Você está na página 1de 5

RESENHA

Romanelli, Geraldo e Biasoli-Alves, Z. M. M. (Orgs.)


Diálogos metodológicos sobre prática de pesquisa.
Ribeirão Preto-SP: Legis Summa, 1998,178 p.

Manoel Antônio dos Santos*

A produção de conhecimento científico na área da gação desenvolvidas pelos professores e pesquisa-


Psicologia no Brasil tem experimentado um aumen- dores que compõem o Programa de Pós-Graduação
to vertiginoso nas últimas décadas, com a consolida- em Psicologia. Cada capítulo apresenta um exercí-
ção e ampliação dos programas de pós-graduação. cio de reflexão crítica e de raciocínio científico
Essa expansão do ensino universitário cria uma de- acurado, aplicado a questões metodológicas atuais
manda por trabalhos que focalizem questões teóri- expostas com criatividade e, sobretudo, vitalidade.
cas e metodológicas ligadas ao processo de produ- Através desses estudos, o leitor é levado a descobrir
ção de saberes a fazeres no campo da investigação como nossas posições teóricas se interligam com
psicológica. Para que possamos nos engajar no pro- nossas opções metodológicas.
cesso de fazer saber é necessário que estruturemos, O pesquisador em Psicologia deve conhecer
de maneira consistente e conceitualmente articula- as características de cada abordagem metodológica
da, nosso saber fazer. para saber qual das estratégias melhor atende aos
A preocupação com o oferecimento de uma objetivos de sua investigação e se acercar de que a
sólida formação teórico-metodológica tem sido uma estratégia de sua escolha é realmente útil para res-
constante dos programas de pós-graduação. Um as- ponder às perguntas levantadas em seu estudo.
pecto crítico nesse campo da formação do pesquisa- O estudante de graduação e pós-graduação
dor é a carência de trabalhos que objetivem clara- encontrará nessa obra uma referência instrumental
mente quais os paradigmas que norteiam nossas prá- para seus trabalhos de pesquisa. O pesquisador em
ticas de pesquisa, para fazer frente aos desafios que formação nos mais diferentes campos de investiga-
se colocam ao desenvolvimento da Psicologia como ção encontrará insumos para novas reflexões sobre
ciência. os recursos metodológicos que têm pautado as estra-
No intuito de suprir essa deficiência, alguns tégias de investigação utilizadas nos anos recentes.
trabalhos têm emergido nos últimos anos. Os profes- O diálogo proposto, tendo como eixo norteador a
sores Geraldo Romanelli e Zélia Maria Mendes prática de pesquisa, serve como fomento para uma
Biasoli-Alves, contando com a apresentação do Prof. discussão interdisciplinar.
José Aparecido da Silva, publicaram o livro Diálo- Tendo como propósito articular os trabalhos
gos metodológicos sobre a prática de pesquisa reu- apresentados, tentaremos sintetizar as principais ques-
nindo contribuições de docentes vinculados ao Pro- tões colocadas pelos autores dos oito capítulos que
grama de Pós-Graduação em Psicologia da USP de compõem a obra organizada por Romanelli e Biasoli-
Ribeirão Preto, e nele o leitor encontrará a siste- Alves.
matização de um conjunto de estratégias de pesquisa Abrindo a coletânea, a Profa. Marina
empregadas em diferentes áreas da Psicologia. Massimi apresenta um trabalho extremamente origi-
Os trabalhos reunidos sustentam uma nal, versando sobre a História das Idéias Psicológi-
pluralidade de enfoques teóricos e uma diversidade cas no Brasil, desde o período colonial, que abrange,
de perspectivas metodológicas que refletem a em suas próprias palavras, "a reconstrução dos co-
heterogeneidade de abordagens e linhas de investi- nhecimentos e das práticas psicológicas próprios de
específicos contextos sócio-culturais do passado"
* Doutor em Psicologia Clínica, docente do Programa de Pós- (Ibid.,p. 11).
Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Pelas mãos da Profa. Marina somos con-
Letras da USP, campus de Ribeirão Preto, coordenador do NEPP duzidos aos primórdios da formação da nação brasi-
- Núcleo de Ensino e Pesquisa em Psicologia Clínica.
leira, guiados pelo fio condutor de uma metodologia hospitalar, etc. Além disso, a metodologia
criativa e rigorosa, proposta para investigar a Histó- observacional tem sido um valioso instrumento ao
ria da Psicologia. Quando o pesquisador elege um pesquisador interessado em obter uma maior objeti-
tema ele se depara, em primeiro lugar, com uma vidade na coleta de dados.
pluralidade de percursos possíveis. A propósito, a Inúmeras estratégias observacionais foram
palavra "método" - nos ensina a Dra. Marina Massimi elaboradas a partir das primeiras décadas do século
- tem origem etimológica na expressão grega meta XX: o "Registro Cursivo", a "Amostragem de Even-
odon, que significa "caminho para ". O que a autora to" e a "Amostragem de Tempo". No Brasil, o uso
propõe-se a apresentar é um desses caminhos possí- de estratégias de observação foi incrementado, um
veis, que consiste no método de investigação utili- tanto quanto tardiamente, na década de 70, junto com
zado pelo historiador da Psicologia, numa contribui- a implementação dos primeiros cursos de Pós-Gra-
ção importante para a historiografia das idéias psico- duação em Psicologia, enfocando predominantemente
lógicas. áreas como a Análise Experimental do Comporta-
A autora compara a investigação psicológi- mento e a Etologia. Somente a partir dos anos 80
ca a uma viagem imaginária que empreendemos a esse interesse se expandiu.
um país estranho ao nosso, em que o historiador se O capítulo seguinte, escrito pelo Prof. Mar-
debruça sobre as nervuras desse horizonte de idéias co Antônio de Castro Figueiredo, apresenta os ele-
sedimentadas pela experiência alojada no cerne da mentos-chave para a construção de escalas afetivo-
dimensão histórica. O objetivo do trabalho histórico, cognitivas de atitude. O autor inicia destacando o
segundo Michel de Certeau, um dos mais célebres valor instrumental da categoria atitude para estudos
historiadores contemporâneos, é buscar "aquilo que na área da organização do trabalho, na intervenção
somos". Portanto, a meta do conhecimento históri- em saúde, educação, grupos e pesquisa
co, o ponto de chegada do-historiador, tem a ver com mercadológica. E pontua que "especificamente para
sua própria origem. "O que determina esta viagem é formação profissional em saúde e atuação junto à
uma busca de identidade" (Massimi, 1998, p. 13), comunidade, a construção de escalas de atitude vem
que se materializa na escrita de diversos povos e cul- se afirmando como uma importante fonte de recur-
turas, através do tempo e do espaço, das sos para o levantamento de informações relevantes
descontinuidades e das aporias da história. sobre crenças e representações associadas a doen-
Esse trabalho contribui para a formação do ças, contágio, prevenção, tratamento e formas de
pesquisador psicólogo, independentemente de sua enfrentamento" (Figueiredo, p. 51). O capítulo se
área de atuação, à medida que leva em consideração propõe a identificar e discutir algumas questões teó-
que a dimensão histórica não é uma preocupação res- rico-metodológicas da avaliação de atitudes, forne-
trita ao historiador da Psicologia, mas permeia o pró- cendo um modelo matemático, com base na concep-
prio objeto da Psicologia e, nesse sentido, é inerente ção de Ajzen e Fishbein (1973), de mensuração des-
à natureza da investigação psicológica, se que é um dos conceitos mais importantes da Psi-
As professoras Maria Auxiliadora Campos cologia Social.
