CENTRO EXPERIMENTAL PÚBLICO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL

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“Aprendendo A Aprender”

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SECRETARIA DO EMPREGO E RELAÇÕES DO TRABALHO

CENTRO EXPERIMENTAL PÚBLICO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
FORMAÇÃO DO PEDREIRO PLENO
Módulo I - Assentador de Blocos e Tijolos Módulo II - Revestidor de Paredes Módulo III - Assentador de Placas Cerâmicas e Domínio Básico em Construção Civil (Para Mutirão)

SÃO PAULO DEZEMBRO/2000 FORMAÇÃO DO PEDREIRO PLENO

SECRETARIA DO EMPREGO E RELAÇÕES DO TRABALHO

Av. Angélica, 2.582 - Cerqueira César - CEP 01228-200 - São Paulo PABX: (11) 3311-1000 - FAX: (11) 3311-1140 www.emprego.sp.gov.br E-mail do Programa “Aprendendo A Aprender“: observ@uol.com.br

CENTRO PÚBLICO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE VILA FORMOSA
Rua Bactória, 38 - Vila Formosa - CEP 03472-100 - São Paulo Fone: (11) 6101-3764 - FAX: (11) 6101-3755 E-mail: centropublico@ig.com.br

CENTRO PÚBLICO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE TUPà “RAUL DE MELLO SENRA”
Rua 15 de Novembro, 52 - Vila Independência – CEP 17605-350 - Tupã Fone: (14) 442-5877- FAX: (14) 442-5877 E-mail: pmtbpovo@tup.zaz.com.br

FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA UNESP

Av. Rio Branco, 1210 - Campos Elíseos - CEP 01206-904 - São Paulo Fone: (0XX11) 223-7088 E-mail: convprojetos@fundunesp.unesp.br

Ilustrações: Pedro Trench Villas Bôas Concone Projeto e Produção Gráfica: Páginas & Letras - Editora e Gráfica Ltda. - Fones: (11) 608-2461 - 6694-3449 Tiragem: 1.000 exemplares

Distribuição gratuita e reprodução autorizada, desde que citada a fonte.

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
MÁRIO COVAS Governador

SECRETARIA DO EMPREGO E RELAÇÕES DO TRABALHO Walter Barelli Secretário José Luiz Ricca Secretário Adjunto Marcos de Andrade Távora Chefe de Gabinete João Barizon Sobrinho Coordenador de Políticas de Emprego e Renda Pedro Fernando Gouveia Coordenador de Políticas de Relações do Trabalho Dirceu Huertas Coordenador de Operações

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PROGRAMA

“Aprendendo A Aprender”
José Luiz Ricca Paulo de Tarso Carletti Projeto Centro Experimental Público de Formação Profissional Anne Caroline Posthuma Vânia Gomes Soares Milena Benedicto Francisco Aparecido Cordão Elisangela Batista da Silva Projeto Habilidades Básicas e Específicas Hugo Capucci Júnior Maíra de Passos e Carvalho Chade Deisi Romano Alessandro Mosqueira Garcia Maria Regina Prado Jane Kelly Oliveira Silva Projeto Observatório Permanente de Situações de Emprego e Formação Profissional Suzana Sochaczewski Alexandre Jorge Loloian Sérgio Augusto Bianchini Luis Augusto Ribeiro da Costa Marcos de Carvalho Dias Coordenador do Programa Consultor

Coordenadora Técnica do Conselho de Implantação Coordenadora Técnica/SERT Assistente Técnica Consultor Estagiária

Coordenador Técnico do Conselho de Implantação Coordenadora Técnica/SERT Assistente Pedagógico Auxiliar Técnico Consultora Estagiária

Coordenadora Técnica do Conselho de Implantação Coordenador Técnico/SERT Assistente Técnico Assistente Técnico Assistente Técnico

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Centro Experimental Público de Formação Profissional de Vila Formosa Claúdia Lessa Léo Pedro Birk Márcia Marino Villa Hutterer Maria Isabel Cardoso Ferreira José Paulo Martins Claudson Fernandes Patrício Jordânia de Brito Lilian Tavares Dias Regina Célia do Rego Centro Experimental Público de Formação Profissional de Tup㠓Raul de Mello Senra” Sérgio Geraldo Seiscentos Enedina Thereza Ramos da Luz João Martinez Joaquim Carlos de Brito

Coordenadora Executiva Técnico Comunitário Técnica Pedagógica (Secretaria da Educação) Técnica Pedagógica Técnico Pedagógico Auxiliar Técnico Estagiária Estagiária Estagiária

Coordenador Executivo Técnica Pedagógica Auxiliar Administrativo Auxiliar Administrativo

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ENTIDADES

“Aprendendo A Aprender”
Organização Internacional do Trabalho Ministério do Trabalho e Emprego Ministério da Educação BNDES CEETE Paula Souza CEPAM Escola Técnica Federal de São Paulo Fundação SEADE Instituto de Cooperativismo e Associativismo Instituto de Terras SINDUSCON Secretaria do Governo e Gestão Estratégica do Estado de São Paulo Força Sindical CUT Central Geral dos Trabalhadores DIEESE Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil CAT Social Democracia Sindical Conselho de Escolas de Trabalhadores CIEE FAESP/SENAR FCESP FESESP FIESP/CIESP PNBE SEBRAE SENAC SENAI SENAT SESI Secretaria da Educação do Estado de São Paulo SINFAVEA/ANFAVEA ABIMAQ/SINDIMAQ APARH Instituto UNIEMP PUC UNICAMP/CESIT UNITRABALHO USP

PARTICIPANTES DO PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA

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ENTIDADES

PARTICIPANTES DO “CENTRO EXPERIMENTAL PÚBLICO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL”
Secretaria da Educação do Estado de São Paulo APARH Prefeitura Municipal de Santo André Instituto de Cooperativismo e Associativismo CEPAM DIEESE CUT Conselho de Escolas de Trabalhadores Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil Central Geral dos Trabalhadores ABTD Secretaria do Governo e Gestão Estratégica do Estado de São Paulo SENAC SENAI SENAR SENAT Escola Técnica Federal CEETE Paula Souza PUC UNICAMP/ CESIT Instituto UNIEMP Fundação Educacional do Município de Assis

PARTICIPANTES DO PROJETO “HABILIDADES BÁSICAS E ESPECÍFICAS”
Secretaria da Educação do Estado de São Paulo CEETE Paula Souza Instituto de Terras FIA/USP Prefeitura Municipal de Diadema APARH SESI SEBRAE SENAI SENAC CIEE Reconstrução, Educação, Assessoria e Pesquisa CUT/CNM DIEESE SENAR Conselho de Escolas de Trabalhadores Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil Central Geral dos Trabalhadores Fundação Educacional do Município de Assis FIESP Diretoria Estadual do MEC Universidade Estadual Paulista/UNESP SINDUSCON ABIMAQ Escola Técnica Federal de São Paulo

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ENTIDADES

PARTICIPANTES DO CENTRO PÚBLICO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE VILA FORMOSA
Associação de Mulheres do Jardim Colorado Associação Moradores do Conjunto Habitacional Ieda Associação Lírio do Itaim Associação Comunitária Vila Carrão Sindicato dos Trabalhadores no Ramo da Construção Civil, Montagens, Instalações e Afins de São Paulo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Panificação, Confeitaria e Afins de São Paulo Associação Internacional para o Desenvolvimento – Assindes SP SENAC - Ação Comunitária ETE Martin Luther King Escola do SENAC do Tatuapé Administração Regional Aricanduva – Vila Formosa Escola do SENAI Orlando Laviero Ferraiuolo Centro de Profissionalização do Adolescente – CPA Associação Treze de Junho Sociedade das Filhas de N. Sra. do Sagrado Coração Comunidade Menino Deus Sindicato dos Oficiais, Alfaiates, Costureiras e Trabalhadores nas Indústrias de Confecção de Roupas e Chapéus de Senhoras de São Paulo e Osasco Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza Centro de Educação Estudos Pesquisas – CEEP ETE Carlos de Campos ETE José Rocha Mendes Comunidade Nossa Sra. do Amparo Associação Moradores do Jardim Camargo e Adjacências Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo Sindicato dos Trabalhadores de Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo - SINDPD Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas, Plásticos e Similares de São Paulo Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias Têxteis do Estado de São Paulo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo – SEBRAE - Penha Sociedade Amigos da Vila Antonieta E.P.S. Obra Social Dom Bosco Sociedade dos Amigos do Jardim Vila Formosa Universidade São Judas Tadeu Ambulatório Saúde Mental Qualis USF Vicenti Fiuza Costa Rotary Club São Paulo - Vila Formosa Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município de São Paulo Escola do SENAI Eng. Adriano José Marchini Cooperativa Uniservice Gazeta de Vila Formosa Núcleo de Habit. Pop. Renascer das Mil Maravilhas Associação Afro-Brasileira de Educação Cultura e Preservação da Vida – ABREVIDA Micro Import – Cursos Profissionais S/C Ltda.

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FORMAÇÃO DO PEDREIRO PLENO
Módulo I - Assentador de Blocos e Tijolos Módulo II - Revestidor de Paredes Módulo III - Assentador de Placas Cerâmicas e Domínio Básico em Construção Civil (Para Mutirão)
Coordenação Projeto “Habilidades Básicas e Específicas” Hugo Capucci Júnior Supervisão Vânia Gomes Soares Sistematização Fernanda Maris Pinheiro Leal Deisi Romano Maria Aparecida Trench Villas Bôas Apoio Pedagógico José Paulo Martins Maria Isabel Cardoso Ferreira Márcia Marino Villa Hutterer (Secretaria da Educação) Antônio Sebastião Galdeano Célia de Fátima Carvalho Maria Maude Barbosa MÓDULO I - ASSENTADOR DE BLOCOS E TIJOLOS MÓDULO II - REVESTIMENTO DE PAREDES Monitores Edison Desideri Gisleine Jubilato Rosana O P E D R E I R F O R M A Ç Ã O D Garcia BertachiniO P L E N O

Parcerias Comunidade Menino Deus Francisco Alves Construtores Ltda. Núcleo da Habitação Popular Renascer das Mil Maravilhas Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI/Tatuapé Sindicato dos Trabalhadores no Ramo da Construção Civil, Montagens, Instalações e Afins de São Paulo MÓDULO III - ASSENTADOR DE PLACAS CERÂMICAS Monitores Andre Puccini Elisabete Costa Dantas Strabeli Francesco Antonio Cappo Heloísa Helena Aragão e Ramirez Hilda Bento Rodrigues José Carlos Rocha Parcerias Associação de Mulheres do Jardim Colorado Comunidade Menino Deus Argamassa Quartzolit Ltda. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI/Tatuapé DOMÍNIO BÁSICO EM CONSTRUÇÃO CIVIL (PARA MUTIRÃO) Monitores Andre Puccini Elisabete Costa Dantas Strabeli Parcerias Movimento de Moradia Paulista - MOMPA Depósito de Material de Construção Águia de Haia Comunidade Kolping São Francisco - Guaianazes
FORMAÇÃO DO PEDREIRO PLENO

“Não fosse o mundo inteiro uma grande obra um canteiro em constante construção...”
Armando de Freitas

Apresentação

Tradicionalmente, a Indústria da Construção sempre foi a grande empregadora da mão-de-obra sem qualificação – o chamado “peão-de-obra”. Em face das profundas transformações ocorridas no mundo do trabalho, as exigências para o trabalhador da construção foram se tornando maiores e a busca de novas relações de trabalho mais justas, assim como um novo perfil de profissional, mais qualificado, polivalente, mais consciente de seus direitos de cidadão, passou a ser uma necessidade imperiosa. Nada mais natural, portanto, que o Centro Público de Formação Profissional voltasse o seu foco para essa área na tentativa de construir, coletivamente, algo que possa instrumentalizar e capacitar o trabalhador-cidadão. Ao procurar antecipar e ajustar a educação profissional a uma demanda emergente, estão sendo cumpridos, mais uma vez, os objetivos do Programa “Aprendendo A Aprender” e, através desta publicação, disponibilizando aos demais parceiros esta construção conjunta. Walter Barelli
Secretário do Emprego e Relações do Trabalho

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APRESENTAÇÃO ............................................................................................ INTRODUÇÃO .............................................................................................. MÓDULO I - ASSENTADOR DE BLOCOS E TIJOLOS ................................... HABILIDADES BÁSICAS ................................................................................. HABILIDADES ESPECÍFICAS .......................................................................... HABILIDADES DE GESTÃO ........................................................................... MÓDULO II - REVESTIDOR DE PAREDES ..................................................... HABILIDADES BÁSICAS ................................................................................. HABILIDADES ESPECÍFICAS .......................................................................... HABILIDADES DE GESTÃO ........................................................................... MÓDULO III - ASSENTADOR DE PLACAS CERÂMICAS ............................... HABILIDADES BÁSICAS ................................................................................. HABILIDADES ESPECÍFICAS .......................................................................... HABILIDADES DE GESTÃO ........................................................................... CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................. DOMÍNIO BÁSICO EM CONSTRUÇÃO CIVIL (PARA MUTIRÃO) ................ BIBLIOGRAFIA ...............................................................................................

XV 19 25 29 37 43 47 51 55 61 65 69 77 83 89 93 99

Sumário

ANEXOS ......................................................................................................... 101

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O operário em construção
“Era ele que erguia casas Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas Ele subia com as casas Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão; Não sabia, por exemplo, Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade Era a sua escravidão”1

Introdução

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Moraes, Vinícius de. O Operário em Construção. Obra poética. P.386 a 387

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INTRODUÇÃO

Cerca de 600.000 anos separam-nos dos primeiros homens que habitavam a Terra. O Australopiteco (o Piteco, hoje recriado magistralmente pela pena de Maurício de Sousa) utilizava os instrumentos que a natureza colocava ao seu alcance – pedras, bastões ou ossos longos de animais; como abrigo, usava as cavernas, que enfeitava com pinturas de animais (pintura rupestre). Quando o clima tornou-se rigoroso e as geleiras cobriam extensas regiões, o homem já se encontrava melhor equipado para sobreviver. Além de criar novos instrumentos como a lança, entendeu que a vida em grupo garantialhe a sobrevivência. Em grupo caçava e com as peles, vestia-se e construía abrigos; perdendo o medo, domesticava os animais. Quando o clima tornou-se mais quente – por volta de 10.000 a.c, os vales tornaram-se férteis e o homem, acostumado a viver em grupo e possuidor de rebanhos, começou a construir (de novo em grupo) habitações sólidas e duráveis nas margens e vales dos rios, formando aldeias. Estava inventado o mutirão.

