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PREPARAÇÃO

IMPARÁVEL
rumo ao mpu
Direito Civil
Transmissão das Obrigações

Livro Eletrônico
DIREITO CIVIL
Transmissão das Obrigações
Prof. Carlos Elias

SUMÁRIO
Transmissão das Obrigações.........................................................................4
1. Aula de hoje...........................................................................................4
2. Noções Gerais.........................................................................................4
3. Cessão de Crédito....................................................................................5
3.1. Definição.............................................................................................5
3.2. Cessão de Crédito e Cessão de Direito.....................................................6
3.3. Importância no Sistema Econômico.........................................................7
3.4. Cabimento...........................................................................................8
3.5. Notificação ao Devedor..........................................................................9
3.6. Cessão Pro Soluto e Cessão Pro Solvendo............................................... 10
3.7. Evicção e Cessão de Crédito................................................................. 12
3.8. Pluralidade de Cessão do Mesmo Crédito................................................ 13
3.9. Penhora de Crédito.............................................................................. 14
3.10. Caso Especial: Pagamento com Cheque de Terceiro................................ 15
4. Assunção de Dívida................................................................................ 16
4.1. Definição........................................................................................... 16
4.2. Consentimento do Credor..................................................................... 18
4.3. Efeitos da Assunção............................................................................ 19
4.4. Extinção das Garantias Dadas pelo Devedor Primitivo............................... 20
4.5. Extinção das Exceções Pessoais do Devedor Primitivo............................... 20
4.6. Espécies de Assunção de Dívida............................................................ 21
4.6.1. Liberatória e Cumulativa................................................................... 21
4.6.2. Por Expromissão ou por Delegação..................................................... 22
4.7. Invalidade da Assunção: Efeitos............................................................ 22
4.8. Caso Especial: Assunção de Dívida no Caso de Alienação de Estabelecimento
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Comercial................................................................................................. 23
5. Cessão de Contrato................................................................................ 23
6. Contratos de Gaveta.............................................................................. 24
Resumo.................................................................................................... 26
Questões de Concurso ............................................................................... 27
Gabarito................................................................................................... 38

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CARLOS ELIAS
Consultor Legislativo do Senado Federal (único aprovado no concurso para
a área de Direito Civil, Processo Civil e Direito Agrário). Advogado.
Ex-membro da Advocacia-Geral da União (Advogado da União).
Ex-Assessor de Ministro do Superior Tribunal de Justiça. Mestre em
Direito pela UnB. Bacharel em Direito pela UnB (1º lugar no vestibular
1º/2002). Pós-graduado em Direito Notarial e de Registro e em Direito
Público. Professor em cursos de graduação, pós-graduação e em cursos
preparatórios para concursos em Brasília/DF e em outras cidades.

TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES

1. Aula de hoje

Olá, aluno(a)!! Vamos tratar hoje de transmissão das obrigações. Não é um

assunto que cai em grande quantidade em concurso, mas isso não diminui sua im-

portância. O assunto é relevante, porque, se cair em alguma prova, a maior parte

dos candidatos errará a questão, salvo você, que faz Gran Cursos Online!!! Rsrsrs

Vamos lá!

E repito: tenho procurado aprofundar as aulas, porque quero que você esteja

preparado(a) para as questões mais difíceis.

2. Noções Gerais

Começo pedindo a você para fazer esta questão:

1. (FCC/DEFENSOR – DPE-BA/2016 – Adaptado) Na cessão de crédito há novação

subjetiva passiva em relação à relação obrigacional originária.


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Errado.

O gabarito é “errado”, porque novação é diferente de cessão de crédito. Vamos

explicar.

Ao tratar de transmissão das obrigações, está-se a cuidar de hipóteses de mudan-

ças de credor e de devedor em uma obrigação, o que ocorre por meio da cessão

de crédito e da assunção de dívida. Atente-se para este fato: a transmissão das

obrigações não implica extinção da obrigação, mas apenas acarreta a migração da

condição de credor ou de devedor em proveito de outra pessoa. Por isso, não se

pode confundir a cessão de crédito e assunção de dívida com a novação, pois esta

última é hipótese de extinção da obrigação em razão da criação de uma nova.

3. Cessão de Crédito

3.1. Definição

Amigo(a), resolva esta questão:

2. (FCC/AUDITOR – SEFAZ-PE/2014) Salvo disposição em contrário, na cessão de

um crédito abrangem-se todos os seus acessórios.

Certo.

O gabarito é “correto”, porque o principal, em regra, abrange os acessórios. Se o

crédito é cedido, os seus acessórios também serão abrangidos. Vamos detalhar

mais.
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A cessão de crédito consiste na mudança do credor na obrigação. Não implica ex-

tinção da obrigação1, mas mera transferência da condição de credor para outra

pessoa.

Como regra, o crédito inteiro, incluindo os seus acessórios – como os juros, cláu-

sulas de multas e as garantias (pessoais ou reais) –, são abrangidos pela cessão,

salvo disposição em contrário (art. 287, CC). É nesse sentido que, se o crédito es-

tiver garantido por uma hipoteca (crédito hipotecário), o cessionário tem o direito

de exigir a averbação dessa cessão na matrícula do imóvel, conforme prevê o art.

289 do CC. Entendemos que, se a hipoteca incidir sobre imóvel de valor superior a

30 salários mínimos, a cessão do crédito hipotecário deverá ser feita por escritura

pública, por força do art. 108 do CC.

A cessão pode ser: (1) convencional, quando decorre de vontade do credor e do

cessionário; (2) legal, quando procede de lei, a exemplo do caso do art. 40, § 1º,

da Lei n. 6.766/1979, que determina a transmissão, para o Município, dos crédi-

tos que o loteador tinha dos compradores dos lotes na hipótese de o Município ter

completado as obras de infraestrutura diante da omissão do loteador; e (3) judicial,

quando procede de ordem judicial, a exemplo dos créditos do de cujus que, por

sentença de partilha, é transmitida para algum herdeiro.

A cessão pode ser onerosa ou gratuita, conforme o cedente exija ou não alguma

retribuição.

3.2. Cessão de Crédito e Cessão de Direito

Cessão de crédito e cessão de direito devem ser consideradas sinônimas. Quem

tem um direito é credor por poder exigir uma prestação de dar, fazer ou não fazer

1
Se fosse uma novação subjetiva ativa, haveria a extinção de uma obrigação pela criação de uma nova, que
se distingue da anterior por envolver um novo credor (art. 360, CC).
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de outrem. No caso de alguém que é titular de um direito real, ele pode exigir uma

prestação de não fazer de toda a coletividade, que é obrigada a abster-se de violar

o direito real do titular (aí há uma obrigação real).

Desse modo, as regras do art. 286 e seguintes do CC devem ser aplicadas às

hipóteses usualmente conhecidas como cessão de direito, salvo quando houver

norma expressa. Nesse sentido, há situações de leis que vedam a cessão de alguns

direitos, a exemplo do direito real de usufruto (art. 1.393, CC).

