos de “lírica”.

5. 1 Compartilhamento da pesquisa entre os pesquisadores colaboradores

Como a pesquisa envolve efetivamente vários trabalhos de mestrado, a partir do núcleo


de interesse da lírica ibérica seiscentista liderado pela coordenadora docente, a metodologia de
escolha, interpretação e aproveitamento científico das obras a serem pesquisadas no cerne das
dissertações envolvidas deve seguir as especificidades e os aspectos privilegiados em cada
projeto de pesquisa. Desta forma, o compartilhamento dos resultados das pesquisas deverá
ocorrer pela leitura conjunta de obras fundamentais ao núcleo do presente projeto de pesquisa da
coordenadora, conquanto estejam em sintonia com as necessidades específicas dos projetos de
mestrado, abaixo especificadas.

Atividades dos pesquisadores:

Maria do Socorro Fernandes de Carvalho (coordenadora)


Após o levantamento da problemática histórica derivada da falta de uniformidade de uso
do termo “lírica” nos estudos sobre poesia de origem românica, a coordenadora buscará uma
conceituação coetânea do objeto por meio do estudo dos termos “gênero lírico” e “estilo
mediano”. O primeiro condiciona um exercício de definição da persistência dessa noção no
universo retórico que sistematiza os bons usos da linguagem letrada no período, o que implica
igualmente um estudo de sua concepção nas retóricas indicadas na bibliografia; o segundo termo
deverá ser compreendido na medida em que foi imbricado com o primeiro a partir de várias
obras retóricas que tiveram posterior desenvolvimento nas diferentes concepções poéticas
ocidentais. A transferência dessas noções para os usos da poesia lírica em língua portuguesa e
seu entendimento como composição do gênero lírico em língua portuguesa constituem o
principal objetivo da pesquisa da coordenadora.
No papel de responsável pelo trabalho da equipe, a coordenação do projeto deve
inicialmente definir os principais conceitos a serem estudados no universo preceptivo e poético
seiscentista. Após a identificação dos conceitos e obras e a delimitação dos aspectos a serem
abordados em cada pesquisa de mestrado, a coordenadora orientará os caminhos a serem
tomados para as análises teóricas, considerando as especificidades das dissertações dos
mestrandos colaboradores. A pesquisadora proponente deve ainda organizar e executar a
aquisição do material bibliográfico.

Assunção de Maria Almondes Leal (mestranda)


Sua colaboração dar-se-á diretamente na busca bibliográfica de dados coetâneos da
preceptiva e obras seiscentistas luso-brasileiras que consolidaram o conceito de lírica. A
tradicional divisão da obra de Gregório de Matos em lírica, sacra e satírica será questionada em
função de uma definição de gênero lírico conforme os usos da poesia de imitação do século
XVII. Este questionamento tem por fundamento o fato histórico-cultural de a retórica ser
sistêmica às práticas de representação verbal em Portugal e no Brasil, império lusitano no século
XVII, tempo de produção da poesia gregoriana. Os critérios de definição do que seja a poesia
lírica gregoriana deverão ser elucidados durante a pesquisa que seu projeto de mestrado prevê,
em consonância direta com a pesquisa da coordenadora.

Brígida Mônica Alves da Silva (mestranda)


A questão da voz que fala nos poemas chamados líricos é uma das primordiais causas de
indefinição do gênero. A partir do tratamento dado ao modo de enunciação da poesia na Poética
de Aristóteles, o trabalho da mestranda iniciará a busca de compreensão do tema pelo
levantamento textual das teorias e objeções teóricas mais instigantes sobre a questão,
especialmente o tratamento recebido pelos autores e preceptistas da poesia seiscentista. Enquanto
componente dos mais expressivos do poema, o estudo da “voz lírica” é um dos aspectos mais
intrínsecos de definição do gênero lírico, meta ulterior da presente pesquisa.

