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Exercícios de Mecanismo
Piano e Teclado

Introdução à teoria musical

Carlos Rodrigues, 2021 v.1.5


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Índice
Introdução à teoria musical 5 Compasso 12
Frequência das notas musicais 5 Sinais de repetição 14
Diapasão 7 Execução musical num teclado 15
Nome das notas musicais 7 Formação de acordes 16
Modo Eólico 7 Inversão de acordes 17
Modo Jónico 7 Escalas 18
Modos menor e Maior 8 Escala Maior 18
Sustenidos e bemois (acidentes) 8 Escala menor harmónica 19
Middle C (Dó Central) 9 Escala menor melódica 19
Escrita das notas (pauta) 10 Intervalos musicais 20
Clave de F (Fá) na quinta linha 11 Acordes para acompanhar uma melodia 20
Tempo de cada nota – figuras musicais 12 Círculo ou cíclo de quintas 21

Exercícios de Mecanismo
Escala de C Major (Dó Maior) 23 Auld lang syne (Bons tempos outrora) 39
Escala de G Major (Sol Maior) 23 Green green grasso f home 39
Escala de A Major (Lá Maior) 24 Lullaby 40
Escala de A minor (Lá menor) melódica 24 Midnight in Moscow (Meia noite Moscovo) 41
Escala de D minor (Ré menor) 24 The godfather theme – O Padrinho 41
When saints go marching in 25 Minuet - Bach 42
Ó malhão malhão 25 Twinkle twinkle little star 42
Jingle bells 26 Tristesse - Chopin 43
Ode to Joy, 9ª symphony - Beethoven 27 Yesterday - Beatles 44
Oh Susana 27 Barcarola - Offenbach 45
Lullaby - Brahms 28 Minuet - Boccherini 46
Silent night (Noite feliz) 28 Fur Elise – Beethoven (Para Elisa) 47
Amazing grace 29 Prelude BWV 846 - Bach 48
Dark Eyes (Olhos negros) 29 Gimnopedie - Satie 50
Happy birthday (Parabéns a você) 30 Prelude in Em op. 28 Nº4 - Chopin 51
Can’t help falling in love 30 Moonlight sonata - Beethoven 52
Scarborough fair 31 Rondo Alla Turca (Marcha turca) - Mozart 54
Aleluia – Leonardo Cohen 32
Edelweiss, Sound of music 33
A time for us – Romeo and Juliet 33
Greensleeves 34
Lara’s theme, Somewhere my love 35
Adágio – Albinoni 36
Aleluia – Leonard Cohen (Asc. Desc.) 37
The house of rising sun 38
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Introdução à teoria musical

Para percebermos como a música funciona, temos que começar com uma pequena introdução
acerca de como o som é gerado e de algumas características baseadas nas leis da Física.

O estudo e experiências sobre este assunto remontam à civilização grega (cerca de 600 a.C.).

Vamos pegar numa guitarra clássica conforme figura acima.

Reparemos que a guitarra tem 6 cordas que são numeradas desde a corda mais fina, em baixo,
até à corda de cima, mais grossa; a corda mais fina é a corda 1; depois temos a 2, 3, 4, 5 e 6 (a
mais grossa). Também tem umas barras verticais metálicas ao longo do braço que permitem
alterar o comprimento de cada corda, e que se chamam trastes.

Frequência das notas musicais


Para o objetivo do nosso estudo vamo-nos concentrar apenas na corda 5. Quando esta corda está
parada, ela não emite nenhum som; dizemos que a corda está na posição de repouso, a que
chamaremos posição 0 (zero). Quando puxamos a corda para cima e a largamos, ela vibra
emitindo com isso um som que chamamos de uma nota musical. A corda fará um movimento de
acordo com a figura seguinte:

A corda vai desde a posição de repouso 0 (zero), vai para cima, desce até passar novamente por
0, vai para baixo e volta a subir passando novamento por 0; e repete este movimento conforme a
figura seguinte representa:
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A este movimento completo chamamos uma vivração ou um cíclo. Um som é determinado, em


primeiro lugar, por quantos cíclos tem por segundo; o número de cíclos por segundo chamamos
de frequência do som. No caso concreto desta corda 5, ela vibra 110 vezes por segundo, isto é,
ela vibra a 110 cíclos por segundo, logo ela tem uma frequência de 110 cíclos por segundo. Em
homenagem a um cientista chamado Hertz deram a cada cíclo o nome de 1 Hertz – de forma
simplificada escrevemos 1Hz. Então esta corda 5 vibra a 110Hz, isto é, ela tem uma frequência
de 110Hz – é uma nota musical de 110Hz. A este som chamamos de 1º harmónico ou
Fundamental.

Vamos agora reduzir o comprimento da corda para metade; para o efeito vamos carregar no 12º
traste (junto ao corpo da caixa da guitarra) e voltemos a tocar a corda nesta nova posição. Ela irá
vibrar a 220 cíclos por segundo, isto é, ela terá uma frequência de 220Hz – é uma nota musical
de 220Hz. Por ser o dobro da frequência do primeiro caso, dizemos que esta nota é o 2º harmónico
da primeira nota.