Como observa-se neste breve relato da história da humanidade, a moradia evoluiu na medida da evolução do homem, porque este, por sua própria fragilidade, não pode prescindir do abrigo, da segurança de “quatro paredes”. Por toda a História, as camadas mais oprimidas da sociedade foram as responsáveis pela construção das cidades: primeiro, em sistema de escravidão; depois, como dizia o poeta: ”operário em construção”. E, assim, como a demanda da área da construção civil é, por tradição, preenchida pelas classes menos favorecidas, esse aprendizado sempre se deu no próprio canteiro de obras, obedecendo a um sistema mais ou menos hierárquico. JUSTIFICATIVA A opção pela organização de um itinerário formativo voltado para a área da construção civil, visando à formação do pedreiro pleno, nasceu da proposta da comunidade que integra o Conselho de Compromisso do Centro Público de Formação Profissional de Vila Formosa.

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INTRODUÇÃO

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Baseia-se no Mapa de Competências desenvolvido pelo Comitê Técnico da Construção Civil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-SENAI/RJ (Anexo 3), cabendo ao pedreiro pleno: “Executar serviços de elevação de paredes, utilizando bloco de concreto, cerâmicos e especiais, serviços de concretagem, revestimentos de pisos, paredes e teto em argamassa conforme planejamento, projeto e documentos técnicos e científicos, de acordo com as normas técnicas e em condições de qualidade e segurança” , onde estão elencadas as competências necessárias à perfeita realização das habilidades específicas dos experimentos. Os parceiros neles envolvidos concluíram que é longo o caminho para a formação do pedreiro pleno. Decidiram-se, então, que para atingir um bom nível, o itinerário formativo deveria ser estruturado, inicialmente, em três módulos que contemplassem não apenas as habilidades específicas, mas também as habilidades básicas e de gestão, contribuindo, assim, para a formação mais completa do aprendiz, instrumentando-o para interagir com maior desenvoltura no novo mundo do trabalho.

Dessa forma, os três primeiros módulos constituíram-se em: • Módulo I – Assentador de Blocos e Tijolos • Módulo II – Revestidor de Paredes • Módulo III – Assentador de Placas Cerâmicas A proposta levou em consideração, também, a aspiração maior (e de difícil consecução) das classes populares pela casa própria. Nas discussões que permearam a organização dos experimentos, levou-se em consideração, em princípio, o fato de que, na maioria das vezes, a moradia popular é erguida com grande dificuldade pelas próprias famílias, que, com raras exceções, levantam “um quarto–cozinha”, o suficiente para a mudança e, aos poucos, conforme as economias, vão acrescentando outros cômodos à habitação. Embora São Paulo seja a maior e a mais populosa cidade do Brasil, o setor habitacional corre na proporção inversa à demanda da casa própria.

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Face a essa crise habitacional, aqueles que conseguiram comprar seus “terreninhos”, organizam-se de forma associativa para erguerem suas moradias. Buscando em suas raízes a palavra que representava a ajuda dos vizinhos num trabalho agrícola (colheita, plantio, roçado), apelidaram o movimento de mutirão. Algumas organizações nãogovernamentais, sindicatos do setor e o próprio governo têm incentivado e prestado colaboração aos mutirões que se multiplicaram como solução à crise habitacional. Partindo desses pressupostos, foi acrescentado aos três primeiros módulos um quarto experimento denominado: Domínio Básico em Construção Civil, que teve como objetivo o aperfeiçoamento da construção de moradias populares em mutirão.

Outras questões levadas em conta na elaboração desses experimentos diziam respeito ao desperdício causado pelo trabalho amador e à dificuldade que as pessoas enfrentam na aquisição do material de construção por desconhecerem os mecanismos que permitem avaliar as ofertas de mercado. Outra consideração relevante é o fato de que a mão-de-obra da construção civil é demandatária na região, mas, como todos os setores, tem se tornado cada vez mais exigente quanto ao perfil do cidadão trabalhador.

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A metodologia que norteou as atividades dos três módulos para a formação do Pedreiro Pleno teve, como princípio, os quatro pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão, aprender a fazer, para agir no mundo envolvente, aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros e aprender a ser, via essencial que integra as precedentes. Estas quatro vias constituem-se em apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta. Os temas das habilidades básicas e de gestão foram preparados de modo a “combinar” o mundo que rodeia os participantes com os conhecimentos que permitam a compreensão melhor do ambiente em que atuam, favorecendo o despertar da curiosidade intelectual e o sentido crítico. Aprender para conhecer supõe, antes de tudo, aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento. Para isso, o conteúdo foi trabalhado por meio de diversas técnicas didáticas (jogos, dinâmicas de grupo, círculos de debate e outros).

Aprender a conhecer e aprender a fazer são indissociáveis. Como ensinar os participantes a pôr em prática os seus conhecimentos e os que apreendeu (conteúdos)? Aprender a fazer, por estar ligada à formação profissional associa-se à complexidade crescente das economias que apresentam especialidades muito variadas na área da construção civil (novos materiais, técnicas de aplicação etc). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 9.394/96 e o Decreto 2.208/97 colocam a educação dentro de novas perspectivas e possibilitam novas formas de atuação que atendam à flexibilidade exigida pelas características e necessidades das pessoas, tornando-as aptas para atuarem em novos contextos que considerem a interação com a sociedade em geral e com o sistema produtivo.

Metodologia

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Nesse sentido, o experimento encontra respaldo legal e inovou porque foi aplicada a metodologia da “pedagogia da alternância” em relação às habilidades específicas. Isto significa que os participantes vivenciaram, de forma alternada, experiências de formação integradas com as experiências no canteiro de obras. A cooperação entre vários espaços de aprendizagem assegurou, ainda, uma formação que conciliou aquisição de competências inerentes ao exercício de uma profissão com o desenvolvimento pessoal e social do indivíduo.

Resta dizer que os membros do Conselho Administrativo e o Apoio Pedagógico do Centro Público de Vila Formosa esperam que o experimento, como foi pensado, tenha possibilitado aos participantes o desenvolvimento da sensibilidade, do sentido estético, da responsabilidade pessoal, do pensamento crítico e juízos de valor, de modo a levá-los à melhor tomada de decisão nas diferentes situações da vida e do trabalho. Enfim, aprender a ser.

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UM BOM COMEÇO

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Formação do Pedreiro Pleno Módulo I
Assentador de Blocos e Tijolos

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MÓDULO I - ASSENTADOR DE BLOCOS E TIJOLOS

Objetivo geral

- Propiciar, ao trabalhador, a aquisição de competências para executar trabalhos de alvenaria colocando blocos ou tijolos em camadas superpostas, rejuntando-os e assentando-os com argamassa, para edificar muros, paredes e outras obras. - otimizar condições para o exercício do trabalho de forma crítica e cidadã. a) PÚBLICO ALVO: - moradores da zona Leste da cidade de São Paulo; - ambos os sexos; - acima dos 18 anos; - escolaridade equivalente ao nível fundamental - preferencialmente desempregados (com maior número de dependentes) b) PERÍODO DE INSCRIÇÃO de 26/07 a 20/08/1999 c) SELEÇÃO de 23 a 27/08/1999

d) DIVULGAÇÃO DA SELEÇÃO 30/08/1999 e) NÚMERO DE VAGAS duas turmas de 25 participantes, com 20% de mulheres inscritas f) CARGA HORÁRIA TOTAL: 100 HORAS - habilidades básicas: 30 h - habilidades específicas: 40 h - habilidades de gestão: 30 h g) REALIZAÇÃO de 01/9 a 07/10/1999 h) PARCERIAS - Comunidade Menino Deus; - Francisco Alves Construtores Ltda.; - Núcleo da Habitação Popular Renascer das Mil Maravilhas; - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI / Tatuapé; - Sindicato dos Trabalhadores no ramo da Construção Civil, Montagens, Instalações e Afins de São Paulo.
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MÓDULO I - ASSENTADOR DE BLOCOS E TIJOLOS

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Na aula inaugural, a equipe de Apoio Pedagógico apresentou, aos participantes, o Centro Público de Vila Formosa como um espaço aberto de qualificação de jovens e adultos empregados, desempregados ou candidatos ao primeiro emprego, que funciona também como posto de informações e ponto de encontro entre trabalhadores e empresários. Por ser um espaço aberto, é um Centro difusor de novas iniciativas no campo da educação e da formação profissional, portanto, como um Centro Experimental, estruturado de maneira que a comunidade do entorno se constitui no Conselho Gestor das atividades programadas. Em continuidade, foi explicada a organização do experimento em Habilidades Básicas, Específicas e Gestão que juntas têm como missão o desenvolvimento integral – humano, profissional e social dos aprendizes.

Também foram dadas informações gerais sobre o comportamento esperado dos participantes (atrasos, faltas, vestuário) e, por fim, promoveu-se a apresentação e integração entre os participantes e os monitores das três habilidades que nortearam o experimento. Nessa mesma ocasião, foram tomadas as medidas dos participantes para que se providenciassem os equipamentos necessários para o trabalho no canteiro de obras, tais como botas, capacetes, luvas e outros. Foi um momento de alegria e expectativa por parte dos aprendizes.

Os primeiros passos...

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ENTREVISTA

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ENTREVISTA

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“Ah, homens de pensamento Não sabereis nunca o quanto Aquele humilde operário Soube naquele momento! Naquele casa vazia Que ele mesmo levantara Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava. O operário emocionado Olhou sua própria mão Sua rude mão de operário De operário em construção E olhando bem para ela Teve num segundo a impressão De que não havia no mundo Coisa que fosse mais bela Foi dentro da compreensão Desse instante solitário Que, tal sua construção Cresceu em alto e profundo Em largo e no coração E como tudo que cresce Ele não cresceu em vão Pois além do que sabia Exercer a profissão O operário adquiriu Uma nova dimensão: A dimensão da poesia.” 2
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Habilidades Básicas

Moraes, Vinícius de . O operário em Construção Obra Poética, p.388

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HABILIDADES BÁSICAS

OBJETIVO - Reconhecer a importância da comunicação nas relações interpessoais e no ambiente de trabalho; - Desenvolver as capacidades de comunicação em diferentes linguagens; - Desenvolver a capacidade de realizar estimativas e cálculos aproximados e utilizá-los na verificação de resultados de operações matemáticas; - Conhecer e utilizar adequadamente as unidades de tempo, distância, líqüidos e medidas de peso; - Pensar de forma criativa, raciocinar, tomar decisões, resolver situações-problema, aprender a aprender. Tomar contato com plantas baixas e aprender a interpretá-las; - Conhecer e utilizar adequadamente o computador como ferramenta de trabalho.

CONTEÚDOS § O processo da comunicação: falar, ouvir, ler e escrever; § Os fatores facilitadores e dificultadores da comunicação; § As linguagens não-verbais; § O desenvolvimento do raciocínio lógico; § As quatro operações básicas da matemática; § Unidades de medidas; § A solução de situações-problema; § A leitura e o entendimento de plantas baixas; § Noções básicas de informática. TÉCNICAS DIDÁTICAS As atividades em Habilidades Básicas foram desenvolvidas de maneira que os aprendizes adquirissem a percepção da importância da linguagem oral e escrita no desempenho profissional e nos relacionamentos interpessoais, a adequação das variedades da língua às diferentes situações de comunicação, durante uma entrevista, em situações de trabalho, com os amigos, em casa; quando devem optar pelo uso coloquial
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e pela norma culta, gíria ou linguagem afetiva. Os conteúdos das Habilidades Básicas foram permeados de técnicas didáticas com a finalidade de tornar as atividades mais atraentes, promover descontração entre os aprendizes e entre aprendizes e monitor e possibilitar a construção de novos conhecimentos.

DINÂMICAS A vivência de dinâmicas como “Cosme e Damião”, o “Telefone sem Fio”, a leitura e a escrita de notícias e comunicados, procurou demonstrar, de maneira agradável e interessante, a importância da comunicação e como ela pode contribuir para que possamos conhecer melhor as pessoas ou como pode distorcer o significado de uma simples frase, se não for clara e objetiva.

1) FALAR... Estratégia: Representação dialogada Escolher dois casais e entregar a cada par um pequeno texto. Após um rápido ensaio, o seguinte quadro deverá ser apresentado ao grupo: Primeiro casal (homem) – Oi muié. Vamo prepara a janta? (mulher) – Lava a arface que eu corto as batata. Ocê têve no Centro Pubrico? (homem) – Foi eu mais o Luís para sabe dos curso.

Segundo casal (homem) – Oi mulher. Vamos preparar o jantar? (mulher) – Lave a alface que eu corto as batatas. Você esteve no Centro Público? (homem) – Eu fui com o Luís para saber sobre os cursos. A partir dessa encenação, os aprendizes foram levados a observar os diferentes níveis de linguagem e o significado social que é dado a cada um deles.

O Processo da Comunicação: Falar, Ouvir, Ler e Escrever:

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Foram instados, também, a perceber que em comunicação não existem propriamente o “certo” e o “errado”, mas sim o “adequado” e o “inadequado”, dependendo da situação social em que o diálogo se realiza. Há, pois, vários níveis de linguagem. Através deles é possível também saber a que condição social a pessoa pertence ou se é jovem ou adulta. A linguagem é, portanto, o conjunto de recursos de comunicação mais usado pelo homem. Por outro lado, muitos países têm uma língua em comum. Inglaterra, Estados Unidos e Austrália falam inglês, mas cada país imprime seu próprio “jeito de falar” à língua-mãe. Portugal e Brasil falam a mesma língua, mas o português falado no Brasil é muito diferente do falado em Portugal. No Brasil existem vários “jeitos de falar”. Pela fala, podemos identificar de que região a pessoa vem: do nordeste, do sul, do centro-oeste.

