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B ÍBLICAS

LIÇÕES
R E V I S TA PA R A E S T U D O S N A S E S C O L A S B Í B L I C A S

3º TRIMESTRE • 2012 • Nº 300

es
Ediçõ
1937-2012

Princípios bíblicos para evangelização


em Atos dos apóstolos
DEC - Departamento de Educação Cristã da Igreja Adventista da Promessa

O DEC reuniu uma equipe composta por promessistas


de várias partes do Brasil, com o objetivo de analisar a
situação atual da Escola Bíblica na IAP e se necessário,
propor mudanças para que essa antiga e importante
instituição seja ainda mais relevante nos novos tempos.

Contudo, não queremos fazer isso sozinhos.


Participe conosco deste projeto e nos ajude a
melhorar a Escola Bíblica.

• Como está a Escola Bíblica em sua igreja?


• O que você mudaria?

Envie um e-mail para projetodeescolabiblica@gmail.com


e mande perguntas, sugestões e propostas. Relate a
situação da EB em sua igreja, ou conte experiências ou
projetos que estão dando certo aí. Teremos uma imensa
alegria em ler seu e-mail e saber o que você tem a dizer.

A proposta é que o trabalho desta equipe resulte num


livro que servirá de base para um treinamento para
pastores, professores e diretores de Escola Bíblica que
o DEC ministrará em todas as convenções da IAP,
nos anos de 2013 a 2015.
MISSÃO DA
ESCOLA BÍBLICA
Transformar as pessoas em
discípulas de Cristo, através
do ensino e da prática da
palavra de Deus.
Copyright © 2012 – Igreja Adventista da Promessa
Revista para estudos na Escola Bíblica. É proibida a reprodução parcial
ou total sem autorização da Igreja Adventista da Promessa.

DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

Diretor Alan Pereira Rocha


Conselho Editorial José Lima de Farias Filho
Hermes Pereira Brito
Magno Batista da Silva
Osmar Pedro da Silva
Otoniel Alves de Oliveira
Gilberto Fernandes Coelho
João Leonardo Jr.

EXPEDIENTE

Redação
Rua Boa Vista, 314 – 6º andar – Conj. A – Centro
Fone: (11) 3119-6457 – Fax: (11) 3119-2544
www.portaliap.com.br • secretariaiap@terra.com.br

Jornalista responsável Pr. Elias Pitombeira de Toledo (MTb. 24.465)


Redação e preparação Alan Pereira Rocha
de originais Andrei Sampaio Soares
Cláudia Duarte
Edney Rodrigues de Brito
Eleilton William de Souza Freitas
Jailton Sousa Silva
José Lima de Farias Filho
Kassio Passos Lopes
Márcio Rogério Gomes David
Virginia Ronchete David Perez
Willian Robson de Souza
Revisão de textos Eudoxiana Canto Melo
Seleção de hinos Silvana A. de Matos Rocha
Leituras diárias Andrei Sampaio Soares
Projeto Gráfico Marcorélio Cordeiro Murta
Editoração Farol Editora
Capa “Paulo pregando aos Tessalonissenses”
Gravura iStockphoto

Atendimento e tráfego Geni Ferreira Lima


Fone: (11) 2955-5141
Assinaturas Informações na página 124
Impressão Gráfica Regente – Maringá, PR
Princípios bíblicos para evangelização
em Atos dos apóstolos

SUMÁRIO

Edição comemorativa....................................... 4

Apresentação.................................................... 5

1 O manual da igreja para a proclamação............... 9

2 A igreja proclamadora sempre cresce................. 17

3 A proclamação é prioridade da igreja................. 25

4 A ação do Espírito Santo na proclamação.......... 33

5 O segredo da proclamação é a oração............... 41

6 Para proclamar, Deus usa pessoas!.................... 49

7 Como ouvirão se não há proclamadores?.......... 57

8 As motivações corretas para a proclamação....... 65

9 O papel da igreja local na proclamação.............. 74

10 A igreja proclamadora enfrenta aflições............. 82

11 Dinheiro não é problema na proclamação.......... 89

12 Não apenas proclame, mas discipule!................ 97

13 Quando proclamação é um estilo de vida......... 105

Projeto Proclamar – Sábado especial........... 113

Confira, nas páginas centrais, o encarte


com informações sobre a 48ª Assembleia
Geral das Convenções da IAP
es
Ediçõ Edição comemorativa
1937-2012

Após grande vitória, disse Samuel: Até aqui nos ajudou o


Senhor (1 Sm 7:12b). Fazemos destas palavras, as nossas, visto
que, no ano em que a IAP comemora 80 anos de existência,
chegamos, pela misericórdia de Deus, à edição de número
300 de nossas Lições Bíblicas. São nada menos que 75 anos
fornecendo ensino
���������������������������������������������������
bíblico, a cada sábado, aos milhares de pro-
messistas no Brasil e no exterior. Louvado seja Deus por isso!
A propósito, você sabia que a primeira edição foi publicada
em janeiro do ano de 1937 e escrita pelo pastor João Augusto da
Silveira? Era uma série doutrinária, e o título do primeiro estudo
era: “A Bíblia: como estudá-la e compreendê-la”. Isso mostra
que, desde o início, houve uma preocupação com o estudo cor-
reto da Bíblia. Não é de hoje que somos a igreja da palavra!
A presente edição é������������������������������������
especial por����������������������
, pelo menos, duas ra-
zões: a primeira é que dispõe de uma diagramação com-
pletamente nova. Como é possível perceber, o layout desta
edição está mais moderno. Isso significa que, para a gló-
ria de Deus, nota-se uma preocupação com a excelência
não somente no nível teológico�����������������������
, ma�������������������
s, também, técnico-
-gráfico, em nossa revista para estudos nas Escolas Bíblicas.
É a tecnologia sendo utilizada a serviço do reino de Deus.
A segunda razão é que esta edição tem um conteúdo dife-
renciado, pois, além dos estudos bíblicos, teremos, em anexo,
o material do “Projeto Proclamar”. No décimo terceiro sábado,
teremos uma programação diferente, em que tanto o estudo
da lição quanto o sermão do culto serão voltados ao incentivo
à evangelização. Então, nas últimas páginas desta revista de
estudos, teremos uma sugestão da ordem do culto e um ser-
mão escrito, para serem usados nesta programação.
Neste trimestre, celebre a Deus conosco e aproveite bem a
edição de número 300 de nossas Lições Bíblicas!

Em Cristo,
Equipe do Departamento de Educação Cristã (DEC)
Apresentação

Ela era uma igreja especial, composta por pessoas simples, de muita ora-
ção e cheias do poder de Deus. Essa igreja via acontecer, em seu meio, vários
milagres e prodígios que deixavam todos maravilhados. Os seus membros
tinham uma sintonia impressionante com o Espírito Santo, que os orientava
em cada decisão a ser tomada.
Os cultos eram maravilhosos; os irmãos entoavam salmos, hinos e cânticos
espirituais; adoravam em espírito e em verdade. As orações eram intensas e
muito avivadas; nelas, eles não se embriagavam com vinho, em que há con-
tenda, mas se enchiam do Espírito. As pregações eram poderosas e esclarece-
doras. Não podiam ser diferentes, pois os melhores pregadores da época con-
gregavam ali. Eram homens que conheciam com profundidade Jesus Cristo.
Imagine um lugar em que todos eram tementes a Deus, entendiam e vi-
viam o evangelho do reino. Assim era aquela igreja. Nem tudo era mar de
rosas: havia obstáculos e dificuldades; porém, os irmãos permaneciam firmes
e unânimes. Na realidade, eram amigos entre si e gostavam de estar sempre
juntos. Que bênção! Mas não para por aí. Apesar de tudo que já foi dito, po-
demos dizer que a sua maior marca era o evangelismo. Eles eram verdadeiras
testemunhas de Cristo na terra.
Esses homens e essas mulheres dedicavam suas vidas ao Pai, motiva-
dos, pelo amor a Cristo e pelo poder do Espírito Santo, a compartilhar o
evangelho. Pregavam a todas as pessoas, em todos os lugares e em todo
tempo. Sabe qual foi o resultado disso? O crescimento da igreja. E ela
crescia de forma espantosa. O primeiro culto foi feito com mais ou menos
120 pessoas, e, uma semana depois, os membros daquela igreja já eram
cerca de 3 mil pessoas. Não demorou para que se tornassem uma grande
multidão. É claro que estamos nos referindo à igreja primitiva, aquela que
nos é apresentada no livro de Atos. Ela era mesmo muito especial. Era, de
fato, uma igreja proclamadora.

www.portaliap.com.br 5
Assim como fez no passado, o Espírito Santo continua orientando a seu
povo. Ele tem colocado no coração da liderança da IAP o desejo de procla-
mar com mais afinco o evangelho de Jesus Cristo e fazer dessa tarefa uma
prioridade. Por isso, o nosso lema para os próximos quatro anos é: Uma
igreja santa proclamando o Deus santo. Essa é a direção que o Espírito
Santo tem nos mostrado. Queremos evangelizar mais e ver a igreja crescer.
Almejamos ver o povo de Deus cumprindo fielmente a grande comissão
dada pelo nosso Senhor.
Mas qual é a maneira certa de evangelizar? O que fazer para crescermos?
Em nossos dias, há uma enxurrada de livros e materiais prometendo as res-
postas para tais perguntas, apresentando fórmulas, métodos e estratégias
“infalíveis” para fazer a igreja crescer. Todavia, se desejamos aprender real-
mente o que é proclamação, precisamos olhar para a palavra de Deus. Nada
melhor do que começarmos com o livro de Atos. Nada mais correto do que
olharmos para aquela igreja, a comunidade dos primeiros cristãos, e obser-
varmos como ela atuava na obra missionária.
O livro de Atos dos Apóstolos foi escrito por Lucas, o médico amado, um
pouco antes do ano 70 d.C. Este livro dá prosseguimento ao relato da história
de Jesus e sua obra, história esta que começa no Evangelho de Lucas, escrito
pelo mesmo autor. Esses dois livros são, na realidade, dois volumes de uma
mesma obra. No Evangelho, Lucas registra a respeito tudo o que Jesus come-
çou a fazer e a ensinar (At 1:1), e, no livro de Atos, ele registra o que Jesus
continuou a fazer e a ensinar através de sua igreja.1
O livro de Atos cobre os trinta primeiros anos da história da igreja. Inicia-se
com a ascensão de Jesus e vai até a prisão de Paulo. O propósito primário do
médico amado, ao escrever Atos, era fazer um relato do crescimento da igreja
em sua época, mostrando como isso aconteceu. Ele descreve a expansão do
cristianismo, partindo de Jerusalém, até chegar a Roma, capital do império.
Neste livro bíblico, encontramos alguns princípios fundamentais para a
proclamação, que podem e devem ser aplicados em nossos dias. Estamos
convencidos de que Atos é o “manual bíblico, inspirado pelo Espírito Santo,
para orientar o crescimento da igreja, em todos os lugares em todas as épo-
cas, até a volta de Cristo”.2 Esses princípios apresentados por Lucas serão
tratados na série de lições deste trimestre, cujo título é: Igreja proclamadora:
princípios bíblicos para evangelização em Atos dos apóstolos.

1. Wiersbe (2006:520).
2. Casimiro (2009:13).

6 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


Olhando para igreja primitiva, vamos aprender que o crescimento da igre-
ja é natural, quando ela é saudável; que uma de suas tarefas principais é
a proclamação; que o grande agente capacitador da obra missionária é o
Espírito Santo; que o grande segredo para o avanço da igreja é a oração;
que o ser humano é o instrumento de Deus na divulgação do evangelho;
que a pregação da palavra é maneira escolhida por Deus para produzir a fé
no coração do pecador.
Com os primeiros cristãos, veremos também que precisamos ter mo-
tivações corretas no evangelismo; que a igreja local é estratégica para o
avanço da obra missionária; que missões acontece em meio a tribulações;
que dinheiro nunca foi impedimento na proclamação; que, além de evan-
gelizar, é preciso discipular as pessoas, e que todo cristão deve viver como
testemunha de Cristo.
Em 13 estudos, vamos refletir sobre nossas práticas evangelísticas, e, ao
final de cada estudo, teremos o desafio da semana. Nosso desejo é que não
só aprendamos, mas que pratiquemos a palavra. Queremos que o Senhor
da igreja nos faça entender e nos dê condição para viver sua promessa: ...
quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão
minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia e Samaria e até nos lu-
gares mais distantes da terra (At 1:8 – NTLH).
Que Deus recompense os escritores desta série de lições e use os profes-
sores. Que os estudantes da Escola Bíblica sejam edificados e desafiados pelo
Espírito Santo a pregarem o evangelho. Que Deus conceda um novo tempo
para a sua igreja, um tempo de mais evangelismo e mais crescimento. Que
Deus faça de nós uma igreja proclamadora.
A Jesus Cristo, o Senhor da igreja, sejam dadas a honra, a glória e o louvor,
pelos séculos dos séculos. Amém!

Pr. Alan Pereira Rocha


Diretor do Departamento de Educação Cristã

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ABREVIATURAS DE LIVROS DA BÍBLIA
UTILIZADAS NAS LIÇÕES

ANTIGO TESTAMENTO NOVO TESTAMENTO


Gênesis Gn Mateus Mt
Êxodo Ex Marcos Mc
Levítico Lv Lucas Lc
Números Nm João Jo
Deuteronômio Dt Atos At
Josué Js Romanos Rm
Juízes Jz 1 Coríntios 1 Co
Rute Rt 2 Coríntios 2 Co
1 Samuel 1 Sm Gálatas Gl
2 Samuel 2 Sm Efésios Ef
1 Reis 1 Rs Filipenses Fp
2 Reis 2 Rs Colossenses Cl
1 Crônicas 1 Cr 1 Tessalonicenses 1 Ts
2 Crônicas 2 Cr 2 Tessalonicenses 2 Ts
Esdras Ed 1 Timóteo 1 Tm
Neemias Ne 2 Timóteo 2 Tm
Ester Et Tito Tt
Jó Jó Filemon Fm
Salmos Sl Hebreus Hb
Provérbios Pv Tiago Tg
Eclesiastes Ec 1 Pedro 1 Pe
Cantares Ct 2 Pedro 2 Pe
Isaías Is 1 João 1 Jo
Jeremias Jr 2 João 2 Jo
Lamentações Lm 3 João 3 Jo
Ezequiel Ez Judas Jd
Daniel Dn Apocalipse Ap
Oséias Os
Joel Jl
Amós Am ABREVIATURAS DE TRADUÇÕES
Obadias Ob E VERSÕES BÍBLICAS
UTILIZADAS NAS LIÇÕES
Jonas Jn
Miquéias Mq AM A Mensagem
Naum Na ARA Almeida Revista e Atualizada
Habacuque Hc ARC Almeida Revista e Corrigida
Sofonias Sf AS21 Almeida Século 21
Ageu Ag ECA Edição Contemporânea de Almeida
Zacarias Zc NVI Nova Versão Internacional
Malaquias Ml KJA Tradução King James Atualizada
BV Bíblia Viva
NBV Nova Bíblia Viva
BJ Bíblia de Jerusalém
TEB Tradução Ecumênica da Bíblia
NTLH Nova Tradução na Ling. de Hoje
1
O manual
da igreja para a
proclamação
7 DE JULHO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 72 • BJ 307

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante Mas receberão poder quando o Espírito
da palavra de Deus
Santo descer sobre vocês, e serão minhas
que o livro de Atos é o
manual da igreja para a testemunhas em Jerusalém, em toda a
proclamação e que, por Judéia e Samaria, e até os confins da
isso, esta deve conhecer terra. (At 1:8 – NVI)
seu conteúdo, obedecer
aos seus princípios e
valorizá-los sempre.
INTRODUÇÃO
Influenciadas pelo “Movimento de Cresci-
LEITURA DIÁRIA mento de Igrejas”,1 de umas décadas para cá,
D 01/07 At 1:1-14 muitas igrejas foram abatidas por um desejo
S 02/07 At 1:15-26 de crescimento a qualquer custo. Por conta
T 03/07 At 2:1-13 disso, livros e mais livros foram publicados,
Q 04/07 At 2:14-36
visando oferecer métodos e técnicas para
Q 05/07 At 2:37-47
S 06/07 At 3:1-10
levar a cabo tal crescimento. Embora alguns
S 07/07 At 3:11-26 poucos deles tenham o seu valor, se quiser-
mos mesmo estudar e aprender sobre a pro-
clamação e o desenvolvimento da igreja, nos-
sa pesquisa, necessariamente, deve iniciar-se
pelo livro de Atos dos Apóstolos, que “tem
um valor teológico e prático permanentes
para os cristãos de todas as épocas”.2 Con-
forme estudaremos hoje, este livro é o nosso
manual para a proclamação.

Acesse os 1.Um movimento surgido no século passado, nos Estados


Comentários Adicionais Unidos, que procurava descobrir “por que algumas igrejas
e os Podcasts crescem e outras não?”. O problema deste movimento é
deste capítulo em que, aos poucos, perdeu o foco e entrou no caminho do
www.portaliap.com.br pragmatismo, afastando-se dos princípios bíblicos.
2. Casimiro (2009:17).

www.portaliap.com.br 9
I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

O autor do livro de Atos é Lucas, (Lc 1:3). Esse era um “tratamento


o médico amado (Cl 4:14), o mesmo honorífico formal, normalmente re-
que escreveu o evangelho que leva servado para os romanos da classe de
seu nome. Na verdade, este e o livro cavaleiros – ou seja, a graduação ime-
de Atos fazem parte de uma obra diatamente abaixo da aristocracia”.3
em dois volumes (cf. Lc 1:1-14; At Não podemos afirmar com certe-
1:1-2). No primeiro, ele os apresenta za que Lucas empregue este termo
a história de Jesus, o Senhor da igre- tendo em mente este sentido mais
ja, e tudo o que este começou a fa- técnico. O termo podia ser, também,
zer e a ensinar; no segundo, ele con- apenas, uma forma de tratamento
tinua escrevendo sobre Jesus: sobre educada, sem conotação oficial.4 To-
tudo o que este continuou a fazer e davia, os indícios apontam o primeiro
a ensinar, através da igreja. Entender uso, isto é, o oficial. Em Atos, ele usa
que Lucas é o autor de Atos, para este mesmo adjetivo para se referir
nós, é importantíssimo. Ele não era aos procuradores romanos Festo (At
um teórico de gabinete. Além de ser 26:25) e Felix (At 23:26; 24:3). En-
médico, foi companheiro e colabo- tão, é bem razoável que Teófilo per-
rador de Paulo em algumas viagens tencia a uma alta classe social. Isso
missionárias do apóstolo. O conte- justificaria a pesquisa cuidadosa de
údo de Atos, nosso manual para a Lucas e os recursos financeiros para
proclamação, foi escrito por alguém realizá-las (possivelmente, custeados
que viveu o que narrou. Pensemos, por Teófilo). Além disso, naquele
então, um pouco mais sobre Atos. tempo era comum dedicar um livro a
uma pessoa ilustre e poderosa, para
1. Os destinatários do manual: que esta ajudasse na promoção e di-
Para quem Lucas escreveu o livro de vulgação da obra.
Atos? Esta não é uma pergunta difí- Mas será mesmo que Lucas es-
cil. O próprio livro responde: Em meu creveu o evangelho e Atos tendo
livro anterior, Teófilo, escrevi a respei- em vista alcançar uma única pes-
to de tudo o que Jesus começou a soa? É óbvio que não! Como já foi
fazer e a ensinar (1:1). O nome do dito, o livro foi dedicado a um cris-
destinatário imediato do livro é Teó- tão ilustre, para que não só este o
filo. E quem era este Teófilo? Sabe- lesse, mas também para que o livro
mos muito pouco sobre ele, à luz dos
evangelhos e de Atos. No evangelho, 3. González (2011:30).
Lucas o chama de “excelentíssimo” 4. Stott (2008:23).

10 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


circulasse entre outros. Não pode- e, de repente, Pedro some; Paulo
mos eliminar o livro de Atos da lista aparece, e Lucas dedica-se a descre-
de obras Sagradas dirigidas à igreja ver o seu ministério.
cristã universal. Só o fato de ele fa- A obra de Lucas não é composta
zer parte das nossas Bíblias já é uma de incidentes históricos cuidadosa-
prova de que foi um livro escrito à mente construídos, apesar do fato
igreja. Atos conta a história dos 30 de concordarmos que ele traça o
primeiros anos da igreja cristã. Se nascimento, o crescimento e o de-
não tivéssemos Atos dos Apóstolos, senvolvimento da igreja; “mas, estri-
não teríamos a ponte entre o minis- tamente falando, Atos não é um livro
tério e o ensino de Cristo e o surgi- histórico como tal”.6 É óbvio que não
mento da igreja cristã. Atos é para estamos dizendo que “Atos não tem
hoje! É o nosso manual para a pro- valor histórico; ele continua sendo a
clamação, como o foi para inúmeros melhor e mais confiável fonte que
cristãos ao longo dos tempos. temos do cristianismo primitivo”.7
Mas vamos pensar então no princi-
2. Os propósitos do manual: pal objetivo de Lucas. No evangelho,
Para que Lucas escreveu o Livro de ele diz que está escrevendo para que
Atos, o manual de proclamação da Teófilo tivesse certeza da verdade
igreja? A princípio, a “primeira im- das coisas em que foste instruído (Lc
pressão que temos, quando inicia- 1:4). Em Atos, ele começa afirmando
mos a leitura de Atos é que Lucas que, no evangelho, escreveu a Teófi-
está nos contando a história do cris- lo tudo o que Jesus começou a fazer
tianismo primitivo”5 e que este é o e a ensinar (At 1:1). Sendo assim,
seu grande objetivo ao escrever este subtende-se que, em Atos, Lucas
livro. Contudo, se o objetivo dele é quer que Teófilo tenha certeza das
simplesmente contar a história do coisas que Jesus continuou a fazer e
cristianismo primitivo, teríamos vá- a ensinar através da igreja. O escritor
rias indagações não respondidas por mostra-nos como aconteceu o cres-
sua narrativa. Por exemplo, que fim cimento da igreja da sua época.
levou a igreja de Jerusalém, que é Lucas quer que Teófilo tenha cer-
apresentada no início de Atos? Ele teza de que “ninguém pode preju-
simplesmente abandona a narrativa dicar a marcha vitoriosa do evange-
sobre esta igreja num determinado lho”, e mostra o “progresso das bo-
momento e passa a focar sua aten- as-novas de Jerusalém até Roma”.8
ção a outros lugares. Num primeiro
momento, ele tem o foco em Pedro,
6. Kistemaker (2006:56).
7. Bosh (2002:117).
5. González (2011:20). 8. Kistemaker (2006:57).

www.portaliap.com.br 11
O evangelho não está destinado mação percorre todo o livro de Atos.
somente aos judeus, mas ao mundo Os cristãos foram por todos os lu-
todo. O versículo que serve como es- gares falando sobre Jesus. Segundo
boço do livro é Atos 1:8. Os discípu- Atos, proclamar é anunciar as boas
los receberiam poder para pregar em novas, com fidelidade, dando teste-
Jerusalém, Judéia, Samaria e até os munho dos fatos. Três são as pala-
confins da terra. Lucas mostra como vras gregas que se destacam e nos
o evangelho entra no mundo e como ajudam a chegar a este significado.
Jesus é proclamado em todos os lu- A primeira delas é euangelizõ ou
gares. Além disso, segundo Casimi- euangelizomai, que significa “evan-
ro, o outro grande propósito de Atos gelizar”, “trazer ou anunciar as boas
é oferecer princípios espirituais moti- novas”, “proclamar”, “pregar” (ex.:
vadores para o crescimento da igreja At 5:42, 8:4,12, 13:32, 14:7, 15:35,
de todas as épocas. Lucas quis nos 16:10). Os primeiros cristãos eram
deixar um manual de missões e plan- portadores da boa notícia. Esta boa
tação de novas igrejas.9 Toda igreja nova que eles tinham para apresen-
tem de estar ciente do seu papel na tar era Jesus. A pregação não era ma-
evangelização do mundo e da ma- nipulação, nem imposição de cren-
neira como isso deve ser feito. ças: continha o que Jesus é (Senhor
e Salvador); o que ele fez (morreu e
3. O assunto do manual: Se você ressuscitou); o que ele oferece (per-
não tinha parado para pensar no pro- dão dos pecados e uma nova vida),
pósito de Atos, agora já o sabe. Lu- e o que ele exige (arrependimento e
cas escreveu sobre o progresso e o fé). Esta proclamação nunca era defi-
crescimento da igreja de sua época, nida em termos de resultado produ-
para oferecer princípios espirituais e zido, mas da mensagem anunciada.
motivadores de crescimento à igreja Não é somente a proclamação que
de todos os tempos. Diante disso, o surte efeito que deve ser considerada
principal assunto do livro de Atos não evangelização.
poderia ser outro: “proclamação”. Outra palavra usada para descre-
Se você tem alguma dúvida disso, ver a proclamação era Kerusso, mais
por favor, leia alguns dos vários tex- traduzida por “pregar” (ex.: At 8:5,
tos sobre o assunto: 1:8, 2:32, 3:15, 9:20, 10:42, 13:24, 19:13, 20:25,
4:29,31, 8:4-5,25,40, 9:20,27-28, 28:31). Significava “declarar como
10:42, 11:19, 13:32, 14:7,21,25, um arauto”. Referia-se, originalmen-
15:35, 16:6,10,17,32, 17:13,18, te, à mensagem de um rei. “Quando
18:5, 20:20,25,27, 26:23. A procla- um soberano tinha uma mensagem
aos seus súditos ele a entregava aos
9. Casimiro (2009:28). seus arautos. Estes transmitiam às

12 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


pessoas sem mudá-la ou corrigi-la”.10 Em Atos, também aprendemos que
Os primeiros cristãos anunciavam, a responsabilidade da obra missioná-
com fidelidade, tão somente a men- ria é de todo crente em Jesus (cf. At
sagem que lhes havia sido entregue, e 1:8, 4:20, 8:4, 26:22-23, 28:30-31).
nós precisamos fazer o mesmo. Uma Todo crente é convocado a ser uma
terceira palavra grega importante em “testemunha” (At 1:8). Ser testemu-
Atos é Marturéo, traduzida por “tes- nha, conforme já explicado anterior-
temunha” (ex.: At 2:40, 3:15, 4:33, mente, não é apenas falar de Jesus,
10:39, 13:31, 14:3, 20:24, 28:23), mas é vivê-lo, transmiti-lo. Essa res-
cujo significado é “dar testemunho ponsabilidade é de todos nós.
dos fatos”. Era usada para se referir Atos também nos mostra que o
ao testemunho que se dava em um alcance da visão da obra missionária
tribunal ou para se confirmar algum na igreja precisa ser amplo: bairro, ci-
fato. Os apóstolos eram testemunhas dade, país, mundo (cf. At 1:8, 9:31,
de que Cristo estava vivo. Nós tam- 11:18, 23:11, 28:28). A obra missio-
bém o somos. Existe um rei que está nária, de acordo com o livro de Atos,
reinando, e é nosso dever anunciar e avança! Começa em Jerusalém e vai
viver isso, para que as pessoas não só até os confins da terra. Observe dois
ouçam, mas vejam. textos extremamente interessantes. O
primeiro é Atos 5:28. Os apóstolos es-
4. Os princípios do manual: tão, novamente, diante do Sinédrio,
Já dissemos que o livro de Atos é o o tribunal dos judeus. Nessa ocasião,
nosso manual para a proclamação ouvem o seguinte: ... enchestes Jeru-
e que a proclamação é o seu prin- salém de vossa doutrina. A palavra
cipal assunto. Agora, vamos apre- grega pleroo, traduzida por “encher”,
sentar alguns princípios gerais sobre nesse texto, significa “tornar cheio,
a obra missionária, à luz de Atos. completar, preencher até o máximo”.
A maioria dos princípios que serão Eles espalharam o evangelho por to-
apresentados aqui, sumariamente, dos os lugares de Jerusalém.
será trabalhada posteriormente, de Agora vejamos outro texto: Atos
maneira mais detalhada, nas lições 17:6. Paulo e Silas pregavam o evan-
seguintes desta série. Mas, vamos lá! gelho em Tessalônica. Alguns ju-
Segundo Atos, o promotor da obra deus, movidos de inveja, disseram:
missionária é o Espírito Santo. É ele ... estes que têm transtornado o
quem motiva a igreja para pregar o mundo chegaram também aqui
evangelho (cf. At 1:8; 8:29, 10:19, (grifo nosso). Os apóstolos enche-
11:12, 13:2,4, 15:28, 16:6, 20:23). ram Jerusalém com o evangelho, e
este causava transtornos em todos
10. Olyotti (2008:14). os lugares do mundo (o Império Ro-

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mano11). Os primeiros cristãos eram 8:35, 10:1, 18:11) e o segredo na
ousados, destemidos. Ainda segun- obra missionária é a oração. A igreja
do Atos, a mensagem da igreja mis- de Atos é uma igreja que ora (cf. At
sionária é a pregação da palavra de 1:14, 2:42, 4:31, 6:4, 9:11, 16:16,
Deus (At 2:37,42, 6:8-10, 4:31, 5:42, 20:36). Estes são apenas alguns prin-
cípios de Atos, dentre os vários ali
contidos. Nesta série, estudaremos
11.������������������
Stott (2008:307). estes, e muitos outros.

01. Leia At 1:1; Lc 1:1-4; o item 1, e fale sobre os destinatários de


Atos, nosso manual de proclamação.

02. Leia At 1:8; o item 2, e comente com classe os possíveis


propósitos de Lucas ao escrever Atos, nosso manual de proclamação.

03. Após ler At 2:40, 5:42, 8:5 e o item 3, comente sobre o principal
assunto de Atos e apresente uma definição de proclamação, à luz deste.

04. Após ler At 5:28, 17:6 e o item 4, apresente à classe alguns


princípios sobre a obra missionária presentes em Atos.

14 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Leia o conteúdo do manual de clamação da igreja? Não podemos


proclamação da igreja! ignorá-lo jamais! Se você é líder e
Manuais são escritos para serem não conhece Atos, leia-o o quanto
lidos. Quantos eletrodomésticos têm antes! Não fomos chamados para
sua vida útil diminuída porque seus conduzir a igreja a nosso bel prazer,
proprietários não leem os manuais de acordo com nossas concepções
que os acompanham e os utilizam ou adaptando técnicas empresa-
de forma errada. Jesus, o dono da riais. Temos princípios inspirados.
igreja, deixou um manual com as Qualquer livro sobre crescimento de
diretrizes para o desenvolvimento igreja que não passe pelo filtro da
desta. Você já leu o manual de pro- revelação não merece crédito.

05. Por que é importante ler o manual de proclamação da igreja?

2. Obedeça aos princípios do ma- oferecer o evangelho de forma a não


nual de proclamação da igreja! “incomodar o ouvinte”, ou em como
Se você começar a ler o livro de agradar o “mercado”; não há “cinco
Atos, descobrirá inúmeros princípios passos para o sucesso de sua igreja”.
bíblicos que podem ser aplicados à Não! Em Atos, temos cristãos com-
igreja. O que fazer com eles? Aplicá- prometidos, ousados, impulsionados
-los! Se o Senhor da igreja quis que pelo Espírito Santo, que oravam, vi-
estivessem registrados, quer que sua viam Jesus no cotidiano, transpiravam
igreja os pratique! Em Atos, não há Jesus em suas ações e não cansavam
fórmulas mirabolantes; não há pro- de proclamar, onde estivessem, que
jetos inéditos e vultuosos; não há ele é o Cristo! Aplique cada princípio
marqueteiros pensando em como que você descobrir em Atos.

