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Uma visão crítica sobre a diferenciação cultural, social e exclusão social

Vivemos num mundo de pessoas diferentes. Essas diferenças se baseiam em raça, gênero,
cultura, condições materiais entre outras coisas.
Quando temos uma visão, de um indivíduo ou grupo social diferente, baseado em valores
próprios ou padrões adotados pela nossa cultura, acabamos considerando o nosso ponto de
vista ou nossa cultura como sendo mais correto e natural. E a tendência do ser humano é
negar ou repudiar o que é diferente. Acontece então a dificuldade de enxegar o mundo com
sua multiplicidade e o resultado disso é discriminar os que são diferentes.
A desigualdade social é tratar o outro como desigual, centralizando o poder na mão de
poucos.
No caso da desigualdade social de acordo com Marx ela se baseia nas relações entre as
classes e ocorre quando o poder, que na nossa sociedade capitalista é o dinheiro, se
concentra nas mãos de poucos. Se o dinheiro se concentra na mão de poucos isso significa
que alguns não terão nada e isso é a desigualdade.
O Brasil é o oitavo país que apresenta um índíce elevado de desigualdade social segundo o
coeficiente de Gini, parâmetro internacionalmente usado para medir a concentração de
renda.De acordo com o documento, no Brasil 46,9% da renda nacional concentram-se nas
mãos dos 10% mais ricos. Já os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7% da renda.
Alguns artifícios são usados pelo governo para produzirem a identidade social encobrindo a
desigualdade social. Dois exemplos disso são o futebol e o carnaval. Esses eventos não só
encobrem a desigualdade como também aquecem a economia do país.
A desigualdade social e a violência são os principais desafios para o Brasil. De acordo com a
ONU, entre os principais problemas estão a corrupção, desigualdade social, racismo, tortura
e impunidade. Em Resumo a violação do direitos humanos no Brasil já foi alertada pela ONU
através de um documento em 2005, porém dois anos depois o governo não disse quais
medidas de mudança poderia tomar. Para a ONU, a violência no País atinge cada vez mais
pessoas, violando os direitos humanos mais diversas formas.
A exclusão social é uma forma de violência, pois viola os direitos humanos e impedem o
desempenho da cidadania. O termo exclusão significa problemas sociais que levam ao
isolamento e até à discriminação de um determinado grupo acarretando uma situação de
falta de acesso às oportunidades oferecidas pela sociedade aos seus membros
O termo exclusão social teve origem na França,com isso foi influenciado pelo modo francês
de classificação social e está relacionado com pessoas ou grupos desfavorecidos. De acordo
com o sociólogo francês Robert Castel (1990), a exclusão social é o ponto máximo atingível
no decorrer da marginalização. A Marginalização é um processo no qual o indivíduo vai
progressivamente se afastando da sociedade através de rupturas consecutivas com e
mesma.
De acordo com Alfredo Bruto da Costa (1998), existem cinco modos de exclusão social:
§ a exclusão de ordem econômica;
§ social;
§ cultural;
§ patológica;
§ comportamentos auto-destrutivos.
A exclusão social pode implicar na privação, falta de recurso e de uma maneira mais
abrangente na ausência de cidadania e participação plena na sociedade nos níveis cultural,
social, econômico, político e ambiental.
A exclusão social se exprime em 6 dimensões do cotidiano:
• do SER, que está relacionado, a auto-estima, o auto-reconhecimento
individual, ou seja, direito a dignidade;
• do ESTAR, que está relacionado a pertencer a um grupo social que vai
desde a família até de vizinhança, o direito ao convívio com grupos, interagir
socialmente;
• do FAZER, que está relacionado com tarefas socialmente reconhecidas,
como o emprego remunerado ou trabalho voluntário não remunerado;
• do CRIAR, que está relacionado com a capacidade de empreender, assumir
iniciativas, de definir e concretizar projetos, de inventar e criar ações;
• do SABER, que está relacionado ao acesso a informação e conhecimento
escolar ou não que impede a capacidade crítica em frente a sociedade
• do TER, que está relacionado com o rendimento,o poder de compra, o
acesso a níveis de consumo médios da sociedade.
A exclusão então se define por uma situação de não realização de várias dimensões sociais,
é o não ser, não estar, não fazer, não criar, não saber e não ter.
O grupos marginalizados são muitos como por exemplo: moradores de rua, prostitutas,