Jussandra de Meneses Borges (mestranda)


Sua participação terá duas ações: a) auxiliar na definição de gênero, ajudando a buscar a
história do conceito desde as retóricas antigas, nomeadamente desde a “Retórica a Herênio”;
auxiliar na busca da importância do exercício de definição de gênero para a compreensão da
lírica no século XVI, modelo para a poesia do século XVII e b) testar a aplicação dos três termos
centrais do presente projeto, quais sejam, lírica, gênero e estilo - no estudo de um subgênero
lírico, o soneto. Esse projeto de pesquisa opera também como colaborador na segunda pesquisa
acadêmica da docente, intitulada “Estudos de prefácios de livros impressos ou manuscritos do
século XVII no Brasil e em Portugal”, em fase de desenvolvimento.
Maria Ilza da Silva Cardoso (mestranda)
Sua colaboração pontual será prover o conhecimento do funcionamento da principal
figura poética do século XVII, a metáfora, como marca do lirismo seiscentista. Como da
metáfora e em torno dela derivam todas as figuras compostas por analogia, conceito que abrange
a maior parte dos artifícios poéticos de agudeza, nome proposto à poesia do período, esse
conhecimento será importante para a composição central desse projeto Prolegomena da Lírica
de Agudeza, elementos poéticos definidores do gênero lírico seiscentista.

Shenna Luíssa Motta Rocha (mestranda)


Sua investigação temática incidirá sobre a invenção dos lugares-comuns da vaidade
aproveitados na poesia de Gregório de Matos e Francisco de Vasconcelos. A dissertação prevê a
fundamentação teológica e ética desses lugares. Como a pesquisa se deterá no aproveitamento
poético de conceitos circulantes em outros domínios do saber e do discurso humanos, suas
representações no texto da poesia implicam o conhecimento das especificidades do discurso da
lírica e de seus modos de aproveitamento da doutrina.

A duração das atividades das cinco mestrandas envolvidas deverá seguir o calendário do
programa de mestrado da UFPI. Assim, as quatro mestrandas que deram início ao curso de
Mestrado em Letras em 2006, deverão defender suas dissertações em março de 2008; a
mestranda que deu início ao curso em 2007, embora ainda não possua prazo para defesa de
dissertação, deverá fazê-lo concomitantemente ao encerramento das atividades da pesquisa
presente. A pesquisa de Iniciação Científica (em se concretizando sua formalização) está prevista
para início em agosto desse ano e deverá encerrar-se em agosto de 2008. A pesquisa da
coordenadora deverá apresentar os primeiros resultados em julho de 2009, conforme item a
seguir.