Vamos agora reduzir o comprimento da corda original para apenas um quarto desse comprimento
inicial conforme figura:

Vamos tocá-la. Ouviremos desta vez um som, uma nota musical, com 440 cíclos por segundo, ou
seja, uma frequência de 440Hz. É precisamente esta a frequência do som de um aparelho,
chamado de diapasão, usado para afinar os instrumentos musicais. A frequência do som da corda
nesta última situação é 4 vezes a da primeira situação; dizemos então que é o 4º harmónico.
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Diapasão

Os gregos verificaram que pegando em 2 guitarras (naquela altura não havia a guitarra, mas havia
algo semelhante), em que a primeira toca a nota de frequência de 110Hz e a segunda toca a nota
de 220Hz, ao mesmo tempo, o ouvido humano não ouvia duas notas distintas; o ouvido sente
apenas uma única nota. Repetindo a mesma experiência com 220Hz e 440Hz, o ouvido continua
a ouvir apenas a mesma nota. Os gregos de uma região chamada de Eólia, chamaram a esta
nota de A (letra da época - alfa) ; assim surgiu o nome da primeira nota – A.

Nome das notas musicais


Modo Eólico

Alterando o comprimento da corda 5 da guitarra, variando a posição dos trastes, os gregos da


Eólia verificaram que em determinadas posições dos trastes, surgiam outras notas que tocadas
conjutamente eram agradaveis ao ouvido. Verificaram também que só havia 7 posições em que
as notas que surgiam eram agradáveis; assim surgiram as 7 notas musicais a que deram os
nomes das letras do alfabeto (que no alfabeto atual corresponde a):

A, B, C, D, E, F, G.

A seguir ao G vinha a 2ª harmónica do primeiro A, isto é, voltava o A. Assim sendo, o nome das
notas musicais são uma sequência de 7 letras que se vão repetindo A, B, C, D, E, F, G, A, B,
C, D, E, F, G, A, B, C, D, E, F, G, etc.

Modo Jónico

Os gregos de uma região chamada Jónia verificaram que as melodias que surgiam ao se tocar as
notas da sequência anterior inspiravam sentimentos de tristeza e melancolia. Porém, verificaram
que se alterassem a sequência para a ordem C, D, E, F, G, A, B, C, D, E, F, G, A, B, C, D,
E, F, G, A, B, etc. as melodias que daí surgiam inspiravam sentimentos de alegria e passaram a
usar preferencialmente esta sequência.

Guido d'Arezzo (992-1050) um monge italiano, achou que o nome das notas serem letras não
era prático para se decorar e decidiu dar-lhes o nome das sílabas de uns versos. Assim surgiu o
nome das notas como nós as conhecemos de Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si com a seguinte
correspondência ao modo grego:

C-Dó, D-Ré, E-Mi, F-Fá, G-Sol, A-Lá, B-Si

Porém, os países de língua inglesa continuaram a usar o sistema grego. Os países latinos
passaram a usar o sistema italiano. E nós temos que saber os dois sistemas porque a maioria da
informação a que temos acesso na Internet está em língua inglesa.
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Modos menor e Maior

No fim da idade média os músicos passaram a chamar à sequência de notas do eólico A, B, C,


D, E, F, G de modo menor; e à sequência do jónico C, D, E, F, G, A, B de modo Maior.
Traduzindo estas sequências para o sistema latino temos:

Modo menor (Eólico): Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá (escala de A minor - Lá menor)

Modo Maior (Jónico): Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó (escala de C Major - Dó Maior)

Verificamos assim que, no modo menor, do primeiro Lá ao segundo Lá há oito notas; dizemos
então que o segundo Lá é uma oitava acima do primeiro Lá. Por isso dizemos uma oitava acima,
ou duas oitavas abaixo, ou três oitavas acima, etc.

Igual raciocínio existe no modo Maior: dizemos então que o segundo Dó é uma oitava acima do
primeiro Dó. E assim continuamos com 1, 2, 3, etc. oitavas acima ou abaixo.

A frequência de uma nota que está uma oitava acima da anterior com o mesmo nome é o dobro
dela. A frequência de uma nota que está uma oitava abaixo de outra com o mesmo nome é metade
dela. Por isso, tocando as duas notas ao mesmo tempo o nosso ouvido tem a sensação de estar
a ouvir uma única nota.

Sustenidos e bemois (acidentes)

Entretanto os músicos descobriram que o intervalo entre algumas notas era maior que o intervalo
entre outras. Observaram que o intervalo entre C-D, D-E, F-G, G-A, e A-B era maior que o intervalo
entre E-F, e B-C. Passou-se a chamar ao intervalo maior um tom e ao menor meio-tom. Assim,
era possível pôr uma nota entre cada um dos intervalos maiores; surgiram assim mais 5 notas.
Afinal, em vez de 7 notas, havia 12 notas, cujo intervalo entre todas é de meio-tom. Depois
verificaram que essas novas notas não eram normalmente tão usadas como as 7 notas iniciais.

Quando construíram os primeiros instrumentos com teclas como, o Orgão, o Clavicórdio, o Cravo,
o Piano e mais tarde os teclados elétricos e eletrónicos, os músicos puseram à frente as 7 notas
iniciais, que eram mais usadas, e mais atrás as 5 cinco novas notas menos usadas.
Adicionalmente usaram também madeiras (ou outros materiais) com duas cores diferentes para
melhor as distinguir (atualmente são usadas teclas brancas à frente e teclas pretas atrás; em
teclados antigos vemos por vezes o oposto). As 5 notas adicionais passaram a ter o nome das
notas já conhecidas e então infelizmente surgiram dois sistemas:

- Tomando como referência o nome da nota anterior: acrescentamos a palavra sustenido (sharp
na língua inglesa) e representamos com o símbolo # à frente da nota.

- Tomando como referência o nome da nota seguinte: acrescentamos a palavra bemol (flat em
inglês) e representamos com o símbolo b à frente da nota. Assim temos que Dó# é o mesmo que
Réb, e assim sucessivamente. Aos sustenidos e bemóis também chamamos de acidentes.