homossexuais, obesos, mulheres, negros, idosos entre outros.
No Brasil 1,8 milhão de pessoas vivem nas ruas no Brasil, de acordo com um levantamento
do Ministério do Desenvolvimento Social feito com base em 76 municípios. Muitos deles vão
para as ruas por motivos de violência por alcoolismo e brigas familiares. A maior parte deles
sabem ler e escrever e a metade terminaram o ensino fundamental. Eles vivem em
condições de higiene precárias, pois o acesso a banheiros e banhos é muito díficil. Dessa
população 80% consegue fazer uma refeição por dia sendo que os 20% restante não
consegue se alimentar todos os dias.
Outro grupo marginalizado refere-se a Prostitutação. A prostituição é reprovada em muitos
países pois oferece um risco as estruturas familiares da sociedade, além da disseminação de
doenças sexualmente transmissíveis. A maioria da prostitutas apresenta baixo nível de
escolaridade e são respónsáveis pelo sustento do lar. Uma pesquisa feita pela secretaria
especial de direitos humanos em 2005 no Rio de janeiro denunciou a exploração social e
comercial de crianças e adolescentes e alguns municípios brasileiros, sendo a maioria na
região norte do país. Coincidentemente essas cidades são onde se encontram o maior índice
de desemprego e subemprego.
Hoje no Brasil mais existem mais de 10 milhões de homossexuais. No dia 17 de maio de
1990 a OMS tirou o homossexualismo da lista de doenças mentais, declarando que o
homossexualismo não constitui uma doença, perversão ou distúrbio e sim apenas uma
orientação sexual. Essas pessoas são vítimas de crimes de ódio, sendo que, encontramos
maior concentração de crimes violentos na região centro oeste do país. Sabemos que em
alguns países como a África e alguns países asiáticos são extremamente homofóbicos e
nesses lugares é considerado crime, ocorrendo pena de morte e prisão perpétua se forem
pegos em flagrante. Hoje no Brasil existe um projeto de lei a ser aprovado contra a
homofobia.
Quanto aos negros eles ainda sofrem o estigma da escravidão, e muitos deles ainda vivem
nesse regime, trabalhando muito e recebendo muito pouco. A maior parte da população
pobre é constituída por negros o que confirma a hipótese da total exclusão social e e
exploração econômica. A lei é mais severa com com os negros: "Há uma idéia de que o
crime está necessariamente ligado à pobreza e que a pobreza está
necessariamente ligada com a cor. Nesse caso, a pobreza tem cor: a cor negra"
(Sérgio Adorno, sociólogo, USP)
Estas pessoas invisíveis além de não ter seus direitos, são tratadas com todo tipo de
violência e rejeição. Tudo que elas precisam é serem olhadas por alguém. Será que as
pessoas só poderão enxergar essas realidades se viverem nela? Porque esses grupos
marginalizados não são vistos como seres humanos sofrendo?
Podemos esperar mudanças se ficamos cegos, surdos e mudos a nossa realidade social?
Será que a insensibilidade é algo que paraliza? Pessoas paralizadas enxergarão além do
próprio nariz?
Muito esperam ter um país mais justo e igualitário porém quando se deparam com a
realidade de desigualdade que vivem pensam: De que adianta fazer alguma coisa se outras
pessoas não fazem? É preciso atitude!
Nós podemos ver, porém ser enxergar, nós podemos ouvir porém sem compreender e nós
podemos ficar calados ao invés de falar.
Porém o começo da transformação de nossa realidade dependerá do quanto estamos
sensibilizados e atentos.
Zé ramalho através da música “meu país” não sente orgulho do Brasil pelo futebol ou
carnaval, pois ele consegue ter uma visão crítica do nosso país.
Podemos pensar em entratégias de inclusão através de dois processos interagindo
postivamente entre indivíduos excluídos e sociedade. O primeiro é tornar os indivíduos
cidadãos plenos, recuperando as competências do ser, estar, fazer, criar, saber e ter. O
segundo é ter uma sociedade que permite a acolhe a cidadania.

“Tente mover o mundo, o primeiro passo é mover a si mesmo.” Platão


Referências:
http://visaouniversitaria.wordpress.com/2007/04/27/
http://pensamentosifragmentos.blogspot.com/2009/10/cegos-surdos-e-mudos.html
http://complexavidasimples.blogspot.com/2009/05/gracas-do-dia-dia.html
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http://www.triplov.com/ista/cadernos/cad_09/amaro.html
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http://www.dicionarioinformal.com.br/buscar.php?palavra=decurso
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