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Psicoterapia Teocêntrica

Homo Psíquico – Traumas Emocionais 4

HOMO-PSÍQUICO
Traumas Emocionais

1ª Edição - 2008
Itapajé
Masters Divinity Center
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 5

Copyright©Benne Den

FICHA CATALOGRÁFICA
.
Frota, Denis (Benne Den)
F961e
Psicoterapia Teocêntrica – Sanidade Para os Traumas
Emocionais - 1.ed. - CE – MDC - CE, 2008.

1. Aconselhamento Pastoral 2.Psicologia Pastoral 3.


Psicoterapia I - Frota, Denis
CDD – 253.52

As citações da Bíblia neste livro foram extraídas da


Bíblia 98 – Freeware.

Divulgação Livre
Autorizamos a reprodução deste livro para fins não comerciais,
desde que citada a fonte.

Contatos:
E-mail: benneden@mail.com
http://www.benneden.org
www.teocentrica.org

Fone: 85-33460048
Av. Tico Gomes, 60 – Salas 104/105 - Itapajé-Ceará
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SUMÁRIO

Apresentação

 Herança & Vivências

 Os Traumas e a Afetividade

 Os Traumas Emocionais

 Propostas Científicas de Cura

 Proposta Teocêntrica

 Promovendo Uma Mudança de Vida

 A Reengenharia da Alma

 Imaginação Direcionada

 Modulação Emocional

 A Natureza de Cristo em Nós

 Vencendo a Amargura

 Bibliografia
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Apresentação

Deus deseja quebrar as correntes que prendem você a


um passado de experiências emocionais dolorosas. Ele quer
libertar sua vida e restaurar seu perfeito equilíbrio emocional.
Este livro destina-se a todas as pessoas amantes do
conhecimento, em especial:
1) Aquelas que sofreram traumas emocionais e querem ser
curadas;
2) Aquelas que desejam compreender melhor o assunto para
ajudar o próximo.

Procuramos entrelaçar o ensino bíblico com a


psicologia cristã, enfocando de modo prático e direto a questão
da dor que perdura nos traumas emocionais, mostrando como
você pode alcançar uma libertação permanente.

Todos nós temos uma alma imperfeita. Cada pessoa,


mesmo a mais brilhante, apresenta falhas na racionalidade,
afetividade e vontade. Essas falhas podem produzir emoções
negativas e abrir portas para atitudes erradas, preconceitos,
ambições, maus desígnios, etc.

A boa notícia é que Deus deixou-nos o registro de uma


solução para a alma caída. A solução é uma reengenharia da
alma, no modelo de Cristo, cujo processo encontra-se na Bíblia
Sagrada. Deus, em sua infinita misericórdia e graça, deixou-nos
o registro de um modelo harmonioso de pensamento,
sentimento e de comportamento, capaz de atender nossas
necessidades existenciais e emocionais mais profundas até o dia
de nossa transformação completa, na volta de Cristo.
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Traumas Emocionais é um livro indispensável para todos


que desejam libertar-se da inquietude interior constante das
emoções negativas de experiências dolorosas do passado.
Em nosso ministério pastoral temos ouvido o
testemunho de muitas pessoas feridas na alma. Há um grupo
composto por aqueles que sofreram maus tratos a vida inteira,
no âmbito da família e nos relacionamentos; há também os que
passaram por grandes frustrações afetivas, decepções,
humilhações e traumas emocionais.
Ben Ferguson, pastor norte-americano, disse que a
sociedade moderna está tomada de incrível tensão emocional.
Muitos se acham deprimidos, tentados, culpados, entediados,
solitários, contrariados, preocupados, desapontados, duvidosos,
orgulhosos, temerosos ou desejos de morrer. ¹
Muitos desses incidentes conseguem paralisar um bom
número de pessoas.
É verdade que nem todos, sob às mesmas condições,
têm as mesmas reações psicológicas e comportamentais.
Algumas pessoas são mais fortes, lutam firmes e superam suas
dificuldades; outras lutam, mas não conseguem vencer seus
limites sem ajuda externa. É verdade também que alguns não
enfrentam seus conflitos interiores, fogem do confronto e se
acomodam no fracasso.
Diante desse quadro o que os cristãos saudáveis devem
fazer?
Nem sempre conseguiremos restaurar o que é manco.
Há casos que exigem um milagre de Deus. Mesmo não
compreendendo bem os desígnios do Senhor, estamos
convictos de que algumas pessoas precisam viver o sofrimento
por algum tempo. Há situações em que a agonia da alma
crente, com prantos e soluços, serve para volver a terra seca do
coração, preparando-o para o plantio de uma nova história.
O mais importante é saber que Deus, em sua Palavra,
nos incumbiu de uma missão de amor, misericórdia e
restauração e este Seminário prende-se a essa missão.
A Psicoterapia Teocêntrica existe para ajudar pessoas
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feridas na alma, fazendo caminhos retos para que o manco


possa caminhar sem embaraços ou tropeços.
Há situações que necessitam de redirecionamento de
vida, arrependimento e santidade, muito mais do uma terapia
psicológica. Em todos os casos é dever do conselheiro bíblico
acolher os que estão com dificuldades, oferecendo sua
presença e amor. Além de uma confrontação bíblica, podemos
confortar os feridos com a fé, dando-lhes uma palavra de
encorajamento, fortalecimento e ânimo, demonstrando nosso
apoio e irmandade.
Profundamente sensibilizados por essa problemática
que agoniza o homem, tomamos a responsabilidade de
escrever este livro, com o ardente desejo que o mesmo venha
contribuir, como proposta bíblica significativa, para a cura dos
traumas emocionais.
Um dos pontos destacados neste trabalho é sobre a
reengenharia da alma, ou seja, a reeducação que a alma precisa
ter no modelo da nova natureza em Cristo. A primeira
engenharia da alma foi danificada pelo pecado, mas Deus, em
sua infinita misericórdia e graça, deixou-nos o registro de um
novo modelo harmonioso de comportamento e vida interior,
capaz de atender às necessidades existenciais e emocionais mais
profundas do ser humano.
Nós precisamos permitir que Deus mude a nossa
mente (maneira como entendemos o mundo e a vida – “Se os
teus olhos forem maus, tudo que há em ti será trevas” – Mt
6:23) – Rm 12:2.
Nosso desejo e oração é que você seja ricamente
abençoado com este livro e que sua alma seja plenamente
tocada pelo poder curador e restaurador de nosso Senhor Jesus
Cristo, através do seu Santo Espírito!

Benne Den

1Senhor Estou Com Um Problema – Ed. Vida – 6ª impressão – 1992 - capa


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Capítulo 1
Heranças e Vivências
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O homem é indivíduo e pessoa. É um indivíduo por


ter características únicas, além de sua autoconsciência, auto-
suficiência e independência. Mas o homem não é apenas essa
unidade isolada, é também uma pessoa, com características
coletivas da humanidade, dotado de consciência social e
necessidades de interligações.
Como indivíduo e pessoa cada um de nós é o resultado
de muitos fatores: hereditariedade, raça, sexo, educação,
circunstâncias de vida, fisiologia, qualidades naturais, ambiente,
etc. Esse conjunto de fatores pode ser sintetizado em duas
palavras: heranças e vivências (legado e conquista,
determinismo e responsabilidade). Todos nós somos um pouco
do que herdamos e um pouco do que adquirimos com a vida.
Características genéticas, tendências, influências,
emoções, sentimentos, conhecimentos, valores, bênçãos e
maldições ingressam na constituição do homem, como
indivíduo e pessoa, através:

1. Da Porta das Heranças - Tudo o que entra na vida do


homem pela herança adquirida de seus antepassados. Somos
um pouco dos nossos antepassados. Herdamos aspectos:

 Biológicos – Geneticamente herdamos padrões


biológicos definitivos; Herdamos também a capacidade
de ter uma característica, mas nem sempre a
obrigatoriedade de ter esse caráter.
 Psicológicos – Herdamos padrões psicológicos básicos.
Herdamos também tendências a certos padrões e
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valores comportamentais, mas nem sempre a


obrigatoriedade de segui-los.
 Espirituais – Herdamos a queda espiritual adâmica.
Herdamos também bênçãos ou maldições, mas nem
sempre a obrigatoriedade de concretização definitiva
das mesmas.

2. Da Porta das Vivências – Tudo o que entra na vida do


homem através da aprendizagem, das experiências, crenças e
relacionamentos, no dia-a-dia. Somos um pouco do meio
ambiente.
Adquirimos aspectos:
 Biológicos - O genótipo é influenciado pelo meio
ambiente, que pode favorecer ou não a manifestação de
determinados caracteres novos. O clima, a alimentação,
o sedentarismo, a prática de esportes, a exposição às
doenças, medicamentos, os excessos, etc. podem
modificar o genótipo.
 Psicológicos - As tendências são moduladas pelas
vivências. O caráter é formado pelo conjunto de
valores morais cridos e praticados. (Os traumas
pertencem e esse grupo).
 Espirituais – Somos abençoados ou não, conforme
nossa posição diante de Deus.

As Vivências são os fatos ou acontecimentos vividos e


representados particularmente por cada um de nós. E elas
causam sentimentos variados: ansiedade, medo, alegria,
angústia, raiva, apreensão, etc.

As Vivências são capazes de determinar um sentimento ou


resposta emocional na pessoa. A este sentimento causado pela
Vivência chamamos de Reação Vivencial.

Reações Vivenciais são as reações de nosso psiquismo às


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Vivências. As Reações Vivenciais produzem sentimentos


diferentes nas diferentes pessoas (diferentes quanto ao tipo e
quanto a intensidade).

Nas Reações Vivenciais os sentimentos serão sempre


proporcionais ao significado que os fatos têm para as pessoas,
ou seja, dependerão daquilo que os fatos representam para a
pessoa. Um mesmo acontecimento poderá determinar
sentimentos diferentes em diferentes pessoas porque eles não
têm a mesma significação e representação para todas as
pessoas.

Todos nós somos um pouco do que trouxemos ao


nascer e um pouco do que aprendemos e absorvemos ao longo
da vida. Há dois fatores básicos na formação de nossa
personalidade: os elementos geneticamente herdados e os
adquiridos ao longo da vida.
1. Hereditários: são os fatores que estão determinados
desde a concepção da pessoa. É aquilo que o indivíduo
recebe de herança genética de seus pais.
2. Adquiridos – São experiências vividas que irão dar
suporte e contribuir para a formação de sua
personalidade. São os fatores agregados à personalidade,
os quais reforçam ou modificam as tendências genéticas.
Eles podem ser:
2.1- Fatores Circunstanciais - São os fatores naturais da
vida. Geralmente estão relacionados ao meio social onde o
indivíduo está inserido e que exercem uma grande influência
sobre sua formação pessoal porque dizem respeito à cultura,
hábitos familiares, grupos sociais, escola, responsabilidade,
moral e ética, etc.

2.2 - Atividades Intencionais – Aquilo que buscamos ser e


fazer em nossa vida diária, por consciência e iniciativa
própria, no sentido de potencializar virtudes e modular
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defeitos de nossa personalidade.

Todos nós herdamos uma natureza caída que se


manifesta em tipos diferenciados de temperamentos com
inúmeras combinações entre si. As heranças determinam, em
parte, o que somos, mas são as vivências que modulam as
predisposições vindas do passado e agregam novos fatores,
apresentando o resultado final de nossa personalidade.

A ciência moderna comprova a possibilidade do


ambiente mudar nossas tendências genéticas. O meio
ambiente modula as predisposições genéticas.
Martin Seligman, em seu livro “Learned
Optimism” (1991) lembra que, se 50% da personalidade é fixa,
a outra metade é o resultado do que você faz ou do que lhe
acontece. Esta verdade científica confirma a declaração bíblica
de que o homem é responsável pelos seus atos e pelo curso
de sua vida. O que entra pela porta das vivências é capaz de
modular nossas tendências genéticas. Acima de tudo paira
sobre cada indivíduo a responsabilidade de construir sua
maneira de ser.

Em nossos relacionamentos e experiências diárias


abrimos portas para entrada do mal ou do bem, mas a
permanência de um ou de outro depende de nossa vontade.
No sentido escatológico as nossas vivências determinam o que
seremos no porvir, salvos ou perdidos eternamente. O
centro de nossa história está no presente. É nele que
podemos modular a influência de nosso passado e projetar
nosso futuro.

Os traumas são decorrentes de experiências emocionais


dolorosas que aconteceram no histórico de algumas pessoas e
que continuam, em maior ou menor intensidade, interferindo
ou mesmo determinando o padrão de vida atual dessas
pessoas.
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Capítulo 2
Os Traumas e a Afetividade
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Os traumas emocionais interferem na harmonia da


afetividade do indivíduo. Podem gerar e potencializar
transtornos emocionais. As vítimas de traumas emocionais
podem ser classificadas em dois grupos:
 Composto por indivíduos afetivamente abalados;
 Formado por indivíduos afetivamente
problemáticos.

Pessoas que estão afetivamente abaladas normalmente


são aquelas cuja personalidade original não tem traços
naturais de sensibilidade afetiva exagerada mas que, por razões
momentâneas e circunstanciais, acabam tendo problemas
afetivos. Esse tipo de transtorno afetivo pode ser entendido
como uma espécie de esgotamento decorrente da sobrecarga
de vivências tensas e traumáticas. Exemplo:. O estresse
continuado, as perdas e decepções, as exigências de adaptação
do cotidiano, etc.

O segundo tipo, aquele que o indivíduo é


afetivamente problemático, existe em pessoas com traços de
personalidade de sensibilidade afetiva exagerada. São ansiosas
por natureza, naturalmente sentimentais, que se magoam com
facilidade e sofrem por excesso de responsabilidade.
Normalmente são mais retraídas, pouco extrovertidas e que
não deixam transparecer suas emoções.1
Identificar a diferença entre ser e estar com problemas
afetivos será de fundamental importância no aconselhamento.
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Se o caso é ser afetivamente problemático talvez seja mais


recomendável os cuidados médicos. Geralmente o tratamento
tende a ser mais duradouro e, em alguns casos, até definitivo
porque trata-se de uma maneira de ser e não de estar..

Traumas – Emoções
Emoção [do fr.. émotion.] - reação intensa e breve do
organismo a um lance inesperado. Essa reação é acompanhada
dum estado afetivo de conotação penosa ou agradável. É o
estado em que o organismo sai de seu equilíbrio e é agitado.

O estado afetivo momentâneo da pessoa, como por


exemplo a alegria, o bem estar, júbilo, inquietação, angústia,
tristeza, desespero etc., depende das circunstâncias pessoais da
vida, dos desejos atuais, das inclinações e da saúde física.
Muitas alterações desfavoráveis do estado afetivo são
perfeitamente compreensíveis e refletem respostas adequadas
aos motivos psicológicos causais, como, por exemplo, a morte
de um parente, uma enfermidade grave, um acidente, um
rompimento amoroso e assim por diante.

As emoções são mais instáveis e passageiras do que os


sentimentos, por isso quem vive controlado pelas emoções tem
sua existência marcada pela instabilidade. Um homem
emocionalmente agitado, impaciente e ansioso, tem grandes
dificuldades em esperar no Senhor e descobrir Sua vontade.
Os estudiosos afirmam que há vários estados
emocionais, não sendo possível identificarmos todas as
mudanças físicas, químicas e psicológicas provenientes das
emoções.
Quando a emoção não encontra evasão pode gerar
resultados negativos, como a frustração e depressão. É comum
percebermos nos estados emocionais, reações físicas, tais
como: coração pesado, músculos tensos, palmas das mãos
úmidas de suor, tremor, alteração na cor das faces, etc.
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Do ponto de vista psicológico, existem emoções


naturais e fisiológicas que aparecem em todas as pessoas com
um importante substrato biológico. Elas podem ser: a alegria, o
medo, a ansiedade ou a raiva, entre outras. Essas emoções são
agradáveis ou desagradáveis, nos mobilizam para a atividade e
tomam parte na comunicação interpessoal. Portanto, essas
emoções atuam como poderosos motivadores da conduta
humana.

Exemplos de características emocionais:

 Medo - Uma reação de surpresa ou sobressalto diante


de ameaça ou perigo;
 Raiva - O que produza raiva em uma pessoa pode ser
a contrariedade ou a dor. Quando uma pessoa está
com raiva pode perder o controle. Na raiva
identificamos a adrenalina e no medo a adrenalina e
noradrenalina.
 Riso - Surge pela satisfação ou diante de um fato
engraçado.

As emoções podem ter um importante papel no bem


estar psicológico ou nos estados doentios. Elas influem sobre a
saúde e sobre a doença através de suas propriedades
motivacionais, pela capacidade de modificar as condutas
saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, o
descanso, etc., conduzindo muitas vezes para condutas não
saudáveis, como o abuso do álcool, tabaco, sedentarismo, etc.
As emoções podem ser: negativas ou positivas. As
emoções positivas potencializam a saúde, enquanto as
emoções negativas tendem a comprometê-la.

O coração alegre aformoseia o rosto; mas pela dor do coração


o espírito se abate. Pv 15:13

O coração alegre serve de bom remédio; mas o espírito


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abatido seca os ossos. Pv 17:22

O espírito do homem o sustentará na sua enfermidade; mas ao


espírito abatido quem o levantará? Pv 18:14

As emoções negativas são as que produzem uma


experiência emocional desagradável, como a ansiedade, a raiva
e a tristeza, estas, consideradas as três emoções negativas mais
importantes. Em períodos de estresse, quando as pessoas
desenvolvem muitas reações emocionais negativas, é mais
provável que surjam certas doenças relacionadas com o sistema
imunológico, como por exemplo, a gripe, herpes, diarréias, ou
outras infecções ocasionadas por vírus oportunistas.
Emoções positivas são aquelas que geram uma
experiência agradável, como a alegria e o prazer.. O bom
humor, o riso, a felicidade, ajudam a manter e/ou recuperar a
saúde.
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Capítulo 3
Traumas Emocionais
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Um trauma é um choque emocional, que por sua


violência desencadeia perturbações psíquicas e somáticas. Têm
sua origem em experiências de sofrimento emocional,
humilhações, vivências de forte impacto, medos, que se
definem pela sua intensidade emocional, pela incapacidade em
que se acha o indivíduo de lhe responder de forma adequada,
pelo transtorno e pelos efeitos patogênicos duradouros.
Em termos gerais a pessoa com conflitos de traumas
emocionais apresenta-se:
• Deprimida, melancólica, triste;
• Ressentida, ofendida, amargurada;
• Tímida, anti-social, desconfiada;
• Apática, indiferente, passiva, desinteressada;
• Ansiosa, medrosa, assustada;
• Agressiva, nervosa, iracunda, explosiva;
• Sarcástica, crítica, leviana, etc.

Nota: O que pode ser traumático para um indivíduo, pode não ser
para outro, que tenha capacidade de tolerar o acontecimento e
elaborá-lo psiquicamente, sem maiores conseqüências.

Qualquer pessoa está passível de sofrer um trauma


emocional por duas razões básicas:
1ª) Vivemos num mundo caído (doente) que precisa ser
tratado. Todos nós estamos sujeitos ao inesperado:
tragédias, acidentes, perdas de familiares e outras
situações que podem ser traumáticas para nossas vidas. Não
há como evitar as experiências ruins enquanto vivermos
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num mundo imperfeito habitado por pecadores de todo


tipo.

2ª) O corpo humano apesar de sua complexidade espantosa


é resultado de uma herança. A queda espiritual e todo o
esquema da arquitetura biológica de Adão e Eva foram
repassados às sucessivas gerações, motivo pelo qual o corpo
humano sofre múltiplas transformações, promovendo
uma série de fatores negativos, dentre eles o
envelhecimento, susceptibilidade de doenças, deformações
genéticas e morte. Nosso sistema psíquico tem seus limites,
assim como o nosso condicionamento físico, por isso
estamos sujeitos aos traumas emocionais e outras
enfermidades da alma.

Os traumas deixam marcas emocionais em nossa alma..


Toda pessoa traumatizada tem alguma marca emocional. Estas
Marcas Podem ser:
➔ Visíveis – Expostas, sempre manifestas;
➔ Invisíveis – Escondidas, ocultas, disfarçadas;
➔ Superficiais – Sem grande influência sobre a
personalidade;
➔ Profundas – Com grande influência sobre a
personalidade.

A memória humana guarda registros através de dois


mecanismos básicos:
● Repetição;
● Experiências marcadas por fortes emoções e
sentimentos.

O registro de um trauma emocional encontra-se


arquivado na memória de longo prazo, podendo permanecer ali
por toda a vida do indivíduo.
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Conseqüências

Os traumas causam diversos prejuízos ao homem integral:


a) Sofrimento psicológico – tensão emocional, sobrecarga
psíquica;
b) Alterações na personalidade e no comportamento –
depressão, medo, ansiedade, insegurança, auto estima
negativa, timidez, sentimento de rejeição, impotência
frente aos novos desafios, frigidez, comportamento
explosivo, etc.
c) Potencializa mais as doenças.

É verdade que os traumas podem desencadear uma


série de problemas emocionais e comportamentais. Todavia, a
recíproca também é verdadeira, ou seja, desordens emocionais
potencializam os traumas. Indivíduos emocionalmente
fragilizados são mais susceptíveis a traumas profundos do que
as pessoas saudáveis.
Várias são as interligações e conseqüências emocionais
advindas de um trauma. Entre elas destacamos:

Neuroses
São reações vivenciais anormais: as reações ansiosas, reações
histéricas ou neurose de ansiedade, neurose histérica, por
exemplo. São maneiras anormais de se responder às emoções,
nas vivências. Quando uma angústia não é suportada
satisfatoriamente, o conflito interior implica em sofrimento, em
Angústia Patológica ou Angústia Neurótica.

Depressão
É um estado de sofrimento psíquico caracterizado
fundamentalmente por rebaixamento de humor, acompanhado
por diminuição significativa do interesse, prazer e energia. As
características mais comuns são: alterações do sono e apetite,
retardo psicomotor, sensação de fadiga, falta de concentração,
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indecisão, diminuição de autoconfiança, pessimismo, idéias de


culpa, desejo recorrente de morrer, entre outros sintomas.

Angústia
Tédio; tristeza com amargura e senso de sufocação. Um
sentimento freqüente e torturante que tem origem em uma
ameaça conscientemente percebida.

Ansiedade
É o estado psíquico de inquietude e impaciência. Os padrões
variam amplamente. Alguns pacientes têm sintomas
cardiovasculares, tais como palpitações, sudorese ou opressão
no peito, outros manifestam sintomas gastrointestinais como:
náuseas, vômito, diarréia ou vazio no estômago; outros ainda
apresentam mal-estar respiratório ou predomínio de tensão
muscular exagerada, do tipo espasmo, torcicolo e lombalgia.
No plano da Consciência a ansiedade pode monopolizar as
atividades psíquicas e comprometer, desde a atenção e
memória, até a interpretação fiel da realidade.

Fobia
Temor insensato, obsessivo e angustiante, que certas pessoas
traumatizadas sentem em situações específicas. A característica
essencial da Fobia consiste no temor patológico, absurdo que
escapa à razão e resiste a qualquer espécie de objeção da lógica
e da razão. Refere-se a certos objetos, atos ou situações e
pode apresentar-se sob os aspectos mais variados. O temor
obsessivo aos espaços abertos (agorafobia) ou fechados
(claustrofobia), aos contatos humanos ou com animais (cães,
ratos), temor de atravessar ruas, de subir ou descer elevadores,
de lugares altos etc.

Transtornos de Pânico
Ataques de pânico recorrentes: crises de medo agudo e
intenso, extremo desconforto, sintomas associados ao medo
de morte iminente. A Síndrome do Pânico é, literalmente, uma
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forma atípica de doença depressiva. O sentimento da doença é,


em essência, uma grave sensação de insegurança e medo.

Irritabilidade
Uma predisposição especial ao desgosto, à ira e ao furor. As
pessoas irritáveis manifestam impaciência e aumento da
capacidade de reação para determinados estímulos e
intolerância à frustração, aos ruídos, às aglomerações. Nesses
casos, a perturbação consiste no aumento da tonalidade afetiva
própria das percepções; um ruído, por exemplo, é interpretado
mais como uma provocação do que um incômodo acústico.

Transtorno Explosivo da Personalidade


O sintoma principal é a irritabilidade. Nesses pacientes existe
um grau elevado de reatividade emotiva, unido a uma
extraordinária tensão afetiva, que se descarrega sob a forma de
reações de tipo "curto-circuito". Estes surtos são paroxismos
coléricos ou furiosos que põem em perigo a vida de pessoas
do ambiente e a integridade da propriedade.

Transtorno de Estresse Pós-Traumático


O transtorno de estresse pós-traumático acontece quando se
vivencia um trauma emocional de grande magnitude. Esses
traumas incluem guerras, catástrofes naturais, agressão física,
estupro e sérios acidentes.
O transtorno de estresse pós-traumático engloba as
seguintes características:
 Reviver o trauma através de sonhos e de pensamentos;
 Evitar persistentemente coisas que lembrem o trauma;
 Enorme excitação persistente.

Sintomas
O indivíduo tem recordações fortes com muita aflição,
incluindo imagens ou pensamentos do trauma vivenciado.
Sonhos amedrontadores também podem ocorrer e o indivíduo
pode agir ou sentir como se o evento traumático estivesse
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ocorrendo novamente.
Um grande sofrimento psicológico se desenvolve
quando surgem lembranças de algum aspecto do trauma. Há
uma intensa necessidade de se evitar sentimentos,
pensamentos, conversas, pessoas ou lugares que ativem
recordações do trauma. Também pode ocorrer uma
incapacidade de se recordar algum aspecto importante do
trauma, uma dificuldade em conciliar e manter o sono,
irritabilidade ou surtos de raiva e baixa concentração.

Desenvolvimento
O transtorno de estresse pós-traumático pode se
desenvolver algum tempo após o trauma. O intervalo pode ser
breve como uma semana, ou longo como trinta anos. Os
sintomas podem variar ao longo do tempo e se intensificar
durante períodos de estresse.
As crianças e os idosos têm mais possibilidade de
desenvolver estresse pós-traumático do que as pessoas na meia
idade. Por exemplo, cerca de 80% das crianças que sofrem uma
queimadura extensa mostra sintomas de transtorno de estresse
pós-traumático um a dois anos após o ferimento.

Emoções Primárias
Os efeitos dos traumas passados são emoções
negativas, chamada de emoções primárias. A intensidade das
emoções primárias determina a história da vida da pessoa
traumatizada. Quanto mais traumática a experiência de vida,
mais intensas serão as emoções primárias.

Nosso centro emocional é conectado com as emoções


de um passado traumático por um “disparador” no tempo
presente. Esse disparador é qualquer ato presente que pode se
associar com o conflito do passado. Exemplo:

O som de um buzina pode despertar as emoções de um


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 33

trauma passado; Uma pessoa ficou presa no elevador e o som


de um alarme foi acionado naquela ocasião.

Todas as emoções sofridas no passado tornam-se


emoções presentes e a pessoa traumatizada revive a situação
inúmeras vezes por toda a sua vida.
O trauma, historicamente está no passado, mas suas emoções
primárias são tão fortes no presente quanto no passado.