Então entre C-C#, C#-D, D-D#, D#-E, E-F, F-F#, F#-G, G-G#, G#-A, A-A#, A#-B e B-C existe
sempre um intervalo de apenas meio-tom.

Importante: Uma nota C (Dó) está sempre antes de um grupo de duas teclas pretas. Antes dos
grupos de três teclas pretas está sempre um F (Fá).

Vejamos nas figuras seguintes a configuração final:


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Sistema em língua inglesa

Sistema italiano

O número de notas não é de 7 mas sim de 12 notas e que se repetem em oitavas.

Middle C (Dó Central) e as diferentes oitavas


Como as notas em diferentes oitavas têm o mesmo nome, arranjou-se um processo de distingui-
las.

Assim, à frente no nome da nota coloca-se um algarismo a dizer o número da oitava; na primeira
oitava colocamos 1; na segunda oitava colocamos 2 e assim sucessivamente. Depois apareceram
uns pianos que têm algumas notas abaixo da 1ª oitava; a esta oitava chama-se de oitava 0 (zero).

Agora podemos reparar que a nota A2 (Lá2) tem a frequência de 110Hz como vimos acima.
Reparemos também que a nota central do piano é a nota C4 (Dó4) e chamamos-lhe Middle C ou
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(Dó central). Observemos que o piano tem 7 oitavas completas, mais 3 notas na oitava 0 e apenas
uma na oitava 8. Tem assim 88 teclas ou seja 88 notas.

A maioria dos teclados de 5 oitavas chamam ao Dó central de C3 em vez de corretamente C4.


Isso deve-se a que estes teclados têm as oitavas desde a nota C2 (Dó2) até à nota C7 (Dó7), isto
é, 5 oitavas completas mais a nota C7 (Dó7); têm assim 61 teclas. À primeira tecla, em vez de C2
chamam de C1 por ser a primeira nota do teclado; este sistema está errado porque na realidade,
a nota que a primeira tecla toca é a C2 do piano.

Geralmente, nos teclados eletrónicos, acionando 2 botões do painel de comandos, eles são
capazes de tocar mais uma ou duas oitavas abaixo de C2 e uma ou duas oitavas acima de C7.
Assim, tocam até cerca de 110 notas, mas não ao mesmo tempo porque só têm 61 teclas.

Escrita das notas (pauta)


Para escrever as notas verificou-se não ser prático, nem usar as frequências de cada nota, nem
os seus nomes, quer no sistema de letras (grego e inglês) ou no de sílabas (italiano). Inventaram-
se assim os pentagramas (penta = cinco).

No pentagrama, através de 5 linhas e dos respetivos 4 espaços, entre elas, podemos representar
notas. Optou-se por representar no pentagrama apenas as 7 notas iniciais e representar as 5
notas adicionais, os acidentes, colocando o símbolo # (sustenido) ou b (bemol) antes da nota que
queremos indicar que é uma nota sustenido ou bemol.

Na figura seguinte, coloca-se no início do pentagrama de cima, e sobre a segunda linha a começar
de baixo, aquela figura que parece um S e que informa que uma nota desenhada nessa segunda
linha é o G4 (Sol4) do piano. Chama-se por isso clave de Sol (G clef) ou treble clef em inglês,
onde treble significa notas agudas.

Este sistema só consegue representar desde a primeira linha o E4 (Mi4) até à quinta linha que é
o F5 (Fá5). Recorre-se por isso a pequenas linhas suplementares quer para baixo, quer para cima.
Assim, com uma linha suplementar abaixo já conseguimos representar o C4 (Dó4) central do
piano. É o que representa o primeiro Dó da figura em baixo (middle C).

Este pentagrama é geralmente usado para representar as notas que irão ser tocadas com a mão
direita.

O pentagrama de baixo tem no início uma figura parecida com um 9: colocado na 4ª linha. Uma
nota escrita na 4ª linha é o F3 (Fá3) do piano. Chama-se por isso clave de Fá na quarta linha (em
inglês F clef ou bass clef onde bass significa notas graves). Tal como no pentagrama da clave
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de Sol, tem a limitação de se poderem representar poucas notas. Ele vai desde a primeira linha
com a nota G2 (Sol2), à quinta linha o A3 (Lá3) do piano.

Recorrendo a linhas suplementares, acrescentando uma linha suplementar acima, podemos


representar o C4 (Dó4), chamado de Dó central (middle C) – Dó do meio (middle) do teclado.

Na figura anterior, no pentagrama de baixo, a primeira nota representada à esquerda está na


segunda linha suplementar abaixo; é a nota C2 (Dó2) do piano.

Na prática, isto significa que as notas na clave de Fá na quarta linha são tocadas quase duas
oitavas abaixo das notas da clave de Sol.

A clave de Fá é geralmente usada para representar as notas que irão ser tocadas com a mão
esquerda.

As notas mais à direita chamam-se de notas agudas, isto é, têm uma frequência alta, e as notas
mais à esquerda chamam-se de notas graves, isto é, têm uma frequência mais baixa.

Ao conjunto de pentagramas para escrever uma melodia chama-se pauta (stave ou score em
inglês).

Clave de Fá na quinta linha


O sistema adotado pelos músicos de posicionar a clave de Fá na 4ª linha tem um inconveniente
grave:

As notas desenhadas nas mesmas posições (linhas e espaços) como na clave de Sol, têm nomes
diferentes na clave de Fá. Por exemplo, uma nota na primeira linha na clave de Sol é um E (Mi),
enquanto na clave de Fá uma nota na primeira linha é um G (Sol). Isto trás dificuldade ao aluno
em aprender rapidamente a clave de Fá.

