ESCOLA ESTADUAL TÉCNICA SÃO JOÃO BATISTA
INICIAÇÃO CIENTÍFICA
Lauro Henrique Rehr de Almeida
Carlos Henrique de Mello de Azevedo
Júnior Alexandre Nogueira da Silva
Gustavo de Matos Costa
MÉTODO DE ABORDAGEM
Método Hipotético-Dedutivo
Montenegro-RS
2024
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SUMÁRIO
1. O QUE É MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO?...........................................................................................
2. ORIGEM E HISTÓRIA DO MÉTODO............................................................................................................
2.1 Empirismo e Racionalismo.....................................................................................................................
2.2 Críticas ao Indutivismo...........................................................................................................................
2.3 Karl Popper e o Método Hipotético-Indutivo...........................................................................................
3. ELEMENTOS BASILARES DO MÉTODO....................................................................................................
4. OBJETIVO DO MÉTODO..............................................................................................................................
5. METODOLOGIA DO MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO..........................................................................
5.1 Karl Popper e Kaplan.............................................................................................................................
5.3 A pesquisa moderna...............................................................................................................................
5.4 Resultados..............................................................................................................................................
6. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO............................................
REFERÊNCIAS............................................................................................................................................
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1 O QUE É MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO?
O método hipotético-dedutivo é uma modalidade de método científico que se
inicia com um problema ou uma lacuna no conhecimento científico, passando pela
formulação de hipóteses e por um processo de inferência dedutiva, o qual testa a
predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela referida hipótese. Quando se
tem vários fenômenos particulares, leis ou hipóteses que se quer explicar ou
unificar, formula-se uma ou mais hipóteses.
A teoria ou as hipóteses, assim produzidas, seriam então desenvolvidas por
meio do raciocínio dedutivo, testadas e substituídas, caso necessário. Num sentido
geral, todas as inferências indutivas reduzem-se ao método hipotético-dedutivo.
(MATTAR, 2017).
2 ORIGEM E HISTÓRIA DO MÉTODO
Considerando que a indução, como técnica de raciocínio, já existisse desde
Sócrates e Platão, foi Francis Bacon quem sistematizou o método indutivo. Todo
conhecimento tem como fonte de percepção, a observação, ou, como afirmou
Hume, nada há no entendimento que antes não tenha estado nos sentidos. Esta é a
tese do indutivismo ou empirismo, escola britânica liderada por Bacon, que conta
entre suas fileiras com filósofos como Locke, Berkekey, Hume e Stuart Mill.
2.1 Empirismo e Racionalismo
Temos assim, duas escolas em confronto: empirismo versus racionalismo. As
duas admitem a possibilidade de alcançar a verdade manifesta, só que as fontes do
conhecimento, os pontos de partida de uma e de outra escola são opostos: para o
empirismo, são os sentidos, a verdade da natureza, livro aberto em que todos
podem ler, para o racionalismo, a veracidade de Deus, que não pode enganar e que
deu ao homem a intuição e a razão.
Em resumo, tem o conhecimento da sua origem nos fatos ou na razão? Na
observação ou em teorias e hipóteses? Quanto ao ponto de chegada, ambas as
escolas estão concordes: formulação de leis ou sistemas de leis para descrever,
explicar e prever a realidade. Assim, a discussão versa sobre o ponto de partida e o
caminho a seguir para alcançar o conhecimento.(MARCONI; LAKATOS, 2017).
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2.2 Críticas ao Indutivismo
Hume foi o primeiro a colocar dúvidas sobre os alicerces do método indutivo:
apontou o fato de que nenhum número de enunciados de observações singulares,
por mais amplo que seja, pode acarretar logicamente um enunciado geral irrestrito.
Se A e B se encontram uma, duas, mil vezes juntos, não se pode concluir, com
certeza, que na próxima vez estejam juntos, e a indução afirma precisamente isso.
O que podemos ter é uma expectativa psicológica de que os fenômenos
tornarão a comportar-se da mesma forma, com probabilidade maior ou menor.
Mesmo Bertrand Russel entende que o empirismo puro não é base suficiente para a
ciência de modo geral. Contudo, de todos ou autores que puseram em dúvida o
indutivismo, o mais relevante foi Popper, que lançou as bases do método hipotético-
dedutivo e do critério da falseabilidade.(MARCONI; LAKATOS, 2017).
