Unidade I – Noções de credito bancario
• Capitulo I – Princípios fundamentais do credito
• I.1 Definição de crédito
• I.2 Elementos definidores do crédito bancário
Significado da palavra crédito
- Provém do latim: creditu, credere, Português: confiança
- Confiança que nos inspira uma pessoa (fé, boa reputação, integridade, …)
- Direito de receber o que se emprestou (quantia monetária, bem, …)
- O que o comerciante tem na sua escrita como “haver”, que ele há-de haver
• Por ex. A vai ao restaurante de B almoçar, sem dinheiro, com a obrigação de pagar depois,
fruto da confiança que goza de B.
•Estabelece-se uma relação com dois intervenientes:
•A tem obrigação de pagar ou tem um débito (devedor);
•B tem o direito de receber ou tem um crédito (credor)
•Crédito é o direito de receber, no futuro, um determinado valor (bem, dinheiro, serviço),
como contrapartida da entrega de algo (bem, dinheiro, serviço)
•Exemplos: compra de casa à prestações, compra de cadernetas de autocarro, adiantamento
à fornecedores, etc.
•Crédito sem acordo ou contrato entre devedor e credor por facto acidental ou intencional
•A danifica (com ou sem intenção) o bem de B. Nasce o direito de exigir ressarcimento (B) e
o dever de pagar
Crédito bancário
• É um caso particular de crédito:
• Credor é um banco;
• Devedor é um cliente, que paga ao banco pela utilização de
dinheiro;
• Pressupõe a entrega, real ou potencial, de dinheiro pelo
banco ao cliente;
• Tem como objectivo a realização de um lucro
• Crédito bancário: é o direito que um banco adquire, através
de uma entrega inicial em dinheiro (real ou potencial) a um
cliente, de receber dele, em data futura, uma ou várias
prestações em dinheiro, igual ao valor inicial acrescido do
preço fixado para esse serviço (juro)
Risco de crédito
• É a perda (prejuízo) potencial decorrente da operação
de crédito, que se materializa se os termos do acordo
não forem cumpridos. Decorre das incertezas do futuro
• No exemplo anterior vimos que A foi ao restaurante de
B almoçar, com o compromisso de pagar depois.
• Mesmo gozando da confiança de B, pode acontecer algo
que depois condicione o pagamento de A. O futuro é
sempre incerto, o que acarreta riscos para quem espera
receber.
1.2 – Elementos definidores do
crédito bancário
• Finalidade: o que vai ser adquirido, o uso dado ao crédito
• Montante: o valor a disponibilizar para o crédito
• Prazo: associado ao tempo útil do bem a adquirir. Não deve
ser superior nem demasiado curto em relação ao tempo de
vida estimado do bem ou uso
• Preço: é a componente de juros +comissões a pagar ao
banco. Inclui o custo dos fundos, custos administrativos,
margem de risco e margem de lucro (mais inflação)
• Risco: perda potencial, em caso de incumprimento do
acordo. Não existe crédito sem risco.
4 Tipos de risco: geral, profissional, particular e da operação
Elementos definidores de crédito
• Garantias: formas adicionais de segurança que os clientes
providenciam aos bancos e que constituem alternativas de
ressarcimento de crédito concedido.
• Podem ser de 2 tipos (gerais ou acessórios)
• Garantias gerais ou intrínsecos: decorre do código civil que
estipula que pelo cumprimento da obrigação respondem
todos os bens do devedor, susceptíveis à penhora.
• Garantias acessórias ou especiais: pessoais ou reais
• Garantias pessoais: aval e fiança
• Garantias reais: hipoteca, penhor ou consignação receitas
• EXERCÍCIO 1, página 1.19 livro “Crédito”
Cap. II- Crédito e Sistema Bancário
2.1- A import. do crédito na economia
• Desenvolvimento económico pressupõe crescimento na activid.
dos agentes econ.: empresas, famílias, estado
• Empresas precisam produzir e vender, mas precisam fundos para
adquirir equipamento, matérias primas, etc
• As famílias e o Estado precisam fundos para comprar o que as
empresas produzem
• Quando agentes econ não têm fundos para as suas necessidades
(produção, consumo, investimentos), podem recorrer aos bancos
• Os bancos ao canalizarem para os agentes em défice fundos que
recebem dos agentes com excedentes (intermediação financeira
ou bancária) promovem o desenvolvimento econ.
• Ao concederem crédito, os bancos criam moeda, aumentando a
capacidade monetária na economia
2.1- Importância do crédito (cont)
• Exemplo: António deposita kz 500,00 no Banco A e este
empresta kz 490,00 ao João. Os depósitos totais
aumentaram para kz 990,00
• A partir de kz 500,00 o Banco A criou moeda (+kz 490,00),
originando o efeito multiplicador da moeda.
• Efeito multiplicador é benéfico para a economia, aumenta a
capacidade de criar riqueza, mas deve ser controlado para
evitar efeitos inflacionistas.
• Assim, a intermediação bancária propicia o aumento da
riqueza de um país via financiamento dos agentes
económicos e via criação da moeda, aumentando a
capacidade das transacções no sistema económico.
2.2 – Dinâmicas na activ. bancaria
• Especialização: bancos dedicados a sector específico
• Concorrência: de empresas de sectores não bancários
• Desregulamentação: Poder transferido pelo Estado à entidades de
supervisão : BNA, CMC, ARSEG
• Liberalização: menos intervenção dos poderes de tutela e maior
liberdade agentes económicos
• Desintermediação: menos bancos e mais mercado capitais. Ex.
commercial papers emitidos empresas
• Internacionalização: penetração em mercados externos
Efeitos: aumento risco e aumento custos de estrutura
Consequências:
- Re-regulamentação, para controlar e mitigar riscos
- Tendência de universalização da banca
2.3 – Condicionantes à actividade
bancária
• Sistema bancário é parte do sistema financeiro e económico de
um país, mas tem especificidades
- Exigências de capitais próprios mínimos;
- Responsabilidades, via de regra, exigíveis à vista;
- Criação de moeda, alargando a massa monetária.
Assim, os bancos têm de cumprir regras prudenciais
- Assegurar solvabilidade e liquidez
- Proteger os depositantes (credores do banco)
- Condicionar a actividade creditícia, determinando relações e
limites às diferentes rubricas patrimoniais
Ver Lei 14/21, 19 Maio, Lei do regime geral das IF
Artigos 161 a 166
Outras condicionantes determinadas
pelos governos (Política económica)
• Política orçamental: orçamento, impostos e gastos pub.
