26 Setembro 2008

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COMUNIDADES
Ferreira Leite acusa partido socialista
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou o PS de querer distorcer o voto da emigração nas legislativas proibindo o voto por correspondência. Referindo que “o voto por correspondência dos emigrantes é talvez o triplo do voto presencial”, a presidente do PSD acusou os socialistas de agirem com “objectivos políticos no sentido de distorcer o resultado das eleições dos deputados da Europa e de fora da Europa na medida em que passam a ser deputados eleitos com meia dúzia de votos”.

Posição do PCP
O PCP votou a favor da alteração da lei eleitoral, mas Jerónimo de Sousa não se escusou a tecer críticas ao Governo, referindo o encerramento de vários consulados. “Não pensem neles (emigrantes) apenas quando enviam remessas de dinheiro para Portugal”.

Presidente cessante do CCP contra a lei
O presidente cessante do Conselho das Comunidades Portuguesas, Carlos Pereira, criticou o projecto socialista de acabar com o voto por correspondência dos emigrantes por considerar que esta alteração vai contribuir para a abstenção. “Estar a exigir que as pessoas se dirijam ao consulado para votar é mau, porque vai aumentar a abstenção”, disse Carlos Pereira, explicando que esta mudança significa que “alguns imigrantes seriam obrigados a andar centenas e até milhares de quilómetros para votar”.

Há poucos dias a Assembleia da República aprovou a alteração da lei eleitoral que institui o voto presencial para as eleições legislativas e europeias. Entretanto, sabe-se que o actual Cônsul Geral em Londres está de abalada, deixando para trás muitas críticas dos imigrantes quanto aos serviços prestados pelo consulado. Impunha-se, portanto, ouvir alguém que nos esclarecesse estes factos...

DEPUTADO CARLOS GONÇALVES

SERVIÇOS CONSULARES PRESTAM POUCO APOIO
o documento do Grupo Parlamentar do PSD “Apoio à Comunidade Portuguesa residente no Reino Unido - Perguntas ao Governo”, o deputado Carlos Gonçalves interroga o executivo sobre várias matérias (ver caixa). Nós, como imigrantes no Reino Unido, pusemos, também, outras questões que nos preocupam e com as quais nos confrontamos diariamente. Aqui ficam as perguntas e as respostas do deputado do PSD. Espera, sinceramente, que o Governo lhe responda às questões enunciadas no documento acima referido? E quando pensa obter essas respostas? É dever do Governo responder às perguntas dos deputados e espero que as questões que apresentei sobre o apoio prestado pelas autoridades portuguesas à comunidade portuguesa residente no Reino Unido venham a ter resposta. No entanto, mais importante que uma resposta escrita, era fundamental que o Governo tomasse medidas urgentes no sentido de melhorar os serviços que presta aos portugueses residentes nesse país, o que, infelizmente, ainda não aconteceu. Aqui, no Reino Unido, sentimos que a comunicação social de Portugal pouco ou nada se interessa pelos problemas dos imigrantes nesta (e noutras) zonas da Europa. Como vê esta ausência de referências às comunidades? A comunicação social portuguesa não dá, quanto a mim, a importância necessária às comunidades portuguesas. Infelizmente a nossa diáspora só é muitas vezes notícia quando acontece uma tragédia ou quando uma equipa portuguesa joga no estrangeiro, como recentemente se viu aquando do Europeu de futebol. O facto desta área, que considero fundamental para a nossa política externa, não ter acompanhamento por parte da comunicação social portuguesa, leva a que haja, desde logo, um enorme desconhecimento em Portugal da realidade das nossas comunidades, o que contribui para uma falta de sensibilidade da opinião pública para as questões que tocam os portugueses residentes no estrangeiro. Acresce que muitos dos correspondentes de órgãos de comunicação social portugueses em serviço no estrangeiro raramente fazem notícias sobre as comunidades portuguesas, independentemente da sua importância. No dia 9 deste mês, a agência Lusa dava notícia das queixas do Conselheiro das Comunidades no Reino Unido, António Cunha, bem como publicava

N

algumas considerações do director do nosso jornal, João de Noronha. Esse documento, porém, não foi referenciado por qualquer órgão de comunicação do continente, apenas o “Jornal da Madeira” tocou, em parte, no assunto. Porquê este desinteresse quanto aos emigrantes? Esse é um excelente exemplo. É verdade que a LUSA fez uma notícia que, apesar de tudo, teve alguma divulgação, pois eu próprio dei uma entrevista à RDP Internacional – que considero, em termos de comunicação social, o melhor exemplo no que se refere à cobertura da área das comunidades portuguesas – mas nem os jornais nacionais nem a televisão lhe deram algum relevo. Eu não sei se será desinteresse mas é claro que não é uma prioridade para as redacções. No entanto, sempre que falo com jornalistas sinto que muitos nutrem uma enorme admiração pelas comunidades portuguesas mas não há, por agora, resultados práticos dessa sensibilidade. O melhor exemplo que posso dar aos leitores de “As Notícias” foi a situação que vivi no momento dos encerramentos dos Consulados em França. Com efeito, apesar desta questão ter implicações graves para Portugal no plano da nossa política externa e na ligação ao nosso país dos portugueses residentes em França, nunca tive oportunidade de ser entrevistado pela televisão pública portuguesa, apesar de ser Deputado eleito pelos círculos da emigração. Acontece que sobre a mesma matéria fui entrevistado por três vezes pelo canal público de televisão francês FR3. Dá que pensar! Estará a comunicação social de Portugal concertada nesse sentido? Ou será que estas questões relacionadas com emigração/imigração não constam das linhas editoriais dos jornais e televisões de Portugal? Eu penso que não há qualquer tipo de concertação. O que acontece é que nós estamos longe, temos pouca influência no plano nacional e a opinião pública desconhece a realidade das nossas comunidades e a importância que ainda têm para o país. Convém lembrar que regularmente se fala da importância dos fundos europeus para Portugal mas nunca se faz referência às remessas dos emigrantes que, face aos valores actuais (cerca de 8 milhões euros por dia), atinge valores idênticos. No nosso jornal, recebemos inúmeras queixas de portugueses que aqui trabalham, referindo que há
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AS PERGUNTAS FEITAS AO GOVERNO
1. Como justifica o Governo que um cidadão
português tenha que esperar vários meses para poder solicitar um documento junto de um Posto Consular? 2. Como explica o Governo que apesar das dificuldades no atendimento da nossa comunidade no Reino Unido se mantenha o Consulado de Manchester com metade do seu espaço físico sem utilização e apenas com quatro funcionários? 3. De que forma pretende o Governo apoiar e acompanhar no plano social a nossa comunidade residente no Reino Unido ao extinguir o cargo de Conselheiro Social junto da Embaixada de Portugal em Londres? 4. Como explica o Governo que nos principais Consulados em países da União Europeia a relação funcionários-população portuguesa residente seja muito superior à de Londres? Quais os critérios que sustentam a decisão de manter essa relação mais baixa no que se refere ao Reino Unido?

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