3.3. Importância no Sistema Econômico

A finalidade econômica da cessão de crédito é viabilizar a circulação do crédito

enquanto um bem com valor financeiro. Isso é muito comum na atualidade. Por

exemplo, incorporadoras, ao vender apartamentos “na planta” a preço parcelado,

costumam ceder esse crédito do consumidor a instituições financeiras por um preço

menor. Se, por exemplo, a incorporadora iria receber R$ 3.000,00 do consumidor a

daqui um ano, ela cede esse crédito a um banco em troca de R$ 2.800,00 em espé-

cie. Com isso, a incorporadora transforma em dinheiro um mero crédito. Por outro

lado, o banco terá um lucro de R$ 200,00 por poder cobrar o valor total da dívida do

consumidor. Essas formas de negócios são muito comuns e são uma das formas de

efetivação do que se conhece como factoring ou como antecipação de recebíveis2.

A cessão de crédito possui várias utilidades práticas. Relatarei um caso genérico

de que tive ciência. Uma empresa, após celebrar um contrato de locação na modali-

dade built to suit (art. 54-A, Lei n. 8.245/1991) para, depois de construir um prédio

encomendado pelo inquilino, receber um valor de aluguel mensal pela quantidade

de anos pactuada, conseguiu vender esses seus recebíveis (rectius, ceder onerosa-

mente esses créditos) para uma empresa securitizadora, a qual, com fundamento
2 Há várias outras formas de efetivar esses negócios, como, por exemplo, endosso de título
de créditos.
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na Lei n. 9.514/1997, emitiu Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), a serem

vendidos na Bolsa de Valores para investidores. Com isso, a empresa locadora con-

seguiu antecipar todo o dinheiro necessário para edificar o prédio, de modo que, ao

final do contrato de locação, terá um terreno com um prédio construído “de graça”.

A repercussão desse cenário de propriedades virtuais assentadas em crédito é

muito maior. Países “quebram” por problemas nesse mercado proprietário virtual.

Os sistemas financeiros da maior parte dos países estão assentados no tráfego de

créditos, envolvendo numerosas operações abrangendo esses ativos virtuais, des-

de negócios mais simples (como os de mera cessão de crédito, que é um instituto

de direito civil) até arranjos negociais mais complexos envolvendo temas de Direito

Empresarial e Financeiro.

Aqui, ao estudar cessão de crédito, estamos a tratar apenas de um grão de areia

no mar de institutos jurídicos que sustentam esse mercado invisível do crédito que

respalda a economia mundial.

3.4. Cabimento

Em regra, a cessão de crédito é admitida e independe de consentimento de ou-

trem. Excepciona-se essa regra quando houver (1) contrariedade à natureza da obri-

gação; (2) vedação em lei; e (3) pacto expresso pelas partes. Di-lo o art. 286, CC.

A natureza da obrigação pode ser incompatível com a circulação do crédito,

como sucede em obrigações personalíssimas. Ex.: quem contrata um advogado

não pode ceder o seu crédito (direito à prestação de serviço) a terceiro, por causa

do caráter personalíssimo, e o advogado não é obrigado a prestar serviço a tercei-

ros. Seria absurdo, porém, permitir que o cliente cedesse o crédito a um inimigo do

advogado, de modo a obrigá-lo a prestar serviço a um desafeto. Há caráter perso-

nalíssimo.
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A lei também pode proibir a cessão de crédito. Por exemplo, quem financia um

imóvel pelo banco e aliena fiduciariamente o imóvel como garantia do pagamento

desse empréstimo passa a ter um crédito: o direito a receber de volta a proprieda-

de após o pagamento da dívida (direito de reaquisição do bem). Esse crédito não

pode ser cedido a terceiros sem consentimento expresso do banco, por força do art.

29 da Lei n. 9.514/1997.

A vontade das partes também pode vedar a cessão de crédito. Essa cláusula

proibitiva, porém, tem de estar prevista no instrumento da obrigação expressa-

mente para ser oponível a terceiros cessionários de boa-fé (art. 286, CC). Trata-

-se da cláusula batizada como “pacto de non cedendo”. Companhias aéreas, por

exemplo, costumam proibir que o consumidor ceda o seu crédito (direito a exigir

a prestação do serviço de transporte aéreo) a terceiros. E há motivos econômicos

razoáveis para isso: a cessão de crédito pelos consumidores criaria um mercado

secundário indesejável para as companhias aéreas.

3.5. Notificação ao Devedor

A cessão de crédito não depende de consentimento do devedor, salvo natureza

da obrigação, lei ou pacto (art. 286, CC). O motivo é claro: devedor não tem direito

a caprichos e, se não quer outro credor, cumpre-lhe pagar a dívida.

Todavia, para que a cessão de crédito seja eficaz contra o devedor, de modo a

que ele passe a ser obrigado a pagar para o novo credor, é essencial que ele seja

notificado da cessão de crédito (art. 290, CC). A notificação se aperfeiçoa quando

o devedor, por escrito, declara ter ciência da cessão (art. 290, CC).

Sem essa notificação, a cessão só é eficaz entre o cedente e o cessionário. Daí

decorrem duas consequências importantes: (1) o devedor poderá pagar a dívida

para o cedente, que, para ele, ainda é o credor, consoante o art. 292, CC; e (2) o
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cessionário – por ter interesse jurídico no crédito – poderá praticar atos destinados

a conservar o seu direito, como, por exemplo, promover um protesto para inter-

romper a prescrição ou reivindicar medidas judiciais cautelares para bloquear bens

do devedor que esteja dilapidando o seu patrimônio abusivamente, tudo conforme

o art. 293, CC.

A falta de notificação do devedor não configura invalidade da cessão, e sim

ineficácia relativa. Se o devedor não cientificado pagar ao cedente, o pagamento é

válido e eficaz, mas caberá ao cedente repassar a prestação ao cessionário.

No tocante ao modo de aperfeiçoamento da notificação, é preciso que o próprio

cedente faça a notificação, pois isso inspira mais confiança na fidedignidade da

cessão. Nada, porém, impede que o cessionário o faça, desde que a comprovação

da cessão de crédito inspire, no caso concreto, confiança no devedor acerca de sua

veracidade. E tudo isso em respeito aos primados da boa-fé objetiva.

3.6. Cessão Pro Soluto e Cessão Pro Solvendo

Amigo(a), quero que você resolva esta questão:

3. (CESPE/ANALISTA – TRE-MT/2015) Na cessão de crédito, como regra, o cedente

responde pela solvência do devedor.

Errado.

O gabarito é “errado”, porque a regra é o contrário: o cedente não responde pela

solvência, salvo disposição em contrário. Vamos explicar.

Quanto à responsabilidade do cedente pela solvência do devedor, a cessão de cré-

dito pode ser pro soluto ou pro solvendo.


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A cessão pro soluto exonera o cedente da responsabilidade pela solvência do deve-

dor. O cessionário assume o risco. Em regra, as cessões de crédito são pro soluto,

salvo expressa previsão contratual diversa (art. 296, CC). O motivo é claro: quem

compra um recebível (ou seja, adquire um crédito por cessão) presumidamente

calculou os riscos de o devedor efetivamente ter condição de pagar a dívida no

vencimento e, com base nesse cálculo, pagou o cedente pelo crédito cedido. A ex-

pressão pro soluto envolve a ideia de que o cedente, ao transferir o crédito, quitou,

solveu a sua obrigação de transferir: a dívida dele está solvida (soluto).

