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Dr.

Norberto, além dos motivos que o senhor nos pediu para fundamentar
nossa ação (cronograma, decisão do tce, das nomeações abaixo do quantitativo da
lotação paradigma e outros comuns a maior parte das pessoas do grupo),temos
aqui algumas peculiaridades que podem a vir a beneficiar os seguintes
contratantes do cargo de AJAJ da ampla concorrência

RESUMO DA MNUTA ALTERADO


Conforme o dj pi do dia 14 de abril, anexo nos documentos foram
nomeados: Tarcisio Wilsom Araújo Sobrinho posicão 85 da ampla concorrencia e
Deymison Alcantara França posicão 21 negros
Próximas nomeações de ampla AJAJ com base na reposição das 05
exonerações e 01 correção da nomeação que fizeram por cotas
1) Italo Diego borges de Rezende- posição 86 da ampla concorrência
Maisa de Carvalho Gonçalves Nunes (carta de desistência protocolada e
publicada dj 04/03/2021.
2) Larisse Torres Vieira- posição 88 da ampla concorrência
Cicero cassio de araujo silva piblicacao da carta de desistencia djpi
30/11/2020
Victor hugo sá de araújo (assumiu o cargo como escrivão dj pi de
11/04/2017, logo sai da lista de ajaj)
3) João Tomaz Neto
Daniele Barbosa Craveiro assumiu o cargo de escrivao no DJPi n 8830 de
22/01/2020 e protocolou c carta de desistência para Ajaj publicada dj pi
28/05/2020.
4) natália thais jorge Mendes
5) Aline Leite Martins de Sousa e Silva- posição 94 da ampla concorrência
OBS: ESTÃO EM VERMELHO OS NOMES DOS SEUS CONTRATANTES, DR
NORBERTO.
TEMOS UMA PRETERIÇÃO POR COTAS E 5 EXONERAÇÕES DE
CANDIDATOS QUE ASSUMIRAM O CONCURSO E FORAM EXONERADAS
AINDA NA VALIDADE, O QUE TOTALIZA 6 VAGAS DE AMPLA
CONCORRÊNCIA O QUE NÓS DÁ DIREITO LÍQUIDO E CERTO À
NOMEAÇÃO.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ VARA DOS
FEITOS DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE TERESINA/PI.

Larisse Torres Vieira, brasileira, casada, CPF sob o nº 618311663-72,


documento de identidade RG nº 5022355-0, endereço eletrônico
larissetfarias@hotmail.com, residente e domiciliada à rua Jasmin, nº 2200, edifício
Savona Residence bl.2,apt 602, Horto, CEP nº 64.052-490 Teresina-PI.
Italo Diego Borges de Rezende FALTA QUALIFICAÇÃO
Aline Leite Martins de Sousa e Silva FALTA QUALIFICAÇÃO

vêm, por meio de seu(s) advogado(s) abaixo assinado(s), procuração anexa,


perante Vossa Excelência, ajuizar a presente

AÇÃO ORDINÁRIA
(PARA FINS DE NOMEAÇÃO EM CONCURSO PÚBLICO)

em desfavor do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PIAUÍ, com sede na


Praça Edgard Nogueira S/N, Teresina - PI e do ESTADO DO PIAUÍ, com endereço no
Palácio de Karnak, Av. Antonino Freire, 1450, Centro, CEP 64.001-040, Teresina-PI
representados pela PROCURADORIA GERAL DO ESTADO DO PIAUÍ, com
endereço na Avenida Senador Arêa Leão, nº 1650, Jockey Club, CEP 64049110, pelos
fatos e motivos que passa a expor:

1 – DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA
1. Os autores autora requerem, inicialmente, que seja concedido o pedido de
gratuidade da justiça, tendo em vista que não pode arcar com o valor das custas da
presente ação sem prejuízo do seu próprio sustento. Desta feita, pleiteia-se
os benefícios da Justiça Gratuita, assegurados pela Constituição Federal,
artigo 5º, LXXIV e pela Lei 13.105/2015 (CPC), artigo 98 e seguintes.

2 – DOS FATOS.

1. Larisse Torres Vieira, ora autora, realizou concurso público para o


provimento de vagas no cargo de Analista Judiciário – Área Judiciária –Analista
Judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sendo classificada na 88ª colocação
(ampla concorrência);, Italo Diego Borges de Rezende, ora autor, também
classificado para AJAJ na colocação 86º(ampla concorrência) e Aline Leite
Martins de Sousa e Silva, ora também autora, classificada na 94ª da ampla
concorrência para o cargo de AJAJ, conforme resultado final no Diário da Justiça nº
7974ª, publicado em 11 de Maio de 2016. Os respectivos autores seriam os próximos a
serem nomeados da lista de ampla concorrência, caso não tivesse ocorrido a preterição
de 01 vaga de ampla por 01 de cotas e se tivessem ocorrido as reposições por
exoneração de candidatos do próprio concurso, como será exposto a seguir.

2. O certame foi formalizado pelo Edital nº 01/2015, publicado em 01 de


outubro de 2015 (DJ nº 7.839), e homologado no DJ Nº 8022ª, publicado em 19 de
Julho de 2016, iniciando-se o prazo de validade.

3. No dia 12 de julho de 2018, através da publicação Edital Nº 56/2018 -


PJPI/TJPI/SEAD no DJ Nº 8.472 foi prorrogada a validade do concurso por dois anos.

4. Em razão da pandemia do Novo Coronavírus, foi suspensa a validade do


concurso no período de 20/03/2020 até 31/12/2020 (DJ nº Nº 8913, publicado em 2 de
Junho de 2020) de modo que a validade do certame em questão se encerrará em 15
de abril de 2021.

