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log x = m.

log x
a
m
a


FUNDAMENTOS
DE
MATEMÁTICA

NOTAS DE AULA















Mylane dos Santos Barreto
Salvador Tavares
2019


Mylane dos Santos Barreto
Salvador Tavares







FUNDAMENTOS
DE
MATEMÁTICA

NOTAS DE AULA



1ª. edição


ISBN: 978-85-922234-5-8


Campos dos Goytacazes/RJ


Mylane dos Santos Barreto
Salvador Tavares


2019


ÍNDICE
Apresentação ........................................................................................ 2
1 Conceitos iniciais ................................................................................ 3
1.1. Produtos notáveis ...................................................................... 3
1.2. Casos clássicos de fatoração ..................................................... 6
1.3. Expressões algébricas e valor numérico ................................... 10
1.4. Noções de porcentagem ............................................................ 12
2 Função polinomial do 1o. grau ............................................................. 17
2.1 Definição ..................................................................................... 17
2.2 Coeficientes ................................................................................ 18
2.3 Gráfico ........................................................................................ 18
2.4 Crescimento e decrescimento ..................................................... 20
2.5 Zero (ou raiz) .............................................................................. 21
2.6 Resumo ...................................................................................... 21
2.7 Exercícios de fixação .................................................................. 22
3 Função polinomial do 2º. grau ............................................................. 23
3.1 Definição ..................................................................................... 23
3.2 Gráfico ........................................................................................ 23
3.3 Zeros (ou raízes) ......................................................................... 26
3.4 Conjunto imagem ........................................................................ 27
3.5 Resumo ...................................................................................... 28
3.6 Exercícios de fixação .................................................................. 28
4 Função exponencial ............................................................................ 30
4.1 Recapitulando ............................................................................. 30
4.2 Definição ..................................................................................... 31
4.3 Gráfico ........................................................................................ 31
4.4 Resumo ...................................................................................... 35
4.5 Exercícios de fixação ........................ .......................................... 36
5 Função logarítmica ............................................................................. 37
5.1 Logaritmos .................................................................................. 37
5.2 Definição ..................................................................................... 39
5.3 Gráfico ........................................................................................ 39
5.4 Resumo ...................................................................................... 41
5.5 Exercícios de fixação .................................................................. 42
6 Funções definidas por várias sentenças ............................................. 43
6.1 Exercícios de fixação .................................................................. 43
7 Noção intuitiva de limites .................................................................... 44
7.1 Exercícios preliminares ............................................................... 44
7.2 Função contínua ......................................................................... 49
7.3 Exercícios de fixação .................................................................. 50
8 Gabaritos ............................................................................................ 52
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 2


Apresentação

Este livro destina-se aos estudantes que desejam resgatar os conceitos


necessários para um curso de Pré-Cálculo em Engenharia, Administração,
Ciências Contábeis e licenciatura em Matemática.
É fruto da observação dos autores ao longo de vários anos convivendo
com alunos ingressantes nos cursos citados acima que tem dificuldades
recorrentes em Matemática.
No Capítulo 1 é feita uma revisão de conceitos iniciais tais como
produtos notáveis, passando pelos casos clássicos de fatoração,
simplificações de expressões algébricas, cálculo de valor numérico e noções
de porcentagens.
Nos Capítulos de 2 a 5 são apresentadas as funções polinomiais de 1o.
o
e 2 . graus, a exponencial e a logarítmica.
É desejável que essas funções sejam identificadas por meio das leis
que as define bem como por meio dos gráficos que representam cada uma
delas.
É esperado que os estudantes, ao final desse estudo das funções aqui
apresentadas, sejam capazes de esboçar os gráficos utilizando os pontos
fundamentais e as propriedades estudadas.
No Capítulo 6 são discutidos os traçados dos gráficos de funções
definidas por várias sentenças.
No Capítulo 7 é feita uma introdução às noções intuitivas de limites e
apresentada a definição de continuidade de uma função num ponto.
Esperamos que essa obra sirva de balizamento para que os estudantes
possam seguir seu curso e que as dificuldades dependentes das ideias aqui
trabalhadas sejam minimizadas.

Os autores

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 3


1 CONCEITOS INICIAIS

1.1 Produtos notáveis

Nesse item iremos rever alguns casos clássicos de produtos notáveis.

1.1.1 Quadrado de uma soma de dois termos é uma expressão do tipo:

(a + b)2 = (a + b)(a +b) = a2 + ab + ba + b2 = a2 + 2ab + b2

Assim,
(a + b)2 = a2 + 2ab + b2

De modo geral, o quadrado da soma de dois termos é igual ao quadrado


do primeiro termo, mais o dobro do produto dos dois termos e mais o quadrado
do segundo termo.

Exemplos:
$
a) 𝑥 + 3 = 𝑥 $ + 2 ∙ 𝑥 ∙ 3 + 3$ = 𝑥 $ + 6𝑥 + 9
$
b) 𝑎 + 5𝑏 = 𝑎$ + 2 ∙ 𝑎 ∙ 5𝑏 + 5𝑏 $
= 𝑎$ + 10𝑎𝑏 + 25𝑏 $

0 $ 0 $ 0 0
c) + 3𝑥 $ = + 2 ∙ ∙ 3𝑥 $ + 3𝑥 $ $
= + 3𝑥 $ + 9𝑥 1
$ $ $ 1

$ $ $
d) 3 + 5 = 3 +2∙ 3∙ 5+ 5 = 3 + 2 15 + 5 = 8 + 2 15

1.1.2 Quadrado da diferença de dois termos é uma expressão do tipo:

(a – b)2 = (a – b)(a – b) = a2 – ab – ba + b2 = a2 – 2ab + b2

Assim, tem-se que


(a – b)2 = a2 – 2ab + b2

De modo geral, o quadrado da diferença de dois termos é igual ao


quadrado do primeiro termo, menos o dobro do produto dos dois termos e mais
o quadrado do segundo termo.

Exemplos
$ $
a) 2 − 3 = 2$ − 2 ∙ 2 ∙ 3 + 3 =4−4 3+3=7−4 3
$ $
b) 5−1 = 5 − 2 ∙ 5 ∙ 1 + 1$ = 5 − 2 5 + 1 = 6 − 2 5

c) 𝑥 $ 𝑦 − 2𝑎7 $
= 𝑥$𝑦 $
− 2 ∙ 𝑥 $ 𝑦 ∙ 2𝑎7 + 2𝑎7 $
= 𝑥 1 𝑦 $ − 4𝑥 $ 𝑦𝑎7 + 4𝑎8

$ $ $ $ $ 1
d) 5 − 𝑥 = 5$ − 2 ∙ 5 ∙ 𝑥 + 𝑥 = 25 − 4𝑥 + 𝑥$
9 9 9 $9

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1.1.3 Produto da soma de dois termos pela diferença entre os mesmos é uma
expressão do tipo:

(a + b)(a – b) = a2 – ab + ba – b2 = a2 – b2

Simplificando, tem-se:
(a + b)(a – b) = a2 – b2

De modo geral, o produto da soma de dois termos pela diferença entre


eles é igual à diferença dos quadrados dos dois termos.

Exemplos:

a) 4 + 𝑥 4 − 𝑥 = 4$ − 𝑥 $ = 16 − 𝑥 $
$
b) 5 + 3 5 − 3 = 5$ − 3 = 25 − 3 = 22

$ $
c) 7 − 5 7+ 5 = 7 − 5 =7−5=2

1.1.4 Cubo da soma de dois termos é uma expressão que se pode indicar
assim:

(a + b)3 = (a + b)(a + b)2 = (a + b)(a2 + 2ab + b2) =


= a3 + 2a2b + ab2 + ba2 + 2ab2 + b3 = a3 + 3a2b + 3ab2 + b3

Simplificando a expressão tem-se que

(a + b)3 = a3 + 3a2b + 3ab2 + b3

De modo geral, o cubo da soma de dois termos é igual ao cubo do


primeiro termo, mais o triplo do quadrado do primeiro multiplicado pelo
segundo, mais o triplo do primeiro multiplicado pelo quadrado do segundo e
mais o cubo do segundo termo.

Exemplos:

a) 2 + 𝑥 7 = 27 + 3 ∙ 2$ ∙ 𝑥 + 3 ∙ 2 ∙ 𝑥 $ + 𝑥 7 = 8 + 12𝑥 + 6𝑥 $ + 𝑥 7
b) 𝑥 + 2𝑦 7 = 𝑥 7 + 3𝑥 $ ∙ 2𝑦 + 3𝑥 2𝑦 $ + 2𝑦 7 = 𝑥 7 + 6𝑥 $ 𝑦 + 12𝑥𝑦 $ + 8𝑦 7
c) 𝑎$ + 1 7 = 𝑎$ 7 + 3 ∙ 𝑎$ $ ∙ 1 + 3 ∙ 𝑎$ ∙ 1$ + 17 = 𝑎8 + 3𝑎1 + 3𝑎$ + 1

1.1.5 Cubo da diferença de dois termos é uma expressão que se pode indicar
assim:

(a – b)3 = (a – b)(a – b)2 = (a – b)(a2 – 2ab + b2) =


= a – 2a2b + ab2 – ba2 + 2ab2 – b3 = a3 – 3a2b + 3ab2 – b3
3

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Simplificando a expressão tem-se que

(a – b)3 = a3 – 3a2b + 3ab2 – b3

De modo geral, o cubo da diferença de dois termos é igual ao cubo do


primeiro, menos o triplo do quadrado do primeiro multiplicado pelo segundo,
mais o triplo do primeiro multiplicado pelo quadrado do segundo e menos o
cubo do segundo termo.