Negar Não Resolve


A maior parte das pessoas trata de suas emoções
primárias negando tudo que possa ser associado a elas.
Exemplos: “Não quero assistir a esse filme”; “Não posso
tomar banho de mar”, etc.
(O filme e o mar estavam diretamente associados a fatos
traumáticos ocorridos no passado dessa pessoa). Essa atitude,
porém, não resolve o problema. Ninguém pode evitar
completamente as situações que disparam as emoções
primárias. Inevitavelmente, mais ou cedo ou mais tarde,
estaremos diante de uma situação que acionará as emoções
primárias. Cenas na TV, uma música escutada, uma pessoa, um
lugar e muitas outras situações poderão acionar um link com o
trauma.

Mecanismos de Defesa
A maioria das pessoas têm traumas. Alguns traumas
são tão fortes que prejudicam completamente o
desenvolvimento da vida profissional, afetiva e social do
indivíduo.
Inconscientemente, aquelas que não sabem como lidar
com suas experiências traumáticas, desenvolvem múltiplos
mecanismos de defesa para controlar suas emoções negativas.
Nem sempre o homem consegue superar seus conflitos
emocionais. Há casos difíceis de se controlar, daí a
manifestação da dinâmica do inconsciente criando
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 34

mecanismos de defesa.
Algumas pessoas sofreram abusos tão intensos que não
têm consciência exata de suas experiências; muitas não
conseguem lembrar de todas as cenas que envolveram o
trauma.
A resposta para a memória reprimida se encontra no
Salmo 139:23-24.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus


pensamentos;
vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno.

Somente o Espírito Santo é capaz de esquadrinhar o


mais recôndito de nosso coração interior e trazer à luz de nossa
consciência todos os danos ocultos que não podemos ver.

Entre os mecanismos mais conhecidos destacamos


aqueles considerados os mais importantes: repressão, projeção,
justificação, regressão, substituição, sublimação, compensação,
identificação e fantasias.

➔ Repressão - Interiorização - A mente reprime


automaticamente o desejo ou pensamento que
resultariam em sentimento desagradáveis. Geralmente
os sentimentos reprimidos são expressos de maneira
disfarçada. A inibição de uma atitude pode resultar em
males físicos tais como; artrite, asma e úlceras.

➔ Projeção - Mecanismo de defesa que alivia o


sentimento de culpa atribuindo seu mal a outra pessoa.

➔ Justificação – Desculpas amarelas. Mecanismo de


defesa que procura explicar as atitudes em termos
adequados para se livrar da culpa.

➔ Regressão - Retornar à conduta infantil, que antes lhe


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 35

servia para resolver algum problema.

➔ Substituição - Descarregar a emoção contra outra


pessoa. Descarregar a ira, por exemplo, não sobre a
pessoa que a provoca, mas sobre outra que não tenha
medo de encarar.

➔ Sublimação – Satisfação de um desejo em menor


escala. Mecanismo de expressão de impulsos
construtivos em forma positiva, mas indireta.

➔ Compensação - Desenvolver aspectos positivos que


possam compensar alguma deficiência. Compensar a
incapacidade física com grandes trabalhos intelectuais,
por exemplo.

➔ Identificação - Assumir um modelo por imitação.


Incluir características de outra pessoa em sua
personalidade.

➔ Fantasia - Um escape da realidade, onde a imaginação


cria cenas irreais de sucesso e vitória diante de uma
realidade frustrante. Há os que vivem se iludindo,
negando os fatos, como se não existissem.

➔ Negação - Negamos a existência do problema,


mentimos a respeito, não queremos enfrentar a
situação, nem discutir a respeito; não admitimos que
temos traumas. Escondemos os traumas e construímos
muralhas em volta de nossos sentimentos para que
ninguém descubra nossos fracassos.

➔ Autopunição - Punir a si mesmo como uma forma de


se sentir redimido das suas culpas.

➔ Escapismo - Tentativa de fuga do problema.


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 36

• Encher-se de atividades para se distrair;


• Compulsão: comida, bebida, sexo;
• Drogas, tranqüilizantes, calmantes.

Todos os mecanismos naturais de defesa conseguem o


corte temporário das emoções traumáticas, mas não
solucionam o problema.

Há pessoas que preferem evitar tudo que possa trazer


recordações dolorosas; outras procuram suprimir a dor por
meio de um excesso de comida, sexo, compras ou droga; uma
compulsão satisfeita pode aliviar temporariamente a dor do
trauma, mas além de não resolver a situação, cria outros
problemas.

O procedimento adequado diante de um trauma


emocional deve ser:

1) O Reconhecimento;
2) A Resistência – efetuando uma Modulação das
emoções negativas;
3) Ajuda especializada.

Não Se Sinta Culpado


Emoções traumáticas não resolvidas fazem o indivíduo
prisioneiro dessas emoções, por não conseguir controlá-las
quando manifestas, porque estão arraigadas no passado.
Diante disso, ninguém deve se considerar culpado por
não conseguir controle e domínio sobre algo que está no
passado. Ninguém tem controle sobre o passado; não podemos
voltar no tempo e refazer nossa história.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 37

Emoções Secundárias
Felizmente as emoções primárias podem ser
moduladas e estabilizadas no tempo presente. A solução está
em avaliarmos mentalmente as emoções primárias à luz das
circunstâncias presentes.
A racionalização correta consegue modular a
intensidade da emoção primária até estabilizá-la por completo.
Quando a emoção primária é confrontada com a
racionalização correta, há uma combinação do passado com o
presente, produzindo um outro tipo de emoção, chamada de
emoção secundária.

Exemplo: Sara foi violentada sexualmente por um homem ruivo,


forte e com uma cicatriz no rosto. Dez anos depois, no trabalho, ela
é apresentada ao seu novo chefe, Bill, um homem forte e ruivo.
Aqui surge a emoção primária, mas Sara racionaliza a situação e diz
para si mesma: “Este não é o estuprador, ele é diferente; esse é o
Bill, meu colega de trabalho”. Com essa atitude mental, passado e
presente são combinados, modulando a emoção primária para um
outro tipo de emoção, denominada de secundária.

Quando uma pessoa está descontrolada


emocionalmente, tratamos de conversar com ela até que se
acalme. Nossas palavras levam a pessoa a raciocinar, refletir,
mostrando a verdadeira perspectiva da situação, ajudando a
recuperar o controle de suas emoções.
Esta atitude consegue modular as emoções primárias,
transformando-as em emoções secundárias.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 38

Capítulo 4
Propostas Científicas de Cura
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 40

Qualquer procedimento terapêutico para a cura dos


traumas emocionais, varia de um caso para outro, dependendo
do tipo da experiência traumática do indivíduo.
Apresentamos, a seguir algumas terapias científicas,
compatíveis com a Psicoterapia Teocêntrica, aplicáveis a
maioria dos traumas emocionais:

Sintetizadores de Ondas Cerebrais – SOC


Usando tecnologia de última geração associadas às
técnicas utilizadas em equipamentos de eletroencefalografia foi
possível desenvolver os sintetizadores de ondas cerebrais.
Trata-se de um aparelho que permite a uma pessoa, mesmo
sem treino, entrar em outros níveis mentais e desfrutar de seus
efeitos benéficos.

O SOC é uma forma completamente natural de


excitação para aumentar a produção de ondas cerebrais Alpha e
Theta permitindo ao usuário um acesso rápido a uma gama de
estados mentais que variam de relaxamento a transe profundo.

Com o sintetizador e sem esforço para o usuário, após


10 (dez) minutos de uso consegue-se fazer a freqüência
cerebral acompanhar o seu ritmo, levando a mente
rapidamente a níveis de maior energia fazendo-nos sentir como
se tivéssemos dormido 8 horas de um sono reparador. É
possível obter resultados desde as primeiras sessões criando em
si mesmo maior autoconfiança e bem estar.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 41

Psicoterapia Breve
Em 1994, um estudo realizado pelos professores
Charles Figley, PhD e Joyce L. Carbonell, PhD, da Florida State
University, sobre as abordagens breves para o tratamento de
traumas e fobias, foi objeto de um artigo na revista The Family
Therapy Networker. EMDR (Eye Moviment Desensitization
and Reprocessing).

EMDR – Dessensibilização e Reprocessamento -


Movimentos Oculares
Steve Andreas e Connirae Andreas são dois dos mais
respeitados pesquisadores, divulgadores e autores da PNL.
Uma de suas grandes contribuições foi a divulgação de como o
movimento dos olhos podem ser utilizados para reprocessar
experiências marcantes, permitindo processos inconscientes de
integração e compreensão (fechamento) de experiências.

Uma das descobertas da PNL foi a ligação entre


posições dos olhos e ativação de processos sensoriais internos.
Quando os olhos estão voltados para cima há o ativamento do
pensamento visual; olhos voltados para os lados ativam o
pensamento auditivo; e olhos voltados para baixo ativam mais
intensamente a capacidade de sentir sensações. Seguindo as
instruções do terapeuta, o cliente movimenta seus olhos em
várias direções enquanto mantém o pensamento no incidente
vivido. Esta movimentação parece permitir que áreas do
cérebro, antes não ativadas durante a experiência crítica em si e
nas lembranças subseqüentes, possam agora ser incluídas no
processamento do incidente. O resultado final é o alcance de
um estado de compreensão e freqüentemente de serenidade
diante das lembranças.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 42

Ressonância Afetiva

A relação afetiva é um regulador de todas as emoções e,


portanto, da fisiologia do corpo. O contato emocional é uma
necessidade biológica. Experiências afirmam que a qualidade
da relação entre pais e filhos, definida pelo grau de empatia dos
pais e pelas suas respostas às necessidades emocionais dos
filhos, determina, anos mais tarde, a tonicidade do sistema
parassimpático da criança, ou seja, o fator que favorece a
coerência do ritmo cardíaco e permite melhor resistir ao
estresse e à depressão.

Num livro sobre o cérebro emocional e suas funções,


"Uma Teoria Geral do Amor", Thomas Lewis, Richard Lannon
e Fari Amini, três psiquiatras da Universidade da Califórnia em
San Francisco, batizaram o fenômeno de "relação límbica" e
afirmaram: "A relação afetiva é um conceito tão real e
determinante quanto qualquer medicamento ou intervenção
cirúrgica". Mesmo o amor de um cachorro ou de um gato tem
efeitos importantes sobre o humor e o estresse.

Coerência Cardíaca
Os estudos fisiológicos modernos confirmam antigas
teses: quando se mede a variação cardíaca no computador,
constata-se que a maneira mais simples e rápida para fazer com
que o corpo entre em "coerência cardíaca" é experimentar
sentimentos de gratidão ou de carinho em relação ao outro.

Em situações de estresse, ansiedade, depressão ou


cólera, o ritmo cardíaco se torna "caótico", ao contrário dos
estados de bem-estar, quando se mostra "coerente". O ritmo
cardíaco influi diretamente na tensão arterial, na respiração e
também no funcionamento do sistema imunológico.

Estudos sobre como manter um ritmo cardíaco


"coerente" concluíram que, em vez de buscar perpetuamente
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 43

circunstâncias exteriores ideais, o melhor e mais fácil é começar


pelo controle interior da própria fisiologia —ou seja, do
próprio ritmo do coração. Por meio de exercícios respiratórios
específicos, pode-se manter a "coerência" desse ritmo e evitar o
"caos", associado ao estresse e estados depressivos.

Um dos exercícios básicos indicados é o seguinte: o


"paciente" começa fazendo duas respirações lentas e
profundas, que estimulam o sistema parassimpático e
favorecem o "freio" fisiológico. Em seguida, acompanha
atentamente a expiração até o final e deixa, após uma pausa de
alguns segundos, que a inspiração retome naturalmente. Numa
segunda etapa, deve-se imaginar que a respiração lenta e
profunda é realizada pelo coração. Por fim, a concentração, de
um pensamento relacionado a algo bom, deve ser incorporada
à respiração.

Em um estudo publicado no "American Journal of


Cardiology", pesquisadores do Instituto HeartMath, da
Califórnia, mostram que a simples invocação de uma emoção
positiva graças a uma lembrança ou a uma cena imaginada
induz a uma rápida transição da variação cardíaca ao ritmo
"coerente".

Na Inglaterra, 6.000 executivos de grandes empresas,


como Shell, British Petroleum, Hewlett-Packard e Unilever,
foram treinados para realizarem exercícios que os ajudassem a
manter uma coerência cardíaca. O mesmo ocorreu nos EUA,
com empregados da Motorola e funcionários do governo da
Califórnia.

Um outro estudo, da Academia Nacional de Ciências


dos EUA, sugere, inclusive, que a coerência cardíaca favorece o
equilíbrio hormonal: após um mês de prática de exercícios (30
minutos diários, cinco dias por semana) que promovem o
"ritmo coerente", a taxa de DHEA (dehidro-epi-androsterona),
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 44

o chamado "hormônio da juventude", dobrou.

Estas e outras técnicas terapêuticas têm permitido o


alívio rápido do sofrimento de pessoas vítimas de traumas
emocionais.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 45

Capítulo 5
Proposta Teocêntrica de Cura
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 47

O tempo é capaz de curar muitas lembranças dolorosas,


desde que não reprimidas e não infeccionadas por outros
pecados. Muitas experiências traumáticas podem sarar com o
tempo. Em vários casos, com o passar dos anos, a intensidade
da lembrança pessoal vai diminuindo e a dor da recordação
torna-se perfeitamente suportável. Mas, nem sempre o tempo
é o melhor remédio. Há situações que clamam por uma cura
interior diferenciada.
Cura Interior é a cura da alma. É um processo de
aconselhamento bíblico, por meio do qual a pessoa é liberta de
ressentimentos, mágoas, rejeição, autopiedade, culpa, medo,
complexo de inferioridade, traumas, etc. Em certo casos a cura
interior é redentora. Pessoas espiritualmente oprimidas que
necessitam de libertação espiritual e restauração emocional são
curadas pelo poder de Jesus Cristo.
A Cura Interior é importante porque sara todos os
tipos de traumas e acelera a restauração emocional.
Há traumas que envolvem apenas situações
desagradáveis, enquanto que outros estão diretamente
associados com pessoas que nos causaram males. O
procedimento de ministração adotado na Cura Interior varia de
um caso para outro, dependendo do tipo da experiência
traumática do indivíduo. Apresentamos, a seguir, três soluções
básicas da Psicoterapia Teocêntrica para os traumas, aplicáveis
à maioria dos casos.

1) Nova Identidade – Se você é um cristão renascido, você é


uma nova criatura em Cristo. Tem uma nova identidade em
Cristo. (2 Co 5:17). Veja seu passado à luz do que você é, agora,
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 48

em Cristo.
Saiba que Deus quer resolver suas emoções negativas
do passado. Você tem uma nova herança em Cristo. O trauma
exerce efeito sobre sua natureza adâmica, não sobre sua nova
natureza em Cristo.
Todos nós podemos ser vítimas de traumas e isto não
pode ser modificado porque está relacionado ao nosso
passado; algo que aconteceu e não há como voltar no tempo e
mudar nossa experiência dolorosa. Mas, o cristão tem como
romper com o “emocional negativo” do passado e deixar de
ser vítima, seguindo a vida com sua nova identidade em Cristo.

A intensidade da emoção primária (traumática) foi


gerada a partir da percepção dos fatos, quando ocorreram. A
emoção secundária é gerada a partir da percepção de nossa
nova identidade (atual) em Cristo.

Muitas pessoas são escravas dos traumas e vivem num


baixo padrão de vida porque estão presas às emoções negativas
de experiências ruins que aconteceram no passado. Quando
assumimos nossa nova identidade em Cristo, as coisas velhas
ficam para trás, somos libertos delas.

A Bíblia ensina como fazer uma Reengenharia na Alma,


de modo que os nossos pensamentos, sentimentos e vontades
tenham o padrão de Jesus e não o de Adão caído.

Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas


velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. 2 Co 5:17

A Técnica Teocêntrica para auxiliar na conscientização de


nossa nova identidade é: concentração, reflexão, meditação.
Um esquema simples de prática:

1- O princípio básico é pensar, meditar e contemplar o que Deus diz


a nosso respeito em Sua Palavra. O aconselhado deve ler na Bíblia as
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 49

passagens aplicáveis ao seu caso específico. Se ele está dominado por


emoções negativas, selecionará várias passagens que abordam o
assunto e meditará em cada palavra e princípio de vida apresentado
nas Escrituras.

2 - O segundo passo é ver o princípio bíblico com os olhos d'alma.


Com os recursos do pensamento, sentimento e vontade, o
aconselhado imaginará situações concretas sobre sua nova vida,
movendo-se num cenário virtual, vivendo ativamente uma realidade
desejada por Deus, apresentada na Bíblia. Trata-se da imaginação
direcionada.

3 - O terceiro e último passo está na repetição desse processo até que


o aconselhado sinta-se revestido de fé e passe a viver o novo modelo
bíblico de comportamento. Essa prática deve ser repetida várias
vezes, durante um bom período de tempo, em três etapas diárias (de
dois a cinco minutos):
1. A primeira no turno da manha,
2. A segunda pela tarde e
3. A última à noite, antes de dormir.

O término do processo de cura não tem um tempo


pré-fixado. Ótimos resultados podem vir dentro de poucos
dias; outros casos exigem meses e até anos para uma
reengenharia completa. Tudo vai depender da fé, do esforço,
da vontade, determinação e perseverança de cada pessoa.
Lembramos tão somente que a reengenharia da alma
deverá ser vista sempre como uma reeducação contínua na
Palavra de Deus, mesmo que os primeiros resultados sejam
alcançados e que não haja a necessidade de encarar a nova
realidade de vida como objeto de transformação e sim de
conservação dos novos valores, nos moldes bíblicos.

2) Perdão - Temos que perdoar a quem nos ofendeu. Se o


trauma envolver pessoas que nos ofenderam, temos que liberar
perdão para obtermos a cura. O perdão rompe as cadeias
emocionais que nos prendem às experiências dolorosas do
passado. Quando seguramos a raiva ou ódio de alguém que nos
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 50

causou males, estamos amarrados a essas emoções e não


obteremos vitória enquanto não liberarmos perdão. O perdão
romperá as correntes emocionais negativas. Passado e presente
se distanciarão.

A falta de perdão gera feridas emocionais facilmente


infectadas por outros pecados. A falta de perdão é a principal
porta de entrada de ataques malignos na vida dos cristãos. O
apóstolo Paulo nos exorta para perdoarmos a fim de que
Satanás não alcance vantagem sobre nós. 2 Co 2:11.
Nossa relação com os demais (bons e maus) deve ser a
mesma de Deus para conosco: perdão, aceitação e amor.
Perdoar não significa que devemos tolerar o pecado ou
compartilhar dos erros dos outros, mas tomar uma atitude de
obediência à Palavra de Deus.

3) O poder curador da oração - Como lidar com sentimentos


dolorosos? Como conviver com a culpa, auto-estima em baixa,
frustração e muitas outras feridas emocionais, que tanto
interferem em nosso comportamento?

A Palavra de Deus nos diz que quando oramos "...o Espírito


nos assiste em nossa fraqueza..." (Rm 8:26). A palavra
"assistir" é colocada justamente no sentido de acompanhar,
passo a passo, um processo de cura. A Bíblia demonstra a
imensurável graça e infinito amor de Deus no sentido de
promover a cura integral do homem. A ação libertadora e
curadora do Espírito Santo restaura a alma das feridas
emocionais do passado.

Clamor: "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me


glorificarás." (Sl 50:15).

Refúgio: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem


presente na angústia." (Sl 46:1).
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 51

Auxílio: "Dá-nos auxílio para sair da angústia, porque vão é o


socorro da parte do homem." (Sl 108:12).

Descanso: "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de


mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis
descanso para as vossas almas." (Mt 11:29).

Há situações em que a pessoa traumatizada torna-se


vítima da ingerência de demônios. Para casos desse tipo é
preciso Cura Interior Redentora, ou seja, libertação espiritual e
a restauração das emoções.

Outros Procedimentos Bíblicos de Cura Interior

A Cura de um trauma emocional pode acontecer como


conseqüência de diversos fatores espirituais, entre eles:

1)Pela Providência Soberana de Deus – Jl 2:28-29 com Atos 2


É Ele quem escolhe as pessoas, os lugares, os tempos e as
circunstâncias. ( Dn 4:35, Mt 20:15); Jz 6:11.34).

2)Escrituras - Romanos 15.4 - Porquanto, tudo que dantes foi


escrito, para nosso ensino foi escrito, para que, pela constância
e pela consolação provenientes das Escrituras, tenhamos
esperança.

3)Palavra Profética - I Coríntios 14.3 - Mas o que profetiza fala


aos homens para edificação, exortação e consolação.

4)Fatos/acontecimentos - I Coríntios 7.6 - Mas Deus, que


consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito;

5)Prática na irmandade - II Coríntios 1.4 - que nos consola em


toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar
os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com
que nós mesmos somos consolados por Deus.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 52

6)Pelo Contato com a Presença de Deus - Presença de Deus


nas Pessoas, através de objetos e lugares.
a) Contato Pessoal - At 5:12-15
Cura divina pelo toque das mãos. O livro de Hebreus
diz claramente que a imposição de mãos é um dos princípios
da doutrina cristã. ( Hb 6:1-2).

b) Contato por Objetos - Os lenços de Paulo foram


usados como instrumentos de poder de cura e libertação. (At
19:11-12). "... tocar na orla das vestes...todos quantos tocavam
eram curados" Mc 6:56

c) Contato com a Presença de Deus num lugar


abençoado.

“...então sucedeu que a casa, a saber, a casa do Senhor, se encheu de


uma nuvem; de maneira que os sacerdotes não podiam estar ali para
ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a
casa de Deus.” (II Cr 5:11-14)

“Então enviou Saul mensageiros... os quais viram um grupo de


profetas profetizando... e o Espírito de Deus veio sobre os
mensageiros de Saul e também eles profetizaram. Avisado disso Saul
enviou outros mensageiros e também estes profetizaram; então
enviou Saul ainda uns terceiros, os quais também profetizaram.
Então, foi para a casa dos profetas, em Ramá e o mesmo Espírito de
Deus veio sobre ele (Saul), que, caminhando, profetizava...”I Sm
19:20-24

7) Pela Súplica - Com Orações e Súplicas –A unção pode ser


resultante de uma vida de oração e súplica. No evangelho de
Lucas há uma promessa condicionante:

“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos
filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles
que lho pedirem?” (Lc 11:13).
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 53

8) Prática das Leis espirituais – Lei da Semeadura e Lei do


Retorno.

Gl 6:7 - pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

Ec 11.1 - Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos


dias o acharás.

9) Comunhão com o Senhor.

Ef 6:10 - Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do


seu poder.

Intimidade em adoração e oração com o Médico dos médicos,


Jesus, é a melhor forma de receber a cura interior. A visitação
do Espírito Santo é balsâmica: sereniza nossa alma, cura as
feridas interiores.

Sofonias 3.17 - O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para
te salvar; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor,
regozijar-se-á em ti com júbilo.

Isaías 61.3 – “... a ordenar acerca dos que choram em Sião que se
lhes dê uma coroa em vez de cinzas, óleo de gozo em vez de pranto,
vestidos de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se
chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja
glorificado”.

10) Pela obediência ao Senhor e Sua Palavra –

Dt 30: 9-10 - Então o Senhor teu Deus te fará prosperar


grandemente em todas as obras das tuas mãos, no fruto do teu
ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto do teu solo;
porquanto o Senhor tornará a alegrar-se em ti para te fazer
bem, como se alegrou em teus pais; quando obedeceres à voz
do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 54

seus estatutos, escritos neste livro da lei; quando te converteres


ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 55

Capítulo 6
Promovendo Uma Mudança de Vida
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 57

Uma pesquisa sobre a personalidade realizada pela


Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA) envolvendo
130.000 voluntários norte americanos e canadenses, de 21 a 60
anos, revelou que as pessoas podem se reinventar em
qualquer estágio da vida.¹ A investigação científica enumerou
uma lista de características da personalidade passíveis de
mudanças, catalogadas em diferentes graus:

Mais Fáceis Média Dificuldade Grande Dificuldade


de Mudança
Desorganização Pessimismo - Egoismo
Depressão
Insegurança - Temperamento Exibicionismo
Ansiedade Explosivo Obsessividade
Impontualidade Instabilidade Frieza Afetiva -
- Timidez Emocional
Dependência Comportamento anti-
Psicológica social

Até que ponto o homem pode mudar? Até onde


prevalece o esforço humano em querer mudar? Em termos
naturais o homem é capaz de mudar em muitos aspectos,
incluindo seu comportamento e personalidade. Este é o
primeiro ponto de grande importância: o desejo de mudar. Se
você deseja mudar algo em sua vida, personalidade e
comportamento, saiba que você já deu o primeiro passo. Sem o
querer não há cura. Mas esse querer deve ir mais além. Como?
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 58

Pouco ou nenhum proveito existe em querermos


melhorar só o exterior. Toda a natureza humana e o seu
funcionamento estão arruinados pela queda espiritual. Mudar o
comportamento de uma pessoa sem mudar a essência de sua
natureza é o mesmo que proibir o tuberculoso de tossir, sem
curar a doença. Todas as tentativas nesse sentido, apenas
maquiarão o problema, por algum tempo, sem solucioná-lo de
fato.

Só existe mudança real no homem, de forma profunda


e consistente, quando há mudança de natureza. Os renascidos
herdam uma nova natureza, à imagem de Cristo, capaz de
produzir frutos positivos e mudanças significativas no
comportamento, pelo uso correto da racionalidade,
afetividade e vontade. Acontece que o aspecto funcional dessa
nova natureza exige uma Reengenharia no homem interior,
uma modulação na alma, onde a mudança de foco, de
domínio e de controle de pensamento, sentimento e
comportamento, passe da velha natureza para a nova, numa
combinação de esforço humano e ação do Espírito Santo. Essa
modulação fundamenta-se no aspecto de uma vida centrada na
natureza de Cristo em vez de uma vida centrada no ego.

O renascido, no domínio do Espírito Santo, tem sua


racionalidade, afetividade e vontade sob a luz da natureza de
Cristo, mas não basta à existência de uma boa natureza
implantada no homem interior, necessário se faz que a mesma
processe diariamente pensamentos, sentimentos e vontades
de excelentes parâmetros de qualidade. Só a Palavra de Deus
possui o padrão de qualidade capaz de reeducar o novo
homem na mente de Cristo. É aqui que entra o esforço
humano.

Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa


instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. 1 Co 2:16
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 59

Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;
Cl 3:2

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve


também em Cristo Jesus Fl 2:5

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade,


benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Gl 5:22

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o


efetuar, segundo a sua boa vontade. Fl 2:13
Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade
do Senhor. Ef 5:17

Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais
segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a
vontade de Deus.
1Pe 4:2

Quando nos convertemos o nosso espírito é vivificado


pelo Espírito Santo e é curado da culpa do pecado. Nosso
espírito está livre para ter comunhão com Deus, mas nossa
alma necessita de uma Reengenharia na Palavra de Deus. Só
conseguiremos cura interior se aprendermos a pensar, sentir e
agir, de acordo com a vontade de Deus, deixando uma vida
centrada no “eu” para uma vida centrada em Cristo.

1Revista Veja – Nº 37 – 17/09/2003


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 60

Começamos a nos sentir melhor quando corrigimos


nossa maneira de pensar:
• Sobre Deus;
• Sobre nós mesmos;
• A respeito dos outros;
• Das circunstâncias que nos cercam.

