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INDICE ANALÍTICO

INDICE ANALÍTICO____________________________________________________________1

Introdução______________________________________________________________________2

A Essência da Natureza do Homem__________________________________________________3

Questões Propostas_______________________________________________________________3

O que a Bíblia quer dizer com “alma” e “espírito”? Será que são a mesma coisa?___________3

De quantas partes compõe-se o homem? Explique usando bases bíblicas.__________________4


O dicotomista se baseia:..................................................................................................................................4
O que dizem os que defendem a idéia Dicotomista? Cite os principais defensores dessa idéia e
as referências bíblicas usadas por eles._______________________________________________6
Franklin Ferreira e Alan Myat.........................................................................................................................6
Henry Clarence Thiessen ...............................................................................................................................8
Tácito da Gama Leite Filho.............................................................................................................................8
Augustus Hopkins Strong ...............................................................................................................................9
Wayne Grudem .............................................................................................................................................10
O Novo Dicionário da Bíblia.........................................................................................................................11
O Dicionário Bíblico Wycliffe......................................................................................................................11
O que dizem os que defendem a idéia Tricotomista? Cite os principais defensores dessa idéia
e as referências bíblicas usadas por eles._____________________________________________12
São conhecidos como defensores da Teoria Tricotomista: ...........................................................................14
E você, o que diz sobre a essência da natureza humana? Explique usando base bíblica. _____14

Conclusão______________________________________________________________________15

Bibliografia____________________________________________________________________16
Introdução
Este trabalho tem por finalidade examinar a Essência
da Natureza do Homem, dentro da Teologia
Sistemática, na doutrina que lhe é peculiar e cuja
nomenclatura denomina-se por Antropologia Bíblica.
Abordará as duas teorias que se propõe a explicar
como se dá a formação do homem, bem como as bases
bíblicas usadas em defesa de ambas. Verdade é que,
todos concordam que o homem tem tanto uma
natureza material como uma imaterial. Sua
natureza material é seu corpo; sua natureza
imaterial é sua alma, seu espírito. Surge a
questão: o homem é um ser duplo ou tríplice? O
espírito e a alma são uma só e a mesma coisa ou
devemos diferenciá-los um do outro? Aqueles
que acreditam que a alma e espírito são uma só
coisa são chamados de dicotomistas; os que
afirmam que não são a mesma coisa são
chamados de tricotomistas. Passemos agora a
examinar a exposição e as diferentes opiniões
defendidas por alguns autores a respeito deste
assunto.

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A Essência da Natureza do Homem

Questões Propostas

O que a Bíblia quer dizer com “alma” e “espírito”? Será


que são a mesma coisa?
As Escrituras usam “alma” e “espírito” indistintamente.
Quando analisamos o uso das palavras bíblicas traduzidas como “alma”
(heb. nephesh e Gr. psyche) e “espírito” (heb. ruach e Gr pneuma),
parece-nos que às vezes são usadas indistintamente. Por exemplo, em
João 12.27, diz Jesus: “agora, está angustiada a minha alma”, enquanto
num contexto muito parecido, no capítulo seguinte, João diz que Jesus
“angustiou-se [...] em espírito (João 13.21). Do mesmo modo, lemos as
palavras de Maria em Lucas 1.46-47: “A minha alma engrandece ao
Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu salvador.”

Esse parece um exemplo bem evidente de paralelismo hebráico, o


artifício poético em que a mesma idéia é repetida com o uso de palavras
diferentes, mas sinônimas. Essa indistinção de termos também é
explicada por que as pessoas que morreram e foram para o céu ou para o
inferno podem ser chamadas de espíritos (Hebreus 12.23, “espíritos dos
justos aperfeiçoados”; também 1ª Pedro 3.19, “espíritos em prisão”) ou
“almas” (Apocalipse 6.9, “as almas daqueles que tinham sido mortos por
causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam”;
20.4 “as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus”).