Exemplos:
7
a) 1 − 𝑥 = 17 − 3 ∙ 1$ ∙ 𝑥 + 3 ∙ 1 ∙ 𝑥 $ − 𝑥 7 = 1 − 3𝑥 + 3𝑥 $ − 𝑥 7
7
b) 𝑥 − 2𝑦 = 𝑥 7 − 3𝑥 $ ∙ 2𝑦 + 3 ∙ 𝑥 ∙ 2𝑦 $
− 2𝑦 7
= 𝑥 7 − 6𝑥 $ 𝑦 + 12𝑥𝑦 $ − 8𝑦 7

c) 𝑎$ − 1 7
= 𝑎$ 7
− 3 ∙ 𝑎$ $
∙ 1 + 3 ∙ 𝑎$ ∙ 1$ − 17 = 𝑎8 − 3𝑎1 + 3𝑎$ − 1

1.1.6 Um produto especial

(a + b)(a2 – ab + b2) = a3 – a2b + ab2 + ba2 – ab2 + b3 = a3 + b3

(a – b)(a2 + ab + b2) = a3 + a2b + ab2 – ba2 – ab2 – b3 = a3 – b3

De modo geral, tem-se

(a + b)(a2 – ab + b2) = a3 + b3

(a – b)(a2 + ab + b2) = a3 – b3

Exemplos:

a) 𝑥 + 2 𝑥 $ − 2𝑥 + 4 = 𝑥 7 + 8

b) 𝑥 $ + 𝑥𝑦 + 𝑦 $ 𝑥 − 𝑦 = 𝑥 7 − 𝑦 7

: : : : 7
c) 2−1 4+ 2+1 = 2 − 17 = 2 − 1 = 1

$ ; 1 ; ;= > ;:
d) + − + = +
7 $ < 7 1 $? >

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1.1.7 Exercícios de fixação

1.1.7.1) Simplifique as expressões a seguir:

a) 𝑥 + 10 $ f)
?
−𝑎
?
+𝑎
$ $
b) 𝑥 − 6 $
c) 𝑥𝑦 − 0,3 $ g) 𝑥 3 + 5 𝑦 𝑥 3 − 5 𝑦
$ h) 𝑥 $ − 3 𝑥 1 + 3𝑥 $ + 9
d) 1 + 10 : : :
$ i) 3 + 1 9− 3+1
e) 3 3 − 1

1.2 Casos Clássicos de Fatoração

A palavra fatorar significa decompor um número ou expressão algébrica


em fatores. Os fatores são os termos de uma multiplicação.
Portanto, fatorar significa escrever um número ou uma expressão na
forma de multiplicação, explicitando os seus fatores.
Alguns casos clássicos de fatoração tem os fatores facilmente
determinados por serem resultados dos produtos notáveis apresentados na
unidade anterior. Outros, porém não são tão evidentes, mas com um pouco de
atenção podemos descobrir os diversos fatores.

1.2.1 Fator comum em evidência

Esse caso caracteriza-se pela presença de um ou mais fator comum a


todas as parcelas da expressão.
Fatorar uma expressão desse tipo consiste em obter uma multiplicação
indicada onde o fator comum fique explicitado (evidenciado).

Exemplos:

a) 𝑥 $ + 3𝑥𝑦 = 𝑥 ∙ 𝑥 + 3𝑦
: :
b) 5 2 + 5 3 + 5 = 5 2+ 3+1

c) 𝑥 $ 𝑦 − 𝑥𝑦 7 + 2𝑥𝑦 = 𝑥𝑦 𝑥 − 𝑦 $ + 2
$
d) 𝑎 + 𝑏 𝑥 + 𝑎 + 𝑏 = 𝑎+𝑏 𝑥+𝑎+𝑏

Observe mais esses exemplos.

e) 𝑥 $ + 𝑥𝑦 + 𝑎𝑥 + 𝑎𝑦

Nesse caso, observa-se que nas duas primeiras parcelas o fator x é


comum, enquanto nas duas últimas o fator comum é a.
Assim podemos colocar os fatores x e a, respectivamente, em
evidência, obtendo a expressão

𝑥 $ + 𝑥𝑦 + 𝑎𝑥 + 𝑎𝑦 = 𝑥 𝑥 + 𝑦 + 𝑎 𝑥 + 𝑦

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Atente para a expressão final obtida na passagem anterior. Nela
podemos observar que as duas parcelas têm o fator comum 𝑥 + 𝑦 . Sendo
assim, é possível colocar esse fator comum em evidência e, finalmente, obter
a expressão mais simples.

𝑥 $ + 𝑥𝑦 + 𝑎𝑥 + 𝑎𝑦 = 𝑥 𝑥 + 𝑦 + 𝑎 𝑥 + 𝑦 = 𝑥 + 𝑦 𝑥 + 𝑎

Esse é um caso especial do fator comum em evidência, também


chamado “agrupamento”.
O caso de fatoração por agrupamento consiste em agrupar parcelas que
tenham fatores comuns de modo que colocando estes em evidência,
consigamos explicitar dois outros que possam também serem colocados em
evidência e, assim, simplificando a expressão.
Vejamos outros exemplos:

f) 𝑥 7 + 𝑥𝑦 − 𝑏𝑥 $ − 𝑏𝑦 = 𝑥 𝑥 $ + 𝑦 − 𝑏 𝑥 $ + 𝑦 = 𝑥 $ + 𝑦 𝑥 − 𝑏

g) 𝑥 2 + 3𝑥 + 2 2 + 6 = 𝑥 2+3 +2 2+3 = 2+3 𝑥+2

1.2.2 Diferença de dois quadrados

A diferença de dois quadrados é resultado do produto da soma pela


diferença de dois termos conforme em 1.1.3.
Assim temos que toda diferença de dois quadrados pode ser fatorada
em produto de uma soma pela diferença de dois termos.

a2 – b2 = (a + b)(a – b)

Os dois termos dos fatores serão formados pela soma e pela diferença
entre as raízes quadradas dos termos da diferença de quadrados.

Exemplos:

a) 𝑥 $ − 𝑦 $ = 𝑥 + 𝑦 𝑥 − 𝑦

b) 9𝑥 $ − 16 = 3𝑥 + 4 3𝑥 − 4

$9 9 9
c) − 4𝑥 8 = + 2𝑥 7 − 2𝑥 7
>0 < <

d) 36𝑦 1 − 5 = 6𝑦 $ + 5 6𝑦 $ − 5

1.2.3 Trinômio do 2o. grau

Todo trinômio do tipo 𝑎𝑥 $ + 𝑏𝑥 + 𝑐, com 𝑎 ≠ 0 pode ser decomposto em


fatores da seguinte forma

𝑎𝑥 $ + 𝑏𝑥 + 𝑐 = 𝑎 𝑥 − 𝑟0 𝑥 − 𝑟$ sendo r1 e r2 as raízes do trinômio.

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 8


Exemplos:

a) 𝑥 $ − 3𝑥 + 2

Para fatorar esse trinômio observamos que 𝑎 = 1, 𝑏 = −3 e 𝑐 = 2.


Igualando 𝑥 $ − 3𝑥 + 2 = 0 e resolvendo a equação obtém-se 𝑟0 = 1 e
𝑟$ = 2.

Assim temos 𝑥 $ − 3𝑥 + 2 = 1 𝑥 − 1 𝑥 − 2 = 𝑥 − 1 𝑥 − 2

b) 𝑥 $ + 𝑥 − 6 = 𝑥 − 2 𝑥 + 3

0
c) 3𝑥 $ − 5𝑥 − 2 = 3 𝑥 + 𝑥 − 2 = 3𝑥 + 1 𝑥 − 2
7

$ 0 $ 0
d) 10𝑥 $ − 9𝑥 + 2 = 10 𝑥 − 𝑥− =2∙5∙ 𝑥− 𝑥− = 5𝑥 − 2 2𝑥 − 1
9 $ 9 $

Deixamos por sua conta a verificação das raízes e da aplicação da


propriedade distributiva para se chegar às indicações obtidas nos itens c e d.

e) 𝑥 $ − 6𝑥 + 9 = 𝑥 − 3 𝑥 − 3 = 𝑥 − 3 $

f) 𝑥 $ + 10𝑥 + 25 = 𝑥 + 5 𝑥 + 5 = 𝑥 + 5 $

g) 𝑎$ + 4𝑎 + 4 = 𝑎 + 2 𝑎 + 2 = 𝑎 + 2 $

Deixamos também por sua conta a verificação das raízes dos itens e, f e
g.
Note o formato final indicado nesses três últimos exemplos. Eles são
chamados trinômios quadrados perfeitos.
As três últimas expressões a serem fatoradas são resultados de
quadrados de uma soma ou de uma diferença.
De modo geral, os trinômios do 2o. grau do tipo 𝑥 $ + 𝑏𝑥 + 𝑐 , com o
coeficiente 𝑎 = 1 e raízes iguais 𝑟0 = 𝑟$ = 𝑟 podem ser fatorados assim

𝑥 $ + 𝑏𝑥 + 𝑐 = 𝑥 − 𝑟 $ .

Note que a expressão da fatoração acima é de um trinômio quadrado


perfeito em que 𝑏 = −2𝑟 e 𝑐 = 𝑟 $ .

1.2.4 Diferença de cubos

A diferença de cubos é resultado de um produto notável visto no item


1.1.6.
Lembremos que foi demonstrado que (a – b)(a2 + ab + b2) = a3 – b3,
logo, podemos inferir que

a3 – b3 = (a – b)(a2 + ab + b2).

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Exemplos:

a) 8 − 𝑥 7 = 2 − 𝑥 2$ + 2𝑥 + 𝑥 $ = 2 − 𝑥 4 + 2𝑥 + 𝑥 $

b) 27 − 𝑎8 = 3 − 𝑎$ 3$ + 3𝑎$ + 𝑎$ $
= 3 − 𝑎$ 9 + 3𝑎$ + 𝑎1

0 0 0 $ 0 0 0 0
c) − 𝑥 7 𝑦 7 = − 𝑥𝑦 + 𝑥𝑦 + 𝑥𝑦 $
= − 𝑥𝑦 + 𝑥𝑦 + 𝑥 $ 𝑦 $
> $ $ $ $ 1 $

1.2.5 Soma de cubos

Analogamente, a soma de cubos é resultado de um produto notável


também visto no item 1.1.6.
Lembremos que foi demonstrado que (a + b)(a2 – ab + b2) = a3 + b3,
logo, podemos inferir que
a3 + b3 = (a + b)(a2 – ab + b2).

Exemplos:

a) 𝑥 7 + 𝑦 7 = 𝑥 + 𝑦 𝑥 $ − 𝑥𝑦 + 𝑦 $

b) 𝑎7 + 8𝑦 7 = 𝑎 + 2𝑦 𝑎$ − 2𝑎𝑦 + 2𝑦 $
= 𝑎 + 2𝑦 𝑎$ − 2𝑎𝑦 + 4𝑦 $

0 0 0 $ 0 0 0 0
c) + 𝑥7 = +𝑥 − 𝑥 + 𝑥$ = +𝑥 − 𝑥 + 𝑥$
$? 7 7 7 7 < 7

1.2.6 Exercícios de fixação

1.2.6.1) Fatore as expressões:


1) − 16 + a² 11) − x² + 5x − 6

2) a4 – 1 12) 2x² + 4x − 6

3) a³ − 27 13) 4x3 + 16x2

4) y³ + 8 14) 6x2 + 18x + ax + 3a

5) 1 − 125a6 15) ax + ay + 2x + 2y

6) 64y³ + 1 16) 2x + 2y − ax − ay

7) x³y6 + 1000 17) x³ + x² + x + 1

8) 12a2b2 – 36a4b4 18) 4x² − 12xy + 9y²

9) x ² − 6x + 8 19) y3 - 64

10) 2x² − 3x + 1 20) a3 + 125

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1.3 Expressões algébricas e valor numérico

O uso de fórmulas é muito comum em diversas áreas do saber, tais


como em Física, Química, Estatística, Matemática Financeira, Economia, entre
outras. Quando você aplica uma fórmula para determinar a área de uma figura
geométrica plana ou espacial, o montante numa aplicação financeira ou a
velocidade num problema em Física, você está calculando valores numéricos
de expressões algébricas que são as fórmulas apropriadas de cada um desses
ramos do saber.
Nesta unidade vamos calcular os valores numéricos de diversas
expressões algébricas, a título de exercício, para depois aplicarmos essas
regras de cálculo nas outras áreas quando necessário.
Calcular o valor numérico de uma expressão algébrica consiste em
substituirmos as variáveis presentes pelos valores numéricos indicados e
efetuarmos os cálculos.