Charles Finney (evangelista e teólogo norte-americano)


afirmou:

“Estou consciente de que não consigo, por meio de um esforço


direto, sentir-me como quero. Sei que meus sentimentos e todos os
estados e fenômenos da sensibilidade são apenas indiretamente
controlados por minha vontade. Por um ato de vontade eu posso
ordenar ao meu intelecto que considere certos fatos, e desta maneira
posso afetar minha sensibilidade e produzir um determinado estado
emocional”.

Nossa mente pode ser renovada, ou seja, os nossos


pensamentos, sentimentos e vontades, podem e devem se
adequar aos de Deus, expressos na Bíblia. O homem precisa
renovar sua mente na Palavra de Deus; aprender a pensar,
sentir e decidir segundo Cristo.

Pensamentos mundanos, sentimentos proibidos e


vontade carnal, devem ser abandonados imediatamente. Os
velhos hábitos precisam ser descartados e os procedimentos
carnais devem ser substituídos pela prática dos princípios
bíblicos, no modelo do novo homem em Cristo.

Pela conversão, o homem tem a chance de reeducar sua


vida de acordo com os padrões bíblicos, tornando possível
uma reengenharia de sua alma, com frutos plenamente
satisfatórios.

A reengenharia real da alma começa na conversão a


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 61

Cristo e continua de forma processual à medida que acontece o


despojamento dos velhos hábitos e o revestimento dos novos,
nos padrões de Deus.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 62

Capítulo 7
Reengenharia da Alma
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 64

Reengenharia da alma é um processo de reprogramação


da racionalidade, afetividade e vontade do indivíduo. Esse
processo envolve também atitudes e hábitos, a partir de uma
substituição do atual modelo de comportamento por um
novo; analisado, aprendido e vivenciado em conformidade
com os padrões das Escrituras Sagradas, utilizando para tal
fim a fé pessoal e o aconselhamento cristão.

O termo reengenharia, assim como muitos outros


utilizados no âmbito teológico e eclesiástico, tais como
trindade, capelania e secretaria de missões, não aparece nas
páginas das Escrituras, mas sua doutrina é perfeitamente
identificada em vários textos sagrados. O texto básico para o
assunto encontra-se em Efésios 4:22-24:

(EF 4:22) "Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do


velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do
engano;"
(EF 4:23) "E vos renoveis no espírito do vosso entendimento;"
(EF 4:24) "E vos revistais do novo homem, criado segundo
Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”

Trata-se de uma reeducação contínua na Palavra de


Deus, na qual o homem é confrontado em seu atual estilo de
vida diante do modelo bíblico. Ao tomar consciência de que
seu estilo de vida, em muitos aspectos, encontra-se fora dos
padrões bíblicos, apercebe-se que sua atual condição não só
desagrada a Deus como lhe impede de desfrutar de paz
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 65

interior, vida harmoniosa e saúde. O próximo passo na


reengenharia da alma é o desligamento voluntário da prática de
hábitos errados de comportamento, adequando o estilo de
vida à nova educação na Palavra de Deus.

Nenhum homem nasce convertido; sua alma além de


trazer a fragilidade interior marcada pela queda espiritual, está
sujeita às inclinações de sua natureza pecaminosa. Tudo que
aprendemos, antes de nossa conversão, vem de um mundo que
exclui Deus. Todas as faculdades do homem interior são
trabalhadas num esquema completamente fora do propósito
original do Criador para o ser humano.

Pela conversão, o homem tem a chance de reeducar sua


vida de acordo com os padrões bíblicos, tornando possível
uma reengenharia com frutos plenamente satisfatórios. A
reengenharia real começa na conversão a Cristo e continua de
forma processual à medida que acontece o despojamento dos
velhos hábitos e o revestimento dos novos, nos padrões de
Deus. Os velhos hábitos são abandonados e os procedimentos
carnais são substituídos pela prática dos princípios bíblicos, no
modelo do novo homem em Cristo.

A reengenharia da alma permite o viver numa nova


dimensão, sob o domínio de uma nova natureza espiritual, à
imagem e semelhança de Cristo. O processo deve ser contínuo,
aplicado diariamente por toda a vida.

Pensamentos & Atitudes


Interligações

Por muitos anos o mundo acreditou que seria


humanamente impossível correr uma milha em menos de
quatro minutos. No entanto, em 1954 um jovem chamado
Roger Bannister ignorou esse conceito de impossibilidade e
creu que seria possível quebrar a barreira dos 4 minutos. Após
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 66

alguns meses de preparação ele alcançou a marca de 3 minutos


e 59 segundos. Duas barreiras foram quebradas naquele dia: a
do tempo e a da mente. Posteriormente, em 1964, um
outro jovem de nome Jim Ryun superou a marca de Bannister.
Desde então, por várias vezes esse recorde tem sido superado.

O indivíduo que muda sua forma medíocre de pensar;


redirecionando seus pensamentos para uma possibilidade,
geralmente alcançam uma nova mentalidade capaz de
transformar sonhos em realidade.
A Psicologia Positiva afirma que, em linhas gerais,
existe uma boa parte da vida (40%) que podemos mudar e que
alcançamos isso mudando a nossa forma de pensar e de agir.
A manutenção da saúde emocional e do viver prazeroso
encontram-se, em grande parte, sob o domínio e a
responsabilidade de cada um. Isso exige um compromisso
consigo mesmo e coloca para a pessoa a necessidade de
descobrir as estratégias de vida que funcionam para o bem
estar do homem. A Bíblia é o manual do Criador, o livro da
vida. Ela trata do homem de forma integral, de sua origem ao
destino escatológico; do indivíduo, da pessoa, da família e da
sociedade.
Firmado nas promessas bíblicas, devemos renovar
nossos pensamentos, redirecionando nossa mente para as
possibilidades geradas em Deus.
Se reprogramarmos nosso pensamento de acordo com
as afirmações bíblicas, nossa mente responderá favoravelmente
às novas informações. Os novos pensamentos, com seus
princípios, leis e promessas, passarão a integrar o banco de
dados de nosso computador biológico, o cérebro. Esse novo
acervo terá significativa relevância no processamento das idéias
que determinação nossas atitudes.
Os pensamentos determinam as atitudes do indivíduo.
Em termos gerais o homem age conforme seus pensamentos.
Se uma pessoa costuma agir conforme seus pensamentos, isto
significa dizer que sua atitude mental é o principal fator de
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 67

influência comportamental. Nem todos se apercebem que


nossas emoções, escolhas e decisões são manipuladas pelos
nossos pensamentos. (Pv 23:7)
O pensamento de um homem é seu principal
combustível comportamental.
Tudo que é guardado na mente e que se torna objeto de
pensamento constante, exerce grande influência e domínio
sobre nossas emoções, sentimentos e atitudes.
Enquanto não formos renovados pela mente de Cristo,
estaremos confinados a padrões de vida segundo nossos
próprios pensamentos.
Se os nossos hábitos de vida têm seus fundamentos
naquilo que pensamos, torna-se fácil compreendermos a
recomendação de Paulo em Romanos 12:2.
"... transformai-vos pelas renovação da vossa mente..."
O homem só pode ser transformado se sua mente for
transformada. Todas tentativas não submissas a esse princípio
resultarão em fracasso a médio ou a longo prazo. É por esta
razão que o homem necessita renovar sua mente com os
pensamentos de Deus.

A Necessidade de Uma Mente Renovada


“Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos” Is 55:8

● Ralph Waldo, filósofo, disse que " o homem é aquilo


que ele pensa constantemente".
● Marcos Aurélio falou que: " A vida do homem é o que
seus pensamentos a fazem".
● Norman Vincent Peale disse: Mude seus pensamentos
e mudará seu mundo".

A Bíblia diz: como o homem imagina em sua alma,


assim ele é. ( Pv 23:7).
A Bíblia ensina uma reengenharia para o pensamento –
o homem tem que aprender a pensar certo. Temos que trazer
os pensamentos de Deus para nossa mente. Precisamos
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 68

meditar profundamente no modelo do novo homem, segundo


Cristo, apresentado na Bíblia Sagrada. Além disso, cada pessoa
deve conhecer os atributos de Deus, profecias e promessas,
curas e milagres, manifestações de poder e princípios
espirituais descritos na Bíblia Sagrada. Há muitas narrações,
fatos e exemplos na Bíblia que expressam o pensamento de
Deus, os quais devem ser assimilados pelo nosso intelecto,
reconstruindo um acervo de novos pensamentos e de uma
nova mentalidade.
À medida que assimilamos os pensamentos bíblicos,
surge-nos uma disponibilidade mental capaz de reprogramar
uma nova escala de valores em nossa consciência e um novo
comportamento. Se recebemos os princípios, leis e promessas
do Senhor, com desejo de mudança e fé no poder da Palavra,
esses novos pensamentos, gradativamente, desenvolverão
hábitos, práticas e atitudes corretas, promovendo resultados
plenamente satisfatórios para a saúde da alma.
A renovação da mente inicia quando passamos a pensar
mais no projeto de Deus para nossa vida, deixando o foco de
um viver centrado no eu.
Uma mente renovada é aquela que consegue ter a
compreensão e a sabedoria ensinada pelo Espírito Santo, na
perspectiva de Cristo. Pensar, analisar e compreender o que se
passa conosco e ao nosso redor, na perspectiva de Cristo. A
mente renovada recebe não só a sabedoria, mas o temor do
Senhor, que estimula à santidade, condição imprescindível
para a saúde da alma.
Quando a mente natural entra em contato com a
Palavra de Deus, passa a conhecer os ideais, propósitos,
sabedoria e mandamentos do Senhor. É verdade que nós
cristãos temos a Cristo e a mente de Cristo está em nós. (I Co
2:16) Todavia somos sabedores de que os tesouros da
sabedoria e do conhecimento que estão em Cristo Jesus são
tesouros inesgotáveis, revelados progressivamente e sob
medida. (Cl 2:3). Há um caminho a percorrer pelo homem em
busca de uma mente renovada. A revelação divina e a
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 69

assimilação humana são dinâmicas e progressivas,


conquistadas passo a passo.

As promessas, alianças e princípios espirituais contidos


na Bíblia Sagrada formam o kit de ferramentas indispensáveis
à reengenharia da alma. O segundo passo é a meditação
constante na Palavra e a comunhão com o Senhor Jesus. Essas
práticas criam condições favoráveis para que o Espírito Santo
renove nossa mente com pensamentos santos e espirituais os
quais frutificarão abundantemente em nosso comportamento,
promovendo também saúde interior. (Rm 8:27).

Outro ensino bíblico sobre a conquista de pensamentos


corretos é o de recordar tudo que seja capaz de gerar
esperança.

(Lm 3:21) Trazer memória (heb. "fazer voltar ao coração") o


que pode me dar esperança

O profeta Jeremias viveu esse princípio quando disse


que trazia de volta ao coração aquilo que pudesse lhe dar
esperança. A mente armazena cenas, sons, idéias, projetos e
muitas outras coisas, boas e ruins, vividas e aprendidas ao
longo da vida. Compete ao homem trazer à viva consciência
tudo que seja capaz de produzir esperança.

Martin Seligman, pai da Psicologia Positiva, lembra que


o pessimismo é um hábito que leva a pessoa à depressão,
diminui a realização individual e mina a saúde. 1
Recordar o que é bom ajuda a vencer o pessimismo. É
preciso parar para recordar o que é bom. Torna-se
indispensável uma viagem do pensamento na sublime missão
de reacender a chama da lembrança de algo que vale a pena
recordar. Recordar, repensar e reviver emocionalmente, toda
palavra, fato e princípio (de Deus) que possa dar esperança,
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 70

gerar significado e movimentar a vida. Não permitir que o


tempo e as circunstâncias apaguem as boas recordações
armazenadas na memória. É preciso recordá-las sempre,
reavivando-lhes o brilho para que a esperança também seja
reavivada.
O homem deve pôr seu foco de atenção nas promessas
do Senhor, passando a meditar em seus preciosos conceitos,
trazendo à lembrança os bons momentos da vida, nos quais
seja possível se atribuir a Deus os benefícios recebidos. Essa
prática cria meios sustentáveis de esperança para o coração,
fortalecendo os sentimentos, criando novo ânimo e novas
perspectivas.

1 – Psique – edição especial – Ano II – nº 8 – pg.78


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 71

Capítulo 8
Imaginação Direcionada
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 73

Várias experiências científicas demonstraram que o


cérebro e o sistema nervoso se encontram sob o controle de
uma programação mental automática que pode, a partir de
técnicas específicas, receber uma nova programação, capaz de
operar como um novo sistema de orientação de vida.
O cérebro humano trabalha basicamente como um
computador que necessita não só de uma unidade de
processamento, mas de uma programação para funcionar.
Estudos científicos demonstram ser perfeitamente possível a
formação de novos hábitos e estilo de vida, a partir de uma
programação mental adequada.

Uma mente renovada na Palavra envolve uma série de


exercícios de pensamento, de acordo com os objetivos a serem
alcançados por cada pessoa. Estes exercícios produzem
estímulos nervosos em forma de comandos de processamento
para o cérebro, passando à criação gradativa de uma nova
programação de vida, de aspecto voluntário e de reação
automática.

Vícios, traumas e problemas de comportamento


humano, por exemplo, podem ser tratados e superados com
uma nova programação de pensamento.

Na Universidade de Columbia, Estados Unidos,


psicólogos descobriram que a atitude da pessoa determina o
que ela pode aprender. A atitude determina o desempenho da
pessoa. Se o desempenho é falho, a atitude deve ser
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 74

modificada. Ficou também claro que atitudes se tornam


hábitos. As pessoas são basicamente o que as experiências
vividas as condicionaram a ser.¹.
Atitudes são tomadas a partir de experiências, boas ou
não. Experiências falhas levam a atitudes erradas. Repetidas
atitudes erradas formam um hábito. Se é assim, podemos
reprogramar as atitudes? Sim.
Atualmente a neuropsicologia estuda o
funcionamento do cérebro humano desde o momento em que
ele capta as informações do meio ambiente, a forma como
registra estas informações e, finalmente, a maneira como estas
informações interferem nos comportamentos, nas
capacidades, nas crenças, valores, na identidade e nos
relacionamentos com outras pessoas.
Muitas de nossas atitudes consideradas normais ou
anormais, equilibradas ou desequilibradas, são respostas de
registros mentais armazenados em nossa mente ao longo da
vida. São produtos de registros positivos ou negativos
introduzidos na mente através das percepções sensoriais,
captadas do meio ambiente pelos sentidos. Os traumas são
registros emocionais negativos.
Uma mente bem formada com estoque de promessas
bíblicas, princípios cristãos e hábitos certos, ajudará muito no
processo da reengenharia da alma.
Pesquisas científicas confirmam declarações bíblicas.
Hoje a Psicologia afirma que é possível, em qualquer época da
vida, mudar tudo para melhor, começar tudo novamente.
Muitos estudiosos modernos afirmam que parte do
nosso comportamento é a resposta de registros mentais
guardados em nosso inconsciente. Mesmo que não
percebamos, essas gravações no inconsciente, cedo ou tarde,
afloram em forma de atitudes e hábitos. Algumas
representações mentais acabam se somatizando.

1Ajuda-te pela Cibernética Mental – U.S. Andersen – Ibrasa – 1978 - 3ª edição -


2Revista Veja – Nº 37 – 17/09/2003
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 75

Sabemos que alguns registros mentais refletem mais no


comportamento do que outros. Não é bem a quantidade de
registros que determina atitudes certas ou erradas. Os registros
emocionais são os que apresentam maior peso na
transformação do comportamento. Se, por um lado, não temos
como evitar que aconteçam situações reais que possam trazer
registros emocionais nocivos ao nosso comportamento, por
outro lado dispomos de mecanismos simples de pensamento,
que atrelados à fé, são capazes de criar uma série de registros
emocionais positivos, os quais podem ser agentes indutores de
boas atitudes.

Com a prática de exercícios da imaginação direcionada


pela Bíblia podemos administrar objetivamente os nossos
pensamentos, emoções, impulsos e metas de vida, de acordo
com os padrões de Deus. É lógico que o mero exercício de
pensamento, destituído da vontade própria de despojamento
de velhas atitudes, não produzirá o resultado esperado.

A vitória sobre as emoções negativas e velhos hábitos


começa pela dedicação de cada pessoa na prática da meditação
dos princípios bíblicos que expressam os valores do novo
homem, criado por Deus, segundo Cristo.

A meditação da Palavra, atrelada a um desejo forte,


deve ser praticada por alguns minutos, todos os dias, até que a
declaração bíblica seja revestida de fé.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 77

Capítulo 9
Modulação Emocional
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 79

Toda a nossa vida é uma grande associação de hábitos,


emocionais e intelectuais, sistematicamente organizados, para
nossa alegria ou pesar, impelindo-nos de forma irresistível para
o nosso destino.
Nem sempre podemos evitar uma experiência ruim,
mas as emoções podem ser criadas, modificadas e até
eliminadas pela direção consciente.
É possível a modificação de emoções negativas a partir
da mudança de pensamento e de atitude. Muda-se a atitude
quando se muda as experiências vividas e o pensamento.
Experiências, bem sucedidas ou não, levam estímulos
nervosos que contribuem para a formação de hábitos. A partir
de novas experiências bem sucedidas podemos modificar
velhos hábitos de fracasso.

Lembre-se: “Pensamentos, experiências, atitudes, reações e


atos, formam hábitos”.

Pv 23:7 - Porque, como ele pensa consigo mesmo, assim ele é; ele te
diz: Come e bebe; mas o seu coração não está contigo.

Mt7:21 - Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem


os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os
adultério.

Pesquisas electromagnéticas provam que as


experiências imaginadas apresentam ondas cerebrais idênticas
às experiências reais. O sistema nervoso humano não sabe
diferenciar plenamente uma experiência real de uma imaginada.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 80

Suas reações, nos dois casos, são idênticas, senão muito


semelhantes.

Se uma experiência real, de um susto, por exemplo, é


condicionadora de reações e atos, o mesmo pode-se esperar de
uma experiência vivida somente no âmbito da imaginação,
desde que ocorra com sentimento de realismo.
Não se trata do poder do pensamento positivo, mas de
reações condicionadas por meio de exercícios a nível da
imaginação. Experiências, reais ou imaginadas, provocam
emoções, reações e atitudes e estas contribuem para a
formação de hábitos.

As experiências, pensamentos, emoções, reações,


atitudes e ações, em geral, se transformam em hábitos que
visam fracasso ou êxito. O modo pelo qual reagimos às
emoções e condicionamos nossas atitudes determinam
nosso estilo de vida.

A linguagem bíblica não é acadêmica porque Deus


deseja alcançar todos os homens e não apenas os intelectuais
e estudiosos. A Bíblia, porém, apresenta uma série de
passagens, contendo princípios que, estudados
cientificamente, trarão enormes benefícios para a saúde da
alma.

A cada dia a ciência vem ratificando conceitos e


princípios da Palavra de Deus. Entendemos que o princípio e o
fim, seja pela experiência, pesquisa ou fé, devem convergir na
verdade. E se a verdade vem de Deus e se Deus não se
contradiz, então toda a verdade deve ser uma só. A diferença
está no aspecto da revelação e não em seu conteúdo. Sempre
existirá uma unidade fundamental entre os princípios bíblicos e
os fatos verdadeiramente científicos, desde que a revelação
tenha sua origem em Deus.
Ao refletirmos sobre as descobertas científicas como
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 81

parte da verdade de Deus, vemos os estudos psicológicos da


natureza humana e comportamento social como um meio da
revelação natural do Criador.

Um hábito vem pela repetição de atitudes. A memória


humana guarda por toda a vida ou por muito tempo as
experiências fortes, marcantes, sejam boas ou ruins. Outro
mecanismo de arquivo duradouro na memória acontece pela
repetição. Tudo que é demasiadamente repetido é memorizado
e com o tempo passa a fazer parte da vida.

Agora observe o que disse Moisés em Deuteronômio:


E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as
ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando
pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por
sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as
escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas. Dt 6:6-9

Veja que o pronunciamento científico acima já estava


registrado na Bíblia. Moisés conhecia essa lei do
comportamento humano há milhares de anos atrás. Este é o
motivo principal de afirmarmos que o ideal seria que todas as
declarações bíblicas fossem estudadas em profundidade por
pesquisadores e cientistas cristãos; os resultados, por certo,
trariam grandes benefícios à humanidade.

Voltemos ao nosso comentário sobre o processo de


memorização em nosso benefício. Sendo Deus o único
Senhor de nosso destino, não é possível programarmos nossos
dias, recheando-os de situações agradáveis, de emoções
positivas e de experiências marcantes. Temos, tão somente, que
entregar nosso futuro aos cuidados do Senhor e viver pela fé.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 82

(Rm 1:17)

Sonhar possibilidades não é interferir na vontade de


Deus. Podemos e devemos sonhar sobre coisas boas e
construtivas, em especial, sobre aquelas reveladas na Bíblia
como vontade de Deus para o novo homem segundo Cristo.
Devemos aproveitar essa dádiva do Criador para
criarmos um quadro mental, com a imaginação direcionada,
cujas cenas sejam correções de nossas atitudes e hábitos em
conformidade com os princípios bíblicos.
Tomemos como exemplo o seguinte: Uma pessoa que
tem o costume de perder o controle emocional diante de uma
ofensa, deve criar um quadro mental diário onde suas reações
serão baseadas no tipo de comportamento que Deus deseja
para sua vida, onde haja a predominância da longanimidade,
paciência, etc.

Esse tipo de exercício de pensamento é enriquecido


com a meditação bíblica. Quando lemos na Palavra sobre
pontos específicos de confrontação com nossas deficiências
emocionais e comportamentais, temos a possibilidade de
conseguir duas coisas:
1. Em primeiro lugar a fé que vem por meio da Palavra
e que nos faz vencedores;
2. Em segundo lugar, uma programação de pensamento
de acordo com a vontade de Deus. Tudo isso a partir de
exercícios simples de meditação.
Exercícios a nível da imaginação bíblica direcionada
devem ser praticados diariamente, criando uma sequência de
estímulos semelhantes às experiências reais.

Se experiências repetidas geram atitudes e se atitudes


geram hábitos, procedendo com o mecanismo acima, veremos
que de uma forma gradativa o cérebro irá eliminando emoções
negativas e velhos registros fracassados de comportamento,
adotando novos hábitos na vida real. Se somarmos essa prática
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 83

ao poder da fé e ao mover do Espírito Santo sobre o homem


que deseja reeducar sua vida no modelo bíblico, teremos
resultados maravilhosos.

Estabelecendo Uma Meta

Novos hábitos acontecerão mais facilmente com o


estabelecimento de uma meta específica, alicerçada na Palavra
de Deus. Trace seus objetivos não esquecendo de elementos
primordiais: fé, paciência, planejamento e dedicação, utilizando
o pensamento imaginativo a partir de um princípio bíblico
aplicável a sua vida.

Existem muitas maneiras de criar uma meta, porém, em


todas deve estar inserido:
- O que você precisa alcançar;
- A Prática dos princípios da Palavra de Deus para o caso
específico.

A meta específica deve estar clara na sua mente e em


seu coração. Você deve formular um alvo a partir de um
princípio ou promessa bíblica e deve ter o desejo de querer; em
seguida, memorizar passagens bíblicas relacionadas ao seu caso
específico e repeti-las várias vezes ao dia. Essa prática resume-
se em repetir para você mesmo versos bíblicos de acordo com
a meta a ser alcançada, enquanto você caminha, sobe e desce
escadas, senta-se numa poltrona, etc. Fale ou repita
mentalmente o seu alvo específico pelo menos três vezes ao
dia.

É cientificamente comprovada a relação íntima entre


ondas cerebrais e estado mental. Nosso estado mental e
emocional pode ter ligação com as ondas cerebrais
denominadas: Beta, Alfa, Teta e Delta. O estado Alfa se
manifesta relativamente fácil quando relaxamos o corpo físico
e aquietamos a mente. É neste nível – alfa - que a mente está
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 84

mais receptiva. A musicoterapia (com louvor instrumental) é


um excelente meio para se chegar a este nível. Seu momento de
meditação bíblica pode ser acompanhado pelo louvor e
adoração musical, criando um ambiente sereno da presença de
Deus.

Os ocidentais, mesmo os cristãos, têm dificuldades com


a meditação, mas há exercícios que ajudam no direcionamento
da imaginação para os princípios bíblicos, evitando uma série
de pensamentos desordenados.

Mesmo que já tenha memorizado sua meta, continue


repetindo-a durante algumas semanas. O processo traz bons
resultados porque nossa memória funciona bem com a
repetição. Não basta apenas formular uma meta bíblica e
repeti-la, insistentemente, por certo período. É preciso estar
condicionado para a mudança: desejo, determinação,
perseverança e fé.

Tela Mental
Esta é uma forma de se gravar imagens como fatos.
Escolhida a meta bíblica que deseja representar na imaginação,
o aconselhado cria seu cenário interior, tornando-se seu
próprio assistente e diretor, apresentando cenas adequadas ao
alvo estabelecido.

Salmo 19:14 “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu


coração sejam agradáveis na tua presença”.

Em termos seqüenciais o processo apresentado até


aqui funciona na seguinte ordem:
− A pessoa conscientemente passa a adotar atitudes e atos
corretos todos os dias;
− Repete todos os atos corretos na imaginação até vê-los
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 85

claramente;
− Medita profundamente nos textos bíblicos selecionados,
procurando assimilar a vontade de Deus para sua vida;
− Repete na mente as atitudes corretas que Deus expressa na
Bíblia, como se fossem reais até poder senti-las claramente;
− Repete os mecanismos de êxito três vezes ao dia, uma em
cada turno;
− Continua exercitando na imaginação as experiências nas
quais tenha sido bem sucedido.

O aconselhado deve ter consciência que fé é a certeza


de coisas que se esperam. Não é possível exercer a fé se não
esperamos nada. Antes de tudo deve haver um alvo que
sintetize o modelo de comportamento que pretendemos
alcançar. Este alvo torna-se claro quando é visto com os olhos
d'alma.

Com estes princípios elementares uma pessoa poderá


condicionar-se a qualquer atitude, emoção, reação e hábito.

Lembramos que as técnicas de ajuda aqui apresentadas


não surtirão o efeito desejado se estiverem desconectadas dos
demais elementos inerentes à reengenharia da alma:
determinação, arrependimento, perdão, confissão, fé e
perseverança.

A reengenharia da alma não se propõe a funcionar


como cosmético maquiador, disfarçando ou atenuando
marcas e defeitos do caráter; os diversos períodos do método
partem do princípio de que toda a alma deve iniciar um
processo contínuo de transformação, despojando velhos
hábitos, renovando o pensamento, os sentimentos e a vontade
na Palavra de Deus, resultando um novo comportamento, no
modelo bíblico.

Pensamentos, sentimentos e desejos só podem ser


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 86

tratados e transformados em profundidade se a vida deixar de


ser centrada no ego e passar para Cristo. Quanto maior for a
entrega e o redirecionamento de setores da vida pessoal para
os cuidados e senhorio de Cristo, melhores serão os frutos
colhidos.

O Espiritual e o Humano

Todas as terapias Teocêntricas são simples ferramentas


de ajuda no desdobramento da reengenharia da alma. Estas
ferramentas não mudam e nem enfraquecem a metodologia
bíblica. Elas tão somente possibilitam resultados mais rápidos,
se devidamente aplicadas.