Para resolver esta dificuldade também foi idealizada a clave de Fá na quinta linha. Desta forma,
as notas representadas nas mesmas linhas e espaços como na clave de Sol passam a ter os
mesmos nomes; isto é, aprendendo a clave de Sol, automaticamente sabemos a clave de Fá
quando esta está na quinta linha. Vejamos o resultado na figura seguinte:

Repare-se que agora, as notas na clave de Fá têm os mesmos nomes que na clave de Sol.
Apenas são tocadas duas oitavas exatas abaixo, e não quase duas oitavas abaixo como na
situação em que a clave de Fá está na quarta linha.
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Notas muito agudas, mais agudas que o F6, por convenção, escrevem-se uma oitava abaixo do
que realmente desejamos, mas, colocamos um 8 antes delas para indicar que as notas a seguir
ao 8 são tocadas uma oitava acima do que estão escritas.

Tempo de cada nota – Figuras musicais


Numa melodia as notas não duram todas o mesmo tempo a serem tocadas; há notas que duram
muito tempo e outras que duram pouco tempo. Também há momentos de pausas, umas mais
longas e outras mais curtas. Para representar o tempo que cada nota deve ser tocada, ou o tempo
de cada pausa, inventaram-se as figuras musicais e as figuras de pausas. Existem 7 figuras
musicais para notas e 7 figuras para pausas.

Na figura anterior vemos apenas uma das 7 figuras musicais; aquela figura chama-se no sistema
italiano de semínima (em inglês chama-se de quarter note)

Adicionalmente também foi necessária uma indicação que informasse se a melodia deveria ser
tocada rapidamente ou lentamente, isto é o andamento. Assim, no início da melodia escreve-se
por exemplo T=60 (T-tempo). Isto significa que temos de tocar 60 semínimas por minuto, isto é,
uma a cada segundo. Se escrevermos T=120 significa que temos de tocar 120 semínimas por
minuto, isto é, duas por segundo, etc. Também é usual escrever a figura semínima=60 (ou outro
número de andamento pretendido) com o mesmo significado de T=60.

A semínima é a figura base para medir o tempo de cada nota e o andamento (rapidez) com que
a melodia tem que ser executada. Dizemos então que uma semínima vale um tempo.

Compasso
No mundo ocidental é muito vulgar agrupar as notas em grupos que valem 4 tempos ou 3 tempos;
(existem grupos mais complexos que abordaremos mais tarde). A cada grupo de quatro tempos
chamamos um compasso de 4 tempos e representamos por 4/4. A cada grupo de 3 tempos
chamamos um compasso de 3 tempos e representamos por 3/4.

É ainda muito vulgar usar-se um compasso de 2 tempos 2/4. Porém, por ser exatamente metade
do compasso de 4 tempos 4/4, pode-se executar o compasso de 2/4 em 4/4 tocando cada 2
compassos de 2/4 como se fosse um compasso de 4/4. Por isso, a maioria dos teclados
eletrónicos não tem o compasso de 2/4.

Na figura anterior vemos as semínimas agrupadas de 4 em 4 com uma linha vertical a separar
estes grupos – Estamos neste caso na presença de compassos de 4 tempos.

Também no canto superior esquerdo da figura está a indicação do andamento de tocar 60


semínimas por minuto, isto é, uma por segundo.

Na figura seguinte temos as 7 figuras musicais com a designação de figuras de som e as 7


figuras de pausa com o nome de figuras de silêncio. Lá vemos a semínima a valer 1 tempo.
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Como vemos, a figura nusical que vale mais tempo é a semibreve o que sozinha vale 4 tempos;
isto é, num compasso de 4 tempos, uma semibreve toca durante o compasso todo.
Já para tocar o compasso todo são precisas 2 mínimas, 4 semínimas e assim sucessivamente.
A figura seguinte elucida estas relações de tempo entre cada figura musical. O mesmo se aplica
às pausas.

Reparemos que à esquerda estão representadas as figuras musicais como são desenhadas se
aparecerem sozinhas, e à direita o desenho que as representa se aparecerem várias seguidas.

Nos países de língua inglesa, esta unidade compasso de 4 tempos chamam de nota completa
(whole note) que é a semibreve, uma vez que uma semibreve preenche o compasso todo de 4
tempos. Desta forma, uma semínima vale 1/4 de compasso; por isso lhe chamam de quarter
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note, isto é, são necessárias 4 para preencher o tempo do compasso todo de 4 tempos, o que é
verdade. Seguindo o mesmo raciocínio uma colcheia é 1/8 (eighth note) do compasso todo; logo
são necessárias 8 colcheias para preencher o compasso todo, etc.

É uma forma complementar relativamente ao sistema italiano. Contudo resulta idêntico raciocinar
por um compasso de 4 tempos como uma unidade completa, ou por uma semínima ser um
tempo e o compasso são 4 tempos.

