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T. Acolhei-vos uns aos outros 03.04.

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T. Romanos 15:7
I. Existem traduções que trazem: Recebei-vos ou Aceitai-vos uns aos outros.
Nenhum outro grupo da época era igual à Igreja Primitiva quanto à mistura de
raças, de formações religiosas e de classes sociais. Ali, na mesma igreja se encontravam
judeus, bárbaros, gregos, escravos e livres, ricos e pobres, sábios e ignorantes. Rm 1:14
Essas pessoas traziam para dentro da Igreja, do Corpo de Cristo, as mais
variadas formações educacionais e culturais, diferentes pontos de vista sobre a vida e
escalas de valores.
Havendo essa miscigenação, era inevitável que surgissem problemas, e muitos.
Os cristãos judaicos muitas vezes desprezavam os incircuncisos, os gentios por não
serem descendência de Abraão. Alguns cristãos eram mais avançados no conhecimento
dos fatos e doutrinas, portanto, se consideravam superiores aos mais novos e fracos. Por
essas e outras razões surgiam tensões entre indivíduos e grupos dentro da Igreja. Tão
fortes eram essas tensões que muitas vezes era muito difícil se aceitarem em perfeito pé
de igualdade. Paulo reconhecendo essa realidade dentro das Igrejas, pela preocupação
que tinha por todas, como diz em II Coríntios 11:28 e anelando que não somente se
amassem, orientado pelo Espírito, dá esse mandamento.

O mandamento – ”Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu para
glória de Deus”. Não como meu pai me ensinou ou como aprendi na escola, mas, como

O significado – Significa que devo aceitar, receber os nossos irmãos em Cristo,


livremente, sem constrangimentos ou reservas, em pleno reconhecimento da minha fé e
comunhão igual e mútua em Cristo. A idéia principal do mandamento é que eu devo
aceitar para dentro da comunhão toda pessoa que afirma ser Cristo o Seu Senhor,
mesmo existindo falhas visíveis na sua conduta, lacunas no seu conhecimento ou
compreensão das Escrituras, ou mesmo diferença de opinião sobre pontos menos
essenciais da doutrina.
Isto não quer dizer que devo aprovar seus pecados, falhas, lacunas ou
divergências. Quer dizer que o aceito como pessoa, como discípulo de Cristo, como
afirma sê-lo, com o propósito de ensiná-lo a “guardar todas as coisas” que o Senhor
Jesus ordenou.
Pode ser que venhamos a descobrir depois, que admitimos um falso irmão; ou
que ele se ponha deliberadamente em rebeldia contra a vontade do Senhor e num desses
casos, tenha que ser excluído. Não aconteceu com Judas Iscariotes? Com Alexandre,
Himeneu e tantos outros que vemos no Novo Testamento?
Mas a Bíblia não me autoriza a rejeitar aqueles que procuram unir-se ao Corpo,
ao meu grupo, a fim de criar uma imagem de infalibilidade na admissão de membros,
nem descartar aqueles que são fracos, que se escandalizam. O mandamento para a Igreja
é: Acolhei ao que é débil na fé; uns aos outros, não se torne motivo de escândalo.

Exemplos: Filemom 15-17 – “Se, portanto, me consideras um irmão na fé, recebe-o


como se fosse a mim mesmo”.
III João 9- 11 – “....Diótrefes não nos dá acolhida. ....nem ele acolhe os
irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da Igreja”.
Atos 9:26 – “Paulo procurou juntar-se com os discípulos; todos, porém, o
temiam, não acreditando que fosse discípulo”.
No contexto que Paulo escreveu aos romanos, observamos alguns princípios:
aceitar significa não julgar o outro em assuntos que não são considerados pecado (Rm
14.1-3); aceitar significa suportar as debilidades dos mais fracos (Rm 14.20-21; 15.1);
aceitar significa não fazer acepção de pessoas (Rm 12.16; Tg 2.1). Assim, acolher
significa aceitar o outro como ele é. Significa acolhermos os nossos irmãos em Cristo,
livremente, sem constrangimento ou reservas, em pleno reconhecimento da nossa
comunhão igual e mútua em Cristo.
Quando pensamos em cultuar, prestar serviço de culto ao Senhor, pensamos em
celebrar ao Cristo que vive eternamente em nós e por nós. Isto significa que para um
culto ter o seu êxito é preciso refletir em como acolhemos e somos acolhidos. Se
tivermos como exemplo uma festa em nossa casa, nós nos preocupamos com cada um
para que não fique sozinho e se está sendo bem atendido ou perguntamos ainda em que
podemos ajudar. A atenção e o cuidado que acolho é que me faz sentir bem.
O que ouvimos das pessoas é: Hoje em dia o povo vai onde se sente bem e ali
permanece, portanto, a atitude de acolhimento evangélico requer tino, sensibilidade e,
acima de tudo disponibilidade em atender de forma criativa a pessoa.
Precisamos ser uma Igreja acolhedora. Você é a Igreja. As pessoas verão em
nós a Igreja de Jesus. Se não gostarem de nós, será que gostarão da Igreja? A acolhida
envolve todas as pessoas que compõem a Igreja. Não é tarefa da liderança, mas de
todos. Acolha bem os que estiverem próximo de você. Mateus 25:35 disse Jesus: eu era
estrangeiro e me acolhestes.
Nem eu nem você temos nada que nos gloriar, ufanar, porque tudo o que temos e
somos é fruto da graça de Deus. A minha e a tua natureza é corrupta, mas justamente
por Jesus ter me acolhido assim, quando ainda era pecador, perdido, que devo aceitar e
acolher o outro. Não como cortesia ou delicadeza externa, mas com a mesma
compaixão e amor com que Jesus veio ao meu encontro.

Já me senti acolhido por pessoas e grupos? Já me senti rejeitado?


Quando a Igreja de Jerusalém não quis acolher Paulo, o que fez Barnabé? Atos
9:27.

Advertência - A Bíblia proíbe ao crente acolher:


* pessoa que se diz irmão, mas que ensina uma doutrina contrária ao evangelho
de Cristo. II João 10 – “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o
recebais em casa, nem lhe deis as boas vindas”
* o irmão excluído da igreja por rebeldia, tem de manifestar arrependimento
antes que possa ser novamente acolhido. I Coríntios 5:11-13.

Tome os seguintes passos:

1. Reconheça o seu pecado em relação aos outros irmãos (1Jo 1.9);

2. Procure um irmão da Igreja que você tem dificuldades em aceitar e procure


demonstrar amor e consideração ao mesmo;

3. Faça todo esforço para desenvolver interesse sincero pelos seus irmãos;

4. Não cobre dos outros aquilo que você não está fazendo, no tocante ao acolhimento e
ao amor fraternal.