• Política monetária: controlo agregados monetários e da taxa
de juro, preservar o equilíbrio entre os meios de pagamento
e o crecimento da actividade económica.
• Reservas de caixa (ou obrigatórias)
• Taxa de redesconto (facilidades cedência absorção liquidez)
• Operações de Open-Market (OMA)
• Política cambial: regime cambial (flutuante, fixo ou
administrado) e regras nas operações cambiais
• Política de Rendimentos e preços: critérios a observar na
fixação de preços e crescimento dos rendimentos, para
evitar pressões inflacionistas.
• Exercício 2 do livro citado
Cap.III – Função Creditícia nos bancos
3.2 – Principais Operações de Crédito
- Crédito por desembolso: existe entrega de fundos
- Descoberto (saldo negativo na conta depósitos à ordem)
- Crédito em conta corrente
- Desconto (livrança e comercial)
- Empréstimo com plano de reembolso
- Crédito por assinatura: compromisso de entregar
fundos caso se verifiquem determinadas condições. Ex.
garantia bancária para A tornar-se distribuidor de
produtos de B.
Créditos por desembolso
• Descoberto
- Finalidade: financiar necessidades pontuais de tesouraria,
sendo uma antecipação de recebimentos
- Reembolso: ocorre quando o cliente (depositante) recebe os
montantes previstos
- Prazo: muito curto, de dias e nunca superior a 1 mês
- Análise de risco: foca nos movimentos diários de tesouraria
do cliente.
Ex. empresa Beta paga ordenados dia 25 de cada mês, mas
90% das suas receitas ocorre no dia 28. Para pagar os salários
pode acordar um descoberto com o seu banco, que
disponibiliza um plafond no final de cada mês.
Crédito em conta corrente
• Concedido através da abertura de uma conta de crédito (conta
corrente) com fundos à disposição do cliente, até um determinado
montante (limite), com prazo e nas condições contratadas. O cliente
pode nuna usar os fundos, como no descoberto, não se tornando
devedor.
• Finalidade: financiar necessidades de fundo de maneio como compra
de matérias primas, pagamento salários
• Reembolso: ocorre quando cliente recebe valor vendas
• Prazo: deve ser adequado ao ciclo produtivo do cliente (por norma 180
dias), sendo em geral renovável no tempo
• Análise de risco: requer conhecimento profundo da actividade da
empresa (ciclo produtivo) com riscos inerentes à actividade (produzir e
vender) e aos clientes (receber os montantes das vendas)
• Quando o banco exige uma garantia (livrança com aval dos sócios) toma
a forma de conta corrente caucionada
Desconto
• Operação de crédito que se traduz num adiantamento do valor
de um título de crédito, que fica na posse do banco.
• Desconto de livrança: o cliente, subscritor do título, faz uma
promessa de pagamento de um dado montante em data
específica
• Desconto comercial: adiantamento de valores de títulos
originados por operações comerciais: letras, extractos de factura,
warrants.
• A letra é um título em que o sacador (credor) dá uma ordem de
pagamento a um seu devedor, o sacado.
• Finalidade: antecipação do recebimento das vendas
• Análise de risco: atendendo à finalidade, antecipação do
recebimento, a concessão de crédito por desconto de letras
requer atenção especial à capacidade financeira do sacado, que
deve pagar a letra na data de vencimento.
Empréstimo com plano de reembolso
• Contratos de abertura de crédito mediante os quais o
cliente fica autorizado a utilizar os fundos, de acordo
com as condições do contrato. Pode ser de curto, médio
ou longo prazo e o reembolso faz-se em prestações,
conforme o contrato
• Finalidade MLP: financiar necessidades de investimento
• Reembolso: através dos fluxos de caixa gerados pelos
activos financiados
• Prazo: adequado à vida útil do activo financiado
• Análise de risco: considerando o investimento e os cash
flows futuros, o foco deve ser na previsão da
performance futura da actividade que foi financiada.
Créditos por assinatura
• Fianças e garantias bancárias
São operações de crédito através das quais o banco garante a execução de uma obrigação
de um cliente seu perante um terceiro, assumindo o encargo da obrigação se o devedor
principal faltar ao seu cumprimento.
Em geral, surgem quando o credor necessita de reforçar a certeza de que o fornecimento
ou a prestação de um dado serviço por parte do seu devedor vai ocorrer, socorrendo-se da
garantia de uma outra entidade, o banco.
Vantagens da emissão de fianças e garantias
Para o ordenador, substitui um depósito de garantia (evita mobilizar fundos), o custo é
baixo e permitem expandir o mercado onde actua;
Para o beneficiador (credor) garante a segurança da operação
Para o banco, é mais um serviço e ajuda a fidelizar o cliente.
Exemplos: garantias para adjudicar obras públicas,
garantias às alfândegas,
garantias aos tribunais ou ao serviço de finanças,
garantia ao bom cumprimento de fornecimentos de mercadoria e equipamentos, etc
Crédito por aceite, aval bancário e CD
• Crédito por aceite: o cliente saca sobre o banco uma letra que
este aceita, permitindo-lhe, depois, negociar o título em seu
benefício. No vencimento, o banco paga o título com os fundos
que o cliente deve, antes, depositar.
• O aval bancário: operação através da qual o banco garante o bom
pagamento das letras aceites pelos seus clientes.
• Crédito documentário (CD): o banco se responsabiliza, por conta
de um seu cliente importador e a favor de um fornecedor
estrangeiro, a pagar a este uma soma de dinheiro, num prazo
determinado, referente ao valor das mercadorias adquiridas,
contra a entrega dos documentos estipulados no contrato de
crédito.
Facilita as transacções internacionais, permitindo ao exportador
(vendedor) precaver-se contra a falta de pagamento do importador,
e a este, dá garantias de que as mercadorias são postas à sua
disposição nos prazos e condições acordadas entre as partes.
2.2 – Titulação e Garantias
• Para minimizar o risco associado ao crédito e evitar atrasos na
recuperação do capital, os bancos costumam associar títulos
executivos e garantias aos créditos
• Nas operações de desconto, existe sempre um título executivo,
letra ou livrança. Nos outros créditos, o banco pode exigir uma
livrança em branco (livrança-caução)
• O título equivale, em termos judiciais, a acção declarativa de
dívida do tribunal. Assim, em caso de incumprimento do cliente,
o banco pode dar início imediato à acção executiva da dívida,
visando a penhora dos bens.