Exemplos:

a) Calcular o valor numérico das expressões:

a.1) E = 2x – 3y para 𝑥 = 5 𝑒 𝑦 = −4.

Resolução

Substituindo 𝑥 = 5 e 𝑦 = −4 em 𝐸 = 2 ∙ 5 − 3 ∙ −4 = 10 + 12 = 22.

Portanto, o valor da expressão E = 22.

L
a.2) E = − tal que 𝑎 = −3 𝑒 𝑏 = 15.
$M

Resolução
09 9
Substituindo os valores de 𝑎 = −3 e 𝑏 = 15 na expressão 𝐸 = − = .
$ .(V7) $
9
Logo, o valor mais simples de 𝐸 = .
$

b) Seja 𝐶 𝑥, 𝑦 = 100 + 2𝑥 + 3𝑦 a função custo-conjunto para fabricar x


unidades do produto I e y unidades de um produto II.

b.1) Qual é custo de fabricação de 10 unidades de I e 20 unidades de II?

Resolução

Se valor do custo é dado pela expressão 𝐶 𝑥, 𝑦 = 100 + 2𝑥 + 3𝑦 então


basta substituirmos os valores 𝑥 e y, respectivamente por 10 e 20 na lei.
Assim, tem-se 𝐶 10,20 = 100 + 2 ∙ 10 + 3 ∙ 20 = 100 + 20 + 60 = 180.

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Logo, o custo-conjunto de fabricação de 10 unidades de I e 20 unidades
de II é igual a 180 unidades monetárias.

b.2) Qual é a variação do custo quando se aumentam em 5 unidades a


fabricação do produto I e em 6 unidades a do produto II, a partir da situação
do item (a)?

Resolução

Nesse caso temos que os valores de x e y passam a ser, respectivamente,


15 e 26.
E, devemos calcular o valor de expressão do custo para esses novos
valores.
Assim, tem-se

𝐶 15,26 = 100 + 2 ∙ 15 + 3 ∙ 26 = 100 + 30 + 78 = 208.

Esse é o valor do custo para as quantidades acrescidas a x e y.


Nota-se que o custo passou de 180 para 208. Houve, portanto um aumento
no custo correspondente a 28 unidades monetárias.

1.3.1 Exercícios de fixação

1.3.1.1) Calcule o valor numérico das expressões seguintes:

a) D = 𝑥 $ − 4𝑦𝑧 tal que x = 3, y =1 e z = –4.

b) ∆= 𝑏 $ − 4𝑎𝑐 onde 𝑎 = −1, 𝑏 = 4 𝑒 𝑐 = 5.


`
c) IMC = tal que m = 75 e a = 1,7.
;=

$πb 7e
d) v = tal que 𝑅 = e T = 2.
c f

Vg± g= V1ij
e) 𝑥 = tal que p = 2, q = 5 e r = –3.
$i

1.3.1.2) Em Economia, chama-se utilidade de um consumidor o grau de


satisfação que o mesmo adquire ao consumir um ou mais bens ou serviços.
Suponhamos que um consumidor tenha a seguinte função utilidade:
U ( x1 , x2 ) = x1 × x2 ,
em que x1 e x2 são as quantidades consumidas dos bens I e II,
respectivamente.
Suponha que, no início, ele consuma 4 unidades de I e 6 unidades de II.
a) Calcule o grau de satisfação inicial desse consumidor.
b) Se o consumidor diminuir o consumo do produto I para 3 unidades,
qual deve ser o consumo de II para manter o mesmo nível de
satisfação.

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c) Se o consumidor aumentar o consumo do produto I para 12
unidades, qual deve ser o consumo de II para manter o mesmo nível
de satisfação?

1.3.1.3) A função produção de Cobb-Douglas, para empresas industriais, é


dada pela expressão P(T, C) = k .T α .C β , sendo P a quantidade de produto
obtida pela combinação de uma quantidade T de trabalho e C de capital. Na
expressão dada, k, α e β são constantes positivas com α + β = 1.
Nos itens a seguir apresentamos alguns exemplos dessas funções, para
calcularmos o valor numérico.

a) Calcule P (4, 9), sendo P(T, C) = T 0,5 .C 0,5 .


b) Calcule P (16, 25), sendo P(T, C) = 10. T . C .
1 1
c) Calcule P (1, 4), sendo P(T, C) = 20.T .C .
2 2

d) Calcule P (16, 81), sendo P(T, C) = 50.T 0,75 .C 0,25 .

1.4 Noções de Porcentagem

1.4.1 Os termos razão por cento ou razão centesimal, porcentagem e taxa


unitária.

Em nossa vida diária estão presentes situações de crédito, débito,


aumento, desconto, aplicações, rendimentos, investimentos, entre outras.
Todos esses termos envolvem o uso de cálculos relacionados à
utilização de taxas percentuais. Mas o que significa isso?
Primeiro vamos lembrar que todo número pode ser escrito de diversas
maneiras. Por exemplo:
0$ $e 1ee 8e
a) 4 = 1 + 3 = 2$ = = = = =⋯
7 9 0ee 09
7 8 8e
b) = = = 0,6 = 0,60 = ⋯
9 0e 0ee

Uma forma muito utilizada de representação de um número é a forma


de razão de denominador 100, também chamada de razão por cento ou
percentual (porcentual).
0$
É comum escrever a razão , de maneira simplificada, assim 12%. Isto
0ee
é, substituindo o denominador 100 pelo símbolo %.
Toda razão por cento pode ser escrita na forma de número decimal.
Essa forma de número decimal correspondente à razão por cento é
denominada taxa unitária.
Para se calcular a taxa unitária equivalente à taxa percentual basta
efetuar a divisão por cem na razão por cento. Assim, a taxa percentual
0$
12% = = 0,12.
0ee

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Porcentagem Razão centesimal Taxa unitária ou
número decimal
12% 12 0,12
100

1.4.2 Fator de correção

Nesta unidade vamos aprender as diversas maneiras de se calcular os


valores reajustados ou corrigidos de um produto. Vamos construir o conceito
do chamado fator de correção.

Exemplos:

a) O salário de R$ 1200,00 de uma pessoa vai ser reajustado em 15%.


Pergunta-se:
a.1) De que maneira você pode calcular o novo salário após o aumento?
Resolução
o
Uma maneira é 1 . calcular o reajuste correspondente aos 15%.
Assim 15% de R$ 1200,00 = 0,15 x 1200,00 = 180,00.
Em seguida acrescentar ao salário esse valor calculado
1200 + 180 = 1380.
Obtendo-se assim o valor procurado igual a R$ 1380,00.

a.2) Qual é o fator de reajuste do salário?


Resolução

Calcular o fator de reajuste significa determinar o fator pelo qual se deve


multiplicar o salário de modo que seja possível calcular diretamente o valor
acrescido do percentual de aumento.
Assim temos que o salário aumentado é calculado conforme segue
abaixo:

1200 + 180 = 1200 + 0,15 x 1200 = (1 + 0,15) x 1200 = 1,15 x 1200

Observe que pudemos fatorar a expressão

1200 + 0,15 x 1200 = (1 + 1,15) x 1200,

colocando o valor 1200 em evidência e que efetuando a multiplicação

1,15 x 1200 = 1380, obtém-se o valor final acrescido dos 15%.

O fator 1,15 quando multiplicado pelo salário atual gera o valor


reajustado, sendo assim chamado de fator de reajuste ou de correção.
Notemos que esse também pode ser um procedimento correto e mais
rápido para se calcular o valor reajustado.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 14


b) Uma loja entrou em liquidação, dando descontos variados de acordo com a
etiqueta do produto. Complete a tabela corretamente.

Preço do Taxa Valor do Preço a % do preço


produto desconto desconto pagar a pagar
b.1) R$ 380,00 15%
b.2) R$ 430,00 10%
b.3) R$ 168,00 R$ 10,08

Resolução

b.1) Para se calcular o desconto de 15% sobre 380, podemos efetuar a


seguinte operação 0,15 x 380 = 57.
Se esse é o desconto então o preço a pagar é 380 – 57 = 323.
Se o produto tem um desconto de 15% então o percentual do preço do produto
a pagar é

1 − 0,15 = 0.85, isto é, 85%.

b.2) Analogamente, para o desconto correspondente é 0,1 x 430 = 43.


E o preço a pagar pode ser calculado assim:
430 − 43 = 387.
O percentual do preço a pagar corresponde a 1 − 0,1 = 0,9, isto é, 90%.
b.3) Neste caso, sabemos o preço do produto R$ 168,00 e o valor do desconto
R$ 10,08. Assim, para calcular a taxa de desconto, basta dividir o valor do
desconto pelo preço do produto.
0e,e>
= 0,06 = 6%.
08>

O preço a pagar será 168 − 10,08 = 157,92.

O percentual do preço a pagar é

1 − 0,06 = 0,94 = 94%

1.4.3 Exercícios de fixação

1.4.3.1) Um produto que custa R$ 2380,00 numa loja, entrará em promoção


para o Natal. Na promoção seu preço terá um abatimento de 16%. Pergunta-
se:
a) De que maneira você pode calcular o preço do produto na promoção?
b) Qual é fator de correção do preço?

1.4.3.2) Uma mercadoria é vendida em, no mínimo, três prestações iguais,


totalizando o valor de R$ 900,00. Caso seja adquirida à vista, a loja oferece
um desconto de 12% sobre o valor a prazo. Pergunta-se:
a) qual o valor do desconto para pagamento à vista?
b) qual o preço da mercadoria à vista?

Mylane dos Santos Barreto


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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 15


1.4.3.3) Uma loja entrou em liquidação, dando descontos variados de acordo
com a etiqueta do produto. Complete a tabela corretamente.

Preço do Taxa Valor do Preço a % do


produto desconto desconto pagar preço a
pagar
R$ 984,00 25%
R$ 357,00 R$ 328,44
R$ 75,00 85
R$ 240,00 R$ 560,00
10% R$ 43,00

1.4.3.4) Quando o preço de um produto sofre um aumento ou uma redução


podemos determinar o preço a pagar diretamente multiplicando o preço atual
por um fator de aumento ou diminuição. Esse fator corrige o preço para mais
ou para menos, e, portanto, pode ser chamado de fator de correção.
A Gerência de uma firma encaminhou para o funcionário responsável pela
atualização dos preços uma tabela contendo uma lista de produtos que terão
seus preços corrigidos. Alguns produtos entrarão em oferta, com descontos, e
outros terão um aumento nos preços. Complete corretamente a tabela.

Preço do % de % de Fator de Preço


produto aumento desconto correção atualizado
R$ 145,00 12 -----------
R$ 690,00 ----------- 2,5
R$ 1200,00 0,5 -----------
R$ 1350,00 ----------- 6,2
R$ 3570,00 110 -----------

1.4.3.5) Complete a tabela corretamente com as representações equivalentes

Porcentagem Taxa unitária ou


número decimal
15%
1%
5%
7,2%
0,25
13,5%
0,32
115%
3,2
1200%
0,81
34

1.4.3.6) Em uma sala de aula com 52 alunos, 13 moram em outra cidade.


