Della Estruturas

Tópicos especiais em concreto armado

Autor: Rodrigo Gustavo Delalibera

Texto apresentado para curso de especialização - UNILINS

São Carlo, 25 de Julho de 2006.

Rua Vitório Giometi, 620, Apto, 33, Bl. 01, Jd. Nv. Sta. Paula, 13564-330, São Carlos, - SP, (16)3306-9107, dellacivil@yahoo.com.br

ÍNDICE CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO 1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1 1 1 2 2 2 2 3 3 5 6 6 6 6 6 7 7 9 9 10 11 11 14 19

CAPÍTULO 2 ESCOLHA DO TIPO DE FUNDAÇÃO 2.1. 2.1. 2.1.1. 2.1.2. 2.1.3. PROCEDIMENTOS FUNDAÇÕES A SEREM PESQUISADAS FUNDAÇÃO RASA FUNDAÇÃO EM ESTACAS FUNDAÇÃO EM TUBULÕES

CAPÍTULO 3 FUNDAÇÕES RASAS 3.1. 3.2. 3.2.1. 3.2.2. 3.2.3. 3.2.4. 3.2.5. 3.2.6. 3.3. 3.3.1. 3.3.2. 3.3.3. COMENTÁRIOS INICIAIS TIPOS DE FUNDAÇÕES RASAS SAPATAS ISOLADAS SAPATAS CORRIDA SAPATAS ASSOCIADAS GRELHA BLOCOS DE FUNDAÇÃO RADIER DIMENSIONAMENTO DE RADIERS CÁLCULO POR MÉTODOS ESTÁTICOS CÁLCULO POR MÉTODOS NUMÉRICOS EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO DE RADIER – ESFORÇOS SOLICITANTES.

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Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações

CAPÍTULO 4 BLOCOS SOBRE ESTACAS 4.1. 4.2. 4.2.1. 4.2.2. 4.2.3. 4.2.4. 4.2.5. 4.2.6. 4.2.7. 4.2.8. 4.2.9. 4.3. 4.4. 4.5. COMENTÁRIOS INICIAIS CRITÉRIOS DE PROJETOS DE BLOCOS SOBRE ESTACAS PROCEDIMENTOS GERAIS DO PROJETO DISTÂNCIA ENTRE EIXOS DE ESTACAS MÉTODO DA SUPERPOSIÇÃO DOS EFEITOS PARA BLOCOS SOLICITADOS POR FORÇA

25 25 25 27 27 28 29 30 30 31 31 32 35 37 38 41 43

VERTICAL E MOMENTO

CLASSIFICAÇÃO DOS BLOCOS SOBRE ESTACAS DISTÂNCIA DO EIXO DA ESTACA ATÉ A FACE DO BLOCO LIGAÇÃO ESTACA-BLOCO RECOMENDAÇÕES SOBRE EXCENTRICIDADES ACIDENTAIS ANCORAGEM DA ARMADURA PRINCIPAL DE TRAÇÃO – TIRANTE DETALHAMENTOS DAS ARMADURAS SECUNDÁRIAS MÉTODO DE DIMENSIONAMENTO DIMENSIONAMENTO DE BLOCOS SOBRE N ESTACAS COMENTÁRIOS FINAIS

BIBLIOGRAFIA

Engº. Rodrigo Gustavo Delalibera, dellacivil@yahoo.com.br

ii

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CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

1.1.

Considerações iniciais

Este texto trata de assuntos relativos ao projeto e dimensionamento de elementos especiais de fundações que não são empregados usualmente em estruturas correntes, como: radiers e blocos sobre n estacas. A finalidade deste texto é orientar é dar subsídios aos alunos de graduação para o projeto de estruturas de fundações. A escolha do tipo de fundação para uma determinada construção é feita após estudo que considere as condições técnicas e econômicas da obra. Por meio do conhecimento dos parâmetros do solo, da intensidade das ações, dos edifícios limítrofes e dos tipos de fundações disponíveis no mercado, o engenheiro pode escolher qual a melhor a alternativa para satisfazer tecnicamente e economicamente o caso em questão. O projeto e execução de fundações requerem conhecimentos de geotecnia e cálculo estrutural. Por exemplo, imaginado-se o caso de um edifício de concreto armado, construído num terreno sem vizinhos, em geral, a estrutura é calculada por um engenheiro de estruturas que supõe os apoios indeslocáveis, daí resultando um conjunto de ações externas (forças verticais, horizontais e momentos) que é passado ao projetista de fundações. Com auxílios de informações técnicas sobre geotecnia, o engenheiro de fundações projeta e dimensiona os elementos de fundações. Acontece que estas fundações, quaisquer que sejam, quando em serviço, solicitarão o terreno, que se deforma, e estas deformações resultam deslocamentos verticais (recalques), horizontais e rotações. Com isto, a hipótese usual de apoios indeslocáveis fica prejudicada, e nas estruturas hiperestáticas, que são a grande maioria, os esforços solicitantes inicialmente calculados são modificados. Chega-se assim, ao conhecido problema de interação solo-estrutura. Portanto, o projeto de estrutura deve estar integrado ao projeto de fundações.

1. Por exemplo. escolhendo-se entre os tipos de fundações existentes. – Intensidades das ações a serem transmitidas para a infra-estrutura. . 2.della estruturas CAPÍTULO 2 ESCOLHA DO TIPO DE FUNDAÇÃO 2. – Tipos de fundações existentes no mercado. Para tanto devem ser conhecidos os seguintes elementos: – Proximidade dos edifícios limítrofes bem como seu tipo de fundação e estada da mesma. Quando não se dispõe dos esforços solicitantes oriundos do cálculo estrutural é possível estimar as ações atuantes nas fundações por meio de valores médios. O problema é resolvido por exclusão. em se tratando de edifícios correntes de concreto armado (destinados a moradia ou escritório) pode-se adotar uma ação uniformemente distribuída entre 10 kN/m2 e 12 kN/m2 (por pavimento). – Natureza e características do subsolo no local da obra. Fundações a serem pesquisadas No mínimo as seguintes fundações necessitam serem pesquisadas. Procedimentos A escolha de uma fundação para uma determinada construção só deve ser feita após constatar que a mesma satisfaz às condições técnicas e econômicas da obra em questão.1. A posteriore é feito um estudo comparativo de custos dos diversos tipos selecionados visando com isso escolher o mais viável economicamente. aquelas que satisfaçam tecnicamente ao caso em análise.

este tipo de fundação não deve ser usado nos seguintes casos: – Aterro compactado. – Metálicas. evitando desse modo Engº.1. – Strauss. Fundação em estacas Dentre as fundações em estacas existem: – Brocas. acima do nível da água. – Pré-moldadas de concreto. Fundação rasa É o primeiro tipo de fundação a ser pesquisada.1) sendo: – σs a pressão de pré-adensamento de solos predominantemente argilosos. A ordem de grandeza da taxa admissível é obtida por: SPTmédio (MPa) . – Areia fofa e muito fofa. As Brocas são aplicadas para ações de pequenas intensidades (de 50 kN a 100 kN). Em princípio este tipo de fundação só é vantajoso quando a área ocupada pela fundação abranger. As estacas tipo Strauss abrangem a faixa de força compreendida entre 200 kN e 800 kN. – Tipo mega. de 50 % a 70 % da área disponível. – Existência de água onde o rebaixamento do lençol freático não se justifica economicamente. 2. – Escavadas. Possuem diâmetro variável.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 2. dellacivil@yahoo. expressa em Pa. para solos com SPT ≥ 20 50 σs = (2.com.1. Rodrigo Gustavo Delalibera.1. – Argila mole. De uma maneira geral. – Franki. entre 15 cm e 25 cm e comprimento do fuste em torno de 3 m. no máximo.2.br 3 . Apresentam a vantagem de não provocar vibrações.