Já a cessão pro solvendo não exonera o cedente da responsabilidade pela solvência

do devedor. O cedente é uma espécie de garantidor de que o crédito cedido será

pago. Trata-se de situação excepcional, razão por que a cessão pro solvendo de-

pende de previsão expressa (art. 296, CC). Essa espécie de cessão não caracteriza

propriamente uma cessão (assim entendida como a transferência efetiva do crédi-

to), e sim uma espécie de consignação. A expressão pro solvendo decorre do fato

de que o cedente, após transferir o crédito, ainda não quitou totalmente essa sua

obrigação, pois ela só se completará com o pagamento da dívida pelo devedor: ao

transferir o crédito, ele está em processo de pagamento, isto é, ele está solvendo

(pro solvendo) a sua dívida.

Na cessão pro solvendo, o cedente responderá caso o devedor não pague a dívida

(insolvência). Essa responsabilidade envolverá, no máximo, o valor que ele recebeu

do cessionário (e não o valor da dívida), acrescido de juros, além das despesas que

ele teve com a cessão (ex.: taxas de registro da cessão de crédito, se for o caso)

ou com a cobrança da dívida (ex.: custas judiciais e honorários pagos para a con-

tratação de advogado), conforme determina o art. 297, CC.

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3.7. Evicção e Cessão de Crédito

Antes de explicar, vamos para esta questão:

4. (FCC/Juiz – TJSC/2017) Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não

se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tem-

po em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título

gratuito, se tiver procedido de má-fé.

Certo.

Essa questão trata de uma aplicação da evicção no caso de cessão de crédito, e a

afirmação é “correta”. Vamos explicar.

A cessão de crédito é um negócio jurídico pelo qual se transmite a titularidade de

um crédito. Equipara-se, pois, no que couber, a qualquer outro tipo de negócio

translativo de propriedade.

Se a cessão de crédito for onerosa, ou seja, se o cedente cobrar algum preço pela

transmissão do crédito, aplicar-se-ão as regras usuais que vigoram para contratos

onerosos, como a regra segundo a qual o transferente é obrigado a garantir a exis-

tência da coisa transferida. Em outras palavras, o cedente é obrigado a garantir a

existência do crédito; ele não pode transferir um “crédito frio” e, se o fizer, deve

responder, independentemente de prova de culpa. Trata-se do art. 295 do CC, que

espelha a regra similar prevista no art. 447 do CC para os contratos onerosos.

Se, porém, a cessão de crédito for gratuita, já diz o ditado: “a cavalo dado não se

olham os dentes”. O cessionário não pode punir o cedente generoso pela inexistên-

cia do crédito, salvo se houver dolo. Nem mesmo a culpa pode chancelar. Trata-se

de mais uma aplicação da lógica de Justiça da tutela da gratuidade (proteção, sem


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prestígio, do beneficiário de liberalidade). Por isso, o art. 295 do CC só responsabi-

liza o cedente generoso pela inexistência do crédito (crédito frio) no caso de má-fé.

Essa regra guarda sintonia com o art. 392 do CC, que só responsabiliza o generoso

por dolo.

3.8. Pluralidade de Cessão do Mesmo Crédito

Há uma situação interessante que merece nossa atenção. Olhe esta questão:

5. (FCC/ANALISTA – TRE-AL/2010) Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito,

prevalece a primeira cessão formalmente e legalmente realizada independente-

mente da tradição.

Errado.

Se o credor cede o mesmo crédito a mais de uma pessoa, independentemente do

motivo (má-fé, lapso etc.), haverá um conflito entre os vários cessionários para

definir quem, enfim, terá direito efetivamente a receber o crédito. Nesse caso, pre-

valecerá o direito do cessionário que portar o documento que comprova a dívida

(ou seja, o título representativo da obrigação), conforme exposto pelo art. 291 do

CC. Assim, se o adquirente de um imóvel cede o seu crédito (o de receber o imó-

vel) a mais de uma pessoa, prevalecerá a cessão que se tenha aperfeiçoado com

a entrega do contrato de aquisição do imóvel: quem apresentar o contrato será o

novo credor. Só sobrará aos outros cessionários trapaceados reivindicar indeniza-

ção contra o cedente fraudulento ou relapso.

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Quando o art. 290 do CC alude a “título do crédito cedido”, ele está se referindo ao

documento que comprova a dívida, e não a títulos de crédito tratados no Direito

Cambial, como letra de câmbio, cheque etc. O Direito Cambial tem regras próprias

para a circulação das cártulas, de modo que não se aplica a elas a disciplina de

cessão de crédito. Ex.: para a circulação, as cártulas só dependem de endosso, o

qual não exige notificação do devedor para ser eficaz, o que se distingue da cessão

de crédito, cuja eficácia depende da notificação do devedor.

3.9. Penhora de Crédito

O crédito é um bem. Ele é um direito pessoal ou real e se enquadra como bens

móveis ou imóveis por determinação legal, nos termos dos arts. 80 e 83 do CC.

Tem conteúdo patrimonial, portanto. É por essa razão que ele é bem que pode ser

penhorado, salvo lei.

Segundo o art. 855 do CPC, a penhora de crédito se aperfeiçoa com a intimação

do credor para não dispor do crédito e do devedor para não pagar ao credor, e sim

para depositar em juízo. Caso a penhora recaia sobre direito do executado discutido

em juízo, a penhora se efetua mediante comunicação ao juízo respectivo, a fim de

averbar a penhora nos autos, o que se conhece na praxe forense como “penhora no

rosto nos autos” (art. 860, CC).

De fato, uma vez penhorado o crédito, o credor não pode mais cedê-lo, por for-

ça do art. 298 do CC e do art. 855, II, do CPC. Trata-se de cautela legal para dar

efetividade à penhora.

Se, porém, o devedor não for intimado, a penhora não terá eficácia para ele.

Isso significa que o devedor ficará livre da obrigação se pagar ao credor originário

ou a quem o credor originário indevidamente ceder o crédito. Só restará ao exe-

quente pleitear indenização contra o credor que indevidamente cedeu o crédito.


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3.10. Caso Especial: Pagamento com Cheque de Terceiro

Questão recorrente no dia a dia a ser enfrentada é a seguinte: o pagamento

com cheque de terceiro extingue a obrigação, se, posteriormente, houver sua de-

volução por falta de provisão de fundos? Há duas correntes.

Para a primeira corrente, se o credor recebeu cheque de terceiro e não fez res-

salva de que a quitação da obrigação só ocorreria após liquidação do cheque, tem-se

dação em pagamento pro soluto (por aplicação da regra da cessão pro soluto), de

modo a extinguir essa obrigação. A obrigação terá sido extinta com a entrega do

cheque, por se tratar de dação em pagamento. De fato, se a coisa entregue em pa-

gamento for título de crédito (expressão que abrange não apenas as cambiais mas

também os documentos relativos a créditos de índole obrigacional, e não cambial),

a transferência atrai as regras da cessão de crédito (art. 358 do CC). Nesse caso,

o credor assumiu o risco da solvência do terceiro e só deste poderá exigir o valor.

Assim já decidiu o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG, AI 353.225-0).

Para a segunda corrente, a extinção da obrigação só ocorre com o pagamento

em dinheiro, em moeda corrente (art. 315, CC). O cheque, por sua vez, só prova

o adimplemento após liquidação (art. 28, parágrafo único, da Lei n. 7.357/1985).