6. Resultados esperados

Como este projeto de pesquisa derivou, conforme dito, de um estudo já iniciado na tese
de doutorado da coordenadora, livro no prelo dos editoriais EDUSP/Humanitas, esta segunda
fase de desenvolvimento da pesquisa deve gerar um texto escrito na forma de artigo científico.
Como o presente estudo prevê leitura de fontes, a abordagem do artigo a ser escrito como
resultado teórico esperado deverá ser inovadora e os resultados deverão contemplar uma maneira
igualmente nova de trazer ao público não familiarizado com a leitura de obras primárias,
informações precisas sobre os conceitos que conformaram a poesia lírica escrita dentre os
séculos XVI, XVII e início do XVIII, além de informações necessárias à compreensão dos usos e
conceitos funcionais na poesia ibérica do século XVII português e brasileiro. De modo geral,
este período das letras românicas tem recebido tratamentos equívocos por ação da historiografia
da literatura em língua portuguesa, problemática cuja abrangência não permite ser considerada
neste espaço formulário, mas cujas conseqüências excludentes são facilmente reconhecidas pelo
grande desprestígio que a poesia seiscentista sofre nos manuais literários correntes. Observe-se
que somente ao final da pesquisa mais Lírica de Agudeza, última etapa de investigação, está
prevista a publicação do estudo no suporte livro, direcionado a um público leitor mais
abrangente, não especializado, inclusive alunos de graduação dos cursos de Letras e História.
Como tal publicação deverá ser conclusiva, a depender de maior maturação teórica, histórica e
historiográfica que o conceito de “lírica” exige, deverá necessariamente ocorrer na etapa
posterior aos dois anos desta investigação ora proposta.
O presente projeto prevê também a redação de um relatório completo da pesquisa, o qual
deverá acolher todas as colaborações dos cinco efetivos participantes colaboradores e da
investigação da proponente.
Espera-se ainda que a obtenção conceitos, informações, idéias e definições sejam
prolegômenos à delimitação do conceito-fim que interessa ao projeto global Lírica de Agudeza,
ou seja, a específica noção do termo “lírico” na poesia e na teoria poética seiscentista ibérica.
Espera-se, de resto, que a maturidade intelectual que esse projeto deve promover entre as
mestrandas e coordenadora, em torno de temáticas comuns da poesia seiscentista, contribua para
sedimentar a prática de investigação científica no incipiente curso de Mestrado em Letras da
UFPI, na linha de pesquisa Estudos poéticos e retóricos, igualmente em processo de
consolidação, e desenvolva pari passu esse exercício na graduação em Letras, dado que os
referidos níveis de pesquisa encontram-se amparados e congregados pelo Núcleo de Estudos
Portugueses (CEP), órgão de apoio à pesquisa, ensino e extensão em literaturas lusófonas do
curso de Letras da UFPI, em que se inscrevem os diversos grupos e interesses de pesquisa em
questão.
Espera-se por fim que o presente projeto igualmente proveja de fundamentação teórica
uma pesquisa de Iniciação Científica do curso de graduação em Letras da UFPI.
O programa Mestrado acadêmico em Letras da UFPI recebeu autorização da Capes/MEC
para operar há quatro anos, seus recursos materiais ainda encontram-se em fase de provisão. Por
isso parte do financiamento ora solicitado diz respeito à composição de um acérvulo
bibliográfico específico que leve em conta as necessidades dos pesquisadores em letras
classicistas do referido mestrado. Ressaltamos que, mesmo considerando-se o conjunto das
bibliotecas públicas do Estado do Piauí, essa carência de livros especializados faz-se observar
com evidência, especialmente no que concerne a tal área dos estudos da teoria literária ainda em
processo de consolidação no universo acadêmico nacional. Com o provimento de recursos
bibliográficos, espera-se compor um mínimo acervo de obras poéticas e tratadísticas.

7. Justificativa de execução do projeto

Estudiosos, professores, alunos e pesquisadores ressentem-se da falta de definição de


conceitos teóricos e da demasiada proliferação de abordagens críticas, algumas delas portadoras
de relevantes traços contraditórios entre si. No caso em questão, a ausência de uma definição
para o termo gênero tem acarretado historicamente uma série de prejuízos à leitura do conjunto
da poesia ibérica que segue modelos antigos: anacronismos, exclusão historiográfica,
desqualificação artística, depreciação e juízos impróprios, sintetizados na generalidade da
expressão “arte barroca”. Justifica-se esse estudo de fontes pela tentativa de contribuição para o
esclarecimento formal desse conceito de lírica presente na história e teoria da literatura, como
elemento retórico fundamental na sistematização dos antigos discursos cujas representações
fizeram-se bases da poesia até o século XVIII ibérico, o que implica, a poesia escrita em língua
portuguesa na Europa e no Brasil.
Ademais, este projeto de pesquisa deverá auxiliar a maturação intelectual de cinco
dissertações do curso de Mestrado em Letras da UFPI ligadas diretamente à questões centrais
desta investigação: poesia do século XVII ibérico, lírica, estilo, voz de enunciação poética,
estudo temático da vaidade, definição de gênero no século XVII, uso em seus subgêneros e
características poéticas operantes na lírica seiscentista. Resultados acadêmicos dessa pesquisa
deverão refletir-se igualmente no curso de licenciatura em Letras da mesma universidade, daí o
interesse e a participação (provável) de um pesquisador de Iniciação Científica no grupo de
colaboradores.
8. Outros projetos financiados atualmente:

A proponente não recebe, atualmente, financiamento de qualquer espécie do CNPq ou de


qualquer outra agência fomentadora. Atua como professora-orientadora de cinco pesquisas de
mestrado diretamente relacionadas à sua pesquisa acadêmica. Nenhuma das mestrandas recebe
financiamento para as pesquisas. A agência de fomentos estadual, Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI) financiou, em 2005, a compra de um computador com
impressora para o grupo, equipamento em uso.