Dessen e Lilian Maria Borges discorrem sobre a apli- Os procedimentos técnicos preconizados para
cação, em termos de vantagens e desvantagens, de a construção de escalas de atitude são descritos de
diversas estratégias de observação do comportamen- maneira pormenorizada, cobrindo uma série de eta-
to que têm sido utilizadas, principalmente, na área pas que antecedem a elaboração definitiva das esca-
da Psicologia do Desenvolvimento. São descritos os las, com cada etapa fartamente ilustrada com exem-
principais métodos de observação, a saber: o Narra- plos, colocando o alcance e aplicabilidade do mode-
tivo, o de Amostragem e o de Classificação, bem lo teórico em discussão, bem como os limites do
como seu alcance e suas limitações. São colocadas instrumento.
em evidência as contribuições dessa abordagem Um outra contribuição inestimável, pela ori-
metodológica tanto para o campo do comportamento ginalidade de sua concepção teórico-metodológica,
humano como animal, em diferentes contextos de é oferecida pela Profa. Sônia Santa Vitaliano
atuação profissional: clínico, escolar, organizacional, Graminha, que apresenta um estudo no qual são
enfocados os recursos metodológicos utilizados em a partir dos dados fornecidos pela pesquisa empírica,
pesquisas sobre riscos e problemas emocionais e uma progressão, dirigida por perguntas gerais que o
comportamentais na infância, enfatizando a impor- pesquisador extrai a partir dos sistemas de categori-
tância de disponibilizá-los para os pesquisadores e as comportamentais descritivas já previamente ela-
professores da área. Com esse intuito, a autora des- borados e testados, que dêem respostas sobre o pro-
creve um Sistema de Categorias de Fatores Potenci- cesso e os direcionamentos que ele assume.
ais de Risco para a Saúde Mental Infantil, seguido de Em seguida, o Prof. Geraldo Romanelli ofe-
um Sistema de Categorias de Problemas Psicológi- rece uma exposição ao mesmo tempo didática e
cos Infantis e de um instrumento para avaliação de contextualizada sobre a aplicabilidade da entrevista
distúrbios emocionais e comportamentais na infân- no domínio da Antropologia, salientando as catego-
cia (Escala Comportamental Infantil A2 de Rutter, rias de troca e alteridade. O emprego do método
traduzida e adaptada pela autora). etnográfico tem recebido uma atenção crescente da
O primeiro e o segundo instrumento foram ela- literatura nas últimas décadas, gerando um instrumen-
borados com base em um trabalho exaustivo de sis- tal que vêm sendo cada vez mais apropriado por pes-
tematização de "dados levantados através de entre- quisadores de diferentes domínios das Ciências Hu-
vistas com mães de crianças encaminhadas para aten- manas e Biológicas, entre os quais se incluem a Psi-
dimento psicológico, na tentativa de identificar os cologia, a Educação, a Saúde e a Comunicação.
eventos e circunstâncias adversas a que a amostra foi Em seu trabalho, o autor se detém na descri-
exposta no decorrer de sua vida, bem como a proble- ção das características do método etnográfico, em
mática que motivou os pais a procurarem ajuda psi- suas linhas gerais, e discute mais especificamente as
cológica para o filho" (Graminha, 1998, pp. 71-72). condições de realização de entrevistas, enfocando
A autora descreve, em seguida, as propriedades particularmente o campo dialógico que se estabelece
psicométricas da Escala A2 Adaptada, e discorre so- entre o antropólogo e os participantes da pesquisa. A
bre os procedimentos para sua avaliação. situação de entrevista e a produção do discurso são
Dando prosseguimento à coletânea de traba- temas colocados em pauta, ancorados no conhecimen-
lhos, Sílvia Regina Ricco Lucato Sigolo e Zélia Ma- to de técnicas de coleta de dados prescritas pelo mé-
ria Mendes Biasoli-Alves apresentam uma proposta todo etnográfico e na contínuo exercício da reflexão
de sistematização da análise de dados colhidos sobre teórica sobre o material produzido. Cabe aí também
a interação mãe-criança. Parte-se da premissa de que a observaçãp participante.