06. Além de ler, o que mais devemos fazer, diante da leitura de Atos?

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3. Valorize os princípios do manu- conos” apenas, e nem estes precisam
al de proclamação da igreja! ser nomeados quando houver recla-
A igreja primitiva era perfeita? É mação de má distribuição de alimen-
óbvio que não! Nem estamos suge- to (At 6). Precisamos valorizar o livro
rindo isso. Não a sobrenaturalizemos de Atos pelos princípios espirituais
demais! Ela cometeu erros e acertos. normativos para as igrejas de todas
Não estamos dizendo, também, que as épocas. Se uma igreja quer estu-
todas as igrejas cristãs da atualidade dar sobre crescimento, deve começar
devem tentar repetir as mesmas expe- pelo livro inspirado por Deus, e qual-
riências da igreja primitiva. Por exem- quer livro nesta área deve ser conside-
plo: nossos líderes não precisam ser rado de categoria inferior e seus prin-
escolhidos por sorteio (At 1:24-26); cípios rejeitados, quando não tiverem
as igrejas não precisam ter “sete diá- base na revelação da palavra de Deus.

07. Como devemos considerar o livro de Atos, nosso manual de


proclamação, principalmente diante dos livros evangélicos sobre
crescimento de igreja?

DESAFIO DA SEMANA

Um filme tem, em média, de uma hora e meia a duas horas de


duração. Um jogo de futebol tem por volta de duas horas. Que tal
deixar de assistir a um filme ou a uma partida de futebol e ler o
livro de Atos nesta semana? Você está iniciando o estudo de uma
lição que é toda baseada neste livro. É importante conhecê-lo.
Esse é seu desafio para esta semana ou, pelo menos, para este tri-
mestre: ler Atos! Se já fez isso, faça novamente. Nunca é demais
ler a palavra de Deus. Leia prestando atenção nas motivações
dos cristãos para proclamar a palavra. Anote os princípios bíbli-
cos para a proclamação. Ore. Medite nas palavras. Tome nota;
e, principalmente, aplique em sua vida e em seu ministério o que
aprender. Que o Senhor use os princípios de sempre, do velho
evangelho, para mexer com a sua igreja.

16 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


2
A igreja
proclamadora
sempre cresce
14 DE JULHO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 396 • BJ 286

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Levar o estudante A igreja, na verdade, tinha paz por
da palavra de Deus
toda a Judéia, Galiléia e Samaria,
a entender o que é
crescimento da igreja edificando-se e caminhando no temor do
à luz do livro de Atos e Senhor, e, no conforto do Espírito Santo,
mostrar que esta deve crescia em número. (At 9:31)
crescer sem numerolatria
e numerofobia, mas com
naturalidade.
INTRODUÇÃO
Quando Lucas escreveu Atos, tinha em
LEITURA DIÁRIA mente fazer um relato do quanto a igreja
D 08/07 At 4:1-22 havia crescido, mostrando como isso aconte-
S 09/07 At 4:23-37 ceu. Ele descreve a expansão do cristianismo,
T 10/07 At 5:1-11 partindo de Jerusalém, até chegar a Roma,
Q 11/07 At 5:12-32 capital do império. Mas qual era a intenção
Q 12/07 At 5:33-42
desse escritor em relatar o crescimento da
S 13/07 At 6:1-7
igreja primitiva? Lucas não era um histo-
S 14/07 At 6:8-15
riador: era um médico que se tornou mis-
sionário e companheiro de Paulo. Por isso,
podemos ter certeza de que a sua intenção
ao fazer esse relato foi motivar ainda mais
o crescimento da igreja. É dessa perspectiva
que partiremos ao estudo de hoje.

I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

Acesse os
Comentários Adicionais A igreja saudável, viva, atuante e cheia do
e os Podcasts Espírito Santo cresce (At 2:42-47). Mas uma
deste capítulo em
www.portaliap.com.br igreja enferma, fria e acomodada apaga-
-se. Sabemos que quem dá o crescimento é

www.portaliap.com.br 17
o Senhor; porém, tal crescimento é É importante observar que Atos 1:8
precedido de duas ações exclusivas serve como esboço geral do livro,2
da igreja: plantar e regar (cf. 1 Co pois descreve geograficamente a
3:6). Se a igreja plantar (evangelizar) propagação do evangelho. Perceba:
e regar (discipular), o crescimen- a mensagem de Cristo é pregada em
to será natural. A “igreja que não Jerusalém e Judéia (At 1–7); depois,
evangeliza, definha-se”,1 mas aquela é proclamada na região de Samaria
que é proclamadora sempre cresce. (At 8–9), e logo a mensagem é anun-
Na presente lição, vamos conferir ciada aos não judeus e a igreja alcan-
como se deu o avanço do evangelho ça os confins da terra (At 10–28).
no primeiro século. A igreja crescia, As áreas geográficas citadas neste
mas de que maneira crescia? O que versículo e confirmadas no desenro-
é crescimento da igreja à luz do livro lar do livro são também bastante sig-
de Atos? É o que veremos a seguir: nificativas. Em resumo, representam
as missões locais ou urbanas (Jerusa-
1. A igreja crescia geografica- lém), as missões estaduais (Judéia),
mente: A igreja descrita em Atos as missões nacionais (Samaria) e as
tinha uma visão missionária muito missões internacionais (confins da
bem estabelecida: Deveria pregar o terra). A igreja primitiva obedeceu à
evangelho na cidade onde estava, ordem de Jesus e cumpriu a grande
mas, também, conquistar outros comissão (cf. Mt 28:18-20). A igreja
territórios para Cristo, indo até os local que busca entender e viver a
confins da terra. Essa visão foi dada visão de Cristo sairá “das quatro pa-
por Jesus: Mas recebereis poder, ao redes” e avançará além das frontei-
descer sobre vós o Espírito Santo, e ras para a glória de Deus. Na prática,
sereis minhas testemunhas tanto em vivemos isso, evangelizando a comu-
Jerusalém como em toda a Judéia e nidade onde estamos e envolvendo-
Samaria e até aos confins da terra -nos com missões: indo, orando ou
(At 1:8). Esse é um versículo-chave contribuindo financeiramente.
no livro, especialmente porque mos-
tra que o poder da igreja vem do Es- 2. A igreja crescia numerica-
pírito Santo, não de homens. mente: A igreja do primeiro século
É o Espírito Santo que nos impul- também crescia em números e seu
siona a sair “das quatro paredes” e aumento foi espantoso. Não havia
ir a todos os lugares (cidades, tribos, métodos, nem estratégias mirabolan-
povos e nações) onde houver al- tes. Ela crescia de forma espontânea
guém que precise ouvir o evangelho. e natural. Esse crescimento vinha de

1. Lopes (2004:121). 2. Wiersbe (2006:522).

18 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


cima: acrescentava-lhes o Senhor, Já o último bloco (19:21 a 28:31) dá
dia a dia, os que iam sendo salvos (At destaque à prisão de Paulo e à sua
2:47 – grifo nosso). De acordo com chegada a Roma. As últimas pala-
Turner, o livro de Atos é divido em vras do livro são: pregando o reino de
seis blocos e cada um termina com Deus, e, com toda a intrepidez, sem
um resumo mostrando o aumento impedimento algum, ensinava as coi-
dos cristãos.3 O primeiro bloco (1:1 a sas referentes ao Senhor Jesus Cristo
6:7) trata sobre a igreja de Jerusalém (At 28:31). Os textos citados mos-
e o ministério de Pedro, e termina as- tram-nos que o crescimento numérico
sim: Crescia a palavra de Deus, e, em era algo espontâneo e natural àquela
Jerusalém, se multiplicava o número igreja. O princípio aqui é simples: “a
dos discípulos (At 6:7). igreja cresce naturalmente quando ela
O segundo bloco (6:8 a 9:31) des- obedece à grande comissão”.4
creve a evangelização na palestina,
a morte de Estevão, a chegada do 3. A igreja crescia espiritual-
evangelho em Samaria, apresenta a mente: Ao tratar do aumento dos
conversão de Paulo e se encerra desta cristãos, Lucas não se refere apenas
maneira: A igreja (...) crescia em nú- a crescimento numérico (quantita-
mero (At 9:31). O terceiro bloco (9:32 tivo), mas também a crescimento
a 12:24) mostra o início da evangeliza- espiritual (qualitativo). Crescimento
ção dos gentios, a conversão de Cor- espiritual diz respeito ao desenvol-
nélio, trata sobre a igreja de Antioquia vimento da maturidade e da fé dos
e termina deste modo: Entretanto, a crentes em Cristo. A igreja não pode
palavra do Senhor crescia e se multipli- crescer apenas para fora, alargando
cava (At 12:24). O quarto bloco (12:25 suas fronteiras: precisa, acima de
a 16:5) relata a evangelização na Ásia tudo, crescer para cima. Ela necessita
menor e na Galácia, finalizando com o “crescer na comunhão com Deus, na
resumo: Assim, as igrejas eram forta- obediência da palavra, na vida abun-
lecidas na fé e, dia a dia, aumentavam dante de oração, na santificação, na
em número (At 16:5). adoração e no serviço”.5 O povo de
O quinto bloco (16:6 a 19:20) mos- Deus deve crescer na graça e no co-
tra a chegada da igreja à Europa e às nhecimento de Deus (cf. 2 Pd 3:17).
grandes cidades, como Corinto e Éfe- Em At 2:41-42, lemos: Os que acei-
so, e termina com a seguinte frase: taram a mensagem foram batizados,
Assim, a palavra do Senhor crescia e e naquele dia houve um acréscimo de
prevalecia poderosamente (At 19:20). cerca de três mil pessoas. Eles se dedi-

3. Turner apud Revista Educação Cristã: volu- 4. Casimiro (2009:24).


me 10, junho/2010, p. 4. 5. Lopes (2004:121).

www.portaliap.com.br 19
cavam ao ensino dos apóstolos e à co- cresce de forma autêntica e saudável,
munhão, ao partir do pão e às orações isso ocorre por meio de conversões
(NVI). De acordo que esse versículo, a sinceras. Observe o que foi escrito
primeira evidência da conversão des- sobre a igreja do primeiro século:
sas pessoas foi que elas se dedicavam Louvando a Deus e tendo a simpa-
ao ensino dos apóstolos. Essa gente tia de todo o povo. E o Senhor lhes
queria aprender e praticar a palavra acrescentava diariamente os que iam
de Deus, ou seja, o aumento numéri- sendo salvos (At 2:47 – NVI). Lucas re-
co não acontecia de qualquer maneira gistra, em Atos, que o crescimento da
ou sem critério algum. Ocorria através igreja acontecia por meio de conver-
do estudo bíblico e da pregação expo- sões e não de adesões (At 15:3).6 A
sitiva (At 17:11-12; 20:20,26,27). igreja era composta por pessoas con-
Havia duas outras provas do cres- vertidas e comprometidas com Deus.
cimento espiritual na igreja primitiva, No contexto de Atos, ser convertido
que são destacadas pelo autor de representava o rompimento total com
Atos. Em primeiro lugar, havia co- a idolatria e o paganismo (At 19:18-
munhão entre os crentes (At 2:42; 20). Significava transformação de vida,
4:32-33), e, em segundo lugar, ha- mudança de conduta. Era tornar-se
via temor no coração deles (At 2:43; discípulo e testemunha de Cristo (At
9:31; 19:17). Está escrito: A igreja, na 9:1-20). Não podemos nos enganar,
verdade, tinha paz por toda a Judéia, iludindo-nos com números astronô-
Galiléia e Samaria, edificando-se e micos que vemos em algumas igrejas
caminhando no temor do Senhor, e, evangélicas de nosso tempo. É preciso
no conforto do Espírito Santo, crescia perguntar se esse crescimento é ver-
em número (At 9:31). Esse versícu- dadeiro. Qual é a vantagem de um
lo está confirmando que, à medida grande rebanho, sem santidade, sem
que a igreja crescia espiritualmente, doutrina, sem influência e nem brilho
também aumentava numericamente. na sociedade em que vive? Precisa-
Há quem diga que teremos de optar mos pensar muito sobre essa questão.
entre quantidade e qualidade, pois Não devemos ceder à demência “da
não é impossível ter as duas. Mas isso ditadura do crescimento quantitativo
não é verdade. Atos 9:31 mostra que num custoso e vistoso detrimento do
qualidade gera quantidade. qualitativo”.7 Muitas igrejas, para ob-

4. A igreja crescia verdadeira-


6. Casimiro (2009:25).
mente: Nem todo aumento em nú- 7. As tentações do crescimento exclusivamen-
mero é um crescimento verdadeiro. te numérico. Disponível em:<http://www.ul-
timato.com.br/revista/artigos/278/as-tentaco-
Há casos em que só se trata de “in- es-do-crescimento-exclusivamente-numerico>
chaços” e nada mais. Quando a igreja acesso em 03 de maio de 2012.

20 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


ter sucesso numérico, estão alargando to aconteceu de forma muito rápida.
a porta que Jesus chamou de porta Em Atos 1:15, eram 120 membros;
estreita e folgando o caminho que o poucos dias depois, eram cerca de 3
Mestre chamou de caminho apertado, mil (At 2:41); logo depois, já eram 5
deixando a impressão de que muitos mil homens (At 4:4). A partir daí, não
entram por ele, quando, na realidade, dava mais para contar: os cristãos
são poucos (cf. Mt 7:13-14). eram identificados como uma gran-
A igreja do primeiro século “ja- de multidão (cf. At 4:32, 5:14, 6:1,
mais evangelizaria os pecadores 8:6, 17:12, 21:20). Todo esse au-
por meio de lavagem cerebral nem mento aconteceu num período de,
por meio de promessas mirabolan- aproximadamente, trinta anos. Isso
tes como hoje se faz”.8 Não! O que se torna mais impressionante, se le-
essa igreja fazia era pregar o evan- varmos em conta que os cristãos não
gelho. O interessante é que, apesar tinham à sua disposição os recursos
disso, ela cresceu geograficamente, que temos hoje, como os meios de
numericamente, espiritualmente e transporte (carro e avião) e meios de
verdadeiramente. E esse crescimen- comunicação (rádio, televisão, inter-
net). É possível crescer sem abrir mão
de pregar os mandamentos e as ver-
8. Idem. dades do evangelho.

01. Leia o item 1; At 1:8, e responda: Qual era a visão missionária


da igreja primitiva? O que significa dizer que a igreja deve crescer
geograficamente?

02. Após ler At 2:47, 28:31 e o item 2, responda: Como se dava o


aumento numérico da igreja? Comente a frase: “A igreja cresce
naturalmente quando obedece à grande comissão”.

www.portaliap.com.br 21
03. Com base no item 3 e em At 2:41-47, responda: O que significa
dizer que a igreja crescia espiritualmente? Quais eram os sinais de
crescimento espiritual na vida dos primeiros cristãos?

04. O que é crescimento verdadeiro? Por que não devemos


nos iludir com os números astronômicos que vemos em algumas
igrejas evangélicas de nosso tempo? Baseie-se no item 4 e em
At 2:47, 15:3, 19:18-20.

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. A igreja proclamadora cresce A igreja de Cristo deve correr deste


sem numerolatria. extremo perigoso! Você não deve
Hoje em dia, existem várias igre- evangelizar preocupado com as
jas que buscam resultados a qual- estatísticas, visando apenas atin-
quer custo. São preocupadas com gir um alvo numérico. Evangelize
o que funciona e não com a ver- simplesmente porque, em Jesus,
dade. Fazem o que dá certo e não está a esperança da humanidade.
o que é certo. Estão tão fissuradas Antes de se preocupar com núme-
com os números que acabam vi- ros, preocupe-se com as pessoas,
vendo em função destes, chegan- com a salvação e o crescimento es-
do ao extremo da numerolatria, ou piritual destas (Mc 6:34; At 5:42,
seja, estão idolatrando os números.9 11:25-26).

9. Lopes (2004:121).

22 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


05. Com base na primeira aplicação, responda: O que é numerolatria?
Por que a igreja deve evitar esse extremo perigoso?

2. A igreja proclamadora cresce quantidade. Não existe crescimen-


sem numerofobia. to qualitativo estéril. É comum ou-
Outro extremo perigoso é a nu- virmos: “Não crescemos por causa
merofobia, ou seja, a aversão aos da doutrina que pregamos!”. Será
números.10 Aqueles que seguem que a doutrina ensinada por nós
este caminho dizem que Deus não é mais difícil ou diferente da dou-
está interessado em quantidade, trina dos apóstolos, ensinada pela
mas somente em qualidade. Falam igreja primitiva? Certamente, não!
que, para fazer a igreja crescer, é Na realidade, essa é uma desculpa
preciso abrir mão de princípios bí- inventada por alguns para justificar
blicos. Pregam que a igreja precisa a falta de atuação e de frutos. A
optar por qualidade ou quantidade, igreja saudável e evangelista, sem
porque não pode ter as duas. Nada dúvida, crescerá (At 2:42-47). É
disso é verdade! O livro de Atos nos Deus quem dá o crescimento, mas
mostra que qualidade gera, sim, a igreja tem que fazer a sua parte.
Se ela não evangeliza, não adianta
10. Idem, p.121. inventar desculpas.

06. Leia a segunda aplicação e responda: O que é numerofobia?


Em seguida, comente a frase: “O livro de Atos nos mostra que
qualidade gera, sim, quantidade”.

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3. A igreja proclamadora cresce estava sempre se multiplicando. Toda
com naturalidade. igreja saudável cresce com naturalida-
A igreja é mais do que uma institui- de. Portanto, se a igreja não está cres-
ção: é um organismo vivo. É o Corpo cendo, você não deve perguntar: “O
de Cristo na terra. Como todo corpo, que fazer para ela crescer?”. O certo é
ela deve crescer. Como todo ramo li- perguntar: “O que a impede de cres-
gado à videira, ela deve florescer e dar cer?”. Talvez seja a falta de comunhão
frutos. A igreja viva, que é cheia do Es- ou simplesmente a falta proclamação.
pírito Santo e atuante no evangelismo, O papel dos líderes locais é identificar
tem o aumento de seus membros de esses obstáculos no caminho da igreja
forma natural. Esse princípio é notório e, com sabedoria espiritual, removê-
no livro de Atos. A comunidade dos -los, para que ela permaneça crescen-
primeiros cristãos não sofria de nu- do com naturalidade, como fizeram os
merolatria, nem de numerofobia, mas apóstolos, em Atos 6:1-7.

07. Por que a igreja proclamadora cresce com naturalidade? O que deve
ser feito, quando a igreja em que congregamos não está crescendo?

DESAFIO DA SEMANA

A igreja onde você congrega não tem crescido o tanto que de-
veria crescer? Se não, durante a próxima semana, reflita um pouco
sobre essa questão. Tente identificar o que a impede de ter novos
membros. Você sabia que, na maioria dos casos, é, meramente, a
falta de dedicação ao evangelismo? A igreja saudável que planta
e rega, certamente, recebe do Senhor o crescimento. Por outro
lado, a igreja que não evangeliza, definha-se. Pense nisso! Faça um
compromisso com Deus de se envolver mais na obra de evangeli-
zação. Colabore para que a sua igreja cresça geográfica, numérica,
espiritual e verdadeiramente.

24 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


3
A proclamação
é prioridade
da igreja
21 DE JULHO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 10 • BJ 175

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante da Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos
Bíblia que a proclamação
antes a vós outros do que a Deus;
torna-se prioridade
na igreja, quando pois nós não podemos deixar de falar
entendemos o desejo do das coisas que vimos e ouvimos.
Pai, a ordem do Filho, a (Atos 4:19b-20)
capacitação do Espírito e
a urgência da pregação.

INTRODUÇÃO

LEITURA DIÁRIA
Hoje, estudaremos mais uma lição, para
a glória de Deus. O assunto que trataremos
D 15/07 At 7:1-19
será “Proclamação, uma prioridade da igre-
S 16/07 At 7:20-34
T 17/07 At 7:35-43 ja”. Proclamar é a principal tarefa do povo
Q 18/07 At 7:44-60; 8:1 de Deus em relação ao mundo. Qual é a
Q 19/07 At 8:2-13 nossa base para dizermos isso? O livro de
S 20/07 At 8:14-25 Atos é quem confirma esse princípio.1 Este
S 21/07 At 8:26-40 livro apresenta-nos a evangelização como
tarefa principal da igreja do primeiro sécu-
lo e mostra que essa deve ser a atividade
mais importante da igreja atual. Reuniões,
festas, comidas, tecnologia, recursos etc.
são coisas boas, mas nada disso deve ser
prioridade para a nós, a igreja de Cristo.
Desejamos que esta lição leve o estudante
a colocar o evangelismo no topo da lista de
suas tarefas.
Acesse os
Comentários Adicionais
e os Podcasts
deste capítulo em
www.portaliap.com.br 1. Casimiro (2009: 33).

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I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

A maior missão da igreja de Cris- fazer nada para se redimirem. Deus


to com relação a Deus é adorá-lo! A tomou a iniciativa. A missão de res-
igreja existe para adorar ao Deus que gatar da humanidade é do criador,
a salvou. Portanto, tudo o que faze- nasceu no coração dele. Ele a proje-
mos é para a glória dele (1 Co 10:31), tou (At 2:23-24). A isso, os teólogos
inclusive a proclamação. A maneira dão o nome de “Missio Dei”, isto é,
de o mundo conhecer o Deus que a a missão de Deus.2 Por isso, a Bíblia
igreja adora é através da proclama- diz que toda graça de salvar a huma-
ção. Por isso, afirmamos que, nossa nidade vem de Deus, que nos recon-
principal tarefa com relação ao mun- ciliou consigo, através de Jesus (2 Co
do é a de proclamarmos as virtudes 5:18). O que Deus mais deseja salvar
daquele que nos chamou das trevas são as pessoas que ele criou.
para sua maravilhosa luz (1 Pe 2:9). A obra de Jesus é a realização do
Nos evangelhos, Cristo nos chama de desejo do Pai. Em Atos, existem vá-
sal da terra e luz do mundo. Em Atos, rias declarações a respeito do envio
ele nos chama de minhas testemu- do Filho, e destacamos as seguintes:
nhas, pois levamos uma mensagem ... foi entregue por propósito de-
que pode mudar mundo. É o evange- terminado e pré-conhecimento de
lho! A notícia de que Jesus veio nos Deus (...) o mataram, pregando-o na
salvar, morreu por nós, dando-nos cruz (At 2:23). E ainda: Deus ungiu a
perdão dos pecados, mas venceu a Jesus de Nazaré com o Espírito San-
morte e ressuscitou. A salvação da to e com poder, o qual andou por
humanidade depende dessa notícia. toda parte, fazendo o bem e curan-
Comunicá-la deve ser prioridade, do a todos os oprimidos do diabo,
pelo menos, por quatro motivos en- porque Deus era com ele (At 10:38).
contrados em Atos. Vejamos: A conclusão é que “Deus realiza sua
missão salvadora enviando seu Filho
1. O desejo do Pai celestial: ao mundo. Jesus é o grande Mis-
Deus Pai deseja que todas as pes- sionário, enviado pelo Pai”.3 Jesus
soas sejam salvas (2 Tm 2:4). Desde é aquele que encarna a missão do
o dia em que a humanidade aderiu Pai; proclama a boa notícia de que
à rebelião contra Deus liderada por os que creem em seu nome podem
Lúcifer, a missão do Pai é trazer a ser salvos (At 4:12).
humanidade de volta para si mesmo,
ou seja, salvá-la. Mortos em delitos 2. Clowney (2007: 148).
e pecados, os homens não podiam 3. Idem, p.149.

26 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


Para que a missão de Deus tivesse Assim como Cristo era um missio-
continuidade e fosse cumprida até o nário, todo discípulo dele é também
fim, Cristo chamou a igreja (a comu- um missionário. Todos nós, verda-
nidade dos missionários) para pro- deiros cristãos, somos missionários
clamar o evangelho. Ela cumpre sua de Jesus, enviados a cumprir a sua
parte na parceria falando de Jesus e ordem. Todavia, não cumprimos a
manifestando a graça de Deus. De- grande comissão de qualquer jeito.
vemos também desejar que os não Não basta apenas entregar folhetos
cristãos tornem-se cristãos. Devemos ou dizer “Jesus te ama!”: é preciso
ter um coração aberto para missões. mais conteúdo evangélico e pro-
Fazendo assim, somos embaixadores fundidade bíblica. Quando Jesus
em nome de Cristo (2 Co 5:20). De- nos manda anunciar, devemos fa-
vemos pedir um coração semelhante zer como ele mandou. Em primeiro
ao de Deus, cheio de amor e mise- lugar, devemos ir e fazer discípulos,
ricórdia. Pronto a aceitar o pecador. ou seja, anunciar a mensagem de
Entretanto, não basta ter desejo ape- tal modo que as pessoas entendam
nas: é preciso ir e evangelizar. Veja- e desejem ser parecidas com Jesus.
mos outro motivo. Em segundo lugar, devemos batizar
e ensinar todas as coisas que ele or-
2. A ordem do Senhor Jesus: denou (Mt 28:19-20).
O Mestre que sempre proclamava O que isso quer dizer? Já que o
o reino de Deus (Mt 4:17) deu or- discípulo deve parecer com seu mes-
dem aos seus discípulos a fazerem tre, devemos ensinar-lhe, com fide-
o mesmo: pregar o evangelho. A lidade, a palavra de Jesus (At 2:42).
grande comissão diz: Portanto, vão Só deve ser batizado quem crer na
e façam discípulos de todas as na- mensagem (Mc 16:16). Na igreja
ções, batizando-os no nome do primitiva, os novos convertidos não
Pai, do Filho e do Espírito Santo eram apenas adeptos, nem apenas
(Mt 28:19 – NBV). É o mandato de simpatizantes da fé ou cristãos no-
Jesus à igreja. Priorizamos a evan- minais: eles se tornavam discípulos:
gelização, quando obedecemos ao Crescia a palavra de Deus, e, em Je-
que Cristo nos designou: sermos rusalém, se multiplicava o número
discípulos missionários. Por isso, “a dos discípulos; também muitíssi-
Grande Comissão foi dada por Cris- mos sacerdotes obedeciam à fé (At
to não somente aos 11 apóstolos, 6:7 – Grifo nosso). Não devemos
mas também, por extensão a todos evangelizar e batizar só por núme-
os seus seguidores”.4 ros: temos que fazer a proclamação
com ensino e consolidação, para
4. Williams (2011: 858). que, de fato, a pessoa se torne discí-

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pula de Jesus, multiplicadora de seu falando em línguas ou chorando nos
ensino, pescadora de homens. O Se- cultos. O princípio bíblico apresenta-
nhor da igreja nos deu essa ordem e do em Atos é que crentes batizados
obedecer-lhe é uma prioridade. no Espírito Santo ficam ainda mais
entusiasmados para evangelizar e fa-
3. O poder do Espírito Santo: lar das grandezas de Deus.
Outro motivo que temos para colo- No livro de Atos, sempre que as
car a evangelização como prioridade pessoas são cheias do Espírito Santo
é que fomos capacitados pelo Espíri- são impulsionadas a proclamar Jesus
to Santo para isso. Vale lembrar que Cristo. Vejamos o texto de Atos 4:31:
todo crente que se rende a Cristo Tendo eles orado, tremeu o lugar
recebe o Espírito Santo (1 Co 3:16). onde estavam reunidos; todos fica-
Lídia só pôde crer em Jesus porque ram cheios do Espírito Santo e, com
Deus lhe abriu a mente (At 16:14), e, intrepidez, anunciavam a palavra de
assim, quando creu no Senhor, ela re- Deus. Por assim ser, espera-se que
cebeu o Espírito Santo. De fato, todo o crente batizado no Espírito Santo
aquele que recebeu Jesus em sua vida evangelize mais, pois, para isso, rece-
é morada do Espírito de Deus. Deste beu o “poder do alto”. Quem é capa-
modo, todo cristão tem a capacidade citado por Jesus com o Espírito Santo,
de proclamar o evangelho. Não há terá a proclamação como prioridade
desculpas para não evangelizar. To- em sua vida, pois a missão do Espírito
dos podemos, pois Deus está em nós. é convencer a humanidade do seu es-
Além disso, podemos ficar ainda tado pecaminoso (Jo 16:8).
mais inflamados pela obra missio-
nária e isso acontece quando somos 4. O valor da pregação cristã:
batizados no Espírito Santo. Esse ba- A evangelização era a tarefa mais
tismo faz o nosso coração arder pelo importante dos primeiros cristãos,
evangelismo local e por missões. Veja também devido ao senso de urgên-
o exemplo de Pedro. Logo depois de cia que habitava o coração deles. Sa-
receber esse poder do alto, levantou- biam que pregação era o único meio
-se diante de uma multidão e, com de as pessoas serem salvas. Enten-
toda ousadia, declarou: Cada um diam que o objetivo de evangelizar
de vocês deve abandonar o pecado, é para abrir-lhes os olhos e convertê-
voltar-se para Deus e ser batizado no -los das trevas para a luz, e do poder
nome de Jesus Cristo para o perdão de Satanás para Deus, a fim de que
dos seus pecados (At 2:38 – BV). recebam o perdão dos pecados (At
Quem recebe essa dádiva espiritual 26:18). A pregação cristã é muito im-
tem um coração missionário. Jesus portante. Dela depende a libertação
não nos batiza apenas para ficarmos e a salvação de muitos. Em nossos

28 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


dias, pessoas continuam morrendo tantos estão incrédulos ao nosso re-
sem Cristo e condenadas. Se Cristo dor; entretanto, basta analisarmos se
voltasse hoje, muitos seriam conde- temos falado do evangelho, se temos
nados, sem terem o pleno acesso à nos conscientizado de que sobre nós
mensagem do evangelho. Isso é la- “pesa” essa obrigação (1 Co 9:16).
mentável! Pense nisto: a nossa pro- Olharemos a proclamação como
clamação deve ter o mesmo caráter urgência, quando nos lembrarmos
de urgência que havia em Atos. do destino das vidas que não se ren-
Na mente de Paulo, esse princípio derem a Jesus; quando nos lembrar-
estava muito claro. Ele cria e ensinava mos do juízo vindouro e da morte
que a única possibilidade de alguém eterna. A missão do Espírito Santo é
ser salvo é a pregação do evangelho. justamente convencer do pecado, da
Dizia: ... todo aquele que invocar o justiça e do juízo (Jo 16:8); a nossa, é
nome do Senhor será salvo. Como, dizer que o Espírito de Deus pode dar
pois, invocarão aquele em quem não nova vida às pessoas, para saírem do
creram? E como crerão naquele de juízo e ganhar uma vida de completa
quem não ouviram falar? E como liberdade (At 26:18). Que possamos
ouvirão, se não há quem pregue? nos esforçar para pregar a mensagem
(Rm 10:13-14 – grifo nosso). Deve- de Cristo, tendo em mente o juízo
mos falar, devemos divulgar Jesus. vindouro e sabendo que o evangelho
Devemos levar o seu nome aonde for- é o poder de Deus para a salvação de
mos. Às vezes, não sabemos por que todo aquele que crê (Rm 1:16).

01. Leia o item 2; At 2:23-24, 10:38; 2 Tm 2:3-4, e responda: Qual é a


vontade do Pai, com relação à humanidade perdida? Qual é o papel
de Jesus e o da igreja para que vontade do Pai se cumpra?

02. Com base em Mt 28:19-20, comente a ordem que Jesus deixou


a sua igreja. Você concorda que a proclamação deve ser uma
prioridade da igreja?

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03. Após ler At 1:8, 4:31 e o item 3 do comentário, responda:
O que o poder de Deus em nossas vidas tem a ver com a
proclamação do evangelho? Qual deve ser a atitude de quem
é batizado no Espírito Santo?

04. Qual é a importância da pregação do evangelho? Por que o


evangelismo é uma tarefa urgente? Baseie-se em At 26:18; Rm10:13-14.

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. A obra missionária é priorida- Qual é a lição? Todos os membros da


de para nós, quando enviamos os igreja local devem se envolver com
melhores obreiros. o evangelismo, mas, principalmente,
Veja o exemplo da igreja de Antio- os consagrados e a liderança. Eles
quia (cf. At 13:1-3). Ali, havia profe- devem ser o exemplo. Devem coor-
tas e mestres, dentre os quais o Se- denar o evangelismo. Devem minis-
nhor separou a Paulo e Barnabé (v. trar os estudos nos grupos peque-
2). Estes foram enviados para evan- nos. De igual modo, quando a igreja
gelizar e plantar novas igrejas (At 13 enviar missionários para evangelizar
e 14). Perceba que eram os melhores outros povos, precisa enviar os me-
obreiros daquela igreja, pois eram lhores, porque a obra missionária é
os mais experientes e capacitados. importante. É uma prioridade.