2) OUVIR... Uma canção popular ouvida com os olhos fechados foi estímulo usado para que o grupo discutisse a importância do saber ouvir. Alguns conceitos foram trabalhados a respeito dessa forma de comunicação, como por exemplo: - O que é ser um bom ouvinte; - As dificuldades que temos para ouvir e lembrar o que ouvimos; - A dificuldade em prestar atenção, evitando interrupções; - A preocupação em responder sem antes ouvir com atenção quem está falando; - Fazer perguntas adequadas para entender melhor; - Demonstrar respeito e interesse pelo diálogo etc. A partir dessa ação pedagógica, o monitor encaminhou a discussão para a importância do saber ouvir e falar numa situação de entrevista, ao buscar um trabalho, negociar um orçamento etc.

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3) LER... Nas atividades ligadas à leitura foram usados textos contextualizados, retirados de jornais e revistas ou mesmo de livros, tendo o monitor comentado que o ser humano pode ler, seja para interpretar os símbolos (escrita) para aprender mais, para tomar conhecimento do mundo ou para analisar os acontecimentos. Lembrou, ainda, que a leitura pode ser oral e silenciosa. Quando estamos numa condução ou paramos para ler as manchetes dos jornais numa banca, estamos praticando a leitura silenciosa. Seria muito engraçado se, no cinema, todos lessem a legenda de filmes em voz alta. Mas existem várias situações que exigem a leitura oral, como ler histórias para crianças, um discurso para um público, atas em reuniões, relatórios, comunicados no ambiente de trabalho, instruções, ordens, avisos etc. Mesmo no canteiro de obras pode-se ter necessidade de ler em voz alta. Pediu então que o grupo citasse outros exemplos.

Durante o experimento, os aprendizes exercitaram-se também em técnicas de leitura, de forma a perceberem as diferentes situações em que se usa uma ou outra forma de leitura e como melhorá-las. 1. Como melhorar a leitura oral: • Fazer leitura em voz alta; • Utilizar uma caneta pressionada pelos dentes, prendendo as bochechas e a língua. Após esse treino, haverá maior fluência da leitura em voz alta; • Ler segmentos do texto com diferentes entonações, percebendo a diferença, às vezes, de sentido. 2. Como melhorar a leitura silenciosa: • Fazer leitura evitando ler sílaba por sílaba, lendo trechos mais extensos do texto, por exemplo, parágrafos que tenham sentido completo; • Evitar o movimento dos lábios e o acompanhamento da leitura com o movimento da cabeça para um e outro lado; • Evitar acompanhar a leitura com a régua ou com o dedo.

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HABILIDADES BÁSICAS

4) ESCREVER... Façam de conta que amanhã vocês não poderão comparecer ao trabalho. Então devem escrever um bilhete para seu chefe, avisando-o de sua ausência e justificando sua falta. Mas o que é um bilhete? E como se escreve um bilhete? O bilhete é uma mensagem curta, um recado escrito que enviamos ou deixamos para alguém. Dessa forma, o monitor iniciou as atividades de linguagem escrita com o grupo. E foi mais além. Analisou com os aprendizes os bilhetes que eles escreveram, mostrando que quando sabemos o quê e para quem escrever, fazemos com mais facilidade. Assim, devemos prestar atenção às perguntas que nos orientam a escrever o bilhete: Quem? (isto é: para quem é o bilhete) O quê? ( o assunto) O final (despedida) Assinatura Data

As técnicas para desenvolver as habilidades em linguagem escrita evoluíram, motivadas por questionamentos como: Vocês já tiveram oportunidade de escrever uma carta para alguém? O que fizeram para lidar com essa situação? Tentaram escrever sozinhos ou pediram ajuda para alguém? E assim os aprendizes foram estimulados a escrever uma carta, a partir das seguintes perguntas: - Como vou começar a carta? - O que quero saber? - O que quero contar? - Como vou acabar? - O que vou escrever no envelope? As atividades em linguagem escrita foram associadas à linguagem oral com a proposta de leitura das cartas escritas pelo grupo.

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Lidar com números geralmente se dá numa situação problemática. Até para arriscarmos na loteca nos vemos diante de um problema: que números assinalar? quanto posso gastar? E no trabalho? Temos que medir, comparar, calcular área, quantidade de argamassa, várias quantidades de tijolos e até mesmo relacionar o nosso salário, com as horas trabalhadas, o tempo e dinheiro com as horas trabalhadas, o tempo (horas trabalhadas) e dinheiro, o tempo e dinheiro gasto em condução etc. Tudo envolve números e contas. A essa constatação foram levados os “peões”, dentre eles as mulheres que compunham o grupo. Assim, vários tipos de problemas, envolvendo situações cotidianas e de trabalho, foram sendo resolvidos pelos aprendizes, individualmente ou em grupo, sob a orientação dos monitores em vários locais de aprendizagem, principalmente no canteiro de obras.

É importante ainda registrar a exploração de situações de cálculo mental sem registro escrito e sem utilização de instrumentos, muito embora o uso da calculadora fosse incentivado em outras ocasiões. Foram bastante exploradas as quatro operações fundamentais e sua função no cálculo, isto é, a idéia de soma/subtração e multiplicação/divisão como operações inversas. A leitura e o entendimento de plantas baixas de construção também foram explorados durante o experimento e, utilizando os classificados de jornais e revistas, calcularam preços de materiais de construção. Na seqüência, mais uma atividade foi desenvolvida: o Jornal da Construção, com o objetivo de reforçar várias habilidades de leitura. O monitor utilizou como recurso didático jornais e revistas do Centro Público, que foram distribuídos entre os participantes. Divididos em grupos, discutiram a organização de um jornal, diferenciaram as manchetes dos títulos e compararam o enfoque dado à mesma notícia nos diversos periódicos, identificando assim sua “linha editorial”.

Lidando com os números...

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HABILIDADES BÁSICAS

Após resumirem algumas notícias e criarem outras, cada grupo editou a sua versão do Jornal da Construção. É de suma importância destacar a relação das “manchetes” selecionadas pelos grupos, com os conteúdos do Experimento. Alguns exemplos:

E foi um grupo motivadíssimo que se sentou diante de um computador pela primeira vez: o contato com o “mouse”, o teclado, o “nome” escrito no Word, o fascínio pela tecnologia. Muitas das “notícias” do Jornal da Construção foram editadas em meio a um titubeante “teclar”. Também foram trabalhadas práticas de higiene corporal em casa e no trabalho, sendo sempre frisado que a aparência (roupa limpa, cabelo penteado) também faz a diferença na concorrência por uma vaga na construção civil.

O engenheiro Robert Wilson desenvolveu uma nova técnica para redução de preço e tempo

Cuidados com os equipamentos de proteção individual na Construção Civil

Guindaste mata mulher na paulista

Segurança e Saúde no Trabalho: Uma questão de cidadania

Dicas para quem quer construir

Economia da obra começa pela estrutura

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“... Mas ele desconhecia Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O operário foi tomado De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa - Garrafa, prato, facão Era ele quem os fazia Ele, um humilde operário, Um operário em construção Olhou em torno: gamela Banco, enxerga, caldeirão Vidro, Parede, janela Casa, Cidade, nação! Tudo, tudo o que existia Era ele quem o fazia Ele, um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão” 3

Habilidades Específicas

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Moraes, Vinícius de . O operário em Construção Obra Poética. p.388

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

OBJETIVO Oferecer aos participantes condições de identificar e utilizar corretamente ferramentas e equipamentos nas práticas de assentamento de blocos e tijolos. TÉCNICAS DIDÁTICAS Como as atividades de Habilidades Específicas foram realizadas no canteiro de obras, as estratégias constituíram-se na demonstração de utilização de equipamentos, exposição dialogada e práticas individuais.

CONTEÚDO § Assentamento de tijolos comuns, blocos cerâmicos, concretos e celulares § Tipos de argamassas: preparo e utilização § Tipos de sapatas, impermeabilização § Usos de prumo, nível e esquadro § Levantamento de alvenaria As Habilidades Específicas, estreitamente ligadas ao trabalho e que dizem respeito ao saber–fazer e saber– ser, foram desenvolvidas no canteiro de obras, cedido por uma construtora da região, onde os participantes planejaram e executaram, sob a orientação do monitor, a fundação de um galpão. É importante ressaltar a integração entre as Habilidades Específicas e as de Gestão no canteiro de obras, pois, a cada ensinamento prático, o monitor orientava os aprendizes para as normas de segurança, insistindo no uso de equipamentos de segurança individual e explicando que em grandes obras existem equipamentos de proteção coletiva como a plataforma de proteção

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(bandejão e provisória), guarda-corpo, telas de proteção, corrimão, cancela e outros. Antes de iniciar as aulas práticas o monitor verificava se os aprendizes estavam com todos os equipamentos de segurança individual: botas, luvas, capacetes e óculos de proteção. Depois de serem apresentados às ferramentas de trabalho – colher de pedreiro, desempenadeira, enxada e outras, os aprendizes iniciaram a limpeza do terreno para, em seguida, iniciarem o levantamento do galpão em alvenaria, utilizando blocos e tijolos e vários tipos de argamassa. Como alguns dos participantes já possuíam alguma experiência anterior, estes ajudavam os demais permitindo ao monitor demonstrar a importância de trabalhar em equipe e ter atitudes de solidariedade. No canteiro de obras, os participantes aprenderam a misturar a massa nas proporções certas de areia, cimento, cal e água, e foram alertados para evitar o desperdício em qualquer etapa da construção no preparo da massa, na

quantidade de massa necessária à fixação dos tijolos, no corte preciso dos blocos e tijolos. Foram dadas instruções sobre a qualidade dos produtos que compõem a argamassa. Assim é que souberam ser a cal a principal constituinte de vários produtos utilizados na construção, mas que suas propriedades ficam prejudicadas se a mesma não for pura dentro das normas fixadas, ostentando na embalagem o selo de “produto puro” dado pela Associação Brasileira dos Produtores de Cal. Participantes com alguma experiência deram demonstração de testes práticos para verificar a pureza da cal, sendo um deles referente à finura da mesma que pode ser percebida “a olho nu”, ao peneirá-la numa mistura com água. A areia também deve ser de boa qualidade. Se misturada com água e esta se tornar muito turva é provável que seja de má qualidade. O cimento, em geral, sai da fábrica com qualidade obedecendo às normas estabelecidas.

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Esse produto ficando por muito tempo estocado pode empedrar com a umidade do ar, ficando sem sua força cimentante. É bom verificar se a embalagem não se encontra danificada e, o produto conseqüentemente deteriorado. COMO COMPRAR? O monitor ilustrou este item fazendo um retrospecto histórico, lembrando que desde os tempos dos faraós egípcios, a argamassa vem sendo utilizada para unir e revestir os blocos que formam as paredes e os muros das construções. Passaram, então, a discutir a proporção dos elementos que a compõem. Por exemplo: para cada 2 latas (de 18 litros) de cal hidratada, usa-se 1 de cimento e 9 de areia. A água, chamada de “água de amassamento”, é posta de acordo com a prática, conforme o tijolo (mais poroso ou não) e a maior ou menor “corrida” desejada para a massa. COMO MISTURAR OS MATERIAIS? A mistura pode ser feita de forma manual na masseira ou na betoneira mecânica.
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Nesse caso, ela foi feita na masseira rústica, com tábuas cercando um recinto com piso firme. Colocou-se a porção de cal, embebida em água, “curando” o produto. No dia seguinte, foram misturados os demais materiais: areia e cimento, colocando-se água até obter a consistência adequada ao trabalho. A proporção “traço” (traço mais utilizado é: 1 parte de cimento, 3 ou 4 partes de areia média lavada, com um consumo médio de 3 l/m²) a ser usada para as argamassas depende do local onde serão aplicadas, sendo que as paredes externas devem ser construídas com argamassa diferente daquela a ser usada para erguer uma parede interna. Todas essas noções foram adquiridas no próprio “fazer”, sempre motivado por diálogos, troca de experiências, acertos e erros, tendo mesmo sido lembradas, durante a feitura da argamassa, as receitas de bolo, principalmente por parte das aprendizes, que enfatizaram a qualidade dos materiais para um bom resultado.

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LEVANTANDO PAREDES... Tendo assimilado os conceitos básicos, o grupo “botou a mão na massa”. Começaram fazendo as fundações, observando as condições do terreno, que devem ser cuidadosamente analisadas, pois elas é que vão dar estabilidade e durabilidade às construções. Aí, então, tomaram contato com outros materiais: tijolos e blocos. Trabalharam, basicamente, com blocos; alguns compactados, outros furados. Os primeiros passos para o assentamento foram dados, intercalando-se o trabalho propriamente dito e a consulta ao material didático ilustrativo. O monitor propôs que pesquisassem os tipos de tijolos e trouxessem o resultado para apreciação do grupo. Assim, apareceram tijolos comuns, de vidro, blocos de concreto, de pedra e outros. Aqueles que tinham conhecimento anterior auxiliavam os demais, permitindo que o monitor aproveitasse a ocasião para demostrar a importância do trabalho em equipe, a atitude de

solidariedade e a importância da construção coletiva do conhecimento. A primeira fiada de tijolos foi assentada pelos participantes, com auxílio do nível de mangueira, tomando-se como ponto de referência para nivelamento a sapata (fundação rasa geralmente de concreto armado com a largura sendo maior que a altura), o baldrame (viga de concreto armado que corre sobre fundações de qualquer tipo) ou uma parede já assentada. Continuaram assentando as fiadas seguintes sob o olhar atento do monitor, que alertava sobre a importância da “amarração”, e tinha o cuidado de revezar os participantes para que todos tivessem a oportunidade de “praticar a profissão”. Outro ponto a ser destacado foi a orientação dada para o trato com as ferramentas, que após as horas de trabalho eram lavadas e guardadas nas caixas, destinadas para este fim.

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

Foi explicado que graças à arrumação e à limpeza, as ferramentas têm maior durabilidade e o trabalho “rende”, pois é bem mais fácil encontrar tudo no devido lugar na hora de recomeçar a lida no dia seguinte.