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De quantas partes compõe-se o homem? Explique usando
bases bíblicas.
O homem é composto de duas partes, sendo uma delas material que
é o corpo e outra imaterial, que é chamada de “alma” ou “espírito”. O
homem é tido tanto como “corpo e alma” quanto como “corpo e
espírito”. Jesus nos exorta a não temer aqueles que “matam o corpo e
não podem matar a alma”, mas sim “aquele que pode fazer perecer no
inferno tanto a alma como o corpo” (Mt 10.28). Aqui a palavra “alma”
claramente se refere à parte da pessoa que persiste após a morte. Não
pode significar “pessoa” ou “vida”, pois não faria sentido falar daqueles
que “matam o corpo e não podem matar a pessoa”, ou “que “matam o
corpo e não podem matar a vida”, a menos que haja algum aspecto da
pessoa que continue vivo depois da morte do corpo.

O dicotomista se baseia:

a) Na criação, quando o corpo tornou-se possuído e vitalizado com a


inspiração do sopro: corpo e alma, e nada mais.

b) No testemunho da consciência, que segundo eles é favorável ao


dicotomismo. A isto podemos acrescentar que o consciente testifica que
há dois elementos no ser humano; podemos distinguir uma parte material
e uma imaterial. Mas o consciente de ninguém consegue distinguir entre a
alma e o espírito.

c) No uso intercambiável dos termos alma e espírito, no Antigo e em


o Novo Testamento: Gn 41.8; SI 42.6: Jo 12.27; 13.2; Mt 20.28; At 7.59; Lc
8.55.

d) Na morte, descrita como entrega do espírito ou alma a Deus: SI


31.5; Lc 23.46; At 7.59, Ap 6.9.

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e) Pelo fato de o lugar mais elevado na religião ser atribuído à alma
(Marcos 12:30; Lucas 1:46; Hb. 6: 18-9; Tiago 1:21).

f) Pelo fato de se falar do corpo e da alma (ou espírito) como


constituindo o todo do homem (Mt. 10:28; 1ª Co. 5:3; 3ª João 2) e que
perder a "alma" é perder tudo (Mt. 16:26; Marcos 8:36, 37).

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O que dizem os que defendem a idéia Dicotomista? Cite os
principais defensores dessa idéia e as referências
bíblicas usadas por eles.
Franklin Ferreira e Alan Myat

Em seu livro Uma Análise Histórica, Bíblica, e Apologética Para o

Contexto Atual, em defesa da Teoria Dicotomista e refutando a Teoria


Tricotomista eles dizem:

Alguns teólogos e escritores populares fazem distinção entre o


espírito e a alma, fundamentados em Hebreus 4.12 e 1ª Tessalonicenses
5.23. Provavelmente o autor mais popular que ensina esta doutrina talvez
seja Watchman Nee, o místico chinês. Segundo Nee, o espírito é aquela
parte do homem que se relaciona com Deus, e a alma é a parte que tem o
intelecto, as emoções e a vontade. Ele, como os demais tricotomistas,
criou uma hierarquia, colocando o espírito no lugar mais alto, a alma no
meio e o corpo por último. Isso soa parecido com as teorias gnósticas que
criaram uma hierarquia do Ser, colocando os elementos espirituais na
parte de cima, num lugar de maior valor.

Uma implicação desta teoria é que Deus não se relaciona com o ser
humano por meio da mente, mas por meio de uma intuição mística.
Através da intuição, a mente pode conhecer a mente de Deus diretamente
e receber a orientação divina. O espírito também experimenta comunhão
com Deus, muito mais profunda do que pode ser experimentada por meio
da mente. Finalmente, o espírito tem uma consciência que convence a
pessoa do bem e do mal. É importante ter em mente que, segundo
Watchman Nee, tudo isso acontece sem o uso do intelecto, que só pode
operar na alma. Sendo inferior, o intelecto não é confiável.

O problema com tudo isso é que não é possível se relacionar com


Deus sem o intelecto, a não ser que a experiência se torne um misticismo

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sem conteúdo. Neste caso, não seria possível conhecer a Deus, e é difícil
entender como alguém possa receber orientação de Deus sem usar o
intelecto! Mesmo que as emoções façam parte da alma, como na teoria de
Nee, o que acontece no nível prático é que, ao eliminar o intelecto do
relacionamento com Deus, as emoções ficam no controle de tudo. As
intuições, então, são apenas sentimentos e, de repente, a intuição pode
ser identificada com a voz de Deus, mesmo que Deus não tenha falado
palavra nenhuma. O grande perigo deste sistema é que ele desvaloriza
fortemente o raciocínio. Até o estudo da Bíblia fica num lugar inferior ao
das intuições. Portanto, a experiência se torna o critério último para
determinar a verdade. Para evitar o caos que resultaria da prática desta
teoria, Nee ensinou a submissão absoluta dos crentes aos anciões da
igreja.

