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PORTAL F3 – FOCO, FORÇA E FÉ

2ª FASE DIREITO CONSTITUCIONAL


Prof. PEDRO BARRETTO - Prof. RAFAEL BARRETTO
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TDP – MÓDULO II
TREINAMENTO DIÁRIO DE PEÇAS

CASO 1 – 2ª feira, 30/04/2018

Magali é servidora do Ministério da Saúde e exerce a função de auxiliar de


enfermagem em hospital público há mais de 25 anos, possuindo, nos termos da
Constituição Federal, direito a obtenção de aposentadoria sob requisitos e critérios
diferenciados.
Entretanto, para que esse direito possa ser exercido, é preciso que seja edita uma
lei complementar federal, a qual, até o presente momento, ainda não foi feita,
inviabilizando o exercício do direito pretendido por Magali.
Na qualidade de advogado contratado por Magali, ingresse com a medida
processual adequada que lhe viabilize o direito de se aposentar sob condições especiais.
Medida judicial cabível: Mandado de Injunção (artigo 5º, LXXI, e 102, I, q da CF/88 e
lei 13.300/16)

Endereçamento ao STF.

Legitimidade ativa: Magali (art. 319, CPC e art. 3º da lei 13.300/16)

Do impetrado: mora legislativa do Chefe do Poder Executivo ( na forma do art. 61, §1º,
II, ‘c’, CF) na regulamentação do artigo 40, parágrafo 4º, inciso III, da Constituição
Federal, o qual dispõe sobre a aposentadoria especial de servidor público.

Fundamentos Jurídicos: Violação de direito à aposentadoria especial devido à mora


incompatível com o previsto na Constituição. Tendo em vista contato direto com agentes
nocivos à saúde, moléstias infecto- contagiosas humanas e materiais e objetos
contaminados: Violando assim o princípio da Isonomia, dignidade da pessoa humana, da
supremacia da constituição e da legalidade

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Requerimentos/Pedidos:
– Notificação da autoridade (impetrado)
– Requer que seja dada ciência do ajuizamento desta ação ao órgão de representação
judicial da pessoa jurídica interessada
– Notificação do Ministério Público para que se manifeste
– Requer a condenação da impetrada ao pagamento de custas processuais
– Procedência do Mandado de Injunção para fins de viabilizar ao impetrante o
exercício do direito constitucionalmente assegurado.

Valor da causa (Dá-se a causa o valor de R$.....) (art. 291 a 293 do CPC)

Confiante na tutela jurisdicional

DATA.... LOCAL

ADVOGADO.. OAB

CASO 2 – 3ª feira, 01/05/2018

Após receber “denúncia de irregularidades” em contratos administrativos


celebrados pela Autarquia Federal A, que possui sede no Rio de Janeiro, o Ministério
Público Federal determina a abertura de inquérito civil e penal para apurar os fatos.
Neste âmbito, são colhidas provas robustas de superfaturamento e fraude nos
quatro últimos contratos celebrados por esta Autarquia Federal, sendo certo que estes
fatos e grande parte destas provas acabaram divulgados na imprensa.
Assim é que o cidadão Pedro da Silva, indignado, procura se inteirar mais sobre o
acontecido, e acaba ficando ciente de que estes contratos foram realizados nos últimos 2
(dois) anos com a multinacional M e ainda estão em fase de execução.
Mas não só. Pedro obtém, também, documentos que comprovam, mais ainda, a
fraude e a lesão, além de evidenciarem a participação do presidente da Autarquia A, de
um Ministro de Estado e do presidente da comissão de licitação, bem como do diretor
executivo da multinacional M.
Diante deste quadro, Pedro, eleitor regular e ativo do Município do Rio de
Janeiro/RJ, indignado com o descaso pela moralidade administrativa na gestão do
dinheiro público, pretende mover ação judicial em face dos envolvidos nos escândalos
citados, objetivando desfazer os atos ilegais, com a restituição à Administração dos gastos
indevidos, bem como a sustação imediata dos atos lesivos ao patrimônio público.
Na condição de advogado (a) contratado (a) por Pedro, considerando os dados
acima, elabore a medida judicial cabível, utilizando-se do instrumento constitucional
adequado.