são cravadas com auxílio de um macaco hidráulico reagindo contra a estrutura. Não é recomendável sua utilização abaixo do nível da água. – Terrenos em que a previsão da conta de ponta da estaca seja muito variável. Rodrigo Gustavo Delalibera. caso de subsolos (perfis com pranchões de madeira). geralmente construídas em concreto. impedir a concretagem (que deve ser feita a seco). – Terrenos com camadas de argila mole saturada (estrangulamento do fuste análogo ao caso da estaca Strauss). podem servir de cortina de contenção para execução de subsolos (desde de que devidamente armadas). de modo que não seja possível selecionar regiões de comprimento constantes. por unidade de carga. atualmente seja o tipo de estaca mais cara.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações danos às construções vizinhas. visto que se pode tornar inviável drenar a água do subsolo dentro do tubo e. As estacas Metálicas. portanto. Embora. Engº. pois eliminam o uso de vigas de equilíbrio e ajudam no escoramento. – Quando servem de apoio a pilares de divisa. As Pré-moldadas de concreto abrangem as forças de 200 kN a 2400 kN. mesmo nos casos em que estas se encontrem em situação relativamente precária. abrangem a faixa de força entre 400 kN a 3000 kN. Não é recomendada sua utilização nos seguintes casos: – Terrenos com matacões. geralmente constituídas por perfis simples ou compostos. – Situações em que as construções vizinhas se encontrem em estado “precário”. Normalmente são utilizadas em reforços de fundações. Quando executadas uma ao lado da outra (estacas justapostas). – Construções vizinhas em estado precário. a mesma pode ser uma solução vantajosa nos casos descritos: – Quando não se deseja vibração durante a cravação (principalmente se forem perfis simples). Não se deve utilizar este tipo de estacas nos casos descritos abaixo: – Terrenos com presença de matacões ou camadas de pedregulhos.com. Também no caso de argilas moles saturadas. dellacivil@yahoo. tubos ou tribos. principalmente se o solo for arenoso. As estacas do tipo Franki abrangem a faixa de força de 200 kN a 1500 kN e seu processo executivo (cravação de um tubo com a ponta fechada e execução de base alargada) causa muita vibração. pois poderá ocorrer estrangulamento do fuste durante a concretagem. As do tipo Mega.br 4 . quando as vibrações causadas pela cravação dessas estacas possam criar danos.

quando não é possível esgotar a mesma. A tensão admissível do solo da camada de apoio da base é obtida por meio da Expressão 2. O diâmetro da base e a tensão admissível obedecem às mesmas diretrizes dos tubulões a céu aberto.2) sendo: – σs a pressão de pré-adensamento de solos predominantemente argilosos. 2. para solos com SPT ≥ 20 30 σs = (2. Os tubulões a céu aberto são utilizados acima no nível da água e. Rodrigo Gustavo Delalibera. porém necessitam de área relativamente grande para a instalação dos equipamentos necessário para a sua execução. Estacas com hélice contínua. O diâmetro da base deve ser limitado a 4 m e o fuste deve ter diâmetro maior ou igual a 70 cm. Os tubulões a céu aberto são utilizados praticamente para qualquer faixa de força. competindo em custo com tubulões a ar comprimido. Fundação em tubulões Existem dois tipos de tubulões. geralmente construídas com lama bentonítica e utilizadas em situações de forças elevadas (acima de 1500 kN).2. Os tubulões a ar comprimido são usualmente empregados para forças com grande intensidade (acima de 3000 kN).della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Estacas Escavadas.com. dellacivil@yahoo. os tubulões a ar comprimido são construídos em situações em que a cota de arrasamento da base do tubulão esta abaixo do nível da água. Não provocam vibrações.1. Engº.br 5 .3. se equivalem com as estacas escavadas. a céu aberto e a ar comprimido (com camisa de aço ou concreto). SPTmédio (MPa) . Não produzem vibrações durante sua execução e seu limite de carga é condicionado à área de sua base.

Estas podem receber ações centradas ou excêntricas. sapatas isoladas. grelhas e radier. Comentários iniciais As fundações rasas são as que se apóiam logo abaixo da infra-estrutura e se caracterizam pela transmissão das ações ao solo por meio das pressões distribuídas sobre sua base. Figura 3. E podem ainda ter a altura constante ou variável (chanfrada). É o tipo de sapata mais utilizada. sapatas associadas.1. Podem ser quadradas. Neste grupo incluem-se os blocos de fundação.2. A Figura 3.1 – Sapatas isoladas.1 apresenta este tipo de sapata.1. Sapatas isoladas Transmitem ações de um único pilar.della estruturas CAPÍTULO 3 FUNDAÇÕES RASAS 3. Tipos de fundações rasas 3. sapatas corrida. 3.2. retangulares ou circulares. .

3). mas quando ocorrem variações consideráveis de Engº. estas se aproximariam ou mesmo se sobreporiam a uma base adjacente. se fossem utilizadas sapatas isoladas. – Sapatas corrida para pilares. de maneira que. Também podem ser utilizadas para fundações de pilares.3.2. Com condições de carregamento similares.2 apresenta a fundação em questão.3.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 3. dellacivil@yahoo. VIGA DE RIGIDEZ PILAR Figura 3. muros de divisa e fundações de pequenas construções.4).br 7 .2. São utilizadas quando a distância entre as sapatas é relativamente pequena. uma sapata corrida contínua é então desenvolvida na linha dos pilares (Figura 3. Sapatas corrida Sapata sujeita a ação distribuída.2. Em situações em que os pilares são posicionados um ao lado do outro com espaçamentos relativamente curtos. Sapatas associadas Transmitem ações de dois ou mais pilares adjacentes. A Figura 3.2. podem ser assentes em uma sapata corrida simples (Figura 3.com. 3. Geralmente utilizada com fundações de muros de arrimo. Rodrigo Gustavo Delalibera. – Sapatas corrida contínua. Figura 3.

5). VIGA DE RIGIDEZ PILAR Figura 3.br 8 . viga de equilíbrio.com. Engº.5. um plano de base trapezoidal satisfaz adequadamente à imposição de coincidir o centro geométrico da sapata com o centro das ações. caso do projeto da sapata interna. VIGA DE RIGIDEZ PILAR Figura 3. Caso necessário. dellacivil@yahoo. quando ocorrer redução das ações. quando há um pilar interno próximo não sendo necessário à utilização de vigas de equilíbrio (Figura 3. – Sapata associada em divisa. a viga de rigidez também poderá funcionar como viga de equilíbrio (ou viga-alavanca). apoiada nas sapatas junto a divisa e em uma sapata construída para pilar interno. esta deve ser dimensionada considerando-se apenas 50% de redução da força.6). No caso de pilares posicionados junto a divisa do terreno (Figura 3.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações carregamento. Podem ser adotadas também no caso de pilares de divisa. o momento produzido pelo não alinhamento da ação com a reação deve ser absorvido por uma viga. e quando da soma dos alívios totais puder resultar tração na fundação do pilar interno.4. – Sapata associada retangular. A NBR 6122:1996 indica que. Rodrigo Gustavo Delalibera. o projeto deve ser reavaliado.

Podem ter suas faces verticais.com.4.2. 3.5.br 9 . Grelha Elemento de fundação constituído por um conjunto de vigas que se cruzam nos pilares. 3. Figura 3. Engº. inclinadas ou escalonadas e apresentar em planta seção quadrada ou retangular (figura 3. executados com concreto simples ou ciclópico. Blocos de fundação São elementos de grande rigidez. dellacivil@yahoo.6.7). Rodrigo Gustavo Delalibera.2.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações DIVISA VIGA−ALAVANCA Figura 3. dimensionados de modo que as tensões de tração existentes possam ser resistidas pelo concreto.7 – Sapata com viga de equilíbrio. – Sapata com viga de equilíbrio.

A Figura 3. o valor do S.8 – Sapata com viga de equilíbrio.8 apresenta este tipo de fundação. Os tipos descritos foram classificados em ordem crescente da rigidez relativa. Atualmente o radier tem sido largamente utilizado em construções de casas populares. Quanto à forma estrutural os radiers são projetados segundo quatro tipos principais: radiers lisos. O radier pode ser executado com e sem vigas.P. deverá ser superior ou no máximo igual a 20.T.P. VIGA LAJE PILAR LAJE VIGA Figura 3.6. diminui com o aumento da profundidade das camadas). formando uma laje espessa que abrange todos os pilares da obra ou ações distribuídas. radiers com pedestais ou cogumelos.T.com. em função da facilidade de execução. não é aconselhável a utilização de radier em aterros e em solos que apresentam perfil geológico decrescente (ou seja. dellacivil@yahoo. Trata-se de uma sapata associada. Engº.br 10 . radiers nervurados. radiers em caixão. Rodrigo Gustavo Delalibera. É preciso tomar alguns cuidados quando se projetar uma fundação em radier: o S. Radier Quando as áreas das bases das sapatas totalizam mais de 70% da área do terreno recomenda-se a utilização de radier.2.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 3.

