Trabalho de filosofia:
As escolas helenísticas
Alunos: Rebeca Cavalcante e Rebeca Silveira
Professor: Havner Girão de Moura Chagas
Série: 2° Administração
Escola: E.E.E.P Osmira Eduardo de Castro
INTRODUÇÃO
Depois da morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.c. A filosófia Helenística surgiu em um contexto
de variadas tranformações sociais e políticas no mundo grego. O império que o mesmo conquistou, repartiu
em vários reinos helenísticos, se destacando o fim da democracia anteniense e a elevação de novos centros
de poder, como Pérgamo,Alexandria e Antoquia. Esse périodo é nomeado por uma busca profunda por
justificativas filosóficas á crise de valores e á incerteza que se guiou ao declíneo das antigas bases políticas e
sociais.
A filosofia, nesse contexto, se move do foco político e coletivo para questões mais individuais,
existenciais e práticas. Filosófos helenísticos, como Zenão de Cítio (estoicismo), Epicuro (epicurismo) e
Pirro (ceticismo), procuram soluções para a felicidade humana e a paz interior. Esses movimentos filosóficos
estavam afundados em um mundo que, embora repleto de avanços culturais e científicos, também se viam
tomando por instabilidade e incertezas. Assim, a filosofia helenística reflete a necessidade de adaptação e
resiliência diante de novas realidades, entregando, por meio de suas doutrinas, opções para
viver de maneira mais serena e significativa.
CETICISMO
A escola helenística do ceticismo é um aspecto filosófico que surgiu entre o contexto das
tranformações culturais e políticas da Grécia antiga, depois da morte de Alexandre, o Grande. Seu principal
objetivo era contestar a possivel possibilidade de alcançar um conhecimento absoluto e seguro sobre o
mundo, defendendo que a sabedoria verdadeira de existir na suspensão do juízo. Os céticos eram definidos
por serem: “[...] quem coloca suas crenças e as dos outros sob exame,a fim de verificar se elas sao
exatamente dignas de crédito ou não.” (UOL Educação,2023,S/P), os mesmo acreditavam que, em uma
visão de incerteza e várias opiniões, a melhor maneira de viver era aceitar essa dúvida e não se apegar a
cenários definitivas, o que permitiria a tranquilidade e a paz do espírito. Dessa forma, o Ceticismo marcou -
se por sua ideia contra o dogmatismo e o pensamento da regularização de outras correntes filosóficas da
época. Considerado o fundador do Ceticismo , Pirro de Élis tem a ideia prática de que não poderemos ter
certeza de nada de que a melhor aparência diante das situações da vida é um “tempo”, ou seja, uma
absorção do julgamento, conforme o site Dicionário político:
Filosofo grego, fundador da antiga escola de Ceticismo. Pirro ensina que
todo saber humano é incerto. A toda afirmação pode-se opor uma afirmação
contraria. Como é impossível o conhecimento das coisas, devia-se acresentar a cada
opnião expressada a palavra aparentemente, ou, então, evita -se qualquer julgamento
generalizado. Seus trabalhos não se conservaram ; conhecemos suas consepções
pelas obras de seus discípulos Timon de Phlius, bem como pelos trabalhos dos
céticos de época posterior: Aenesidemus, Sextus. (Dicionário político,2025, S/P).
Pirro acreditava que a busca pela verdade era inútil, pois nossos sentidos e razão eram falhos.
Ele defende que, ao desistir da busca por certezas absolutas, podemos alcançar uma vida mais tranquila. Seu
pensamento influenciou o ceticismo, com Sexto Empírico desenvolvendo e organizando suas ideias em
obras como "Esboços Pirrônicos". Sexto argumentou que era impossível ter conhecimento definitivo e
propôs uma suspensão do juízo para alcançar a ataraxia, um estado de paz mental sem preocupações. O
ceticismo teve grande impacto na filosofia ocidental, especialmente durante o Renascimento e a filósofia
moderna, influenciando pensadores como René Descartes, que atualizou um método de dúvida radical.
Assim, o ceticismo continua a questionar as certezas absolutas e a moldar o pensamento filosófico até hoje.
EPICURISMO
O epicurismo é uma filosofia que se originou na grécia antiga, e fundada por Epicuro de Samos por
volta do século VI, que ensina que o objetivo da vida é buscar o prazer e evitar a dor, mas de uma maneira
equilibrada e racional. ao contrário da ideia de que devemos buscar prazeres excessivos, os epicuristas
defendem que o prazer verdadeiro vem das pequenas coisas, não dos excessos ou das preocupações
materiais.
Para os epicuristas a felicidade está em desfrutar dos prazeres mais simples da vida, como a
amizade e as pequenas atividades do dia a dia e a familia. um exemplo disso seria aproveitar um café quente
pela manhã, apreciar uma boa leitura ou uma caminhada no parque.
Essa filósofia também enfatiza a importância de evitar a dor mental e emocional como o medo, a
ansiedade e o sofrimento. E os princípios são:
A felicidade é o objetivo final da vida
A paz de espírito é um estado ideal de vida;
A ausência de dor é um estado ideal de vida;
A virtude é um meio para atingir a felicidade;
O prazer deve ser moderado para evitar o sofrimento;
O amor apaixonado deve ser evitado;
O casamento deve ser evitado;
O sexo recreativo deve ser evitado;
A participação na política deve ser desencorajada;
O medo da morte e de Deus devem ser eliminados;
ESTOICISMO
O estoicismo é uma filosofia prática que foi criada por Zenôn de Cítion, onde surgiu na grécia antiga.