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RESOLUÇÃO:
Endereçamento da Ação Popular: Justiça Federal ou Vara Federal ou Juiz Federal da
Seção Judiciária do Rio de Janeiro/RJ (0,10). 0,00 / 0,10

Qualificação: Pedro, a Autarquia Federal A e seu presidente, o presidente da comissão


de licitação, a multinacional M e seu diretor executivo e o Ministro de Estado.

Fundamentação 1. Legitimidade: Demonstração de que Pedro pode figurar como autor


da ação popular, em razão de sua condição de cidadão com título de eleito, conforme o Art. 1º,
§ 3º, da Lei nº 4.717/65, e que as partes rés, na hipótese em tela, praticaram atos contrários a
esses referenciais. Conforme o Art. 6º da Lei nº 4.717/65 2. Cabimento da Ação Popular: O
objeto da ação é a proteção do patrimônio público e da moralidade administrativa, conforme
Art. 5º, LXXIII, da CRFB/88 e/ou Art. 1º da Lei nº. 4.717/65 3. Os contratos firmados, em razão
do superfaturamento, afrontam a moralidade administrativa e a legalidade, apresentando
grande lesividade para o patrimônio público, conforme Art. 3º e Art. 4º, III, c, ambos da Lei nº.
4.717/65

Da medida liminar Demonstração da presença dos requisitos autorizadores para a


concessão da medida cautelar: Presença do fumus boni iuris e o periculum in mora.

Pedidos 1. Concessão de medida liminar para a suspensão dos contratos administrativos


superfaturados; 2. Declaração de nulidade dos contratos administrativos superfaturados como
pedido principal; 3. Condenação dos responsáveis ao ressarcimento dos danos causados; 4.
Condenação nas verbas de sucumbência

Valor da causa: De acordo com o art. 291 a 293 do CPC

Fechamento da peça: Local / Município ..., Data..., Advogado... e OAB...

CASO 3 – 4ª feira, 02/05/2018

Tício, brasileiro, casado, engenheiro, na década de setenta, participou de


movimentos políticos que faziam oposição ao Governo então instituído.
Por força de tais atividades, foi vigiado pelos agentes estatais e, em diversas
ocasiões, preso para averiguações. Seus movimentos foram monitorados pelos órgãos de
inteligência vinculados aos órgãos de Segurança do Estado, organizados por agentes
federais.
Após longos anos, no ano de 2010, Tício requereu acesso à sua ficha de informações
pessoais, tendo o seu pedido indeferido, em todas as instâncias administrativas.

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Esse foi o último ato praticado pelo Ministro de Estado da Defesa, que lastreou seu
ato decisório, na necessidade de preservação do sigilo das atividades do Estado, uma vez
que os arquivos públicos do período desejado estão indisponíveis para todos os cidadãos.
Tício, inconformado, procura aconselhamentos com seu sobrinho Caio, advogado,
que propõe apresentar ação judicial para acessar os dados do seu tio.
Na qualidade de advogado contratado por Tício, redija a peça cabível ao tema,
observando: a) competência do Juízo; b) legitimidade ativa e passiva; c) fundamentos de
mérito constitucionais e legais vinculados; d) os requisitos formais da peça inaugural
RESOLUÇÃO

Medida judicial cabível: Habeas Data (artigo 5º, LXXII, CF e lei 9.507/97/artigo 319
do CPC)

Endereçamento: Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente do Superior


Tribunal de Justiça.

Legitimidade ativa: Ticio

Legitimidade passiva: Ministro de Estado da Defesa

Demonstração do interesse de agir: Recusa administrativa. Demonstração do pedido de


retificação extrajudicial e a demora de mais de 15 dias para atender ao pedido (artigo 8º,
parágrafo único, II, da Lei 9.507/97)

Fundamentos Jurídicos: Violação de direito de retificação das informações pessoais em


tempo hábil (artigo 5º, XXXIII e LXXII, a, da CF e artigo 7º, II c/c artigo 8º, parágrafo
único, II, ambos da Lei 9.507/97), abuso de autoridade.

