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Análise Social

João Madeira (coord.), Irene mente, noutros apartes fazem-se in-


Flunser Pimentel, Luís Farinha, cursões parciais nos arquivos e me-
Vítimas de Salazar. Estado Novo e mórias, de forma a dar um retrato
Violência Política, Lisboa, Esfera impressionista de aspectos que ainda
dos Livros, 2007, 452 páginas. merecem uma investigação mais pro-
funda. Na sua maioria, o texto
centra-se na dimensão humana e
Vítimas de Salazar é um livro de narra as vivências das vítimas da
história, escrito por historiadores es- repressão.
pecialistas no seu trabalho, que apre- A comunidade académica está de
senta um amplo panorama das práti- parabéns com a publicação deste li-
cas para acabar com a dissidência vro. Ele coloca nas mãos dos cida-
política e a contestação social por dãos e investigadores muita informa-
parte do Estado Novo. É também um ção que dá a conhecer melhor o
livro que representa um compromisso Estado Novo e seus métodos para
cívico contra o branqueamento da acabar com a dissidência política e
memória da ditadura salazarista. Em social. Por outro lado, trata-se de um
dezassete capítulos percorre toda livro muito clássico de história so-
uma série de práticas violentas e de cial, no qual não se incluem nem as
atropelo de direitos cuja quantidade preocupações metodológicas nem as
corta a respiração: a censura, as es- novas questões que, na historiografia
cutas telefónicas e a violação de cor- internacional, têm nos últimos vinte
respondência, a denúncia, a tortura, anos renovado o estudo das práticas
os julgamentos políticos, as medidas repressivas do período entre guerras
de segurança que deixavam os pre- e pós-guerra. O livro fala da vivência
sos políticos sem tutela judicial, as das vítimas e em alguns casos fica-
limpezas na função pública, as de- -se com a ideia de que apenas exis-
portações e o exílio, os campos de tia, de um lado, o regime e, do outro,
prisioneiros, a repressão de greves e as suas vítimas. Não são suficiente-
manifestações estudantis, a impuni- mente exploradas as atitudes toma-
dade da PIDE e da Legião Portugue- das contra a violência do Estado por
sa, a fraude eleitoral, as intervenções parte do resto da população: os que
da polícia de choque contra os ma- denunciavam; os que sabiam e justi-
nifestantes na rua e as mortes violen- ficavam; os que sabiam e calavam.
tas de activistas às mãos da polícia. Pode fazer-se uma radiografia da fi-
Em alguns casos, os capítulos bra moral da sociedade portuguesa
resumem os resultados de anos de nos anos da ditadura?
investigação, como os de Irene Para mais, do ponto de vista in-
Pimentel sobre a PIDE; noutros é terpretativo global, o livro apresenta
reunida e actualizada a informação problemas. No prefácio, Fernando
1128 que se encontrava dispersa. Final- Rosas adiantou-se às críticas previ-
Recensões

