Aula 6 – Qualidade
Texto: Aula 4 – As Duas Primeiras Fases da Qualidade nos EUA
Aula 6 – As Duas Últimas Fases da Qualidade nos EUA
Qualidade na Produção – As 4 Fases da Qualidade
David Garvin – professor do MIT, estudioso do tema
da qualidade
identificou 4 fases no tratamento qualidade nos EUA
Primeira Fase ou Era da Inspeção
Segunda Fase ou Era do Controle Estatístico da
Qualidade
Terceira Fase ou Era da Garantia da Qualidade
Quarta Fase ou Era da Gestão Estratégica da Qualidade
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Primeira Fase - Fase da Inspeção
desde o início da Era Fabril
sua evolução acompanhou a evolução da indústria de
transformação
objetivos da inspeção
assegurar a conformidade ao projeto, dentro das
limitações da época
identificar e corrigir a falta de uniformidade
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Fase de Inspeção
produção artesanal – reunidos em um só galpão,
trabalhadores qualificados elaboravam um produto,
do início ao fim
componentes produzidos pouco a pouco, montagem
e ajustes manuais
produção em pequena escala
tarefa praticada de forma intuitiva, como uma
simples verificação, quando o produto era dado como
terminado
a qualidade do produto era função da qualificação e
da habilidade do trabalhador
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Fase de Inspeção – evolução
pressões por aumentos de quantidade, qualidade e
redução de custos
busca de aumento na velocidade da produção
aplicação crescente da divisão do trabalho
início do século XIX - Sistema Americano de Produção
“a utilização de maquinários de finalidade especial para
produzir peças que podiam ser trocadas umas pelas outras
seguindo uma sequência preestabelecida de operações”
racionalização da produção
peças intercambiáveis - fim do ajuste manual
primeira inspeção - durante a fabricação das peças
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Evolução da Fase de Inspeção
início do século XX – produção em massa
Taylor - Administração Científica
inspetor - um dos supervisores funcionais
1922 - “The Control of Quality in Manufacturing”,
G.S. Radford
atividades de inspeção associadas à ideia de
controle de qualidade
“oficialização” da função
responsabilidade gerencial distinta
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Segunda Fase - Controle Estatístico da Qualidade
1924 - Western Electric cria o Departamento de
Engenharia e Inspeção – objetivos
maior padronização e uniformidade
máxima informação - mínimo volume de dados
Bell Telephone Laboratories contratam pesquisa
primeira linha – amostragem
segunda linha - Controle de Processo - Shewhart
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Segunda Fase - Controle Estatístico da Qualidade
primeira linha – amostragem
Premissa que 100% é ineficiente => alternativa
verificar número limitado de um lote e decidir se é
aceitável
Aceitar lote ruim x rejeitar aceitável
=> riscos de aplicação do procedimento
Só se aplicava a lotes de produção individual
aplicação limitada do método
novo conceito - Nível Médio de Qualidade Produzida
(AOQL)
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Segunda Fase - Controle Estatístico da Qualidade
segunda linha - Controle de Processo - Shewhart
ponto de partida - variabilidade na indústria é inevitável
origens – matéria-prima, equipamento, operador ou
tempo
Questão – como distinguir as variações aceitáveis das
flutuações que indicassem problemas?
limites aceitáveis de variação
criou o Gráfico de Controle de Processo
1931 - “Economic Control of Quality of
Manufactured Product” – W. A. Shewhart
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Controle Estatístico da Qualidade
Gráfico de Controle de Processo
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Resultados do Controle Estatístico de Qualidade
as indústrias que adotaram as novas ferramentas
estatísticas obtiveram em retorno
redução dos custos de inspeção
aumento de qualidade e produtividade
circulação limitada da publicação – pouco impacto
fora do sistema Bell
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Impacto da Segunda Grande Guerra
expansão do uso do método
criação do Departamento de Guerra (1941/1942)
problema na aquisição dos insumos necessários –
estabelecimento de padrões de qualidade para uma
multiplicidade de fornecedores
treinamento de inspetores pelos estatísticos dos
Laboratórios Bell - êxito
a partir desses, foram montados outros programas de
treinamento
fim dos anos 40 - controle da qualidade - disciplina
reconhecida
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EUA – Fase de Garantia da Qualidade
anos 50/60 - ampliação dos instrumentos
No período da garantia da qualidade, a qualidade
passou de uma disciplina restrita na produção fabril
para uma disciplina com implicações mais amplas
para o gerenciamento
produção fabril => gerenciamento
A prevenção de problemas continuou sendo seu
objetivo fundamental, mas os instrumentos da
profissão se expandiram para muito além da
estatística
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EUA – Fase de Garantia da Qualidade
quatro movimentos – aspectos em comum
prevenção de problemas
maior abrangência das ferramentas
estatística
elementos gerenciais de motivação, coordenação
entre áreas
maior envolvimento
hierarquia
cadeia produtiva
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EUA – Fase de Garantia da Qualidade
Movimentos da Fase de Garantia da Qualidade
1º - quantificação dos custos da qualidade
2º - Controle Total da Qualidade
3º - engenharia da confiabilidade
4º - zero defeito
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1. Os Custos da Qualidade – Juran
resistência em investir na prevenção da qualidade
por falta de parâmetros quantitativos
Qual era o grau de qualidade suficiente?