Expresse a porcentagem de alunos dessa turma que moram fora.

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2 FUNÇÃO POLINOMIAL DO 1O. GRAU

O conceito de função é um dos mais importantes da Matemática.


Possivelmente, os babilônios tinham uma ideia de função, pois é sabido que
várias tábuas contendo de quadrados, cubos e raízes quadradas foram
utilizadas por eles.
Sabe-se também que os pitagóricos estabeleceram relações entre
grandezas físicas, como entre as alturas de sons e comprimentos das cordas
vibrantes. No que concerne à variação, Nicolau Oresme (1323–1382) utilizou
segmentos de reta para representar variações.
Este conceito sofreu uma grande evolução ao longo dos séculos. Desde
o tempo dos gregos até a Idade Moderna a teoria dominante era a Geometria
Euclidiana que tinha como elementos básicos os conceitos de ponto, reta e
plano.
A partir desta época uma nova teoria, o Cálculo Infinitesimal, surgiu e
se tornou fundamental para o desenvolvimento da Matemática.
A noção de função serviu como um dos fundamentos do Cálculo
Infinitesimal.
O seu surgimento como conceito claramente individualizado e como
objeto de estudo corrente em Matemática remonta apenas aos finais do século
XVII.
A origem da noção de função confunde-se assim com os primórdios do
Cálculo Infinitesimal. Newton (1643 – 1727) fez uso da noção de função
bastante aproximado do sentido atual.
Leibniz (1646–1716) foi quem primeiro usou o termo função em 1673 e
também responsável pela introdução dos termos constante, variável e
parâmetro.
Como consequência da evolução do estudo das funções surgiram
numerosas aplicações da Matemática a outras ciências. Os cientistas, partindo
de observações, procuravam uma fórmula (uma função) para explicar os
sucessivos resultados obtidos. A função era, então, o modelo matemático que
explicava a relação entre as variáveis.
Assim, o conceito de função, que hoje nos parece simples, é resultado
de uma evolução histórica conduzindo cada vez mais à abstração.

2.1 Definição

Uma função 𝑓: 𝐼𝑅 → 𝐼𝑅 chama-se função polinomial do 1o. grau quando,


para todo x Î IR, o valor de 𝑓 𝑥 é dado por uma expressão do tipo
f ( x) = ax + b onde a Î IR* e b ÎIR.

Exemplos:
1
a ) f ( x) = 3 x + 1 b) f ( x ) = x-5 c) f ( x) = - 3 x + 8
2

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2.2 Coeficientes

2.2.1 Coeficiente linear

O número real b é chamado coeficiente linear.


O ponto (0, b) representa o ponto de intersecção entre o eixo y e o
gráfico da função polinomial do 1o. grau.

2.2.2 Coeficiente angular

Considere dois pontos quaisquer (x1, y1) e (x2, y2) que satisfazem à
função polinomial 𝑓 (𝑥) = 𝑎𝑥 + 𝑏.
O número real a, denominado coeficiente angular é dado por

Dy y2 - y1
a= =
Dx x2 - x1

2.3 Gráfico

O gráfico de uma função polinomial do 1o. grau é uma reta oblíqua aos
eixos coordenados.
Para traçarmos uma reta são necessários dois pontos distintos. E, com
base nesse princípio do axioma da determinação de uma reta, reduziremos
nosso trabalho para traçar as retas representativas das funções polinomiais do
1o. grau à construção de uma tabela com dois pontos quaisquer da reta.

Exemplos:

a) f 𝑥 = 2𝑥 − 1

Vamos fazer a tabela, preferencialmente, buscando os pontos de


intersecção da reta com os eixos coordenados por serem mais fácies de serem
determinados.
Resolução

Se x = 0 então f (0) = 2 ∙ 0 − 1 = −1.


0
Para y = 0 tem-se que 2𝑥 − 1 = 0 ⟺ 2𝑥 = 1 ⟺ 𝑥 = .
$

Portanto, a tabela fica assim: x 0

y = f(x) –1 0

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Marcando os pontos no plano cartesiano

x
b) f ( x ) = - + 2
2

Vamos fazer uma tabela, preferencialmente, buscando os dois pontos


de intersecção da reta com os eixos coordenados por serem mais fácies de
serem marcados.
Resolução

0
Se x = 0 então f (0) = - + 2 = 2.
2
x x
Para y = 0 tem-se que - + 2 = 0 Û - = -2 Û x = 4 .
2 2

Portanto, a tabela fica assim x 0 4


y = f(x) 2 0
Marcando os pontos no plano cartesiano, obtém-se o gráfico abaixo.

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2.4 Crescimento e decrescimento

Uma função f é dita crescente se x1 £ x2 então f ( x1 ) £ f ( x2 ) .


Uma função f é dita decrescente se x1 £ x2 então f ( x1 ) ³ f ( x2 ) .
No caso das funções polinomiais do 1o. grau, podemos considerar o
coeficiente angular a como uma forma de medir "quão rápido" a variável y está
mudando à medida em que a variável x muda. Sendo assim, o coeficiente
angular a é também chamado taxa de variação da função.

Função crescente Função decrescente


x1 £ x2 ® f ( x1 ) £ f ( x2 ) x1 £ x2 ® f ( x1 ) ³ f ( x2 )

y2

y2

y1 y1

O x1 x2 O x1 x2

2.5 Zero (ou raiz)

Chama-se raiz ou zero de uma função polinomial do 1o. grau o valor de


x Î D( f ) para o qual f ( x) = 0 .
Do ponto de vista geométrico, o ponto ( x, f ( x)) sendo f ( x) = 0
representa o ponto de intersecção entre o gráfico da função e o eixo x.
Numa função polinomial do 1o. grau, a raiz ou zero é dada por:
b
f ( x) = 0 Þ ax + b = 0 Þ x = - , a ¹ 0
a

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 20


2.6 Resumo

O gráfico de uma função polinomial do 1o. grau, observando-se os


coeficientes angular e linear, pode ter um dos seguintes aspectos, conforme a
tabela que segue:


a > 0 e b > 0 a > 0 e b = 0 a > 0 e b < 0

y y y

b


b O
O x O x x

b


a < 0 e b > 0 a < 0 e b = 0 a < 0 e b < 0
y y y

O
O x b x
b
x


2.7 Exercícios de Fixação

2.7.1) Esboce o gráfico de cada uma das funções dadas a seguir.

a) f ( x) = x - 2
b) f ( x ) = - x
c) f ( x) = - x + 1
x
d ) f ( x) =
2
x +1
e) f ( x ) =
3
1
f ) f ( x) = 4 x +
2
g ) f ( x) = ( x - 1)2 - x( x + 3) + 4

2.7.2) Dada função f 𝑥 = 5 − 2𝑚 𝑥 − 4, determine o valor de m para que

a) f seja crescente.
b) f (–2) = 18.
c) o gráfico de f corte o eixo x no ponto (2, 0).

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 21


2.7.3) Para pavimentar as ruas de um bairro, uma empresa cobra uma taxa
fixa mais um valor que varia em função do número de quilômetros
pavimentados. O custo C da obra, em milhões de reais, em função do número
s
x de quilômetros pavimentados é 𝐶 𝑥 = + 4.
0e

a) Qual é o custo total da obra se a avenida tiver 60 km de extensão?


b) Se o custo total foi de 24 milhões de reais, quantos quilômetros foram
pavimentados?

2.7.4) Para cada item dado abaixo faça o que se pede:

a) Resolva a equação 12(2x – 1) –3(5 – x) = 6 – 2(4 – x).

b) Sendo 𝑓 𝑥 = 3𝑥 − 7 calcule o valor de x para o qual 𝑓 𝑥 = 3 7.


2
c) Determine se a função g ( x ) = x + 10 é crescente ou decrescente.
2
3x + 2 $
d) Sendo g ( x) = , determine g − .
4 9

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3 FUNÇÃO POLINOMIAL DO 2O. GRAU

A origem do conceito de função está relacionada ao estudo das


variações quantitativas presentes nos fenômenos naturais. A noção de função
polinomial do 2o. grau está associada originalmente à ideia de equação do 2o.
grau, como ocorreu por volta de 300 a.C., na Álgebra Geométrica do
matemático grego Euclides (325-265 a.C).
Uma contribuição importante é a de Nicolau Oresme (1323-1382), por
exemplo, ao estudar o movimento uniformemente acelerado, representando
num gráfico a velocidade variando com o tempo.
No Renascimento destacaram-se as tentativas de explicar o movimento
de queda livre de um corpo ou a trajetória de uma bola de canhão. Vários
teóricos dos séculos XVI e XVII tentaram explicar essa trajetória que é descrita
por uma parábola. Tais tentativas foram aperfeiçoadas até se chegar à
parábola associada à curva da função polinomial do 2o. grau, o que acelerou a
necessidade de se relacionar curvas (Geometria) a equações (Álgebra).
No século XVI a Álgebra teve um significativo avanço.
Surge então o conceito de variável que Descartes (1596-1650) e Fermat
(1601-1665), e depois Newton (1643-1727) e Leibniz (1646-1716), iriam utilizar
no estudo de curvas.
A função polinomial do 2o. grau e suas propriedades tem aplicações no
estudo de lançamento de projéteis, faróis de automóveis, antenas parabólicas
e radares, nos esportes, entre outras.

3.1 Definição

Chama-se função polinomial do 2o. grau ou função quadrática toda


função f de IR em IR dada por uma lei da forma f (x) = ax2 + bx + c, tal que a,
b e c são números reais com a ¹ 0 .

Exemplos:
a) 𝑓 𝑥 = 3𝑥 $ − 4𝑥 + 1, tem-se a = 3, b = – 4 e c = 1.
b) 𝑓 𝑥 = 𝑥 $ − 1, com a = 1, b = 0 e c = –1.
c) 𝑓 𝑥 = −𝑥 $ + 8𝑥, tal que a = –1, b = 8 e c = 0.
7s = 7
d) 𝑓 𝑥 = − , com a = − , b = 0 e c = 0.
$ $

3.2 Gráfico

O gráfico de uma função polinomial do 2o. grau, y = ax2 + bx + c, com


a 0, é uma curva chamada parábola.
A parábola que representa uma função polinomial do 2o. grau tem
sempre a concavidade voltada para baixo ou para cima e possui um eixo de
simetria vertical, passando pelo vértice V, cuja equação é x = xv.
As coordenadas do vértice V da parábola são dadas pelas fórmulas:

𝒃 𝚫
𝑽= − ,− .
𝟐𝒂 𝟒𝒂

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 23


É recomendado que ao fazer a tabela de pontos da função polinomial
do 2o. grau você comece pelo vértice, usando alguns valores de x maiores que
o x do vértice e também alguns menores que ele. Dessa forma você assegura
a marcação de pontos dos dois ramos da parábola.