Na reengenharia da alma existe o lado humano e o


divino; no campo humano há vários aspectos técnicos que
ajudam na fixação de conceitos espirituais. O aspecto técnico
consiste numa prática de alguns exercícios de concentração
para fixar e gravar um propósito de ação criado a partir do
modelo bíblico.
 Tudo sobre o qual nos concentramos repetidas vezes,
desenvolve-se;
 Aquilo que nos concentramos parece real para o
sistema nervoso e cérebro;
 Há uma forte tendência de passamos a ser ou viver
aquilo sobre o que nos concentramos.

O aconselhado deve concentrar-se nas declarações


bíblicas selecionadas sobre seu caso específico. Primeiro é a
concentração, em seguida vem a reflexão, o ponderar, a análise
e meditação sobre o conteúdo das declarações, combinando
pensamento com imaginação bíblica direcionada. O processo
contemplativo de imagens mentais tem que ser gerado a partir
de um princípio bíblico de comportamento e não de uma
imaginação aleatória de caráter pessoal.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 87

Meditar Sobre Nossa Nova Identidade


Repetimos aqui o que tratamos no Capítulo 5 por
considerarmos o fundamento da Psicoterapia Teocêntrica para
a cura dos traumas emocionais:
A técnica: concentração, reflexão e meditação.

1- A premissa básica é pensar e meditar sobre o que Deus diz


sobre o homem renascido em Cristo, em Sua Palavra. O
aconselhado deve ler na Bíblia as passagens aplicáveis ao seu
caso específico. Se estiver dominado por emoções negativas,
será de grande valor a identificação de versículos que abordam
o assunto. Feita a seleção dos textos bíblicos, iniciará uma
leitura meditativa sobre cada palavra e princípio de vida
correspondente ao seu caso.

2 - O segundo passo é ter uma visão consubstanciada da


declaração bíblica. Com os recursos do pensamento,
sentimento e vontade, o aconselhado, diante dos textos
bíblicos, imaginará situações concretas sobre sua vida,
movendo-se num cenário virtual, vivendo mentalmente uma
realidade desejada por Deus e apresentada na Bíblia.

3 - O terceiro e último passo está na repetição desse processo


até que o aconselhado sinta-se revestido de fé e passe a viver o
novo modelo bíblico de comportamento. Essa prática deve ser
repetida várias vezes, durante um bom período de tempo, em
três etapas diárias de meditação.
1. A primeira no turno da manha,
2. A segunda pela tarde e
3. A última à noite, antes de dormir.

Não há um tempo pré-fixado para a cura. Ótimos


resultados podem vir dentro de poucos dias; outros casos
exigem meses e até anos para uma reengenharia completa.
Tudo vai depender da fé, do esforço, da vontade, determinação
e perseverança de cada pessoa.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 88

Lembramos tão somente que a reengenharia da alma


deverá ser vista sempre como uma reeducação contínua na
Palavra de Deus, mesmo que os primeiros resultados sejam
alcançados e que não haja a necessidade de encarar a nova
realidade de vida como objeto de transformação e sim de
conservação de novos valores.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 89

Capítulo 10
A Natureza de Cristo em Nós
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 91

Assim como trouxemos a imagem de Adão, devemos trazer a


imagem de Cristo.

E, assim como trouxemos a imagem do terreno, Devemos


trazer também a imagem do celestial. I Co 15:49

A conversão a Jesus Cristo faz surgir uma nova


natureza no interior do homem renascido. O salvo é herdeiro
da natureza de Cristo. Esta herança espiritual não é genética,
mas recebida numa experiência chamada de “nascimento
espiritual”, que acontece na conversão do homem a Jesus, e
que continua por toda a vida terrena, até o dia de sua
glorificação, onde corpo, alma e espírito se tornarão
incorruptíveis e imortais à semelhança de Cristo.

A natureza de Cristo, implantada no homem


convertido, enfrenta a oposição da natureza adâmica, que luta
para permanecer com seu espaço e domínio. Diante disso o
cristão deve estar preparado para as dificuldades. Haverá lutas
intensas envolvendo o confronto de naturezas opostas:
espiritual x carnal. Lutas sim, paranóia não. Não se trata de um
conflito de dupla personalidade, mas de domínio de naturezas.

O discípulo de Jesus precisa conquistar a vitória sobre


os pontos negativos da velha natureza, subjugando-os
diariamente pelas virtudes da nova herança em Cristo. Todas as
potências da alma estão envolvidas nessa peleja, mas cabe à
vontade, a decisão final: a quem obedecer? Os impulsos da
carne ou à vontade de Deus?
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 92

Somos conscientes de que o maior propósito de nossa


herança espiritual é a nossa formação na imagem e
semelhança de Cristo. Quem já experimentou a conversão a
Cristo é filho de Deus (Jo 1:12;Rm 8:14-17) e partilha da
natureza Divina. Logo em seguida à conversão já estamos em
pleno processo de transformação espiritual e o
desenvolvimento do nosso caráter, segundo a estatura de
Cristo, deve ser buscado com todas as forças de que dispomos.
(Gl 2:20).

Até a volta do Senhor Jesus o cristão terá constantes


conflitos de natureza (carne x Espírito). Por este motivo o
convertido tem que nutrir a disposição de perseverar fazendo a
vontade do Senhor, perseguindo o objetivo maior de sua
herança espiritual: ser à imagem e semelhança de Jesus Cristo.

Somente na glorificação dos salvos é que o supremo


propósito de Deus será plenamente cumprido em nós: a
natureza de Cristo nos envolverá em sua magnitude; seremos
transformados na imagem e semelhança de nosso Salvador e
Senhor. Até que cheque esse glorioso dia, nosso dever é
prosseguir em santificação até o fim, com os recursos que a
Bíblia nos oferece.

 O Domínio do Espírito Santo - O discípulo de Jesus


tem em seu coração o Espírito Santo. Ele é uma fonte
de poder inesgotável que ajudará o discípulo a crescer à
imagem de Cristo. O discípulo sob o controle do
Espírito Santo é chamado de homem espiritual ( I Co
2:14-15 ); O homem espiritual tem um mover
constante da presença do Espírito Santo dentro de si.
Esta presença modela o seu caráter, produzindo frutos
do Espírito. (Gl 5:22-26). Ele nos lava e purifica de
todo pecado. (Tito 3:5)
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 93

 O Discipulado - A maturidade, o desenvolvimento do


caráter e o crescimento espiritual do discípulo são
atingidos através do discipulado. Mt 11:29 - O aprender
de Cristo é um imperativo dado pelo próprio Senhor; o
discípulo é um aprendiz e Jesus é o Mestre; ser
discípulo significa aprender sempre, estar envolvido
numa experiência que dura a vida toda, em convivência
com Jesus como Senhor e mestre por excelência. É a
obediência aos mandamentos do Mestre que caracteriza
o verdadeiro discípulo. Jo15 :14 - O discípulo precisa
aprender a confiar e obedecer, a amar e a perdoar, a
sofrer e a servir. O discipulado também acontece
através dos irmãos mais velhos, os quais instruem os
mais novos na caminhada cristã.

Modulação na Imagem de Cristo


Toda a personalidade do discípulo de Jesus Cristo é
tocada pela presença do Espírito Santo na presente
dispensação, e no porvir o crente fiel será totalmente
transformado à imagem e semelhança do Filho de Deus.

Este livro não trata das questões escatológicas, aponta


somente para a necessidade de modularmos nossas vivências
segundo o modelo perfeito, Jesus Cristo. A Bíblia endossa esse
pensamento:

“... nós anunciamos, admoestando a todo homem, e ensinando


a todo homem em toda a sabedoria, para que apresentemos
todo homem perfeito em Cristo”. Cl 1:28

“ Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai


celestial”. Mt 5:48

“ para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente


preparado para toda boa obra”. 2 Tm 3:17
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 94

O Espírito Santo e a Bíblia Sagrada são os dois grandes


agentes que possibilitam a modulação de uma natureza adâmica
para a de Cristo. Desde Gênesis observamos que a Palavra de
Deus e o Espírito Deus trabalham em perfeita sintonia na
criação e edificação. Assim também acontece na reengenharia
do homem interior à imagem de Cristo.

Pela oposição da natureza adâmica não é possível


alcançarmos o mesmo nível de perfeição dos atributos de
Cristo. Não existe uma transformação de uma natureza para a
outra no momento da conversão. As duas naturezas estarão
presentes no homem interior até o túmulo. A velha natureza,
mesmo na vida dos renascidos, continua atuante até que seja
totalmente erradicada na glorificação, por ocasião da volta de
Cristo.

Mesmo não sendo possível uma transformação de


naturezas, existe a possibilidade de uma reengenharia da alma,
o que chamaremos aqui de modulação. A mudança de foco, de
domínio e controle de comportamento, passa da velha natureza
para a nova, numa combinação de esforço humano e ação do
Espírito Santo. A modulação está basicamente no aspecto de
uma vida centrada na natureza de Cristo em vez de uma vida
centrada no ego.

Modulação é a capacidade de transitar de um nível


emocional para outro, pelo exercício da vontade, sob controle
do Espírito Santo.
Se considerarmos, por exemplo, a “irritabilidade” como
um ponto negativo de uma pessoa, conseqüência direta de um
trauma, a transição de mudança será visível, ainda que resíduos
de “irritabilidade” sejam detectados em todos os níveis desse
ponto.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 95

Faixa da Irritabilidade
1- Sempre 2- Na maioria 3- De vez em quando - 4- Raramente.

Modulação – Transitar do nível 1 para o nível 4:


1 – Indivíduo sempre irritado
2 – Indivíduo irritado
3- Indivíduo pouco irritado
4- Indivíduo raramente irritado (Nível de Domínio)

A modulação permite transitar e estacionar em qualquer um


dos níveis da mesma faixa emocional (1-2-3-4).

Enquanto aguardamos o dia da glorificação de nosso


corpo, contamos com a preciosa ajuda do Espírito Santo na
direção de nossas vidas. O fruto do Espírito – amor, alegria,
paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,
mansidão e domínio próprio – representa aquilo que Deus
deseja de melhor para cada um de seus filhos. O fruto do
Espírito é a providência divina para a completa satisfação do
homem interior. Gl 5:22-23. Essas nove forças motivacionais
são capazes de suprir qualquer necessidade afetiva e de corrigir
os mais diversos desequilíbrios emocionais, incluindo as
experiências traumáticas.

Não importam quais sejam as falhas de uma pessoa, o


Espírito Santo presta auxílio na modulação de todas as
deficiências e pontos fracos de um indivíduo, desde que ele
queira viver sob o domínio da natureza de Cristo.

A reengenharia da alma, processada pelo Espírito de


Deus, em conseqüência da submissão do homem a Cristo, não
destrói sua individualidade, mas dar ao intelecto uma
consciência maior dos perigos de suas fraquezas particulares,
fortalece o ânimo para prevalecer sobre o pecado, motiva o
sentimento de amor a Cristo, resultando numa modelagem do
cristão à semelhança da natureza de Jesus.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 96

A reengenharia da alma não destrói a liberdade


humana. Quando nos santificamos, nossa vontade passa a ter
atributos da natureza de Cristo e como resultado temos uma
nova visão, novos ideais e períodos mais longos de desprazer
para com o pecado.

Essa reengenharia também não cria uma maturidade


instantânea, mas possibilita imediatamente níveis crescentes
de amadurecimento, através da santificação, numa magnitude
inigualável.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 97

Anexo
Vencendo a Amargura
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 99

Quando um sentimento doloroso é arrastado pelo tempo é


sinal de que a cura interior ainda não aconteceu

Textos - I Reis 2.1-6 e - Hebreus 12:15

Há pessoas que guardaram mágoas em seus corações


por mais de vinte anos e estas mágoas criaram raízes
profundas, ao longo desse tempo, assumindo parte ou
totalidade do caráter e comportamento dessas pessoas.
Os traumas são feridas emocionais resultantes de
experiências dolorosas. Eles propiciam o terreno fértil para que
raízes de amargura sejam geradas no coração das pessoas.

Exemplo:Um filho adulto guarda mágoa do pai desde a infância por


causa de uma disciplina que sofreu ou o caso de uma esposa que não
perdoa o marido por algo que ele fez na lua de mel. Estes são
exemplos de raízes de amargura ou ressentimentos que se estabeleceram
e se desenvolveram com o tempo porque nenhuma providência foi
tomada no sentido de cortar o mal pela raiz.

O que é ressentimento?
É sentir de novo todas as emoções ruins provocadas por uma
mágoa guardada no coração e enraizada pelo tempo. É sentir
profundamente, estar magoado, ofendido, ferido, afligido,
triste, desgostoso, angustiado.

Ressentir é trazer á tona momentos ruins dolorosos,


inacabados, uma sensação de amargura, raiva ou vingança. É
ficar contemplando cenas de um passado doloroso, através de
imagens mentais; Reviver com as mesmas sensações fatos que
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 100

nos causaram mágoas.

Esses sentimentos ruins tendem a permanecer


escondidos no coração de tal maneira que as pessoas não
percebem de imediato. Por algum tempo, todos acham que
está tudo bem, mas um dia os frutos amargos são produzidos
e os prejuízos são enormes.
A mágoa plantada no coração é como um veneno que
você toma e espera que o outro morra (mas quem está se
envenenando é você!). Há pessoas que vivem no veneno.
Li, já faz um bom tempo, sobre a história de Amós e
Andy, apresentada num programa de televisão nos Estados
Unidos. Andy estava muito chateado porque um colega sempre
que o via dava-lhe um tapa no peito como forma de saudação.
Aquilo deixava Andy furioso. Um dia ele teve a idéia de
vingança e colocou uma bomba no peito, por baixo da roupa
para destruir a mão do colega no momento que repetisse
aquela brincadeira desagradável. O problema é que Andy
esqueceu que não só a mão do colega seria destruída, mas o
seu próprio coração e vida. ¹

Ressentimentos causam isolamento social e quebra de


relacionamentos.

(PV 18:19) "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do


que uma cidade forte;

Construímos muros emocionais ao nosso redor quando


somos feridos por alguém.
Ficamos fechados no intuito de guardar nossos corações e
preveni-lo de futuras feridas.

1 A Psiquiatria de Deus -Ed. Betânia -


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 101

Como medida de ataque usamos o silêncio vingativo,


ficamos isolados do convívio de determinadas pessoas,
barrando a aproximação de todos que nos magoaram,
negando-lhes o acesso a nossa vida até que nos paguem tudo o
que nos devem.

Ressentimentos e mágoas estão diretamente associados


com outros problemas comportamentais: rejeição, vergonha,
sentimento de indignidade, auto-compaixão, insegurança,
contenda, dissensão, ira, ódio e vingança. Todos esses
sentimentos negativos provocam doenças: úlceras, palpitações,
taquicardia, pressão alta, enfarto, insônia, artrite, dores de
cabeça, doenças de pele, etc.

O ressentimento é uma cadeia que lhe prende às


emoções negativas, impedindo seu crescimento na fé e
espiritualidade. É também uma cadeia que lhe prende ao
passado, impedindo-lhe de ser e ver o que Deus deseja para
você hoje.

A Bíblia nos dá um exemplo sobre o ressentimento na


vida de um homem que durante toda a sua existência foi
exemplo de uma pessoa emocionalmente equilibrada, mas que
um dia se deixou abater por mágoas. O rei Davi quando estava
velho, já para morrer, deu algumas ordens a seu filho e
sucessor Salomão e também mencionou sobre Joabe, pedindo
a seu filho que se vingasse por ele e não deixasse Joabe morrer
em paz. I Rs 2:1-6

O grande problema do ressentimento é a falta de


perdão. A falta de perdão bloqueia as bênçãos de Deus sobre
nossa vida. Veja que não se trata de Deus não querer abençoar,
mas de que a falta do perdão impede de que as bênçãos
cheguem até nós.

(IS 59:1) "EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 102

não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir."
(IS 59:2) "Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o
vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para
que não vos ouça."

Se perdoarmos seremos perdoados, se não perdoarmos não


seremos perdoados.

Mt 6:14,15 – Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas,


também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes
aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as
vossas ofensas.

Se retivermos o perdão Satanás alcançará vantagem


sobre nós. A falta de perdão nos mantém em escravidão. Se
não perdoarmos seremos um alvo fácil dos espíritos
atormentadores.

II Coríntios 2:10,11 – A quem perdoais alguma coisa, também eu


perdôo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa
tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; para
que satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos
os desígnios.

Recomendações Bíblicas Para Lidar Com Os


Ressentimentos

É importante que cada um saiba que não podemos


evitar um trauma emocional e suas conseqüências imediatas,
tais como: mágoa e ira. Mas, sobre cada um paira a
responsabilidade da escolha. Somos nós que escolhemos viver
ou não o resto da vida com estes ressentimentos.
A Bíblia Sagrada aponta várias providências para
evitarmos que este mal venha nos destruir.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 103

O exemplo de Perdão de José do Egito

Você pode ter como exemplo a vida de José – filho de


Jacó - onde seus irmãos lhe intentaram o mal, porém Deus
abençoou José grandemente, chegando a ser o braço direito de
Faraó. E José não se vingou de seus irmãos no momento em
que teve a oportunidade, mas pelo contrario, os perdoou e os
ajudou.
Vejamos, a seguir, algumas preciosas recomendações
bíblicas para lidarmos com os ressentimentos:

Confissão e Arrependimento
Há muitas pessoas em nosso meio que precisam muito
mais de arrependimento e confissão de pecados do que
tratamento psicológico. Suas vidas estão superlotadas de lixo.
São portadoras de enfermidades físicas e diversos problemas
emocionais porque guardam sentimentos maldosos para com
outras pessoas. Podem ser totalmente curadas quando
estiverem dispostas a confessar seus pecados e a ministrar o
perdão.

(SL 32:3) "Quando eu guardei silêncio, secaram os meus


ossos...."
(1JO 1:9) "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a
injustiça."

Você deverá tentar descobrir, com uma auto-análise, a


existência de mágoas ocultas, necessidades insatisfeitas,
emoções reprimidas, que muitas vezes lhe impedem de alcançar
vida social equilibrada. Saiba que não acontecerá a cura
enquanto as lembranças penosas não forem localizadas e
tratadas com oração e confissão.

A importância da confissão - No jornal Lexington


Homo Psíquico – Traumas Emocionais 104

Herald-Leader (EUA) de 23/09/84 já trazia um artigo


afirmando que a confissão, sem levar em conta o que possa
fazer para a alma, faz bem para o corpo. Estudos mostram de
modo convincente que as pessoas que confiam a outras seus
sentimentos e segredos perturbados ou algum evento
traumático, em lugar de suportarem sozinhas os problemas, são
menos vulneráveis às moléstias.

Dr. James Pennebaker, da Escola de Medicina Johns


Hopkins diz, em The Journal of Abnormal Psichology, que
há benefícios para a saúde quando nossos segredos mais
penosos são compartilhados com os outros. Ele diz ainda que
o ato de confiar em alguém protege o corpo contra tensões
internas prejudiciais que são o castigo por levarmos um fardo
emocional, como, por exemplo, um remorso reprimido. Os
fatos foram também confirmados por pesquisas recentes da
Universidade de Harvard. (A Cura das Memórias - David A
Seamands, pág.48)

Não se ponha o sol sobre a vossa ira

A recomendação bíblica em Ef 4:26 e Sl 4:4 é para o


homem não dormir com mágoas no coração. As mágoas não
devem ficar dentro do coração até o dia seguinte. Temos que
resolver o problema antes de dormir, liberando perdão a quem
nos ofendeu.

Perdoar não é sentimento, é decisão. A palavra de Deus


não diz para perdoarmos, quando tudo estiver bem; ela nos
ordena a perdoar como forma de decisão e não por
sentimentos. Trata-se de uma obediência ao mandamento do
Senhor.
Saiba que enquanto não perdoarmos, nossas emoções
estarão presas, por isso temos que tomar a decisão de perdoar,
para que haja a libertação dessas emoções.
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 105

Antes de tomarmos a decisão de perdoar, estamos


debaixo do poder de escravidão do pecado. Após tomarmos a
decisão de perdoar teremos a comunhão com o Senhor
restaurada e a graça fluirá suficientemente para nos libertar de
toda raiz de amargura (rejeição, ressentimento, ira, contenda,
dissensão, mágoas e vinganças). Quando o perdão for
consumado, nossas emoções serão gradativamente libertas e a
sensações de alívio e paz serão restabelecidas em nosso ser.

Temos que Perdoar como Deus perdoa. O SENHOR


não traz de volta um pecado que foi perdoado.

Isaías 43:25 – Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões


por amor de mim dos teus pecados não me lembro.

Essa historia de que “perdôo mas não esqueço” não é


perdão. Perdoar significa cancelar a dívida. Quando o perdão é
concedido, aquele que nos ofendeu fica livre e não tem mais
nenhum débito para conosco. Não devemos ficar lembrando
do que já foi perdoado.
Não fique revivendo um fato ruim. Não esteja
ruminando o sentimento de mágoa de um acontecimento
preso ao passado. Libere perdão e continue a vida.
(LM 3:21) "Disto me recordarei na minha mente; aquilo que me dá
esperança."
Cl 3:13 – Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente,
caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o
Senhor vos perdoou assim também perdoai vós.

Saiba que o perdão é o Machado que Deus coloca à


disposição de todo homem para cortar as raízes de amargura e
libertar vidas de experiências emocionais dolorosas do passado.
Perdoar é imitar o Senhor Jesus, rasgar o escrito de
dívida contra nosso próximo. Perdoar é deixar que Deus ame a
outra pessoa através de nossa vida.
Que Deus lhe abençoe rica e abundantemente!
Homo Psíquico – Traumas Emocionais 107

Bibliografia

BÍBLIAS
Bíblia 98 - Freeware - www.jesuslife.org - www.biblia.net e
outros
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Trinitariana do Brasil – 1994
Bíblia Sagrada – Edição Revista e Atualizada – Sociedade
Bíblica Barsileira - .

REVISTAS E JORNAIS
Revista - Aconselhamento Cristão – Editora Socep - Volume
XI
Jornal O Ultimato – Ed. Ultimato – Números: 263 e 282

LIVROS
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- 7ª edição – 1993;
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FL (USA);
BALEN, FREI CLAUDIO VAN - DINÂMICA
RELIGIOSA E CONSTRUÇÃO DO SER HUMANO.
ENSINO RELIGIOSO ESCOLAR - REVISTA DE
EDUCAÇÃO
AEC, Nº 88. Charbel Gráfica e Editora Ltda. Brasília, DF –
1993;
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Homo Psíquico – Traumas Emocionais 108

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CHERRY, REGINALD – A CURA PELA BÍBLIA – Ed.
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DORIN, LANNOY - ENCICLOPÉDIA DE
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Psicologia da Infância e da Adolescência - Desenvolvimento
Religioso - Cap. XI - 2º Volume. Livraria Editora Iracema Ltda,
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E.MIRA Y LÓPEZ -MANUAL DE PSICOTERAPIA -
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EMERICH, ALCIONE – MALDIÇÕES – O Que a Bíblia
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EMERICH, ALCIONE – FÍSICO, PSICOLÓGICO OU
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HOFF, PAUL – PASTOR COMO CONSELHEIRO – Ed.
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Homo Psíquico – Traumas Emocionais 109

HURDING, ROGER – A ÁRVORE DA CURA – Ed. Vida


Nova – São Paulo – 1ª Edição -1995;
J. HAROLD ELLENS - PSICOTERAPIA - CPPC - Editora
Sinodal – 1986
LAHAYE, TIM – POR QUE AGIMOS COMO AGIMOS? -
Abba Press – 1ª Edição – 1996;
LEON, JORGE - INTRODUÇÃO À PSICOLOGIA
PASTORAL – Sinodal – 1ª ed - 1996;
LINDZEY, GARDNER. HALL, CALVIN S. e
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PSICOLOGIA, Guanabara Koogan, 1ª edição – 1977;
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ORG, DONALD E. PRICE – Os Desafios do
Aconselhamento Pastoral – Soluções Práticas – Ed. Vida Nova
– 2002;
READER'S DIGEST BRASIL LTDA – Alimentos saudáveis –
Alimentos perigosos – Rio de Janeiro – 1ª edição – Agosto de
1999
ROSSI, ANA MARIA – AUTOOCNTROLE: Nova Maneira
de Controlar o Estresse – ED. Rosa dos Tempos – 5ª ed. - RJ –
1994;
RUDIO, FRANZ VICTOR - ORIENTAÇÃO NÃO
DIRETIVA na educação, no aconselhamento e na psicoterapia.
11ª ed. Petrópolis, VOZES, 1991. p. 12 – 13.
RUTHE, REINHOLD – PRÁTICA DO
ACONSELHAMENTO TERAPÊUTICO - Ed. Luz e Vida –
1ª Edição – 2000;
RUTHE, REINHOLD – ACONSELHAMENTO – Como se
faz? Ed. Luz e Vida – 1ª Edição – 1999.
0

APOSTILA
TEOTERAPIA

Profa. Sibeli Molina Mendes


Bacharel em Teologia
Turma 1º 2012
1

1. TERAPIA

1.1. Psique era o conceito grego para o self ("si-mesmo"), abrangendo as idéias
modernas de alma, Ego e mente. Do grego psychein ("soprar"), é uma
palavra ambígua que significava originalmente "alento" e posteriormente,
"sopro". Dado que o alento é uma das características da vida, a expressão
"psique" era utilizada como um sinônimo de vida e por fim, como sinônimo
de alma, considerada então o princípio da vida.

1.2. Emoção, numa definição mais geral, é um impulso neural que move um
organismo para a ação. A emoção se diferencia do sentimento, porque,
conforme observado, é um estado psico-fisiológico. O sentimento, por
outro lado, é a emoção filtrada através dos centros cognitivos do cerebro,
especificamente o lobo frontal, produzindo uma mudança fisiológica em
acréscimo à mudança psico-fisiológica. Daniel Goleman, em seu livro
Inteligência Emocional, discute esta diferenciação por extenso. A palavra
emoção provém do latim emotionem, "movimento, comoção, ato de
mover". É derivado tardio duma forma composta de duas palavras latinas:
ex, "fora, para fora", e motio, "movimento, ação", "comoção" e "gesto".
Esta formação latina será tomada como empréstimo por todas as línguas
modernas européias. A primeira documentação do francês émotion é de
1538. A do inglês emotion é de 1579. Do italiano emozione, o português
emoção datam do começo do seculo XVII. Nas duas primeiras línguas, a
acepção mais antiga é a de "agitação popular, desordem". Posteriormente,
é documentada no sentido de "agitação da mente ou do espírito". A palavra
aparece normalmente denotando a natureza imediata dessa agitação nos
humanos e a forma em que é experimentada por eles, ainda que em
algumas culturas e em certos modos de pensamento é atribuída a todos os
seres vivos.

TERAPIA seria portanto o reconhecimento dessas emoções na psique


humana junto a necessidade de organização dessas emoçoes dentro de sua
alma.
2

2.THEOTERAPIA

2.1. THEO- DEUS - A personagem principal da Bíblia é o próprio Deus. O


maior mandamento da Bíblia é amar a Deus. O mais alto privilégio que um homem
pode ter é conhecê-lo.