5. Cumpre informar que em junho de 2016 foi publicada a Lei Complementar


nº 212, de 17 de junho de 2016, que reestruturou os cargos e carreiras do Poder
Judiciário do Estado do Piauí e, dentre outras alterações, transformou o cargo de
Escrivão Judicial em Analista Judicial. Deste modo, em virtude desta unificação de
cargos, os candidatos que foram nomeados primeiramente na lista de Analista Judicial
tiveram seus nomes excluídos da lista de Escrivão Judicial, e vice versa.

6. Para o cargo de Analista Judiciário – Analista Judicial, ao qual a autora fora


classificada, foram ofertadas 49 vagas (sendo 34 vagas para ampla concorrência, 10
vagas para cotas raciais e 05 vagas para PNEs).

7. Ao longo do prazo de validade do concurso, foram nomeados 63 candidatos


da lista de Analista judicial). Ou seja, apenas 14 nomeações (ampla concorrência) a
mais do que as previstas no edital.

8. Deste modo, com as desistências homologadas ao longo do concurso, as


nomeações chegaram na classificação 81 da ampla concorrência, conforme documento
anexo (doc. anexo).

9. Ao longo do concurso ocorreram as exonerações a pedido dos seguintes nomeados


do concurso. Entretanto, essas exonerações não foram repostas.
Exonerações de candidatos da Portaria Publicação DJPI
Ampla concorrência de Analista
Judiciário – Analista Judicial
PAULO ROBERTO MAGALHÃES (Presidência) Nº 6 de Agosto de 2018
FEITOSA 2176/2018
MEYRISSE WELNA MATOS FRANCO (SEAD) Nº 5 de Outubro de 2018
1231/2018
JONATAS DAVI SOARES DA SILVA (Presidência) Nº 7 de Fevereiro de 2019
548/2019
TÁCITO COSTA COARACY FILHO (Presidência) Nº 29 de Outubro de 2019
3158/2019
MARCUS VINÍCIUS CARVALHO DA (Presidência) Nº 5 de Agosto de
SILVA SOUSA 1446/2020 2020
10. Durante as nomeações houve o entendimento pacífico pelo TJ que o candidato
nomeado em um cargo seria excluído da lista do outro cargo(o cargo de analista
judicial fora unificado ao cargo de escrivão), de modo que pode-se afirmar com
absoluta segurança que OS AUTORES SERIAM OS PRÓXIMOS A SEREM
NOMEADOS NA LISTA DE ANALISTA JUDISIÁRIO-ANALISTA JUDICIAL
DA AMPLA CONCORRÊNCIA SE FOSSEM REPOSTAS AS EXONERAÇÕES
ACIMA LISTADAS E SE FOSSE CONSERTADO O ERRO DE PRETERIÇÃO
PELA VAGA DE COTAS.

3- DO DIREITO.

3.1. DO DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO EM RAZÃO DAS


EXONERAÇÕES EM VACÂNCIA. DOS CANDIDATOS QUE FORAM
NOMEADOS NO DECORRER DESTE CONCURSO, NA LISTA DE ANALISTA
JUDICIAL (AMPLA CONCORRÊNCIA) E QUE TIVERAM OS CARGOS
VAGOS NO DECORRER DO CONCURSO. TOTAL DE 05(CINCO)
EXONERAÇÕES

Ao longo do prazo de validade do concurso, 05 candidatos nomeados na ampla


concorrência da lista de AJAJ tiveram seus cargos declarados vagos, em virtude de
exoneração. Vejamos:

Exonerações de candidatos da Portaria Publicação DJPI


Ampla concorrência de Analista
Judiciário – Analista Judicial
PAULO ROBERTO MAGALHÃES (Presidência) Nº 6 de Agosto de 2018
FEITOSA 2176/2018
MEYRISSE WELNA MATOS FRANCO (SEAD) Nº 5 de Outubro de 2018
1231/2018
JONATAS DAVI SOARES DA SILVA (Presidência) Nº 7 de Fevereiro de 2019
548/2019
TÁCITO COSTA COARACY FILHO (Presidência) Nº 29 de Outubro de 2019
3158/2019
MARCUS VINÍCIUS CARVALHO DA (Presidência) Nº 5 de Agosto de
SILVA SOUSA 1446/2020 2020

Ressalta-se que: 1) todos esses candidatos ocupavam vagas da ampla


concorrência, conforme atesta a SEAD em Informação Nº 18791/2021 -
PJPI/TJPI/PRESIDENCIA/SEAD (em anexo); 2) que todos eles foram nomeados na
validade do presente concurso e exonerados antes da expiração do seu prazo de validade
(que findará em 15/04/2021); e 3) que não houveram substituições ou reposições dos
mesmos, conforme atesta o supra mencionado documento da SEAD.

Pelo exposto, verificamos a existência de 05 exonerações/vacâncias de


candidatos nomeados neste concurso, na ampla concorrência de AJAJ, durante a
validade do concurso, de modo que, conforme jurisprudências de diversos Tribunais,
os candidatos classificados em cadastro de reserva nas próximas 05 classificações
possuem o direito subjetivo à nomeação no referido concurso público. Destaca-se, a
seguir, jurisprudência do próprio TJ/PI:

“REMESSA NECESSÁRIA. APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE


SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO
APROVADO EM CADASTRO DE RESERVA. DESISTÊNCIA DE
CONCORRENTES MAIS BEM CLASSIFICADOS.
REPOSICIONAMENTO NA LISTA. CONFIGURAÇÃO DO
DIREITO À NOMEAÇÃO. 1 - É fato incontroverso a desistência em
assumir o cargo de 3 (três) candidatos aprovados dentro do número de
vagas, bem ainda a exoneração de 2 (dois) servidores que tinham
sido nomeados. 2 - O direito subjetivo à nomeação também se
estende ao candidato aprovado fora do número de vagas previsto no
edital, mas que passa a figurar entre as vagas nele previstas, em
decorrência da inaptidão de outros concorrentes mais bem
classificados. 3 - A expectativa de direito se transforma em direito
subjetivo à nomeação nas situações em que o candidato, aprovado
fora do número de vagas, devido a inaptidão de aprovados
classificados em colocação superior, passa a figurar dentro do
quantitativo ofertado no edital do concurso, o que ocorreu no caso
dos autos, mediante a desistência de três aprovados e a
exoneração de dois nomeados, tudo dentro do prazo de validade
do concurso. 4 - Reexame necessário e recurso de apelação
desprovidos.
(TJPI | Apelação / Reexame Necessário Nº 2018.0001.000996-2 |
Relator: Des. Ricardo Gentil Eulálio Dantas | 3ª Câmara de Direito
Público | Data de Julgamento: 08/10/2020 )”