2.3 Karl Popper e o Método Hipotético-Indutivo
Karl Popper (1902-1994) é o criador do método hipotético-dedutivo e um
falibilista na área científica. Para ele, o conhecimento científico não possui o valor
de verdade, mas de verosimilhança. Em sua obra Conjecturas e Refutações, o
teórico defende que existe diferentes graus de proximidade da verdade. Isto é,
embora uma hipótese científica possa ser refutada, parte de seu conteúdo pode ser
verdadeiro. A essa proximidade da verdade, ele chamou de verosimilhança.
O método hipotético-dedutivo foi definido por Karl Popper a partir de críticas à
indução, expressas em A lógica da investigação científica, obra publicada pela
primeira vez em 1935. A indução no entender de Popper não se justifica, pois o
salto indutivo de "alguns" para "todos" exigiria que a observação de fatos isolados
atingisse o infinito, o que nunca poderia ocorrer, por maior que fosse a quantidade
de fatos observados.(GUIMARÃES, 2018).
3 ELEMENTOS BASILARES DO MÉTODO
Os argumentos epistemológicos conduzem ao questionamento do
conhecimento científico. Duas correntes se apresentam como estratégias para
validar essa possibilidade ou impugná-la. A primeira é o dogmatismo. Para os
seguidores dessa corrente, o conhecimento é possível, bem como a descoberta da
verdade. Sendo assim, pode-se chegar ao conhecimento absoluto e rejeitar
quaisquer dúvidas acerca da confiança humana sobre aquilo que já é conhecido. A
outra corrente é o ceticismo.
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Para seus adeptos, não é possível conhecer os fenômenos do mundo, seja
devido sua constante transformação, ou pela limitação dos órgãos sensoriais
humanos, ou ainda, devido aos métodos e teorias. O falibilismo surge como corrente
intermediária ao dogmatismo e o ceticismo, ou seja, aos dois pensamentos
epistemológicos. Quanto a oposição ao dogmatismo, o falibilismo reconhece que o
conhecimento científico seja falível, sujeito a erros e a revisões; logo, em
permanente evolução.
Quanto ao ceticismo, o falibilismo defende que o conhecimento científico é
possível, pois progride ao deixar o ser humano interagir com o mundo, tanto pela
regularidade quanto pela capacidade de mudança.(GUIMARÃES, 2018).
4 OBJETIVO DO MÉTODO
O objetivo imediato do método hipotético-dedutivo é combater o erro e se
pensar que evitá-lo é, do ponto de vista epistemológico, tão importante quanto o
objetivo de descobrir a verdade científica.
Então, se houver as garantias de que o método elimina sucessivamente o
erro, já será uma razão epistêmica suficiente para usá-lo. É devido a isso que,
Popper propõe ao pesquisador manter-se em atitude crítica permanente.
(GUIMARÃES, 2018).
5 METODOLOGIA DO MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
5.1 Karl Popper e Kaplan
Karl Popper argumenta que a indução parte de uma coerência metodológica
porque é justificada dedutivamente. Sua justificação indutiva exigiria o trabalho de
sua verificação factual. Isso significa cair numa petição de princípio, ou seja, apoiar-
se numa demonstração sobre a tese que se pretende demonstrar. Já de acordo com
Kaplan, no método hipotético-dedutivo, o cientista, através de uma combinação de
observação cuidadosa, hábeis antecipações e intuição científica, chega-se a um
conjunto de postulados que governam os fenômenos pelos quais está interessado,
daí deduz ele as consequências por meio de experimentação e, dessa maneira,
refuta os postulados, substituindo-os, quando necessário, por outros, e assim
prossegue.
Quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são
insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar
explicar a dificuldade expressa no problema, são formuladas conjecturas ou
hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se consequências observáveis, que
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deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tentar tornar falsas as
consequências deduzidas das hipóteses.
Enquanto no método dedutivo procura-se a todo custo confirmar a hipótese,
no método hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para
derrubá-la. Quando não se consegue demonstrar qualquer caso concreto capaz de
falsear a hipótese, tem-se a sua corroboração, que não excede o nível provisório.
De acordo com Popper, a hipótese mostra-se válida, pois superou todos os
testes, mas não definitivamente confirmada, já que a qualquer momento poderá
surgir um fato que a invalide.(GIL, 2019).