Sinais de repetição

D.S. ir para o Segno. D.C. ir para o início. Coda parte final. Fine Fim
___________ ___________
1. toca na 1ª vez, mas não na 2ª vez da repetição. 2. toca na 2ª vez da repetição.
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Execução musical num teclado


Para tocar num piano, ou outro teclado, é necessário usar os dedos todos das duas mãos. Para
representar os dedos atribuímos números aos dedos conforme figura seguinte:

Nesta figura podemos ver como os dedos são numerados e como devemos colocá-los para tocar
as notas C-Dó, D-Ré, E-Mi, F-Fá e G-Sol com a mão esquerda e com a mão direita. Para facilitar,
executar primeiro uma mão de cada vez; mas depois de algum treino devemos fazer este exercício
com as duas mãos ao mesmo tempo. Reparemos que o dedo 5 da mão esquerda está na nota
C4-Dó4, e o dedo 1 da mão direita está na nota C5-Dó5 (Ver texto anterior sobre a clave de Sol).

Usamos ainda os símbolos na mão direita:

^3 desloca o dedo indicado (neste caso o 3) para esta tecla


> desvia o dedo a seguir indicado para a direita
< desvia o dedo a seguir indicado para a esquerda
<-desloca o dedo 3, por cima do atual 1, para a esquerda
->desloca o dedo 1, por baixo do atual, para a direita

Usamos ainda os símbolos na mão esquerda:

^3 desloca o dedo indicado (neste caso o 3) para esta tecla


> desvia o dedo a seguir indicado para a direita
< desvia o dedo a seguir indicado para a esquerda
->desloca o dedo 3, por cima do atual 1, para a direita
<-desloca o dedo 1, por baixo do atual, para a esquerda
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Formação de acordes
Há muitos acordes possíveis. Vamos fixar-nos apenas nos acordes mais vulgares: Maior, menor,
Maior ou menor de 7, Maior ou menor de 7 aumentada e diminutos.

Considerando sempre as teclas brancas e pretas e contando-as em sequência, um acorde Maior


executa-se tocando 3 notas: a 1ª nota do acorde pretendido, a 5ª nota e a 8ª nota. Ex.:

C Major (Dó Maior): Notas 1ª C; 5ª E; 8ª G (Dó, Mi, Sol). Na pauta escrevem-se os acordes com
letras maiúsculas e chamam-se de cifras. Neste acorde de C Major a cifra é C.

C# Major (Dó# Maior): Notas 1ª C#; 5ª F; 8ª G# (Dó#, Fá, Sol#). Cifra é C#.

Acorde menor: Notas 1ª, 4ª e 8ª; (ao passar de maior para menor a 5ª passa para 4ª nota). Ex.:

C minor (Dó menor): Notas 1ª C, 4ª D#, 8ª G (Dó, Ré# (=Mib), Sol). Cifra é Cm.
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A minor (Lá menor): Notas 1ª A, 4ª C, 8ª E (Lá, Dó, Mi). Cifra é Am.

Acordes maires e menores de sétima

Para obter um acorde de sétima apenas é preciso acrescentar ao acorde Maior ou menor a 11ª nota. Ex:

C Major 7 (Dó Maior 7): Notas 1ª C, 5ª E, 8ª G e 11ª A# (Dó, Mi, Sol, Lá# = Sib). Cifra é C7

C minor 7 (Dó menor 7): Notas 1ªC, 4ª D#, 8ª G e 11ª A# (Dó, Ré#, Sol, Sib). Cifra é Cm7.

A minor 7 (Lá menor 7): Notas 1ª A, 4ª C, 8ª E, 11ª G (Lá, Dó, Mi, Sol). Cifra é Am7.

Acordes maiores e menores de sétima aumentada

Em vez de acrescentar a 11ª nota, acrescenta-se a 12ª nota. Ex.:

C Major 7+ (Dó Maior 7+): Notas 1ª C, 5ª E, 8ª G e 12ª B (Dó, Mi, Sol, Si). Cifra é CM7.

Acordes diminutos

Acordes diminutos ou diminuídos são constituídos pelas notas: 1ª, 4ª e 7ª. Ex.:

C dim = Dó dim: Notas 1ª- C; 4ª- D#; 7ª- F# (Dó, Ré#, Fá#). Cifra é Cd.

Inversão de acordes
As regras indicadas em cima para formação de acordes determinam quais as notas a serem
tocadas para formarem o acorde pretendido. Porém, a ordem dessas notas é arbitrária.

Exemplo: C Major (Dó Maior) tem as notas C, E, G (Dó, Mi, Sol). Porém, podemos tocar E, G, C
ou G, C, E (Mi, Sol, Dó ou Sol, Dó, Mi) que obteremos o mesmo acorde. A esta possibilidade
chama-se de Inversão do acorde.

Muitas vezes, para diminuir a movimentação das mãos, recorre-se a este atributo para obter
diferentes acordes mantendo as mãos na mesma zona mudando apenas um ou dois dedos para
teclas adjacentes que são notas do próximo acorde.
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Escalas

A escala em que se tocam todas as teclas (brancas e pretas) sequencialmente, como se


encontram no piano, chama-se de escala cromática. Porém, não é nada usual.

As escalas em que se tocam apenas as notas nas sequências a seguir indicadas chamam-se de
escalas diatónicas e são muito usadas. Formam-se da seguinte maneira:

Escala Maior
Para formar uma escala Maior temos que contar a seguinte sequência de meios-tons a partir da
nota inicial da escala pretendida: 2 2 1 2 2 2 1

Escala de C Major (Dó Maior).

A nota inicial é um C (Dó). Escolhamos por exemplo a nota C3 (Dó3) para início da escala;
seguindo a sequência, a próxima nota é 2 meios-tons acima, isto é, um meio-tom dará C3# e mais
um segundo meio-tom dará D3; esta é a segunda nota. Contando em seguida mais 2 meios-tons
(conforme sequência) dará E3. Em seguida a sequência indica 1 meio-tom - dará F3. Continuando
temos mais 2 meios-tons – G3. Mais 2 meios-tons – A3. Mais 2 dará B3. Finalmente mais 1 meio-
tom – dará C4. A escala será para uma oitava:

C3, D3, E3, F3, G3, A3, B3, C4 (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó).