• Quando o risco de crédito é considerado elevado, o banco pode
exigir garantias acessórias, como protecção adicional.
• Garantias pessoais: fianças (Contratos) e aval (letras e livranças)
• Garantias reais: hipotecas (bens sujeitos a registo), penhor
mercantil e consignação de rendimentos bens sujeitos a registo
EXERCÍCIOS
CAPÍTULO III
UNIDADE I
Unidade II- Crédito à Particulares
• Cap. IV – Mercado de Particulares
• 4.1 – Caracteristicas Específicas
• 4.2 – Evolução Tecnológica
• 4.3 – Principais Produtos
Particulares e característica importante (gestão de risco):
comportamento de grupo ( atitudes semelhantes).
- Segmentação de clientes, atractivos para o banco; e
- Avaliação perfil de risco de cada segmento
Exemplo: segmentação por critério idade vs rendimento
Página 4.5 Livro principal
Critérios de segmentação particulares
• Geográficos: tendências consumo + elevado zonas urbanas e + poupança
nas zonas rurais;
• Sócio-culturais: +consumo pessoas maior nível cultural e + poupança
pessoas menor nível cultural;
• Sócio-profissionais: +consumo profissionais liberais e + poupança
empregados administrativos e operários;
• Sócio-económicos: +consumo pessoas rendimento elevado e + poupança
pessoas de rendimentos baixos;
• Macro-económicos: maior consumo períodos expansão e maior
poupança períodos de crise ou recessão;
• Etário: jovens possuem atitude consumista e idosos poupança
O risco de crédito é definido em função destes comportamentos.
Mas atenção que são tendências, havendo situações com comportamentos
diferentes das características do segmento
4.2 – Evolução Tecnológica
• A pesar da segmentação dos particulares atendendo às
características semelhantes de grupo, vimos que nem
sempre o comportamento é uniforme.
• Um grupo com atitudes de uma maioria de 51% é
diferente de um grupo de maioria de 99%.
• Logo, necessidade de estudos pormenorizados sobre o
comportamento: Análise estatística
• Métodos estatísticos e ciências sociais e de
comportamento facilitam:
- Avaliação de risco de cada segmento;
- Conhecer melhor as necessidades financeiras dos segmentos
Massificação dos produtos para os particulares (pronto a usar)
4.3 – Principais produtos crédito a
particulares
• Conta Ordenado: conta DO associado a um descoberto,
destinado a clientes que recebem ordenados no banco.
Sem burocracias, nem garantias mas juros elevados
• Cartões Crédito: meio de pagamento associado a uma
conta corrente, com limite de crédito. Pode ser para
grandes massas, segmentos diversos ou segmentos
selectivos (cartão de prestígio, ex. platinum). Sem
garantias, juros elevados e comissões e cash advance,
com uso na rede internacional (Visa, MasterCard, etc)
• Cartões Débito com Plafond crédito associado
Modalidades em geral de curto prazo, mas que podem
assumir vários anos: conta ordenado e cartões revolving
Crédito à particulares M/L Prazo
• Crédito ao Consumo/Pessoal: créditos com plano financeiro,
em geral mensais, com prestações fixas (capital e juros),
para aquisição de bens e serviços, acima das despesas
corrente (carro, viagens, despesas de saúde, formação,
obras na habitação, computador). Podem exigir garantias
tipo fiança ou aval. O prazo varia com a finalidade do
crédito. Ex. carro 2 a 5 anos, computador 1 a 2 anos.
• Podem ser decididos com apoio do sistema Scoring que
pondera, entre outros factores, o peso da prestação no
rendimento do cliente e o risco associado à finalidade do
crédito. Ex. crédito automóvel versus motorizada, obras em
casa alugada versus casa própria…
• Podem ser vendidos através de comerciantes, com
vantagens para estes e para os bancos, mas com +risco.
Crédito à Habitação
• Crédito de longo prazo (20 – 30 anos), destinado a aquisição
ou construção de casa própria. Pelos riscos associados, tem
limitações e exigências adicionais:
• Em regra o banco não financia a totalidade do investimento,
repartindo o risco com o mutuário
• Exige garantias reais, em regra hipoteca do imóvel
• Seguro multi-risco do imóvel ( incêndios e outros…)
• Em alguns casos, seguro de vida ou de emprego
• Com componente taxa fixa e variável (indexador: Euribor)
Mas juros baixos (têm hipoteca) e poucos incumprimentos
As prestações podem ser fixa (taxa fixa), fixa (com taxa
variável ou indexante), constantes ou crescentes
Exercício capítulo 4
Página 4, Livro Principal
Cap. V- Avaliação Risco Crédito à
Particulares
5.1 – Análise de Risco Tradicional
5.2 – Crédito Scoring
5.3 – Actualização e Controlo Modelos Scoring
A análise de risco tradicional é aquela feita por um analista de
crédito, em torno dos factores que podem condicionar o
reembolso. Depois toma-se a decisão.
Apresenta algumas limitações:
- Procedimento moroso (várias operações de baixo valor)
- Não garante homogeneidade da decisão
- Forte componente subjectiva
- Sujeita à variações de humor dos decisores
5.2- Crédito Scoring
• Sistemas ou modelo de apoio à decisão de crédito, na base
de critérios objectivos que atribuem pontuação aos factores
considerados e uma nota final (score) que determina a
aprovação ou recusa da operação.
• Com a massificação da actividade bancária, tornou-se
comum o uso de rotinas de scoring, automatizados e de
simples utilização, com factores de avaliação ao cliente e
uma pontuação final que objectivamente aprova ou rejeita a
operação
• Pode ser usado por comerciantes, dispensando a
intervenção de especialistas de crédito, salvo em caso de
rejeição, o que pode requerer uma reanálise pelo método
tradicional.
• A complexidade reside na concepção, implementação e
manutenção
Scoring de aceitação
• Base de concessão de crédito a um grande número de clientes,
boa parte dos quais totalmente desconhecida
• As análises feitas por características semelhantes dos grupos
permite definir os perfis de risco dos grupos
• Os sistemas já não avaliam o risco do cliente, mas sim o risco do
segmento a que cada cliente corresponde, definindo assim os
bons e maus pagadores.
