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POSSE E PROPRIEDADE

PROFESSOR: FÁBIO JOSE FIGUEREDO DE ASSIS


E-mail: fabioassis2000@hotmail.com
ALUNO: SIDNEY NUNES

Obs.:Uso do CC e do CPC

AULA DO DIA 19 DE AGOSTO DE 2010.

CONCEITO DE DIREITO REAL


É um complexo de normas reguladoras das relações jurídicas referentes às coisas sucessíveis
de apropriação pelo homem. Coisa são bens corpóreos, existem no mundo físico e, portanto tangíveis
pelo homem.

PRINCIPIO DO ABSOLUTISMO
Os direitos reais podem ser classificados como poderes jurídicos, pois concedem ao seu
titular verdadeira dominação sobre um objeto. Este poder de agir sobre a coisa é oponível ERGA
OMNUS, tendo em vista que os direitos reais acarretam sujeição. Universal ao dever de abstenção
sobre a prática de qualquer ato capaz de interferir na atuação do titular sobre o objeto.

Os direitos subjetivos apresentam três elementos:


Sujeito, objeto e relação jurídica. A relação jurídica de direito real é assim definida.

Sujeito de um lado, aquele que detém a titularidade formal em direito como, por exemplo,
propriedade, usufrutuado, credor, hipotecado, e de outro lado a comunidade; como objeto, o bem
sobre o qual o titular exerce em gerencia social econômica.
No direito privado conheceremos dois grandes grupos de direito subjetivos patrimoniais;
Direitos reais caracterizados por situações jurídicas de apropriações de bens e os direitos
obrigacionais pautados em relações jurídicas, de cooperação entre pessoas determinadas ou
determináveis, conectados pela necessidade de satisfação de uma conduta com base em produções de
dar, fazer e não fazer.

CARACTERISTICAS DO DIREITO REAL:


A- Quanto à eficácia – ERGA OMNES de direitos reais e relativa nos direitos obrigacionais.
B- Quanto a objeto – Há coisas dos direitos reais e há prestações dos direitos obrigacionais.
C- Quanto ao exercício – Nos direitos reais o titular age direta e imediatamente sobre o bem
satisfazendo assim sua necessidade econômica sem o auxílio ou intervenção de terceiros.

As relações de direito real caracterizam sobre o verbo ter ou poder sobre o bem.
Já os direitos obrigacionais pelo verbo agir ou demandar comportamento alheio.
Quando conseqüência do principio do absolutismo, surge o principio da publicidade para os
bens imóveis.
Os direitos reais só se pode exercer contra todos se forem ostentados publicamente (art.1227 CC).
Art. 1227, CC - Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre
vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos
(arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código

PRINCIPIO DA SEQUELA
Os direitos reais aderem à coisa, sujeitando-a ao poder de seu titular com oponibilidade
ERGA OMNES. A influência do direito real no objeto afeto é tão substancial a ponto de fazer com
que seu titular possa persegui-lo em poder de terceiros onde quer que se encontre.

PRINCIPIO DA PREFERÊNCIA
Presente nos direitos reais e gerais de garantia consiste o privilegio do titular do direito real
em obter o pagamento de um débito com o valor do bem aplicado exclusivamente a sua satisfação.
A preferência dos direitos reais é conseqüência da seqüela, assim como este é conseqüência
do absolutismo.

NUMERUS CLAUSUS
Destina-se a operar contra toda coletividade, não pode qualquer direito ser reconhecido
juridicamente senão houver previa norma que sobre ele faça previsão. Inseridos em regime de ordem
pública, os direitos reais são números clausus de enumeração taxativa, localizados por ROL do art.
1225 CC.

SÃO DIREITOS REAIS:


Art. 1.225. São direitos reais:
I - a propriedade;
II - a superfície;
III - as servidões;
IV - o usufruto;
V - o uso;
VI - a habitação;
VII - o direito do promitente comprador do imóvel;
VIII - o penhor;
IX - a hipoteca;
X - a anticrese. (direito real baseado em renda)
XI - a concessão de uso especial para fins de moradia;
XII - a concessão de direito real de uso

A promessa de compra e venda e a propriedade fiduciária foi recepcionada como direitos


reais do código civil 2002 respectivamente em seus artigos 1361 e 1417 CC.
Art.1361, CC - Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o
devedor, com escopo de garantia, transfere ao credor.
Art. 1417 CC - Mediante promessa de compra e venda em que se não pactuou arrependimento,
celebrada por instrumento público ou particular, e registrada no Cartório de Registro de
Imóveis, adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel.

AULA DO DIA 26 DE AGOSTO DE 2010.

RELAÇÃO JURÍDICA DO DIREITO REAL


Os direitos reais em coisa alheia são de duração temporária, pois a lei não permite que a
propriedade mantenha-se fracionada por período indefinido. Daí a vitaliciedade como tempo Maximo
de uso fruto (art. 1410, I, CC) e o prazo faltante de 20 anos de duração da hipoteca (art.1485, CC).
Art.1410, I, CC - O usufruto extingue-se, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de
Imóveis:
I - pela renúncia ou morte do usufrutuário;
II - pelo termo de sua duração;
III - pela extinção da pessoa jurídica, em favor de quem o usufruto foi constituído, ou, se
ela perdurar, pelo decurso de trinta anos da data em que se começou a exercer;
IV - pela cessação do motivo de que se origina;
V - pela destruição da coisa, guardadas as disposições dos arts. 1.407, 1.408, 2ª parte, e
1.409;
VI - pela consolidação;
VII - por culpa do usufrutuário, quando aliena, deteriora, ou deixa arruinar os bens, não
lhes acudindo com os reparos de conservação, ou quando, no usufruto de títulos de crédito, não
dá às importâncias recebidas a aplicação prevista no parágrafo único do art. 1.395;
VIII - Pelo não uso, ou não fruição, da coisa em que o usufruto recai (arts. 1.390 e 1.399).

Art.1485, CC - Mediante simples averbação, requerida por ambas as partes, poderá prorrogar-
se a hipoteca, até 30 (trinta) anos da data do contrato. Desde que perfaça esse prazo, só poderá
subsistir o contrato de hipoteca reconstituindo-se por novo título e novo registro; e, nesse caso,
lhe será mantida a precedência, que então lhe competir

Os direitos reais são limitados em três aspectos:


1º - Direito real de gozo e fruição;
2º - Direito real de garantia;
3º - Direito real de aquisição.

No primeiro grupo podemos citar uso fruto, servidão, uso e habitação;


No segundo grupo, Penhor e hipoteca.
Com o direito de aquisição, terceiro grupo, citamos a promessa de compra e venda
Já propriedade superficiária e fiduciária são direitos reais em coisa própria.