2.2. HOMEM - Quando usamos a ciência para definir o homem o que


conseguimos é isso: que o Homem é o nome geral dado ao ser humano, animal bípede
da família dos primatas, pertencente à espécie Homo sapiens. São chamados de homem
(sentido estrito) os integrantes do sexo masculino e mulher os do sexo feminino.
Usando a Bíblia como referência vê-se que o homem é uma criatura de Deus,
“O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro
da vida, e o homem transformou-se num ser vivo”. E precisamente este homem, “ser
vivo”, distingue-se em seguida de todos os outros seres vivos do mundo visível. O que
leva a concluir a existência desses “distinguir-se” do homem é exatamente o fato de só
ele ser capaz de “cultivar a terra” (Gn. 2: 5) e de “a dominar” (Gn. 1: 28). Pode-se
dizer que a consciência da “superioridade” inscrita na definição de humanidade, nasce
desde o princípio baseada num atuar ou comportar-se tipicamente humano. Essa
consciência traz consigo especial percepção do significado do corpo em si. Tanto a
ciência quanto a Bíblia ensina que o homem ocupa o primeiro lugar no seio da natureza.
Sua criação deu-se no sexto dia como coroamento das obras que Deus fez nos cinco dias
ou períodos anteriores. A Bíblia afirma assim a posição especial que o homem tem pelo
fato de ser o único ser criado à imagem do seu Criador. Esses privilégios é que levaram
o salmista a cantar um hino de glória ao homem dizendo: “Quem é o homem para que te
lembres dele e o filho do homem para que o visites? Pois o fizeste pouco menor do que
os anjos, de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas
mãos: tudo puseste debaixo dos seus pés” (Sl. 8: 4, 6).
3

2.3. A VIDA
A vida transcorre em estreita ligação com as pessoas. Em sua natureza
comunitária, o ser humano experimenta a lei da reciprocidade, segundo a qual
acertadamente se afirma: “Nenhum homem é uma ilha”. Pois, a vida se compõe de
relacionamentos.
Segundo o minidicionário da Língua Portuguesa relacionamento é: o ato de
relacionar ou relacionar-se; relacionação; relação; capacidade de relacionar-se ou
conviver com os outros; comportamento pessoal e social.
O homem que cada dia mais solitário torna-se cada vez mais individualista. No
religar com Deus há, também, uma religação total do ser humano consigo mesmo. Com
isso, há o existir completo, integrando o psicológico, físico, social e o espiritual.
É a espiritualidade que une, liga re-liga e integra. Ela e não a religião ajuda a
compor as alternativas de um novo paradigma civilizatório. Ao “complexo de Deus” é
proposto de acordo com Leonardo Boff “nascimento de Deus” dentro de cada pessoa,
da história, da humanidade e sua aparição no universo. Pois, diante dos problemas,
haverá o poder de Deus para enfrentá-los com confiança, segurança, humildade e
paciência diminuindo as possibilidades de que o corpo e a mente adoeçam.
Um dia mais precisamente no dia 7 de janeiro do ano de 1855, Charles Haddon
Spurgeon, em sermão na capela da Rua New Park disse algo que cabe aqui ressaltar
devido o assunto tratado.

Já foi dito por alguém que "o estudo adequado da humanidade é o próprio
homem". Não me oponho à idéia, mas creio ser igualmente verdadeiro que o
estudo correto do eleito de Deus é Deus; o estudo apropriado ao cristão é a
divindade. A mais alta ciência, a mais elevada especulação, a mais poderosa
filosofia que possa prender a atenção de um filho de Deus é o nome, a
natureza, a pessoa, a obra, as ações e a existência do grande Deus, a quem
chama Pai.
Nada é melhor para o desenvolvimento da mente que contemplar a divindade.
Trata-se de um assunto tão vasto, que todos os nossos pensamentos se
perdem em sua imensidão; tão profundo que nosso orgulho desaparece em
sua infinitude. Podemos compreender e aprender muitos outros temas,
derivando deles certa satisfação pessoal e pensando enquanto seguimos nosso
caminho: "Olhe, sou sábio". Mas quando chegamos a esta ciência superior e
descobrimos que nosso fio de prumo não consegue sondar sua profundidade e
nossos olhos de águia não podem ver sua altura, nos afastamos pensando que
o homem vaidoso pode ser sábio, mas não passa de um potro selvagem,
exclamando então solenemente: "Nasci ontem e nada sei". Nenhum tema
contemplativo tende a humilhar mais a mente que os pensamentos sobre
Deus...
Ao mesmo tempo, porém, que este assunto humilha a mente, também a
expande. Aquele que pensa com freqüência em Deus terá a mente mais aberta
que alguém que apenas caminha penosamente por este estreito globo. [...] O
melhor estudo para expandir a alma é a ciência de Cristo, e este crucificado, e
4

o conhecimento da divindade na gloriosa trindade. Nada alargará mais o


intelecto, nada expandirá mais a alma do homem que a investigação
dedicada, cuidadosa e contínua do grande tema da divindade.
Ao mesmo tempo em que humilha e expande, este assunto é eminentemente
consolador. Na contemplação de Cristo existe um bálsamo para cada ferida;
na meditação sobre o Pai, há consolo para todas as tristezas, e na influência
do Espírito Santo, alívio para todas as mágoas. Você quer esquecer sua
tristeza? Quer livrar-se de seus cuidados? Então, vá, atire-se no mais
profundo mar da divindade; perca-se na sua imensidão, e sairá dele
completamente descansado, reanimado e revigorado. Não conheço coisa que
possa confortar mais a alma, acalmar as ondas da tristeza e da mágoa,
pacificar os ventos da provação que a meditação piedosa a respeito da
divindade.

Como vemos, este sermão mostra muito bem que, o relacionar ou meditar em
Deus traz saúde ao homem, pois este só é completo em Cristo. A maioria das pessoas
está buscando viver através das suas emoções, admirando suas habilidades, achando-se
importantes, outras valorizam suas experiências, outras se acham “supers”, melhores do
que os demais acham que sua eloqüência supera a todos, que sua rapidez de ação e
exatidão é superior, e assim por diante. Mas, na realidade todos sabem, ou estão
descobrindo que, o seu interior e o seu exterior não estão em harmonia, pois tendem por
caminhos opostos. O interior é o lado da espiritualidade do ser humano, e o exterior a
mente, razão. Deus tem que habitar o interior do homem através do Espírito Santo para
que haja harmonia entre interior e exterior, pois a obra do Espírito é expressar a saúde
de Cristo no viver da humanidade. Por isso, o homem precisa do Deus revelado em
Jesus através do Espírito Santo.
Quando Deus determinou criar a raça humana, ele estabeleceu alguns
propósitos e parâmetros para um bom relacionamento entre criador e criatura. Esses
propósitos e parâmetros são descritos pela Bíblia e por nossa teologia na forma de
orientações como vemos nos livros de salmos, provérbios e outros
Por que o relacionamento é tão difícil para certas pessoas? Certamente por
terem um vazio interior, há o medo de relacionar-se, pois esse vazio, mais cedo ou mais
tarde será exposto. Para essas pessoas parece mais seguro manter-se distante.
Relacionar significa compartilhar. Faz parte do ser humano manter
relacionamento entre si, para isso ele foi criado, e que para tanto se exige conteúdo. “O
que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente,
mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho,
Jesus Cristo” (1 Jo. 1: 3).
A uma necessidade de um relacionamento pessoal e profundo que está
enraizado na natureza humana. Este deve à sua existência, não às forças impessoais, e
5

sim, a um Criador pessoal. Foi o próprio Criador quem disse: “Não é bom que o homem
esteja só” (Gn. 2: 18). O ser humano é um ser pessoal, planejado para relacionamentos
plenos e vibrantes. Contudo, o pecado destruiu o relacionamento. Ele separa o homem
de Deus e dos outros, afastando-o daquilo que é necessário à sua natureza. Talvez não
haja nenhum sintoma do pecado mais óbvio que a profunda e latejante dor do
isolamento. E, no pecado, não há gemido mais desesperador do que aquele que pede a
libertação do homem da sua solidão.
Mas, independente do quanto o homem precisa de relacionamento, a
necessidade mais vital, a única sem a qual não se pode sobreviver, é a de ter uma
relação com Deus. “Em cada homem há solidão, um local interno de vida peculiar no
qual somente Deus pode entrar” (George MacDonald). O desejo do homem por Deus é
uma dependência criada de propósito. A humanidade falha em não deixar-Lo suprir sua
necessidade pelo amor, se não se encontra N’ele a solução da solidão humana, força-se
então um mandato impossível a outros seres. Exige-se dos outros uma satisfação que
são incapazes de proporcionarem. Somente o Deus infinito pode identificar-se com sua
criação de maneira completa. E mesmo com Deus, o que se pode ter nesta vida é apenas
uma amostra da união perfeita que será no céu. “Me deste esta solidão sem saída para
que fosse mais fácil eu te dar tudo”?
Cada geração tem um encontro consigo mesma e com sua história. Levando em
conta o princípio básico da existência: nascer, crescer e morrer, cada geração tem seu
próprio aprendizado no seu tempo de vida. O que se pode notar é que, diferente da
natureza, o ser humano tem séria dificuldade em aprender com o outro. As separações
entre as gerações são decorrentes da natureza essencial do homem, visto que diferente
da terra, que gira em torno do sol, o homem tem como eixo a si mesmo, já que desde o
Éden Deus deixou de ser o centro de sua existência. Esse egocentrismo fez com que o
apóstolo Paulo denominasse o indivíduo, enquanto ser natural, como filho da ira,
conforme se lê: “entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da
nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza
filhos da ira, como também os demais” (Ef. 2: 3).
A conseqüência deste comportamento apresenta-se em todos os aspectos da
existência, como por exemplo, na quebra de comunicação entre as pessoas, nas
expectativas frustradas que uns nutrem pelos outros, nos silêncios incontidos das
incompreensões pessoais. Quem dera o entendimento dessa verdade de si mesmo fosse
o suficiente para libertar o homem e habilitá-lo a conviver com o seu semelhante, mas
6

não o é. É preciso ter consciência de que, somente com Cristo surge à nova forma de
viver, sendo o homem incapaz de lidar consigo mesmo, e de desenvolver
relacionamentos profundos e duradouros mediante seu esforço próprio, esta é uma obra
que somente Deus através de Cristo pode fazer em nós. Como se lê em Efésios:

De levar a história à sua plenitude, reunindo o universo inteiro, tanto as


coisas celestes como as terrestres, sob uma só cabeça, Cristo [...]. Porque ele
é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de
separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade (Ef. 1: 10; 2:
14).

Observe que Jesus Cristo é o verdadeiro mediador de todas as relações, pois


por deixar-se crucificar Ele reconciliou o homem com Deus e com seu semelhante, uma
vez que derrubou a parede de separação que impedia o relacionamento interpessoal

ISSO É THEOTERAPIA!
7

3. THEOTERAPIA E SUA PRATICA

Jesus, não exige do cristão a sua separação das pessoas de má reputação.


E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do
fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora,
sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de
alabastro com ungüento; E, estando por detrás, aos seus pés, chorando,
começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da
sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento. Quando isto
viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora
profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma
pecadora. (Lc. 7: 36-39).

Essa atitude não é estranha em nossos dias. Não são poucas as manifestações
religiosas que ensinam seus fiéis a interpretarem o mundo dessa forma. Os pecadores,
os não religiosos ou os pertencentes à outra religião são demonizados, como se não
fossem alvos do grande amor de Deus. Quando muito, são vistos apenas como
candidatos a serem evangelizados e não como seres humanos plenos. A graça de Deus
procura desenvolver no ser humano uma atitude misericordiosa e graciosa, que vê em
cada pessoa diferente semelhante, cristão ou não. O relacionamento do homem para
com Deus precisa ser revisto, E que nesse religar com Deus através de Jesus Cristo há,
também, uma religação total do ser humano consigo mesmo com o outro. Com isso, há
o existir completo, integrando o psicológico, físico, social e o espiritual. Cuidar bem do
que lhe cerca. Seria cuidar da sua saúde física e mental, trabalhe com amor, cuide da sua
visão, acredite que você está, em todos os dias, iniciando o resto de sua vida e saiba que
nada que você tem é um direito adquirido e agradeça muito a Deus por tudo que tem.
John Lennon, disse que “a vida é aquilo que acontece enquanto estamos ocupados com
outras coisas”.
O Dr. Dias (2005) explica que a Theoterapia e uma associação entre a Teologia e
a necessidade curativa dentro da natureza humana quando diz:
A proposta da Theoterapia é integrar a teologia ao caráter terapêutico do ser humano.
No mundo atual as pessoas têm perdido o contato com Deus, com o próximo, consigo e
com a natureza, gerando uma alienação adoecida. (DIAS: 2005, p. 12).

Pergunte-se: “Qual a imagem que tenho de mim mesmo?” Cultive o hábito de


analisar sua forma de pensar e sentir, pois, se for negativa, você fica deprimido;

 Evite julgamentos negativos a respeito de si mesmo; Não acumule lixo em sua


alma; nada de guardar sentimentos de inferioridade, ira, ódio, rancor, amargura,
ressentimento, falta de perdão, inveja e ciúme. Peça ao Senhor para limpar seu
coração e levar o seu pensamento cativo à obediência de Cristo (II Coríntios 10:
3-5);
8

 Ocupe o seu pensamento com tudo que é bom e edificante (Filipenses 4: 8);
 Leia a Palavra de Deus e renove sua mente todos os dias (Romanos 12: 2). Ela
penetra no mais fundo do nosso ser, onde nenhum remédio, médico, psicólogo
ou psicanalista é capaz de penetrar e tratar; Ore, fale com o Senhor;
 Exerça o perdão diariamente. Não acumule em sua alma qualquer raiz de
amargura (Hebreus 12: 15);
 Cultive uma vida de louvor, oração e adoração a Deus (I Tessalonicenses 5: 16-
18);
 Participe de grupos de mútua-ajuda;
 Procure envolver-se em atividades de sua igreja. Descubra seus talentos e use-
os;
 Envolva-se em atividade agradáveis;
 Faça exercícios diariamente (caminhada, natação, ginástica, cultive um hobbie);
 Faça amizades. Não fomos feitos para vivermos isolados; os amigos podem
ajudar-nos em momentos difíceis de nossa vida (Provérbios 17: 17; 18: 24).

Os quesitos principais serão sempre na pratica de uma vida theoterapeutica:


aprender, aprender, aprender e aprender! Afinal, aprender tem que deixar de ser um
evento esporádico por ser principio de inteligência. Principalmente se
aproveitarmos a quantidade enorme de 'consultores' disponíveis gratuitamente que
são os nossos colegas.

“Lindo é o sol que não tem medo de morrer para nascer no outro dia.”
Joyce Morgan
Slides Data show power point: MILAGRES

Oração:
“Querido Deus, sei que me amas e, por isso, és paciente comigo. Sei que todas
as circunstâncias de minha vida estão sob o teu controle, e tudo o que tem me sucedido
é para o meu crescimento espiritual, emocional e físico. Porque me amas, sei que estás
sempre ao meu lado, ajudando-me a amadurecer e a desenvolver o teu amor em todas as
áreas da minha vida. Porque me amas, sei que sofres profundamente quando não ando
nos teus caminhos, duvido do teu poder ou não confio em tuas promessas, e leva-me ao
arrependimento para perdoar-me, dar-me uma nova unção, renovar as minhas forças
espirituais, emocionais e físicas, pois, com a tua graça sobre mim, sou capaz de suportar
todas as pressões da vida, e vencer. Sei que, porque me amas, continuas a operar em
minha vida quando tenho vontade de desistir de tudo e de todos. O teu amor por mim é
tão grande que não permites que desistas de mim. Por meio do teu grande amor e da tua
palavra, estás sempre me dizendo que há esperança para mim; e é esta força que me
motiva a prosseguir. Porque me amas, sei que nunca vais abandonar-me, mesmo que
amigos ou familiares me abandonem. Permaneces fiel ao meu lado, ajudando-me na
jornada da vida. Sou grata a ti, por tão grande amor que tens feito com que os meus
medos do dia a dia, não me impeçam de adorar, louvar e agradecer-te por eu existir e ser
tua filha amada. Amo-te, Senhor, de todo o meu coração! Recebe o meu amor e a minha
oração em Nome de Jesus Cristo, Amém!”
9

4. THEOTERAPIA NUMA ABORDAGEM MULTIFOCAL

O ser humano é um ser que se constrói em todo tempo numa dependência


constante do outro. A Theoterapia numa Abordagem Multifocal agencia esta conexão
com sucesso levando os indivíduos para um alvo: A Transformação de Si Mesmo. Por
meio da confrontação pessoal e sob a luz da Palavra de Deus. E da promoção de
relacionamentos transparentes. Tendo como centro o conhecer-se para servir melhor ao
Reino de Deus e ao próximo com pensamentos reformulados. Proporcionando assim,
uma oferta integral ao plano de Deus. Facilitando saídas e alternativas para o auxilio
para aqueles que buscam e almejam aprimorar a qualidade de sua vida psíquica. A
abordagem Multifocal engloba a existência e presença de Deus nos aspectos humanos.
Dias declara que...
...uma nova perspectiva de inter-ajuda nos conflitos existenciais,
convicta de que sem voltar à filogênese do ser humano, ou seja, Deus,
o Autor da Vida, qualquer outro tipo de terapia seria tão irrelevante
quanto tentar ajudar um peixe, deixando-o fora d água. TEOTERAPIA
MULTIFOCAL É... REEDITAR - INTEGRAR - RECALIBRAR A
ARTE DE VIVER! (DIAS: 2005, p. 15).

Completando que existe nos dias atuais uma investigação mais profunda em
cada ser humano, segundo ele, “...uma busca está assombrando o mundo
contemporâneo: a busca de si mesmo Porque o homem é um grande líder do mundo
extra psíquico, mas porque não é um grande líder dos seus pensamentos e das suas
emoções?”. Tais declarações tem sido importante por focar que a questão que a
Theopsicoterapia Multifocal vem corroborando “dados, fatos, idéias, reflexões, estudos
etc., a fim de integrar a vida em todas as áreas do ser humano como um todo... espírito,
alma e corpo.” O autor ainda lembra-se de Gên. 1:26 e 27 em que Deus disse:
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança... Criou Deus o
homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”.

Para ele,
...essa imagem não se tratava de uma imagem física, mas de uma
imagem espiritual, sem conflitos existenciais, sem “pecado”. Quanto à
semelhança, também não significava igual a Deus, mas semelhante a
Deus intelectualmente, pois Deus deu ao ser humano o livre arbítrio
para tomar decisões, administrar tudo o que Deus havia criado. Deus
não criou um robô, mas um ser pensante, capaz de fazer escolhas.
(DIAS: 2005, p. 15).
10

E, que

O problema é que o ser humano, não sendo um robô, quando do


primeiro desafio que lhe foi dado, isto é, decidir obedecer ou não ao
criador, escolheu não obedecer, a fim de satisfazer o Si - mesmo
(Self), seus sentimentos e emoções, sem se dar um tempo para
Duvidar, Criticar e Determinar a respeito das propostas que lhe foram
impostas. Hoje, o ser humano continua agindo da mesma forma, no
anseio de saber mais, de construir mais, de buscar mais, sem se dar
tempo para contemplar o belo (Jardim do Éden), para pensar, criticar,
construir idéias humanistas, colocando-se no lugar do outro. E é aqui
que começam as frustrações, o sentimento de culpa, de angústia, de
ansiedade, de perda de si próprio, de seu interior, de seu
distanciamento do Criador, porque, agindo egocentricamente, o
homem deixa de alimentar o espírito, sobrecarregando o corpo e
massacrando a alma que está entre o espírito e o corpo. (DIAS: 2005,
p. 17).

O autor termina dizendo que

Assim, chega-se à conclusão de que há necessidade de o homem


avaliar, observar e lidar com as variadas formas de inteligência que
perfazem a construção do pensamento, ou seja, o funcionamento da
mente humana. E é essa a proposta da Teoria da Inteligência
Multifocal, a qual não apenas apresenta mais uma teoria do
funcionamento da mente, mas também proporciona um estudo do
complexo processo de construção dos pensamentos, da interpretação,
da produção de conhecimento e, conseqüentemente, da formação de
pensadores, cujo objetivo é a reconstrução do ser humano, tendo como
pressuposto básico o seguinte ensinamento: “Mude seus pensamentos
e você mudará seu destino.” (DIAS: 2005 p. 18).

Cury diz que

A memória é um instrumento misterioso e sob constante análise, pois


se trata de uma estrutura fundamental da inteligência humana. É nela
que é armazenada a história intrapsíquica, isto é, as experiências de
prazer, medo, apreensão, raiva, tranqüilidade, vividas desde nossa
existência intra-uterina. Esse registro é automático, não depende da
vontade humana. Infere-se, então, que, por ser um registro
involuntário, todas as experiências e informações (janelas), quer sejam
saudáveis, quer sejam angustiantes, são arquivadas, gerando,
constantemente, representações psicossemânticas ou símbolos (RPs).
Assim, quando o ser humano passa por uma situação de rejeição,
injustiça, injúria, o fenômeno RAM gera uma zona de conflito na
memória, chamada, pelo Dr. Cury, de “janela killer”. As janelas é que
constituem a memória, elas possuem um grupo de arquivos carregados
com milhares de informações. Algumas janelas abrem arquivos
prazerosos, corajosos, com respostas inteligentes. Outras contêm vírus
capazes de gerar ansiedade, ódio, desmotivação e até mesmo uma
destruição completa da mente. A fim de se entender melhor esse
processo, vejamos os dois tipos de memória: A Memória Existencial
(ME), que representa as experiências que são registradas ao longo da
nossa existência, e a Memória de Uso Contínuo (MUC), que
11

representa as informações que são usadas e rearquivadas


continuamente.

Dias declara ainda...

Uma nova perspectiva de inter-ajuda nos conflitos existenciais,


convicta de que sem voltar à filogênese do ser humano, ou seja, Deus,
o Autor da Vida, qualquer outro tipo de terapia seria tão irrelevante
quanto tentar ajudar um peixe, deixando-o fora d água.
THEOTERAPIA MULTIFOCAL É... REEDITAR - INTEGRAR -
RECALIBRAR A ARTE DE VIVER! (DIAS: 2005, p. 15).

Completando que existe nos dias atuais uma investigação mais profunda em
cada ser humano, segundo ele, “... busca está assombrando o mundo contemporâneo: a
busca de si mesmo Porque o homem é um grande líder do mundo extra psíquico, mas
não é um grande líder dos seus pensamentos e das suas emoções?” Tais declarações
tem sido importante por focar que a questão que a Theopsicoterapia Multifocal vem
corroborando” dados, fatos, idéias, reflexões, estudos etc., a fim de integrar a vida em
todas as áreas do ser humano como um todo... espírito, alma e corpo.”

Freud (1920) introduziu a compreensão de que nossa mente é primariamente


inconsciente e gerada no embate entre forças biológicas (pulsões, esquema
filogenético do complexo de Édipo) e psicológicas (as experiências perceptivas e
emocionais). Deixando claro que pensar é uma conquista de todos nos e não
simplesmente o desdobrar de uma função geneticamente determinada.
Que o Senhor nos abençoe e nos leve sempre a conquistas cada vez maiores em
busca de uma Inteligência Multifocal!
12

4.1. DCD

A Abordagem Multifocal propõe uma fabulosa prática para habilitar o


gerenciamento de nossas vidas e dos nossos pensamentos, usando técnicas que
convocam o individuo a Duvidar de todas as crenças que lhe diminuem, a Criticar todos
os efeitos maléficos de se pensar erradamente, e Determinar, um novo futuro, novos
hábitos, palavras e atitudes. Por entender que mudança na pratica tem a ver com a
meditação da Palavra, da disciplina e da determinação para hábitos transformados. O
mapeamento da Inteligência Emocional e a técnica dos três Rs. Como forma
Teoterapêutica e Multifocal para um melhor bem estar emocional dos indivíduos. Para
que saiamos de uma condição vítimizada ou perseguida pela própria vida para uma
posição de total autoria do nosso viver. Essas possibilidades de escolha, poderá nos
levar pelos caminhos da realização através do amor, da alegria, da compreensão e do
perdão de nós mesmos e daqueles que estão próximos de nós.

A prática do DCD propõe a Dúvida, a Crítica e a Determinação. DUVIDE!


CRITIQUE! DETERMINE! É o lema! Essa técnica é preconizada pela Abordagem
Multifocal. E, certamente atua como um exercício integrador para o resgate de uma boa
auto-estima. Essa prática recomenda o enfrentamento dos mandatos que vem até nós.
Desde a infancia ou até mesmo no momento presente. Dizeres que nos deixam
desacreditados diante de nós mesmos e de outros indivíduos. É preciso aprender esta
prática para nos livrarmos de fantasias mesquinhas ou apavorantes sobre nós mesmos.
Podendo ser muito útil, esta técnica para indivíduos provindos de famílias em que os
sentimentos são desvalorizados. Onde os afagos e incentivos são raros. Famílias que
não incentivam a afetividade condenando certas atitudes ou comportamentos.
Certamente esses indivíduos carregam fardos de pensamentos autodestrutivos e
esmagadores, fruto de núcleos desumanizados e criadores de prisões emocionais. Por
castrarem os reais potenciais do individuo impedindo sua vontade de viver, criando
sérias patologias, entre elas uma auto-estima detonada por falsas crenças.

Vejamos a Parábola da Águia e da Galinha,


Era uma vez, certo homem que, enquanto caminhava pela floresta, encontrou
uma pequena águia. Levou-a para casa, colocou-a no seu galinheiro, onde
logo ela aprendeu a se alimentar como as galinhas e a se comportar como
elas. Um dia, um naturalista que ia passando por ali lhe perguntou por que
uma águia, a rainha de todos os pássaros, deveria ser condenada a viver no
galinheiro com as galinhas. “Depois que lhe dei comida de galinha e a
13

eduquei para ser uma galinha, ela nunca aprendeu a voar”; replicou o dono.
"Se comporta como uma galinha, não é mais uma águia." "Mas", insistia o
naturalista, "ela tem coração de águia e certamente poderá aprender a voar."
Depois de falar muito sobre o assunto, os dois homens concordaram em
descobrir se isso seria possível. Cuidadosamente o cientista pegou a águia
nos braços e disse: "Você pertence aos céus e não à terra. “Bata bem as asas e
voe”. A águia, entretanto, estava confusa; não sabia quem era, e vendo as
galinhas comendo pulou para ir juntar-se a elas. Inconformado, o naturalista
levou a águia no dia seguinte para o alto do telhado da casa, e insistiu
novamente, dizendo: "Você é uma águia. Bata bem as asas e voe". Mas a
águia tinha medo do seu eu desconhecido e do mundo que ignorava e voltou
novamente para a comida das galinhas. No terceiro dia o naturalista levantou-
se bem cedo, tirou a águia do galinheiro e levou-a para uma alta montanha.
Lá, segurou a rainha dos pássaros bem no alto e encorajou-a de novo,
dizendo: Você é uma águia. Você pertence ao céu e a terra. “Bata bem as
asas agora e voe”. A águia olhou em torno, olhou para o galinheiro e para o
céu. Ainda não voou. Então o cientista levantou-a na direção do sol e a
águia começou a tremer, lentamente abriu as asas. Finalmente, com um grito
de triunfo, levantou vôo para o céu. (BOFF, p.23 1998).