E, assim, em meio à conscientização das atitudes acertadas no exercício do ofício de pedreiro, o galpão foi-se erguendo por meio do uso correto do prumo, do serrote, da desempenadeira, da precisão das amarrações, da marcação do nível, dos cortes dos blocos nos ângulos, da parede subindo... reta, até o ponto de respaldo.

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“De fato, como podia Um operário em construção Compreender por que um tijolo Valia mais que um pão? Tijolos ele empilhava Com pá, cimento e esquadria Quanto ao pão, ele o comia... Mas fosse comer tijolo! E assim o operário ia Com suor e com cimento Erguendo uma casa aqui Adiante um apartamento Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão; Prisão que sofreria Não fosse, eventualmente Um operário em construção” 4

Habilidades de Gestão

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Moraes, Vinícius de. O Operário em Construção. Obra Poética. p.386 a 387

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HABILIDADES DE GESTÃO

OBJETIVO Desenvolver hábitos adequados na utilização dos equipamentos de segurança e outros conhecimentos que possibilitem ao aprendiz organizar-se enquanto profissional da construção civil. ESTRATÉGIAS Além de dinâmicas de grupo, como jogos e demonstrações individuais, painéis de discussão e colagens, a maioria das estratégias foram realizadas no próprio canteiro de obras através de exposições dialogadas entre monitor / aprendizes. CONTEÚDO • Apresentação pessoal; • Gestão do próprio negócio; • Trabalho em equipe; • Cooperativas de trabalho; • Elaboração do currículo; • Conceitos de ética e cidadania; • Segurança no trabalho. Como já foi apontado, as atividades das Habilidades de Gestão e Específicas
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interligaram-se durante o experimento, principalmente no canteiro de obras, local ideal para reforçar os conteúdos que qualificam um operário da construção civil. Assim, o monitor, distribuindo sabonetes e toalhas limpas, insistia na apresentação pessoal, que passa pelos cuidados mais elementares de higiene, como lavar as mãos e o rosto antes de dirigir-se ao refeitório para o lanche. Na maioria das vezes o operário da construção civil mora em barracões construídos para abrigá-los na própria obra, e a convivência com os colegas nem sempre é fácil. Uma das tarefas do monitor foi mostrar que a cordialidade e cooperação com os colegas torna a vida, no canteiro de obras, muito mais agradável. Os participantes receberam sempre orientação sobre os cuidados pessoais, como o banho após o trabalho, escovação de dentes após as refeições, cabelos lavados e penteados e roupas limpas. Esses pequenos cuidados facilitam o trabalhador na busca pelo emprego e sua permanência nele, ajudam a mantê-lo saudável e facilitam a convivência.
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Durante as aulas práticas, o monitor também observava a maneira como os aprendizes trabalhavam e chamava a atenção para a postura, lembrando-os sempre para dobrar os joelhos ao levantar pesos evitando, assim, problemas de coluna e advertindo-os para os perigos que podem encontrar durante o trabalho.

Para evitar acidentes, os aprendizes usaram os equipamentos individuais de segurança (botas, luvas, óculos e capacete) e foram orientados sobre os equipamentos de segurança coletivos: como telas e coberturas de proteção, guarda – corpo, passarelas, andaimes e outros, que devem ser exigidos quando forem trabalhar em grandes obras. O monitor orientou a elaboração do currículo de cada participante, lembrando que os documentos pessoais devem estar sempre em ordem e em bom estado de conservação. Comentou com os aprendizes também sobre tipos de contratação: o que é um contrato de prestação de serviços, que pode ser temporário ou por empreitada e o que são as cooperativas de trabalho. No capítulo das cooperativas de trabalho, o monitor informou a todos sobre o movimento que começou na Inglaterra em 1844 e que nos dias de hoje apresenta–se como importante alternativa sócio-econômica.

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HABILIDADES DE GESTÃO

Os aprendizes, então, foram orientados a respeito da Legislação Cooperativista no Brasil, sobre a constituição de uma Cooperativa (estatutos) e os direitos e deveres dos cooperados e ainda a diferença entre as cooperativas de produção e de trabalho. AVALIAÇÃO A avaliação das atividades foi realizada através da observação contínua, da mudança de comportamento e do interesse demonstrado pelos participantes durante o experimento.

O próprio Jornal da Construção, que foi realizado como atividade, também se constituiu em um instrumento de avaliação, assim como a confecção de cartões de visita nas atividades de Informática, o currículo nas Habilidades de Gestão e, principalmente, as atividades práticas no canteiro de obras, cuja avaliação era imediata às ações executadas. Ao final do experimento, foi aplicado um instrumento de avaliação de reação (Anexo 2). E, assim, os aprendizes que concluíram este módulo foram convidados a participar do Módulo II do experimento de Formação do Pedreiro Pleno.

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Formação do Pedreiro Pleno Módulo II
Revestidor de Paredes

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MÓDULO II - REVESTIDOR DE PAREDES

OBJETIVO GERAL Otimizar condições para a aquisição de novas práticas na área da construção civil em revestimento de paredes, internas e externas, exercitando o trabalho de forma crítica e cidadã. a) PÚBLICO ALVO: - moradores da Zona Leste da cidade de São Paulo; - ambos os sexos; - acima dos 18 anos; - escolaridade: nível fundamental; - preferencialmente desempregados (com maior número de dependentes). b) PERÍODO DE INSCRIÇÃO de 08 a 14/10/1999 c) SELEÇÃO 15/10/1999 d) DIVULGAÇÃO DA SELEÇÃO 18/10/1999

e) NÚMERO DE VAGAS duas turmas de 25 participantes f) CARGA HORÁRIA - habilidades básicas: 30 h - habilidades específicas: 40 h - habilidades de gestão: 30 h g) REALIZAÇÃO de 19/10 a 24/11/1999 h) PARCERIAS - Comunidade Menino Deus; - Francisco Alves Construtores Ltda.; - Núcleo da Habitação Popular Renascer das Mil Maravilhas; - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI /Tatuapé; - Sindicato dos Trabalhadores no ramo da Construção Civil, Montagens, Instalações e Afins de São Paulo.

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MÓDULO II - REVESTIDOR DE PAREDES

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CONTINUANDO A TRAJETÓRIA . . . Conforme explicitado na justificativa desta sistematização, a organização de um experimento voltado para a formação do pedreiro pleno exige o cumprimento de um mapa de competências que “equipem” o futuro profissional com novos conhecimentos que permitam a ele movimentar-se com desenvoltura em qualquer situação que se apresente no mundo do trabalho. Está implícito, na formação de um operário da construção civil, que o muro ou parede “levantados” deverão ter um acabamento, isto é, a superfície construída deverá ser revestida, não somente por estética, mas principalmente para conservação e durabilidade da obra.

Assim, pela lógica, o módulo seqüencial desenvolvido na Formação do Pedreiro Pleno foi o Revestidor de Paredes. Com as turmas de concluintes do Módulo I – Assentador de Blocos e Tijolos e dos selecionados dentre os inscritos para o novo módulo, a aula inaugural não prescindiu da apresentação do Centro Público de Vila Formosa e dos objetivos que nortearam sua criação. Constou ainda da apresentação dos monitores das Habilidades Básicas, Específicas e de Gestão e de informações sobre horário das atividades, sendo frisado na ocasião que a freqüência era importante para a obtenção do certificado final.

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

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CONSTRUÇÃO “Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse a último E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego” 5

Habilidades Básicas

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Holanda, Chico Buarque de. Construção, 1971

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HABILIDADES BÁSICAS

OBJETIVOS § Reconhecer a importância da comunicação nas relações interpessoais e no ambiente de trabalho; § Desenvolver a capacidade de comunicação em diferentes linguagens; § Desenvolver a capacidade de realizar estimativas e cálculos aproximados e utilizá-los na verificação de resultados de operações matemáticas; § Pensar de forma criativa, raciocinar, tomar decisões, resolver situaçõesproblema, aprender a aprender; § Tomar contato com plantas baixas e aprender a interpretá-las; § Conhecer e utilizar adequadamente as unidades de tempo, distância, líqüidos e medidas de peso; § Conhecer e utilizar o computador como ferramenta de trabalho. CONTEÚDOS § O processo da comunicação: ler, falar, ouvir e escrever; § Os fatores facilitadores e dificultadores da comunicação;

§ As linguagens não-verbais; § O desenvolvimento do raciocínio lógico; § A utilização das quatro operações básicas da matemática. A solução de situações-problema; § Unidades de medidas; § O entendimento de plantas baixas; § Noções básicas de informática. Os conteúdos e objetivos obedecem aos eixos temáticos propostos para a formação do Pedreiro Pleno, daí a razão de eles repetirem. O tratamento didático e as atividades propostas foram planejadas de maneira a garantir a continuidade e aprofundamento do que já foi aprendido, levando-se em conta as dificuldades que foram observadas no desenvolvimento do módulo anterior, ou seja: Assentador de Blocos e Tijolos. A expectativa é que os participantes tivessem um desempenho cada vez mais autônomo em relação aos conteúdos que foram trabalhados nessa ocasião. Porém, a condução das atividades procurou não prejudicar os aprendizes que optaram por este módulo, mesmo sem terem freqüentado o anterior.

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TÉCNICAS DIDÁTICAS Diversas técnicas didáticas foram vivenciadas em Habilidades Básicas, partindo da apresentação do grupo. Num primeiro encontro, a fim de aquecer o grupo, o monitor escreveu no flip-chart algumas perguntas, às quais cada participante deveria responder: - O que gosto de fazer e faço? - O que gosto de fazer e não faço? - O que não gosto de fazer e não faço? - O que não gosto de fazer e faço? Essa técnica permitiu que os participantes, além de se conhecerem, dessem boas risadas “quebrando”, assim, o “gelo” inicial. Na seqüência desse quebra gelo, outra técnica foi utilizada: A mímica – os participantes foram divididos em dois grupos; cada grupo escolheu títulos de quatro filmes que deveriam ser adivinhados pelo grupo oposto através da mímica. Venceu o grupo que conseguiu acertar o maior número dos títulos.

Os conteúdos foram sendo desenvolvidos dentro da metodologia proposta no “Aprender A Aprender” com atividades motivadoras e com os participantes, na maioria das vezes, reunidos em grupos (cujos componentes se revezavam) discutindo situaçõesproblema, num processo interativo monitor-aprendiz, aprendiz-aprendiz, adaptado ao ritmo de aprendizagem de cada um. O núcleo aglutinador dos conteúdos de Habilidades Básicas continuou sendo a criação de um “Jornal da Construção” (Anexo 04). Para isso, foram trabalhados diversos textos como notícias de jornais e revistas, poemas, manuais de instrução, receitas, propagandas variadas, relatos de experiências, anúncios de ofertas de empregos. Todas essas possibilidades deram origem a novas oportunidades de leitura silenciosa e oral, análise, comparação, troca de experiências, discussões em grupo; portanto, construção e ampliação de conhecimentos.

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HABILIDADES BÁSICAS

Os participantes discutiram a função dos jornais, como são organizados, de que temas tratam. Aprenderam a identificar e ler manchetes, títulos e notícias de diferentes jornais. Elaboraram resumo das notícias e criaram novas a partir de acontecimentos locais. Todas essas propostas culminaram com o grupo interessadíssimo diante do computador, criando e “editando” o Jornal da Construção. Em matemática, os participantes foram estimulados a resolver problemas que envolviam porcentagem, cálculo, medidas, volumes a partir de situações concretas da construção civil, sugeridas pelo monitor de Habilidades Específicas, numa ágil integração das áreas.

Dessa forma, os problemas propostos foram formulados retratando situações práticas que permitiram vários níveis de investigação e possibilidades de solução, e também, o uso da calculadora em determinados momentos. Levou-se sempre em consideração que o trabalho formativo, em qualquer campo, com pessoas adultas, deve ter um sentido dinâmico, superando a concepção estática que durante muito tempo se atribuiu a esta etapa da vida.

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“Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu o patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público” 6

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Holanda, Chico Buarque de. Construção, 1971

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OBJETIVO Oferecer aos aprendizes os procedimentos corretos para o revestimento de paredes. CONTEÚDO § Técnicas de revestimento de paredes: - Chapisco: é a primeira camada de argamassa aplicada sobre a alvenaria. Ela tem a função de proporcionar uma superfície rugosa (rústica) com objetivo de dar maior aderência entre o bloco e o emboço. - Emboço (massa grossa): Esta etapa consiste em proporcionar uma proteção à alvenaria, visando: • proteger contra choques mecânicos; • impermeabilizar; • dar resistência às intempéries; • preparar a superfície para outros revestimentos. - Reboco (massa fina): Argamassa que se aplica a uma parede depois de esta emboçada para lhe proporcionar uma superfície lisa e uniforme apta a receber pintura ou outro material de revestimento.