Estas duas hipóteses podem ser vistas na Figura 3.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 3. método da placa sobre solo de Winkler. Trataremos neste texto sobre os métodos estático e dos elementos finitos. entre eles estão: método estático.9 – Pressões de contato em radier: a) variação linear ao longo do radier. Quanto ao dimensionamento geotécnico.3. e o cálculo que segue a segunda hipótese será chamado de cálculo pela área de influência dos pilares. dellacivil@yahoo.com.3. apenas o equilíbrio estático das ações atuantes e da reação do terreno.1. b) pressões constantes na faixa de influência dos pilares. Dimensionamento de radiers Existem alguns métodos para o dimensionamento estrutural de radiers. os esforços internos em radiers podem ser calculados pelos chamados métodos estáticos. apenas. método das diferenças finitas. para o cálculo dos esforços internos na fundação Engº. métodos dos elementos finitos. Rodrigo Gustavo Delalibera. Leva-se em conta.br 11 . enquanto que a segunda hipótese aplica-se aos radiers flexíveis.9. Cálculo por métodos estáticos Como no caso das vigas de fundação. Esses métodos são indicados. que são métodos que se baseiam em hipóteses sobre a distribuição das pressões de contato. – Pressões são uniformes nas áreas de influência dos pilares. Nos métodos estáticos nenhuma consideração é feita quanto à compatibilidade de deformações do solo e da estrutura com as reações do solo. sistema de vigas sobre base elástica. como: – Pressões variando linearmente sob o radier. A primeira hipótese se aplica aos radiers classificados como rígidos. o cálculo seguindo a primeira hipótese será chamado de cálculo com variação linear de pressões. valem às mesmas considerações utilizadas do dimensionamento das sapatas. Assim. Figura 3. 3.

75 kv ⋅ b 4 ⋅ Ec ⋅ I (3. dellacivil@yahoo. as pressões de contacto são determinadas a partir. Num cálculo deste tipo.10). Para efeito de análise. Radier R b Faixa q2. Rodrigo Gustavo Delalibera.b Modelo de cálculo q1. apenas.com. como no caso de radiers nervurados e em caixão.10 – Pressões de contato em radier: a) variação linear ao longo do radier. um radier pode ser considerado rígido se o espaçamento entre colunas ℓ atender a expressão 3.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações para seu dimensionamento estrutural e não para avaliação da distribuição dos recalques. o radier é dividido em dois conjuntos de faixas ortogonais. 3.br 12 .1. Cálculo como radier rígido ou com variação linear de pressões Um cálculo por método estático em que se admite variação linear de pressões de contacto coincide com aquele em que o radier é suposto rígido sobre o solo de Winkler. Este método é normalmente utilizado para radiers de grande rigidez relativa.b Figura 3.1) Engº. Segundo o ACI (1994).1. l≤ 4 1. As equações das pressões de contacto sob sapatas rígidas sobre solo de Winkler podem ser utilizadas.3.1. b) pressões constantes na faixa de influência dos pilares. da resultante do carregamento (ver Figura 3.

I.2.br 13 . devese redefinir as pressões médias nos painéis. as faixas são calculadas como vigas de fundação independentes.11b). a largura da faixa de influência da linha de colunas. – Ec. então.2) – Determinar uma pressão média atuando nos painéis (média ponderada dos qi naquele painel). As pressões de contacto atuantes em cada faixa são projetadas para o eixo das vigas para um cálculo como elemento unidimensional (Figura 3.9). dellacivil@yahoo. Ai. 3. Se as reações nos apoios forem muito diferentes das forças nos pilares. deve-se fazer: – Determinar a área de influência de capa pilar.1.3. como num pavimento de superestrutura.11. considera-se a força dos pilares sem majoração. E se a variação nas forças e espaçamentos das colunas não forem maiores que 20%.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Sendo: – b. O procedimento a seguir é explicado por meio da Figura 3. – Calcular. Para dimensionamento estrutural. Engº. Rodrigo Gustavo Delalibera. Cálculo pela área de influência dos pilares O cálculo pela área de influência dos pilares é geralmente aplicado em radiers de rigidez relativa média. o coeficiente de reação vertical (corrigido para a forma e dimensão do radier). – Calcular a pressão média nesta área: qi = Fi Ai (3. é o módulo de rigidez da faixa. basicamente. naquele em que as vigas têm suas pressões de contacto supostas variando linearmente (Figura 3. O problema a resolver recai. Por outro lado. os esforços nas lajes e vigas e as reações nos apoios (pilares). Este método é análogo àquele em que as vigas têm suas pressões de contacto supostas uniformes nas áreas de influência dos pilares (Figura 3. – kv.10). a despeito da aproximação que é feita na definição das pressões de contato.com.

2. Neste texto são apresentados dois métodos para o dimensionamento estrutural de radiers: Analogia de Grelha e o Método dos Elementos Finitos. em função disto. 3. representado com um meio contínuo (elástico e linear ou não). Rodrigo Gustavo Delalibera. Quem primeiro representou o solo como um sistema de molas com resposta linear foi Winkler (1867) apud Velloso & Lopes (1996).1. sapatas e Engº. para isto.11 – Esquema de cálculo de um radier pela área de influência dos pilares. dellacivil@yahoo.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Ai Fi Figura 3. Para que os resultados sejam mais representativos faz-se necessário a modelagem do solo. Este modelo pode ser utilizado tanto para carregamentos verticais.com. e. 3. Cálculo por métodos numéricos Os cálculos por métodos estáticos são trabalhosos além de não apresentarem bons resultados. Este tipo de representação é denominado Modelo de Winkler ou Hipótese de Winkler. como por exemplo.br 14 . Modelos discretos de representação do solo A representação do solo em análise numérica pode ser feita de duas maneiras: por meio de molas (modelos discretos com comportamento linear ou não – Hipótese de Winkler). as pressões de contato são proporcionais aos deslocamentos. podê-se adotar as hipóteses de Winkler (para os casos de Analogia de grelhas e Métodos dos Elementos Finitos) ou considerar o solo como meio contínuo (apenas no caso do Método dos Elementos Finitos).3. radiers.3. as soluções numéricas ganham força.2. Segundo o modelo.

definido pela Equação 3. também é chamada por alguns autores de módulo de reação ou coeficiente de mola.L-3). o coeficiente obtido por meio do ensaio não é uma propriedade do solo. Essas correções são necessárias. porém. A constante de proporcionalidade Kv é usualmente chamada de coeficiente de reação vertical.3) w w F = K v .12. Desta maneira. F = Kv ⋅ w (3. uma vez que seu comportamento é análogo ao de uma membrana assente sobre fluido denso e. Kv = 1 E solo 1 ⋅ ⋅ B 1 − ν 2 Is (3. Rodrigo Gustavo Delalibera. dellacivil@yahoo.4. pois. cálculo do recalque da fundação real e uso de tabelas de valores típicos. mas. também porque as unidades do coeficiente de reação são as mesmas do peso específico (dimensão F. Aos valores do coeficiente de reação obtido por meio do ensaio de placa cabe fazer correções de dimensão e forma. quanto para ações horizontais.4) Engº. como é o caso de estacas sob forças horizontais e estruturas de escoramento de escavações.w Kv Figura 3.3 e Figura 3. define-se o coeficiente de mola por meio da Equação 3. A Equação 3. exprimem a hipótese de Winkler. O coeficiente de reação vertical.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações vigas de fundação. uma resposta a uma força aplicada por uma dada estrutura. Este modelo também é conhecido como modelo de fluido denso.3 pode ser obtido por meio de: ensaio de placa.br 15 .com.12 – Esquema de cálculo de um radier pela área de influência dos pilares.

