LUXAÇÃO ACROMIOCLAVICULAR
Epidemiologia Homem, < 30 anos, trauma esportivo
Atletas de esportes de contato/colisão estão em alto risco
96% das lesões são de baixo grau (Rockwood 1 e 2)
Mecanismo de trauma Queda sobre o braço com o cotovelo em extensão pode causar impacto da cabeça do
úmero no acrômio levando a lesão acromioclavicular leve
Força para medial no aspecto lateral do ombro
Queda sobre o aspecto lateral do ombro com o braço em adução
Não é a clavícula que sobe, é o acrômio que desce
Luxação inferior: hiper-abdução + rotação externa do ombro + retração da escápula
Lesões associadas Lesão glenoumeral intra-articular: SLAP, lesão do manguito rotador
Fraturas: 1/3 lateral da clavícula, processo coracoide
Luxação esternoclavicular + luxação acromioclavicular: clavícula flutuante
o Luxação esternoclavicular anterior e acromioclavicular posterior
Alteração do plexo braquial: raro
Ossificação do complexo coracoclavicular: comum; sem efeito funcional
Osteólise da clavícula distal: quadro clínico variável; dor em adução e elevação acima
da cabeça; geralmente não ocorrem alterações degenerativas no acrômio; alterações
limitadas a ombro lesado
Dissociação escapulotorácica: muito alta energia
Quadro clínico Exame físico com Stress (paciente segurando peso) está contraindicado
Dor na articulação acromioclavicular, face anterolateral do pescoço e deltoide
Piora da dor com adução do braço, melhora com infiltração da articulação
Teste de Paxinos: digitopressão dolorosa na face posterior da articulação
acromioclavicular
Teste da compressão ativa de O´Brien: ombro fletido 90º; adução 10-15º, cotovelo em
extensão e antebraço em pronação máxima + examinador exerce força para baixo
o Se dor AC = lesão AC
o Se dor aspecto anterior do ombro=lesão labral ou do bíceps
Tipo 1: pouca dor, sem deformidade clínica; Rx normal
Achados conforme grau da lesão Tipo 2: dor moderada, instabilidade anterolateral, estável no plano coronal; Rx: desvio
clavicular superior < 50%
Tipo 3: braço em adução e ombro em elevação; sinal da tecla; ADM dolorosa,
principalmente abdução; clavícula instável nos planos vertical e horizontal
o Teste de shrug (encolher os ombros): compressão axial passiva no sentido
cranial do braço reduz a deformidade (tipo 4 e 5 não são redutíveis por
interposição da fáscia deltotrapezoidal
Tipo 4: desvio posterior da clavícula; encarceramento em casa de botão da clavícula
no trapézio; dor importante; as vezes clavícula irredutível
Tipo 5: dor importante, clavícula muito desviada; pode haver Discinesia da escápula
em casos crônicos
Tipo 6 (desvio inferior da clavícula): o ombro perde o contorno, pode ser de
identificação difícil na urgência, edema muito importante, geralmente alta energia e
outros traumas associados; parestesia transitória antes da redução
Imagenologia Penetração 1/3-1/2 da necessária para Rx de ombro (solicitar ao técnico que faça Rx
da articulação acromioclavicular)
Incidência anteroposterior: deve ser biacromial
Incidência de Zanca: tilt cefálico de 10-15º
Perfil axilar: avalia desvio posterior da clavícula
Incidência de Stryker: se suspeita de lesão acromioclavicular com fratura do coracoide
ao invés de lesão dos ligamentos coracoclaviculares; suspeita de lesão sem aumento
do espaço coracoclavicular na incidência de Zanca
o Incidência de Stryker: paciente supino, mão atrás da cabeça e cotovelo para o
teto
Incidência de Basmania: AP com ombro aduzido; avaliação de luxações instáveis
Incidência de Zanca com stress de redução (shrug-test): avalia se há interposição da
fáscia deltotrapezoidal
Rockwood tipo 4 (desvio posterior): melhor avaliado no perfil axilar; deve-se avaliar a
articulação esternoclavicular para descartar clavícula flutuante
Espaço acromioclavicular normal no plano coronal: 1-3 mm, diminui com o
envelhecimento (0,5mm é normal em > 60 anos)
o Patológico: > 7mm em homens, > 6 mm em mulheres
Espaço coracoclavicular normal: 1,1-1,3 cm
Em pacientes com as fises abertas pode haver uma lesão fisária na clavícula distal que
simula a LAC
Classificação Classificação de Tossy-Rockwood
Classificação de Tossy- o Tipo 1: estiramento ligamentos AC e CC; Rx sem desvio, clavícula estável nos
Rockwwod planos horizontal e vertical
o Tipo 2: ruptura ligamento AC, estiramento ligamento CC; Rx com desvio <25%
do espaço coracoclavicular; clavícula instável no plano horizontal
o Tipo 3: ruptura dos ligamentos AC e CC; luxação acromioclavicular
(desarticulação) Rx com desvio 25-100% do espaço coracoclavicular; clavícula
