O Helenismo
O que significa Helenismo?
• A palavra helenismo designa tradicionalmente o período da
história grega que se estende de Alexandre Magno, o
Macedônico, até a dominação romana, portanto, do fim do século
IV a.C. ao fim do século I a.C.
• O grande tema do conhecimento não era mais a política, a
filosofia voltou-se para o interior do homem e as questões éticas,
em busca de um bem existencial capaz de promover a serenidade
interior e a felicidade.
• Mudou-se o foco para a vida interior do homem e as questões
éticas. Uma ética voltada para a busca da felicidade, através da
harmonização do homem. Todos se preocupavam em refletir o
homem e suas relações, uma preocupação que permanece no
helenismo e no Império Romano até a chegada do Cristianismo,
quando teve início uma nova etapa da filosofia.
Vamos conhecer algumas das correntes filosóficas que retratam
este período e estas questões.
Escolas filosóficas helenísticas
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O ceticismo e a dúvida
• A verdade não existe; se existisse, seria impossível conhecê-la; e
ainda que se pudesse conhecê-la, seria impossível comunicá-la.
• O ceticismo é uma escola fundada por Pirro de Élida (360 a.C. –
272 a.C.), no século III a.C.
• Pirro admite que as coisas existam por si mesmas e que tenham
uma natureza, mas não que elas sejam acessíveis ao
conhecimento. Não existem, portanto, coisas belas e feias, boas
ou más, verdadeiras ou falsas por natureza, mas somente por
convenção ou costume. Nossos juízos sobre a realidade
dependem de sensações, que são instáveis e ilusórias.
• O autêntico sábio deve praticar a suspensão do juízo (epokhe),
estado de repouso mental em que predomina a insensibilidade
(aphatia), em que nada se afirma e nada se nega (aphasia), de
modo a atingir a felicidade pelo equilíbrio e pela tranqüilidade
(ataraxia).
O cinismo e o desprezo dos bens materiais
• Escola filosófica criada na Grécia, por volta do ano de 400 a.C.
Embora o nome mais conhecido dessa escola tenha sido
Diógenes, ela foi criada por Antístenes.
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• Os cínicos diziam-se seguidores de Sócrates pregavam um
desligamento das convenções sociais e o desprendimento dos
bens e do conforto material, vistos como desnecessários à
verdadeira felicidade que dependia de estados da alma e não de
matéria ou do corpo.
• Desprezavam as formalidades e os valores sociais como moradia
fixa e conforto material e, vestidos como maltrapilhos, iam
pregando suas crenças nos lugares mais movimentados,
comparando-se ao modo de viver dos “cães da cidade”.
• Acreditavam que as necessidades supérfluas escravizavam o
homem, impedindo-o de alcançar a liberdade, condição essencial
para se alcançar a felicidade.
Os filósofos dos jardins de Epicuro
• Fundada por Epicuro de Samos, em 306 a.C., nos jardins de sua
vila, localizada nos arredores de Atenas, onde realiza reuniões e
debates com seus amigos. Seu pensamento foi difundido na Jônia,
no Egito e, a partir do século I, em Roma.
• Para Epicuro, o “prazer é o início e o fim de uma vida feliz”. O
sentido da vida é o prazer.
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• Acreditava que, para que essa finalidade fosse alcançada, era
fundamental que o homem se libertasse do temor dos deuses e
da morte e da ansiedade incontrolada provocada pelos prazeres e
pela dor. O caminho para isso era o desenvolvimento da
racionalidade, que permitiria ao homem afastar seus medos e
reconhecer-se como um ser integrado na natureza universal.
• Um Epicurista não busca a fama das celebridades, nem o poder,
busca sim os prazeres dos sentidos conforme as prioridades de
cada indivíduo, por exemplo, comidas especiais se o prazer de
comer é indispensável, tirar um sono no horário da tarde pelo
simples prazer de dormir etc. Se os prazeres forem gozados junto
dos amigos se tornará mais importante.
• Segundo Epicuro, as pessoas não podem viver de forma agradável
se não forem prudentes, gentis com os outros e justas em suas
atitudes e pensamentos sem viver prazerosamente. As virtudes
então devem ser praticadas como garantia dos prazeres.
O estoicismo e a tranquilidade da alma
• Corrente filosófica criada por Zenão de Cício (333 -262 a.C.) em
Atenas, por volta de 300 a.C., também tinha como meta a
felicidade, embora o caminho proposta para alcançá-la fosse
diferente do epicurismo.
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• Para os estóicos, a função da filosofia é ajudar o homem a superar
os problemas da vida com serenidade.
• O bem supremo, ou caminho para alcançá-la, seria a virtude.
• Nada acontece por acaso, o que tem de ser será. Felicidade ou
infelicidade são fatos naturais da vida e vão ocorrer,
independentemente da vontade humana. Por isso não devem ser
motivo de preocupações.
• O homem deve aceitar a vida como ela é.
• Ser feliz é se libertar dessas inquietações existenciais por meio da
virtude, alcançando uma autonomia interior. Nada recear e nada
esperar.
• O vício, ao contrário da virtude, é provocado pelas emoções
exacerbadas, causas de todas as perturbações e inquietações que
tiram a serenidade da alma humana.
• Assim, para os estóicos, as paixões e suas derivações, como os
sentimentos, as emoções e os desejos, são um mal, pois
alimentam a irracionalidade humana, devendo, portanto, ser
combatidos e eliminados, dando espaço para que somente a
razão floresça.