Medida Liminar: Demonstração do fumus boni iuris e do periculum in mora

Requerimentos/Pedidos:
– Notificação da autoridade coatora para prestar informações no prazo de 10 dias,
conforme determina o artigo 9º da Lei 9.507/97
– Notificação do Ministério Público para que se manifeste no prazo de 05 dias, nos
termos do artigo 12 da Lei 9.507/97.
– Procedência do pedido para determinar que a autoridade impetrada apresente ao
impetrante as informações a seu respeito (artigo 13, II, da Lei 9.507/97)

Valor da causa (Dá-se a causa o valor de R$.....)

Confiante na tutela jurisdicional

DATA.... LOCAL

ADVOGADO.. OAB

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CASO 4 – 5ª feira, 04/05/2018

O Presidente da Assembléia Legislativa do Estado X baixou um ato normativo


extinguindo, da remuneração dos servidores da Casa, uma determinada gratificação
funcional chamada RTI (gratificação por regime de tempo integral), o que gerou uma
perda remuneratória para todos os servidores da casa.
Revoltados, os servidores deflagraram uma greve e decidiram somente retomar as
atividades se fosse restabelecida a gratificação.
O Presidente da Casa Legislativa não cedeu e determinou que fosse cortado o
ponto dos servidores grevistas e que os dias não trabalhados fossem descontados da
remuneração.
A associação de classe dos servidores decidiu então entrar em juízo com uma
medida que pudesse tutelar, de uma vez só, o direito de todos seus associados ao
restabelecimento da gratificação.
Na qualidade de advogado da associação ingresse com a medida judicial
adequada.
Leve em consideração que, conforme previsão da Constituição Estadual, compete
ao Tribunal de Justiça julgar mandado de segurança em face de atos da Presidência da
Assembleia Legislativa.
RESOLUÇAO:
Endereçamento da petição para o Tribunal de Justiça na forma dos artigos 25 e 125,
caput e § 1º da CRFB/88 e com o dispositivo contido na Constituição Estadual
respectiva. Associação, qualificada na forma do artigo 319 do CPC/15, vem, perante
Vossa Excelência, por seu advogado devidamente constituído por procuração em
anexo, com endereço profissional..., com fundamento no artigo 5º, LXX da CRFB/88
e na Lei 12.016/09 ajuizar MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO COM
PEDIDO LIMINAR em face de ato do Presidente da Assembleia Legislativa do
Estado X, esta qualificada na forma do artigo 319 do CPC/15, nos termos que
seguem.
1. FATOS
2. FUNDAMENTOS  Art. 5º, caput;  Art. 5º, incisos XXXVI e LXIX;  Art. 7º,
inciso VI da CRFB/88;  Art. 37 da CRFB/88;  Art. 7º, inciso XXIV da CRFB/88; 
Art. 1º da Lei 12.016/09  Art. 21 da Lei 12.016/09

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3. DO PEDIDO LIMINAR  Ressaltar fumus boni iuris e periculum in mora;  Art.
294 do CPC/15 e seguintes do CPC/15;  Evidenciar a probabilidade do direito,
assim como o perigo de dano ou ao resultado útil do processo no caso de não
concessão da medida pretendida;  Art. 7°, inciso III da Lei 12.016/09.
4. DOS REQUERIMENTOS E PEDIDOS - Requer seja o ato do Presidente da
Assembleia Legislativa suspenso até o julgamento final da demanda; - Requer a
procedência do presente Mandado de Segurança para que seja reestabelecido o
direito dos servidores receberem a gratificação suspensa por ato da autoridade aqui
impetrada; - Provas em anexo já pré-constituídas acerca do direito dos servidores;
- Requer a notificado do Presidente da Assembleia Legislativa do Estado X; - Requer
seja dada ciência ao órgão de representação judicial respectivo; - Requer a oitiva do
Ministério Público;
- Atribui-se a causa o valor de ...
Local... Data...
Advogado... OAB...