CREDORES:
1 – Credores Quirografário – é o que não possui direito real de garantia, seus créditos estão
representados por títulos originados nas relações obrigacionais.
Ex. Os cheques, as duplicatas, as promissórias;

2 – Credor hipotecário – é o credor que possui direito real de garantia exercitável sobe bem imóvel
ou bens moveis, que por exceção estão sujeitos a hipoteca(navio e aeronave);

3 – Credores pignoratício – é o credor que possui direito real de garantia exercitável sobre o bem
móvel(art. 1467, CC). O credor pignoratício é o que tem uma coisa empenhada como garantia. Não
pode gozar do bem, já que é equiparado ao depositário.
Art. 1467, CC - São credores pignoratícios, independentemente de convenção:
I - os hospedeiros, ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre as bagagens, móveis,
jóias ou dinheiro que os seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas
ou estabelecimentos, pelas despesas ou consumo que aí tiverem feito;
II - o dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis que o rendeiro ou inquilino
tiver guarnecendo o mesmo prédio, pelos aluguéis ou rendas.

4 – Credor anticrético – é o credor que possui direito real de garantia exercitável sobre renda.

TEORIA DE SAVIGNY
A posse caracteriza-se pela conjugação de dois elementos:
O corpus; elemento objetivo que consiste na detenção física da coisa;
Animus, elemento subjetivo que se encontra na intenção de exercer sobre coisa o poder do interesse
próprio e de defender-lo contra a intervenção de outrem. Não é propriamente a convicção de ser
dono, mais a vontade de tê-la com sua (animus domini), de exercer o direito de propriedade como se
fosse seu titular.
Os dois elementos citados são indispensáveis, pois se faltar o corpus inexiste posse e se faltar
o animus não existe posse, mais mera detenção. Essa teoria se diz subjetiva em razão desses ultimo
elemento (o animus).
TEORIA OBJETIVA DE IHERING(Art. 1196, CC)
Art. 1196, CC - Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não,
de algum dos poderes inerentes à propriedade
Não considera a intenção ao animus, considera-o como já incluído do corpus e da ênfase na
posse, ao seu caráter de exteriorização da propriedade. Tem posse quem se comporta como dono e
nesse comportamento já esta incluída o animus.
A posse então é exteriorização da propriedade, a visibilidade do domínio e o uso da coisa. Ela
é protegida porque apresenta a forma como o domínio se manifesta.
Assim o lavrador que deixa sua colheita no campo não a tem fisicamente, entretanto, a
conserva em sua posse, pois que age em relação ao produto colhido, como o proprietário
ordinariamente o faz mais se deixa no mesmo local uma determinada jóia, evidentemente não mais
conserva a posse sobe ela, pois não é assim que op proprietário age em relação a um bem dessa
natureza.
Posse – Art.1196. CC – (acima)
Detentor – Art.1198, CC - Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou
instruções suas

FÂMULO DE POSSE (ou servidor de posse)


É aquele que em virtude de tal situação de dependência econômica ou de um vinculo e
subordinação em relação à outra pessoa (possuidor direto ou indireto) exerce sobre o bem não uma
posse própria, mais a posse dessa ultima e em nome desta em obediência a uma ordem ou instrução.
Ex. Caseiro, ele não tem a posse e sim a detenção;
Ex.2 – Bibliotecário, Não é dono dos livros, ele não é possuidor dos livros, ele tem a detenção.

O detentor do fâmulo não usufrui no sentido econômico da posse; que pertence a outrem.
Desse modo, o conceito deve ser examinado juntamente com o art.1198, como também com a
ressalva do art. 1208(este é o artigo que convalesce a posse).
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com
outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas
Art.1208, CC - Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não
autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência
ou a clandestinidade.

FUNÇÃO SOCIAL DA POSSE


Toda propriedade ainda que respeitado o direito do proprietário, deve cumprir uma função
social.
Ex:
A – Regra sobre abuso de direito, Art.187, CC;
Art.187, CC - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons
costumes

B – Regra sobre direito de propriedade – Art. 1228, §§ 1º e 2º;


Art. 1228, §§ 1º e 2º -
§ 2o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou
utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.
§ 3o O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por
necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de
perigo público iminente.

C – Garantia do direito de propriedade – Art. 5º, XXII, CF;


Art. 5, XXII, CF - é garantido o direito de propriedade;

D – Função social da propriedade – Art.5º, XXIII, CF;


Art.5º, XXIII, CF - a propriedade atenderá a sua função social;

E – Direito de vizinhança – Art. 1277, CC.


Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as
interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas
pela utilização de propriedade vizinha.

AULA DO DIA 02 DE SETEMBRO DE 2010.

POSSE DIRETA E POSSE INDIRETA


Posse direta – é a que tem o não proprietário, a quem cabe o exercício de uma das faculdades do
domínio, por força de obrigação ou direito

Possuidor direto ou imediato é o que recebe o bem e tem o contato físico com a coisa. Como Poe
exemplo: tutores e curadores, comodatários, o depositário.
A limitação da posse direta será pela lei ou contrato. Ao inventariante posse direta enquanto existem
os herdeiros que terão posse indireta.

Posse indireta – é a que o proprietário conserva quando se dentro temporariamente de um dos


direitos elementares do domínio, cedido a outrem seu exercício. Acontece quando o proprietário
desdobra a relação possessória.
Discute-se se o consumidor direto te a verdadeira posse a mera detenção. Para a doutrina de
Von Hering é própria a posse do possuidor direto.
Não existe desdobramento de posse no caso dos empregados que conservam a posse em
nome do proprietário e em cumprimento de ordens e instruções sua.

Defesa da posse direta – o possuidor direto pode defendê-la por iniciativa própria,
independentemente da assistência ou intervenção do possuidor indireto. A qualidade dessa posse
autoriza a defesa contra quer que seja inclusive contra o possuidor mediato.
A turbação da posse é igual para possuidor, porém, de terceiro ou do próprio proprietário.

Pressupostos da posse indireta –


1 – Que a coisa se encontre na posse direta de outrem;
2 – Que entre os dois possuidores exista relação jurídica de que deriva o desdobramento da posse.
Como exemplo: O locatário adquire o direito de possuir a coisa locada para usá-la em conseqüência
de um contrato d locação. O depositário recebe a coisa do depositante e exerce a posse Por força de
obrigação.
A bifurcação da posse resulta também de negócios jurídicos de outra espécie como no direito
de família, hereditário, representante legal do menor, testamento e do inventariante.