• A análise de risco por segmentos é elemento diferenciador do
crédito a particulares do crédito à empresas
• São usados na venda de cartões crédito e créditos pessoais a não
clientes, bem como nas redes comerciais (pontos venda)
• Ex: conjunto de créditos de Eur 5 000 a 10 000 clientes. Pag. 5.6
• Ex: modelo de scoring de aceitação (cartões crédito). Pág. 5.7
Scoring de Comportamento
• Os bancos hoje vão mais longe e constroem para os seus clientes
o scoring de comportamento.
• A forma como o cliente se comporta, na relação com o banco e
na sua vida pessoal, as transacções que faz, o tipo de lojas que
frequenta, indo para além do risco de crédito e englobando as
suas necessidades.
• Informações sobre a vida do cliente obtidas de várias fontes, em
especial no uso dos cartões de crédito.
• Permite aos bancos analisar clientes pertencentes às minorias e
perceber o seu comportamento nos segmentos a que pertencem
-jovens com acentuada tendência para poupar
-clientes de baixa renda mas bons pagadores
-residentes em zonas rurais com tendência para consumo
• Exemplo páginas 5.11 e 5.12
5.3 Actualização e controlo dos modelos
Scoring
• A análise do comportamento dos particulares deve ser
um processo contínuo, buscando novas oportunidasdes
• Explorar novos segmentos de mercados com risco vs
rendibilidade atractivas, mesmo os segmentos tidos
como de menor qualidade, com eventuais prejuízos
Algumas sugestões para actualizar os modelos:
• Escolher uma agência com critérios de aprovação de
crédito mais flexíveis
• Usar o sistema de “open day” com aprovação
incondicional das propostas de crédito apresentadas
Controlos dos Modelos Scoring
• O controlo é feito através da comparação dos resultados
obtidos com os esperados
• No universo dos créditos concedidos, o banco espera que
uma determinada percentagem entre em default
• O banco não atinge a rendibilidade máxima esperada se
- Incumprimentos inferior ao esperado (perda de
oportunidades, recusando clientes que deveria aceitar)
- Incumprimentos superior ao esperado (prejuízos com maus
clientes acima do razoável)
Desvios verificados recomendam revisão dos modelos de
scoring para capturar melhor a realidade dos segmentos
Exercício 5, Páginas 5.18.19.20.21
Livro principal
Unidade III – Crédito à empresas
CAP. VI – Ferramentas da análise de Crédito
VI.1 – Análise Qualitativa
A análise qualitativa da empresa avalia a gestão, a indústria, a
envolvente externa e a estratégia adoptada.
A gestão é responsável pela evolução da empresa, sendo
crucial avaliar a idoneidade e capacidade dos gestores. Se o
banco não confia na equipa gestão recusa o crédito. Pag. 6.5
A indústria em que a empresa se insere também é importante
para a sua avaliação. Uma das técnicas mais utilizadas é o
modelo das 5 forças de Michael Porter: avaliar o seu potencial
A concorrência, os fornecedores, os clientes, a entrada de
potenciais novos concorrentes e os produtos substitutos
Exemplo: página 6.7
Analise qualitativa (continuação)
A Envolvente Externa tem a ver com os factores externos à
empresa que a podem influenciar.
Questões políticas, sócio-económicas, geográficas, a religião e
a cultura, demográficas, nível de instrução, etc.
A Estratégia Empresarial pode ser avaliada na sua
componente interna (pontos fortes e pontos fracos) e na
componente externa (oportunidades e ameaças)
Análise SWOT: onde pontos fortes criam oportunidades e
pontos fracos engendram ameaças.
Em complemento, outras técnicas de avaliação estratégica:
- Análise da cadeia de valor, ciclo de vida do produto, matrizes
de posicionamento de negócios e as estratégias genéricas de
Porter
VI.2 – Análise Quantitativa
• É feita pelo analista de crédito, na base da informação
prestada pela empresa (relatório e contas:
demonstrações financeiras, notas explicativas e
relatório dos auditores externos)
• Demonstrações Financeiras: balanços, demonstrações
de resultados (natureza e funções), mapa de variação
dos capitais próprios, Fluxos de Caixa e Anexos
• Técnicas de análise financeira (mapas contabilísticos):
• Análise de Balanços;
• Análise dos resultados;
• Análise dos rácios;
• Análise de Cash Flows
Análise de Balanços
• Balanço: situação patrimonial de uma empresa num dado
momento, evidenciando o seu valor
• Activo: conjunto de bens e direitos (aplicação de fundos)
• Passivo e Capital Próprio: como a empresa se financiou para
aplicar nos activos (origem de fundos)
• Activos circulantes (correntes): caixa, existências, clientes
• Passivos circulantes (correntes): dívidas a curto prazo
• Capital circulante: Diferença entre activo e passivo corrente
• Activos não correntes: activo corpóreo e incorpóreo
• Capitais Próprios: dinheiro entregue pelos sócios/accionistas
• Capitais Alheios: dinheiro posto à disposição por terceiros
• Capitais permanentes: capitais próprios e dívidas ML prazo
Equação Fundamental do Balanço
• Activo = Passivo + Capital Próprio (Situação Líquida)
• O Balanço permite obter informações sobre estrutura do
património da empresa e avaliar regras básicas:
• Activos correntes > ou = Passivos correntes (Curto Prazo)
• Activos não correntes < ou = Capitais Permanentes (MLP)
• O Balanço tem estrutura financeira equilibrada quando tem
Fundo de Maneio (FM)
• FM=Capitais Permanentes – Activos não correntes ou
Activos correntes – Passivos correntes
• O Balanço permite também avaliar o nível de endividamento
e de solvabilidade, comparando o valor das grandes rubricas
patrimoniais (A, P e CP). Exemplo da página 16.8
• A análise de balanços sucessivos, vários anos, é importante:
avalia o impacto da actividade na situação patrimonial
• A análise de resultados, sobretudo operacionais, é crucial
Análise de Rácios
• São relações entre rubricas do balanço e conta de
resultados, usados para avaliar o desempenho da
empresa. Existem vários tipos de rácios:
• Rácios de Liquidez (geral, reduzida e imediata)
• Rácios de estrutura financeira (endividamento,
solvabilidade e autonomia financeira)
• Rácios de rendibilidade (das vendas, do activo, dos
capitais próprios, etc)
• Rácios de eficiência (rotação do activo, NFM, prazos
médios de recebimento, pagamentos, existências, …)
• Outros (financiamento activos fixos, cobertura de
encargos financeiros…)
Análise de Cash Flow
• A rendibilidade de uma empresa mede-se pelo seu lucro
contabilístico, que nem sempre corresponde à dinheiro
• Ver exemplo de um comerciante que compra uma cadeira