Logo, a relação contratual se mantém hígida contra o devedor enquanto o cheque

de terceiro não for compensado. Ademais, não haveria falar em substituição do

devedor pelo terceiro emitente do cheque, pois a condição do devedor decorre de

uma relação contratual ainda hígida, ao passo que a condição do terceiro emitente

sustenta-se em uma relação cambial. Descabe, ainda, falar em novação, à míngua

de animus novandi. Outrossim, não se falaria em cessão de crédito pro soluto ou

pro solvendo, porquanto a entrega do cheque de terceiro configuraria, por endos-

so, um ato de direito cambial, não extintiva da relação contratual existente, que

só se extingue com o pagamento em dinheiro à luz do art. 315 do CC. A propósito,


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recorde-se que a cessão de crédito é classificada como forma de transmissão das

obrigações, e não como hipótese de extinção da obrigação, consoante o CC, de

maneira que a cessão de crédito onerosa pro soluto não configuraria pagamento

enquanto liquidado em dinheiro. O TJDFT parece ter-se inclinado nesse sentido

(Ap. n. 2007.0710368989). Em concursos públicos, o CESPE se posicionou nesse

sentido (concurso de Agente de Polícia/PA, de 20073), à semelhança do 27º concur-

so de promotor do MPDFT, de 20054.

4. Assunção de Dívida

4.1. Definição

Amigo(a), antes de tudo, olhe esta questão:

6. (CESPE/ADVOGADO – TELEBRAS/2015) O consentimento do credor é requisito

para que um terceiro possa assumir determinada obrigação, exonerando o devedor

primitivo e resultando em alteração subjetiva na relação-base.

3
O Cespe reputou errado este enunciado: "Considere-se que tenha sido firmado um contrato e que o devedor
tenha efetuado o pagamento da quantia devida ao outro contratante, mediante a entrega de um cheque, ao
portador, de emissão de terceiro, que foi posteriormente devolvido por falta de provisão de fundos. Nessa
situação, o devedor se libera da dívida, com a entrega do mencionado título ao credor, passando o emitente
do cheque a assumir a condição de devedor, ou seja, ocorrendo a substituição da parte devedora da relação
jurídica".
4
O MPDFT reputou errado este enunciado: "Suponha que foi firmado um contrato de prestação de serviço
e venda de  mercadorias, tendo o devedor efetuado o pagamento da quantia devida ao outro contratante,
mediante a entrega de um cheque, ao portador, de emissão de terceiro devolvido por falta de provisão de
fundos. Nessa situação, o devedor se libera da dívida, com a  entrega do mencionado título ao credor, pas-
sando o emitente do cheque a assumir a condição de devedor, ou seja, ocorrendo a substituição da parte
devedora da relação jurídica".
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Certo.

A questão trata da assunção de dívida e faz uma afirmação “correta”. Vamos explicar.

A assunção de dívida também é chamada de cessão de débito. Consiste na trans-

missão da condição de devedor para outrem, o assuntor5. É a substituição do deve-

dor. É uma sucessão a título singular do débito.

Não há extinção da obrigação, mas mera mudança da pessoa do devedor. Essa é

a principal diferença entre a assunção de dívida e novação subjetiva passiva pre-

vista no art. 360, II, do CC. Na novação, há extinção da obrigação originária, com

o consequente desaparecimento de seus acessórios, como os juros, multas etc., e

de suas exceções comuns (as relacionadas ao próprio débito – como a prescrição).

Não sucede o mesmo com a assunção de dívida, que não enseja a extinção da obri-

gação nem de seus acessórios (salvo as garantias especiais, na forma do art. 300

do NCC) nem das exceções comuns (como a prescrição6).

A assunção de dívida não era prevista no CC/16, mas era admitida pela doutrina e

jurisprudência com base no princípio da autonomia da vontade.

Historicamente, a assunção de dívida nasceu apenas no final do século XIX, no

direito alemão. É que a concepção personalista7 da obrigação do direito romano

impediu o desenvolvimento da matéria.

Qualquer dívida pode ser objeto de assunção de dívida, salvo as personalíssimas

(intuitu personae), como a obrigação alimentar. De fato, ante a natureza persona-

5
Neologismo utilizado por civilistas, como Antunes Varela, Nelson Rosenvald, Cristiano Chaves, Carlos Roberto
Gonçalves (Gonçalves, 2011, p. 228).
6
Alerto que exceções pessoais não se transmitem, à luz do art. 302 do CC; só as exceções comuns.
7
Essa concepção personalista subjaz à própria etimologia do verbete credor. Credor vem de credere, que é
aquele que confia. O credor confia em determinada pessoa, e não em outras, por suas qualidades e capaci-
dade patrimonial. “Por isso, qualquer ideia de substituição no polo passivo era apenas admitida como nova-
ção subjetiva, com a consequente extinção da obrigação que incidia sobre o devedor originário, constituin-
do-se um segundo vínculo obrigacional com o novo credor” (Rosenvald e Farias, 2010, p. 302).
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líssima do débito alimentar, jamais se admitiria a sujeição de terceiros às prerro-


gativas desse tipo de obrigação, como a prisão civil. Daí o motivo da sua intrans-
missibilidade inter vivos.

4.2. Consentimento do Credor

O devedor só pode ceder a dívida a outrem com consentimento expresso do cre-


dor (art. 299, CC). Esse consentimento decorre do princípio da boa-fé objetiva: o
credor tem o direito de escolher o devedor, avaliando, por exemplo, a sua condição
de solvência.
Sem o consentimento do credor, a assunção de dívida não é eficaz em relação
ao credor, mas apenas entre as partes. Não se trata de invalidade, e sim de eficá-
cia. Ter-se-á aí o que, no popular, chama-se de “contrato de gaveta”. Caso o credor,
posteriormente, consinta, esse consentimento deve surtir efeito ex tunc, por se
tratar de uma sanação no plano da eficácia, à semelhança do que sucede no caso
de aquisição superveniente de bem objeto de alienação fiduciária por quem não era
dono (art. 1.361, § 3º, CC).
Se o credor for notificado para apresentar o seu consentimento, o seu silêncio
presumirá recusa, conforme determina o art. 299, parágrafo único, CC. Afasta-se
aí o princípio do silêncio conclusivo previsto no art. 111 do CC.
Essa é a regra geral, mas há exceção no art. 303 do CC, que determina que o
silêncio do credor por 30 dias após a notificação equivalerá a consentimento se o
seu crédito era garantido por hipoteca. É que, nesse caso, não há prejuízo ao cre-
dor, que possui uma garantia real à solvabilidade da dívida.
Entendemos que, por analogia, o art. 303 do CC deve ser estendido também
para casos de créditos garantidos por alienação fiduciária em garantia, pois a pro-

priedade fiduciária é um direito real que concede uma garantia muito mais eficiente

do que a hipoteca. Desse modo, inexistem motivos para não lhe estender uma re-

gra voltada para a créditos hipotecários.


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Essa exceção do art. 303 do CC não se aplicará em financiamentos imobiliários

feitos pela Caixa Econômica Federal no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação,

pois, nesses casos, o seu silêncio será interpretado como recusa, uma vez que o art.

3º da Lei n. 8.004/1990 exige consentimento expresso do financiador. Na verdade,

à luz do art. 3º, § 1º, da Lei n. 8.004/1990, a transferência da dívida deve ocorrer

por meio de nova contratação, o que significa que a assunção de dívida é vedada e

que a única forma de uma nova pessoa assumir a dívida é por meio de uma nova-

ção subjetiva passiva (celebra-se novo contrato para extinguir o anterior).