5.3 A pesquisa moderna
A pesquisa moderna utiliza o método hipotético-dedutivo que consiste em
testar teorias por meios de hipóteses falseáveis. Há no raciocínio indutivo, uma
impropriedade, pois se chega a uma conclusão generalizada, saltando-se de fatos
particulares. Como o método indutivo se revela impróprio para a Ciência, então é
proposto o método hipotético-dedutivo o qual propõe o seguinte caminho: parte-se
de um problema, estabelecem se conjecturas (hipóteses, uma solução proposta
passível de ser testada), deduzem-se as consequências das observações
realizadas, tenta-se falsear as conclusões por meio da observação.
Diferentemente, pois, da indução que busca confirmar uma hipótese, o
método hipotético-dedutivo busca falseá-la. Se a hipótese resistir aos testes rígidos
de falseamento, ela estará ‘corroborada' provisoriamente. Não se trata de
confirmação de hipóteses ou conjectura, mas de afirmar que não se descobriu,
depois de feitos os testes de falseamento, nenhum caso concreto que a invalide.
Trata-se portanto, de um método que não se propõe alcançar uma certeza definitiva,
mas provisória, o que está mais de acordo com a ciência, cuja possui como uma
das características a provisoriedade. (MEDEIROS, 2019).
5.4 Resultados
Em função dos resultados desses testes, as hipóteses podem ser
modificadas, dando início a um novo ciclo, até que não haja discrepâncias entre a
teoria (ou o modelo) e os experimentos e/ou as observações. De acordo com
Popper, toda investigação tem origem num problema, cuja solução envolve
conjecturas, hipóteses, teorias e eliminação de erros; por isso que o método de
Popper é considerado o método de eliminação de erros. (PRODANOV; FREITAS,
2013).
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Resumindo, o método hipotético-dedutivo, se inicia pela percepção de uma
lacuna nos conhecimentos, acerca da qual formula hipóteses e, pelo processo de
inferência dedutiva, testa a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela
hipótese. (MARCONI; LAKATOS, 2019).
6 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
O método hipotético-dedutivo, antes defendido por outros autores, baseia-se
na ideia de que toda pesquisa se inicia com um problema e com uma solução
possível, que é convertida em hipótese, quando colocada sob a forma de
proposições. A hipótese norteia a pesquisa sendo submetida a testes para que se
possa verificar se é ou não a solução do problema, cabe à observação e à
experimentação, entre outros meios, o papel de testar hipóteses levantadas na
busca da solução de um problema, com o objetivo de refutá-las. Assim como
acontece com o método indutivo e método dedutivo, o método hipotético-dedutivo
tem a ele relacionadas vantagens e desvantagens, Por exemplo, se por um lado, se
faz a identificação desse tipo de raciocínio com determinados traços das teorias
científicas, por outro não se admite que esse método possa ser o único a dar
respostas à problemática científica, Ou seja, esse método não pode explicar o
progresso científico sozinho pois, assim como os outros métodos, também se
realiza por saltos, por rupturas sucessivas que estabelecem uma reestruturação da
própria teoria, O certo é que todos os métodos têm sua importância para a Ciência
e, dadas as diversas discussões existentes sobre o assunto, parece mais prudente
se buscar entender a contribuição de cada um para o processo científico. O difícil é
aceitar que apenas um deles possa oferecer todas as bases para o processo
científico. (MARTINS; THEÓPHILO, 2018)
As críticas que podem ser feitas ao método hipotético-dedutivo são
exatamente as mesmas que foram formuladas quando se analisou o método
dedutivo. Deve-se apenas acrescentar que o critério de falseabilidade, introduzido
por Popper, concentra a maioria das críticas, por afirmar que as hipóteses, etapa
necessária para o desenvolvimento da ciência, jamais podem ser consideradas
verdadeiras, visto que conclusivamente podem ser falseadas, É claro que todos os
autores que emitem esse tipo de crítica não postulam o conhecimento científico
como pronto e acabado em dado momento, por isso contraria a característica da
ciência de contínuo aperfeiçoamento, por meio de modificações e alterações no
campo teórico e na área dos métodos e técnicas de investigação da natureza e da
sociedade. O que causa estranheza, na posição de Popper, é que a ciência se limita
à eliminação do erro, sem que se apresente como progressiva descoerta ou
aproximação da verdade. (MARCONI; LAKATOS, 2017)
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REFERÊNCIAS
[Link]
Acesso em: 29 mai 2024.