por Kz 50 e a vende por Kz 100. Tem um lucro de Kz 50 mas
terá dinheiro? A tesouraria pode apresentar 4 situações
possíveis. Exemplo página 6.20
• A rendibilidade é condição necessária para a sobrevivência
da empresa mas o fluxo de caixa é essencial para pagar os
compromissos, nas datas em que se vencem
• Para o banco, a posição da tesouraria (cash flow) é o
elemento de maior interesse para a análise de crédito
• Rendimento vs recebimento; gastos vs pagamento
• Logo, lucro não é dinheiro
• Exercício 6, página 6.23
VI.3 – Modelos de Rating
• Rating é uma nota que as agências de classificação de risco
de crédito atribuem a um emissor (país, empresa, banco) de
acordo a sua capacidade de honrar sua dívida
• Teve início com os títulos de dívida negociáveis no mercado
de capitais, visando informar os investidores do nível de
risco dos activos adquiridos
• Bancos adoptaram procedimentos semelhantes, criando
modelos de rating internos, para avaliar o risco de crédito
das operações com os seus clientes, que reflectem a sua
própria política de crédito
• Os modelos internos de rating carecem de validação pelas
entidades de supervisão bancária
• As empresas que solicitam crédito podem solicitar às
agências de rating (raters) uma avaliação da sua condição de
acesso ao crédito
Cap. VII – Financiamento das
Necessidades de Fundo de Maneio
• A- Ciclo De Produção da Empresa
Periodo que decorre entre a compra de MP ou
mercadorias e o recebimento das vendas do produto final
Em regra, a empresa compra e vende a prazo mas tem
despesas diversas, necessárias à produção: salários, água,
luz, combustível, transporte, etc
Como a empresa, durante o ciclo produtivo, faz
pagamentos diversos e só recebe no fim, ela tem
necessidade de fundos para fazer face aos pagamentos
B- Financiamento dos Activos Circulantes
• Parte dos activos circulantes (inventários e clientes) é
financiada pelos fornecedores (compras a prazo) e parte é
coberta pelos capitais permanentes (fundo de maneio)
• Em regra, tal financiamento é insuficiente, pelo que as
empresas têm necessidade de recorrer ao credito bancário
• No fim do ciclo produtivo (ciclo de conversão dos activos),
quando recebe dos clientes, a empresa pode pagar aos seus
credores: fornecedores e bancos
• De seguida inicia um novo ciclo, necessitando de novos
financiamentos, a curto prazo, que se renovam em cada
ciclo produtivo (passivos circulantes)
C- Necessidades específicas Nas
Diversas Fases do Ciclo Produtivo
• As necessidades de fundos para suportar as despesas
do ciclo produtivo (aprovisionamento, produção, venda
e cobrança de clientes) geram riscos para os bancos,
decorrentes dos problemas que podem surgir em cada
uma daquelas fases
• Se a empresa falhar numa das fases, pode não concluir
o ciclo com sucesso, e como tal não ter capacidade para
reembolsar o banco, caso tenha recorrido ao crédito
• Logo, o banco precisa saber a finalidade dos fundos que
cede, para uma correcta avaliação do risco, não sendo
suficiente a expressão típica “ apoio à tesouraria”
D- Operações Crédito Adequadas às
Diferentes Fases do Ciclo de Produção
• A definição correcta da finalidade da operação, permite:
- Avaliação do risco associado à operação
- Escolha da melhor operação de crédito a conceder
- Definição de condições adaptadas à capacidade de
reembolso da empresa
Ver quadro com finalidade, tipo de operação e
riscos associados, na página 7.6 do Livro “Crédito”
E- Necessidades de Fundo de Maneio e
Necessidades de Financiamento
• A empresa ao investir em activos circulantes associados à
exploração, em regra obtém um financiamento natural dos
seus fornecedores (financiamento espontâneo)
• Mas os fornecedores não cobrem todas as necessidades de
exploração, pelo que a empresa necessita da diferença, que
constitui as necessidades de fundo de maneio: NFM = AC de
exploração – PC de exploração
• Na definição das NFM são excluídas as disponibilidades e
outros activos correntes e passivos correntes não associados
ao ciclo de exploração, pelo que teremos:
• NFM = Inventários+Clientes – Fornecedores , sendo que:
• FM Líquido = Capitais Permanentes – Activos Não Correntes
• Necessidades de Financiamento = NFM - FML
F- Necessidades Temporárias e
Permanentes de Fundo de Maneio
• As empresas registam ao longo do ano variações no seu
nível de actividade, sazonais ou não, acentuadas ou não
• Mesmo em sectores estáveis, pode haver períodos com
actividade no ponto máximo e outros com actividade a
decrescer até um ponto mínimo, afectando os balanços
• Imagine uma empresa de brindes e artigos decorativos,
cujas NFM atingem valores mais baixo em Março e mais
elevado em Novembro (pico de vendas, pag: 7.10.11)
• Existe um capital circulante mínimo, sem o qual a empresa
teria de cessar a actividade (NFM no ponto mínimo)
• Duas componentes FM:
- Necessidades Permanentes de Fundo de Maneio;
- Necessidades Temporárias de Fundo de Maneio
Componentes de FM
• Necessidades Permanentes de FM: valor abaixo do qual
a empresa não poderia funcionar e que corresponde às
necessidades de FM no ponto mínimo
• Necessidades Temporárias de FM: valor variável ao
longo do ano, em função do nível de actividade da
empresa e da sua sazonalidade
G- Análise de Risco de Crédito
• Para financiar as necessidades de FM, o crédito bancário
apresenta duas características diferentes:
• Crédito na óptica da conversão de activos: crédito de CP
destinado a financiar o aumento temporário do activo
circulante e que é liquidado através da conversão dos
activos financiados
• Crédito na óptica de protecção de activos: crédito cuja
finanlidade é financiar necessidades permanentes de FM e
que não pode ser liquidado pela conversão em dinheiro dos
activos financiados. Porque não é reembolsável no curto
prazo, deve ser financiado por capitais permanentes
• Para avaliar o risco destes tipos de crédito é necessário
analisar o funcionamento da empresa e os seus ciclos de
actividade. Exemplo páginas 7.13.14.15.16.17.18
Cap. VIII – Crédito de Médio/Longo Prazo
• A – Avaliação da Operação Proposta Pelo Cliente
Feita na base da finalidade, do montante e do prazo
A finalidade do crédito MLP é, em geral, aquisição de
activos não correntes (imobilizado) ou financiamento das
necessidades permanentes de fundo de maneio. Os
investimentos podem ser de substituição/modernização
ou de expansão (mesmo negócio ou novos negócios)
O analista de crédito deve avaliar o risco associado ao
tipo de investimento a financiar.