3.2.1 Exemplos

a) 𝑓 𝑥 = 𝑥 $ − 2𝑥 − 3

Vamos inicialmente determinar as coordenadas do vértice.


{ V$
Assim, se 𝑥z = − $; então 𝑥z = − $∙0 = 1.
Se 𝑥z = 1 então, substituindo esse valor na lei, tem-se:
𝑦z = 𝑓 1 = 1$ − 2 ∙ 1 − 3 = 1 − 2 − 3 = −4.
A partir da determinação das coordenadas do vértice, podemos fazer a
tabela que segue.

x ... –2 –1 0 1 2 3 4 ...
y ... –4 ...

Completando a tabela, calculam-se os valores de y e, marcando os


pontos, obtém-se o esboço do gráfico, conforme abaixo.

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b) 𝑦 = −𝑥 $ + 4𝑥 + 5
Vamos, inicialmente, determinar as coordenadas do vértice.
{
Assim, se 𝑥z = − $; então 𝑥z = − $∙ 1V0 = − V$
1
= 2.

Se 𝑥z = 2 então, substituindo esse valor na lei, tem-se:


𝑦z = 𝑓 2 = −2$ + 4 ∙ 2 + 5 = −4 + 8 + 5 = 9.
A partir da determinação das coordenadas do vértice, podemos fazer a
tabela que segue.

x ... –1 0 1 2 3 4 5 ...
y ... 9 ...

Completando a tabela, calculam-se os valores de y e, marcando os


pontos, obtém-se o esboço do gráfico, conforme abaixo.

3.2.2 Observações

3.2.2.1) A parábola que representa uma função polinomial do 2o. grau sempre
corta o eixo y no ponto (0, c).

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3.2.2.2) Ao construir o gráfico de uma função polinomial do 2o. grau, nota-se
sempre que:

• Se a > 0, a parábola tem a concavidade voltada para cima

• Se a < 0, a parábola tem a concavidade voltada para baixo

3.3 Zeros (ou raízes)

Os zeros (ou raízes) da função polinomial do 2o. grau são os valores


reais x tais que f (x) = 0. Então as raízes da função f (x) = ax2 + bx + c são as
soluções da equação do 2º. grau ax2 + bx + c = 0, com 𝑎 ≠ 0. As raízes são
determinadas pela fórmula resolutiva

- b ± b 2 - 4ac
x=
2a

Mylane dos Santos Barreto


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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 26


A quantidade de raízes reais de uma função quadrática depende do
valor obtido para o radicando ∆ = 𝑏 $ − 4𝑎𝑐, chamado discriminante, a saber:

D > 0 → as duas raízes são números reais distintos

D = 0 → as duas raízes são números reais iguais

D < 0 → não existem raízes reais

3.4 Conjunto Imagem

O conjunto imagem Im da função y = ax2 + bx + c, a 0, é o conjunto


dos valores que y pode assumir. Há duas possibilidades:

• Quando a > 0

ì Dü
Im = { y Î ! / y ³ yV } = í y Î ! / y ³ - ý
î 4a þ

• Quando a < 0

ì Dü
Im = { y Î ! / y £ yV } = í y Î ! / y £ - ý
î 4a þ

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 27


3.5 Resumo

Podemos, observando os sinais de Δ e de a, sintetizar que o gráfico de


uma função polinomial do 2o. grau tem um dos seguintes aspectos:

D>0 D=0 D<0 D>0 D=0 D<0

a>0 a<0

3.6 Exercícios de fixação

3.6.1) Esboce os gráficos das funções reais de variável real definidas pelas
igualdades abaixo e determine o conjunto imagem de cada uma delas.

a) 𝑓 𝑥 = −𝑥 $ + 4𝑥 b) 𝑓 𝑥 = 𝑥 $ − 49
c) 𝑓 𝑥 = 𝑥 $ − 2𝑥 − 3 d) 𝑓 𝑥 = −𝑥 $ + 5𝑥 − 3
e) 𝑓 𝑥 = 𝑥 $ − 4𝑥 + 3

3.6.2) O gráfico abaixo representa a curva de equação y = ax² −10x + c.

−9

Determine os valores de a e c.

3.6.3) Para que valores de m o gráfico de 𝑓 (𝑥) = (𝑚 – 4)𝑥² – 2𝑥 + 𝑚 é uma


parábola com concavidade voltada para cima?

3.6.4) Determine os valores de m para que o gráfico da função definida por


𝑓(𝑥) = 𝑥² -2𝑥 + 𝑚 não intersecte o eixo x.

Mylane dos Santos Barreto


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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 28


3.6.5) Calcule m de modo que o valor máximo da função definida por
𝑓(𝑥) = 𝑚𝑥² + (𝑚 -1)𝑥 + (𝑚 + 2) seja 2.

3.6.6) A parábola de equação y = −2𝑥 $ + 𝑏𝑥 + 𝑐 passa pelo ponto (1,0) e seu


vértice é o ponto (3, v). Determine o valor de v.

3.6.7) Determine a área máxima que pode ter um retângulo de perímetro igual
a 20 cm.

3.6.8) Para que valores reais da constante m a equação x² – 6x + m = 0 admite


raízes reais e iguais?
0
3.6.9) Para que valores reais de x a expressão = representa um número
s V8sˆ>
real?

3.6.10) Resolva em IR:

a) x² + 5x = 0 b) – 2x² = –11x
x
c) x 2 - = 0 d) x² – 36 = 0
3
e) 9x² – 4 = 0 f) 2x² + 18 = 0
g) –3x² = 0 h) x² + 2x – 15 = 0
i) 2x² – 5x + 2 = 0 j) x² – 8x + 16 = 0
s=
k) x² + 2x + 2 = 0 l) − − 𝑥 + 6 = 0
7
m) 𝑥 $ + 3𝑥 − 10 > 0 n) −𝑥 $ + 4𝑥 + 5 ≥ 0
0) 𝑥 𝑥 + 3 < 𝑥(2 − 𝑥)

Mylane dos Santos Barreto


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4 FUNÇÃO EXPONENCIAL

Vamos estudar um tipo de função que tem aplicações em vários


processos de modelagem matemática, especialmente naqueles que
descrevem estudos de demografias para prever o tamanho de populações, nas
finanças para calcular o valor de investimentos, na arqueologia para datar
artefatos antigos, na Psicologia para estudar padrões de aprendizado e na
indústria para estimar a confiabilidade de produtos.
Esses modelos usam propriedades e conhecimentos estudados nas
funções exponenciais básicas. Para isso é preciso saber usar a notação
exponencial e conhecer as operações algébricas que envolvem tais funções.

4.1 Recapitulando

4.1.1 Definições

4.1.1.1) Se b é um número real e n é um número inteiro positivo então

𝑏 Š = 𝑏 ∙ 𝑏 ∙ 𝑏 ∙ 𝑏 ∙ … ∙ 𝑏.
n fatores

4.1.1.2) Se b > 0 e m e n são números inteiros positivos

Œ ` Œ Œ
𝑏` Š
= 𝑏 = 𝑏 ` , onde 𝑏 é a raiz n-ésima de b.

0 ` 0
4.1.1.3) Se 𝑏 ≠ 0 então 𝑏 V` = = .
{ {•

4.1.1.4) b0 = 1, com 𝑏 ≠ 0.

4.1.2 Exemplos

a) 39 = 3 ∙ 3 ∙ 3 ∙ 3 ∙ 3 = 243
0 0
b) 5V7 = =
9: 0$9
c) 360 $
= 36 = 6
7
d) 97 $
= 9 = 37 = 27
0 0 0
e) 27V$ 7
= = = =
:
$? 7= <


4.2 Definição

Se b é um número real positivo e diferente de 1 (0 < 𝑏 ≠ 1), chama-se


função exponencial de base b, a função que associa a cada número real x o
número 𝑓 𝑥 = 𝑏 s .
Para termos uma ideia do aspecto da curva de uma função exponencial,
vamos considerar os exemplos a seguir.

Mylane dos Santos Barreto


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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 30


4.3 Gráfico

a) f 𝑥 = 2s

Para traçar o gráfico que representa a função 𝑓 𝑥 = 2s , vamos calcular


valores completando a tabela abaixo:

1 1
x ... –2 –1 – 0 1 2 3 ...
2 2
f (x) = 2x

Assim temos:

Se 𝑥 = 0 então 𝑓 0 = 2e = 1. Se 𝑥 = 2 então 𝑓 2 = 2$ = 4.
0
Se 𝑥 = então f
0 Ž
= 2= = 2. Se 𝑥 = 3 então 𝑓 3 = 27 = 8.
$ $
0
Se 𝑥 = 1 então 𝑓 1 = 20 = 2. Se 𝑥 = −1 então 𝑓 −1 = 2V0 = .
$

Com esses valores podemos esboçar o gráfico da curva que representa


a função.

Observando o gráfico traçado acima, podemos destacar:

1 – A função é sempre crescente, isto é,

𝑥0 ≤ 𝑥$ ↔ 2sŽ ≤ 2s=

𝑥0 ≥ 𝑥$ ↔ 2sŽ ≥ 2s= .

Mylane dos Santos Barreto


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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 31


2 – Quando x tende a −∞ então 2’ tende a 0. Essa afirmação também pode
ser escrita em linguagem estritamente simbólica assim:

lim 2s = 0.
s→V”

Este fato pode ser interpretado, geometricamente, da seguinte forma: a


curva que representa a função exponencial 𝑓 𝑥 = 2s tem por assíntota o eixo
das abscissas. Isto é, a equação da assíntota é 𝑦 = 0.

3 – Quando x tende a +∞ então 2’ tende a +∞. Analogamente, tal afirmação


também pode ser escrita em linguagem estritamente simbólica assim:

lim 2s = +∞.
s→ˆ”

0 s
b) f 𝑥 =
$

0 s
Para traçar o gráfico que representa a função 𝑓 𝑥 = , vamos
$
calcular valores completando a tabela abaixo:

1 1
x ... –2 –1 – 0 1 2 3 ...
2 2
x
æ 1ö
f(x) = ç ÷
è2ø

Assim temos:

0 e 0 $ 0
Se x = 0 então f (0) = = 1. Se x = 2 então f (2) = = .
$ $ 1

0 7
Ž
0 0 0 = $ 0
Se 𝑥 = então f = = . Se x = 3 então f (3) = = .
$ $ $ $ $ >

0 0 0 0 V0
Se x = 1 então f (1) = = . Se x = −1 então f (−1) = = 2.
$ $ $

Completando também a tabela acima podemos esboçar o gráfico.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 32

Observando o gráfico traçado acima, podemos destacar:

1 – A função é sempre decrescente, isto é,


sŽ s=
1 1
𝑥0 ≤ 𝑥$ ↔ ≥
2 2
0 sŽ 0 s=
𝑥0 ≥ 𝑥$ ↔ ≤ .
$ $

0 ’
2 – Quando x tende a −∞ então tende a +∞. Essa afirmação também
$
pode ser escrita em linguagem estritamente simbólica assim:
s
1
lim =+∞
s→V” 2
0 ’
3 – Quando x tende a +∞ então tende a 0. Analogamente, tal afirmação
$
também pode ser escrita em linguagem estritamente simbólica assim:

0 s
lim = 0.
s→ˆ” $

Este fato pode ser interpretado, geometricamente, da seguinte forma: a


0 s
curva que representa a função exponencial 𝑓 𝑥 = tem por assíntota o
$
eixo das abscissas. Isto é, a equação da assíntota é 𝑦 = 0.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 33


4.4 Resumo

De modo geral, o gráfico de uma função exponencial do tipo 𝑓 𝑥 = 𝑏 s


tem um dos aspectos apresentados no quadro a seguir.