A Tabela 3.1 – Módulo de deformação do solo em função do SPT e Rp.2 coeficientes de Poisson para alguns tipos de solo.br 16 .della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações sendo: – Kv. Engº.4 e 0. e da resistência de ponta de um tubulão ou estaca. – Esolo.15 0. Rodrigo Gustavo Delalibera. Tabela 3. o fator de forma da fundação. viga ou radier).com.3 – 0.1 – 0.35 0. – B. o coeficiente de mola. dellacivil@yahoo. e.25 0.4 Nota: (*) índice de vazios compreendido entre 0. O módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do solo podem ser obtidos por meio de valores tabelados fornecidos por Bowles (1982). A Tabela 3. menor o coeficiente Kv e.2 – Coeficiente de Poisson para diferentes tipos de solos. Tipo de solo Argila Areia Rocha Saturada Não saturada Arenosa siltosa Densa Fofa* e grossa Fofa* e fina Variação em função do tipo de rocha Coeficiente de Poisson ν 0. o coeficiente de Poisson do solo. a menor dimensão da fundação (sapata. também menor do valor de Kv.5 0.4 -0. Por meio da Equação 3.4 observa-se que quanto maior a fundação (maior o lado B). Bowles (1982). tendendo para uma forma retangular mais alongada.3 0. – Is.P.2 – 0.T.2 – 0.1 – 0. o módulo de elasticidade do solo. – νsolo.4 0.7. Bowles (1982).1 traz valores de módulos de elasticidade de alguns solos em função do S. quanto mais a forma da fundação se distancia da quadrada ou circular. Tipo de solo Areia Areia argilosa Areia siltosa Areia/pedregulho Argila mole Módulo de deformação do solo (Esolo) Es = f(SPT) Es = f(Rp) (KPa) (KPa e kN) Es = 500(SPT +15) Es = 2 a 4 Rp Es = 320(SPT + 15) Es = 3 a 6 Rp Es = 300(SPT + 6) Es = 1 a 2 Rp Es = 1200(SPT + 6) Es = 6 a 8 Rp Tabela 3.3 0.

76 0.70 5.64 0.15 1. utilizando as recomendações de Perloff (1960) apud Velloso & Lopes (1996).br 17 .10 2. Radier Radier Meio Contínuo Molas Figura 3.83 2. A outra maneira de representar o solo é considerá-lo na análise como meio contínuo. Forma Circular quadrada Compr. Perloff (1960) apud Velloso & Lopes (1996).88 1. dellacivil@yahoo.05 1.56 0.15 Sapata rígida 0.06* 1. Engº. poderão ser utilizados para os radiers.13 – Representação do solo por meio de molas e meio contínuo. A Figura 3. A Tabela 3.20* 1.3 – Coeficiente de forma.78 2. O segundo caso só possível ser solucionado por meio dos Métodos dos Elementos Finitos.52 1.53 4.(L) Largura(B) 1. os quais.10* 3.25 3.52 1.30 1. Rodrigo Gustavo Delalibera.00 2.47 Sapata flexível canto 0.36 1.85 0.12 1.40* - Nota: (*) de acordo com Bowles (1982).26 2.67 0.3 apresenta os coeficientes de forma para sapatas.5 2 3 5 10 100 100 centro 1 1.00 5.13 mostra a representação solo em radiers utilizando a hipótese de Winkler e meio contínuo. O meio contínuo pode ter comportamento elástico e elasto-plástico.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Os fatores de forma da fundação também podem ser obtidos por meio de valores tabelados. Tabela 3.95 1.99 1.70* 2.79 0.com.75 Média 0.

Processo de analogia de grelha O processo baseia-se na substituição de um pavimento (laje e vigas) por uma grelha equivalente. deve-se dividir as lajes em um número adequado de faixas. A Expressão 3. as quais terão largura dependentes da geometria e das dimensões do pavimento (discretização.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 3. seja ele composto de lajes de concreto armado maciças. Uma vez determinada a largura colaborante. a inércia à flexão da seção resultante pode ser calculada supondo que o elemento esteja trabalhando tanto no estádio I como no II. ou de lajes nervuradas. A rigidez à torção (It). dependendo da posição. Este processo permite reproduzir o comportamento estrutural de pavimentos com praticamente qualquer geometria. Essas faixas são substituídas por elementos de barra.5 fornece essa inércia. pode-se considerar o valor da inércia à torção do elemento viga. no estádio I. Engº. igual a 10% daquele dado pela resistência dos materiais. obtendo-se um grelha (equivalente) que representa o pavimento. Rodrigo Gustavo Delalibera. O cálculo da inércia à flexão dos elementos de placa (If) é feito considerandose uma faixa de largura b.3. a qual é dada pela soma da metade dos espaços entre os elementos vizinhos (distância entre nós) e. Como indicado em Carvalho (1994). dellacivil@yahoo.2.7 mostra a inércia à torção a ser considerada em elementos viga. com ou sem vigas. é o dobro da rigidez a flexão (Expressão 3.6) It = 2 ⋅ If = Para o elemento de viga-placa. no estádio II. Dessa maneira. na flexão. altura h (espessura da placa). em que as barras da grelha representam os elementos estruturais do pavimento (lajes e vigas.2.com.6). If = b ⋅ h3 12 b ⋅ h3 6 (3.br 18 . configurando-se então. pode-se considerar uma parta da placa trabalhando como mesa da viga. A Expressão 3.5) (3. somente a placa). uma viga de seção T ou meio T. segundo Hambly (1976) apud Carvalho & Figueiredo Filho (2005). no caso de radier. aconselha-se adotar distância entre nós em torno de cinqüenta centímetros). As propriedades geométricas das barras da grelha equivalente são de dois tipos: as do elemento placa (laje ou radier) e as do elemento viga-placa (viga-laje ou viga-radier).

Após esta profundidade. – Ecs = 23800 MPa (módulo de deformação longitudinal do concreto).2 (coeficiente de Poisson do concreto). A seguir são apresentadas as propriedades mecânicas dos materiais utilizados na análise. e o radier como placa.5 MPa (módulo de deformação longitudinal do solo). 3. do módulo de deformação transversal do concreto (Gc) e do coeficiente de Poisson (ν) relativo às deformações elásticas podem ser determinados a partir das recomendações da NBR 6118:2003.13).br 19 . – Esolo = 22.14. Já o módulo de deformação longitudinal e o coeficiente de Poisson do concreto foram determinados por meio das recomendações da NBR 6118:2003. y e z).7) Os valores do módulo de deformação longitudinal à compressão do concreto (Ec). Para isto utilizou-se programa de computador baseado no Método dos Elementos Finitos. laje maciça e radier. admitiu-se SPT impenetrável. enquanto que o radier foi modelado com um elemento de placa com três nós e seis graus de liberdade por nó (translações e rotações nas direções x.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações It = b ⋅ h3 30 (3.3. Demais informações podem ser vistas na Figura 3. – ν = 0. Engº.14. dellacivil@yahoo. y e z).1 e 3. – νsolo = 0. Rodrigo Gustavo Delalibera. Considerou-se para o solo sob o radier uma areia com SPT igual a 30 para uma espessura de 5m.3. Exemplo de dimensionamento de radier – esforços solicitantes. O solo foi modelo como meio contínuo (Figura 3. O solo foi modelado por meio de um elemento tridimensional com oito nós sendo que cada nó tinha três graus de liberdade por nó (translações nas direções x. apresentada por meio da Figura 3. O módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson do concreto foram obtidos por meio das Tabelas 3. Neste item é apresentado um exemplo para a determinação dos esforços solicitantes em radiers.com.3 (coeficiente de Poisson do solo). Constituída por alvenaria estrutural de blocos cerâmicos (19 x 19 x 9). Maiores detalhes da modelagem de pavimentos podem ser obtidas em Delalibera (2005).2. Trata-se um uma edificação hipotética.

com.6.14 – Exemplo de aplicação.15 apresenta a discretização utilizada para o caso em questão. Aconselha-se que o solo seja representado com as dimensões sugeridas na Figura 3. O peso próprio da estrutura é considerado automaticamente pelo programa de computador.br 20 .della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Figura 3. estrutura hipotética. Rodrigo Gustavo Delalibera. A Figura 3. Engº.15. utilizou-se a Equação 3. As forças oriundas das paredes posicionadas sobre a laje também foram aplicadas nos nós da placa. Figura 3. para isso.15 – Discretização da estrutura hipotética. dellacivil@yahoo. Todo o carregamento da estrutura foi aplicado nos nós.