síveis, sublinhando a centralidade da referências comparativas que se en-


memória e das batalhas para o signi- contram no texto servem para situar
ficado do presente na construção do a ditadura portuguesa no grupo dos
discurso histórico. E tem razão ao regimes fascistas do período entre
assinalar que, imediatamente após o guerras, mas sem ser de modo siste-
25 de Abril de 1974, a mobilização mático. Além disso, não existe qual-
contra o aparato de Estado da dita- quer comparação com as práticas
dura foi feita em nome da ruptura repressivas de outro tipo de regimes.
com a violência repressiva, ruptura Essa comparação seria enriquecedo-
essa que se tornou uma referência de ra, não tanto para relativizar ou bana-
legitimação para a construção de lizar a violência do Estado Novo, e
uma nova ordem democrática. Mas menos ainda para avaliar se seria
talvez hoje o livro, pela forma como mais cruel ou mais benévolo do que
aborda o problema dos abusos da outros regimes, mas apenas para fa-
força por parte do Estado, dificulte zer aflorar a centralidade e generali-
uma reflexão histórica sobre a relação dade da violência na experiência po-
entre segurança e liberdade e a lítica contemporânea e os problemas
melhoria da qualidade da democracia. que se colocam a uma concepção
Talvez a primazia da memória que pretende garantir os direitos indi-
explique por que é que o livro con- viduais.
cede um papel central aos episódios Em primeiro lugar, está em falta
repressivos usados politicamente uma contextualização da repressão
pela oposição para deslegitimar a di- salazarista com a própria experiência
tadura. E, por outro lado, por que portuguesa anterior que nos possa
são esquecidos os maiores massa- mostrar a continuidade e as altera-
cres do Estado Novo, como as sete ções nas práticas do Estado para
mortes na Madeira durante o protes- com os dissidentes. Foi o que fez,
to contra a política de lacticínios do por exemplo, Maria da Conceição
regime no Verão de 1936 ou as três Ribeiro no seu livro sobre a história
de Ovar em 1939 que protestavam da PIDE (1933-1945), encontrando
contra a política vitivinícola dando nos seus poderes de instrução crimi-
vivas a Salazar. O livro também não nal e na construção de um sistema
refere os massacres que o governo de justiça política independente uma
português protagonizou contra gen- marca essencial que a distinguia das
te desarmada nas colónias, fazendo polícias de investigação política e
dezenas de mortos em 1956 e 1959 social activas durante a República
— antes do início das guerras da (1910-1926)1. Durante a república
independência —, ou em zonas de democrática houve deportações sem
paz, como Macau, com oito mani- julgamento, tribunais militares, cen-
festantes abatidos em 1967. sura da imprensa, suspensão de ga-
Como o livro se constrói a partir rantias e prisões preventivas de mais
da memória das vítimas, as únicas de um ano de duração. Também 1129
Análise Social

havia voluntários republicanos que mação, escutas, torturas, exilados e


actuavam violenta e impunemente execuções extrajudiciais. Num dis-
contra os opositores políticos. O que curso de 1973, Marcelo Caetano
é que diferenciava essas práticas das defendia-se daqueles que o critica-
da ditadura? vam pela sua obsessão pela ordem
Durante a República também comparando as suas práticas com as
morreram muitos portugueses nas dos países de Leste. Em que medida
ruas em confrontos com as forças não estaria ele enganado? A violência
de ordem pública. Numa razão quan- é uma característica específica do
titativa, na minha base de dados es- fascismo?
tão 98 vítimas da repressão policial e Em terceiro lugar, está em falta
militar sobre manifestações, greves e uma contextualização da violência
motins pela subsistência entre 1911 e estatal portuguesa que a compare
1926 no Portugal metropolitano. com a dos regimes democráticos
Num período mais alargado, que durante as décadas de 1940 a 1970.
corresponde ao do Estado Novo, a É compreensível que, no seu esforço
base de dados inclui 41 vítimas nas para demonstrarem a ilegitimidade do
mesmas circunstâncias 2. Em que
regime, aqueles que contra ele luta-
medida se trata de vítimas de um
vam convertessem em mártires víti-
regime (ou de um ditador...) ou víti-
mas como Catarina Eufémia, atri-
mas das doutrinas e mecanismos de
buindo um valor paradigmático às
manutenção da ordem pública face a
circunstâncias da sua morte. Mas
um determinado nível de mobiliza-
para atribuir a morte de Catarina
ção? Para mais, sem a referência dos
Eufémia à natureza ditatorial do regi-
antecedentes, torna-se difícil saber
me ter-se-ia de a contextualizar, por
em que medida a memória da repres-
são daqueles que lutaram contra o exemplo, com o que aconteceu na
salazarismo se diferencia da memória Itália democrática do pós-guerra. Aí
daqueles que anteriormente tinham morreram, pelo menos, 62 manifes-
lutado por uma revolução social con- tantes com disparos da polícia entre
tra a república «burguesa». 1948 e 1950 e outros 32 entre 1951
Para entender historicamente o e 1962, na sua maioria jornaleiros
uso da violência por parte do Estado apanhados pelas balas dos carabi-
Novo é necessário descortinar os nieri. A tendência inverteu-se a partir
elementos comparativos. Em que de então, com a alteração do proto-
medida se aproximava e se diferen- colo no uso das armas de fogo pelos
ciava do uso da violência por parte corpos de polícia italianos, a sua pre-
das democracias populares da Euro- paração nas doutrinas modernas de
pa central e oriental? Nos países do ordem pública, e não devido a uma
socialismo real das décadas de 1940 alteração de regime ou a uma depu-
a 1980 também se podiam encontrar ração das cumplicidades com o pas-
1130 polícias políticas, controlo da infor- sado fascista da polícia3.
Recensões