05. Leia Atos 13:1-3 e responda: Que lição aprendemos com a igreja
de Antioquia sobre priorizar a obra missionária?

30 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


2. A obra missionária é priorida- o dinheiro e colocou-o aos pés dos
de para nós, quando entregamos apóstolos (At 4:37 – AS21). Fazendo
os melhores recursos. assim, estaremos vivendo a palavra
A igreja local que prioriza a procla- que nosso Senhor Jesus disse: Mais
mação deve ser formada de crentes bem aventurado é doar que receber
que tenham o bolso aberto para a (At 20:35). O ardor por missões não
evangelização. Nossos recursos de- deverá restringir-se ao coração, mas
vem estar disponíveis para o reino de deve chegar ao nosso bolso. Que
Deus. Imitemos Barnabé, que, pos- possamos evangelizar usando os nos-
suindo um terreno, vendeu-o, trouxe sos melhores recursos financeiros.

06. Leia a segunda aplicação; At 20:35, e responda: Como podemos


priorizar a proclamação do evangelho através de nosso dinheiro?

3. A obra missionária é priorida- também seu tempo (At 11:22). Que


de para nós, quando damos o possamos dar o melhor do nosso
melhor de nós mesmos. tempo e da nossa capacidade para
Devemos ajudar projetos missio- que vidas sejam alcançadas. Qual
nários em outros lugares do mun- é o seu dom? É cantar, ensinar,
do; porém, não devemos esquecer interceder ou pregar? Use-o no
o “mundo” ao nosso redor, isto é, evangelismo! Não devemos medir
a comunidade local. Onde congre- esforços em fazer o melhor para o
ga, você deve fazer o seu melhor Senhor. Que possamos nos esfor-
para ganhar almas. Barnabé não çar para que proclamemos a Jesus
somente doou seus recursos, mas da melhor forma.

07. Com base na terceira aplicação, responda: O que significa investir


o melhor de nós mesmos na evangelização?

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DESAFIO DA SEMANA

Colocar a proclamação como tarefa principal não é fácil, mas


também não é impossível. Podemos, a partir de agora, conscienti-
zar-nos mais uns aos outros, a fim de proclamarmos o evangelho.
Podemos formar, em nossa igreja local, um grupo de evangelismo
que se reúna para orar pelo crescimento da igreja e que saia para
pregar o evangelho e ministrar estudos bíblicos. Aceitem esse de-
safio, pastores e presbíteros, diaconisas e diáconos, homens, mu-
lheres, jovens, adolescentes e crianças. Vamos fazer de nossa co-
munidade local um lugar onde a evangelização é praticada como
prioridade, para glória de Deus Pai.

32 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


4
A ação do
Espírito Santo na
proclamação
28 DE JULHO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 69 • BJ 76

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ajudar o estudante Tendo eles orado, tremeu o lugar em que
da palavra de Deus
estavam reunidos; todos ficaram cheios do
a entender o papel
do Espírito Santo Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam
na proclamação do a palavra de Deus. (At 4:31)
evangelho e desafiá-lo
a viver como viveram os
crentes na igreja primitiva: INTRODUÇÃO
submissos e cheios
do Espírito. Nesta era de secularismo não tem havido
espaço para o Espírito Santo atuar na vida de
muitos crentes e igrejas que entendem que,
LEITURA DIÁRIA com apenas um bom marketing, dinheiro e
D 22/07 At 9:1-19 bons equipamentos, podem fazer a obra do
S 23/07 At 9:20-31 Senhor. Muitos eventos eclesiásticos, ainda
T 24/07 At 9:32-43
que com aparência de elevada espirituali-
Q 25/07 At 10:1-8
dade, são apenas resultados de estratégias
Q 26/07 At 10:9-22
S 27/07 At 10:23-31 humanas. Em muitas situações, o Senhor é
S 28/07 At 10:32-43 invocado com os lábios, mas o coração está
distante dele. Na semana passada, vimos o
quanto a proclamação tem de ser encarada
com responsabilidade na igreja. Nesta sema-
na, veremos que, sem o Espírito Santo, não
há êxito na proclamação.

I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

Acesse os
Comentários Adicionais A igreja do primeiro século viveu tempos
e os Podcasts difíceis por causa das perseguições dos judeus
deste capítulo em
www.portaliap.com.br e dos romanos e, em muitos momentos, as
dificuldades foram mais intensas. Em tempos

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de crise, quando suas forças eram in- em dois volumes, não se tinha um
suficientes, sabiam recorrer ao poder título separado. A igreja do primeiro
que não era humano. Souberam, na século o tinha como a segunda parte
prática, como o Senhor Jesus foi fiel do Evangelho de Lucas. A ocorrência
em prometer e cumprir: E eu rogarei mais antiga que se conhece com o
ao Pai, e ele vos dará outro consola- título “Atos dos Apóstolos” é próxi-
dor a fim de que esteja para sempre ma ao ano 180 depois de Cristo.2 A
convosco (Jo 14:16). Oraram para palavra grega traduzida por “Atos”
que, capacitados pelo poder do Es- é Praxeis. No mundo antigo, esta
pírito Santo, permanecessem inaba- era usada para descrever os grandes
láveis e se mantivessem obedientes feitos de um povo ou de cidades.3
à ordem do Senhor para pregar o Como o livro descreve o estabeleci-
evangelho em todo o mundo. mento da igreja e como Deus usou
os apóstolos de maneira especial
1. O livro de Atos do Espírito nessa tarefa, o título não está erra-
Santo: As palavras iniciais do livro do. Contudo, apesar de não ser in-
de Atos são: “o primeiro tratado”. coerente ou errado, será que este é
Isso porque este livro deve ser com- o título mais adequado? Os grandes
preendido em conjunto com o livro responsáveis por estes grandes feitos
anterior (Evangelho de Lucas). Neste, foram os apóstolos?
temos o que Jesus começou a fazer Parece que o escritor tem um
e a ensinar, durante o seu ministério acentuado interesse pelo apóstolo
terreno. Já no livro de Atos, temos o Pedro; porém, nada é dito sobre sua
que Jesus continuou a fazer e a en- obra após o concílio dos apóstolos
sinar por intermédio da igreja sob a (capítulo 15), nem mesmo sobre sua
capacitação do Espírito Santo. A pa- morte. Mesmo a respeito de Paulo,
lavra “começou”, em At 1:1, suge- que aparece em 16 dos 28 capítulos
re exatamente isso. O livro de Atos, do livro e cujas viagens missionárias
apesar de tratar sobre acontecimen- são relatadas, são omitidos detalhes
tos posteriores à ressurreição e à as- essenciais, e nada é dito sobre seu
censão de Jesus, continua tratando julgamento e sua morte. Existe pou-
do ministério dele, que continua, e ca informação a respeito de João e
agora Jesus é proclamado pela igreja Judas e absolutamente nada sobre
sob a capacitação do Espírito Santo.1 os demais apóstolos, exceto a citação
O título “Atos dos Apóstolos” de seus nomes (At 1:13) e a presença
não foi dado originalmente por Lu- da expressão “os apóstolos” (cf. At
cas. Como se tratava de uma obra
2. Williams (1996:26).
1. González (2011:32). 3. Carson et al (1997:203).

34 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


16:4), para se referir a um grupo co- 2. O Espírito Santo dirige a
eso que agia em conjunto. As infor- proclamação: Os apóstolos estu-
mações anteriores não devem levar o daram na melhor faculdade de te-
leitor a imaginar que houve descuido ologia que se possa imaginar: eles
por parte do escritor; ao contrário, fizeram um curso intensivo – ma-
fica perceptível que o objetivo do nhã, tarde e noite –; tiveram aulas
escritor sagrado é somente mostrar teóricas e práticas; fizeram estágio
o progresso do evangelho pelo mun- supervisionado nas mais diferentes
do, e, diante de objetivo tão eleva- e importantes situações; tiveram a
do, todos os instrumentos humanos mais consistente grade de maté-
deixam de ser os mais importantes. rias, e, além disso, tiveram aulas
Apenas Deus e sua magnífica obra com o maior mestre de todos os
não perdem a importância.4 tempos: o Senhor Jesus Cristo (Jo
Na verdade, o grande personagem 13:13). Tudo isso ainda não era o
de Atos é o Espírito Santo. São mais suficiente para proclamarem com
de 50 menções a sua pessoa. Mesmo eficácia o evangelho. Por causa
as ações dos apóstolos só acontece- da natureza da obra missionária,
ram por iniciativa dele. O livro de Atos que é espiritual e com efeitos so-
“narra as ações do Cristo ressurreto, brenaturais na vida das pessoas,
realizadas por meio dos apóstolos, por somente o preparo acadêmico não
obra do Espírito Santo”.5 Eles recebe- produz missionários segundo o co-
riam poder do Espírito (At 1:8) para ração de Deus.
proclamar. Quando oravam, no dia de Sabedor de que ainda não esta-
Pentecostes, o Espírito Santo desceu vam prontos para cumprir o “Ide”,
sobre eles (At 2:4). A partir de então, Jesus os proibiu de saírem de Jeru-
não cessaram mais de falar sobre Jesus salém enquanto não recebessem o
(At 4:31). O Espírito começa a ser pro- Espírito Santo (At 1:4 e Lc 24:49). Ao
eminente nos acontecimentos: julgan- proibi-los, Jesus lhes ministrou qua-
do (At 5:3), testemunhando (5:32), tro ensinamentos: O primeiro é que
capacitando (At 6:3), dando coragem todo preparo, por melhor que seja,
(At 9:31), batizando (At 10:15-17), sem o Espírito, será ineficaz na pro-
separando (At 13:1) etc. Em Atos, te- clamação. O segundo ensinamento
mos, então, os “Atos do Espírito San- é que, para o crescimento da igreja,
to”. Por isso, o título “Atos do Espírito é preciso a atuação do Espírito San-
Santo” já foi sugerido como o mais to. O terceiro é que todo projeto de
correto para este livro. plantação ou revitalização da igreja
não deve ser iniciado sem ser sub-
metido ao Espírito Santo, em oração.
4. Boor (2003:8).
5. Bickel & Jantz (2002:256). O quarto ensinamento é que nada

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deve ser feito na obra missionária ação missionária, em toda a história
sem obediência ao Espírito Santo.6 da igreja de Cristo.
Todo cristão e toda igreja deve
ter a evangelização do mundo como 3. Crentes cheios do Espírito
uma tarefa singular. O tema central Santo são proclamadores eficazes:
de Atos é evangelização e missões. Em Atos, lemos: todos ficaram cheios
Toda atividade missionária registra- do Espírito Santo e, com intrepidez,
da nesse livro é iniciada e concluída anunciavam a palavra de Deus (At
pela ação do Espírito de Cristo. Sem 4:31). O Espírito Santo capacita os que
essa ação não existe trabalho missio- creem a testemunharem com ousadia
nário cristão. A igreja prega, mas é e com eficácia sobre Jesus Cristo. O
ele quem chama eficazmente o pe- crente cheio do Espírito Santo procla-
cador para ser salvo (At 2:39); quem ma Jesus Cristo em seu viver diário. O
converte ou regenera (Jo 3:3-7); contexto, aqui, é de perseguição con-
quem vivifica (Jo 6:63; Ef 2:1); quem tra a igreja. Em oração, os discípulos
acrescenta novas pessoas à igreja afirmaram que os povos haviam se
(At 2:47). O Espírito Santo age na ajuntado contra o “santo Servo Jesus”
vida do crente em Cristo motivando- (At 4:27), possivelmente se referindo
-o e capacitando-o para a proclama- ao servo sofredor de Isaías 53.7
ção do evangelho. A oração dos discípulos não foi
O testemunho humano, por si para serem livres das tribulações,
só, não alcança a consciência das mas para receberem coragem para
pessoas e nem pode transformá-las. enfrentá-las e continuarem procla-
Quem transforma é o Espírito San- mando “com toda a intrepidez” (At
to. Somente ele tem o poder para 4:29). Cheios do Espírito Santo, isto
atestar, no interior das pessoas, as é, sob o domínio e a direção do Es-
verdades proclamadas pelos cren- pírito, eles continuaram sua marcha
tes, de maneira que possam se con- anunciando Jesus. Estes crentes de-
verter a Cristo (Jo 16:13). O sucesso monstraram valorizar a palavra de
evangelístico, na era apostólica, não Deus; afinal, como vimos anterior-
se deu por causa da inteligente es- mente, esta se encontrava em alguns
tratégia missionária elaborada pelos trechos da sua oração. Enquanto ora-
apóstolos, mas pela ação do Espíri- vam, eles a citavam. Todavia, valori-
to revelando à igreja as estratégias zavam a palavra não apenas porque
divinas, ora ordenando avançar, ora a citavam, mas porque demonstra-
impedindo de avançar (At 16:6). vam disposição de defendê-la firme-
Ele é o estrategista e o executor da mente, mesmo nas adversidades.

6. Casimiro (2009:41). 7. Idem, p.110.

36 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


O texto diz: todos ficaram cheios Deus fez tremer o lugar onde a
do Espírito Santo (At 4:31a). Ser cheio igreja estava reunida, como sinal
do Espírito não era uma prerrogativa de que a sua oração fora atendida.
dos apóstolos. Esse poder está dis- Há o perigo de se achar que o sinal
ponível a toda a igreja. Ser cheio do mais importante aqui foi o tremor.
Espírito Santo é ter a vida como um Todavia, o sinal mais importante
todo controlada por ele. Mais do que foi que “todos ficaram cheios do
falar em línguas, os crentes precisam Espírito Santo”. Muitos querem
amar e valorizar a palavra de Deus, ver o local tremer, como sinal da
a ponto de não se contentarem em presença de Deus. Os discípulos,
guardá-la para si, mas terem prazer porém, pediram capacitação para
em anunciá-la com intrepidez (At pregar o evangelho e, em respos-
4:31b). Jesus afirmou que o Espírito ta, ficaram cheios do Consolador.
da verdade seria a sua testemunha (Jo Quem está cheio do Espírito, sente
15:26). Em todo o livro de Atos, nós o coração pulsar no rítimo do cora-
o vemos usando pessoas, para que ção de Deus e não tem alternativa,
Cristo fosse proclamado. Todo cren- a não ser proclamar Cristo (1 Co
te cheio do Espírito Santo proclama a 9:16). Todos cheios do Espírito, to-
mensagem do evangelho eterno. dos proclamam.

01. Após ler o item 1, comente com a classe por que o título
“Atos do Espírito Santo” ficaria mais apropriado para o livro de
Atos dos Apóstolos.

02. Leia o item 2; Lc 24:49; At 1:4, e comente sobre a importância do


Espírito Santo na proclamação.

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03. Leia o segundo parágrafo do item 3; At 4:24-30, e comente sobre
o conteúdo da oração dos discípulos.

04. Leia At 4:31; o item 3, e comente sobre as características dos


crentes cheios do Espírito Santo.

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. A ação do Espírito Santo na usados para cantar, pregar, ensinar,


proclamação é cristocêntrica. evangelizar, ou fazer qualquer outra
As poucas referências aos apósto- coisa na obra do Senhor, precisamos
los e suas ações registradas no livro saber que o objetivo do Espírito San-
de Atos não os deixaram enciumados. to é sempre glorificar a Cristo. Jesus
Suas vidas foram transformadas de sempre é o centro na obra missio-
maneira tão extraordinária que não nária. Veja, por exemplo, Filipe: sua
havia espaço em seu coração para mensagem estava centrada em Jesus,
competição. Muitas vezes, somos ten- e, no final, o eunuco reconheceu que
tados a competir uns com os outros, este é o Filho de Deus (At 8:35-37).
e até pensamos que devemos receber Depois de batizá-lo, Filipe saiu de cena
privilégios por aquilo que o Senhor nos para que a luz de Cristo brilhasse ain-
capacita a fazer. Na obra missionária, da mais. O eunuco não viu mais Filipe,
quem deve aparecer não é o procla- mas voltou para sua casa alegre e com
mador, mas o proclamado. Se formos Jesus no coração (At 8:38-39).

05. Quem deve sempre ser glorificado na proclamação? É isso que


tem acontecido? Como podemos fazer com que isso aconteça?

38 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


2. A ação do Espírito Santo na do alto sejais revestidos de poder”.
proclamação é insubstituível. A igreja de hoje, como em todas as
Estratégias bem elaboradas, re- épocas, precisa ter a consciência de
cursos financeiros, equipamentos de que, na proclamação, absolutamente
última geração têm sua importância nada substitui a ação do Espírito San-
na proclamação, mas o perigo é pen- to. O coração humano continua com
sarmos que, com esses recursos, es- as mesmas necessidades dos dias da
tamos prontos para fazer a obra do igreja primitiva, e só o Espírito de
Senhor e nos esquecermos da ordem: Deus pode tocá-lo através da mensa-
“Permanecei, pois, na cidade, até que gem proclamada pelo crente.

06. De que maneira você pode deixar clara sua dependência do


Espírito Santo na proclamação?

3. A ação do Espírito Santo na ajudará a valorizar e a viver de


proclamação é capacitadora. acordo com a palavra, colocando
Sem a capacitação do Espírito, sua obra acima de nossas vidas e
a pregação e a evangelização, por de nossos interesses particulares.
mais elaboradas que sejam, ficam A grande necessidade desta ge-
vazias, cansativas e infrutíferas. ração é de pessoas rendidas in-
Por outro lado, quando estamos condicionalmente a Cristo e que,
cheios do Espírito Santo, por mais em obediência ao Espírito Santo,
árdua que seja a missão, podemos sejam testemunhas fiéis de Cristo.
executá-la com eficácia, porque Por isso, deixem-se encher pelo
o poder que está em nós nos Espírito (Ef 5:18-21).

07. Comente sobre a importância da capacitação do Espírito na


proclamação. Como saber se estamos deixando o Espírito
nos encher? Leia Ef 5:18-21.

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DESAFIO DA SEMANA

Homens, mulheres, jovens e crianças necessitam de alguém


que lhes fale de Jesus. Estas pessoas estão pelas ruas, nos locais
de trabalho, nas escolas, nas festas. O Senhor da igreja pode con-
tar com você para lhes falar a respeito do Salvador? A Bíblia per-
gunta: Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E
como crerão naquele de quem nada ouviram? E, como ouvirão
se não há quem pregue? (Rm 10:14). Muitos pensam que não
têm jeito para anunciar a Cristo ou que não é o seu chamado.
O Espírito Santo quer anunciar Jesus por seu intermédio e pode
capacitá-lo com poder sobrenatural. Separe um momento, nesta
semana, para orar e pedir a capacitação divina. Que tal começar
a fazer isso agora? Conforme afirmou Bounds8: “O que a Igreja
necessita não é de mais e melhor maquinismo, de novas organi-
zações ou mais e novos métodos, mas de mais homens a quem o
Espírito Santo possa usar”.

8. Apud Casimiro (2009:47).

40 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


5
O segredo da
proclamação é
a oração
4 DE AGOSTO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 84 • BJ 313

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar que um dos Todos eles se reuniam sempre em oração,
grandes segredos para
com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de
o avanço da igreja, em
Atos, foi a oração e Jesus, e com os irmãos de Jesus. (At 1:14)
desafiar a igreja atual
a cultivar essa
importante prática. INTRODUÇÃO
Pela graça de Deus, chegamos ao quinto
LEITURA DIÁRIA estudo desta série de lições intitulada Igreja
D 29/07 At 10:44-48
proclamadora: princípios bíblicos para evan-
S 30/07 At 11:1-18 gelização em Atos dos apóstolos. De acordo
T 31/07 At 11:19-30 com o que vimos na última lição, o promotor
Q 01/08 At 12:1-8 da obra missionária é o Espírito. É ele quem
Q 02/08 At 12:9-19 dirige e capacita os discípulos a proclama-
S 03/08 At 12:20-25
rem o evangelho. Sendo assim, para que es-
S 04/08 At 13:1-12
tes obtenham êxito, precisam caminhar em
harmonia e dependência dele. O segrego da
igreja de Atos, para manter essa comunhão
com Deus e estar em sintonia com o Espírito
Santo, o promotor da obra missionária, foi
a oração. Abra, então, a sua Bíblia, e, jun-
tos, vamos entender por que a oração é tão
importante no que se refere à pregação do
evangelho de Cristo.

I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS


Acesse os
Comentários Adicionais Sabemos que o livro de Atos refere-se às
e os Podcasts ações proclamadoras da igreja primitiva. Con-
deste capítulo em
www.portaliap.com.br forme os capítulos avançam, os protagonistas
até se modificam (nos primeiros capítulos, a

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ênfase maior está sobre as ações de ao invés de desistirem da fé, reuniam-
Pedro; já a partir do capítulo 13, Pau- -se e erguiam suas vozes em clamo-
lo é o apóstolo mais citado). No en- res, e Deus lhes dava força. Os após-
tanto, uma ideia permanece: a igreja tolos, que eram líderes dessa igreja,
tem o dever de anunciar o evangelho entendiam que a oração deveria ser
de Jesus. Conforme já afirmamos, uma prioridade em seus ministérios,
um dos segredos para se alcançar assim como pregar o evangelho era
sucesso nessa tarefa é, justamente, outra (At 6:4). Em Atos, capítulo 12,
a oração. A igreja de Atos era uma lemos que, após a morte de Tiago e
igreja que orava. Quando a igreja a prisão de Pedro, a igreja não teve
depende de Deus, ele a responde outra reação senão colocar-se a orar:
(cf. At 1:14, 2:42, 4:31, 6:4, 9:11, Durante todo o tempo em que ele
16:16, 20:36). A seguir, vamos ob- estava na prisão, a igreja orava fervo-
servar o exemplo dos primeiros cris- rosamente a Deus (v.5). As Escrituras
tãos nesta questão, buscando fazer dizem que um anjo enviado por Deus
o mesmo em nossos dias. libertou Pedro daquela prisão (v.7).
Após estar em liberdade, o após-
1. Oração, uma marca da igreja: tolo decidiu ir para casa de Maria, a
A igreja nasceu em oração.1 Quando mãe de João Marcos, e lá encontrou
o Senhor Jesus retornou ao céu, cen- muitas pessoas que estavam congre-
to e vinte discípulos ficaram orando gadas e oravam (v.12). A igreja pri-
unânime e fervorosamente, enquan- mitiva era incansável na oração. O li-
to aguardavam o cumprimento da vro de Atos nos mostra que, algumas
promessa do Pai (At 1:12-15), que vezes, enquanto oravam, muitos iam
era o derramamento do Espírito so- sendo batizados no Espírito Santo
bre eles (At 1:8). O mover do Espírito (At 8:14-17; 19:1-7). Os crentes sa-
Santo, no dia de Pentecostes, acon- íam dos cultos inflamados pela obra
teceu após uma reunião de oração missionária, prontos a falar de Jesus.
de, aproximadamente, sete dias. A Aquela igreja orava, a terra tremia,
partir dali, aquela igreja nunca mais as portas da prisão eram abertas, o
deixou de orar. Sobre ela, Lucas es- evangelho avançava com poder e o
creveu: E perseveravam na doutrina nome de Cristo era glorificado.
dos apóstolos e na comunhão, no A comunidade cristã em Antio-
partir do pão e nas orações (At 2:42 quia, por exemplo, estava em con-
– grifo nosso). sagração, quando o Espírito Santo o
Quando as perseguições e amea- orientou na obra missionária, sepa-
ças tentavam calar aqueles cristãos, rando Barnabé e Saulo. Foi orando,
jejuando e impondo as mãos sobre
1. Lopes (2004:66). eles que ela os enviou para as mis-

42 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


sões (At 13:2-3). A igreja não apenas escreveu: “Quando o homem traba-
nasceu em oração, mas também so- lha, o homem trabalha. Quando o ho-
breviveu e cresceu orando. O fato é: mem ora, Deus trabalha”.4 Os primei-
“Sempre que a igreja experimentou ros cristãos entendiam isso. Sabiam
grandes avanços, ela estava cami- que, se confiassem em seus próprios
nhando de joelhos”.2 Se nós, igreja meios e em sua própria força, fracas-
do Senhor da atualidade, quisermos sariam. Por isso, a igreja dependia de
avançar, evangelizando e ganhando Deus em tudo, principalmente no que
vidas para Cristo, precisamos apren- diz respeito à evangelização dos per-
der e praticar o segredo dos primei- didos. É impossível haver crescimento
ros cristãos, que era levar a oração a genuíno na igreja sem oração. Não
sério. A igreja que é dedicada à ora- podemos jamais “pensar em planta-
ção é fervorosa, cresce e vive mais ção e revitalização de igreja, sem ora-
intensamente o poder de Deus. ção. Tudo deve começar, continuar e
terminar em oração”.5
2. Oração, um poderoso recurso: Quando o povo redimido põe-se a
Algo que chama à atenção em Atos é orar, Deus opera. Milagres ocorrem
que o povo de Deus não tinha muitos quando estamos de joelhos. Em ora-
recursos. Prova disso são as palavras de ção, nós crescemos e a igreja cresce
Pedro ao paralítico: Não tenho prata, também. Hoje, não podemos alegar
nem ouro, mas o que tenho, isto lhe que não temos recursos. Temos mais
dou. Em nome de Jesus Cristo, o Na- do que os primeiros cristãos tinham.
zareno, ande (At 3:6). Essa igreja não Por isso, infelizmente, muitas igrejas
possuía extravagância de bens, nem locais confiam e dependem tanto
dinheiro sobrando; não tinha qualquer de seus recursos que estão se des-
tipo de literatura impressa, e muito cuidando da oração. Não podemos
menos possuía a visibilidade que os permitir que estratégias, artifícios,
meios de comunicação podem ofe- capacidades humanas ou recursos
recer (rádio, televisão, internet) ou re- financeiros, utilizados no evangelis-
presentantes políticos; em muitos mo- mo, roubem o lugar de importância
mentos, não tinha liberdade de culto. que deve ter a oração.
Realmente, a igreja “não tinha nada, Sem a bênção de Deus, não adian-
mas possuía tudo: Deus. E por meio da ta evangelizar. É o mesmo que “ma-
oração, Deus trabalhava pela igreja”.3 lhar em ferro frio”. É desperdiçar
Johnstone, missiólogo e autor do
livro “Intercessão Mundial”, certa vez
4. Por que orar pelo mundo?. Disponível em:
<http://globalprayer365.net/pt/sobre/porque-
-orar-pelo-o-mundo> acesso em: 19 de abril
2. Lopes (2004:67). de 2012.
3. Casimiro (2009:47). 5. Casimiro (2009:47).

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tempo e recursos. Portanto, oremos les não foi para que Deus os livrasse
pedindo a sua bênção em nossa ação das aflições, mas para que fossem
evangelística. Devemos lembrar que capacitados a pregarem com mais
a obra missionária é uma verdadeira coragem a mensagem do evangelho.
guerra contra o reino das trevas (At Que bela oração!
26:16-18; Ef 6:10-13,18), e as armas Foram duas as dádivas que eles
com as quais lutamos não podem ser pediram a Deus. Em primeiro lugar,
carnais nem humanas, mas podero- pediram coragem. Queriam enfrentar
sas em Deus para destruir fortalezas a crise e as intimidações dos persegui-
(2 Co 10:4). Uma das formas de nos dores, sem medo da morte, mas con-
capacitarmos para essa guerra é oran- fiando no Senhor. Queriam ousadia
do. Na oração, o Espírito Santo nos dá e intrepidez para falar daquele que
poder e orientação. Jamais devemos morreu na cruz, mas que ressuscitou.
trocar o poder e a orientação de Deus Em segundo lugar, pediram confir-
“por métodos, técnicas e práticas ad- mação. Queriam que o Espírito Santo
ministrativas ou de marketing”.6 Ao continuasse respaldando o trabalho
contrário, devemos orar para que o deles com curas, sinais e maravilhas.
Senhor nos conduza nessa obra. Desejavam que a “mão de Deus” con-
tinuasse com eles. Isso é evidência de
3. Oração, uma fonte de poder: que aqueles cristãos não estavam con-
Um bom exemplo da prática de ora- fiando na própria força, mas, sim, no
ção ligada à proclamação está regis- poder do alto, que os fazia testemu-
trado em Atos 4:23-31. Depois que nhas de Cristo. Nessa oração, estavam
foram soltos, Pedro e João contaram se colocando nas mãos de Deus.
aos outros apóstolos as ameaças que Depois de orarem, tremeu o lugar
sofreram do Sinédrio (At 4:23-24). em que estavam reunidos; todos
Ali, orando a Deus, os discípulos pe- ficaram cheios do Espírito Santo e
dem que ele os capacite, diante das anunciavam corajosamente a pala-
oposições e ameaças dos persegui- vra de Deus (v.31). Saíram daquela
dores do evangelho e da igreja de reunião cheios de amor pela obra
Cristo. Eles oraram dizendo: Agora, e prontos a morrer por Cristo. Essa
Senhor, (...) capacita os teus servos oração enfatiza a forma pela qual o
para anunciarem a tua palavra cora- corpo de Cristo deve ser capacitado
josamente. Estende a tua mão para e encorajado. Outro aspecto impor-
curar e realizar sinais e maravilhas tante nessa relação entre oração
por meio do nome do teu santo ser- e evangelismo é a intercessão. É o
vo Jesus (At 4:29-30). O pedido de- próprio Mestre quem incentiva a in-
tercessão pela obra missionária: A
6. Idem, p. 46. seara na verdade é grande, mas os

44 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


trabalhadores são poucos. Rogai, tas para a pregação (Cl 4:2-4). Ele es-
pois, ao Senhor da seara que man- creve: Orem também por mim, para
de trabalhadores para a sua seara que, quando eu falar, seja-me dada
(Mt 9:37-38). a mensagem a fim de que, destemi-
Por sua vez, Paulo nos estimula a damente, torne conhecido o mistério
interceder pelos perdidos (Rm 10:1; do evangelho (Ef 6:19). Sem a inter-
1 Tm 2:1,3,4) para que sejam salvos. cessão, o trabalho missionário seria
É preciso orar pela salvação de nos- meramente humano. Com ela, o
sos familiares e amigos. É necessário resultado é notável. Através da ora-
interceder por nosso bairro, nossa ção, a igreja pode clamar a Deus por
cidade e nosso país. É fundamental poder espiritual. Lembre que um dos
clamarmos pelos povos não alcan- grandes segredos para que o Espírito
çados. Paulo também nos ensina Santo atuasse sobre a igreja de Atos
a orar pelos missionários, para que e fizesse com que a obra avançasse
eles tenham ousadia (Ef 6:20; 1 Ts foi a oração. Cultivemos essa prática
5:25) e para que portas sejam aber- importante e benéfica!

01. Leia o item 1 e responda: Por que podemos dizer que oração é
marca da igreja de Cristo? Leia também At 1:12-15, 2:42, 6:4, 12:5-12.

02. Após ler At 3:1-6, comente a afirmação: “A igreja primitiva não


tinha muitos recursos”. Os primeiros cristãos confiavam em seus
próprios recursos?

03. Por que oração e jejum são tão importantes na pregação do


evangelho? Você concorda que a evangelização é uma guerra contra o
reino das trevas? Baseie-se em At 26:16-18; 2 Co 10:4; Ef 6:10-13,18-20.

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04. Leia At 4:23-31 e comente esse episódio em que vemos a oração
como a fonte de poder da igreja. Fale também sobre a importância
da intercessão pela obra missionária (cf. Mt 9:37-38; Ef 6:19-20;
Cl 4:2-4; 1 Tm 2:1,3,4).

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Na proclamação, oremos admi- oraram: ... olha para suas ameaças


tindo o cuidado de Deus. (At 4:29). Eles não pediam castigo
Deus está profundamente envol- para os inimigos, pois sabiam que
vido na obra missionária. Além de Deus estava observando tudo o que
entender que Deus criou todas as estava acontecendo. Noutras pala-
coisas (At 4:24), os apóstolos acre- vras, o que os apóstolos estavam
ditavam que ele também cuida de dizendo era: “Quanto às ameaças,
todas as coisas. Enxergamos a ad- deixamos tudo nas tuas mãos, Se-
missão desta verdade na oração nhor”. Na obra missionária, nunca
em Atos 4:24-30. Primeiro, eles se esqueça de orar agradecendo a
afirmaram que os acontecimentos Deus por seu cuidado. Ele tem diri-
referentes à morte de Jesus – as gido a sua obra! Ele tem observado
alianças corruptas para o mata- tudo atentamente! Ele é Deus! Se
rem, por exemplo – aconteceram não fosse o cuidado de Deus, há
segundo a vontade de Deus. E, no muito o cristianismo teria deixado
que se refere às ameaças que re- de existir, diante dos ataques que
ceberam das autoridades judaicas, sofreu ao longo do tempo.