– Impermeabilização: 1. contra-piso.4 mostra o resumo das cargas utilizadas para a análise do pavimento tipo do edifício. cal e areia. – Ações variáveis: sobrecarga de utilização.nós = onde: Fpar n ⋅l (3.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Fpar. dellacivil@yahoo.4 – forças atuantes no pavimento. – Forro e contra-piso – espessura de 30 mm.0 kN/m2.0 kN/m2 1. A sobrecarga de utilização também foi determinada por meio da NBR 6120:1980.5 kN/m2 0. – Paredes internas e externas: tijolos furados – 13 kN/m3.16 kN/m 1.80 m. paredes de fechamento e internas.77 kN/m2 A classificação das ações segundo a NBR 8681:1984 são descritas a seguir: – Ações permanentes: peso próprio da estrutura. A seguir são descritas algumas propriedades do edifício hipotético necessárias para a determinação dessas forças.0 kN/m2 Impermeabilização Ação acidental no radier Ação acidental e revestimento na laje de forro (argamassa de cimento.br 21 .6) – Fpar é a carga da parede por unidade de comprimento.5 kN/m2. Os Estados Limites de Serviço de deformação excessiva (ELS-DEF) e de abertura das fissuras (ELS-W) também devem ser verificados com as combinações de Engº. Rodrigo Gustavo Delalibera. – n é número de nós existentes no comprimento da parede. Considerou-se ação acidental na laje igual 0. As forças utilizadas para a análise estrutural do radier foram obtidas com o auxílio da NBR 6120:1980. A Tabela 3.com. – ℓ é o comprimento da parede. espessura de 15 mm). contra-piso Forças 6. piso. – Altura das paredes: 2. Tabela 3. 1. regularização e impermeabilização. Tabela de forças Descrição Paredes internas Piso.

16 mostra o radier deformado sobre o solo.16 – Radier e solo deformados. Observa-se que a área de influência do radier é praticamente à mesma utilizada na modelagem.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações ações sugeridas pela NBR 6118:2003: quase permanente para o caso de ELS-DEF e freqüente para o caso de ELS-W. Rodrigo Gustavo Delalibera.br 22 . A Figura 3. Deslocamentos em metros.com. Neste exemplo apenas serão apresentados os esforços solicitantes referente ao Estado Limite Último. dellacivil@yahoo. Figura 3. Deslocamentos em metros. A Figura 3. Engº.17 – Radier deformado.17 apresenta dos deslocamentos ocorridos somente no radier. Figura 3.

my. Engº. dellacivil@yahoo. Momentos em kNm (mx.br 23 . Rodrigo Gustavo Delalibera. paralelo ao menor lado) Figura 3.com. mx.20 procede-se o dimensionamento estrutural do radier quanto às tensões normais. Figura 3. paralelo ao maior lado) Momentos em kNm (my.18 – Momento fletor na direção X.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Por meio dos diagramas de isomomentos apresentados nas Figuras 3. 3.18.19 e 3.19 – Momento fletor na direção Y.

É válido lembrar que verificações das tensões de cisalhamento devem ser verificadas.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Momentos em kNm (mxy é o momento volvente) Figura 3.20 – Momento fletor na direção X0Y. Rodrigo Gustavo Delalibera.br 24 . a verificação da punção também deve ser feita. dellacivil@yahoo. Estas verificações são análogas aos procedimentos aplicados às lajes maciças. mxy. Caso existam no radier pilares.com. Engº.

Comentários iniciais As fundações em estacas são adotadas quando o solo em suas camadas superficiais não é capaz de suportar ações oriundas da superestrutura. sendo assim.1.1 ilustra esse elemento estrutural. .della estruturas CAPÍTULO 4 BLOCOS SOBRE ESTACAS 4. sendo necessário. portanto. Blocos sobre estacas são importantes elementos estruturais cuja função é transferir as ações da superestrutura para um grupo de estacas. Nos casos de fundações em tubulões também há necessidade de blocos de coroamento para transferência das ações. buscar resistência em camadas profundas. A Figura 4. Quando for necessária a utilização de fundação em estacas. geralmente não permitem a inspeção visual quando em serviço. o bloco de coroamento. Esses elementos estruturais. é importante o conhecimento de seu real comportamento nos Estados Limites de Serviço e Último.1 – Bloco sobre estacas. apesar de serem fundamentais para a segurança da superestrutura. Figura 4. faz-se necessário a construção de outro elemento estrutural. também denominado bloco sobre estacas.

della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Grande parte das pesquisas desenvolvidas em relação ao tema nos últimos anos. São tratados como elementos estruturais especiais. e modelos de bielatirante tridimensionais. Estas tensões podem ser obtidas por meio de uma análise elástica e linear ou não.br 26 .com. utilizando o processo do caminho das mínimas forças. sendo esse último o preferido por definir melhor a distribuição de forças nas bielas e tirantes. Engº. utilizando métodos numéricos. Fica evidenciado que para o dimensionamento e verificação desses elementos estruturais. ou seja. por não serem suficientemente longos para que se dissipem as perturbações localizadas. Rodrigo Gustavo Delalibera. linear ou não. é necessário o prévio conhecimento de suas dimensões. A NBR 6118:2003 não traz em seu texto recomendações para verificação e dimensionamento deste elemento. “blocos são estruturas de volume usadas para transmitir às estacas as cargas de fundação”. sugerido por Schlaich et al. O comportamento estrutural de blocos sobre estacas pode ser definido utilizando-se a analogia de bielas e tirantes. Segundo a NBR 6118:2003. A NBR 6118:2003 classifica o comportamento estrutural dos blocos em rígidos ou flexíveis. sendo possível realizar as verificações de tensões nessas regiões. Neste texto serão tratados os critérios de dimensionamento de blocos sobre n estacas. O Código Modelo do CEB-FIP (1990) sugere geometrias para os nós das regiões nodais. dellacivil@yahoo. o método dos elementos finitos. No modelo de bielas e tirantes as verificações de compressão nas bielas são as mesmas que as do Modelo de Blévot & Frémy (1967). O modelo de bielas e tirantes pode ser adotado considerando o fluxo de tensões na estrutura. como por exemplo. No caso de blocos rígidos o modelo estrutural adotado para o dimensionamento pode ser tridimensional. Normalmente emprega-se a teoria de viga nos blocos ditos flexíveis e a analogia das bielas e tirantes nos blocos chamados de rígidos. todas as dimensões externas têm a mesma ordem de grandeza. porém as tensões nas regiões nodais (entende-se por regiões nodais as ligações estaca-bloco e pilar-bloco) têm valores diferentes das tensões limites sugeridas por Blévot. que não respeitam a hipótese das seções planas permanecerem planas após a deformação. onde não são válidas as hipóteses de Bernoulli. (1987). por ser tratarem de regiões descontínuas. concentra-se em dois tipos de análise: análise teórica elástica e linear compreendendo a analogia das bielas e tirantes e a teoria de viga e análise de resultados experimentais. apenas sugere quais os critérios a utilizar.