4.3. Efeitos da Assunção

A assunção de dívida libera o devedor da obrigação, salvo se o credor ignorava

o estado de insolvência do assuntor (art. 299, CC). Entendemos que essa igno-

rância deve ser interpretada em conjunto com a boa-fé objetiva: somente poderá

o antigo devedor ser responsabilizado pela dívida se ele tiver, de má-fé, induzido o

credor a erro quanto à condição de insolvência do assuntor. Ex.: se o devedor con-

tribui para que o assuntor aparente ter riqueza com base em documentos falsos,

ambos devem manter-se responsáveis pelo adimplemento da dívida. Não havendo

contribuição dolosa do devedor originário, entendemos que ele jamais poderá vir

a ser responsabilizado pela dívida, pois o risco de insolvência do devedor deve ser

suportado pelo credor que consentiu com a assunção.

Em nome do princípio da autonomia da vontade, é plenamente admissível pacto

expresso afastando a responsabilidade do devedor originária, no caso de desconhe-

cida insolvência do assuntor: a regra do art. 299 do CC é de ordem privada (norma

dispositiva ou supletiva), e não de ordem pública (norma cogente), de modo que

admite pacto em contrário.


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4.4. Extinção das Garantias Dadas pelo Devedor Primitivo

Como decorrência lógica da exoneração do devedor primitivo com a assunção de

dívida, todas as garantias dadas por ele, como uma hipoteca, extinguem-se com a

assunção, salvo consentimento expresso dele (art. 300, CC). O contrato de cessão

de dívida devidamente assinado pelo credor e sem previsão de consentimento do

devedor quanto à manutenção da hipoteca é, por exemplo, título idôneo para aver-

bar o cancelamento do registro da hipoteca na matrícula do imóvel no cartório8.

4.5. Extinção das Exceções Pessoais do Devedor Primitivo

Amigo(a), veja esta questão:

7. (CESPE/JUIZ – TJDFT/2015 – ADAPTADO) Na assunção de dívida, o novo de-

vedor pode opor ao credor as exceções, de qualquer natureza, que competiam ao

devedor primitivo.

Errado.

Novo devedor, novas exceções. Daí decorre que o assuntor obviamente não pode

opor as exceções pessoais do devedor primitivo (art. 302).

“Exceções” significa defesa. Exceções pessoais são defesas que uma pessoa es-

pecificamente possui, a exemplo da exceptio non adimpleti contractus (art. 476,

CC), vício de consentimento etc. Não poderia, por exemplo, o assuntor se recusar a

cumprir a obrigação alegando que o negócio jurídico é anulável diante de um erro

sofrido pelo antigo devedor, pois aí se tem uma exceção pessoal.

8
Evidentemente, há de observarem-se os requisitos formais de registros públicos, como a descrição do bem
(princípio da especialidade objetiva), a necessidade de firma reconhecida se o contrato se formalizar por
instrumento particular (arts. 221, II, e 250, II e III, da Lei n. 6.015/1973) etc.
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Exceções comuns, porém, vinculam-se objetivamente à prestação, e não à pessoa

do devedor, razão por que podem ser alegados pelo assuntor. Ex.: prescrição, pa-

gamento etc.

A nosso ver, o devedor primitivo pode transmitir ao assuntor todos os seus direitos

pessoais e as suas respectivas ações, por constituírem bens móveis (art. 83, III, do

NCC). Havendo essa alienação mobiliária, o assuntor poderá invocar as exceções

pessoais do devedor primitivo contra o credor. Ex.: poderá invocar a exceptio non

adimpleti contractus, pleitear judicialmente indenização por perdas e danos etc.

4.6. Espécies de Assunção de Dívida

4.6.1. Liberatória e Cumulativa

Há duas espécies de assunção de dívida: a liberatória e a cumulativa.

A assunção liberatória ou simples é a prevista no NCC, que exime o devedor

primitivo da obrigação, pois o assuntor passa a ser o único devedor.

A assunção cumulativa é aceita por parte da doutrina9 e não possui previsão

expressa no CC. Nesse caso, a assunção de dívida não exonera o devedor primiti-

vo, mas apenas amplia o polo passivo da obrigação com o ingresso do assuntor. Só

haverá solidariedade entre o assuntor e o outro devedor originário se houver lei ou

pacto, conforme prevê o art. 265, CC. Temos que a assunção cumulativa é mero

aditivo contratual, ou seja, uma mera modificação de suas cláusulas por vontade

das partes e, portanto, não configura novação.

Sob essa perspectiva, a assunção cumulativa não se confundiria com a fiança,

pois o fiador assume uma obrigação própria, diversa da principal. O fiador não se

9
Há quem, na doutrina, não admita a assunção cumulativa como uma assunção de dívida, em virtude de não
haver exoneração do antigo devedor e, portanto, não haver transmissão a título singular do dever.
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torna parte do contrato, mas apenas um terceiro interessado, em razão do seu

contrato acessório.

Entendemos que essa espécie de assunção de dívida (a cumulativa) mais obs-

curece do que esclarece, razão por que preferimos não a considerar como uma

assunção de dívida.

4.6.2. Por Expromissão ou por Delegação

O credor é o senhor do crédito, e devedor não tem direito a opor-se. Daí decor-

re que o devedor não pode transmitir o débito a terceiros sem o consentimento do

credor. Também decorre daí que, mesmo sem anuência do devedor, o credor pode

mudar o devedor. Sob essa ótica, a doutrina aponta a existência de duas espécies

de assunção de dívida: a por expromissão ou a por delegação.

A assunção de dívida por expromissão, na modalidade expropriatória, ou assun-

ção externa ocorre quando não há anuência do devedor, mas apenas de ajuste feito

entre o credor e o assuntor. Metaforicamente, o devedor é expulso (expromissão)

do polo passivo.

Já a assunção de dívida por delegação, na modalidade delegatória (ou da dele-

gação), ou assunção interna provém de uma negócio trilateral, dada a participação

do credor, devedor e assuntor. Há, por assim dizer, uma delegação da dívida pelo

devedor originário ao assuntor, delegação essa cujo aperfeiçoamento depende do

consentimento do credor.

4.7. Invalidade da Assunção: Efeitos

Invalidada a assunção de dívida, segue-se a regra geral do retorno ao status

quo ante do art. 182 do CC. Daí decorre que é restaurada a dívida originária, com

todas as suas garantias prestadas pelo devedor originário.

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Todavia, por não se poder atingir terceiros, esse retorno ao status quo ante não

restaurará garantias dadas por terceiros (ex.: fiança), salvo se eles conheciam o

vício. A boa-fé objetiva é o guia para vincular ou não o terceiro, pois, se ele sabia

do vício, era seu dever informar isso ao credor, por força do dever anexo de infor-

mação, como lembra Rosenvald e Farias.