O estoicismo ajuda as pessoas a viverem com mais equilíbrio, controle emocional e sabedoria.
Ele foi criado na Grécia Antiga por Zenão de Cítio e teve grandes pensadores como Sêneca, Epicteto
e Marco Aurélio. Podemos dividir o estoicismo em quatro partes principais:
I. Foque no que você pode controlar
Muitas coisas na vida estão fora do nosso controle: o clima, a opinião dos outros, o passado e até a
morte. Mas há algo que sempre podemos controlar: nossos pensamentos e nossas ações.
Os estóicos ensinam que devemos aceitar o que não podemos mudar e nos concentrar no que
podemos fazer.
2. Use a razão, não as emoções impulsivas
As emoções fazem parte da vida, mas deixar que elas nos dominem pode ser um problema. O
estoicismo ensina que devemos usar a razão para lidar com desafios, em vez de sermos guiados pelo medo,
raiva ou ansiedade.
Isso não significa ignorar as emoções, mas sim entender e lidar com elas de forma equilibrada.
3. Seja virtuoso e faça o bem
Os estóicos acreditavam que o verdadeiro bem não está em dinheiro, fama ou poder, mas em viver de
acordo com a virtude, ou seja, ser uma pessoa justa, honesta, corajosa e sábia.
Para eles, uma vida boa é aquela guiada por valores, não por desejos superficiais.
4. Aceite a vida como ela é
Nem sempre as coisas acontecem como queremos, e resistir à realidade só causa sofrimento. O
estoicismo ensina a prática da aceitação: em vez de reclamar, devemos buscar aprender e crescer com cada
situação.
Aceitar não é o mesmo que se conformar. Significa entender a realidade sem desespero ou revolta, e
então agir com sabedoria para melhorar o que está ao nosso alcance.
E para concluir O estoicismo ensina a aceitar a realidade presente sem sofrimento desnecessário, mas
também a agir para melhorar o que está ao nosso alcance.
Se algo pode ser mudado, devemos mudar; se não pode, devemos aceitar e seguir em
frente com coragem.
NEOPLATONISMO
O Neoplatonismo surgiu no século III d.c. como uma das escolas filosóficas mais influentes da
antiguidade, tendo como figura principal o filósofo Plotino. Essa corrente filosófica se desenvolveu a partir
das ideias de Platão: “ um filósofo grego que fundou um pensamento metafísico próprio, relegado á questão
do ‘ser’ e das ‘essências’ o princípio e a chave para se ter qualquer tipo de conhecimento acerca do mundo”
(UOL Escola,2025,S/P). As origens do Neoplatonismo está sempre em ligação á cidade de Alexandria, um
centro racional da época, e suas raízes são uma crítica á filosofia aristotélica, mas essencialmente em uma
minudência das concepções platônicas.
Platão desenvolveu uma realidade dividida entre o mundo sensível (acessível aos sentidos) e o
mundo das ideias (imutável e eterno, podendo somente ser compreendido pela razão). Entretanto, o
Neoplatonismo vai muito mais além desse dualismo. Diante de Platão, Plotino evolui a ideia de um absoluto
princípio, o “UNO”. O mesmo se diz que o Uno é a fonte de tudo o existente e se está além de todas as
coisas. Conforme Álvaro Korbes:
[...] O sistema metafísico de Plotino tem como primeiro princípio o uno, que,
por derivação, gera todas as demais hipóstases, e por este motivo ele é o fim último
de todos os desejos. Cada hipóstase tem sua atividade determinada pela tentativa de
imitar aquela que lhe formou, imediatamente anterior. Este sistema henológico tem
como segundo princípio e hipóstase o intelecto, que constitui as formas, semelhante
ao mundo das ideias platônico, e por isso também é o ser e o belo; (Hauschild,
Álvaro Korbes,2016, S/P).
A principal ideia do Neoplatonismo era que a alma humana, em seu interior, tem origem no mundo
divino, e sua tarefa mais importante é retomar á sua fonte. A purificação do espírito, através da meditação e
da prática filosófica, é o caminho para essa ascensão. O Neoplatismo, entretanto, é uma filosofia que procura
uma concordância entre a razão (filosofia) e espiritualidade (religião), compreendendo onde o principal
objetivo é alcançar a união com o Uno, sendo assim, a proeminência completa.
CONCLUSÃO
As escolas helenísticas, como o Estoicismo, o Epicurismo e o Ceticismo, oferecem ensinamentos
valiosos para o mundo contemporâneo, refletindo sobre questões fundamentais da vida humana. O
Estoicismo, com seu foco no controle das emoções e na busca pela virtude, é relevante no enfrentamento das
adversidades e no manejo do estresse. O Epicurismo, ao destacar a importância de prazeres simples e
duradouros, contrasta com o consumismo moderno e valoriza a busca por um bem-estar genuíno. Já o
Ceticismo, ao incentivar a dúvida e a constante busca por conhecimento, é essencial em um contexto de
informação rápida e muitas vezes contraditória, estimulando uma análise crítica. Essas filosofias oferecem
ferramentas úteis para lidar com os desafios da vida moderna, promovendo equilíbrio, reflexão e
autoconhecimento.
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