dellacivil@yahoo.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 4. as dimensões dos blocos são minimizadas e. A disposição das estacas deve ser feita sempre que possível de modo a obter blocos de menor volume. Dependo da configuração adotada para disposição das estacas haverá deslocabilidade em relação aos eixos ortogonais dos blocos como.1. a consideração do efeito de grupo de estacas e estacas com forças horizontais. desde que a altura seja compatível obtém-se blocos rígidos. se isto não for possível adotam-se estacas inclinadas. de maneira geral. usam distribuições de estacas associando-os com modelos padronizados de blocos. sempre que possível que o centro geométrico do estaqueamento coincida com o centro geométrico do pilar. se as estacas estiverem submetidas a forças horizontais elevadas.br 27 . para conferir indeslocabilidade horizontal. distâncias maiores entre estacas e alturas pequenas resultam blocos flexíveis. respeitando os valores mínimos para os espaçamentos entre eixos de estacas e distâncias das faces do bloco aos eixos das estacas mais próximas. Os procedimentos para cálculo de forças horizontais em estacas verticais são baseados em hipóteses simplificadas. momentos fletores e forças cortantes) e definido o tipo de estaca e sua carga admissível determina-se o número de estacas por pilar. por exemplo. É recomendável. Critérios de projetos de blocos sobre estacas 4.com. distribuindo-se a força horizontal entre as estacas. o espaçamento entre estacas pode ser aumentado e se a altura não for compatível resultará em blocos flexíveis. ou seja. mostrados na Figura 3. Determinado o número de estacas. as camadas superiores do solo deverão resistir a estas forças sem que ocorra movimento lateral excessivo. viga baldrame. Obedecendo a essas recomendações. Fundações submetidas a forças horizontais moderadas podem ser dimensionadas com estacas verticais. Conhecendo-se as ações atuantes no pilar (força normal. Engº. faz-se a distribuição em planta em relação ao pilar.2. No caso de pilares de divisa deve-se recorrer ao uso de viga de equilíbrio. desde que se respeite capacidade horizontal.2. que têm comportamento semelhante às vigas de concreto armado. entretanto. Rodrigo Gustavo Delalibera.2. Os projetistas. uma solução mais realista seria a consideração da interação estaca-solo. No caso de bloco sobre uma ou duas estacas deve ser empregado um elemento estrutural. Procedimentos gerais do projeto O primeiro passo no projeto de blocos sobre estacas é a definição do tipo de estaca a ser usada. Outras considerações devem ser feitas nesta fase do projeto como.

Alguns autores adotam o espaçamento mínimo entre as estacas da ordem de 2. O inchamento da superfície do solo causado pela cravação de estacas pouco espaçadas em material compacto ou incompressível deve ser minimizado e. portanto. Montoya (2000) indica que deve ser adotado para espaçamento entre estacas o menor valor entre: 2 vezes o diâmetro da estaca. Calavera (1991) sugere valores de separação mínima entre estacas de 2 vezes a 3 vezes o seu diâmetro.5 vezes a 3 vezes o diâmetro destas.com. é necessário que haja um espaçamento mínimo entre estacas. Rodrigo Gustavo Delalibera.2.75 vez a diagonal (no caso de blocos quadrados). Engº. 4.2 – Bloco sobre estacas.0 vezes para estacas moldadas “in loco”. dellacivil@yahoo. Distância entre eixos de estacas A consideração de valores mínimos de espaçamento entre estacas é necessária em virtude do efeito de grupo de estacas. A NBR 6118:2003 sugere que o valor de espaçamento entre eixos de estacas deva estar compreendido entre 2.2.br 28 .della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações l√3/3 l√3/6 l/2 l 2 estacas l/2 l/2 l 3 estacas l/2 l/2 l/2 l√2/2 l√2/2 l/2 l l/2 l√2/2 l√2/2 5 estacas 4 estacas Figura 4. 75 cm ou 1. Para ambos os casos esse valor não deve ser inferior a 60 cm.5 vezes o diâmetro no caso de estacas pré-moldadas e 3.

comprimento e diâmetro. Para ser válido o procedimento. os eixos x e y devem ser os eixos principais de inércia e as estacas devem ser verticais. yi) é dada pela Expressão 4.3 – Determinação das reações nas estacas. Nd é a força normal. do mesmo tipo. Alonso (1983).1) Em que. Nd M x y i M y x i ± ± n e ∑ y i2 ∑ x i2 Ri = (4.2. Os momentos são considerados positivos conforme a indicação da figura 4.3. Mx é o momento em torno do eixo X e My é o momento em torno do eixo Y.1. Engº. My C.G. My yi x Nd Mx i xi Nd My Figura 4.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 4. Rodrigo Gustavo Delalibera.com. A força resultante (Ri) em uma estaca genérica i com coordenadas (xi. dellacivil@yahoo.3. Método da superposição dos efeitos para blocos solicitados por força vertical e momento O método da superposição consiste em calcular a reação em cada estaca somando-se separadamente os efeitos da ação vertical e dos momentos.br 29 .

sugere para blocos rígidos espaçamento mínimo entre estacas de 2. – a é a dimensão do bloco em uma determinada direção. 4.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Na verdade o que este método faz nada mais é do que aplicar a fórmula de flexão composta da Resistência dos Materiais.br 30 .2. dellacivil@yahoo.2 for satisfeita. Engº. as forças são transmitidas por meio de bielas de compressão com formas e dimensões complexas.5 vezes a 3 vezes o diâmetro destas e os considera rígidos se a inequação apresentada na Expressão 4. No caso de blocos flexíveis deve ser feita uma análise mais completa. ou seja.5. – ap é a dimensão do pilar na mesma direção. o trabalho ao cisalhamento também se dá nas duas direções. Classificação dos blocos sobre estacas Os blocos sobre estacas podem ser classificados como rígidos ou flexíveis. Distância do eixo da estaca até a face do bloco Projetistas e alguns autores como Andrade (1989) e Alonso (1983) sugerem que a distância mínima entre o eixo da estaca e a face do bloco deve ser igual a 15 cm somado a meio diâmetro da estaca. h≥ (a − a ) p 3 (4. Essa classificação se dá com relação ao comportamento estrutural do bloco. Rodrigo Gustavo Delalibera. não apresentando ruptura por tração diagonal e sim por compressão das bielas.2. A classificação dos blocos em rígidos e flexíveis vai definir o comportamento estrutural do modelo.2) onde: – h é a altura do bloco. Segundo a NBR 6118:2003 os blocos rígidos têm comportamento estrutural caracterizado por trabalho à flexão nas duas direções com trações nas linhas sobre as estacas. A NBR 6118:2003. 4. A maioria dos autores faz esta classificação com relação entre a altura do bloco e a distância do centro da estaca mais afastada até a face do pilar. supondo-se ainda que todas as estacas tenham mesmo comprimento e desprezandose as pressões de apoio do bloco no terreno.com.4. consideração de bloco infinitamente rígido e reações das estacas proporcionais aos respectivos deslocamentos (na direção do eixo da estaca). uma vez que as hipóteses coincidam.

4. Em virtude das incertezas na execução desses elementos sugere que se adote uma excentricidade acidental mínima. em obras com alto controle de execução. 4. dellacivil@yahoo. A união entre a estaca e o bloco pode variar dependendo do tipo de estaca e do processo de construção.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Calavera (1991) e Montoya (2000) sugerem que a distância entre qualquer ponto do perímetro da estaca até a borda do bloco não deva ser inferior ao raio da estaca nem a 25 cm. Engº. Para os valores da excentricidade acidental pode-se adotar: – e = 5 cm.2. Rodrigo Gustavo Delalibera. em obras com controle de execução normal.4 – União de bloco e estaca. como é o caso de blocos sobre uma ou duas estacas. h d 10 cm a 15 cm 10 cm lastro de concreto c φest φest 2 ≥ 25 cm Figura 4.com.7. por razões econômicas. que é levada em consideração no projeto do bloco. em obras com baixo controle de execução. conduz muitas vezes a blocos sobre um número menor de estacas. – e = 10 cm.2. Ligação estaca-bloco Calavera (1991) e Montoya (2000) considerando recomendações práticas sugerem que a ponta superior da estaca deve ser embutida no bloco não menos que 10 cm e não mais que 15 cm.6. Calavera (1991).br 31 . Recomendações sobre excentricidades acidentais A tendência do uso de estacas de grande diâmetro. Calavera (1991) faz uma importante consideração para o caso de compressão centrada em blocos sobre uma ou duas estacas. e – e = 15 cm.