COMPOSSE – duas ou mais pessoas podem possuir a mesma coisa com vontade comum ao mesmo
tempo. Assim como existe o domínio, existe a composse. Assim pode coexistir dois ou mais
locadores, dois ou mais comodantes, dois ou mais comodatários.
Dois sujeitos podem ter a posse da mesma coisa como se condôminos fosse caso se tratasse
de propriedade. São compossuidores do mesmo terreno todos que conjuntamente o tomarem.
São possuidores os condôminos da parte ou comum de um prédio. A posse direta será do
condomínio e a indireta dos condôminos (composse de mão comum) onde nenhum dos sujeitos tem
poder fático independentemente dos demais, como exemplo também a pose dos herdeiros.
Tratando-se de posse simples ou então comum, são irrelevantes em relação a terceiros as
quotas partes de cada um, todos podem defender sua posse contra terceiros (art.1199, CC).(Acima)
Os compossuidores gozam uns contra os outros dos entendidos por si só, caso ameacem
reciprocamente o exercício de sua posse.
Se os compossuidores resolvem delimitar o terreno objeto de sua posse e cada um passa a
exercer a posse exclusiva de sua parte, desaparece a compõe.
Pode ser ajuizada ação declaratória para delimitar o âmbito da posse.

Posse pró-diviso ou delimitado é aposse exercida sobre parte certa. Posse pró-indiviso é a
verdadeira composse.

POSSE JUSTA OU POSSE INJUSTA


Posse justa – é aquela cuja aquisição não repugna ao direito. Não tem os vícios objetivos que
maculem a posse:
- A violência, a clandestinidade e a precariedade (comodato).

Posse injusta – é aquela que é ilícita na sua aquisição, se subdivide em: violência, clandestina e
precária. A posse justa tem de ser publica e do mesmo modo, porque o seu exercício manso e
pacifico confirmam a legitimidade de sua aquisição.
Quem se recusa a restituir coisa que possuir por força de contrato, nem por isso passa a ter
posse violenta, mas sim, posse injusta de outra qualidade.

Posse precária – é aquela que se adquire com abuso de continua e resulta na comumente indevida de
coisa que deve se restituída, No caso do depositário infiel, aposse precária configura-se perito penal.
O vicio da precariedade se da a partir do momento da recusa em devolver (art.1208, CC)
(acima).

POSSE DE BOA FÉ E DE MA FÉ (Art.1201 e art.1202)


Art.1201, CC - É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a
aquisição da coisa.
Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo
prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.

Art.1202, CC - A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as
circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.

Haverá posse de ma Fe quando o possuidor está convencido de que sua posse não tem
legitimidade jurídica, e nada obstante, nela se mantém. Não basta o possuidor assegurar-se sobre um
terreno que se encontra desocupado, sem investigar se existe dono ou alguém de melhor posse.
O estado de ma Fe é simplesmente ignorância de vicio. Com efeito, possuidor de boa Fe, é o
que ignora o vicio que lhe impede aquisição da coisa ou direito do consumidor. Alguém que venha
adquirir uma coisa desconhecendo que não pode adquiri-la e venha posteriormente a ter
conhecimento do vicio ou obstáculo impeditivo da aquisição, neste momento, há de cessar a boa fé
passando a ser de má fé.
O possuidor de má fé esta obrigada a restituir os frutos. Justo o titulo é o estado de aparência
que permite concluir estar o sujeito gozando de boa Fe, posse cujo justo titulo é a boa Fe presumida,
como por exemplo, herdeiro que ignoram os outros, companheira na posse de bens do casal quando
do falecimento do companheiro.

AULA DO DIA 09 DE SETEMBRO DE 2010

INTERVENÇAÕ NA POSSE
É a matéria concernente a possibilidade de alteração no caráter da posse.
Conforme o art. 1203 CC (Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo
caráter com que foi adquirida) Salvo em prova em contrário manterá posse com o mesmo caráter
da aquisição. Esta mesma norma excepcionalmente admite a intervenção da posse.
Em principio a ninguém é permitido a unilateralmente alterar a configuração da sua posse
sanando arbitrariamente eventuais vícios objetivos e subjetivos, a seu bel prazer. A doutrina coloca
duas situações:
A. Fato de natureza jurídica. Ex. alguém tenha obtido a posse violentamente e posteriormente
venha adquirir o imóvel por contrato de compra e venda. Alguém após obter a posse precária
permaneça no local mediante um novo contrato de comodato. Nos dois casos a posse injusta
converte-se em posse justa por meio de relação jurídica. Essa intervenção na posse é bilateral,
exigindo acordo de vontade para alteração primitiva da posse.
B. Fato de natureza Material - é a manifestação por atos exteriores e prolongados do possuidor
inequívoca intenção de privar o proprietário ao poder de disposição sobre a coisa.
Para Venosa o possuidor precário sempre o será, salvo expressa concordância do possuidor
plena. Ex. o detentor de imóvel em virtude da relação trabalhista que venha a ser demitido ou
locatário cujo contrato finde. Se os dois insistirem em ficar no imóvel abrirá em favor dos
possuidores esbulhados a ação de reintegração de posse.
Existe a mudança da percepção quanto a posse, ser contatada pela omissão daquele que
deveria exercer os seu direito no sentido reverter a situação, mais siqueda inerte por um período
considerado.
Posse injusta pela precariedade e inapta a gerar usucapião sofre o fenômeno da intervenção e
o possuidor adquire ominis dominis.
Embora o possuidor não concretize o usucapião por falta de prazo nada impede que sua
posse passe a ser de boa-fé com direitos aos frutos e indenização por benfeitorias.
Conforme alguns doutrinadores a posse precária jamais convalesce conforme o art. 1208 CC.
Ex. Quando Tício integraliza o pagamento das prestações em contrato de promessa de compra e
venda e não consegue obter a escritura definitiva poderá pleitear usucapião ordinária no prazo de
cinco anos conforme o art. 1242 § único CC, toda via caso o comitente comprador tenha si tornado
inadimplente sem que o vendedor aja tomado qualquer atitude para retirá-lo da posse a longa dissidia
poderá resultar na intervenção da posse.
Art. 1.242. Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel
houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório,
cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia,
ou realizado investimentos de interesse social e econômico.

Posse é o estado de fato é o estado de fato, incumbe provar sua existência para caracterizá-la.
Posse é aparência, facilmente percebido pelas pessoas.
A vontade de ter a coisa para si resulta do comportamento do agente, toda vez que se
evidenciar essa situação de fato existira a posse.
Definição no artigo 1204, CC
Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em
nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade.

Posse originaria – é aquela que ocorre sem qualquer vinculação com o possuidor anterior. Em razão
do apossamento, caracterizado com a tomada de controle material da coisa (posse normal) suficiente
conduta humana de ocupação de um bem.

Posse derivada - é aquela que se transmite ou se adquire pelo titulo. A obtenção dessa posse (civil) é
condicionada a satisfação dos requisitos da validade do negocio jurídico.
Agente capaz, objeto licito, possível e forma prescrita ou não proibida em lei (art. 104).
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.