Um dos objetivos deste texto é nos fazer refletir sobre crenças erradas ou falsos
mandatos lançados sobre a vida de muitos no passado. E, nos libertarmos delas ainda
que venham momentos que esses velhos e antigos paradigmas queiram nos esmagar.
Pois se trata de situações aquém daquelas que verdadeiramente somos e temos em Deus.
Mesmo que este exercício possa parecer um tanto impossível diante de nossos olhos, se
buscarmos as novas descobertas que essa técnica nos propõe, poderá se tornar
perfeitamente possível. Devido aos potenciais que poderão ser liberados. A prática do
DCD desafia os indivíduos ao aprendizado de tornar-se um vencedor. Por meio da
esperança de refazerem suas lembranças negativas. Esse exercício é altamente cativante
quando o levamos em direção a várias questões da vida emocional. Ocasionando maior
motivação para os nossos atos. Nos desvencilhando de medos, maus pensamentos e
desejos. Para a Abordagem Multifocal também é preciso decidir ser um vencedor se
tratando da auto-estima. E, nos sinalizam duas tendências marcantes na vida dos
indivíduos. Aqueles que se consideram e agem como vencedores. E, o que se sentem e
reagem, portanto como perdedores.
Para a Abordagem Multifocal os vencedores possuem uma tendência de verem
os problemas como desafios que só irão acrescentar coisas novas e interessantes em
suas vidas. Para eles os desafios são provocações intimas e externas para crescerem um
pouco mais. Por se sentirem responsáveis por seu próprio destino e terem
autoconsciência emocional e física de que são eles que dirigem a si mesmos. Que os
fazem ser autênticos e espontâneos. Os vencedores geralmente são sinceros.
Interessando-se verdadeiramente pelos outros. São interdependentes. E, utilizam de
14

forma ampla seus potenciais. Tornando-se geralmente eficientes no que se propõem a


fazer. Por esperar sempre o melhor em seus objetivos, no sentido de acreditar neles e
procurar alcançá-los. Sem caírem na arrogância se esmerando no exercício de aceitarem
a si mesmos e aos demais. Esses indivíduos se aprimoram a cada dia em reações de
forma multifocal. Tornando-se vencedores por si mesmos. Enquanto que na outra
tendência desta abordagem estão os perdedores. Que são aqueles que antes de se
embrenharem por alguma atividade já a vêem como um caminho de fracasso.
Desmerecendo assim grandes oportunidades que chegam ate eles. Para a Abordagem
Multifocal esta tendência se compõe daqueles indivíduos que ao invés de ser uma fatia
promissora de resultados positivos em uma equipe. Ele simplesmente “trava” o
processo com escusas e pretextos. Por se julgarem, às vezes desnecessários se tornando
então “parte de problemas e não de solução deles”. Se julgando desobrigado de
fornecer ajuda aos outros. Divisando problemas e não respostas. Não possuindo direção
e nem programação. Pois muitas vezes só conseguem ver a si mesmos de acordo com
Dias (2007).

Há um registro de um autor desconhecido que diz “... Um perdedor diz: “Pode


ser possível, mas é difícil” Mas que “... Um vencedor geralmente diz: "Pode ser difícil,
mas é possível". Se tivermos um olhar de vencedor conseguiremos estar dentro de uma
Abordagem Multifocal e poderemos vislumbrar:
Em cada peixe, um cardume...
Em cada boi, uma manada...
Em cada menino, um homem...
Em cada semente, uma floresta...
Em cada pássaro, um bando...
Em cada menina, uma mulher...
Em cada ser humano, uma nação.

Cabral (2008) aponta também a Gestalt (sentido de forma, no alemão) e


conhecida teoria psicológica. Para esta Teoria, o momento presente é tudo o que temos.
Se a nossa mente transportar um pesado fardo do passado, irá ter mais experiências
semelhantes às que teve no passado. O passado perpetua-se através da falta do
pres ent e.

Freud (1914) cognominou “essa experiência como compulsão à repetição”.


Chamando-a “de qualidade alucinatória do ato de relembrar como efeito da negação, e
não da repressão.” Freud fala do “impulso à recordação”. Se um indivíduo se lembra
15

de um fato, por meio de suas lembranças. Para evitar a repetição de sua natureza
traumática vinculada a outros aspectos psíquicos este indivíduo viveria uma qualidade
alucinatória do relembrar. Residindo ai a especificidade da compulsão à repetição. Em
que o indivíduo repete de diferentes modos. Mas, sem nenhuma consciência de que se
está repetindo um mesmo conteúdo similar em sua memória. As diferentes formas de
repetição parecem não se relacionar umas às outras. A falha de reconhecimento dos
diferentes modos de repetir é responsável por sua recorrência continuada. Freud fala até
mesmo que seria um “impulso à recordação”. O que nos leva a qualificar a compulsão
à repetição de “inexorável” ou “implacável”. Um dos aspectos dessa teoria
psicanalítica, é que ela obriga Freud a abandonar sua confiança excessiva no
“recordar”. Por isso, o único lugar onde uma mudança verdadeira pode ocorrer. E,
onde o passado pode ser desfeito é no Agora. Toda a negatividade é provocada por uma
acumulação de tempo psicológico e pela recusa do presente. Mal-estar, ansiedade,
tensão, est resse e preocupação — todas as formas de medo — são causados por um
excesso de passado ou de futuro e falta de presente.

Para Dias (2007), a condição da nossa consciência neste momento é o que dá


forma ao futuro. Mas, de acordo com o que o indivíduo vivencia Hoje e experimenta no
Agora. Tornando extremamente importante cuidar da qualidade da consciência. É
possível ter consciência limpa. Infelizmente nós pecamos e o pecado nos consome a
carne e mancha a mente. Mas, o sacrifício de Jesus Cristo pode nos purificar das obras
mortas da carne “... muito mais o sangue de Cristo... que a si mesmo se ofereceu sem
mácula a Deus, purificará a nossa consciência... para servirmos ao Deus vivo!” Hb.
9:14. É através do sangue de Cristo que nossa mente é completamente purificada das
obras de morte. Das obras do pecado. Servimos a um Deus vivo. Um Deus que traz vida
e nos tira da morte. Não é justo viver com a consciência contaminada pelas obras da
carne ou do pecado. Não podemos servir a um Deus vivo com a consciência morta. O
sacrifício oferecido a Deus por Jesus Cristo purifica a nossa mente. Jesus Cristo é o
caminho. Ele nos da passagem livre para entrarmos na presença de Deus. A consciência
limpa nos fala de uma vida que não tem nada para esconder. É necessário buscar essa
transparência.

...dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura,
porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia. Lembrado das
tuas lágrimas, estou ansioso por ver-te, para que eu transborde de alegria pela
recordação que guardo de tua fé sem fingimento. II TIMOTEO 1:3 a 5.
16

A vida de Paulo era uma vida transparente, sua mente não o podia acusar de
nada, pois tudo o que fazia era voltado para Deus, à maior alegria de Paulo era ter a
certeza que estava fazendo a vontade de Deus em todo o tempo. Sua mente era tranqüila
e limpa, não importava o que as pessoas falassem. Um sentimento elevado de auto-
estima denota uma consciência limpa. Paulo era transparente no seu modo de agir.
Cultivava uma consciência limpa e por isso mantinha uma auto estima fortalecida
teoterapeuticamente. “... sejam meus imitadores”. Ao agir com consciência limpa, tudo
o que fizermos ficará imbuído de uma sensação de qualidade, de cuidado e de amor —
até mesmo o ato mais simples.

Quando honramos o momento presente, toda a infelicidade e todo o conflito


desaparecerão. A vida flui alegre e facilmente. Mas, se a consciência nos acusa não há
como realizar nada para o Senhor, para si mesmo e conseqüentemente para a sociedade
que nos rodeia. Dias (2007) nos orienta que onde estivermos seria sempre importante
vivermos plenamente no Agora. Sem amarguras e ressentimentos. Por ser est e um
dos pilares na vida que irão produzir em nós uma auto-estima firme e saudável. Aquele
que sente a consciência pesada por que magoou alguém ou foi magoado nunca será livre
para amar e caminhar teoterapeuticamente, de acordo com a Abordagem Multifocal. É
assim que devemos viver e caminhar dia-a-dia, com uma consciência limpa e totalmente
voltada para Deus. Pois sómente uma consciência limpa trará o segredo da confiança.

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue
de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é,
pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre à casa de Deus, aproximemo-
nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado
de má consciência e lavado o corpo com água pura. HEBREUS. 10:19-22;

Além de ser também um dos mais importantes quesitos para que possamos
compartilhar nossa fé com outros.

Santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre


preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança
que há em vós... Fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa
consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem
envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo. I Pd
3:15-16
17

Paulo podia dizer “... dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados,
sirvo com consciência pura” II Tm. 1:3. Que venhamos assim, ter um testemunho que
traga convicção de nosso bem estar biopsicossocioespiritual diante da sociedade que
estivermos inseridos. Que Deus nos abençoe conservando em nos uma consciência
limpa diante dEle e dos homens. Pois, a graça de Deus tem sido conosco “... a mão do
SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para
não poder ouvir.” Is. 59:1.

A Abordagem Multifocal se torna portanto um processo vital de


desenvolvimento e formação da personalidade cristã. Por valorizar a vida intima e
pessoal. A busca sincera da excelência de sentimento. Ser Multifocal, segundo Couto
(2007), seria ter aautoconsciencia emocional. Buscar habilidades para a prevenção de
emoções. Ocasionar maiores motivações para atos saudaveis. Ser liberto. Ativo e
praticante de uma constante higiene mental. Não deixando jamais nossas vidas serem
castradas pelo medo.

Oração:

“Querido Deus, sei que me amas e, por isso, és paciente comigo. Sei que
todas as circunstâncias de minha vida estão sob o teu controle, e tudo o que
tem me sucedido é para o meu crescimento espiritual, emocional e físico.
Porque me amas, sei que estás sempre ao meu lado, ajudando-me a
amadurecer e a desenvolver o teu amor em todas as áreas da minha vida.
Porque me amas, sei que sofres profundamente quando não ando nos teus
caminhos, duvido do teu poder ou não confio em tuas promessas, e leva-me
ao arrependimento para perdoar-me, dar-me uma nova unção, renovar as
minhas forças espirituais, emocionais e físicas, pois, com a tua graça em
mim, sou capaz de suportar todas as pressões da vida, e vencer. Sei que,
porque me amas, continuas a operar em minha vida quando tenho vontade de
desistir de tudo e de todos. O teu amor por mim é tão grande que não
permites que desistas de mim. Por meio do teu grande amor e da tua palavra,
estás sempre me dizendo que há esperança para mim; e é esta força que me
motiva a prosseguir. Porque me amas, sei que nunca vais abandonar-me,
mesmo que amigos ou familiares me abandonem. Permaneces fiel ao meu
lado, ajudando-me na jornada da vida.
Sou grata a ti, por tão grande amor que tens feito com que os meus medos do
dia a dia, não me impeçam de adorar, louvar e agradecer-te por eu existir e
ser tua filha amada. Amo-te, Senhor, de todo o meu coração! Recebe o meu
amor e a minha oração em Nome de Jesus Cristo, Amém! ”
18

4.2. CONSCIÊNCIA CORPORAL

O cérebro tem como sua principal função regular a capacidade metabólica do


organismo (sistemas). Muitas de nossas doenças psíquicas podem nos levar a uma
enfermidade somatica. Se o cérebro é tão poderoso que nos pode fazer ficar doente,
também possui condições de promover a nossa cura; por isso é tão importante o
reconhecimento das emoções. O corpo esta sempre a nos dizer coisas, precisamos estar
atento às reações do nosso corpo, e faz aparecer nele próprio as mais diferentes
ocorrências. Ele é praticamente submetido as nossas emoções.
Por exemplo: Um lindo dia! Pessoa 1 – Hoje vai ser o máximo, vou conseguir
fazer tudo o que eu preciso. Pessoa 2 – Que droga! Hoje vai fazer muito calor! Vou ficar
suando o dia inteiro! Ou mesmo Um dia chuvoso! Pessoa 1 – Ah! Essa chuva não vai
parar! Estragou o meu dia! Pessoa 2 – Hoje será um dia especial! Vai fazer uma tarde
tão romântica! O cérebro escuta o que pensamos, e vai fabricar hormônios de alta
qualidade ou de péssima qualidade, de acordo com o que foi pensado. Estes hormônios
são enviados à corrente sanguínea, e que vão fazer com que o individuo sinta-se
fisiologicamente bem ou mal.
Uma coisa puxa a outra: bem-estar provoca mais bem-estar; e mal-estar aumenta
o mal-estar. A emoção mal desenvolvida o impede de fazer as coisas boas e necessárias
para si próprio. Se o cérebro pode somatizar o que não existe, pode também curar o que
existe. É óbvio que isto não vai funcionar como truque. A emoção tem de ser duramente
trabalhada por muito tempo. O desenvolvimento do corpo emocional virá por meio de
um esforço contínuo e depois de muito trabalho. Informamos ao cérebro de que não
somos capazes de realizar ou conquistar determinado objetivo, inclusive o de melhorar
nossa qualidade de vida por meio de estímulos negativos, de auto-rejeição, de auto-
aceitação é preciso ter paciência para convencê-lo agora do contrario.
19

4.2.1. Movimento Corporal

Ao falarmos de movimento corporal, falamos em movimento de um ser humano


que vive, sente, experimenta, sofre e se alegra. Falamos de um ser humano que se
movimenta para realizar-se ou para realizar algo. Um ser que se insere num contexto
histórico-social, apreendendo-o pelos seus sentidos e transformando-se nesse contato.
Formando-se assim, uma constante interação Homem-Mundo, já que o sujeito também
modifica esse mundo na medida em que se expressa com sua forma de olhar, de falar,
de dançar, de jogar, de brincar, enfim, com sua forma de ser.
O fato é que, ao iniciar o movimento com o corpo, trabalhamos antes de tudo o
nosso lado emocional. Será preciso muita disciplina, força de vontade e controle sobre
as nossas próprias emoções para calçar o tênis e arranjar um tempo. Para colocar o
corpo em movimento é necessário fazer um grande exercício emocional.

O que as pessoas ganham fazendo este trabalho?


Com o objetivo de promover bem-estar físico, emocional e energético, o
trabalho de consciência corporal, através de massagens e técnicas corporais específicas,
proporciona condições para esse reconhecimento de si mesmo como ser singular e
único.
Propomos então, uma atividade física que proporcione aprendizagem suficiente
para acompanhar o homem em sua vida diária, nas suas relações consigo, com os outros
e com seu mundo. Uma atividade física que possibilite o desenvolvimento do ser
humano de forma plena, facilitando-lhe descobertas com seu corpo que possam
permear-lhe a existência com sentido e significado; onde auto-percepção corporal e
expressão emocional são trabalhadas através de exercícios corporais e vivências.
Através de exercícios direcionados vamos buscar um aumento de fluxo de
energia, diminuição de tensões e uma maior compreensão de nosso corpo. Tipos de
exercícios utilizados: alongamentos, relaxamentos, respiração, auto-massagens e
vivências.
Não é uma ginástica, são movimentos corporais. Os movimentos corporais não
são repetitivos como as ginásticas tradicionais. Variadas técnicas são utilizadas para
diminuir o estresse através de movimentos, respeitando o tempo de cada um. Não deve
20

haver também a preocupação de estar executando os movimentos de modo correto. O


que é correto para um corpo pode não ser para outro.
Na medida em que o corpo é colocado em movimento, mexendo e
descarregando tensões ele é beneficiado no sentido de um maior relaxamento físico. Da
mesma forma emoções também são liberadas e trabalhadas de uma forma gradativa o
que acarreta um bem-estar mental. Associada às práticas médicas tende a acelerar os
resultados desejados pelos pacientes.
O seu corpo se desbloqueando podem ocorrer modificações as mais diversas,
podendo alterar inclusive a forma do corpo. Sim, é um trabalho de reeducação. Na
verdade nada está sendo ensinado, basta observarmos os movimentos de um bebê ao se
espreguiçar e perceberemos que ele sabe exatamente o que fazer com seu corpo.
Todo o trabalho de auto-conhecimento objetiva fornecer instrumentos dos quais
a pessoa possa se utilizar. Este trabalho em particular tem como meta o conhecimento
corporal, o apropriar-se do próprio corpo. Dr. Rogéiro Ziotti e Ana Helena Magalhães
Borges.

Benefícios da respiração concentrada

FÍSICO – quando se massageia abdômen, tórax, ombros, etc. através do


movimento da musculatura utilizada no ato de respirar como o diafragma, os retos
abdominais, os intercostais e outros. Além disso, intensa sensação de relaxamento e
bem-estar é experimentada.
EMOCIONAL – no momento em que se entra em contato com conteúdos
emocionais "esquecidos" ou guardados que podem estar gerando tensões corporais de
forma inconsciente, como por exemplo, as mágoas e inseguranças.
Os benefícios ENERGÉTICOS são excelentes, leva melhor aporte de oxigênio
para o organismo, oxigenando melhor o organismo.
Desenvolvimento da Postura Ereta

A postura é o alinhamento das partes do corpo entre si em um dado momento. A


postura envolve interações complexas entre os ossos, as articulações, o tecido
conjuntivo, os músculos esqueléticos e os sistemas nervoso central e periférico. De
acordo com Kauffman (2001), a complexidade dessas interações é imensa quando se
21

considera a variedade quase infinitesimal do equilíbrio humano, do controle motor e do


movimento em relação à gravidade. O alinhamento postural ideal é aquele cuja
manutenção exige um mínimo de esforço e que provoca um mínimo de tensão no nível
das articulações (Olney & Culham, 2000).

A postura ereta, estática ou dinâmica resulta do equilíbrio entre as forças que


agem no centro de gravidade, mantendo o corpo em atração com a terra, e as forças dos
grupos musculares antigravitacionais que se contraem e atuam no sentido contrário pela
ação do sistema gama, fuso muscular e mantidos por intermédio dos reflexos de
endireitamento, cujos centros estão situados na parte ventral do mesencéfalo,
presumindo-se que estímulos recebidos desta fonte e dos reflexos de estiramento,
iniciados pelos mecanismos proprioceptivos na musculatura estriada, acionem, de
maneira reflexa, a musculatura adequada, corrigindo os deslocamentos da posição
desejada (fisiologia postural) (Kendall, 1995).

Quadril, centro de equilíbrio dessas forças. Assim sendo, é muito importante o


alinhamento adequado do quadril. Evitar a retroversão e a anteroversão. Promover o
alinhamento adequado das vértebras na coluna, respeitando suas curvaturas fisiológicas.
Flexibilade, fortalecimento musculadar adequado e trabalho de coordenação motora dos
movimentos, são os principais elemento para o treinamento da reeducaçã postural.

Dores na coluna, nas pernas e braços provocados pelo sedentarismo, má postura


e mecanicidade dos movimentos; dores de cabeça, mau humor, dispersão, insônia,
estresse são queixas que obrigam o indivíduo a utilizar, sistematicamente, analgésico e
tranqüilizante como se atacando os sintomas os males desaparecessem. A
Conscientização Corporal é uma proposta pedagógica que visa sensibilizar, aliviar o
estresse e reeducar a postura.

4.2.2. Técnicas e Objetivos

TÉCNICAS OBJETIVOS

Alívio das tensões,


Relaxamento
restabelecimento do fluxo
22

respiratório orgânico.

Alongamento, abertura dos espaços


Exercícios com
articulares, correção das disfunções
micro movimentos
corporais.

Alinhamento do
Reeducação da postura
eixo postural

Senso rítmico, criatividade,


Dança livre
coordenação motora.

A conscientização corporal esta principalmente indicada para aos que sofrem


com o desgaste e/ou com o uso inadequado do corpo e aos que desejam bem estar e
funcionalidade corporal. Lembre-se que as emoções estão implicadas nisto também; a
tristeza, o rancor, o desânimo, a desilusão afetam o sistema imunológico e podem baixar
sua resistência. A simples ausência de doença, automaticamente não indica uma saúde
plena.
A conscientização corporal é uma técnica de trabalho corporal criada por Angel
Vianna. Baseada na auto-observação e na pesquisa de movimentos, promove o uso do
próprio corpo com conforto, eficiência sem esforço, graça, presença e integração
psicofísica.

4.3. MESA REDONDA DO EU

Deixar cuidar-se por Deus interiormente é uma verdadeira prova de sabedoria


terapêutica. Segundo Couto (2007), seria a reintegração do invidívuo. A dádiva de
recompor-se psicossocioespiritualmente. A reprogramação da vida psíquica. E, um
dos meios que deve ser empregado dentro deste processo seria o positivismo das
lembranças. A reeditação das palavras negativas. Eliminando "virus" psíquicos que
foram impregnados por meio de mensagens infectadas. E, que estariam armazenadas
23

nas células da memória de cada indivíduo. “Instalando uma nova configuração


psiquica”, segundo Couto (2007).

A Mesa Redonda do Eu se constituí numa ótima técnica portanto para o


fortalecimento do sentimento de auto-estima. Pois, a assimilação de novas emoções
contribuirá geralmente para novas esfera de vida. Além de que este método estar
primeiramente focado em si mesmo. Proporcionando bem estar para a alma. Ser
multifocal é ter autoconsciência emocional. É reconhecer seus próprios sentimentos. É
escutar a voz do próprio coração. É tentar construir uma conecção entre a própria
mente e o corpo. É encarar as próprias culpas. É dialogar com o próprio interior. É
estar em sintonia com o mundo interno pessoal. É buscar conhecer o próprio intimo e
aceitá-lo. Para isso é preciso aprender a absorver as mensagens ocultas da vida
emocional. São elas que denunciam a verdadeira emoção de ser.
Freud (1920) chamou este mecanismo psíquico de contratransferência, alertando os
terapeutas do psiquismo a estarem percebendo a si mesmos. Tendo assim, uma melhor
compreensão dos seus pacientes. A fim de proporcionarem uma melhor ajuda aqueles
que os procurarem. Corroborando assim, a técnica da Mesa Redonda do Eu,
psicanaliticamente. Essa habilidade proporciona o auto conhecimento. E, nos auxilia
prever determinado sentimento, aceitando-o ou não. Nos dando opções. Poderemos
controlá-los ou permiti –los. Mas ignorar ou não ter como defender-se ou mesmo
reprimi-los não será uma constante em nossas vidas. Porque a coragem de encará-los e
conhece-los poderão se tornar frequentes. O que acarretará em maiores
responsabilidades pessoais. E numa maior valorização de si mesmo.
Portanto, a prática da Mesa Redonda do Eu, busca levar os indivíduos a refletirem em
como poderá os indivíduos liberarem de um modo melhor os seus potenciais.
Afirmando que o potencial de todas as coisas está relacionado à sua origem. Isto é, cada
coisa na vida tem o potencial de realizar seu propósito. Potencial é determinado e
relacionado pelas exigências colocadas nas coisas pelo seu criador.

A Mesa Redonda do Eu se constituí numa ótima técnica portanto para o


fortalecimento do sentimento de ser. Por promover a assimilação de novas emoções
contribuindo assim para novas esfera de vida. Proporcionando bem estar para a alma.
Corroborando a técnicas psicanaliticasr que suscintam a autoconsciência emocional.
Fazendo conecção entre a própria mente e o corpo e encarando culpas.
24

5.A ÉTICA THEOTERAPÊUTICA

5.1. Significado de Ética

Ética é um conjunto de valores e princípios, de inspirações e indicações que


valem para todos, pois estão ancorados na nossa própria humanidade. Ela responde à
pergunta: Que significa agir humanamente? Para responder a isso, utilizou-se uma
experiência fundamental, como orientação segura: a experiência da morada e do ato
de morar. Esse é o sentido grego de ethos, "morada”, "casa”. Morada não deve ser
entendida materialmente como construção com quatro paredes e telhado. Morada
deve ser compreendida existencialmente, como o modo de o ser humano habitar,
como forma de organizar a vida em família. Aí surgem as inspirações, os princípios e
os objetivos fundamentais. Morar implica a harmonia dos que moram. Significa ainda
organizar adequada e inteligentemente o interior da casa, os quartos, a sala de visita, a
cozinha, o canto sagrado, onde guardamos as recordações ou a Bíblia. Morar exige
que organizemos o entorno da casa, o jardim, a relação com os vizinhos para que seja
pacífica e amigável. Tudo isso está presente no sentido originário de ética. No fundo,
ética significa viver humanamente.

Viver humanamente implica realizar o primeiro princípio de todo agir


humano, chamado, por isso, de regra de ouro que é: "Não faças ao outro o que não
queres que te façam a ti." Ou positivamente: "Faze ao outro o que queres que te
façam a ti" (Mt 7,12). Esse princípio áureo pode ser traduzido também pela expressão
de Jesus, testemunhada em todas as religiões: "Ama o próximo como a ti mesmo." É
o princípio do amor universal e incondicional. Quem não quer ser amado? Quem não
quer amar? Alguém quer ser odiado ou ser tratado com fria indiferença? Ninguém.

Outro princípio da humanidade essencial é o cuidado. Toda vida precisa de


cuidado. Um recém-nascido deixado à sua própria sorte morre poucas horas após. O
cuidado é tão essencial que, se bem observarmos, tudo o que fazemos vem
acompanhado de cuidado ou de falta de cuidado. Se fazemos com cuidado, tudo pode
dar certo e dura mais. Tudo o que amamos também cuidamos. A ética do cuidado
hoje é fundamental: se não cuidarmos do planeta Terra, ele poderá sofrer um colapso
25

e destruir as condições que permitem o projeto planetário humano. A própria política


é o cuidado para com o bem do povo.

Outro princípio reside na solidariedade universal. Se nossos pais não fossem


solidários conosco quando nascemos e nos tivessem rejeitado, não estaríamos aqui para
falar de tudo isso. Se na sociedade não respeitássemos as normas coletivas em
solidariedade para com todos, a vida seria impossível. A solidariedade, para existir de
fato, precisa sempre ser solidariedade a partir de baixo, dos últimos e dos que mais
sofrem. A solidariedade se manifesta então como com-paixão. Com-paixão quer dizer
ter a mesma paixão que o outro, alegrar-se com o outro, sofrer com o outro para que
nunca se sinta só em seu sofrimento, construir juntos algo bom para todos.

Pertencem também à humanidade essencial a capacidade e a vontade de


perdoar. Todos somos falíveis, podemos errar involuntariamente e prejudicar o outro
conscientemente. Como gostaríamos de ser perdoados, devemos também nos perdoar.
Perdoar significa não deixar que o erro e o ódio tenham a última palavra. Perdoar é
conceder uma chance ao outro para que possa refazer as relações boas.

Tais princípios e inspirações formam a ética. Sempre que surge o outro diante
de mim, aí surge o imperativo ético de tratá-lo humanamente. Sem tais valores, a vida
se torna impossível.

Por isso, ethos, de onde vem ética, significava, para os gregos, "a casa”. Na casa,
cada coisa tem seu lugar, e os que nela habitam devem ordenar seus comportamentos
para que todos possam sentir-se bem. Hoje a casa não é apenas a casa individual de cada
pessoa, é também a cidade, o estado e o planeta Terra como Casa Comum. Eis, pois, o
que é a ética. Vejamos agora o que é moral.