4.8. Caso Especial: Assunção de Dívida no Caso de Alienação


de Estabelecimento Comercial

Conforme estabelece o art. 1.146 do CC, o adquirente de estabelecimento co-

mercial responde por dívidas anteriores ao trespasse (alienação do estabelecimen-

to), desde que tenham sido regularmente contabilizadas, ao mesmo tempo em que

o devedor primitivo fica solidariamente responsável pelo prazo de um ano. Nesse

caso, há, por determinação legal, uma mescla de assunções cumulativa e liberató-

ria. No primeiro ano, há uma assunção cumulativa da dívida por parte do adquiren-

te do estabelecimento, com previsão legal de solidariedade passiva. Após um ano,

tem-se uma assunção liberatória, pois ocorre a exoneração do devedor primitivo

do polo passivo.

5. Cessão de Contrato

A cessão de contrato é a transmissão da posição contratual de uma pessoa a

outrem. Não tem previsão expressa no CC por constituir um contrato atípico (art.

425, CC). O CC português optou por disciplinar expressamente essa matéria sob

o título de “Cessão da posição contratual” nos seus arts. 424º ao 427º, cuidando

dessa situação nos contratos bilaterais, ou seja, quando as partes são credoras e

devedoras (ex.: no contrato de compra e venda, vendedor tem dever de transferir


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bem, mas tem o direito a receber o preço). Em suma, o CC exige o consentimento

expresso da outra parte para a cessão de contrato.

O CC brasileiro acertou em não dedicar dispositivos específicos para esse ne-

gócio, pois, na realidade, a cessão de contrato nada mais é do que uma cessão de

crédito aliada a uma assunção de dívida. Se o comprador de um imóvel a preço par-

celado decide ceder a sua posição contratual a outrem, ele está, na verdade, prati-

cando dois negócios jurídicos: uma cessão de crédito (o direito a receber o imóvel)

e uma assunção de dívida (transferindo o dever de pagar as parcelas do preço).

Aplica-se aí as regras de cessão de crédito e de assunção de dívida para cada cré-

dito ou dívida cedidos. Daí decorre que, na referida hipótese, haverá necessidade

de o vendedor consentir, ao menos, com a assunção da dívida pelo terceiro. Sem

o seu consentimento, o comprador só poderá ceder o seu direito de crédito (o de

receber o apartamento), mas continuará, no polo contratual, com o dever de pagar

o preço parcelado.

A figura é extremamente usual no cotidiano, especialmente em negócios conhe-

cidos como “venda do ágio” – negócios pelos quais os proprietários de veículos ou

de imóveis financiados pretendem transferir para terceiros o bem juntamente com

o ônus de assumir a dívida do financiamento. Em suma, o terceiro paga um valor

ao titular do bem a fim de adquirir o direito sobre a coisa e de assumir a condição

de devedor em relação às prestações pecuniárias restantes do parcelamento.

6. Contratos de Gaveta

Ainda hoje, a informalidade é uma característica marcante no mercado brasilei-

ro. No campo contratual, há a figura popularmente conhecida como “contratos de

gaveta”, que se referem genericamente a contratos que não possuem eficácia ple-

na, mas apenas entre as partes que o celebraram (daí a metáfora da expressão “de
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gaveta”: é um contrato que está na gaveta; que só tem eficácia entre as partes).

Como exemplo, posso citar as famosas “vendas do ágio” de modo informal, como

as assunções de dívidas sem consentimento do credor. Outro modo recorrente de

contrato de gaveta se dá por meio do emprego de mandato em causa própria (art.

685, CC) outorgado por quem financiou um bem e deseja vender “o ágio”.

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RESUMO

Vamos a uma síntese da aula:

a) Cessão de crédito e assunção de dívida são hipóteses de transmissão das

obrigações, e não de extinção. Por elas, mudam-se o credor ou o devedor, sem ex-

tinção da obrigação. Não se pode confundi-las com a novação, que é um hipótese

de extinção da obrigação em razão da criação de uma nova.

b) Na cessão de crédito, muda-se o credor.

c) Para a cessão de crédito, dispensa-se o consentimento do devedor – basta

que ele seja notificado.

d) Na assunção de dívida, muda-se o devedor.

e) Para a assunção de dívida, é necessário o consentimento do credor.

f) Sem o consentimento do credor, a assunção de dívida é ineficaz em relação

ao credor, que poderá continuar cobrando a dívida do devedor originário.

g) A expressão “contrato de gaveta” diz respeito a contratos sem eficácia jurídi-

ca total em razão de alguma irregularidade. Um caso comum de contrato de gaveta

diz respeito a assunções de dívida sem o consentimento do credor.

Vamos resolver exercícios.

Antecipo que, como a matéria “transmissão das obrigações” não é tão cobrada

assim, não teremos muitas questões. Então, aproveite e tente resolver todas.

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (2017/CESPE/MPE-RR/PROMOTOR DE JUSTIÇA) João e Maria são credores dos

devedores solidários André e Carla. Na data acordada para o pagamento da obriga-

ção, André compareceu com o valor pactuado e o entregou integralmente a Maria.

A respeito dessa situação hipotética, julgue as asserções a seguir.

I – Como André e Carla são devedores solidários de João e Maria, o fato de An-

dré ter pagado a Maria a integralidade da obrigação contraída fez que ele

passasse a ser credor de Carla, mas continuasse a ser devedor de João.

II – A solidariedade entre os devedores prevê que André pode cobrar de Carla o

valor referente à parte dela pago a Maria. No entanto, a solidariedade entre

devedores não se estende aos credores, ou seja, como a solidariedade não

se presume, André continua sendo devedor de João.

Assinale a opção correta.

a) A asserção I é falsa e a II é verdadeira.

b) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.

c) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.

d) A asserção I é verdadeira e a II é falsa.

2. (2016/CESPE/TRT - 8ª REGIÃO-PA E AP/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICI-

ÁRIA) Com relação ao direito das obrigações, assinale a opção correta.

a) Tratando-se de obrigação com objeto indivisível e pluralidade de credores, pre-

sume-se a solidariedade ativa.

b) Dada a natureza da obrigação, a exoneração, pelo credor, da solidariedade a um

dos devedores, aproveitará aos demais.


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c) Em se tratando de obrigação solidária, ainda que somente um dos devedores

seja o culpado pela impossibilidade de seu cumprimento, todos os demais continu-

am obrigados ao pagamento do valor equivalente.

d) Se a obrigação intuitu personae se tornar impossível, ainda que não haja culpa

das partes, haverá conversão em perdas e danos em favor do credor.

e) Havendo impossibilidade de cumprimento, por culpa do devedor, de apenas uma

das obrigações alternativas, ao credor restará ficar com a obrigação que subsistiu,

independentemente de caber a ele a escolha.

3. (2016/CESPE/TRT - 8ª REGIÃO PA E AP/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE

JUSTIÇA AVALIADOR) Em cada uma das seguintes opções, é apresentada uma

situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada acerca de institutos

relacionados ao adimplemento e à extinção das obrigações. Assinale a opção que

apresenta a assertiva correta.

a) Mário, estando obrigado a pagar R$ 50.000 a Paulo, ofereceu-lhe, na data do

pagamento, um veículo para solver a dívida, o que foi aceito por Paulo, que, após

receber o veículo, teve que entregá-lo a um terceiro em decorrência de uma ação

de evicção. Nessa situação, como Paulo foi evicto da coisa recebida em pagamento,

será restabelecida a obrigação primitiva.

b) Ana tem uma dívida já prescrita no valor de R$ 300 com Maria, que, por sua

vez, deve a quantia de R$ 500, vencida recentemente, a Ana. Nessa situação, ain-

da que sem a concordância de Ana, Maria poderá compensar as dívidas e pagar a

Ana apenas R$ 200, porquanto, embora prescrita, a dívida de Ana ainda existe e é

denominada obrigação moral.

c) César, que deve a Caio a quantia correspondente a R$ 1.000, passa por situação

de dificuldade financeira, razão por que Caio resolveu perdoar-lhe a dívida. Nessa

situação, a remissão, que tem o único objetivo de extinguir a dívida, independe da

aceitação de César.
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d) Márcio contraiu duas dívidas com Joana, nos valores de R$ 300 e R$ 150, com

vencimento, respectivamente, em 20/12/2015 e em 5/1/2016; em 10/1/2016,

Márcio entregou a Joana R$ 150, mas não indicou qual dívida desejava saldar.