05. Após ler a primeira aplicação, responda: Quem está cuidando da


obra missionária em todos os lugares? Diante disso, qual deve ser a
postura de um crente maduro, ao orar por missões.

46 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


2. Na proclamação, oremos supli- acesso aos recursos financeiros ou a
cando coragem a Deus. grandes meios de comunicação. Ore,
Nós já estudamos que a igreja pri- assim como a igreja primitiva, pedin-
mitiva não possuía grandes recursos, do coragem e ousadia para evangeli-
mas isso não era impedimento para zar e proclamar (At 4:29; Ef 6:19-20),
que a mensagem de Cristo fosse e pedindo, ainda, que o Senhor abra
proclamada com coragem e ousa- portas para o evangelismo e que lhe
dia. Por isso, não fique preocupado, dê as palavras certas para falar do
se você ou sua igreja não tem muito amor de Cristo às pessoas (Cl 4:2-4).

06. Ao invés de nos preocuparmos excessivamente com os recursos


materiais, qual deve ser a nossa maior preocupação, no que se refere
à proclamação? At 4:29; Ef 6:19-20; Cl 4:2-4.

3. Na proclamação, oremos reconhece uma pessoa ou coisa, uma


pedindo sinais a Deus. marca ou prova confirmatória.7 Esta é
A igreja precisa orar pedindo a ideia bíblica para sinais. Milagres, na
para que, assim como fez no pas- obra missionária, apontam para Cris-
sado, Deus continue estendendo a to e confirmam a pregação. Está aí a
sua mão para realizar sinais e feitos razão por que devemos orar pedindo
extraordinários pelo nome de Je- sinais. Não é porque há charlatões no
sus (At 4:30b). No livro de Atos, os meio do povo de Deus, que usam os
sinais acompanhavam a pregação sinais para atrair a atenção para si,8
do evangelho. Aliás, o próprio Jesus ou por haver crentes que querem
disse: Estes sinais acompanharão [gr. milagres só pensando na solução de
parakoloythései – “seguir ao lado”] seus problemas que devemos parar
os que crerem (Mc 16:17). E depois, de pedir por eles. Na obra missioná-
saindo os discípulos, pregaram por ria, não abandonemos a súplica: “Se-
toda a parte, cooperando com eles o nhor, realiza sinais extraordinários!”.
Senhor e confirmando a palavra com
os sinais (Mc 16:20). A palavra grega 7. Coenen & Brow (2000:1287).
traduzida por “sinal”, em Marcos e 8. É bom que se diga que o fato de Deus rea-
lizar um milagre ou uma cura por intermédio
Atos, é sêmeion, significa sinal que de alguém não é um sinal decisivo de que tal
atrai a atenção, mediante o qual se pessoa pertence a Deus (cf. Mt 7:22-23).

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07. Por que os sinais são importantes na obra missionária?
Os apóstolos oraram por eles? A igreja atual deve, também,
fazer essa oração?

DESAFIO DA SEMANA

O grande segredo para a atuação do Espírito e o avanço missio-


nário da igreja, em Atos, foi a oração. Isso não é diferente entre
nós, hoje. De fato, a igreja não precisa de mais e novos métodos,
estratégias, programas e recursos: o que ela precisa é de homens e
de mulheres de oração, que busquem a direção do Espírito Santo e
que se permitam ser usados por ele nessa excelente obra. Por isso,
desafiamos você a montar, em sua igreja, um grupo de intercessão
por missões mundiais e pelo evangelismo local. Desafiamos tam-
bém você, pastor, a colocar a igreja em oração em prol do cresci-
mento dela. Estabeleça um plano de consagração. Tenha sempre
em mente que somos nós que plantamos e regamos, mas quem
dá o crescimento é o Senhor.

48 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


6
11 DE AGOSTO DE 2012
Para proclamar,
Deus usa pessoas!
Hinos sugeridos – BJ 56 • BJ 173

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ensinar ao estudante Entrementes, os que foram dispersos
que a proclamação do
iam por toda parte pregando a palavra.
evangelho é feita por
intermédio de pessoas e Filipe, descendo à cidade de Samaria,
desafiá-lo a se colocar à anunciava-lhes a Cristo. (At 8:4-5)
disposição de Deus para
ser usado por ele nesta
importante tarefa.

LEITURA DIÁRIA INTRODUÇÃO


D 05/08 At 13:13-25 Chegamos à sexta lição desta série. Até
S 06/08 At 13:26-41 aqui, já aprendemos que nosso manual para
T 07/08 At 13:42-52
a proclamação é o livro de Atos; que o cres-
Q 08/08 At 14:1-7
cimento da igreja é natural; que uma das
Q 09/08 At 14:8-18
S 10/08 At 14:19-28 tarefas principais da igreja é a proclamação;
S 11/08 At 15:1-5 que o grande agente e capacitador da obra
missionária é o Espírito Santo; que o grande
segredo para o avanço da igreja em Atos foi
a oração. Nesta lição, queremos tratar sobre
o método de Deus para levar a mensagem
até os confins da terra. Seu método era – e
ainda é – os seres humanos, homens e mu-
lheres que se prontificam para sua obra. Ele
capacitou as pessoas para serem suas teste-
munhas: ... mas recebereis poder, ao descer
sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas
Acesse os
Comentários Adicionais testemunhas (At 1:8a). As pessoas são o ins-
e os Podcasts trumento que Deus usa para a proclamação
deste capítulo em
www.portaliap.com.br do evangelho. Vejamos.

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I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

O livro de Atos, tal como expres- O homem é o receptor e o transmis-


sa seu próprio nome, é a narração sor da verdade do evangelho.
bíblica da ação divina por meio de O ser humano não é apenas o ins-
seres humanos. Não contém so- trumento para a concretização do
mente a história dos apóstolos, mas plano divino, mas é alvo deste pla-
a ação de diferentes tipos de ho- no. Sabemos disso, pois Cristo foi
mens e mulheres que foram usados enviado ao mundo para a salvação
por Deus para a proclamação. Nesta das pessoas. Precisou tornar-se igual
lição, estudaremos que Deus usou a elas (Hb 2:14-17). Para que fossem
pessoas, ao longo de toda a história justificadas, derramou seu sangue e,
da humanidade, e continua fazendo para garantir-lhes a salvação, morreu
isso. O chamado de Jesus Cristo, em e ressuscitou. Quando Jesus ascen-
Atos 1:8, para os discípulos serem deu aos céus, o plano de salvação
testemunhas estende-se a cada um passou a ser proclamado por inter-
dos cristãos. A história de Atos con- médio de pessoas. A fim de que a
tinua, e Deus ainda quer usar cada difusão do evangelho fosse realizada
membro da igreja na proclamação. com excelência, o Espírito Santo ha-
Confirmemos, então, este princípio bilitou a humanidade para pregar a
no livro de Atos. toda criatura (At 1:8; 2:1-4).1
Sendo o homem alvo do plano
1. Deus sempre usou pessoas: de salvação, Deus decidiu que este
Desde a criação da humanidade, deveria proclamar o evangelho, pois
Deus contou com pessoas para levar tem a mesma natureza pecaminosa,
a cabo seus desígnios. Deus usou é capaz de identificar-se com seus
pessoas para a formação, a lideran- iguais e desejar que sejam libertos
ça e a perpetuação de seu povo: da escravidão do pecado. Somen-
das mais prováveis, notórias, capa- te o homem pode experimentar a
citadas às menos prováveis, simples, alegria da salvação, e, em Cristo,
estrangeiras, escravas etc. Também recuperar sua natureza verdadeira;
usou pessoas para deixar registra- somente ele pode desfrutar do novo
da sua revelação, a Bíblia. Ao longo nascimento e da justificação pela fé.
de toda a história, houve pessoas Assim, é adequado que o evange-
que optaram por estar nas mãos de lho seja pregado pelas pessoas que
Deus para darem prosseguimento
aos seus propósitos. Isso não seria
diferente quanto à proclamação. 1. Casimiro (2009:55).

50 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


já desfrutam da maravilhosa graça. é responsabilidade exclusiva do pastor
Aqueles que são favorecidos pelo ou do líder de evangelismo, mas de
evangelho podem expressar com fi- cada um dos que se dizem cristãos.
dedignidade o quanto é bom estar Vamos verificar algumas das pessoas
em Cristo (2 Co 5:17). Paulo, uma que Deus usou no livro de Atos.
das pessoas listadas em Atos, tinha Primeiramente, vemos o ministério
consciência da obra de Cristo em fa- dos apóstolos, e dois se destacaram:
vor da sua vida (1 Tm 1:15). Pedro (cf. At 2:14-41, 3:11-26, 4:8-
Alguém que tenha recebido todos 13, 10:26-43) e Paulo (cf. At 9:20-
esses benefícios não pode deixar de 22, 13:16-41,44-49, 14:1, 15:35,
se compadecer dos que vivem espi- 16:13-15,30-32, 17:1-31, 18:1-17,
ritualmente mortos (Ef 2:1). Quem 19:1-10, 24:22-24, 28:23,30-31).
entende o plano de salvação em sua Pedro, nos evangelhos, era incons-
essência, não pode ficar inerte, mas tante, presunçoso, imprevisível e
precisa compartilhar. Esse é um sinal covarde. No livro de Atos, passou a
do nosso amor para com nosso se- despontar como um líder cheio do
melhante. A indiferença não pode conhecimento da verdade bíblica,
ser uma característica do discípulo direcionado pelo Espírito Santo, hu-
de Cristo. Por essa razão, Jesus nos milde e ousado. Paulo fora grande
ensinou a amar o próximo (Jo 13:34- perseguidor dos cristãos e presencia-
35). Esse amor é que torna necessá- ra a morte de Estêvão; após seu en-
ria a pregação do evangelho. Deus contro com Cristo, surge como um
usa pessoas para que se identifiquem dos maiores missionários, certamen-
com a miséria da condição humana, te responsável por grande parte do
a fim de que a merecida condenação crescimento da igreja primitiva.
não sobrevenha à humanidade. Alguns diáconos também se so-
bressaíram na proclamação: Estevão
2. Que tipo de pessoas Deus (At 6:8-10) e Filipe (At 8:5-7,12,26-
usa? O primeiro versículo de Atos diz 40, 21:8). Estevão não considerou
assim: ... relatando todas as coisas sua vida mais importante que a pre-
que Jesus começou a fazer e a ensi- gação do evangelho. Filipe dedicou-
nar. O verbo começou aponta para -se a evangelizar os samaritanos,
o fato de que Jesus fez seu trabalho povo miscigenado e excluído pelos
como humano e deixou que a igreja, judeus.2 Barnabé, que era um mes-
o seu corpo, o continuasse. Este livro tre, também se dedicou à proclama-
não apresenta apenas as ações dos ção (At 11:22-26, 13:43, 14:20-22,
apóstolos ou líderes, mas de vários
cristãos. Aprendemos, aqui, algo fun-
damental: a tarefa de evangelizar não 2. Wiersbe (2006:562).

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15:35). Era encorajador e compas- e pela proclamação do evangelho.4
sivo. Apoiou Paulo no começo de Apolo aparece como um eloquente
sua missão e deu nova chance a mensageiro da palavra de Deus (At
João Marcos, após este ter sido de- 18:24). Algumas mulheres também
sertor. Os cristãos que não tinham se destacaram; entre elas: Priscila (At
cargos ou consagrações igualmente 18:2,18; Rm 16:3), Lídia (At 16:14-15)
pregavam o evangelho (At 8:4). A e, indiretamente, Lóide e Eunice, avó
igreja de Antioquia, uma das mais e mãe de Timóteo, respectivamente
influentes de Atos, que foi respon- (2 Tm 1:5, 3:15). O trabalho de Lídia,
sável pelo envio de Paulo, começou Lóide e Eunice foi especial entre suas
com pessoas comuns, missionários famílias: elas conduziram seus familia-
anônimos, que não tiveram seus res ao encontro com Cristo.
nomes expostos em lugar algum
(At 11:19). Eles foram dispersos e 3. Quais as características das
levaram a sua fé para onde foram. pessoas que Deus usa? É bom que
O contexto deles era de persegui- se diga, de início, que os cristãos
ção, mas a dispersão serviu para a da igreja primitiva eram cristãos co-
proclamação em novos territórios. muns, sem títulos, troféus, diplomas
A palavra dispersão vem da palavra etc. Eles não eram perfeitos. O evan-
grega diaspeiro e dá a ideia de es- gelho “foi levado a pessoas imper-
palhar sementes. Os cristãos disper- feitas por pessoas imperfeitas”.5 A
sos foram responsáveis por plantar principal característica desses servos
a palavra de Deus em novos solos.3 de Deus era a sua vontade incontida
Novos evangelistas acompanharam de anunciar aquele que os havia res-
Paulo e Barnabé em suas viagens mis- gatado. Além desta, podemos alistas
sionárias; foram eles: Judas Barsabás, outras: Eles tinham consciência da
Silas (At 15:22,32), João Marcos (At sua missão (At 4:19-21). A propa-
12:25) e Timóteo (At 16:2-3). Silas foi gação do nome do Senhor Jesus se
cooperador de Paulo nas viagens e deu pelo trabalho individual de cada
chegou a sofrer com este. Timóteo foi um dos que criam em sua morte e
o mais proeminente, sendo citado vá- sua ressurreição. Cada cristão sentia-
rias vezes nas cartas paulinas (1 Ts 3:2). -se responsável por comunicar ao
Era de família mista, com mãe judia e mundo o sacrifício de Jesus. A igreja
pai grego. Mesmo jovem, tornou-se compreendia, como vimos no item
líder da igreja primitiva. Tinha interes- anterior, que a missão era do corpo
se genuíno pelo bem-estar dos irmãos e não de pessoas qualificadas. Sendo

4. Gardner (2007:640).
3. Idem. 5. Bickel & Jantz (2002:293).

52 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


assim, engajava-se na obra missioná- resultados eram visíveis: a cada dia
ria com afinco. Precisamos nos cons- mais pessoas eram acrescentadas ao
cientizar da missão que Cristo nos número de salvos.6 Que nossa alegria
conferiu (Mc 16:15). ao pregar esteja na glória que damos
Os primeiros cristão também eram a Deus e na salvação dos perdidos.
livres de preconceitos. Sendo os ju- Além das características apresen-
deus um povo intolerante com gen- tadas até aqui, ainda percebemos
tios e mulheres, era esperado que naqueles cristãos a humildade. Pe-
houvesse dificuldades nessa área. dro, no episódio da cura do coxo,
Mas não foi o que aconteceu. Deus desviou a atenção que estava sobre
tanto usou diversos tipos de pessoas, si e focou na origem do milagre,
como os impeliu a pregar para quais- que era Cristo (At 3). Paulo, numa
quer pessoas: judeus, gregos, sama- situação semelhante, não perdeu a
ritanos, mulheres, pobres e ricos (At oportunidade de ensinar ao povo
8:5, 10:34, 11:19-21, 16:13, 26:22). a importância de crer no autor da
Da mesma forma, devemos nos pre- cura, o Deus vivo (At 14:8-17). Os
parar para pregar qualquer pessoa. verdadeiros servos reconhecem que
Além de conscientes de sua missão todo mérito é de Deus.
e livres de preconceitos, os crentes A última característica que lista-
em Atos eram ousados (At 9:27-28, mos é a resiliência, que é a capacida-
13:46, 14:3, 18:26, 19:8). A palavra de de se recuperar em meio a adver-
traduzida por ousadamente, nestes sidades. Como sabemos, o contexto
textos, é a palavra grega parrhesia- era extremamente ameaçador: os
zomai, e significa mostrar segurança, cristãos sofriam perseguição, alguns
assumir comportamento corajoso. foram presos e até mortos por pre-
Imagine que estas pessoas viviam em garem a salvação em Jesus (At 8:1,
constante perseguição por servirem a 12:2-3, 14:19, 20:18-22, 21:13).
Jesus, porém com franqueza procla- Entretanto, prosseguiram cumprin-
mavam a verdade. A ousadia é resul- do sua missão, confiantes da segu-
tado da convicção na verdade e não rança no Senhor. Estas são algumas
da certeza da nossa capacidade. das características das pessoas que
Percebemos, também, que aque- Deus usou em Atos. Coloque-se nas
les irmãos proclamavam com alegria mãos do Senhor, pois, certamente,
(At 11:23; 13:52). A realidade de ele deseja que você seja um procla-
Cristo em sua vida era o que os moti- mador do evangelho.
vava e os impulsionava a cumprirem
sua missão com satisfação, mesmo
em meio aos reveses. Além disso, os 6. Marshall (1983:193).

www.portaliap.com.br 53
01. Leia o item 1, os textos nele citados e discorra acerca da
identificação do homem salvo com o pecador e do amor ao próximo.

02. Baseie-se no item 2 e cite os diferentes tipos de pessoas que Deus


usou e usa para a proclamação. Que lição aprendemos a respeito disso?

03. Leia o item 3 e comente com a classe acerca das três primeiras
características das pessoas que Deus usa.

04. Leia o item 3 e comente com a classe acerca das três últimas
características das pessoas que Deus usa.

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Pregue o evangelho! Você é es- mana. Não há ninguém melhor para


tratégico no plano de Deus. proclamar a salvação do que aquele
Uma das principais razões por que que já a vivenciou e conhece o an-
Deus usa pessoas para proclamar é tes e o depois. Quem entende, pela
que estas conhecem a condição hu- palavra de Deus, a condição huma-

54 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


na (Rm 3:9-18), aquela em que vivia de que há pessoas que estão cami-
antes de aceitar a Cristo, lamenta- nhando para a perdição. O poder de
-se por ver outras pessoas na mesma fazer com que estas se convertam é
condição. Lamentavelmente, muitas do Espírito Santo, mas os instrumen-
igrejas têm apenas uma preocupa- tos somos nós. O que você tem feito
ção intramuros; olham apenas para em relação à miséria da condição
a sua necessidade e, às vezes, focam humana? Pregue o evangelho, pois
em seus problemas e se esquecem você é estratégico no plano de Deus.

05. Sendo o instrumento que Deus usa para a proclamação do


evangelho, você tem se conscientizado dessa necessidade?

2. Pregue o evangelho! Deus usa gar. O próprio Paulo confessa não


quem se coloca nas mãos dele. ser o melhor dos pregadores (2 Co
Como estudamos anteriormente 11:6), apesar de ter conhecimen-
aqui, a proclamação não é tarefa to. Você é o instrumento que Deus
exclusiva do pastor ou do grupo de quer usar para proclamar o evange-
evangelismo de sua igreja. Pode- lho. Talvez o seu trabalho ou a sua
mos até afirmar que não é algo que família seja um campo missionário.
se faça apenas em cultos especiais Basta pregar o Cristo das Escritu-
ou saídas evangelísticas. A procla- ras e viver de modo a evidenciá-lo.
mação deve ser feita por qualquer Deus usa pessoas, porque pessoas
crente em Jesus, e em qualquer lu- convivem com pessoas. Neste viver
gar. Não é necessário um dom espe- diário, seja um proclamador. Colo-
cífico ou certa eloquência para pre- que-se nas mãos dele.

06. Seus amigos ou familiares não crentes sabem que você é cristão?
Você costuma pregar o evangelho a eles com palavras e com sua vida?

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3. Pregue o evangelho! O mundo rente ou vai se dispor para ser ins-
precisa e Deus conta com você. trumento de salvação? Não se sin-
Certamente, você lê jornal ou ta incapaz ou inseguro. Deus usou
ouve as notícias na televisão, e não pessoas improváveis, e pode fazer
há como permanecer indiferente ao de você um proclamador. Bounds7,
número de desgraças decorrentes com razão, afirmou: “O Espírito
do pecado. Isso acontece porque a Santo não se derrama através de
maior parte da população mundial métodos, mas por meio dos ho-
não conhece aquele que pode salvá- mens. Não vem sobre maquinarias,
-la da escravidão do pecado. Deus mas sobre homens. Não unge pla-
quer usar você para livrar as pessoas nos, mas homens”. Deus conta com
da condenação eterna. Ele pode usar você! Prontifique-se!
qualquer pessoa na proclamação,
mas é preciso que estejam dispo-
níveis. Você vai permanecer indife- 7. Apud Casimiro (2009:47).

07. Analise sua vida e responda: Você tem sido mais indiferente ou
mais disposto em relação à proclamação?

DESAFIO DA SEMANA

Após estudar esta lição e compreender o método divino na procla-


mação, procure dedicar-se a entender melhor o plano de salvação.
Estude os sermões pregados em Atos; observe qual deve ser o teor
de sua pregação. Reflita sobre todos os benefícios alcançados no
sacrifício de Cristo. Em seguida, busque meditar sobre a vida miserá-
vel daquele que não aceitou Jesus como seu salvador. Não há como
permanecer insensível. Há inúmeras pessoas a sua volta que não têm
Cristo em sua vida. O desafio é proclamar a salvação ao maior nú-
mero de pessoas possíveis, neste ano. Já pensou se ao menos uma
pessoa se converter? Imagine se todos, na sua igreja, aceitassem
este desafio? Quantas vidas transformadas pelo evangelho teríamos!
Faça este compromisso. Com toda certeza, se nos dispusermos, Deus
acrescentará o número dos salvos, segundo a sua vontade.

56 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


7
Como ouvirão
se não há
proclamadores?
18 DE AGOSTO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 167 • BJ 92

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Tratar sobre a Quando ouviram isso, os seus corações
importância da nossa
ficaram aflitos, e eles perguntaram a Pedro e
pregação e mostrar que
o seu conteúdo deve ser aos outros apóstolos: Irmãos, que faremos?
o evangelho de Cristo, (At 2:37)
suficiente para fazer
a igreja crescer, pois é
libertador, poderoso INTRODUÇÃO
e produtivo.
Na semana passada, com o estudo Para pro-
clamar, Deus usa as pessoas, aprendemos que o
LEITURA DIÁRIA Senhor chama mulheres e homens comprome-
D 12/08 At 15:6-11 tidos com ele e com sua igreja para anunciar a
S 13/08 At 15:12-21 mensagem. Vimos o quanto os proclamadores
T 14/08 At 15:22-35 são importantes no plano de Deus e que Deus
Q 15/08 At 15:36-41
usa todo e qualquer cristão que se coloca em
Q 16/08 At 16:1-10
S 17/08 At 16:11-26
suas mãos. Agora, no presente estudo, vamos
S 18/08 At 16:27-40 refletir sobre a importância do ato de pregar.
Alguém só ouvirá ou entenderá o evangelho se
outro lhe falar ou lhe escrever de maneira clara.
Assim, a pregação é o meio escolhido por Deus
para gerar fé no coração do perdido (cf. Rm
10:17). Contudo, é fundamental ter cuidado
com o conteúdo da pregação. Comunicar não
basta. É preciso anunciar o conteúdo certo.

I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS


Acesse os
Comentários Adicionais A parábola do semeador, contada por Je-
e os Podcasts sus (Lc 8:1-15), tem muito a ver com o estudo
deste capítulo em
www.portaliap.com.br desta semana. Nesta parábola, a ênfase está
na semente e na semeadura. A semente é a

www.portaliap.com.br 57
palavra de Deus e a semeadura é a mundo todo e preguem o evange-
pregação da palavra. Embora a tarefa lho a todas as pessoas. Quem crer
do semeador seja bastante simples, e for batizado será salvo, mas quem
é importantíssima!1 Sem semeadura, não crer será condenado (Mc 16:15-
não há colheita, ou seja, sem prega- 16 – grifo nosso). Isso significa que,
ção, não há conversão. Sem a comu- se queremos que alguém seja salvo,
nicação da mensagem, não há enten- devemos proclamar a mensagem de
dimento. No livro de Atos, este prin- salvação a ele.
cípio bíblico é ainda mais forte. Claro É por isso que, na igreja primitiva,
que podemos pregar, de certa forma, a pregação era prioridade. Os primei-
sem palavras, através de nossas ati- ros cristãos enxergavam a necessida-
tudes. Contudo, é indispensável pre- de e a urgência de lançar a semen-
gar com as palavras, seja falando de te. O livro de Atos demonstra isso,
perto ou escrevendo a alguém por pela incessante ação dos apóstolos
meios eletrônicos, ou, ainda, usan- e dos demais discípulos no anúncio
do a língua de sinais, no caso de co- do evangelho. Eles entendiam que
municação com ou entre surdos. De não há salvação em nenhum outro,
qualquer forma, é indispensável que pois, debaixo do céu não há nenhum
aconteça a comunicação. outro nome dado aos homens pelo
qual devamos ser salvos (At 4:12 –
1. A necessidade da prega- NVI). Sabiam que, para uma pessoa
ção: Sem dúvida, “a pregação é o ser salva, precisava crer e confessar
meio prescrito por Deus para salvar, Jesus Cristo como Senhor e Salvador
santificar, encorajar e fortalecer a de sua vida (Rm 10:9). Todavia, isso
igreja”.2 Além disso, de acordo com jamais aconteceria sem que essa pes-
a Bíblia, a pregação da palavra é a soa ouvisse ou tivesse acesso à men-
maneira escolhida e determinada sagem da cruz (Rm 10:14).
por Deus para produzir a fé no cora- Na concepção de Paulo, pregar é
ção do incrédulo (At 2:37, 4:31, 6:4, algo muito sério. Ele evangelizava os
8:35, 10:42). Sobre isso, Paulo disse: gentios com o objetivo de abrir-lhes
E, assim, a fé vem pela pregação, e os olhos e convertê-los das trevas
a pregação, pela palavra de Cristo para a luz, e do poder de Satanás
(Rm 10:17). Não devemos inventar, para Deus, a fim de que recebam o
nem colocar nada no lugar da pre- perdão dos pecados e herança entre
gação, porque foi o próprio Senhor os que são santificados pela fé (At
Jesus quem nos ordenou: Vão pelo 26:18). Preste atenção nisto: Todo
esse processo que acontece no mun-
1. Lockyer (2001:196). do espiritual, descrito neste versícu-
2. Casimiro (2009:67). lo, começa com o simples ato de um

58 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


cristão abrir a boca e falar de Cristo. as boas novas a respeito de Jesus e
Os não salvos, por falta de entendi- da ressurreição (At 17:18).
mento, estão nas garras de Satanás Quando dizemos que Jesus era
e oprimidos, são escravos do pecado tema central do testemunho dos pri-
e condenados à morte. Só há uma meiros crentes, precisamos entender
saída para eles: o evangelho. que isso se refere tanto à sua obra
Assim sendo, é imprescindível redentora quanto aos mandamentos
propagar o evangelho, pois é o po- que ele deixou (At 20:27). Os após-
der de Deus para a salvação de todo tolos não pregavam um evangelho
aquele que crê (Rm 1:16). Alguns sem compromisso. Proclamavam,
servos de Deus querem que seus sobretudo, o senhorio de Jesus e
familiares e amigos se convertam, convidavam os ouvintes ao arrepen-
mas nunca falam a respeito de Cristo dimento. Veja o que Pedro declarou
para eles. Sequer os convidam para num sermão: Cada um de vocês deve
ir à igreja, para ouvirem a boa notí- abandonar o pecado e voltar-se para
cia proferida do púlpito. Se isso tem Deus (At 2:38 – BV). Veja que inte-
ocorrido em sua vida, é hora de mu- ressante: no livro de Atos só há dois
dar! Não basta ficar só orando por versículos em que Jesus recebe o tí-
eles: é preciso agir. É preciso contar- tulo de “Salvador” (At 5:31, 13:23).
-lhes as grandezas de Deus, para que Em compensação, o título “Senhor”,
ouçam. Lembre-se: ... a fé vem pelo referindo-se a Jesus, aparece em 92
ouvir. Lance a semente! É isso que o versículos em Atos.3
Senhor espera de você. Quando pregavam, os apóstolos
não eram obcecados por crescimen-
2. O conteúdo da pregação: Em- to, nem acreditavam em fórmulas
bora a proclamação seja algo urgen- mirabolantes para alavancar a igreja.
te, não devemos fazê-la de qualquer A preocupação deles era anunciar
jeito. Precisamos, sobretudo, ter cui- as verdades de Deus. Contudo, ao
dado com o conteúdo de nossa pro- anunciá-las, viam o crescimento da
clamação. Aqui, cabe uma pergunta igreja acontecer naturalmente. Qual
importante: Qual era o conteúdo é a lição que tiramos disso? A evan-
da mensagem da igreja primitiva? gelização deve ser baseada única e
A resposta é muito simples: O tema exclusivamente na palavra de Deus.
central era Jesus. Se você observar a Não precisamos copiar as técnicas
pregação de Pedro, em Atos 2, verá neopentecostais. Não são necessá-
que a centralidade era a vida, a mor- rios esquemas ou artifícios humanos
te e ressurreição de Cristo. Se você ler
com atenção os sermões proferidos
por Paulo, perceberá que ele pregava 3. Idem, p.74.

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para obtermos sucesso no evange- Quando Pedro pregou o evangelho,
lismo. Também não precisamos usar em Atos 2, a reação foi que os ouvin-
práticas de mercado, métodos em- tes ficaram compungidos (At 2:37a).
presariais, nem técnica de marketing A palavra “compungido”, que, no
para atrair os pecadores. grego bíblico, é katanusso, significa
Se quer ver a igreja crescer, você ser picado ou atormentado na mente
só precisa de uma coisa: pregar o de forma profunda, ser agitado inten-
evangelho, que é o poder de Deus. samente em seu interior.6 Os ouvin-
Ele é suficiente para transformar as tes não puderam ficar inertes, diante
vidas e promover o crescimento do do que ouviam. Foram impactados
povo santo. É bom que se diga que com o evangelho de Cristo, a ponto
o evangelho não é somente para os de perguntarem aos apóstolos: Que
não crentes. Todos nós precisamos! faremos? (At 2:37b). Pedro, então,
Jesus é o tema da Bíblia e deve ser o mostrou-lhes que deveriam arrepen-
assunto principal das pregações nos der-se e ser batizados (At 2:38). Lu-
púlpitos.4 Para que não esqueçamos cas narra que foram batizados os que
isso, carecemos ser “evangelizados” de boa vontade receberam a palavra.
constantemente. A comunidade dos E naquele dia agregaram-se quase
crentes precisa ser encharcada pela três mil almas (At 2:41).
palavra. Pastores, pregadores e pre- A pregação do evangelho tem este
gadoras, por favor, preguem sermões poder de transformação. Mas é fun-
cristocêntricos! Façam pregações ex- damental dizer que, embora sejamos
positivas da Bíblia! Expliquem a Es- nós que levamos a semente e a rega-
crituras ao povo! Não proclame suas mos, é somente Deus quem dá o cres-
próprias ideias! Pregue o evangelho! cimento (1 Co 3:6). Em Atos, vemos
Como dizia Stott: “Evangelização sempre Deus agindo para aumentar
é o anúncio das boas novas, inde- o número de seus seguidores. Veja-
pendente dos resultados”.5 Apenas mos alguns exemplos: ... acrescen-
pregue o fiel conteúdo da palavra e tava-lhes o Senhor, dia a dia, os que
deixe os resultados com Deus. iam sendo salvos (At 2:47b). Com a
divulgação de sua palavra, o resulta-
3. O resultado da pregação: do não poderia ser outro: ... crescia a
Quando a mensagem da cruz passa palavra de Deus, e, em Jerusalém, se
a ser o centro da nossa proclamação, multiplicava o número dos discípulos
damos um passo decisivo para ser- (At 6:7). Com a divulgação da mensa-
mos uma igreja vibrante e crescente. gem, cujo conteúdo era Jesus Cristo,

4. Idem. 6. Biblioteca Digital Libronix (Comentário de


5. Stott (2010:47). Atos 2:27).

60 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


rapidamente a palavra se alastrava e conde os números (At 2:41; 4:4). Po-
muitos eram arrancados das trevas rém, o importante é saber que esse
para a luz do Senhor (At 4:4). crescimento sadio e legítimo registra-
Então, qual é o resultado alcança- do por ele está intimamente ligado à
do, quando a igreja prega fielmente a qualidade da mensagem pregada.
palavra? Quando o conteúdo de sua O Senhor quer a igreja crescendo.
proclamação é Jesus? Ela cresce! Essa Ele é o principal interessado no seu
pregação também promove equilí- desenvolvimento. Contudo, Deus
brio entre a quantidade e a qualida- não quer uma grande multidão que
de. Lucas não se limitou a tratar das segue um pastor humano, mas, sim,
conversões: tratou também do modo um povo santo que segue Jesus. Quer
de vida daqueles irmãos: Eles perse- pessoas que foram verdadeiramente
veravam na doutrina dos apóstolos, transformadas por sua palavra. Atos
e na comunhão, e no partir do pão e é uma prova de que podemos cres-
nas orações (At 2:42). Isso nada mais cer com equilíbrio e seriedade. Para
é do que evidências de uma vida cris- isso, precisamos cumprir a grande
tã autêntica. Um dos sinais da verda- comissão. Sem pregação, não há
deira conversão é a perseverança na conversão. No entanto, o conteúdo
fé. O autor de Atos faz questão de de nossa pregação deve ser Jesus
dar ênfase a isso. Ele escreve: E per- e os seus ensinamentos, ou seja, o
severavam (At 2:42a). Um pouco de- evangelho puro e simples. Podemos
pois, diz: E perseverando (At 2:46). A acreditar: ele é suficiente! Pregue
Bíblia não é contrária ao crescimento fielmente o evangelho e confie: Deus
numérico dos salvos. Lucas não es- dará o verdadeiro crescimento.