9. Cronograma de execução:

Agosto a dezembro de 2007 – Piauí


Levantamento conceitual do estado da questão teórica a partir dos livros e textos já
adquiridos pela proponente e demais pesquisadoras. Essas atividades de estabelecimento dos
conceitos e dados que envolvem atualmente a questão de definição do gênero lírico na poesia
escrita em língua portuguesa se concentrarão no Estado do Piauí, beneficiando-se das pesquisas
que estão sendo desenvolvidas nos diversos estudos envolvidos. Neste intervalo temporal
realizar-se-á o tradicional Encontro dos Professores Brasileiros de Literatura Portuguesa, em São
Paulo, evento do qual a proponente poderá participar, apresentando as proposta da pesquisa.

Janeiro de 2008 - Rio de Janeiro


Levantamento de outras fontes de pesquisa nas bibliotecas e arquivos cariocas citados.

Fevereiro a dezembro de 2008: Piauí e Bahia


Aproveitamento de todo o material disponível pela leitura, interpretação e direcionamento
das conclusões nas variadas pesquisas de mestrado envolvidas e formulação teórica da pesquisa
da docente. Ida ao arquivo baiano para segunda coleta de material no período de férias letivas da
UFPI. Avaliação do desenvolvimento da pesquisa do ponto de vista teórico e operacional quanto
à necessidade ou não de novos textos a serem coletados.

Janeiro a julho de 2009 – Piauí


Término da escrita do relatório da pesquisa e do artigo científico dela decorrente.
10. Orçamento

Despesas de custeio:
Descrição da Quantidade Valor (R$) Justificativa
despesa
Passagens aéreas 02 (RJ) 3.200,00 Serão necessários deslocamentos
01 (BA) 1.300,00 às cidades do Rio de Janeiro e
Soma 4.500,00 Salvador. O valor indicado
corresponde a duas passagens de
ida e volta ao Rio de Janeiro e
uma passagem de ida e volta a
Salvador, partindo de Teresina.
Diárias 50 9.391,50 Valor correspondente a diárias
para utilização nos
deslocamentos para fora do
Estado de atuação do
proponente. Utilizou-se o valor
da diária de pesquisa de campo
de acordo com a RN 031/2006.
Material de - 200,00 Valor correspondente à
consumo expectativa de gastos com
material expediente da pesquisa
como papel, tinta de impressão,
softwares de auxílio à pesquisa
etc.
Serviços de Aproximadamente 1.500,00 Valor correspondente à
transformação de 15 microfilmes expectativa de gastos com
mídia transformação de microfilmes
em CDROMs.
Total (A) R$ 15.591,50

Despesas de capital:
Descrição da Quantidade Valor (R$) Justificativa
despesa
Material Aproximadamente 1.200,00 Toda a pesquisa
bibliográfico 30 livros ou consiste na leitura de
nacional periódicos fontes textuais.
Material Aproximadamente 2.400,00 Toda a pesquisa
bibliográfico 30 livros ou consiste na leitura de
estrangeiro periódicos fontes textuais.
Total (B) R$ 3.600,00
Total geral (A+B): R$ 19.191,50

A proposta, se aprovada, será financiada com recursos oriundos do Tesouro Nacional,


relativos ao Fomento à Pesquisa Fundamental, a serem liberados de acordo com a
disponibilidade orçamentária e financeira do CNPq.
10.1 Justificativa para a solicitação de material bibliográfico
a) Material bibliográfico nacional
Quantidade aproximada: 30 livros ou periódicos
Valor: R$ 1.200,00