De igual modo, se manifestou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, citando


entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal, in verbis:

MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. PRAZO


DE VALIDADE VIGENTE. DESISTÊNCIA DE CANDIDATOS
MAIS BEM CLASSIFICADOS. PEDIDO DE EXONERAÇÃO DE
CANDIDATOS NOMEADOS. DIREITO SUBJETIVO À
NOMEAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO CONFIGURADO.
- A jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido de que o direito
líquido e certo à nomeação somente surge para os candidatos
aprovados dentro do número de vagas inicialmente previstas no edital,
reservando-se mera expectativa de direito para aqueles provados fora
do número de vagas.
- Conforme precedentes do Excelso STF, o direito à nomeação se
estende ao candidato aprovado fora do número de vagas previstas
no edital, mas que passe a figurar entre as vagas em razão da
desistência e pedido de exoneração de candidatos mais bem
classificados, como é o caso da impetrante.
Como ressai da prova, a impetrante é a 4ª colocada excedente. Havia
23 vagas na SRE por ela escolhida e ocorreram duas desistências e um
pedido de exoneração - ou seja, 04 cargos não preenchidos, fato que
lhe gera o direito aqui reclamado.
- Ordem concedida.
(TJ-MG - MS: 10000170345029000 MG, Relator: Wander Marotta,
Data de Julgamento: 11/10/2017, Órgão Especial / ÓRGÃO
ESPECIAL, Data de Publicação: 27/10/2017)

3.2. DA PRETERIÇÃO DECORRENTE DA NOMEAÇÃO DE 01 (UM)


CANDIDATO COTISTA, NOMEADOS NO CADASTRO DE RESERVA DA
AMPLA CONCORRÊNCIA DE ESCRIVÃO, EM SUBSTITUIÇÃO A OUTROS
CANDIDATOS COTISTAS JÁ NOMEADOS, E EM DESACORDO COM A
PRÓPRIA RESOLUÇÃO 203/2015 DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA.

O Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, no processo administrativo nº


20.0.000010365-0, em Despacho Nº 9786/2020 - PJPI/TJPI/PRESIDENCIA/SEAD,
exarou o seguinte entendimento:

“Despacho Nº 9786/2020 - PJPI/TJPI/PRESIDENCIA/SEAD


Vistos em Despacho.
Considerando o entendimento adotado desde 2018 por este Poder
Judiciário, quando um candidato é aprovado na lista de ampla
concorrência e, também, na lista de cotistas negros/pardos para o
mesmo cargo, sua nomeação não pode ser preterida, sendo nomeado
então na ordem de classificação do grupo que melhor lhe favorecer.
Entretanto, caso a primeira nomeação seja na lista de cotas, a vaga que
seria destinada à ampla concorrência para o candidato, passa a ser
ofertada a um candidato cotista, de forma que o percentual de 20%
do total de nomeações seja respeitado.
A exemplo, a candidata ocupante da 32ª posição da ampla
concorrência, Deyse da Silva Costa, já havia sido nomeada para o
mesmo cargo por meio da Portaria Nº 566 de 10 de abril de 2017,
publicada no DJ nº 8186, de 12 de abril de 2017, na condição de
candidata cotista, por ter sido classificada na 3ª posição da lista de
aprovados nas cotas para negros e pardos. Dessa forma, considerando
o disposto no Art. 6º da Resolução Nº 203/2015 do Conselho Nacional
de Justiça, a vaga que seria destinada à ampla concorrência para a
referida candidata, passou a ser ofertada a candidata cotista Suzanne
Valéria da Silva Celestino, que foi nomeada por meio da Portaria Nº
1522/2018, de 30 de maio de 2018, ocupando assim o 44º lugar na
ordem de convocação. Tais informações foram prestadas no Processo
SEI 18.0.000031349-8.
Prestadas as informações pertinentes, encaminhe-se à SECPRE para
análise e manifestação.”
O entendimento acima exposto é correto para os candidatos cotistas que foram
aprovados dentro das vagas previstas no edital para a modalidade ampla
concorrência, já que o art. 6º, §2º da Resolução Nº 203/2015 do Conselho Nacional
de Justiça prevê que

“§ 2º Os candidatos negros aprovados dentro do número de vagas


oferecido para ampla concorrência não serão computados para efeito
do preenchimento das vagas reservadas a candidatos negros.”

Ocorre que o TJ/PI, por engano, passou a aplicar esse entendimento para
casos nos quais havia candidatos cotistas já nomeados que foram também
classificados na modalidade de ampla concorrência, porém fora das vagas
oferecidas pelo edital (dentro do cadastro de reserva).

Para explicar melhor o erro do entendimento acima, voltemos ao edital do


concurso nº 01/2015. Em suas cláusulas 8.2.1, 8.11 e 8.12 ele dispôs sobre o percentual
e a ordem nomeação de candidatos que se classificassem nas vagas destinadas a cotas
para negros:

“8.2.1. Aos candidatos que se declararem negros será reservada 20%


(vinte por cento) das vagas por grupo funcional/área/carreira,
conforme o quantitativo estabelecido neste Edital.
(...)
8.11. O primeiro candidato negro classificado no concurso público
será nomeado para ocupar a 3ª (terceira) vaga aberta por grupo
funcional/área/carreira, enquanto os demais serão nomeados a cada
intervalo de 5 (cinco) vagas a serem providas por grupo
funcional/área/carreira.
(...)
8.12 A ordem de convocação dos candidatos negros se dará da
seguinte forma: a 1ª vaga a ser destinada ao candidato negro será a 3ª
vaga, a 2ª será a 8ª vaga, a 3ª será a 13ª vaga, a 4ª será a 18ª vaga e
assim sucessivamente.”
O critério posto no edital respeita o percentual de 20% determinado
pelo art.2º da Resolução Nº 203/2015 do Conselho Nacional de
Justiça, pois prevê que após 4 nomeações consecutivas, a quinta deve
ser destinada a um candidato negro”.