br 32 . quando constituída de barras pouco espaçadas entre si. Pode ser considerado o efeito favorável da compressão transversal às barras. dellacivil@yahoo.2. pois o confinamento é feito com barras com grande diâmetro. Definidas estas condições e o diâmetro das barras determina-se a força resistente de cálculo dos ganchos. 4. Tal efeito ainda não foi estudado a fundo. Rodrigo Gustavo Delalibera. feitas principalmente por Burke (1978). tem o efeito de cintamento (confinamento) das bielas. Ancoragem da armadura principal de tração – tirante A NBR 6118:2003 indica que as barras de armadura dispostas nas faixas definidas pelas estacas devem se estender de face a face do bloco e terminar em gancho nas duas extremidades. Para blocos com estacas não alinhadas admite-se uma condição muito favorável.8.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações e e Figura 4.com. esta força é subtraída da força Engº. Considerando dados experimentais fornecidos por Minor & Jirsa (1975) e Marques & Jirsa (1975). Andrade (1989) também admite que a armadura principal que deve ser mantida constante em toda a extensão do vão entre as estacas e convenientemente ancorada nas extremidades do bloco. Admite ainda que a armadura adicional longitudinal.5 – Excentricidade acidental em blocos sobre uma e duas estacas. decorrente da compressão das bielas. Burke (1978) determinou a capacidade resistente das ancoragens (ganchos) de extremidade das barras para blocos de estacas alinhadas adotando uma condição favorável e admitindo que a região que envolve os ganchos esteja confinada transversalmente por barras finas (estribos). Essas afirmações são baseadas em outras análises. A ancoragem das armaduras de cada uma dessas faixas deve ser garantida e medida a partir da face interna das estacas. aumentando então a capacidade resistente do bloco. Calavera (1991). Destaca-se que esse procedimento já é adotado pelo meio técnico.

com.8l b 0.3) Pode-se adotar também prolongamentos verticais (ℓ2) tal que: l1 l = 0.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações a ancorar.4) Os comprimentos ℓ1 e ℓ2 estão definidos na figura 4.8l b → l 2 = 0. Rodrigo Gustavo Delalibera. Considera ainda que o comprimento de ancoragem possa ser diminuído em 20%.6 – Comprimento de ancoragem em blocos sobre estacas.6. se o comprimento de ancoragem reta não for suficiente pode-se adotar gancho sempre que: l1 ≥ 0. e ℓb é o comprimento de ancoragem básico de uma barra. redução esta admitida pela boa condição de aderência produzida pela compressão transversal das barras por conta da reação nas estacas e da força da biela. pode-se considerar um aumento no valor da tensão de aderência com o aumento das pressões transversais na barra ancorada. Sugere ainda que. Engº. Além disso.7 l2 + (4. dellacivil@yahoo.br 33 .7 0. Calavera (1991) sugere que o comprimento de ancoragem das barras da armadura principal de tração deve ser contado a partir do eixo da estaca. Calavera (1991) admite que o valor do comprimento ℓb possa ser reduzido multiplicando-o pela relação da armadura necessária dividida pela armadura efetiva. Calavera (1991).7 (4. l2 l1 Figura 4.8l b − 1 0.

reduzindo-se 49% da força a ancorar.d Hipótese I Hipótese II Figura 4. Delalibera (2006).disp R st.anc = 0. Delalibera (2006) apresenta duas hipóteses para a determinação do comprimento de ancoragem. A Figura 4. A segunda sugere que o comprimento de ancoragem se inicie no eixo da estaca e se estenda até a face do bloco (descontado o cobrimento). F F b.7 exemplifica estes métodos.7 – Método para determinação do comprimento de ancoragem.br 34 . utilizando-se integralmente a força a ancorar. Montoya (2000). A ancoragem das barras deve ser feita com ângulo reto ou com barras transversais soldadas. Rodrigo Gustavo Delalibera. A primeira hipótese sugere que o comprimento de ancoragem se inicie a partir da face mais afastada da estaca estendendo-se até a face do bloco (descontado o cobrimento). 10 vezes o diâmetro das barras e 15 cm. diferentemente de Calavera (1991) não sugere redução da seção da área de armadura.anc = R st.com.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações mas deve se garantir que esta armadura seja prolongada até a face do bloco (descontando apenas o cobrimento). R st. Considerando o efeito benéfico da força resultante das tensões nas bielas de compressão permite reduzir a força a ser ancorada em 20%. medida a partir do plano vertical do eixo da estaca até a face do bloco (desconsiderando o cobrimento). por meio de ensaios experimentais verificou que os ganchos não têm influência relevante. Delalibera (2006) sugere ancoragem reta.51. O comprimento ℓ1 não deve ser menor que um terço de ℓb. pois.d b.disp R st. Engº. dellacivil@yahoo. indicando que a armadura principal seja colocada em todo o comprimento do bloco.

em cm2 é dada por: As.8 – Armaduras secundárias.8. uma armadura em malha constituída por estribos transversais que devem envolver as barras longitudinais superiores e inferiores e.2. a seção de uma barra da malha. Rodrigo Gustavo Delalibera. w = 0. segundo Mautoni (1972) a ruína de blocos sobre duas estacas se dá quando a resistência à tração horizontal no eixo central for superada.b. Deve apresentar nas faces laterais. A adoção desses critérios pode ser explicada. Engº. estendida sobre todo o comprimento do bloco.0020.br 35 .9. cuja seção transversal não deve ser inferior a 10% da área das barras de aço da armadura principal de tração. dellacivil@yahoo.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações 4. b designa a largura do bloco em cm e sh o espaçamento das barras da malha também em cm.sh (4. CEB-FIP (1970). O CEB-FIP (1970) não contempla casos de blocos sobre uma estaca. Se a largura b exceder a metade da altura total h do bloco. mostrada na Figura 3. Detalhamentos das armaduras secundárias Armaduras secundárias na forma de estribos na direção transversal e longitudinal são indicadas pelo CEB-FIP (1970). deve-se substituí-la por h/2. formada por estribos nas duas direções.5) Na expressão. estribo direção transversal estribo direção longitudinal Figura 4. A princípio. Em blocos sobre duas estacas uma armadura longitudinal é posicionada na parte superior. estribos na direção longitudinal envolvendo os estribos transversais.com. elas são exigidas apenas no caso dos blocos sobre duas estacas em face de momentos provenientes de excentricidades construtivas das estacas. Considerando a face do bloco.

Engº. uma parte dos esforços das bielas de compressão atua nessa região e pressiona o tirante para baixo. a NBR 6118:2003 sugere o uso de armadura de suspensão.br 36 . deve-se adotar uma armadura de suspensão. pois a zona comprimida para baixo e para fora arranca a malha de armadura mesmo nas proximidades das estacas. A armadura de distribuição deve ser prevista para controlar a fissuração e deve ser colocada na forma de uma malha adicional uniformemente distribuída nas duas direções para complementar a armadura principal que é distribuída em faixas sobre as estacas. nos casos em que a armadura de distribuição for prevista para mais de 25% da força adotada para o cálculo da armadura principal ou se o espaçamento entre estacas for maior que três vezes seu diâmetro. Segundo Leonhardt & Monning (1978) é muito importante que armadura principal de tração nos modelos de blocos sobre estacas seja o mais possível concentrada sobre as estacas e não distribuídas pela largura do bloco. Para o cálculo das áreas das barras das armaduras deve ser considerado no máximo 20% da força adotada para o dimensionamento da armadura principal de tração. A resistência de cálculo da armadura deve ser igual a 80% de fyd. dellacivil@yahoo. porque falta apoio nesse local (Figura 4. pois as bielas de compressão se concentram na direção dos apoios rígidos constituídos pelas estacas e lá devem compor com esforços dos tirantes. segundo mostraram seus que. Rodrigo Gustavo Delalibera. Figura 4.com.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações A norma brasileira NBR 6118:2003 traz recomendações para armadura de distribuição e suspensão. Leonhardt & Monning (1978). Leonhardt & Monning (1978) indicam. Em alguns casos.9 – Esquema para colocação de armadura de suspensão em casos de armadura disposta entre as estacas. Surgem então fissuras na parte inferior do bloco que podem conduzir a uma ruína prematura. Corte passando pelas estacas. Para os casos em que essa armadura for disposta também entre as estacas. quando a armadura for disposta também entre as estacas. Corte passando pelo pilar.9).