5.2. Valores ou Fins Éticos

Do ponto de vista dos valores, a ética exprime a maneira como a cultura e a


sociedade define para si mesmo o que julgam ser a violência e o crime, o mal e o
vício e, como contrapartida, o que consideram ser o bem e a virtude. Por realizar-
26

se como relação intersubjetiva e social, a ética não é alheia ou indiferente às


condições históricas e políticas, econômicas e culturais da ação moral.

Conseqüentemente, embora toda ética seja universal do ponto de vista da sociedade


que a institui (universal porque seus valores são obrigatórios para todos os seus
membros), está em relação com o tempo e a História, transformando-se para
responder a exigências novas da sociedade e da Cultura, pois somos seres históricos
e culturais e nossa ação se desenrola no tempo.

5.3. Ética e Theoterapia

O ser humano percebe o outro como um eu simultaneamente diferente e igual a


ele. O outro partilha assim uma identidade comigo embora conservando a sua diferença.
Quando aparece como semelhante, carrega um potencial de fraternidade. Quando
aparece como diferente, carrega um potencial de hostilidade. Daí os ritos de encontro
com o outro, apertos de mão, saudações, fórmulas de cortesia, praticados para atrair a
sua benevolência ou desarmar a sua hostilidade.

Quando o espírito está cego pela ira, pelo ódio ou pelo desprezo, a diferença
cresce e o outro é excluído da identidade humana. Transforma-se em cão, porco ou, pior
ainda, em dejeto e excremento.

Em contrapartida, a simpatia, a amizade, a afeição e o amor intensificam o


sentimento de identidade comum.. A Ética na Theoterapia seria a ética altruísta é uma
ética da religação que exige manter a abertura ao outro, salvaguardar o sentimento de
identidade comum, consolidar e tonificar a compreensão do outro. Para conhecer é
preciso, ao mesmo tempo, separar e ligar. O excesso de separação é perverso entre seres
humanos quando não é compensado pela união e pela solidariedade, a amizade e o amor.
Nossa civilização separa mais do que liga. Estamos em déficit de religação e esta
se tornou uma necessidade vital.
A religação é um imperativo ético primordial que comanda os demais
imperativos em relação ao outro, à comunidade, à sociedade, à humanidade.

A Theoterapia propõe :
27

5.3.1. Ética de Liberdade

A intolerância é um equivalente psíquico do mecanismo imunológico da rejeição


de si; constitui uma recusa daquilo que não está em conformidade com nossas idéias e
crenças.

A tolerância é fácil para o indiferente e para o cínico, mas difícil para o sujeito de
convicções.

Se a liberdade reconhecida na possibilidade da escolha - possibilidade mental de


analisar e de formular a escolha, possibilidade exterior de uma exercer uma escolha, a
ética de liberdade para outro pode ser resumida pelo que diz von Foerster: "Age de
maneira que o outro posso aumentar o número das escolhas possíveis".

5.3.2. Ética de Fidelidade à Amizade

A amizade não é somente uma relação afetiva de apego, de cumplicidade; a


verdadeira amizade estabelece um vínculo ético de fraternidade quase sagrado entre
amigos.

O caráter sagrado da verdadeira amizade dá-lhe prioridade sobre os interesses, as


relações e a ideologia. A qualidade da pessoa importa mais do que a qualidade das suas
idéias ou opiniões.

Como diz Lichtenberg: "Regra de ouro, não julgar os homens pelas suas
opiniões, mas sobre o que as suas opiniões fazem deles".

5.3.3.Ética do Amor

O amor é a experiência fundamental da religação dos seres humanos. Leva-nos à


realização pela nossa união. O verdadeiro amor considera o ser amado como igual e li-
vre; como diz Tagore, "exclui a tirania e a hierarquia".
28

Há muito mau amor não somente nas sociedades em que persiste a submissão
das mulheres à autoridade masculina, mas também em nossa civilização individualizada
em que dois egocentrismos podem, em confronto, dividir o amor.

Nosso mundo sofre de insuficiência de amor. Mas sofre também de mau amor
(amor possessivo), de cegueiras de amor (inclusive, como já dissemos, na religião do
amor e na ideologia da fraternidade), de perversões de amor (fixações em fetiches, obje-
tos, coleções de selos, anões de jardim), aviltamentos do amor que degeneram em ódio,
ilusões de amor e amor por ilusões.

Não se pode resolver tudo pelo amor. O amor tem os seus parasitas íntimos, que
o cegam, a sua ânsia auto-destrutiva e os seus surtos devastadores. No máximo da
intensidade de toda paixão, inclusive a amorosa, precisamos contar com a vigilância da
razão. Mas não existe razão pura e a própria razão deve ser estimulada pela paixão. No
mais frio da razão, precisamos de paixão, ou seja, de amor.

Portanto para praticarmos a ética dentro da Theoterapia necessário se faz rejeitar


a rejeição!
29

CONCLUSÃO

Na Theoterapia, descobrimos a liberdade de poder construir o próprio caminho


quando nos permitimos aprender a desconstruir os trilhos herdados do meio ambiente
social, familiar, religioso, político e econômico. Recolher informação do interior para o
exterior é a meta suprema do Ser Humano. Mas devemos levar em conta que o ato de
construir o próprio caminho não significar excluir-se do mundo, nem muito menos,
descartar os outros caminhos, senão, tornarem-se mais uma via desobstruída para que a
infinita criatividade do todo se renove por meio de cada um de nós.

Pois, a Theoterapia é um trabalho de pacificação interna que por ser


interdisciplinar, incorpora métodos que alimentam diferentes dimensões do todo
humano.Por propor um trabalho de desconstrução conceitual que se traduz como
amplitude perceptiva e capacidade de estar atento ao que o eu condicionado não
enxerga.

A Theoterapia, portanto é uma proposta amistosa de acolher e conduzir à pura


luz da Alma, os muitos “eus” que gritam dentro dos compartimentos estanques que
conformam grande parte daquilo que denominamos ego. Quem teme e hostiliza as
sombras teme e hostiliza a luz. O Amor é consciência, e consciência é informação
interior aplicada como atividade criadora.

AQUILO QUE NÃO NOS MATA NOS FORTALECE


30

BIBLIOGRAFIA

DIAS, Silas B. Ética Theoterapeutica. IMCC, 2008


DIAS, Silas B. Introdução a Teopsicoterapia Multifocal. IMCC, 2007.
DIAS, Silas B. Teoterapia Multifocal e as Leis da Qualidade de Vida. IMCC, 2007.
NEUROCIÊNCIA E RELIGIÃO:
AS PESQUISAS NEUROLÓGICAS EM
TORNO DA EXPERIÊNCIA RELIGIOSA
NEUROSCIENCE AND RELIGION:
THE NEUROLOGICAL RESEARCH AROUND THE
RELIGIOUS EXPERIENCE

Everaldo Cescon*

Resumo
Desde o caso Galileu, ciência e religião se opuseram e, muitas vezes, con-
frontaram-se por causa das direções dos seus olhares: uma em direção a um
mundo e a outra em direção a outro mundo. Atualmente, porém, os neurocientistas
defendem que se pode estudar de um ponto de vista objetivo as experiências
religiosas por meio de metodologias de neuroimagem e de visualização in vivo
da atividade cerebral. Este artigo pretende analisar a possibilidade de descrever
a experiência religiosa em termos neurológicos. Procura-se indicar como a
experiência religiosa é tratada, continuamente construída e reconstruída por
meio da implementação de diversos dispositivos experimentais e teóricos.
O corpo de referência é constituído por uma série de estudos recentes que
procuraram descrever as bases neurais de experiências religiosas diferentes
entre si. Os resultados indicam que o pesquisador pode ter acesso aos efeitos
(cerebrais, eletrofisiológicos, comportamentais) da experiência, mas nada pode
dizer deles senão confrontar esta experiência com o self-report dos sujeitos.
Apenas pode realizar um mapeamento formal dos efeitos.
Palavras-chave: Neurociência. Religião. Fenomenologia.

Abstract
Since the case Galileo, science and religion opposed and often encountered
because of their looks directions: one towards the world and the other toward
another world. Currently, however, the neuroscientists advocate that can study

* Doutor em Teologia e Professor na Universidade de Caxias do Sul. E-mail:


<everaldocescon@hotmail.com>.

Teocomunicação Porto Alegre v. 41 n. 2 p. 293-314 jul./dez. 2011


294 Cescon, E.

from an objective point of view the religious experiences through methodologies


of the neuroimaging and visualization in vivo of the brain activity. This paper
intends to analyse if is possible to describe the religious experience with
neurological terms. It seeks to indicate how the religious experience is treated
continuously built and rebuilt through the implementation of various experimental
and theoretical devices. The referential bibliography consists of a series of recent
studies that tried to describe the neural bases of the religious experiences differ.
The results indicate that the researcher can have access to the effects (brain,
electrophysiological, behavioural) of experience, but nothing can to said of them
if not confront this experience with the subject’s self-report. He only can build a
formal mapping of the effects.
Keywords: Neuroscience. Religion. Phenomenology.

Introdução
Nos últimos anos, houve consideráveis progressos nas pesquisas
que buscam os correlatos neurofuncionais dos estados mentais da
espiritualidade, das experiências místicas e do sentimento religioso.
Entre os pesquisadores aplicados à área, que tem sido chamada por eles
de Neuroteologia (Neurotheology) ou Neurociência do Espírito (Spiritual
Neuroscience), parece bastante difusa a ideia de que os resultados de tais
estudos possam ter um fim terapêutico: identificação dos processos
que geram bem-estar na experiência religiosa deveria ser seguida da
elaboração de métodos e técnicas para induzi-los, independentemente
desta.1
O estudo do tema leva a duvidar da utilidade de delimitar em rígidos
limites este âmbito experimental e leva a ter alguma reserva acerca da
possibilidade de conservar os efeitos de bem-estar numa indução avulsa
da experiência mística ou religiosa.
Como para qualquer outro objeto de investigação neurocientífica,
a cultura do âmbito no qual foram realizadas as pesquisas influenciou
de maneira determinante a constituição dos modelos para as teses, as
hipóteses e as interpretações dos resultados, mas uma revisão atenta das
publicações científicas das últimas três décadas nos permite verificar que,
neste caso, as convicções pessoais dos autores dos estudos influenciaram

1
A exemplo das já numerosas técnicas de relaxamento e meditação que muitas vezes
tiveram origem em práticas teosóficas, filosóficas ou religiosas.

Teocomunicação, Porto Alegre, v. 41, n. 2 p. 293-314, jul./dez. 2011


Neurociência e religião 295

as suas conclusões mais do que tem ocorrido, no mesmo período, com


outros temas.
Alguns pesquisadores agnósticos consideram que os processos
neurobiológicos responsáveis pelo estado afetivo-emotivo que
caracteriza as experiências místicas estejam na origem das religiões.
Em outras palavras, para eles toda a cultura religiosa não seria
senão literatura, filosofia e arte desenvolvida como consequência de
experiências incomuns ou patológicas que ocorreram com antepassados
e ainda hoje interessam ao cérebro de muitas pessoas. Percebe-se que
para tais estudiosos a identificação dos elementos neurofuncionais de
uma experiência mística equivale a decifrar a origem biológica do
sagrado; por isso não surpreende que possam ser tentados a negligenciar
as diferenças individuais.
Contrariamente, pode-se notar que, entre os crentes, sobretudo
cristãos de confissão católica, há o risco de uma desconsideração do
papel da experiência mística e, portanto, dos processos cerebrais a ela
conectados, porque, segundo o Magistério da Igreja, tais vivências não
são de per si garantia de uma condição espiritual de proximidade com o
divino, mas somente se se apresentarem sob certas condições.
Entre os pesquisadores declaradamente ateus há aqueles que, como
veremos adiante, com a tentativa de demonstrar que toda instância
sobrenatural possa ser remetida à atividade de um grupo de neurônios,
buscam um hipotético God Spot, ou seja, uma área do cérebro humano
na qual esteja localizada uma função correspondente ao divino.2
Por essas razões, considera-se útil fornecer algumas indicações
sobre as hipóteses submetidas a verificação experimental e sobre o
direcionamento de alguns pesquisadores, ao invés de somente reportar
a síntese de experimentos e resultados.

1 A hipótese do lobo temporal


A primeira vez que aparece uma ligação cientificamente fundada
entre funções cerebrais e experiências do âmbito religioso foi nos estudos
acerca da epilepsia do lobo temporal.
Nesta época, o positivismo do século XIX, dominante nas ciências
médicas, tendia a reconduzir ao patológico as experiências relaciona-

2
Veja-se, por exemplo, BIELLO, David. Searching for God in the Brain. Scientific
American MIND, n. 18, v. 5, p. 38-45, 2007.

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296 Cescon, E.

das com o divino. Uma tal visão não se limitava às aplicações clínicas
relativas a casos de distúrbios mentais, mas constituía uma atitude
cultural estendida à interpretação dos fatos da história. Assim, as vozes de
Joana d’Arc eram alucinações auditivas; as aparições de Nossa Senhora,
alucinações visuais; e os êxtases místicos, nada mais do que fenômenos
para-hipnóticos, auto ou heteroinduzidos. Em 1892, a associação entre
religiosidade emocional e epilepsia foi incluída nos tratados de doenças
nervosas e mentais.3
Em 1975, Norman Geschwind foi o primeiro a descrever uma
forma clínica de crises epiléticas originadas de alterações elétricas do
lobo temporal, nas quais os pacientes relatavam intensas experiências
espirituais. Geschwind e seus colegas hipotetizaram que descargas
elétricas sincronizadas de grupos neuronais do córtex temporal poderiam
estar na origem de pensamentos e obsessões com conteúdos religiosos
ou atinentes a questões morais.
Vinte anos depois, V. S. Ramachandran e Blakeslee (1998)
examinaram esta hipótese. Sabendo que o conteúdo emocional de um
estado mental é transmitido do sistema nervoso vegetativo à epiderme,
a qual determina uma resposta galvânica proporcional à intensidade da
emoção, o grupo de Ramachandran explorou este fenômeno segundo
um corroborado modelo experimental, fazendo pacientes afetados pela
epilepsia temporal escutarem uma série de palavras com significado
sexual, religioso ou neutro e, depois, observando a sua resposta cutânea.
Verificaram que palavras como “Deus” produziam uma reação muito
intensa, que não tinha paralelo nas pessoas não afetadas.
Para que a tese de Ramachandran possa ser considerada uma ex-
plicação neurofisiológica é necessário aceitar a hipótese de que os sen-
timentos ligados ao sagrado e ao divino sejam gerados por uma espécie
particular de emotividade com uma base límbica ainda não definida.

2 Persinger e o God Helmet


A hipótese da importância do lobo temporal, cuja longa tradição
foi mantida viva pela escola de Geschwind, foi posta à prova em

3
Depois de quase um século, o maior tratado de psiquiatria americano, numa descrição
da personalidade epilética, incluía a “religiosidade emocional” [ARIETI, Silvano
(Org.). Manuale di Psichiatria. V. II, p. 1270, Torino: Boringhieri, 1969-1987, tradução
italiana da American Handbook of Psychiatry, New York: Basic Books, 1959-1966. 3v.].

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Neurociência e religião 297

experimentos bem mais articulados por Michael Persinger (1987), da


Laurentian University, em Ontário (Canadá).
Persinger e o seu grupo elaboraram um instrumento em condições
de gerar campos eletromagnéticos fracos e focalizá-los em áreas
circunscritas da superfície cortical. Semelhante a um capacete de
motocicleta, o equipamento em condições de estimular partes discretas
do lobo temporal recebeu o sugestivo nome de God Helmet.
É difícil sintetizar em poucas linhas o trabalho de Persinger e
dos seus colaboradores, porque os seus experimentos foram realizados
durante anos em centenas de voluntários e com diversos paradigmas
experimentais. Por isso nos limitaremos a considerar somente o resultado
mais relevante obtido pela equipe canadense: o “capacete divino” está em
condições de induzir a sensação de uma presença contemporaneamente
espiritual e material, na ausência de outras pessoas no local em que
ocorre o experimento.
Durante os três minutos de estimulação temporal focalizada,
as pessoas submetidas ao experimento relataram o que sentiram,
traduzindo-o na linguagem da própria religião e da própria cultura.
Alguns disseram sentir a presença de Deus, outros de Buda, outros ainda
falaram de uma presença benevolente ou do milagre do universo. Neste
estado mental, alguns relataram sentir como que uma bem-aventurança
cósmica que revela uma verdade universal.
Persinger (1987) concluiu que a experiência religiosa e a fé em
Deus não são senão a consequência de anomalias elétricas cerebrais e a
vocação, também a de figuras mais carismáticas das grandes religiões,
tais como Moisés, São Paulo, Maomé e Buda, é originada a partir de tais
distúrbios neurológicos.
Com base no já exposto, pode-se afirmar que as conclusões de
Michael Persinger não são inferidas dos resultados dos experimentos.
Em outras palavras, não é a consequência lógica e obrigatória da leitura
dos êxitos da experimentação. Do fato de uma sensação ser produzida
por condições patológicas ou artificiais não se pode inferir que só estas
a possam produzir, mas unicamente que o cérebro está predisposto a
gerá-la. Lesões no hipotálamo podem causar fome intensa; e lesões na
amígdala causam desejo sexual, mas nem por isso dizemos que o apetite
de alimentos e o desejo de acasalar-se sejam apenas o produto de danos
cerebrais. Pode-se, portanto, supor que, como para as pulsões alimentares
e eróticas existe uma fisiologia, exista uma condição fisiológica dos
estados místicos e espirituais que não precisa da epilepsia ou do God

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298 Cescon, E.

Helmet para se manifestar e da qual ainda se sabe pouco em termos


biológicos.4
Apesar das numerosas críticas, a tese e as interpretações de Persinger
(1987) gozaram de um notável crédito até 2005, quando um grupo de
investigadores suecos realizou um estudo de verificação tentando repetir
os resultados obtidos com o God Helmet. O rigor e o empenho da equipe
escandinava permitiram a preparação de procedimentos otimizados, mas
os mesmos não reproduziram os resultados canadenses5 que, portanto,
não foram confirmados.
Uma crítica mais geral que foi movida contra as pesquisas ba-
seadas na “hipótese do lobo temporal” consiste em aventar que a
experiência espiritual inclua elementos variados e de diferente natureza
e na vida de muitos pode ser totalmente privada de estados mentais
ligados à dimensão mística e, por isso, permanece distante das sugestões
produzidas pelo distúrbio epiléptico ou da estimulação com campos
magnéticos fracos. Tal crítica foi acolhida pelos grupos de pesquisa que
buscam, no decurso de experiências do espírito e de práticas religiosas,
os correlatos neurofuncionais dos estados mentais, considerando a
possibilidade que, a condições práticas e experiências diferentes,
possam corresponder quadros de atividades diferentes, potencialmente
localizados em qualquer lobo do cérebro ou área do encéfalo.
Neste tipo de estudos, os pesquisadores muitas vezes confrontaram
as observações obtidas estudando estados mentais próximos em termos
de aparência funcional, ainda que gerados em realidades culturais
diferentes. Por exemplo, a calma gerada pela récita do terço nos católicos
foi comparada ao efeito produzido nos seguidores de outras religiões por
práticas caracterizadas pela repetição de fórmulas específicas.

3 O cérebro na meditação budista


Andrew Newberg e Eugene d’Aquili (2001) estudaram o cérebro
de budistas praticantes mediante tomografia e emissão de um só fotão
(Single Photon Emission Computed Tomography ou SPECT).

4
Como veremos mais adiante, o estudo da neurofisiologia do espírito é o objeto das
pesquisas mais recentes. Pode-se observar que a posição de Persinger parece marcada
pelo peso do prejuízo da psiquiatria do século XIX que considerava expressão de
patologia todo estado ou fenômeno mental remetido ao sobrenatural.
5 Faz-se menção a este trabalho na página 41 de BIELLO, David. Searching for God in

the Brain. Scientific American MIND, n. 18, v. 5, p. 38-45, 2007.

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Neurociência e religião 299

Esta metodologia de neuroimagem, empregando contrastes con-


vencionais, fornece quadros funcionais do cérebro com um grau de
definição bastante elevada e apresenta também a vantagem de permitir
identificar imagens com uma gama-câmera semelhante àquela que se
utiliza para as cintilografias comuns. A desvantagem desta metodologia
é dada pela baixa resolução espacial. Em outras palavras, com a SPECT,
a delimitação anatômica das áreas ativas em relação às passivas se torna
imprecisa.
Newberg e d’Aquili injetaram o contraste no sangue dos volun-
tários durante a meditação budista, uma prática constituída por um
conjunto de rituais formalizados, direcionados ao fim de obter estados
espirituais definidos, como a sensação de fusão com o universo. A
formação das imagens que deriva da assunção do contraste da parte dos
neurônios em proporção direta com o seu grau de atividade apresentava
um quadro característico na fase correspondente ao pico do transe
meditativo.
Quando algum dos oito budistas tibetanos participantes do expe-
rimento comunicava ter atingido tal estado, a distribuição do contraste
no cérebro assumia uma configuração totalmente peculiar, caracterizada
por uma brusca queda de atividade numa extensa área do lobo parietal,
associada a um incremento funcional no córtex pré-frontal.
Newberg, d’Aquili e os seus colegas deram uma interpretação de
tal quadro com base em noções clássicas de neuroanatomia funcional
(NEWBERG et al., 2001). Realmente, porque a parte em questão do lobo
parietal intervém na exploração, na busca da direção a seguir, para atingir
uma meta, na exploração de ambientes novos e na orientação espacial,
hipotetizaram que o seu silêncio refletia a cessação de processos que
ligam o sujeito com o ambiente circunstante, facilitando a sensação de
dissolução dos limites físicos e o desenvolvimento do sentimento de fusão
com o universo. Da mesma forma, a hiperatividade do córtex pré-frontal
foi interpretada recorrendo à sua bem conhecida importância na atenção,
no planejamento e em tarefas cognitivas que requeiram concentração: o
seu recrutamento no ápice do estado meditativo refletiria o fato de que
alcança-se tal condição por meio da concentração num pensamento ou
num objeto (NEWBERG et al., 2001; BIELLO, 2007).
Richard J. Davidson (apud BIELLO, 2007), com os seus cola-
boradores da Wisconsin-Madison University, estudou centenas de
budistas provenientes de todas as partes do mundo, empregando a
ressonância magnética funcional (fMRI).

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300 Cescon, E.

A ressonância magnética permite obter as imagens do cérebro


com o mais elevado grau de resolução espacial e tonal e, portanto, com
a máxima fidelidade anatômica. Por isso, desde a sua introdução, foi
considerada a técnica adequada para o estudo morfológico do sistema
nervoso central. Como é sabido, baseia-se na possibilidade que alguns
núcleos atômicos têm de “ressoar”, ou seja, de absorver e ceder energia
na forma de um sinal contendo informações sobre a densidade e sobre as
características químicas do tecido; a elaboração oportuna deste sinal se
traduz em imagens. A fMRI forneceu à pesquisa um instrumento precioso
para avaliar quais sejam as áreas ativas durante um processo psíquico
ou um estado mental. A fMRI está em condições de traçar o fluxo do
sangue oxigenado, em virtude das suas propriedades magnéticas que o
tornam diferente do sangue pobre em O2. Visto que este fluxo é dirigido
pelas solicitações dos neurônios que estão ativos naquele momento, a
fMRI está em condições de relatar fielmente a distribuição das áreas
com as células nervosas mais empenhadas em atividades metabólicas
a serviço da neurotransmissão. Presume-se que os grupos neurais mais
ativos, durante uma tarefa ou em provar uma emoção, sejam aqueles
responsáveis por tais funções e a interpretação das imagens prevê o
ajustamento do juízo com base nos repertórios-padrão de quadros
cerebrais obtidos de voluntários em condições basais ou correlatos a
diversos estados fisiológicos e patológicos.
As observações de Davidson evidenciam que os veteranos da
prática budista atingem um estado de “concentração sem esforço”
(BIELLO, 2007, p. 42). A esta altura queremos chamar a atenção
para uma consequência que deriva da aceitação da explicação linear,
e aparentemente quase banal, dada pelo grupo de Davidson à menor
ativação nos praticantes especializados: se o quadro registrado com a
fMRI nos menos especializados exprime um esforço funcional, então
reflete, em parte, uma atividade não específica e não estreitamente
correlacionada com os processos necessários à meditação.
É interessante perceber que, neste tipo de pesquisas, se de um
lado as funções psíquicas são postas sob técnicas, por outro lado
a experimentação constitui um teste para as próprias técnicas e para
os raciocínios interpretativos dos resultados sobre os quais se baseia
o sentido que atribuímos aos resultados. Nesta perspectiva, o estudo
realizado por Newberg e outros (2003) com irmãs pertencentes a uma
ordem franciscana, no ano sucessivo à publicação do trabalho com
budistas, pode assumir um valor de verificação.

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Neurociência e religião 301

4 As irmãs franciscanas e as mulheres glossolálicas

Os pesquisadores do Setor de Medicina Nuclear da Universidade


da Pensilvânia decidiram concentrar a atenção na fase mais íntima e
intensa da experiência espiritual, por isso escolheram três religiosas
católicas que satisfaziam o critério de aceder a uma intensa e profunda
participação e as submeteram à SPECT durante uma oração meditativa
caracterizada pela repetição mental de uma fórmula verbal. Nesta
condição, as religiosas viviam a sensação de estarem extremamente perto
de Deus a ponto de se sentirem numa completa comunhão espiritual com
o divino.
O perfil de ativação cerebral das religiosas cristãs em alguns
aspectos reforçava aquele dos budistas, mas, sobretudo, tornou
evidente que durante a meditação ocorrem vários processos cognitivos
coordenados entre si, que requerem um afinamento metodológico para
serem estudados.6
Foi objetado que, com as atuais técnicas, o estudo do correlato
funcional de um estado de êxtase meditativo é muito inespecífico e
arrisca não ter uma verdadeira e própria relação com a vivência religiosa.
Segundo tal posição crítica, deveriam ser estudados e confrontados
vários aspectos da vida espiritual e os pesquisadores deveriam estar
atentos a todos os fenômenos que interessam à consciência do sujeito
produzindo efeitos comunicáveis.
Entre os pesquisadores sensíveis a esta perspectiva está o próprio
Newberg (2006) que, há não muito tempo, teve a oportunidade de
estudar a função cerebral durante um evento excepcional conhecido
como glossolalia ou o dom das línguas, fenômeno que se verifica
espontaneamente durante estados de intenso fervor religioso e que con-
siste em exprimir-se com palavras muitas vezes incompreensíveis aos
presentes e, por isso, consideradas pertencentes a idiomas estrangeiros.
Andrew Newberg e os seus colegas examinaram a atividade cerebral
de cinco mulheres que, no auge de uma experiência mística, articulavam
expressões verbais insólitas, sugestivamente identificadas com o dom

6
Como veremos mais adiante, Mario Beauregard, da Universidade de Montreal,
estudou, por meio da fMRI, 15 irmãs carmelitas que responderam ao seu convite no
qual se pedia a participação de voluntários “who have had an experience of intense
union with God”. Beauregard escolheu um procedimento mais específico do estudo
de um estado meditativo.