A ausência de preocupações com- formas mais duras de repressão,


parativas deste tipo leva a que se como o uso de armas de fogo e as
cometam erros de interpretação. Por tácticas de infantaria, não para prote-
exemplo, o livro (p. 367) estabelece ger os direitos dos cidadãos, mas
uma continuidade entre a polícia de sim o bom nome do próprio Estado6.
choque, que Silva Pais criou em E adaptavam-se os modelos estran-
1937, e a companhia móvel de polí- geiros mais avançados: em 1937, as
cia, criada em 1960, conferindo a experiências dos pelotões da polícia
ambas um significado de escalada de choque da República de Weimar e
repressiva. da polícia dos Estados Unidos, recu-
A criação destes corpos especiali- peradas através dos escritos de um
zados supunha uma escalada repres- dos reformadores da polícia da II
siva? Tal como é apresentado pelos República espanhola7; em 1960, as
autores, parece que sim, e a polícia instruções portuguesas sobre táctica,
de choque torna-se parte da memória dispositivos e armamento não letal
da repressão na rua de toda uma (bastões, gases lacrimogénios, lança-
geração de militantes antifascistas. dores de água) foram traduzidas das
No entanto, ambos os projectos po-
das compagines républicaines de
liciais resultaram de uma tentativa de
sécurité (CRS) francesas, que repre-
modernizar as técnicas antidistúrbios
sentavam o «estado da arte» da polí-
da polícia portuguesa. Ainda que es-
cia antidistúrbios pacífica.
tes corpos estivessem preparados
A criação da polícia de choque
para situações de combate urbano, a
em Portugal foi bastante prematura
sua preparação específica em cargas
com matracas e uso de gases lacri- em termos internacionais. Os princí-
mogénios — preparação essa que as pios da sua organização, a doutrina
diferenciava das unidades do Exérci- de actuação, as instruções e o arma-
to — permitia-lhes usar a força con- mento da companhia móvel da polí-
tra grupos desarmados com poucos cia eram muito similares aos do ac-
riscos de matar alguém. Isso mesmo tual corpo de intervenção. O que
disse Silva Pais explicitamente no mudou foi o reconhecimento do plu-
seu livro de 1938 e nos seus artigos ralismo político e os direitos que lhe
sobre Polícia Portuguesa relativa- são inerentes, a existência de meca-
mente ao uso de gases lacrimogé- nismos de responsabilização pelos
nios, «que têm a vantagem de não excessos de violência (aperfeiçoável)
matar ninguém»4. Assim como o di- e o tipo de resposta que se encontra
zem as instruções de 1961 sobre a nas multidões que se pretendem dis-
ordem pública e de utilização das persar.
novas companhias móveis, muito Ao situarem a memória como eixo
preocupadas em não causarem víti- da análise, os autores de Vítimas de
mas e com isso desprestigiarem o Salazar esbatem a especificidade da
Estado e a própria polícia5. Em am- legislação repressiva da ditadura por-
bos os casos tratava-se de evitar tuguesa e baralham as inegáveis prá- 1131
Análise Social