Não tem necessidade de apreensão material da coisa. É derivada quando decorre de


transmissão de um sujeito a outro, como por exemplo, compra e venda, depósito comodato, etc.
No caso de morte pelo principio do saisine, aquisição derivada decorre de lei.
Também é posse derivada de lei a dos frutos que caem em meu terreno proveniente de arvore
do vizinho na forma do art. 1284, CC.
Art. 1.284. Os frutos caídos de árvore do terreno vizinho pertencem ao dono do solo onde
caíram, se este for de propriedade particular.

Na posse derivada, conservam-se os vícios ou virtudes anteriores, art.1203, CC.


Art. 1.203. Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que
foi adquirida.

Pode haver mera apreensão sem posse (pego um objeto para examiná-lo).
Pode haver posse sem apreensão (transfere por contrato e mando o adquirente apanhar em
outro local).

MODALIDADE DE TRADIÇÃO
Tradição significa entrega, é o modo derivado de apossamento da coisa.
A – “Traditio longa manu” – O transmitiste leva o adquirente ao local do imóvel que esta
entregando e indicam coisas suas pertenças e extensão, colocando tudo a disposição do adquirente.
B – “Fieta tradites” ou tradição simbólica – A entrega é feita por atitudes, conduta e gestos,
como por exemplo, entrega das chaves.

Tradição consensual se divide em:


1 – “Traditio brevi manu” ou
2 – “Constituo possuissorio”

Na primeira opção alguém possui em nome alheio e passa a possuir em nome próprio, como,
por exemplo, locatário que adquire a coisa locada, sua posse direta transforma-se em posse plena.
Na segunda opção a uma a invenção do titulo da posse com base numa relação jurídica;
Aquele que possuía em nome próprio passa a possuir em nome alheio, mantendo seu poder
material sobre a coisa mais não mais como proprietário, porém a outrem titulo comodatário, fâmulo
de posse.

AULA DO DIA 16 DE SETEMBRO DE 2010.

PERDA DA POSSE
Definição – art.1223
Art. 1.223. Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder
sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196.

Efeitos da Posse – os efeitos da posse têm relação com a sua aquisição, manutenção e perda. Os
meios de defesa estão nos artigos 1210 a 1222, CC.

Dos Efeitos da Posse (art. 1210 a 1222, CC)


Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído
no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
§ 1o O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria
força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do
indispensável à manutenção, ou restituição da posse.
§ 2o Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de
outro direito sobre a coisa.
Art. 1.211. Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente
a que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo
vicioso.
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o
terceiro, que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era.
Art. 1.213. O disposto nos artigos antecedentes não se aplica às servidões não aparentes,
salvo quando os respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de
quem este o houve.
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos.
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser
restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também
restituídos os frutos colhidos com antecipação.
Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são
separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem
como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de
má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio.
Art. 1.217. O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que
não der causa.
Art. 1.218. O possuidor de má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que
acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do
reivindicante.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e
úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder
sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias
necessárias e úteis.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias;
não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.221. As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se
ao tempo da evicção ainda existirem.
Art. 1.222. O reivindicante obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé,
tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará
pelo valor atual.

São efeitos da posse:


1- Direito ao uso dos interditos;
2- Percepção de fruto;
3- Direito de retenção por benfeitoria;
4- Responsabilidade do possuidor por deterioração;
5- Usucapião;
6- Inversão do ônus da prova para quem conteste a posse, já que a posse se estabelece pelo fato.
7- A defesa do possuidor se completa pela posse, embora não induza a presunção de
propriedade em favor do possuidor.

FRUTO
São riquezas normalmente produzidas por um bem, podem ser:
Naturais – Proveniente da força orgânica, como o fruto de uma arvore e cria de animais;
Industriais – proveniente da atividade humana, como a produção industrial;
Civis – São rendas auferidas pela coisa, proveniente do capital, tais como, juros, alugueis e
dividendos.

Os produtos são bens extraídos da coisa que diminuem sua substancia porque não se
reproduzem periodicamente como os frutos, como por exemplo, riquezas minerais, como o petróleo,
o ouro, as pedras, etc.

Os frutos podem ser:


- Pendentes, quando ainda está unida a coisa que os produziu;
- Percebidos ou colhidos, depois de separados;
- Estantes, depois de separados e armazenados;
- Percipiendos, os que deveriam ser colhidos e não o foram; e
- Consumidos, os frutos já utilizados não mais existentes.

Em razão da perda da posse, essas modalidades têm vital importância tais como as
construções, plantações e benfeitorias.
O art. 1215 reza que os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos tão logo
separados;
Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são
separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia.

Os civis percebidos dia a dia. O art. 1214, § Ú, determina que os frutos pendentes quando
cessar a boa-fé do possuidor deve ser devolvido;
Art. 1.214. Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem
ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também
restituídos os frutos colhidos com antecipação.

Com relação aos frutos civis, os rendimentos são contados, dia por dia em que esta se iniciou
para o possuidor de má-fé.
O possuidor de boa-fé tem direito aos rendimentos ate o dia em que ela cessa.
O art. 1216 informa que o possuidor de má-fé que entrega os frutos faz jus a despesa de
produção e custeio.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem
como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de
má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio.

“Ius possidendi” – é o direito de posse fundado na propriedade (em algum titulo):


Não só na propriedade, mais também nos outros direitos reais e obrigações com força real. O
possuidor tem a posse e também é proprietário.
O titular pode perder a posse e nem por isso deixara de ser proprietário, é a faculdade jurídica
de possuir.

“Ius possessionis” – É o direito fundado no fato da posse no aspecto externo.


Conforme o art. 1196, CC considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício
pleno ou não de alguns poderes inerente ao domínio ou propriedade;
O possuidor nesse caso pode não ser o proprietário, embora essa parencia encontre proteção
jurídica.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não,
de algum dos poderes inerentes à propriedade.
Nas ações possessórias (Interditos) trata-se exclusivamente da questão da posse.
Nas ações petitórias, leva-se em conta exclusivamente o direito de propriedade.

LEGITMA DEFESA DA POSSE – DESFORÇO IMEDIATO

Permite a lei a autotutela conforme, art. 1210.


Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído
no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.

Duas são as hipóteses de autotutela:


- Legitima defesa – quando a posse é ameaçada
- Desforço imediato – quando a posse é perdida.