01. Leia a parábola do semeador, em Lc 8:1-15, e comente a frase:


“Sem semeadura, não há colheita”.

02. Com base no item 1 e em At 2:37, 4:31, 6:4, 8:35, 10:42; Rm 10:9-
14,17, responda: Qual é a maneira escolhida e determinada por Deus
para produzir a fé no coração do incrédulo?

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03. Após ler o item 2 e At 2:22-24, 3:19-20, 17:18, 20:26-27, responda:
Qual era o conteúdo da pregação da igreja primitiva? Por que não
devemos nos descuidar do conteúdo de nossa pregação?

04. De acordo com o item 3 e At 2:37-47, quais são os resultados da


pregação? O que é preciso para a igreja crescer em números?

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Pregue o evangelho puro e você entra. Esse problema é seu tam-


simples: ele é libertador! bém. Nesse plano de resgate, descri-
Talvez você pense que as pessoas to por Paulo, Deus conta com você!
perdidas são um problema que cabe Pense nisto: Muitas pessoas do seu
só a Deus. Porém, Paulo informa, em convívio precisam de libertação. São
Romanos 10:14-15, que, se essas escravas do pecado e condenadas à
pessoas não invocarem o nome do morte eterna. Você tem a mensagem
Senhor, não serão salvas. Diz também que pode libertá-las: O evangelho
que, para serem salvas, essas pessoas puro e simples! Caro estudante, não
precisam crer, e, para crerem, alguém se cale! Anuncie! A mensagem que
precisa pregar para elas. É aqui que você leva pode libertar pessoas.

05. Leia a primeira aplicação; Rm 10:14-15, e responda: Por que a


pregação do evangelho puro e simples é libertadora?

62 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


2. Pregue o evangelho puro e que o evangelho é o poder Deus para
simples: ele é poderoso! salvação (Rm 1:16), mas também para
O ato de evangelizar, além de ser o transformação de quem crer. Alguém
meio de vermos as pessoas livres das escreveu que essa “expectativa em
garras de satanás e colocadas nos bra- torno de uma nova vida, torna o com-
ços de Jesus, é também um meio po- partilhamento do evangelho um pra-
deroso para produzir transformação zer mais que uma obrigação”.7 Quan-
na vida das pessoas evangelizadas, tas pessoas você conhece que muda-
pois, à medida que vão tendo conta- ram para melhor, depois que conhe-
to com o evangelho puro e simples, ceram Jesus? Quantas destas foram
Cristo vai moldando o caráter e a con- evangelizadas por você? Medite nisso.
duta delas. De fato, a igreja de Cristo Não se cale. Evangelize! A mensagem
é uma comunidade de ex: ex-viciados, que você leva é poderosa para trans-
ex-mentirosos, ex-presidiários, ex- formar vidas e mudar histórias.
-prostitutas, ex-lascivos, ex-macum-
beiros, ex-orgulhosos etc. Todos nós
somos ex-alguma coisa. É assim por- 7. Shedd (2006:91).

06. Leia a segunda aplicação; Rm 1:16, e responda: Você concorda que


a pregação do evangelho puro e simples é um poderoso meio para
produzir transformação na vida das pessoas? Justifique sua resposta.

3. Pregue o evangelho puro e barganha com Deus; do evangelho,


simples: ele é produtivo! um produto, e, do púlpito, um bal-
Existem muitas igrejas evangéli- cão de negócio. Os crentes se tor-
cas, hoje, obcecadas por números. nam consumidores e os pastores
Sua filosofia é: “O importante é pei- se transformam em vendedores de
xe na rede!”. Por isso, algumas pre- ilusões. Que lástima! Que Deus nos
gam um “evangelho” sem compro- livre desse caminho maligno. Tam-
misso, do tipo: “Venha como está e bém queremos ver a nossa igreja
fique como veio”. Outras, para cres- crescer, mas não a qualquer custo.
cerem, prometem milagres. Outras, A única forma de o povo de Deus
ainda, fazem da prática cristã uma crescer de maneira autêntica e sau-

www.portaliap.com.br 63
dável é pela exposição do evange- e ele faz o restante. O trabalho de
lho puro e simples, nos templos, nas convencer e de salvar não é nosso,
casas e nas ruas (At 5:42). Esse ato mas de Deus. Sendo assim, lance
produz frutos, porque não estamos a semente e confie. Quem a fará
sozinhos nessa obra: o Espírito San- crescer é Deus, não nossos métodos
to é nosso parceiro. Nós semeamos (1 Co 2:4-5, 3:6).

07. Leia At 3:14, 5:42; 1 Co 2:4-5, 3:6, e responda: O que algumas


igrejas evangélicas dos nossos dias estão fazendo para crescer? Qual
a única maneira de a igreja crescer de forma autêntica e saudável?

DESAFIO DA SEMANA

A lição de hoje nos mostrou que a comunicação do evange-


lho, através da pregação, é a maneira escolhida por Deus para
produzir a fé no coração dos descrentes. Sobre isso, temos um
desafio para você. Pense em alguém de seu convívio que precisa
ser evangelizado. Pode ser um familiar, um vizinho, um amigo,
um colega de faculdade ou de trabalho. Quando tiver alguém
em mente, siga as orientações de Paulo em Colossenses 4:3-5,
ou seja, ore a Deus para que lhe proporcione uma oportunidade
de pregar o evangelho a essa pessoa e peça sabedoria espiritual
para isso. Não tenha dúvida: Deus lhe dará a oportunidade e a
sabedoria. Aproveite-as bem. Então, tome uma atitude: fale de
Jesus para essa pessoa e convide-a a ir à igreja, no próximo culto,
para ouvir mais da palavra de Deus.

64 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


8
As motivações
corretas para a
proclamação
25 DE AGOSTO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 165 • BJ 189

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante Estes homens (...) têm arriscado a vida pela
da palavra de Deus o
causa de nosso Senhor Jesus Cristo.
que motivava os cristãos
à proclamação, à luz (At 15:26 – BV)
de Atos dos apóstolos,
para que, de posse deste
ensino, seja desafiado a
engajar-se nesta tarefa.

INTRODUÇÃO
Quais as motivações para a evangelização?
LEITURA DIÁRIA
Muitos equívocos podem ser cometidos,
D 19/08 At 17:1-9 quando não evangelizamos pelas motivações
S 20/08 At 17:10-15
ou razões corretas. Podemos, por exemplo,
T 21/08 At 17:16-31
Q 22/08 At 17:32-34
anunciar o evangelho a alguém simplesmen-
Q 23/08 At 18:1-11 te porque isso faz parte da agenda de ativi-
S 24/08 At 18:12-17 dades da igreja; porque o pastor constante-
S 25/08 At 18:18-23 mente está nos pedindo; porque queremos
ficar ricos; porque queremos obter fama ou
até mesmo apresentar relatórios com núme-
ros colossais; porque queremos ostentar um
título de “bons cristãos”; porque, se não fi-
zermos isso, temos medo de sermos “casti-
gados” por Deus etc.
Essas questões são sérias! Podemos estar
evangelizando sem nunca termos entendido
realmente a razão disso. Diante desse qua-
dro, gostaríamos de convidá-lo a considerar, a
Acesse os
Comentários Adicionais partir de um exame no livro de Atos, algumas
e os Podcasts possíveis respostas à pergunta: “Quais as mo-
deste capítulo em
www.portaliap.com.br tivações para a proclamação?”.

www.portaliap.com.br 65
I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

Os cristãos do primeiro século, li- mens, nem mesmo a vida eterna, mas
teralmente, arriscavam a vida pela a glorificação de Deus. Em outras pa-
obra do Senhor Jesus Cristo. Em Atos lavras, quando saímos para evangeli-
15:26, o verbo “arriscar” (gr. para- zar, nossa maior motivação não é a
dedokosi), diz respeito à completa popular “paixão pelas almas”, mas o
dedicação a uma tarefa, o que, no nosso amor por Deus e nossa preocu-
contexto da obra de Cristo, nos dias pação em glorificá-lo; afinal, o amor
da igreja primitiva, envolvia perigos aos perdidos falhará, no caso daque-
físicos.1 O que motivava os irmãos do les a quem não conseguimos amar;
primeiro século a pregar o evangelho, por isso, o amor a Deus é o principal
a ponto de morrerem por essa causa? motivo para a evangelização.2
Os opositores dos primeiros cristãos, Quando lemos Atos, percebemos
mesmo não concordando com sua esse princípio de maneira muito clara.
mensagem, admiraram-se da cora- A motivação dos proclamadores sem-
gem que os discípulos tinham e reco- pre é Deus, sempre é sua vontade,
nheceram que eles haviam convivido sempre é agradar-lhe. Os apóstolos
com Jesus (At 4:13). O amor deles era sabiam que Deus fez a raça humana
notório! Neste estudo, vamos tentar para que esta o buscasse (At 17:26-
encontrar, à luz de Atos, as motiva- 27). A vontade do Senhor sempre era
ções por detrás de todo esse ardor mais importante (At 21:14). O amor
pela obra do Senhor Jesus Cristo. que os primeiros cristãos sentiam por
Cristo pode ser percebido na leitura
1. A glória de Deus: O homem das palavras de Atos. Eles amavam
existe para glorificar a Deus. Glorifi- ardentemente Jesus (cf. At 3:6,14,16,
cá-lo é o objetivo supremo da nossa 4:10-12, 27-31, 8:5, 15:26, 21:13).
criação. Em Isaías 43:7, ao se referir à Foi esse amor que os colocou em
criação do ser humano, Deus diz que missão, que os moveu a saírem pelos
o criou para a sua glória. O grande quatro cantos proclamando. As ativi-
mandamento é: Amarás o Senhor teu dades dos missionários faziam com
Deus (Mt 22:37). O grande alvo de que o nome do Senhor fosse glorifi-
todo salvo é fazer tudo para a glória cado (cf. At 2:47, 3:8-9, 4:21, 11:18,
de Deus (1 Co 10:31). Desta forma, o 21:20). Quando evangelizamos, con-
objetivo final e mais elevado da pro- tamos a todo o mundo o que Deus
clamação não é o bem-estar dos ho- fez para nos salvar. Sempre que suas

1. Champlin (1983:319). 2. Dever (2007:151).

66 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


“poderosas obras se tornam conhe- o evangelho. Na casa de Cornélio,
cidas, Deus é glorificado” (Sl 96:2).3 Pedro, tomando a palavra, disse, em
A glória de Deus está sendo exaltada, seu discurso: Ele nos ordenou que
quando pessoas o reconhecem como pregássemos (At 10:42). Paulo, dis-
Deus e começam a adorá-lo. cursando aos presbíteros de Éfeso,
chega a dizer que em nada conside-
2. O imperativo do cristão: Ou- rava sua vida por preciosa, conquan-
tra maneira de os seres humanos glo- to que ele completasse o ministério
rificarem a Deus é “obedecendo a sua que recebeu do Senhor Jesus, para
palavra e cumprindo a sua vontade”.4 dar testemunho do evangelho (At
Um dos mandamentos de Deus para 20:24). Os cristãos do livro de Atos
nós é: Pregai o evangelho a toda a são conscientes do seu dever.
criatura (Mc 16:15). Se realmente
estamos interessados na glorifica- 3. A ressurreição do Salvador:
ção de Deus, devemos obedecer ao Além da preocupação com a glória de
seu mandamento de proclamarmos Deus e com o imperativo de todo cris-
ao mundo o evangelho. No livro de tão, outro fator motivador para a pro-
Atos, também podemos ver, de ma- clamação, presente no livro de Atos, é
neira clara, que os primeiros cristãos a realidade da ressurreição de Cristo.
levaram a sério essa ordem de Jesus. Este é um tema recorrente, do início
Em Lucas 24:48-49, Jesus diz que eles ao fim de Atos. Lucas termina seu
seriam suas testemunhas, e os pro- evangelho com o comissionamento
mete poder do alto. Em Atos, antes dos discípulos. Nele, Jesus afirma que
de voltar para o céu, essa mesma ver- uma das bases para a missão era sua
dade é reafirmada por Jesus (At 1:8). ressurreição (Lc 24:46). Logo no início
Podemos ver, em todo o decorrer do livro de Atos, Lucas faz questão
do livro, cristãos comprometidos com de dizer que Jesus apresentou-se vivo
essa ordem. Quando, pela primeira também a eles, com muitas provas
vez, são proibidos de pregar (At 4:18) incontestáveis, aparecendo-lhes por
a resposta é: ... não podemos deixar quarenta dias (At 1:3). A expressão
de falar (At 4:20). Quando o Sinédrio traduzida por “provas incontestá-
tenta proibi-los novamente (At 5:28), veis” era usada tecnicamente, na
vem a resposta: É mais importante época, para indicar certas evidências
obedecer a Deus que aos homens (At convincentes, formais, em prova ca-
5:29). Eles estavam cumprindo uma bal favorável a algum caso.5
ordem divina, quando proclamavam Jesus está vivo! Foi com esta certe-
za gloriosa que os primeiros discípu-
3. Packer (2002:68).
4. Idem, p.67. 5. Champlin (1983:23).

www.portaliap.com.br 67
los saíram para proclamar. Quando inauguração desse reino (Mt 12:28).
escolheram o substituto de Judas, As parábolas são promessas e descri-
procuravam alguém para se tornar, ções desse reino; os milagres são si-
com eles, testemunha da ressurreição nais desse reino. Segundo Jesus, esse
de Cristo (At 1:22). Quando Pedro reino não pode ser localizado em um
pregou para um auditório interna- mapa. Não é exclusivamente de Israel
cional, no dia do Pentecostes, disse: (At 1:6). É interno, recebido no cora-
Foi a este Jesus que Deus ressuscitou; ção por aqueles que aceitam o domí-
e todos somos testemunhas disso nio de Jesus. Seus cidadãos se delei-
(At 2:32). Por todos os lugares, com tam em fazer a vontade de Deus na
grande poder os apóstolos davam terra como é feita no céu (Mt 6:10). O
testemunho da ressurreição (At 4:33, livro de Atos conta-nos que Jesus gas-
3:15, 5:30-32, 10:39-40, 13:30). A tou seus últimos dias na terra, como
realidade da ressurreição estava nos homem, falando com seus discípulos
discursos de Paulo, e também o im- sobre o reino de Deus (At 1:3).
pulsionava à pregação (At 17:3, 18, Esse livro conta-nos como o Es-
31). A propósito, Paulo foi preso e, pírito Santo tornou possível a vida
posteriormente, levado a Roma, por para os “cristãos como cidadãos
dizer acreditar na ressurreição dos deste outro reino mesmo em meio
mortos (At 23:6, 24:1, 26:8,23). Uma aos reinos deste mundo”.6 A antiga
das bases dessa crença do apóstolo ordem continua, mas os que ouvi-
era a própria realidade da ressurrei- ram o evangelho do reino e o aceita-
ção de Cristo (1 Co 15:13). Ele valo- ram organizam sua vida e seus atos,
rizava tanto a ressurreição que chega “mesmo enquanto vivem na antiga
a dizer que, se Cristo não ressuscitou, ordem, de tal maneira que testemu-
então nossa pregação é inútil (1 Co nhem da nova ordem para qual es-
15:14). Nosso Senhor está vivo! Pro- tamos nos preparando e da qual, de
clamemo-lo por todos os cantos. alguma maneira, já desfrutamos”.7
Essa nova realidade impulsionava
4. O reino de Deus: A realidade os discípulos à proclamação (cf. At
do reino de Deus também é uma 2:30, 8:12, 13:22-23, 14:22, 28:23).
motivação para a proclamação no Os discípulos saíram proclamando
livro de Atos. A principal mensagem haver outro rei (At 17:7), com valores
de Jesus nos evangelhos foi o reino diferentes dos que eram ensinados
de Deus. Ele começou seu ministé- por Roma (At 16:21). No último ver-
rio falando do reino (Mc 1:15). Disse sículo de Atos, temos Paulo pregan-
que havia sido enviado para anunciar
o evangelho do reino (Lc 4:43); afir- 6. González (2011:38).
mou que sua própria chegada era a 7. Idem.

68 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


do o reino de Deus (At 28:31). Essa nos deixa admirados: E eles retiram-
nova ordem, que já foi inaugurada e -se de diante do Sinédrio, alegres por
será consumada no futuro, deve im- terem sido julgados dignos de sofrer
pulsionar-nos à proclamação. Existe afronta por causa do nome de Jesus
um Rei que está reinando sobre nós, (At 5:41). É incrível! Jesus havia dito
mas que é Rei por direito sobre tudo que eles iriam sofrer por causa dele
e todos. Anunciemos o rei Jesus! e que, quando isso acontecesse, de-
veriam se alegrar (Mt 5:11-12; 10:17-
5. O sofrer por Cristo: Por mais 18). E foi isso que fizeram! Depois
estranho que possa parecer, lendo o que saíram da presença das autori-
livro de Atos, descobrimos que o so- dades judaicas, não perderam um
frimento também era uma motivação minuto sequer: todos os dias estavam
para a proclamação. Os apóstolos no templo e nas casas, ensinando e
ficavam alegres em poderem sofrer pregando a respeito de Cristo (At
por causa de Cristo. Há um incidente 5:42 – AM). Parece que a perseguição
esclarecedor, em Atos, nesse sentido. deu-lhes mais ânimo ainda! Em todo
Pela segunda vez, o Sinédrio tentava o livro de Atos, eles são perseguidos e
calar os discípulos. Os líderes religio- saem com mais coragem proclaman-
sos estavam enfurecidos (At 5:33), do (cf. At 8:4, 9:16, 11:19, 14:22,
pois já haviam ordenado expressa- 14:19, 15:23-24, 16:22-23, 18:10,
mente aos discípulos que não ensi- 20:22-23, 21:32). Tertuliano, um dos
nassem mais sobre Jesus (At 4:18), e pais da igreja, afirmou: “Matem-nos,
eles haviam desobedecido a essa or- torturem-nos, condenem-nos, façam
dem. Por causa dessa desobediência, de nós pó (...). Quanto mais vocês nos
os apóstolos foram presos (At 5:17- oprimem, tanto mais cresceremos; a
18) e receberam chicotadas (At 5:40). semente é o sangue dos cristãos”.9
Segundo a lei, esses açoites não po-
deriam exceder quarenta chicotadas 6. A salvação do perdido: Você já
(Dt 25:2-3). Eles eram aplicados com leu, neste texto que a principal razão
chicotes feitos de pele de bezerro, na por que os primeiros cristãos procla-
parte superior do corpo do ofensor – mavam estava relacionada ao amor
um terço dos açoites era aplicado no a Deus e à preocupação com a sua
peito e os outros dois nas costas.8 glória. A motivação era sempre Deus.
Depois dos açoites, receberam a Esta é a razão primária e fundamental.
ordem de não mais falarem sobre Je- As cinco razões mostradas anterior-
sus. Então, vem a parte do texto que mente mostram isso. Todavia, apesar

8. Kistemaker (2006:286-287). 9. Stott (2008:132).

www.portaliap.com.br 69
da maior preocupação de quem evan- Paulo afirmou que foi chamado para
geliza estar centrada em Deus, o amor abrir os olhos dos gentios, a fim de
pelos perdidos e a preocupação com o que se convertam das trevas para a
seu bem-estar também são importan- luz, e do poder de Satanás para Deus,
tes. O segundo grande mandamento para que recebam o perdão dos peca-
é: Ama o teu próximo como a ti mes- dos e herança entre os que são santi-
mo (Mt 22:39). Que demonstração de ficados pela fé (At 26:18). Na própria
amor maior podemos dar a uma pes- descrição do chamado de Deus, há
soa do que lhe apresentar o plano de uma preocupação com os que não
salvação de Deus? A motivação para foram alcançados e estão morrendo
“evangelizar deveria brotar esponta- sem Cristo. O desejo incontido de
neamente em nós na medida em que Paulo de ir a Jerusalém pregar a pala-
reconhecemos as necessidades que vra para seus compatriotas mais uma
nosso próximo tem de Deus”.10 vez, mesmo sabendo que tribulações
No livro de Atos, mesmo que apa- e prisões o esperavam (At 20:23),
reça como motivo secundário, por- mostra sua preocupação com eles.
que é sempre derivada do desejo de Em Romanos 9:1-3, ele abre o seu
querer agradar a Deus, ainda sim a coração e mostra o quanto ama seus
preocupação com o perdido é uma irmãos e o quanto sofre por não os
razão para a proclamação. Falando ver servindo a Cristo. Que essa preo-
para o rei Agripa sobre sua missão, cupação em ver as pessoas próximas
de nós serem salvas nos incomode e
10. Packer (2002:69). nos impulsione à proclamação.

01. Leia Is 43:7; Mt 22:37; At 15:26, 17:26-27; o item 1, e responda:


Qual era a maior motivação dos cristão ao proclamarem.

02. Após ler At 2:32, 4:20,33, 5:29, 10:42; os itens 2 e 3, fale sobre os
dois motivos para a proclamação presentes nestes textos.

70 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


03. Leia At 1:3, 16:21, 17:7, 28:31; o item 4, e fale sobre a realidade
do reino de Deus, mais um motivo para a proclamação em Atos.

04. Após ler At 5:40-42, 20:23, 26:18; os itens 5 e 6, fale sobre dois
outros fatores que motivavam a proclamação em Atos.

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Proclame! Você estará glorifi- final glorificar a Deus. Ao fazer isso,


cando o seu Deus! estamos anunciando ao mundo as
Não tenha dúvidas: quando pro- grandezas da salvação preparada
clamamos o evangelho, estamos pelo Pai em favor da humanidade re-
glorificando a Deus. O Salmo 96, belde. Deus está sendo glorificado!
versos 2 e 3, afirma: Cantai ao Se- Deus está sendo louvado quando
nhor, bendizei o seu nome; dia após seus gloriosos feitos são conhecidos!
dia, proclamai a sua salvação. Anun- A glória de Deus está sendo exalta-
ciai a sua glória entre as nações, e da, quando pessoas o reconhecem
suas maravilhas, entre todos os po- como Deus e o adoram. Motive-se
vos. A proclamação tem como alvo nisto e proclame-o!

05. Por que, ao proclamar, estamos glorificando a Deus? Essa não é


uma motivação e tanto para a evangelização?

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2. Proclame! Você estará ampa- que saiam dos domínios de Sata-
rando o seu próximo! nás, comecem a viver como cida-
Tudo de bom que nós pudermos dãs do reino dos céus; restaurem
dar às pessoas não se compara a sua comunhão com Deus, com
com o que Deus lhes oferece: uma os outros, com a criação e consi-
nova vida, cheia de significado. go mesmas; voltem-se para Jesus;
Por isso, nós, que já o conhecemos estejam dispostas a serem discípu-
e vivemos essa vida, não temos las dele; tenham a vida totalmente
nada melhor do que o evangelho transformada. Não existe demons-
para lhes oferecer. Jesus é o nos- tração de amor maior para o seu
so maior tesouro. Com palavras e próximo do que lhes apresentar
ações, devemos proclamar, para esse caminho. Faça isso!

06. Em que sentido, ao proclamar, estamos amparando o nosso


próximo? O que podemos fazer para demonstrar amor ao nosso
semelhante neste sentido?

3. Proclame! Você estará vivendo dos discípulos (por exemplo: o sermão


o seu chamado! de Pentecostes, depois da acusação
Todo crente em Jesus foi chamado dos judeus; o sermão na porta do tem-
para proclamar o evangelho. Uma de plo de Jerusalém, depois da cura do
nossas motivações deve ser o fato de aleijado; o sermão de Estevão, resposta
estarmos acatando o nosso chamado à acusação provocada pelos milagres).
para fazermos isso. Proclamamos a Para ele, missão é ação que exige ex-
Deus, não só através de palavras, mas, plicação, e a explicação é o evangelho
sobretudo, da nossa maneira de viver. do reino de Deus. Até que ponto a
René Padilla11 comenta que a maioria nossa vida, as nossas ações provocam
das pregações em Atos dos apóstolos perguntas? Vivamos assim, e, quando
aconteceu em resposta a alguma ação perguntarem a razão da nossa espe-
rança, apresentemos o evangelho. Nós
fomos chamados por Deus para anun-
11. Sin evangelización no hay misión integral. ciar o evangelho. Saiamos ao campo,
Disponível em: http://www.kairos.org.ar/blog/
?p=351 > acesso em 19 de abril de 2012. sem fazer perguntas (At 10:29).

72 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


07. A proclamação é somente verbal ou existe outra maneira de
apresentarmos o evangelho?

DESAFIO DA SEMANA

Diante de tudo que estudamos nesta lição, gostaríamos de lhe


fazer um convite à reflexão. Quais as motivações que o levam a
proclamação? Você tem proclamado pelos motivos corretos?
Apresentamos seis motivos para nos empenharmos nessa tarefa,
ou seja, motivos não faltam para você começar a proclamar com
palavras e obras o que Cristo fez por você. Nesta semana, reserve
um tempo de, ao menos, uma hora para refletir nessas questões.
Pense no seu papel como cristão, em sua responsabilidade de glo-
rificar a Deus. Lembre-se de terminar este período com oração.

www.portaliap.com.br 73
9
O papel da
igreja local na
proclamação
1º DE SETEMBRO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 303 • BJ 272

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Levar o estudante A mão do Senhor estava com eles, e muitos
da palavra de Deus
creram e se converteram ao Senhor. Notícias
a compreender o
papel da igreja local desse fato chegaram aos ouvidos da igreja
na proclamação, em Jerusalém, e eles enviaram Barnabé
estimulando-o a assumir a Antioquia. (At 11:21-22 – NVI)
três atitudes: adotar um
missionário, fazer novos
discípulos e acolher
INTRODUÇÃO
os convertidos.
No livro de Atos, a igreja local tem um pa-
pel estratégico na obra de evangelização do
LEITURA DIÁRIA mundo. Ela é a base de todas as operações
D 26/08 At 18:24-28 evangelísticas; o quartel general dos procla-
S 27/08 At 19:1-7 madores. É de onde saem os evangelistas e
T 28/08 At 19:8-20
missionários e é onde são acolhidos os que
Q 29/08 At 19:21-27
aceitam a palavra. Através dela, o evange-
Q 30/08 At 19:28-41
S 31/08 At 20:1-12 lho perpassou os séculos; cruzou fronteiras
S 01/09 At 20:13-35 geográficas inimagináveis; superou barreiras
intransponíveis; venceu preconceitos, e triun-
fou gloriosamente sobre as perseguições.
Nossa oração é para que as igrejas locais de
nossos dias não apenas conheçam seu papel
na evangelização do mundo, mas o desenvol-
vam o quanto antes.