Pode ser simples como a massa fina aplicada na área interna diretamente sobre o emboço, bastando seguir as recomendações do fabricante quanto ao preparo. A massa fina, por sua vez, proporciona uma acabamento aveludado, atendendo aos padrões populares. - Talisca: Ripa de madeira colada à parede para nela alinhar e aprumar a massa na parede. TÉCNICAS DIDÁTICAS As estratégias didáticas constituíram-se nas próprias atividades práticas necessárias para o exercício da profissão. As Habilidades Específicas foram realizadas alternando as atividades entre os locais para discussões teóricas e o canteiro de obras. No Módulo I do itinerário formativo do pedreiro pleno, os aprendizes levantaram as paredes de um galpão; já no Módulo II, os participantes revestiram as mesmas paredes levantadas pelos colegas no canteiro de obras, cedido pela construtora parceira. (Anexo 3)

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Devidamente protegidos com os equipamentos de segurança individual, botas, luvas, capacete e óculos, os aprendizes passaram a preparar a argamassa. Isto foi feito em masseira limpa com suas laterais fechadas, evitando o escoamento da água de preparo, uma vez que o escoamento carrega partes dos materiais, comprometendo o traço, proporção em que os materiais (areia, cal, cimento etc.) entram na composição. As argamassas compradas prontas devem ser preparadas de acordo com as informações do fabricante contidas na embalagem. A seguir, iniciaram a primeira técnica de um revestidor de paredes: chapiscar usando a colher. Durante a atividade, o monitor explicava que para realizar aquela operação era necessário primeiramente molhar a parede não só para retirar a poeira, como para evitar a absorção da água da argamassa. Apresentando a colher de pedreiro, demonstrou como manejar a ferramenta para que a argamassa não caísse. O exercício foi repetido por todos os aprendizes, enquanto o monitor dava orientações complementares:

1) chapiscar a parede do piso até a cintura do operador; 2) colocar o caixote à direita do operador; 3) a distância para lançar a argamassa é aproximadamente 25 cm; 4) levantar a colher para evitar que a ferramenta bata na parede; 5) aplicar a argamassa de maneira que fique bem espalhada. Depois, os aprendizes aprenderam a usar a desempenadeira para chapiscar as partes mais altas das parede e teto, sempre seguindo as orientações precisas do monitor: 1) pegar a desempenhadeira com a parte plana para cima e enchê-la com maior quantidade de argamassa possível, sem derramá-la, segurando a ferramenta com uma das mãos; 2) pegar a argamassa com a outra mão e, com a colher, lançá-la na parede; 3) para chapiscar o teto, o lançamento é feito sempre à esquerda. Enquanto os aprendizes assimilavam as técnicas, o monitor estimulava-os a
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não desperdiçar material, a não “se sujarem” muito, lembrando que um operário asseado, cuidadoso e econômico sempre tem mais chance de ingresso e permanência no emprego. Para aprender a trabalhar o emboço que é utilizado para revestir paredes, tetos e colunas, os participantes tiveram que assimilar a técnica de taliscar que consiste em colocar taliscas como pontos de referências que estabeleçam o correto alinhamento e a verticalidade (prumo) da superfície que será revestida. Para que os aprendizes assimilassem a técnica de taliscar, o monitor precisou usar todo o seu “engenho e arte”, pois o conteúdo exige conhecimentos de manejo do prumo, do cálculo da área de superfície (sistema métrico) e do uso da trena.

E, assim, ainda integrando-se às habilidades básicas e específicas, os participantes aprenderam a colocar as taliscas intermediárias, superiores e inferiores, estabelecer as mestras, a sarrafear a faixa mestra, a utilizar a régua e dar plasticidade à argamassa; enfim, fazer o trabalho que apenas um pedreiro experiente executa em uma construção. Outra operação realizada com freqüência pelo pedreiro (ou estucador), quando precisa revestir paredes ou teto, é a chamada encher panos. Consiste em apanhar, com a colher de pedreiro, a argamassa do broquel e jogá-la sobre a superfície chapiscada, entre as mestras da parede ou do teto, em camadas sucessivas, até atingir o pau das mestras, sarrafeando a seguir, com a régua apoiada nas mestras, em movimentos de vaivém.

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Além dessas práticas, o monitor orientou sobre outras técnicas, tais como aplicar e desempenar argamassa e alisar com desempenadeira de feltro ou esponja – atividades que exigiram o uso constante das luvas de borracha para evitar que a argamassa danificasse as mãos dos aplicadores. Algumas dicas, para um bom revestimento, foram levantadas: - umedecer a parede com o auxílio de uma brocha para evitar a perda de água da argamassa; - é interessante que haja pequenas depressões no assentamento dos tijolos para uma boa retenção da argamassa; - o revestimento “fresco” deve ser protegido da chuva nas paredes externas; - depois da superfície seca aplicar na parede o revestimento decorativo; - deve-se manter a espessura constante que no conjunto não deve ultrapassar dois centímetros.

É importante ressaltar que sem a vivência no canteiro de obras, a formação do pedreiro pleno seria impraticável. Este é um experimento atrelado ao aprender a fazer, fazendo; aprender com a possibilidade imediata de avaliação, e nesse sentido, as três Habilidades fundem-se para proporcionar ao aprendiz o que, verdadeiramente, pode-se chamar de qualificação profissional.

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“Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu o patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado” 7

Habilidades de Gestão

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Holanda, Chico Buarque de. Construção, 1971

FORMAÇÃO

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PEDREIRO

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HABILIDADES DE GESTÃO

OBJETIVO Criar condições para que o aprendiz desenvolva habilidades que lhe permitam dirigir sua vida profissional, quer gerenciando seu próprio negócio ou participando de uma empresa. CONTEÚDOS § A importância da apresentação pessoal; § O trabalho autônomo, o associativismo, a prestação de serviços e o cooperativismo; § Como apresentar-se através do currículo; § Como elaborar um orçamento; § O trabalho em equipe; § A ética e a cidadania; § A saúde e a segurança no trabalho.

TÉCNICAS DIDÁTICAS Os conteúdos relativos às Habilidades de Gestão, como os demais, foram desenvolvidos através de uma metodologia interativa, com dinâmicas de grupo especialmente selecionadas, visando despertar a percepção da importância do outro nas relações de trabalho e sedimentar atitudes de respeito e ajuda mútua que viabilizam o trabalho em equipe, aspecto fundamental na vida produtiva atualmente. Alguns exemplos de dinâmicas utilizadas: “Escravos de Jó”, “Papéis Complementares”, “Círculos de Debates”, “Painéis Conclusivos”, “Recorte e Colagem” etc. Atitudes de acordo com a dignidade da pessoa e o estabelecimento de compromissos de responsabilidade frente a si mesmo, à comunidade e ao meio ambiente foram objetos de análise, discussão e vivências simuladas. Nessas práticas foram utilizados textos, estudos de casos, situações-problema.

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HABILIDADES DE GESTÃO

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Continuou-se ressaltando sempre que embora o trabalhador da construção civil lide com cimento, cal, tinta etc. isso não significa que ele não possa se apresentar de forma mais adequada, mais agradável, cuidando do seu visual; uma roupa limpa, o cheiro de sabonete, os cabelos bem penteados que constituem um bom “cartão de apresentação”. Em relação ao saber conviver, principalmente quando o operário morar no alojamento da obra, algumas regras devem ser respeitadas, tais como: § guardar as roupas no armário, nunca pendurar na fiação elétrica; § não guardar roupas e sapatos molhados no armário; § não perturbar o descanso dos companheiros; § não fumar no alojamento, pois, além de poluir o ambiente, pode causar incêndio; § não comer nos vestiários; § respeitar os colegas de trabalho; § não usar álcool, drogas ou qualquer tipo de entorpecentes; § não levar nenhum tipo de arma para a obra.

O outro conteúdo tratado versou sobre o trabalho autônomo, que é muito comum em profissões como a de pedreiro. O monitor conduziu atividades que reiteraram o fato de que a apresentação pessoal conta muito nos primeiros contatos com os possíveis clientes. Também foram trabalhadas questões em relação à administração do seu próprio negócio, quanto: § ao orçamento e § aos tipos de clientes Exercícios práticos foram realizados sobre o preço da mão-de-obra e do material de construção (que pode ser adquirido pelo cliente) sempre compatíveis com os preços do mercado. Outra questão discutida foi o registro como autônomo e o pagamento mensal, mediante carnê, à Previdência Social que garante benefícios ao trabalhador, inclusive a aposentadoria. Ainda sobre formas de trabalho, o monitor propôs atividade com o grupo a respeito do cooperativismo que começou como uma doutrina, um movimento que considera as cooperativas como forma ideal de organização.

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HABILIDADES DE GESTÃO

Diante do interesse do grupo, o monitor usando o recurso do flip-chart, dialogou sobre os princípios do cooperativismo, explicando o significado de cada um deles. Princípios doutrinários do cooperativismo; 1º Adesão livre e voluntária; 2º Controle democrático pelos sócios; 3º Participação econômica dos sócios; 4º Autonomia e independência; 5º Educação, treinamento e informação; 6º Cooperação entre cooperativas; 7º Preocupação com a comunidade.

O assunto, como já foi citado, despertou o interesse dos participantes que enxergaram, no cooperativismo, uma alternativa de trabalho. Motivados pelo monitor, “criaram” uma Cooperativa de Revestidores de Parede “virtual”, como avaliação final da atividade, embasada em informações de instrumentos legais. Com os aprendizes reunidos em grupos para “criarem” a sua cooperativa, o monitor desenvolveu a última atividade proposta para o experimento: a organização de um trabalho conjunto que discutiu a formação de equipes, administração do tempo e as relações humanas.

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Formação do Pedreiro Pleno Módulo III
Assentador de Placas Cerâmicas

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MÓDULO III - ASSENTADOR DE PLACAS CERÂMICAS

Mais um degrau . . . Ao iniciar a sistematização deste módulo na Formação do Pedreiro Pleno, fazem-se necessárias algumas considerações. Por se tratar de experiência inovadora em Educação Profissional, a metodologia adotada, a organização dos conteúdos e a própria avaliação do experimento de formação profissional não se constituem numa programação estática, pronta. Ao contrário, por serem propostas experimentais estão sujeitas tanto ao sucesso como aos equívocos, aos acertos como às incorreções. Privilegiou-se, de início, um encontro com os monitores, com a finalidade de discutir a filosofia do Programa “Aprendendo A Aprender”, a população à qual o Programa se destina, a metodologia como fator facilitador da aprendizagem e a intersecção das Habilidades Básicas, Específicas e de Gestão, que deveriam permear os conteúdos a serem estudados. Assim, os monitores das três Habilidades passaram a se reunir semanalmente para discutir a prática
FORMAÇÃO DO PEDREIRO

pedagógica cotidiana do experimento, criando, a partir daí, novos procedimentos e instrumentos de autoavaliação, de avaliação de reação dos aprendizes e de reflexão da própria prática pedagógica. Quem ganhou com isso? § Os aprendizes – que receberam melhor qualificação para a empregabilidade e para vida; § Os monitores– que aperfeiçoaram a prática educativa e sentiram a conseqüente satisfação pessoal por um trabalho de qualidade; § O próprio Programa “Aprendendo A Aprender” que aos poucos incorpora experiências inovadoras no campo da formação profissional e na busca de um novo desenho para a educação profissional no Estado de São Paulo. A sessão inaugural do experimento inovou quando, após as informações de praxe, o monitor de Habilidades Básicas convidou os participantes para assistir ao filme “Formiguinhaz”, que trata do inconformismo em relação ao “status quo” e da vontade inerente do ser humano de construir seu próprio destino nas diversas escolhas que a vida lhe oferece e, que, tão somente pela
PLENO

MÓDULO III - ASSENTADOR DE PLACAS CERÂMICAS

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liberdade de exercer sua vontade, modifica não apenas sua atuação na sociedade como a própria sociedade. OBJETIVO GERAL Desenvolver atividades em construção civil que ofereçam complementação de aprendizado no recobrimento de uma determinada área utilizando-se de placas cerâmicas e realizando o trabalho sempre de forma crítica e cidadã. a) PÚBLICO ALVO - Moradores da Zona Leste da cidade de São Paulo; - Ambos os sexos; - Acima dos 18 anos; - Escolaridade: nível fundamental - Preferencialmente desempregados (com maior número de dependentes) b) NÚMERO DE VAGAS duas turmas de 15 participantes c) CARGA HORÁRIA - Habilidades Básicas: 30 h - Habilidades Específicas: 40 h - Habilidades de Gestão: 30 h

d) REALIZAÇÃO de 17/07 a 02/09/2000 de 11/09/ a 25/10/2000 e) PARCERIAS Associação de Mulheres do Jardim Colorado Argamassa Quartzolit Ltda Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-SENAI/Tatuapé Comunidade Menino Deus

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O ALGO MAIS: ACREDITAR NO NOVO CONHECENDO O ANTIGO

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O ALGO MAIS: ACREDITAR NO NOVO CONHECENDO O ANTIGO

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“Pedro pedreiro, penseiro Esperando o trem Manhã, parece, carece De esperar também Para o bem De quem não tem vintém Pedro pedreiro fica assim pensando Assim pensando, o tempo passa E a gente vai ficando prá trás Esperando, esperando, esperando......”8

Habilidades Básicas

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Holanda, Chico Buarque de. Pedro,Pedreiro. Editora de Música Brasileira Moderna, 1996

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HABILIDADES BÁSICAS

OBJETIVO Desenvolver a comunicação e o raciocínio lógico como bases para um aperfeiçoamento profissional, através da recuperação de experiências de vida. CONTEÚDO Comunicação: - Interpretação e produção de textos: narrativos, informativos, prescritivos, literários e jornalísticos; - A comunicação no contexto grupal. Funções das pessoas. Fatores facilitadores e dificultadores da comunicação em grupo. - Produção de material para o “Jornal da Construção”, utilizando diferentes linguagens. Matemática: - As figuras geométricas no contexto da construção - Unidades de medidas; - Resolução de situações-problema envolvendo cálculos de áreas, volumes e sistema de medidas.
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TÉCNICAS DIDÁTICAS Por contar com alguns participantes dos módulos anteriores, foram introduzidas novas dinâmicas de grupo com a finalidade de promover maior conhecimento entre os participantes e desenvolver a memória, atenção e pensamento. Assim, o monitor improvisou, com uma toalha de bandeja de uma conhecida rede de lanchonetes, o jogo da Batata-Quente. A toalha de papel continha desenhos divertidos, acompanhados por textos que apontavam as “pequenas coisas que podem melhorar a vida de todo mundo”. Ao som de uma música rápida e animada, a toalha passava pelas mãos dos participantes, reunidos em círculo, e, cada vez que a música parava, aquele que estava com a “batata-quente” (toalha) na mão, teria que ler, (sem repetir o que o companheiro já tinha lido), um gesto de cidadania que não custa nada... como por exemplo: - dizer por favor e obrigado; - reclamar menos e fazer mais, seja para a cidade, seja para você; - dar e pedir carona a um amigo; - não telefonar para as pessoas depois das onze da noite;

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HABILIDADES BÁSICAS

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- respeitar as pessoas independentemente da classe social; - evitar o desperdício de água e eletricidade. Com a dinâmica do Nó–do–Cordão, o monitor demonstrou que as dificuldades da vida podem ser vencidas assim como é possível dar nó num cordão, usando somente uma das mãos. Mas com paciência e determinação, todos podem atingir seus objetivos. E, assim, cada conteúdo foi precedido de dinâmicas, tais como a “Fila dos Aniversariantes”, a “Mímica dos Bichos”, o “Descobrindo Você e outras”. As atividades de Habilidades Básicas, em comunicação, iniciaram-se com a leitura da letra da canção de Chico Buarque de Holanda, Pedro Pedreiro. O poema mostra a desesperança de Pedro em contraponto com a vontade de mudança do personagem de “Formiguinhaz”. O monitor levou os participantes a comparar as duas histórias, a de “Pedro” e a de “Z”, em suas semelhanças e diferenças e propôs que dessem um final à história de Pedro.