ticas ilegítimas do uso da força. Não acontece também entre os corpos de


têm em linha de conta que em Por- polícia de regimes democráticos e
tugal, a par da vontade repressiva e pode ser um erro no Portugal actual
da ilegalização dos direitos básicos considerá-lo uma permanência do
de reunião, expressão e manifesta- salazarismo na polícia10.
ção, também se produziam todos os Finalmente, também ficamos sem
factores que explicam grande parte conhecer melhor o Estado Novo se
das mortes causadas pelos corpos negamos que havia limites para a
policiais em países democráticos violência das polícias, ainda que es-
durante o segundo pós-guerra: a ca- tes permaneçam por estudar. É anti-
rência de meios por parte da polícia ga a apreciação que diferencia o tra-
para cumprir missões legítimas, a tamento da polícia portuguesa aos
perda de controlo em determinadas detidos em função da classe social e
situações, a brutalidade pontual de também a que vincula a dissolução
um oficial ou a falta de preparação da Polícia de Informação de 1930 às
técnica dos agentes8. queixas feitas sobre a sua brutalida-
Para conhecer melhor a ditadura de. Que tipo de limites, de cultura ou
portuguesa interessa que futuros in- estrutura política, operavam nessas
vestigadores nos ofereçam uma his- duas circunstâncias? Quando deixa-
tória social de cada um dos corpos vam estas de funcionar? Os exces-
repressivos que nos permita conhe- sos policiais e os crimes de Estado
cer as suas culturas organizativas mais brutais eram sempre uma pro-
próprias e como os seus membros babilidade em Portugal, como assina-
as absorveram, adaptaram e utiliza- la Fernando Rosas. Mas eram-no
ram. Para conhecer melhor a aplica- também na França da V República,
ção da força por parte do Estado como mostra o massacre de 17 de
ter-se-ia também de analisar as dife- Outubro de 1961, quando a polícia
renças de perspectiva no âmbito po- assassinou impunemente entre 50 e
lítico e operativo e a autonomia dos 190 pessoas numa noite de terror em
ministros em relação ao governo Paris. Ou na Grã-Bretanha do do-
(Rapazote em relação a Caetano de mingo sangrento de 1972. A proba-
1969 a 1973) e dos próprios corpos bilidade do excesso não afasta nem
policiais. Do mesmo modo, só aproxima o Estado Novo dos fascis-
desvinculando analiticamente a natu- mos, mas está inscrita no código dos
reza do regime da subcultura das Estados contemporâneos. E foi atra-
organizações policiais poderá enten- vés da demonstração de que o exces-
der-se o recurso a outro tipo de vio- so era possível, com os 4 manifestan-
lência, como os espancamentos nos tes mortos em 1 de Janeiro de 1976,
postos da GNR ou no interior das que se pôs fim ao período revolucio-
delegações da PSP9. Este tipo de nário em Portugal e que, com um
brutalidade policial, muitas vezes Estado que voltava a existir, se deu
1132 sem significado político, acontecia e início à consolidação democrática.
Recensões

É necessário um conhecimento blemas de violência policial, com


mais apurado, antropológico, dos li- maus tratos e mortes em delegações
mites culturais, políticos e jurídicos (em geral, vítimas provenientes de
que marcaram o uso da violência por meios marginais) e abuso de
parte do Estado Novo. Faltavam me- disparos em situações de pouco pe-
canismos de responsabilização trans- rigo12. Estes casos podem ser asso-
parentes e, em geral, os processos de ciados à falta de preparação dos
averiguação interna sobre os excessos agentes e à reprodução de uma
repressivos costumavam ilibar os res- subcultura policial violenta, e não à
ponsáveis. No entanto, durante a dé- natureza do regime. As prisões por-
cada de 1950 a justiça militar conde- tuguesas, como denuncia recorrente-
nou por assassinato vários agentes da mente a ACED, também têm algu-
GNR que, no exercício das suas fun- mas das piores estatísticas de
ções, mataram civis que resistiram à salubridade da OCDE (pelo que so-
sua autoridade. Porquê negar que em bre ela se pode dizer o mesmo que
determinadas circunstâncias havia se dizia sobre o Tarrafal: que para
mecanismos, ainda que imperfeitos, muita gente implica um significativo
de limitação dos abusos da força? encurtar da esperança de vida). São
E havia também limites culturais situações graves do ponto de vista da
perspectiva democrática, mas pare-
e estruturais (um tipo específico de
cem ter pouca importância no debate
opinião pública que impedia um re-
público, mais centrado nos direitos
curso generalizado a execuções su-
das elites politizadas do que nos do
márias, por exemplo) que, a serem
conjunto da população que vive dis-
analisados, podem dizer-nos muito
tante do poder. São situações que
sobre as defesas contra o Estado e
não esperam uma mudança de regi-
os corpos policiais, por mais frágeis
me, mas sim decisões de transfor-
que sejam, que a opinião pública mação organizativa que requerem
pode conceder ao cidadão comum, meios humanos e materiais e que
mesmo numa ditadura com censura. talvez apenas se concretizem se hou-
E ainda havia custos de reputação ver uma importante mobilização da
nacionais e internacionais que apare- opinião pública.
cem em todos os textos dos Por isso, por um lado, pode con-
reformadores da polícia em que se siderar-se positivo o significado cívi-
fala do controlo das formas especta- co de um livro como Vítimas de
culares de repressão11. Salazar, no sentido em que oferece
Por último, para avaliar a violên- uma abundante informação sobre a
cia da ditadura, compreendê-la e violação de direitos e bloqueia o
compreender melhor o presente não branqueamento da memória da dita-
se deveria deixar de a comparar com dura. Apesar de tudo, provoca con-
a violência do Estado no presente. Se fusões que tornam difícil abrir o
observarmos o Portugal democrático caminho a outros debates sobre o
dos últimos trinta anos, não pode- uso da força por parte do Estado.
mos esquecer que teve graves pro- Não reconhece as virtudes da exis- 1133
Análise Social