O TJ/PI, sob o argumento de manter o respeito a esse percentual, aplicou para


todos os casos o entendimento de que, caso um candidato que ocupasse as vagas
destinadas a negros e à ampla concorrência fosse nomeado primeiramente àquela vaga e
tomasse posse, o cargo de ampla concorrência para o qual se classificou seria ocupado
obrigatoriamente por um candidato de cotas para negro, independentemente de sua
classificação em ampla concorrência estar ou não dentro das vagas oferecidas no edital.
Esse entendimento cria um favorecimento indevido aos candidatos cotistas em
detrimento dos candidatos de ampla concorrência. Na prática, o que ocorre é a
transformação de uma vaga de ampla concorrência em uma vaga cotista, enquanto
a outra vaga de cotas é mantida, desrespeitando o que foi anteriormente previsto
no edital.

Ora, a ação correta nesse caso seria simplesmente preencher essa vaga da
ampla concorrência com outro candidato classificado nessa mesma modalidade, como
de fato foi feito em diversos Tribunais do País, os quais destacamos: TJDF, TRF1, STJ,
TJPE, dentre outros. Assim, a proporcionalidade do concurso restaria mantida.

Para clarear o que foi exposto, vamos apresentar três exemplos:

1º exemplo: Nomeações – Forma correta – Sem vacâncias: No


primeiro exemplo, expõe-se uma tabela com 10 nomeações, na forma
prevista pelo edital, considerando também as vagas para deficientes
(item 6.7):

Ampla (46º)
Ampla (47º)
PcD
Ampla (48º)
Negro (11º)
Ampla (49º)
Ampla (50º)
Ampla (51º)
Ampla (52º)
Negro (12º)
Essa ordem de nomeações foi prevista no edital nos itens 8.12 e 6.7.
Percebe-se o respeito ao percentual de cargos destinados a negros
(20%) – do total de 10 vagas, 2 são de cotas para negros.

2º Exemplo: Nomeações – Forma correta – Candidato cotista em duas


listas: Imagine agora que o candidato nomeado em 8º lugar para negro
tenha também se classificado em 49º lugar para ampla concorrência.
Caso ele assuma a vaga destinada a candidatos negros, a vaga de
ampla concorrência que ele ocupava deverá ser ocupada pelo próximo
candidato da ampla concorrência. Em suma, a classificação vaga
deverá simplesmente ser saltada. Vejamos:

Ampla (46º)
Ampla (47º)
PcD
Ampla (48º)
Negro (11º)
Ampla (50º)
Ampla (51º)
Ampla (52º)
Ampla (53º)
Negro (12º)

Essa é forma correta de nomeação, de modo que o percentual de


candidatos negros nomeados continua sendo de 20% (de 10
nomeados, 2 são negros).

Pode-se ver que dessa maneira o percentual de 20% de vagas


destinadas a negros continua sendo integralmente respeitado, pois na
tabela demonstrada, de oito nomeações duas foram destinadas a vagas
para negros.

3º Exemplo: Nomeações – Forma incorreta – Candidato cotista em


duas listas. Por fim, demonstra-se o erro no entendimento do TJ/PI
que foi exposto no Processo Sei nº 20.0.000010365-0:

Ampla (46º)
Ampla (47º)
PcD
Ampla (48º)
Negro (11º)
Negro (12º)
Ampla (50º)
Ampla (51º)
Ampla (52º)
Negro (13º)

Nota-se, nessa tabela, que transformando a vaga de ampla


concorrência em uma vaga de cotas para negros o percentual exato de
20% previsto no item 8.2.1 restou desrespeitado, pois, agora, das 10
nomeações ocorridas, 3 serão ocupadas por cargos destinados a
negros, que serão 30% das nomeações.
Após essa breve explanação, cumpre mencionar que o entendimento adotado
pelo TJPI NO ANO DE 2020, ao chegar no cadastro de reserva, foi justamente o
entendimento explanado nesse terceiro exemplo, de modo que restou extrapolado o
percentual de 20% previsto no próprio edital.

As primeiras 49 nomeações, que são as vagas constantes no edital parta o cargo


de Analista Judiciário- área judiciária, seguiram a ordem correta, porém, na nomeação
seguinte, que dava início ao cadastro de reserva do cronograma, houve um erro.
A nomeação que iniciaria o cronograma seria a de Windson Jose David e Silva
(com classificação na lista da ampla concorrência na posição 57, entretanto ele já havia
assumido o cargo como 3º cotista, conforme o diário de Justiça do Piaui de 11/04/2017 -
documento em anexo - ).Portanto, a nomeação seguinte seria para repor essa vaga de
ampla concorrência do Windsom José(posição 57 da ampla concorrência).
Porém, o E. TJ-PI equivocou-se ao nomear na vaga de ampla concorrência a
candidata de cotas Caroline Paz Rodrigues.
Ainda que estivesse certo, oTJ-PI nomeou quase que em sequencia mais outra
cota sem respeitar o percentual de 20% do edital.
Em outras palavras, a nomeação que deveria ser da lista da ampla concorrência
foi passada para um candidato da ordem dos cotistas. Além disso, praticamente logo em
seguida( intercaladas por apenas 2 nomeações de ampla) houve outra nomeação de
cotista, de modo que se observam 2 nomeados da lista de cotistas (16 e 1 7) sem o
intervalo de 4 vagas de ampla, o que viola a proporcionalidade de 20% constante do
edital.