Para formar a escala com duas oitavas, apenas repetem-se estas notas na oitava 4 e termina-se
no C5. Com três oitavas, repetem-se as mesmas notas na oitava 5 e termina-se no C6.

A escala de C Major (Dó Maior) só tem teclas brancas e chama-se escala natural.

Escala de F# Major (Fá# Maior) – Esta é uma escala maior menos conhecida; que notas tem?

A 1ª nota é F3#. Segunda nota (primeiro algarismo da sequência) é 2 meios-tons acima – dará
G3#. A seguir mais 2 – dará A3#. Em seguida é só 1 – dará B3. Na sequência vem outro 2 – dará
C4#. E mais 2 – D4#. Mais 2 – dará F4. Finalmente mais 1 – dará F4#. Assim, a escala de F#
Major (Fá# Maior) é:

F3#, G3#, A3#, B3, C4#, D4#, F4, F4# (Fá#, Sol#, Lá#, Si, Dó#, Ré#, Fá, Fá#).

Esta escala tem os acidentes todos porque as 5 teclas pretas são todas usadas.
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Escala menor harmónica


Para formar uma escala menor (harmónica) temos que contar a seguinte sequência de meios
tons a partir da nota inicial da escala pretendida: 2 1 2 2 1 2 2

Escala de A minor (Lá menor).

A nota inicial é um A (Lá). Escolhamos por exemplo a nota A3 (Lá3) para início da escala;
seguindo a sequência, a próxima nota é 2 meios tons acima, isto é, um meio tom dará A3# e mais
um segundo meio tom dará B3; esta é a segunda nota. Contando em seguida mais 1 meio tom
(conforme sequência) dará C4. Em seguida a sequência indica 2 meios tons - dará D4.
Continuando temos mais 2 meios tons – E4. Mais 1 meio tom – F4. Mais 2 dará G4. Finalmente
mais 2 meios tons – dará A4. A escala será para uma oitava:

A3, B3, C4, D4, E4, F4, G4, A4 (Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá).

Reparemos que a escala de A minor (Lá menor) só tem teclas brancas e terá sido a primeira
escala evoluída – a Eólica grega. Chama-se a esta escala, escala relativa menor de C Major (Dó
Maior).

Assim, cada escala Maior tem a sua relativa menor e vice-versa; isto é, também dizemos que a
escala de C Major (Dó Maior) é a escala relaviva maior de A minor (Lá menor).

Formemos agora uma escala menor menos conhecida, por exemplo: F# minor (Fá# menor)

A nota inicial é um F# (Fá#). Escolhamos por exemplo a nota F3# (Fá3#) para início da escala;
seguindo a sequência, a próxima nota é 2 meios tons acima, isto é, um meio tom dará G3 e mais
um segundo meio tom dará G3#; esta é a segunda nota. Contando em seguida mais 1 meio tom
(conforme sequência) dará A3. Em seguida a sequência indica 2 meios tons - dará B3.
Continuando temos mais 2 meios tons – C4#. Mais 1 meio tom – D4. Mais 2 dará E4. Finalmente
mais 2 meios tons – dará F4#. A escala será para uma oitava:

F3#, G3#, A3, B3, C4#, D4, E4, F4# (Fá#, Sol#, Lá, Si, Dó#, Ré, Mi, Fá#).

Escala menor melódica.


As escalas menores harmónicas podem ser alteradas com dois acidentes adicionais quando a
escala sobe e retiram-se esses dois acidentes quando a escala desce. Chma-se a esta alteração
escala menor melódica. Os dois acidentes, que são sustenidos colam-se na 6ª e 7ª nota
quando a escala é ascendente. Exemplo com A minor (Lá menor):

Ascendente: A3, B3, C4, D4, E4, F4#, G4#, A4 (Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá#, Sol#, Lá).

Descendente: A4, G4, F4, E4, D4, C4, B3, A3 (Lá, Sol, Fá, Mi, Ré, Dó, Si, Lá).
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Intervalos musicais
Para nomear os intervalos entre as notas de um acorde, ou entre as notas de uma determinada
harmonia (em que duas ou mais notas são tocadas ao mesmo tempo), os músicos usam uma
termilogia que não é simples para mim.

Para simplificar esta situação eu fiz o quadro seguinte que traduz em semitons (sinónimo de
meios tons) quanto vale em semitons cada intervalo atribuído pelos músicos.

Acordes para acompanhar uma melodia


Uma melodia está, quase sempre, escrita com as notas de uma dada escala. Consultando a figura
seguinte que é chamada pelos músicos de círculo ou ciclo de quintas, podemos ver quais os
acordes mais usuais para cada escala.

Por outro lado quando se está a tocar uma sequência de notas de um compasso de uma melodia,
normalmente essa sequência de notas contém uma ou algumas das notas do acorde necessário
para a acompanhar.

Seguindo estas observações e estando atento ao ouvido, sentindo se o acorde que estamos a
tocar harmoniza (soa bem) com as notas do compasso que estamos a tocar, conseguimos pela
prática detetar quais os acordes a usar em cada compasso. O ciclo das quintas também dá uma
preciosa ajuda; vamos ver o que é:
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Círculo ou ciclo das quintas

Na formação de acordes nós aprendemos a regra geral de contar todas as teclas (notas) e assim,
por exemplo, para o acorde C (Dó) Maior, nós temos a 1ª, 5ª e 8ª teclas (notas) que são as notas
C, E, G (Dó, Mi, Sol).