Para salvaguarda do equilíbrio financeiro da empresa, os
activos não correntes devem ser financiados por capitais
permanentes (são usados em vários ciclos de produção)
A- Avaliação Proposta Cliente (cont)
• É prática dos bancos não financiar o montante total do
crédito MLP, envolvendo a empresa a comparticipar no
investimento, através dos fundos próprios. Para tal o
banco deve avaliar, a par do tipo de investimento a
financiar, a capacidade financeira da empresa para
cobrir o montante total.
• O prazo deve sempre estar associado à finalidade do
crédito e nunca superior ou inferior à vida útil do
investimento a ser feito. Deve haver aqui um equilíbrio
temporal entre os activos (investimento a fazer) e os
passivos (crédito MLP a obter do banco)
B – Capacidade De Serviço Da Dívida
• A empresa precisa gerar fundos ao longo da vigência do
empréstimo, para estar habilitada a servir a dívida.
• A análise de Cash Flow permite identificar os fundos gerados
pela empresa na actividade operacional, de investimento e
financeira. Em particular, permite avaliar a capacidade da
empresa em remunerar os capitais permanentes que utiliza:
reembolso do empréstimo, juros, dividendos, rendas de
leasing, etc
• A análise de Cash Flow pode ser história, com base nas
rubricas contabilísticas, para conhecer o comportamento
passado da empresa, mas requer igualmente avaliar o
comportamento futuro, através de projecções realistas dos
diversos componentes da actividade e o seu impacto nos
fluxos monetários (fontes e aplicações de caixa)
C – Fontes e Aplicações de Caixa: Mapa
de Cash Flow
• A caixa de uma empresa regista entradas (fontes) e saídas
(aplicações) de fundos diversos, denominados fluxos de
caixa ou Cash Flow.
• Podemos agrupar os cash flows em 3 tipos (pag. 8.11):
operacionais, de investimento e de financiamento
• O analista de crédito avalia a demonstração do fluxo de
caixa (DFC) para conhecer a variação dos meios financeiros
líquidos libertos pela actividade da empresa e determinar se
possui um cash flow operacional e financeiro “saudável”.
• Fundos saudáveis: se são suficientes para servir a dívida
(capital e juro), se são de natureza operacional e estáveis e
asseguram a continuidade das operações da empresa
• Exemplo de DFC na página 8.13.14
D – Elaboração do Mapa de Cash Flow –
Análise Previsional
• Para analisar a capacidade da empresa em servir a dívida, analisa-
se o cash flow durante o período de reembolso do empréstimo
(previsão de cash flows)
• Cash Flow de base zero: método simples aplicado à empresas
cujo nível de actividade se vai manter no futuro. Questão a
responder: se nada mudar, a empresa pode cumprir o serviço da
dívida?
• Cash Flow com crescimento: métodos (previsão) complexos
aplicado à empresas que estão a investir com o objectivo de
aumentar o nível de actividade. Questão a responder: com os
investimentos a fazer, a empresa vai gerar fundos suficientes para
servir a dívida?
• Os mapas previsionais a eleborar, permitem ao banco avaliar o
risco, definir a estrutura de crédito e os mecanismos de controlo
mais adequados. Quadro na página 8.16
• Exercício 8, página 8.16
Cap. IX – Alternativas ao Crédito Bancário
Tradicional
• No sec. XX, fruto de alguma insuficiência dos bancos e do
mercado de capitais em servir as necessidades das empresas,
surgem duas formas alternativas de financiamento alternativas
ao crédito bancário tradicional: Leasing e Factoring.
• Leasing : operação que consiste na disponibilização de um bem
pelo seu detentor, locador, a um terceiro, locatário, mediante
uma renda, podendo o utilizador adquirir o bem, no fim do prazo
contratado, pelo valor residual
• O Leasing pode ser uma locação operacional (operating lease ou
renting) ou uma locação financeira, onde o locador é um banco
ou uma sociedade de locação financeira
• Ao contrário do renting, a locação financeira tem como finalidade
a operação financeira, o financiamento de activos não correntes,
constituindo uma alternativa ao crédito MLP
• Características da locação financeira, ver página 9.4 do Livro e
exemplo na página 9.7 e vantagens e inconvenientes, pág. 9.9
Operações de Factoring (Cessão
Financeira)
• Operação de transferência, a título oneroso, de créditos
comerciais pelo seu titular (o cedente ou aderente) para um
terceiro (o factor), para cobrança (ao devedor), podendo
antecipar, no todo ou em parte, o montante do crédito.
• Formalizada por um contrato, através do qual um banco ou
sociedade de factoring se compromete, mediante uma
comissão e/ou juros, a adquirir os créditos a CP de um seu
cliente e/ou prestar-lhe um conjunto de serviços associados
à gestão de cobranças. Ver modalidades na página 9.12
• Tem tripla função:
• Cobrança e gestão de créditos
• Cobertura de riscos inerentes à incerteza da cobrança
• Financiamento de curto prazo (antecipação de fundos pelo factor)
Confirming
• Operação através do qual o banco, à pedido da empresa cliente,
faz a gestão de todos os pagamentos à fornecedores, oferecendo-
lhes a possibilidade de anteciparem os seus recebimentos,
através de créditos
• O cliente deve manter a sua conta DO adequadamente
provisionada para o pagamento das facturas, por ordem de
transferências.
• Vantagens e inconvenientes para as partes, na pág. 9.14
• No leasing o principal risco está associado ao eventual peso das
rendas no cash flow. Análise de risco feita via cash flow.