Os tricotomistas não conseguiram provar, com base na Bíblia, que


existam três substâncias distintas no ser humano. Nosso estudo das
palavras alma, espírito e coração, no Antigo Testamento e Novo
Testamento, mostra nitidamente que elas são empregadas para descrever
uma única substância espiritual, que é o homem interior. O conceito deste
homem interior abrange o intelecto, a vontade e as emoções. É essa parte
do ser humano que o capacita a se relacionar com Deus e com outros
seres humanos. Então, quando o apóstolo expressou seu desejo de que
Deus santificasse o povo em "espírito, alma e corpo" (1 Ts 5.23), a
menção de espírito e alma é mais bem interpretada como um exemplo de
paralelismo. O paralelismo é um recurso da linguagem hebraica para
enfatizar um ponto, neste caso, o ponto de que a pessoa interior toda seja
santificada. Quando o autor de Hebreus disse que a palavra de Deus
divide a "alma e espírito" (Hb 4.12) isto é uma imagem que mostra que a
Palavra vai até a parte mais profunda de nossos pensamentos e emoções.
É evidente que o método de interpretação dos tricotomistas está
equivocado. Se aplicarmos este método a Marcos 12.30, podemos concluir
que o ser humano tem quatro partes: coração, alma, entendimento e
força. Isto obviamente é falso. A melhor interpretação é entender o uso
destas palavras com o intuito de enfatizar que devemos amar a Deus com
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todo o nosso ser. Quanto à constituição da natureza humana, a evidência
bíblica demonstra que não existe nenhuma distinção entre o espírito e a
alma.

Henry Clarence Thiessen

Em seu livro Palestras em Teologia Sistemática, acerca da Dicotomia


ele diz:

Esta teoria é sustentada por diversos fatos. Primeiro pelo fato de Deus
ter soprado no homem um só princípio, a alma vivente. (Gn. 2:7). Em Jó
27:3, "vida" e "espírito" parecem ser usados intercambiavelmente; cf.
33:18. Em segundo lugar, pelo fato dos termos "alma" e "espírito"
parecerem ser usados intercambiavelmente em algumas referências (Gn.
41:8 e SI. 42: 6; João 12:27 e 13:21; Mt. 20:28 e 27:50; Hb. 12:23 e Ap.
6:9). Em terceiro lugar, pelo fato de tanto o "espírito" quanto a "alma"
serem atribuídos à criação irracional (Ec. 3:21; Ap. 16:3). Mas como
Pardington observa: "Acredita-se que o princípio vivente nos animais
irracionais (alma ou espírito) seja irracional e mortal; no homem, racional
e imortal". Em quarto lugar, pelo fato da "alma" ser atribuída ao Senhor
(Amos 6:8, lit. "por sua alma"; Jr. 9:9; Is. 42:1; 53:10-12; Hb. 10:38). Em
quinto lugar, pelo fato de o lugar mais elevado na religião ser atribuído à
alma (Marcos 12:30; Lucas l: 46; Hb 6. 18-9; Tiago l: 21). E em sexto lugar,
pelo fato de se falar do corpo e da alma (ou espírito) como constituindo o
todo do homem (Mt. 10:28; I Co. 5:3; 3 Jo 2) e que perder a "alma" é
perder tudo (Mt. 16:26; Marcos 8:36, 37). A isto podemos acrescentar que
o consciente testifica que há dois elementos no ser humano; podemos
distinguir uma parte material e uma imaterial. Mas o consciente de
ninguém consegue distinguir entre a alma e o espírito.

Tácito da Gama Leite Filho

Em seu livro O Homem em

três tempos – Uma Introdução à Antropologia Cristã, acerca da dicotomia ele


diz que:

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O dicotomismo emprega o termo alma falando da relação da vida do
homem para com as coisas terrenas. O homem foi comparado a uma casa
de dois andares, tendo no segundo duas janelas: uma que dá para
contemplar o mundo (alma) e outra que dá para contemplar o céu
(espírito).