Porém, os músicos usam outro processo de contar. Eles só contam as notas de uma escala,
ignorando as teclas (notas) que não pertencem à escala.

Contando desta maneira, para a mesma escala de C Major (Dó Maior) cujas notas, como já
sabemos, são C, D, E, F, G, A, B, C (Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó) verificamos o seguinte:

C (Dó) é a 1ª nota desta escala; o E (Mi) é a terceira nota e o G (Sol) é a quinta nota.

Então os músicos chamam ao intervalo entre C (Dó) e E (Mi) um intervalo de terceira;


Ao intervalo entre C (Dó) e G (Sol) um intervalo de quinta.

Na figura seguinte podemos ver que à direita de C está o G, isto é, uma quinta. Acontece o mesmo
em todas as escalas Maiores e menores. Daí o nome de ciclo das quintas.

Na figura, temos em preto o nome dos acordes/escalas em língua inglesa, e em vermelho o


mesmo no sistema latino.

Temos também uma indicação de quantos acidentes tem cada escala. Na parte direita vemos que
a escala de G Major (Sol Maior) tem um sustenido que é F# (Fá#); (os pentagramas representados
na figura estão na clave de Sol; um sustenino está sobre a quinta linha que se chama F (Fá). Na
mesma posição vemos que a escala relativa menor de G é o Em (Sol é o Mi menor) e vice-versa.
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Acordes da escala de C Major (Dó Maior) também chamado de tom de Dó Maior


O primeiro acorde é o próprio C (Dó); o segundo acorde é o que está a seguir (no círculo) no
sentido dos ponteiros do relógio – é o G (Sol) – para este segundo acorde usa-se normalmente a
variação de sétima (7), isto é o G7 (Sol7); o terceiro acorde é o que está a seguir ao C (Dó) no
sentido contrário aos ponteiros do relógio – é o F (Fá). De uma forma simples, o acorde principal
está a meio e os outros dois estão um de cada lado.

Adicionalmente ainda poderão ser necessários os acordes da escala relativa menor, neste caso
os acordes Am, Em e Dm (Lám, Mim e Rém) que estão por dentro do círculo.

Então, numa melodia que está feita com a escala de C Major (Dó Maior), diz-se que está no tom
de C Major (Dó Maior) e os acordes prováveis serão alguns, ou todos, dos seguintes:

C, G7, F, Am, Em e Dm (Dó, Sol7, Fá, Lám, Mim, e Rém).

Paralelamente, uma melodia na escala de Am (Lám), tom de Am (Lám), terá provavelmente


alguns, ou todos, dos seguintes acordes:

Am, Em, Dm, C, G7, F (Lám, Mim, Rém, Dó, Sol7, Fá).

Recorrendo ao ciclo das quintas e fazendo o mesmo procedimento, encontramos os acordes


prováveis para outras escalas, isto é, para outros tons. Ex:

Acordes de D Major (Ré Maior)


No ciclo das quintas temos à direita de D o acorde A, e à esquerda temos o acorde G. Os tons
relativos menores serão respetivamente Bm, F#m e Em. Ainda vemos que a escada de D Major
tem 2 sustenidos que estão no pentagrama na quinta linha F# e no terceiro espaço C#. Resumindo
os acordes prováveis para D Major serão alguns, ou todos, dos seguintes acordes:

D, A7, G, Bm, F#m e Em (Ré, Lá7, Sol, Sim, Fá#m e Mim).

Paralelamente, uma melodia na escala de Bm (Sim), tom de Bm (Sim), terá provavelmente


alguns, ou todos, dos seguintes acordes:

Bm, F#m, Em, D, A7, G (Sim, Fá#m, Mim, Ré, Lá7, Sol).

Ligadura

Uma ligadura entre duas ou mais notas iguais determina que só se toca a primeira nota e a
duração dela é a soma dos tempos das notas ligadas. Se as notas são diferentes informa que as
notas são tocadas de forma ligada, isto é, sem qualquer silêncio entre as notas.

Ponto de aumentação

Um . (ponto) à frente de uma nota, aumenta o tempo da figura musical anterior para mais metade
do valor dela. Assim, 1 Mínima tem 2 tempos, mas tendo 1 . (ponto) à frente passa a valer 3
tempos. Uma Semínima tem 1 tempo, mas tendo um ponto à frente dela vale 1.5 tempo, etc.
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No início dos pentagramas acima está na quinta linha (fá) o sinal de #. Isto indica que todos os
fás serão sustenidos, como realmente são na escala de G (Sol) Major (Maior).

Eu prefiro usar o sistema em que os sustenidos estão representados antes das figuras musicais
nos pentagramas, conforme mostrado na escala de G (Sol) a seguir:
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Reparemos que numa escala menor melódica ascendente, a 6ª e 7ª notas são alteradas para
meio tom acima; por isso vemos sustenidos no F e G. Na descendente não tem esses acidentes;
reparemos que no G e F descendentes coloca-se antes aquele sinal chamado de bequadro para
anular acidentes que essas notas tivessem anteriormente, ou lembrar isso.