A tabela a seguir que consta na portaria presidencial n º 541/2020 do DJPI de 19


de fevereiro de 2020, comprova a preterição de 01 vaga da ampla concorrência,
vejamos:

ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINISTRATIVA/


CARGO: ANALISTA JUDICIAL

NOME CLASSIFICAÇÃO
Caroline Paz Rodrigues 16º(Negros)
Lorran Macedo Bastos 58º
Carolina Carvalho de Andrade 61º
Wanessa Barbosa Torres Nunes 17º(Negros)
Danielle Parentes Ferreira Dourado 62º
Taciana de Freitas Pinheiro 8º PCD
André Lima Bezerra 63º

Cumpre salientar, ainda nesse diapasão, que no ano de 2021, a nova gestão do
tjpi mudou o entendimento errôneo que vinha sendo adotado, passando a adotar o
correto entendimento explanado no segundo exemplo, de modo que restou mais clara
a flagrante violação do direito que hora se pleiteia.

Deste modo, torna-se clara a preterição de 01 vagas destinadas a ampla


concorrência do cargo de escrivão, que, somadas às 05 exonerações ocorridas
(explanadas no tópico anterior), totalizam o direito subjetivo a 06 nomeações na
ampla concorrência do cargo de analista judiciário- analista judicial.

3.3. CALENDARIZAÇÃO DAS NOMEAÇÕES DETERMINADAS PELA


PRESIDÊNCIA E NÃO CUMPRIDAS. DA CONSULTA AO TCE/PI. DO
COMPORTAMENTO EXPRESSO DO TJPI EVIDENCIANDO A
NECESSIDADE DE NOMEAÇÕES. DO DESPACHO DA S.O.F. ACERCA DA
AUSÊNCIA DE AUMENTO DE DESPESAS.

Para o cargo de analista judiciário-analista judicial, o documento assinado pelo então


Presidente do Tribunal, Des. Sebastião Ribeiro Martins, determinava, além da
nomeação vagas previstas no edital, a nomeação de mais 35 analistas judicIais área
administrativa AJAJ nomeados no cadastro de reserva. Note-se que, na prática, das 35
nomeações determinadas, só foram cumpridas 18 nomeações, de modo que ficou
expressa a necessidade e o interesse da Administração em nomear mais 17 candidatos
ao cargo de analista judiciário- judicial .

Pontos:
-- fez consulta ao TCE, que se mostrou favoravel.
-- fez consulta ao setor de orçamento, que respondeu que não havia impacto por se tratar
de reposições.
--- juntou, no despacho de consulta ao TCE, diversos argumentos demonstrando
extrema necessidade em nomear, sobretudo em razão da necessidade decorrente da
lotação paradigma
--- No caso, a Administração demonstrou expressamente a necessidade de nomear, e, ao
determinar as nomeações, gerou direito subjetivo aos candidatos que entrariam neste
cronograma.

Segundo o Superior Tribunal de Justiça, respaldado pelo Supremo Tribunal


Federal, o comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a
inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade
do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato, gera direito líquido e
certo à nomeação. Veja-se, nesse sentido, o seguinte julgado:

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. MANDADO DE


SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. PROCON/DF.
CANDIDATA APROVADA FORA DO NÚMERO DE VAGAS.
DESISTÊNCIA DE CANDIDATOS MELHOR CLASSIFICADOS,
PASSANDO A IMPETRANTE A FIGURAR DENTRO DAS
VAGAS PREVISTAS NO EDITAL. DIREITO À NOMEAÇÃO.
EXISTÊNCIA. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. IMPEDIMENTO DECORRENTE DA LEI DE
RESPONSABILIDADE FISCAL. AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA.
I. Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada
em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da
publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in
casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015.
II. Caso em que a Impetrante logrou aprovação, na 13ª classificação,
no concurso público para o cargo de Técnico de Atividade de Defesa
do Consumidor - Técnico de Contabilidade do PROCON/DF, no qual
havia previsão de 08 (oito) vagas, sendo que 5 (cinco) candidatos
melhor classificados desistiram do certame.
III. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento submetido ao rito da
repercussão geral (RE n. 837311/PI), fixou orientação no sentido de
que o surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para
o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior, não
gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados
fora das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de
preterição arbitrária e imotivada por parte da administração,
caracterizadas por comportamento tácito ou expresso do Poder
Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação
do aprovado durante o período de validade do certame, a ser
demonstrada de forma cabal pelo candidato.
IV - Por outro lado, em relação àqueles candidatos aprovados dentro
do número de vagas, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do
Recurso Extraordinário n. 598099/MS, também submetido à
sistemática da Repercussão Geral, fixou orientação no sentido haver
direito à nomeação, salvo exceções pontuais. A partir dessa tese,
evoluiu para compreender que, havendo desistência de candidatos
melhor classificados, fazendo com que os seguintes passem a constar
dentro do número de vagas, a expectativa de direito se convola em
direito líquido e certo, garantindo o direito a vaga disputada.
Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
V. Afasta-se o impedimento para nomeação suscitado pelo ente
público, decorrente de suposto atingimento do limite prudencial
previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, tendo em vista a ausência
de comprovação.
VI. Recurso Ordinário provido, para reformar o acórdão recorrido e
determinar a imediata nomeação da Impetrante para o cargo
postulado.
(RMS 53.506/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 29/09/2017)

3.4. DO ESTUDO DE LOTAÇÃO PARADIGMA, ATUALIZADO EM


OUTUBRO/2020, DEMONSTRANDO A REAL NECESSIDADE DE
NOMEAÇÃO DE 69 ANALISTAS JUDICIAIS (CARGO UNIFICADO DE
ANALISTA + ESCRIVÃO).
Em outubro de 2020, o TJPI realizou um estudo que teve por objetivo construir
um modelo de referência para a lotação de servidores (lotação paradigma) que permita
equalizar melhor a força de trabalho disponível no 1º grau do TJPI, conforme preconiza
a Resolução 219 do CNJ. Esse estudo, juntado pelo TJPI ao processo SEI nº
20.0.000001137-2 e juntado em anexo à presente ação, admitiu a necessidade de
nomear 69 servidores para o cargo de Analista Judicial (sendo, em razão da unificação
de cargos, metade por analistas judiciais e metade por escrivães judiciais). Ressalte-se
que esse estudo demonstra O MÍNIMO de Analistas Judiciais que o TJPI precisaria
nomear para atuar dentro dos parâmetros mínimos estabelecidos pelo CNJ. Salienta-se
que, após a realização desse estudo, só foram nomeados 22 servidores (11 escrivães e 11
analistas judiciais).