I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS


Acesse os
Comentários Adicionais A ação das igrejas locais é enfocada de
e os Podcasts maneira proeminente em Atos. Elas eram
deste capítulo em
www.portaliap.com.br essenciais “para o enraizamento do evange-
lho nas cidades, províncias, e regiões mais

74 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


distantes”.1 Segundo o relato de 6:7). As igrejas em Atos possuíam
Lucas, no início da igreja cristã, uma incrível capacidade de se multi-
a pregação do evangelho, com a plicar. Os cristãos do passado eram
aceitação por parte das pessoas de excelentes na arte do evangelismo
uma região específica, era imedia- e do discipulado. Aprendiam que
tamente seguida pela formação de eram discípulos de Cristo enviados
uma igreja, em que havia comu- ao mundo com uma missão: fazer
nhão, louvor, oração e estudo da novos discípulos.
palavra. Os primeiros cristãos en- Por isso, os crentes que se viram
tendiam que a plantação de uma obrigados a fugir de Jerusalém, de-
igreja na comunidade evangelizada vido à perseguição religiosa, iam
era a melhor forma de consolidar e por toda parte, pregando a Palavra
desenvolver a fé dos novos conver- (At 8:4). A própria igreja de Antio-
tidos.2 Ali, eles eram espiritualmen- quia foi resultado da evangelização,
te fortalecidos e também treinados não dos apóstolos, mas de crentes
para se multiplicar. É por isso, que o anônimos que se viam investidos de
papel dela é tão valioso no reino de uma tarefa: proclamar Jesus e ensi-
Deus. Para entendermos isso mel- nar os novos convertidos (At 11:19-
hor, veremos, a seguir, quatro fun- 20). Estes cristãos aprenderam que
ções que igreja local deve realizar. a ordem de “fazer discípulos” não
dizia respeito apenas aos missioná-
1. A igreja local treina os evan- rios ou aos pastores, como algumas
gelistas: Todo crente em Cristo igrejas pensam hoje. As igrejas lo-
deve ser um evangelista (Mt 28:19). cais registradas em Atos possuíam
Todo cristão deve ser um discípulo- um aplicado sistema de instrução
-missionário. Este é um mandamen- na palavra (At 11:19-26, 14:23,
to bíblico, e não cumpri-lo implica 17:1-4). Os cristãos não eram coa-
desobediência. Nesse caso, o papel gidos, nem cobrados a evangelizar.
da igreja local, através de sua lide- Era algo espontâneo neles. É que o
rança, é treiná-los. “Treiná-los para evangelho era ensinado e entendi-
quê?” alguém poderia questionar. do de tal modo que eles se sentiam
A resposta é simples: Para serem movidos a anunciá-lo.
capazes de fazer discípulos. Os dis- Em Éfeso, os cristãos foram ins-
cípulos foram instruídos para serem truídos no discipulado num perío-
“pescadores de homens” (Lc 5:10) do de dois anos. A consequência
e “multiplicadores” da palavra (At foi que todos os que habitavam na
Ásia, tanto judeus como gregos,
ouviram a Palavra do Senhor (At
1. Lidório (2007:11).
2. Stott (2005:106). 19:10). Em Antioquia, as pessoas

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que eram integradas à comunida- No relato de Lucas, há, pelo me-
de cristã, tão logo discipuladas, já nos, dois princípios a serem segui-
testemunhavam de Cristo em suas dos pela igreja local no envio de
vidas, ensinando outras pessoas. Os missionários para atuarem nessas
crentes de hoje também precisam esferas. Em primeiro lugar, o envio
ser treinados. Devem ser levados deve ser acompanhado pela igreja.
“para as ruas, para as esquinas, Ao fim de cada viagem missionária,
para as praças e condomínios, nos Paulo regressava à sua igreja local,
quais poderão falar abertamente de em Antioquia, para contar as suas
Jesus, compartilhar sua fé e evange- experiências (At 14:27). Os irmãos
lizar o que está perdido”.3 No exem- de Antioquia se interessavam e se
plo de Antioquia, é importante res- envolviam no trabalho do apóstolo.
saltar a ação da liderança, não dan- A lição aprendida é que as igrejas
do apenas instruções, mas também locais devem acompanhar o envio
exemplo. Uma igreja cujos líderes dos missionários; estabelecer vín-
são evangelistas, tende a ser, natu- culos; envolver-se com eles; ouvir
ralmente, uma igreja evangelista. suas experiências e testemunhos;
orar por eles e por suas famílias;
2. A igreja local envia os mis- escrever-lhes, e encorajá-los em
sionários: No livro de Atos, a igreja meio às dificuldades.
local além de treinar os evangelistas, Em segundo lugar, o envio deve
deveriam também enviar os missio- ser sustentado pela igreja. Temos o
nários. Foi, por exemplo, a igreja exemplo, da igreja em Filipos, que
em Jerusalém, sob a supervisão dos financiou o ministério de Paulo (Fp
apóstolos, que enviou o missionário 4:15). A falta de dinheiro e recur-
Barnabé para organizar a igreja em sos financeiros não justifica a negli-
Antioquia, e foi a igreja em Antio- gência por parte das igrejas locais
quia que, submissa à igreja em Je- no cumprimento do mandamento
rusalém, enviou o missionário Paulo de enviar missionários para pro-
para suas três viagens missionárias clamar o evangelho. Cada cristão
(At 13:1-14). De acordo com o prin- precisa envolver-se constantemen-
cípio estabelecido em Atos 1:8, a te no sustento da obra evangeliza-
igreja local deve envolver-se ou de- dora. A igreja local deve levantar
senvolver as missões nas esferas local ofertas para missionários no exte-
(na cidade), regional (no estado), na- rior, mas também deve financiar
cional (em outros estados no país) e os trabalhos evangelísticos locais.
transcultural (em outras nações). É importante que lembrarmos que,
no contexto promessista, por uma
3. Lidório (2007:87). questão legal e de organização, te-

76 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


mos a Junta de Missões e os depar- locais”.4 De acordo com Rheenen5,
tamentos de missões das conven- plantar igrejas é o ato de reproduzir
ções regionais, que administram o comunidades de adoração que refle-
envio dos missionários. Contudo, o tem o reino de Deus no mundo me-
princípio bíblico permanece de pé. diante a proclamação do evangelho
A igreja local deve sempre se envol- vivo. Note que, no relato do evange-
ver no envio, e nenhum missionário lista Lucas, não eram abertas novas
pode ser enviado sem estar ligado igrejas por grupos de crentes des-
a uma igreja local. contentes, como ocorre em nossos
dias. O início de uma congregação
3. A igreja local planta novas deve ser o resultado da evangeliza-
igrejas: Não basta enviar missioná- ção de pessoas6 e não de um ajunta-
rio ou evangelista e ouvir que vidas mento de crentes insatisfeitos com a
estão se rendendo ao evangelho. É instituição.
também imprescindível consolidar o A plantação de uma nova igreja
trabalho. No modelo bíblico, isso é deve ser sempre uma ação planeja-
feito através da plantação de igreja. da e responsável. Não se deve per-
A expressão “plantar igreja” parece der a ideia de uma igreja-mãe que a
ser um conceito novo, mas não é. A acompanha até que ela se estruture.
metáfora da agricultura – “plantar” Mesmo sendo a Junta de Missões ou
– foi utilizada por Paulo, quando Departamento de Missões regional o
este se referiu à evangelização (1 Co responsável direto pela implantação
3:6-9, 9:7,10,11). O apóstolo, em da congregação, é fundamental ter
suas viagens missionárias, não ape- uma igreja madura dando o apoio
nas evangelizava pessoas, mas plan- necessário. Em Atos, igrejas locais
tava igrejas locais (At 14:23, 16:5). plantam novas igrejas. Foi a partir
Existe uma clara diferença entre as da igreja de Antioquia que Paulo e
atitudes de evangelizar e plantar Barnabé plantaram novas igrejas em
novas igrejas. Naquela, o objetivo Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra,
é apenas levar pessoas ao conheci- Derbe e todo o mundo gentio da
mento de Cristo; nesta, o objetivo é época (At 13:1-14, 14:1,6-7). A igre-
formar uma comunidade de cristãos ja de Jerusalém foi responsável pela
com liderança, liturgia, ensino e dis- plantação de novas igrejas em Sama-
cipulado próprios. ria, Judéia e até mesmo em Antio-
Esse foi um dos segredos do cres- quia (At 8:1-6, 11:19-21). O ensino
cimento rápido do evangelho em
Atos. Os cristãos entendiam que a 4. Idem p.11.
mensagem da cruz “deveria se espa- 5. Apud Lidório (2007:12).
lhar pelo mundo por meio de igrejas 6. Casimiro (2007:84).

www.portaliap.com.br 77
que fica para nós é que a melhor ma- recebido pelos irmãos que congrega-
neira de proclamar o reino de Deus vam em Jerusalém (At 9:26-27). Se
por todos os lugares é plantando não fosse Barnabé, talvez ele nunca
novas igrejas e que as igrejas locais viesse a ser o grande missionário e
já estruturadas devem sentir-se res- teólogo que foi. Barnabé o acolheu
ponsabilizadas por essa nobre tarefa. e o integrou à comunidade cristã.
Que exemplo! Do mesmo modo, a
4. A igreja local acolhe os con- igreja deve ter maturidade para aco-
vertidos: Além de treinar os evan- lher as pessoas, independentemente
gelistas, enviar os missionários e do passado destas. Igrejas desprepa-
plantar novas igrejas, a igreja local radas expulsam o novo convertido,
ainda tem outra função: receber os ao invés de o acolherem.
novos convertidos. De nada valerá O segundo elemento que a igre-
evangelizar pessoas, se não estiver ja deve possuir para acolher o novo
preparada para acolhê-las. Para isso, convertido é o amor. Somente uma
ela precisa possuir pelo menos dois igreja que ama os perdidos é capaz
elementos. O primeiro elemento é a de acolher, sem preconceito e com
maturidade. É preciso muita matu- tolerância, o ex-presidiário, a prosti-
ridade para acolher os de fora com tuta, o homossexual, o dependente
paciência e tolerância, sabendo que químico, o fumante, o alcoólatra etc.
quem os transformará é o Espírito de Crendo que eles são alvos do amor
Cristo, por meio da palavra ensina- do Pai e que é o Espírito Santo quem
da, não por pressão da congregação. os transformará. Muitos cristãos são
Uma igreja imatura pode arruinar incapazes de tal ato: recriminam os
todo o trabalho evangelístico. A co- novos convertidos; constrangem os
munidade de Jerusalém quase per- visitantes; julgam os de fora. To-
deu o maior missionário de todos os davia, uma igreja acolhedora terá
tempos por preconceito. Por causa maturidade e amor o bastante para
do seu passado, o apóstolo Paulo, receber e integrar os novos converti-
quando se converteu, não foi bem dos com amabilidade e simpatia.

01. Leia Mt 28:19-20; At 8:4; o item 1, e comente a afirmação:


“Todo cristão deve ser um evangelista”. Para que os crentes
precisam ser treinados?

78 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


02. Leia At 13:1-3; o item 2, e comente com a classe: De quem é a
responsabilidade de enviar missionários? Quais os dois princípios a
serem seguidos pela igreja local no envio destes?

03. Tendo por base At 11:21-26, 14:21-23; o item 3, e responda: O que


significa plantar novas igrejas? Qual é a importância deste ato?

04. Leia o item 4 e comente em classe sobre o papel da igreja local


de acolher os novos convertidos e os visitantes. Quais são os dois
elementos essenciais para que uma igreja seja acolhedora?

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Adote um missionário! nos leva a refletir em nosso envolvi-


Os irmãos da igreja de Antio- mento com a obra missionária. Você
quia, quando enviaram Barnabé e tem contato com algum missioná-
Paulo em sua viagem missionária, rio? Ele está incluso em suas orações
impuseram as mãos sobre eles em diárias? Se sua resposta for não,
sinal de cumplicidade. Aquela igreja comprometa-se, hoje, em orar por
“continuaria responsável por eles, um missionário e cooperar financei-
amando-os, desejando o melhor e ramente com seu ministério. Pense
com certeza sustentando-os”.7 Isso nisso! Adote um missionário!

7. Lidório (2007:52)

www.portaliap.com.br 79
05. As igrejas locais, em nossos dias, se envolvem ativamente com
a obra missionária? A igreja em que você congrega ora por um
missionário e contribui financeiramente com seu ministério?

2. Faça novos discípulos! e mais pessoas foram alcançadas.


Os primeiros cristãos enxergavam- Você já fez algum discípulo? Hoje,
-se como discípulos de Cristo com existe alguém a quem você esteja
uma missão: fazer novos discípulos. ensinando o evangelho e levando
Por isso, não é de se estranhar o fato para a igreja? Você abre seu lar para
de terem crescido tão rapidamente. que grupos pequenos ou familiares
Eles abriam as portas do seu lar para sejam desenvolvidos no intuito de al-
que novas comunidades nascessem. cançar novas pessoas? Pense nisso!
Assim, novas igrejas foram plantadas Faça novos discípulos!

06. Com base na segunda aplicação, discuta em classe o que


precisamos fazer para discipular novas pessoas. Em nossos dias, a
igreja tem feito novos discípulos?

3. Acolha os convertidos! Fundador para ela”8. Como você lida


A igreja local deve ser uma comu- com os homossexuais que visitam
nidade acolhedora em que pessoas sua igreja ou as pessoas com roupas
são aceitas e abrigadas; um lugar e cabelos diferentes? Você integra os
em que os novos convertidos são in- novos convertidos em seu círculo de
tegrados; um ambiente acolhedor e amizade ou deixa-os de fora? Pen-
não recriminador. Stott escreveu: “O se nisso: Receba bem os visitantes!
fato de isto ser tão raro nas comuni- Acolha os convertidos!
dades cristãs é uma manifestação do
fracasso da igreja em geral em viver
de acordo com o propósito de seu 8. Stott (2005:104)

80 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


07. Com base na terceira aplicação, responda com sinceridade: Você
e a igreja em que congrega são acolhedores? Quais são as mudanças
que precisam ocorrer para que a igreja seja um lugar acolhedor?

DESAFIO DA SEMANA

Para esta semana, temos dois desafios. Primeiro: colher informa-


ções sobre missionários que estão no exterior e orar por eles. Isso
pode ser feito durante os próximos cultos. Faça disso um hábito.
Atualmente, temos missionários na Índia, na Argentina, na Bolívia,
no Chile e em outros países. Além disso, você também pode fa-
zer uma agenda pessoal de oração e interceder por eles, todos os
dias da semana. O segundo desafio é receber melhor os que nos
visitam. Recebê-los com simpatia, sentar ao lado deles, perguntar
seus nomes, dar-lhes atenção, integrá-los em nossos círculos de
amizades, enfim, aceitá-los com amor, independentemente de seu
estilo, sua cor de cabelo ou roupa. Faça o compromisso de, a partir
de hoje, não ir embora sem conversar com aqueles que estão visi-
tando a igreja. Mãos à obra! Que Deus nos ajude!

www.portaliap.com.br 81
10
A igreja
proclamadora
enfrenta aflições
8 DE SETEMBRO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 200 • BJ 223

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Levar o estudante a Naquele dia levantou-se grande perseguição
compreender que o ato
contra a igreja que estava em Jerusalém;
de pregar Jesus Cristo
aos pecadores acontece e todos exceto os apóstolos, foram
em meio a graves dispersos pelas regiões da Judéia e da
perseguições e aflições, Samaria. (Atos 8:1)
e desafiá-lo a proclamar
Cristo, consciente
desses ataques.
INTRODUÇÃO
A imagem mental que geralmente faze-
LEITURA DIÁRIA mos do ato de pregar a palavra é de ale-
D 02/09 At 20:36-38 gria. Juntamo-nos a um grupo de irmãos e
S 03/09 At 21:1-16 saímos às ruas pregando. Voltamos reali-
T 04/09 At 21:17-26 zados. De fato, a pregação produz alegria
Q 05/09 At 21:27-40 infinda (Sl 126:5). É o que percebemos, ao
Q 06/09 At 22:1-11
vermos Deus agindo de forma sobrenatural,
S 07/09 At 22:12-21
S 08/09 At 22:22-30
em Atos: anjos descendo do céu, línguas de
fogo, cegos vendo, surdos ouvindo, coxos
andando, cativos libertos. Mas nem sempre
é assim. Há o outro lado: Estêvão apedreja-
do, Paulo açoitado e preso, discípulo morto
ao fio da espada, igreja em perseguição. O
estudo de hoje irá mostrar-nos que a igreja
fiel a Cristo, a que sai a pregar a palavra,
enfrenta graves aflições.

Acesse os
I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS
Comentários Adicionais
e os Podcasts Há uma mensagem para todos nós, discí-
deste capítulo em
www.portaliap.com.br pulos-missionários de Jesus, sobre a proclama-
ção: “Perseguição: prepare-se para ela; resista

82 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


a ela”.1 As boas novas do evangelho Lucas está testemunhando que a
nem sempre são encaradas como igreja de Jesus, conquanto cheia do
boas notícias, pois o homem natu- Espírito Santo (At 2), estava experi-
ral não entende as coisas espirituais mentando o amargo e tenebroso sofri-
(1Co 2:14). O verdadeiro evangelho mento físico, resultado da perseguição
desestabiliza reinos, modifica estilos violenta e maligna, deflagrada pelo
de vida e até mexe na economia. As ódio dos ímpios contra os seguidores
verdadeiras testemunhas de Cristo de Cristo. Se a mim me perseguiram,
são aquelas pessoas que colocam também vos perseguirão a vós, avisara
o mundo de cabeça para baixo (At Jesus (Jo 15:20; cf. Mt 5:11). Lucas usa
17:6 – NBV). Por isso, enfrentaremos diogmos no sepultamento de Estêvão,
oposições, impedimentos e aflições na prisão dos fiéis e na dispersão. Nas
ao anunciarmos a mensagem da três situações, os cristãos fiéis foram
cruz. Neste estudo baseado em Atos, atacados fisicamente. Por causa de sua
capítulo 8, veremos, pelo menos, três fidelidade a Cristo, seus corpos esta-
ataques que a igreja de Cristo en- vam perigosamente expostos, a qual-
frenta enquanto proclama. quer momento, ao martírio. Quando
os perseguidores chegavam, açoita-
1. As aflições físicas: É inegável o vam e matavam os servos de Jesus.
crescimento da igreja primitiva. Mais Ocorre que o sofrimento de um
inegável ainda é que ela cresceu de- servo de Deus e, sobretudo, da igreja
baixo de uma perseguição radical. O de Deus nunca é em vão. Ante o ódio
Senhor da igreja teve o seu ministério dos adversários da igreja, o Espírito
terreno marcado por perseguições cer- Santo usou a perseguição como “ins-
radas (Lc 19:47; Mc 10:34; Hb 12:3). trumento divino para que o evange-
De igual forma, sua igreja não terá tré- lho começasse a ser expandido como
gua: cumprirá sua missão proclamado- Cristo havia ordenado”.2 Ainda que
ra debaixo de perseguições e aflições. não estejamos acostumados a ver
É o que vemos em Atos 8. O evangelis- algo de bom nas oposições, fato é
ta Lucas declara que levantou-se gran- que “a igreja sempre teve que enfren-
de perseguição contra a igreja em Je- tar perseguições quando se manteve
rusalém (v. 1). Ele usa o termo grego fiel a Cristo no desenvolvimento de
diogmos para definir “perseguição”. sua missão”.3 Isso quer dizer que, em
Esta palavra está fortemente ligada geral, toda igreja genuinamente mis-
ao sofrimento físico, pois carrega a sionária é perseguida. Nesse sentido,
ideia de causar dores, de fazer sofrer muito deve‑riam nos preocupar os
ou de punir com sofrimento.
2. Pino (2010:27).
1. Lucado (2010:99). 3. Idem.

www.portaliap.com.br 83
longos períodos de “paz”, de “con- estrutura emocional da igreja de Cris-
forto” que temos tido ante o mundo. to foi profundamente afetada.
Deus se alegra em abençoar a sua Na verdade, a igreja de Jesus em
igreja, mas não quer que ela se pren- Jerusalém não esperava passar por
da a esse favor a ponto de tornar-se experiências tão avassaladoras. Como
leniente quanto à sua missão de pre- disse Jesus, o ladrão nunca avisa
gar a palavra. Se precisar, ele usará as quando virá (Lc 12:39). Como salvos
circunstâncias adversas e reais da vida, em Cristo, acostumamo-nos a esperar
como o sofrimento físico, para nos ti- sempre o melhor. Jamais contamos
rar da passividade religiosa e nos levar com uma doença física letal, com
à ação proclamadora de seu poderoso uma forte doença emocional. Sequer
evangelho e do testemunho de nosso passa por nosso coração que tais
Senhor e Salvador Jesus Cristo. Tão acontecimentos possam contribuir
real é esta possibilidade que podemos para o cumprimento dos propósitos
experimentá-la a qualquer momento, de Deus, sobretudo, para salvar peca-
em nosso próprio corpo. Se isso vier a dores perdidos. Nossa lógica humana
nos ocorrer, teremos a grande opor- nos impede de ver as multiformas de
tunidade de comprovar que, em meio Deus agir. Nossa mente moderna es-
às perseguições físicas, Deus está pre- tranha a capacidade divina de usar as
sente com seu povo, como prometido. nossas mazelas existenciais para mos-
trar aos incrédulos que ele é Salvador.
2. As aflições emocionais: Em Em Atos 8, porém, o que se vê é a
seguida, Lucas garante que homens igreja de Jesus atacada no corpo e na
piedosos fizeram grande pranto so- alma; porém, a reação dela é impres-
bre Estêvão (v.2). Aqui, o termo gre- sionante. Para quem não esperava ta-
go usado para pranto é kopeton, que manha adversidade, é surpreendente
pode ser traduzido literalmente como perceber que, no ataque fatal a seu
“bater no peito” e indica o sofrimen- pastor Estêvão quanto e a seus mem-
to emocional, a dor da alma, o choro bros, a igreja não murmurou contra Je-
dolorido do coração. A igreja que era sus, nem perdeu a fé nele. Poderia tê-lo
fisicamente assolada com espanca- deixado; afinal, onde estava Cristo, no
mentos, fugas, prisões e martírios, momento em que ela mais precisou?
agora demonstra todo o impacto Não, aqueles incríveis irmãos, expulsos
emocional da perseguição impiedo- de suas casas, seguiram rumo a Judéia
sa. Ao verem o seu corajoso pastor e Samaria, a cumprir o mandado de Je-
morto, choraram um grande choro. sus (At 1:8). Podem ter falhado em não
Extravazaram o medo, a insegurança, proclamarem a palavra em tempo de
a saudade. Expuseram a alma abati- paz, é verdade; todavia, não deixaram
da, em movimento descendente. A de fazê-lo em tempos adversos.

84 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


Como pessoas em situações total- nismo não seria o que foi nos últimos
mente desfavoráveis reagem de forma dois mil anos; não seria o que é, e,
tão nobre e elevada? Não esqueça- seguramente, jamais viria a ser o que
mos: o livro de Atos é o livro dos atos será, até a volta de Jesus. Atos 8,
miraculosos do Espírito Santo. Depois portanto, não é um tratado sobre a
que Jesus Cristo foi glorificado, nos natureza da igreja, mas uma narrativa
céus, e assentou-se à direita do Pai, sobre o ataque que ela sofre enquan-
enviou o Espírito Santo. Com isso, to proclama as grandezas daquele
pessoas simples – pescadores, galileus, que a tirou das trevas para a luz. Se
crentes em Jesus – foram transfor- ela for fiel na proclamação do evan-
madas com grande poder espiritual. gelho, será impiedosamente atacada,
Agora tinham intrepidez e ousadia. alvejada por sistemas malignos que
Continuavam humanos, com graves não poupam o físico, o emocional e o
golpes, no corpo e na alma. Todavia, espiritual, buscando sempre a destrui-
tais aflições, sob o comando do Espíri- ção da fé. E o que é pior: almeja pa-
to Santo, eram bens espirituais a forta- ralisar a proclamação do evangelho.
lecer a sua fé e lhes dar coragem para Contudo, quem cuida da igreja
proclamar o evangelho eterno. é Deus, o Todo-Poderoso. Quanto
maior o ataque, quanto mais forte
3. As aflições espirituais: Lucas vai a perseguição, mais poderosa será
além: afirma que Saulo assolava a igreja a ação do Espírito Santo no meio da
(v. 3). A palavra assolava vem do termo igreja. Saulo assolava a igreja? Entrava
grego elumeinato, que aponta para nas casas, arrastava os irmãos e irmãs,
uma “destruição”, não apenas física e jogava-os nas penitenciárias? Sim! To-
emocional, mas, também, espiritual. É davia, os que ele não conseguiu pe-
o mesmo termo usado em João 10:10, gar, iam por toda parte, anunciando
que diz: O ladrão não vem senão para a palavra (v.4), ou seja: a pior fase da
roubar, matar e destruir (grifo nosso). igreja de Jerusalém foi a sua melhor
Os ataques físicos causaram graves fase. No meio do pior momento his-
danos na alma, mas tinha como alvo tórico da igreja primitiva, Deus a fez
principal a destruição da fé. Estamos caminhar a passos firmes; alargou as
diante de uma das revelações mais cla- suas tendas; fê-la expandir-se; levou-a
ras das Escrituras Sagradas em relação aos confins da terra; usou-a com gra-
a estratégias espirituais de ataque que ça e poder, para a glória do seu nome.
satanás usa contra a igreja de Jesus. A igreja sofreu com a morte de
Ataque físico, emocional e espiritual. seu grande líder, Estêvão? Ela ge-
Trata-se de uma cartada certeira, meu de sofrimento ao vê-lo tom-
com objetivo definido. Se o inimigo bar? Abateu-se com a queda de
da igreja tivesse tido êxito, o cristia- seu incansável pregador? Sim! Mas

www.portaliap.com.br 85
ela ficou sem pastor, sem um ho- Espírito Santo à igreja de Jesus.
mem cheio do Espírito Santo? Não! Nos momentos mais duros e difí-
Foi-se um grande homem? Deus le- ceis da igreja, Deus a fará irromper
vantou outro: Filipe, também cheio cheia do poder do Espírito Santo
do Espírito Santo, que, descendo e a fará proclamar Cristo Jesus
à cidade de Samaria, anunciava- ao mundo, e tudo isso produzirá
-lhes a Cristo (v. 5). Glória a Deus! grande alegria aos pecadores que
Jamais faltarão pastores cheios do serão salvos (v.8).

01. Com base no tópico “As aflições físicas” e em Jo 15:20; Mt 5:11;


At 8:1, reflita com a classe sobre maneiras mais eficientes de a igreja
proclamar Jesus em meio à oposição.

02. Com base no tópico “As aflições emocionais” e em At 1:8, 8:2,


considere os meios espirituais adequados para a igreja suplantar as
dificuldades, para que a proclamação não seja interrompida.

03. Com base no tópico “As aflições espirituais” e em At 8:3-8, reflita


sobre a maneira como Deus atua nos momentos em que a fé da
igreja está em cheque e como esta deve reagir aos ataques.

04. Leia At 4:1-4, 5:17-18, 12:1-2, 14:19-20, 16:19-24; Hb 10:32-35, 12:3


e comente a afirmação: “A proclamação genuína do evangelho de
Cristo sempre será feita sob cerrada oposição secular e maligna”.

86 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Proclame Cristo, ainda que sob Ele intervém, e logo a igreja enten-
ataque físico. de que por muitas tribulações nos é
As terríveis aflições da igreja de necessário entrar no reino de Deus
Atos não deveriam nos surpreender, (At 14:22). Seu corpo está enfermo?
afinal o sofrimento está presente na Está você sofrendo alguma violência
igreja de hoje. A violência doméstica física? Confie em Deus! Ele vai agir
machuca a família, o desastre ceifa a (Sl 37:3-7, 12-15). Todavia, não fe-
pessoa amada, a bactéria mata ines- che a sua boca. Proclame que Jesus
peradamente, a enfermidade não Cristo morreu para salvar os pecado-
abandona o corpo. É o ataque físico! res. Você experimentará um dos me-
Todavia, Deus está entre o seu povo! lhores momentos da sua vida.

05. Com base na primeira aplicação, proporcione, entre os alunos, uma


troca de experiências sobre pregar Jesus em meio a fortes ataques físicos.

2. Proclame Cristo, ainda que sob o peito, a respiração sufoca e a alma


ataque emocional. se deprime (cf. Sl 6:6; Mt 26:37-38).
A perseguição severa abalou a Todavia, Deus apruma os prostrados,
estrutura emocional da igreja de Je- Deus levanta os abatidos (Sl 145:14;
rusalém. Mesmo assim, ela saiu a 146:8). Sua alma está abatida? So-
pregar Jesus. Quando as coisas ruins brecarregada? Está com medo?
chegam e os ventos sopram contra Deus está vendo. Mas não quer você
o pai, a mãe e os filhos, a alma hu- calado ou calada. Fale de Jesus aos
mana treme. Quando o casamento pecadores, e verá o Espírito Santo
esfria, o desemprego chega e as dí- transformar a sua tristeza em alegria
vidas aumentam, vai-se o sono. Dói (cf. Sl 30:5, 4:8; Fp 4:11).

06. Reflita sobre a seguinte questão: É possível que doenças


emocionais, sob o controle do Espírito Santo, sejam revertidas em
poderosa arma espiritual para a proclamação do evangelho de Cristo?

www.portaliap.com.br 87
3. Proclame Cristo, ainda que sob (1:2). Incrível! Será que os embates
ataque espiritual. físicos e emocionais não têm abalado
A combinação de ataque físico e a sua confiança em Deus, esfriado a
emocional visa sempre desestabilizar sua oração e a sua pregação? Você
a fé. A fé dos cristãos primitivos foi se afastou da igreja? Atenção: as afli-
provada e aprovada. Um daqueles ir- ções visam provar a sua fé! O salvo
mãos, Tiago, declara: Bem-aventura- não recua (Hb 10:38), mas avança na
do o homem que suporta a provação; pregação (At 8:4), sobretudo, quan-
porque, depois de aprovado, receberá do a sua fé está sob forte ataque (At
a coroa da vida (1:12). Declara, tam- 5:17-32). Adiante, irmão! O Espírito
bém, ter alegria em sofrer por Cristo Santo fala pela sua boca (Mc 13:11).

07. Que ações você pode começar a realizar imediatamente,


inspirado na terceira aplicação: “Proclame Cristo, ainda que sob
ataque espiritual”.

DESAFIO DA SEMANA

As tribulações e aflições da vida não têm poder de inibir a mar-


cha vitoriosa da igreja de Jesus. Sabemos que é o próprio Deus
quem nos permite passar por situações assim, para amadurecer-
mos na fé. De nossa parte, cabe-nos confiar na graça divina e
aceitar, com paciência, as lutas e provações da vida, pois todas
as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm
8:28). Diante disso, o Espírito de Deus lhe faz o seguinte desafio
semanal: compartilhe com pessoas não salvas, as lutas e tribula-
ções que você tem enfrentado, destacando o cuidado de Jesus
junto a você. No final, convide a pessoa para estudar a palavra
com você e fazer uma visita à igreja onde você congrega. Lembre
sempre este alerta: Porque não podemos deixar de falar do que
temos visto e ouvido (At 4:20).

88 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


11
Dinheiro não
é problema na
proclamação
15 DE SETEMBRO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 186 • BJ 315

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ensinar ao estudante da José, um levita de Chipre a quem os
Bíblia Sagrada que nossas
apóstolos deram o nome de Barnabé,
contribuições ajudam na
obra de evangelização que significa “encorajador”, vendeu
e que devemos um campo que possuía, trouxe o dinheiro
contribuir, avaliando a e o colocou aos pés dos apóstolos.
necessidade, apreciando (At 4:36-37)
a voluntariedade
e ponderando a
possibilidade.

INTRODUÇÃO
LEITURA DIÁRIA Dinheiro é bênção ou maldição? Pode ser
D 09/09 At 23:1-11 uma coisa ou a outra, dependendo da situa-
S 10/09 At 23:12-25 ção. Se utilizado indevidamente, ele pode se
T 11/09 At 23:26-35
tornar um veículo de perdição para quem o
Q 12/09 At 24:1-9
possui (At 8:20). Alguém já disse: “O dinhei-
Q 13/09 At 24:10-21
S 14/09 At 24:22-27 ro é um bom servo, mas um péssimo patrão.
S 15/09 At 25:1-12 Quando o dinheiro está sob nosso controle,
ele é uma bênção; quando nos controla, é
uma maldição”.1 Sobre isso, Paulo escreveu:
Porque o amor do dinheiro é raiz de todos
os males; e alguns, nessa cobiça, se desvia-
ram da fé e a si mesmos se atormentaram
com muitas dores (1 Tm 6:10). O dinheiro,
contudo, se usado de maneira adequada,
é útil e promove o avanço da pregação do
evangelho no mundo.
Acesse os
Comentários Adicionais
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1. Lopes (2009:33).

www.portaliap.com.br 89
I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

Na Bíblia, Deus sempre supriu fi- Desse modo, tanto o rico quanto
nanceiramente a obra missionária. o pobre contribuíam para a pregação
O ministério de Jesus, por exemplo, do evangelho. Ninguém podia argu-
foi patrocinado por Joana, Suzana e mentar que não ofertava porque era
outras mulheres (Lc 8:3). Isso, con- muito pobre ou porque era muito
tudo, não é coisa somente do Novo, rico. Mas também ninguém era obri-
mas também, do Antigo Testamen- gado a dar o que não podia. Os cris-
to (2 Cr 31:4; Ne 7:70). No livro de tãos de hoje precisam atentar para
Atos, a contribuição financeira para este ensinamento. Ajudar a obra de
a obra de Deus é um princípio ni- Cristo com os recursos financeiros
tidamente enfatizado. O texto bá- é necessário, mas isso não pode ser
sico deste estudo não deixa dúvida feito de qualquer modo. Há os que
quanto a isso. Desse modo, enten- ofertam mais do que podem e depois
demos que dinheiro não é empeci- prejudicam o próprio orçamento. Há
lho na prática da proclamação. Com também os que ofertam menos do
base na palavra de Deus, vamos es- que podem, sem dar prioridade ao
tudar, a partir de agora, alguns as- que é, de fato, importante: a expan-
pectos relacionados à nossa contri- são do reino de Deus na terra. Am-
buição para a obra missionária: bos os extremos são perigosos.