Ressaltando que o gráfico desse tipo de curva sempre passa pelo ponto
0,1 , sua intersecção com o eixo das ordenadas, e pelo ponto 1, 𝑏 então
marcando-se tais pontos podemos esboçar rapidamente a curva.

O
O

Se b > 1
Se 0 < b < 1
1 – A função é sempre crescente. Em
1 – A função é sempre decrescente.
linguagem simbólica:
Em linguagem simbólica:
𝑥0 ≤ 𝑥$ ↔ 𝑏 sŽ ≤ 𝑏 s=
𝑥0 ≤ 𝑥$ ↔ 𝑏 sŽ ≥ 𝑏 s=
𝑥0 ≥ 𝑥$ ↔ 𝑏 sŽ ≥ 𝑏 s=
𝑥0 ≥ 𝑥$ ↔ 𝑏 sŽ ≤ 𝑏 s=
2 – Quando x tende a −∞ então 𝑏 s
2 – Quando x tende a −∞ então 𝑏 s
tende a 0.
tende a +∞.
Este fato pode ser descrito em
Este fato pode ser descrito em
linguagem estritamente simbólica da
linguagem estritamente simbólica da
seguinte maneira:
seguinte maneira:
lim 𝑏 s = 0
lim 𝑏 s = +∞ s→V”
s→V”
s 3 – Quando x tende a +∞ então 𝑏 s
3 – Quando x tende a +∞ então 𝑏
tende a +∞.
tende a 0.
Este fato pode ser descrito em
Este fato pode ser descrito em
linguagem estritamente simbólica da
linguagem estritamente simbólica da
seguinte maneira:
seguinte maneira:
lim 𝑏 s = +∞
lim 𝑏 s = 0 s→ˆ”
s→ˆ”

Propriedades comuns às duas funções exponenciais


1 – O conjunto-imagem é 𝐼𝑅ˆ∗ , isto significa dizer que (∀𝑥 )(𝑥 ∈ 𝐼𝑅)(𝑏 s > 0).
2 – Os gráficos das duas curvas têm por assíntota a reta y = 0.
3 – Os gráficos das duas curvas passam pelo ponto (0, 1).
4 – Os gráficos das duas curvas passam pelo ponto (1, b).

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 34


4.5 Exercícios de fixação

4.5.1) Use <, > ou = para completar corretamente as sentenças.

a) 27,9 … … 2$,?< b) 0,7$7< … … 0,77e0


$ V7,1 $ V$,? 9 V7,9 1 e,$<
c) … … d) … …
? ? 1 9

4.5.2) Esboce os gráficos das curvas dadas por suas equações em cada caso
abaixo.

a) 𝑔 𝑥 = 3s b) ℎ 𝑥 = 𝜋 s c) 𝑢 𝑥 = 𝑒 s d) 𝑤 𝑥 = 0,2s

7 s
e) 𝑡 𝑥 = 0,3s f) 𝑦 = 1,2s g) 𝑦 = 0,8s h) 𝑦 =
$

4.5.3) Esboce os gráficos das curvas dadas por suas equações em cada caso
abaixo.
0 s
a) 𝑔 𝑥 = 2s + 1 b) h 𝑥 = 2s − 3 c) 𝑡 𝑥 = + 2
7
0 9 s
d) 𝑦 = 𝑒 s + e) 𝑦 = −2
$ $

4.5.4) Estude os limites no infinito de cada função apresentada na questão


anterior.

4.5.5) Escreva a equação da assíntota de cada função exponencial esboçada


na questão 4.5.3.
= ˆ$s
4.5.6) Se 𝑓 𝑥 = 5s então determine todos os valores reais de x para os
quais 𝑓 𝑥 = 125.

4.5.7) De acordo com um grupo de cientistas, a população de bactérias em


uma certa cultura pode ser modelada pela função

P t = 5000ee,e09Ÿ

onde t é o tempo em minutos após o início da observação. Calcule:

a) A população de bactérias após uma hora do início da observação;


b) Calcule o número de bactérias após duas horas do início da
observação.

Mylane dos Santos Barreto


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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 35


5 FUNÇÃO LOGARÍTMICA

Textos babilônios datados de cerca de 600 a. C. trazem a seguinte


questão

“A que potência deve ser elevado certo número para fornecer um


número dado?”

É também desde os babilônios que se tem notícias de tabelas contendo


potências sucessivas de um dado número, semelhantes às tabelas atuais de
logaritmos.
Apesar dos rudimentos do que viriam a ser os logaritmos, já serem
conhecidos pelos babilônios, a introdução dos logaritmos como o instrumento
que revolucionou a arte de calcular só ocorreu muito tempo depois. No início
do século XVII, os cálculos envolvidos nos assuntos de Astronomia eram
excessivamente trabalhosos.
O desenvolvimento dos logaritmos serviu como um poderoso
instrumento de cálculo que contribuiu para simplificar operações, transformado
multiplicações e divisões em operações mais simples, agilizando também a
potenciação e a radiciação. É fundamental, também, em outras áreas como,
por exemplo, na Química para o cálculo do pH (potencial de hidrogênio) e na
Física, em acústica, para determinarmos a intensidade de um som.
John Napier (1550-1617) é considerado um dos matemáticos
responsáveis pelo desenvolvimento do estudo dos logaritmos ao lado de
outros que também trabalharam com este conceito, como o suíço Jobst Burgi
(1552-1632). Os logaritmos de base 10, chamados de comuns ou briggsianos,
tão úteis nos cálculos, foram estudados pelo professor Henri Briggs (1561-
1631).
A palavra logaritmo vem do grego: logos (razão) e arithmos (número) é
o expoente a que uma dada base deve ser elevada para produzir certa
potência.

5.1 Logaritmos

5.1.1 Definição

Chamamos de logaritmo de b, na base a, ao número c, tal que:

log a b = c « a c = b
sendo a (base), b (antilogaritmo ou logaritmando) e c (logaritmo).

5.1.2 Exemplos

a) Assim, o expoente a que se deve elevar 3 para se obter 81 é 4. Ou, em


linguagem simbólica, log 7 81 = 4.
b) Analogamente, o expoente a que se deve elevar 2 para se obter 32 é 5 e,
portanto, podemos escrever que log $ 32 = 5.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 36


1
c) E mais esse exemplo: o expoente a que se deve elevar para se obter
5
0 V$
25 é −2 , pois, = 25 . Assim podemos escrever, em linguagem
9
simbólica, que log Ž 25 = −2.

É importante observar que logaritmo é sinônimo de expoente. Isto é,


outro nome que pode ser dado ao expoente ao qual se eleva a base a para
determinar a potência b.
Outra observação importante sobre o estudo dos logaritmos diz respeito
ao seu domínio ou campo de existência. Só existem logaritmos reais de
números positivos, com bases também positivas e diferentes de 1. Ou seja,
para calcular o log M b, em IR, é necessário b > 0, a > 0 e a ≠ 1.

5.1.3 Propriedades decorrentes da definição

Sendo b > 0, c > 0, a > 0 e a ≠ 1, tem-se:

a) log M 1 = 0
b) log M a = 1
c) log M a¢ = n
d) a£¤¥¦ L = b
e) log M b = log M c ↔ b = c.

5.1.4 Propriedade operatórias

Sendo x Î IR*+, y Î IR*+, a Î IR*+ e a ¹1, e m Î IR:

• Logaritmo do produto

log a ( x. y ) = log a x + log a y


• Logaritmo do quociente

æxö
log a çç ÷÷ = log a x - log a y
è yø

• Logaritmo de uma potência

log a x m = m. log a x

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 37


• Mudança de base

log b x
log a x = com 𝟎 < 𝒃 ≠ 𝟏
log b a
5.2 Definição

A função f : IR*+ ® IR definida por f (x) = 𝐥𝐨𝐠 𝒂 𝒙 , 𝐜𝐨𝐦 𝒂 > 𝟎 𝐞 𝒂 ¹ 𝟏, é


chamada função logarítmica de base a.
O domínio dessa função é o conjunto IR*+ (conjunto dos números reais
positivos) e o contradomínio é IR.

5.3 Gráfico

Acompanhe, nos exemplos seguintes, a construção do gráfico em cada


caso.

5.3.1) 𝒚 = 𝐥𝐨𝐠 𝟐 𝒙

Atribuindo alguns valores a x e calculando os correspondentes valores


de y, obtemos a tabela e o gráfico abaixo.

𝟏 𝟏
x ... 𝟏 𝟐 𝟒 𝟖 ...
𝟒 𝟐
y ... –2 –1 0 1 2 3 ...

Vamos mostrar agora como alguns desses valores da tabela foram


determinados.

𝟏 𝟏 𝟏
Se x = então y = f = 𝐥𝐨𝐠 𝟐 = − 𝟐.
𝟒 𝟒 𝟒

𝟏 𝟏 𝟏
Se x = então y = f = 𝐥𝐨𝐠 𝟐 = − 𝟏.
𝟐 𝟐 𝟐

Se x = 1 então y = f (1) = 𝐥𝐨𝐠 𝟐 𝟏 = 𝟎.



Se x = 2 então y = f (2) = 𝐥𝐨𝐠 𝟐 𝟐 = 𝟏.

Se x = 4 então y = f (4) = 𝐥𝐨𝐠 𝟐 𝟒 = 𝟐.



Se x = 8 então y = f (8) = 𝐥𝐨𝐠 𝟐 𝟖 = 𝟑.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 38

5.3.2) 𝒚 = 𝐥𝐨𝐠 𝟏 𝒙
𝟐

Atribuindo alguns valores a x e calculando os correspondentes valores


de y, obtemos a tabela e o gráfico abaixo.

𝟏 𝟏
x ... 𝟏 𝟐 𝟒 𝟖 ...
𝟒 𝟐
y ... 2 1 0 –1 –2 –3 ...

Vamos mostrar agora como alguns desses valores da tabela foram


determinados.