Nos documentos anexados à presente ação, mais especificamente à folha 3 da


Consulta nº268/2020 – PJPI/TJPI/SECPRE e às folhas 4/5 da Decisão nº 11200/2020 –
PJPI/TJPI/SECPRE, o Presidente do Tribunal, Des. Sebastião Martins, declara de forma
expressa a necessidade urgente de nomeações, tendo em vista “que em consulta ao
sistema intranet, observa-se que diversas unidades estão com lotação inferior à
paradigma”, citando várias dessas comarcas; e tendo em vista que “essa insuficiência é
sentida pelos gestores imediatos, magistrados, que solicitam constantemente servidores
nestas unidades”, citando à título exemplificativo a existência de 15 processos SEI
oriundos de magistrados de comarcas do interior, solicitando nomeações com urgência.

Note-se que à folha 5 da Decisão nº 11200/2020 – PJPI/TJPI/SECPRE, o


Presidente ressalta ainda a proximidade de mais 80 aposentadorias (das quais no
presente momento já se concretizaram em média 65) que agravam a impossibilidade
administrativa de suprir as unidades com o quantitativo de servidores estabelecidos na
Resolução nº 109.

Na leitura dos referidos documentos, em anexo, bem como na análise do estudo


de lotação paradigma, também em anexo, fica evidente a extrema necessidade de
nomeação de servidores e, ainda, a demonstração expressa do gestor máximo do órgão
quanto ao interesse de nomear. Nesse sentido:

ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. MAGISTRATURA


DA PARAÍBA. CANDIDATOS APROVADOS FORA DO
NÚMERO DE VAGAS. SURGIMENTO DE NOVAS VAGAS
DURANTE A VIGÊNCIA DO CERTAME. NECESSIDADE E
INTERESSE DEMONSTRADOS PELA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA. PRINCÍPIO DA LEALDADE E DA BOA-FÉ.
COROLÁRIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA. EXPECTATIVA
CONVOLADA EM DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
1. Nos termos da compreensão do Pretório Excelso e do Superior
Tribunal de Justiça, o direito à nomeação se limita exclusivamente às
vagas previstas no edital, não atingindo, como se pretende no caso
concreto, aquelas que surjam ao longo do prazo de validade do
concurso.
2. O próprio Supremo Tribunal Federal, em certas oportunidades, já
declarou, porém, que o direito à nomeação se estende também quando
fica caracterizado que a Administração Pública, de forma intencional,
deixa escoar o prazo de validade do concurso sem nomear os
aprovados.
3. A omissão do Tribunal de Justiça da Paraíba em nomear os
candidatos aprovados e treinados, mesmo diante da pública e
notória carência de magistrados e da existência de vagas,
configura o direito líquido e certo à nomeação.
4. Considerando-se que a motivação se limitou exclusivamente à
inexistência de vagas, tendo esta caído por terra frente ao acervo
probatório dos autos - que demonstrou a atuação de magistrados
acumulando mais de uma vara e/ou comarca e a edição de leis à época
da vigência do certame criando novas varas, faltando somente a
atuação do Estado em efetivar o seu funcionamento -, está
configurado o direito líquido e certo dos impetrantes à nomeação.
5. O dever de boa-fé da Administração Pública exige o respeito
incondicional às regras do edital, inclusive quanto à previsão das
vagas do concurso público. Isso igualmente decorre de um necessário
e incondicional respeito à segurança jurídica como princípio do
Estado de Direito. Tem-se, aqui, o princípio da segurança jurídica
como princípio de proteção à confiança. Quando a Administração
torna público um edital de concurso, convocando todos os cidadãos a
participarem de seleção para o preenchimento de determinadas vagas
no serviço público, ela impreterivelmente gera uma expectativa
quanto ao seu comportamento segundo as regras previstas nesse edital.
Aqueles cidadãos que decidem se inscrever e participar do certame
público depositam sua confiança no Estado administrador, que deve
atuar de forma responsável quanto às normas do edital e observar o
princípio da segurança jurídica como guia de comportamento. Isso
quer dizer, em outros termos, que o comportamento da Administração
Pública no decorrer do concurso público deve se pautar pela boa-fé,
tanto no sentido objetivo quanto no aspecto subjetivo de respeito à
confiança nela depositada por todos os cidadãos (RE n. 598.099/MS,
Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 10/8/2011).
6. Recurso ordinário em mandado de segurança provido.
(RMS 27.389/PB, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR,
SEXTA TURMA, julgado em 14/08/2012, DJe 26/10/2012)

3.5. DAS APOSENTADORIAS, FALECIMENTOS E VACÂNCIAS


OCORRIDAS APÓS A REALIZAÇÃO DO CONCURSO. DO
LEVANTAMENTO DETALHADO FEITO PARA O CARGO DE ANALISTA
JUDICIAL (QUE ABRANGE ANALISTA + ESCRIVÃO).