Estamos aqui perante a escala de D minor (Ré menor) harmónica. Como foi dito anteriormente, a
escala é o modo Éolico, isto é, quando ascendente não tem meios tons subido na 6ª e 7ª notas.
Porém vemos que esta escala tem o Bb = A# (Sib = Lá#); contudo, isso resulta da aplicação da
sequência menor que lembramos é 2 1 2 2 1 2 2.
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No final da melodia encontra-se um sinal de repetição com os pontos à esquerda das duas verticais.
Isto significa que se repete a melodia desde o início. Os acordes tocados com a mão esquerda são
dedilhados conforme se explica no parágrafo seguinte.
A ligadura no pentagrama de G (Sol) no compasso 12 nas notas F (Fá) na quinta linha determina
que essas duas notas valem apenas uma nota de 4 tempos (3 da primeira + 1 da segunda).

As letras que se encontram por cima da clave de Sol (G clef) indicam os acordes de
acompanhamento executados com a mão esquerda e que se chamam de Cifras.

Nestas duas melodias os acordes são dedilhados, isto é, as notas de cada acorde não são tocadas
simultaneamente, mas sequencialmente, umas a seguir as outras; chama-se a esta técnica
dedilhar as notas, dedilhados ou arpejos. Nestas melodias o movimento no teclado é ascendente
e logo descendente começando o dedilhado de cada acorde na 1ª nota que dá nome ao acorde.

Tocando as notas da mão esquerda e vendo qual a cifra (acorde) correspondente, vamos
memorizando quais são as notas de cada acorde.

Nota: Neste livro usa-se a clave de F (Fá) na quinta linha (F clef 5th line) porque é mais fácil de ler.
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Nesta melodia vemos algumas figuras musicais com um . (ponto) à frente delas. Esse ponto
aumenta o tempo da figura musical anterior para mais metade do valor dela. Assim, uma Mínima
tem 2 tempos; mas como tem um ponto à frente passa a valer 3 tempos. Do mesmo modo, a
Semínima tem 1 tempo; mas a que tem . (ponto) à frente dela vale 1.5 tempo.
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Nesta melodia, alguns acordes (cifras) só têm dois tempos e desta forma só tocamos duas das
notas do acorde. Outros só têm um tempo; neste caso tocamos só a nota base do acorde.

Nesta melodia toca-se os compassos 2 a 9 na 1ª vez, e repete-se indo para o compasso 2 porque
está no início do compasso 2 o sinal de repetição com os pontos à direita das barras verticais; na
2ª vez repete-se apenas os compassos 2 a 8 e salta-se para o compasso 10. No compasso 18
repete-se indo para o compasso 2; na 2ª vez salta-se do compasso 17 para o 19.
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Esta melodia de embalar está num compasso de 3/4, isto é, sendo a figura base de tempo a
semínima, cada compasso tem 3 delas, ou o equivalente, para fazer 3 tempos.
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Nesta melodia, no segundo compasso existe um grupo de 3 colcheias que valem só um tempo. São
chamadas de tercinas e são indicadas pelo algarismo 3 por baixo do grupo. A mesma situação
encontra-se no 6º compasso.

Nesta melodia repare-se que os compassos 15, 16 e 17 só se tocam a 1ª vez e repetimos o trecho
indo para o compasso 2; na 2ª vez salta-se do compasso 14 para o 18.
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Nesta melodia há dois sinais de repetição com os pontos à esquerda das barras verticais; assim,
em ambos os casos, quando se encontra cada sinal pela 1ª vez repete-se voltando ao início da
melodia. Quando se encontra cada um destes sinais pela 2ª vez segue-se em frente no 1º sinal e
termina-se a melodia no segundo sinal. Ao terminar podemos fazer o acorde cheio, isto é, tocando
as 3 notas do acorde em simultâneo.
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Nesta melodia, cada compasso é preenchido com um padrão base de 6 colcheias (ver o que a mão
esquerda toca); é por isso que se chama um compasso de 6/8. Assim, cada tempo é preenchido
com duas colcheias, isto é, toca-se duas notas do acorde em cada tempo. Neste exercício a mão
esquerda executa o acorde sempre com dedilhado ascendente (é mais simples). Mais à frente
aprenderemos o dedilhado ascendente e descendente, que é mais difícil.
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Esta melodia já foi aprendida anteriormente com dedilhado ascendente. Agora executamos o
dedilhado ascendente e descendente. É um exercício mais difícil. Começar muito lentamente com
um tempo de valor baixo e na medida que vamos automatizando os movimentos dos dedos e mãos,
subiremos progressivamente o valor do tempo.
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Aqui temos outra melodia de compasso 6/8 com dedilhado ascendente e descendente.
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Nesta melodia vemos o sinal D.C. que significa voltar ao início, para repetir a melodia.
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Nesta melodia, o acorde de C7 está invertido. O acorde de C7 é constituído pelas notas C, E, G, Bb.
A nota G ou E pode ser suprimida que o acorde mantém-se. Optou-se aqui por suprimir a nota G;
então o acorde fica com as notas C, E e Bb; invertendo uma vez fica E, Bb, C.
Se se optar por suprimir a nota E e invertendo ficaria G, Bb, C que também soaria bem.
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Até aqui, os exercícios tiveram como objetivo automatizar o dedilhado de acordes e memorizar
quais as notas que formam diferentes acordes.

Vamos agora passar para outro tipo de exercícios. A mão esquerda precisa também de
automatizar o que se pode chamar de técnica mista:

Num dado compasso, umas vezes toca notas individuais, outras vezes toca acordes cheios e outras
vezes toca uma melodia que harmoniza com a melodia da mão direita. Para conseguir este objetivo
é necessário ler bem a pauta da mão esquerda e praticar muito, mais de 1 hora diária. Primeiro
com o Tempo muito lento e subir progressivamente na medida em que se evolui.
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