1951 – “Quality Control Handbook” – a economia
da qualidade
mostra a economia trazida pela qualidade
custos evitáveis – defeitos e falhas dos produtos
reprocessamento, sucateamento, cliente insatisfeito
custos inevitáveis – prevenção
inspeção, amostragem, outros
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1. Os Custos da Qualidade – Juran
Os gerentes tinham, então, uma maneira de
decidir quanto investir na melhoria da qualidade:
Dois princípios:
Mais despesas com prevenção provavelmente se
justificariam desde que os custos das falhas
continuassem elevados.
decisões tomadas no início da cadeia (projeto) –
impacto sobre nível de custos da qualidade
(fabrica e no campo)
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2. Controle Total da Qualidade
visão mais abrangente de Feigenbaum (1956)
foco na integração de toda a empresa, todas as áreas
engajadas no esforço de trabalhar com qualidade
Produtos de alta Qualidade não seriam
produzidos se o departamento de fabricação
fosse obrigado a trabalhar isoladamente
garantia da eficácia → controle
Foco em todo as as etapas, começando no projeto do
produto e só terminando nas mãos do cliente satisfeito –
qualidade é um trabalho de todos
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2. Controle Total da Qualidade
Todos os produtos novos na medida que iam
passando do projeto para o mercado
envolviam as mesmas atividades
Do ponto de vista da qualidade eles podiam
ser agrupados em 3 categorias
controle de novos projetos – (avaliação da
“fabricabilidade, depuração de novas técnicas de
fabricação por meio de pilotos)
controle de material recebido – seleção de
fornecedores
Controle de produtos ou local de produção
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2. Controle Total da Qualidade – Outras Iniciativas
coordenação entre departamentos
Equipes interfuncionais – asseguravam a
representação de pontos de vista variados
participação ativa da alta gerência – responsável
final pela eficácia do sistema
adesão de Juran – utilização de relatórios de custos
da qualidade (manter a alta gerência interessada)
estabelecimento de padrões de qualidade
constatação importante - apenas estatística não
basta
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2. Controle Total da Qualidade – Outras Iniciativas
Novas responsabilidade:
desenvolvimento de novos produtos
Seleção de fornecedores
Atendimento aos clientes
Controle de fabricação
Era preciso uma nova função – engenharia de
controle da qualidade
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3. Engenharia da Confiabilidade
crescimento das indústrias aeroespacial e
eletrônica nos EUA
problemas com componentes de sistemas
qualidade – confiabilidade - garantia de desempenho
aceitável ao longo do tempo
corrente simultânea ao uso de estatística e
probabilidade
uso de sistemas com componentes redundantes
apoio das autoridades militares
ênfase na prevenção em todo o processo
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4. Zero Defeito
Philip Crosby - 1961/ 1962, na Martin Company
– mísseis Pershing – filial de Orlando
entrega de míssil em tempo recorde mediante
técnicas de treinamento e motivação
conclusões
o erro é inevitável?