• No factoring, o risco está associado ao incumprimento do
devedor, na fase final do ciclo produtivo, depois das vendas
feitas. A análise de risco incide sobre o devedor
• No confirming, a avaliação do risco incide sobre o cliente do
banco, devedor das facturas
• EXERCÍCIO 9, página 9.15
Cap. X Risco de Crédito das Operações
Fora do Balanço
• A. Crédito Por Assinatura
Quando um banco concede crédito por desembolso, entregando
fundos aos clientes, as operações são registadas no balanço, em
rubricas do activo.
Quando se trata de crédito por assinatura (aceite, aval, fiança,
garantia bancária ou CD), os bancos assumem responsabilidades
que, no futuro, se podem transformar em desembolsos. São
registadas em contas extra-patrimoniais ou contas fora do balanço
Pela incerteza do desembolso, essas operações são, por vezes,
designadas de operações contingentes ou contingenciais e o risco a
elas inerente risco contingencial
A análise de risco contingencial é feita para avaliar a capacidade de
reembolso do cliente, se a operação garantida correr mal, devendo
ser completa como de um outro tipo de crédito
B – Outras operações
• As intervenções dos bancos nos mercados de títulos
(primário ou secundário) e nos mercados de derivados,
pode envolver alguns riscos
• No mercado de títulos, o banco pode actuar como
vendedor ou comprador de títulos por conta própria ou
dos seus clientes
• Ao actuar por conta própria, corre os riscos normais de
mercado, incluindo os riscos de crédito inerentes aos
títulos de dívida
• Se actuar em nome de clientes, corre risco de
liquidação, pois vai vender ou comprar em nome de
clientes, que podem não entregar os títulos ou dinheiro
Mercados Derivados
• Nas últimas décadas surgiram no mercado diversos instrumentos
financeiros para cobertura de riscos, envolvendo eles mesmos riscos
específicos, que podem originar risco de crédito
• São operações sobre activos financeiros, em que uma das partes se
tenta proteger de uma evolução desfavorável do preço de um activo:
preço de mercado, taxa de juro ou taxa de câmbio
• O risco de liquidação existe sempre que se tratar de uma troca em que
uma das contrapartes pode não entregar aquilo a que se obrigou
• Um outro tipo de risco está associado à evolução do preço do activo de
suporte no mercado. Se for desfavorável ao cliente, este pode não
cumprir o contrato. O banco que faz a gestão da carteira dessas
operações, pode ver-se obrigada a recorrer ao mercado, a um preço
desfavorável, incorrendo em risco de mercado
• Exemplo de operação cambial a prazo, página 10.10
• Exercício 10, página 10.12
Unidade IV – Concessão, Monitoramento
e Recuperação de Crédito
• Cap. XI – Administração e Concessão de Crédito
A – Administração de Crédito. Pressupõe as funções abaixo:
- Políticas e procedimentos de crédito (regulamento crédito)
- Gestão da Carteira Global de Crédito (controlo da qualidade,
concentração, créditos problemáticos e processo de decisão
e controlo)
- Rating Interno (estabelece o sistema e sua aplicação e
eficácia)
- Avaliação de crédito (avaliação e aprovação de propostas)
- Definição de limites (limites de autoridade aos responsáveis)
- Formação (desenvolve e supervisiona programas de
formação)
- Avaliação de desempenho (dos gestores comerciais)
Política de crédito
• Uma política de crédito bem definida é a base de uma
actividade creditícia eficaz, tendo em conta os
objectivos do banco, o seu modelo de negócio e o
respectivo perfil de risco
• Pressupõe estabelecer um regulamento de crédito com
um organigrama da direcção crédito, atribuições dos
órgãos responsáveis, escalões de competência, a
tipologia de crédito e as normas a presidir a concessão
• As políticas de crédito variam de banco para banco e a
sua eficácia é medida em função dos resultados obtidos
• Devem ser definidas normas aplicáveis a todas as áreas
que podem ser afectadas pelo risco de crédito e que
contribuem para os resultados do banco
Processo de Preparação e Aprovação de
Crédito e seu Controlo
• Normas básicas a observar na concessão de crédito:
- O cliente deve ter um único balção de domicílio da conta
- Propostas de crédito reduzidos à escrito e formalizados em
impressos estandartizados, sempre que possível
- Estabelecimento de limites ou plafonds máximos, tipos de
crédito e as condições de utilização por cliente
- A gestão dos plafonds deve ter em atenção a evolução da
situação dos clientes, o cumprimento dos prazos- e
condições estabelecidas e a possibilidade do cancelamento
das facilidades concedidas, se for o caso
Na definição dos plafonds, os créditos podem ser divididos em
desembolso (comercial e financiamento) e por assinatura,
assim como os escalões de competência e decisão, por
tipologia e prazos. Ver exemplo de grelha-tipo na página 11.6
Processo Típico Aprovação e Revisão do
Crédito
1- O gestor da conta/comercial, em contacto com o cliente, identifica as
necessidades e estrutura uma solução financeira
2- Análise da situação económico financeira do cliente, à luz da proposta
3- É preparada uma proposta de crédito
4- Negociação do processo de decisão, envolvendo o gestor comercial, a
gestão da linha (gerência), a autoridade de crédito e os especialistas
participantes no processo
5- As propostas aprovadas são devidamente registadas e documentadas,
de acordo com as políticas do banco e as condições da aprovação
6- O crédito, uma vez concedido, deverá ser acompanhado e reavaliado
periodicamente
Deficiências neste processo de análise, aprovação e acompanhamento de
crédito podem dar origem ao crédito mal parado
B – Processo de Concessão de Crédito
B1- Dossier de Crédito
O Dossier de crédito é a base da análise e decisão da
operação de crédito
Deve conter toda a informação disponível sobre o cliente para
a análise qualitativa e quantitativa do mesmo
Inclui toda a informação histórica relevante e documentos de
operações vivas com o cliente, com o suporte tecnológico
adequado, evitando grandes volumes de papel
Os bancos definem o modo como deve ser organizado o
dossier de crédito e o seu conteúdo, procurando uniformizar
da melhor maneira a preparação do processo de crédito
Exemplo de um modelo de dossier de crédito, página 11.12
B2- Elaboração da Proposta, Apreciação
e Decisão
• Depois de apresentada a proposta de crédito ao balcão, esta é
enviada, juntamente com o dossier do cliente, para o analista de
crédito, para apreciação do risco.