O código civil no art. 188, I, dispõe que não constituem atos ilícitos os praticados em legítima
defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido.
Art. 188. Não constituem atos ilícitos:
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido;
Ocorre esbulho quando o possuidor é retirado total ou parcialmente de sua posse. Existe
turbação quando se agride a posse sem chegar ao esbulho, como exemplo, imóvel cercado por
pessoas armadas induz intuito de invadir, caracterizando ameaça. Este imóvel já invadido
caracteriza-se esbulho.
Onde é possível ação possessória também é possível a autotutela, podendo ser de bens moveis
ou imóveis.
Tratando-se de furto ou roubo de coisa móvel o esbulhado pode perseguir o ofensor que foge
com o objeto e retomá-lo.
Se ocorrer invasão de um prédio ou terreno cabe ao ofendido nele reingressar tão logo ocorrido
à situação com a força necessária. Passada a oportunidade e conveniência da autodefesa cabem ao
sujeito recorrer às vias judiciais.
Sem o requisito da imediatividade a conduta do agente pode tipificar o crime de exercício
arbitrário das próprias razoes.
As ações possessórias no caso de turbação ou esbulho podem obter liminar em se tratando de
agressão a posse em monos de ano e dia.

A autotutela independe a posse ser justa ou injusta de boa ou má-fé podendo se valer da ajuda
de terceiros com força suficiente.
Entende-se que a autotutela é exercida somente contra quem turbou ou esbulhou não contra
terceiros já ausente a imediatividade.
O furtador entrega a coisa receptada contra este e o prejudicado pode se valer das ações
possessórias.

AULA DO DIA 23 DE SETEMBRO DE 2010.

Interditos Possessórios

Ação
Ameaça contra a posse → interdito proibitório (arts. 932 a 933 CPC)
Art. 932. O possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na
posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante
mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso
transgrida o preceito.
Art. 933. Aplica-se ao interdito proibitório o disposto na seção anterior.

Molestar e dificultar c/a posse → manutenção da posse (sem suprimi-la do sujeito) (arts. 926 a
931 CPC)
Possuidor é retirado do poder de fato sem a coisa → reintegração de posse (art. 926
CPC).
Art. 926. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e
reintegrado no de esbulho.
Art. 927. Incumbe ao autor provar:
I - a sua posse;
Il - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;
III - a data da turbação ou do esbulho;
IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção; a perda da
posse, na ação de reintegração.
Art. 928. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o
réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração; no caso
contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para
comparecer à audiência que for designada.
Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a
manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes
judiciais.
Art. 929. Julgada procedente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de
manutenção ou de reintegração.
Art. 930. Concedido ou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração, o
autor promoverá, nos 5 (cinco) dias subseqüentes, a citação do réu para contestar a ação.
Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia (art. 928), o prazo para
contestar contar-se-á da intimação do despacho que deferir ou não a medida liminar.
Art. 931. Aplica-se, quanto ao mais, o procedimento ordinário.

Ação de esbulho ou de indenização contra terceiro


Art. 921, I CPC com art. 1211 CC → quem detiver a coisa esbulhada sabedor do vício, será
parte legítima passiva para figurar na ação possessória sendo cúmplice no esbulho. A ação de
esbulho pode ser cumulada com perdas e danos.
A ação possessória pode ser proposta contra os que praticaram o esbulho ou contra as
pessoas que os representam ou sucedem.
A não identificação de todos os réus não e problema para a propositura da ação. A origem
da posse deve ser evidenciada devendo o autor demonstrar a má fé neste aspecto.

Art. 921. É lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de:


I - condenação em perdas e danos;
Art. 1211, CC – Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á
provisoriamente a que tiver a coisa, se não tiver manifesto que a obteve de alguma das
outras por modo vicioso

Fungibilidade das ações possessórias

Só tem fungibilidade para os seguintes Casos:


- Interdito proibitório
- Manutenção da posse
- Reintegração de posse

Se for proposta a ação de reintegração e aconteceu apenas turbação o pedido será julgado
procedente em parte. O interdito proibitório pode ser julgado como manutenção. O réu não pode
alegar outra modalidade de ofensa à posse, que aquela descrita na inicial, tal atitude seria sua
confissão de agressão a posse.
O dispositivo do art. 920 CPC se restringe aos três procedimentos típicos que é o que foi
citado, interdito proibitório, manutenção da posse, reintegração de posse não podendo abranger
outras ações, com ritos diversos tais como nunciação de obra nova, embargos de terceiros
possuidor, etc.
Art. 920. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o
juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela, cujos requisitos
estejam provados.

Aplicação das ações possessórias as coisas moveis


O processo civil admite ações possessórias para coisas moveis e imóveis, havendo
procedimento especial devera ser seguido, ou então seguir o procedimento comum ordinário.
As ações possessórias citadas no art. 920 e seguintes, CPC, não fazem distinção entre
moveis e imóveis.
Caso o possuidor de coisa móvel ameaçada, turbada ou esbulhada pretender a obtenção
de liminar presente a ofensa com menos de ano e dia, deve recorrer às ações possessórias.
Passado o prazo anterior o art. 924, CPC, determina que o procedimento será ordinário
sem perder o caráter possessório. O art. 273 permite que o juiz antecipe a tutela pretendida
mesmo no procedimento ordinário passando a ter a tutela provisória da posse.
Art. 924. Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas
da seção seguinte, quando intentado dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho;
passado esse prazo, será ordinário, não perdendo, contudo, o caráter possessório.
Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os
efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se
convença da verossimilhança da alegação.

Cumulação de pedido nas ações possessórias


Pode se pedir indenização por perda da coisa dependendo d conceituação de boa ou má-
fé. O desaparecimento da coisa pode ter ocorrido antes da demanda sem que o autor soubesse ou
no curso dela.
A imposição de multa ou astrientes é conforme os art. 644, 645, CPC, c 461(obrigação de
fazer).
Art. 644. A sentença relativa a obrigação de fazer ou não fazer cumpre-se de acordo com o
art. 461, observando-se, subsidiariamente, o disposto neste Capítulo.
Art. 645. Na execução de obrigação de fazer ou não fazer, fundada em título extrajudicial,
o juiz, ao despachar a inicial, fixará multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação
e a data a partir da qual será devida.
Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer,
o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o pedido, determinará
providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento

AULA DO DIA 30 DE SETEMBRO DE 2010.

NATUREZA DÚPLICE DA AÇÃO POSSESSÓRIA

Art. 922 CPC


Com base no art. 922 CPC o demandado independe do pedido reconvencional para sua
proteção possessória. No caso do art. 922 CPC, a demanda tanto pode ser decidida a favor do
autor como a favor do réu, inclusive quanto à indenização.
A não pretensão possessória do réu na contestação, a declaração de improcedência do
pedido do autor não define com autoridade de coisa julgada a posse do réu sobre a área litigiosa.
A natureza do teor do art. 922 CPC é de reconvenção.
Nada impede a reconvenção para discutir outra parte do mesmo bem ou até mesmo outro
bem.
922. É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse, demandar a
proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho
cometido pelo autor.