Augustus Hopkins Strong

Em sua obra Teologia


Sistemática - Edição Revista e Ampliada, Volume 2, em defesa da teoria
Dicotomista ele diz:

Concluímos que a parte imaterial do homem, vista como uma vida


individual e consciente, capaz de possuir e animar um organismo físico
chama-se alma (psyche), vista como um agente racional e moral
suscetível de influência e habitação divina chama-se espírito (pneuma).
Espírito, então, é a natureza do homem com os olhos voltados para Deus e
capaz de receber e manifestar o Espírito Santo. Alma (psyche) é a
natureza do homem com os olhos voltados para a terra e tocando o
mundo dos sentidos. Espírito (pneuma) é a parte mais elevada do homem
relacionada com as realidades espirituais ou capaz de tais relações; a
alma (psyche) é a parte mais elevada do homem, relacionada com o corpo
ou capaz de tal relação. Portanto, o homem não é tricotômico, mas
dicotômico, e sua parte imaterial, conquanto tenha dualidade de poderes,
tem unidade de substância.

A natureza do homem não é uma casa de três andares, mas de dois,


com janelas no superior, apontando para duas direções — a terra e o céu.
O andar inferior é a nossa parte física - o corpo. No entanto, "o andar
superior" do homem tem dois aspectos; há um panorama das coisas
inferiores e uma clarabóia pela qual se vêem as estrelas. "A alma", diz
hovey, "é o espírito modificado pela união com o corpo".

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Wayne Grudem

Em sua obra Teologia


Sistemática – Atual e Exaustiva, em parte de sua defesa da teoria
Dicotomista faz uma observação interessante:

A “alma” pode pecar, ou o “espírito” pode pecar. Aqueles que


defendem a tricotomia geralmente concordam que a “alma” pode pecar,
pois crêem que a alma inclui o intelecto, as emoções e a vontade. (vemos
que nossa alma pode pecar em versículos como 1ª Pe 1.22; Ap 18. 14.)

O tricotomista, porém, geralmente considera que o “espírito” é mais


puro do que a alma e, quando renovado, livre do pecado e sensível ao
chamado do Espírito Santo. Essa concepção (que às vezes se insinua na
pregação e nos escritos cristãos populares) não encontra realmente apoio
no texto bíblico. Quando Paulo encoraja os coríntios a se purificar “de toda
impureza, tanto da carne como do espírito” (2º Co 7.1), ele sugere
nitidamente que pode haver impureza (ou pecado) no espírito. Ele cita
várias outras passagens semelhantes que dão a mesma idéia: 1ª Co 7.34;
Pv 16.18; Ec 7.8; Is 29.24; Dn 5.20; Pv 16.2; Sl 78.8, 32.2, 51.10.
Finalmente, o fato de as Escrituras aprovarem aquele “que domina seu
espírito” (Pv 16.32) implica que nosso espírito não é simplesmente a parte
espiritualmente pura da nossa vida, que deve ser acatada sempre, mas
que também pode ter inclinações ou desejos pecaminosos.

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O Novo Dicionário da Bíblia

Ao definir o termo Rüach (Espírito), traz a seguinte conclusão: Nem o


emprego que o Antigo Testamento faz nem o que aparece no Novo
Testamento justificam o conceito da constituição humana como uma
tricotomia.

O Dicionário Bíblico Wycliffe

Em uma definição da Antropologia Bíblica, traz a seguinte explicação


em defesa da Dicotomia:

A natureza do homem. O homem é a mais elevada das criaturas de


Deus, além dos anjos (SI 8.5-8; Hb 2.6-9). Ele é a consumação da criação
de Deus, e recebe o domínio sobre a terra e a incumbência de dominá-la
(Gn 1.26,27). Para a salvação dos seres humanos, e somente deles, Deus
enviou o seu filho único, o seu primogênito, para redimi-los na cruz.

O homem tem, por natureza, ao menos duas partes. É composto de


corpo e também de alma ou espírito. Os anjos têm uma só parte, e são
puramente espírito. A visão tricotomista de que o homem é dividido em
três partes — espírito, alma e corpo - é baseada principalmente em l
Tessalonicenses 5.23, "todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam
plenamente conservados irrepreensíveis..." e em Hebreus 4.12, "penetra
até à divisão da alma, e do espírito". À luz de outras passagens das
Escrituras, estas aparentes distinções entre alma e espírito podem ser

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mais bem explicadas como diferenças de função ou aspectos da
personalidade da parte não material do homem.