Aquisição de 30 livros brasileiros. A aquisição de livros deve seguir os seguintes


critérios: 1) obras antigas: retóricas, poéticas, poesia grega e poesia latina; 2) obras (da era
cristã): diálogos, doutrina cristã, gramáticas; 3) obras medievais: retóricas, poéticas, poesia
latina, poesia ibérica medieval; 4) obras de poetas modernos: poesia em português e em
castelhano; 5) obras de autores modernos: retóricas, poéticas, espelhos de príncipes, livros de
doutrina, gramática portuguesa, cartas, diálogos, vocabulários, relações, crônicas; 6) estudos
contemporâneos: estudos acadêmicos, livros de história literária, assinaturas de revistas
acadêmicas, antologias poéticas, estudos nacionais sobre versificação. A quantidade de títulos a
serem adquiridos não pode precisada, mas deve atender à expectativa da pesquisa da
coordenadora da equipe, das cinco dissertações de mestrado e da pesquisa de iniciação científica.
Esclarecemos que os livros coincidem em grande parte das referências bibliográficas dos
pesquisadores, conforme explicitado na íntegra do projeto, onde é possível observar a natureza
de cada um dos estudos dos colaboradores e a relação de complementaridade que mostram entre
si. Os valores unitários dos livros deverão ser tomados a partir de uma média de R$ 40,00 para
os livros nacionais.

b) Material bibliográfico estrangeiro


Quantidade aproximada: 30 livros ou periódicos
Valor: R$ 2.400,00

Aquisição de aproximadamente 30 livros portugueses, espanhóis, italianos ou franceses.


A aquisição de livros deve seguir os seguintes critérios: 1) obras antigas: retóricas, poéticas; 2)
obras (da era cristã): diálogos, doutrina cristã; 3) obras medievais: retóricas, poéticas, poesia
ibérica medieval; 4) obras de poetas modernos: poesia; 5) obras de autores modernos: retóricas,
poéticas, espelhos de príncipes, livros de doutrina, vocabulários, relações; 6) estudos
contemporâneos: estudos acadêmicos, livros de história literária, assinaturas de revistas
acadêmicas, antologias poéticas. Os valores unitários dos livros deverão ser tomados a partir de
uma média de R$ 80,00 para os livros estrangeiros, considerando-se a diferença de cotação entre
moedas.

11. Contrapartida da UFPI

Como contrapartida, a UFPI fornecerá sua infra-estrutura de ensino, pesquisa e extensão.


Como o projeto de pesquisa envolve diretamente cinco mestrandas do curso de pós-graduação de
Letras da UFPI, é acordado que o programa fornecerá às mestrandas parte do suporte material no
que diz respeito à doação de papel e tinta para impressão, ofícios escriturais, uso da linha de
telefone, fax, datashow e computadores portáteis. A pesquisa conta ainda como apoio do Núcleo
de Estudos Portugueses (CEP), existente há nove anos e atualmente coordenado pela proponente
deste projeto, órgão do departamento de Letras que pode acomodar no seu espaço físico,
equipado com linha telefônica com ramal e computadores com Internet, o compartilhamento dos
resultados da pesquisa. Esse espaço já funciona como apoio de orientação dos projetos de
pesquisa e possui um acérvulo bibliográfico de uso contínuo dos pesquisadores. Nele estão
lotados o computador, impressora e escaneador financiados ao grupo de pesquisadores pela
FAPEPI e o citado acérvulo lusófono. Tanto o departamento de Letras quanto o programa de
Mestrado acadêmico em Letras da UFPI possuem aparelhos de datashow, um computador
portátil, computadores de mesa, máquina fotográfica, retroprojetores e outros acessórios. O
Departamento é equipado com um Laboratório de Línguas. Na condição de Professora Adjunto
na UFPI, a proponente dispõe de uma sala de estudos – a sala 345 do CCHL –, a qual pode ser
aproveitada como suporte para a pesquisa proposta.