1. A quantia: Possivelmente, você 2. Os obstáculos: No que se


já se perguntou: “Com quanto devo refere à contribuição financeira na
contribuir?”; “Será que esta ou aque- proclamação, é oportuno considerar
la quantia que me propus ofertar é a também os obstáculos. Dentre es-
ideal?”. Essas perguntas são muito tes, queremos tratar, pelo menos, de
importantes. Para a obra de Deus, dois. O primeiro é a escassez de re-
é necessário atentar para a quantia cursos. Quando hesitam em colabo-
a ser ofertada. Então, que princípio rar com missões, as pessoas dizem:
devemos seguir em relação ao valor “Eu sou muito pobre, o meu salário
da contribuição? Atos 11:29 diz que é pouco e mal dá para atender às mi-
os cristãos contribuíram cada um se- nhas necessidades”. Mas, ao olhar-
gundo as suas possibilidades (NVI). A mos para a Escritura, as igrejas da
NTLH traduz esse trecho assim: ... e Macedônia poderiam munir-se das
cada um deu de acordo com o que mesmas desculpas para não ofertar;
tinha. Tendo isso em mente é que os afinal, atravessavam um período de
irmãos ofertavam (cf. At 4:34-35). muitas dificuldades. Porém, o que fi-

90 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


zeram? Levantaram uma coleta em mas o que tenho, isso te dou: em
benefício dos irmãos necessitados nome de Jesus Cristo, o Nazareno,
de Jerusalém (Rm 15:26). anda (At 3:6). Como resultado, todo
Como já vimos, tanto pobres o povo viu aquele homem a andar e
quanto ricos podem e devem cola- a louvar a Deus (v. 9).
borar, de acordo com suas posses; Estejamos certos de que, como
todavia, ainda que os recursos se- escreveu Paulo, o nosso Deus suprirá
jam mínimos, é possível contribuir todas as necessidades de vocês, de
com a obra missionária. O segundo acordo com as suas gloriosas rique-
e, talvez, o maior dos obstáculos é zas em Cristo Jesus (Fp 4:19). Como
a falta de comprometimento com a bem disse Deus, através do profeta
proclamação. Quando não há en- Ageu: Minha é a prata, meu é o ouro
volvimento com a obra, esta tende (Ag 2:8). Portanto, ele tem os seus
a ficar em segundo ou terceiro plano próprios meios de prover os recursos
e isso é grave. Os irmãos na igreja necessários à proclamação. No caso
do primeiro século, ao mesmo tem- da igreja de Atos, ele se utilizou, al-
po que eram exímios ofertantes do gumas vezes, da generosidade dos
reino, eram, também, extremamente que tinham muitos recursos. Desse
dedicados ao ensino, à comunhão e modo, “Barnabé desfaz-se da pro-
às orações (At 2:42-45). Assim sen- priedade e entrega o dinheiro para
do, o “pré-requisito para um envolvi- a obra de Deus. Deus faz isso hoje.
mento financeiro é um envolvimento Quando a igreja vive em obediência
pessoal com a obra financiada”.2 à direção do Espírito, investindo na
obra missionária, Ele providencia o
3. A provisão: Quando faltam os dinheiro”3 (At 4:36-37).
recursos, a proclamação do evange-
lho pode ser dificultada. Dificultada, 4. A generosidade: A igreja men-
sim, mas não suspensa. E por que cionada em Atos era generosa. Lu-
não? Porque o Deus pregado pela cas faz questão de frisar: Todos os
igreja, no evangelismo, é, também, que criam estavam juntos e unidos e
o provedor desta. Dinheiro não é repartiam uns com os outros o que
tudo. Deus não precisa deste para tinham (At 2:44 – NTLH). Somente
fazer do evangelho poder para a quem é generoso entende, na prática,
salvação do que crê (Rm 1:16). Sem que mais bem aventurado é dar do
dinheiro, Pedro disse ao paralítico: que receber (At 20:35). Barnabé en-
Não possuo nem prata nem ouro, tendia isso. Ele vendeu um campo que
possuía, trouxe o dinheiro e o colocou

2. Revista Educação Cristã, vol. 10, junho/2010,


p.42. 3. Casimiro (2009:112)

www.portaliap.com.br 91
aos pés dos apóstolos (At 4:37). Que ofertar. Exemplo disso é o caso de
atitude exemplar!4 Ele não se mostrou Ananias e Safira. O Espírito Santo os
refém do dinheiro; antes, demonstrou julgou severamente, porque inten-
desapego aos bens materiais e amor cionaram o mal ao ofertar (At 5:1-6).
para com a obra de Cristo. Obviamente, eles não pecaram por
É necessário economizar dinheiro terem retido parte do dinheiro, mas
em muitas coisas, mas não em mis- por terem afirmado que estavam
sões. Não se deve poupar recursos ofertando tudo. Eles provavelmente
para a salvação de vidas, para a pro- mentiram para que a sua oferta pa-
moção do reino de Deus. Além disso, recesse superior à de Barnabé.5
precisamos entender que os recursos Assim, pecamos quando não
financeiros que possuímos, perten- ofertamos o nosso dinheiro com a
cem a Deus e que apenas os adminis- motivação correta. Há aqueles que
tramos (Sl 24:1; Ag 2:8; 1 Co 10:26). ofertam uma quantia alta só para
Infelizmente, há aqueles que, mesqui- aparecer; outros, para justificar a
nhamente, hesitam em ofertar para a própria inércia, como se, pelo fato
causa do Mestre. Querem a benção de ofertarem, não precisassem fazer
de Deus, mas “fecham a mão” para mais nada no evangelismo; outros, à
ele. Estes têm dinheiro para muitas semelhança de Simão, querem fazer
coisas, mas não para colaborar com do evangelho um negócio de com-
causa do Mestre. Isso é, no mínimo, pra e venda (At 8:18-19). O ato de
vergonhoso. Cadê os “Barnabés” de ofertar é uma prática espiritual; logo,
nosso tempo? Onde estão os cristãos deve ser praticado com motivações
generosos? Reflitamos a respeito. espirituais. Devemos fazê-lo não com
o intuito de receber algo de Deus,
5. A motivação: Há algo no ato mas de agradecer-lhe, com alegria.
de contribuir que precisamos con- O ato de contribuir para a proclama-
siderar: a verdadeira intenção de ção deve ser considerado pelo cristão
quem oferta. A igreja primitiva con- como um privilégio imerecido.
tribuía com boas intenções (At 2:45;
Rm 15:26). Isso é importante saber 6. O propósito: Após tratarmos
porque Lucas registra que, do mes- sobre a quantia, os obstáculos, a
mo modo que o Senhor da igreja provisão, a generosidade e a motiva-
avaliou os ofertantes no templo de ção na contribuição, discorreremos
Jerusalém, aprovando a doação da sobre o propósito da mesma. Assim,
viúva pobre (Lc 21.1-4), o Espírito é oportuna a pergunta: Para que era
Santo avalia as nossas motivações ao utilizado o dinheiro arrecadado nas

4. Bost (2007:67). 5. Casimiro (2009:112).

92 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


contribuições? Certamente, não vi- parar os necessitados que fazem
sava ao enriquecimento pessoal dos parte do corpo, pois se distribuía a
apóstolos; caso contrário, Pedro não qualquer um à medida que alguém
teria dito ao coxo “não possuo nem tinha necessidade (At 4:35b). Mas
prata nem ouro” (At 3:6). Hoje em dia, não só isso: o dinheiro era, tam-
nota-se uma inversão de valores nesse bém e principalmente, usado para
sentido. Muitos daqueles que se dizem amparar os trabalhadores da obra.
bispos e apóstolos da igreja de Cristo Paulo e Barnabé foram enviados e
apropriam-se dos recursos ofertados sustentados pela igreja de Antio-
pelos fiéis nas comunidades que lide- quia (At 13:1-4). Paulo também
ram com o propósito de erguer man- contava com a ajuda da igreja de Fi-
sões luxuosas, adquirir carros de luxo, lipos (Fp 1:5, 4:15-18). As igrejas da
fazendas enormes etc., e a verdadeira Macedônia também o amparavam
proclamação, por sua vez, é ignorada. (2 Co 8:1-3). Dessa maneira, esses
Em Atos, porém, o dinheiro das homens de Deus podiam se dedicar
contribuições é utilizado para am- ao serviço missionário.

01. Leia At 11:29; o item 1, e responda: Que princípio devemos seguir


em relação ao valor da contribuição?

02. Quais os obstáculos à contribuição financeira na proclamação?


O trabalho missionário pode ser suspenso em razão da falta de
recursos? Comente com base nos itens 2 e 3.

03. A generosidade é fundamental, no ato de contribuir, para


evangelismo local e missões? Por quê? Baseie-se em At 2:44
e no item 4.

www.portaliap.com.br 93
04. Leia At 2:45, 4:35, 13:1-4; Rm 15:26; Fp 1:5; o item 6, e responda:
Com que motivação devemos contribuir? Para que era utilizado o
dinheiro arrecadado nas contribuições?

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Na proclamação, contribuamos investimentos. E quem há de ar-


avaliando a necessidade. car com eles? Certamente, nós, a
A proclamação é uma obra igreja. Os irmãos de Atos contribu-
magnífica e necessária. Por meio íam de acordo com a necessidade
dela, o mundo pode conhecer a da obra. Por isso, eram generosos
salvação graciosa oferecida pelo para com ela. E nós, temos sido
Pai, por meio de Jesus. Não foi à generosos para com a missão da
toa que este ordenou: Ide por todo proclamação ou temos titubeado
o mundo e pregai o evangelho a na hora de ofertar, ignorando as
toda criatura (Mc 16:15). Contu- suas dificuldades? Levemos isso
do, essa grande obra demanda em conta.

05. Após ler a primeira aplicação, responda: Por que, ao


contribuirmos, precisamos avaliar a necessidade da obra
missionária? Você faz isso?

2. Na proclamação, contribuamos deu um campo que possuía, trouxe


apreciando a voluntariedade. o dinheiro e o colocou aos pés dos
Barnabé, ao mesmo tempo que apóstolos (At 4:37). Essa atitude foi
foi generoso, primou pela volun- voluntária. Ninguém o obrigou a to-
tariedade. Diz o texto que ele ven- má-la. Ananias e Safira também não

94 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


foram obrigados a ofertar tudo o proposto no coração (2 Co 9:7). Que
que tinham (At 5:4). Somos concla- ajamos assim. Coloquemo-nos à dis-
mados, portanto, a ofertar não por posição, de forma voluntária, para
coação ou tristeza, mas por livre von- ajudarmos a difundir o evangelho do
tade, com alegria, segundo tivermos reino no mundo.

06. Após ler a segunda aplicação, responda: Por que, ao


contribuirmos, precisamos ter atitude voluntária? Essa tem sido
uma característica sua?

3. Na proclamação, contribuamos com que a pessoa contribua aquém


ponderando a possibilidade. do que pode contribuir e aquela
Os primeiros cristãos ofertavam faz com que a pessoa doe além do
segundo proposto em seu coração que pode, de fato, doar. Os dois
e de acordo com o que tinham (At extremos são prejudiciais. Por isso,
11:29). Isso nos leva a refletir sobre muitas vezes, é melhor fazermos
o cuidado de não cairmos em duas um planejamento financeiro, a fim
armadilhas comuns: a generosidade de que, ao contribuirmos, Deus seja
impensada e a mesquinhez. Esta faz glorificado e a sua obra, favorecida.

07. Após ler a terceira aplicação, responda: Por que, ao contribuirmos,


precisamos avaliar as nossas possibilidades? Como você tem se saído
em relação a isso?

www.portaliap.com.br 95
DESAFIO DA SEMANA

O estudo de hoje possivelmente lhe levou a refletir a cerca de


como você tem encarado o ato de ofertar. Então, como você tem
agido em relação a isso? Tem você contribuído financeiramente
com a evangelização ou se omitido? Se esta última é a sua res-
posta, o que fazer para melhorar? Que tal um propósito diante
de Deus, agora mesmo? Se você não tem levado a sério o ato
de contribuir com a obra do Mestre, faça diferente, a partir de
hoje. Torne-se um colaborador mais frequente, e, dentro de suas
possibilidades, mais generoso. Faça um compromisso de dar uma
oferta mensal para o evangelismo local ou para as missões estran-
geiras, adotando um missionário. Doe uma oferta generosa. Não
se esqueça do princípio bíblico de que é mais feliz quem doa do
que quem recebe (At 20:35).

96 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


12
Não apenas
proclame, mas
discipule!
22 DE SETEMBRO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 68 • BJ 79

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Ensinar ao estudante Tendo-o encontrado, levou-o para Antioquia.
da Bíblia que o ato
E durante o ano inteiro reuniram-se
de proclamar não
é suficiente, se não naquela igreja e instruíram muita gente. Em
houver a prática do Antioquia, os discípulos foram chamados
discipulado cristão, no cristãos pela primeira vez. (At 11:26)
qual é necessário haver
caráter íntegro, atitude
persistente e visão
INTRODUÇÃO
capacitadora.
Algo que há muito vem inquietando di-
versas igrejas evangélicas é o fato de que,
LEITURA DIÁRIA na maioria delas, embora haja um conside-
D 16/09 At 25:13-22 rável número de conversões, há, também,
S 17/09 At 25:23-27 de modo notável, um excesso número de
T 18/09 At 26:1-11
baixas. Esta tem sido a realidade enfrenta-
Q 19/09 At 26:12-18
da por muitas denominações. É como se as
Q 20/09 At 26:19-23
S 21/09 At 26:24-29 pessoas entrassem pela porta da frente num
S 22/09 At 26:30-32 dia e saíssem pela porta dos fundos no ou-
tro. Diante do problema, a pergunta é: “Há
um meio de reverter esse quadro em nossas
igrejas? Qual é esse meio?”. A resposta para
essa questão chama-se discipulado. É sobre
isso que trataremos a seguir.

I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

Acesse os
Comentários Adicionais A proclamação é importante. Aliás, é essen-
e os Podcasts cial. A igreja que não proclama não cresce de
deste capítulo em
www.portaliap.com.br modo eficaz. Em contrapartida, só proclamar
não é, por si só, suficiente, embora necessário.

www.portaliap.com.br 97
É preciso, também, haver discipula- elementos para a concretização do
do. A falta deste é prejudicial. Sa- discipulado é o discipulador e o
bendo disso, a igreja de Atos tanto discípulo. Sem eles, naturalmente,
proclamava quanto discipulava. Há não haveria discipulado.
igrejas que se envolvem na prática O que é um discipulador? É aque-
da proclamação, mas deixam a de- le que ensina, transmite, de modo
sejar na execução do discipulado, constante, os ensinos de Jesus a
quando, na realidade, este deve uma pessoa. O discípulo, por sua
complementar aquela. Um não pode vez, é o aprendiz, aquele que absor-
ser desvinculado do outro. Tendo ve os ensinamentos do evangelho
isso em mente, atentemos para o de Jesus e os pratica. Em Atos, os
princípio bíblico do discipulado, com cristãos eram conhecidos, comu-
base no livro de Atos. mente, como discípulos (cf. At 6:1-
2, 7; At 9:1,18,25,26,38). O final do
1. O significado do discipula- versículo 25 de Atos 11 afirma que
do: Antes de trabalharmos outros somente em Antioquia os discípulos
aspectos do discipulado, precisa- foram pela primeira vez chamados
mos entender o seu significado: cristãos. Como bons discípulos que
“discipulado é o processo, o mé- eram, os crentes de Atos tinham um
todo ou o meio pelo qual levamos Mestre por excelência: Cristo. Não é
uma pessoa a ser um verdadeiro à toa que o livro faz menção, em seu
discípulo de Cristo”.1 Logo, disci- início, de tudo o que Jesus começou
pular é fazer discípulos (Mt 28:19- a fazer e a ensinar (At 1.1). Veja que,
20). Durante o discipulado, o novo aqui, o escritor coloca em evidência
convertido deve ser ensinado e não os ensinos pessoais dos após-
acompanhado por um cristão mais tolos ou dos filósofos daquela épo-
maduro, até que tenha, em si, o ca- ca, mas os de Cristo. O aprendei de
ráter de Cristo. Esse processo pode mim de Jesus estava explícito na vida
ser demorado. Isso pode ser consta- daqueles discípulos.
tado no fato de que Jesus, o mestre
por excelência, precisou de, aproxi- 2. O imperativo do discipula-
madamente, três anos para prepa- do: Na Bíblia, o discipulado não é
rar os discípulos. Isso nos dá ideia uma opção, mas um imperativo,
do tempo em que o discipulado uma ordem, um mandamento. O
deve ser realizado. Contudo, este texto de Mt 28:19 não deixa dúvi-
sempre será satisfatório, se realiza- da quanto a isso: Portanto, vão e
do corretamente. Dois importantes façam discípulos em todas as na-
ções, batizando-as no nome do Pai,
1. Evangelismo e discipulado (2010:89).
do Filho, e do Espírito Santo (BV-

98 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


grifo nosso). Nas palavras do Mes- eles aprendiam antes de ensinar.
tre, fica suficientemente claro que Como descreve o autor de Atos,
todo discípulo precisa ser, acima os crentes aprendiam a andar no
de tudo, um discipulador. A igreja temor do Senhor e na consolação
de Cristo mencionada em Atos en- do Espírito Santo (At 9:31b – grifo
tendeu esse imperativo e o colocou nosso). E isso acontecia não apenas
em prática. Ela é, nesse sentido, um porque ouviam, mas também por-
exemplo para os cristãos de hoje. que examinavam as Escrituras. Os
Os discípulos da igreja primiti- irmãos de Bereia investigavam dia
va não se “cansavam” de ensinar. a dia as Escrituras, para conferir as
Eles não se contentavam em ser declarações de Paulo e Silas, a fim
apenas discípulos: eram, também, de ver se realmente elas eram as-
discipuladores. Por isso, ensinavam sim (At 17:11). O discipulador tem
tanto no templo quanto nas casas. por obrigação ler a Bíblia. Quem
E isso não acontecia apenas de vez não estuda a palavra para ensinar o
em quando, mas todos os dias (At que deve, corre o risco de ensinar o
5:42). Por levar a sério esse impera- que não deve.
tivo do Mestre, o discipulado, Paulo A segunda atitude daqueles ir-
e Barnabé estiveram na igreja em mãos era ainda mais desafiado-
Antioquia e durante o ano inteiro ra: ensinavam com honestidade.
reuniram-se naquela igreja e instru- Quem discipula deve ensinar o que
íram muita gente (11:26). A propó- está escrito na palavra. O evange-
sito, será que temos agido de modo lho do reino é que deve ser ensi-
semelhante, priorizando o discipula- nado e não outro. Pedro, ao falar
do em nossa vida? Temos sido bons da descida do Espírito Santo, no
discipuladores? Lembremo-nos de dia da festa do Pentecostes, citou
que o discipulado é uma ordem e as Escrituras: ​Mas o que ocorre é o
deve ser uma prática constante de que foi dito por intermédio do pro-
todo discípulo de Jesus. feta Joel: ​E acontecerá nos últimos
dias, diz o Senhor, que derramarei
3. O ensino no discipulado: do meu Espírito sobre toda a carne
Como vimos, o ensino era uma prá- (At 2:16-17a; cf. Jl 2:28). Paulo afir-
tica comum e constante da igreja mou, em Gálatas 1:9: Assim, como
primitiva, ou seja, ela fazia do disci- já dissemos, e agora repito, se al-
pulado um hábito. Mas como o en- guém vos prega evangelho que vá
sino era encarado naquela comuni- além daquele que recebestes, seja
dade? Com muita seriedade. Refli- anátema. O discipulador não fala
tamos sobre duas atitudes daque- de si mesmo. Não é ele o objeto de
les irmãos nesse sentido. Primeiro, estudo, nem o inspirador das Escri-

www.portaliap.com.br 99
turas. O discipulador respeita o que camos? É dever de todo discipulador
está escrito e não vai além disso. ensinar, também, por meio de uma
conduta exemplar. A palavra deve
4. O exemplo no discipulado: ser prática em nossa vida.
O evangelho ensinado pelos após-
tolos aos irmãos da igreja primi- 5. O encorajamento no dis-
tiva não se limitava à teoria. Eles cipulado: Todo ser humano ne-
pregavam o que viviam e viviam o cessita de encorajamento, ainda
que pregavam. Possivelmente, essa mais em se tratando de vida cris-
tenha sido a razão pela qual aque- tã. Quem discipula, deve levar isso
la igreja contou com a simpatia de em conta. Encorajar é incentivar,
todo o povo (At 2:14). As pessoas motivar. No livro de Atos, temos
enxergavam coerência entre o que um bom exemplo de discipulador
era dito e o que era praticado. Lucas que encoraja: Barnabé. Aliás, o
afirma que muitíssimos sacerdotes seu nome significa encorajador (At
obedeciam à fé (6:7b). O verbo obe- 4:36). Ele se tornou fundamental
decer (gr. hupakouo), nesse texto, para o ministério de dois impor-
tem o sentido de ouvir uma ordem tantes personagens da Bíblia. O
e submeter-se a ela. Eles praticavam primeiro deles foi Saulo. Após sua
e ensinavam o que aprendiam. conversão, este foi alvo da descon-
No episódio da escolha daqueles fiança dos crentes (9:26). Todavia,
que serviriam às mesas, a preocupa- Barnabé o defendeu e Saulo ficou
ção dos apóstolos era clara: ... esco- com eles (v.28) e acabou se tor-
lhei dentre vós sete homens de boa nando o mais proeminente missio-
reputação (6:3a). Tempos depois, nário cristão de todos os tempos.
Paulo escreveu aos coríntios: Sede Barnabé se tornou fundamen-
meus imitadores como eu sou de tal, também, no ministério de João
Cristo (1 Co 11:1). Ele sabia o que Marcos. Isso porque, após desistir
estava dizendo e fazendo. Era um no meio do caminho de uma via-
discipulador exemplar. Contudo, no gem missionária (13:13), este caiu
próprio ato de dizer isso, ele induz no descrédito de Paulo, que não
aqueles irmãos para longe de si mes- mais o quis em sua companhia em
mo. A única razão pela qual devem outra viagem (15:38). Mas Barna-
imitá-lo é que ele imita a Cristo.2 Será bé acreditou em Marcos e o levou
que as pessoas a quem ensinamos o consigo para Chipre (v.39). Barnabé
evangelho têm enxergado coerência o encorajou a continuar no minis-
entre o que falamos e o que prati- tério. É assim que os discipuladores
devem agir em relação ao discipu-
2. Morris (1983:121). lando. Por falta de encorajamento,

100 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


muitos desistem da caminhada cris- sus, mas, depressa, tinha o seu pró-
tã. Sentem-se incapacitados, sim- prio grupo de discípulos a quem ele
plesmente porque ninguém se pro- ensinava a obedecer a tudo o que
põe a convencê-los do contrário. Jesus havia ordenado.3
Portanto, todo discipulador deve O discípulo sempre deve dar fru-
ser, também, encorajador. tos. Timóteo foi discípulo de Paulo,
a ponto de ser chamado por este de
6. O objetivo do discipulado: verdadeiro filho na fé (1 Tm 1:2; cf.
Um dos propósitos do discipulado é At 16:2). Todavia, Timóteo recebeu,
fazer discípulos; todavia, não é esse como incumbência, um grande de-
o objetivo final. Em Atos, o discipu- safio: E o que de minha parte ouvis-
lado é comumente visto como uma te através de muitas testemunhas,
escola em que o discípulo produz isso mesmo transmite a homens fi-
espiritualmente. Então, o principal éis e também idôneos para instruir
objetivo de quem discipula deve ser a outros (2 Tm 2:2). Esse homem de
o de ajudar o discipulando a pro- Deus recebera a importante tarefa
duzir o caráter de Cristo. Como de treinar discipuladores e estes,
consequência, o discipulando será por sua vez, deveriam formar ou-
frutífero, tornando-se, desse modo, tros discipuladores. Esse trabalho
um discipulador. Isso aconteceu não pode parar. No reino de Deus,
com Saulo. Ele não demorou a en- todos são úteis. O aparelhamento
sinar o que aprendera (At 9:20) e dos santos precisa continuar.
não desperdiçou seu tempo. Saulo
começou aprendendo com Ananias
e com os outros seguidores de Je- 3. Marra (2007:71).

01. Com base no item 1, responda: O que é discipulado, discípulo e


discipulador?

02. Leia Mt 28:19; At 17:11; os itens 2 e 3, e responda: Por que


o discipulado é um imperativo e como a igreja o executava?
Que atitude tiveram os irmãos da igreja primitiva em
relação ao ensino da Escritura?

www.portaliap.com.br 101
03. Após ler 1 Co 11:1; At 9:26-28, 15:38-39; os itens 4 e 5, responda:
Por que o bom exemplo e o encorajamento no discipulado são
importantes?

04. Com base no item 6, comente o objetivo do discipulado e sua


consequência.

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Ao discipular, preserve caráter podem limitar-se a ensinar; antes,


integro. precisam viver o evangelho de Cris-
Como vimos, o evangelho prega- to diariamente. Isso implica preser-
do pelos apóstolos não se limitava var o caráter em integridade, dan-
à teoria. Se assim o fosse, não se- do um bom testemunho de vida ao
ria poder de Deus para a salvação, discipulando. Se este perceber que
mas apenas filosofia. Por isso, Pau- o seu discipulador leva a sério os
lo não mediu palavras: Sede meus ensinamentos que professa, certa-
imitadores como eu sou de Cristo mente, fará o mesmo. Sejamos dis-
(1 Co 11:1). Os discipuladores não cipuladores exemplares!

102 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


05. Leia a primeira aplicação e responda: Tem você sido um
discipulador exemplar?

2. Ao discipular, tenha atitude O bom discipulador não desiste do


persistente. seu discípulo, mas o encoraja e insis-
Barnabé agiu sabiamente, quando te em seu progresso espiritual. Você
as circunstâncias não lhe favoreciam. tem atentado para isso? Tem acom-
Ele foi persistente e corajoso, ao de- panhado de perto o progresso do
fender Saulo na hora da desconfian- seu filho na fé? Tem lhe ajudado em
ça (At 9:26) e a Marcos, quando este oração, motivado-o a continuar se-
ficou desacreditado (15:38). Ele os guindo os passos de Cristo? Seja per-
encorajou e isso contribuiu significati- sistente com o discipulando. O resul-
vamente para o ministério de ambos. tado dessa atitude será significante.

06. Leia a segunda aplicação e responda: Tem você sido um


discipulador persistente?

3. Ao discipular, adote visão ca- sabe que a seara é grande, mas pou-
pacitadora. cos os ceifeiros (Lc 10:2). Com isso
Paulo foi discipulado durante um em mente, é importante refletirmos
tempo. Mas não ficou nisso. Ele se se estamos trabalhando o discipulado
tornou um discipulador e, como tal, com de maneira correta. Estamos trei-
aparelhou a um de seus alunos: Timó- nando devidamente futuros discipula-
teo, que se tornou um discipulador. dores ou nos contentamos em deixar
Do mesmo modo com que foi por o discipulando sempre em nossa de-
Paulo treinado, Timóteo preparou ou- pendência? Que a nossa visão não se
tros (2 Tm 2:2). O bom discipulador limite a este ponto; antes, seja cada
se interessa em capacitar outrem. Ele vez mais capacitadora.

www.portaliap.com.br 103
07. Leia a terceira aplicação e responda: Tem você sido um
discipulador com visão capacitadora?

DESAFIO DA SEMANA

Chegamos ao final de mais um estudo bíblico, pela graça


de nosso Deus. Hoje, tratamos sobre a prática do discipulado.
Como vimos, este é um princípio bíblico claramente ordenado
e executado, que deve ser levado a sério por cada um de nós.
Você tem levado a sério o princípio do discipulado? Se não, que
tal fazê-lo a partir de agora? Para esta semana, o desafio é que
você trabalhe no sentido de discipular uma pessoa. Ore por ela
e faça um compromisso, diante de Deus, de ensinar-lhe, com
honestidade, a palavra de Deus. Quanto ao resultado, é Deus
que dá o crescimento (1 Co 3:7).

104 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


SÁBADO
ESPECIAL
Escola Bíblica,
Programa de Culto,
e Sermão

www.portaliap.com.br 105
13
Quando
proclamação é
um estilo de vida
29 DE SETEMBRO DE 2012 Hinos sugeridos – BJ 184 • BJ 82

OBJETIVO TEXTO BÁSICO


Mostrar ao estudante da E todos os dias, no templo e de casa
Bíblia que o estilo de vida
em casa, não cessavam de ensinar e de
da igreja em Atos era de
pessoas que proclamavam pregar Jesus, o Cristo. (At 5:42)
Jesus de maneira
contínua, em todo lugar
e para toda gente, e
desafiá-lo a seguir esse INTRODUÇÃO
estilo de vida.
Um dos valores mais pregados por esta
sociedade pós-moderna é o individualismo
LEITURA DIÁRIA ou a privatização, que, na linguagem po-
D 23/09 At 27:1-8
pular, é: “cada um no seu quadrado”. Isso
S 24/09 At 27:9-12 tem atingido o campo religioso. É normal
T 25/09 At 27:13-26 ouvirmos pessoas dizerem: “Tenho minha
Q 26/09 At 27:27-44 religião e você tem a sua, e religião não se
Q 27/09 At 28:1-10 discute!”. Por isso, em nossos dias, cristãos
S 28/09 At 28:11-22
deixam de evangelizar só para não serem
S 29/09 At 28:23-31
considerados “inconvenientes”. Isso é la-
mentável, pois “vão sendo empurrados
para um gueto, com sua fé restrita às suas
consciências, lares e templos, sem relevân-
cia histórica ou influência social”.1 Con-
tudo, neste trimestre, ao olharmos para a
igreja de Atos, o Espírito Santo nos desafia
a fazermos da proclamação um estilo de
vida, pregando em todo tempo, em todos
os lugares e para todas as pessoas. A pre-
Acesse os
Comentários Adicionais sente lição vai reforçar esse desafio.
e os Podcasts
deste capítulo em
www.portaliap.com.br
1. Cavalcanti (2012:46).

106 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


I O PRINCÍPIO BÍBLICO EM ATOS

Não temos que evangelizar ape- Isso é confirmado em Atos 8:4: Mas
nas no sábado à tarde, mas devemos os que andavam dispersos iam por
proclamar Jesus todos os dias. Em toda parte anunciando a palavra.
cada conversa, na hora do almoço Algo que fazia a igreja primitiva pre-
do trabalho, no intervalo da aula (cf. gar em todas as ocasiões era o senso
At 5:42). Os primeiros cristãos viviam de urgência. Ela entendia que esse era
a falar de Jesus, em tempo e fora de o único meio de as pessoas serem sal-
tempo (2 Tm 4:2). Neste último estu- vas da condenação eterna. Paulo con-
do da série, observaremos como era o siderava um dever pregar sempre. Este
estilo de vida daqueles irmãos relacio- apóstolo “sentia um alto grau de sa-
nado à proclamação do evangelho e tisfação e conforto por pregar o evan-
buscaremos seguir esse estilo de vida. gelho (...). Quando deixava de pregar,
Atos nos convida a escrever mais uma deixava de ser ele mesmo”.3 Mesmo
“página” na história da igreja de Cris- passando pelas maiores dificuldades,
to. Como diz o escritor Max Lucado: ele pregava o evangelho. Estevão,
“o livro de Atos, diferentemente de igualmente, mesmo diante da morte,
outros livros do Novo Testamento, não deixou de testemunhar de Jesus
não tem conclusão. Isso porque o tra- (cf. At 6:8-15; 7:1-60). Outro exemplo
balho não foi concluído”.2 é o de Felipe: quando, numa estrada
deserta, encontrou-se com o Eunuco,
1. Proclame em todas as oca- explicou-lhe o evangelho, e Deus o
siões: Quando a proclamação é um convenceu da salvação (At 8:26-39).
estilo de vida, toda a situação ou Se você continuar lendo Atos 8
ocasião é uma oportunidade de falar até o versículo 24, você verá a pre-
de Cristo. Em que ocasiões devemos gação do evangelho em Samaria. No
proclamar a palavra de Deus? É opor- encerramento do capítulo, na viagem
tuno fazermos essa pergunta, pois, para Jerusalém, os servos de Deus
muitas vezes, nós nos limitamos a fa- continuavam a pregar: Tendo eles,
lar de Jesus em apenas algumas situ- pois, testificado e falado a palavra do
ações específicas. Porém, era estilo da Senhor, voltaram para Jerusalém e,
igreja primitiva evangelizar em qual- em muitas aldeias dos samaritanos,
quer momento. Por exemplo: quando anunciaram o evangelho (v. 25). Des-
aconteceu a dispersão da igreja de Je- ta forma, vemos que aqueles cristãos
rusalém, os cristãos não cessavam de levaram a sério a proposta de Jesus
pregar, mesmo ante a perseguição. de serem suas testemunhas (At 1:8).