• A análise e o parecer do analista são incluídos no dossier de
crédito, que é depois enviado para apreciação e decisão, tendo
em conta a legislação em vigor e as normas internas do banco.
Estas definem os princípios básicos que orientam a decisão
(Pág.11.14)
• A competência para decisão de operações de crédito cabe à
administração de cada banco, que por norma delega poderes de
decisão em níveis mais baixos: gerência balcão, direcção
comercial, comité de crédito, em função da política de crédito
definida e do montante e risco da operação
• Depois de concedido o crédito, os balcões que têm o contacto do
cliente e melhor o conhecem, fazem o acompanhamento devido
visando detectar riscos e ou oportunidades de novos negócios
Cap.XII – Crédito Problemático e
Recuperação de Crédito
A – Importância da Recuperação de Crédito
A1- Impacto das Operações de Crédito no Balanço Banco
Ao conceder um crédito, o banco tem como objectivo receber, no
vencimento da operação, os fundos emprestados, acrescidos dos
respectivos juros
Entretanto, devido à incertezas associadas ao processo de
concessão de crédito, pode haver incumprimentos do mutuário,
com impacto negativo no balanço do banco, com perdas de
proveitos (juros) e de activos (capital em dívida)
O não recebimento de juros, implica uma redução dos proveitos e
resultados, afectando negativamente o cash flow
O não recebimento dos fundos emprestados, implica uma redução
dos activos e dos capitais próprios (e causar a falência técnica)
Assim, a recuperação dos créditos concedidos é fundamental para
assegurar a sobrevivência de qualquer banco. Exemplo pág. 12.2.3
A2- Relação entre Activos de Risco e
Capitais Próprios
• Os acordos de Basileia II, no que concerne ao risco de crédito,
permite aos bancos optarem pelo método padrão (alocação de
capital a taxa de 8%) ou pelo método dos modelos internos, que
determinam a alocação de capital em função do risco associado a
cada cliente
• A aplicação dos métodos não é indiferente e tem impactos ao
nível da fixação do preço da operação e do volume de crédito a
conceder.
• Em princípio, os bancos que tenham capacidade de utilizar os
modelos internos, têm a possibilidade de dar mais crédito e de
melhor qualidade, em relação aos bancos que usam o modelo
padrão
• Exemplo de dois bancos, que disputam uma empresa com bom
rating. A que aloca um capital de 8% em cada 100 créditos
concedidos (método padrão) e B que aloca apenas 3% de capital
atendendo à qualidade do mutuário.
Activos de Risco VS Capitais Próprios
• Nos modelos internos, que devem ser validados pelas
entidades de supervisão, para a determinação dos
capitais próprios em função do risco tomado por cada
banco, um dos factores determinantes é o prejuízo
esperado nas operações de crédito
• É calculado em função da previsão do montante em
dívida à data do incumprimento, deduzido do valor da
recuperação prevista. São alimentados pelos dados
reais, históricos do próprio banco
• Assim, a recuperação de crédito de cada banco será um
factor determinante no capital exigível em função do
risco, impactando no custo dos fundos e no volume de
crédito a conceder
B – Caracterização Crédito Problemático
• Crédito problemático é aquele em que se verifica que a
capacidade de dívida do devedor está debilitada, podendo
degenerar em situações de incumprimento, lesivas dos
interesses do banco
• Quando o banco se apercebe de situações do gênero, deve
iniciar, de imediato, medidas mais adequadas e diligências
junto do devedor, para minimizar os prejuízos potenciais
• A celeridade da actuação do banco é a primeira condição
para que a recuperação dos fundos seja eficaz, isto é:
- Detectar e alertar o mais cedo possível qualquer
problema de crédito; e
- Maximizar a possibilidade de recuperação dos fundos
Exemplo, página 12.6
C- Identificação Créditos Problemáticos
Pode ser feita através da detecção de sinais de alerta, que devem ser analisados
com cuidado:
- Alterações ao nível de movimentos na conta e contactos pessoais;
- Utilização de fontes estranhas a actividade principal para servir a dívida;
- Incumprimentos ou atrasos repetidos no pagamento das prestações;
- Pedido de alterações das condições do contrato de empréstimo;
- Mudança frequente dos quadros da empresa, caso da área financeira;
- Pedidos de crédito por parte de sócios/empresários;
- Dependência de clientes e fornecedores em sectores com dificuldades;
- Utilização sistemática de cartões de crédito para cash advance;
- Desentendimentos familiares, em especial separação de casais;
- Boatos, indicações de gastos excessivos em carros de luxo, jóias, etc
Analisados, os sinais de alerta podem dar lugar a sinais de perigo; deficiências de
gestão, problemas técnico-operacionais, financeiros ou sistemas de informação e
controlo deficientes
D- Alternativas de Acção face à
Degradação do Crédito
• É preciso, antes de mais, definir o nível de gravidade da posição
do devedor:
a) Expectável que não se torne crítica com o tempo;
b) Deterioração é crítica mas passível de acção correctiva;
c) Sem possibilidade de correcção possível.
Detectado e analisado o problema, há que definir estratégias de
actuação que permitam maximizar o montante a recuperar:
a) Se o problema é passageiro e a correcção possível, o banco
pode dar um prazo ao cliente para resolver a situação;
b) Não sendo passageiro e tendo ainda o cliente capacidades,
reestruturar o crédito, com novo plano e prazo;
c) Não sendo previsível uma solução, acionar cobrança via judicial
E . Gestão do Crédito Problemático
• A gestão do crédito problemático deve ter como objectivo
identificar as situações de risco, antes de se verificar o
incumprimento e tentar a sua correcção o mais cedo possível
• Não sendo possível a correcção e estando a operação em
situação irregular, deve ser objecto de um acompanhamento
adequado pelo balcão, havendo bancos que recorrem à
intervenção de um Call Center , visando sensibilizar os clientes da
conveniência de regularizar a operação
• Decorridos 30 dias, o dossier de crédito é remetido ao
Departamento de Recuperação de Crédito que tentará uma
negociação com os faltosos, em regra por mais 60 dias.
• Não se tendo registado qualquer sucesso, ao fim dos 90 dias, o
processo é remetido aos advogados (externos ao banco) para
instauração da competente acção executiva
• Os prazos indicados podem variar de um banco para outro, nos
termos da política de crédito definida e estar de acordo com a
legislação em vigor