"todas as opções que o pesquisadorfaz estão condi- O método etnográfico, originalmente aplica-
cionadas pelo enfoque que assume, pelo tema que do no contexto das sociedades ditas primitivas, pas-
investiga, mas sobretudo pelos objetivos contidos em sa para o estudo de populações urbanas. "Antes de
seu projeto" (Sigolo e Biasoli-Alves, 1998, p. 87). mais nada, o trabalho de campo deve ser orientado
Discute-se a necessidade de definição do tipo de re- e guiado pelo olhar antropológico, que se funda no
gistro a ser utilizado (minucioso e exaustivo, a fim estranhamento e no conhecimento teórico"
de permitir o levantamento de todo o repertório (Romanelli, 1998, p. 123). Para levar a cabo essa ta-
comportamental do sujeito nas situações observadas) refa, um pressuposto metodológico fundamental, se-
e da técnica a ser empregada (uso de vídeo), a cir- gundo DaMatta (1981), consiste em estudarmos a nós
cunscrição do contexto e da situação em que a obser- mesmos como se fôssemos o outro, isto é, realizar o
vação ocorreria (situações de rotina diária em ambi- processo de estranhar aquilo que é familiar.
ente natural) e, finalmente, a preocupação voltada O Prof. Romanelli termina seu artigo sali-
para a aferição da validade dos dados colhidos, e não entando que, embora a entrevista forneça dados li-
tanto para a sua fidedignidade, explorando-se os pro- mitados a um recorte empírico previamente estabe-
blemas colocados pela construção de sistemas de lecido, que constitui o campo da observação, a análi-
categorias: elaboração, testagem e definição dos sis- se deve levar em consideração a realidade social no
temas de categorias. qual o sujeito vive, isto é, o contexto macroestrutural
Uma das questões mais interessantes abor- onde são produzidas as representações que organi-
dadas pelo trabalho é a possibilidade de estabelecer, zam a vida social e conferem sentido às ações huma-
nas. Para tanto, é indispensável o recurso tanto ao dicotomia entre as abordagens de pesquisa qualitati-
conhecimento metodológico quanto à reflexão teóri- va e quantitativa. De forma consistente e vigorosa, a
ca. Profa. Rosalina realiza uma incursão pelos
paradigmas que informam e dão sentido às nossas
A análise de métodos e estratégias utilizadas práticas de pesquisa em Psicologia, oferecendo uma
no processo de construção de "um conhecimento que painel sucinto das questões emergentes no atual es-
se pretende científico" constitui o próximo capítulo tágio do conhecimento científico. A autora parte do
do livro, da autoria da Profa. Zélia Maria Mendes pressuposto de que o pesquisador que não sabe situ-
Biasoli-Alves. ar exatamente em que campo se insere seu trabalho
A autora inicia sua exposição com conside- de investigação, de onde se originam seus pressu-
rações acerca do significado que a ciência assume na postos e a que tipo de construção de conhecimento
sociedade contemporânea, como uma maneira siste- ele serve, incorre no risco de exercer uma "prática
mática de produzir indagações à natureza e obter res- alienada de pesquisa".
postas. A partir de uma reflexão articulada em torno Diz a autora: "É necessário que o pesquisa-
de uma perspectiva histórica, pontua os diferentes dor, muito mais do que saber defender sua posição
períodos evolutivos da construção do conhecimento metodológica em oposição a outras, saiba que exis-
científico em Psicologia, campo no qual as questões tem diferentes lógicas de ação em pesquisa e que o
de método emergem freqüentemente como uma vari- importante é manter-se coerentemente dentro de cada
ável crítica nos estudos. uma delas. Além disso, é necessário que o pesquisa-
A busca de identidade frente às outras áreas dor saiba explicitar em seu relato de pesquisa a sua
do saber fez com que a Psicologia procurasse se equi- opção metodológica e todo procedimento desenvol-
parar às Ciências Físicas e Naturais, adotando seus vido na construção de sua investigação e os quadros
paradigmas, isto é, assumindo todo um conjunto de de referência que o informam " (Silva, 1998, p. 159).