2. Lucado (2010:205). 3. Azevedo (2010:46).

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Que possamos, do mesmo modo, (At 5:42). Além de estarem no tem-
aproveitar cada oportunidade, usan- plo, os primeiros cristãos estavam
do, por exemplo, o tempo que pas- também nas casas; afinal, “muito
samos numa viagem de avião ou de antes de ter púlpitos e batistérios,
barco, numa fila de banco ou dentro a igreja tinha cozinhas e mesas de
de um transporte público para falar jantar”4, onde o evangelho era
da mensagem da cruz. compartilhado. As casas eram luga-
Veja, ainda, outro exemplo de pro- res para se evangelizar.
clamação em Atos: mesmo diante de A vida da igreja não girava só em
um naufrágio (At 27:1-44) e da mor- torno do templo ou das sinagogas:
dida de uma serpente na ilha de Malta seu estilo de proclamar era além
(At 28:1-10), mesmo tendo passado “das quatro paredes”. Em Atos
por tantas dificuldades, Paulo foi até a 20:20, encontramos Paulo explican-
casa do habitante mais importante da do sobre isso: Não me esquivei de
ilha, chamado Públio, para se hospe- vos anunciar nada que fosse bené-
dar. Estando o pai deste homem do- fico, ensinando-vos publicamente
ente, o apóstolo orou por ele, e Deus e de casa em casa (AS21 – grifo
o curou. Por intermédio desse acon- nosso). Vale ressaltar que não há
tecimento, Paulo orou por todos os problema em se pregar no templo
doentes da ilha, e, assim, eles foram ou em casa; ambos os lugares são
curados por Jesus e evangelizados estratégicos para igreja de Cristo.
pelo servo de Jesus (At 28:7-10). As- Entretanto, embora seja importante
sim como Paulo, temos que aprovei- fazermos pregações evangelísticas
tar cada oportunidade para anunciar no templo, é igualmente importan-
as boas novas de salvação (Rm 10:15). te sairmos das quatro paredes e le-
Que tenhamos um estilo de vida sem- varmos a igreja às casas das pesso-
pre evangelístico. Caro estudante, as, com grupos de estudos bíblicos
viva como testemunha de Cristo. ou cultos nos lares.
Pedro, por exemplo, foi impulsio-
2. Proclame em todos os luga- nado pelo Espírito Santo, através de
res: Os cristãos, em Atos, não per- uma visão (At 10.9-23), a ir à casa
diam tempo, nem oportunidade. de Cornélio (At 10:23b-48), com al-
Pregavam o evangelho nas praças, guns outros irmãos. Nesse dia, ha-
nas ruas, nas sinagogas, nas prisões, via, na casa de Cornélio, alguns de
nos navios, nos palácios, nas cida- seus parentes e amigos (v. 24), reu-
des e nos tribunais. Encontramos, nidos para ouvir a palavra. O resulta-
por exemplo, o relato de que as ca-
sas eram abertas ou visitadas, a fim
de se evangelizarem os perdidos 4. Lucado (2010:77).

108 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


do disso foi a conversão de todas as Já no início do livro, temos o re-
pessoas presentes (v. 44). Além das lato da cura de um mendigo paralí-
casas, a igreja primitiva pregava em tico, que ficava na porta do templo
outros lugares. Em Atos 16:13-15, é sem que alguém desse algum tipo de
narrado o momento em que Paulo atenção à sua dor ou solução para
vai à beira de um rio para orar, pois, o seu problema (At 3:1-10). Pedro e
na cidade em que estava (Filipos), João iam para a oração da hora nona
não havia sinagoga. (três da tarde – NBV), e, a partir de
Como bom guardador do sábado então, aquele homem nunca mais
(v. 13), o apóstolo procurou um lugar seria o mesmo. Jesus o curou! Pedro
de oração; encontrou outras pesso- pôde pregar o evangelho às pessoas
as que também oravam e aproveitou presentes ali: Arrependei-vos, pois,
a oportunidade para falar de Jesus. e convertei-vos, para que os vossos
Sabemos que, dali, Lídia, vendedora pecados sejam apagados (At 3: 19 –
de tecidos de púrpura (v. 14 – NBV), AS21). Porém, sendo todas as pesso-
e sua família aceitaram o evangelho, as alvos da pregação do evangelho,
pois Deus lhes deu entendimento. a igreja primitiva pregava tanto para
Seja nas casas de amigos e paren- pobres, simples e anônimos como
tes ou em qualquer local em que para ricos, poderosos e de renome.
estivermos, continuemos sendo mis- Não devemos nos envergonhar do
sionários de Jesus, compartilhando evangelho de Cristo. Por mais ilustre
nossa fé. Só assim, pregando em que seja a pessoa, ela é pecadora e
todos os lugares, viveremos como precisa de salvação.
testemunhas de Cristo. Paulo também não se intimidou,
quando foi levado a julgamento, na
3. Proclame a todas as pessoas: presença do governador Festo e do
Quem era o “público-alvo” da igreja rei Agripa (At 26:1-32). Utilizou o mo-
primitiva? Para quem ela proclama- mento para falar do Salvador. Nesse
va? Para pobres e ricos, para nobres, texto, podemos notar que o servo de
intelectuais e pessoas simples, para Jesus faz sua defesa, mas também
homens e mulheres de todas as ida- prega o evangelho. Sua mensagem
des. Quando lemos todo o livro de era um apelo à conversão (v. 20).
Atos, percebemos que não há gente Sua defesa foi tão entrelaçada com
específica, pois todas as pessoas do o evangelho que o rei Agripa disse
mundo precisam da salvação de Cris- a Paulo: Por pouco me convences a
to (At 4:12), e Deus não faz acepção me tornar cristão (v. 28 – AS21). Nos-
de pessoas (At 10:34-35). O que ve- sa vida terá um estilo cada vez mais
mos na igreja primitiva é uma procla- evangelístico, quando proclamarmos
mação globalizada e indiscriminada. às pessoas de todas as classes sociais.

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Sem fazer distinção de grau de esco- Cristo! Ainda diante do rei Agripa,
laridade, raça ou idade, e sem nos in- o apóstolo disse algo que devemos
timidarmos diante de ninguém. seguir: Mas, tenho alcançado auxílio
À semelhança de Paulo, não deve- da parte de Deus e até hoje continuo
mos temer. Devemos ser ousados e testemunhando tanto a gente co-
pregar a palavra para pobres e ricos, mum como a pessoas influentes, não
chefes e empregados, famosos e anô- dizendo nada senão o que os profe-
nimos, brancos e negros, intelectuais tas e Moisés disseram que haveria de
e analfabetos, homens e mulheres, acontecer (At 26:22 – AS21). Procla-
velhos e crianças. Meu irmão, não mando as boas novas aos não cren-
tenha medo de ser “inconveniente”! tes, sem fazer distinção, estaremos vi-
Não se envergonhe do evangelho de vendo um estilo de vida proclamador.

01. Leia o primeiro parágrafo do comentário e responda: Por que


podemos ajudar a escrever uma “página” na história da igreja de
Cristo? O que devemos fazer para que isso aconteça? Leia 2 Tm 4:2.

02. Quando devemos falar de Cristo? Devemos limitar a pregação


apenas a um dia da semana? O que aprendemos sobre aproveitar as
ocasiões? Baseie-se no item 1 e em At 5:42; At 8:25, 28:4-7.

03. Com base no item 2 e em At 16:13-15, 20:20, comente a


expressão: “Proclame em todos os lugares”. Qual é a importância
das casas, na evangelização da igreja primitiva.

110 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


04. Após ler o item 3 e At 3:1-10, 26:22, responda: Que lição
aprendemos, ao vermos os primeiros cristãos pregando para um
“mendigo paralítico” e um “rei”? Por que não devemos temer falar
de Cristo a ninguém?

II O PRINCÍPIO BÍBLICO NA VIDA

1. Seu estilo de vida é de um vilégio (Fp 1:29). Haviam compre-


evangelista, quando você conhe- endido o evangelho e os seus co-
ce o amor do Salvador. rações estavam transbordantes de
Jesus foi a razão da vida dos Cristo. Como bem falou o Mestre:
primeiros cristãos, mas também o ... a boca fala do que está cheio o
motivo da morte de alguns deles. coração (Mt 12:34). Caro estudan-
Por saberem o que Salvador havia te, procure entender a mensagem
feito por eles na cruz e por terem do evangelho. Medite no que Cris-
experimentado tão grande amor, to fez por você. Não há como não
sentiam-se motivados a falar dele o amar. O amor dele por você o
às outras pessoas, mesmo que isso constrangerá a viver uma vida que
lhes custasse a vida (At 6:7). Para corresponda a esse amor e o pro-
estes, sofrer por Cristo era um pri- clame (cf. 2 Co 5:14).

05. Leia Mt 12:34; 2 Co 5:14, e comente a frase: “O amor dele por


você o constrangerá a viver uma vida que corresponda a esse
amor e o proclame”.

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2. Seu estilo de vida é de um Atos, todas as pessoas que eram
evangelista, quando você viven- batizadas no Espírito Santo eram
cia o poder do Espírito. impulsionadas a pregar o evange-
A atuação do Espírito Santo é lho com entusiasmo. Se você ainda
evidente em Atos, pois “o Espíri- não é batizado no Espírito Santo,
to era a fonte da coragem e poder peça essa bênção a Jesus. Mas, se
cotidianos”5 (cf. At 1:8). Quando você já recebeu essa dádiva, não
um crente é cheio do poder de deixe a chama apagar. Contudo,
Deus, é encorajado a falar de Je- tendo ou não esse batismo, você
sus aos não crentes. Falta a você deve ser um proclamador, pois o
coragem? Então, encha-se do Espí- Espírito Santo já está em você. Viva
rito (Ef 5:18; At 4:31). No livro de uma vida transbordante do poder
do alto e espalhe as boas novas do
evangelho, sendo o bom perfume
5. Barclay (2003:21), tradução de Carlos Biagini. de Cristo (2 Co 2:14-15).

06. Refletindo em At 1:8, 4:8,31, responda: Qual a importância do


poder do Espírito Santo para que seu estilo de vida seja de um
evangelista?

3. Seu estilo de vida é de um (At 8:30-38; Rm 10:13-14). Essa é


evangelista, quando você enten- única forma de arrebatar alguns do
de o valor da pregação. fogo (Jd 22-23). É o único meio de
O que a igreja primitiva mais fa- os pecadores se chegarem a Cristo.
zia era pregar o evangelho. Uma Por isso, pregar o evangelho é fun-
igreja que tem Jesus no centro de damental. Saiba que seus parentes
sua fé e é cheia do Espírito tende e amigos que não conhecem Jesus
a “arder” por missões, pois tem a são escravos do pecado. Você pre-
consciência de que pregação do cisa evangelizá-los! Que o evange-
evangelho é a maneira escolhida lismo passe a ser uma prioridade
e determinada por Deus para pro- em sua vida. Coloque-o no topo
duzir a fé no coração do incrédulo da lista de suas tarefas.

112 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


07. Leia a terceira aplicação; At 8:30-38; Rm 10:13-14, e responda: Por
que evangelismo é importante e deve ser uma prioridade em sua vida?

DESAFIO DA SEMANA

Diante de tudo que aprendemos, que tal fazermos de cada situa-


ção nosso “púlpito”? Eis algumas ações a praticarmos: em primeiro
lugar, fale a um amigo do trabalho, da escola ou da faculdade sobre
Jesus; convide essa pessoa para ir à igreja com você ou ofereça um
curso bíblico e se coloque à disposição para passar o estudo. Em se-
gundo lugar, faça um compromisso com Deus de levar dois visitan-
tes, durante o próximo mês, ao culto. Tente fazer disso um hábito.
Seja uma testemunha de Cristo. Viva um estilo de vida que proclame
Jesus! Que o Espírito Santo o impulsione a aceitar o desafio.

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SÁBADO ESPECIAL
Sugestão para programa de culto

Prelúdio: Música instrumental crer e for batizado será salvo, mas quem
não crer será condenado.
Hino: 280 BJ – “Jesus me transformou”
Congregação: Estes sinais acompanha-
Litania
rão os que crerem: em meu nome expul-
Diretor: Os que estavam reunidos lhe sarão demônios; falarão novas línguas;
perguntaram: “Senhor, é neste tempo pegarão em serpentes; e, se beberem
que vais restaurar o reino a Israel?” Ele algum veneno mortal, não lhes fará mal
lhes respondeu: Não lhes compete saber nenhum; imporão as mãos sobre os do-
os tempos ou as datas que o Pai estabe- entes, e estes ficarão curados.
leceu pela sua própria autoridade. Diretor: Depois de lhes ter falado, o
Congregação: Mas receberão poder Senhor Jesus foi elevado aos céus e as-
quando o Espírito Santo descer sobre sentou-se à direita de Deus. Então, os
vocês, e serão minhas testemunhas em discípulos saíram e pregaram por toda
Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e parte; e o Senhor cooperava com eles,
até os confins da terra. confirmando-lhes a palavra com os sinais
que a acompanhavam.
Diretor: Então, Jesus aproximou-se deles
e disse: Foi-me dada toda a autoridade Todos: Todos os dias, continuavam a
nos céus e na terra. reunir-se no pátio do templo. Partiam
o pão em suas casas, e juntos participa-
Congregação: Portanto, vão e façam vam das refeições, com alegria e since-
discípulos de todas as nações, batizan- ridade de coração, louvando a Deus e
do-os em nome do Pai e do Filho e do tendo a simpatia de todo o povo. E o
Espírito Santo, ensinando-os a obede- Senhor lhes acrescentava diariamente os
cer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu que iam sendo salvos.
estarei sempre com vocês, até o fim
(Atos 1:6-8; Mateus 28:18-2;
dos tempos.
Lucas 5:10b; Marcos 16:15-20;
Diretor: Não tenham medo; de agora Atos 2:46-47)
em diante vocês serão pescador de ho-
Oração
mens. Vão pelo mundo todo e preguem
o evangelho a todas as pessoas. Quem Palavra Pastoral

114 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


Louvor: Foi quebrantado, grande dor sofreu
Comunhão e adoração O meu pecado Ele recebeu
Cantada por: Comunhão
Sem ver bondade, chorou
e Adoração
Foi meu pecado que Ele carregou
Hoje estamos reunidos Foi esmagado por querer amar
Para louvar ao Senhor E tudo isso foi em meu lugar
Sua glória como rio
Se entregou por mim
Está neste lugar
Morreu pra me salvar
Comunhão e Adoração Na cruz, Jesus tomou o meu lugar
É o que Deus reservou pra nós
Amor assim jamais existirá
Sua alegria está neste lugar
Se entregar só pra me salvar
Sua paz entre hoje está
Todos juntos louvemos ao Senhor Morto foi Jesus, Cordeiro de Deus
Nosso Deus Pai, autor da criação Senhor da Cruz, eternamente Rei
No Seu trono ouvindo Ele está Amor assim jamais existirá
O nosso louvor Tomou pra sempre o meu lugar
Tua igreja bem unida
Quanto amor
Nenhum mal poderá destruí-la
Cantada por: Paulo César Baruk
Ela é forte, poderosa
ou Groove Soul
Sobre a Terra prevalecerá
Quanto amor
Ofertório: Música instrumental Quanto amor ele tem por mim
Quanto dor
Louvores:
Quanta dor sofreu por mim por amor
Rede ao mar
Cantada por: Ministério Ipiranga A razão de tão grande amor
Foi provar que a minha vida tem valor
Não podia entender Sou tão precioso para Deus
que você ia me querer Que ele deu o seu filho
Lançou a rede ao mar Pra morrer na cruz por mim
e querendo me pegar
Pegou meu coração Ó Deus te louvo pelo seu amor
Hoje eu estou aqui, Tu mudaste o meu interior
pois você me escolheu E agora eu quero viver
E agora posso entender para transmitir
e o mesmo eu vou fazer Esse amor que vem de ti
Vou lançar a minha rede ao mar
Mensagem: “Meus amigos
Vou lançar a minha rede ao mar precisam de Cristo!”
Muitas almas também vou ganhar
Tantas que eu não poderei contar Oração
Almas como as areias do mar
Hino: 165 BJ – “Trabalhai e orai”
Tomou o meu Lugar Bênção apostólica
Cantada por: Alessandra Samadello
Poslúdio: Música instrumental
Com malfeitores morreu
Por minha culpa, Jesus a vida deu

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Sermão

MEUS AMIGOS
PRECISAM DE CRISTO
INTRODUÇÃO
Que a paz do Senhor Jesus seja com você, irmão e irmã. Hoje, pela graça de
Deus, estamos iniciando a série de sermões “Pescadores de homens”. Esta
série faz parte do planejamento da Diretoria Geral da Igreja Adventista da Pro-
messa, que pretende alcançar todas as igrejas e congregações promessistas, le-
vando a mensagem de que devemos ser Uma igreja santa que proclama o Deus
santo. Para tanto, vamos, ao final de cada trimestre destes próximos quatro
anos, meditar sobre a vida de servos de Deus que são exemplos de proclama-
ção. Começaremos com a história do chamado de Mateus, que está registrada
nos três primeiros evangelhos (Mt 9:9-13; Mc 2:14-17; Lc 5:27-32). Faremos a
leitura da história, conforme contada pelo próprio Mateus, em seu evangelho,
capítulo 9:9-13. Na ARA, está assim escrito:

Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe:
Segue-me! Ele se levantou e o seguiu. E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, mui-
tos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos. Ora,
vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com
os publicanos e pecadores? Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico,
e sim os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holo-
caustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores [ao arrependimento].

Mateus, ou Levi, era filho de Alfeu (Mc 2:14) – um nome bem comum naqueles
dias –; trabalhava como cobrador de impostos (publicano) na cidade de Cafar-
naum, às margens do mar da Galileia. Conforme sabemos, Cafarnaum foi uma
cidade estratégica no ministério de Cristo (Mt 9:1; Mc 2:1). Como morador dessa
cidade, Mateus teve a oportunidade de testemunhar os vários milagres que Jesus
realizou ali. Até que um dia, enquanto ia passando pela coletoria, Jesus o viu as-
sentado, e lhe fez um convite: Segue-me!. De forma direta, o texto diz que ele “se

116 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


levantou e o seguiu”. Possivelmente, o impacto de tudo o que Mateus ouviu sobre
Jesus, em Cafarnaum, o influenciou em sua decisão de abandonar tudo para seguir
a Cristo. Depois de sua decisão, ele não perdeu tempo: apresentou Jesus aos seus
amigos! É sobre este episódio que trataremos. Gostaríamos de lhe desafiar a tomar
a mesma atitude: anunciar Jesus aos seus amigos.
Estudando o texto em questão, aprendemos que não podemos ficar indife-
rentes em relação aos nossos amigos que estão se perdendo, depois de termos
sido salvos por pura graça. Nesta manhã, queremos sugerir-lhe algumas pos-
turas a adotar, advindas da decisão de aceitar o convite de Cristo e se tornar
discípulo dele. A primeira é a seguinte:

I. AGRADEÇA, SEMPRE,
O FATO DE TER SIDO ALCANÇADO POR CRISTO!

Onde podemos encontrar base para esta postura sugerida? Vamos ao texto
bíblico. O versículo 9, de Mateus capítulo 9, diz: Partindo Jesus dali, viu um homem
chamado Mateus sentado na coletoria. Observe bem qual era a profissão de Levi.
Este detalhe é extremamente importante para a verdade que queremos apresentar.
Ele estava sentado na “coletoria” (Gr. telonion – lugar onde o coletor de impostos
se assentava para recolher as taxas). Mateus era um publicano, isto é, um cobrador
de impostos. Morava na cidade de Cafarnaum e trabalhava à beira mar (cf. Mc
2:14). Seu posto fiscal “localizava-se em uma região fronteiriça e à beira tanto de
uma importante estrada quanto de um importante porto do mar da Galiléia”.1 Por
causa dessa posição estratégica, grandes somas de dinheiro passavam por ali.
Dentre os tipos de impostos cobrados na época, estava o portorium (porto),
imposto incidente sobre o trânsito de mercadorias pelo território romano. Pos-
sivelmente, era esse tipo de imposto que Mateus cobrava. Como não eram fis-
calizados de perto, os cobradores de impostos extrapolavam na cobrança dos
tributos. Aumentavam os lucros e os sofrimentos dos tributados. Cobravam não
somente o barco da pesca, mas também o pescado adquirido e o uso do porto
para descarregá-lo. Abriam, aos olhos de todos e de forma inescrupulosa, as
“bagagens dos viajantes, vasculhando-as em busca de qualquer pertence su-
postamente tributável”.2 Eram gananciosos! João Batista, quando pregou sobre
arrependimento, no que se refere aos publicanos, disse: Não cobreis mais do que
é prescrito (Lc 2:13), visto ser esta uma prática comum entre estes.
Essa classe de pessoas não era bem quista pela sociedade da época. Tra-
tava-se de homens ricos numa sociedade de gente simples. Eles extorquiam,
roubavam, defraudavam. Eram gatunos, espertalhões e oportunistas. Engana-
vam tanto a população quanto o governo, apresentando relatórios ilegais e

1. DeBarros (2006:114).
2. Idem, p. 116.

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aceitando suborno.3 Não era raro um publicano ameaçar, e até mesmo matar,
para conseguir seus propósitos. Eram violentos para extorquir e roubar dinhei-
ro. Para os judeus, publicano era sinônimo de pecado e impureza. Os fariseus,
por exemplo, diziam que, para essa classe de pessoas, não existia esperança;
afirmavam que os publicanos não tinham direito ao arrependimento.4 Mateus
era judeu e publicano. Imagine o quanto ele era odiado. Esse homem despre-
zado pelos seus e mal quisto pela sociedade da época foi alvo da atenção do
Senhor Jesus, que o “viu” e o chamou. Sem dar explicações, nem a Mateus,
nem à sociedade, Cristo disse: Segue-me!.
Por vezes, Jesus percebe os imperceptíveis. Ele põe atenção naqueles de
quem desviamos a atenção. Foi assim com Mateus. É assim com a maioria das
pessoas que se renderam a ele, gente que o mundo olhava e desprezava; gente
ridicularizada e zombeteada, mas que foi alvo da atenção de Jesus! Embora
não possamos afirmar com toda certeza que Mateus era desonesto, podemos
dizer que ele era visto assim, pois fazia parte de um grupo de pessoas odiadas.
E Jesus o chamou! Seu chamado é soberano e gracioso. Jesus escolheu um dos
seus apóstolos de entre esta classe de pessoas, a fim de demonstrar mais cla-
ramente a graça de Deus.5 Quem nós éramos, antes do encontro com Cristo?
Como andávamos? Quais eram as nossas motivações? Jesus nos transformou!
Existe um ditado popular que diz que “pau que nasce torto nunca se endirei-
ta”. Organicamente, pode até ser verdade, mas em relação ao ser humano e
à salvação, não! O evangelho endireita! Jesus endireita! Agradeça constante-
mente o fato de ter sido salvo por Cristo Jesus! Um dia, aprouve a Deus dizer a
mim e a você: “Segue-me”. Vivamos em constante atitude de gratidão.
Essa é a primeira postura a adotar, diante da decisão de nos tornarmos discí-
pulos de Cristo: Agradeça, sempre, o fato de ter sido alcançado por ele. Vamos
agora à segunda:

II. COMEMORE, SEMPRE,


O FATO DE TER SIDO ALCANÇADO POR CRISTO!

Qual foi a atitude de Mateus, depois do convite de Jesus? Esse mal falado
publicano, sem hesitar, levantou-se e seguiu o Senhor (Mt 9:9). Neste ponto,
é interessante a narrativa de Lucas. O médico amado acrescenta a seguinte
expressão: ... deixando tudo levantou-se e o seguiu (Lc 5:28 – grifo nosso).
Mateus deixou o banco dos coletores de impostos para se tornar um discípulo
de Jesus, sem paradeiro, sem local para reclinar a cabeça. Deixou para traz um
“bom” emprego; perdeu sua independência e estabilidade financeira. Em com-
pensação, encontrou o maior de todos os tesouros: Jesus!

3. Champlin (1983:350).
4. Idem.
5. Idem.

118 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


Conforme já dissemos, Mateus morava em Cafarnaum. Certamente, ele já
conhecia a fama de Jesus, já tinha ouvido sobre seus milagres e, quem sabe,
até já o tinha visto pregar em alguma sinagoga. É possível, também, que ele já
estivesse pensando, há algum tempo, sobre ser discípulo do Senhor. Quando
este lhe fez o convite, aquele publicano não titubeou um instante sequer! No
início do próprio capítulo 5 de Lucas, em que temos narrada a história de Ma-
teus, encontramos outra história de gente que deixou tudo para seguir a Cristo.
Depois de uma pesca maravilhosa, os pescadores nem desfrutaram das glórias
do seu trabalho. Logo após o convite de Jesus, levaram os barcos para a terra,
deixaram tudo, e o seguiram (v. 11). Realmente, seguir a Jesus é o projeto mais
fascinante de vida que existe.
Fazer isso tornou Mateus o homem mais feliz do mundo. Na continuação do
texto, temos a informação de que Jesus foi até a casa dele participar de uma re-
feição. De novo, Lucas é mais preciso ao nos informar as origens desta reunião:
... ofereceu-lhe um rico banquete (5:29). A palavra grega traduzida por “ban-
quete”, utilizada por Lucas é dochen, e se refere não a uma refeição comum
do dia, mas a uma festa de recepção.6 Essa mesma palavra aparece em Lucas
14:13, quando Jesus fala de “convidar” para uma festa. E a festa realizada por
Mateus não era qualquer uma. Lucas diz: “rico” ou “grande” banquete. Seja-
mos sensatos: via de regra, quem faz banquete? Quem está feliz! Um banquete
é ocasião para regozijo, alegria.
A festa foi na casa do próprio Mateus (Mc 2:15). Não é difícil imaginar Levi
e seus convidados se reclinando sobre colchões, sofás e divãs, a rodear mesas
baixas. As pessoas se recostavam sobre seu braço esquerdo e comiam com o
braço direito.7 Todos estavam comendo e desfrutando a comida e a amizade.
Levi estava muito feliz. A conversão deve ser uma festa; deve ser constante-
mente comemorada; tem de influenciar radicalmente a nossa maneira de en-
carar a vida e viver no mundo. Qual foi a última vez em que você viu alguém
comemorando assim a conversão? Esse sentimento que invadiu Mateus, na
ocasião da sua chamada, é o sentimento que deve nos acompanhar durante
toda a nossa jornada cristã. A conversão nos transforma em pessoas diferentes,
não em gente esquisita! Existem pessoas que se convertem e ficam sisudas,
ásperas, ascetas, intocáveis! Não é isso que o evangelho faz conosco! Quando
começarmos a encarar a conversão como uma festa, com alegria, viveremos
para a glória de Deus, sempre!
Já vimos duas posturas a adotar, advindas da decisão de nos tornarmos discí-
pulos de Cristo: Agradecer-lhe e comemorar constantemente esse fato. Vamos
agora à terceira e última.

6. Vine et al (2009:652).
7. Champlin (1983:350).

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III. PROCLAME, SEMPRE,
O FATO DE TER SIDO ALCANÇADO POR CRISTO!

Chegamos a um ponto importante nesta mensagem. Quais eram as pessoas


que foram convidadas para este banquete na casa de Mateus? A festa foi orga-
nizada, segundo Lucas, para Jesus e seus discípulos. Todavia, eles não foram os
únicos convidados: Muitos publicanos e pecadores estavam lá como convidados!
(Mt 9:10 – NBV). Tente imaginar a cena. Uma festa entre Jesus e seus discípulos
e entre o pessoal que era tido em baixa estima pelos “melhores” cidadãos da
sociedade. Jesus participou dessa festa. Ele estava lá, no meio da ralé. Para os
fariseus, aquilo era uma afronta! Eles censuraram Jesus (Mt 9:11). A atitude era
escandalosa! Reunir-se para ter comunhão à mesa com coletores de impostos e
pessoas afundadas em vícios era considerada contaminação cultual.
Não vamos questioná-los, porque, talvez, nós também o tivéssemos censurado.
Mas Jesus não se importava com os odres velhos da religião judaica. O evangelho
é vinho novo, que acaba com estes odres velhos. Ele estava naquela festa. Ele veio
justamente para curar essas pessoas. Ele era médico, e quem precisa de médico
são os doentes (Mt 9:12). Jesus disse: ... não vim chamar justos [os que se acham
justos, e por isso não precisam dele], mas pecadores ao arrependimento (Mt 9:13).
Os fariseus se achavam mais justos do que as demais pessoas (Lc 18:9). A pala-
vra grega traduzida por “chamar”, em Mt 9:13, é kalesai, de kaláin, um termo
técnico usado nos convites da época, enviados para se participar de uma festa ou
refeição.8 Pode ser que quisesse dizer o seguinte para os fariseus:9 “Quando vocês
fazem uma festa, convidam somente os eruditos, os santos, os respeitáveis, os que
se orgulham de sua virtude; eu, porém, quando faço uma festa, convido aqueles
que têm mais consciência do seu pecado e mais precisam de mim”.
Jesus foi até a festa oferecida por Mateus. Ele não “despreza esta prova
de amor agradecido, mas senta-se com seus discípulos entre os excluídos do
povo”.10 Lá havia pessoas que precisavam ouvir o evangelho. Mateus fez a sua
parte. Durante anos, ele havia cultivado amizades e mostrou ser um amigo con-
fiável. Depois da conversão, não se esqueceu dos seus antigos companheiros.
Tomou uma atitude digna de ser imitada. Não convidou apenas “os irmãos
da igreja”: Mateus chamou seus amigos ainda não convertidos. Ao invés de
desejar que se afastassem, Mateus desejou que fossem contagiados. Nenhum
amigo dele ficou desconfiado do convite. Todos confiavam nele. É bem possível
que este tipo de festa fosse comum, uma forma de diversão entre os publica-
nos, que tinham dinheiro para organizá-las.11 Quando os amigos de Mateus
chegaram lá, foram surpreendidos pela boa notícia do evangelho de Jesus.

8. Barclay (2001:384), tradução de Carlos Biagini.


9. Idem.
10. Rienecker (2005:143).
11. Champlin (1983:350).

120 Lições Bíblicas – 3º Trimestre de 2012


Você tem coragem de tomar essa atitude? A amizade é uma grande porta
para influenciar e transformar vidas. Por isso, ao invés de ignorar seus amigos
não cristãos, mostre-lhes, através de sua vida, o maior amigo: Jesus. Não tenha
vergonha de contar a todo mundo que você é cristão, que encontrou o melhor
amigo de todos. Seus amigos também precisam de Jesus. A experiência da con-
versão deve ser partilhada. Você acha que é bom ser cristão? Quantas pessoas
que você ama que ainda não são cristãs? Em vez de ser intolerante, partilhe
a mensagem do evangelho com essas pessoas. Jesus veio a este mundo para
salvá-las, assim como salvou você. Que tal começar a pensar em abrir as portas
de sua casa para a pregação do evangelho? Que tal fazer do seu lar um lugar
onde Jesus é anunciado? Seus amigos servirão a Cristo, se forem à sua casa e
conseguirem perceber que Jesus comanda a vida de quem mora ali. Pense nisso.

CONCLUSÃO
Os médicos da época de Jesus estavam enfermos. Aqueles que eram os lí-
deres do povo, que foram colocados para fortalecer os fracos, curar as ovelhas
doentes, enfaixar os machucados das feridas, procurar as ovelhas desgarradas
afastavam-se delas para não serem contagiados; olhavam para os pecadores
e sentenciavam: “Para esse tipo de pessoas não existe esperança; eles não
merecem arrependimento!”. Quando Jesus disse: Os sãos não precisam de
médico, mas sim os doentes, dirigiu-se aos mestres e conselheiros espirituais
de Israel, às autoridades de entre o povo de Deus. Era para que eles fossem
envergonhados, como maus médicos que eram! “Eu vim para salvar pecado-
res”, disse Jesus. O mestre anunciou, de maneira muito clara, a sua missão.
É isto que ele tem feito: salvado e curado pecadores. Quando o recebem
como Senhor, homens corruptos param de roubar e devolvem até quatro vezes
mais àqueles que foram defraudados. Adúlteros abandonam a promiscuidade
e transformam-se em testemunhas de Jesus. Pescadores abandonam suas redes
para segui-lo. Muitos começam a vender tudo o que têm para distribuir com
quem precisa. Milhares morrem queimados, degolados, crucificados, serrados
ao meio, por se recusarem a negar o seu Senhor! Perseguidores transformam-se
em perseguidos! Homens escrevem cartas que libertam, mesmo estando prestes
a morrer.12 Este é Jesus! Foi ele quem salvou você! Agradeça-lhe sempre, come-
more sempre a chance que teve de se tornar um filho de Deus. E mais: nunca
se cale. Seus amigos também precisam dele. Apresente Jesus aos seus amigos.
Diga-lhes que você encontrou o maior de todos os amigos! Deixe Jesus, que é
médicos dos médicos, que limpa a mancha do pecado, usá-lo nessa importante
tarefa de chamar pecadores ao arrependimento. Amém!

12. Lidório (2003:19).

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