Outra técnica procurou trabalhar a composição e decomposição de textos. O monitor distribuiu para os grupos o texto “João Gostoso”, de Manuel Bandeira, totalmente decomposto, com as palavras recortadas. A partir desse material, os aprendizes remontaram o texto, chegando a apresentar composições a exemplo do que se reproduz:

João

morava

no

morro

da

Babilônia

no

barracão

sem

número

era

carregador

de

feira-livre

Uma

noite

vinte

de

novembro

ele

chegou

num

bar

bebeu

Cantou

e

Dançou

gostoso

depois

atirou

se

na

Lagoa

Rodrigo

de

Freitas

e

morreu

afogado

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HABILIDADES BÁSICAS

Buscando a interação entre o desenvolvimento de habilidades básicas e de gestão, os aprendizes foram introduzidos na técnica de elaboração do portfolio, como forma de refletir sobre as competências que adquiriram durante a vida. Num primeiro momento, o monitor distribuiu revistas, jornais e cartolina para que os aprendizes, a partir de recortes

significativos, “montassem” o seu portfolio. Leitura e escrita, capacidade de seleção e organização fizeram parte da aprendizagem. No final da atividade, os portfolios foram afixados em mural na sala de aula, conforme os exemplos abaixo, compilados dos aprendizes;

Figuras de:

Lembram atividades:

um soldado ð serviu o exército uma máquina de lavar e ferro de passar ð trabalhou numa lavanderia um armário ð foi montador de móveis um caminhão ð trabalhou como caminhoneiro roupas de cama ð trabalhou com confecção de lençóis mesa posta c/ motivos de natal ð fez montagens de mesas para festas máquinas de costura e carretéis ð foi costureira roupas numa loja ð trabalhou no comércio

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HABILIDADES BÁSICAS

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Através do mural produzido, os participantes entenderam que tinham uma história profissional. Tiveram a oportunidade de identificar, reconhecer, analisar e avaliar seus conhecimentos, habilidades e competências adquiridas ao longo de sua vida. Continuando, o monitor solicitou a todos que trouxessem de casa registros de fatos que marcaram suas vidas. Atendido, o monitor distribuiu uma pasta a cada aprendiz e solicitou que organizassem por ordem cronológica, cada documento importante. certidão de nascimento; carteira de vacinação; certificados escolares; certidão de casamento; carteira de trabalho etc.

habilidades que sequer imaginavam como: planejamento, organização, utilização de espaços, de compra e venda etc. muitas delas também encontradas no cotidiano das empresas. Perceberam em que situações são mais competentes e outras em que se sentiam ainda não competentes, mas que, com dedicação, poderiam suprir suas falhas. Alguns “acordaram” para a busca de um curso, de ganhos em escolaridade, de melhoria das aptidões que já possuem etc. Entenderam ser também o portfolio um primeiro passo para terem reconhecidas suas competências de vida... O passo seguinte deu-se com a elaboração, por parte de cada um, do seu currículo. Outro conteúdo desenvolvido foi a leitura, interpretação e criação de textos informativos como manuais de instrução, receitas de argamassa, fichas de produtos de um fabricante de argamassa encontradas na revista de divulgação deste mesmo fabricante, e outros. Associaram-se então habilidades básicas às específicas.
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Fizeram, então, o registro cronológico dos fatos de sua vida. A partir dessa técnica, os aprendizes puderam construir o seu portfolio ao mesmo tempo em que realizaram exercícios de autoconhecimento, o que lhes possibilitou o resgate da autoestima ao perceberem que possuem

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HABILIDADES BÁSICAS

Os Cadernos “Construção” de vários jornais de São Paulo foram de grande utilidade para comparação de preços do material de construção entre as várias ofertas das casas especializadas. Para trabalhar a aquisição de material de construção, foi pedido aos participantes em grupos, para que, baseados nessas fontes, verificassem o máximo de material que poderiam comprar com R$ 200,00. Assim, puderam comparar diferentes preços de pisos cerâmicos, massa corrida, tintas para revestimento e tinta esmalte. Cada grupo “fez suas compras” com a ajuda da calculadora. Em seguida, os resultados foram escritos na lousa, pelo representante de cada grupo. Diferença de preços encontrados: Exemplo:
Piso cerâmico: R$ 6,90 m² e R$ 15,00 m2 Massa corrida (galão): R$ 35,00 e R$ 26,90 Tinta para Revestimento (galão): R$ 20,00 e R$ 14,90 Tinta Esmalte (galão): R$ 25,00 e R$ 20,20
2m 2m 2m 2m

O grupo comprou 20 m2 de piso cerâmico e um galão de cada um dos outros produtos. Total: R$ 200,00. Nessa atividade, aprenderam a lidar com adição, multiplicação e subtração e também a economizar. Nas atividades de medição, os alunos usaram como recurso a calculadora, a trena e a fita métrica. Depois de medirem as carteiras, a mesa da sala, os aprendizes foram instruídos a medir os lados da sala de aula. Foi então trabalhada a noção de perímetro, como a soma dos lados de uma figura. Fixado o perímetro, o monitor distribuiu diversas figuras geométricas e depois de explicar o que é superfície, mostrou como se “descobre” a área de um quadrado e de um retângulo, demonstrando que a maioria dos espaços que receberão as placas cerâmicas terão esses formatos:
3m Área do Quadrado 2m x 2m = 4m 2 2m 3m 2m Área do Retângulo 3m x 2m = 6m2

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HABILIDADES BÁSICAS

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Como atividade motivadora para a técnica de cobrir áreas irregulares foi usado o “jogo de Tangram”, isto é, um jogo de origem chinesa que consiste em juntar 7 peças de formas diferentes até que se consiga montar um quadrado. Também o “Material Dourado” foi utilizado para o reconhecimento de figuras planas como o quadrado, o retângulo, o triângulo familiarizando o aprendiz com as formas das áreas a serem trabalhadas. Até o final do experimento, os aprendizes aprenderam a calcular quantos metros quadrados de placas cerâmicas precisam para azulejar uma superfície e, conforme a conclusão de um participante: “a calculadora é a melhor invenção, desde a televisão; e.... custa tão barato” As últimas atividades realizadas foram as medidas de capacidade, nas quais a “melhor invenção” também se constituiu em um recurso da maior importância.

Depois de utilizar, com os participantes, caixas de sapato para calcular o volume, o monitor relacionou-as com caixas d’água em que é preciso calcular quantos litros cabem num reservatório. Para tanto, instruiu os aprendizes (reunidos em grupos) a fazer, em cartolina uma caixinha de 1decímetro (1dm = 10 centímetros) de aresta:

Depois da caixinha pronta, distribuiu então um litro cheio de água para que cada grupo enchesse sua caixinha. Ante “o espanto de todos”, o líqüido coube todo no “recipiente”, sem sobrar uma gota sequer. Conclusão: 1dm3 = 1 litro

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HABILIDADES BÁSICAS

É importante registrar que por diversas vezes, o computador foi utilizado durante as atividades realizadas no decorrer do experimento. O “medo” inicial das máquinas foi substituído pela grande alegria demonstrada por todos ao participarem dos avanços da tecnologia. Com um vacilante “teclar”, os participantes digitaram pequenos textos e confeccionaram seus próprios cartões de visitas.

A avaliação das atividades em Habilidades Básicas foram constantes: individualmente, através da análise pelo participante do seu portfolio profissional (pasta contendo as atividades realizadas diariamente); em grupo, por meio de apreciações dos colegas e pelo monitor, acompanhando os trabalhos de cada um dos grupos.

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“Um desespero de esperar demais Pedro pedreiro quer voltar atrás Quer ser pedreiro, pobre e nada mais Sem ficar Esperando, esperando, esperando....” 9

Habilidades Específicas

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Holanda, Chico Buarque de. Pedro, Pedreiro, 1971

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

OBJETIVO Oferecer aos aprendizes condições de identificar e utilizar corretamente ferramentas, equipamentos e o material de construção necessários à perfeita aplicação de placas cerâmicas. CONTEÚDO § Classificação e características das placas cerâmicas para revestimento; § Juntas de assentamento ou juntas de colocação; § Roteiro para assentamento de placas cerâmicas; § O processo recomendado para assentamento de pisos e revestimento de paredes com placas cerâmicas; § Os processos convencionais para revestimento de paredes e assentamento de pisos

§ A utilização correta das ferramentas; § O desperdício de material e a qualidade do trabalho. TÉCNICAS DIDÁTICAS As técnicas didáticas privilegiaram as próprias atividades práticas realizadas no canteiro de obras, cedido pela Associação de Mulheres do Jardim Colorado, e que se constituiu em uma cozinha, na sede social, e uma sala de aula que estavam apenas no contrapiso e com as paredes rebocadas. A primeira turma aplicou as placas cerâmicas na cozinha e a segunda turma revestiu as paredes e o piso da sala de aula. Na realidade, a vivência no canteiro de obras possibilitou a integração das habilidades básicas e de gestão adquiridas pelos aprendizes, porque o monitor, durante as atividades em habilidades específicas, estimulou os participantes por exemplo a calcular a área do piso e das paredes onde seriam aplicadas as placas cerâmicas, a viver o espírito de equipe e assegurou o uso permanente dos equipamentos de segurança. Outro momento de entrosamento entre Habilidades Básicas e Específicas foi quando os aprendizes recortaram, em

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

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cartolina, superfícies irregulares e tiveram que calcular essas áreas, recobrindo-as com simulações de azulejos (papéis coloridos, recortados).

melhores condições de aprendizado, por meio de uma assistência quase individual a cada participante do experimento. O monitor teve o cuidado de antes de falar detalhadamente nas técnicas específicas, discutir com os aprendizes, o que eles entendiam por “revestimento cerâmico” e algumas práticas que possuíam em trabalhos realizados. Concluíram, então, que ”revestimento cerâmico, em construção civil, é o recobrimento de uma determinada área, utilizando-se placas cerâmicas corretamente especificadas com rejuntamento e argamassa colante adequados.” 10 Insistindo no uso dos equipamentos individuais de segurança, botas, luvas, capacetes e óculos, o monitor iniciou o experimento instruindo os participantes sobre o picote do piso e paredes. Nessa atividade, o uso dos óculos de proteção é imprescindível porque pedaços de cimento podem saltar e ferir os olhos de quem maneja os instrumentos.

Esse trabalho, realizado em grupos nos encontros de Habilidades Básicas, foi retomado pelo monitor de Habilidades Específicas, orientando-os quanto à estética dos recortes e assentamento dos azulejos, a fim de que o trabalho final resultasse num visual agradável e também evitasse o desperdício de material com recortes das placas cerâmicas de modo adequado. O espaço a ser trabalhado não era muito grande; portanto, neste módulo optou-se pela constituição de duas turmas com 15 aprendizes em cada uma. Isso possibilitou oferecer-lhes

10

Guia de Assentamento de Revestimento Cerâmico - Especificador. Anfacer.

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

O segundo passo para o assentador de placas cerâmicas é quebrar o piso para poder regularizá-lo, isto é, acertar o nível para receber as placas. Para tanto, o monitor ensinou a estabelecer o nível correto com a mangueira de plástico. Depois de quebrarem o contrapiso, os aprendizes varreram o espaço e guardaram o entulho em sacos plásticos. É importante aprender a deixar a obra sempre limpa. Durante as atividades, o monitor ia ensinando aos aprendizes os nomes das ferramentas e como utilizá-las corretamente. Rol de ferramentas e materiais utilizados no assentamento de placas cerâmicas: desempenadeira de aço dentada colher de pedreiro martelo de borracha brocha prumo mangueira linha espaçador pregos de aço vassoura de piaçaba cimento – cola
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-

caixote rejunte metro esquadro espátula de plástico (p/ rejunte) placas cerâmicas serra de mármore

O monitor chamou também a atenção para alguns detalhes que fazem a diferença no assentamento de placas: - quando o cliente escolhe o piso ou azulejo no comércio, ele “compra” também o desenho que as placas formam.

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

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Na hora da colocação, o assentador deve aplicá-las, prestando atenção no desenho. É importante ser criativo e, em caso de dúvida, conversar com o dono da obra ou o seu supervisor, para que ele diga como (desenho) as placas devem ser colocadas. - Procurar não desperdiçar material. Às vezes o cliente aproveita uma oferta e compra a metragem quase exata do piso ou azulejo. Na hora de cortar as placas, o assentador quebra ou corta errado as peças, e, ao final, faltam placas. O cliente volta à loja e recebe a informação que aquela partida/lote terminou. E aí? Como explicar a “montanha” de material desperdiçado? - Manter não apenas a obra limpa, mas o próprio corpo também. Um assentador com boa aparência é sempre bem recebido no trabalho; - Se for trabalhar como contratado, a firma disponibiliza o ferramental que deve ser guardado limpo e no devido lugar. Caso trabalhe por conta própria, o assentador deve adquirir suas ferramentas e arrumar uma maleta para guardá-las e mantê-las sempre longe de crianças. Na continuidade das atividades, foi trabalhada a aplicação do cimento–cola

e, em seguida, o assentamento das placas. Depois das placas terem sido assentadas, o ambiente deve permanecer fechado. As placas podem quebrar ou ficar desniveladas se forem pisadas antes que o cimento segue, o que acontece em mais ou menos doze horas, se o tempo estiver quente. Depois de seco, o piso recebe rejunte (branco ou colorido) que dá o acabamento final. Para azulejar paredes, os procedimentos são os mesmos, tomando sempre muito cuidado com as instalações hidráulicas. Assim, os aprendizes tiveram a oportunidade de conhecer e praticar várias formas de assentamento: amarrada, dama, escama de peixe, prumo ou alinhada e diagonal.

amarrada

dama

escama de peixe

prumo ou alinhada

diagonal

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HABILIDADES ESPECÍFICAS

Os resultados dos trabalhos foram fotografados, registrando a eficácia do aprendizado. Como se pode observar, a prática não se fez aleatoriamente, procurando-se seguir todos os passos de um processo, inclusive o recomendado pelos próprios fabricantes de cerâmicas para revestimento, uma vez que há um consenso entre eles de que mesmo o melhor produto pode não apresentar um resultado satisfatório se a prática do assentamento não for bem conduzida. Concluindo, o ambiente, que serviu como canteiro de obra, adquiriu as características próprias que um revestimento cerâmico deve oferecer: impermeabilidade, facilidade de limpeza, resistência ao uso, efeito decorativo etc.