Joana tampouco apontou qual dívida estava sendo quitada. Nessa situação, pre-

sume-se que o pagamento refere-se à dívida vencida em 5/1/2016, já que o valor

entregue importa em sua quitação integral.

e) João contraiu obrigação, tornando-se devedor de Pedro, mas nada foi estabe-

lecido quanto ao local do efetivo cumprimento da obrigação. Nessa situação, con-

sidera-se o local de cumprimento a casa do credor, uma vez que, na ausência de

estipulação do local de pagamento, se presume que a dívida é portável (portable).

4. (2015/CESPE/TRE-MT/ANALISTA) Assinale a opção correta a respeito do direito

das obrigações.

a) Havendo dois débitos de mesma natureza e sendo o credor omisso na quitação,

em regra, a imputação do pagamento se faz em relação à dívida mais onerosa,

ainda que não vencida.

b) Na cessão de crédito, como regra, o cedente responde pela solvência do devedor.

c) A obrigação perde a natureza solidária com a conversão da prestação em perdas

e danos.

d) O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome sub-roga-se

nos direitos do credor.

e) A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e

garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores.

5. (2015/CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO) A respeito das obrigações e dos contratos,

julgue o item subsequente.


(   ) O consentimento do credor é requisito para que um terceiro possa assumir
determinada obrigação, exonerando o devedor primitivo e resultando em al-
teração subjetiva na relação-base.
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Transmissão das Obrigações
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6. (2015/CESPE/TJ-DFT/JUIZ DE DIREITO) Assinale a opção correta acerca da

transmissão das obrigações nos termos do Código Civil.

a) Salvo disposição em contrário, a cessão de um crédito não abrange seus aces-

sórios.

b) Na assunção de dívida, o novo devedor pode opor ao credor as exceções, de

qualquer natureza, que competiam ao devedor primitivo.

c) A cessão de crédito tem plena e imediata eficácia em relação ao devedor, inde-

pendentemente de este ter sido notificado da cessão feita ou ter dado ciência dessa

cessão.

d) Na falta de previsão contrária, vige a regra pela qual o cedente do crédito res-

ponde pela solvência do devedor.

e) O silêncio do credor notificado da assunção de dívida deve ser interpretado

como recusa, mas, na hipótese de assunção de débito garantido por hipoteca, o

silêncio, decorrido o prazo de trinta dias, deve ser interpretado como anuência.

7. (2015/CESPE/DPU/DEFENSOR PÚBLICO) Supondo que duas partes tenham es-

tabelecido determinada relação jurídica, julgue o item.

(   ) Caso o credor da relação jurídica ceda seu crédito a terceiro, a ausência de

notificação do devedor implicará a inexigibilidade da dívida.

8. (2014/CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO) A respeito

da teoria das obrigações, julgue o item seguinte.

(   ) Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do

devedor, mas a lei confere a este a possibilidade de opor ao cessionário as

exceções que lhe competirem, bem como as que tiver contra o cedente no

momento em que vier a ter conhecimento da cessão.


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9. (2013/CESPE/ANCINE/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO ATIVIDADE CINEMATO-

GRÁFICA E AUDIOVISUAL – ÁREA 3) Julgue o item a seguir, relativo às obrigações

e contratos.

(   ) Na cessão de crédito por título oneroso, o cedente é responsável pela existên-

cia do crédito ao tempo em que o tenha cedido ao cessionário, ainda que pela

existência não se responsabilize.

10. (2013/CESPE/TRF - 1ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL) Suponha que um fazendeiro,

mediante contrato escrito, tenha doado 10% da safra produzida em sua fazenda

para uma instituição de caridade que, posteriormente, havia transferido essa van-

tagem para terceira pessoa. Nessa situação, o segundo negócio se configura como

a) novação.

b) sub-rogação legal.

c) subcontrato.

d) cessão de contrato.

e) cessão de crédito.

11. (2013/CESPE/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO) No que con-

cerne aos negócios jurídicos, às obrigações e aos contratos, julgue o item subse-

quente.

(   ) Considere que, em relação ao mesmo crédito, tenham ocorrido várias cessões

e que os envolvidos tenham ingressado com ação judicial. Nessa situação,

deve prevalecer a cessão que se completar com a tradição do título de crédito

cedido.

12. (2013/CESPE/ANTT/ANALISTA ADMINISTRATIVO – DIREITO) Em relação ao

direito das obrigações, julgue o item que se segue.


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(   ) O pagamento por sub-rogação tem caráter liberatório para o devedor, extin-

guindo a relação obrigacional originária e fazendo surgir um negócio jurídico

com um novo credor.

13. (2013/CESPE/MC/ATIVIDADE TÉCNICA DE SUPORTE – DIREITO) A respeito

dos contratos, da transmissão e adimplemento das obrigações e da responsabilida-

de civil no âmbito do Código Civil (CC), julgue o próximo item.

(   ) Nas cessões de crédito a título oneroso, a lei impõe ao cedente a responsabi-

lidade pela solvência do devedor.

14. (2013/CESPE/TRT - 10ª REGIÃO-DF E TO/ANALISTA JUDICIÁRIO – EXECUÇÃO

DE MANDADOS)

(   ) Em situações excepcionais elencadas em dispositivo do Código Civil, é possí-

vel que o credor de uma obrigação de alimentos ceda o seu crédito a terceiro.

15. (2012/CESPE/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO) No que se refere aos

atos ilícitos e à transmissão das obrigações, julgue o item subsequente de acordo

com as disposições constantes do Código Civil brasileiro

(   ) É possível a cessão de um crédito sem que todos os seus acessórios estejam

abrangidos pela operação.

16. (2011/CESPE/CORREIOS/ADVOGADO) Julgue o item a seguir, acerca de extin-

ção das obrigações, aplicação da lei no tempo, personalidade, doação e nulidade

dos negócios jurídicos, pessoas jurídicas e abuso de direito.

(   ) É lícita a cessão de crédito decorrente de obrigação de natureza personalíssi-

ma, desde que precedida de expressa anuência do devedor.

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17. (2011/CESPE/TJ-ES/ANALISTA JUDICIÁRIO – DIREITO) Julgue o item que se

segue, relativo a propriedade, obrigações e negócios jurídicos.

(
   ) O crédito é um direito que pode ser cedido pelo seu titular (credor). Entretanto, a

cessão de crédito, em regra, dependerá da anuência tanto do cessionário quanto

do devedor.

18. (2011/CESPE/TJ-ES/COMISSÁRIO DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE) Julgue o

item que se segue, relativo a propriedade, obrigações e negócios jurídicos.