CASO 5 – 6ª feira, 04/05/2018

Caio, Tício e Mévio são servidores públicos federais exemplares, concursados do


Ministério dos Transportes há quase dez anos. Certo dia, eles pediram a três colegas de
repartição que cobrissem suas ausências, uma vez que sairiam mais cedo do expediente
para assistir a uma apresentação de balé.
No dia seguinte, eles foram severamente repreendidos pelo superior imediato, o
chefe da seção em que trabalhavam. Nada obstante, nenhuma consequência adveio a Caio
e Tício, ao passo que Mévio, que não mantinha boa relação com seu chefe, foi demitido
do serviço público, por meio de ato administrativo que apresentou, como fundamentos,
reiterada ausência injustificada do servidor, incapacidade para o regular exercício de suas
funções e o episódio da ida ao balé.
Seis meses após a decisão punitiva, Mévio o procura para, como advogado,
ingressar com medida judicial capaz de demonstrar que, em verdade, nunca faltou ao
serviço e que o ato de demissão foi injusto. Seu cliente lhe informou, ainda, que
testemunhas podem comprovar que o seu chefe o perseguia há tempos, que a obtenção da
folha de frequência demonstrará que nunca faltou ao serviço e que sua avaliação funcional
sempre foi excelente.
Como advogado, considerando o uso de todas as provas mencionadas pelo cliente,
elabore a peça processual adequada para amparar a pretensão de seu cliente.
A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não pontua.

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GABARITO
A peça a ser elaborada consiste em uma petição inicial de ação de rito ordinário.

Não se admite a impetração de Mandado de Segurança, uma vez que Mévio pretende
produzir provas, inclusive a testemunhal, para demonstrar o seu direito, sendo a dilação
probatória vedada no Mandado de Segurança.

O endereçamento da peça deverá ser feito a um Juiz Federal da seção judiciária de


algum Estado.

O polo ativo da demanda é ocupado por Mévio, e o polo passivo, pela União.

No mérito, deve ser demonstrada a possibilidade de análise do ato administrativo pelo


Judiciário, para controle de legalidade, e que o motivo alegado no ato de demissão é falso, em
violação à teoria dos motivos determinantes. Ainda no mérito, o examinando deve indicar a
violação do Art. 41, § 1º, da Constituição Federal, uma vez que Mévio foi demitido do Serviço
Público sem a abertura de regular processo administrativo. O examinando, por fim, deve
indicar que não foi assegurado a Mévio o contraditório e a ampla defesa, violando o devido
processo legal. Além disso, o ato representa violação aos princípios da isonomia, uma vez que
Mévio foi o único dos três servidores penalizados pela ida ao balé, e da impessoalidade, pois
Mévio foi alvo de perseguição por seu chefe.

Nesta parte da causa de pedir, deverá ser mencionada a lesão patrimonial, pelo não
recebimento dos vencimentos no período em que se coloca arbitrariamente fora dos quadros
da Administração por demissão ilegal.

O examinando deve formular pedidos de anulação do ato que aplicou a penalidade,


de reintegração aos quadros da Administração, de reparação material com o pagamento
retroativo de seus vencimentos, como se não tivesse sido demitido. A postulação à reparação
moral não é obrigatória. Deverá haver, por fim, postulação de citação e de produção de provas
testemunhal e documental, bem como indicação do valor da causa.

CASO 6 – Sábado, 05/05/2018


Edson, idoso aposentado por invalidez pelo regime geral de previdência social,
recebe um salário mínimo por mês. Durante mais de três décadas, esteve exposto a
agentes nocivos à saúde, foi acometido por doença que exige o uso contínuo de
medicamento controlado, cuja ministração fora da forma exigida pode colocar em risco a
sua vida.
Em razão de sua situação pessoal, todo dia 5 comparece ao posto de saúde
existente na localidade em que reside, retirando a quantidade necessária do medicamento
para os próximos trinta dias. No último dia 5, foi informado, pelo Diretor do referido