instável nos planos horizontal e vertical
Variação do tipo 3 pode ter fratura do coracoide ao invés de lesão
dos ligamentos CC
o Tipo 4: luxação posterior da clavícula
o Tipo 5: avulsão de todas as inserções de partes moles da clavícula distal;
aumento do espaço coracoclavicular 100-300%
o Tipo 6: desvio inferior da clavícula
Subacromial: diminuição do espaço coracoclavicular
Subcoracoide: clavícula abaixo do coracoide
Anatomia aplicada Ângulo da articulação AC: 10-50º
- Lig. AC: estabilidade horizontal
- Lig. CC: estabilidade vertical
Enervação articulação AC: ramos dos nn. axilar, supraescapular, peitoral lateral
Ligamentos acromioclaviculares: estabilizadores no plano horizontal; restritores
primários para deslocamentos posteriores e superiores pequenos; restritor primário
da translação posterior em grandes deslocamentos
o Anterior, posterior, superior (o mais forte), inferior
Ligamentos coracoclaviculares: estabilizadores no plano vertical, suspensores
primários dos MMSS
o Conoide: mais medial com o ápice para o coracoide; restritor primário da
translação superior em grandes deslocamentos
o Trapezoide: anterolateral ao conoide, posterior ao tendão do peitoral menor;
mais importante na translação posterior
Clavícula roda 40-50º com elevação acima da cabeça, movimento em relação ao
acrômio 8º
Conduta Rockwood 1,2 e 3: conservador (RW controverso com tendência ao conservador)
o Sintomático crônico (> 6 semanas) não responsivo ao tratamento
conservador: cirúrgico
Rockwood 4, 5 e 6: cirúrgico
o O autor do capítulo no RW8 tenta TTO conservador incialmente nas LAC 5
Fratura do coracoide
o Extra-articular e sem desvio: conservador
o Articular ou desviada: cirúrgico
RW 1 crônico sintomático: excisão da clavícula distal
RW 2 crônico sintomático
o Estável no plano horizontal: excisão da clavícula distal
o Instável no plano horizontal: excisão da clavícula distal + reconstrução
capsular da AC ou transferência do ligamento coracoclavicular
Sintomáticos após RW 3, 4 ou 5: excisão da clavícula distal + transferência da parte
acromial do coracoacromial para a clavícula (cirurgia de Weaver-Dunn)
Técnica de tratamento Tipoia, analgesia, AINEs, gelo, ADM conforme tolerado, infiltração intra-articular de
conservador anestésico/corticoide
Evitar retorno precoce a atividades de risco
Técnica de tratamento cirúrgico Técnicas em desuso: fixação transarticular com FK; parafuso claviculocoracoideo
Técnica de Weaver-Dunn: ressecção da clavícula distal e transferência dos ligamentos
coracoacromiais para a coracoclaviculares
Placa gancho acromioclavicular
Reconstrução anatômica do ligamento coracoclavicular
o Reconstrução ligamentar com enxerto
o PO: 6 a 8 semanas de brace em abdução; ADM livre em 8 semanas; exercício
resistido em 12 semanas
Excisão da clavícula distal: RW 1 crônico sintomático
o Preservar cápsula articular AC para manter estabilidade anteroposterior
o Excisão da clavícula deve ser < 1cm
Via cirúrgica Via direta em golpe de sabre
o Incisão (golpe de sabre: 3,5cm medial a AC, de posterior a clavícula ao
coracoide
o Dissecção: fáscia deltotrapezoidea; descolamento subperiosteal da fáscia
deltotrapezoidea da clavícula;
Cuidados Síndrome da escápula SICK (mal posicionamento Scapular, proeminência da borda
Inferomedial, mal posicionamento e dor no Coracoide, disKinesia da escápula)
o Alteração da biomecânica do ombro secundária a luxação da articulação AC
Sempre: expor a AC e retirar calcificações e fibrose do espaço coracoclavicular no
intraop;
Túneis ósseos na clavícula devem ser < 5,5mm e terminar longe da cortical posterior;
espaço mínimo entre túneis de 2,5cm
Fechar a fáscia deltotrapezoidea cuidadosamente
Migração do FK acromioclavicular: pode lesar estruturas nobres torácicas e cervicais;
FK sempre devem ser tirados após término do tratamento
Falência dos reparos de tecidos moles: técnica de Weaver-Dunn geralmente não é
forte o bastante
Artrose acromioclavicular:
As LAC são lesões típicas de homem jovem por trauma esportivo. A classificação é dependente de parâmetros
radiológicos obtidos pela incidência de Zanca e a grande maioria das lesões é no plano vertical, com menos de 100%
de desvio (RW 1 ou 2). O tratamento de eleição para LAC 1, 2 e maioria das 3 é o conservador, ficando o cirúrgico
reservado para as LAC 4, 5, 6 e as falhas de tratamentos conservador (sendo que o autor do capítulo sempre tenta
TTO conservador nas LAC 5 também). A técnica cirúrgica mais recomendada atualmente é a de reconstrução
anatômica com enxerto.