𝟏 𝟏 𝟏
Se x = então y = f = 𝐥𝐨𝐠 𝟏 = 𝟐.
𝟒 𝟒 𝟐
𝟒

𝟏 𝟏 𝟏
Se x = então y = f = 𝐥𝐨𝐠 𝟏 = 𝟏.
𝟐 𝟐 𝟐
𝟐

Se x = 1 então y = f (1) = 𝐥𝐨𝐠 𝟏 𝟏 = 𝟎.
𝟐

Se x = 2 então y = f (2) = 𝐥𝐨𝐠 𝟏 𝟐 = − 𝟏.
𝟐

Se x = 4 então y = f (4) = 𝐥𝐨𝐠 𝟏 𝟒 = − 𝟐.
𝟐

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 39


Se x = 8 então y = f (8) = 𝐥𝐨𝐠 𝟏 𝟖 = − 𝟑.
𝟐













O






5.4 Resumo

Nos dois exemplos, podemos observar que:

a) o gráfico da função do tipo f (x) = 𝐥𝐨𝐠 𝒂 𝒙, com a > 0 e 𝒂 ¹ 𝟏 nunca


intersecta o eixo y.

b) o gráfico de f (x) = 𝐥𝐨𝐠 𝒂 𝒙, com a > 0 e 𝒂 ¹ 𝟏 corta o eixo horizontal no


ponto (1, 0). A raiz da função é x = 1.

c) y assume todos os valores reais, portanto, o conjunto imagem da função


do tipo f (x) = 𝐥𝐨𝐠 𝒂 𝒙, com a > 0 e 𝒂 ¹ 𝟏, é Im( f ) = IR.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 40


Além disso, podemos estabelecer o seguinte

a > 1 0 < a <1





1

O 1
a



a 1





f (x) é crescente e Im( f ) = IR f (x) é decrescente e Im( f ) = IR
Para quaisquer x1 e x2 do domínio: Para quaisquer x1 e x2 do domínio:
𝒙 𝟐 ³ 𝒙𝟏 ↔ 𝒚𝟐 ³ 𝒚𝟏 𝒙 𝟐 ³ 𝒙𝟏 ↔ 𝒚𝟐 ≤ 𝒚𝟏
𝒙𝟐 ≤ 𝒙𝟏 ↔ 𝒚𝟐 ³ 𝒚𝟏 𝒙𝟐 ≤ 𝒙𝟏 ↔ 𝒚𝟐 ≥ 𝒚𝟏

(as desigualdades têm sentidos iguais) (as desigualdades têm sentidos
contrários)

5.5 Exercícios de fixação

5.5.1) Calcule o valor da expressão log 1 64 - log 3 27 .


2

5.5.2) Dados log2 = 0,3010 e log3 = 0,4771, calcule

a) 𝑙𝑜𝑔12 b) log $ 3 c) 𝑙𝑜𝑔 1,5 d) log 5

5.5.3) Resolva em IR.

a) log s 10 + 3𝑥 = 2 b) log 7 𝑥 $ − 2𝑥 + 1 = 2
c) log Ž 𝑥 $ − 4𝑥 ≥ log Ž 5 d) log $ 𝑥 $ − 5𝑥 + 6 ≤ 1
: :
e) log s 2𝑥 + 3 = 2 f) log $ 𝑥 + 2 > log $ 8
g) log $ ( log 7 𝑥) ≥ 0 h) log 7 2𝑥 + 1 < log 7 7
i) log Ž 2𝑥 − 1 > log Ž 9 j) log 𝑥 + 2 + log 𝑥 − 2 < log 3𝑥
= =

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 41


6 FUNÇÕES DEFINIDAS POR VÁRIAS SENTENÇAS

Nessa unidade estudaremos alguns casos de funções definidas por


várias sentenças.
Para essa unidade você precisa recordar as principais funções
estudadas até aqui.

6.1 Exercícios de fixação

6.1.1) Dadas as funções reais de variável real definidas por

ì-2 , se x < 0
ï ì x, se x £ 0
f (x) = í x , se 0 £ x £ 2 e g (x) = í 2
ï2, se x > 2 î x , se x > 0
î
Pede-se:

6.1.1.1) Calcular:
$
a) f (−5) b) f c) f ( 7) d) f (π) e) f (0,023)
7

f) g (−3) g) g (0) h) g( 3) i) g (−0,5) j) g (1)

6.1.1.2) Esboçar o gráfico cartesiano de f.

6.1.1.3) Esboçar o gráfico cartesiano de g.

6.1.2) Fazer o esboço do gráfico cartesiano das funções reais de variável real
dadas pelas fórmulas:

1, se 0 ≤ 𝑥 <1
2, se 1 ≤ 𝑥 <2 −𝑥, se 𝑥 ≤ 0
a) f 𝑥 = b) g 𝑥 =
3, se 2 ≤ 𝑥 <3 𝑥, se 𝑥 > 0
4, se 3 ≤ 𝑥 <4

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 42


7 NOÇÃO INTUITIVA DE LIMITES

Nesta unidade vamos estudar um dos conceitos que servirá de base para
o seu desenvolvimento no estudo do Cálculo.
Faremos alguns exercícios preliminares que subsidiarão a construção do
conceito de limite e de continuidade de uma função num ponto.

7.1 Exercícios preliminares

7.1.1) Considere a função f: 𝐼𝑅 → 𝐼𝑅 definida por f (x) = x2 e usando uma


calculadora determine:

a) f (1,8) f) f (2,1)
b) f (1,85) g) f (2,01)
c) f (1,9) h) f (2,001)
d) f (1,96) i) f (2,0001)
e) f (1,98) j) f (2)

7.1.2) Observe os resultados encontrados na questão anterior e responda:

a) Para quanto se “aproxima” o valor de f (x) quando x se “aproxima” de 2 e é


menor do que 2?
b) Para quanto se “aproxima” o valor de f (x) quando x se “aproxima” de 2 e é
maior do que 2?

7.1.3) Dado o gráfico da função, responda:







O






a) Para quanto se “aproxima” o valor de f (x) quando x se “aproxima” de − 4 e
𝑥 < −4?

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 43


b) Para quanto se “aproxima” o valor de f (x) quando x se “aproxima” de − 4 e
𝑥 > −4
c) Qual é o valor de f (x) quando x = − 4?
d) Para quanto “tende” o valor de f (ou se “aproxima”) quando x “tende” a 2 pela
esquerda (ou tende a 2 e é menor do que 2)?
e) Para quanto “tende” o valor de f quando x “tende” a 2 pela direita?
f) Qual é o valor de f quando x = 2?
g) Para quanto “tende” o valor de f quando x “tende” a 4 pela esquerda?
h) Para quanto “tende” o valor de f quando x “tende” a 4 pela direita?
i) Qual é o valor de f (4)?

7.1.4) Considere o gráfico de uma função dado abaixo e complete, corretamente,
as sentenças seguintes:









O








a) Se x tende a a pela esquerda então f (x) tende a ______.
Simbolicamente:
Se x ® a - então f (x) ® ______.
b) Se x tende a a pela direita então f (x) tende a ______.
Simbolicamente:
Se x ® a + então f (x) ® ______.
c) f (a) = ______.
d) Se x ® b - então f (x) ® ______.
e) Se x ® b+ então f (x) ® ______.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 44


f) f (b) = ______.
g) Se x ® c - então f (x) ® ______.
h) Se x ® c + então f (x) ® ______.
i) f (c) = ______.

Observações:

Dada uma função definida num intervalo aberto I, com a Î I.


Para descrever o fato de que se x ® a - então f (x) ® b escrevemos:

lim f ( x) = b
x ® a-

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a a pela esquerda é igual a b)


Analogamente, para descrever que se x ® a +
então f (x) ® c
escrevemos:

lim f ( x) = c
x ® a+

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a a pela direita é igual a c)


Tais limites são denominados limites laterais esquerdo e direito,
respectivamente.
Quando os limites laterais são iguais a b dizemos que existe o limite de f
(x) no ponto a e, então escrevemos:

lim f ( x) = b
x ®a

Assim, lim 𝑓 𝑥 = 𝑏 se, e somente se lim¶ 𝑓 𝑥 = lim· 𝑓 𝑥 = 𝑏.


s→; s→; s→;

Comentários sobre o exercício 7.1.4:


1) Observe que, em f quando x ® a – (lê-se: x “tende” a a pela esquerda), f(x)
“tende” a g. Para descrever este fato em linguagem simbólica escrevemos:

lim f ( x) = g
x ® a-

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a a pela esquerda é igual a g)

Mylane dos Santos Barreto


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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 45


2) Observe que, em f quando x ® a + (lê-se: x “tende” a a pela direita), f (x)
“tende” a h. Para descrever este fato em linguagem simbólica escrevemos:

lim f ( x) = h
x ® a+

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a a pela direita é igual a h)


3) Observe que, em f quando x ® b - (lê-se: x “tende” a b pela esquerda), f
(x) “tende” a d. Para descrever este fato em linguagem simbólica escrevemos:

lim f ( x) = d
x ® b-

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a b pela esquerda é igual a d)


4) Observe que, em f quando x ® b + (lê-se: x “tende” a b pela direita), f (x)
“tende” a d. Para descrever este fato em linguagem simbólica escrevemos:

lim f ( x) = d
x ® b+

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a b pela direita é igual a d)


5) Observe que f (b) = m (a imagem de b é igual a m) é diferente dos limites
encontrados nos itens d e e.
6) Observe que, em f quando x ® c - (lê-se: x “tende” a c pela esquerda), f
(x) “tende” a j. Para descrever este fato em linguagem simbólica escrevemos:

lim f ( x) = j
x ® c-

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a c pela esquerda é igual a j)


7) Observe que, em f quando x ® c + (lê-se: x “tende” a c pela direita), f (x)
“tende” a j. Para descrever este fato em linguagem simbólica escrevemos:

lim f ( x) = j
x ® c+

(lê-se: limite de f (x) quando x “tende” a c pela direita é igual a j)


8) Observe que f (c) = j (a imagem de c é igual a j) é igual aos limites encontrados
nos itens g e h.

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 46


Conclusões:

Nos itens 1 e 2,
podemos concluir que quando
os limites laterais são
diferentes, isto caracteriza
O
geometricamente uma
descontinuidade do tipo “salto”
como ocorre na figura ao lado
em x = b.

lim f ( x) ¹ lim+ f ( x)
x ®b - x ®b

Nos itens 3, 4 e 5 podemos


concluir que quando os limites
laterais são iguais, mas
O
diferentes da imagem no ponto
de abscissa b, esse fato
algébrico revela
geometricamente uma

lim f ( x) = lim+ f ( x) ¹ f (a) descontinuidade do tipo “furo”


x ®a - x ®a
em x = b. O mesmo ocorre em x
= a na figura ao lado.