12. Referências bibliográficas

1. Fontes poéticas
A Fenis Renascida ou obras poeticas dos melhores engenhos portuguezes: dedicadas ao
Excelentissimo Senhor D. Francisco de Portugal, Marquez de Valença, Conde de Vimioso,
etc. / publica-o Mathias Pereyra da Sylva.- Lisboa Occidental: na Officina de Antonio
Pedrozo Galrão, 1716-1728, 5 Tomos.
BAÍA, Jerónimo (Frei). Arde o Mar: poesia de Jerónimo Baía n’A Fénix Renascida. Org.: Filipe
Diez. Santiago de Compostela: Ed. Laiovento, 1999.
CAMÕES, Luís de. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. (Biblioteca Luso-
Brasileira, Série Portuguesa).
CÉU, Violante do. Rimas Várias. Int., notas e fixação do texto de Margarida Vieira Mendes.
Lisboa: Presença, 1993.
LOBO, Francisco Rodrigues. Poesia de Rodrigues Lobo. (Apres. Crítica: Luís Miguel Nava).
Lisboa: Ed. Comunicação, 1985. (Textos Literários; 45).
MATOS, Gregório de, 1633-1669. Obras Completas. (Crônica do Viver Baiano Seiscentista) –
Ed. James Amado. 4a. ed. Rio de Janeiro: Record, 1999.
MELO, D. Francisco Manuel de. A Tuba de Calíope. São Paulo: Brasiliense/EDUSP, 1988.
______. As Segundas Três Musas. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1945.
Novas Poesias Inéditas de D. Tomás de Noronha. Apres. crítica, selecção, fixação do texto,
notas e glossário de Teresa Paula L. Alves. Braga: edições APPACDM Distrital de Braga,
1997.
Poesias Inéditas de D. Thomás de Noronha. Edição revista e annotada por Mendes dos
Remédios. Coimbra: França Amado editor, 1899.
Poetas do Período Barroco. (Apres. crítica, seleção, notas e sugest. análise liter. de Maria
Lucília G. Pires). Lisboa: Ed. Comunicação, 1985. (Textos Literários; 41).
Poesia Seiscentista – Fênix Renascida & Postilhão de Apolo. Org.Alcir Pécora; Intr. João
Adolfo Hansen, 1a. ed.. São Paulo: Hedra, 2002.

2. Fontes preceptivas e outras


ALMEIDA, Manuel Pires de./ MUHANA, Adma. Poesia e pintura ou pintura e poesia: Tratado
Seiscentista de Manuel Pires de Almeida. São Paulo: Edusp/Fapesp, 2002.
ARISTÓTELES. Retórica. Int., trad. y notas por Quintín Racionero. Madrid: Gredos, 1999.
(Biblioteca Clásica Gredos, 142).
______. Retórica. Trad. e notas por Miguel Alexandre Júnior, Paulo Farmhouse Alberto e Abel
do Nascimento Pena. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1998. (Estudos Gerais
Série Universitária – Clássicos de Filosofia).
______. Poética de Aristóteles. Ed. trilingúe por Valentín Garcia Yebra. Madrid: Editorial
Gredos, 1974. (Biblioteca Románica Hispánica).
______. Poética. Trad., pref., int. coment. de Eudoro de Souza. 5a. ed. Lisboa: Imprensa
Nacional – Casa da Moeda, 1998. (Estudos Gerais Série Universitária – Clássicos de
Filosofia).
______. Obras. (Por Francisco de P. Samaranch). 2ª. Ed. Madrid: Aguilar, 1967.
Bíblia de Jerusalém. São Paulo: ed. Paulus, 2004.
BLUTEAU, Raphael. Vocabulario Portuguez, & Latino, Aulico Anatomico, Architectonico,
Bellico, Botanico, Brasilico, Comico, Critico […], Authorizado com exemplos dos
melhores Escritores Portuguezes, & Latinos […] Lisboa: Pascoal da Sylva, 1712-1728.
BORRALHO, Manoel da Fonseca. Luzes da Poesia descubertas no Oriente de Apollo nos
influxos das muzas, divididas em tres Luzes essenciaes […]. Lisboa: na Officina de
Felippe de Sousa Villela, anno de 1724.
CASCALES, Francisco. Tablas Poeticas. En Murcia, por Luis Beros, 1617. Madrid: Espasa-
Calpe, 1975. (Clásicos Castellanos).
CÍCERO. El Orador. Madrid: Alianza editorial, 1997. (Sección: Clásicos).
DEMETRIOS. Du style. Par Pierre Chiron. Paris: Belles Lettres, 1993.
DIONÍSIO de Halicarnasso. Tratado da Imitação. Ed. por Raul Miguel Rosado Fernandes.
Lisboa: Lisboa: INIC/Centro Estudos Clássicos da Univ. Lisboa, 1986, (Biblioteca
Euphrosyne-1).
FARIA E SOUSA, Manuel. Rimas Várias de Luís de Camões comentadas por […], reprod. Fac-
similada da edição de 1685, 2v., Lisboa: IN-CM, 1972.
GRACIÁN, Baltasar. Obras Completas. Intr. Aurora Egido, ed. de Luis Sánchez Laílla. Madrid:
Espasa Calpe, 2001.
HORÁCIO. Arte Poética. In: “A poética clássica” / Aristóteles, Horácio, Longino. São Paulo:
Cultrix: Edusp, 1981.
LOBO, Francisco Rodrigues. Corte na Aldeia. 3a. ed. Lisboa: Sá da Costa, 1972. (Coleção
Clássicos).
LULIO, Antonio. Sobre el decoro de la poética. Intr., ed., trad., y notas de Antonio Sancho
Royo. Madrid: Ediciones Clasicas, 1994. (Bibliotheca Latina).
MELO, D. Francisco Manuel de. Hospital das Letras (1650). Rio de Janeiro: Bruguera, s/d.