tência de técnicas policiais de uso tenção da ordem pública. Aprovadas por


pacífico da força, como os corpos portaria do Min. do Interior n.º 18 629, de
31-7-1961, Lisboa, 1961, e Instruções provi-
antidistúrbios. Nem deixa um espaço sórias sobre organização e emprego da com-
para a reflexão sobre as dificuldades panhia móvel e unidades da PSP, 2 vols.,
humanas e materiais do exercício da Lisboa, 1961.
6
violência legítima. Também não ex- Um esboço da evolução das técnicas
antidistúrbios em Diego Palacios Cerezales,
plora os limites que uma opinião
«Técnica, política e o dilema da ordem pú-
pública mobilizada pode impor sobre blica no Portugal contemporâneo (1851-
os abusos de direitos ou, de forma -1974)», in P. Tavares de Almeida e T. Pires
inversa, como a apatia cívica, por Marques (eds.), Lei e Ordem. Justiça Penal,
despeito pela lei, permite espaços de Criminalidade e Polícia. Séculos XIX-XX,
Lisboa, Livros Horizonte, 2006.
impunidade por onde se podem ra- 7
Uma das principais fontes de Silva Pais
mificar as subculturas violentas que é Felipe Pérez Feito, Gases de Guerra.
aos poucos se vão introduzindo na Conflictos de Orden Público, Madrid, Agen-
polícia. A crítica desenhada nesta cia Española de Librerías, 1932.
8
recensão pode ser injusta, porque Albert J. (Jr.) Reiss, «Police brutality.
Answers to key questions», in Transactions,
João Madeira especifica a modéstia n.º 8, 1968; Jean-Paul Brodeur, «Police et
dos objectivos do livro. Não obstante, coercition», in Revue française de sociologie,
pode pedir-se aos historiadores que XXXV , 1994; Anja Johansen, «Violent

contribuam, usando a sua esfera de repression or modern strategies of crowd


management: soldiers as riot police in France
saber específica, para enriquecer o and Germany, 1890-1914», in French
debate sobre temas importantes para History, 15, n.º 4, 2001; Hasan Buker, «Un-
a melhoria da qualidade das democra- derstanding police use of force: officers,
cias actuais: as formas, os limites e o suspects and reciprocity/into the killing zone:
controlo do uso da violência legítima a cop’s eye view of deadly force», in
International Journal of Police Science &
por parte do Estado. Management, 7, n.º 3, 2005.
9
O mau trato físico, incluindo espanca-
mentos ferozes, era um dos recursos da GNR
NOTAS
rural para se fazer respeitar. O inspector
1
María da Conceição Ribeiro, A Polícia Óscar Cardoso, da PIDE, relatava numa en-
Política no Estado Novo (1926-1945), Lis- trevista retrospectiva que tinha visto mais
boa, Estampa, 1995. violência nos postos da GNR do que nos da
2
Nas duas contagens foram excluídas as polícia política (Bruno Oliveira Santos, His-
vítimas da repressão de insurreições. tórias Secretas da PIDE-DGS: Entrevistas
3
Donatella della Porta, «Movimientos com Cunha Passo, Abílio Pires, Óscar Car-
sociales y Estado, algunas ideas en torno a la doso, Diogo Albuquerque, Lisboa, Nova Ar-
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4
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11
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ções da ordem, Lisboa, ed. de autor, 1938. público en el Portugal contemporáneo», in
5 M. Dumoulin e A. Ventura (eds.), Portugal
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1134 da PSP, Instruções provisórias para a manu- and Spain in Europe in the 20th Century,
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