métodos e técnicas já consagrados pela comunidade A adoção de uma determinada concepção
científica. Isso levou à valorização dos pressupostos epistemológica repercute diretamente na postura que
do pensamento positivista, que reconhece como vá- o pesquisador vai assumir frente ao objeto de conhe-
lidos apenas os modelos de investigação que satisfa- cimento. Os positivistas e pós-positivistas almejam
zem os critérios de objetividade, definição obter explicação para o comportamento, o que
operacional de variáveis, proposição de leis gerais e condiciona ideais de predição e controle. Já os in-
explicações causais, poder preditivo e resultados re- vestigadores críticos buscam a interpretação, que
ferendados por análises estatísticas. A autora mostra instigue ou facilite mudanças sociais, enquanto os
que, com o advento de novos olhares, a produção de construtivistas enfatizam a reconstrução dos pontos
conhecimento em Psicologia enfrentou uma crise de de vista dos sujeitos implicados no fenômeno que
paradigmas, a partir da década de 70, disparada pela está sendo investigado.
valorização de posições epistemológicas colocadas A Profa. Rosalina conclui seu estudo postu-
como antagônicas, que contrapõem os métodos quan- lando que as abordagens qualitativas e quantitativas
titativos e qualitativos. mantêm entre si uma relação de complementaridade
Desse modo, não existiria uma estratégia de e não de incompatibilidade mútua, podendo inclusi-
pesquisa "boa" ou "ruim" em si mesma. Seu valor ve ser integradas em um mesmo projeto de pesquisa,
depende da adequação entre o problema a ser inves- embora devamos reconhecer as especificidades de
tigado e a maneira de abordá-lo. É preciso, portanto, cada abordagem.
mudar a ótica com que se analisa habitualmente as Em suma, o livro de Romanelli e Biasoli-
estratégias de pesquisa, estudando o "acerto do mé- Alves contribui decisivamente para ampliar a com-
todo escolhido frente ao objeto e aos objetivos do petência do investigador, trazendo à baila uma varie-
projeto" (Biasoli-Alves, 1998, p. 136). dade de questões metodológicas que abrangem dife-
Finalmente, concluindo o tomo, temos o tra- rentes instrumentos de avaliação do comportamento
balho magistral da Profa. Rosalina Carvalho da Sil- humano, tais como a observação, a entrevista e as
va, que parte da premissa de que há uma falsa escalas, com o intuito de alertar o pesquisador e o
professor sobre a necessidade de se adotar uma pos-
tura crítica frente à utilização das diferentes estraté-
gias metodológicas e de avaliar sua adequação aos
objetivos da pesquisa. A opção metodológica impli-
ca em uma postura do investigador frente à realidade
que se deseja investigar. Essa postura pode ser de
predição e controle, de compreensão e interpretação,
ou de reconstrução e transformação.
A escolha do referencial
metodológico implica também em diferentes visões
sobre o processo de produção e acumulação do co-
nhecimento científico, assim como diferentes crité-
rios de avaliação da qualidade do conhecimento ge-
rado. Assim, os viéses ideológicos que o pesquisa-
dor pode introduzir na condução de uma investiga-
ção não podem ser descartados, e considerá-los no
processo de construção do projeto de pesquisa im-
plica necessariamente em explicitar claramente em
que bases filosóficas e em que visão de homem e de
mundo esse projeto se assenta. Como assevera Silva
(1998, p. 173): "Existem critérios de qualidade e ri-
gor metodológico em todos os paradigmas, é neces-
sário que se saiba segui-los e explicitá-los na apre-
sentação do trabalho ".
Tendemos a desconfiar da relevância social
de estudos que não apontem soluções para uma soci-
edade em transformação como a nossa. Ao concluir-
mos a leitura desse instigante volume, notamos com
certo alívio o quanto os autores se esforçaram para
oferecerem não apenas uma descrição das comple-
xas tramas subjacentes às abordagens metodológicas,
mas também certas alternativas, o que sem dúvida
agrega valor aos trabalhos publicados. Por outro lado,
é preciso salientar que, por mais aperfeiçoado que
seja nosso método-caminho para conhecer a realida-
de, o conhecimento que produzimos conserva sem-
pre algo de insuficiente e incompleto, já que nunca
se ajusta perfeitamente à realidade que se pretendia
dar conta. Esse é o limite com o qual temos que tra-
balhar.