Além de todos os fatos e argumentos já trazidos no bojo da presente ação,


cumpre destacar que a autora desta ação realizou um levantamento de todas as
aposentadorias, exonerações e falecimentos de servidores nomeados em concursos
anteriores, ocorridas após a realização do presente concurso, que concluiu pela
existência de PELO MENOS 121 VACÂNCIAS NÃO REPOSTAS PELO TJPI
(levantamento feito de 17/12/2015 a 09/04/2019). O documento está em anexo.
Sobre o tema, a farta jurisprudência, de onde se extrai, apenas a título
exemplificativo:

JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA


3.6. DO PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL QUE
RECENTEMENTE CRIOU 88 CARGOS COMISSIONADOS DE ASSESSOR DE
MAGISTRADO, COM MESMAS ATRIBUIÇÕES DE ANALISTA
JUDICIAL/ESCRIVÃO.

Conforme a Resolução 208/2021 do TJ PI de 01 de março de 2021, a qual


dispõe sobre projeto de LC estadual- que visa a criação de 302 cargos em comissões de
Assistente de Magistrado (88 cargos além do que já existia, tendo em vista que houve a
extinção de 214 cargos e criação de 302, referência CC/04). Em seus dispositivos, a
vindoura Lei estabelece a seguinte quantidade de cargos comissionados:

Art. 2º Ficam criados na estrutura do Poder Judiciário Estadual, no 1º


Grau de jurisdição, 302 (trezentos e dois) cargos em comissão de
Assistente de Magistrado, referência CC/04, com atribuições definidas
nesta Lei.

Art. 3º Ficam criados 20 (vinte) cargos de Assistente de Magistrado,


referência CC/04, na estrutura do Núcleo de Apoio às Unidades
Judiciárias de 1º e 2º graus – NAUJ. (Grifos nossos).

O entendimento do Tribunal em busca de uma melhoria nos seus índices de


produtividade está ligado diretamente ao aumento de servidores públicos e uma
consequente melhora na prestação de seus serviços. Então parece um contrassenso, por
parte do TJ PI de aumento significativo de comissionados em detrimento dos candidatos
aprovados no atual concurso.

O exercício das atividades típicas de um analista judicial/escrivão acaba por ser


designada para o até então novo cargo comissionado, fato que é reforçada pela
obrigatoriedade do diploma de bacharel em direito:

Art. 7º O Anexo X, da LCE nº 230/2017, de 29 de novembro de 2017,


fica acrescido, no padrão CC/04, do cargo de ASSISTENTE DE
MAGISTRADO, com requisito de escolaridade de Bacharelado em
Direito. (Grifos nossos).

Ademais, adentrando na Resolução Nº 208/2021, percebe-se de uma maneira


bem clara a usurpação de atribuições e a suposta similaridade dos cargos:
Art. 12 - O Anexo IX, da LCE n° 230/2017, de 29 de novembro de
2017, fica acrescido do seguinte cargo e respectivas atribuições:
Anexo IX Assistente de Magistrado CC/04

a) auxiliar na supervisão das atividades dos gabinetes, pertinentes ao


controle de processos, visando a manter o julgador informado sobre as
fases dos feitos conclusos;

b) realizar pesquisa de jurisprudências, doutrinas, diários oficiais e


outras fontes, e apurar informações pertinentes aos casos em
julgamento, para melhor subsidiar o magistrado nas suas decisões;

c) analisar os fundamentos das ações e seus conteúdos, com base em


textos legais, emitindo relatórios de modo a oferecer subsídios para a
elaboração do despacho e decisão do magistrado;

d) elaborar minuta de despachos e decisões nos autos para dar


andamento aos processos com menor ou médio graus de
complexidade jurídica, com vistas ao controle eficiente e eficaz das
informações registradas;

e) auxiliar o magistrado nas jornadas de enfrentamento de demandas


reprimidas;

f) proceder à alimentação de sistemas judiciais e administrativos; g)


realizar outras atividades pertinentes à sua área de atuação.

O que, com palavras diferentes, na prática coincide com as funções previstas


no regramento disciplinado pelo Lei Complementar nº 230, de 29 de novembro de 2017,
ipsis litteris:

Art. 6º. O quadro de pessoal efetivo do Poder Judiciário do Piauí é


composto pelas seguintes carreiras:

I – analista judiciário: atividades de planejamento, organização,


coordenação, supervisão técnica, assessoramento, direção de unidade,
estudo, pesquisa, elaboração de laudo, parecer, prática de ato
processual, cumprimento de decisão judicial e administrativa,
prestação de informação de relevante complexidade;
E de igual modo, as funções do novo cargo da Resolução Nº 208/2021
coincidem com os do Edital Nº 01/2015 – Abertura de Concurso Público para
Provimento de vagas do Quadro de Pessoal efetivo do Poder do Estado do Piauí em seu
anexo:

ANEXO II – REQUISITOS E ATRIBUIÇÕES DO GRUPO


FUNCIONAL ANALISTA JUDICIÁRIO

CARREIRA DE ESCRIVÃO JUDICIAL: REQUISITOS: diploma,


devidamente registrado, de conclusão de curso de graduação de nível
superior em Direito, fornecido por instituição de ensino superior
reconhecida pelo MEC. ATRIBUIÇÕES: a) redigir, em forma legal,
os ofícios, mandados, cartas precatórias e outros atos que pertençam
ao seu ofício, assinando-os conjuntamente com a autoridade judicial,
quando for o caso; b) executar as ordens judiciais, bem como praticar
todos os atos que lhe forem atribuídos pela Lei de Organização
Judiciária; c) comparecer às audiências ou, não podendo fazê-lo,
designar substituto.

3.7. DA EXISTÊNCIA DE SERVIDORES CEDIDOS EXERCENDO FUNÇÕES


COM MESMAS ATRIBUIÇÕES DE ANALISTA JUDICIAL/ESCRIVÃO.