não se obtém perfeição onde não se espera perfeição
necessidade de se concentrar na motivação e na
conscientização dos empregados
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4. Zero Defeito
erros decorrem da falta de
conhecimento
instalações adequadas
atenção (a causa menos considerada)
ênfases necessárias
filosofia, motivação, conscientização
fazer certo da primeira vez
identificação e correção dos problemas em sua origem
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Gestão Estratégica da Qualidade
foi surgindo aos poucos, em decorrência dos problemas
enfrentados pela indústria americana
Interesse dos diretores pela qualidade – associando-a à
lucratividade, definindo-a de acordo com o ponto de vista do
cliente e exigindo sua inclusão no processo de planejamento
estratégico
Essa mudança foi decorrente a várias forças externas:
perda de mercado por problemas de funcionamento
pressões do governo
legislação mais rigorosa
retirada de uso (logística reversa)
garantia além do prazo (garantia estendida)
processos judiciais - indenizações vultosas
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Gestão Estratégica da Qualidade
Maior Concorrência Externa – Japão
modelo americano - Garantia da Qualidade
prevenção
abrangência das medidas com relação à cadeia
envolvimento da alta gerência
modelo japonês
qualidade aliada à economia de recursos
maior abrangência – participação dos trabalhadores
Sociedade Americana de Controle da Qualidade
(ASQL) – discussões para estudar nova linha de ação
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Gestão Estratégica da Qualidade
qualidade passa a ser vista como vantagem
competitiva
ASQL define pontos essenciais
cliente última palavra
satisfação comparação com a concorrência
satisfação vida útil do produto
conclusão – a máxima satisfação é função de um
conjunto de atributos
atendimento às especificações x atendimento às
expectativas dos clientes
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Gestão Estratégica da Qualidade
Estratégias Empregadas
pesquisa de mercado – junto a clientes e concorrentes
Preço inicial X custo inicial + custo do ciclo de vida (gasto
de atendimento e manutenção)
reclamações como fonte de informação
envolvimento dos níveis hierárquicos mais altos
(presidência, diretorias)
melhoria contínua – comprometimento geral
educação e treinamento
melhoria nas comunicações
aumento na participação
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Gestão Estratégica da Qualidade
Decorrências
qualidade e lucratividade
manter o cliente
qualidade e produtividade
mudança de perfil dos profissionais
gerente x inspetor
planejador x controlador
qualidade como arma competitiva
faz parte do planejamento estratégico
metas de qualidade – alvos móveis
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Gestão Estratégica da Qualidade
normatização e padronização internacionais
Normas da Serie ISO 9000
Normas da Serie ISO 14000
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As 4 Fases da Qualidade nos EUA - Garvin
Inspeção Controle Garantia Gestão
Estatístico Estratégica
Métodos instrumentos Instrumentos e programas e planejamento
de medição técnicas sistemas estratégico
estatísticas
Papel dos inspeção, aplicação de mensuração, estab. de
profissio- classificação, ferramental planejamento, objetivos,
nais da contagem, estatístico programas educação,
qualidade avaliação treinamento
Responsá- departamento depto. de todos os empresa toda;
vel pela de inspeção produção e departamentos liderança das
qualidade engenharia gerências
Orientação identificar e Idem, com evitar erros e gerenciar
da abor- isolar os mais rapidez e construir qualidade
dagem defeitos menor custo qualidade
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As Bases da Competição Pela Qualidade
diferentes pontos de vista – diferentes
estratégias
econômico
maximização de lucro
equilíbrio de mercado
marketing
comportamento dos consumidores
satisfação dos clientes
operações
conformidade
práticas de engenharia
controle da produção
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O que é Qualidade e como se apresenta?
De acordo com Garvin, Dimensões
desempenho
características
Abordagens ou Definições confiabilidade
transcendente conformidade
baseada no produto durabilidade
baseada no usuário atendimento
baseada na produção estética
baseada no valor qualidade percebida
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Abordagens ou Definições
Embora o foco no Cliente seja um traço comum entre todas as abordagens,
Garvin reconheceu que esta concorrência entre visões era um obstáculo ao
entendimento da situação atual e então propôs uma visão ampla e
inclusiva, considerando cinco abordagens principais:
Transcendental: qualidade é uma “excelência inata” que só pode ser
reconhecida pelo Cliente através de sua própria experiência do produto.
Centrada no produto: qualidade é uma variável mensurável e precisa que
pode ser encontrada no conjunto das características e atributos de um
produto.
Centrada no valor: qualidade é função do nível de conformidade do
produto a um custo aceitável. Isso vincula as necessidades do consumidor
aos requisitos da fabricação.
Centrada na fabricação: qualidade depende da conformidade com os
requisitos, conforme estabelecidos pelo projeto do produto.
Centrada no cliente: qualidade está definida pelo atendimento às
necessidades e conveniências do cliente. Este enfoque é subjetivo pois as
preferências do cliente variam.
35 PUC-Rio - ENG1021 - Paulo Cunha
Abordagens ou Definições
Eventualmente haverá um choque entre os requisitos levantados e o preço
de mercado, assim obrigando uma revisão dessa cadeia (Centrada no
Valor). Em síntese, um processo que não aborde todos os ângulos da
Qualidade não terá chance de satisfazer ao Cliente e abrirá lacunas
potenciais para ação de concorrentes.
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Dimensões
Desempenho: trata dos atributos básicos de um produto, seu
funcionamento
Características: compreende aspectos secundários,
complementares ao essencial.
Conformidade: reflete o grau em que as características do
produto atendem padrões formais.
Confiabilidade: trata da probabilidade de mau funcionamento
do produto.
Durabilidade: expressa a vida útil de um produto.
Atendimento: compreende os fatores que podem afetar a
percepção do cliente.
Estética: é a aparência de um produto, o sentimento ou
sensação que ele provoca.
Qualidade Percebida: é a transferência da “reputação” do
fornecedor ao produto.
37 PUC-Rio - ENG1021 - Paulo Cunha
O que é Qualidade e como se apresenta?
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