Exceção de Domínio
É a discussão do domínio nas ações possessórias. Na ação possessória apenas se discute o
fato da posse, vedado examinado domínio. (art. 923 CPC). Fica obstada a propositura de ação
de reconhecimento de domínio para ambas as partes, se na possessória ambas discutem a posse.
O art. 923 CPC é para impedir ação reivindicatória no curso da ação possessória até a decisão
final.
Art. 923. Na pendência do processo possessório, é defeso, assim ao autor como ao réu,
intentar a ação de reconhecimento do domínio.
Interdito Proibitório
A escolha da ação possessória depende do grau de ofensa a posse. O remédio concedido
ao possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser molestado na posse (art. 932 CPC).
Art. 932. O possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na
posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante
mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso
transgrida o preceito.
O juiz ao expedir mandado proibitório comina ao réu pena pecuniária na hipótese de
transgressão do preceito, é ação de caráter preventivo só ocorrendo nas situações de força nova
(menos de ano e dia). Se a situação de ameaça já se estabilizou com a turbação ou esbulho
iniciou-se prazo de ano e dia conforme art. 924 CPC c/c art. 1210 CC.
Art. 924. Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas
da seção seguinte, quando intentado dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho;
passado esse prazo, será ordinário, não perdendo, contudo, o caráter possessório.
Art. 1210, CC – O possuidor tem o direito de ser mantido na posse em caso de
turbação, restituído no de esbulho, e assegurado de violência iminente, se tiver justo receio
de ser molestado.

Se após, a ocorrida a turbação ou esbulho, liquida-se a multa ou astriende do interdito,


independente da apuração dos prejuízos causados.
Para que seja feita reintegração de posse devido a invasão, inicia-se através de uma
petição baseando-se no principio da fungibilidade no rito especial por ser ano e dia, caso
contrário será o rito sumário.
Ex: no seu terreno, de repente carro da prefeitura passa e informa que necessita ocupar seu
terreno, ameaça entrar no terreno, solicita-se o interdito proibitório com força na lei o art. 928, §
único CPC, ação de mandado de segurança.
Art. 928. Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a
manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes
judiciais.

Manutenção de Posse
O titular tem o exercício de sua posse prejudicada, embora não totalmente suprimido, é
todo ato que embaraça o livre exercício da posse. (art. 927 CPC) o ônus probatório é todo do
autor.
Ex: alguém que embaraça a sua posse, estacionar um carro na porta de sua garagem, impedindo
de sair ou entrar em sua garagem.
Art. 927. Incumbe ao autor provar:
I - a sua posse;
Il - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;
III - a data da turbação ou do esbulho;
IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção; a perda da
posse, na ação de reintegração.

Os atos turbativos positivos têm como exemplo a invasão de parte do imóvel.


Os atos turbativos negativos têm como exemplos como impedir que o possuidor se
utilize da porta ou do caminho de ingresso de seu imóvel.
Os atos turbativos indireto são os praticados fora da coisa que recaem sobre o bem que é
objeto da posse produzindo efeitos nocivos.
Ex: se em razão das palavras do turbador, o possuidor deixa de conseguir inquilino para seu
prédio.
Arts. 928 e 929 CPC (mandado de manutenção)
Art. 928. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o
réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração; no caso
contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para
comparecer à audiência que for designada.
Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a
manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes
judiciais.
Art. 929. Julgada procedente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de
manutenção ou de reintegração.

AULA DO DIA 28 DE OUTUBRO DE 2010.

MANUTENÇÃO DA POSSE

Anteriormente a posse com menos de anos e dias ninguém seria mantido senão contra quem
não tivesse melhor posse.
Há uma disputa de preferência em relação a melhor posse:
A – Fundada em justo titulo;
B – A mais antiga na falta do titulo, ou sendo títulos iguais;
C – A atual ser na mesma data.
Se forem todas duvidosas é o juiz que determina o seqüestro do bem ate a decisão de
definitiva demonstrando qual a melhor (art. 1211, CC).
Art.1211, CC - Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente
a que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo
vicioso
Com relação a contestação da justificação (justificação previa) o prazo será contado a partir
da intimação do despacho que concedeu ou negou a medida liminar(art. 930, CPC) julgada
procedente, o juiz fará expedir mandato de manutenção, depois o processo seguira rito sumario (art.
931, CPC).
Art. 930, CPC - Concedido ou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração,
o autor promoverá, nos 5 (cinco) dias subseqüentes, a citação do réu para contestar a ação.
Art. 931, CPC - Aplica-se, quanto ao mais, o procedimento ordinário.

RERINTEGRAÇAÕ DA POSSE
O esbulho existe quando o possuidor fica injustamente privado da posse. Não e necessário
que o desapossamento decorra de violência, sendo os requisitos no art. 927 do CPC. O objetivo do
pedido é a restituição da coisa ou seu valor, se ela não existir mais. Existe o esbulho quando finda o
contrato de empréstimo o bem não é devolvido. Na locação a lei exige sempre a ação de despejo.
927 do CPC - Incumbe ao autor provar:
I - a sua posse;
Il - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu;
III - a data da turbação ou do esbulho;
IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção; a perda da posse, na
ação de reintegração.

Ação de força nova


Art. 928, CPC - Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o
réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração; no caso contrário,
determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para comparecer à
audiência que for designada.

Ação de força velha


Art. 273, CPC -
EMBARGOS de 3°
Art. 1046 do 3°
Os embargos são sempre decorrentes de outro processo judicial. Essa ação deve ser
distribuída por dependência com base no art. 1049, CPC.
Art. 1049, CPC - Os embargos serão distribuídos por dependência e correrão em autos distintos
perante o mesmo juiz que ordenou a apreensão.
Somente tem legitimidade quem não for parte no outro processo podendo ser designada
audiência de justificação na posse (art. 1050, CPC), a fim de ser deferida liminar (art., CPC).
Art. 1050, CPC - O embargante, em petição elaborada com observância do disposto no art. 282,
fará a prova sumária de sua posse e a qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de
testemunhas.
Serve para os atos de turbação ou esbulho ou a simples ameaça, como exemplo, a decisão que
determina a penhora de bem ainda que não expedida o mandado. Podem ser ajuizados a qualquer
tempo, antes da sentença final, ou na execução ate cinco dias após a arrematação, adjudicação ou
remissão, mas sempre antes da carta respectiva (art. 1052, CPC).
Não se suspendera o curso do processo principal quando os embargos não visarem sobre a
totalidade dos bens em litígio (art.1052, CPC).
Art. 1052 - Quando os embargos versarem sobre todos os bens determinará o juiz a suspensão
do curso do processo principal; versando sobre alguns deles, prosseguirá o processo principal
somente quanto aos bens não embargados.
Só o embargo devera ser convocado, sendo a rigor não e citado ou executado conforme
sumula 84 do STJ “é admissível a admissão de embargos de terceiro fundados em alegação de posse
advindo de compromisso de compra de imóvel ainda que desprovida de registro”.
Art. 1046§1° do CPC informa que os embargos podem ser de senhor possuidor ou apenas
possuidor.
Art.1046 § 1o Os embargos podem ser de terceiro senhor e possuidor, ou apenas possuidor.

NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA –Art. 934, CPC.


A legitimidade ativa pode ser originada de posse direta ou indireta, ou de direito real
limitado, como no caso do uso fruto, uso ou habitação cabendo também ao locatário, podendo ser
concorrente com o proprietário.
A nunciação é uma obra preventiva perante ameaça de ofensa a posse. O problema pode advir
de imóvel vizinho e não exatamente continuo.
Art. 934, CPC - Compete esta ação:
I - ao proprietário ou possuidor, a fim de impedir que a edificação de obra nova em imóvel
vizinho Ihe prejudique o prédio, suas servidões ou fins a que é destinado;
II - ao condômino, para impedir que o co-proprietário execute alguma obra com prejuízo
ou alteração da coisa comum;
III - ao Município, a fim de impedir que o particular construa em contravenção da lei, do
regulamento ou de postura.

Leitura do art. 936, 937 e 938, CPC.


Art. 936, CPC - Na petição inicial, elaborada com observância dos requisitos do art. 282,
requererá o nunciante:
I - o embargo para que fique suspensa a obra e se mande afinal reconstituir, modificar ou
demolir o que estiver feito em seu detrimento;
II - a cominação de pena para o caso de inobservância do preceito;
III - a condenação em perdas e danos.
Parágrafo único. Tratando-se de demolição, colheita, corte de madeiras, extração de
minérios e obras semelhantes, pode incluir-se o pedido de apreensão e depósito dos materiais e
produtos já retirados.
Art. 937, CPC - É lícito ao juiz conceder o embargo liminarmente ou após justificação
prévia.
Art. 938, CPC - Deferido o embargo, o oficial de justiça, encarregado de seu cumprimento,
lavrará auto circunstanciado, descrevendo o estado em que se encontra a obra; e, ato contínuo,
intimará o construtor e os operários a que não continuem a obra sob pena de desobediência e
citará o proprietário a contestar em 5 (cinco) dias a ação.

É valido lembrar que neste caso de processo não existe a expressão autor e réu, o autor é
nunciente e o réu é nunciado.
Prazo para contestação (de obra nova) é de cinco dias (938).

O nunciado poderá prosseguir na obra por sua conta em risco, a qualquer tempo desde que
preste caução e justifique prejuízo resultada da suspensão (art.940, CPC)
Art. 940, CPC - O nunciado poderá, a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição,
requerer o prosseguimento da obra, desde que preste caução e demonstre prejuízo resultante
da suspensão dela.

EMBARGO EXTRAJUDICIAL (art. 935, CPC).


A liminar concedida, seus efeitos retroagem a data do embargo extrajudicial.
Na ação de nunciação que segue a liminar deve ser pedida a ratificação extrajudicial como
também a concessão de liminar.
A liquidação dos prejuízos é feita na própria ação. É inadmissível essa ação de a obra nova
vem a ser executada na rua ou no logradouro publico (reclamação administrativa).
Art. 935, CPC - Ao prejudicado também é lícito, se o caso for urgente, fazer o embargo
extrajudicial, notificando verbalmente, perante duas testemunhas, o proprietário ou, em sua
falta, o construtor, para não continuar a obra.

AULA DO DIA 04 DE NOVEMBRO DE 2010.

IMISSÃO DE POSSE – Art. 381, CPC.


Art. 381, CPC - O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos
livros comerciais e dos documentos do arquivo:
I - na liquidação de sociedade;
II - na sucessão por morte de sócio;
III - quando e como determinar a lei.

É tipificamente ação petitória, devera ser adotada por quem adquire ma propriedade por meio
de tutela registrada, mas não pode investir-se na posse pela primeira vez, pois o alienante ou um
terceiro detentor a ele vinculado resiste em entregar. Não se aplica o principio da fungibilidade entre
esta ação e uma possessória já que o autor de uma imissão da posse nunca teve posse.
Na imissão de posse o seu pólo passivo só compreende o alienante ou terceiros subordinado
como mero detentor, como por exemplo.
Se no instante em que o adquirente ingressa no imóvel pela primeira vez, o possuidor que lá
se encontra não tem relação jurídica ou de subordinação com o alienante, terá um novo proprietário
ajuizar ação reivindicatória (art. 1228, CC).
Art. 1228, CC - O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de
reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.
Na mesma situação, se o alienante encontrar um comodatário, locatário ou arrendatário em
virtude de contrato como alienante por prazo determinado, respeitando este prazo, devera se socorrer
da ação possessória cabível (integração de posse) ou despejo no caso de locação.
O adquirente se sub-rogou em todos direitos primitivos do anterior proprietário. Nesse caso o
adquirente vai recuperar a posse bifurcada cedida temporariamente.
Sendo a imissão de posse ação petitória a primeira conseqüência do seu ajuizamento e a
impossibilidade de concessão de eliminar de imissão de posse toda via cabe antecipação de tutela
prevista no art. 273, CPC.
Art. 273, CPC - O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os
efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se
convença da verossimilhança da alegação e:

AULA DO DIA 11 DE NOVEMBRO DE 2010-11-13

AÇÃO REINVINDICATORIA
É ação petitória, sendo direito do proprietário pelo principio da seqüela ir à busca da coisa,
onde se encontre e em poder de quem se encontre.
É o direito de o proprietário recuperar a coisa do possuidor não proprietário que a detém
indevidamente.
A presunção do registro imobiliário não é absoluta, podendo cumular pedido de declaração de
sua propriedade com a reivindicação.
O pedido reivindicatório pode vir cumulado com perdas e danos.

INDENIZAÇAÕ DAS BENFEITORIAS E RETENÇÃO


Acessão – significa aumento da coisa objeto de propriedade. Pelo principio da acessoriedade passa a
pertencer ao dono da coisa principal ou que se adere a ela.
Divide-se em:
- Formação d ilhas – Art. 1249, CC – Sedimentação paulatina que faz aparecer ilhas nos leitos dos
rios(rebaixamento);
Art. 1249, CC - As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem
aos proprietários ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes:
I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos
ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que
dividir o álveo em duas partes iguais;
II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se
acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado;
III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a
pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram.

- Aluvião – Art.1250, CC – Créscimos formados por depósitos e aterros naturais pelos desvios d e
águas dos rios ainda que estes sejam navegáveis, pertencem aos donos dos terrenos marginais;
Art.1250, CC - Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e
aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas,
pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização.

- Avulsão –art.1251, CC – Quando a força subta da corrente arranca uma parte considerável e
reconhecível de um prédio (terreno), arrojando-a sobre outro prédio;
Art.1251, CC - Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um
prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o
dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado.