NUNES, Philippe. Arte Poetica,e da Pintura, y Simmetrya, com principios da perspectiva.


Lisboa, por Pedro Crasbeeck, 1615.
OLIVEIRA, Fernão de. A Gramática da Linguagem Portuguesa. (1536). Introd., leitura actual. e
notas por Maria Leonor C. Buescu. Lisboa: IN-CM, 1975.
OLIVEIRA, Manuel Botelho de. Poesia completa: Música do Parnasso, lira sacra. Org.: Adma
Muhana. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
PINCIANO, López. Philosophia Antigua Poetica (1596). Ed. A.C. Picazo. 3v. Madrid: Instituto
Miguel de Cervantes, 1953.
QUINTILIANO. Institutio Oratoria. 1ª. ed.:1921. Harvard, Loeb classical library, 1996, (126).
4t.
REBELO, Gaspar Pires de. Infortúnios trágicos da constante Florinda. (Org., notas e posfácio
de Adma Humana). São Paulo: Globo, 2006.
Retórica a Herênio. (Trad. e intr.: Ana Paula C. Faria e Adriana Seabra). São Paulo: Hedra,
2005.
TASSO, Torquato. Discorsi dell’arte poetica e Del poema heroico (1587). In: Prose. A cura de
Ettore Mazzali. Milano, Napoli: Riccardo Ricciardi, 1959.
TESAURO, Emanuele. Il Cannocchiale Aristotelico (1654). [Savigliano]: L’Artistica, 2000.
[Fac-símile da edição de 1670, por Zavatta, Torino.]
______.O Juízo: discurso acadêmico. Trad. de João Adolfo Hansen. In: Abrindo caminhos:
homenagem a Maria Aparecida Santilli. São Paulo: Área de Pós-Graduação em Estudos
Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da USP, 2002. (Coleção Via Atlântica, n.
2), p.165-172.
VIEIRA, Padre António. Sermões. 5v. Porto: Lello & irmãos editores, 1959.
VIRGÍLIO. As eclogas, e georgicas de Vergilio, primeira parte das suas obras, traduzidas de
latim, em verso solto portuguez. Com a explicação de todos os lugares escuros, historias,
fabulas que o poeta tocou; & outras curiosidades muito dignas de se saberem. Tradutor:
Leonel da Costa Lusitano. Lisboa: impresso por Geraldo da Vinha, 1624.
3. Estudos