O que dizem os que defendem a idéia Tricotomista? Cite


os principais defensores dessa idéia e as referências
bíblicas usadas por eles.
Os que adotam a posição tricotomista buscam apoio em varias
passagens das Escrituras. Relacionamos abaixo as mais comumente
usadas.

1) 1ª Tessalonicenses 5.23. "O mesmo Deus da paz vos santifique em


tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros
e irrepreensíveis na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts 5.23).
Esse versículo porventura não fala claramente que o homem tem
três partes?
2) Hebreus 4.12. "A palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante
do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de
dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os
pensamentos e os propósitos do coração.” (Hb 4.12). Se a espada
das Escrituras divide a alma e o espírito, esses não seriam então
elementos distintos do homem?
3) 1ª Coríntios 2.14-3.4. Essa passagem trata de diferentes tipos de
pessoas, daqueles que são “carnais” (gr. sarkinos, 1 Co 3.1); do
que é "não espiritual" (gr. psyçhikos, lit. “almal”, 1Co 2,14); e
daquele que é "espiritual" (gr. pneumatikos, 1Co 2.15). Acaso

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essas categorias não sugerem tipos diferentes de pessoas - os não
cristãos “carnais”, os cristãos “naturais”; que seguem os desejos
da alma e os cristãos mais maduros que seguem os do espírito?
Será que isso não sugere que alma e espírito são elementos
distintos da nossa natureza?
4) 1ª Coríntios 14.14. Quando Paulo diz: "Se eu orar em outra língua,
o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera"
(1Co 14.14), não sugere ele que a mente faz algo diferente do
espírito, e não sustentaria isso o argumento tricotomista de que a
mente e o pensamento devem ser atribuídos à alma, não ao
espírito?
5) O argumento da experiência pessoal. Muitos tricotomistas dizem
que têm uma percepção espiritual, uma consciência espiritual da
presença de Deus, que os afeta de modo que eles sabem ser
diferente do pensamento comum e também das emoções.
Perguntam eles: "Se eu não tenho um espírito distinto dos meus
pensamentos e das minhas emoções, então o que exatamente é
isso que sinto ser diferente dos meus pensamentos e das minhas
emoções, algo que só posso descrever como adoração a Deus em
espírito e como percepção da sua presença no meu espírito?
Porventura não há algo em mim maior, do que meramente meu
intelecto, minhas emoções e minha vontade, e não deve isso se
chamar espírito?
6) É nosso espírito que nos faz diferentes dos animais. Alguns
tricotomistas argumentam que os homens e animais têm alma,
mas sustentam que é a presença do espírito que nos faz diferentes
dos animais.
7) O espírito é aquilo que recebe vida na regeneração. Os
tricotomistas afirmam que, quando nos tornamos cristãos, nosso
espírito recebe vida: "Se, porém, Cristo está em vós, o corpo na
verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida,
por causa da justiça “ (Rm 8.10).

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São conhecidos como defensores da Teoria Tricotomista:

⇒ Watchman Nee;
⇒ João Damasceno (representante deste pensamento na Igreja
Oriental, que igualmente defendia a tricotomia).
⇒ Orígenes

E você, o que diz sobre a essência da natureza humana?


Explique usando base bíblica.
Devo admitir que, defendia apenas por tradição algo que eu
desconhecia. Posto que, afirmava ser tricotomista, desde os dias que
remontam ao início da minha conversão sem, contudo, conhecer com
propriedade os “dois lados da moeda”. Aceitava que os seres humanos
eram formados por três elementos distintos. Corpo, alma e espírito e
ainda, que a alma se inclinava para “os desejos carnais” e o espírito
para as “coisas de Deus”, embora não pudesse compreender como se
dava essa separação das duas substancias imateriais em meu ser.