Nos itens 6, 7 e 8 podemos concluir que quando os limites laterais, no


ponto estudado, são iguais entre si e igual a imagem da função no ponto, esse
fato algébrico revela geometricamente que a função é contínua nesse ponto.




lim f ( x) = lim+ f ( x) = f (c)
x ®c - x ®c
O

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 47


7.2 Função Contínua

7.2.1 Definição
Uma função y = f (x) é contínua em x1, se, e somente se, lim 𝑓 𝑥 = 𝑓 𝑥0 .
s→sŽ

Sendo assim, para provar que f é contínua em x1 precisamos mostrar


que três condições são satisfeitas:
i) f (x1) existe;
ii) lim f (x) existe;
x ® x1

iii) lim f (x) = f (x1 ) .


x ® x1

ì-2x se x £ 1
Exemplo: Vamos verificar se f ( x) = í é contínua em x1 = 1.
î3x - 5 se x > 1

Resolução
Primeiro vamos calcular o valor de f (1). Para isso, notamos que a função
é definida por duas sentenças e que para x = 1 devemos substituir esse valor na
primeira sentença. Assim, tem-se f 1 = −2 ∙ 1 = −2.
Observemos que x = 1 divide a sentença de modo que para 𝑥 ≤ 1, o valor
deve ser calculado na primeira sentença. Portanto, o lim¶ 𝑓 𝑥 = = lim¶ −2𝑥 =
s→0 s→0
−2 ∙ 1 = −2.
Enquanto, para 𝑥 > 1, o valor deve ser calculado na segunda sentença.
Assim, lim· 𝑓 𝑥 = lim· 3𝑥 − 5 = 3 ∙ 1 − 5 = −2.
s→0 s→0
Como os limites laterais são iguais, isto é, lim¶ 𝑓 𝑥 = lim· 𝑓 𝑥 = −2 .
s→0 s→0
Então, ∃ lim 𝑓 𝑥 = −2.
s→0
Se lim 𝑓 𝑥 = 𝑓 1 = 2 então podemos dizer que a função f é contínua
s→0
em x = 1.

7.3 Exercícios de fixação

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 48

7.3.1) Dado o gráfico abaixo, determine, se existir:








O






a) lim - f ( x) l) f (2)
x ® -7

b) lim + f ( x) m) lim - f ( x)
x ® -7 x®4

c) lim f ( x) n) lim+ f ( x )
x ® -7 x®4

d) f (-7) o) lim f ( x)
x®4

e) lim - f ( x) p) f (4)
x ® -2

f) lim + f ( x ) q) lim - f ( x )
x ® -2 x®6

g) lim f ( x) r) lim+ f ( x )
x ® -2 x®6

h) f (-2) s) lim f ( x)
x®6

i) lim - f ( x) t) lim f ( x)
x®2 x®7

j) lim+ f ( x) u) f (6)
x®2

k) lim f ( x) v) f (7)
x®2

7.3.2) Considere a função f (x) = x2 e seu gráfico dado. Calcule:

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 49













O


a) f (-1) e) lim x 2
x ®1
2
b) lim x f) lim x 2
x ® -1 x ®2

2
c) lim x g) lim x 2
x ® -2 x ®3
2
d) lim x h) lim x 2
x ®0 x ® -4

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 50


8 GABARITOS

1.1.7 (p. 6)

1.1.7.1)
1<
a) 𝑥 $ + 20𝑥 + 100. f) − 𝑎$ .
1
b) 𝑥 $ − 12𝑥 + 36. g) 3𝑥 $ − 25𝑦.
c) 𝑥 $ 𝑦 $ − 0,6 𝑥𝑦 + 0,09. h) 𝑥 8 − 27.
d) 11 + 2 10. i) 4.
e) 28 − 6 3.

1.2.6 (p. 10)

1.2.6.1)

1) 𝑎 − 4 𝑎 + 4 11) − 𝑥 − 2 . 𝑥 − 3
2) 𝑎$ − 1 𝑎$ + 1 12) 2 𝑥 − 1 . 𝑥 + 3
3) 𝑎 − 3 . 𝑎$ + 3𝑎 + 9 13) 4𝑥 $ . 𝑥 + 4
4) 𝑦 + 2 . 𝑦 $ − 2𝑦 + 4 14) 𝑥 + 3 . 6𝑥 + 𝑎
5) 1 − 5𝑎$ . 1 + 5𝑎$ + 25𝑎1 15) 𝑎 + 2 𝑥 + 𝑦
6) 4𝑦 + 1 . 16𝑦 $ − 4𝑦 + 1 16) 𝑥 + 𝑦 . 2 − 𝑎
7) 𝑥𝑦 $ + 10 . 𝑥 $ 𝑦 1 − 10𝑥𝑦 $ + 100 17) 𝑥 + 1 . 𝑥 $ + 1
8) 12𝑎$ 𝑏 $ . 1 − 3𝑎$ 𝑏 $ 18) 2𝑥 − 3𝑦 $
9) 𝑥 − 4 . 𝑥 − 2 19) 𝑦 − 4 . 𝑦 $ + 4𝑦 + 16
10) 𝑥 − 1 . 2𝑥 − 1 20) 𝑎 + 5 𝑎$ − 5𝑎 + 25

1.3.1 (p. 12)

1.3.1.1)

a) D = 25 d) V = 30
0
b) ∆ = 36 e) x = ou x = − 3
$
c) IMC ≅ 26

1.3.1.2)

a) U(4, 6) = 24
b) x2 = 8
c) x2 = 2

1.3.1.3)

a) P (4, 9) = 6
b) P (16, 25) = 200
c) P (1, 4) = 40
d) P (16, 81) = 1200

Mylane dos Santos Barreto


Salvador Tavares
Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 51


1.4.3 (p. 15)

1.4.3.1)

a)
1ª. maneira:
2380 – 16% de 2380 = 2380 – 0,16 x 2380 = 2380 – 380,80 = R$ 1999,20.
2ª. maneira:
(1 – 0,16) x 2380 = 0,84 x 2380 = R$ 1999,20.
b) 0,84

1.4.3.2)

a) R$ 108,00
b) R$ 792,00

1.4.3.3)

Preço do Taxa Valor do Preço a % do


produto desconto desconto pagar preço a
pagar
R$ 984,00 25% R$ 246,00 R$ 738,00 75
R$ 357,00 8% R$ 28,56 R$ 328,44 92
R$ 500,00 15% R$ 75,00 R$ 425,00 85
R$ 800,00 30% R$ 240,00 R$ 560,00 70
R$ 430,00 10% R$ 43,00 R$ 387,00 90

1.4.3.4)

Preço do % de % de Fator de Preço


produto aumento desconto correção atualizado
R$ 145,00 12 ----------- 1,12 R$ 162,40
R$ 690,00 ----------- 2,5 0,975 R$ 672,75
R$ 1200,00 0,5 ----------- 1,005 R$ 1206,00
R$ 1350,00 ----------- 6,2 0,938 R$ 1266,30
R$ 3570,00 110 ----------- 2,1 R$ 7497,00

1.4.3.5)

Taxa unitária ou
Porcentagem
número decimal
15% 0,15
1% 0,01
5% 0,05
7,2% 0,072
25% 0,25
13,5% 0,135
32% 0,32

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 52


115% 1,15
320% 3,2
1200% 12
81% 0,81
3400% 34

1.4.3.6) 25%

2.7 (p. 22)

2.7.1)
a) b)

O O

c) d)

O
O

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 53


e) f)

g)

2.7.2)
5 3
a) m < b) m = 8 c) m =
2 2

2.7.3)
a) 10 milhões de reais b) 200 km

2.7.4)
4 7 æ 2ö 1
a) x = 1 b) x = c) Crescente d) g ç - ÷ =
3 è 5ø 5

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 54


3.6 (p. 28)

3.6.1)
a) b)

c) d)

e)

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 55


3.6.2) a = 1; c = 16

3.6.3) m > 4

3.6.4) m > 1

3.6.5) m = –1

3.6.6) v = 8

3.6.7) 25 cm2

3.6.8) m = 9

3.6.9) x = 2 e x = 4

3.6.10)
ì 11 ü ì 1ü
a) S = {–5, 0} b) S = í0, ý c) S = í0, ý
î 2þ î 3þ
ì 2 2ü
d) S = {–6, 6} e) S = í - , ý f) S = Æ
î 3 3þ
ì1 ü
g) S = {0} h) S = {-5, 3} i) S = í , 2 ý
î2 þ
j) S = {4} k) S = Æ l) S = {-6, 3}
ù 1 é
m) S = ]-¥, -5[ È ]2, +¥[ n) S = [ -1, 5] o) S = ú - , 0 ê
û 2 ë

4.5 (p. 36)

4.5.1)
-3,4 -2,7 -3,5 0,29
æ2ö æ2ö æ5ö æ4ö
a) 23,5
>2 2,79
b) 0,7 239
> 0,7 301
c) ç ÷ >ç ÷ d) ç ÷ <ç ÷
è7ø è7ø è4ø è5ø

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 56


4.5.2)
a) b)

O O

c) d)

O
O

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 57


e) f)

g) h)

4.5.3)
a) b)

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 58


c) d)

O O

e)

4.5.4)
a) lim g ( x) = +¥ lim g ( x) = 1 b) lim h( x) = +¥ lim h( x) = -3
x® +¥ x® -¥ x® +¥ x® -¥
1
c) lim t ( x) = 2 lim t ( x) = +¥ d) lim y = +¥ lim y =
x® +¥ x® -¥ x® +¥ x ® -¥ 2
e) lim y = +¥ lim y = -2
x® +¥ x® -¥

4.5.5)
1
a) y = 1 b) y = –3 c) y = 2 d) y = e) y = –2
2
4.5.6) S = {–3, 1}

4.5.7) a) Aproximadamente 12298 bactérias b) Aproximadamente 30248


bactérias

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 59


5.5 (p. 42)

11
5.5.1) -
2

5.5.2) a) 1,0791 b) Aproximadamente 1,585 c) 0,1761 d) 0,699

5.5.3)
a) S = {–2, 5} b) S = {–2, 4}
c) S = [ -1, 0[ È ]4, 5] d) S = [1, 2[ È ]3, 4]
e) S = {3} f) S = ]6, +¥[
ù 1 é
g) S = [3, +¥[ h) S = ú - , 3ê
û 2 ë
ù1 é
i) S = ú , 5ê j) S = ]2, 4[
û2 ë

6.1 (p. 43)

6.1.1)
6.1.1.1)
2
a) –2 b) c) 2 d) 2 e) 0,023
3
f) –3 g) 0 h) 3 i) –0,5 j) 1

6.1.1.2) 6.1.1.3)

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Fundamentos de Matemática – Notas de Aula 60


6.1.2)
a) b)

O
O

7.1 (p. 44)

7.1.1)
a) 3,24 b) 3,4225 c) 3,61 d) 3,8416 e)
3,9204
f) 4,41 g) 4,0401 h) 4,004001 i) 4,00040001 j) 4

7.1.2) a) 4 b) 4

7.1.3)
a) 2 b) –3 c) –1 d) 3 e) 3
f) 0 g) 4 h) 4 i) 4

7.1.4)
a) g b) h c) g d) d e) d
f) m g) j h) j i) j

7.3 (p. 50)

7.3.1)
a) 2 b) 2 c) 2 d) 2 e) 4
f) –3 g) Não existe h) 1 i) 3 j) 3
k) 3 l) –3 m) 5 n) –4 o) Não existe
p) 5 q) –1 r) –1 s) –1 t) 0
u) –1 v) 0

7.3.2)
a) 1 b) 1 c) 4 d) 0
e) 1 f) 4 g) 9 h) 16

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