ARTAZA, Elena. “Las retóricas barrocas (1600-1665). Notas introductorias”. In: Estudios de
Filología y Retórica en Homenaje a Luisa López Grigera. Bilbao: Universidad de Deusto,
2000.
BAUER, Johannes B. Dicionário Bíblico-Teológico. São Paulo: Loyola, 2000.
CASTRO, Aníbal Pinto de. Retórica e teorização literária em Portugal: do humanismo ao
neoclassicismo. Coimbra: Centro de Estudos Românicos, 1973.
______. Os Códigos Poéticos em Portugal do Renascimento ao Barroco. Seus fundamentos.
Seus conteúdos. Sua evolução. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1984.
CURTIUS, Ernst Robert. Literatura Européia e Idade Média Latina. São Paulo: Hucitec;
EDUSP, 1996. (Clássicos, 2).
GRIGERA, Luisa López. La Retórica en la España del Siglo de Oro: teoría y práctica. 2a. ed.
Salamanca: Ed. Universidad de Salamanca, 1995.
HANSEN, João Adolfo. A sátira e o engenho: Gregório de Matos e a Bahia do século XVII. São
Paulo: Companhia das Letras: Secretaria de Estado de Cultura, 1989.
______. Alegoria: construção e interpretação da metáfora. 1ª ed. São Paulo: Atual, 1986. (Série
Documentos).
______. “Ut pictura poesis e verossimilhança na doutrina do conceito no século XVII”. In:
VV.AA. Para Segismundo Spina. São Paulo: Iluminuras, Fapesp, Edusp, 1995.
______. “Notas sobre o ‘Barroco’”. In: Revista do IFAC-UFOP, dez.1997. nº. 4.
______. “A doutrina conceptista do cômico no Trattato de’Ridicoli de Emanuele Tesauro”.
DLCV-FLCH-USP, s/d.
______. “Leituras Coloniais”. In: Leitura, História e História da Leitura. Org. Márcia Abreu.
Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: FAPESP, 2000.
______. “Retórica da Agudeza”. In: Letras Clássicas, Revista do Departamento de Letras
Clássicas da USP, n.4, p.317-342, 2000.
______. “A Civilização pela Palavra”. In: 500 anos de educação no Brasil. 2a.ed. Belo
Horizonte: Autêntica, 2000, p.19-41.
______.”Barroco, neobarroco e outras ruínas”. In: Teresa, Revista de Literatura Brasileira.
Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. FFLCH. USP – no. 2, São Paulo: Ed.34,
2001, p.10-66.
______. “Juízo e engenho nas preceptivas poéticas do século XVII.” In: Revista Literatura e
filosofia: diálogos. (Orgs. Evando Nascimento e Maria Clara Castellões de Oliveira). Juiz
de Fora: UFLF, São Paulo: Imprensa Oficial, 2004, p.89-112.
LAUSBERG, Heinrich. Manual de Retórica Literaria. (Fundamentos de una Ciencia de la
literatura). Versión J.P.Riesco. Madrid: Editorial Gredos, 1975, 3vols.
McCALL, Jr., Marsh H. Ancient rhetorical theories of simile and comparison. Cambridge,
Harvard press, 1969.
McKEON, Richard. “Aristotle’s Conception of Language” e “Literary Criticism and the
Concept of Imitation in Antiquity”. In: VV.AA. Critics and Criticism. Chicago: University
of Chicago Press, 1952.p.147-231.
MUHANA, Adma. A epopéia em prosa seiscentista: uma definição de gênero. São Paulo:
Fundação Editora da UNESP, 1997. (Prismas).
______. Poesia e pintura ou pintura e poesia: Tratado Seiscentista de Manuel Pires de Almeida.
São Paulo: Edusp/Fapesp, 2002.
PÉCORA, Alcir. Teatro do Sacramento: a unidade teológico-retórico-política dos Sermões de
Antonio Vieira. São Paulo: EDUSP; Campinas: Ed. da Unicamp, 1994.
______. Máquina de gêneros. São Paulo: EDUSP, 2001
RICOEUR, Paul. A Metáfora Viva. Trad. Dion Davi Macedo. São Paulo: ed. Loyola, 2000.