Entretanto, ao perceber, que essa é uma questão que realmente


divide opiniões e, procurando ter uma posição firme a este respeito,

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inclusive por ocasião do desenvolvimento deste trabalho extraclasse, foi-
me necessário que, por meio de um exame cuidadoso das Escrituras ante
o exposto pelas duas teorias, eu pudesse definir qual delas se encaixasse
melhor aos ensinamentos bíblicos.

Já agora, passando a examinar melhor as passagens citadas neste


estudo e a argumentação em defesa da Dicotomia, visto também que
quase a totalidade dos teólogos e estudiosos da bíblia, principalmente os
mais respeitados também a defendem, tenho-me inclinado com total
disposição a esta linha de pensamento, por considerá-la mais
substancialmente bíblica. Basicamente minha mudança de opinião deu-se
pelo fato de concordar que o uso intercambiável dos termos alma e
espírito, no Antigo no Novo Testamento: Gn 41.8; SI 42.6: Jo 12.27; 13.2;
Mt 20.28; At 7.59; Lc 8.55, prova que tudo o que se diz que a alma faz,
diz-se que o espírito também faz e tudo que se diz que o espírito faz, diz-
se que a alma também faz. E ainda, pelo testemunho da consciência, que
nos mostra que o consciente testifica que há dois elementos no ser
humano; podemos distinguir uma parte material e uma imaterial. Mas o
consciente de ninguém consegue distinguir entre a alma e o espírito,
embora os tricotomistas afirmem tê-la em certo ponto. E por último, pelo
fato de se falar do corpo e da alma (ou espírito) como constituindo o todo
do homem (Mt. 10:28; 1ª Co. 5:3; 3ª João 2) e que perder a "alma" é
perder tudo (Mt. 16:26; Marcos 8:36, 37).

Conclusão

O homem é formado de duas partes, sendo uma parte material, que


é o seu corpo físico, e uma parte imaterial, que é o seu corpo espiritual. O
seu corpo espiritual é chamado de alma, quando se trata das relações
humanas em sociedade, suas habilidades intelectuais, suas faculdades
psíquicas e sua existência enquanto ser racional que conhece e interage

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com o mundo visível a sua volta. Já quando voltamos nossos olhos para o
homem em relação ao seu Criador, denomina-se a sua parte imaterial
como espírito, que é regenerado ao receber o Espírito Santo por ocasião
da conversão e prossegue dia após dia aperfeiçoando-se mediante o
conhecimento de Deus através da espiritualidade Cristã desenvolvida por
meio da Palavra de Deus e da intimidade com Ele. (Hebreus 12.23).

Embora existam duas linhas distintas de pensamento no que


diz respeito à Essência da Natureza do homem, concluímos que apenas a
Teoria Dicotomista sobreviveu ao exame cuidadoso das passagens bíblicas
e responde aos padrões da percepção que o homem próprio homem tem
de sua porção imaterial. Sendo assim, não há razão para concordarmos
com a teoria Tricotomista, uma vez que, mostrou-se falha, contraditória e
insuficiente e não resiste ao exame à luz das Escrituras Sagradas.

Concluímos também que, no que diz respeito às passagens de


Hebreus 4.12 e 1ª Tessalonicences 5.23, os dois termos foram usados com
o intuito de reforçar a idéia, com o uso dos paralelismos hebraicos,
artifício poético muito comum aos escritores bíblicos.

Bibliografia

O Homem em Três Tempos, LEITE Filho - Tácito da Gama, São Paulo


- CPAD 1982 - 8ª Ed.

Página 16
Teologia Sistemática: Uma Análise Histórica, Bíblica, e Apologética
Para o Contexto Atual, FERREIRA – Franklin/ MYATT, Alan - São Paulo –
Vida Nova, 2007.

THIESSEN, H Clarence, W. Palestras em Teologia Sistemática. Editora


Batista Regular, 1997.

GRUDEM, Wayne, Teologia Sistemática – Atual e Exaustiva. Editora


Vida Nova, 1999.

STRONG, Augustus Hopkins, Teologia Sistemática – Edição Revista e


Ampliada – Volume 2. Editora Hagnos – 2007.

VINE, W. E.; UNGLER, M. F.; WHITE, W. Dicionário Vine. Rio de


Janeiro. CPAD, 2006.

Novo Dicionário da Bíblia, O – J. D. Douglas, São Paulo. Vida Nova


1995.

Página 17

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