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302 Cescon, E.

de falar línguas desconhecidas, e compararam os relatos aos de cinco


pessoas empenhadas em cantos religiosos. O resultado evidenciava, nas
mulheres em transe místico, uma diminuição de atividade nos lobos
frontais. Visto que esta parte do cérebro tem um papel importante no
autocontrole e nos processos cognitivos conscientes, os pesquisadores
concluíram que a singular aptidão linguística é o simples efeito da perda
desta função de controle.
Ao observar que, em perspectiva neuropsicológica, o controle
inibitório é atribuído ao córtex dos lobos frontais, pode-se afirmar que
os resultados deste estudo não acrescentam nada de conceitualmente
novo ao quadro interpretativo tradicional e, sobretudo, não permitem
pôr em relação o fenômeno com uma experiência religiosa específica e
com um processo cerebral exclusivo do “falar em línguas”.
Os autores do estudo observam, todavia, que da experimentação se
retira um interessante tema para uma reflexão crítica sobre a abordagem
“patogenética” das tradicionais explicações de tais manifestações. De
fato, os elementos emersos da análise das cinco mulheres não permitem
enquadrar na psicopatologia o insólito fenômeno locutório, não mais do
que se possa fazer com o falar durante o sono, no decorrer de hipnose
ou de um relaxamento profundo.
O aspecto que mais atraiu a atenção dos estudiosos nesta pesquisa
sobre uma fisiologia da espiritualidade do cérebro é a demonstração de
atividade em várias áreas do encéfalo.

5 Beauregard e Paquette verificam as teses de Persinger


Beauregard e Paquette (2008) tinham muitas dúvidas sobre a
existência do God Spot teorizado por Persinger, todavia sabiam que
esta tese se baseara na análise de centenas de voluntários, enquanto as
evidências de uma pluralidade de circuitos eram confiadas somente às
imagens das três religiosas obtidas mediante o SPET, uma técnica com
baixa resolução espacial e considerada obsoleta por muitos. Por isso se
propuseram o estudo de um número mais elevado de religiosas mediante
a fMRI e a Eletroencefalografia Quantitativa (QEEG), que consiste em
identificar patterns elétricos de ondas cerebrais, segundo uma escala
cromática, em imagens a cores.
Com dificuldades, os pesquisadores canadenses conseguiram obter
uma amostra constituída por 15 carmelitas que aceitaram deixar o retiro
claustral para submeterem-se a um estudo que objetivava verificar a

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Neurociência e religião 303

hipótese da participação de numerosas áreas cerebrais na fisiologia dos


estados místicos,7 com a utilização de procedimentos e métodos em
condições de fornecer dados mais detalhados e específicos do que os
obtidos no passado.
Paquette sugerira o estudo da unio mystica, ou seja, de um estado
de total união com Deus, atingido mediante a oração contemplativa. Por
isso a escolha recaiu sobre a ordem das carmelitas, religiosas que, na sua
vida de contemplação, objetivam a união espiritual com o divino.
É verdade que uma intensa experiência mística, percebida como
uma mudança do estado de consciência tão profundo a ponto de
modificar a percepção de si e do mundo se verifica somente uma ou
duas vezes em toda a vida de uma religiosa, mas é também verdade que
um constante exercício da oração contemplativa facilita a obtenção de
condições mentais de serena mansidão e de alegria que não têm paralelo
na experiência cotidiana da maioria, inclusive entre os religiosos.
Inicialmente os pesquisadores, um pouco ingenuamente, tinham
imaginado que as irmãs pudessem chegar à unio mystica durante os
experimentos; mas Irmã Diane, a madre superiora do Convento das
Carmelitas de Montreal, rindo observara: “Deus não pode ser convocado
sob solicitação” (BEAUREGARD; O’LEARY, 2007, p. 266).
A observação gerou um diálogo e uma reflexão sobre a forma de
conduzir os próprios experimentos. A propósito da pesquisa voluntária
da experiência mística, a religiosa advertira: “Você não pode buscá-la.
Quanto mais empenhativamente a busca, mais tempo deverá esperar”
(BEAUREGARD; O’LEARY, 2007, p. 266). Os pesquisadores traduziram
as suas palavras em termos neurofuncionais: a intenção voluntária pode
criar uma interferência, um distúrbio que deverá ser eliminado para
obter a condição mais adequada ao estado contemplativo.
Na definição do protocolo se decidiu recorrer ao seguinte esquema
experimental:
1. Revivência das experiências místicas mais significativas vi-
vidas anteriormente (condição mística);
2. Revivência do estado de união mais intenso vivido com uma
pessoa pertencente à ordem religiosa (condição afetiva); 
3. Estado de repouso como referência de base (condição
neutra).

7
Hipótese de Newberg e d’Aquili.

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304 Cescon, E.

Em todos os três casos, os olhos deviam permanecer fechados.


A condição afetiva do ponto “2” foi concebida como controle direto
daquela mística: um confronto entre os correlatos neurais dos dois estados
permitiria identificar diferenças e hipotetizar eventuais especificidades.
O estado de repouso fora previsto como controle geral.
Nesta base foram realizados dois diferentes estudos. Um dos
estudos investigou a atividade cerebral durante uma experiência mística.
O objetivo principal deste estudo era a certificação da existência de uma
área mais privativa do que outras no curso da experiência mística.
As 15 irmãs, nas três condições definidas (mística, afetiva e basal),
entraram no túnel de escaneamento do aparelho para a fMRI, onde o
sistema tomográfico, a cada 3 segundos, registrou a atividade cerebral
nas seções crânicas pré-escolhidas, obtendo um quadro funcional de
todo o encéfalo a cada dois minutos aproximadamente.
Concluído o teste, a interpretação das imagens se baseou no
confronto entre o estado de revivência da experiência mística e os outros
dois estados de controle. Os pesquisadores também quiseram pôr em
relação os dados objetivos com a vivência subjetiva das religiosas,
empregando uma entrevista não estruturada.
Durante as entrevistas levadas a termo no experimento, as religiosas
disseram ter sentido a presença de Deus e do seu incondicionado e infinito
amor, além de uma sensação de plenitude e de paz. Todas precisaram
que a reevocação da experiência mística solicitada pelos pesquisadores
gerara uma condição de consciência diferente daquela que tinham quando
buscavam autoinduzir o estado de comunhão com o Senhor. Ao reevocar,
muitas vezes se ativou uma imaginação visual e motora.
O principal resultado deste estudo consistiu em identificar pelo
menos 6 diferentes regiões encefálicas ativas somente durante a
reminiscência da experiência mística.
No segundo estudo, os pesquisadores submeteram à mesma
amostra de 15 irmãs carmelitas. Estas foram submetidas, nas mesmas
condições (mística, afetiva e de base) à pesquisa mediante QEEG, num
pequeno quarto escuro, em isolamento acústico e eletromagnético, com
a única exceção de uma câmara de raios infravermelhos que permitiu
aos pesquisadores a observação constante das religiosas.
Para definir a correspondência entre os dados QEEG e a experiência
subjetiva, foi empregado o procedimento do experimento precedente,
mas a descrição do que experimentaram testemunhou uma maior
intensidade da experiência.

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Neurociência e religião 305

Como no estudo precedente, várias religiosas relataram ter sentido


a presença de Deus e do seu amor incondicionado e infinito, além de
sensações de plenitude e de paz; além disso, experimentaram como que
um abandono no Espírito do Senhor.
Uma vida de oração e contemplação no silêncio do convento
permitiu às carmelitas sentirem-se bem no isolamento visual e acústico
do experimento. É importante destacar que, tentando reevocar uma
condição mística, as irmãs conseguiram, em parte, revivê-la: algo
nunca ocorrido anteriormente e pelas próprias religiosas considerado
impossível antes do experimento.
Os correlatos neuroelétricos mostraram, em relação às duas
condições de controle, uma presença geral de ondas lentas (atividade
theta) particularmente evidente em algumas áreas dos lobos parietais e
temporais, mas percebida também no córtex anterior da volta do cíngulo
e no córtex pré-frontal medial. Tais identificações são coerentes com a
mudança de estado de consciência.
Tomados em conjunto, os resultados destes dois estudos documentam
uma atividade cerebral ampla e complexa, que refuta definitivamente a
hipótese de um único centro localizado no lobo temporal com função de
base neural das experiências místicas.
Um segundo aspecto relevante é dado pelo êxito da comparação
entre o estado mental que se produz na revivência de uma experiência
mística e aquele que segue à reevocação do afeto sentido por uma outra
pessoa: as bases neurais são visivelmente diferentes.
Ulteriores estudos poderiam definir se os patterns, considerados
pelos pesquisadores canadenses na vivência subjetiva durante as
experiências místicas e afetivas possam ser pelo menos em parte
generalizados, e se algumas diferenças encontradas poderiam ser atri-
buídas às diversidades objetiváveis em termos de conteúdos mentais e
credo religioso.

6 O tipo de prática religiosa e até mesmo as convicções


dos praticantes poderiam influenciar os quadros de
fisiologia encefálica
Os estudos mais importantes, como vimos até aqui, foram
realizados com budistas em meditação e com religiosas cristãs em
contemplação, em geral assumindo uma hipotética equivalência entre
estados mentais induzidos por duas práticas fundadas em concepções e

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306 Cescon, E.

tradições muito diferentes. Num certo sentido, considerar equivalente o


estado meditativo e aquele contemplativo foi necessário, em virtude da
impossibilidade de aceder aos conteúdos mentais com procedimentos
que os tornem objetivos.
Nestes estudos a ratio interpretativa, induzida pela necessidade,
assimila as diferenças ligadas à religião a conteúdos inexploráveis
e, por isso, não relevantes para os fins da pesquisa. Contrariamente,
consideramos que as diferenças tais como o oposto comportamento
dos lobos parietais nos budistas e nas religiosas sejam merecedores de
atenção e possam ser objeto de uma reflexão que considere a possibilidade
de influência do tipo de prática religiosa na neurofisiologia ence-
fálica.
A propósito, observamos que a nítida separação entre o estado
cerebral e o seu conteúdo, como se o primeiro fosse um simples contentor
do segundo,8 pode esconder uma armadilha interpretativa considerável
que consiste em assumir a não demonstrada independência das funções
cerebrais que caracterizam os estados mentais daquilo que se pensa
e do modo como cada um, por efeito da cultura coletiva e evolução
individual, usa o próprio cérebro. Pense-se, por exemplo, no diferente
modo de conceber a consciência da parte de budistas e cristãos: nos
primeiros parece possível reduzir tudo a uma questão que se refere à
consciência moral e não àquela neurológica, entendida como estado de
vigília que permite a orientação no tempo e no espaço; mas refletindo
mais atentamente, pode-se observar que a diferente forma de conceber o
sujeito, o seu ser no mundo e relacionar-se com a realidade, pode incidir
sobre a consciência, podendo determinar um diferente eixo de alguns
correlatos neurofuncionais dos estados mentais. Por este motivo parece
útil discutir, mesmo que brevemente, algumas diferenças entre os dois
tipos de inspiração religiosa.
No budismo, como em outras expressões da religiosidade oriental,
supõe-se a existência de um estado cósmico estável de equilíbrio
ao qual o sujeito deve tender a pertencer. Para obter esta imaginária
fusão e perceber o efeito benéfico de uma harmonia interior, é neces-

8
Também em psicologia e em filosofia da mente a distinção entre conteúdo e consciência
constitui um problema de não fácil solução com o qual, por mais de quarenta anos, se
defrontou uma multidão de estudiosos que teve em Daniel Dennet o seu líder. Veja-
se: DENNET, Daniel C. Content and Consciousness. Londres: Routledge and Kegan
Paul, 1969 (texto originário apresentado como tese de doutorado).

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Neurociência e religião 307

sário renunciar às instâncias da vontade individual e enfraquecer a


consciência; de fato, a maior parte das práticas induz estados pré-hipnó-
ticos.
A consciência para o cristão é o lugar do encontro com Deus,9 a
dimensão do ser no qual o sujeito vigia sobre o risco de abandonar-se
aos instintos e a si mesmo e ceder aos caprichos do mundo. Os cristãos –
católicos, protestantes e ortodoxos – fundam a própria espiritualidade no
livre acolhimento da lei do amor, que sanciona um pacto individual com
a divindade, com base no qual serão julgados.10 O livre arbítrio, suma
expressão da liberdade de consciência, é o pressuposto imprescindível
para que se tenha, no exercício da vontade posta à prova,11 a escolha da
imitação de Jesus Cristo. É tendo conhecimento disto que o rompimento
dos vínculos que ligam o homem ao instinto e a sua substituição com
as ligações de responsabilidade assume valor. E é neste conhecimento
partilhado que se exercita o valor de testemunho do agir cristão. Escolha,
responsabilidade e testemunho, três fundamentos para o nascimento e a
manifestação da fé, são função da consciência individual, bem como a
vigilância de si na constante atenção ao exercício da virtude.
Esta profunda diferença entre as religiões afirmadas no Oriente e
no Ocidente ajuda a entender o papel diferente da prática ritual nestas
duas realidades.
No primeiro caso o exercício cotidiano tem por objetivo direto
a gênese de estados psicossomáticos semelhantes a um relaxamento
profundo12 e considerados manifestação no ser daquilo no qual se crê; no
segundo caso, as principais expressões do culto, das orações da manhã

9
Na cultura ocidental, é o lugar privilegiado do ser, no qual a vontade do sujeito assume
a responsabilidade das escolhas.
10
A teologia do pacto ou aliança, no cristianismo, prossegue a tradição hebraica do
Antigo Testamento que, nos dez mandamentos, exprime os vínculos que ligam a
consciência moral à vontade de Deus.
11
O sacrifício de Abraão é um exemplo paradigmático da provação: pedindo-lhe para
sacrificar o filho unigênito Isaac, Deus testa a fidelidade do patriarca levando-o para
além do limite tolerável para o homem, mas constatada a sua fé, o para e o premia
com benefícios estendidos às gerações sucessivas. Este episódio bíblico exemplar traz
à mente uma constante da cultura judaico-cristã: Deus chama e o homem responde;
uma cena que tem por palco a consciência e por protagonista a vontade.
12 Como vimos precedentemente, os estudos de Davidson e colegas na Wisconsin-

Madison University demonstraram que quanto maior é o exercício da prática budista,


mais relevante é a redução de atividade cerebral; aquilo que corresponde ao estado de
“concentração sem esforço” referido pelos praticantes, pode refletir a aprendizagem
cerebral a enfraquecer com maior imediatez e eficácia a consciência.

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308 Cescon, E.

ao exame de consciência à noite,13 requerem atenção consciente.


Por fim, queremos citar o caso de uma prática religiosa presente
entre os cristãos do Oriente, consistente na reiteração de uma fórmula
– por exemplo uma invocação – centenas de vezes. É evidente a
semelhança com as tradições asiáticas de longa e monótona repetição
de sons ou palavras que geram calma e relaxamento.
Para a compreensão da relação entre dimensão religiosa e dimensão
espiritual, é útil destacar que, enquanto no budismo a prática ritual
e experiência espiritual coincidem amplamente, na inspiração mais
profunda e originária da vida cristã, as práticas rituais têm valor somente
em função do apoio que podem dar ao espírito.

7 Problemas metodológicos e interpretativos levantados


pelos estudos apresentados
As objeções formuladas aos trabalhos até aqui apresentados não
se referem em sentido estrito ao valor dos dados emersos, mas, antes,
às interpretações e às conclusões tiradas pelos autores ou por outros
intérpretes de tais resultados.
Por exemplo, Beauregard (2006; 2007; 2008) interpreta os êxitos
da sua experimentação como uma prova evidente que os estados místicos
são mediados por uma rede bem distribuída no encéfalo. Entretanto, esta
não é a única leitura possível da ativação contemporânea de várias áreas.
Do mesmo modo, pode-se dizer que o significado fisiológico atribuído
pelos autores dos trabalhos às áreas ativas pode ter alternativas. Portanto,
uma reflexão crítica permite levantar problemas como os seguintes:
1. Não se dispõe de bancos de dados que permitam excluir com
certeza que os patterns de ativação registrados com métodos
de neuroimagem sejam, mesmo só em parte, inespecíficos.
2. As características específicas de uma experiência poderiam
consistir no tipo de comunicação existente entre as áreas e não
serem remissíveis às áreas ativas em si.

13
Esquematicamente podemos distinguir a oração, com o objetivo de comunicação, e a
cerimônia com a intenção de comemoração. No Pai Nosso, exemplo paradigmático da
oração cristã, o fiel se dirige a um interlocutor invisível e presente na própria mente,
ligando, através da própria consciência, o individual ao universal. Os ritos cerimoniais
coletivos, que incluem a oração e preveem numerosas formas e procedimentos, têm
em comum a comemoração, no sentido etimológico de tornar atual à consciência.

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Neurociência e religião 309

3. Alguns caracteres da experiência poderiam requerer grupos


neurais fixos e grupos variáveis; os primeiros ligados a uma
área específica do encéfalo e os segundos capazes de uma
função independente da localização, ou seja, situados em áreas
diferentes, mas desempenhando a mesma tarefa.
4. Muitas atividades cerebrais se fundam em processos de
breve duração aos quais as técnicas atualmente em uso são
“cegas”: caso se demonstrasse que a experiência mística nos
seus aspectos mais característicos se baseia em processos
semelhantes, os estudos conduzidos até agora perderiam todo
valor.
Os problemas propostos nos pontos 1 e 2 remetem à mais genérica
crítica ao modo corrente de interpretar os resultados obtidos com métodos
de neuroimagem que consistem em interpretar o estado fisiológico a
estudar com base nas funções atribuídas nos estudos precedentes às
distintas áreas que no novo estudo aparecem funcionando. Um tal
procedimento seria altamente confiável se o cérebro fosse organizado por
módulos monofuncionais, localizados cada um num território definido.
Alguns estudiosos têm dado muita atenção e reservado severas críticas
a esta nova tendência localizadora, que foi aproximada da ingênua
organologia do século XIX de Gall e Spurzheim.14
Na mesma ótica crítica, Seth Horowitz (apud BIELLO, 2007,
p. 44),15 neuropsicólogo da Brown University, assim se expressou em
relação à identificação de áreas ativas durante uma experiência mística:
“You list a bunch of places in the brain as if naming something lets you

14
Franz Joseph Gall, famoso anatomista do século XIX, publicou em 1825 a sua teoria
dos órgãos mentais, à qual chamou Organologia. As suas teses foram partilhadas
por Johan Kasper Spurzheim, que rebatizou esta localização das funções psíquicas
em presumidos órgãos cerebrais, Frenologia. A Organologia de Gall postulava a
repartição do cérebro num grande número de regiões, correspondentes a verdadeiros
e próprios órgãos mentais, independentes entre si e presentes desde o nascimento.
Cada órgão constituía a sede daquelas que a cultura do tempo reconhecia como
tendências, instintos e faculdades, tais como o instinto de reprodução, o amor pela
própria prole, o sentido da linguagem, a memória para coisas e fatos, a memória
para as pessoas, o gosto pelas lutas e combates, e assim por diante; ao todo vinte
e sete numa primeira versão e trinta e cinco numa segunda. A frenologia chegou a
considerar que o particular desenvolvimento de um órgão cerebral destinado a uma
tarefa fosse hereditário e determinasse uma evidente deformação crânica.
15 “Você elenca um grupo de lugares no cérebro como se denominar algo lhe permitisse

compreendê-lo”.

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310 Cescon, E.

understand it”. Paquette (2006; 2008) não hesita em comparar a maneira


com a qual muitos colegas seus tendem a interpretar os resultados da
ressonância magnética funcional (fMRI) à frenologia de quase dois
séculos atrás.
Alguns críticos defendem que a neurociência do espírito nunca
poderá investigar a vivência humana específica de uma religião, porque
tal especificidade derivaria do complexo de todos os seus componentes
e não consistiria nos processos mentais característicos de uma prática
singular. De fato, a experiência religiosa pode mudar a vida de uma pessoa
interessando-lhe todos os aspectos, do modo de conceber a si mesmos
ao modo de relacionar-se com os outros em todas as circunstâncias. Se
isolarmos um aspecto singular, por exemplo a generosidade para com
o próximo, encontraremos correlatos neurofuncionais que prescindem
dos conotados por um credo específico e seriam idênticos se a atitude
generosa fosse originada da adesão a uma organização humanitária, a
um partido político ou às regras de um contexto cultural.
Em resposta a esta crítica, alguns pesquisadores consideram
que se deva procurar definir a experiência religiosa da melhor forma
possível, individuando caracteres comuns a várias religiões e elementos
distintivos e, depois, tentando identificar bases neurobiológicas para tais
características.
A este propósito pode-se observar que algumas diferenças neuro-
funcionais entre espiritualidade budista e cristã, ou seja, as duas mais
amplamente investigadas, foram individuadas na comparação entre os
estados meditativos e, se bem que não haja acordo geral sobre a interpre-
tação dos correlatos neurobiológicos, é possível que bem cedo os resul-
tados de novos estudos ajudem a interpretar as diferenças com base em
novas comparações. O grupo de Newberg (2003), de fato, decidiu estudar
o cérebro de fiéis do islamismo e da religião hebraica durante a oração,
procurando investigar os aspectos característicos da atividade encefálica
no decurso de várias expressões religiosas destas duas grandes experiên-
cias monoteístas.16 O confronto entre todos os resultados poderia fornecer
uma primeira chave interpretativa baseada nas semelhanças e diferenças.
Davidson (apud BIELLO, 2007) considera, pelo contrário, que
os esforços de definição da experiência religiosa para compreender a

16
O propósito de Newberg não é de fácil realização, sobretudo no que se refere aos
muçulmanos, que se revelaram mais arredios do que os hebreus a submeterem-se a
pesquisa científica durante as manifestações da sua fé.

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Neurociência e religião 311

sua base neural não sejam a via correta a seguir e propõe uma solução
oposta. O estudo das bases biológicas da cognição e das emoções no
homem apresentou obstáculos intransponíveis até quando não se optou
pela decomposição em elementos remissíveis à percepção, à atenção e à
memória. Do mesmo modo, segundo Davidson, para estudar eficazmente
a neurofisiologia da espiritualidade, seria necessário decodificá-la em
termos de mudanças na atitivade dos três subsistemas, perceptivo,
atentivo e mnemônico: “A nossa única esperança é especificar aquilo
que ocorre em cada um daqueles subsistemas” (apud BIELLO,
2007, p. 45).

8 Primeiros resultados aplicativos


Os trabalhos publicados mais recentemente, concernentes à “busca
do espírito no cérebro”, podem ser esquematicamente agrupados em
duas categorias: 1) aqueles com objetivos remissíveis à busca das bases
neurobiológicas das manifestações da fé e das religiões; e 2) aqueles
destinados a isolar correlatos funcionais de experiências positivas para
empregá-los com objetivo terapêutico.
A pesquisa atualmente conduzida pelo grupo de Davidson (apud
BIELLO, 2007) pode ser remetida ao segundo dos dois endereços,
demonstrando a eficácia da meditação em determinar dois efeitos:
a) Aumento das habilidades cognitivas dependentes da atenção
Foram submetidos a uma prova de capacidade atentiva, pela equipe
de Davidson, 17 voluntários que, precedentemente, tinham realizado
três meses de treinamento intensivo em meditação e 23 principiantes do
exercício meditativo. O teste consistia em distinguir, em sequência, dois
números incluídos numa série de letras.
Os principiantes registraram desempenhos na média, ou seja, como
a maior parte das pessoas submetidas a esta prova, não reconheciam o
segundo número porque ainda concentrados no primeiro; os meditadores
exercitados, pelo contrário, conseguiam muitas vezes identificar ambos
os números. O resultado pode ser atribuído a um melhoramento da
concentração por efeito da intensa prática meditativa.
b) Retardamento do envelhecimento
A meditação parece em condições de retardar o desenvolvimento
de alguns sinais de envelhecimento cerebral. A comparação entre

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312 Cescon, E.

20 meditadores especializados e 15 sujeitos de controle fez registrar


nos primeiros uma maior grandeza em várias áreas do córtex cerebral.
Em especial, o córtex pré-frontal e a parte anterior da ínsula direita
eram de 4 a 8 milésimos de polegada mais espessas nos meditadores
do que nos de controle. É interessante saber que os sujeitos mais
velhos apresentavam os maiores incrementos de espessura: o
contrário do que acontece ordinariamente por efeito do envelheci-
mento.
Os primeiros êxitos desta experimentação já induziram alguns
pesquisadores a avaliarem a aplicação com objetivo terapêutico dos
efeitos benéficos da meditação. Newberg (apud BIELLO, 2007, p. 45),
por exemplo, começou uma pesquisa com pacientes com câncer e com
pessoas que, por várias causas, perderam precocemente a memória. Nos
doentes de câncer se quer verificar se a meditação pode aliviar o estresse
e as suas consequências sobre os sintomas e sobre o decurso da doença
e se pode reduzir a tristeza e a ideação depressiva derivadas do estado
físico e da consciência da gravidade. Nos pacientes amnésicos se quer
tentar obter, mediante o exercício meditativo, um melhoramento de
processos cognitivos elementares como suporte da neurofisiologia da
memória.

Considerações conclusivas
Se a Spiritual Neuroscience quiser reivindicar o direito à existência
como área distinta de estudos, não pode certamente limitar os seus
interesses às aplicações terapêuticas da meditação, mas deve aprofundar
todos os aspectos da influência da experiência espiritual sobre processos
cerebrais, das modificações fisiológicas na correlação mente-corpo a
uma atitude diferente em relação ao mundo.
Este tipo de pesquisa está apenas no início, mas a determinação, por
outro lado, não falta em muitos pesquisadores, sobretudo entre aqueles
que mais ativamente estão se empenhando para obter o reconhecimento
da independência e do valor do estudo das bases neurobiológicas da
dimensão transcendente.
Os estudos até agora realizados não foram concretizados com base
em programas e protocolos concebidos na ótica da dimensão espiritual
entendida como realidade neurofuncional. Por exemplo, foi estudada a
influência sobre parâmetros imunológicos ao assistir a curas no decurso
de cerimônias religiosas, ou foram avaliados os efeitos sobre o sistema

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Neurociência e religião 313

imunitário de um filme de intensos conteúdos de fé e esperança, mas


ainda não se tentou definir o pattern cerebral neuroimunológico que
torna estas experiências mais eficazes nos fiéis.
Beauregard (apud BIELLO, 2007) defende que a experiência
espiritual pode melhorar as funções do sistema imunitário e curar ou
prevenir distúrbios psíquicos como a depressão, por meio de uma visão
positiva da vida que desencadeia círculos virtuosos nas interações sociais
e levanta o umbral do desequilíbrio homeostático a eventos frustrantes
e estressantes. Paquette vai além, defendendo que o conhecimento
dos elementos essenciais da fisiologia cerebral da espiritualidade
poderá consentir a sua indução em chave terapêutica, modificando
o eixo funcional daqueles cérebros que parecem dispostos a gerar
descompensações psíquicas.
Por outro lado, a precisa identificação dos processos que permitem às
redes de células cerebrais de mediarem experiências místicas, religiosas
e espirituais, se para os não crentes constituirá uma confirmação da
natureza biológica do fenômeno religioso, para os crentes poderá ser
um motivo a mais para crer em Deus: reencontrar impressa a marca
indelével da sua imagem naqueles sistemas neurais que nos permitem,
se o quisermos, encontrá-lo dentro de nós.

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Recebido: 28/03/2011
Avaliado: 09/05/2011

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