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posto, que a central de distribuição não entregara o medicamento, já que o Município, em
razão da crise financeira, não pagava os fornecedores havia cerca de seis meses.
Inconformado com a informação recebida, Edson formulou, logo no dia seguinte,
requerimento endereçado ao Secretário Municipal de Saúde, autoridade responsável pela
administração das dotações orçamentárias destinadas à área de saúde e pela aquisição dos
medicamentos encaminhados à central de distribuição, órgão por ele dirigido. Na ocasião,
esclareceu que a ausência do medicamento poderia colocar em risco sua própria vida. Em
resposta escrita, o Secretário reconheceu que Edson tinha necessidade do medicamento,
o que fora documentado pelos médicos do posto de saúde, e informou que estavam sendo
adotadas as providências necessárias à solução da questão, mas que tal somente ocorreria
dali a 160 (cento e sessenta) dias, quando o governador do Estado prometera repassar
receitas a serem aplicadas à saúde municipal. Nesse meio-tempo, sugeriu que Edson
procurasse o serviço de emergência sempre que o seu estado de saúde apresentasse
alguma piora.
Edson, de posse de toda a prova documental que por si só basta para demonstrar
os fatos narrados, em especial a resposta do Secretário Municipal de Saúde, procura você,
uma semana depois, para contratar seus serviços como advogado(a), solicitando o
ajuizamento da medida judicial que ofereça resultados mais céleres, sem necessidade de
longa instrução probatória, para que consiga obter o medicamento de que necessita.
Levando em consideração as informações expostas, ciente da desnecessidade da
dilação probatória, elabore a medida judicial adequada, com todos os fundamentos
jurídicos que conferem sustentação ao direito de Edson.
GABARITO
A peça adequada nesta situação é a Petição Inicial de Mandado de Segurança.

Endereçamento: A petição deve ser endereçada ao Juízo Cível da Comarca X ou ao Juízo


de Fazenda Pública da Comarca X (0,10). 0,00/0,10

Impetrante: Edson

Autoridade coatora: Secretário Municipal de Saúde.

Legitimidade ativa de Edson: decorre do fato de necessitar do medicamento para


preservar sua saúde, sendo titular do direito que postula

Legitimidade passiva do Secretário: é justificada pelo fato de ser o responsável pela


aquisição dos medicamentos e de dirigir a central de distribuição

Fundamentos de mérito: 1 - A saúde é direito de todos e dever do Poder Público, nos


termos do Art. 6º OU Art. 196, caput, ambos da CRFB/88

2 - O serviço de saúde oferecido pelo Município deve assegurar o “atendimento


integral”, conforme prevê o Art. 198, inciso II, da CRFB/88, o que inclui o fornecimento de
medicamentos;

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3 - A ausência do medicamento pode colocar em risco a vida de Edson, o que afronta a
dignidade humana, contemplada no Art. 1º, inciso III, OU Art. 5º, caput, ambos da CRFB/88;

4 - Deve ser assegurada a efetividade do direito social à saúde, conforme Art. 5º, § 1º,
da CRFB;

5 - Os fundamentos constitucionais do direito à saúde justificam a escolha do MS,


previsto no Art. 5º, inciso LXIX, da CRFB/88 OU no Art. 1º, caput, da Lei nº 12.016/09;

6 - Há prova pré-constituída, já que o próprio Secretário de Saúde reconheceu que Edson


necessita do medicamento e de que o seu fornecimento fora suspenso.

Fundamentos da liminar: A relevância da fundamentação está expressa nos argumentos


de mérito; Há risco de ineficácia da medida final se a liminar não for deferida, tendo em vista a
urgência da situação, pois Edson corre risco de morte;

Pedidos: Concessão da medida liminar, para que a autoridade coatora reestabeleça o


fornecimento do medicamento de que Edson necessita; Ao final, procedência do pedido, com
confirmação da concessão da ordem, atribuindo-se caráter definitivo à tutela liminar.

Valor da causa

Fechamento: local, data, assinatura e OAB.