Por outro lado, os aprendizes perceberam que um ambiente revestido com cerâmica, para ficar bonito e perfeito, além de contar com um profissional capacitado, que usa ferramentas adequadas, tem capricho e bom gosto, deve utilizar bons produtos e a especificação correta.

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POR TRÁS DOS BASTIDORES

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“Esperando, esperando, esperando Esperando o sol Esperando o trem Esperando o aumento Para o mês que vem Esperando a festa Esperando a sorte E a mulher de Pedro Está esperando um filho Pra esperar também” 11

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Holanda, Chico Buarque de. Pedro, Pedreiro

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HABILIDADES DE GESTÃO

OBJETIVO Oferecer, aos aprendizes, melhores condições para utilizar instrumentos de planejamento para sua vida pessoal e profissional e, assim, participar com maior probabilidade de sucesso no novo mundo de trabalho. CONTEÚDO § O planejamento da vida pessoal e profissional: Portfolio e Currículo; § O mercado de trabalho, a oferta de empregos, empreendedorismo; § Características do cidadão empreendedor: autoconfiança, capacidade de comunicação, liderança, criatividade, habilidades de negociação; § Relacionamento interpessoal; § A ética na profissão. TÉCNICAS DIDÁTICAS Levando em conta, sempre, a integração entre as três Habilidades, o monitor iniciou as atividades em Habilidades de Gestão
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solicitando aos participantes que fizessem uma pesquisa, na família, para coletar dados sobre questões relativas ao trabalho. O objetivo da proposta era colher, no próprio grupo, o sentido histórico sobre as transformações e relações no trabalho, conforme demonstra o questionário (Anexo1). Como os membros do grupo tinham idades entre 20 e 65 anos, aproximadamente, foi possível fazer uma análise destas transformações, resgatando as relações desde 1850 até nossos dias. Esta atividade causou grande impacto entre os participantes, quando perceberam, pelas apresentações das pesquisas, a tendência de empregabilidade no Brasil e no mundo e o lugar de destaque que ocupará, daqui para frente, o prestador de serviço em nossa sociedade. Neste sentido, foi relativamente fácil aos participantes entender a necessidade de gerenciar a própria carreira profissional, bem como administrar seu tempo de serviço, assumindo uma atitude preventiva em
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HABILIDADES DE GESTÃO

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relação ao futuro, levando em conta os inconvenientes que uma carreira autônoma pode acarretar, caso não seja bem gerenciada, uma vez que o próprio trabalhador é quem terá de garantir algum tipo de previdência para sua aposentadoria. Essas discussões levaram à percepção, pelo próprio grupo, das características do cidadão empreendedor. Durante os trabalhos em grupo, o monitor foi chamando-lhes a atenção para o fato de que alguns aprendizes tomam naturalmente a frente do grupo, falam pelo grupo, convencem os companheiros, ouvem com mais atenção, respeitam as decisões do grupo. Com base nessa observação, surgiu a possibilidade de conceituação de liderança entre os aprendizes. Aproveitando esse momento, o monitor, dividindo-os em quatro subgrupos, propôs as seguintes questões: 1. O que é ser líder no local de trabalho? 2. Qual o papel da liderança? Como resultado dos trabalhos, os grupos apresentaram os seguintes painéis:

GRUPO A - Responsabilidade - Personalidade - Perseverança - Respeito ao próximo - Reconhecimento - Valorização do Grupo - Sabedoria - Ser educado - Ser compreensível - Ser competente - Ser solidário GRUPO B - Direção - Coordenação - Não ser crítico (crítico construtivo) - Ajudar o grupo - Satisfazer todos GRUPO C - Ser bem informado - Bem comunicativo - Tomar à frente na decisão do grupo GRUPO D - Eficiente - Eficaz - Amigo - Tolerante - Disciplinado - Fiel - Saber ouvir - Idôneo

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HABILIDADES DE GESTÃO

Discutiram, ainda, se a liderança é inata ou pode ser desenvolvida e concluíram que ser líder significa ter autodisciplina, lealdade, prontidão para aceitar responsabilidade, boa vontade para admitir erros e capacidade de manter o grupo coeso, respeitando cada membro da equipe. Servindo-se de material de apoio, como um texto intitulado “Nem sempre a culpa é do pedreiro” 12, os aprendizes trabalharam as relações de um profissional da área da construção civil e seus clientes. Assim, foram discutidas a elaboração de orçamento, a renegociação de preço e valor do trabalho, a apresentação pessoal durante a execução da tarefa, prazos para entrega do serviço etc., habilidades que todo profissional autônomo deve ter para ser bem sucedido. “Nada se pode ensinar ao homem, apenas ajudá-lo a descobrir de si mesmo”

Partindo dessa premissa, deu-se continuidade às práticas desenvolvidas durante a elaboração do portfolio, descritas nos modelos anteriores. Assim, o monitor incentivou a continuidade do levantamento histórico da vida dos participantes, lembrandolhes que o portfolio é um documento vivo, ao qual estamos acrescentando sempre novas competências adquiridas ou “lembradas” em determinados momentos em que são solicitadas por uma tarefa a executar. Os históricos revelaram-se muito interessantes e variam do sucinto ao desabafo. Alguns trechos merecem ser reproduzidos. “...Montei uma pequena empresa que foi bem durante uns anos. Por falta de gestão fui obrigado a encerrar as atividades. Hoje estou albergado e catando latinhas de alumínio para sobreviver”.

12

Texto: “Nem sempre a culpa é do pedreiro” – Revista do Sindicato da Indústria da Construção. p. 108

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“...Mas com o tempo eu encontrei o meu primeiro emprego que foi balconista. Trabalhei numa loja de roupas uns oito meses. Mas não tava dando certo porque o salário era muito pouco, não dava e a dona só queria fazer eu de besta e como eu não sou, eu saí”. “Nascida no Ceará, criada em São Paulo, comecei trabalhar com 18 anos. Objetivo em participar do Experimento: - minha casa; - montar um grupo de trabalho; - independência financeira; - marido desempregado há 7 anos.”

“Foram momentos emocionantes ao percebermos a reação dos grupos diante de obras do Barroco, distribuídas por um cenário de indescritível beleza”, disseram os monitores que os acompanharam. E isso é confirmado pelas expressões de alguns participantes em relação à visita: “... a parte sagrada, na entrada, visual excelente.” “... o trabalho dos presidiários com as flores amarelas e roxas de papel crepom servindo de cenário para as imagens dos santos foi incrível.” “... as esculturas eu gostei muito, os quadros, a exposição dos índios. Foi muito bom eu ter um pouco mais de conhecimento.” “... algumas coisas me chamaram atenção, mas outras causaram tristeza e um certo aborrecimento. Exposição das obras como o Aleijadinho e outros escultores da época mostrando uma perfeição dos Santos com relação às fisionomias humanas. O que mais me entristeceu foi uma obra com a moeda do nosso país. Para mim, nada mais que um regresso.(sic)”
DO PEDREIRO PLENO

AMPLIANDO OS CONHECIMENTOS O experimento ofereceu, também, aos participantes oportunidades de ampliarem seus conhecimentos e despertarem sua sensibilidade, visitando novos locais de aprendizagem, como A Mostra Brasil + 500 anos, que apresentou um significativo acervo de arte produzida nestes 500 anos de Brasil.

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UM “GRAND-FINALE”

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Considerações Finais

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nossos avós, com certeza, diriam: “É o fim do mundo! “Mulheres na Construção Civil!” Não é o fim do mundo. É fim de milênio. Vinte por cento dos aprendizes dos três Módulos que compuseram os experimentos da Formação do Pedreiro Pleno eram mulheres, sendo que duas participaram dos três módulos. Uma delas pretende terminar sua casa economizando tanto na mão-de-obra, como no material de construção. Outra, formar um cadastro de pedreiros e colocá-los no mercado; constituir uma “empreitada”, nas suas palavras. Na avaliação do monitor de habilidades específicas, as mulheres, embora com menos força física que o homem, são infinitamente mais “caprichosas” e resistentes, isto é, “não param toda hora para descansar”. Entre os aprendizes imperou o clima de cordialidade, os mais experientes auxiliando os que nunca tinham posto os pés numa obra.

Dois casos merecem registro: um aprendiz, devido à pouca escolaridade, desistiu do curso de Assentador de Placas Cerâmicas e matriculou-se no curso supletivo, voltando, portanto, a estudar e prometendo voltar ao Centro Público em melhores condições de participar dos cursos de qualificação profissional. O outro, foi dono de uma oficina, mas a inexperiência em gerenciar seu negócio fez com que perdesse tudo e no momento era morador de rua albergado Havia chegado ao “fundo do poço”. Com o apoio dos monitores e dos colegas, foi mudando o comportamento, demonstrando evolução nas atividades propostas, recuperando sua auto-estima e, nos últimos dias, comunicou ao grupo que estava voltando para a família. Ao final do experimento, dois aprendizes – pai e filho, já eram contratados de uma obra.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

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O experimento promoveu uma lição de solidariedade. A associação parceira necessitava que suas instalações fossem protegidas por pisos e azulejos. Os aprendizes necessitavam de um “Canteiro de Obra” para o exercício prático. O planejamento do experimento previa a otimização do material empregado, pois não era proposta de trabalho levantar paredes, rebocá-las, revesti-las e destruí-las. O laboratório, nesses experimentos, será sempre o local real de trabalho. Assim, todo o material foi bem empregado. A empresa fabricante de argamassa, como parceira do empreendimento, também proporcionou oportunidade para que o monitor de Habilidades Específicas freqüentasse suas instalações apreendendo as melhores condições do uso do material por ela produzido e fornecido.

Não sem razão o experimento faz parte do Programa “Aprendendo A Aprender” Nele todos aprenderam. Resultados de parcerias que provam a possibilidade da construção de um mundo melhor. DA AVALIAÇÃO A avaliação do experimento foi realizada pela observação dos avanços obtidos pelos aprendizes e também por meio de instrumentos próprios; a auto-avaliação proporcionou a eles a reflexão sobre seu próprio processo de aprendizagem; a avaliação de reação permitiu-lhes analisar as dinâmicas do experimento e a reflexão da prática pedagógica que levou o monitor a repensar seu papel enquanto educador e como construir a sintonia entre os conteúdos e o que era significativo para o grupo. Porém, a verdadeira avaliação está contida no “portfolio” de cada aprendiz, e no “portfolio” de cada monitor. São neles que todas as conquistas estão visíveis.

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Domínio Básico em Construção Civil
(para mutirão)

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DOMÍNIO BÁSICO EM CONSTRUÇÃO CIVIL (PARA MUTIRÃO)

PÚBLICO ALVO Trabalhadores ligados aos movimentos de mutirões para a construção de moradia própria, com qualquer nível de escolaridade. CARGA HORÁRIA Habilidades Básicas Habilidades de Gestão Habilidades Especificas 60 horas 50 horas 130 horas

Total geral de 240 horas distribuídas em 4 sessões de 4 horas por semana. PERÍODO DE REALIZAÇÃO 1ª Turma de 13/06/98 2ª Turma de 01/08/98 NÚMERO DE VAGAS Duas turmas de 40 participantes de ambos os sexos. PARCEIROS Movimento da Moradia Paulista MOMPA Comunidade Kolping São Francisco Guaianazes Depósito de Material de Construção Águia de Haia. Mutirão – Casa própria, um sonho O sonho da casa própria que habita o coração dos brasileiros encontra nos mutirões a maneira mais racional de atender à demanda das camadas mais pobres da população que os projetos habitacionais, apesar dos esforços dos governos, não conseguem suprir. Assim, foi proposto pelo Conselho de Compromisso do Centro Público de a 24/09/98 a 23/11/98

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Vila Formosa a organização de um experimento não só para a formação na área da construção civil, mas também para propiciar uma melhor organização dos grupos que integravam as diversas instituições civis, empenhadas na consecução desse objetivo. Uma das peculiaridades do movimento dos mutirões é o fato de que boa parte de seus integrantes trabalha ou já trabalhou na construção civil, tendo, por conseguinte, experiência na área. O relevante na organização do experimento foi pensar os integrantes do movimento como cidadãos aptos a lidar com situações inusitadas. Partindo dessa premissa, os objetivos foram o aperfeiçoamento da construção das moradias populares com melhor gestão dos recursos obtidos; o aproveitamento racional das áreas a serem ocupadas; a preocupação com a preservação do meio ambiente; a definição dos espaços coletivos de lazer; a otimização dos processos de produção obedecendo a princípios que assegurem o respeito à liberdade, ao pluralismo de idéias e concepções, à possibilidade de “aprender a aprender” e à garantia dos padrões de qualidade.

Os conteúdos das Habilidades Básicas, Especificas e de Gestão foram distribuídos em módulos que permitiram a sua integração e articulação, sendo direcionados, principalmente à aquisição de habilidades específicas que foram realizadas no canteiro de obras, dentro do princípio da metodologia do “aprender a fazer, fazendo”. Sendo as Habilidades Básicas inerentes a todo cidadão, a ética, a responsabilidade, a capacidade de comunicação tornam-se inseparáveis da formação específica. Elas concorrem, de um modo geral, mais para a formação do cidadão do que para a do profissional especializado e, contudo, aumentam o seu grau de empregabilidade. Assim, foram elaboradas atividades que desenvolvessem no aprendiz a responsabilidade, a lealdade, o comprometimento, a capacidade de trabalho em equipe, a iniciativa, a autonomia. A capacidade de negociação, os conhecimentos de direitos civis, políticos e sociais do trabalho e seus deveres dentro das normas e princípios éticos, também foram contemplados.