Método de dimensionamento O Método das Bielas é o método mais difundido para o dimensionamento de blocos rígidos sobre estacas. As tensões limites foram determinadas experimentalmente por Blévot & Fremy (1967) em ensaios e assumidas iguais junto ao pilar e estaca. As barras tracionadas da treliça ficam situadas no plano médio das armaduras. a tensão limite junto à estaca deveria ser considerada inferior.com. portanto haverá a necessidade de se adotar armadura de suspensão. junto ao pilar há o efeito favorável de confinamento do concreto. que defini a área necessária de armadura. sendo recomendado por alguns autores que no caso de pilares retangulares se use seção quadrada equivalente.br 37 . Blévot & Frémy (1967) só fizeram essas considerações para blocos com mais de quatro estacas. Essa armadura deve ser dimensionada para uma força aproximadamente igual a F/(1. Os critérios utilizados são para pilares de seção quadrada. As forças de compressão nas bielas são resistidas pelo concreto. O método consiste no cálculo da força de tração. são inclinadas e definidas a partir da intersecção do eixo das estacas com o plano médio das armaduras com um ponto definido na região nodal do pilar (que é considerado de seção quadrada).3. Engº. Pode ser empregado no caso de ações que não são centradas. Portanto. não se deixa o trecho entre as estacas sem armadura. as de tração que atuam nas barras horizontais da treliça. calculadas nas seções situadas junto ao pilar e à estaca.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações No caso de distância entre as estacas maiores que três vezes o diâmetro desta. É baseado nos trabalhos experimentais realizados por Blévot e Frémy (1967). sendo F a força aplicada no bloco e n o número de estacas (n ≥ 3). É importante observar que a rigor não são iguais. O método das bielas consiste em admitir no interior do bloco uma treliça espacial composta por barras tracionadas e barras comprimidas. e na verificação das tensões de compressão nas bielas. dellacivil@yahoo. chamadas de bielas.n). pela armadura. 4. As barras comprimidas. Rodrigo Gustavo Delalibera. desde que se admita que todas as estacas estão submetidas à maior força transferida.5. O método das bielas é recomendado para ações centradas e todas as estacas devem estar igualmente afastadas do centro do pilar. que é horizontal e se localiza logo acima do plano de arrasamento das estacas.

– Verificar as tensões nas bielas.4. 4. – Detalhar o elemento estrutural. – Calcular para cada direção. Basicamente ao se projetar blocos sobre estacas. É o que se chama de Método Geral que consiste em: – Definir duas direções ortogonais entre si (em geral eixos de simetria ou direções paralelas às faces laterais dos blocos). o somatório das forças de tração correspondentes às estacas que estiverem do mesmo lado (à esquerda ou à direita da seção). nem os critérios de dimensionamento de blocos sobre uma. adaptado do Método de Blévot. Para o cálculo. fica evidente que o modo de calcular segundo duas direções (no caso de simetria nas direções dos respectivos eixos) é o que se aplica com mais facilidade e clareza. – Adotar armaduras em função das tensões de tração existente em cada direção. – Dimensionar geometricamente o bloco. Engº. No caso de blocos flexíveis. que geralmente é usado pelos projetistas de concreto armado pode ser visto em Munhoz (2005) e Silva & Giongo (2000). – Dimensionar as armaduras secundárias. A estaca mais crítica será aquela que corresponder a maior inclinação da biela (βmáx). Caso o leitor se interessar. poderão encontrar mais informações a respeito disto nos trabalhos citados anteriormente.br 38 . duas. – Verificar as tensões de tração perpendicular às bielas (fendilhamento). além das verificações anteriores. – Verificar as tensões nas bielas junto às estacas.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações O roteiro de dimensionamento. quatro e cinco estacas. dellacivil@yahoo. – Dimensionar as armaduras principais de tração.10) é a mais adequada. sucessivamente em várias seções. o projetista deve fazer: – Determinar o número de estacas.com. Não é objetivo deste texto apresentar o modelo de bielas e tirantes. deve-se verificar o efeito de punção junto ao pilar e junto às estacas. Dimensionamento de blocos sobre n estacas Nos blocos com mais de seis estacas a disposição das armadura sobre as estacas (ver Figura 4. três. Rodrigo Gustavo Delalibera.

Quase sempre os pilares terão seções com grandes dimensões.11 desenvolve-se o dimensionamento estrutural dos blocos sobre n estacas.br 39 . dellacivil@yahoo.10 – Distribuição das barras da armadura principal de tração segundo recomendações da NBR 6118:2003.6) Por meio da Figura 4. Observa-se por meio da Figura que existem dois ângulos. Parece ser mais adequado adotar um valor que corresponda a médias das tangentes. Deve-se então adotar da maneira que se julgar mais adequada as posições (na seção do pilar) das bielas correspondentes a cada estaca. isto é: 1 n ⋅ ∑ βi n 1 βm = (4.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Obs.com. Nesse caso cada biela terá inclinação βi e será necessário adotar um valor médio βm. Rodrigo Gustavo Delalibera. – Verificar as tensões nas bielas junto ao pilar. Figura 4. Determina-se a força nos tirantes (Txi e Tyi) e por méis desta forças determinase a quantidade necessária de barras de aço para absorver a força de tração e verificam-se as ancoragens. um dos ângulos (β) se desenvolve ao longo da altura do bloco o outro. denominado de α é associado ao Engº.

7 e é função da reação da estaca mais comprimida (R+). Y Txi Tyi Ti i i Fb Y X F My Txi Ti Estaca Ti Txi i i Txi X Ri R i+1 R i+2 Figura 4. Rodrigo Gustavo Delalibera. dellacivil@yahoo.com.br 40 .11 – Método de dimensionamento de blocos sobre n estacas. R+ sen(β i ) Fb = (4.7) Por meio da força na biela determina-se a força nos tirantes nas direções X e Y.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações plano horizontal do bloco. A favor da segurança aconselha-se que o dimensionamento dos tirantes dos blocos e as verificações das tensões nas regiões nodais inferior e superior (junto ao pilar e junto à estaca) sejam feitos com a reação da estaca mais solicitada à compressão. A força na biela (Fb) é calcula por meio da Expressão 4. Por meio deste ângulo é que são determinadas às forças de tração nos tirantes. Engº.

Txi ⋅ γ f f yd Tyi ⋅ γ f f yd A sx. Ap e Ae representam a área da seção transversal do pilar e a área da seção transversal da estaca e claro.13 e 4. sendo fyd a resistência de cálculo ao escoamento das barras de aço. O método apresentado pelo Boletim nº 73 do CEB (1970) é um dos mais utilizados pelos Engº. Faz-se necessário ainda verificar a ancoragem das barras das armaduras principais de tração (Tirantes nas direções X e Y).85 ⋅ fcd A p ⋅ sen(β m ) Fb ≤ 0.10) Em função das forças Txi e Tyi calcula-se as áreas das barras de aço da armadura principal de tração nas direções X e Y.br 41 . para isto.8. utiliza-se as recomendações do item 4. fcd a resistência de cálculo a compressão do concreto.4 deve ser utilizado com bom senso respeitando todas as indicações da NBR 6118:2003.13) (4.8) (4.14.11) (4. Fb ⋅ n ≤ 0.14.i = A sy.i = (4.12) As verificações das tensões nas regiões nodais inferior e superior são feitas por meio das Expressões 4. Comentários finais O método de dimensionamento apresentada no item 4.85 ⋅ fcd A e ⋅ sen(β máx ) (4. Rodrigo Gustavo Delalibera.13 e 4.9) (4.14) Nas expressões 4. 4.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações Ti = Fb ⋅ cos(β i ) Txi = Ti ⋅ sen(α i ) Tyi = Ti ⋅ cos(α i ) (4. dellacivil@yahoo.com.5. Existem outros métodos para dimensionamento de blocos sobre n estacas.2.

Rodrigo Gustavo Delalibera. dellacivil@yahoo.della estruturas Introdução ao dimensionamento estrutural de elementos especiais de fundações projetistas. Engº.com. Mais informações sobre este método pode ser encontrada em Munhoz (2004) e Delalibera (2006).br 42 .

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