- Álveo abandonado – art. 1252, CC – ocorrendo desvio da corrente d’água, os proprietários da terra
por onde as águas naturalmente abrem (passam) no curso não tem o direito a indenização (caso
fortuito);
Art.1252, CC - O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas
margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo
curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo.

- Construções e plantações – São decorrentes da conduta humana que são de móvel a imóvel. Não
confundir acessões com benfeitorias que são obras ou despesas feitas para fim de conservá-la,
melhorá-la ou embelezá-la.
Na acessão quem constrói sabe que o terreno não é seu, que convictamente entende possuir
ou ser dono;

- Benfeitorias - O possuidor de boa-fé tem o direito de ser indenizado pelos melhoramentos que ele
produziu no bem.
A – Benfeitorias necessárias - São aquelas que têm o objetivo de conservar o bem ou aceitar que se
deteriore. Pode também ser a conservação jurídica, impede o perecimento, e despesas pra dar
suficiente solidez a uma residência para a cura das enfermidades dos animais, as efetuadas para o
cancelamento de uma hipoteca, liberação de quaisquer ônus reais, pagamento de impostos e
promoção de despesas do C.O

B – Despesas ou benfeitorias úteis –

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POSSE E PROPRIEDADE 18/11/2010


Modos de Aquisição

Dividem-se em originários e derivados:


Na aquisição originária a aquisição é direta e independente de outra pessoa, não há
transmissão por qualquer pessoa. Como exemplo tem a ocupação, a usucapião e a acessão.
Se o modo é originário a propriedade passa ao patrimônio do adquirente sem qualquer
limitação ou vício de propriedade anterior.
Já o modo derivado é feito de pessoa á pessoa e a transmissão é feita com os mesmos
atributos e eventuais limitações que existiram anteriormente sobre a propriedade como exemplos: A
transcrição do título de transferência no RGI, direitos hereditários.

Requisitos do Usucapião
De acordo com o disposto no art. 1244 CC não pode ser alegada usucapião.
Art. 1.244, CC Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que
obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião
A - Entre cônjuges na constância da sociedade;
B - Entre ascendentes e descendentes durante o poder familiar;
C - Entre tutelado, curatelado e seus tutores e curadores, durante a tutela ou curatela;
D - Em favor do credor solidário nos casos dos art. 201 e 204 § 1º CC ou do herdeiro do devedor
solidário, na hipótese do art. 204 § 2º CC;
Art. 201, CC Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os
outros se a obrigação for indivisível.
Art. 204. § 1o , CC - A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim
como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.
§ 2o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os
outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis.
E - Os contra os absolutamente incapazes de que trata o art.3º, CC;
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:
I - os menores de dezesseis anos;
II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento
para a prática desses atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.
F - Contra os que ausentes do país em serviço público de união dos estados e municípios;
G - Contra os que se acharem, servindo as forças armadas em tempo de guerra;
H - Pendendo condição suspensiva;
I - Não estando vencido o prazo;
J - Pendendo ação de evicção;
L - Antes da sentença que julgará fato que deva ser apurada em juízo criminal;
M - Havendo despacho do juiz mesmo incompetente que ordenar a citação feita ao devedor;
N - Havendo protesto inclusive cambial;
O - Se houver apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de
credores;
P - Se houver ato judicial que constitua em mora o devedor;
Q - Havendo qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial que importe sem reconhecimento
do direito do devedor alcançando inclusive o fiador (art. 204 § 3º)
Art.204 § 3o A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.

È o que se insere nos arts 197,198,199,200,201 e 202 , CC


Das Causas que Impedem ou Suspendem a Prescrição
Art. 197. Não corre a prescrição:
I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal;
II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;
III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou
curatela.
Art. 198. Também não corre a prescrição:
I - contra os incapazes de que trata o art. 3o;
II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos
Municípios;
III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.
Art. 199. Não corre igualmente a prescrição:
I - pendendo condição suspensiva;
II - não estando vencido o prazo;
III - pendendo ação de evicção.
Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não
correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva.
Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam os
outros se a obrigação for indivisível.
Seção III
Das Causas que Interrompem a Prescrição
Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a
promover no prazo e na forma da lei processual;
II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;
III - por protesto cambial;
IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de
credores;
V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do
direito pelo devedor.

O Animus Domini é o requisito psíquico que se integra a posse para afastar a possibilidade de
usucapião dos fâmulos como também a do locatário, do comodatário, do frutuário, do promitente
comprador e do cessionário.
A posse deve ser mansa e pacífica exercida sem contestação de quem tenha legítimo interesse
como, por exemplo, do proprietário contra quem se pretende usucapir.
Se a posse for perturbada pelo proprietário, que se mantém insistente na defesa do seu domínio
falta um requisito para usucapião.
Ela Precisa ser contínua sem intermitência ou intervalo. Se o usucapi ente vier a perder a pose
por qualquer razão não mais será possível seu reconhecimento judicial, por uma espécie de
retroatividade.
Perdida a posse, inutiliza-se o tempo anteriormente perdido ou vencido.
Embora a lei reclame a continuidade da posse, admite continuidade dentro dela conforme
determina o art. 1233, CC.
Art. 1.233, CC - Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou
legítimo possuidor.
Contanto que todas elas sejam continua pacífica e ainda no caso do art. 1242, CC que haja justo
titulo e boa-fé, trata-se de união de posse.
Art. 1.242,CC - Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e
incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos.

ESPECIEIS
O art. 1238, CC consagra o usucapião extraordinária “aquele que por quinze anos, sem
interrupção e nem oposição, possuir seu imóvel, adquirir-se a propriedade independente de titulo e
boa-fé conforme o art. 1242, CC explica o usucapião ordinário.
Art. 1.238, CC - Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir
como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé;
podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o
registro no Cartório de Registro de Imóveis.
A CF no art.183, § 3º e o CC no art. 1240 contempla o usucapião urbano desde que não seja
imóvel publico e que tenha dimensão de ate 200 metros quadrados, se não for proprietário de outro
imóvel urbano ou rural e se tiver exercido sua posse ininterruptamente por 5 anos, sem oposição,
destinando sua moradia ou de sua família não se exigindo prova de justo título.
Art. 183, C.F - Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta
metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro
imóvel urbano ou rural.
§ 1º - O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou
a ambos, independentemente do estado civil.
Art. 1.240, CC - Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta
metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro
imóvel urbano ou rural.

As áreas urbanas por mais de 250 metros quadrados ocupadas por população de baixa renda
para sua moradia por mais de cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível
identificar os terrenos ocupados por cada um dos possuidores são suscetíveis de ser usucapidos
coletivamente.

SIDNEY NUNES