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A abrangência dos problemas que afetam, sobretudo, os excluídos sociais, a auto-estima e a confiança para as funções de emprego ou consecução de empreendimento próprio foram temas de discussão em razão da própria natureza do trabalho. Nas Habilidades de Gestão foram desenvolvidas atividades ligadas às ações de planejamento, execução e controle não só do projeto construtivo, como também da organização do movimento dos mutirões, suas normas, gestão de recursos, a busca da qualidade e maior produtividade nos serviços executados etc. Definidas as Habilidades de Gestão como aquelas relacionadas às competências de autogestão, de empreendimento e de trabalho em equipe, estas encontraram campo fértil para serem desenvolvidas nos trabalhos de mutirão. As Habilidades Específicas foram escalonadas obedecendo às etapas e atividades de uma construção civil, de maneira que proporcionassem, aos aprendizes, o conhecimento do conjunto da obra, desde os primeiros passos.
FORMAÇÃO DO PEDREIRO

1 – Etapa Preparatória: Atividades - limpeza de terreno; - movimento de terra manual; - movimento de terra mecanizado; - escoramento de terra (arrimo); - apiloamento e aterro de cavas; - lastro de pedras ou concreto simples; - drenagem do terreno (superficial e enterrada); - proteção de taludes. 2 – Infra-Estrutura: Escavação - tipos de solos; - fundação (brocas, sapatas, sapatas corridas e radier); - forma; - armadura (tipos de ações, nomenclaturas); - concreto (tipos de cimento e nomenclaturas; - embasamento; - impermeabilizações. 3 – Alvenaria e Outros Elementos divisórios: - alvenaria; - elementos vazados;
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-

placas divisórias; blocos de concreto; tijolos maciços comuns; argamassas para assentamento; solo cimento.

4 – Elementos de Madeira-Componentes Especiais: - portas / batentes / ferragens; - janelas / ferragens. 5 – Elementos Metálicos: - esquadrias metálicas; - portas; - outros elementos metálicos. 6 – Cobertura: - estrutura de cobertura em madeira; - estrutura de cobertura metálica; - cobertura propriamente dita: peças para cobertura; - fechamento e vedações; - lajes maciças e pré-fabricadas; - telhados de fibrocimento. 7 – Instalações Hidráulicas-Cavalete e abrigo - abrigo e rede de gás (se necessário); - rede de água fria e quente: tubulações;

- caixas d’água e outros serviços; - rede de esgoto; - rede de águas pluviais; - banheiros – instalações de louças sanitárias; - aparelhos e metais. 8 – Instalações Elétricas-Ligações: - entrada; - enfiação; - pontos de interruptores e tomadas; - luminárias internas; - iluminação externa (se for o caso); - aterramento (fio terra). 9 – Forro: - madeira 10 – Revestimento-Teto e parede: - revestimento de teto; - revestimento de paredes externas; - pisos internos; - revestimento de degraus e soleiras; - contrapisos; - argamassas para revestimento.

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DOMÍNIO BÁSICO EM CONSTRUÇÃO CIVIL (PARA MUTIRÃO)

11 – Vidros-Colocação de vidros: - espelhos; - armários plásticos com espelhos para banheiro. 12 – Pintura: - forro e paredes internas; - pintura externa. 13 – Serviços Complementares: - fecho, muros, alambrados, portões; - gramado, paisagismo e jardinagem, etc. AVALIAÇÃO O primeiro Experimento foi administrado pelo MOMPA – Movimento da Moradia Paulistana e o segundo, pela Comunidade Kolping de Guaianazes, na Fazenda do Carmo. Embora a primeira turma, com quarenta mutirantes (vindos todos de experiências anteriores de atuação em conjuntos habitacionais do CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), estivesse altamente motivada, esbarrou com as normas que regem o associado de mutirão. Para ter o direito à aquisição da casa própria, o
FORMAÇÃO DO PEDREIRO

mutirante é obrigado a cumprir horas de trabalho no movimento e embora houvesse a promessa de liberação de algumas horas, isso não aconteceu. Por esse motivo, apenas dez dos quarenta que iniciaram o experimento permaneceram. Para resolver o problema, uma nova turma foi formada com os dez remanescentes e mais vinte inscritos. As atividades foram reduzidas a um dia por semana com oito horas de duração. Concluíram o experimento quinze mutirantes: dez homens e cinco mulheres. Para o grupo do bairro de Guaianazes, zona Leste de São Paulo, com vinte e cinco inscritos, o experimento teve atividades desenvolvidas em dois dias da semana, com quatro horas de duração. Deste grupo, vinte mutirantes concluíram o experimento, dos quais dezoito eram mulheres. Há que se destacar a atuação das mulheres neste grupo, pois participaram inclusive da coordenação. Foi uma experiência inovadora. Única nos elementos que congrega aquisição da casa própria, oportunidade de complementação de escolaridade e, ainda apreensão de algumas habilidades específicas, para o exercício de ocupações na área de construção civil.
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Bibliografia

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BIBLIOGRAFIA

CEETEPS – Programa de Qualificação e Requalificação Profissional no Estado de São Paulo – Cursos de Habilidades Básica e Gestão, Nível Fundamental, 1999 CEETEPS – Programa de Qualificação Profissional nas Frentes de Trabalho – Cursos de Habilidades Básica e Gestão, Nível Fundamental, 2000 FUNDACENTRO. Segurança e Saúde no Trabalho. Prevenção das Lesões por Esforços Repetitivos – LER - São Paulo, 1998 (Fascículo 4) FUNDACENTRO. Segurança e Saúde no Trabalho. Prevenção de Acidentes Fatais na Indústria da Construção , São Paulo, 1998 (Fascículo 2) FUNDACENTRO. Segurança e Saúde no Trabalho. Condições de Trabalho na Indústria da Construção. São Paulo, 1998 (Fascículo 4) GUIMARÃES, José Epitácio Passos. Cartilha do Uso das Argamassas nas Construções. Associação Brasileira dos Produtores de Cal. 5ª edicação, 1997/98 MINISTÉRIO DO TRABALHO / Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro. Brasília; MTB, 1996. MORAES, Vinícius de. Obra Poética. Rio de Janeiro. Cia José Aguilar Editora,1968

SECRETARIA DE EMPREGO E RELAÇÕES DO TRABALHO. Centro Experimental Público de Formação Profissional – Programa “Aprendendo a Aprender”Conceituação, Diretrizes e Implantação. São Paulo, 1998. PUBLICAÇÕES Revistas: Turma Esperta. Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento do Estado de São Paulo, 1995 Mãos à obra. Todas as etapas da construção. Associação Brasileira de Cimento Portland. S/d. Revista Veja Revista Época Revista Isto é Jornais: O Estado do São Paulo A Folha de São Paulo Tribuna do Tatuapé

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Anexos

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ANEXOS

Anexo 1

Questionário – Resgate Histórico – Relações de Trabalho Questões 1. Quantos anos tem/ teria seu 2. Qual a profissão que exerce/ exercia seu 3. Trabalha ou trabalhou no campo? 4. Qual a grau de escolaridade? 5. Quais os benefícios trabalhistas que tem/tinha 6. Quantas horas/ dias trabalha/ trabalhava 7. Qual a qualidade de vida que tem/tinha E você ? – Faça uma reflexão sobre as atividades que já exerceu.
FORMAÇÃO DO PEDREIRO PLENO

Bisavó

Bisavô

Avó

Avô

Pai

Mãe

ANEXOS

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MODELO DE AVALIAÇÃO DE REAÇÃO Este instrumento tem a finalidade de: a) detectar se o curso correspondeu às suas necessidades e interesses; b) obter dados que possam subsidiar eventuais reformulações nos próximos cursos 1 – O que o motivou a participar desse curso? R:______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ 2 – Os objetivos propostos foram alcançados? ( ) sim ( ) em parte ( ) não

Anexo 2

3 – O conteúdo, desenvolvido nas aulas, tem contribuído para o seu trabalho e desempenho profissional? ( ) sim ( ) em parte ( ) muito pouco 4 – Em relação à atuação do professor cite: dois aspectos positivos: ___________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________ dois aspectos negativos: __________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________ 5 – Quanto ao seu aproveitamento: ( ) aprendeu muito ( ) aprendeu o suficiente 6 – Você considera a carga horária do curso ( ) satisfatória ( ) deveria ser maior ( ( ) aprendeu pouco ) deveria ser menor

Sugestões e/ou comentários que gostaria de registrar: ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________
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ANEXOS

Anexo 3

PEDREIRO (Pleno) MISSÃO: Executa serviços de elevação de paredes, utilizando blocos de concreto, cerâmicos e especiais, serviços de concretagem, revestimentos de pisos, paredes e tetos em argamassa, conforme planejamento e projetos, de acordo com as normas técnicas específicas, em condições de qualidade e segurança.

Unidades de Competência Elementos de Competência

A

Planejar e organizar com segurança e qualidade o próprio trabalho

Ler e interpretar projeto de arquitetura

Especificar materiais

Quantificar os materiais

Orçar o serviço

Programar as etapas do serviço

Selecionar (racionalizar) o material

Selecionar ferramentas e equipamentos

Programar o suprimento dos materiais

Cumprir as normas de segurança e saúde

Cumprir normas e procedimentos técnicos

III

III

III

III

I

I

I

I

I

I

Manter as ferramentas e os equipamentos em condições adequadas I

Trabalhar em equipe

I

B

Executar a concretagem

Preparar o concreto

Executar o adensamento do concreto I

Executar o acabamento do concreto I

I

C

Executar a alvenaria de vedação

Fazer a marcação da alvenaria

Aprumar, esquadrejar, nivelar e alinhar alvenaria I

Assentar blocos cerâmicos

Assentar blocos cerâmicos aparentes

Assentar blocos de concreto

Assentar blocos de vidro

Assentar blocos sílicocalcário

Assentar “Apertar” blocos a alveespeciais naria (cobogós, modular)

Fixar, tacos, marcos e contramarcos de esquadrias I

Colocar vergas

Fixar tubulações e caixas embutidas I

III

I

III

II

III

II

III

I

I

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ANEXOS

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D

Executar revestimentos de paredes e tetos em argamassas

Esquadrejar (tirar os pontos) superfície a ser revestida II

Chapiscar a superfície

Preparar argamassas

Emboçar a superfície

Rebocar a superfície

Revestir com massa única tipo “paulista” II

Revestir tubulações e caixas embutidas I

I

I

I

II

E

Revestimento de piso em argamassa

Tirar os pontos de nível

Preparar argamassas

Fixar granzepes

II

I

II

Fixar tubulações e caixas embutidas I

Executar contra piso

Fixar juntas de pisos

Executar pisos cimentados I

Executar pisos de alta resistência III

I

II

F

Executar revestimento de piso, parede e teto em ladrilho ou similar

Verificar referências de nível, prumo e esquadro III

Paginar a superfície a ser revestida

Preparar a argamassa de assentamento

Assentar ladrilhos e similares

Fixar peças de acabamento (saboneteiras) III

Rejuntar e limpar ladrilhos e similares III

III

III

G

Assentar peças complementares de mármores, granitos e afins

Verificar referências de nível, prumo, esquadro e alinhamento III

Preparar argamassas

Assentar divisórias e muretas

Assentar soleiras, peitoris e chapins

Assentar bancas e frontispícios

Rejuntar e limpar

III

III

III

III

III

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ANEXOS

H

Executar alvenaria estrutural

Fazer a marcação

Aprumar, esquadrejar, nivelar e alinhar II

Assentar bloco de concreto estrutural II

Assentar bloco cerâmico

Preparar e instalar as armações II

Preencher com concreto

III

II

II

I

Assentar componentes e artefatos de concreto

Verificar referências de prumo, nível, alinhamento e esquadro III

Preparar argamassas

I

Assentar caixa de passagens, manilhas, meio-fio, tubulações e outros II

Assentar mobiliários urbanos (postes, bancos, lixeiras etc...) II

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ANEXOS

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Anexo 4

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ANEXOS

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ANEXOS

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ANEXOS

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DOBRAR

Caro Leitor, Gostaríamos de ter sua opinião sobre esta publicação Por favor, responda cuidadosamente a este questionário. Envie-nos o mais breve possível. Gratos por sua colaboração Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho/SERT 1. Como tomou conhecimento desta publicação?

DOBRAR

COLA

5. Você utilizou esta publicação para reproduzir este curso? Sim Não

6. Esta publicação foi utilizada: Na sua totalidade No que se refere ao conteúdo No que se refere às técnicas didáticas Outros:

2. Você conhece outras publicações do Centro Público de Formação Profissional? Sim Não Caso positivo, passe para o número 3, se não, passe para o número 4. 3. Qual(ais) publicação(ões) do Centro Público você conhece?

7. A utilização foi: Numa instituição Num projeto individual 8. Qual foi o resultado alcançado na sua utilização? ótimo bom regular ruim

4. Analisando esta publicação, qual é a sua opinião em relação aos seguintes pontos? Qualidade de apresentação ótimo bom regular ruim Ilustrações Conteúdo ótimo bom regular ruim ótimo bom regular ruim

9. Na sua opinião, existe coerência entre o objetivo e a estruturação do Curso? Sim Justifique: Não

Facilidade de compreensão ótimo bom regular ruim Temas abordados Linguagem utilizada ótimo bom regular ruim ótimo bom regular ruim FORMAÇÃO DO PEDREIRO

PLENO

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CARTA-RESPOSTA
PLENO FORMAÇÃO
ENDEREÇO: REMETENTE:

AV. ANGÉLICA, 2.582 - 10º ANDAR 01228-200 SÃO PAULO - SP

DO

PEDREIRO

GOVERNO DO ESTADO DE

SÃO PAULO

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