(   ) O crédito é um direito que pode ser cedido pelo seu titular (credor). Entretan-

to, a cessão de crédito, em regra, dependerá da anuência tanto do cessionário

quanto do devedor.

19. (2010/CESPE/PGM - RR/PROCURADOR MUNICIPAL) No item subsequente, é

apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada.

(   ) Aroldo, pessoa afortunada, resolveu assumir uma dívida que seu cunhado,

Batista, possuía junto a Carlos, sem que este tivesse anuído à assunção da

dívida. Nessa situação, Batista será exonerado da obrigação e Carlos somente

poderá exigir de Aroldo o cumprimento da obrigação.

20. (2009/CESPE/DPE-AL/DEFENSOR PÚBLICO) Julgue o item a seguir, a respeito

das obrigações.

(   ) A assunção de dívida transfere a terceira pessoa os encargos obrigacionais da

exata forma como estabelecidos entre o credor e o devedor original, de modo

que o silêncio daquele que prestou garantia pessoal ao pagamento do débito

importará a manutenção dessa garantia.

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21. (2009/CESPE/DPE-ES/DEFENSOR PÚBLICO) Com relação a obrigações e con-

tratos no direito civil, julgue o item subsequente.

(   ) O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obri-

gação, a lei, ou a convenção com o devedor. O crédito, mesmo penhorado,

pode ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora.

22. (2009/CESPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO) No item a seguir, é apresentada

uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, com relação ao

direito obrigacional.

(   ) Carla cedeu a Sílvia crédito que possuía com Luíza. Na data avençada para

pagamento do débito, Sílvia procurou Luíza, ocasião em que ficou sabendo da

condição de insolvência da devedora. Nessa situação, Carla será obrigada a

pagar a Sílvia o valor correspondente ao crédito, haja vista a regra geral de

que o cedente responde pela solvência do devedor.

23. (2008/CESPE/STF/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) Acerca do di-

reito das obrigações, julgue o item subsequentes.

(   ) Em regra, na cessão de crédito ocorre a substituição subjetiva no polo ativo

ou passivo da obrigação, com a conservação do vínculo obrigacional com to-

dos os seus acessórios, a qual opera efeitos legais, com expressa anuência do

devedor originário.

24. (2008/CESPE/MPE-RR/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Sobre o direito das obriga-

ções, julgue o próximo item.

(   ) Na assunção de dívida, ocorre a substituição do sujeito passivo da relação de

crédito, com a modificação da obrigação primitiva, extinguindo-se o vínculo

obrigacional, os acessórios e as garantias do débito, exceto as garantias do

crédito que tiverem sido prestadas por terceiro.


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25. (2008/CESPE/MPE-RR/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Na cessão de crédito, como

regra, o cedente responde perante o cessionário pela existência do crédito ao tem-

po em que o cedeu e pela solvência do devedor à época do pagamento do débito.

26. (2008/CESPE/PGE-PI/PROCURADOR DO ESTADO) Acerca do direito das obri-

gações, assinale a opção correta.

a) Nas arras penitenciais, se a parte que as recebeu não cumprir o contrato, a

outra parte poderá considerá-lo resolvido e exigir a devolução do sinal, somado ao

equivalente, com atualização monetária, juros e indenização por perdas e danos.

b) Na cessão do crédito onerosa, voluntária ou convencional, o cedente ficará res-

ponsável pela existência do crédito transferido no momento da cessão, embora não

responda pela solvabilidade do devedor

c) O credor, para exigir o pagamento da cláusula penal convencional, deverá pro-

var a culpa do devedor pelo inadimplemento e o prejuízo efetivamente sofrido. Se

tal prejuízo exceder o previsto na cláusula penal, o credor poderá exigir indeniza-

ção suplementar.

d) A assunção de dívida é um negócio bilateral, não condicionado à anuência do

credor, pelo qual o devedor transfere a um terceiro os seus encargos obrigacionais.

Nesse negócio, ocorre a substituição do sujeito passivo da relação de crédito, sen-

do extinta a obrigação primitiva e surgindo a solidariedade obrigacional entre os

devedores.

e) O inadimplemento absoluto de uma obrigação se dá quando essa não for cum-

prida no tempo, no lugar e na forma devidos. Nesse caso, o credor deverá exigir

do inadimplente o recebimento do valor devido ou a prestação a que o devedor se

obrigou, acrescida da multa contratual.


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27. (2008/CESPE/PGE-CE/PROCURADOR DO ESTADO) Acerca do direito das obri-


gações, assinale a opção correta.
a) Em um contrato em que as partes estipularam cláusula penal para o caso de
descumprimento total ou do retardamento da obrigação, se ocorrer o inadimple-
mento, o credor pode, ao recorrer às vias judiciais, exigir o recebimento da multa
e o cumprimento da obrigação.
b) Nas obrigações de dar coisa incerta, se a coisa a ser entregue ainda não tiver
sido individualizada e se ocorrer perda ou deterioração da coisa, o devedor pode
exonerar-se da obrigação, quando essa perda ou deterioração tenha se dado por
caso fortuito ou força maior.
c) A cessão de crédito é um negócio jurídico por meio do qual o credor transmite
total ou parcialmente o seu crédito a terceiro, com expressa anuência do devedor,
o que acarreta a extinção da relação obrigacional primitiva com esse devedor. Para
que seja eficaz em relação a terceiros, a cessão deve ser celebrada mediante ins-
trumento público.
d) Tratando-se de obrigação de dar coisa certa e incerta ou de dívida fiscal, sendo
duas pessoas reciprocamente credora e devedora, as duas obrigações se extin-
guem, até onde se compensarem e independentemente da vontade do credor, se
as dívidas se originarem da mesma causa.
e) Novação é a extinção de uma obrigação mediante a constituição de nova obriga-
ção, que substitui a anterior. Se a obrigação é solidária, a novação celebrada entre
o credor e apenas um dos devedores exonera os demais, de modo que somente
sobre os bens do que contrair a nova obrigação remanescem as garantias do cré-
dito novado.

28. (2008/CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA – EXECUÇÃO


DE MANDADOS) Quanto às obrigações, julgue o item a seguir.
(   ) Havendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com
a tradição do crédito cedido.
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29. (2008/CESPE/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – DIREITO) O regime eco-

nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito

das obrigações, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particu-

lares na esfera patrimonial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce

grande influência na vida econômica, em razão da inegável constância das relações

jurídicas obrigacionais no mundo contemporâneo; ele intervém na vida econômica,

nas relações de consumo sob diversas modalidades e, também, na distribuição dos

bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que tem por fim

contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de

normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto

prestações (dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito

de outro. Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações. In: Jus

Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item, acerca do

direito das obrigações.

(   ) É ineficaz, em relação ao devedor, a cessão do crédito vencido

30. (2008/CESPE/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL – DIREITO) O fiador que

paga a dívida em seu próprio nome não se sub-roga nos direitos do credor.

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GABARITO

1. b 26. b

2. c 27. e

3. a 28. C

4. e 29. E

5. C 30. E

6. e

7. E

8. C

9. C

10. e

11. C

12. E

13. E

14. E

15. C

16. E

17. E

18. E

19. E

20. E

21. E

22. E

23. E

24. E

25. E
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