Cumpre ainda registrar na presente ação que o TJPI atualmente possui mais de
120 servidores cedidos para o TJPI, sem cargo em comissão, sendo em sua grande
maioria servidores que desenvolvem atividade fim compatível com as atribuições de
analista judicial. Foi solicitado levantamento discriminado destes servidores para a
SEAD, porém sem resposta. Citamos, apenas a título meramente exemplificativo, o
nome de alguns dos servidores:

1) Aline Tarciana Batista de Almeida Cerqueira


Origem: Analista Judiciário do TJPB
Lotação: Superintendência de Licitações e Contratos

2) Lilian Miranda Vasconcelos


Origem: assessora Jurídica da Prefeitura de Cristino Castro
Lotação: Secretaria Judiciária

3) Nara Oliveira de Almendra Freitas


Origem: Escrivã de Polícia Civil da Secretaria de Segurança Pública
do Estado do Piauí
Lotação: Central de Inquéritos e Audiência de Custódia

4) Vanda Abreu Costa


Origem: DELEGADA DE POLÍCIA CIVIL da Secretaria de
Segurança Pública do Estado do Piauí
Lotação:Central de Inquéritos e Audiência de Custódia

5) Aline Michelli Veras de Lima


Origem: Escrivã de Policia da Secretaria de Segurança Pública do
Estado do Piauí
Lotação: Central de Inquéritos e Audiência de Custódia

6) Marcella Castelo Branco Carvalho Campelo


Origem: Escrivã de Polícia Civil da Secretaria de Segurança Pública
do Estado do Piauí
Lotação: Central de Inquéritos e Audiência de Custódia

7) Emanuel Augusto de Oliveira Santana


Origem: ESCRIVÃO DE POLÍCIA da Secretaria de Segurança
Pública do Estado do Piauí
Lotação: Central de Inquéritos e Audiência de Custódia

8) João Ítalo Bezerra Fialho


Origem: ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL DA secretaria de
Segurança Pública do Estado do Piauí
Lotação: Central de Inquéritos e Audiência de Custódia
3.8. DA AUSÊNCIA DE INDISPONIBILIDADE FINANCEIRA. DA AUSÊNCIA
DE IMPACTO ORÇAMENTÁRIO EM NOMEAÇÕES DECORRENTES DE
REPOSIÇÕES DE CARGOS VAGOS. DA JUNTADA AOS AUTOS DOS
REPASSES RECEBIDOS PELO TJPI DE 2019 A 2021.

Além das nomeações em decorrência de aposentadorias, exonerações e demais


vacâncias não provocarem aumento de despesas, conforme Despacho nº 1379/2021 –
PJPI/TJPI/PRESIDENCIA/SOF/DEPORCPRO (doc anexo), junta-se à presente ação
extrato dos repasses recebidos pelo TJPI de 2019 a 2021, de onde não se vislumbra
qualquer possibilidade de inviabilidade orçamentária.

4 – DOS PEDIDOS

Ante o esposado, a autora requer:

a) Seja deferido o pedido de gratuidade da justiça, tendo em vista que a impetrante


não pode arcar com o valor da presente ação sem prejuízo do seu próprio
sustento.

b) Seja notificada a autoridade coatora supra mencionada, no endereço exposto,


para que prestem as informações no prazo legal.

c) Que seja intimado o represente do Ministério Público Estadual para emitir


parecer.

d) SEJA RECONHECIDO OS DIREITOS ÀS NOMEAÇÕES DOS


AUTORES, com a consequente determinação do mesmo à autoridade
competente, tendo em vista, que, diante do exposado, ficou comprovado:

d.1. que aos autores, ao final, teriam sido nomeados se não tivesse ocorrido a
preterição de 01 vagas da ampla concorrência por cotas (01 vaga) e as 05
exonerações totalizando 06 vagas de ampla concorrência

d.2. que no decorrer do concurso, 05 candidatos nomeados na modalidade de


ampla concorrência pediram exoneração e não tiveram as vagas repostas, sendo
pacífico nos Tribunais o direito subjetivo aos candidatos que seriam nomeados
nestas reposições;

d.3. que, além desses 05 candidatos, também ocorreu a preterição de 01 vagas da


ampla concorrência, as quais foram destinadas à cotas, já em cadastro de reserva,
extrapolando o limite do percentual de 20% e contrariando a própria resolução
do CNJ sobre o tema, fato este que se tornou notório com a mudança de
entendimento dada pelo TJPI no ano de 2021, conforme explanado no bojo desta
ação;

d.4. que existiu determinação expressa da Presidência do TJPI de que fossem


nomeados 35 analistas judiciais do cadastro de reserva; que existiu documento
da SOF demonstrando ausência de impacto orçamentário, por se tratar de
reposições; que existiu consulta ao TCE/PI acerca da possibilidade destas
nomeações, com retorno favorável; que destas 35 vagas às quais expressamente
se determinou a reposição, só cumpriram a nomeação de 18, faltando nomear 17
analistas judiciais- AJAJ;

d.5. que o atual estudo de lotação paradigma demonstrou a necessidade de


nomeação de muitos analistas judiciário-analista judicial, sendo nomeados após
a lotação apenas 11;

d.6. que houveram 121 vacâncias no cargo de analista judicial/escrivão judicial


entre o período 17/12/2015 a 09/04/2019, conforme tabela anexada, sem
nenhuma reposição das mesmas.

d.7. que, em março de 2021, foi criado mais 88 cargos comissionados de


assessores de magistrado (além do que já havia), conforme Projeto de Lei em
anexo (Resolução nº 208/2021, de 01 de março de 2021), com mesmas
atribuições de Analista Judicial/ Escrivão Judicial.

d.8. Que os documentos em anexo à presente ação (repasses recebidos pelo TJPI
de 2019 a 2021) comprovam a total possibilidade de serem realizadas as
nomeações expostas ao longo da ação, sobretudo por se tratarem de reposições e
por não haver nenhum impacto orçamentário negativo nos últimos 3 anos,
conforme documentos ora juntados.
Dá-se à causa o valor de R$ 500,00 (quinhentos reais).

Termos em que pede deferimento.