CASO 7 – Domingo, 06/05/2018


A Associação Alfa, constituída há 3 (três) anos, cujo objetivo é a defesa do
patrimônio social e, particularmente, do direito à saúde de todos, mostrou-se
inconformada com a negativa do Posto de Saúde Gama, gerido pelo Município Beta, de
oferecer atendimento laboratorial adequado aos idosos que procuram esse serviço. O
argumento das autoridades era o de que não havia profissionais capacitados e
medicamentos disponíveis em quantitativo suficiente. Em razão desse estado de coisas e
do elevado número de idosos correndo risco de morte, a Associação resolveu peticionar
ao Secretário municipal de Saúde, requerendo providências imediatas para a
regularização do serviço público de Saúde.
O Secretário respondeu que a situação da Saúde é realmente precária e que a
comunidade precisa ter paciência e esperar a disponibilização de repasse dos recursos
públicos federais, já que a receita prevista no orçamento municipal não fora integralmente
realizada. Reiterou, ao final e pelas razões já aventadas, a negativa de atendimento
laboratorial aos idosos. Apesar disso, as obras públicas da área de lazer do bairro em que
estava situado o Posto de Saúde Gama, nos quais eram utilizados exclusivamente recursos
públicos municipais, continuaram a ser realizadas.
Considerando os dados acima, na condição de advogado(a) contratado(a) pela
Associação Alfa, elabore a medida judicial cabível para o enfrentamento do problema,
inclusive com providências imediatas, de modo que seja oferecido atendimento adequado

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a todos os idosos que venham a utilizar os serviços do Posto de Saúde. A demanda exigirá
dilação probatória.

GABARITO
A peça adequada nesta situação é a petição inicial de uma Ação Civil Pública.

Endereçamento da petição (Juízo Cível da Comarca X ou Juízo de Fazenda Pública da


Comarca X.

Qualificação das partes: A demandante é a Associação Alfa, figurando como demandado


o Município Beta

Legitimidade:

A legitimidade ativa da Associação Alfa decorre do fato de ter sido constituída


há mais de 1 (um) ano e destinar-se à defesa do patrimônio social e do direito à saúde
de todos, atendendo ao disposto no Art. 5º, inciso V, alíneas ´a´ e ´b´, da Lei nº 7.347/85.
A legitimidade passiva do Município Beta é justificada por ser o responsável pela gestão
do Posto de Saúde Gama

Cabimento da ação civil pública O cabimento exclusivo da ação civil pública decorre do
fato de o objetivo da demanda judicial ser a defesa de todos os idosos que procuram o
atendimento do Posto de Saúde Gama, nos termos das finalidades estatutárias da Associação
defesa do patrimônio social e, particularmente, do direito à saúde de todos, e não eventual
defesa de direito ou interesse individual. Como se discute a qualidade do serviço público
oferecido à população e esses idosos não podem ser individualizados, trata-se de típico interesse
difuso (0,10), enquadrando-se no Art. 1º, incisos IV OU VIII, da Lei nº 7.347/85.

Fundamentação do mérito:

1. proteção da dignidade humana, consagrada no Art. 1º, inciso III, da


CRFB/1988

2. efetivação do direito fundamental à saúde, prevista no Art. 6º OU Art. 196 e


ss. da CRFB/88

3. proteção do direito fundamental à vida, prevista no Art. 5º, caput, da


CRFB/1988

4. competência do Município para a prestação do serviço público de saúde,


prevista no Art. 23, II OU Art. 30, inciso VII, da CRFB/88

5. proteção constitucional OU legal ao idoso, prevista no Art. 230 da CRFB/88


OU no Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03).

Fundamentação do pedido liminar:

- demonstrar a presença do fumus boni iuris

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- demonstrar a presença do periculum in mora

Pedidos: - opção pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação,


nos termos do Art. 319, inciso VII, do CPC/15) OU indicação do não cabimento de conciliação
(0,20), nos termos do Art. 334, parágrafo 4º, II, do CPC/15

- pedido de produção de provas

- liminar para impor ao Município a prestação adequada do serviço público de saúde


pelo Posto Gama

- pedido final de que o pleito liminar seja tornado definitivo OU pedido de procedência
da ação civil pública para impor definitivamente ao Município a prestação adequada do serviço
público de saúde pelo Post Gama

Valor da causa: De acordo com o Art. 291 do CPC/15

Fechamento da peça: Local ou Município ..., Data..., Advogado(a)... e OAB...

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